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Teste de ABC

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19Introdução

Introdução  Alfabeto e educação Nossas escolas primárias estão especialmente – se não exclusivamente –montadas para o ensino rudimentar da leitura e da escrita. Razões históricas têm levadoa confundir os problemas gerais da educação popular com o mero aprendizado das pri-meiras letras. Alfabetizar e alfabetização são palavras que nossos dicionários registra-ram antes que os de outras línguas. Temo-nos insurgido contra esse modo de encarar afunção da escola e, desde muito, em estudo de síntese das novas tendências da educaçãoprimária, procuramos demonstrar quão errônea se nos afigura essa limitada política doabecê (cf. Lourenço Filho, 1940, 1944, 1969).A escola popular carece de ter hoje função socializadora muito mais profundae extensa. Alfabeto e cultura não são sinônimos e, muito menos, alfabeto e educação. Poresta temos que entender adaptação convinhável ao tempo e ao meio, orientação das novasgerações aos problemas da vida presente, já nos seus variados aspectos de defesa da saúdee produção da riqueza, já nos de equilíbrio e melhoria das instituições sociais. Ajustamentoenfim às possibilidades e necessidades de cada região, com respeito aos quadros do tem-po – ou educação de base, como o define a Organização das Nações Unidas para aEducação, Ciência e Cultura (Unesco).O aprendizado da leitura e da escrita por certo que aí entra – em tal conjuntode técnicas adaptativas – como processo elementar, mero instrumento, nunca a finalidademesma. 1 Se um argumento vivo para o caso brasileiro devesse ser lembrado, bastariainvocar o fracasso social que o ensino das escolas rurais representa em quase todos osEstados. Já uma vez salientamos o inocente sofisma de onde brota a confusão do ensino 1 Foi nesse sentido que o A., quando chamado a dirigir pela segunda vez o Departamento Nacional de Educação, de 1947 a1950, organizou a Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos, que, nesse prazo, atraiu a cursos noturnos mais detrês milhões de analfabetos. O programa dessa Campanha não era – nem é –

ao . se 40% dos brasileiros de 15 anos e mais são analfabetos?” – perguntam sinceramentemuitos dos que escrevem acerca de nossos problemas de educação. problema técnico fundamen-tal do custoso aparelho criado pelo Estado para mais pronta difusão dos elementos básicos de cultura individual. 2 Sugerimo-la apenas para localizar o problema específico deste trabalho e justificar.Não é aqui o lugar indicado para maior análise da questão. o problemada leitura e da escrita é daqueles que.  Localização do problema Porque se a questão da alfabetização extensa não é. de civismo. tradicional ou renovada. em nosso entender.apenas de alfabetização. continua a ser aqui. Sem significação imediata ao político. e imaginar-se que aconstrução de cultura no plano social se deva fazer.A história demonstra que tem havido cultura sem alfabetização extensa. no entanto. desde que estrita-mente compelido em traçar planos de educação que visem ao equilíbrio e progressosocial em dado momento.por etapas sucessivas.assim. em relação à totalidade da população. a leitura e a escrita representam o problema crucial. quenenhum argumento logra iludir. mas de difusão denoções de higiene. igualmente à do plano individual. imprimindo-lhes ao trabalho maior rendimento. Se a alfabetização não é o problemafinal da cultura. o esforço empregado na organização de meios que verifiquem a maturidade necessária à aprendizagem da leitura e da escrita. “Como falar em cultura. missões culturais ecentros de iniciação profissional. 20Testes ABC de primeiras letras com o da educação popular: o de assimilar-se a fase inicial da culturade um povo iletrado como o nosso com a do indivíduo ignorante. de organização do trabalho mediante “ensino visual” por diafilmes.mas. semexpressão cultural correspondente à percentagem dos que saibam ler. A cultura não é apenas a escola de primeiras letras extensa. a fim de homogeneizar as classes queo tenham de fornecer. Não confundamoso instrumento e o resultado especial da obra – mas não desprezemos o instrumento esaibamos localizar o problema que dele decorre.Na escola popular. onde quer que uma escola popular esteja aberta. oproblema preliminar e único da cultura brasileira – como não será na de povo algumem condições idênticas às nossas – nem por isso deixa de ser digno de atenção especial. como em toda parte. como já o temosfeito. ao mestre primário. o problema se apresenta sobfeição das mais prementes. noBrasil. e esta.

3 O hábito de bem usar dessas técnicas elementares e o da iniciativa de seu uso. devem ser preocupação constante do mestre e o objetivoverdadeiro desse aprendizado. e jamais conseguida. a Série de Leitura Graduada Pedrinho e o guia do mestrepara ela preparado. a propósito. no 2º. no 3º. no 6º. Bastará lançar os olhos para a percentagemde repetentes de 1° ano. 5  Como a questão tem sido encarada . 56%.90%. p. tantopelas exigências da organização do ensino graduado quanto pelos reclamos sociais. a leitura vemtomando a sua verdadeira finalidade para pesquisa e autocultura por parte do próprio aluno. prática que a maioria denossas escolas não tem encarado como primacial. sobre o papel cultural do ensino primário e do de outros níveis foram expostas. 21Introdução transformação ou sem ela. ainda em boa parte de nossas escolas. Ver também Witty e Kopel (1939). aliás. no 7º e 8º ainda 25%. 99. 70%. Tais hábitos não se inculcam às crianças e aos adolescen-tes.por parte do próprio discípulo. sem transformação radical do uso da leitura em nossas escolas. no 4º. De há muito. com essa 2 As idéias do A. 4 Nas escolas brasileiras. em numerosos países. 5). 4 Mas. pelos exercícios escolares correntes. pondera Gates(1932.mestre. Ver. exercício de exceção navida real. Nenhuma outra matéria apresenta tão sériasdificuldades no ensino primário. a melhoria de condições do aprendizado inicial sempre representará progresso de economia e eficiência. 3 Nas escolas americanas. 33%. e os resultados dos dois primeiros anos de estudos parecem ser decisivos.15% das crianças não promovidas do 1º ano ou grau o devem à deficiência em leitura. a leitura tem mantido a falsa noção da finalidade da “leitura expressiva”. já em 1927. no livro Juazeiro do Padre Cícero . no 5º. se apresenta como fundamental. 40%.

A chamada “leitura analítica” em pouco tempo por aqui se disseminou. foram encontrados 45% de repetentes. de modo considerável. Distrito Federal. levando a criança à finalidadeexata e perfeita do aprendizado. Muitos deles repetiam o ano pela terceira e quarta vez. Sua influênciatem sido enorme e. p. Do anacrônico aprendizado pela soletração e pela Carta de nomes. dominós. dese-josos de ensinar a ler e a escrever a todos. Mas digamos também que. onde a leitura tem que ser ensinada quase palavra por palavra. e a ler bem. nos 50 anos mais chegados. metodicamente. em 1932 (cf. cadernos. à leitura globalizada e inicialmente com sentido.Se se der um balanço às tentativas para melhoria da aprendizagem inicial daleitura. posteriormente. nesse esforço. têmformado partidos. 320). Verificação idêntica foi feita nas escolas do antigo DistritoFederal. O problema tem-se-lhes afigurado como restrito aodos procedimentos didáticos.em 1930. o comercial. nem sempreexposta em seus princípios verdadeiros.centuplica a produção e faz viver intensamente. rápida e facilmente. asmais das vezes com acentuada carência de conhecimento psicológico. os seus propagadores no Brasil. Os mestres brasileiros têm procurado uma panacéia. sem prejuízo algum de seu desenvolvimento.lotos. Mas nãointeressa à técnica escolar. rapidamentepassamos à palavração e à sentenciação. verificar-se-á que o contingente brasileiro é notável. Tomado aos ameri-canos. um sem-número de artifícios. por certos aspectos. os mestres brasileiros. esse sistema tem concorrido para que desprezemos uma das facilidades de nossalíngua: a escrita quase inteiramente silábica. Melhor e mais rápido é uma lei de nosso tempo. . benéfica. jogos educativos. em que a máquina aproxima as distâncias.muito embora não possa ser comparado em número e valor ao dos especialistas america-nos. criaram-na. 3 e 4.O problema de eficiência e rendimento tem preocupado sempre os mestres detodo o mundo e. São cartilhas das mais variadas espécies. e.Pode-se ensinar a ler. em virtude da grafiainglesa. É humano. a “leitura analítica” tem concorrido para com-plicar o problema da leitura inicial a muitos mestres. Boletim de Educação Pública. nos últimos tempos. pelo menos. n. em que o lado sentimental e. não tem sido o menos importante. por mil e 5 Nos grupos escolares da capital de São Paulo. O que aqui desejamos assinalar tão-somente é que o esforço de nossos mestres tem sido unilateral. 6 Afastar-nos-íamos do assunto deste ensaio se pretendêssemos a n a l i s a r detidamente a questão. por exemplo. da venda dedeterminado tipo de cartilha. para o total da matrícula do 1º ano. À falta de uma teoriadefinida do processo. cada qual recomendável por certo aspectoparticular. muitas vezes.

verificouVaney (1908a) que o primeiro grupo atingia. Jacotot. outrasenfimde7.12.0seriaperderumtempoprecioso. já em 1768.0.9(Vaney. Segundo Simon.7–7.0. outras de 6. de Sara Louise Arnold (1899). o terceiro com 12.3e12. a expunha noopúsculo De la manière de apprendre les langues . com 12. por outro lado.0 ainda era evidente. para início da apren-dizagem.0.A situação nas escolas do DistritoFederal melhorou. graças ao trabalho inicialmente desenvolvido em São Paulo por Márcia Brown. renovou-a Nicolas Adam e.demonstra-ram que a vantagem de iniciar-se o ensino aos 6. poisa conclusão do curso primário se dava.10.aos12.0anos. Para aludir a obra mais recente (e à qual se vai radicar o movimento depropagação no Brasil. São clássicosarespeitoostrabalhosdeV. das quais umas haviam aprendido a ler a partir de 5.com518crianças. partir dos 7. a fixação da idade simplesmente cronológica.dasquais400deescolasurbanase118deescolasrurais. consideravelmente.0. se bem que menor.Vaney. o segundo. vantagem alguma em iniciar os estudos primários aos 5. pois. em 1933 e 1934.iniciadaaos5. a iniciativa parece ter partido do abade Radonvillers que. Investigações acerca da idade cronológica Aliás. acompanhando115 crianças. tem sido estudada por vários autores. 8 Em suas primeiras investigações.0. 6 O aprendizado da leitura pela sentença e pela palavra não surgiu da aplicação de leis psicológicas definidas. Parecia-lhe nãohaver.feitas pelomesmoautor. conforme os dados da publicação Desenvolvimento do sistemaescolar do Distrito Federal (1934). em média. Novaspesquisas. ou real. com o seuconhecido La méthode d’enseignement universel .0–6. 8 . em média.9. a conclusãodos estudos primários com 11.0. em 1818. em suaopinião. mas detentativas empíricas. Em 1787. veja-se Reading: how to teach it . queprocurouverificarosbonsouosmausefeitosdaaprendizagemdaleituraedaescrita. na Escola Americanae na Escola Modelo Caetano de Campos).1908b).

.Indicamos assim a idade em anos e meses.

daí. que a idade ótima para certa e determinada criança seja a de seis oude sete anos.Que há. nos Estados Unidos. mas.Benedito ou Maria. um problema de maturidade a investigar. . qual o momento em que esta criança. João. em média. no caso. com melhor aproveitamento. por Stanley Hall.que seria o de demonstrar a existência de uma idade ótima para início do ensino primá-rio.ou a que regime deverá ser sujeita. num grupo de indivíduos. sim. As observações de Vaney estiveramsujeitas a múltiplas causas de erro e só serviam para o primeiro desbaste do problema. e Simon. para que isso possa ser obtido. nuncapara se concluir.24Testes ABC Tais conclusões têm hoje valor histórico. iniciadas em jardins de infância. é óbvio. na Alemanha. está apta para receber o ensino da leitura.Huth. E o que importa para os problemas práticos reais não é saber qual a idade emque a média das crianças aproveita. As pacientesobservações. sujeitos a determinado trabalho escolar.

quando assim generalizada. ao nos exprimirmos assim. porém.0 (chez le plupart. hávariação na capacidade de aprender a ler e a escrever.Mas o probidoso experimentador acrescenta: Claro está que.na generalidade. Sucede também que há crianças de 5. variação essa. tão acentuadas. só a metade copia o modelo de modo reconhecível. não para averificação individual.0 e 8. a afirmação categórica de Huth (1929) de que “é um verda-deiro absurdo querer iniciar crianças com menos de 6. para médias de crianças.0 anos. Em vista dessas variações individuais.0 a 5.0 anos de idade é que esta é a fasede interesse e facilidade para a aprendizagem da leitura. 9 Por outro lado.0 a6.na França. podemos verificar que a percentagem dos que aprendem nasidades mais avançadas (8. assim. chez la três grande majorité) copiam todas as letras de maneira reco-nhecível.dentro das idades menos avançadas (6.legitimamente. Assim. que. por vezes. Há pessoas que informam conhecer crianças de 3.0 e 9.6 e sobretudo de 4. somente expomos como as coisas se passam. esse autor declara que a maioria das crianças de 5. (Simon. Mais cuidadoso em emitir qualquerparecer sobre a idade cronológica. pela idade cronológica pode ser feito.0 e 9. 1916) era levado a concluir que entre os 5. den-tro das idades 5.O que a observação diária nos demonstra é que. no mesmo prazo.0 a 6. continuam incapazes.0capazes de copiarem. Com crianças de 4. A . 1924). em termos de probabilidade. Stanlley Hall ( apud Köpke. Mas as pesquisas de cadaqual padecem do mesmo critério do valor global. conclusão essa de evidenteprecariedade para os efeitos de aplicação.0 anos.O prognóstico de aprendizagem. com relação a grupos suficientemente nume-rosos de crianças das várias idades a considerar – nunca.0) é maior do que aquela que aprende.0. tomados ao acaso. mesmodepois de um ano de escola maternal.0 e 7.0 anos. provam-no de sobejo. para certo e determinadoindivíduo. de criança para criança. nos processos da escrita”parece-nos de escassa validade.0). quando consideramos grandes grupos de crianças. enorme.As observações de Simon o testemunham.

0 anos devemos ao autoralemão Weygandt ( apud Lafora. levou alguns pesquisadores. personalíssimas. Os fatos. que está longede ser completa. 10  Investigações sobre a idade escolar e retardados O fato de não haver relação constante. que não estão submetidos apenas ao fator tempo de vida.2 começava a ler silabicamente. entre o progresso na aprendizagem daleitura e escrita e o da idade cronológica.6 copiava de maneira perfeitacaracteres de imprensa. entre a capacidade de aprender e a idade cronológica. ànoção empírica de uma idade escolar . aliás.Não seria ainda uma verificação precoce. em estudo publicado nas Genetic Psychology Monographs.1927. são. P. três anos.razão é simples: naquilo que chamamos capacidade de aprender influem pro-cessos evolutivos.A seguir. 119) cita. 155) que.tornaram-seconhecidosostrabalhosdeVaney . 25Introdução será desconhecer os fundamentos do próprio processo de desenvolvimento. diagnóstico para um prognóstico. Julgar da capacidade de aprender tão-somente pela idade cronológica 9 H. Aos 4. e mais. em relaçãoao andamento do ensino para a média das crianças de sua idade. eaos 6. p.logo adotada oficialmente pelo governo da Baviera. mas. lia correntemente. depois à classificação a posteriori dos retardados. escrevia de memória as letras que se lhe ditavam. Davidson (1931.3. o caso de uma criança quelia correntemente aos três anos e sete meses. ao contrá-rio. Temos a observação de uma criança que aos 3. em 1905. publicou uma tabela de exames. assimtambém a outros. que não se apresentam de forma idêntica em cada criança.são bastante expressivos. As primeiras tentativasdas normas para a verificação da idade escolar entre 7.0 e 13. primeiramente. p. mas simplescertificação de uma realidade: há crianças que se retardam por dois. As verificações estatísticas demonstram correlação.

comfreqüência às mesmasescolas. Os dois primeiros têrmos sempre existiram em psiquiatria para diferenciar adesintegração intelectual adquirida. imbecis e débeis mentais . para Binet. ou seja. seria imbecil toda criança que não chegasse a ler e a escrever.que. facilitaram a Binet e Simonos primeiros trabalhos relativos à aferição dos testes de nível de inteligência.em1907. depoisdessaidade. de modoa comunicar seu pensamento depois de dois anos de escolaridade. 11 10 . Neles. da congênita ou produzida pouco depois do nasci-mento. procurava-se fixar ograu médio de instrução entre crianças da mesma idade e da mesma condição social. de seleção de anormais pelo retardamento escolar. evidentementegrosseiro. Para Binet. de idade mental.publicounormasdeclassificaçãoparaascriançasdasescolasparisienses. foi mesmo o critério do aproveitamentoescolar que lhe sugeriu uma classificação dos anormais em idiotas.E.Foio primeiro passo para a seleção dos anormais de escola ou retardados.Por certo que problemas práticos e fórmulas empíricas precedem sempre asdescobertas da ciência. As investigações de Vaney e o referido critério.ter-se-iaassimasua classificaçãoemnormasdeidadeescolar. exigir-se-iam trêsanosdeatraso. desde que não contassemmais denove anosdeidade. Curioso é notar que.desdequesecomparasseograudeinstruçãodeumadeter-minadacriançacomessasmédias. poisconvencionou-seclassificarcomoretardadas as crianças que apresentassem uma idade esco-lar atrasada de dois anos em relação à sua idade cronológica ou real.

Há artistas que o fazem com maiores ou menoresrecursos técnicos ou de intuição natural. à primeira vistaparadoxal. para conclusão geral. por força. não num grupo suficientemente extenso de indivíduos. Ver. isto é. por exemplo. 7  Nova maneira de propor a questão Nesse debate de processos. a criança tem ficado esquecida.” 22Testes um modos . nos alunos das classes primárias. isto é. Esse retardamento podeatenuar-se. Falamos da criançareal. seja antes negativa que positiva. fica plenamente esclarecido ao considerarmos que essas correlações têm sido obtidas em classes de escolascomuns.”“É débil toda criança que saiba comunicar-se com seus semelhantes pela palavra e por escrito.”“É imbecil toda criança que não chega a comunicar-se por escrito com seus semelhantes. aparece.0. Mas não há artifício mágico que ensine aler. p. sem que esse atraso seja devido à insuficiência de escolaridade.10. 111 e segs. compreender o que lê – uma vez quenenhuma perturbação da visão ou paralisia do braço tenham obstado a aquisição dessa forma de linguagem.0. emtais grupos considerados. nem compreender o pensamento verbalmente expresso pelos outros – uma vez que nãohaja perturbação da audição ou dos órgãos da fonação. nem cremos que possa ser inventado. 11 As definições de Binet (1927. uma correlação antes negativa que positiva. que a conclusão sobre a relação existente entre a perfeição da leiturae a idade cronológica. com taisartifícios de motivação.E não nos espantamos de verificar. da criança viva. e 11. que dê esse resultado. mas que demonstre umatraso de dois ou de três anos no decurso de seus estudos. em classes de 1º grau. Tal resultado. evidentemente. demonstra.) são precisamente estas:“É idiota toda criança que não chega a comunicar-se pela palavra com os seus semelhantes.0. isso sim. A permanência de crianças de 9. ou. Diz Claparède: “As esco-las não as têm considerado . um retardamento nestas crianças. mais exatamente. em certos autores. que não pode exprimirverbalmente seu pensamento.A ABC própria silabação pode ser empregada como ponto de partida. que não pode transmitirseu pensamento pela escrita. mas persiste. . Brooks (1924). com as suas mil diversidades individuais. nem ler a escrita ou o impresso. Calculada a co-variação entre os resultados da leitura e a idade cronológica.

A nova maneira de propor a questão se resume simplesmente nisto: estudemosa matéria-prima. As máquinas. sete passos. a a l u n o s q u e l h e t e n h a m c a b i d o p o r s o r t e . do aluno-médio..Mas a verdade é que não estão. pedaços de barbante e grosseiras felpas de coco. lhes dermos. articulado.. determinado processo dáresultado considerável. nesta classe. no que éestranho à criança. todas as crianças deverãoestar lendo e escrevendo. cumprido o ritual. E a criança real fica esquecida. Tudo se viu e mediu. mecanismos capazes de funcionamento por excitações de fora para dentro.. 7 .. Supõem-se crian-ças iguais. . não o farão provei-tosamente se as provermos com lã. ou seja umtipo monstruoso e contrário à natureza: o do aluno-médio ” . Se. nada de novo.Tudo de antemão estabelecido. ao pé. 1969a). para só se cuidar doque o mestre deva fazer em face da criança abstrata. com a mesma cartilha. que diz respeito à organização racional das classes e das esco-las (Lourenço Filho. os momentos em que se deve escrever comgiz de cor e o momento de retrospecto das palavras matrizes. não apresenta o mesmo êxito. com tênues fios deseda. preparadas para tecer seda. é ele mesmoquem agora confessa não ter podido ensinar.no programa. Ao cabode certo número de lições. no horário. os m e s m o s p a s s o s formais e rigores de técnica. por minutos. por número de lições e páginas do livro padrão. Se este pro-fessor conseguiu.. não chegando a dar nenhum produto aceitável. em certo ano letivo. nesta outra. Masa matéria-prima era outra. com maiores probabilidades de êxito. a tempo e hora. O que de novo apresentamos é o pro-cesso de seleção dos alunos novatos. de mistura. admite-se igualmente que as reações da classetambém possam ser padronizadas. com extensão rigorosamente determinada por dias. cem por cento de alfabetização.Não são dignas de solicitude da escola senão as crianças quese conformam com certo tipo esquemático que a escola criou à sua imagem. É umpostulado da escola nova. Imaginado esse tipo padrão. combinado. A aparelhagem era a mesma e funcionava perfeitamente. antes do ajustamento das máquinas que a devam trabalhar. Até aí. O mestre só terá que funcionar como autômato bem regulado. os teares se emperrarão a meiocaminho. em igual prazo. para o fim especial da aprendizagem inicial da leiturae escrita.. E se. Daíum ritual: cinco passos. .

o que lhes assegura certo desembaraço de coordenação visual-motora. Decretou-se que a idade de sete anos é a da maioridade escolar. Em especial para as coordenaçõesvisual-motora e auditivo-motora da palavra. as crianças de sete anos estão aptas para a vida escolar.” Há. São capazes de ir àescola e de retornar a casa. também. estranhos à intimidade do labor didático. escreveu Simon (1924): “Demodo que. natural na criança. seja de que natureza for. . Heilman (1964) e Chall (1967). em relação à matéria-prima que vão trabalhar. Possuem desenvolvimento de linguagem. 23Introdução  O julgamento empírico da idade escolar Vejamos como se comportam. Em elevadapercentagem. onde mais se havia propagado o ensino inicial por sentenças e palavras. hoje. De modo geral.Só o empirismo e necessidades da vida prática. capitais no aprendizado da leitura e da escrita.Depois de estudo experimental. talvez até deacessório. não de maneira absoluta. as crianças desete anos devem estar aptas ao trabalho da escola primária e. pois. Eaescolanãoastemrespeitado. claro que acertadamente. a da maioridade civil. para verificação do valor do processo global e da silabação.Desenham a seu modo. em geral. em face das criançasque recebem.Reproduzem. Por força de uma disposição de lei. É nessa idade. variávelcom o meio social.levaram a lei a fixar uma idade. Têm travado relações com olápis. as palavras que se lhes dizem. nos Estados Unidos. sozinhas. carvão ou giz. a nospronunciarmos pelo método analítico ou pelo sintético. quando curiosidades indiscretas nos intimam a nos decidirmos por este ou por aquele processo. Para nós.. em média. com facilidade. queo coeficiente de egocentrismo. somos tentados a responder assim: a nosso ver a leitura nãopossui um método específico. que as torna capazes de manifestar interesse pela cultura simbólica.asvariaçõesindividuaissãomuitogran-des. São capazes de recortar uma gravura.. umforte movimento em favor dos métodos fônicos. como ade vinte e um. ou seja.como para a capacidade de atençãoefatigabilidade. há aí alguma coisa de artificial e grosseiro. ao da leitura e escrita.Tudo isso. De modo perfeita-mente empírico. nossas escolas. decresce consideravelmente. Cf.

de outro.emboraperfeitamentedesenvolvidasparaaaprendizageminicial. pelasimples razão deterem elas atingido aidade crono-lógica prefixada. para desigual velocidade noe n s i n o . e conseqüente aumento da produção útil do aparelho escolar . a organização de classes seletivas. sob tal regime.abrelugaràs quenãoapre-sentam aindamaturidade suficiente. de um lado.nasmesmasclasses.Será preciso substituir esse critério empírico por outro de maior garantia.Tantoquantonãoaceitacriançasdemenosdeseteanos. os capazesde aprender a ler em três meses e os que. nem em três anos. c o m o q u e t e n d e r ã o a m a i o r e c o n o m i a d e t e m p o e e n e r g i a d o s m e s t r e s . maturos e imaturos. simples e eficiente da capacidade de aprender a leitura e escrita. Juntaaesmo. Efazmais. poderão aprender. apreciação rápida. quepermita.

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