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2EMG - Material de apoio - 3ºbim - 2011

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EMEFM Prof.

Derville Allegretti – Sociologia

1. O que é Política? Conceitos Centrais
A política é uma máquina que determina “quem obtém o que, quando e como” e o poder é o combustível dessa máquina. Poder é a capacidade de impor a própria vontade em uma relação social, mesmo contra resistências. Ter mais poder que outros significa conseguir mais coisas que são valorizadas e mais rapidamente, enquanto ter menos poder que outros significa conseguir menos coisas valorizadas e mais tardiamente. A tarefa principal da sociologia política é mostrar como o poder impulsiona diferentes tipos de máquinas políticas. Algumas vezes, o uso do poder envolve a força. Por exemplo, uma forma de se operar um sistema de distribuição de empregos, dinheiro, educação e outras coisas valorizadas é mandando para a prisão as pessoas que não concordam com o sistema. Nesse caso, elas obedecem às regras políticas porque têm medo de desobedecer. Com mais freqüência, contudo, as pessoas concordam com esses sistemas de distribuição, ou pelo menos os aceitam, nem que seja de má vontade. Assim, a maioria das pessoas paga seus impostos sem muita pressão da Receita Federal e seus tíquetes de estacionamento sem ter de passar um tempo na prisão. Isso significa que elas reconhecem o direito de seus governantes de controlar a máquina política. Quando a maioria das pessoas concorda, de maneira geral, com a forma como a máquina política é dirigida, o poder se transforma em autoridade. Autoridade é o poder legítimo e institucionalizado. O poder é legítimo quando as pessoas percebem sua aplicação como válida ou justificada. O poder é institucionalizado quando as normas e os status das organizações sociais governam sua aplicação. Essas normas e status definem como a autoridade deve ser usada, como os indivíduos podem obter autoridade e quanta autoridade é atribuída a cada status em uma organização. A política ocorre em todos os contextos sociais, inclusive nas relações pessoais íntimas, no seio das famílias e no interior das universidades. No entanto, a sociologia política se concentra principalmente nas instituições especializadas no exercício do poder e da autoridade. Tomadas em seu conjunto, essas instituições formam o Estado. O Estado é constituído por instituições responsáveis pela formulação e execução das leis e das políticas públicas de um país e, ao realizar essas funções, regula os cidadãos na sociedade civil, a esfera privada da vida social. Os cidadãos, na sociedade civil, controlam o Estado em graus variáveis. Em uma autocracia, o poder absoluto fica na mão de uma única pessoa ou de um partido. Em um Estado autoritário, o poder é, de certa forma, mais amplamente distribuído, mas o controle por parte dos cidadãos ainda é grandemente restringido. Em uma democracia, os cidadãos exercem um grau relativamente elevado de controle sobre o Estado. Eles fazem isso por meio da escolha de representantes em eleições regulares e competitivas. Nas democracias modernas, os cidadãos não controlam o Estado diretamente, mas por meio de diversas organizações. Os partidos políticos propõem políticas alternativas e convocam os cidadãos adultos para votar, competindo, assim, pelo controle do governo em eleições regulares. Grupos de interesses especiais – tais como sindicatos de trabalhadores e associações de empresas – formam lobbies. Os lobbies informam e pressionam os políticos quanto aos desejos de seus membros, além de adverti-los sobre a importância dos votos, da capacidade de organização e das contribuições de campanha de seus membros. Os meios de comunicação de massa mantêm um olhar vigilante e crítico sobre o Estado e informam a população sobre a qualidade do governo. A opinião pública diz respeito aos valores e às atitudes da população adulta como um todo, expressando-se principalmente nas pesquisas de opinião e em cartas enviadas
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aos legisladores. A opinião pública fornece aos políticos uma visão das preferências dos cidadãos. Por fim, quando a insatisfação com a política vigente torna-se relativamente generalizada em algum grupo, algumas vezes o protesto assume a forma de movimentos sociais. Um movimento social é um esforço coletivo para mudar, no todo ou em parte, a ordem política ou social, abandonando as regras usuais da política. Como Thomas Jefferson escreveu em 1787, “uma pequena rebelião de vez em quando é uma boa coisa” para a democracia, pois ajuda o governo a ficar atento aos desejos dos cidadãos.
Extraído de: Robert J. Brym e outros autores. Sociologia: sua bússola para um novo mundo. São Paulo: Cengage Learning, 2009, pp. 323-5.

2. As instituições políticas
A política se refere aos processos sociais pelos quais as pessoas ganham, usam e perdem poder, representando um importante papel em quase todas as relações humanas. Uma das características das sociedades modernas é o desenvolvimento de instituições políticas especializadas, como: os tribunais, os partidos políticos, as agências governamentais, o Exército, a parte executiva do governo, entre outras. Juntas, essas entidades formam o que os sociólogos chamam „o Estado‟. A primeira fase no desenvolvimento do Estado foi a separação do „escritório do rei‟ da pessoa que era o rei. A segunda fase no desenvolvimento do Estado envolveu o desenho de limites nacionais e a criação de burocracias públicas. O Estado, hoje, participa na maior parte do tempo da vida das pessoas. O registro de nascimento, a carteira de trabalho, a de identidade, o casamento, o uso e a propriedade da terra e o atestado de óbito são exemplos que demonstram a importância da atividade reguladora do Estado. Para compreendermos bem essa instituição, é importante definirmos alguns termos relacionados a ela, como „povo‟, „nação‟, „governo‟, „Estado absolutista‟ e „Estado-nação‟. 2.1 Povo Denominamos „povo‟ os agrupamentos humanos com cultura semelhante – língua, religião, tradições etc. –, implicando certa homogeneidade e desenvolvimento de fortes laços de solidariedade entre si. Assim, podemos falar em povo judeu, cigano, armênio, curdo, xavante ou brasileiro. No território brasileiro há muitos povos que apresentam cultura distinta e que, desse modo, formam uma unidade cultural bem determinada. Como exemplo, temos os xavantes, os terenas, os parecis, os guaranis, entre outros. 2.2 Nação „Nação‟ é a denominação de um povo ao se fixar em uma determinada área geográfica e adquirir certo grau de organização, mantendo-se unido por uma história e cultura comuns e pela consciência de que constituem uma unidade cultural. Entre outros exemplos, podemos citar a nação palestina, a nação curda e a nação basca, pois são povos que apresentam uma história e uma cultura comuns, além de uma forte consciência de que constituem uma unidade cultural. Os judeus formaram durante o Império Romano uma importante nação no mesmo território em que hoje se encontra Israel. No entanto, eles foram expulsos do território que ocupavam e acabaram se espalhando por várias regiões. Desse modo, alguns autores consideram que, durante esse longo período em que os judeus ficaram sem território, eles não formavam uma nação, mantendo uma unidade cultural como povo. Outros defendem que, mesmo sem um território, eles compunham a nação judaica. Na realidade, os judeus constituíram seu Estado em 1948, após a consolidação da ocupação de um território pelo povo judeu, fato que se iniciou no fim do século passado com o movimento conhecido como sionismo, que pregava a volta dos

judeus à terra prometida. Desde então, a nação constitui seu Estado – Israel. As nações que originaram os modernos Estados surgiram no fim da Idade Média, no decorrer do século XV, quando as divisões nacionais se acentuaram. “As literaturas nacionais fizeram seu aparecimento. As regulamentações nacionais para a indústria substituíram as regulamentações locais. E passaram a existir leis nacionais, línguas nacionais e até mesmo igrejas nacionais” (Huberman, A história da riqueza do homem. Ed. Guanabara, 1986, p. 70). 2.3 Governo Quando as nações conseguem se organizar de tal forma que passam a administrar algumas questões comuns, como educação, saúde e comunicação, por exemplo, elas acabam constituindo um quadro administrativo para gerenciar determinadas atividades, ao qual, então, denominamos „governo‟. Compete ao quadro administrativo da nação manter a ordem e estabelecer normas relativas que passem a reger as relações entre seus cidadãos. O povo palestino possui seu próprio governo no Estado de Israel. Da mesma forma, os bascos e os catalães, na Espanha, possuem governos autônomos. 2.4 Estado Quando o quadro administrativo da nação reivindica para si o monopólio exclusivo da utilização da coerção física e da força, temos a formação do Estado. Segundo Max Weber, uma associação política é denominada „Estado‟ “quando e na medida em que seu quadro administrativo reivindica com êxito o monopólio legítimo da coação física para realizar as ordens vigentes”. Assim, dependerá do grau de organização da nação o estabelecimento do controle no âmbito de seu território, caracterizando sua soberania nessa área. Só existe o Estado quando há soberania sobre determinado território. Não existe o Estado palestino, porque a administração palestina não detém a soberania completa sobre seu território; coexistem em um mesmo espaço a força militar israelense e a polícia palestina. Não há monopólio da utilização da coerção física por parte dos palestinos. Da mesma forma, os bascos e os catalães na Espanha não constituem um Estado, pois eles não detêm a soberania sobre seu território - o monopólio da coerção física é do Estado espanhol. Há Estados formados de uma só nação, como o Brasil, os Estados Unidos e a Argentina. E outros Estados que são constituídos por duas ou mais nações (ou nacionalidades). Esse é o caso da Espanha - que contém as nações basca e catalã – e da Rússia – que apresenta várias nações que constituem governos regionais, como Bachkiria, Tchetchênia, Tchuváchia, Daguestão, Kabardino-Balkaria, Kalmikia, República dos Maris, Mordóvia, Ossétia do Norte, Tartária, Udmúrtia, Iakútia, Tuva, República dos Komis, Carélia e Buriátia. Há outras que recentemente formaram Estados independentes, como a Geórgia, o Tadjiquistão e a Ucrânia. No final do século XX, a Iugoslávia, que se constituía em um Estado com várias nações, se desintegrou em vários Estados, como Sérvia, Croácia, Bósnia, Eslovênia e Macedônia. A Organização das Nações Unidas (ONU) somente aceita nações que se constituíram em Estados, ou seja, que possuem soberania com o completo controle de seu território. O Estado é uma das mais destacadas instituições sociais. A importância de sua atividade reguladora pode ser demonstrada pelas funções que exerce, como a emissão do registro do nascimento, da carteira de trabalho, de identidade, de casamento, do atestado de óbito, a utilização e a propriedade da terra, as leis de trânsito etc. Segundo algumas teorias nacionalistas, a preservação do caráter nacional e o desenvolvimento de sua capacidade cria2

tiva constituem a suprema finalidade da nação, que, para tanto, deve organizar-se como Estado. De acordo com esse raciocínio, a nação precisa do poder do Estado para sua segurança e desenvolvimento. Esses argumentos são utilizados pela maior parte dos movimentos separatistas que busca afirmar sua identidade nacional perante um Estado que não mais aceita como seu. São exemplos atuais os que ocorrem na Rússia, com a Tchetchênia; no Canadá, com Quebec; na Espanha, com os bascos, e muitos outros. O processo de formação do Estado de Timor-Leste, na Ásia, ilustra a necessidade de exercer efetivo controle territorial para que se constitua como Estado. O povo timorense adquiriu seu direito de formar um Estado por meio de uma longa luta travada pela Fretilin (Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente), com a intermediação da ONU, que manteve a unidade política do novo país enquanto esse se estruturava para exercer o monopólio do uso da força em seu território. 2.5 O Estado absolutista Como já afirmamos, o Estado,como o conhecemos hoje, tem formação bastante recente. Seus primeiros contornos apareceram no período do renascimento europeu. Anteriormente, as pessoas eram ligadas às suas comunidades, às cidades e aos povoados. Quando as cidades se expandiam, passando a dominar um território maior ou rotas de comércio, elas podiam atingir as dimensões de cidades-Estado, como Veneza e Florença no século XV. Mesmo quando as cidades antigas integravamse a grandes impérios com determinada estrutura de poder, elas mantinham suas características próprias, sendo sua vida cotidiana determinada por suas leis e seus costumes. Os impérios não eram capazes de mobilizar recursos de uma maneira regular e organizada, e mesmo o grau de controle que eles exerciam no território que controlavam era limitado, não alterando as normas tradicionais de regulamentação da vida local. Foi somente no século XV que se iniciou o processo de formação de uma nova forma de organização política que chamamos hoje de „Estado‟. Quando as pessoas passaram a se identificar, acima de suas cidades ou dos feudos, a figura de um rei que passou a personificar essa nova entidade política. Assim, a fidelidade do povo, antes identificada com a cidade ou com o senhor feudal, foi gradativamente transferida ao rei, que se tornou senhor absoluto no território ocupado pelo Estado. Para administrar esse território amplo, constituíram-se quadros administrativos que deviam lealdade ao rei, e só a ele. Desse modo, o Estado constituía uma extensão do poder real, daí essa primeira forma de Estado moderno ser denominada „Estado absolutista‟. A identificação do rei com o Estado era tal que foi muito bem expressada pelo rei da França, Luiz XIV, que, quando interpelado, costumava responder: L'Etat c'est moi (“O Estado sou eu”). Assim, o soberano personificava o Estado e seu poder. 2.6 O Estado-nação O Estado-nação, tal qual o entendemos atualmente, é fruto do liberalismo europeu, que estabeleceu um conceito de soberania compreendendo todo o povo de um determinado território, com conteúdo muito mais abrangente que a soberania do Estado absolutista centralizada no monarca. Desse modo, no liberalismo, o Estado (unidade política) confunde-se com a nação (unidade cultural). A nação personifica o Estado, e o poder emana do povo. Na realidade, desde o século XVIII, embora tenham se formado Estados-nação identificados com comunidades culturais, essa não era regra. Mesmo nas regiões nas quais ocorreu uma maior associação entre a formação de um Estado nacional e uma comunidade cultural, na maioria dos casos continuavam a coexistir no território nacional outras comunidades culturalmen-

te determinadas e que se identificavam como nacionalidades – grupos com características próprias de língua e cultura. Com a Revolução Francesa, o conceito de „nação‟ passou a ficar associado à ideia de liberdade e de igualdade de direitos, e a soberania do rei foi passada para o povo. A partir de fins do século XVIII, o indivíduo encontrou um outro elo de lealdade ao qual podia se prender: o Estado nacional. Anteriormente, os indivíduos eram leais à cidade-Estado, ao feudo, ao senhor, a dinastias e/ou a um rei. A partir do século XVIII, os valores que motivaram os povos em suas lutas e aspirações eram os do Estado-nação em substituição aos valores tradicionais. Nos séculos XIX e XX, os valores referenciados no nacionalismo determinaram o destino dos indivíduos e promoveram inúmeras guerras que consolidaram o papel do Estado-nação como agente legítimo e principal ator do sistema internacional.
Adaptado de: Reinaldo Dias. Introdução à Sociologia. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010, pp. 290-3.

Segundo o IBGE, a área territorial oficial do Brasil é de 8.514.876,599 km2.
Adaptado de: Governo do Estado de São Paulo. São Paulo Faz Escola. Caderno de Sociologia, Ensino Médio, 3ª série, vol.3, 2009.

4. Elementos do Estado: soberania
O conceito de soberania é uma das bases da idéia de Estado Moderno, tendo sido de excepcional importância para que este se definisse, exercendo grande influência prática nos últimos séculos, sendo ainda uma característica fundamental do Estado. O conceito de soberania tal como o entendemos hoje se definiu com o combate da burguesia contra a monarquia absolutista, que teve seu ponto alto na Revolução Francesa. Nela, a idéia de soberania popular exerceu grande influência, caminhando ao sentido de soberania nacional, concebendo-se a nação como o próprio povo numa ordem. O conceito de soberania pode ser entendido de duas formas: a) como sinônimo de independência, ou seja, quando um Estado, especialmente seu próprio povo, afirma-se como soberano, isto é, não mais submisso a qualquer potência estrangeira; b) como expressão de poder jurídico mais alto, ou seja, dentro dos limites jurídicos e territoriais do Estado, este é quem tem o poder de decisão em última instância, isto é, exerce o poder soberano ou o poder máximo. Esse conceito, entretanto, possui particularidades. Um Estado, para ser verdadeiramente soberano, só reconhece um tipo de soberania: a) una, b) indivisível, c) inalienável e d) imprescritível. O que isto significa? a) Significa que a soberania deve ser una, porque, em um mesmo Estado, não se admite a convivência de duas soberanias (mais de um poder superior) no mesmo âmbito. b) A soberania do Estado deve prevalecer sobre todo e qualquer assunto. Por essa razão é considerada indivisível, não sendo admissível a existência de várias partes separadas da mesma soberania. c) Ela é inalienável, ou seja, não pode ser retirada; do contrário, quem quer que a detenha (seja o povo, a nação ou o Estado) desaparece quando ficar sem ela. d) Finalmente, é imprescritível, isto é, não tem prazo para terminar; pelo mesmo motivo, quem quer que a detenha (seja o povo, a nação ou o Estado) desaparece quando ela termina.
Adaptado de: Dalmo Dallari. Elementos de Teoria Geral do Estado. São Paulo: Saraiva, 2010, pp. 74-85 e Governo do Estado de São Paulo. São Paulo Faz Escola. Caderno de Sociologia, Ensino Médio, 3ª série, vol.3, 2009.

3. Elementos Materiais do Estado: população e território
“O Estado é uma sociedade de pessoas chamada população, em determinado território, sob a autoridade de determinado governo, a fim de alcançar determinado objetivo, o bem comum”.
(De Cicco e Gonzaga. Teoria Geral do Estado e Ciência Política. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008. p. 43).

A partir da definição acima, é importante distinguir população de povo. “Integram a população todas as pessoas residentes dentro do território estatal ou todas as pessoas presentes no território do Estado, num determinado momento, inclusive estrangeiros e apátridas” (Soares, M. Teoria do Estado: Novos paradigmas em face da globalização. São Paulo: Atlas, 2008. p. 143). Em outras palavras, a população abrange o conjunto de pessoas que vivem no território estatal ou mesmo que permaneçam nele temporariamente. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira é aproximadamente de 192 milhões de habitantes. Nas democracias atuais, o povo adquire um sentido político, uma vez que está ligado à noção de cidadania e, para isso, depende de estar ligado ao Estado por meio do status da nacionalidade. “Povo, em sentido democrático, pressupõe a totalidade dos que possuem o status da nacionalidade, os quais devem agir, conscientes de sua cidadania ativa, segundo ideias, interesses e representações de natureza política” (Idem, p. 45). O território de um Estado não consiste apenas nas fronteiras nacionais, mas em um conjunto de partes que vão além da superfície terrestre, como, por exemplo:  solo: porção de terras delimitadas pelas fronteiras internacionais e pelo mar;  subsolo: porção de terras sob o solo, com a mesma delimitação deste;  espaço aéreo: coluna imaginária de ar que acompanha o contorno do território terrestre, somado ao mar territorial;  embaixadas: sedes de representação diplomática dos diversos Estados, que são consideradas parcelas do território nacional nos países estrangeiros;  navios e aviões militares: são considerados como parte do Estado referente ao país a que pertencem, em qualquer lugar que estejam;  navios e aviões de uso comercial ou civil: que estejam sobrevoando ou navegando em território não pertencente a outros Estados;  mar territorial: estende-se por 12 milhas marítimas (22,2 km) para defesa militar e 200 milhas marítimas (370 km) para exploração econômica.
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5. Ditadura
por Antonio Carlos Olivieri Da Página 3 - Pedagogia & Comunicação Fonte: Portal UOL Educação. Acesso em: 20/10/2010.

O conceito de ditadura se origina Roma antiga. Em latim, a palavra era “dictatura”. Entretanto, o significado moderno do conceito é completamente diferente da instituição que ele designava na Antigüidade. De qualquer modo, uma comparação entre ditadura antiga e moderna pode ajudar a compreender melhor o sentido que o termo adquiriu nos dias de hoje. Para começar, a ditadura romana era uma instituição de caráter extraordinário. Só era ativada em circunstâncias excepcionais, para fazer frente a situações de emergência, como uma crise interna ou uma guerra. O ditador era nomeado por um ou pelos dois cônsules – os chefes do governo romano –, de acordo com o senado e por processos definidos constitucionalmente. Da mesma maneira, também eram definidos os limites de sua atuação. Ainda assim, os poderes do ditador eram muito amplos e seus decretos – o que ele “ditava” (e vem daí “ditadura”) –

tinham o valor de lei. Apesar disso, seus poderes não eram ilimitados: o ditador não podia revogar ou mudar a Constituição, declarar guerra, criar novos impostos para os cidadãos romanos, nem exercer o papel de juiz nos casos de direito civil. Finalmente, a ditadura tinha sua duração explicitamente fixada: não podia durar mais de seis meses. Um poder sem limites Atualmente, a expressão ditadura serve para designar os regimes de governo não-democráticos ou antidemocráticos, isto é, aqueles onde não há participação popular, ou onde isso ocorre de maneira muito restrita. Nesse sentido, de igual à ditadura romana, ela só apresenta uma coisa: a concentração de poder nas mãos do ditador. Além disso, a ditadura moderna não é autorizada por regras constitucionais: ela se impõe de fato, pela força, subvertendo a ordem política que existia anteriormente. Para piorar, a extensão do poder do ditador não está determinado pela Constituição nem sofre qualquer tipo de limites. Sua duração não está prevista de modo algum e pode se estender por décadas. No Brasil, por exemplo, a última ditadura foi de 1964 a 1985. Na Espanha, o general Francisco Franco tomou o governo em 1936 e só o deixou quando morreu, em 1975, numa ditadura que durou cerca de 40 anos. Em Cuba, Fidel Castro completou 49 anos no poder. A ditadura moderna implica, antes de mais nada, a concentração de poder. Em geral, num órgão já existente do Estado (via de regra, o poder Executivo). Estende também o poder além dos limites normais, por exemplo, suspendendo os direitos dos cidadãos. Deixa ainda o poder livre dos freios e dos controles estabelecidos pelas leis. Foi o que aconteceu no Brasil, por exemplo, a partir de 1968, quando o Ato Institucional n°. 5, deu imensos poderes ao Executivo, como o de fechar o Legislativo, caso lhe fosse conveniente. Por tudo isso, a ditadura moderna tem uma conotação inquestionavelmente negativa. Designa, como já se disse, os regimes não-democráticos ou antidemocráticos. É um contraponto à democracia, na qual o poder se encontra dividido em várias instâncias de poder, equilibrando-se Executivo, Legislativo e Judiciário. Num regime democrático, a transmissão da autoridade política é feita de baixo para cima, através da manifestação popular, via eleições. Na ditadura, além da concentração do poder numa instância exclusiva, a transmissão da autoridade política ocorre de cima para baixo, a partir da decisão do ditador ou dos ditadores. Conservadores e revolucionários Nos dias de hoje, quanto às finalidades com que são instaladas, podem-se distinguir dois tipos de ditadura: 1) as conservadoras: cuja finalidade é defender a situação dos perigos de uma mudança. Esse foi o caso das várias ditaduras militares que se estabeleceram na América Latina nos anos 1960 e 70: Argentina, Brasil, Chile, Uruguai, etc.; 2) as revolucionárias: que visam abater ou minar, de forma radical, a velha ordem político-social e introduzir uma ordem nova, como foi o governo instaurado pela Convenção Nacional francesa, em 1793, que pôs fim à monarquia, ou ainda o próprio governo cubano, depois de 1959, que instaurou o socialismo no país. Entretanto, existem outros termos usados para denominar regimes não-democráticos. Dentre eles, os mais importantes são despotismo, absolutismo, tirania, autocracia e autoritarismo. No vocabulário comum e mesmo no vocabulário político do diaa-dia, esses termos são freqüentemente usados como sinônimos. Na filosofia política, porém, podem-se estabelecer distinções entre eles. Despotismo Despotismo, num primeiro sentido, refere-se ao despotismo oriental, da Antigüidade. Tratava-se do governo monocrático (monos = um só), típico da Ásia e da África e que era opos4

to à democracia grega. O filósofo Aristóteles o chamava de despótico, comparando-o ao poder que o patrão (em grego, despotes) exerce sobre o escravo. Na Idade Moderna, o pensador francês Montesquieu (1689-1755) retomou o conceito, definindo-o como o governo no qual “um, sozinho, sem leis nem freios, arrasta tudo e todos no sabor de suas vontades e de seus caprichos”. Na Europa dos séculos 17 e 18, despotismo serviu para designar os regimes de monarquia absolutista, que poderia ser considerado bom ou mal, de acordo com a maneira com que o monarca exerce o poder. É nesse sentido que se fala em despotismo esclarecido, no século 18, quando o monarca, embora detenha o poder absoluto, é “instruído por sábios conselheiros sobre a existência das verdadeiras leis, gozando da plenitude de seus poderes para aplicá-las e promover, agindo assim, o bem estar e a felicidade de seus súditos”. Tanto o despotismo quanto o absolutismo são conceitos que se aplicam a monarquias hereditárias, consideradas legítimas pelos súditos, que integram uma sociedade tradicional. Nela, a participação política da grande maioria da população é nula. A monarquia é vista como a única forma de governo possível, por ter as suas raízes no passado mitológico ou na origem divina. Tirania e autocracia Tirania era o governo de exceção na Grécia antiga. Assemelhava-se à ditadura moderna, pois nasciam das crises e da desagregação da democracia ou de algum regime político tradicional. O tirano não era um monarca legítimo, mas o chefe de alguma fração política, que impunha pela força o próprio poder a todos os outros partidos. Da mesma forma que os ditadores modernos, os tiranos exerciam um poder arbitrário e ilimitado, recorrendo às armas. Ao contrário dos outros termos examinados, autocracia não tem uma conotação histórica precisa. É um termo abstrato que se usa com dois significados principais: um particular e um geral. No particular, ele denota um grau máximo de absolutismo. Uma autocracia é um governo absoluto que detém um poder ilimitado sobre seus súditos. Sob este ponto de vista, um monarca absoluto é um autocrata, mas ele pode não sê-lo, quando divide o poder alguns colaboradores que tenham condições de limitar sua vontade. Em seu significado geral, o termo autocracia foi usado por alguns teóricos da política e do direito para designar todo tipo de governo antidemocrático ou não-democrático. Mas, nessa acepção, a palavra não obteve sucesso, nem na linguagem popular nem na linguagem técnica da filosofia ou da ciência política. Autoritarismo Autoritarismo também é um termo usado para designar todos os regimes que se contrapõem ao democrático. Por outro lado, modernamente, o significado é mais restrito e designa governos fortes que, porém, não chegam a constituir uma ditadura, pois possuem um grau relativamente moderado de mobilização popular e de participação política da sociedade. É o caso do governo de Hugo Chávez na Venezuela contemporânea, onde a oposição ao governo é severamente controlada. O autoritarismo deve ser diferenciado do totalitarismo. Este é o grau máximo de absolutismo nos regimes ditatoriais modernos, em que o Estado exerce total controle da vida dos cidadãos. Eles ocorreram em sistemas como o da Alemanha nazista, sob Hitler, e o da Rússia comunista, sob Stálin, em que a propaganda chegava a convencer o cidadão de que ele existia não para seu próprio benefício, mas para benefício do Estado. O resultado dessas duas ditaduras pode ser medido pelas cerca de 30 milhões de mortes que provocaram ao longo de aproximadamente duas décadas.

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