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aula terceira oab (1ª part.)

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RESUMO DE DIREITO PENAL PARA OAB Professor: Lúcio Valente Aula 03 (1ª Parte

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ESTUDO DO ERRO ERRO DE TIPO (CPB, art. 20)

1. Agora que já aprendemos o significado do termo TIPO PENAL (modelo de conduta proibida), podemos compreender que durante o encaixe de uma conduta real ao modelo (tipo) pode ocorrer um erro, um tilt. Ou seja, no processo de adequação típica pode ocorrer um defeito na formação mental do dolo na cabeça do agente. Observe: MODELO: SUBTRAIR COISA ALHEIA MÓVEL (furto, art. 155). ERRO: O AUTOR PENSA QUE O “ALHEIO” É DELE.

Meu carro!

(CARRO ALHEIO)

2. Bom, se não há DOLO de subtrair o “alheio”, qual a consequência do erro de tipo?

O ERRO DE TIPO SEMPRE AFASTA O DOLO. O ERRO DE TIPO SEMPRE AFASTA O DOLO. O ERRO DE TIPO SEMPRE AFASTA O DOLO.

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RESUMO DE DIREITO PENAL PARA OAB Professor: Lúcio Valente Aula 03 (1ª Parte)

(POLICIA CIVIL_MG_2007) A finalidade precípua do erro de tipo essencial é a de afastar o dolo da conduta do agente. Resposta: Certo. (CESPE - 2010 - TRE-MT - Analista Judiciário – Adaptada) O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo e a culpa, podendo o agente, no entanto, responder civilmente pelos danos eventualmente ocasionados. Resposta: errado.

3. O erro de tipo é classificado na doutrina como: a. evitável, indesculpável ou inescusável: (afasta o dolo, mas permite a punição pelo resultado a título de culpa, se previsto em lei). b. inevitável, desculpável ou escusável: afasta o dolo e a culpa.

(CESPE_JUIZ SUBSTITUTO_TJ_SE_2008) O erro inescusável sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo e a culpa, se prevista em lei. Resposta: errado.

Lembre-se do clássico exemplo em que um caçador vai caçar veados na companhia de um amigo dançarino de balé clássico. Este último, querendo pregar uma peça no amigo, traveste-se do animal. O caçador, ao ver o amigo saltitante, efetua-lhe um disparo mortífero.

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RESUMO DE DIREITO PENAL PARA OAB Professor: Lúcio Valente Aula 03 (1ª Parte)
Ao verificar o resultado do disparo, percebe que matou o amigo. O erro incide no elemento “alguém” do tipo “matar alguém”. O dolo do caçador foi de matar veado e não uma pessoa.1 Se, diante das circunstâncias, chegássemos à conclusão que o caçador poderia ter sido mais diligente ao efetuar o disparo, ou seja, que o erro poderia ter sido evitado, o dolo ficará afastado (pois o erro de tipo sempre afasta o dolo), mas responderá pelo resultado a título de culpa. Caso chegássemos à conclusão de que o erro era inevitável, o caçador terá o dolo e a culpa afastados.

CONSEQUÊNCIA – O ERRO DE TIPO SEMPRE, SEMPRE, SEMPRE, AFASTA O DOLO.

É UM ERRO SOBRE O FATO REAL, OU SEJA,
O AGENTE PENSA “X”, MAS A REALIDADE É “Y”.

ERRO DE TIPO EVITÁVEL (OU INDESCULPAVEL OU INESCUSÁVEL) - AFASTA DOLO, MAS PERMITE PUNIÇÃO POR CULPA, SE PREVISTO EM LEI.*

ERRO DE TIPO INEVITÁVEL SOMENTE AFASTA DO DOLO E CULPA

4.

*COMO ASSIM, SE “PREVISTO EM LEI”?

CLARO, PORQUE HÁ CRIMES QUE NÃO ADMITEM A MODALIDADE CULPOSA, COMO O DANO, O FURTO, O ROUBO, ABORTO, ENTRE OUTROS. ( CESPE - 2004 - Polícia Federal - Delegado de Polícia - Nacional) O médico Caio, por negligência que consistiu em não perguntar ou
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Em sala de aula costumo brincar com os alunos: “queria matar o VE, mas acabou matando o VI!

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RESUMO DE DIREITO PENAL PARA OAB Professor: Lúcio Valente Aula 03 (1ª Parte)
pesquisar sobre eventual gravidez de paciente nessa condição, receitalhe um medicamento que provocou o aborto. Nessa situação, Caio agiu em erro de tipo vencível, em que se exclui o dolo, ficando isento de pena, por não existir aborto culposo. Resposta: correto

5.

Outras espécies de erros (erros acidentais ou secundários)

a. Erro determinado por terceiro: responde pelo crime o terceiro que determina o erro, art. 20, § 2°. b. Erro sobre a pessoa: Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime (art. 20, § 1º). c. Erro de execução (aberratio ictus): Julga-se o fato como se tivesse sido a pessoa visada (art. 20, § 3º). Se ambas forem atingidas, aplica-se o concurso formal (uma só pena com aumento de 1/6 a 1/2). d. Resultado diverso do pretendido (aberratio delicti): Responde por culpa, se couber crime culposo. Haverá concurso formal se ocorrer, também o resultado pretendido (arts. 70 e 74). e. Erro sobre o nexo causal (aberratio causae): José, querendo matar João afogado, lanaça-o de cima de uma ponte. Durante a queda, João acaba por bater a cabeça na pilastra e morre de traumatismo craniano. A responsabilidade de José não é afastada, pois “considera-se causa a ação ou omissão (jogar da ponte) sem a qual o resultado não teria ocorrido”. f. Dolo Geral (hipótese particular de erro sobre o nexo causal): No dolo geral, o agente julga consumado o crime, mas, na realidade, a consumação só acontece depois depois, em decorrência de outros atos praticados. O agente responde pela resultado final, o qual estaria envolto em um só dolo (o dolo geral). Não confundir DOLO GERAL de DOLO GENÉRICO. O segundo, refere-se ao dolo existente em todos os crimes dolosos em contraposição ao dolo específico, existente em alguns tipos, conforme vimos em aula anterior.

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QUESTÕES ácido corrosivo, supondo está utilizado uma pomada. que

1. (FCC - 2010 - TRE-AL ANALISTA JUDICIÁRIO) A dispara seu revólver e mata B, acreditando tratar-se de um animal. A respeito dessa hipótese é correto afirmar que se trata de fato típico, pois o dolo abrangeu todos os elementos objetivos do tipo. 2. (POLICIA CIVIL_MG_2007) A finalidade precípua do erro de tipo essencial é a de afastar o dolo da conduta do agente. 3. ( CESPE - 2010 - TRE-MT Analista Judiciário – Adaptada) O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo e a culpa, podendo o agente, no entanto, responder civilmente pelos danos eventualmente ocasionados. 4. ( FCC - 2007 - TRE-MS Analista Judiciário ) Considere os exemplos abaixo:

III. Matar pessoa gravemente enferma, a seu pedido, para livrá-la de mal incurável, supondo que a eutanásia é permitida.

IV. Ingerir a gestante substância abortiva, supondo que estava tomando um calmante.

Há erro de tipo nas situações indicadas APENAS em a) I, II e III. b) I e III. c) I, III e IV. d) II e III. e) II e IV. 5. (CESPE_JUIZ SUBSTITUTO_TJ_SE_2008) O erro inescusável sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo e a culpa, se prevista em lei. 6. ( CESPE - 2004 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Nacional)

I. Casar-se com pessoa cujo cônjuge foi declarado morto para os efeitos civis, mas estava vivo.

II. Aplicar no ferimento do filho

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O médico Caio, por negligência que consistiu em não perguntar ou pesquisar sobre eventual gravidez de paciente nessa condição, receita-lhe um medicamento que provocou o aborto. Nessa situação, Caio agiu em erro de tipo vencível, em que se exclui o dolo, ficando isento de pena, por não existir aborto culposo. só é punível o autor da coação. Assinale as proposições corretas. a) I, II e V, apenas. b) II, III e IV, apenas. c) II, IV e V, apenas. d) I, II e III, apenas. e) II, III e V, apenas. 7. ( CESPE - 2011 - TRE-ES Analista Judiciário) Erro de pessoa é o mesmo que erro na execução ou aberratio ictus. 8- ( VUNESP - 2011 - TJ-SP Juiz) Analise as proposições seguintes. 9. (UPENET - 2010 - SERES-PE) Considere a seguinte situação: Policiais militares ingressaram num coletivo que ia do município de Salgueiro para o Município de Arcoverde, ambos no sertão pernambucano, e relataram aos passageiros que haviam recebido informe no sentido de que algum daqueles passageiros estaria transportando significativa quantidade da substância entorpecente de uso proscrito, popularmente conhecida por cocaína. Alguns passageiros, voluntariamente, passaram a exibir suas bagagens. O passageiro "X" exibiu sua bagagem, e os policiais militares constataram que ele trazia consigo duas embalagens de talco, em cujo interior havia 400g (quatrocentos gramas) da droga pesquisada. O passageiro foi preso e autuado em flagrante, na delegacia de polícia local, onde afirmou que não tinha conhecimento de que transportava cocaína, pois

I. O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas não permite a punição por crime culposo, ainda que previsto em lei. II. Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. III. O desconhecimento da lei é inescusável, mas o erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, poderá diminuir a pena de um sexto a um terço. IV. O desconhecimento da lei é considerado circunstância atenuante. V. Se o fato é cometido sob coação irresistível,

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pensava que, nas embalagens, havia talco e que sua irmã "Y" teria arrumado as malas. Diante disso e considerando a teoria finalista da ação, assinale a alternativa CORRETA. a) Constatada a veracidade da alegação de "X", ele deverá ser absolvido, porque sua conduta caracterizaria erro de tipo essencial e seria atípica. b) Constatada a veracidade da alegação de "X", ele deverá ser absolvido, porque sua conduta caracterizaria erro de proibição inevitável e haveria a exclusão da culpabilidade. c) Constatada a veracidade da alegação de "X", ele deverá ser absolvido, porque sua conduta caracterizaria erro de proibição inevitável e seria atípica. Nesse caso, "Y" seria responsabilizada por tráfico de entorpecentes. d) Ainda que seja verdadeira a alegação de "X", ele deverá ser condenado por crime de tráfico de entorpecentes (Lei nº 11.343/2006). Nesse caso, "Y" também seria coresponsabilizada pelo mesmo crime. e) Ainda que verdadeira a alegação de "X", ele deve ser condenado, pois a Lei nº 11.343/2006, ao equiparar o tráfico de entorpecentes aos crimes hediondos (Lei nº 8.072/90), estabelece, também, a responsabilidade penal objetiva. 10. ( CESPE - 2010 - ABIN OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA ÁREA DE DIREITO) Incorrendo o agente em erro de tipo essencial escusável ou inescusável, excluir-se-á o dolo, mas permanecerá a culpa caso haja previsão culposa para o delito.

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