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GÊNEROS TEXTUAIS NA SALA DE AULA

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Published by: Vera Cavinato on May 27, 2012
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GÊNEROS TEXTUAIS NA SALA DE AULA “Precisamos bolar uma aula diferente!

Temos que usar o texto nas aulas!” Que professor nunca ouviu algo assim? Tais comentários refletem o desejo de se trabalhar numa escola que cumpra, de fato, seu papel social. Mas pensemos: ” o que é uma aula diferente?” ora, se um professor levar os alunos para verem um filme, com certeza essa será diferente. Mas se a aula ficar só nisso, ela será diferente. Mas terá qualidade? O que desejamos, realmente, quando propomos uma aula diferente? Voltar-se para os gêneros textuais pode ser uma boa alternativa, porém, trabalhar com os diferentes gêneros sem conhecer bem o tema pode ser um problema mais complicador ainda. Promover uma aula baseada num gênero textual permite o desenvolvimento da identidade cidadã de nossos alunos, mas exige um desafio – levar a língua, o texto, a situação de aprendizagem para a sala de aula e aproximá-los dos alunos. E como se faz isso? Todas as atividades humanas são relacionadas com o uso de linguagens, não apenas feitas com palavras, mas de cores, de gestos, de imagens, de sons, de sinais, de mapas, de tabelas, de gráficos......Para se tornarem “linguagem”, tais elementos precisam obedecer a certas regras que permitem entrar no jogo da comunicação. Toda manifestação da linguagem se dá por meio de textos, os quais surgem de acordo com as diferentes atividades humanas e podem ser agrupados em Gêneros Textuais. E o que são Gêneros Textuais? São modelos comunicativos que nos possibilitam criar expectativas e previsões para compreender um texto e, assim, interagir com o outro. Difícil? Nem tanto. Imagine se uma conta de luz viesse, a cada mês, escrita de modo diferente, sem seguir um padrão. Quando as pessoas recebem uma conta de luz, de telefone, de água, reconhecem o modelo e sabem para que serve, localizam as informações mais importantes, deixando de lado o que não interessa, ou seja, organizam suas vidas. Contas de luz, água, telenovela, fofoca, aula são exemplos de gêneros que, pelo seu constante uso social, não oferecem muitas dificuldades de compreensão. A mesma coisa não podemos dizer de outros menos freqüentes em nosso cotidiano, mas também importantes: crônica, memorial, reportagem..... A linguagem matemática, por ex.,pode ser definida como um sistema simbólico, com símbolos próprios que se relacionam segundo determinadas regras. Esse conjunto de regras e símbolos deve ser entendido pela comunidade que o utiliza. A apropriação desse conhecimento está associada ao processo de construção do conhecimento matemático. Está compreendido, na linguagem matemática, um processo de “tradução” da linguagem natural (qualquer linguagem de uso geral, escrita ou falada por uma comunidade humana) para uma linguagem formalizada, específica dessa disciplina. (Granell, 2003). Pode ser relativamente simples ensinar as características formais de um gênero, mas o desafio se constitui em valorizar a forma e a função como uma única realidade interativa. Na prática, isso significa considerar a cultura na qual determinado gênero se constitui como ação social, ou seja, até que ponto a comunidade que faz uso desse gênero efetivamente se apropriou dele e como o fez.

Como explicar apropriadamente o que é um gênero se sua leitura não faz parte do cotidiano? A lista de perguntas é grande. Por ex., na frase “reduzir ao mesmo denominador”, numa aula de matemática sobre frações. Reduzir , para a maioria das pessoas, no seu dia-a-dia, tem o significado de tornar menor. Se não for explicado o sentido dessas palavras em contexto de uso, dificilmente um aluno tomará reduzir como sendo trocar, converter. Os gêneros são, portanto, produtos da cultura de determinadas sociedades. Constituídos por certos conteúdos, além de estilo e forma próprios, apresentam funções sociais específicas. Tornam-se, desse modo, modelos comunicativos que permitem interação social e um jeito próprio de se relacionar com a linguagem. Fonte: Landeira, J.L. “Gêneros textuais na sala de aula: entre modas e realidades. “ Lorensatti, E.J.C. “Linguagem Matemática e Língua Portuguesa: diálogo necessário na resolução de problemas”

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