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Leitura e Produção de Texto

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Objetivo

Compreender como o gênero se constitui para elaborar uma resenha.

LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico
Tema 3 – Para elaborar a sua resenha

Profª Regina Back Cavassin

109

A responsabilidade direta pela produção dos seis textos é de seis diferentes estudiosos.
Dentre eles, todos são, como o organizador, jornalistas respeitados. A única exceção fica por
conta de Odo Primavesi, engenheiro agrônomo e pesquisador científico da Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA Sudeste), além de educador ambiental.

A princípio, Roberto Villar Belmonte, com Cidades em mutações, traz à tona os efeitos da
violenta degradação ambiental, que combina possíveis benefícios da modernização agrícola e
urbano-industrial com a promiscuidade das concentrações populacionais das áreas urbanas,
causada por lixões a céu aberto, esgotos in natura em rios e lagos, e engarrafamentos quase
infindos. Tudo isto mesmo quando a biofilia afirma que o ser humano, como as demais
espécies, sofre graves danos psicológicos se submetido a ambiente menos saudáveis. O autor
propõe, com base no conceito de Ignacy Sachs, a desruralização, como tentativa de desinchar
as megalópoles, mas incluindo gente. É o combate ao êxodo rural em condições precárias. É o
combate pelo direito à cidade para todos, sem que se perca de vista a qualidade de vida. Sem
dúvida, trata-se de uma proposta discutível em termos de operacionalização, mas as soluções
apresentadas não podem ser simplesmente ignoradas.

No momento seguinte, Regina Scharf inicia seu texto, Verde como dinheiro, desafiando
repórteres para que façam a distinção entre expressões comuns no nosso cotidiano, como:
papel reciclado x papel reciclável; produto vegetariano x produto orgânico e assim
sucessivamente. É uma forma bem humorada de denunciar a falta de conhecimento acerca
do desenvolvimento econômico sustentável, num país como o nosso, cuja imprensa,
paradoxalmente, cobre, com desenvoltura as temáticas econômicas. Em sua visão, a temática
ambiental é, quase sempre, folclorizada, esvaziada, reduzida e distorcida, como confirmado
em estudos sobre a produção da imprensa à época da Conferência das Nações Unidas sobre
Meio Ambiente (ECO-92), no Rio de Janeiro. Exemplificando, pesquisa efetivada nos cinco
jornais diários de Teresina (Piauí), à época, comprovou que a maioria das matérias veiculadas
acerca da ECO-92 tende para o simplismo, o circunstancial, sem a devida acuidade (TARGINO;
BARROS, 1996).

Assim, Regina disserta sobre os conflitos de interesses, nem sempre explícitos, entre as
empresas capitalistas, a legislação ambiental, as certificações internacionais e o custo-
benefício embutido no esforço do ecologicamente correto e da produção mais limpa. É
evidente que investir em meio ambiente significa custos adicionais para o empresariado. Mas,
não fazê-lo custa ainda mais, como retratado em filme hollywoodiano bastante comentado,
baseado em fato real. Erin Brockovich, vivida nas telas por Julia Roberts, é secretária num
escritório de advocacia e decide investigar a fundo, e por conta própria, um caso de poluição
ambiental causado por uma empresa estadual de eletricidade, sediada numa pequena cidade
norte-americana, resultando numa multa milionária imposta à empresa.

O terceiro capítulo é responsabilidade de Eduardo Geraque. Perceber a biodiversidade
fazendo jus ao subtítulo – jornalismo e ecossistemas parecem (mas não são) elos perdidos –,
discute a vinculação estreita entre diversidade biológica e o seu interior e exterior. Sob esta
perspectiva, uma das funções do jornalismo ambiental é

[...] entrar na espiral de relações que a natureza oferece. Na teia de significações. Na história humana. No
povo ribeirinho. Nos grandes empresários [...] O cerne da questão ambiental, e de como o jornalismo
enxerga o problema, passa pelo preenchimento que existe hoje desse hiato entre o mundo vivo e aquele
pedaço de mundo recortado para a página do jornal ou a tela da TV. (GERAQUE, 2004, p. 80).

Água de uma fonte só retrata a experiência concreta vivenciada pela população de Uberaba,
Minas Gerais. O descarrilamento, na Ferrovia Centro Atlântica, no ano de 2003, de 18 vagões
de uma locomotiva fez com que 13 deles despejassem no córrego Congonhas cerca de 720
toneladas de produtos tóxicos – metanol, cloreto de potássio e octanol. E tudo isto a poucos
metros de distância da estação de captação, responsável pelo abastecimento dos quase 260
mil habitantes do município mineiro, causando pânico imediato.

Resenha – Continuação...

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Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico
Tema 3 – Para elaborar a sua resenha

Profª Regina Back Cavassin

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A partir deste fato, André Azevedo da Fonseca discorre sobre o problema da água potável
como uma questão real, que requer soluções imediatas. No entanto, como tudo que acontece
no meio ambiente, constitui uma problemática relacionada com diversas questões sociais, e,
por conseguinte, exige estratégias articuladas com outras áreas. No entanto, de forma lúcida,
o autor acredita que pode haver certa histeria ambiental e a própria visão apocalíptica da
escassez da água pode ser contestada, segundo dados divulgados insistentemente por um
estatístico, Bjorn Lomborg. Para esse dinamarquês, muitos dos presságios acerca de um
futuro catastrófico para o meio ambiente resultam de “[...] uma interpretação equivocada de
estatísticas, além de imprecisões conceituais, preconceitos movidos pela paixão ideológica e,
é claro, muita retórica.” (FONSECA, 2004, p. 121).

Com o texto Oxigênio para a energia, Carlos Tautz alerta para a urgência de a imprensa
entender ela mesma a idéia de um jornalismo para o desenvolvimento: jornalismo que
expressa “[...] a variada produção de organizações sociais que em sua práxis buscam elaborar
um verdadeiro projeto de país e terminam por gerar muito conhecimento não-acadêmico.”
(TAUTZ, 2004, p. 151). A partir desta idéia, discute uma nova forma de fazer jornalismo. Ao dar
voz a essas organizações, o jornalismo possibilita discutir novos paradigmas técnicos e éticos
no âmbito da agenda do desenvolvimento internacional e, particularmente, do
desenvolvimento na América Latina e no Brasil, em torno do modo de produção de energia.

Alertando para o fato de que um projeto energético nacional extrapola a questão meramente
técnica de geração de eletricidade, para incorporar o risco da dependência tecnológica, o
autor detalha a capacidade brasileira de diversificar a matriz energética. Contrapondo-se à
alternativa termelétrica, que em sua opinião é injustificável em termos de realidade
ambiental, econômica, financeira, energética e de segurança, cita outras opções, como:
aproveitamento de biomassa em terras agriculturáveis, captação de raios solares e
aproveitamento do potencial eólico.

Finalmente, Odo Primavesi apresenta Dilemas da agricultura. Trata-se de um ensaio de
extrema lucidez, que expõe uma das contradições do Brasil. Ao mesmo tempo em que a
agricultura ocupa cerca de 70% do seu território, os agricultores, em geral, vivenciam uma
situação de extrema pobreza e fome, sem terem como pagar pelos produtos que geraram, o
que o faz assim sumarizar: “a produção de alimentos colide com o ambiente porque sofre de
avareza.” (PRIMAVESI, 2004, p. 177). Numa denúncia consistente, chama a atenção para a
realidade das políticas agrícolas, grosso modo, direcionadas para a geração de divisas para
produzir aquilo que tem bom preço no mercado, e mais ainda, que atende às exigências de
importação, mesmo em detrimento da população brasileira.

São paradoxos como estes que a imprensa deve trazer para o grande público, dentro da linha
de pensamento do organizador de Formação & informação..., Vilas Boas, para quem
“Jornalismo são reportagens especiais (especiais mesmo), perfis, livros-reportagem,
documentários audiovisuais, radiofônicos etc. [...] O jornalista deveria ser também um
ensaísta, e não um simples transmissor passivo de informações” (FORMAÇÃO & informação
ambiental, 2004). De fato, acreditamos que reduzir a informação ambiental à mera descrição,
sem aprofundamento e sem postura crítica, representa um risco. Risco para a coletividade,
para a ciência e para o processo desenvolvimentista de qualquer nação.

Assim sendo, seria interessante (e torcemos para que isto se concretize) que os próximos
volumes da coleção Formação & Informação prime pela consistência e atualidade dos temas,
como o faz este seu primeiro volume, cuja leitura é imprescindível para todos aqueles que
acreditam num JORNALISMO que requer MUTAÇÃO permanente, como todo e qualquer
processo social. Afinal, numa época em que tanto falamos sobre qualidade de vida, é bom
lembrar que ela consiste, essencialmente em “ [...] colocar o ser humano no centro do

Resenha – Continuação...

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Tema 3 – Para elaborar a sua resenha

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Também são chamadas de “Referências”. Para a elaboração
da resenha, muitas vezes buscamos mais informações em
bibliografia complementar para a compreensão e verificação
de dados que nos permitam avaliar a obra com mais segurança. Nesse caso, devemos
citá-las. Elas podem ser úteis para o leitor que busca mais informações sobre o assunto.

processo de desenvolvimento, criando políticas e instrumentos que assegurem uma distribuição mais
eqüitativa dos benefícios do crescimento econômico.” (PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O
DESENVOLVIMENTO, 1999, p. III).

FONTES

FORMAÇÃO & informação ambiental. Disponível em:
Acesso em: 21 ago. 2004.

PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO (PNUD). Relatório sobre o
desenvolvimento humano no Brasil:
1999. Brasília: IPEA, 1999. 186 p.

TARGINO, Maria das Graças; BARROS, A. T. A informação ambiental no jornalismo piauiense. In:

DENCKER, A. de; KUNSCH, M. M. K. (Org.). Comunicação e meio ambiente. São Bernardo do Campo:
INTERCOM, 1996. 216p. parte 2, cap. 6, p.71-100.

Disponível em:
http://www.portcom.intercom.org.br/index.php?secao=servicos/noticias&pagina=view_news.php&id=170

Resenha – Continuação...

Vamos ver algumas
observações sobre as
FONTES:

Atividade

É necessária uma segunda leitura. Então, reproduzimos novamente o texto, separando-o
em blocos, e introduzimos questões referentes à estrutura e análise lingüística. As questões
inseridas na resenha a seguir poderão ser discutidas no Ambiente Virtual de Aprendizagem.

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Referência
Bibliográfica

________________

Apresentação
da obra

contextualização
e apresentação do
problema que será
discutido na obra a
partir da apresentação
feita pelo organizador
do livro, Sérgio Vilas
Boas.

________________

Apresentação dos
autores e de como se
compõe a obra

Resumo do 1º capítulo

VILAS BOAS, S. (Org.). Formação & informação ambiental: jornalismo para
iniciados e leigos. São Paulo: Summus, 2004. 201 p.
_____________________________________________________________________

Em apresentação brilhante, o organizador de Formação & informação ambiental:
jornalismo para iniciados e leigos, Sérgio Vilas Boas, chama a atenção para o fato de
jornais e jornalistas contribuírem com a degradação ambiental, não apenas com a
produção do lixo doméstico, mas muito mais com a não produção de matérias
aprofundadas sobre o meio ambiente. E, de fato, ao longo dos capítulos, é
evidente que o livro clama por mutações no jornalismo.

a) O que fica implícito no subtítulo do livro?
b) “Sérgio Vilas Boas, chama a atenção para o fato de jornais e jornalistas
contribuírem com a degradação ambiental, não apenas com a produção do lixo
doméstico, mas muito mais com a não produção de matérias aprofundadas sobre
o meio ambiente.” O trecho sublinhado poderia ser substituído por a produção de
matérias não aprofundadas sobre o meio ambiente sem que haja alteração de
significado?

____________________________________________________________________

Um jornalismo em mutação é a exigência maior. Urge uma postura mais
educacional, esclarecedora e orientadora do jornalismo especializado em meio
ambiente e da imprensa em geral. É a contribuição dos profissionais de
comunicação para sensibilizar o grande público da relevância de se combater os
danos ambientais, sem alarde e sensacionalismo, distante da postura dos
ecoterroristas, para quem manifestações pacíficas ou o processo de
conscientização são esforços inúteis. Neste sentido, energia, água, alimentos,
ecossistemas, empresas e cidades são tópicos discutidos pelos autores, a partir da
premissa básica de que o meio ambiente está intimamente relacionado com
valores sociais, culturais, econômicos, políticos e com o estágio de
desenvolvimento científico e tecnológico das nações. Assim sendo, o jornalista que
cobre meio ambiente necessita conhecimento além do domínio de meras técnicas
jornalísticas, qual seja, demanda uma visão ampla de mundo, que lhe permita
compreender o todo, sem isolar as partes.

O parágrafo acima resume as idéias principais do livro sobre o jornalismo
especializado em meio ambiente.
a) O que está implícito em a imprensa em geral?
b) Quais são os tópicos que serão discutidos em cada capítulo?
c) Quais são os conhecimentos necessários para esse tipo de jornalismo?

____________________________________________________________________

A responsabilidade direta pela produção dos seis textos é de seis diferentes
estudiosos. Dentre eles, todos são, como o organizador, jornalistas respeitados. A
única exceção fica por conta de Odo Primavesi, engenheiro agrônomo e
pesquisador científico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA
Sudeste), além de educador ambiental

a) Que informações apresentadas sobre os jornalistas lhes dão crédito para
publicar essa obra?
b) O que credencia o engenheiro agrônomo a tratar do assunto nesse livro?

____________________________________________________________________

A princípio, Roberto Villar Belmonte, com Cidades em mutações, traz à tona os
efeitos da violenta degradação ambiental, que combina possíveis benefícios da
modernização agrícola e urbano-industrial com a promiscuidade das
concentrações populacionais das áreas urbanas, causada por lixões a céu aberto,
esgotos in natura em rios e lagos, e engarrafamentos quase infindos. Tudo isto
mesmo quando a biofilia afirma que o ser humano, como as demais espécies, sofre
graves danos psicológicos se submetido a ambientes menos saudáveis. O autor
propõe, com base no conceito de Ignacy Sachs, a desruralização, como tentativa
de desinchar as megalópoles, mas incluindo gente. É o combate ao êxodo rural em

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Tema 3 – Para elaborar a sua resenha

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Resumo do 2º capítulo

Resumo do 3º capítulo

Resumo do 4º capítulo

condições precárias. É o combate pelo direito à cidade para todos, sem que se
perca de vista a qualidade de vida. Sem dúvida, trata-se de uma proposta discutível
em termos de operacionalização, mas as soluções apresentadas não podem ser
simplesmente ignoradas.

a) Qual é o trecho que apresenta a opinião da resenhista sobre a proposta de
Roberto Villar Belmonte? Como você reconhece que se trata da opinião da
resenhista?
b) Por que Ignacy Sachs é citada?

_____________________________________________________________________

No momento seguinte, Regina Scharf inicia seu texto, Verde como dinheiro,
desafiando repórteres para que façam a distinção entre expressões comuns no
nosso cotidiano, como: papel reciclado x papel reciclável; produto vegetariano x
produto orgânico e assim sucessivamente. É uma forma bem humorada de
denunciar a falta de conhecimento acerca do desenvolvimento econômico
sustentável, num país como o nosso, cuja imprensa, paradoxalmente, cobre, com
desenvoltura as temáticas econômicas. Em sua visão, a temática ambiental é,
quase sempre, folclorizada, esvaziada, reduzida e distorcida, como confirmado em
estudos sobre a produção da imprensa à época da Conferência das Nações Unidas
sobre Meio Ambiente (ECO-92), no Rio de Janeiro. Exemplificando, pesquisa
efetivada nos cinco jornais diários de Teresina (Piauí), à época, comprovou que a
maioria das matérias veiculadas acerca da ECO-92 tende para o simplismo, o
circunstancial, sem a devida acuidade (TARGINO; BARROS, 1996).

Assim, Regina disserta sobre os conflitos de interesses, nem sempre explícitos,
entre as empresas capitalistas, a legislação ambiental, as certificações
internacionais e o custo-benefício embutido no esforço do ecologicamente correto
e da produção mais limpa. É evidente que investir em meio ambiente significa
custos adicionais para o empresariado. Mas, não fazê-lo custa ainda mais, como
retratado em filme hollywoodiano bastante comentado, baseado em fato real. Erin
Brockovich, vivida nas telas por Julia Roberts, é secretária num escritório de
advocacia e decide investigar a fundo, e por conta própria, um caso de poluição
ambiental causado por uma empresa estadual de eletricidade, sediada numa
pequena cidade norte-americana, resultando numa multa milionária imposta à
empresa.

a) Regina Scharf compara os textos sobre economia e meio ambiente veiculados
pela imprensa. No que eles se distinguem?
b) Em que Regina Scharf fundamenta seu próprio texto?
c) Por que ela escolheu um filme hollywoodiano como exemplo?
____________________________________________________________________
O terceiro capítulo é responsabilidade de Eduardo Geraque. Perceber a
biodiversidade
fazendo jus ao subtítulo – jornalismo e ecossistemas parecem
(mas não são) elos perdidos –, discute a vinculação estreita entre diversidade
biológica e o seu interior e exterior. Sob esta perspectiva, uma das funções do
jornalismo ambiental é

[...] entrar na espiral de relações que a natureza oferece. Na teia de significações. Na
história humana. No povo ribeirinho. Nos grandes empresários [...] O cerne da
questão ambiental, e de como o jornalismo enxerga o problema, passa pelo
preenchimento que existe hoje desse hiato entre o mundo vivo e aquele pedaço
de mundo recortado para a página do jornal ou a tela da TV. (GERAQUE, 2004, p.
80).

a) O que Eduardo Geraque quis dizer com hiato ?
_____________________________________________________________________
Água de uma fonte só retrata a experiência concreta vivenciada pela população
de Uberaba, Minas Gerais. O descarrilamento, na Ferrovia Centro Atlântica, no ano
de 2003, de 18 vagões de uma locomotiva fez com que 13 deles despejassem no
córrego Congonhas cerca de 720 toneladas de produtos tóxicos – metanol, cloreto

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Resumo do 5º capítulo

Resumo do 6º capítulo

________________
Apreciação
da obra

de potássio e octanol. E tudo isto a poucos metros de distância da estação de
captação, responsável pelo abastecimento dos quase 260 mil habitantes do
município mineiro, causando pânico imediato.

A partir deste fato, André Azevedo da Fonseca discorre sobre o problema da água
potável como uma questão real, que requer soluções imediatas. No entanto, como
tudo que acontece no meio ambiente, constitui uma problemática relacionada
com diversas questões sociais, e, por conseguinte, exige estratégias articuladas
com outras áreas. No entanto, de forma lúcida, o autor acredita que pode haver
certa histeria ambiental e a própria visão apocalíptica da escassez da água pode ser
contestada, segundo dados divulgados insistentemente por um estatístico, Bjorn
Lomborg. Para esse dinamarquês, muitos dos presságios acerca de um futuro
catastrófico para o meio ambiente resultam de “[...] uma interpretação equivocada
de estatísticas, além de imprecisões conceituais, preconceitos movidos pela paixão
ideológica e, é claro, muita retórica.” (FONSECA, 2004, p. 121).

a) Qual é a opinião de André Azevedo da Fonseca sobre a escassez de água? Por
que ele cita Bjorn Lomborg?
b) A resenhista gostou da explanação de André Azevedo da Fonseca? Retire do
texto uma expressão que comprove sua resposta.
_____________________________________________________________________
Com o texto Oxigênio para a energia, Carlos Tautz alerta para a urgência de a
imprensa entender ela mesma a idéia de um jornalismo para o desenvolvimento:
jornalismo que expressa “[...] a variada produção de organizações sociais que em
sua práxis buscam elaborar um verdadeiro projeto de país e terminam por gerar
muito conhecimento não-acadêmico.” (TAUTZ, 2004, p. 151). A partir desta idéia,
discute uma nova forma de fazer jornalismo. Ao dar voz a essas organizações, o
jornalismo possibilita discutir novos paradigmas técnicos e éticos no âmbito da
agenda do desenvolvimento internacional e, particularmente, do desenvolvimento
na América Latina e no Brasil, em torno do modo de produção de energia.

Alertando para o fato de que um projeto energético nacional extrapola a questão
meramente técnica de geração de eletricidade, para incorporar o risco da
dependência tecnológica, o autor detalha a capacidade brasileira de diversificar a
matriz energética. Contrapondo-se à alternativa termelétrica, que em sua opinião é
injustificável em termos de realidade ambiental, econômica, financeira, energética
e de segurança, cita outras opções, como: aproveitamento de biomassa em terras
agriculturáveis, captação de raios solares e aproveitamento do potencial eólico.

a) Por que a resenhista faz uma citação de Carlos Tautz?
____________________________________________________________________
Finalmente, Odo Primavesi apresenta Dilemas da agricultura. Trata-se de um
ensaio de extrema lucidez, que expõe uma das contradições do Brasil. Ao mesmo
tempo em que a agricultura ocupa cerca de 70% do seu território, os agricultores,
em geral, vivenciam uma situação de extrema pobreza e fome, sem terem como
pagar pelos produtos que geraram, o que o faz assim sumarizar: “a produção de
alimentos colide com o ambiente porque sofre de avareza.” (PRIMAVESI, 2004, p.
177). Numa denúncia consistente, chama a atenção para a realidade das políticas
agrícolas, grosso modo, direcionadas para a geração de divisas para produzir
aquilo que tem bom preço no mercado, e mais ainda, que atende às exigências de
importação, mesmo em detrimento da população brasileira.

a) Segundo Odo Primavesi, na agricultura há contradições decorrentes das
políticas agrícolas. Que contradições são essas?
b) Qual é a opinião da resenhista sobre esse capítulo?
____________________________________________________________________
São paradoxos como estes que a imprensa deve trazer para o grande público,
dentro da linha de pensamento do organizador de Formação & informação...,
Vilas Boas, para quem “Jornalismo são reportagens especiais (especiais mesmo),

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Tema 3 – Para elaborar a sua resenha

Profª Regina Back Cavassin

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perfis, livros-reportagem, documentários audiovisuais, radiofônicos etc. [...] O
jornalista deveria ser também um ensaísta, e não um simples transmissor passivo
de informações” (FORMAÇÃO & informação ambiental, 2004). De fato, acreditamos
que reduzir a informação ambiental à mera descrição, sem aprofundamento e sem
postura crítica, representa um risco. Risco para a coletividade, para a ciência e para
o processo desenvolvimentista de qualquer nação.

Assim sendo, seria interessante (e torcemos para que isto se concretize) que os
próximos volumes da coleção Formação & Informação prime pela consistência e
atualidade dos temas, como o faz este seu primeiro volume, cuja leitura é
imprescindível para todos aqueles que acreditam num JORNALISMO que requer
MUTAÇÃO permanente, como todo e qualquer processo social. Afinal, numa época
em que tanto falamos sobre qualidade de vida, é bom lembrar que ela consiste,
essencialmente em “ [...] colocar o ser humano no centro do processo de
desenvolvimento, criando políticas e instrumentos que assegurem uma
distribuição mais eqüitativa dos benefícios do crescimento econômico.”
(PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO, 1999, p. III).

a) Qual é a frase que resume o livro?
b) Identifique as palavras e expressões empregadas pela resenhista para avaliar a
obra e recomendar a sua leitura.

Saiba Mais

Observação: sobre a polêmica obra de Bjorn Lamborg, basta acessar:
http://www.comciencia.br

Lá você encontrará a resenha sobre o seu livro The skeptical environmentalist, elaborada por
Roberto Belisário.

Atividade

Discussão a partir da leitura proposta anteriormente.

a) A partir da leitura da resenha discuta no fórum: muitos estão preocupados com a a) A
partir da leitura da resenha, discuta no fórum: muitos estão preocupados com a situação
ambiental atual. Os estudos são cada vez mais divulgados, inclusive há discussão em fóruns
internacionais pensando em resolver certas questões antes que possa ser tarde ou muito
custoso, quer do ponto de vista econômico, quer do ponto de vista da recuperação
ambiental. Há mais palavras do que ações em relação à preservação do meio ambiente.
Afinal: se pouca coisa está sendo feita, por que o poder de persuasão das palavras não está
sendo eficaz?

b) Pesquise na revista Veja uma resenha do seu interesse e identifique a apreciação da obra,
isto é, a opinião do resenhista sobre o objeto, se a crítica é positiva e/ou negativa e as
estratégias que utilizou para fundamentar sua argumentação.

Publique sua pesquisa no Ambiente Virtual de Aprendizagem.

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I. Leitura: antes de iniciar a escrita de uma resenha, é
necessário que você tenha compreendido toda a obra sob
enfoque. Deve ter pesquisado as palavras que desconhece e
estar convicto dos conceitos apresentados para poder discuti-los.
Portanto, as técnicas de leitura são importantes para subsidiar a
sua escrita. Se necessário, reveja as técnicas na Unidade de Leitura.
II. Organização das suas idéias: para começar, lembre-se dos tópicos indispensáveis
à estrutura da resenha e esquematize o que pretende escrever em cada um desses
tópicos a partir das anotações que fez durante a leitura.

Há cinco itens que devem ser considerados em todas as
produções textuais. Não os esqueça:

Agora é você; seja o dono do seu texto, escrevendo e reescrevendo de acordo com o
seu entendimento.

1. Quem escreve

Considere quem receberá as suas informações e respeite o seu público leitor. Leve em
consideração os seus possíveis leitores, cuidando do modo como vai transmitir a sua
informação. Preocupe-se em saber como receberão a sua informação e saiba que será
avaliado em relação ao modo de expressão das idéias redigidas, porque os textos
escritos se constroem de acordo com a projeção que o autor faz dos seus possíveis
leitores.

2. Destinatário

Vamos praticar a escrita? Para
elaborar uma resenha, devemos
prestar atenção aos seguintes
procedimentos:

Lembra-se do que estudou
sobre a situação de
produção?

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Tema 3 – Para elaborar a sua resenha

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III. Atenção para a qualidade das suas informações: também pode ser que você
precise buscar mais informações sobre alguns dados e conceitos. Caso faça isso, não se
esqueça de anotar com exatidão as referências para apresentá-las no final do texto.
Se fizer citações diretas, use aspas, indique o autor, o ano e a página de onde retirou o
trecho que vai reproduzir.

Tratando-se de uma resenha, pondere sobre o objetivo desse tipo de texto: convencer
o leitor a buscar o original.

3. Objetivo

Não deixe para fazer no último dia, porque a produção de texto próprio exige tempo e
disposição para revê-lo e fazer alterações. Se você se sentir sob pressão, a qualidade
das informações pode ficar comprometida.

4. Momento da produção

Primeiro, seu texto vai ser divulgado para os colegas e para o professor, mas depois
poderá ser divulgado em sites e revistas.

5. Divulgação

Fique de olho

O seu texto não pode ser uma cópia dos trechos que você considera importantes. Trata-se
de um novo texto, o seu!!!

Se não posso simplesmente
copiar os trechos que
considero importantes, como
vou fazer então?

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Tema 3 – Para elaborar a sua resenha

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Bem, Lygia, há alguns procedimentos que podem ser empregados:

Paráfrase: consiste em escrever com as próprias palavras o que absorveu do
texto já lido e compreendido. Por meio da paráfrase, você tem liberdade para escrever à
sua maneira, tornando mais acessíveis as idéias expostas no texto original.

Como bem observam Reimas e Courtés, você produz um novo texto cujas idéias
são equivalentes às da obra resenhada. Não basta retirar informações e usar sinônimos;
você tem liberdade para acrescentar informações esclarecedoras, podendo estabelecer
relações com outros textos que tratam do mesmo assunto.
Como o objetivo é avaliar a obra, a resenha prevê a inserção de críticas,
comparações, questionamentos e sugestões, desde que bem fundamentados. Para isso, a
leitura de outros textos que ajudem na compreensão ampla da obra em questão pode
tornar sua resenha mais rica e interessante. Se fizer isso, no final indique as fontes.

Citações: algumas idéias podem ser transcritas exatamente como se
encontram na obra que está sendo resenhada, desde que você seja fiel ao texto original,
coloque-as entre aspas e indique a referência. Para ser utilizada, a citação deve ser
importante, e você pode empregá-la entremeando-a no seu texto, mas mantendo o fluxo
do pensamento. O seu texto precisa ser atraente; por isso, deve haver continuidade entre
o seu texto e o texto citado.

IV. Releitura e reescrita do próprio texto: o seu desempenho vai depender da
atenção que você der para o seu texto. É preciso praticar, e isso exige o seu
envolvimento com aquilo que escreveu, sendo capaz de reler e reescrever várias vezes
para deixar nele as suas marcas de escritor.

Para Reimas e Courtés* (1989, p. 325) paráfrase “consiste em produzir, no interior de
um mesmo discurso, uma unidade discursiva que seja semanticamente equivalente a
uma outra unidade produzida anteriormente”. Sendo assim, a paráfrase objetiva
“traduzir um texto complexo em linguagem mais acessível” (Medeiros, 2005, p. 145).

*Citado por Medeiros, João Bosco (1997 em A Redação Científica. A Prática de Fichamentos: Resumos e
Resenhas. 3. ed. São Paulo: Atlas, p 145.

LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico
Tema 3 – Para elaborar a sua resenha

Profª Regina Back Cavassin

119

Dica

Releia seu texto e confira a estrutura, as informações, o seu modo de escrever. Capriche!
Você é o escritor do seu texto! Tente! Será uma experiência nova porque, com o suporte do
computador, você não precisará ficar “passando a limpo”.

Atividade

Para você aplicar os conteúdos aprendidos até aqui, apresentamos quatro opções, das
quais será escolhida uma para a elaboração da sua resenha. Publique no Ambiente Virtual
de Aprendizagem.

O que ler

1ª opção: combine com o seu professor a que filme você deve assistir para elaborar uma
resenha. Nesse caso, não se esqueça de indicar o diretor do filme, a duração, o ano.

2ª opção: leitura do livro O broto. Trata-se de um livro de imagens (32 páginas), de autoria
de Rogério Borges, publicado pela editora Moderna.

3ª opção: a critério do professor, conforme a área de interesse do curso.

Como digitar

Digitar em documento Word com as seguintes especificações:

Margens: superior - 3cm

inferior - 2cm

esquerda - 3 cm

direita - 2cm

Fonte: Times New Roman 12

Onde consultar sobre dúvidas gramaticais

Preste atenção nos recursos que o documento Word lhe oferece: se estiver sublinhado em
vermelho ou verde, reveja o que escreveu. Pode haver erros de escrita ou de gramática para
os quais o Word oferece sugestões de alteração. (Observação: nem sempre as sugestões
propostas estão corretas.) Se tiver dúvidas, consulte o dicionário, gramáticas ou algum site.
Também poderá consultar o seu tutor antes de enviar o texto.

Eis alguns endereços para você tirar suas dúvidas:

http://www.academia.org.br/

http://ciberduvidas.sapo.pt/

http://www.tvcultura.com.br/aloescola/linguaportuguesa/index.htm

Como será avaliado

Você fará as alterações necessárias de acordo com instruções que receberá na devolução do
seu texto.

Isso significa que você será avaliado no processo de construção do seu texto, por meio da
produção textual. A sua produção textual será considerada após a reescritura, em que você
busca os recursos lingüísticos mais adequados ao nível situacional, apresentando outra
versão melhor acabada.

LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico
Tema 3 – Para elaborar a sua resenha

Profª Regina Back Cavassin

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Bom trabalho,
pessoal!

Seja o dono das suas
palavras e fique
orgulhoso ao dizer: este
texto é meu!

Acadêmico, você já viu, nas unidades de Leitura e Produção de
Textos, como é importante a palavra escrita. Também já sabe que a
escrita é fundamental no processo interlocutivo, sendo a palavra o
material privilegiado para a comunicação entre as pessoas. A
construção de um texto envolve momentos diferentes. Segundo Fiad
e Mayrink-Sabinson, esses momentos são o planejamento, a própria
escrita, a leitura do texto pelo autor e as modificações a partir dessa
leitura (1993). Assim, nesta unidade, você verá alguns princípios
básicos para apresentar informações escritas em forma de um ensaio,
de acordo com as condições e critérios que o tema exige.

Objetivos

Ao concluir esta unidade, você deverá ser capaz de:

(Re)conhecer o conceito e exemplos do gênero ensaio.
Identificar a estrutura do ensaio.
Solucionar dúvidas sobre o padrão da língua escrita.
Perceber as relações semânticas (lógicas) estabelecidas por
conectivos.
Treinar o emprego de conectivos que estabelecem relações
lógicas.
Redigir um ensaio acadêmico.

Unidade 4

O Gênero Ensaio

Profª Márcia M. Junkes
Profª Rosana Paza

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Opinião de Silviano Santiago sobre Ensaio

O ensaio se apresenta como um texto escorreito, de feição híbrida.
Tem algo da escrita artística e também da escrita científica. Por um
lado, falta-lhe a liberdade da arte porque o ensaísta é um leitor que
trabalha a partir de exemplos concretos, tomados de outros textos e
dos meios de comunicação de massa. Por outro, faltam-lhe os
princípios disciplinares da ciência, já que o ensaísta é um indivíduo
obsessivo que sai em busca do conhecimento multidisciplinar de dada
questão. Paradoxalmente, nessa dupla falta, está a redenção do
ensaio. O ensaio não concorre com a exposição em forma de
"drama", típica da ficção, do teatro ou do cinema. É na obsessão
opinativa do ensaísta que está a coerência de uma coletânea de ensaios como O
cosmopolitismo do pobre. O ensaio também não concorre com a monografia científica,
em que a objetividade oriunda de uma bibliografia deve suplantar o caráter subjetivo da
interpretação. O ensaio fala de maneira individual e obsessiva sobre a atualidade e deve
dialogar com todo e qualquer cidadão que se interesse pelas questões propostas pela
realidade nacional e internacional.

O ensaio é um texto literário breve, comum na academia e
nos periódicos impressos ou on-line. Tem como maior objetivo expor
idéias, críticas e reflexões morais e filosóficas sobre determinados
temas.

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