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Monografia Penal - a

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INTRODUÇÃO O Brasil é um país que possui um grande número de veículos em circulação e, em decorrência, muitos acidentes com fatalidades ocorrem

em números assustadores diariamente. Motoristas imprudentes que se utilizam de veículos como armas de fogo. Em meio a esse assunto, que punição aplicar ao agente: dolo eventual ou culpa consciente? A diferença de ambos ainda se confunde, pois é necessário saber a vontade do agente. A busca da identificação da vontade que houve por parte do agente, a intenção ou não do resultado é difícil de provar. A culpa está caracterizada e descrita nos crimes de trânsito, mas um clamor da sociedade na busca de uma pena mais gravosa para esses crimes tem tentado reverter para a aplicação do dolo eventual, causando uma pressão no judiciário por causa dessa insatisfação e levando a mudanças na aplicação da pena. Os tribunais discutem e os doutrinadores também divergem suas opiniões na aplicação do dolo eventual, não sabendo se o agente agiu com culpa consciente ou não, causando grande celeuma. Diante dessa discussão nos deparamos com um problema que será analisado no decorrer desse trabalho. Enquanto uns entendem que não há possibilidade da aplicação do dolo eventual nos homicídios ocorridos no trânsito, pois o Código de Trânsito Brasileiro – CTB deixa bem claro no art. 302 que só existe a penalidade de forma culposa nos casos de homicídios praticados na direção de veículos automotores, outros entendem que podem sim aplicar o instituto dolo eventual em determinados crimes de trânsitos, como dirigir embriagado, andar pela contramão, prática de racha e etc, dependendo do caso em estudo. A relevância dessa temática traz nesse projeto teorias expostas em seu embasamento à finalidade de analisar a possibilidade ou não da aplicação do dolo eventual nos homicídios no trânsito, como a sociedade, doutrinadores e aplicadores da lei tem se comportado perante o insigne número de crimes ocorridos no trânsito. Examinar minuciosamente se há em determinados crimes de trânsitos os requisitos necessários para a aplicação do dolo eventual ou da culpa consciente. Verificar

como tem se comportado o operador do direito na hora de fazer subsunção e aplicação da pena em meio à celeuma entre dolo eventual e culpa consciente que podem ocorrer nesse tipo de crime. Pesquisar na jurisprudência e na doutrina como tem ocorrido à aplicabilidade do instituto dolo eventual e culpa consciente em alguns crimes ocorridos no trânsito, são uns dos objetivos desta pesquisa. Este estudo tem como importância para a sociedade o conhecimento do assunto dolo eventual, trazendo a diferenciação da culpa, ambas penalidades aplicadas em crimes de trânsito que no Brasil acontecem milhões todo ano e que muitos desses casos são julgados de maneira injusta, ficando a sociedade muitas vezes insatisfeita com a sentença final. Para isso foi constituída uma pesquisa bibliográfica, implementada a uma pesquisa de campo, para verificar o que os alunos do curso de Direito acham e pensam sobre esse assunto, se é a favor da aplicação do dolo eventual nos crimes de trânsito, se as penas aplicadas satisfazem o anseio de justiça.

Manual de Direito Penal. antigamente. Damásio. formal e analítico. “é aquele que tem em vista o bem protegido pela lei penal”. o Código Criminal de 1830 e o Código Penal de 1890 traziam o conceito de crime. Cezar Roberto. p.uol. Direito Penal. 2010. É importante ressaltar que. ano 7. p. O conceito de crime . Disponível em: <http://jus2. p. n. 96 apud. 2 JESUS. o qual é o adotado para conceituar o crime. o material. p. fev. 210 . sendo o crime fato típico e antijurídico. a razão determinante de constituir uma conduta humana infração penal e sujeita a uma sanção”. Acesso em: 04 set. Jus Navigandi. NORONHA. 3 MIRABETE.CAPÍTULO I O CRIME 1. 62. Julio Fabrinni. crime é a violação da lei penal.3 Formalmente falando.4 Já analisando o conceito de crime sob o aspecto analítico.br/doutrina/texto. propriamente dito.com.1 A doutrina conceitua o crime sobre três aspectos.2 A melhor orientação para o conceito material de crime. Teresina. mas a doutrina tem se preocupado em conceituá-lo. Alessandro Rafael Bertollo de.asp?id=3705>. e tendo a culpabilidade um 1 ALEXANDRE. Magalhães. uma vez que coloca em destaque o seu conteúdo teleológico. 105 4 BITENCOURT. Tratado de Direito Penal. a doutrina tem se dividido entre a teoria bipartida. O conceito formal e material é insuficiente para permitir à dogmática penal a realização de uma análise dos elementos estruturais do conceito do crime. E.1 CONCEITO Embora o nosso Código Penal não haver trazido o conceito de crime. Tal não ocorre na legislação atual como já citado anteriormente. Direito Penal. como afirma Noronha.193. 2003. Segundo Damásio de Jesus o “conceito material do crime é de relevância jurídica.

antijurídico e culpável. foi possível determinar elementos subjetivos no próprio tipo penal e não somente na culpabilidade. De acordo com as palavras de Rodrigo Santos Emanuel: Hans Welzel foi o grande defensor da teoria finalista da ação que surgiu entre 1920 e 1930. onde se observou elementos finalísticos nos tipos penais. Grécia. Portugal.elemento que permitirá a manifestação da pena ao agente que praticou o delito. Tratado de Direito Penal.5 Segundo Cezar Roberto Bitencourt: A definição atual do crime é produto da elaboração inicial da doutrina alemã. Nélson Hungria. acessado em: 27/08/2010 6 BITENCOURT. também denominada neokantista. Julio Fabrini Mirabete e outros tem adotado a teoria bipartida (fato típico e ilícito). uma classe majoritária composta por Aníbal Bruno. que. Áustria e Suíça. foi trabalhado no aperfeiçoamento dos diversos elementos que compõe o delito. Disponível em: . Heleno Fragoso. entre outros. e a teoria tripartida sendo o crime fato típico. Espanha. antijurídico e culpável) e os grandes autores conhecidíssimos em nosso meio jurídico. com a contribuição de outros países. Rodrigo Santos. 206 Penal. tem defendido a teoria tripartida (fato típico. sob a influência do método analítico. p. Cezar Bitencourt.pontojuridico. onde se tem a partir dessa concepção a formação das duas teorias citadas acima. diante das constatações neoclássicas. Edgar Magalhães Noronha. a doutrina tem se divergido com relação aos elementos que compõem o crime. Celso Delmanto. Guilherme Nucci. Fernando Capez. como Itália. Fernando Galvão.com>. Pela corrente neoclássica. a partir da segunda metade do século XIX. Teorias da Conduta no Direito <www.6 Como citado anteriormente. O Código Penal adotou de forma não expressa à teoria finalista de Hans Welsel. 5 EMANUELE. sendo assim a vontade é um elemento muito importante na hora de praticar a ação. Segundo essa teoria toda e qualquer ação do homem têm uma finalidade e não simplesmente uma causalidade. Cezar Roberto. próprio do moderno pensamento científico.

• Tipicidade. art. em querer agir. 1º). também a doutrina conceitua o fato típico com a composição de quatro elementos. 19-20 . p. p. • Nexo de causalidade.1.9 Assim como o conceito de crime é composto de elementos. “a pedra angular de toda a sistemática do delito”. A conduta.5º. é a manifestação de uma vontade. ou omissiva.8 Celso Delmanto afirma que “será fato típico quando a conduta estiver definida por lei como crime. Fernando. e é previsto como infração penal”. que pode ser dolosa ou culposa. onde se tem um comportamento positivo. segundo o princípio da reserva legal (CP. onde o agente age negativamente.1. Curso Direito Penal. constitucional mente garantido (CR/88. XXXIX)”. Celso. p. Fato Típico Sendo um dos elementos do crime o fato típico é o fato material que se amolda perfeitamente aos elementos constantes do modelo previsto na lei penal.109 MIRABETE. p. que são eles: • Conduta (dolosa ou culposa). Manual de Direito Penal. PIERANGELLI.7 Segundo Mirabete o fato típico “é o comportamento humano (positivo ou negativo) que provoca em regra um resultado. 7 8 CAPEZ. p. José Henrique. 1. Do Consentimento do Ofendido na Teoria do Delito. 18-19 10 Idem. Código Penal Comentado. um não fazer. contemplando todos os seus elementos.De acordo com a doutrina majoritária irá ser abordado de forma completa a teoria tripartida para uma maior explanação sobre o conceito de crime. 98 9 DELMANTO. Julio Fabrinni.19 apud. art.10 Pode se classificar a conduta também como comissiva. • Resultado.

pois o crime só poderá ser imputável a quem lhe deu causa. XXXIX). e é considerado causa a ação ou omissão do agente. sem os quais jamais pode haver punição. de descrever os crimes. p. que é a correspondência exata. a adequação perfeita entre o fato natural.11 O nexo de causalidade que se encontra tipificado no art. De acordo com as palavras de Celso Delmanto: O legislador. 13. nem pena sem prévia cominação legal” (art. sobe pena de inadmissível responsabilidade penal objetiva. primeira parte do CP).O elemento resultado do crime pode ser naturalístico ou jurídico (art. O resultado naturalístico consiste na modificação provocada no mundo exterior pela conduta do agente. Julio Fabrinni.13 Essa descrição abstrata contida na lei se dar o nome de Tipo. incorporou ao tipo penal a exigência de dolo ou culpa (elementos subjetivos do tipo – CP. isto é. Na medida que a Constituição brasileira consagra expressamente o princípio de que “não há crime sem lei anterior que o defina.5º.179 . sem a qual o resultado não teria ocorrido. 12 A tipicidade é o último elemento do fato típico. que fica outorgado à lei a relevante tarefa de definir. art. p. Curso Direito Penal. segundo a escola finalista. 11 12 Idem. p.13 do CP deixa bem claro que deve haver um nexo ou ligação entre a conduta do agente e o resultado.21 13 MIRABETE. caso falte algum não poderá ser considerado crime. o que seria um a verdadeira afronta ao direito penal da culpa. Já o resultado jurídico é o que se refere à própria lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico penalmente tutelado. e a descrição contida na lei.14 É importante ressaltar que o fato concreto tem que conter todos esses elementos do fato típico. concreto. Segundo Capez: O tipo legal é um dos postulados básicos do princípio da reserva legal.19 Idem. Manual de Direito Penal. 18). 115 14 CAPEZ. Fernando. p.

III. direito próprio ou alheio. • • Art. pois existem as excludentes de ilicitude que se encontram tipificadas no nosso Código Penal. p.3. que não provocou por sua vontade.1. Art. não era razoável exigir-se.em legítima defesa. Márcia Cristina Vaz dos Santos. mas nem todo típico é ilícito. Livia. Fernando. art. 24. 23. Culpabilidade 15 16 JESCHECK.258 17 PINTO. nem podia de outro modo evitar. Não há crime quando o agente pratica o fato: I – em estado de necessidade.543 .16 Todo fato penalmente ilícito é sempre típico. CÉSPEDES. 23. nas circunstâncias. Tratado de Direito Penal. p.17 1. 25. WINDT. Exercício regular de direito.210 CAPEZ. Curso Direito Penal. II. que são elas: • Estado de necessidade. pelo qual a ação ou omissão típicas tornam-se ilícitas”. atual ou iminente.1. Considera-se em estado de necessidade que pratica o fato para salvar de perigo atual.1.2. Vade Mecum. Entende-se em legitima defesa que. Antijurídico ou Ilícito Hans-Heinrich Jescheck conceitua a antijuridicidade com sendo um “comportamento contrário ao dever de atuar ou de se abster estabelecido de em uma norma jurídica”. Art. Legitima defesa. usando moderadamente dos meios necessários. Hans-Heinrich. § 1. a direito seu ou de outrem.º Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado. repele injusta agressão. Antonio Luiz de Toledo.15 Segundo Fernando Capez a ilicitude “é a contradição entre a conduta e o ordenamento jurídico. § 2. cujo sacrifício. a pena poderá ser reduzida de um a dois terços. p.º Não pode alegar estado de necessidade que tinha o dever legal de enfrentar o perigo.em estrito cumprimento do dever legal ou no exercício regular de direito.

26. Fernando.18 Para que haja a culpabilidade do agente no ato praticado como crime é necessário ter em mente alguns elementos. psicológicas. morais e mentais de saber que está realizando um ilícito penal e ter controle sobre sua vontade. sendo definida como juízo de censurabilidade e reprovação exercido sobre alguém que praticou um fato típico e ilícito. Desenvolvimento metal retardado. ao tempo da ação ou 18 19 CAPEZ. mas pressuposto para a imposição de pena.296 . a culpabilidade. existem causas que excluem a imputabilidade. Desenvolvimento mental incompleto.19 Mas. é considerado elemento que compõe o crime. Curso Direito Penal. São considerados inimputáveis segundo o nosso Código Penal: Art.287 Idem. Potencial consciência da ilicitude. que são: • • • • Doença mental. p. p. A culpabilidade é a possibilidade de o agente que praticou uma infração penal ser considerado culpado. era. por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado. para a doutrina majoritária. A imputabilidade é a capacidade de entender o caráter ilícito do fato e de determinar-se de acordo com esse entendimento. Exigibilidade de conduta diversa.Como já visto anteriormente. já a doutrina minoritária diz que não se trata de um elemento do crime. O agente deve ter condições físicas. É isento de pena o agente que. Embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior. que são eles: • • • Imputabilidade.

voluntária ou culposa. Não excluem a imputabilidade penal: I – a emoção ou a paixão.° A pena pode ser reduzida de um a dois terços. que são: Art. Antonio Luiz de Toledo. se o agente. Exigibilidade de conduta diversa é a possibilidade de o agente praticar outra conduta.da omissão. § 1. Gecivaldo Vasconcelos. Disponível em: <http://jus2. WINDT. era.22 20 PINTO. p.22 do Código penal. uma causa de exclusão da culpabilidade. Jus Navigandi.º É isento de pena o agente que. proveniente de caso fortuito ou força maior.uol. inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinarse de acordo com esse entendimento.21 A potencial consciência da ilicitude é quando o agente tem a total consciência e condição de perceber a que conduta que está praticando é contrária ao ordenamento jurídico. como afirma o art. Márcia Cristina Vaz dos Santos. se o agente. A figura 1 nos traz resumidamente toda a teoria do crime que foi aqui esplanada. II – a embriaguez. 3 fev. Parágrafo único.br/doutrina/texto. 201024 maio 2010. Vade Mecum. Acesso em: 13 set. por embriaguez completa. então.20 O Código Penal também descreve quais os casos que não excluem a imputabilidade. Livia.com. Teoria do crime em síntese. FERREIRA. 1677. a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato de determinar-se de acordo com esse entendimento. Teresina. ao tempo da ação ou da omissão. 27. . inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. § 2. CÉSPEDES. A pena pode ser reduzida de um a dois terço. Ibidem. ano 12. 2008. n. 28. por embriaguez.asp?id=10913>. sendo que caso exista coação irresistível ou uma obediência hierárquica há.543 21 22 Idem. não possuía. Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis. pelo álcool ou substância de efeitos análogos. em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento Art. ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial. proveniente de caso fortuito ou força maior. ao tempo da ação ou da omissão.

13. III. 20 do CP) inevitável exclui o dolo e a culpa. e 228 da CF). do CP). 23. do CP). Legítima defesa (arts. CULPÁVEL (juízo de reprovação sobre a conduta ilícita do agente) E Imputabilidade L E M E N T O S Excluem a imputabilidade: • • • doença mental (art. O S Tipicidade Conglobante: quando a conduta do agente não é imposta ou fomentada pela norma e afeta bens penalmente relevantes (tipicidade material). II. III. imaturidade natural (arts. 18 do CP). • . 28. 23. Consentimento do ofendido (admissível somente em alguns casos). embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior (art. do CP). 23. condição de silvícola inadaptado. Observar que o erro de tipo (art. e 24 do CP). Exercício regular de direito (art. do CP). dolosa ou culposa (art. 23. e 25 do CP). E L Resultado jurídico/normativo (art.Figura 1 CRIME Conduta. FATO TÍPICO (fato material no qual se identifica a efetivação de uma conduta prevista no tipo penal incriminador. comissiva ou omissiva. que afeta ou ameaça de forma relevante bens penalmente tutelados). 13 do CP). 26 do CP). E M Nexo de causalidade entre a conduta e o resultado (art. I. 27 do CP. § 1º. Estrito cumprimento de dever legal (art. E N Formal: adequação perfeita do fato à lei penal T incriminadora. primeira parte. e ainda. E X C L U D E N T E S ILÍCITO (relação de antagonismo entre a conduta do agente e o ordenamento jurídico) • • • • • Estado de necessidade (arts.

1 DOLO E CULPA Como já visto no capítulo anterior. negligência ou imperícia. para haver crime é necessária uma conduta dolosa ou culposa que se encontra como um dos elementos do fato típico. quando o agente deu causa ao resultado por imprudência. Diz se o crime: I – doloso. Rogério. Art. Antonio Luiz de Toledo.2 DOLO 2. WINDT. Gecivaldo Vasconcelos.com.18.br/doutrina/texto. 2008. CÉSPEDES. Excluem esse elemento: • Exigibilidade de conduta diversa • • Coação moral irresistível (art. 22 do CP).2. Márcia Cristina Vaz dos Santos. Curso de Direito Penal. n.p.1 Conceito e Teorias Para Rogério Greco o dolo é a vontade livre e consciente dirigida a realizar a conduta prevista no tipo penal incriminador. 21 do CP) exclui essa potencial consciência. Livia. CAPÍTULO II DOLO E CULPA 2.Potencial consciência sobre a ilicitude do fato O erro de proibição inevitável (art. ano 12. 18. Jus Navigandi.23 2. 1677. O dolo e a culpa são definidos por nossa doutrina como os elementos subjetivos do crime e se encontram tipificados em nosso Código Penal no art. quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo.asp?id=10913>.24 23 PINTO. Disponível em: <http://jus2.542 24 GRECO. Causas supralegais (identificáveis em situações concretas) FONTE: FERREIRA. 22 do CP). II – culposo. 3 fev. Teresina. Acesso em: 24 maio 2010. Vade Mecum.uol. p. Obediência hierárquica (art. Teoria do crime em síntese . 204 .

p.158 29 Idem. Segundo essa teoria a mera representação intelectual não é suficiente para a configuração do dolo. Geral. Fernando.158 apud CARRARA. Cláudio. Ele reconhece o dolo sempre que o agente tem a intenção de produzir resultado. Um grande expoente da teoria da vontade é Francesco Carrara. porque é ela que possibilita a representação mental do resultado. Curso Direito Penal. que diz que o dolo se configura com a simples previsão do resultado.29 25 26 BRANDÃO. Curso de Direito Penal: Parte Francesco.p. 80 28 Idem. p.198 27 BRANDÃO. Teoria da representação.26 O dolo é à vontade. . Ibidem. e conhecer que o fato que está praticando é ilícito. será suficiente para a configuração do dolo o elemento intelectivo: a consciência. formulada por Ernst von Beling.Segundo Cláudio Brandão o dolo é definido como consciência e vontade da realização dos elementos objetivos do crime. O mestre dos mestres definiu o dolo como intenção mais ou menos perfeita de praticar um ato contrário à lei.p. é a vontade manifestada pela pessoa humana de realizar a conduta.p. Cláudio. A doutrina explana três teorias que procuram conceituar e explicar o dolo. são elas: • • • Teoria da vontade. mas deve-se analisar a atitude do agente frente a representação: além do resultado. o querer em praticar uma conduta prevista no tipo penal. Curso de Direito Penal: Parte Geral.27 A teoria da representação foi criada por Franz von Liszt.Programa do Curso de Direito Criminal.25 No entendimento de Fernando Capez o dolo é à vontade e a consciência de realizar os elementos constantes do tipo legal.28 A teoria do consentimento segundo Cláudio Brandão: A teoria do consentimento surge a partir de uma crítica feitas à teoria da representação.156 CAPEZ. Assim. Teoria consentimento. Mais amplamente. mostrando uma atitude de indiferença em face da sua configuração.

Damásio. o segundo. p. o agente desfere golpes de faca na vítima com intenção de matá-la. Não obstante essa possibilidade. a título de dolo. Ex:. [. isto é.2. não obstante. prefere que este se produza. admite e aceita o risco de produzi-lo.340 . A vontade se 30 JESUS.Com a analise do nosso Código Penal em seu art. e a vontade o elemento volitivo. pode-se observar que foram adotadas duas teorias: a teoria da vontade e a teoria do consentimento ou assentimento.. sendo a consciência o elemento intelectivo. Desse modo. 2. Para ele. pode também atingir a outra pessoa. o agente desfere golpes de facas na vítima com intenção alternativa: ferir ou matar. o agente pretende atirar na vítima. I. Entre desistir da conduta e causar o resultado. A vontade não se dirige ao resultado (o agente não quer o evento). pois se assim fosse haveria dolo direto. Possui duas formas: Dolo alternativo – quando a vontade do sujeito se dirige a um ou outro resultado. prevendo que pode matar o terceiro é-lhe indiferente que este último resultado se produza. Ex:. tendo assim como o dolo a vontade de realizar o resultado ou a aceitação dos riscos de produzi-lo.] Dolo indireto ou indeterminado: quando a vontade do sujeito não se dirige a certo e determinado resultado. prevendo que esta pode produzir aquele. Ele não quer o resultado. Ex:. Direito Penal.. a título de dolo eventual. Dolo eventual – ocorre quando o sujeito assume o risco de produzir o resultado. embora não queira o evento.18. realiza o comportamento. Ele tolera a morte do terceiro. pode-se dizer que o dolo é composto de alguns elementos.2 Espécies de dolo Para Damásio de Jesus a doutrina distingue duas formas de dolo: Dolo direto ou dolo determinado: o sujeito visa a certo e determinado resultado. Ele antevê e age. mas sim à conduta. abrangendo os meios utilizados para tanto. e a teoria do consentimento na segunda parte do mesmo dispositivo. 18. responde por dois crimes de homicídio: o primeiro. O dolo se projeta de forma direta no resultado morte. Percebe que é possível causar o resultado e. tanto faz que o terceiro seja atingido ou não.é a vontade do agente dirigida especificamente à produção do resultado típico. I. A teoria da vontade foi a teoria adotada pelo nosso Código Penal prevista na primeira parte do art.30 Espécies de dolo segundo Guilherme de Souza Nucci: O dolo direto . Atirando na vítima e matando também o terceiro.

. Isso porque. de uma hipótese de engano quanto ao meio de execução do delito. quando prevalecia a teoria natural da ação. No tipo do art. em verdade. Curso de Direito Penal. como dolo alternativo.3 Outras classificações do dolo Existem também outras classificações do dolo. dolo cumulativo e dolo geral. Dizia-se que dolo genérico era aquele em que no tipo penal não havia indicativo algum do elemento subjetivo do agente ou. Nesse caso. não importando se a intenção do agente é mais ou menos evidenciada no tipo penal. não há. etc). Guilherme Nucci traz em seu Manual de Direito Penal essas outras classificações do dolo: a) Dolo alternativo. embora sinta que ele pode se materializar juntamente com aquilo que pretende. que significa desejar o agente alcançar dois resultados. nem tampouco quanto à ilicitude do que se pratica. existe um dolo específico. em sequência. a lei usa o termo “assumir o risco de produzi-lo”. Rogério. 221-222. Fazia-se.] O dolo indireto ou eventual é a vontade dirigida a um resultado determinado.159 do Código Penal. que significa querer o agente. não desejado. p. unido ao primeiro. melhor dizendo.encaixa com perfeição ao resultado. p. Manual de Direito Penal.2.. ou seja.. indiferentemente. Trata-se. um resultado ou outro b) Dolo cumulativo. mas admitido. razão pela qual vislumbravam. no caso de tipos penais como o do art. o dolo genérico. toda a conduta é finalisticamente dirigida à produção de um resultado qualquer.32 31 32 GRECO.. Por isso. porém vislumbrando a possibilidade de ocorrência de um segundo resultado. o agente não quer o segundo resultado diretamente. Guilherme de Souza. mas jamais quanto aos elementos do tipo. embora não seja tão evidente quando o próprio artigo se preocupa em direcionar a conduta do agente. podemos dizer que em todo o tipo penal há uma finalidade que o difere de outro. como o dolo genérico e o dolo específico. a seu turno. ali. segundo os adeptos dessa distinção. trazendo expressões dela indicativas. o que lhe é indiferente. Essas duas formas de dolo são as usadas em nossa doutrina atualmente. em que na sua redação encontramos expressões que indicam a finalidade da conduta do agente (com o fim de. indicando alguma finalidade do agente. de acordo com a referida teoria. 121 do Código Penal. de situação mais complexa. Ao contrário . a distinção entre dolo genérico e dolo específico. era aquele em que no tipo penal podia ser identificado o que denominamos de especial fim de agir. mas que termina por determinar o resultado visado. . Dolo específico. por exemplo. [. É um erro sobre a causalidade.] Contudo uma fez adotada a teoria finalista da ação. 209 NUCCI. c) Dolo geral (também chamado de erro sucessivo ou abrratio causae). mas com fundamentação em outras teorias ele pode formar outras espécies. [. não havia indicação alguma da finalidade da conduta do agente. a ação é o exercício de uma atividade final.31 2.

é crime culposo quando o agente deu causa ao resultado por imprudência. 192 35 BITENCOURT. podendo ser explícito ou implícito. negligência ou imperícia. voltado a um determinado objeto. II. que seria a mesma vontade.34 No entendimento de Cezar Roberto Bitencourt a definição de culpa “é tida como a inobservância do dever objetivo de cuidado manifestada numa conduta produtora de um resultado não querido. O dolo é a regra. Cezar Roberto. Entendemos ser desnecessária essas últimas duas denominações. que constituem o elemento subjetivo específico. utilizar apenas o termo dolo para designar o dolo genérico e elemento subjetivo do tipo específico para definir dolo específico. bastando considerar a existência do dolo e de suas finalidades específicas. que seria a vontade de praticar a conduta típica. Guilherme de Souza. Tratado de Direito Penal. Código Penal Comentado. p. Necessário assim se faz a busca doutrinária para um melhor entendimento e aprofundamento do estudo do conceito de culpa. e o dolo específico. Contudo essa definição que se encontra tipificada não demonstra suficientemente um conceito concreto para que se possa afirmar que determinada conduta que o agente venha a praticar é considerada ou não culposa.3 CULPA 2. apreciam a denominação elemento subjetivo do injusto ou elemento subjetivo ilícito para compor o universo das específicas finalidades que possui o agente para atuar. Alguns autores. embora adicionada deu uma especial finalidade.35 Segundo Delmanto: 33 34 NUCCI. ainda. sem qualquer finalidade especial. lícito ou ilícito. Outra parcela da doutrina costuma. mas previsível. p. embora produza resultado ilícito.Distinção entre dolo genérico e dolo específico segundo Guilherme de Souza Nucci: A doutrina tradicional costuma fazer diferença entre o dolo genérico. desatencioso. 221-222. não desejado. p. exceção”.1 Conceito e Teorias Segundo o Código Penal em seu artigo 18. Idem. Para Guilherme de Souza Nucci culpa “é o comportamento voluntário. atualmente. que podia ter sido evitado.33 2. a culpa. objetivamente previsível”. 278 .3.

vale dizer. sem a intenção de praticar o ato. levianamente pensou que ele não aconteceria. mesmo o prevendo. o crime culposo precisa estar expressamente previsto no tipo penal. agiu ou não de forma a evitar o resultado [.2 Elementos da culpa Para que se caracterize uma conduta culposa é necessária a observação de alguns elementos.. Ausente a previsibilidade. deve-se chegar à culpabilidade. Guilherme de Souza. entre a conduta do agente e o resultado danoso pode constituir o nexo de causalidade no crime culposo.A culpa fundamenta-se na aferição do cuidado objetivo exigível pelas circunstâncias em que o fato aconteceu. já que o agente não deseja a produção do evento lesivo. isto é. d) Previsibilidade. 224 . DELMANTO. g) Nexo causal. 34 NUCCI. pela análise da previsibilidade subjetiva. não previu o resultado do seu comportamento ou. mas crê poder evitar que ocorra. de forma que não há “furto culposo”. negligência ou imperícia. que ele não aconteça (culpa consciente). A seguir. através da previsibilidade. significando que o agente deixou de seguir as regras básicas e gerais de atenção e cautela. de acordo com sua capacidade pessoal. ou seja. c) Resultado danoso involuntário. é imprescindível que o evento lesivo jamais tenha sido desejado ou acolhido pelo agente. ou previsão do resultado. pois não se exige da pessoa uma atenção extraordinária e fora do razoável. a doutrina busca uma complementação do que o nosso Código Penal afirma. exigíveis de todos que vivem em sociedade. não é possível que o agente tenha previsto o evento lesivo. sinceramente. não empregando a atenção e cuidado exigido pelas circunstâncias. inerente a qualquer ser humano normal.] Assim. Em todos eles percebe-se que o agente age de uma maneira voluntária. pois acharia que o incidente não iria acontecer. e) Ausência de previsão (culpa inconsciente). no art. ou seja. o mais b) Ausência do dever de cuidado objetivo. Para Guilherme de Souza Nucci os elementos da culpa são os seguintes: a) Concentração na análise da conduta voluntária do agente. à culpa. Ex.36 Como se pode observar em todos os conceitos dados. haveria crime culposo quando o sujeito. Manual de Direito Penal. significa que somente a ligação. p. isto é. que a possibilidade de prever o resultado lesivo. esperando. f) Tipicidade.155 do Código Penal. mas com imprudência. Celso. 2.3. quando o agente vislumbra o evento lesivo. Essas regras gerais de cuidado derivam da proibição de ações de riscos que vão além daquilo que a comunidade juridicamente organizada está disposta a tolerar. p. se o sujeito..: não existe menção.37 36 37 importante na culpa é a análise do comportamento e não o do resultado. Código Penal Comentado. o que indica a tipicidade da conduta do agente. afastada estará a culpa.

desleixo. 98 . II. c) Imprudência – vem a ser a incapacidade. um agir sem a cautela. perigosa. a atenção necessária. e) previsibilidade. não o faz por preguiça. Luiz Regis Prado no seu livro Curso de Direito Penal conceitua essas modalidades de culpa. Ex.: não observar a sinalização de trânsito (via preferencial). a falta de conhecimentos técnicos precisos para o exercício de profissão ou arte. p. c) o resultado lesivo não querido. • Imperícia. pelo agente. 2.38 Já no entendimento de Mirabete os elementos do crime culposo são: a) b) c) d) a conduta. p. as modalidades de culpa que são elas: • Imprudência. impulsiva. f) tipicidade. tampouco assumido. a inobservância do dever de cuidado objetivo. b) Negligência – relaciona-se com a inatividade (forma omissiva). Curso de Direito Penal. • Negligência. É a conduta arriscada. 209 MIRABETE. desatenção ou displicência. a inércia do agente que podendo agir para não causar ou evitar o resultado lesivo. quando estacionado.3. b) imprudência e imperícia).3 Modalidades de Culpa O nosso Código Penal nos traz em seu artigo 18. a saber: a) conduta voluntária. a previsibilidade. É a ausência de aptidão técnica. afoitamento ou inconsideração. com precipitação.39 A doutrina encontra-se quase unânime em relação aos elementos que compõe a culpa. o resultado lesivo involuntária. Ex. de destreza ou de competência no 38 39 GRECO. Julio Fabrinni. de habilidade. a) Imprudência – vem a ser uma atitude positiva.: não deixar veículo freado. dirigir em alta velocidade. d) nexo de causalidade entre a conduta do agente que deixa de observar o seu dever de cuidado e o resultado lesivo dele advindo. e e) a tipicidade. Manual de Direito Penal. Rogério. comissiva ou omissiva.Segundo Rogério Greco a caracterização do delito culposo é necessário a conjugação de vários elementos.

p. embora possível. Luiz Regis Prado. 2. c) Imperícia: é a demonstração de inaptidão técnica em profissão ou atividade. Ex. que se verifica quando o autor não prevê o resultado que lhe é possível prever. Ao contrário da imprudência. Curso Direito Penal. O agente não conhece concretamente o dever 40 41 PRADO. [. excesso de velocidade. antes de agir.. p. confia que este ato não se realizará. p. por inobservância de um dever de cuidado.: deixar de reparar os pneus e verificar os freios antes de viajar. não sinalizar devidamente perigoso cruzamento.é a culpa comum. Implica sempre um comportamento positivo. a negligência dá-se sempre antes do início da conduta. trafego na contra mão.158 apud WESSELS. mas de modo contrário ao seu dever de cuidado.42 Para Luiz Regis Prado as duas formas de culpa são: Culpa inconsciente (culpa stricto sensu) . desse modo. p. 147.4 Espécies de Culpa Existem várias espécies de culpa classificadas por diversos doutrinadores. Não prevê o resultado. pois. 365-366 CAPEZ. transgredindo. Johannes. apesar de usarem outros termos para definir os conceitos das modalidades da culpa. a abstenção de um comportamento que era devido. sem saber. 42 BRANDÃO. Direito Penal – Aspectos Fundamentais.exercício de qualquer atividade profissional. na falta de conhecimento ou habilidade de para o exercício de determinado mister.: ultrapassagem proibida. Consiste na incapacidade.208-209. .. Cláudio. Curso de Direito Penal: Parte Geral. Fernando.] A culpa consciente é aquela em que o agente prevê a possibilidade da realização de um ato típico e antijurídico.41 Os doutrinadores.3. Ex. Ex: a falta de habilitação no conduzir o veículo (motorista profissional).40 Fernando Capez também conceitua as modalidades: a) Imprudência: é a culpa de quem age. Implica. o cuidado objetivo exigível. Curso de Direito Penal Brasileiro. as cautelas que deveria. que ocorre durante uma a ação. b) Negligência: é a culpa na sua forma omissiva. terminam se convergindo em um mesmo sentido. Pressupõe a qualidade de habilitação para o exercício profissional. ou seja. Cláudio Brandão em seu livro Curso de Direito Penal diz que a dogmática penal distingue duas formas de culpa: A culpa inconsciente é aquela que o agente não prevê a possibilidade de um resultado típico e antijurídico. aquela que surge durante a realização de um fato sem o cuidado necessário. Consiste em deixar alguém de tomar o cuidado devido antes de começar a agir. Pode ser definida como uma ação descuidada. quando era capaz de prevê-lo e o Direito exigia dele a previsão. O negligente deixa de tomar.

] Culpa consciente ou com previsão . 43 PRADO. há uma consciente violação do cuidado objetivo. mas espera que não ocorra. Por sem dúvida. [. A previsibilidade no delito de ação culposa se acha na culpabilidade e não no tipo injusto. o agente pode sim prever o resultado. Luiz Regis Prado.. Temos como a principal diferença entre elas a previsibilidade que o agente tem do resultado. 365-366 . mas considera capaz de não deixar que o resultado ocorra.objetivo de cuidado.43 As principais espécies de culpa que a nossa doutrina nos traz são a culpa inconsciente e a culpa consciente. sendo que na primeira espécie não é possível haver esta previsibilidade e..o autor prevê o resultado como possível. apesar de lhe ser conhecível. Curso de Direito Penal Brasileiro. p. já na segunda. Há efetivamente previsão do resultado. sem a aceitação do risco de sua produção (confia que o evento não sobrevirá).

] No dolo eventual.. Sobre a diferença entre dolo eventual e culpa consciente. Ao contrário. principalmente nos homicídios que ocorrem no trânsito. p.. o agente afasta ou repele.1 DIFERENÇA ENTRE DOLO EVENTUAL E CULPA CONSCIENTE Uma das maiores dificuldades encontradas dentro do direito penal tem sido à busca da diferença entre dolo eventual e culpa consciente. [. A doutrina e a jurisprudência ainda se encontram em um estado de dificuldade para saber qual a verdadeira intenção do agente na hora da prática de determinados crimes. assume todos os riscos e. Rogério Greco atento à diferença entre dolo eventual e culpa consciente. já na culpa consciente o agente tem a previsão de que um resultado venha a ocorrer. consente. pois acredita que poderá evitar. mas com os olhos voltados especificamente para o homicídio praticado na direção de 44 Idem.44 Existe uma linha muito curta que divide esses dois institutos. preferindo arriscar-se a produzi-lo a renunciar à ação. porém espera que não ocorra. na culpa consciente. onde a principal diferença está na aceitação do resultado. sendo que no dolo eventual o agente mesmo não querendo diretamente o resultado. a hipótese de superveniência do evento e empreende a ação na esperança de que não venha a ocorrer – prevê o resultado como possível.367 . concorda com o advento do resultado. o agente presta anuência. embora inconsideradamente. mas não o aceita nem consente.CAPÍTULO III DOLO EVENTUAL E CULPA CONSCIENTE 3. o aceita. existe um traço comum entre o dolo eventual e a culpa consciente: a previsão do resultado ilícito. leciona o Eminente Professor Luiz Regis Prado: Por assim dizer.

O agente confia que. tendo a previsão de que poderia acontecer. pois que in dubio pro réu.] O clamor social no sentido de que os motoristas que dirigem embriagados e/ou em velocidade excessiva devem ser punidos severamente. não pode prosperar. aduz que: A questão não é tão simples como se pensa. onde este mesmo agente.. na verdade. Curso de Direito Penal. E. ao contrário. não adotou a teoria da representação. atua com culpa consciente. Exige-se. como vimos..45 Como se pode perceber nem todo e qualquer homicídio que ocorra no trânsito será generalizado como culpa consciente. Se mesmo antevendo como possível a ocorrência do resultado como ele não se importava.. sim. portanto.veículo automotor. para arrematar.] Merece ser frisado. p. 45 GRECO. sinceramente. Em alguns casos ocorrerá à aplicação do dolo eventual. Rogério. Não se pode partir do princípio de que todos aqueles que dirigem embriagados e com velocidade excessiva não se importam em causar a morte ou mesmo lesões em outras pessoas. mas. não pode ter o condão de modificar toda a nossa estrutura jurídico-penal. [. 229-230 . [. houver dúvida com relação a este elemento subjetivo. embriaguez + velocidade excessiva = dolo eventual. o agente não se preocupa com a ocorrência do resultado por ele previsto porque o aceita. condenar o motorista por dolo eventual quando. o resultado previsto será evitado. quando tiram a vida ou causam lesões irreversíveis em pessoas inocentes. como querem alguns. não se importando realmente com a sua ocorrência. a da vontade e a do assentimento.. não é pela conjugação da embriaguez com a velocidade excessiva que se pode chegar a essa conclusão. in dúbio pro societate. cometeu infração culposamente. ou seja. O dolo eventual. deverá ser a infração penal desclassificada para aquele de natureza culposa. o agente não quer e nem se assume o risco de produzir o resultado porque se importa com a sua ocorrência. Não podemos. considerando o seu elemento anímico. tanto faz... ao contrário da culpa consciente.] Concluindo. que o Código Penal. reside no fato de não se importar o agente com a ocorrência do resultado por ele antecipado mentalmente. confiava sinceramente na sua não-ocorrência. dependendo assim do caso concreto. acredita. no qual o agente encontrava-se embriagado e em excesso de velocidade. Para ele. conforme tem sido o pensamento de alguns aplicadores da lei. Essa fórmula criada. [. se ao final do processo pelo qual o motorista estava sendo processado por um crime doloso (como dolo eventual).. que o agente anteveja como possível o resultado e o aceite. Só a estamos rejeitando como uma fórmula matemática. mesmo atuando. ainda. e não. mas. Também não estamos afirmando que não há possibilidade de ocorrer tal hipótese. sim. simplesmente. que o resultado lesivo não venha a ocorrer. Na culpa consciente. para a caracterização do dolo eventual.. absoluta. embora em alguns casos raros seja possível cogitar de dolo eventual em crimes de trânsito. No dolo eventual. como visto. se.] Com isso queremos salientar que nem todos os casos em que houver a fórmula embriaguez + velocidade excessiva haverá dolo eventual. [. representando-o mentalmente. atua com dolo eventual.

Tratado de Direito Penal. Segundo José Frederico Marques “é toda infração penal oriunda de veículo motorizado na sua função comum de meio de locomoção e transporte. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor: Pena – detenção.1 CONCEITO DE CRIME AUTOMOBILÍSTICO Crime automobilístico ou crime de trânsito é o crime que ocorre em vias terrestres. estiver conduzindo veículo de transporte de passageiros. No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor. Parágrafo Único. a partir do artigo 302 os crimes em espécies. quanto à tração. a pena é aumentada de terço à metade. Vade Mecum. quer de carga como de pessoas. Antonio Luiz de Toledo. de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.705. No art. p.855 . p. WINDT. II – praticá-lo em faixa de pedestre ou na calçada. 250 PINTO.n. José Frederico. CÉSPEDES. quando possível fazê-lo sem risco pessoal.CAPÍTULO IV TIPO SUBJETIVO DO HOMICÍDIO OCORRIDO NO TRÂNSITO 4. IV – no exercício de sua profissão ou atividade. 302 se encontra tipificado a prática do homicídio que é mencionado como tipo culposo: Art. aonde o agente conduz um veículo automotor e comete uma infração penal com o mesmo. de 19-6-2008)47 46 47 MARQUES.11.320. quanto à espécie e quanto à categoria e. se o agente: I – não possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação.” 46 O Código Brasileiro de Trânsito em seu artigo 96 traz a classificação dos veículos. Márcia Cristina Vaz dos Santos. Lívia. III – deixar de prestar socorro. à vítima do acidente. V – (Revogado pela Lei.

acima de tudo uma fiscalização mais eficaz. buscando até mesmo a aplicação do instituto dolo eventual em determinados delitos que acontecem nessa esfera. 71 . não “praticar”.2 APLICAÇÃO DO DOLO EVENTUAL E DA CULPA CONSCIENTE NO HOMICÍDIO OCORRIDO NO TRÂNSITO A sociedade insatisfeita com os crimes de trânsito e sua baixa punibilidade. dirigir pela contramão e etc. É a aplicação da culpa nesses crimes que tem trazido uma insatisfação social em meio às penas aplicadas. acidentes que poderiam ser evitados se houvessem leis mais severas ou penas mais duras e. que tecnicamente representa o núcleo do tipo. O sujeito é punido não porque “praticou”. em que resgata o dever do Estado de punir com mais severidade aqueles que se utilizam de um veículo de maneira imprudente. em decorrência de muitos acidentes brutais e fatais causados por imprudências. Damásio. pela grande demanda de veículos que o Brasil possui e. Crimes de Trânsito. levando assim uma revolta social e injustiça nos tribunais. o comportamento do autor no homicídio culposo. É “praticar”. Autor é quem realiza a conduta contida no verbo do tipo. e não quem “pratica homicídio”. O Código Brasileiro de Trânsito. pois o mesmo enquadra os crimes de trânsito como sendo culposos com penas baixas. O verbo. não consiste em “praticar homicídio culposo”. refletindo a ação ou omissão. questiona sobre uma Lei ou uma pena mais eficaz e inibitória relacionada à punição desses crimes. p. causando acidentes brutais e ceifando vidas. o excesso de velocidade nas vias. e sim “matar alguém culposamente”. Esse assunto é de fundamental debate de nossos governantes.48 4. Ora. levando assim o judiciário em alguns casos decidir 48 JESUS. não menciona a conduta principal do autor. para fins de definição típica. como exemplo o caso de dirigir alcoolizado. Nunca houve maneira mais estranha de descrever delito. O verbo típico e “matar”. que faz muitas vítimas todo ano. regulador dessa questão. traz um capítulo específico dos Crimes de Trânsito nas Seções I e II.Interessante a crítica que Damásio de Jesus traz em sua obra Crimes de Trânsito em relação á definição típica: O conceito típico é criticável. visto que. mas sim porque “matou alguém”.

veículo com freios defeituosos.uol. Crim. nº 697153161). 326. Crim. com faróis apagados.Ultrapassar semáforo fechado em alta velocidade (RT 571:404). sem habilitação. . . Acesso .Dirigir embriagado. em trecho com lombadas (TJSC Rcr.Dirigir embriagado. nº 694099524).Conduzir em alta velocidade. .Participar de racha (STF HC 71. . em alta velocidade. em alta velocidade (Informativo nº 59 STJ). onde o agente prevê que o dano pode ocorrer. aplicar o dolo eventual. Jus Navigandi. . nº 97. Crim. . em alta velocidade. nº 1998. . Crim. nº 00. . .002552-6). veículo sem adaptação especial. sendo deficiente físico. Essa tem sida a maior dificuldade na hora de aplicar a pena no crime de trânsito. pois. ano 8. . em rua íngreme e movimentada (TJPR Apcr. nº 6950554000).49 49 HOLANDA. e em alta velocidade (TJRS Ap. em alta velocidade. RT 728:529). que é uma pena mais eficaz. para a sociedade.br/doutrina/texto. tem ocorrido a insigne dificuldade em saber verdadeiramente se o agente assumiu o risco ou agiu com a culpa consciente no mesmo.07780-4).800/RS).975-3). colhendo pedestre no acostamento. fugindo de perseguição policial (TJRS RSE nº 70003963063). .Conduzir em alta velocidade.Dirigir embriagado.com. sempre ver o agente como se estivesse assumindo o risco de matar.Efetuar derrapagem proposital em alta velocidade (RT 522:468). Muitos têm sido os julgados reconhecendo o dolo eventual nos crimes de trânsitos. Inf. . em alta velocidade. em local de aglomeração de pessoas (TJSP. vejamos alguns: . inibindo que ocorra outros acidentes e não deixando o autor do crime com uma punidade leve. em vez de ter ocorrido a culpa. ingressando em trevo rodoviário na contramão (TJRS Ap. Em meio à aplicação do dolo eventual em determinados crimes de trânsitos.Dirigir embriagado (TJRS RSE nº 70003230588).000335-8). invadindo a via de sentido contrário (TJRS Ap.Arremessar veículo contra pessoas que realizavam protesto em via pública (TJSP SER nº 256. ingressando com caminhão em via de trânsito intenso (TJSC Rec.Dirigir embriagado. Disponível em: <http://jus2. .Dirigir embriagado.Conduzir em alta velocidade. 29 maio 2004.Dirigir embriagado.asp?id=5263>. Teresina.que.097-3). e não como uma culpa. . mas não é a sua intenção. .Dirigir embriagado.Dirigir embriagado. n.Dirigir embriagado. nº 694038860).Conduzir em alta velocidade (TJSP SER nº 249. veículo com freios defeituosos. . O dolo eventual nos crimes de trânsito. realizando manobra inadequada (TJRS SER nº 70003504610). . Cornélio José. após tentativa de ultrapassagem em local proibido (TJRS. nº 0116422-5). Emb. perseguindo motocicleta (TJCE APen.

à unanimidade. Sala das Sessões do Tribunal de Justiça do Estado do Pará. II Para que se atribua dolo eventual ao crime de trânsito. .RECURSO PROVIDO DECISÃO UNÂNIME. são cometidos com culpa. e dar-lhe provimento. JOÃO JOSÉ DA SILVA MAROJA RECURSO EM SENTIDO ESTRITO CRIME DE TRÂNSITO EMBRIAGUEZ HOMICÍDIO DOLOSO RECORRENTE REQUER A DESCLASSIFICAÇÃO DO DOLO EVENTUAL PARA FORMA CULPOSA ALEGA QUE OS CRIMES DE TRÂNSITO. é necessário que existam circunstâncias específicas que demonstrem a vontade deliberada do agente em assumir o risco. Aduz que os crimes de trânsito. conforme direciona a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.009586-2 COMARCA: BELÉM/PA RECORRENTE: LUIZ DE NAZARÉ DE OLIVEIRA FLORES (Adv. APRESENTAM A CULPA COMO ELEMENTO SUBJETIVO LESÃO CORPORAL CULPOSA -PRESCRIÇÃO .jusbrasil. em conhecer do recurso. I A defesa requer a desclassificação da imputação do delito cometido com dolo eventual para a forma de homicídio culposo. Vistos etc. RICARDO ALBUQUERQUE DA SILVA 1 RELATOR: Des. aos nove dias do mês de fevereiro de 2010.2010. Acordam os Excelentíssimos Senhores Desembargadores componentes da Egrégia 1ª Câmara Criminal Isolada.: Março Aurélio de Jesus Mendes) RECORRIDO: A JUSTIÇA PÚBLICA (Promotor de Justiça: Manoel Victor Sereni Murrieta) PROCURADOR DE JUSTIÇA: Dr. 2010. Julgamento presidido pela Excelentíssima Senhora Desembargadora Vânia Lúcia Silveira Azevedo da Silva. mas a maior parte dos desembargadores tem desclassificado esses crimes quando o acusado recorre. para reformar a decisão do juízo de primeiro grau. em: 19 out. Decisão unânime. EM GERAL. III Prescrita a pretensão punitiva referente ao delito de lesão corporal culposa. Os juízes singulares tem sido os mais aplicadores do dolo eventual nesses crimes. Belém. 201023 mar. 50 BRASIL.br/jurisprudencia/7241981/recurso-em-sentido-estrito-rse-200930095862pa-2009300-95862-tjpa/inteiro-teor>.Acesso em : 26 out. João José da Silva Maroja Relator 50 Podemos perceber que entre os aplicadores da lei há uma divergência na aplicação desses dois institutos.com. via de regra.Tem-se um recurso com o pedido de desclassificação do dolo eventual para a sua forma culposa: RECURSO EM SENTIDO ESTRITO PROCESSO nº 2009. nos termos do voto do Desembargador Relator. Des.3. TJPA – Recurso em Sentido Estrito RSE 200930095862 PA. Jus Brasil. IV . 09 de fevereiro de 2010. Disponível em: <http://www.Recurso provido.

.jusbrasil. Afonso Pereira. com imprudência. Jus Brasil. com excesso de velocidade ou na prática de racha. 51 51 [s. [. porque tinha a obrigação de estar mais atento..] Dolo eventual [. [.[. [. é negar esta realidade. no cruzamento da avenida Fab com a rua Jovino Dinoá. foi solta com 47 dias na prisão. negligência ou imperícia.] O dolo eventual ocorre quando a pessoa age com culpa e descuidadamente. para evitar o resultado.br/noticias/2197036/justica-amapaense-reconhecemais-um-crime-com-dolo-eventual-no-transito> Acesso em: 26 out..Disponível em:< http://www. causa o resultado sem querer. Segundo o promotor de Justiça. Hipocrisia.. Na segunda e última fase.Os crimes de trânsito que mais têm sido pronunciados com a aplicação do dolo eventual são os que o agente se encontra embriagado..] A ré em questão é Ana Santos Viana da Silva que será julgada pelo Tribunal do Júri. o juiz analisa os fatos para encerrá-lo com a sentença em plenário do Tribunal do Júri.. órgão competente para julgar os crimes dolosos contra a vida. à época. após a entrada em vigor da Lei Seca. Ela dirigia seu veículo de marca Fiat Palio embriagada e em alta velocidade quando avançou o semáforo daquele cruzamento. que. pelo acidente que cometeu no dia 29 de junho de 2008. mas deve responder pelo mal causado..]Presa em flagrante.. Baseado em denúncia do Ministério Público. após o Tribunal de Justiça conceder habeas corpus à acusada. ser mais cauteloso. . afirmou o juiz em sua sentença.2010.. Pronunciamento da Justiça do Amapá: A Justiça amapaense pronunciou o primeiro crime de trânsito para ser julgado no Tribunal do Júri.n] Justiça amapaense reconhece mais um crime com dolo eventual no trânsito. o juiz pronunciou o caso como dolo eventual. por volta das 4h da manhã. A diferença é que no dolo eventual o agente aceita o risco de produzir o resultado mesmo após prever que ele pode acontecer. Moacir Cordeiro Roc e Ítalo Rogério Campos de Almeida.com.. É comum. negou ter avançado o sinal e de estar embriagada. o juiz João Guilherme entendeu que ao dirigir embriagado. vindo a colidir com o taxi em que estavam as vítimas Adenael dos Santos Guedes. explicou o promotor. em Macapá. alguém ingerir bebida alcoólica e dirigir veículo automotor. a pessoa coloca em risco a segurança de si e de outras pessoas que utilizam as vias públicas.]Na primeira fase da instrução do processo.

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