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O Método ‘Processo de Projeto com Foco na Solução’ Aplicado a Projetos Navais e de

O Método ‘Processo de Projeto com Foco na Solução’ Aplicado a Projetos Navais e de Plataformas

Richard David Schachter 1 , Antonio Carlos Fernandes 2 , Sdepan Bogosian Neto 3 , Carlos Gomes Jordani 4 , Gustavo Adolfo V. de Castro 5 1 EP - UFRJ, 2 COPPE – UFRJ, 3 DEN – MB, 4 CENPES – Petrobras, 5 E&P - Petrobras

RESUMO

O objetivo deste trabalho é o de descrever e discutir um método para organização do processo de projeto denominado ‘Projeto com Foco na Solução’. Este método foi criado e utilizado com sucesso para Embarcações de Alto Desempenho, Navios e Plataformas Oceânicas nos últimos dez anos com vantagens razoáveis.

Foi inicialmente criado para contextos onde a decisão de que concepção adotar extrapola o uso (ou o conceito subliminar) da clássica espiral de projeto, sugerindo uma combinação de espirais com mapas morfológicos, uma vez que os processos de projeto de concepções concorrentes sejam completamente diferentes.

As vantagens estão em termos de permitir a introdução de idéias criativas no processo de Projeto Preliminar, levando, eventualmente, a um produto inovador ou solução de projeto, estabelecendo uma clara seqüência de projeto e racionalizando: a busca de ferramentas e conhecimento, organização e classificação de atividades e de parâmetros (variáveis livres, restrições e especificações de desempenho), além do próprio processo de projeto.

Neste trabalho o método de Projeto com Foco na Solução é descrito e comparado com alguns outros usuais, que normalmente se baseiam em estratégias com ‘foco no problema’ para sua resolução. É mostrado como o processo evolui de um cenário pré- estabelecido e especificação básica (briefing) ou especificação para uma Metodologia de Projeto. Isto é feito em sessões de brainstorming, usando esboços ou sketches e fluxogramas interativos de projeto (similares a espirais), adaptados para este enfoque ou método. O objetivo é prover ao projetista

meios de definir rápida e eficientemente a configuração ótima do projeto, enquanto incorpora inovações a ele.

Para permitir que se mostrem algumas características do enfoque, três diferentes exemplos de projetos previamente desenvolvidos são apresentados. Um para a viabilidade e concepção de uma Embarcação Rápida Submersível (híbrido de submarino e lancha patrulha), e outras duas para plataformas oceânicas, uma SPAR Buoy e um FPSO. O primeiro exemplo é mais completo e mostra comparações morfológicas detalhadas entre concepções diferentes, neste caso, de modos de sustentação.

1. Introdução

Este trabalho apresenta um enfoque para organizar o Projeto Preliminar ou Conceitual, embora seja dirigido a projetistas com experiência em projeto, construção e alguns aspectos críticos de operação, de modo a permitir a criação de uma concepção confiável. Este enfoque foi apresentado, com menos detalhes, em [1] e [2].

Este trabalho evoluiu de um sistema computacional de projeto anterior que foi criado baseado no uso da espiral de projeto, adaptado para um processo de projeto automatizado de otimização (Schachter [3]), para processar módulos de teoria em estágios preliminares do projeto, inter-relacionando-os. Para processar concepções diferentes, o usuário selecionava teoria relevante de projeto de uma biblioteca e os compilava na seqüência de projeto. Para esta prática foi criado um fluxograma interativo de projeto (e o procedimento para construí-lo) para controlar sua síntese.

A prática de organizar o processo de projeto com o fluxograma interativo baseado na teoria

tradicional de projeto, e em alguns novos conceitos, resultou no método do Projeto com Foco na Solução. A mais forte motivação para criação do método foi a necessidade de procurar uma solução quando diferentes

resistência hidrodinâmica e manobrabilidade, capacidade de operar em ondas, área de convés para ergonomia, etc. totalmente dependentes entre si. Desta forma, à medida que o projeto prossegue ‘ao longo’ da espiral,

concepções e alternativas estavam sendo

as

iterações e interações fazem a concepção

consideradas no problema de projeto. Isto implica em buscar soluções ou idéias inovadoras para a definição do produto, e não definir o produto primeiro e depois aperfeiçoá- lo.

evoluir e ‘amadurecer’, como se a forma do casco variasse durante seu processo. Devido a este fato, as ferramentas e os algoritmos de projeto são sempre os mesmos para todas as alternativas.

Os procedimentos desse enfoque estão

Isto não é o caso para outros veículos, onde

estruturados em uma tentativa de ajudar

certa independência de decisões de projeto

resolver os conflitos que existem entre análise

de

seus fatores. Em um avião, a fuselagem e

lógica e pensamento criativo no processo de

as

asas, por exemplo, podem ser modeladas

projeto, em uma composição harmônica de

com alguma independência para sustentação

ambos, no estágio mais cedo possível.

e

automóvel onde, diga-se, a forma da

arraste. É também o caso para um

O

processo evolui de um cenário pré-

carroceria – como um compromisso entre

estabelecido e de uma especificação básica

volume interno, estética e aerodinâmica – e a

ou

geral para uma Metodologia de Projeto.

suspensão são modelados para diferentes

a

escolha preliminar mais profunda de uma

Permite ao projetista atuar tanto na visão global e funcional do produto quanto nos seus componentes analíticos, sendo útil para

2. Espiral de Projeto e Mapas Morfológicos

propósitos, e os resultados são mais fáceis de serem acoplados. Isso também é verdade para

identificar e extrair fatores de projeto e inter- relacioná-los. Embora a filosofia do método possa ser estendida para uma variação de cenários, num nível mais alto de análise de risco, os elementos apresentados aqui estão limitados a um cenário pré-estabelecido. Uma breve explicação do projeto tradicional é apresentada na Seção 3. O enfoque ou

embarcação de alto desempenho (para o requerimento de altos números de Froude) para uma certa missão: pode surgir daí a escolha de um planador, um aerobarco, mono ou multi casco, um SWATH, um WIG, um aerodeslizador (ACV ou SES), todos os quais com concepções, teorias e seqüências de projeto completamente diferentes.

método é apresentado na Seção 4.

Alguns casos são de natureza mais geral requerendo ao projetista retornar a outros métodos de engenharia onde Mapas

consideração. Mapa Morfológico é uma técnica

A

racionalização da clássica Espiral de

Morfológicos, por exemplo, são mais

Projeto é o meio mais conhecido de representação da síntese do processo de projeto do navio. Fatores de projeto ou estágios podem ser organizados e seqüenciados, provendo um processo cíclico, onde dados desconhecidos previamente se tornam definidos à medida que fatores subseqüentes ficam resolvidos. Em projeto de navio compromissos (trade-offs) podem ser expressos geometricamente e isto constitui

Uma das razões de ser a espiral de projeto

adequados, devido a grande diferença de concepções, configurações e elementos envolvidos dentre as alternativas em

usada para projetar com alternativas diferentes, permitindo pontos de intercessão entre elas (Cross [4]). Isto também é o caso de muitas concepções de Plataformas Oceânicas, como por exemplo, a decisão de usar um FPSO, uma SS ou TLP, uma SPAR Buoy, etc.

uma forte motivação artística do ponto de

O

fato da maioria delas serem ‘multi-corpos’

vista criativo. Com a espiral do projeto isto

exige diferentes procedimentos (ou programas

pode ser feito em conjunto com pensamento

de

computador) para definir a forma do casco,

racional.

além de outras análises, diferentes para cada uma. A prática atual é a de se designar diferentes grupos para cada concepção e

tão adequada para o projeto de navio é devida

a características inerentes da forma do casco. Este contém, na sua concepção de projeto, os valores – e seu compromisso – de capacidade

de carga (volume), equilíbrio e estabilidade,

analisar todos os projetos posteriormente.

Por outro lado, o processo interativo e cíclico de projeto tornou-se tradicional e forjou a maneira como engenheiros navais pensam,

tem de fato muitas vantagens. Parece desejável manter-se o processo interativo cíclico da espiral de projeto quando é necessário, embora deva ser notado que as inter-relações dos fatores de projeto e sua seqüência não são explícitos nela.

Para poder auxiliar no processo, permitindo haver processos de projeto cíclicos e/ou não cíclicos e fazendo inter-relações de fatores e sua seqüência explícitos, um fluxograma de projeto interativo, semelhante a muitos existentes e à espiral de projeto, foi criado para síntese do projeto, incorporando as características requeridas para o método descrito aqui.

3.

Engenharia

Processo

Tradicional

de

Projeto

de

Muitos autores apresentaram trabalhos sobre processos de projeto, e é interessante analisar os pontos de concordância ou áreas comuns que existem quando se trata de organizar o processo. É como se existisse uma filosofia dominante, explicada com palavras diferentes incluindo idéias que complementam umas às outras, que a esta altura pode ser chamado de Processo Tradicional de Projeto de Engenharia. De acordo com Cross [4], existem Modelos Descritivos e Prescritivos. Para o Método com Foco na Solução apresentado aqui, o interesse é no segundo.

1.1. Lista Randômica de Fatores: é para ser

gerada de uma lista de idéias, em uma reunião, aplicadas a problemas ou aperfeiçoamentos do projeto do produto envolvido. 1.2. Classificação de Fatores: fatores são

numerados e classificados em categorias, para organizar o processo de projeto. Tabelas de classificação são criadas.

1.3. Fontes de Informação: toda informação

coletada de passos anteriores, usando conhecimento existente, deve ser expandida

para as necessidades identificadas e novos requerimentos. Bibliografia e pessoas experientes são então consultadas.

1.4. Interação entre Fatores: a interação entre

fatores é estabelecida usando a Matriz de Interação de Jones. 1.5. Especificações de Desempenho (P- Specs): estes são finalmente gerados, separando problemas de projeto de soluções. Concordância deve ser obtida para estas

especificações.

O estágio de Síntese é, por sua vez,

subdividido como:

2.1. Pensamento Criativo: esta é a fase onde

ocorre a sessão clássica de brainstorming.

Deve ser notado que neste ponto o produto já

foi definido, sendo o esforço aplicado para

achar soluções possíveis e aperfeiçoamentos

e isto leva às etapas seguintes.

2.2. Soluções Parciais: Este método permite

chegar as diversas soluções parciais, para

Um modelo prescritivo importante é proposto

fornecer diversas alternativas de projeto a serem escolhidas.

por Jones [5], como meio de resolver o

2.3.

Limites: nesse estágio limites e restrições

conflito que existe entre análise lógica e

são

identificados.

pensamento criativo. O modelo sugere um

2.4.

Soluções Combinadas: para combinações

método para coordenar passagens de análise de problemas para busca de solução no processo. O modelo ou método se desenvolve

compatíveis. 2.5. Organização das Soluções.

em três estágios:

1. Análise: listagem de todos os requerimentos de projetos e a redução destes a um conjunto completo de especificações de desempenho logicamente relacionados. 2. Síntese: encontrando soluções possíveis para cada especificação de desempenho e construindo a partir destes projetos completos com o maior compromisso possível. 3. Avaliação: avaliando a precisão com o qual projetos alternativos cumprem os requerimentos de desempenho para operação, manufatura e vendas, antes que o projeto final seja selecionado.

O estágio

atividades:

de

Análise

é

subdividido

em

O estágio de Avaliação compreende a

definição dos métodos de avaliação (critérios)

para o projeto, assim como para predições de operação, fabricação e vendas.

Como pode ser visto, os principais estágios do processo de organização do projeto, Análise, Síntese e Avaliação, lidam com diferentes tipos de raciocínio para poder resolver a natureza dita mal-definida do projeto (Cross [4]) da necessidade de alternância entre a análise lógica (resoluções de problemas) e pensamento criativo (busca de soluções).

Analytical

Phase

Creative

Phase

Executive

Phase

TRADITIONAL DESIGN (Problem-Solving by Analysis)

Specifications/Scenario

SSOOLLUUTTIIOONN--FFOOCCUUSSEEDD DDEESSIIGGNN (Problem-Solving by Synthesis) ANALYSIS: Problem Systematic Exploration:
SSOOLLUUTTIIOONN--FFOOCCUUSSEEDD DDEESSIIGGNN
(Problem-Solving by Synthesis)
ANALYSIS: Problem
Systematic Exploration:
Specifications/Scenario
Rules, Inductive
Reasoning (G>P)
SOLUTION
SSkkeettcchhiinngg
SYNTHESIS: Focus on
Functionality (solutions):
PPrrooppoossiittiioonnss
Deductive Reasoning (P>G)
PRODUCT
T.E.F.S.
Alternatives
BRAINSTORMING (2 sessions): Analysis <+> Synthesis
ANALYSIS
DDeessiiggnn FFaaccttoorrs,s Groups
CCllaassssiiffiiccaattiioonn ((FFVV,, RR,, PP,, CC))
IInntteerrrreellaattiioonnss (input /output)
KKnnoowwlleeddggee OOrrggaanniizzaattiioonn
SYNTHESIS
AAlltteerrnnaattiivveess
CCrreeaattiivvee TThhoouugghhttss
Improvements and Mergers
Partial /Combined Solutions
Interaction Matrix (IM)
DDeessiiggnn SSeeqquueennccee
IInntteerraaccttiivvee FFlloowwcchhaarrtt (‘Spiral’)
Design SOLUTIONS
PRODUCT
CONCEPT
Morphological
Definition
DESIGN
Charts
PRODUCT T.E.F.S. Definition Design Organization (Spiral)
PRODUCT
T.E.F.S.
Definition
Design Organization
(Spiral)

ANALYSIS KKnnoowwlleeddggee OOrrggaanniizzaattiioonn [[oobbjjeeccttiivveess]] Design Factors, Classification Interaction Matrix (IM) P-Specs (P) [establish func/ requirements]

SYNTHESIS

BRAINSTORMING

Partial /Combined Solutions [gen. alternatives] Limits and Constraints (R) {improvements}

alternatives] Limits and Constraints ( R ) {improvements} Design SOLUTIONS ( EVALUATION ) CONCEPT DESIGN

Design SOLUTIONS

(EVALUATION)

CONCEPT DESIGN Sketching
CONCEPT
DESIGN
Sketching

Figura 1 – Comparação entre Processos de Projeto T.E.F.S.: Estudos de Viabilidade Técnica e Econômica (EVTE)

FV: free variables; R: constraints; P: P-Specs; C: configurations (see section 4.3)

Estes três estágios foram identificados, com variações, por diversos outros autores. Para Archer [6], por exemplo, elas são denominadas, respectivamente, fase Analítica, Criativa e Executiva. Ele cita que a primeira, dedicada a planejamento e coleta de dados, é a fase onde Raciocínio Indutivo é necessário. Isto é um tipo de raciocínio onde aspectos gerais devem ser subdivididos em particularidades, onde a observação e as medidas objetivas são requeridas. A Fase Criativa requer envolvimento, julgamento subjetivo, que são características do Raciocínio Dedutivo onde particularidades inspiram idéias do quadro geral, cenários, alternativas ou até inovações. Uma vez que as decisões cruciais estão tomadas, o processo de projeto continua com execução e avaliação, de volta a um estilo objetivo e descritivo.

Uma representação esquemática do Projeto Tradicional (Resolução de Problemas por Análise) é mostrada do lado esquerdo da Figura 1. Uma compilação resumida dos métodos descritos acima foi inserida nas fases apropriadas, de modo a ilustrar as linhas de raciocínio de cada um. É uma representação de como organizar e executar o processo de projeto. Provavelmente será identificada como similar à prática de muitos engenheiros navais. Como é uma racionalização geral é de se esperar que existam variações. Para os autores desse trabalho, mostra semelhança com muitos anos de sua prática em projetos conceituais de embarcações e é compatível com a pratica usada em escritórios de projeto de engenharia naval e estaleiros brasileiros. Deve-se observar na Figura 1 o momento em que a espiral de projeto é criada (se vier a ser feita) ou subliminarmente imaginada.

Cross [4] introduz um modelo simples descritivo em três estágios para o processo de projeto, com funções muito semelhantes em cada, como Geração, Avaliação e Comunicação. Em sua contribuição principal na publicação, Cross apresenta um processo de projeto em seis estágios, onde o leitor poderá identificar claramente a analogia com outros autores de projeto: Esclarecendo Objetivos; Estabelecendo Funções; Estabelecendo Requerimentos; Gerando Alternativas; Avaliando Alternativas e Aperfeiçoando Detalhes.

Como pode ser visto na Figura 1 e baseado nos modelos descritos acima, os raciocínios de resolução de problemas e de busca de soluções são feitos em fases separadas e o processo como um todo leva a definição do produto antes que as soluções sejam endereçadas.

4.

Solução

Processo

de

Projeto

com

Foco

na

O método de Projeto com Foco na Solução (Solution-Focused Design – SFD [1],[2]) adota

uma combinação de procedimentos estabelecidos por Jones [5] e Cross [4], que buscam trazer o processo criativo para a fase de definição do produto, adaptado para o processo de projeto ao invés do produto definido. Isto acarreta em usar-se um processo de brainstorming para definir o produto, em vez de aperfeiçoá-lo, como é o caso do projeto tradicional (veja a Seção 3). Este procedimento permite a alternância de raciocínio indutivo para dedutivo na fase analítica do projeto, encontrando-se melhores correlações entre Especificações de Desempenho e Restrições, à medida que novas idéias são geradas. Soluções de projeto são geradas para a definição do produto. Os croquis de projeto (esboços, ‘bonecos’ ou sketches), usados no projeto naval para auxiliar no processo de busca de soluções, são trazidos para a etapa mais inicial também para ajudar a definir o produto (Figura 1).

Estas idéias foram compostas ao se analisar muitas práticas adotadas em projetos passados pelos autores, quando muitas características deste método eram praticadas intuitivamente. Para aplicações mais recentes, em plataformas oceânicas, o método foi aplicado com sucesso para o projeto de TLPs por Almeida et al [7], para SPARs por Schachter et al [8] e Grove et al [9] e para um FPSO, por Castro [10] e Fernandes et al [11], além de uma embarcação híbrida de Patrulha Submersível, por Bogosian e Schachter [12].

A Metodologia de Projeto que pode resultar da aplicação deste método é representada por um Fluxograma Interativo do processo de projeto. Este tipo de fluxograma evoluiu do conceito da Espiral de Projeto e foi criado para ser adequado tanto a processos de projeto cíclicos quanto não cíclicos.

4.1 Conceito do Enfoque

Uma das idéias que inspiraram a criação deste enfoque foram conclusões de uma pesquisa de Lawson [13], que ajudou a esclarecer como combinar a experiência anterior dos autores com os métodos descritos na literatura. Segundo ele, tradicionalmente o processo de projeto de engenharia tem o seu foco no ‘problema’, em analogia com os métodos de pesquisa científica. Em um trabalho de pesquisa, Lawson conduziu experiências para a identificação de regras estruturais e a produção de resultados para uma dada

missão de projeto. O objetivo era comparar as maneiras como designers (arquitetos, no caso) e cientistas resolviam o mesmo problema de projeto.

A evidência dos experimentos sugeriu que

cientistas resolvem problemas por análise – explorando sistematicamente o problema, buscando regras básicas e soluções ótimas, enquanto que os designers resolvem problemas por síntese – sugerindo uma variedade de soluções possíveis até que uma satisfatória seja encontrada. Estas estratégias são definidas como “com foco no problema” (problem-focused) e “com foco na solução” (solution-focused), respectivamente.

Cross menciona que as estratégias de resolução de problemas usadas pelos designers (com foco na solução) provavelmente refletem melhor a natureza dos problemas com os quais normalmente lidam. Estes problemas, que são por natureza ‘mal- definidos’ [4], não podem ser estabelecidos de forma suficientemente explícita para que soluções possam ser tiradas deles. Cabe lembrar que isto é referente a projetos completamente inéditos. Especificações muito bem definidas e detalhadas são na verdade continuações de projetos já idealizados (e definidos), ou baseadas em experiência anterior de outros projetos semelhantes. O projetista tem que tomar a iniciativa em achar um ponto de partida e sugerir áreas de tentativa de soluções. ‘Solução’ e ‘Problema’ são desenvolvidos em paralelo, algumas vezes levando a uma redefinição criativa do problema ou a uma solução que se encontra fora das condições de contorno que foram assumidas como possíveis.

As idéias mencionadas acima foram combinadas com as recomendações de Jones. Para ativar o processo e tentar estimular a

criatividade das pessoas envolvidas no projeto,

os processos de Análise e Síntese de Jones

são feitos juntos, em duas sessões, após todos os participantes terem tomado algum tempo para considerar o projeto e possíveis soluções e tivessem produzido um sketching de suas idéias iniciais. Isto foi feito para permitir que propostas de solução com foco na funcionalidade global (foco na solução) ocorressem primeiro, ao contrário do que ocorre no método tradicional, onde soluções são encontradas no final do processo. Isto é tipicamente uma fase de Síntese, onde o Raciocínio Dedutivo é utilizado com algum

Figura 2 – Sketchings da Embarcação Rápida Submersível (Seção 5.1)
Figura 2 – Sketchings da Embarcação Rápida
Submersível (Seção 5.1)

grau

criatividade.

de

tentativa

e

erro

para

exercitar

a

Para validar as soluções ou idéias propostas assim colocadas, alguns de seus detalhes e das inter-relações entre seus fatores de projeto precisam ser explicitados e analisados. Neste estágio o Raciocínio Indutivo passa a ser assumido, com uma postura analítica e uma mentalidade de otimização. Para auxiliar neste processo, um Fluxograma Interativo de Projeto, anteriormente derivado da Espiral de Projeto e criado para processar rotinas de arquitetura naval em processo automatizado, usando técnicas de otimização (Keane et al. [14]), foi adaptado para ser utilizado no método.

Para a classificação dos fatores de projeto como Variáveis Livres, Especificações de Desempenho, Restrições, etc., e suas inter- relações, uma analogia com conceitos de otimização também é feita (veja detalhes na Seção 4.3).

4.2 Descrição da Aplicação do Método

4.2.1

Soluções

Sketching

como

Proposição

de

unidades) que são ou contém em sua concepção proposições de solução (Figura 1).

Esta atividade deve ser vista como uma incumbência de projeto. Os sketches devem ser pensados ‘com foco na solução’, i.e., com foco na funcionalidade global, como uma coleção de soluções, apontando a análise necessária a cada item e devem ser mais completos possível, algumas vezes como um conjunto de desenhos e anotações.

Os sketches sugeridos para este método são similares àqueles usados por designers e arquitetos: podem ser um desenho abstrato de uma embarcação, combinada com frases escritas, setas encurvadas e rabiscos sugerindo movimento que passam uma idéia sem nem ao menos precisarem ser uma forma definida de casco. Em tais exercícios, a interdependência de fatores como, e.g., o Arranjo Geral (visto como um depositário de idéias e usado para lembrar de todos os equipamentos principais) e a Forma do Casco se torna mais explícita, permitindo correções e ajustes, mas sugerindo idéias a serem trazidas para as sessões de brainstorming para as quais eles foram criados. Na Figura 2 estão mostrados sketches de alguns participantes do projeto descrito na Sessão 5.1.

A

partir de Especificações, Especificação

Básica (brief) ou algumas vezes uma análise

4.2.2 Sessões de Brainstorming

de

cenário de um sistema de unidades (como

em

projetos da Petrobrás), os participantes do

Duas sessões são realizadas. A primeira é

grupo de projeto desenvolvem sketches de

para a introdução das idéias conceituais ou

produtos (ou um sistema com diversas

alternativas

dominantemente analítica.

de

produto

(Figura

1),

mas

é

Em um intervalo silencioso de aproximadamente 20 minutos, cada participante resume em uma frase sua proposta de concepção e cria uma lista aleatória dos fatores de projeto que a compõe. Fatores de Projeto são definidos neste método como mostrado na Sessão 4.3:

atividades de projeto como definição da geometria, movimentos, análise estrutural, estabilidade, compartimentação, ancoragem, meios de transporte e instalação, resistência, propulsão, etc. A lista é feita de maneira randômica à medida que cada fator vem à mente. Para esta sessão usam-se folhas de papel A4, com a frase definindo a concepção no topo e cada fator de projeto colocado de forma curta e simples, com algumas linhas de espaço entre eles, deixando uma pequena margem à esquerda.

Logo a seguir, cada membro do grupo, por sua vez, lê sua definição de concepção em um fator de projeto. Como em qualquer seção brainstorming, as idéias não devem ser criticadas e a viabilidade não deve ser questionada: o curso natural do processo expurgará naturalmente as idéias inviáveis. Muito pelo contrário, os outros membros devem tentar dar sugestões e construir em cima destas idéias. As sugestões devem ser todas anotadas.

A seguir, o primeiro fator de projeto desta

proposta é lido. Nesse ponto, o grupo define um conjunto de conformações analíticas para

o fator. Isso é feito para este e cada fator subseqüente, no contexto de sua própria

concepção:

i) classificação análoga à otimização (veja

seção 4.3); se é uma variável livre, uma restrição, uma especificação de desempenho, uma configuração, etc.

entre os Fatores de Projeto, inter-relacionados pelos seus input e output.

iv) Interdependência de Fatores de Projeto:

aqueles que provêem os input e aqueles dependentes dos output.

v) Ferramentas de Projeto e Conhecimento Requerido para um fator. É recomendada pesquisa intensiva, mas apenas após o término da fase criativa.

Toda essa informação é então escrita abaixo

de cada fator de projeto na lista e numerada

(inicialmente de forma seqüencial da lista

randômica) na margem esquerda para todos

os membros que tenham o mesmo fator na

sua própria lista. Se o mesmo fator tem uma classificação diferente em outra concepção, isto será resolvido quando aquela for apresentada.

O processo continua para as propostas

seguintes, mas os fatores de projeto já analisados não precisam ser repetidos,

passando-se para o fator seguinte da lista, a menos que seja caso de classificação diferente. Após todas as propostas serem apresentadas, a seção continua até que todos

os fatores sejam analisados.

A prática tem mostrado que esse tipo de

processo, alternando-se entre o que é pensamento criativo e análise lógica estimula a

criatividade dos membros do grupo, ajudando a trazer soluções técnicas para a discussão.

Especificações de desempenho e modos de

falha (restrições) podem ser confrontados e colocados em contexto, como compromissos

de projeto (trade-offs). Limites requeridos e

seus critérios serão anotados para seleção, ou estabelecidos. Isto deve esclarecer os objetivos e os requerimentos de desempenho podem ser mais precisamente especificados para as idéias geradas.

ii)

grupo disciplinar (ou outro grupo

Neste ponto, algumas melhorias de idéias

conveniente): algumas vezes isto é útil, como

surgem, assim como fusões de propostas,

no

caso da criação de grupos de trabalho;

algumas vezes em uma solução diferente combinando algumas das expostas. Isso

iii)

inter-relações (veja seção 4.3): Iterações –

também reduz o número de propostas,

input e output para cada fator de projeto (“o

algumas vezes a uma solução ao mesmo

que é requerido para

”,

“o que é provido por

tempo criativa e lógica.

e Interações – “no caso de falha de

critério ou necessidade de maximizar /minimizar, o que deve ser mudado?”. Estes pensamentos ajudam a encontrar as ligações

”)

A segunda e última sessão é de um

brainstorming tradicional, similar àqueles propostos por Cross [4] e Jones [5], usando pequenos cartões separados. Deve ser feita

logo após a primeira. Essa sessão é usada

para aperfeiçoar e viabilizar as soluções que foram encontradas através do projeto e para preencher a falta de fatores que ainda não tinham sido previstos. Essa sessão pode levar

a uma solução final ou a um pequeno

conjunto de alternativas ainda a serem validadas. No segundo caso, projetos paralelos devem ser executados, algumas vezes com o uso de Mapas Morfológicos.

4.2.3. Processo de Organização do Projeto

Os dados resultantes são então compilados e

reordenados na construção de uma Matriz de Interação e um Fluxograma Interativo de Projeto (veja Seção 4.4), onde a seqüência de projeto e todas as iterações e interações – funções, sua classificação e fluxos de dados – serão confirmados.

A partir deste processo de organização de

projeto e das idéias relevantes da discussão, uma Metodologia de Projeto pode ser desenvolvida, baseada em fatores de projeto cuja intenção é relacionar da melhor maneira possível fenômenos e características diretamente envolvidas com o dimensionamento do produto, provendo sua seqüência lógica (incluindo atividades paralelas). O objetivo do método é também prover o projetista com meios rápidos e eficientes de executar o projeto. O Fluxograma Interativo obtido representa a síntese do Projeto Conceitual, com fatores de projeto e sua seqüência, explicitados. Notou- se que para alguns projetos o processo permite que se defina a seqüência do Projeto Básico. Nesses casos, as atividades do Projeto Conceitual podem ser destacadas no fluxograma, para sua aplicação.

4.3. Premissas e Definições

O processo de Projeto com Foco na Solução é baseado nas seguintes premissas:

1. Definição de Fatores de Projeto: Fatores de Projeto são definidos como atividades de projeto de natureza específica ou separada, como disciplinas ou importantes tomadas de decisão baseadas em critérios, cujos valores calculados ou decisões tomadas sobre eles podem mudar o curso do projeto. Assim como: definição da forma, estabilidade, resistência, propulsão, arranjo geral, definição estrutural, etc. São tratados como análogos a um Módulo de Teoria de projeto ou um

algoritmo específico em um modelo matemático de otimização.

2. Classificação de Fatores de Projeto: Os Fatores de Projeto são classificados no processo de projeto de forma análoga a da otimização. Embora modelos matemáticos de otimização não sejam aplicados nesse processo, uma filosofia de otimização é necessária para construir o fluxograma interativo e para definir as Especificações de Desempenho (P–Specs), assim como os limites e restrições, de modo a lidar com eles de forma apropriada e para encontrar o melhor compromisso possível de projeto que irá satisfazer os requerimentos.

Nesse método uma Variável Livre é um fator contendo parâmetros de entrada e/ou iniciais modificáveis. Como exemplo, Características Principais são Variáveis Livres, porque contêm parâmetros iniciais, alguns dos quais não modificáveis de sua especificação e alguns que se iniciam com um certo valor especificado e mudam dentro de faixas ao longo do processo cíclico de projeto (e.g., comprimento molhado, boca e coeficientes de forma). Outro exemplo de ‘variável livre’ é o Estado de Mar de projeto, com parâmetros do tipo altura significativa de onda e comprimento de onda ou período de onda.

As Variáveis Dependentes são os valores numéricos ou parâmetros dos fatores de projeto, dos quais só é importante no método classificar três: Fatores de Desempenho (P), Fatores de Restrição (R) e Configurações (C). Existem outros fatores que são de natureza Funcional (F) no projeto, como Características Hidrostáticas, Curvas Cruzadas, etc: São fundamentais para o projeto, mas seus resultados não requerem análise.

Os Fatores de Desempenho (P) são aqueles em que seus parâmetros devem ser minimizados ou maximizados, como a Função Objetivo de métodos de otimização ou dos chamados múltiplos objetivos em recentes publicações, como e.g., custo, resistência ou potência instalada ou onde há necessidade de otimização localizada, e.g., propulsão.

Fatores de Restrição (R) são aqueles de natureza restritiva e seus parâmetros resultantes devem estar acima ou abaixo de certos limites (“maior que”, “não mais que”), tais como estabilidade, volume de carga, etc. Esse tipo de fator requer o uso de critérios estabelecidos ou da criação de novos, caso

não existam ainda. No contexto de projeto, é sabido que seus fatores são naturalmente conflitantes entre si e que a otimização deles tende a levar a um melhor compromisso. O exemplo mais comum é o conflito entre resistência mínima e estabilidade para cascos esbeltos.

Dependendo do projeto alguns fatores podem ter diferentes classificações. Considerando o Comportamento em Ondas, por exemplo, se o projeto é de um navio convencional ou de uma plataforma oceânica, esse fator será restritivo. O Comportamento em Ondas de um navio convencional é normalmente avaliado no final do projeto e se seus movimentos e acelerações não são aceitáveis para o critério, o projeto (forma, massas, centros) é reciclado. Para o projeto de uma plataforma oceânica a definição da relação air gap/calado deve ser considerada no início, como uma função do Estado de Mar, mas a análise de movimentos, dependendo do tipo de plataforma, é feita no final, quando a forma e as massas e centros estão mais bem definidas. Por outro lado, se o projeto for de um Fast Attack Craft para melhor comportamento em ondas, o ângulo de pé-de-caverna, o centro de gravidade, etc., serão definidos para o desempenho de movimentos mínimos. Nesse caso, o Comportamento em Ondas será calculado em uma fase inicial, interagindo com a definição da forma do casco e com a avaliação do equilíbrio dinâmico e será um fator de Desempenho (P).

Finalmente, há o Fator de Configuração (C). Este é um fator de projeto que requer julgamento humano para decisões de projeto

no processo. Estes fatores são aplicados para

o Arranjo Geral, muitos outros arranjos e

alguns aspectos da forma do casco, através da análise do Plano de Linhas, que envolvem proporções, estética, ergonomia, etc. Embora muitas tentativas tenham sido feitas para automatizar estes processos, ainda é usual utilizar-se análise humana para eles.

3. Inter-relações: Iterações e Interações. Na forma definida para o método, cada Fator de Projeto requer parâmetros de input a serem executados e seus resultados (parâmetros de output) serão, por sua vez, parâmetros de input, que combinado com outros, permitirão

executar a próxima tarefa ou Fator de Projeto.

A identificação desses parâmetros de input e

output vai definir as linhas de seqüência iniciais de iteração. Atividades paralelas e seus pontos de partida também ficarão

esclarecidos. Isso leva ao estabelecimento da interdependência dos Fatores de Projeto, e em

um grupo de discussão ajudará a identificar

atividades ou ligações intermediárias que eram

desconhecidas ou foram esquecidas originalmente, vão trazer à tona o

esclarecimento dos objetivos do projeto, gerar idéias, criar divisões de grupos de trabalho para atividades paralelas e disparar a busca

por conhecimento e ferramentas matemáticas

para executar cada Fator de Projeto.

Quando o Fator de Projeto classificado como Restrição é analisado, o output será, além dos dados para reportar, uma situação “passar - não passar”. Isto é uma análise típica de ‘Modo de Falha’. Os Fatores de Projeto que precisam ser revisados para corrigir a falha são então identificados e as linhas de

interação são criadas. Neste método as linhas de interação podem seguir uma hierarquia no Fluxograma Interativo de Projeto, feitos curtos (blocos de Fator de Projeto mais próximos) ou longos (mais distantes), dependendo que ação corretiva deve ser tomada primeiro. Por exemplo, se os cálculos da Estabilidade Intacta indicarem uma falha no critério, a interação mais curta (e primeira) pode ser para o Fator de Peso Leve (identificar elementos

em fatores de Estruturas ou Equipamentos

para baixar o KG) até o mais distante (e radical), Forma do Casco (mudar a forma), passando por distâncias intermediárias, como na avaliação dos fatores de Condições de Carregamento e Compartimentação.

As linhas de interação também são identificadas para Fatores de Desempenho. Para Resistência, e.g., os resultados de

resistência total, esteira e fator de redução de empuxo, a serem minimizados ou modificados

vão gerar uma linha interativa de volta ao fator

de Forma do Casco. No Fluxograma Interativo

de Projeto os Fatores de Desempenho e

Restrição são terminais (“pontas de galho”), o

que facilita identificar por inspeção as múltiplas

funções objetivo e modos de falha, além, é claro, dos fatores estabelecidos de projeto, cada um em um bloco separado.

4.4. Fluxograma Interativo de Projeto

O Fluxograma Interativo de Projeto é

semelhante a muitos existentes e a espiral de

projeto, mas foi criado para poder incorporar as características requeridas para o método descrito aqui. Ele pode ser usado tanto para processos cíclicos de mesmos procedimentos como para processos não cíclicos.

Mission / Transport Type Route / Feasibility Seastate Speed Main Dims. Cargo R&E Hull Form
Mission / Transport Type
Route / Feasibility
Seastate
Speed
Main Dims.
Cargo R&E
Hull Form (C)
Resistance (P)
Parameters– Sist. Series
Hydrostatics (F)
Similar – Comp. Geom.
Propulsive Power
Lines Plan - Offsets
Series - Estimates
Hydrostatic Table
Statistical / Theoretical
Cross Curves - Bonjean
Seakeeping (R/P)
t,s – S.A. - Steel Distrib.
Towing Tank (Rt, w, t)
M.S. –S.M.- BM & SF
Peaks-Eng.Rm-Tanks
E.O.M. - Motions / Accel.
Propulsion System
Compartments
Frames-Longitudinals
Seakeeping Events
(P)
(C,R)
Human Tolerance Crit.
Structural Design
Series (Kt,Kq,J) - Cavit.
(C,R)
Cargo type- Segregation
Prop. System (shafts)
Stowage Factor /Angle
Engine Room (C)
Freeboard
Hull/ Engine/ Propeller
Propeller / Red. Gear
Light Weight &
CG
Loading
ENGINES SELECTION
Conditions (C,R)
G.A. – Transport Matrix
Maneuverability,
G.A.: General
Pump Rm–Rudder Stock
Rudders (R)
Arrangement (C)
Departure-Arrival
Openings /Accesses
Ballast-Loaded-Critical
Deck-Accommodations
Turning force
Piping/Joiner/Outfitting
Directional Stability
Ergonomics-Life Saving
Rudders (geom.,torque)
Trim & Stability
Fire F. - Visibility - Lights
(R)
Machinery
Deck and Hull
GZ- θ - FSurf. – Criteria
Equipment
Equipment
Intact - Damaged
Consumption Sequence
CONSUMABLES
Hatches-Cranes
Auxiliary - Generators,
Life Saving-Winches
- Iterations: full lines
Piping - Fire fighting
Anchors-Bollards
Air Conditioning, etc.
Gangways-Piping, etc.
- Interactions: dashed lines

Figura 3 – Fluxograma Interativo – Idealização genérica para navios mercantes, de uso exclusivo para aulas e propósitos acadêmicos

Um exemplo geral usado apenas para apresentações acadêmicas do projeto de um navio convencional (Schachter [15]), pode ser visto na Figura 3. As Figuras 5, 8 e 9 mostram os Fluxogramas Interativos dos exemplos de projeto apresentados.

Cada bloco representa um Fator de Projeto. As linhas cheias são iterações e as linhas tracejadas interações. O fluxograma deve ser construído durante o processo de Projeto com Foco na Solução, ver Figura 1, após as sessões de brainstorming, onde os conflitos entre análise de problemas e busca de soluções ficam razoavelmente resolvidos.

Uma das principais diferenças entre o Fluxograma Interativo de Projeto e a Espiral de Projeto é que no primeiro, as iterações e as interações são feitas de forma explícita, o que não é o caso do segundo. Isso facilita seu processo de construção, esclarece o raciocínio, por lembrar de ligações esquecidas ou atividades intermediárias e facilita a divisão em grupos de trabalho, mostrando os pontos de correlação entre eles. Também pode ser

usado para mostrar o fluxo de parâmetros de projeto de uma atividade para outra, estabelecendo a seqüência de projeto, com ajuda da Matriz de Interação. Uma vez que o fluxograma interativo de projeto é concluído, fica muito fácil verbalizá-lo em uma Metodologia de Projeto para aquele produto.

No caso de concepções diferentes, aqueles que requerem mapas morfológicos para o planejamento do projeto, se um fluxograma interativo de projeto for feito para cada um, estes podem ser fundidos para as atividades comuns de projeto, ou algoritmos. Isso resultará na completa visualização do projeto e todas as suas alternativas, permitindo a otimização de atividades e eventualmente alguma conquista inovadora: algumas combinações de concepções. Um exemplo disso é mostrado na Figura 5.

5. Exemplos de Projeto

Três exemplos de projetos de trabalhos anteriores são apresentados para ilustração a aplicação do método. Não há intenção de

apresentar seus projetos conceituais aqui, que estão mostrados em outras publicações.

Apenas as descrições resumidas dos projetos

e seus Fluxogramas Interativos de Projeto

estão mostrados, de modo a permitir comparações entre seus métodos de projeto.

O exemplo da Embarcação Rápida

Submersível (5.1) é um híbrido de submarino

e navio-patrulha, é o mais completo, sendo, portanto, o melhor para ilustrar

completamente o método. Era um caso de Projeto Conceitual envolvendo a investigação de concepções completamente diferentes,

com seqüências de projetos diferentes, além

doutorado da UFRJ [16], para Marinha do Brasil. Estudos de viabilidade incluindo um resumo do projeto conceitual estão apresentadas por Bogosian e Schachter [12].

O processo de organização do projeto desta

concepção foi inteiramente desenvolvido com

o método de Projeto com Foco na Solução.

Esse exemplo é típico para mostrar como este método permite que alternativas de projeto sejam levadas a efeito em paralelo, pelo mesmo grupo, alternando pensamento criativo e análise lógica.

A especificação básica foi para cumprir a

do

fato que foi desenvolvido sem que existisse

missão estabelecida de função combinada de

pequenas dimensões e tripulação, baixo custo,

nenhum semelhante anterior. A combinação de fluxogramas de projeto (ou ‘espirais’) com mapas morfológicos precisaram ser aplicados

se achar uma concepção inédita viável

para

alguns submarinos e todos navios-patrulha, específica para defesa da costa, além de:

baixa silhueta radar, altas velocidade e

para

uma missão completamente nova.

manobrabilidade e bom comportamento em

A

partir desta e de outras experiências com

ondas quando flutuando, velocidade máxima quando submerso, quatro lançadores de

projetos de navios, foi possível desenvolver plataformas oceânicas, como de uma TLP em 2001 e uma Spar Buoy do exemplo 5.2. Para

torpedo não recarregáveis quando em alto mar, armamento de superfície, mínima manutenção em operação, capacidade para

o

projeto da Spar não foi necessário utilizar-se

operar a 200m de profundidade e de assentar-

formalmente mapas morfológicos, porque

se

no fundo do mar e baixa autonomia e raio

todas as concepções envolvidas estão em constante desenvolvimento por diversas áreas

de ação, uma vez que as operações estão limitadas à plataforma continental. Nenhum

da Petrobrás e.g., a Planta de Processamento

modo de sustentação foi pré-estabelecido.

e

muitos outros equipamentos são

padronizados e muitos fatores de projetos já estão de certa forma otimizados para especificações similares ou iguais em outros projetos. Mesmo assim, para uma análise comparativa de todas as concepções – com consultas variando de estudos de viabilidade técnica e econômica até o nível de suas seqüências e cálculos de fatores de projeto –

foi necessário adotar-se um estilo morfológico (qualitativo) e dentro da prática do Projeto

com Foco na Solução.

Finalmente, um projeto de um FPSO é brevemente mostrado. Nesse caso, a

aplicação do Processo de Projeto com Foco

na Solução permitiu a identificação de

algumas características fundamentais do projeto, cumprindo uma das proposições do método, que é de identificar fatores de projeto

e prover sua seqüência adequada.

5.1 Embarcação Rápida Submersível

Esse projeto é de um híbrido de pequeno submarino (SSC) e um navio-patrulha, especialmente projetado para defesa de costa, como um trabalho de pesquisa de

Foram feitos sketchings de algumas propostas de solução (Figura 2), focados na funcionalidade global e trazidos para as sessões de brainstorming. Estas variaram de cascos de deslocamento, planadores (um monocasco e um trimarã, ‘Jamanta’) e concepções de semi-planeio, até um SWATH (Delta Ship) e um aerobarco.

Todas as alternativas foram discutidas e aperfeiçoadas, tiveram seus fatores e seqüências de projeto organizados e foram incluídas em um mapa morfológico como mostrado na Tabela 1. A primeira coluna da Tabela 1 contém Sub-Funções ou Características. A primeira linha contém Propostas de Solução. As Propostas de Solução, que são concepções básicas, são numeradas. Cada linha subseqüente contém os ‘meios’ de alcançar a Sub-Função ou Característica. Por exemplo, o Material do Casco (Característica para o fator Topologia Estrutural da Figura 5) pode ser (o ‘meio’) Aço, Alumínio, Compósito ou Combinações dos anteriores. O Aço foi tentado para as concepções ‘Jamanta’ (1) e para o Delta Ship

Tabela 1 – Mapa Morfológico para o projeto do Submersível

Soluções Propostas

1 ‘Jamanta

2

Monocasco planador

3 Delta Ship

4 Semi-planeio

5 Aerobarco

TTiippoo ddee CCoonncceeppççããoo

DDeessllooccaammeennttoo

 

PPllaannaaddoorr (1,2)

SSWWAATTHH (3)

SSeemmii--ppllaanneeiioo (4)

AAeerroobbaarrccoo (5)

Modo de Sustentação

Deslocamento (3,4)

 

Planador (1,2)

Planador+ Fólios (2)

Fólios (5)

 

Configuração

   

Monocasco (2,4,5)

Multicasco (1,3)

   

Comp. em Ondas (Sup)

 

Forma do Casco (1,2,4)

Fólios (2,5)

Forma deTorpedo (3)

 

Motores Principais

D-E (1,3,5)

 

G.T.-elétrico (2,4)

G.T.–D-E (2,4)

Stirling (A.I.P.)

CélulasComb. (A.I.P.)

Propulsão

Prop.+CxRed (td)

 

Pods Elétricos (4)

Hidrojato (2,4)

Hidrojato+CxRed (2,4)

 

Manobrabilidade

Lemes (todos)

 

Pods (4)

Difusores (2,4)

Z Drive (5)

 

Material do Casco

Aço (1,3)

 

Alumínio (5)

Compósitos (2,4)

Combinações (2,4)

 

Energia Elétrica

 

CélulasComb. (2,4)

Baterias + Ger. (todos)

   

Manutenção Principal

   

Base (todos)

Alto Mar

   

Sobrevivência

 

Módulo Ejeção (2,3,4)

LocalizaçãoProtetora (1)

D.S.R.V.

 

Estabil. Direcional (Sub)

 

Forma do Casco (2,4)

Fólios (3)

Forma + Fólios (1,2,4)

 

Submersão / Emersão

   

Lastro (2,3,4)

Fólios (1)

Lastro + Fólios (2,4)

 

Modos de Falha Críticos de cada concepção (para todos)

1 falta de reserva de flutuabilidade

2

espiral divergente de

3 silhueta radar e estab. direcional ruims, vortices

4 controle de peso; menos baterias; miniaturização

5 ‘square-cube law’:

peso/potência: equilíbrio

fólios muito grandes

   

dinâmico

 

Nomenclatura: D-E – diesel-elétrico; G.T. – turbina a gás; Prop. – propulsor; CxRed – caixa redutora; Ger. – genedores; td - todos A.I.P. – Air Independent Propulsion; D.S.R.V. - Deep Searching and Rescue Vehicle; Sup – superfície; Sub – submerso

(3), Alumínio para o Aerobarco (5) e Compósitos e Combinações para as concepções Casco Planador (2) e Semi- Planeio. A melhor solução, que foi adotada, foi para a concepção de Semi-Planeio (4) e está marcada em cinza e numerada em negrito. Todas as outras concepções falharam devido aos modos de falha que estão resumidos na parte de baixo da Tabela 1. Os modos de falha da concepção de Semi-Planeio (4) foram comuns a todos, mas resolvidos com sucesso para esta concepção. Um Fluxograma Interativo de Projeto fundindo três das alternativas de maior sucesso está mostrado na Figura 5. Deve-se notar que o método permite que se identifiquem os caminhos críticos dos modos de falha.

se identifiquem os caminhos críticos dos modos de falha. Figura 4 - Plano de Balizas do

Figura 4 - Plano de Balizas do Submersível

A concepção de Semi-Planeio atendeu a todos os requerimentos devido à idéia inovadora de se ter uma grande reserva de flutuabilidade fora do casco resistente (Figura

4). A Metodologia do Projeto Conceitual foi seguida em todos os estágios, resultando em uma embarcação de 252t, 36.9m de comprimento, 6.9m de boca e 4.0m de pontal, com 2.0m de calado e 22 nós de velocidade na superfície, Figura 6. O projeto desta concepção também teve caminhos críticos, muito dos quais foram resolvidos incorporando algumas idéias das outras.

Mission (Scenario) Depth Seastate Speed, R&E Dimensions surface submerged Vortices HULL FORM Seakeeping (B)
Mission (Scenario)
Depth
Seastate
Speed, R&E
Dimensions
surface
submerged
Vortices
HULL FORM
Seakeeping
(B)
Hydrostatics
Cross C-
Dynamic
Compartments
Bonjean
Structural
Equilibrium
Pressure Hull
Topology
Loading
(A)
Conditions
General
Dynamic Lift &
Center of Press.
Armament
Arrangement
Trim & Stability
Resistance
Life Saving
Light Weight
Equilibrium
& CG
Polygon
surface
submerged
Auxiliaries
Main Electric
Generator
Propulsion
Main Engines
surface
Gas Turbines
submerged
Maneuverability
surface
Directional Stability
Electric-submerged
surface
submerged

Figura 5 – Submersível – Fluxograma Interativo do Projeto de 3 versões: Semi-Planeio (todos fatores, exceto (A)), Monocasco Planador (todos fatores) e Delta Ship – SWATH (todos fatores, exceto (A) e (B)) - R&E: range and endurance

Figura 6 - Perfil e Plano do Submersível 5.2 SPAR Buoy de Armazenamento para Águas
Figura 6 - Perfil e Plano do Submersível 5.2 SPAR Buoy de Armazenamento para Águas
Figura 6 - Perfil e Plano do Submersível 5.2 SPAR Buoy de Armazenamento para Águas

Figura 6 - Perfil e Plano do Submersível

5.2 SPAR Buoy de Armazenamento para Águas Profundas

Este projeto (Schachter et al [8]) foi para aplicação da Fase II da Petrobrás no campo

de

Marlim Sul, Brasil, para uma profundidade

de

1250 m, Grau API 18 (Marlim), Produção

de

Óleo de 150.000 bdp, Armazenamento de

Óleo de 1.000.000 de barris, Tempo de Enchimento de Tanques de 6 dias, Tempo de Offloading de 1 dia e Número de Poços de 18 de completação seca mais 5 poços satélite.

O projeto foi para um sistema flutuante

integrado que contemplasse perfuração, produção (planta) e armazenamento e para ser viável técnica e economicamente para águas profundas.

O método de Projeto com Foco na Solução foi aplicado para o projeto, onde uma análise comparativa entre concepções foi levada a efeito em um estilo morfológico: FPDSOs, SPARs de armazenamento, assim como FPSOs, Semi-Submersíveis, SPARs Clássicas e TLPs com sistemas de suporte foram analisados com características tais como Capacidade de Armazenamento, Custos de Construção, Regulamentos para novas plataformas, Capacidade de Perfuração, Completação Seca, Área de Convés da Planta, possibilidade de Transporte Completo, Movimentos, Fundeio e Posicionamento Dinâmico, etc.

Os estudos de viabilidade que levaram a escolha da SPAR Buoy de Armazenamento para o novo cenário levaram em consideração diversas características e adaptações possíveis dos tipos existentes de plataforma

assim como dos sistemas de suporte ao redor delas em uma análise comparativa, como resumido na Tabela 2.

Tabela 2 – Análise Comparativa Morfológica (Qualitativa) de Concepções de Plataformas

 

FPSO

FPDSO

Spar

Spar

SS

TLP

Clássica

Armazena

sim

sim

sim

não

não

não

Construção

$$$

$$$

$

$

$$

$$

Perfuração

não

sim

sim

sim

sim

sim

Completação molhada

 

molhada

seca

seca

molhada

seca

Area convés

melhor

melhor

média

média

boa

boa

Instalação

não

não

sim

sim

não

algumas

Movimentos

médios

médios

bons

bons

bons

bons

DP

sim

sim

não

não

algumas

não

Estabilidade

média

média

média

média

melhor

média

Linhas Sub.

E

E

C

C

E

C

Sistemas

perfuração

-

-

FSO

FSO

FSO

de Suporte

Nota: as melhores características estão em cinza Nomenclatura: DP: posicionamento dinâmico; $: custo (alto, médio,
Nota: as melhores características estão em cinza
Nomenclatura: DP: posicionamento dinâmico; $: custo
(alto, médio, baixo); E: espalhadas; C: concentradas
T = 224 m
13,4m
Hard Tanks
2x13,8m
2x12m
Lastro
L P =237 m
Armazenagem
156 m
16m
Lastro fixo

Figura 7 – Configuração geral da SPAR

No processo de projeto requerimentos inovadores foram identificados e levados em consideração. As duas mais significativas foram para minimizar as vibrações induzidas por vórtices (VIV) e para gerar estudos de viabilidade alternativos para a instalação dos conveses na locação.

O processo de Projeto Conceitual resultou numa SPAR Buoy de Armazenamento de 98.000 t., como diâmetro de 54m e um comprimento de 237m, com um dispositivo de porosidade para minimizar as vibrações induzidas por vórtices (Figura 7).

Tipos de Dados Cenário Plataforma Ambientais EVTE Ancoragem Dimensões Movimentos Risers Principais Complet.
Tipos de
Dados
Cenário
Plataforma
Ambientais
EVTE
Ancoragem
Dimensões
Movimentos
Risers
Principais
Complet. Seca
Compartim.
Arranjo
Geral
Perfuração
Estrutura
Controle
P.de.
Processo
Estabilidade
de Peso
Equipamentos
Transporte
Uprighting
Deck mating
Acom./ Seg.
Iterações
Princ.Interações
Básico da SPAR Buoy (Projeto Preliminar em
negrito)
Figura
8
Fluxograma
Interativo
do
Projeto

5.3 FPSO Nativo

Pelo menos para condições ambientais mais suaves, os FPSO baseados em cascos de VLCCs (Very Large Crude Carriers) tem-se tornado uma alternativa de plataforma oceânica. Sua capacidade de armazenamento adiciona flexibilidade e as dificuldades offloading ficam bem resolvidas. A tendência é tão forte que os cascos de VLCCs disponíveis para conversão estão se tornando raros e a construção de novas unidades especialmente projetadas como FPSOs (Nativos, ou newly built) estão muito em demanda.

1. Design Basis Project Environmental Data & Site Field Data Storage & (Proc. Plant) Offloading
1. Design Basis Project
Environmental
Data & Site
Field Data
Storage &
(Proc. Plant)
Offloading
5. Receiving
2.
Storage
System
Capability
6. Process
Plant
7. Offloading
3.
Main
13.
Seakeeping
System
Dimensions/
Hull
Characteristics
4.
Hydrostatics
14.
Loads in
the Risers
8.
General
9. Structural
Arrangement
Calculation
15.
Directional
Stability
10.
Light
Weight - CG
16.
Positioning
System
11.
Loading
Conditions
12. Trim and
Stability

Figura 9 – Fluxograma Interativo de um FPSO Nativo (notar a SEQÜÊNCIA NUMERADA)

de um FPSO Nativo ( notar a SE Q ÜÊNCIA NUMERADA ) Figura 10a – Análise

Figura 10a –Análise paramétrica: GM=f(B/t, L/B)

) Figura 10a – Análise paramétrica: GM=f(B/t, L/B) Figura 10b – Período de Roll =f(B/T, L/B)

Figura 10b – Período de Roll =f(B/T, L/B)

Castro [10] enfrentou o problema de projeto de FPSOs Nativos de forma interativa e usou o enfoque do Projeto com Foco na Solução para chegar a soluções interessantes, incluindo uma calibração permanente de banda sem o uso de operações de lastro (Fernandes et al [11]). O fluxograma do processo de projeto proposto como em Castro [10] é mostrado na Figura 9. Isto levou ao desenvolvimento de um programa completo de computador que produziu resultados muito rápidos para estudos paramétricos. Amostras estão apresentadas nas Figuras 10a e 10b [11]. Esses são resultados típicos que ajudaram na definição das faixas de aplicação do projeto.

6. Conclusões

Um método para organização do processo de projeto foi apresentado. Este método, denominado Processo de Projeto com Foco na Solução, é uma proposta para contribuir para a Metodologia de Projeto, para auxiliar e dar suporte a processos de projeto de engenharia naval para novos produtos, quando diferentes concepções estão sendo consideradas, requerendo mais de uma ‘idealização da espiral de projeto’.

Foi apresentado um método com diversos procedimentos que permitem trazer para dentro do processo de projeto propostas de solução com foco na funcionalidade global, como feito por arquitetos e designers, e para permitir ao grupo de projeto alternar entre pensamento criativo e análise lógica, eventualmente levando a novos produtos ou idéias, ao mesmo tempo em que todos os aspectos analíticos do projeto são controlados e seqüenciados. Nesse processo o produto é definido a partir de idéias propostas e não como é feito usualmente, aplicando processo criativo para melhorar um produto já definido.

Um Fluxograma Interativo de Projeto, adaptado para o método, permite que se tornem explícitas todas as inter-relações de fatores de projeto e ajuda a criar grupos de projeto para diferentes especialidades, ao mesmo tempo em que todas as diferentes concepções podem ser projetadas, com vantagens, pelo mesmo grupo. Todo processo leva a criação de uma Metodologia de Projeto para a concepção.

7. Referências

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[4] Cross, N., 1991, “Engineering Design Methods”, John Wiley & Sons [5] Jones, J.C., 1984, “A Method of Systematic Design”, Developments in Design Methodology, John Wiley & Sons, pp: 9–31 [6] Archer, L.B., 1984, “Systematic Method for Designers”, Developments in Design Methodology, John Wiley & Sons, pp: 57–82 [7] Almeida, J.C., Jordani, C.G., Rossi, R.R., Schachter, R.D., 2001, “The Development and Application of a Design Methodology for the Concept Design of Tension Leg Platforms (TLPs) using non- dimensional parameters”, Proceedings, OMAE 01-1242, June 2001, Rio de Janeiro, Brazil [8] Schachter, R.D., Jordani, C.G., Fernandes, A.C., 2002, “A Design Approach for Storage SPAR Buoy Platforms in the Concept and Preliminary Design Phases”, Proceedings, OMAE OFT-02-28544, June 2002, Oslo, Norway [9] Grove, M.A., Conceição, C.A.L., Schachter, R.D., 2003, “A Concept Design and Hydrodynamic Behavior of a SPAR Platform”, Proceedings, OMAE 2003-37166, June 2003, Cancun, Mexico [10] Castro, G.A.V., 2003, “Síntese do Projeto Conceitual de uma Plataforma Oceânica Tipo FPSO, XII, 234p, Engenharia Oceânica /COPPE /UFRJ, Dissertação M.Sc. [11] Fernandes, A.C., Castro, G.A.V. and Neves, C.R., 2004, “Integrated Hydrostatic and Hydrodynamic Analysis for the Design of FPSO Platforms”, Apresentação Oral, XXIII OMAE, Vancouver, Canada [12] Bogosian Neto, S., Schachter, R.D., 2004, “Concepção de Híbrido Submarino, Navio-Patrulha: Estudo de Viabilidade”, Proceedings 20 o CNTMCN, SOBENA 2004, pp. 1-15, Rio de Janeiro [13] Lawson, B.R., 1984, “Cognitive Strategies in Architectural Design”, Developments in Design Methodology, John Wiley & Sons, pp: 209–220 [14] Keane, A.J., Price, W.G., Schachter, R.D., 1991, “Optimization Techniques in Ship Concept Design”, Transactions of the Royal Institution of Naval Architects (R.I.N.A.) 133 A, pp. 123-143 [15] Schachter, R.D., 1998, notas de aula do curso “COV717 – Projeto de Sistemas Oceânicos Flutuantes” – COPPE/UFRJ [16] Bogosian Neto, S, 2005, “Projeto de Concepção de um Navio-Patrulha de Formas Não Convencionais com Características Submersíveis: Viabilidade e Manobrabilidade, XIII, 377p, Engenharia Oceânica /COPPE /UFRJ, Tese D.Sc.