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Islamismo

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03/08/2013

Índice

Origem.......................................................................................................................2 Profeta Maomé.......................................................................................................... 2 . Conversão..................................................................................................................2 Crenças........................................................................................................... ..........3 . Cinco pilares..............................................................................................................3 O Corão................................................................................................................. ....4 . Sharia............................................................................................................. ...........4 . Mesquitas......................................................................................................... .........5 . Festas e datas........................................................................................................... 5 . Grupos.......................................................................................................................5

Origem
O islamismo foi fundado no ano de 622, na região da Arábia, atual Arábia Saudita. Seu fundador, o profeta Maomé, reuniu a base da fé islâmica num conjunto de versos conhecido como Corão - segundo ele, as escrituras foram reveladas a ele por Deus por intermédio do Anjo Gabriel. Assim como as duas outras grandes religiões monoteístas, o cristianismo e do judaísmo, as raízes de Maomé estão ligadas ao profeta e patriarca Abraão. Maomé seria seu descendente. Abraão construiu a Caaba, em Meca, principal local sagrado do islamismo. Para os muçulmanos, o islamismo é a restauração da fé de Abraão. Ainda no início da formação do Corão, Maomé e um ainda pequeno grupo de seguidores foram perseguidos por grupos rivais e deixaram a cidade de Meca rumo a Medina. A migração, conhecida como Hégira, dá início ao calendário muçulmano. Em Medina, a palavra de Deus revelada a Maomé conquistou adeptos em ritmo acelerado. O profeta retornou a Meca anos depois, perdoou os inimigos e iniciou a consolidação da religião islâmica. Quando ele morreu, aos 63 anos, a maior parte da Arábia já era muçulmana. Um século depois, o islamismo era praticado da Espanha até a China. Na virada do segundo milênio, a religião tornou-se a mais praticada do mundo, com 1,3 bilhão de adeptos.

Profeta Maomé
Maomé nasceu em Meca, no ano de 570. Órfão de pai e mãe, foi criado pelo tio, membro da tribo dos coraixitas. De acordo com historiadores, tornou-se conhecido pela sabedoria e compreensão, tanto que servia de mediador em disputas tribais. Adepto da meditação, ele realizava um retiro quando afirmou ter recebido a primeira revelação de Deus através do anjo Gabriel. Na época, ele tinha 40 anos. As revelações prosseguiram pelos 23 anos restantes da vida do profeta. Contrário à guerra entre tribos na Arábia, Maomé foi alvo de terroristas e escapou de várias tentativas de assassinato. Enquanto conquistava fiéis, empregava as escrituras na tentativa de pacificar sua terra - tarefa que cumpriu antes de morrer, aos 63 anos, depois de retornar a Meca. Para os muçulmanos, Maomé é uma figura digna de extrema admiração e respeito, mas não é o alvo de sua adoração. Ele foi o último dos profetas a trazer a mensagem divina, mas só Deus é adorado.

Conversão
Não é preciso ter nascido muçulmano ou ser casado com um praticante da religião. Também não é necessário estudar ou se preparar especialmente para a conversão.

Uma pessoa se torna muçulmana quando proferir, em árabe e diante de uma testemunha, que "não há divindade além de Deus, e Mohammad é o Mensageiro de Deus". O processo de conversão extremamente simples é apontado como um dos motivos para a rápida expansão do islamismo pelo mundo. A jornada para a prática completa da fé, contudo, é muito mais complexa. Nessa tarefa, outros muçulmanos devem ajudar no ensinamento.

Crenças
A base da fé islâmica é o cumprimento dos desejos de Deus, que é único e incomparável. A própria palavra Islã quer dizer "rendição", ou "submissão". Assim, o seguidor da religião islâmica deve obedecer às escrituras, orar e glorificar apenas seu Deus e ser fiel à mensagem que Maomé trouxe. Os muçulmanos enxergam nas escrituras divulgadas por Maomé a continuação de uma grande linhagem de profecias, trazidas por figuras que fazem parte dos livros sagrados dos judeus e cristãos - como Adão, Noé, Abraão, Moisés, Davi e Jesus. Os cristãos e judeus, aliás, são chamados no Corão Povos das Escrituras, com garantia de respeito e tolerância. O seguidor do islamismo tem como algumas de suas obrigações "promover o bem e reprimir o mal", evitar a usúria e o jogo e não consumir o álcool e a carne de porco. Um dos principais desafios do muçulmano é obter êxito na jihad - que, ao contrário do que muitos acreditam no Ocidente, não significa exatamente "guerra santa", mas sim o esforço e a luta do muçulmano para agir corretamente e cumprir o caminho indicado por Deus. Os muçulmanos acreditam no dia do juízo final e na vida após a morte, quando o praticante da religião recebe sua recompensa ou sua punição pelo que fez na Terra. Acreditam também na unidade da "nação" do Islã - uma crença simbolizada pela gigantesca peregrinação anual a Meca, que reune muçulmanos do mundo todo, lado a lado.

Cinco pilares
Os cinco pilares do islamismo formam a estrutura de vida do seguidor da religião. São eles:

1. • Pronunciar a declaração de fé intitulada "chahada": "Não há outra divindade 2.

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além de Deus e Mohammad é seu Mensageiro". • Realizar as cinco orações obrigatórias durante cada dia, no ritual chamado "salat". As orações servem como uma ligação direta entre o muçulmano e Deus. Como não há autoridades hierárquicas, como padres ou pastores, um membro da comunidade com grande conhecimento do Corão dirige as orações. Os versos são recitados em árabe, e as súplicas pessoas são feitas no idioma de escolha do muçulmano. As orações são feitas no amanhecer, ao meio-dia, no meio da tarde, no cair da noite e à noite. Não é obrigatório orar na mesquita - o ritual pode ser cumprido em qualquer lugar. • Fazer o que puder para ajudar quem precisa, no chamado "zakat". A caridade é uma obrigação do muçulmano, mas deve ser voluntária e, de

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preferência, em segredo. O muçulmano deve doar uma parte de sua riqueza anualmente, uma forma de mostrar que a prosperidade não é da pessoa - a riqueza é originária de Deus e retorna para Deus. • Jejuar durante o mês sagrado do Ramadã, todos os anos. Nesse período, todos os muçulmanos devem permanecer em jejum do amanhecer ao anoitecer, abstendo-se também de bebida e sexo. As exceções são os doentes, idosos, mulheres grávidas ou pessoas com algum tipo de incapacidade física - eles podem fazer o jejum em outra época do ano ou alimentar uma pessoa necessitada para cada dia que o jejum foi quebrado. O muçulmano que cumpre o jejum se purifica ao vivenciar a experiência de quem passa fome. No fim do Ramadã, o muçulmano celebra o Eid-al-Fith, uma das duas principais festas do calendário islâmico. • Realizar a peregrinação a Meca, o "haj". Todos os muçulmanos com saúde e condição financeira favorável deve realizar a peregrinação pelo menos uma vez na vida. Todos os anos, cerca de 2 milhões de pessoas de todas as partes do mundo se reúnem em Meca, sempre com vestimentas simples - para eliminar as diferenças de classe e cultura. No fim da peregrinação, há o festival de EidAl-Adha, com orações e troca de presentes - a segunda festa mais importante.

O Corão
O livro sagrado dos muçulmanos reúne todas as revelações de Deus feitas ao profeta Maomé através do anjo Gabriel. No Corão estão instruções para a crença e a conduta do seguidor da religião - não fala apenas de fé, mas também de aspectos sociais e políticos. Dividido em 114 "suratas" (capítulos), com vários versículos cada (o número varia de 3 a 286 versículos), o Corão foi escrito em árabe formal e, com o tempo, tornou-se de difícil entendimento. O complemento para sua leitura é a Sunna, coletânea de registros de discursos do profeta Maomé, geralmente em linguagem mais clara e fluente. Cada uma dessas mensagens tiradas dos discursos é conhecida como "hadith". Como os relatos foram de pessoas diferentes, há muitas divergências entre os registros de ensinamentos do profeta: cada um contava a mensagem da forma que o interessava. Além de contradições, as "hadith" provocaram também uma expansão dos conceitos do Islã, ao incorporar tradições e doutrinas sobre sociedade e justiça - aspecto importante na formação da cultura islâmica em geral, que não ficou restrita à religião.

Sharia
É a lei religiosa do islamismo. Como o muçulmano não vê distinção entre o aspecto religioso e o resto da sua conduta pessoal, a lei islâmica não trata só de rituais e crenças, mas de todos os aspectos da vida cotidiana. Apesar de ter passado por um detalhado processo de formatação, a lei islâmica ainda é aplicada de formas variadas ao redor do mundo - os países adotam a sharia têm interpretações mais ou menos rigorosas dela. Na Arábia Saudita, por exemplo, vigora uma das mais conservadoras versões da lei islâmica. O Afeganistão da época da milícia Talibã teve a mais dura e radical aplicação da sharia nos tempos modernos - proibia música e outras expressões culturais e esportivas, restringia gravemente todos os direitos das mulheres e ordenava punições

bárbaras. A sharia, porém, é adotada formalmente numa minoria de países com grandes populações islâmicas.

Mesquitas
As construções reservadas para as orações dos muçulmanos são chamadas mesquitas, ou "masjids". Os prédios, contudo, não precisam ser especialmente construídos com esse fim - qualquer local onde a comunidade muçulmana se reúne para orar é uma mesquita. Há dezenas de milhares de mesquitas no mundo, e elas vão desde as construções mais esplendorosas, com arquitetura riquíssima, às mais modestas, adaptadas dentro de outras estruturas. A mesquita de Caaba, em Meca, é uma das mais famosas, pois é o centro da peregrinação do "haj". A mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, também é um local muito visitado pelos muçulmanos de todo o mundo - ela abrigaria a pedra de onde Maomé "ascendeu ao céu".

Festas e datas
As duas principais festividades do islamismo são o Eid-Al-Adha, que coincide com a peregrinação anual a Meca, e o Eid-al-Fith, quando se quebra o jejum do mês do Ramadã. O mês sagrado, aliás, é o principal período do calendário islâmico. Os muçulmanos xiitas também comemoram o Eid-al-Ghadir - aniversário da declaração de Maomé indicando Ali1 como seu sucessor. Outras festas islâmicas são o aniversário de Maomé (Al-Mawlid Al-Nabawwi) e o aniversário de sua jornada a Jerusalém (Al-Isra Wa-l-Miraj).

Grupos
Os muçulmanos estão divididos entre sunitas, o grupo majoritário, e xiitas, a minoria dentro da religião. Os sunitas formam o tronco principal da religião, ligado à interpretação mais aceita da história islâmica, e reúnem cerca de 90% dos muçulmanos no mundo. A diferença em relação ao Islã xiita é a aceitação à seqüência de califas da história islâmica. Sem características comuns entre si, os muçulmanos sunitas incluem praticantes da religião em todas as partes do mundo e de todas as tendências, dos mais conservadores até os moderados e seculares. Os xiitas, que reúnem cerca de 10% dos muçulmanos, surgiram como movimento político de apoio a Ali e acabaram formando uma ramificação da religião islâmica. A dissidência surgiu quando os xiitas se uniram para apoiar Ali, primo de Maomé, como o herdeiro legítimo do poder no Islã após a morte do profeta, com base na suposta declaração de que ele era seu sucessor ideal. A evolução para uma fórmula religiosa diferente teria começado com o martírio de Husain, o filho mais novo de ali, no ano de 680, em Karbala (no atual Iraque). Os
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Ali, primo de Maomé

clérigos xiitas são os mulás e mujtahids, mas o clero não tem uma hierarquia formal. Os xiitas foram os responsáveis pela revolução islâmica do Irã, em 1979, e têm graves divergências com setores do islamismo sunita.
OS PAÍSES COM MAIORIA ISLÂMICA

Oriente Médio
Arábia Saudita
95% de muçulmanos sunitas, 5% de muçulmanos xiitas

Berço do Islã, abriga as cidades sagradas de Meca e Medina e adota uma interpretação conservadora da lei islâmica. País natal de Osama bin Laden e de quinze dos 19 seqüestradores dos aviões de 11 de setembro de 2001. Em função de sua boa relação com os EUA, a família real sofre a oposição de vários grupos radicais, incluindo a rede Al Qaeda. Sabe-se, porém, que muitas figuras importantes ajudam a financiar os terroristas muçulmanos.

Irã

89% de muçulmanos xiitas, 10% de muçulmanos sunitas

O país se tornou uma República Islâmica depois da revolução de 1979. Desde então, os aiatolás são a autoridade política máxima, cujo poder se sobrepõe ao do presidente e do parlamento, eleitos em votação popular. Desde o fim da década de 90, o Irã vive uma luta entre os clérigos conservadores e os reformistas, que defendem a flexibilização do regime islâmico.

Iraque
60% de muçulmanos xiitas, 32% de muçulmanos sunitas

No regime de Saddam Hussein (um sunita), o estado era secular, e manifestações religiosas eram proibidas dentro da estrutura do governo. Com a queda do ditador, a maioria xiita pretende ter um papel mais influente no comando do país. A guerra teve um efeito contrário ao esperado pelos EUA: o fanatismo religioso e o terrorismo ligado à religião estão mais fortes que na época de Saddam.

Egito

94% de muçulmanos sunitas

O governo e o sistema judicial são seculares, mas as leis familiares são baseadas na religião e a atuação de grupos radicais ainda é grande. O Egito é o local de origem da primeira facção radical do Islã, a Irmandade Muçulmana, e deu origem também ao grupo Jihad Islâmica. Depois da execução do presidente Anuar Sadat pelos radicais, em 1981, o governo prendeu e matou milhares de pessoas na repressão ao extremismo religioso.

Territórios palestinos
90% de muçulmanos

A sociedade e a política palestinas têm fortes tradições seculares. A revolta contra

Israel, no entanto, deu força a grupos religiosos radicais (Hamas, Jihad Islâmica, Brigadas de Mártires de Al Aqsa) e a influência do islamismo na política tornou-se dominante.

Líbano
41% de muçulmanos xiitas e 27% de muçulmanos sunitas

Com uma formação de governo que reflete a distribuição religiosa da população (primeiro-ministro é sempre sunita e o presidente do parlamento, xiita), é a terra do grupo radical Hezbolá. Para os EUA, o Hezbolá é uma organização terrorista; para o Líbano, um movimento legítimo de resistência contra os israelenses e uma organização política legalizada.

Jordânia

92% de muçulmanos sunitas

A família real está no poder desde a independência, em 1946 - e sua aceitação se baseia no fato de que os príncipes seriam descendentes diretos do profeta Maomé. A sociedade é conservadora e a interpretação do Islã é rigorosa - costumes de séculos atrás são mantidos graças à religião.

Outros países de maioria muçulmana: Iêmen, Omã, Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Síria

Ásia
Indonésia
88% de muçulmanos

Apesar de abrigar a maior população muçulmana do planeta, o país tem uma constituição secular. Há dezenas de facções radicais que defendem a adoção da lei islâmica e a formação de um estado com governo religioso, mas os muçulmanos moderados são contra. É a terra do Jemaah Islamiah, grupo ligado à Al Qaeda culpado pelo atentado que matou 200 pessoas em Bali, em 2002.

Afeganistão

84% de muçulmanos sunitas, 15% de muçulmanos xiitas

País onde surgiu a mais radical forma de interpretação do islamismo, através da milícia Talibã, que governo o país do fim da década de 90 até depois do 11 de setembro de 2001. Serviu de campo de treinamento para terroristas islâmicos do mundo todo, até que a ação militar americana atacou essas instalações e colocou no poder um líder muçulmano moderado.

Paquistão
77% de muçulmanos sunitas, 20% de muçulmanos xiitas

Formado como um estado muçulmano resultante da partilha do subcontinente indiano,

em 1947, trava uma tensa disputa com a vizinha Índia pela posse da Caxemira. Os extremistas islâmicos atacam os soldados indianos, que controlam o território, por julgar que a área é dos muçulmanos. Além disso o país sofre com conflitos entre sunitas e xiitas e entre muçulmanos radicais e cristãos.

Malásia

53% de muçulmanos

O governo diz ser tolerante com todas as religiões, mas o islamismo é a fé oficial do país. Não-muçulmanos dizem ser vítimas de discriminação das autoridades. Os radicais muçulmanos dizem que não é o bastante: querem oficializar a adoção da lei islâmica tradicional em toda a Malásia.

Outros países de maioria muçulmana: Brunei, Bangladesh

África
Nigéria
50% de muçulmanos

Tensões com os cristãos provocaram milhares de mortes no país. A adoção da lei islâmica em doze estados do norte provocou um êxodo entre os seguidores do cristianismo. O governo tem dificuldade para controlar os grupos radicais de ambos os lados.

Argélia

99% de muçulmanos

Em 1991, a vitória de um partido islâmico nas eleições gerais foi impedida por um golpe político. Desde então, governo e exército combatem os extremistas muçulmanos numa disputa que já provocou dezenas de milhares de mortes.

Sudão
70% de muçulmanos

Governado por um partido islâmico desde 1989, quando um golpe militar teve apoio dos extremistas, o país foi devastado por uma guerra de duas décadas entre rebeldes muçulmanos do norte e cristãos do sul. Osama bin Laden permaneceu no país por alguns anos antes de ir para o Afeganistão.

Somália
100% de muçulmanos

A religião da população é a mesma, mas conflitos entre tribos inimigas alimentaram uma guerra que se arrasta desde os anos 90. Há grupos radicais em atividade no país e um deles é ligado à Al Qaeda. A maior empresa do país foi fechada pelos EUA por suas ligações com Osama bin Laden.

Outros países de maioria muçulmana: Senegal, Gâmbia, Guiné, Serra Leone, Costa do Marfim, Mauritânia, Mali, Níger, Chade, Líbia, Tunísia, Eritréia, Djibouti, Ilhas Comoros

Europa
Turquia
99,8% de muçulmanos

Estado secular, a Turquia garante liberdade religiosa à população. Na prática, porém, os costumes e crenças do islamismo têm grande influência sobre o comando do país. O partido que conquistou o poder em 2002, por exemplo, tem raízes islâmicas, apesar de se descrever como "conservador".

Kosovo

92% de muçulmanos

Palco de uma violenta campanha de perseguição pelos sérvios, o território foi ocupado pela Otan e teve seu controle assumido pela ONU em 1999. Isso não impediu a morte de 10.000 pessoas e a fuga de cerca de 1,5 milhão para a Albânia ou para a região da fronteira.

Albânia

70% de muçulmanos

O governo comunista do país fechou todos os templos religiosos - incluindo igrejas e mesquitas - em 1967. A prática religiosa só voltou a ser permitida em 1991.

Chechênia

maioria de muçulmanos

Desde o fim da União Soviética, a república russa vem sendo palco de violentos confrontos entre o governo de Moscou e as forças separatistas formadas pelos radicais islâmicos. No período em que a Rússia retirou suas forças do território, o islamismo tornou-se religião oficial.

Usbequistão

88% de muçulmanos

Estado secular, viu o islamismo ganhar força nos anos 90. Junto com esse crescimento, surgiram os grupos radicais contrários ao governo. Depois de uma série de atentados, as forças do governo reprimiram os radicais. Os grupos, porém, continuam em atividade.

Outros países de maioria muçulmana: Azerbaijão, Turcomenistão, Quirgistão, Tadjiquistão, Cazaquistão

Estados Unidos
O palco do maior ato de terrorismo islâmico da História tem mais de 6 milhões de muçulmanos e em torno de 2.000 mesquitas. Entre os seguidores da religião nos EUA, 77,6% são imigrantes, e 22,4%, americanos natos. Apesar do 11 de setembro de 2001, o islamismo está crescendo: estima-se que, no ano de 2010, a população muçulmana supere a judaica - apenas o cristianismo terá mais seguidores.

Índia
Cerca de 12% dos indianos são muçulmanos, formando uma população total de 120 milhões de pessoas. A constituição do país garante a liberdade religiosa. Na prática, contudo, os muçulmanos da Índia são alvos freqüentes de atos de violência - e as facções radicais revidam as agressões. Na última onda de conflitos entre muçulmanos e os hindus radicais, cerca de 2.000 pessoas morreram.

China
O país mais populoso do mundo tem cerca de 20 milhões de muçulmanos, cerca de 1,5% da população. A religião está no país desde o século VII. É oficialmente reconhecida e tolerada no país, que tem mais de 30.000 mesquitas, e os chineses muçulmanos estão concentrados no extremo oeste do país. Há facções extremistas uma delas listada como grupo terrorista pela ONU e pelos EUA.

Brasil
Um dos maiores países católicos do mundo tem uma comunidade islâmica relativamente grande - e seus números vêm crescendo. Há quarenta anos a comunidade árabe brasileira tinha uma única mesquita. Atualmente são mais de 50 templos, espalhados por todo o país e freqüentados por entre 1,5 e 2 milhões de fiéis. Não há atuação de grupos extremistas armados no território brasileiro.

Perguntas e respostas
O que é islamismo, Islã e muçulmano? O islamismo é a religião fundada pelo profeta Maomé no início do século VII, na região da Arábia. O Islã é o conjunto dos povos de civilização islâmica, que professam o islamismo; em resumo, é o mundo dos seguidores dessa religião. O muçulmano é o seguidor da fé islâmica, também chamado por alguns de islamita. O termo maometano às vezes é usado para se referir ao muçulmano, mas muitos rejeitam essa expressão afinal, a religião seria de devoção a Deus, e não ao profeta Maomé. De onde vem o termo Islã? Em árabe, Islã significa "rendição" ou "submissão" e se refere à obrigação do muçulmano de seguir a vontade de Deus. O termo está ligado a outra palavra árabe, salam, que significa "paz" - o que reforça o caráter pacífico e tolerante da fé islâmica.

O termo surgiu por obra do fundador do islamismo, o profeta Maomé, que dedicou a vida à tentativa de promover a paz em sua Arábia natal. Todos os muçulmanos são árabes? Esta é uma das mais famosas distorções a respeito do Islã. Na verdade, o Oriente Médio reúne somente cerca de 18% da população muçulmana no mundo - sendo que turcos, afegãos e iranianos (persas) não são sequer árabes. Outros 30% de muçulmanos estão no subcontinente indiano (Índia e Paquistão), 20% no norte da África, 17% no sudeste da Ásia e 10% na Rússia e na China. Há minorias muçulmanas em quase todas as partes do mundo, inclusive nos EUA (cerca de 6 milhões) e no Brasil (entre 1,5 milhão e 2 milhões). A maior comunidade islâmica do mundo vive na Indonésia. As raízes do islamismo são conflitantes com as origens do cristianismo e judaísmo? Não. Assim como as duas outras grandes religiões monoteístas, as raízes do islamismo vêm do profeta Abraão. O profeta Maomé, fundador do islamismo, seria descendente do primeiro filho de Abraão, Ismael. Moisés e Jesus seriam descendentes do filho mais novo de Abraão, Isaac. Abraão, o patriarca do judaísmo, estabeleceu as bases do que hoje é a cidade de Meca e construiu a Caaba - todos os muçulmanos se voltam a ela quando realizam suas orações. Os muçulmanos acreditam num Deus diferente? Não, pois Alá é simplesmente a palavra árabe para "Deus". A aceitação de um Deus único é idêntica à de judeus e cristãos. Deus tem o mesmo nome no judaísmo, no cristianismo e no islamismo, e Alá é o mesmo Deus adorado pelos judeus, cristãos e muçulmanos. Como alguém se torna muçulmano? Não é preciso ter nascido muçulmano ou ser casado com um praticante da religião. Também não é necessário estudar ou se preparar especialmente para a conversão. Uma pessoa se torna muçulmana quando proferir, em árabe e diante de uma testemunha, que "não há divindade além de Deus, e Mohammad é o Mensageiro de Deus". O processo de conversão extremamente simples é apontado como um dos motivos para a rápida expansão do islamismo pelo mundo. A jornada para a prática completa da fé, contudo, é muito mais complexa. Nessa tarefa, outros muçulmanos devem ajudar no ensinamento. Os muçulmanos praticam uma religião violenta ou extremista? Uma minoria entre os cerca de 1,3 bilhão de praticantes da religião é adepta de interpretações radicais dos ensinamentos de Maomé. Entre eles, a violência contra outros povos e religiões é considerada uma forma de garantir a sobrevivência do Islã em seu estado puro. Para a maioria dos seguidores do islamismo, contudo, a religião muçulmana é de paz e tolerância. O Islã oprime a mulher? A base da religião muçulmana não determina qualquer tipo de discriminação grave contra a mulher. No entanto, as interpretações radicais das escrituras deram origem a casos brutais. A opressão contra a mulher é comum nos países que seguem com rigor a Sharia, a lei islâmica, e têm tradições contrárias à libertação da mulher. Assim, o problema da opressão à mulher muçulmana não é causado pela crença islâmica em si ele surgiu em culturas que incorporaram tradições prejudiciais às mulheres. Um ótimo

exemplo disso é o fato de que o uso de véus e a adoção de outros costumes que causam estranheza no Ocidente muitas vezes são mantidos por mulheres mesmo quando não há nenhuma obrigação. Ou seja: os hábitos estão integrados às culturas, não necessariamente à religião. Os muçulmanos são mais atrasados do que os povos ocidentais? Durante séculos, as civilizações do Islã foram muito superiores às ocidentais. A combinação de idéias orientais e ocidentais provocou grandes avanços na Medicina, Matemática, Física, Arquitetura e Artes, entre outras áreas. Muitos elementos importantes para o avanço do homem, como os instrumentos de navegação marítima e os sistemas algébricos, surgiram no Islã. Nos últimos séculos, contudo, os povos do ocidente conquistaram a supremacia das novas descobertas. A religião islâmica não pode ser apontada como origem do abismo crescente entre algumas potências do Ocidente e alguns países subdesenvolvidos do Islã. O fundamentalismo muçulmano, contudo, é visto por muitos especialistas como enorme barreira ao avanço destes povos orientais. O Islã é um obstáculo para a democracia? Os especialistas se dividem em relação a esse assunto. Para muitos, a religião e cultura islâmica formou sociedades em que os princípios democráticos não ganham espaço nem atraem as pessoas. Quem acredita nessa linha de pensamento consideram que é inútil tentar impor regimes democráticos no Islã - a própria população não estaria disposta a abraçar a mudança. Mas outros analistas dizem que o islamismo não impede o florescimento da democracia, e que os países muçulmanos têm ditaduras e monarquias por causa de outros fatores. Seja qual for a explicação, o fato é que as democracias são raras no Islã: só a Indonésia, a Turquia e Bangladesh têm esse tipo de regime.

Guia
• Akhirah: Crença na vida após a morte, parte importante da fé islâmica • Alá Akbar: "Deus é grande" • Alá: Palavra que significa "Deus" em árabe (não é o nome de um deus diferente dos outros) • Azan: Convocação à oração dos muçulmanos • Bismillah: "Em nome de Deus", verso usado pelos muçulmanos para pedir a bênção divina. Aparece no início de quase todas as suratas do Corão • Caaba: Construção rochosa localizada no centro da grande mesquita de Meca e ponto focal das orações muçulmanas. Teria sido erguida por Abraão • Cinco pilares do Islã: As obrigações que o muçulmano deve cumprir para seguir sua fé • Corão: O livro sagrado do Islã, com as revelações de Deus ao profeta Maomé • Din: A religião e o estilo de vida do Islã • Eid-Al-Adha: Festa que coincide com a peregrinação anual a Meca • Eid-al-Fith: Festa celebrada no fim do mês do Ramadã, a principal da religião • Eid-al-Ghadir: Aniversário da declaração de Maomé indicando Ali como seu sucessor, comemorado apenas pelos xiitas • Fard: Obrigação, algo que deve ser feito em nome da fé • Hadith: Um discurso, mensagem, ação ou história do profeta Maomé, relatado pelos seus contemporâneos • Hafiz: Pessoa que sabe todos os versos do Corão

• Haj: A peregrinação anual a Meca, um dos cinco pilares do Islã. O muçulmano saudável e com condições financeiras deve fazer o haj pelo menos uma vez na vida • Halal: Algo que o muçulmano pode fazer ou comer • Haram: Algo que o muçulmano não deve fazer ou comer • Hégira: A migração de Maomé e seus seguidores de Meca para Medina, para escapar da perseguição às suas crenças. A migração inaugura o islamismo é marca o início de seu calendário • Hijab: Traje típico islâmico usado pelas mulheres para "proteger sua modéstia", como manda o Corão. Seu tamanho varia de acordo com as tradições regionais • Iftar: Desjejum • Ihram: Estado de pureza espiritual exigido dos muçulmanos que desejam fazer a peregrinação a Meca • Imã: Professor, clérigo ou figura que lidera uma oração muçulmana • Islã: Conjunto dos povos de civilização islâmica, que professam o islamismo. Significa "rendição" ou "submissão" em árabe • Islamismo: A religião dos muçulmanos • Jihad: A luta e o esforço de um seguidor da religião para viver a fé islâmica da melhor forma possível e defender o Islã, mesmo que isso signifique o uso da força • Madraçal: Escola dedicada a formar e doutrinar meninos muçulmanos • Masjid: Sinônimo para mesquita • Mawlid Al-Nabi: Festa do aniversário de nascimento de Maomé • Meca: Cidade sagrada do islamismo, onde Maomé nasceu e para onde retornou depois de fundar o islamismo • Medina: A segunda cidade sagrada do islamismo, para onde Maomé fugiu quando foi perseguido • Mesquita: Local onde os muçulmanos fazem suas orações em conjunto • Mihrab: Nicho aberto em todas as mesquitas para apontar a direção de Meca • Minaret: A torre da mesquita, de onde é feita a convocação para as orações • Minbar: Púlpito de uma mesquita • Muçulmano: Seguidor da fé islâmica • Muezzin: O religioso que convoca os muçulmanos para as orações • Niyya: Declaração sincera da intenção de glorificar Deus, feita em silêncio • Quiblah: A direção de Meca • Rakah: Conjunto de movimentos do ritual de orações, ou salah • Ramadã: Mês sagrado dos muçulmanos • Sadaquah: Fazer doações voluntárias para caridade • Salah: Ritual obrigatório de cinco orações por dia • Salat-ul-Juma: As orações de sexta-feira, dia sagrado dos muçulmanos, nas mesquitas • Saum: Jejuar durante o dia • Shahadah: A declaração de fé ("Não há outra divindade além de Deus e Mohammad é seu Mensageiro") • Sharia: Conjunto de leis islâmicas, tratando de costumes e da vida em sociedade • Sufismo: Movimento místico dentro do islamismo • Sujud: Posição de oração em que testa, nariz, mãos, joelhos e dedos do pé devem tocar o chão • Sunita: O principal tronco da religião, concentrando 90% dos muçulmanos • Surata: Capítulo do Corão • Takbir: O processo de se concentrar numa oração e ignorar o que está ao redor • Tawaf: Dar sete voltas na Caaba durante o haj • Wudu: O ritual de lavar as mãos antes das orações diárias • Xiita: O segundo maior grupo dentro da religião, concentrando 10% dos muçulmanos

• Zakat: Doação anual de parte das riquezas acumuladas por um muçulmano

Cronologia
Origens (570-632)
• • • • • • 570: 595: 611: 622: 630: 632: nasce, em Meca, o profeta Maomé Maomé se casa com Khadija o profeta começa a receber a revelação do Corão Maomé e seus seguidores migram para Medina; começa o calendário islâmico os discípulos do profeta conquistam Meca e Maomé retorna à sua terra Maomé morre

Formação e expansão (632-661)
• 632-634: califado Egito, Síria e Irã • 634-644: califado • 644-656: califado • 656-661: califado de Abu Bakr, sucessor de Maomé; o Islã se expande rumo ao de Umar, o segundo sucessor; o texto do Corão é lançado de Uthman, o terceiro sucessor de Ali, o quarto sucessor

Islã Clássico (661-1258)
• • • • • • 661-750: dinastia Umayyad; o Islã cruza os mares e chega à Espanha e Índia 680: fundação do xiismo 750-1258: dinastia Abbasid 800-900: texto das Hadith é compilado 909-1171: dinastia Fatimid no Egito 1095-1270: cruzadas cristãs na terra santa

Últimos impérios (1258-1918)
• 1200-1526: sultanato de Dehli no norte da Índia • 1350-1680: estados muçulmanos no sul da Índia • 1380-1918: Império Otomano • 1453: otomanos conquistam a cristã Constantinopla, que passa a se chamar Istambul • 1492: cristãos expulsam os últimos muçulmanos da Espanha • 1501-1799: dinastia Safavid no Irã • 1526-1857: dinastia Mughal na Índia • 1654: concluída a construção do Taj Mahal • 1798: Napoleão invade o Egito • 1815-1900: cristãos colonizam o norte da África e o Oriente Médio

Período moderno (1918-)

• 1918: Império Otomano é dividido entre potências européias • 1919-1984: países muçulmanos deixam de ser colônias do Ocidente • 1928: fundada a Irmandade Muçulmana, primeiro grupo extremista • 1948: guerra entre árabes e israelenses • 1964: fundação da Organização para Libertação da Palestina • 1979: Revolução Islâmica do Irã • 1996: milícia Talibã toma o poder no Afeganistão e cria regime islâmico mais rigoroso da Terra • 2001: ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 contra os EUA; guerra no Afeganistão • 2003: EUA atacam o Iraque e derrubam o ditador Saddam Hussein; começa ofensiva para democratizar o mundo islâmico

Links
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Sites estrangeiros
Muslim Heritage Window on Islam Masud.co.uk Islam for Today Islamia IslamiCity Council on American Islamic Relations Islam World Islaam.com Notícias sobre o Islã na BBC

Sites brasileiros
Liga Islâmica Associação Beneficente Islâmica do Brasil

Centros islâmicos e mesquitas Al-Ikhlas Centro Cultural Beneficente Árabe Islâmico Islã e Islamismo Portal do Islã Tenda Árabe Imagens do Islã Islam BR

A mulher muçulmana
AFP

MODA: modelo malaia exibe vestido de costureira saudita

SEM A BURCA: mulher afegã nos exames da Universidade de Cabul

CHICOTEADAS: iranianas punidas por ferir lei islâmica

A fé e as tradições

RAMADÃ: orações na mesquita de Meca

NO OCIDENTE: muçulmanos em mesquita de Chicago, nos EUA

NAZARÉ, ISRAEL: local de construção de nova mesquita

Festas e costumes

A: fiéis chegam a mesquita para orações de sexta-feira

JACARTA: dançarinos se apresentam em festa no Ramadã

COMPRAS: paquistanês escolhe chapéu usado durante orações

DESPERTAR NO RAMADÃ: iraquiano acorda os fiéis para oração

SOB O VÉU: iraquianas compram tecidos em mercado de Bagdá

SOBREMESA: mulher egípcia espera nova fornada de kunafeh

BANGLADESH: vendedor seca porções de shemai, doce típico

NA PALESTINA: primeiro-ministro Qorei no desjejum no Ramada

CORÃO FEITO DE CHOCOLATE: chef indonésio apresenta criação

AFEGÃOS EM NOVA YORK: muçulmanos dividem arroz com carneiro

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