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Revestimento de comprimidos

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Tecnologia Farmacêutica

1 Revestimento de comprimidos

I – Introdução: O revestimento de fármacos é uma adaptação dos métodos de conservação de alimentos. Os franceses no séc. XVII descrevem o revestimento como uma forma de mascarar o sabor desagradável dos fármacos. Após aceitação das pílulas revestidas com açúcar, essa forma farmacêutica sólida foi patenteada na Europa e EUA. Rapidamente se verificou que uma drageificação (revestimento com açúcar) de qualidade em grande escala podia ser feita mais rapidamente em bacias de revestimentos. O equipamento necessário para a drageificação permaneceu inalterado praticamente por 75 anos seguintes. Em 1953 o laboratório “ABBOTT” introduziu uma alteração importante no revestimento de comprimidos, os quais comercializaram os primeiros comprimidos revestidos com uma película. II – PRINCÍPIOS DO REVESTIMENTO DE COMPRIMIDOS Objetivos: 1) 2) 3) 4) 5)

mascarar o sabor, o cheiro ou a cor de um fármaco conferir proteção física ou química ao fármaco controlar a liberação do fármaco no comprimido proteger o fármaco no estômago com um revestimento gastro-resistente. Melhorar o aspecto numa perspectiva de marketing.

III – VARIÁVEIS NO PROCESSO DE REVESTIMENTO
a) Propriedades dos comprimidos Os comprimidos que serão revestidos deverão ter características físicas adequadas: • Resistência à abrasão • Não podem lascar • Possuir superfície lisa (superfície que amoleça na presença de calor, tende a tornar-se rugosas e não são aceitáveis para revestimento pelicular). Na drageificação pela aplicação de elevado teor de sólidos e a secagem é mais lenta, a imperfeição podem ser disfarçadas.

Deve ter forma adequada. A forma esférica dos comprimidos é ideal para o revestimento -> facilidade de rolamento na turbina de revestimento com o mínimo contato entre eles. A forma cúbica é a pior por possuir faces planas acumulando materiais de revestimento que contribui para a adesão dos comprimidos. Portanto, os comprimidos a revestir devem possuir faces arredondadas e, quanto mais convexa for a superfície, menor a possibilidade de aderências. Comprimidos com superfícies hidrófobas são difíceis de revestir com substâncias hidrossolúveis que não molham a superfície. Então, a formulação do revestimento deve ser ajustada com a adição de tensoativo para reduzir a tensão superficial da composição de revestimento e melhorar a sua adesão ao comprimido.

Prof.Elias José da Silva.

Turbinas de Pellegrini: Possui uma melhor eficiência no processo de secagem do que nas turbinas tradicionais pois a lâmina de imersão e o sistema de tubo de imersão. perpendicular a bacia de revestimento ou verticalmente (revestimento por fluidização) à aplicação do material de revestimento. Modelos mais novos são completamente fechados o que aumenta ainda mais a eficiência de secagem. parâmetros do processo de Equipamento: Três tipos de equipamentos para revestimento de comprimidos: 1. b) Processo de revestimento (equipamento de revestimento.Elias José da Silva. Figura 1 .Sistema de Turbina Convencional e laboratório de revestimento automatizado. pois pode reduzir significativamente o tempo de secagem entre as aplicações tanto na drageificação quanto na aplicação contínua da solução no filme de revestimento. disponibilidade e idade do equipamento. Bacia (turbina) de revestimento tradicional É uma bacia de metal circular montada num certo ângulo sobre uma base. Neste sistema convencional. As soluções de revestimento são aplicadas manualmente ou por aspersão do material de revestimento sobre os comprimidos em movimento. O ar é introduzido através de uma lâmina perfurada que se encontra imersa no leito dos Prof. automatização do processo de revestimento).Tecnologia Farmacêutica 2 revestimento. o ar aquecido é direcionado para dentro da bacia e aplicado sobre a superfície do leito de comprimidos e a exaustão é feita por meio de tubos colocados na frente da turbina. Sistemas de atomização para aspergir o revestimento produzem uma rápida e melhor distribuição da solução ou suspensão. A distribuição do revestimento é acompanhada pelo movimento dos comprimido. medindo de 20 a 150 cm de diâmetro que gira sobre um eixo horizontal por impulsão de um motor. . O princípio de revestimento é relativamente simples. permitem a distribuição uniformemente do ar aquecido sobre a superfície do leito de comprimidos.

As soluções de revestimento são aplicadas continuamente por um bico de aspersão localizado no fundo da câmara ou. A solução de revestimento é aplicada à superfície da turbina de rotação através de bicos de aspersão que se encontram posicionados dentro da turbina. Dois principais sistemas são utilizados: A diferença entre os dois tipos de sistemas está na forma em como se obtém a atomização do líquido. sobre a parte superior do leito de comprimidos que rolam em cascata. as barras defletoras introduzidas no leito dos comprimidos possibilitam a passagem do ar seco através desse leito de comprimidos fluidificando-os e a exaustão do ar é feita pela parte posterior da turbina.Elias José da Silva. proporcionando um “spray” finamente dividido (atomizado). consiste num tambor perfurado ou parcialmente perfurado que gira sobre seu eixo horizontal numa câmara fechada. podem ser difíceis de revestir por este sistema devido ao impacto proporcionado entre as superfícies ásperas dos comprimidos e ao contato deste com as paredes da câmara. A escolha depende da fórmula da solução de revestimento e do processo de desenvolvimento de um produto. O movimento dos comprimidos é na vertical pelo centro da câmara caindo junto à parede da bacia e dirigindo-se para o centro da bacia voltando a reentrar na corrente de ar na base da coluna. Outro sistema. 2. São bastante eficazes na secagem. .Tecnologia Farmacêutica 3 comprimidos molhados criando um ambiente adequado para secagem. À medida que a turbina roda. O ar de secagem é direcionado para a turbina e obrigado a passar através do leito de comprimidos sendo eliminado através de perfurações no tambor. O ar aquecido dirigese na vertical através do leito dos comprimidos sendo extraído através de um tubo convencional. “Driacoter” o ar quente é introduzido através de defletores ocos e perfurados que se encontram na periferia interior do tambor. Aspersores: São sistemas de aplicações de soluções ou suspensões. por bicos localizados na região superior da câmara. 3. Equipamento de leito fluidizado. quando não se usa ar Prof. A fluidização de um leito de comprimido é conseguida numa câmara com forma de coluna pelo fluxo ascendente do ar de secagem. Comprimidos friáveis e passíveis de se fragmentarem. Turbina de revestimento perfurada Em geral. A corrente de ar tem que entrar no centro da coluna possibilitando os comprimidos a ficarem suspensos no centro da mesma. a) pressão elevada.

do manômetro) através de um orifício reduzido (0.Tecnologia Farmacêutica 4 Utiliza-se pressão elevada de 250 a 25000 psig (libras / pol2 . b) pressão baixa com atomização de ar. mesmo para a superfície do equipamento de revestimento. E (Entrada) em que: A(T. A(T1. Devido às condições de funcionamento é possível saber se a taxa de aplicação se aproxima da capacidade de secagem do sistema.Elias José da Silva. ou de solvente. A secagem envolve operações de transferência de calor e massa. H2) + C2(S) + pSA2 (exaustão) Capacidade do ar A(T. os comprimidos atravessam uma zona de aplicação em que uma parte desses comprimidos recebe o revestimento.52 mm de diâmetro interno) para pressões relativamente reduzidas (5 a 15 psgi). H1) + C1(S) + pSA1 A(T2. . pela viscosidade do líquido. A maior parte do tempo os comprimidos encontram-se numa zona de secagem afastada da zona de aplicação voltando a atravessar a zona de aplicação ciclicamente. da temperatura do ar (T) e da quantidade da água contida no ar de entrada (H). Prof. Fora desta zona. tamanho do orifício e viscosidade do líquido.51 mm de diâmetro interno) no bico de aspersão que traduz num spray finamente dividido. É necessário que o valor seja transferido para o material para que este adquira o calor latente necessário à vaporização do solvente. O afastamento deste equilíbrio leva ao aparecimento de problemas sérios. H) = capacidade do ar C1(S) = composição do revestimento pSA = área de superfície do comprimido E = eficiência do equipamento. pela pressão do ar e pelo orifício de saída do ar. pelo orifício de saída do fluido.23 mm a 0. H): Este valor representa a quantidade de água. Parâmetros: Durante o processo de revestimento. A pressão reduzida do ar em contato com o fluxo do líquido no bico do atomizador produz um spray finamente divido.51 a 1. O grau de atomização e a velocidade de aspersão são controlados pela pressão do fluido. Numa operação de revestimento contínuo o revestimento é mantido em equilíbrio. A aplicação do revestimento e o fluxo de ar quente podem ser contínuos ou descontínuos. O grau de atomização e controlado pela pressão do fluido. dependendo da composição desse revestimento e das condições de secagem. que pode ser removida durante o processo de revestimento e que depende do débito de ar através do leito de comprimidos. O líquido é bombeado através de um orifício mais largo (0. uma parte do revestimento aplicado pode ser transferido da superfície dos comprimidos adjacentes ou. pelo que a taxa de aplicação do revestimento iguala a taxa de evaporação dos solventes voláteis.

a qual pode causar dificuldades no revestimento. os quais atuam como transportadores dos outros componentes da formulação. O Ar de saída torna-se mais frio e contém mais água devido à evaporação do solvente. sendo eliminado como poeira. Eficiência do equipamento (E): É um valor obtido por divisão do aumento da massa do comprimido revestido pela massa de revestimento excluindo os ingredientes voláteis aplicado aos comprimidos. devem ser feitas melhorias no processo de revestimento. Esta diferença significativa da eficiência do revestimento em película e da drageificação está relacionada com a quantidade do material de revestimento que adere às paredes da turbina. sua remoção rápida é necessária para prevenir efeitos indesejáveis na integridade do comprimido. A eficiência da drageificação é inferior. O Ar quente de entrada proporciona a energia para a evaporação da água. sendo aceitável um valor na ordem de 60%. além da qualidade dos comprimidos que é necessária para um bom revestimento. as temperaturas elevadas necessárias para conseguir uma secagem rápida podem interferir com a estabilidade do fármaco no comprimido além de evitar uma distribuição parcial do revestimento fora da zona de aplicação. 90 a 95% do revestimento do filme aplicado deve ficar à superfície do comprimido. Estes solventes são eliminados durante o processo de revestimento. Como o solvente constitui a maior parte da composição do revestimento. de gravações afetam as condições de revestimento. ou não. débito de ar e temperatura elevada). IV – PROCESSOS DE REVESTIMENTO DE COMPRIMIDOS Prof. Área de superfície do comprimido (pSA): O tamanho do comprimido e a presença.Tecnologia Farmacêutica 5 A transferência de massa ocorre por difusão do solvente através do material para a superfície de evaporação. que resulta numa secagem parcial do revestimento antes que atinja a superfície do comprimido. existente na composição de revestimento. No entanto. Os revestimentos peliculares finos ao secarem mais rapidamente sobre a superfície dos comprimidos permitem uma aplicação constante e eficiente da solução de revestimento por atomização. Composições de revestimento C(S): Contém os ingredientes que vão ser aplicados sobre a superfície dos comprimidos e os solventes. caso contrário. com a evaporação subseqüente do solvente a partir da superfície e da difusão do vapor resultante para a corrente de ar que passa. As superfícies dos comprimidos são sensíveis à solução de revestimento aplicada.Elias José da Silva. . Idealmente. Uma eficiência reduzida num processo de revestimento pelicular pode ser a taxa de aplicação ser reduzida (área grande da superfície do comprimido.

Elias José da Silva. A drageificação continua a ser bastante usada porque confere uma aparência excelente ao comprimido. Camada de enchimento É aplicado para arredondar as arestas e aumentar o tamanho do comprimido. solúvel em álcool usado como isolante eficaz. nos quais podem ocorrer sobre molhagem localizada de uma parte do leito dos comprimidos. podendo conter também talco. durante quanto tempo e com que velocidade os comprimidos devem ser mantidos na turbina. o método e a taxa de adição. Prof. Quando os comprimidos estão parcialmente secos. sobretudo por se tratar de um método manual no qual as soluções de revestimento são deitadas sobre os núcleos dos comprimidos. O operador determina a quantidade de solução a adicionar. da natureza do núcleo e da economia do processo. 2. os comprimidos absorveriam a umidade conduzindo ao amolecimento ou desintegração afetando a estabilidade física e química do produto acabado. que normalmente é composto por uma mistura de açúcar e amido. . a duração das quais varia desde algumas horas até vários dias. acácia ou carbonato de cálcio precipitado. são pulverizados com um pó fino. Produtos utilizados para isolamento: Shellac -> um ótimo isolante mas pode alterar os tempos de desintegração e dissolução que tendem a aumentar com o envelhecimento devido aa sua polimerização. DRAGEIFICAÇÃO: Envolve várias fases. Geralmente se adiciona um xarope espesso que contém gelatina ou polivinilpirrolidona (PVP) ou acrescenta-se acácia na drageadeira. camadas subseqüentes são aplicadas até que as arestas dos comprimidos tenham sido cobertas e se alcance uma espessura aceitável (cerca de 3 a 5 sub revestimentos com xarope a base de açúcar). Aplica-se ar quente aos comprimidos até secagem e repete-se o processo de sub revestimento até atingir o tamanho e a forma desejada.Tecnologia Farmacêutica 6 O tipo do processo escolhido depende do tipo de revestimento que vai ser aplicado. ao que se segue uma secagem. Camada Isolante (impermeabilização e selamento) Evita a penetração de umidade nos núcleos. Sem a camada isolante. Consiste na aplicação de uma camada de um aglutinante que adere ao comprimido e de pós de enchimento. O processo de drageificação inclui os seguintes passos: 1) Isolamento 2) enchimento 3) alisamento / corante 4) polimento 1. quando deve usar o ar de secagem. Zeína -> derivado obtido do milho. O sucesso do produto depende grandemente da perícia do operador da drageificação. A drageificação pode levar ao aumento da massa do comprimido entre 50 a 100%. É necessário nos processos manuais.

Tecnologia Farmacêutica 7 3. . o operador move a mão sobre os comprimidos que rolam para distribuir o xarope e evitar a aderência. Nesta fase podem adicionar corantes diluídos para proporcionar uma base corada que facilita uma distribuição uniforme da cor em fases posteriores. Aplica-se ar quente para acelerar o tempo de secagem de cada cobertura. Revestimento a base de água causa numerosos problemas que variam entre a erosão dos núcleos até a instabilidade do produto devido ao teor de umidade inaceitavelmente elevada dos núcleos. Com exceção do leito fluidizado. Técnicas manuais: Foram utilizadas ao longo de muitos anos mas foram substituídas por novas técnicas que permitem resultados mais reprodutíveis. Conforme o xarope é aplicado. As técnicas usadas para se obter o produto desejado. Processos manuais requerem quase sempre uma fase de secagem adicional para remoção dos solventes residuais. eficientes e automatizados torna as técnicas manuais obsoletas. Camada Alisante / Corante A finalidade deste passo é cobrir e preencher todas as imperfeições sobre a superfície dos comprimidos deixados pela camada anterior e também conferir a drágea a cor desejada. Prof. Não se deve adicionar cor até que os comprimidos se encontrem praticamente lisos. o revestimento pelicular e a drageificação compartilham o mesmo equipamento e são afetados pelos mesmos parâmetros do processo. Esta é a fase que necessita de maior habilidade.Elias José da Silva. com a finalidade de completar o arredondamento e alisar os revestimentos. e este processo inclui alguns aspectos associados a drageificação. livre dos materiais dos revestimentos anteriores. Geralmente a etapa de coloração é realizada numa drageadeira limpa. Polimento O brilho desejado é obtido nesta fase final do processo de drageificação. especialmente nos processos manuais em turbina de revestimento. Os comprimidos revestidos podem ser polidos em turbinas de revestimento polidas ou em turbinas de polimentos revestidas com telas de lona por aplicação cuidadosa de cera em pó (cera de abelha ou carnaúba) ou de soluções aquecidas dessas ceras em éter de petróleo ou outros solventes voláteis adequados. O uso de sistemas modernos. Este xarope pode ser composto a base de sacarose ou ter outros componentes como amido e carbonato de cálcio. REVESTIMENTO PELICULAR O revestimento pelicular surgiu a partir da drageificação. 4. são complexas e só podem ser aprendidos com a prática. Aplicação prematura de cor em comprimidos rugosos pode conduzir a um aspecto sarapintado nas drágeas finais. São aplicadas 5 a 10 camadas adicionais com um xarope bastante espesso.

Movimentos inadequados dentro da turbina de revestimento.Tecnologia Farmacêutica 8 Métodos de aspersão em Turbinas: A introdução de equipamento de aspersão foi o passo seguinte na evolução melhorando a eficiência nos processos de revestimento pelicular. Prof. Uma mistura uniforme favorece a quantidade de polímero depositada sobre cada comprimido. o tamanho e a distribuição de tamanhos das gotículas obtidas do bico de aspersão.Elias José da Silva. O grau de atomização só pode ser controlado empiricamente. apesar de que estes defletores podem promover a formação de lascas e quebra dos comprimidos se não forem selecionados e usados cuidadosamente. Alguns comprimidos necessitam de um sistema de defletores próprio para assegurar uma mistura adequada. A forma dos comprimidos pode afetar a mistura. A aspersão conferiu versatilidade ao processo e permitiu a automatização na aplicação do líquido. obtêm-se variações de cor inaceitáveis ou a integridade desses comprimidos pode ser afetada.grau de atomização .padrão de aspersão . Em turbinas grandes. Uma velocidade muito lenta pode levar a sobremolhagem resultando o fenômeno de adesão entre os comprimidos ou com a turbina. Rotações de 10 a 15 rpm são ideais para revestimentos peliculares não aquosos enquanto que velocidades mais baixas (3 a 10 rpm) são usadas para revestimento com meio aquoso. A sobremolhagem ou a submolhagem tem que ser evitadas em qualquer operação de revestimento. A velocidade não só afeta a mistura como também a velocidade com que os comprimidos passam sob o cone de aspersão. Já a velocidade elevada pode não permitir o tempo suficiente para a secagem antes que estes mesmos comprimidos voltem a passar sob o cone de aspersão. . depende da mistura e da eficiência da secagem do sistema.velocidade de rotação e carga da turbina afetam o mistura dos comprimidos. A atomização é o processo no qual o líquido é dividido em pequenas gotículas. devem-se incluir mais bicos de aspersão para cobrir uma largura maior do leito de comprimidos. O revestimento destes comprimidos leva a um aumento aproximado da sua massa em cerca de 2 a 5% da massa de cada comprimido. não é um parâmetro facilmente controlável. Variáveis do processo: As variáveis a serem controladas num processo de revestimento por aspersão em turbina são: a) Variáveis da turbina:: . O grau de atomização.distância do bico de aspersão ao leito dos comprimidos A taxa adequada para a qual a solução de revestimento deve ser aplicada.concepção da turbina e dos defletores . Uma atomização que seja muito fina conduz a que algumas gotículas sequem antes de atingirem o leito dos comprimidos. o que origina um revestimento rugoso. b) Variáveis de aspersão: .taxa de aspersão .

solubilidade completa em água. a massa de comprimidos não se move com rapidez suficiente através da zona de aspersão podendo resultar numa sobremolhagem. Estabilidade na presença de calor. O controle do ar do processo é conseguido por ajustamento de uma ventoinha regulável ou pelo uso de reguladores para manter a massa dos comprimidos num movimento fluido constante dentro da câmara. . Solubilidade necessária para o uso pretendido. 8. cor ou cheiro Não ser tóxico nem possuir atividade farmacológica e ser fácil de aplicar a partículas e comprimidos. com a parede da turbina ou simplesmente. 4. 7. ar. 6. A forma dos comprimidos. 1. O fornecimento de ar deve ter alguma capacidade de desumidificação. 2. umidade. Um débito muito elevado resulta num excesso de atrito e na quebra dos comprimidos.Elias José da Silva. com a superfície apresentando um aspecto de casca de laranja.Tecnologia Farmacêutica 9 O efeito da secagem do spray pode ser facilmente detectável pelo aparecimento de rugosidades sobre a superfície dos comprimidos.equilíbrio entre a entrada e a saída do ar na turbina As sensibilidades do polímero de revestimento e do aquecimento do núcleo determinam a temperatura máxima a que o processo de revestimento deve ocorrer. V – POLIMEROS PARA REVESTIMENTO Um material ideal para um filme de revestimento deve ter as seguintes propriedades: Solubilidade no solvente selecionado para a preparação. ou como excesso de pó na turbina. baixa solubilidade em água ou solubilidade dependente do pH (revestimento gastroresistente). Uma atomização insuficiente pode resultar em gotículas que sejam demasiadamente grandes ao atingirem a superfície dos comprimidos e causarem sobremolhagem localizada que pode levar ao aparecimento de fenômenos de adesão entre os núcleos. não alterar com o envelhecimento. c) Ar do processamento: . Capacidade para produzir um produto com bom aspecto. Processos de Leito Fluido: Os sistemas de leito fluido tem sido utilizados com sucesso no revestimento rápido de comprimidos. 3. o tamanho. ex. Uma fluidização e uma secagem adequada dependem do volume do ar. Temperatura elevada no leito de comprimidos e dentro da turbina de revestimento conduz a uma evaporação mais rápida do solvente e uma maior velocidade de revestimento.qualidade do ar . Resistente a fratura Capacidade de ser impresso num equipamento de alta velocidade. As formulações de revestimento usadas nestes processos são idênticas àquelas usadas para os processos em turbinas. a densidade e a quantidade de carga afetam a capacidade da massa dos comprimidos a serem fluidizados. Se o débito for muito baixo. 5.temperatura . Prof. grânulos e cápsulas. Não deve possuir sabor.

encontra-se disponível em 4 viscosidades diferentes identificadas pelos seus valores de K (K-15. para preparar filmes com propriedades que sejam pouco solúveis em água (liberação controlada). Na é utilizada sozinha mas sim com outros polímeros . em meio gastro-intestinal e em solventes orgânicos polares. em água. Material não gastro-resistente: a) Hidroxipropilmetilcelulose. 5. e nos meios gástricos e intestinais. não interfere na desintegração do comprimido e com a disponibilidade do fármaco.000. K-60 e K-90. d) Hidroxipropilcelulose É solúvel em água abaixo dos 40°C (insolúvel acima dos 45°C). Possui estrutura idêntica a hidroxipropilmetilcelulose e espera-se que este polímero tenha propriedades idênticas. 360. . 3. É bastante adesivo a medida que seca a partir da solução. 160. Geralmente é associado com o hidroxipropilmetilcelulose . Apresenta uma solubilidade excelente numa variedade de solventes orgânicos. respectivamente).Tecnologia Farmacêutica 10 Nenhum dos materiais disponíveis reúne todas estas propriedades que caracterizam um material de revestimento ideal. os filmes de povidona são transparentes brilhantes e resistentes. capacidade de incorporar corantes e outros aditivos no filme sem dificuldade. ar ou umidade. luz.000. mas não para um revestimento corado ou brilhante. A mais utilizada na produção de medicamentos é a K-30. Os polímeros podem ser classificados em gastro-resistentes ou não gastro-resistentes. 40. A povidona tem sido utilizada para melhorar a dispersão de corantes nas soluções de revestimentos para se obter um filme corado mais uniforme.Elias José da Silva. estável na presença de calor. b) Metiletilhidroxicelulose Encontra-se disponível numa grande variedade de viscosidade. As razoes para o uso: 1. A hidroxipropilmetilcelulose aproxima-se das características de um polímero ideal para a formação de filmes e também é utilizada freqüentemente em soluções para conferir brilho ao revestimento. USP Material de escolha para sistema de leito fluidizado ou de aspersão em turbinas de revestimento. não pode ser utilizado sozinho como revestimento de comprimidos. flexibilidade e resistência à fratura e à ausência de sabor ou cheiro 4. c) Etilcelulose È completamente insolúvel em água e no meio gastro-intestinal e assim.000. solubilidade no meio gastro-intestinal. a que corresponde aproximadamente a massa molecular média de 10. USP É um polímero sintético. Prof. Quando seca. em solvente orgânico ou na água 2. e) Povidona. como aglutinante ou em revestimento de comprimidos. K-30.000. podendo ser utilizado para um subrevestimento.

prevenir irritações gástricas e náuseas . “Eudragit E” é um copolímero catiônico que é o único Eudragit bastante solúvel em meio gástrico (até pH 5) sendo elástico e permeável acima de pH 5. Razões para o revestimento entérico: 1. As combinações da cera de polietilenoglicol com o acetoftalato de celulose proporcionam filmes que são solúveis no meio gástrico. Os filmes são quebradiços mas aderem bem aos comprimidos. Pesos moleculares baixos (200 a 600) são líquidas à temperatura ambiente e são utilizados como plastificantes de polímeros em soluções de revestimento. Material gastro-resistente: Os revestimentos gastro-resistentes de comprimidos existem há mais de cem anos. sendo utilizadas em combinação com outros polímeros para modificar as propriedades dos filmes. fratura ou amolecimento. proteção do fármaco que se decomponham em meio ácido (enzimas e alguns antibióticos). Estes polímeros produzem filmes para liberação prolongada. elevada e bastante elevada. Eudragit RL e RS são copolímeros sintéticos disponíveis como soluções orgânicas e no estado sólido. . h) Polímeros do Ácido Acrílico Com o nome de Eudragit®é comercializado uma série de acrilatos. baixa.Tecnologia Farmacêutica 11 f) Carboximetilcelulose Sódica. Pesos moleculares elevados (900 a 8000) são brancos e cerosos à temperatura ambiente. média. É facilmente dispersível em água para formar soluções coloidais mas é insolúvel na maioria dos solventes orgânicos pelo que não é um material de escolha para soluções de revestimento em meio orgânico. Ao final de uma hora de exposição ao meio gástrico os comprimidos não devem apresentar qualquer sinal de desintegração. 2. Administrar fármacos para agir no intestino Um revestimento gastro-resistente ideal deve ter as propriedades seguintes: a) resistência aos meios gástricos b) ser permeável ao meio intestinal c) compatível com as soluções de revestimento d) estabilidade e) formação de um filme contínuo f) não ser tóxico g) custo reduzido h) facilidade de aplicação O teste de desintegração apresentado na farmacopéia americana para comprimidos gastro-resistente tem que tolerar a agitação num meio gástrico de teste a 37°C + 2°C (sem discos). Então adiciona-se um disco em cada tubo e o teste continua em meio intestinal simulado a 37°C + 2°C como meio de Prof. g) Polietilenoglicóis (PEGs) São usados também como revestimentos existindo uma grande variedade de massas moleculares. 3. USP Encontra-se disponível em várias viscosidades.Elias José da Silva.

PLASTIFICANTES Quando são usados nas proporções corretas em relação ao polímero. Tem a desvantagem de se dissolver unicamente a pH 6 e de retardar a absorção de fármacos. Os filmes produzidos são quebradiços e normalmente são formulados com materiais que promovam a formação do filme de natureza hidrofóbica ou de adjuvantes para se alcançar um melhor filme gastro-resistente. a acetona. Fármacos que se hidrolisam em meios aquosos podem ser revestidos eficazmente com revestimentos em meios não aquosos. se 1 ou 2 comprimidos não se desintegrarem completamente. Existem duas formas de polímeros acrílicos disponíveis.SOLVENTES Os solventes mais utilizados. a metiletilcetona e o diclorometano. Devido à conservação do meio ambiente. forma sólida ou dispersão aquosa) e “Eudragit S” (disponível como solução orgânica de isopropanol ou no estado sólido). ambos produzem filmes que são resistentes ao meio gástrico. Então para passar o teste de desintegração pelo menos 16 dos 18 comprimidos devem desintegrar-se. o produto passa o teste. o etanol. por um período de tempo igual a 2 horas ou no limite de tempo especificado na monografia individual do produto. em massa. 3) Ftalato de Hidroxipropilmetilcelulose (HPMCP) Dissolvem para valores de pH mais baixos (entre 5 e 5. Pelo contrário. respectivamente. o teste é repetido com outros 12 comprimidos.Elias José da Silva. 2) Polímeros Acrílicos VI . estes materiais conferem flexibilidade ao polímero por liberar a rigidez das suas cadeias. São solúveis em meio intestinal a pH 6 ou 7. . É higroscópico e relativamente permeável à umidade e aos meios gástricos em comparação com outros polímeros entéricos. Os níveis de plastificantes recomendados variam entre 1 a 50%. Spans) Prof. isoladamente ou em combinações são a água. VII .o metanol o isopropanol.Tecnologia Farmacêutica 12 desintegração. Alguns dos plastificantes usados mais freqüentemente são: • Óleo de rícino • Propilenoglicol • Glicerina • PEGs de baixo PM • Tensoativos (tweens. do polímero. dos copolímeros acrílicos o que pode implicar numa maior biodisponibilidade de alguns fármacos específicos por aumento da sua solubilidade.5) do que o acetoftalato de celulose ou. a água é o solvente de escolha. “Eudragit L” (disponível como solução orgânica de isopropanol. o clorofórmio. 1) Acetoftalato de Celulose Tem sido bastante utilizado na industria. Se todos os comprimidos se desintegrarem.

. os quais não são absorvidos pelas mucosas.Elias José da Silva. Os vernizes contem de 10 a 30% de corantes podendo chegar até 50%. Os vernizes tornaram-se os corantes de escolha para a drageificação ou revestimento pelicular por se conseguirem colorações mais reprodutíveis e estáveis. usadas nas formulações das soluções de revestimentos para conferirem um leque amplo de cores e melhorar o revestimento. IX .Controle de Qualidade • • • Cor (tonalidade e uniformidade) Tamanho Aspecto (defeitos físicos no revestimento) Teste in vitro (teste de desintegração e dissolução) Teste de estabilidade (determinar o efeito do tempo e das condições de armazenagem sobre a estabilidade física e química do produto revestido). São usados para proporcionar uma cor e um aspecto próprio da forma farmacêutica. Estes opacificantes proporcionam um revestimento branco do comprimido. Estes corantes são vernizes corados ou produtos sintéticos. ligam-se os corantes a polímeros que.Opacificantes São substâncias inorgânicas.Outros adjuvantes • • • • • Edulcorantes Aromatizantes Tensoativos Antioxidantes Conservantes XI . Uma nova linha de corantes está a ser desenvolvida. como a alumina ou o talco. Os vernizes são obtidos a partir de corantes por precipitação sobre outros materiais. em pó. Os materiais mais utilizados são: • Dióxido de Titânio • Silicatos (Talco) • Carbonatos (carbonato de magnésio) • Sulfatos (sulfatos de cálcio) • Óxidos (Óxido de Magnésio) • Hidróxidos (hidróxidos de alumínio) X . sendo demasiadamente grandes para serem absorvidos no trato gastro-intestinal. Os corantes mais comuns são os corantes certificados para alimentação e cosmética.Tecnologia Farmacêutica 13 VIII . são resistentes a uma possível degradação.Corantes Os corantes podem ser solúveis no sistema de solventes ou suspensos como pós insolúveis. Para se conseguir tais resultados. • • Prof.

Defeitos do Filme Adesão e remoção de material: Sobremolhagem ou um excesso de adesividade do filme faz com que os comprimidos adiram entre si ou à turbina de revestimento. Também pode ocorrer se os comprimidos revestidos são expostos a condições de umidade muito elevadas resultando na solvatação parcial do filme. resultando no seu “enchimento”. • Formação de bolhas: Quando o revestimento dos comprimidos necessita de uma secagem final em estufa.Elias José da Silva. • Prof. O uso de corantes em vernizes elimina a migração dos mesmos. Uma adesividade excessiva pode ser um indicador de uma má formulação. Esta resistência pode ser aumentada pelo uso de polímeros de peso molecular elevado ou por misturas de polímeros . • Superfície pouco uniforme (casca de laranja): Está ligado ao mesmo problema da rugosidade. Trata-se de um problema na formulação. pode diminuir a rugosidade. Isso indica que a aspersão é impedida pela secagem demasiadamente rápida ou pela viscosidade muito elevada dessa solução.Tecnologia Farmacêutica 14 XII . problema que pode ser corrigido pela diluição da solução com mais solvente. um padrão de aspersão irregular e um revestimento insuficiente pode dar origem à variação da cor. Algumas partículas podem secar muito rapidamente antes de atingirem o leito de comprimidos resultando em depósitos sobre a superfície dos comprimidos das partículas aspergidas. pode diminuir-se a incidência deste fenômeno. A migração de corantes solúveis. Uma redução na velocidade de aplicação do liquido ou aumento da temperatura e / ou do volume do ar permite resolver este problema. • Rugosidade: Defeito observado com freqüência quando se aplica o revestimento por aspersão. ao invés de gotículas finamente divididas da solução de revestimento. Diminuindo o grau de atomização. aproximando o bico de aspersão do leito de comprimidos. plastificantes e outros adjuvantes durante a secagem pode originar um revestimento com aspecto pouco uniforme ou manchado (marmorização). uma evaporação rápida do solvente e o efeito de temperatura elevada sobre a resistência. • Diminuição do brilho: Pode ocorrer quando se usa polímero celulósico aplicado em soluções aquosas a temperaturas de processamento elevadas. • Retração e enchimento: Durante a secagem o filme pode encolher e retrair-se das arestas afiadas de uma gravação ou de uma depressão da superfície. Condições moderadas de secagem são adequadas nestas situações. . Aumentando o teor de plastificante. • Variação da cor (marmorização): Este problema pode ocorrer pelas condições de processamento ou da formulação. ou alterando o plastificante . Uma mistura imprópria. elasticidade e adesão do filme pode dar origem à formação de bolhas. • Fratura: Ocorre quando a tensão interna no filme excede o seu limite da resistência. diminuindo a concentração de pigmentos e polímeros na solução de revestimento.

Elias José da Silva. Os comprimidos são colocados nas turbinas fechadas.Tecnologia Farmacêutica 15 XIII – OUTROS TIPOS DE REVESTIMENTOS Revestimento por compressão: Necessita de uma máquina de comprimir especial. consegue-se obter um revestimento uniforme. • Revestimento eletrostático Constitui um método eficiente de aplicação de um revestimento para substâncias condutoras onde o material de revestimento contém íons de carga oposta que é aspergido sobre um substrato carregado. e menos confiável do que as técnicas de revestimento por aspersão. antes de se alcançar o nível de vácuo pretendido. Os comprimidos molhados são secos de forma convencional numa bacia de revestimento. • Prof. • Revestimento pelicular sob vácuo: É uma nova técnica de revestimento que necessita de uma turbina especial contendo defletores. Até o momento não é conhecida nenhuma aplicação industrial através deste método. Este processo é demorado. O produto acabado é um comprimido dentro de outro (comprimidos múltiplos). pouco versátil. A turbina tem uma camisa de aquecimento para água podendo ser selada obtendose um sistema de vácuo. A solução de revestimento é aplicada através de um sistema de aspersão sem ar e a evaporação é provocada pelo aquecimento da turbina e os vapores são removidos por sistema a vácuo. • Revestimento por imersão: O revestimento é aplicado aos núcleos de um comprimido ao mergulhá-los no líquido de revestimento. sendo o ar removido por azoto. . Alternando a imersão com a secagem várias vezes.

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