11/6/2012

TCS

ALBERT EINSTEIN

Colégio Objetivo – Ponta da Praia 2º A Professor Orientador: Cris (Física) Denise Sacramento Christovam Gabriela Regis Júlia Martins Feliciano Lethícia Gabriela Felipe Gonçalves Veridiana Caetano Pereira

nossa ciência, comparada com a realidade, é primitiva e infantil - e, no entanto, é a coisa mais preciosa que temos.”
- Albert Einstein

“Toda

Sumário
Introdução ................................................................................................................................. 1 Biografia .................................................................................................................................... 2 Ondas ......................................................................................................................................... 6  Amplitude ..................................................................................................................... 7      Velocidade .................................................................................................................... 8 Comprimento de Onda ................................................................................................. 8 Frequência .................................................................................................................... 9 Equação Fundamental da Ondulatória ......................................................................... 9 Caráter Ondulatório da Luz .......................................................................................... 9

O Efeito Fotoelétrico ............................................................................................................... 14  Introdução .................................................................................................................. 14        A Luz ............................................................................................................................ 15 A Teoria de Planck ...................................................................................................... 16 Fótons ......................................................................................................................... 19 O Efeito Fotoelétrico .................................................................................................. 21 Einstein e o Efeito Fotoelétrico ................................................................................... 24 O Prêmio Nobel de Einstein ........................................................................................ 27 Aplicações .................................................................................................................... 28

1905 – O “Annus Mirabilis” de Einstein ................................................................................. 33  Teoria da Relatividade Especial .................................................................................. 33     Paradoxo dos Gêmeos ................................................................................................ 34 Dilatação do Espaço Tempo ....................................................................................... 34 Teoria da Relatividade Geral ....................................................................................... 37 Equações de Campo de Einstein ................................................................................. 43

Bomba Nuclear ........................................................................................................................ 45  Contexto Histórico ...................................................................................................... 45      Einstein e a Bomba Nuclear ........................................................................................ 46 Carta Einstein – Szilárd ............................................................................................... 46 Projeto Manhattan ...................................................................................................... 47 Fissão Nuclear ............................................................................................................. 48 Bomba Nuclear ........................................................................................................... 50

Bibliografia ............................................................................................................................... 52

Introdução
Muita gente se pergunta: Como pensava Einstein? Como pensa um físico? Costumam pensar quando quietos e sozinhos, olhamos pela janela e blocos de equações passam pela nossa cabeça, até que essas equações se ajustam. Pegam uma folha de papel e escrevem. Einstein sempre pensava em imagens, visualizava as coisas. Quando o pai lhe deu uma bússola, ele ficou olhando aquilo noite após noite, vendo a agulha apontando o norte. Ele disse que ficava com arrepios. Uma vez Einstein disse: “Quero conhecer as ideias de deus de uma forma matemática”. Deus, para Einstein, englobava as leis do Universo ainda desconhecia. Einstein queria uma equação. Talvez quisesse uma equação bem curta, que encapsulasse todas as leis da física. Exprimir a beleza, a majestade, o poder do Universo numa só equação foi o objetivo da vida dele. Em 1900, Albert Einstein tinha 21 anos e era estudante na escola politécnica federal de Zurique. Que esse jovem tornar-se-ia sinônimo de gênio era uma ideia que não passava pela cabeça de ninguém. Ele faltava muito, os professores achavam que ele era um inútil. Em consequência, ele não arranjou emprego algum quando se formou. Ele até pensou em mudar de área e vender seguros. Já imaginou algum dia abrir a porta e ver Albert Einstein lhe vendendo seguros? Einstein se achava um fracasso. Ele até escreveu para a família dizendo que, talvez, era melhor ele nem ter nascido. Ninguém falava do jovem Albert Einstein. Ele trabalhou como professor substituto em várias cidades, sempre por pouco tempo. O pai dele tentou solicitar alguma posição acadêmica para ele, e até escreveu a um professor muito famoso pedindo que ele usasse Einstein como assistente de pesquisa, mas não havia cargo disponível. O pai dele morreu achando o jovem Einstein uma desgraça total para a família. Em 1902 o jovem Einstein mudou-se para Berna, capital da Suíça, e começou uma carreira longe da ciência. Um amigo de Einstein conseguiu um emprego subalterno como assistente de patentes no Instituto Suíço de Patentes. Em sua sala, Einstein passava seis dias por semana analisando todo o tipo de pedidos de patentes feitos ao governo suíço. Para analisar uma patente, ele tinha de sintetizar as muitas informações disponíveis à sua essência. Isso despertou nele sua habilidade de cientista e começou a despachar rapidamente os pedidos que devia analisar. Ele não achava o trabalho extenuante, nem intelectualmente exigente, e isso o deu muito tempo para contemplar o universo. Ele nunca se tornaria tão bom numa universidade à sombra de algum professor, estava muito melhor no instituto de patentes imaginando como seria cavalgar um raio de luz. Daquele emprego ele lançaria uma revolução que mudaria a história do mundo. Einstein soltava a imaginação e isso mudaria profundamente nossa visão sobre o universo. Em 1905, chamado o ano milagroso de Einstein, ele publicou quatro artigos científicos revolucionários, o primeiro respondia uma velha pergunta: o que é luz? Partindo dessas premissas, nas próximas páginas analisaremos vários contextos sobre Albert Einstein, suas descobertas e suas implicações no mundo científico e no contexto histórico. O físico que desconhecia sua real natureza científica, que não se mostrava bom aluno e não parecia promissor, marcou a história com suas revoluções.
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Biografia
Albert Einstein nasceu em Ulm (Württemberg, sul da Alemanha) no dia 14 de março de 1879 em uma família judia não praticante. Seu pai, Hermann Einstein, possuía uma oficina eletrotécnica. Porém, seus negócios não prosperavam e, logo que seu filho nasceu, viu-se obrigado a se transferir para uma cidade maior (Munique, capital da Bavária) na esperança de que as finanças melhorassem. Foi nessa cidade que Albert recebeu sua educação primária e secundária. Quando criança, não apresentava nenhum sinal de genialidade. Muito pelo contrário, seu desenvolvimento se deu de modo bastante lento até a idade de nove anos. No entanto, a sua paixão em contemplar os mistérios da natureza começou muito cedo - aos quatro anos - quando ficou maravilhado com uma bússola que ganhara de presente do pai. Na escola, Albert sentia grande dificuldade para se adaptar às normas rígidas do estudo. Os professores eram muito autoritários e exigiam que os alunos soubessem tudo de cor. Geografia, história e francês eram os seus grandes suplícios; preferia mais as matérias que exigiam compreensão e raciocínio, tal como a matemática. Ao mesmo tempo, seu tio Jacob ia lhe transmitindo as primeiras noções de álgebra e geometria. Aos doze anos, ganhou um livro de geometria elementar e, a partir daí, seu gosto pela matemática se ampliou cada vez mais. Quando estava no último ano do ginásio, seu pai viu-se forçado novamente a mudar de cidade. Mais uma vez os negócios haviam fracassado. Desta vez decidira emigrar para a Itália e se estabelecer em Milão. Mas, Albert permaneceu mais um ano em Munique a fim de concluir seus estudos secundários. Em 1895, fez exames de admissão à Eidgenössische Technische Hochschule (ETH), em Zurique. Foi reprovado na parte de humanidades dos exames. Foi então para Aarau, também na Suíça, para terminar a escola secundária. Em 1896 recebeu seu diploma e, aos 17 anos, renunciou à cidadania alemã, ficando sem pátria por alguns anos. A cidadania suíça lhe foi concedida em 1901. Fez seus estudos superiores na Escola Politécnica de Zurique e, em 1900, graduou-se em Matemática e Física. Durante esse período não chegou a ser um excelente aluno - sobretudo pelo fato de já estar fascinado por algumas questões que o absorviam completamente - enquanto que o curso exigia um estudo mais superficial devido ao grande número de matérias que eram ministradas. Depois de se formar, Einstein procurou emprego durante muito tempo. Enquanto isso, dedicava algumas horas do dia lecionando numa escola secundária. O emprego que mais queria, o de professor-assistente na sua Universidade, havia falhado em conseguir. Então, em 1902, Grossmann, um colega de faculdade, consegue-lhe um emprego como técnico especializado no Departamento Oficial de Registro de Patentes de Berna. Em 1903 casou-se com Mileva Maric. Tiveram três filhos: Lieserl, Hans Albert e Eduard.

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Lieserl fora concebida antes de seu casamento, sendo abandonada ainda bebê. Não se sabe, até hoje em dia, o que aconteceu com ela. Contando com o salário do registro de patentes para assegurar-lhe uma vida modesta, e com obrigações profissionais pouco exigentes, sobravalhe tempo para a contemplação. Liberto, então, de preocupações rotineiras, seu raciocínio criador pôde se desenvolver a passos largos. Seus três célebres enunciados de 1905 foram insuperáveis em brilhantismo lógico e ousadia. Em 1907, Einstein tenta obter a Venia Legendi (direito para magistrar em faculdades) na Universidade de Berna. Como dissertação inaugural, apresentou o artigo de 1905 intitulado "Eletrodinâmica dos Corpos em Movimento" (nessa época ainda extremamente controvertido), trabalho que o professor de física experimental recusou e criticou violentamente. Einstein se ressentiu com o fato que adiava novamente seu ingresso no magistério universitário. No entanto, meses mais tarde, por insistência de seus amigos, tenta novamente. Desta vez, é admitido. O seu superior no Registro de Patentes não tinha a menor idéia das atividades que o cientista desenvolvia para além dos domínios do Departamento, de modo que, quando Einstein apresentou seu pedido de demissão, quis saber o motivo. Einstein contou que haviam lhe oferecido um cargo de professor na Universidade de Zurique. Apesar da descrença de seu superior, Einstein acabou mudando-se de Berna para Zurique em 1909. Em 1911, a Universidade Germânica de Praga, convidou-o para a cátedra de Física Teórica, para o cargo de professor-catedrático. A situação social e política de Praga não o atraía muito, mas seus três semestres contratuais estavam se findando. Foi quando a Escola Politécnica de Zurique ofereceu-lhe o cargo de professor catedrático. Em 1912, deu início, então, às sonhadas aulas na universidade onde estudara. Mas elas não prosseguiram por muito tempo. Em 1913, o grande físico Max Planck e o célebre físico-químico Walter Nernst visitaram-no pessoalmente, convidando-o para o cargo de diretor de Física do Kaiser Wilhelm Institute, em Berlim, sucedendo Jacobus Hendricus Van't Hoff, que falecera em 1910. Einstein aceitou em abril de 1914. Nesse novo emprego, liberado do compromisso com as aulas, pôde concentrar-se integralmente nas pesquisas científicas. A proximidade com Planck, Laue, Rubens e Nernst teve efeito eletrizante nas idéias de Einstein. Suas pesquisas sobre os fenômenos gravitacionais, originadas em Zurique, puderam ser brilhantemente finalizadas e apresentadas à Academia Prussiana de Ciências em 4 de novembro de 1915, sob o título de Teoria da Relatividade Generalizada. Esse trabalho, fruto de anos de intensas pesquisas, acabou por reafirmar o seu reconhecimento por parte da comunidade científica do mundo todo. Sua influência se fez sentir em praticamente todos os campos da física. Tendo praticamente todo o seu tempo absorvido no desenvolvimento de suas ideias, a tarefa de leitura de escritos científicos ficou a cargo do "Physics Coloquium" - organizado por von Laue, professor de Física na Universidade de Berlim - , que acabou por se tornar a sede comum de encontro de vários físicos acadêmicos e de laboratoristas industriais de Berlim.

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No início de cada semestre, Laue investigava a literatura internacional sobre física, separava os artigos mais importantes e enviava-os a alguns comentadores voluntários que os representavam brilhantemente nas reuniões que se davam semanalmente. Einstein estava sempre presente nesses encontros e participava das discussões com grande entusiasmo. Mantinha-se longe de qualquer dogmatismo e era capaz de se colocar, às vezes, em posições completamente opostas às suas próprias convicções, em marcante contraste com Planck, que participava sempre de modo mais neutro, sendo mais reservado em suas respostas. Em 1919, Einstein separou-se de Mileva e casou-se com sua prima Elsa, adotando as duas filhas do primeiro casamento dela: Ilse e Margot. Também em 1919, a Teoria da Relatividade Generalizada foi confirmada por duas expedições inglesas que fizeram observações durante um eclipse solar, tornando Einstein reconhecido mundialmente. A publicidade não agradava Einstein, mas não havia maneira de fugir dela. Preferia se isolar no pequeno estúdio que fora construído especialmente para ele, na parte superior de sua casa. Ainda assim, ocasionalmente se reunia com um grupo de amigos e realizavam concertos, onde em geral tocava como segundo violino. Isso constituía agradável entretenimento que o relaxava e divertia bastante, fazendo-o esquecer por instantes o mundo da fama e de muitas responsabilidades para a ciência. Nessa mesma época, começavam a se organizar, na Alemanha, grupos nacionalistas extremistas. O fato de Einstein ser judeu, somado à sua posição contrária a toda forma de nacionalismo e militarismo, e ainda à sua fama mundial, aumentaram a inveja e o ódio dos imperialistas reacionários, que se organizaram contra ele sob a égide do físico Philipp von Lenard. E as ações desse grupo se tornaram ainda mais ofensivas após 1921, quando Einstein recebeu o prêmio Nobel e foi indicado para integrar a Organização de Cooperação Intelectual da Liga das Nações. No mesmo ano, publicou "Sobre a Teoria da Relatividade Especial e Geral". Ele foi ficando cada vez mais alarmado, principalmente após o assassinato de Walter Rathenau, ministro das Relações Exteriores da Alemanha e seu amigo íntimo. Apesar de ter possibilidades de mudar para qualquer outro lugar fora da Alemanha, decidiu permanecer em Berlim para não se afastar do excelente clima científico que lá existia. Paralelamente às suas investigações científicas, Albert Einstein lutou por diversas causas sociais. Tornou-se membro do Comité de Cooperação Intelectual da Liga das Nações em 1922. Em 1925, juntamente com o líder dos direitos civis indianos, Mahatma Gandhi, trabalhou numa campanha pela abolição do serviço militar obrigatório. Participou ainda num importante manifesto internacional, organizado pela Liga Internacional da Mulher pela Paz e Liberdade e que lutava pelo desarmamento internacional como sendo a melhor maneira de assegurar uma paz contínua. No entanto, a vitória do partido nazista, em 1933, compeliu-o a desistir de continuar em seu país natal. Demitiu-se da Academia Prussiana de Ciências através de carta datada de 28 de março de 1933. Suas posses foram confiscadas e sua cidadania alemã (da qual ele já havia renunciado voluntariamente) foi cassada e, quando a situação se tornou insustentável, já havia saído da Alemanha.
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Estabeleceu-se nos Estados Unidos, no Instituto de Estudos Avançados, em Princeton. Em 1939, data em que os alemães se baseavam nas suas teorias para construir a bomba atômica, Einstein escreveu ao presidente dos E.U.A., Franklin Roosevelt, alertando-o das potencialidades do elemento urânio, o que viria a contribuir para o desenvolvimento do programa nuclear dos E.U.A. Adquiriu em 1940 a cidadania americana e, horrorizado com as consequências das explosões em Hiroshima e Nagasaki, iniciou, em 1946, uma campanha contra a bomba nuclear. Pronunciou-se a favor da existência do estado de Israel, contra o nazismo. Foi convidado pelo primeiro-ministro Ben-Gurion para assumir a presidência, em substituição a Chaim Weizmann, primeiro presidente recémfalecido. Todavia, ele não podia aceitar a honra de ser seu presidente, porque seu temperamento não se adaptava bem aos cargos e funções sociais e administrativas exigidas. Nesta época, chegou a declarar à viúva de Weizmann, que não podia aceitar o cargo porque não entendia nada de relações sociais; entendia apenas um pouco de matemática. Por mais de uma vez, Einstein ficou gravemente enfermo, porém sempre com uma boa chance de recuperação. Mas, em 1954, o rápido declínio de suas forças físicas se manifestou de forma alarmante. Em abril de 1955, ele foi transferido para o hospital de Princeton. Uma semana antes de sua morte assinou sua última carta, endereçada a Bertrand Russell, concordando em que o seu nome fosse incluído numa petição exortando todas as nações a abandonar as armas nucleares. Einstein morreu dia 18 de abril de 1955, em Princeton, Nova Jersey, aos 76 anos.

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Ondas
Onda é uma perturbação oscilante de alguma grandeza física no espaço e periódica no tempo. A oscilação espacial é caracterizada pelo comprimento de onda e o tempo decorrido para uma oscilação é medido pelo período da onda, que é o inverso da sua frequência. Estas duas grandezas estão relacionadas pela velocidade de propagação da onda. Uma pode propagar-se através do espaço ou através de um meio (líquido, sólido ou gasoso). Segundo alguns estudiosos e até agora observado, nada impede que uma onda magnética se propague no vácuo ou através da matéria, como é o caso das ondas eletromagnéticas no vácuo ou dos neutrinos através da matéria, onde as partículas do meio oscilam à volta de um ponto médio, mas não se deslocam. Exceto pela radiação eletromagnética, e provavelmente as ondas gravitacionais, que podem se propagar através do vácuo, as ondas existem em um meio cuja deformação é capaz de produzir forças de restauração através das quais elas viajam e podem transferir energia de um lugar para outro sem que qualquer das partículas do meio seja deslocada; isto é, a onda não transporta matéria. A partir do meio de propagação das ondas, podemos distinguir dois tipos diferentes: ondas mecânicas e ondas eletromagnéticas.  Ondas mecânicas

São perturbações que se propagam em meios elásticos e que ocorrem apenas em meios materiais, não se propagando, portanto, no vácuo. A propagação destas ondas envolve o transporte de energia cinética e de energia potencial e depende da inércia e da elasticidade do meio. Além disso, como em qualquer outra onda, as ondas mecânicas não transportam o meio onde se propagam; apenas a energia é que muda de lugar, passando de uma partícula para outra do meio material. Como exemplos de ondas mecânicas, podemos citar as ondas que se propagam na superfície dos líquidos e as ondas sonoras.  Ondas eletromagnéticas

São perturbações formadas por campos magnéticos e elétricos variáveis que se propagam. Estas ondas não precisam, necessariamente, de um meio para se propagar, sendo possível propagarem-se no vácuo. Alguns exemplos de ondas eletromagnéticas são as ondas de rádio, as ondas luminosas, as ondas microondas, os raios X e os raios gama. Estas denominações são atribuídas de acordo com a principal fonte geradora das ondas e se diferenciam principalmente pelas faixas de frequências. Todas as ondas eletromagnéticas têm em comum a velocidade de propagação no vácuo: aproximadamente, 300000 km/s.

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Também podemos classificar as ondas quanto a direção da vibração. Temos as ondas transversais e longitudinais:  Transversais

Ocorre quando a onda propaga-se na horizontal, mas qualquer um de seus pontos move-se para cima e para baixo, na vertical. A direção de propagação da onda é perpendicular, ou seja, forma um ângulo de 90º com a direção de oscilação de qualquer ponto sobre ela. Esse tipo de onda está representada na figura 1:

Fig. 1

Longitudinais

Uma onda é longitudinal quando as partículas do meio em que ela se propaga vibram na mesma direção da onda nesse meio. A direção de propagação da onda coincide com a direção de oscilação dos corpos que estiverem em seu caminho. O deslocamento dos átomos e moléculas é paralelo à direção do movimento da onda. Esse tipo de onda propaga-se nos sólidos, líquidos e gases, pois é uma onda mecânica. As ondas sonoras são ondas longitudinais, isto é, são produzidos por uma sequência de pulsos longitudinais. Comprimindo-se os aros de uma mola, estabelecemos uma onda de compressão ao longo da mola, à medida que os aros vibram para frente e para trás. Essa onda é um exemplo de onda longitudinal (fig. 2).

Fig. 2

Amplitude Amplitude de uma onda é a medida da magnitude da máxima perturbação do meio durante um ciclo da onda. A unidade utilizada para a medida depende do tipo da onda. Por exemplo, a amplitude de ondas de som e sinais de áudio costumam ser expressas em decibéis (dB).

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A amplitude é uma medida escalar que pode ser negativa ou positiva, depende da magnitude da oscilação da onda. Ela pode ser constante ou variar com o tempo. Variações de amplitude são a base para modulações AM (ondas de rádio). Na figura 3, a amplitude é representada pela letra γ.

Fig. 3

Velocidade Toda onda possui uma velocidade de propagação. Geralmente a velocidade da onda depende do meio material onde ela está se movendo. A tabela 1 mostra a diferença da velocidade da propagação do som em diferentes meios. Para calcularmos a velocidade média das ondas basta usarmos o conceito de cinemática: , ou seja, precisamos somente dividir a distância percorrida pelo pulso da onda pelo tempo. velocidade (m/s2) 331 1284 1482 6000 6420
Tabela 1

meio material ar (0ºC ; 1 atm) hidrogênio (idem) água (20ºC) Granito Alumínio

Comprimento de onda O comprimento de onda, representado pela letra λ na fig. 2, mede a distância entre dois picos de onda consecutivos da mesma onda. Uma maneira de determinar o comprimento de onda é determinando seu período. O período de uma onda é o tempo que se demora para que uma onda seja criada, ou seja, para que um λ seja criado. O período é representado pela letra T.

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Frequência A frequência representa quantas oscilações completas uma onda dá a cada segundo, sendo uma oscilação completa representa a passagem de um comprimento de onda (λ). Ela é representada pela letra Se por exemplo, dois comprimentos de onda passarem pelo mesmo ponto em um segundo, dizemos que a onda oscilou duas vezes em um segundo, representando que a frequência dela é de 2 Hz. Hertz é a unidade de medida usada, que significa ciclos (oscilações, no caso) por segundo. A frequência é o inverso do período, sendo expressa pela seguinte equação:

Equação fundamental da ondulatória Esta equação é importante, pois relaciona três características de uma onda, a velocidade, a frequência e o comprimento de onda. As medidas são as do Sistema Internacional, onde a velocidade é dada em m/s, o comprimento de onda em metros e a frequência em Hertz. O período neste caso ficaria em segundos.

Caráter ondulatório da Luz A luz que nos ilumina é uma onda elétrica, semelhante a uma onda de rádio ou televisão. A diferença está apenas no comprimento de onda que é muito menor nas ondas de luz. Quais são as partículas capazes de emitir a onda da luz? São os elétrons que estão vibrando em alta frequência. Elétrons são cargas, e, como sabemos, cargas vibrantes emitem ondas. Para detectarmos o caráter ondulatório da luz, proveniente da excitação dos elétrons, há vários fenômenos. Dentre eles, temos o fenômeno da difração e o fenômeno da interferência, os quais não seriam explicáveis se levássemos em conta somente o caráter corpuscular da luz. A figura 4 é uma experiência visível da propagação da luz de forma ondulatória.

Fig. 4

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Difração

Difração é um fenômeno que permite que uma onda atravesse fendas ou contorne obstáculos, atingindo regiões onde, segundo a propagação retilínea da luz, não conseguiria chegar. O fenômeno chamado também pode ser definido como o encurvamento sofrido pelos raios de onda quando esta encontra obstáculos à propagação. A difração é explicada pelo Princípio de Huygens, que afirma que quando os pontos de uma abertura ou de um obstáculo são atingidos pela frente de onda eles tornam-se fontes de ondas secundárias que mudam a direção de propagação da onda principal, atravessando a abertura e contornando o obstáculo. A situação mostrada na figura 5, em que uma onda se propaga em um meio até onde encontra uma fenda posta em uma barreira é a representação do fenômeno da difração.

Fig. 5

Este fenômeno prova que a generalização de que os raios de onda são retilíneos é errada, já que a parte que atinge a barreira é refletida, enquanto os raios que atingem a fenda passam por ela, mas não continuam propagando-se retilineamente. Se esta propagação acontecesse em linha reta, os raios continuariam retos, e a propagação depois da fenda seria uma faixa delimitada pela largura da fenda. No entanto, há um desvio nas bordas. Este desvio é proporcional ao tamanho da fenda. Para o caso onde esta largura é muito inferior ao comprimento de onda, as ondas difratadas serão aproximadamente circulares, independente da forma geométrica das ondas incidentes.

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Fig. 6

Devemos ressaltar que, no caso das ondas luminosas, seu comprimento de onda é muito pequeno (da ordem de 10-7m), e por esta razão não se observa a difração da luz com facilidade, pois as aberturas e fendas são muito maiores do que o comprimento destas ondas. Na figura 6, ao incidirem no orifício feito por uma agulha num cartão, um feixe de raios luminosos paralelos e monocromáticos sofre difração e, após a mesma, a tira luminosa irá se alargar ao invés de diminuir, à medida que o diâmetro da fenda for diminuindo. A difração da luz é perceptível quando ela incide, por exemplo, na fina extremidade de uma lâmina de barbear, no orifício de uma agulha, etc. Assim, o comprimento de onda também permanece o mesmo, mas, a onda, após sofrer difração chega a regiões que não seriam atingidas caso se considerasse apenas a propagação corpuscular da luz.  Interferência

Considere duas ondas deslocando-se em direções opostas numa corda. Caso elas se interceptem num determinado momento, pode ocorrer interferência construtiva ou destrutiva, de acordo com a forma inicial dos pulsos. A interferência construtiva (figura 7) ocorre quando ambas ondas têm a mesma fase. Somam-se as amplitudes, formando uma onda nesse instante. Caso as fases sejam distintas, ocorre a interferência destrutiva (figura 8) e as amplitudes serão subtraídas. Se as amplitudes forem idênticas, ocorrerá o cancelamento completo das ondas.

Fig. 7

Fig. 8

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Estas interferências se resultam de acordo com o princípio da superposição de ondas, que infere que a forma da função de onda resultante é igual à soma algébrica das funções de ondas individuais. O estudo da interferência das ondas é de grande valia à telecomunicações, uma vez que este fenômeno é um dos responsáveis pelas limitações no tráfego de informações. Certos tipos de modulação possuem a propriedade muito importante de minimizar o ruído, como a interferência de um sistema de comunicação. Entretanto esta supressão é conseguida às custas de uma banda de transmissão com um range de frequências consideravelmente maior do que a banda do sinal original. Esta banda representa a largura do espectro do sinal, sendo que uma transmissão de grandes quantidades de informação em diminutos intervalos de tempo necessitam de sistemas emissores de sinais de banda larga para acomodar os sinais (a largura de faixa representa uma limitação em sistemas de comunicação. Se a banda for insuficiente, é preciso diminuir a velocidade de sinalização e consequentemente aumentar o tempo de transmissão). Um esquema eficiente conta com uma minimização do tempo de transmissão, e o envio de uma quantidade máxima de informação num menor tempo possível. O fenômeno da interferência também ocorre quando uma fina camada de óleo se espalha sobre uma superfície irregular (figura 9), como uma calçada ou uma sarjeta ou então produzimos uma bolha de sabão com um pouco de água e detergente (figura 10). Em ambos os casos um feixe luminoso policromático ao incidir nesta película sofre reflexão tanto na superfície superior quanto na inferior da camada de óleo ou sabão. Como resultado, surgem regiões escuras nas referentes às zonas de interferência destrutiva e regiões claras quando ocorre interferência construtiva.

Fig. 9

Fig. 10

Outro exemplo interessante de interferência acontece na figura 11, quando feixes de cores diferentes se cruzam, verificando uma mudança de cor apenas na região do cruzamento dos feixes, voltando às cores originais após saírem daquela região.

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Fig. 11 Fenomenologicamente, as interferências podem ser classificadas em interferências unidimensionais (figuras 7 e 8), bidimensionais (figuras 9 e 10) e tridimensionais (figura 11).

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Efeito Fotoelétrico
Introdução A teoria do efeito fotoelétrico valeu a Einstein o Nobel de Física de 1921, mas não por causa das suas aplicações tecnológicas. Foi por demonstrar que a constante de Planck era universal, isto é, era algo que deveria se manifestar em diferentes fenômenos físicos. Dito de outro modo, qualquer fenômeno envolvendo a luz deveria ter a participação da constante de Planck na sua explicação. Esse resultado provocou duas reações opostas. De um lado inspirou o jovem Niels Bohr (1885-1962) no desenvolvimento do seu modelo atômico, que teve como consequência o surgimento da teoria quântica, que valeu ao dinamarquês o Nobel de 1922. Por outro lado, o resultado despertou a desconfiança do americano Robert Millikan (1868-1953), que passou 11 anos realizando experimentos para mostrar que Einstein estava errado. Em 1916, Millikan publicou um artigo mostrando que a teoria do efeito fotoelétrico estava correta. Esse trabalho foi consagrado pela história da ciência como a mais precisa determinação experimental da constante de Planck. Pela determinação da carga do elétron e pela verificação experimental da equação de Einstein para o efeito fotoelétrico, ele ganhou o Nobel de 1923. Portanto, ao contrário do que muitos imaginam, a mais relevante contribuição de Einstein com o efeito fotoelétrico não se refere às suas aplicações tecnológicas, mas à porta que ele abriu para a teoria quântica. Na verdade, vários dispositivos que utilizam o efeito fotoelétrico na sua concepção já haviam sido fabricados antes da teoria apresentada por Einstein. Um exemplo interessante é a Dispositivos como as células fotovoltaicas, célula fotovoltaica, muito utilizada usadas na fabricação dos painéis solares, atualmente para a fabricação de utilizam o efeito elétrico em sua concepção. A painéis solares. Embora esse primeira célula solar, no entanto, foi produzida dispositivo, como hoje o antes da explicação desse fenômeno por Einstein conhecemos, tenha sido desenvolvido nos anos 1940, vale registrar que em 1884 o norte-americano Charles Fritts construiu o que hoje é reconhecido como a primeira célula solar – três anos antes da descoberta de Hertz.

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A Luz Antes de começarmos a falar do efeito fotoelétrico, é necessário falar sobre a luz e explicar sua dualidade, já que a veracidade da teoria depende dela. Se levássemos em conta somente a teoria da luz ondulatória, o efeito fotoelétrico não valeria. Mas há também a contribuição de Einstein para a explicação da teoria corpuscular da luz, a qual ele utiliza na sua interpretação do efeito fotoelétrico, que mais tarde ganhará um Nobel. Na Grécia Antiga, com as teorias atômicas dos gregos, como Demócrito, aceitavam que a luz era um fluxo contínuo de átomos (partícula até então hipotética e considerada indivisível). Séculos se passaram, e surgiram duas correntes de físicos que tentavam explicar o que era luz, ambos os lados defendiam duas teorias “distintas”: a Corpuscular e a Ondulatória. Em meados do século XVII, surge um dos grandes expoentes da teoria corpuscular chamado Renné Descartes, cuja teoria baseava-se em que: “a luz é uma „pressão‟ exercida por minúsculas „partículas‟ do „éter luminífero‟, que tendem a se deslocar em linha reta e a girar sobre si mesma”. Éter luminífero seria um fluido no qual a luz se propagava no espaço sideral, era um meio material que ficava entre os corpos celestes do espaço (não se concebia algo se propagar no vácuo). Até então, essa era a explicação mais científica e satisfatória sobre o que era luz. A teoria de Descartes vigorou como explicação mais adequada sobre radiação eletromagnética também muito devido ao seu prestígio dentre os cientistas da época. No século XVIII, Isaac Newton disse que “a luz visível era formada de por cores mais primitivas e cada cor tinha associado a ela corpúsculos que se propagavam como „projéteis‟ e possuem uma determinada velocidade diferente umas das outras”. Porém, Newton não agradou os defensores da teoria ondulatória com sua explicação sobre o que era luz e sofreu duras críticas de Huygens e Hooke, fazendo Newton a rever suas teoria e reescrevê-la. Ao passar dos anos os defensores da Teoria Ondulatória não ficaram “parados” vendo Newton e demais aprimorando suas teorias. Os que defendiam a teoria ondulatória foram descobrindo propriedades da luz e alguns fenômenos relacionados, por exemplo, os fenômenos foram da reflexão, refração, polarização, difração, a interferência. Após, todas essas contribuições para o entendimento sobre o que é luz, a teoria corpuscular perdia força, porém Isaac Newton lançou sua última teoria a respeito da luz, a “Teoria dos Acessos", conseguindo explicar a reflexão, refração e polarização da luz. Porém não conseguiu explicar a interferência e a difração, e sua última teoria corpuscular da luz não pôde ser vista puramente corpuscular, pois apresentava algum caráter ondulatório. Em 1861, Maxwell demonstrou matematicamente que a luz é uma onda eletromagnética, e, em 1887, Hertz comprovou as equações de Maxwell experimentalmente com osciladores. As equações de Maxwell e a experiência de Hertz deram uma importantíssima contribuição para a teoria ondulatória confirmando –a. Apesar de todos esses acontecimentos não havia um consenso entre os físicos sobre o que era luz.

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Entretanto, em 1905, Albert Einstein resolveu um problema que perdurava por mais de 2000 anos, dizendo que a “radiação eletromagnética é constituída de „quanta de luz‟ (fóton) e na colisão do quanta de luz e o elétron, todo o momento linear e a energia do quanta de luz é totalmente absorvido pelo elétron.” Einstein queria dizer que a luz não é um fluxo contínuo de partículas, mas sim mostrar que a matéria em nível subatômico apresenta caráter descontínuo, e também observou que as equações de Maxwell não são aplicáveis a nível discreto de energia. Einstein foi além de postular sobre a luz, ele também afirmou que a radiação eletromagnética propaga-se no vácuo e não no "éter”, como era afirmado até então. Aliás, Einstein refutava sua existência. Com seu postulado, Einstein trouxe retomou a ideia da teoria corpuscular, já que apenas um „quanta‟ de luz é absorvido por apenas um elétron, mostrando que a teoria ondulatória estava incompleta. Mas, pela afirmação de Einstein, a luz continua sendo uma onda eletromagnética formada por „quanta‟ de luz, mais tarde chamado de fóton pela comunidade científica. O fóton foi uma partícula idealizada por Max Planck que não possui dimensão, é um “pacote” de energia (quanta) e possui energia quantizada pela equação de Planck: E=hf. A academia de ciência da Suécia, a qual dá o Prêmio Nobel aos físicos, químicos, matemáticos, dentre outros que se destacaram mais naquele ano foi tão conservadora a respeito do Postulado de Einstein que concedeu-lhe o prêmio mais de dez anos após a explicação de um fenômeno quântico dada também em 1905, mas não concedeu-lhe o Nobel em função dele (Einstein) ter explicado o que era luz. Logo, chegamos à seguinte conclusão: luz é uma onda pelas equações de Maxwell e confirmado pelo experimento de H. Hertz, mas não deixava de ser uma partícula pelo Postulado de Einstein (que foi demonstrado mais tarde). Logo, surge uma nova pergunta: como fótons poderiam se propagar como onda? Logo, chega-se a conclusão que a luz tem um caráter dual: comporta-se como onda e como partícula mutuamente. Para percebermos sua dualidade, basta fazer um tipo diferente de experimento para cada, como por exemplo as experiências de difração e interferência (caráter ondulatório) e o próprio efeito foto elétrico (caráter corpuscular). Há cientistas que vão mais além e questionam sobre a possibilidade de a luz estar em dimensões superiores as 3 físicas, e por isso a nossa dificuldade em entender o que de fato é luz. A Teoria de Planck Os resultados apresentados contradiziam a teoria clássica do eletromagnetismo, e desafiaram a inteligência humana durante 18 anos. Em 1905, Einstein usou uma proposta apresentada por Planck em 1900, e conseguiu explicar o efeito fotoelétrico. O trabalho de Planck referia-se à radiação de corpo negro, e sua proposta deu início ao que hoje conhecemos como teoria quântica. Um fato importante dessa história ocorreu por volta de 1800, quando o astrônomo inglês Sir William Herschel estava observando a decomposição da luz branca ao atravessar um prisma (figura 1).

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Fig. 1

Herschel conseguiu medir a temperatura correspondente a cada cor do espectro, e descobriu que o efeito térmico aumentava à medida que o termômetro se aproximava do vermelho. Mais importante ainda, ele observou que a efeito continuava a aumentar mesmo depois do vermelho, na parte escura do espectro. Hoje sabemos que essa é a região do infravermelho, e que todos os corpos irradiam no infravermelho. Esses estudos continuaram e desembocaram naquilo que na segunda metade do século XIX passou a ser conhecida como radiação de corpo negro. Essencialmente, é o seguinte: qualquer corpo em determinada temperatura, irradia energia, que depende dessa temperatura. E como Herschel já havia descoberto que cada temperatura está associada a uma frequência, isto é, a uma determinada cor. A figura 2 representa a distribuição espectral da radiação de um corpo negro a uma temperatura da ordem de 9.000 K.

Fig. 2

A parte colorida corresponde ao espectro visível. No final do século XIX, várias tentativas foram feitas para explicar essa curva. Todas essas tentativas baseavam-se nas teorias clássicas da termodinâmica. Stefan e Boltzmann mostraram que a emissão de energia cresce com a temperatura. Isto é, I a T4. Atualmente este resultado é conhecido como lei de StefanBoltzmann. Wien mostrou que o máximo da curva espectral desloca-se com a temperatura, conforme ilustra a figura 3.

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Fig. 3

Quando a temperatura cresce, o máximo desloca-se no sentido de números de onda maiores, isto é, no sentido de menores comprimentos de onda. Rayleigh e Jeans partiram da idéia de que a energia irradiada vem da oscilação do campo eletromagnético, e mostraram que I a Tl-4 A lei de Rayleigh-Jeans, ajustava a curva na faixa dos altos comprimentos de onda, mas divergia na faixa de baixos comprimentos. Ela passou a ser conhecida como a catástrofe do ultravioleta. A figura 4 ilustra esta situação.

Fig. 4

Em 1900, Max Planck fez uma proposta que ele considerou desesperadora, mas que revelou-se revolucionária. Ele mostrou que a lei de Rayleigh-Jeans não ajustava a curva espectral em toda a faixa de comprimentos de onda, porque Rayleigh e Jeans admitiam que os osciladores irradiavam qualquer quantidade de energia. Planck impôs uma restrição, isto é, os osciladores só podiam emitir energia em determinadas quantidades. Mais precisamente, em quantidades inteiras de hf, onde h passou a ser chamada de constante de Planck, e f é a frequência da radiação emitida.
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Esta suposição é hoje conhecida como quantização da energia, descrita pela equação:

A partir dessa ideia, ele obteve uma expressão que ajustou completamente a curva espectral da radiação de corpo negro. Fótons A descoberta e descrição do caráter corpuscular da luz foi fundamental para a explicação do efeito fotoelétrico. Essa idéia defendida por Newton e estabelecida por Einstein nos explica o comportamento da partícula da luz: os fótons.  Massa

O fóton não tem massa. Provavelmente essa seja a única partícula elementar, encontrada livre no Universo, sem massa. Apesar de não ter massa o fóton tem energia. Isso parece contraditório, no entanto isso ocorre porque o fóton tem uma quantidade de movimento. Então, se p = quantidade de movimento do fóton, sua energia, de acordo com a Teoria da Relatividade de Einstein, é dada por: Onde “ ” é a velocidade da luz. Outra consequência do fato de que o fóton não tem massa é que ele não interage gravitacionalmente e, portanto, passa próximo dos corpos massivos sem sofrer desvio por causa de forças gravitacionais. O fóton não tem carga. Isso quer dizer que ele não é atraído ou repelido por ímãs ou por objetos eletrizados. O fóton é indiferente (do ponto de vista da força exercida sobre ele) à interação eletromagnética.  Velocidade

O fóton viaja mais rápido do que qualquer outra partícula. Só eventuais outras partículas sem massa (como, eventualmente os neutrinos) têm velocidade igual à do fóton. A velocidade de qualquer fóton (não importa sua energia) é aproximadamente (utiliza-se para a velocidade da luz o símbolo c) c= 300.000 km/s , daí que conseguimos medir e tiramos o termo “velocidade da luz”. Como o fóton viaja sem interação, quer seja eletromagneticamente ou gravitacionalmente, pode-se prever que o fóton não se desvia do seu caminho enquanto viaja. Ele deve, portanto, propagar-se em linha reta em caráter corpuscular. Sua propagação em linha reta é um dos princípios da óptica geométrica. Essas propriedades seguem da Teoria da Relatividade Especial de Einstein. O fato de a velocidade da luz ser a velocidade limite significa que não existe na natureza nenhum objeto cuja velocidade exceda a velocidade da luz. Portanto, deve seguir daí que o fóton detém o recorde universal de velocidade.
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O fato de que a maior velocidade no Universo é essa do fóton (300.000 km/s), leva-nos a afirmar que essa é a velocidade máxima que temos à nossa disposição para enviar (ou receber) informações. Isso tem consequências profundas. Se quisermos enviar uma mensagem até a estrela mais próxima, o tempo mínimo para o envio da mensagem e o recebimento da resposta é de 8,6 anos. Para as estrelas mais longínquas seria de milhões ou bilhões de anos, ou seja, a luz tem a mesma idade da distância em anos luz entre a Terra e a respectiva estrela. Hoje, talvez a estrela até mesmo já tenha se apagado e, com certeza, não está exatamente no ponto em que parece estar, pois durante o tempo da viagem da luz a estrela se movimentou. Podemos afirmar que os fótons têm a mesma velocidade para qualquer sistema inercial.  Interações e colisões de fótons

Os fótons colidem e interagem de uma maneira análoga às demais partículas. É isso que, afinal, justifica a classificação dos fótons como partículas. Apesar de sofrerem forças do tipo previsto pelo eletromagnetismo clássico, os fótons participam da interação eletromagnética (sendo os mediadores dessa interação). Na realidade, a interação eletromagnética ocorre como resultado da troca de fótons. Imagine uma interação eletromagnética qualquer como, por exemplo, o afastamento de partículas portando cargas de sinais opostos. Ela ocorre, a interação entre as duas cargas, mediante a troca de fótons. A interação eletromagnética se dá, basicamente, em duas etapas. Consideremos a interação entre dois elétrons. Na primeira etapa uma partícula (um dos elétrons), portanto uma carga negativa, produz um fóton (começou o processo de interação). Ao produzir esse fóton a partícula muda de direção (uma vez que o fóton carrega uma parte da quantidade de movimento do próton). Na segunda etapa, o outro elétron absorve esse fóton, com o impacto ele também muda de direção. O resultado é mostrado na figura 5.

Fig. 5

Hoje em dia imaginamos todas as interações fundamentais como resultante da troca de partículas elementares. Isto faz com que haja sempre um agente (no caso do eletromagnetismo, o fóton) mediador da interação. Os agentes mediadores são sempre partículas elementares. Assim, as partículas que interagem entre si nunca se tocam. A ação se dá à distância.

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O Efeito Fotoelétrico Como toda descoberta, esta também se deu por acaso quando Heinrich Hertz, em 1887, investigava a natureza eletromagnética da luz. Estudando a produção de descargas elétricas entre duas superfícies de metal em potenciais diferentes, ele observou que uma faísca proveniente de uma superfície gerava uma faísca secundária na outra. Como esta era difícil de ser visualizada, Hertz construiu uma proteção sobre o sistema para evitar a dispersão da luz. No entanto, isto causou uma diminuição da faísca secundária. Na sequência dos seus experimentos ele constatou que o fenômeno não era de natureza eletrostática, pois não havia diferença se a proteção era feita de material condutor ou isolante. Após uma série de experimentos, Hertz, confirmou o seu palpite de que a luz poderia gerar faíscas. Também chegou à conclusão que o fenômeno deveria ser devido apenas à luz ultravioleta. Em 1888, estimulado pelo trabalho de Hertz, Wilhelm Hallwachs mostrou que corpos metálicos irradiados com luz ultravioleta adquiriam carga positiva. Para explicar o fenômeno, Lenard e Wolf publicaram um artigo na Annalen der Physik, sugerindo que a luz ultravioleta faria com que partículas do metal deixassem a superfície do mesmo. Dois anos após a descoberta de Hertz, Thomson postulou que o efeito fotoelétrico consistia na emissão de elétrons. Para prová-lo, demonstrou experimentalmente que o valor de e/m das partículas emitidas no efeito fotoelétrico era o mesmo que para os elétrons associados aos raios catódicos. Também concluiu que esta carga é da mesma ordem que a carga adquirida pelo átomo de hidrogênio na eletrólise de soluções. O valor de e encontrado por ele (6,8 x 10-10 esu) encontra-se muito perto do aceito atualmente ( 4,77 x 10-10 esu ou 1,60×10-19 C). Uma ilustração do arranjo experimental é apresentada na figura 6:

Fig. 6

A figura 7 mostra um esquema da montagem experimental para se observar o efeito, na forma de um “fototubo”, usado tradicionalmente como sensor de luz (hoje em dia a maioria dos sensores de luz envolve outros princípios). A luz incide em uma placa metálica (emissora), localizada dentro de um tubo evacuado.

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A energia da luz é transferida para elétrons (de carga negativa) da superfície da placa, e estes se soltam do metal, sendo então atraídos em direção à placa da direita (coletora) por meio de um potencial elétrico positivo.

Fig 7

Ao chegarem nesta placa, eles geram uma corrente elétrica no circuito abaixo do tubo, medido pelo amperímetro A. A voltagem entre as placas pode ser invertida, desacelerando os elétrons, sendo medida pelo voltímetro V. Na figura 8, mostra-se que a luz consiste de partículas (fótons) com energia bem definida E=hf, onde f é a frequência de oscilação da onda luminosa associada, e h a constante de Planck. As três bolas da esquerda representam fótons com energias diferentes, correspondentes a cores diferentes.

Fig. 8

A bola vermelha tem menos energia, sendo semelhante a uma bola de plástico bem leve, e ao descer a rampa não consegue fazer com que a bola preta saia da cova em que se encontra e deslize pela pista horizontal. Isso representa o fato de que a luz vermelha geralmente não é capaz de gerar o efeito fotoelétrico (da mesma forma que ela não é capaz de sensibilizar um filme fotográfico, nos antigos laboratórios de fotografia). A energia de ligação do elétron na placa metálica, W (chamada de “função de trabalho”), é maior do que a energia dos fótons de luz vermelha, hf. A bola verde seria feita de madeira (ou seja, tem uma massa maior do que a anterior), e ao se chocar com a bola preta faz com que esta saia da cova e suba uma rampa, até o final, sem, no entanto, cair no precipício. Isso é análogo ao que acontece com a luz verde, que provoca a emissão do elétron (a bola preta sai do buraco) e ainda lhe dá energia para subir uma pequena rampa.

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No caso real do efeito fotoelétrico, a “rampa” acima do nível de energia W consiste de um “potencial elétrico de corte” V0, que desacelera os elétrons e é suficiente para impedir que os elétrons “caiam no precipício”, ou seja, que eles atinjam a placa coletora. A este potencial de corte corresponde uma energia potencial eV0, onde e é a carga do elétron. Em outras palavras, a determinação do potencial de corte equivale a determinar a energia de cada elétron. O que se mostra então, para diferentes cores de luz, é que a energia dos elétrons emitidos é proporcional à energia dos fótons incidentes. A relação entre essas grandezas foi deduzida teoricamente por Albert Einstein, em 1905: eV0 = hf – W. A energia do elétron é igual á energia do fóton menos o trabalho para quebrar a ligação entre o elétron e o metal. Esta pode ser chamada a “lei de Einstein”, e foi esta lei que foi confirmada em 1916 por Millikan. No caso da luz violeta, o fóton tem uma energia ainda maior. No modelo mecânico, isso corresponde a uma bola mais pesada, de ferro, que ao deslizar é capaz de fazer a bolinha preta subir uma rampa ainda mais íngreme, até atingir a borda (sem cair no precipício). Vimos até aqui o que é chamado de qualidade da radiação, ou seja, o que para Einstein seria a energia associada a cada fóton. Mas a radiação também possui uma quantidade, que nada mais é (no modelo de Einstein) do que o número de fótons que incide no metal. Na segunda figura, se colocássemos sucessivamente bolinhas verdes na pista ocupada pela bolinha vermelha, cada bolinha verde teria energia para arrancar uma bolinha preta (elétron) e esta deslizaria até cair no precipício. Assim, contando o número de bolinhas pretas, teríamos a quantidade de fótons da radiação. No caso real do efeito fotoelétrico, essa quantidade é dada pela corrente elétrica medida pelo amperímetro A (o número de fótons seria dado pela intensidade da corrente dividida pela carga do elétron). Com estas observações, podemos chegar às seguintes conclusões:  Qualquer que seja o metal emissor, existe um limiar de frequência abaixo do qual não ocorre emissão de elétrons. Este limiar é dado pela energia de ligação W do elétron no metal: fótons com energia hf abaixo deste valor de W não conseguem emitir elétrons.  Para uma dada frequência de luz (acima do limiar), quanto maior a intensidade do feixe, maior o número de elétrons emitidos. Isso foi descoberto pelo russo Alexander Stoletow, em 1889, e seria explicado pela tese de que apenas um elétron é emitido por cada fóton.  Para feixes contendo o mesmo número de fótons, mas possuindo diferentes frequências (que estejam bem acima do limiar), o número de elétrons emitidos é o mesmo. Essa situação pode ser explorada para argumentar que um “meio fóton” nunca é observado. Por exemplo, podemos gerar um fóton ultravioleta que tem uma frequência que é duas vezes maior do que o limiar de frequência do efeito fotoelétrico. Assim, este fóton teria energia suficiente para emitir dois elétrons, pois sua energia é 2W. Mas isso nunca acontece: no efeito fotoemissivo, cada fóton só pode levar à emissão de um único elétron, não dois.

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Acima do limiar, quanto maior é a frequência da luz, maior é a energia dos elétrons emitidos. Isso reflete o princípio de conservação de energia, envolvendo um fóton e um elétron, e é expresso matematicamente pela lei de Einstein, vista acima: Energia do elétron = hf – W.

No efeito fotoelétrico externo, a luz incidente excita o elétron até o ponto em que este escapa completamente da superfície irradiada, do mesmo modo que uma quantidade de energia suficiente consegue libertar um elétron ligado num átomo. O efeito fotoelétrico interno (cujo exemplo é a fotocondutividade, entr outros) refere-se ao caso em que a energia do quantum não basta para libertar o elétron da superfície do detector, mas é suficiente para excitar o elétron até o ponto em que ese modifica a condutividade elétrica do material. Partindo destas premissas, podemos ver que há três tipos de interação dos fótons com os elétrons, três "sub-efeitos fotoelétricos".  Efeito fotovoltaico. Aplicado na produção de células de conversão direta de luz em energia elétrica, é amplamente usado como fonte de energia, por meio de painéis fotovoltaicos;  Efeito fotocondutivo. Aplicado na produção de células cuja resistência elétrica varia conforme a intensidade da luz incidente, usadas tradicionalmente na automação da iluminação pública;  Efeito fotoemissivo. Diretamente relacionado com o efeito fotoelétrico descoberto por Hertz, em 1887, e descrito teoricamente por Einstein, em 1905. Einstein e o Efeito Fotoelétrico As experiências de Thomson mostraram que metais continham elétrons. O mecanismo para ejeção desses elétrons por absorção da luz incidente envolveria a interação entre o campo elétrico das ondas eletromagnéticas de luz e a carga elétrica dos elétrons. Além disso, a teoria eletromagnética mostra que a amplitude do campo elétrico oscilante é proporcional à raiz quadrada da intensidade da luz. Portanto, Pela teoria ondulatória da luz, a energia cinética dos elétrons emitidos seria proporcional à intensidade da luz incidente. Isso torna difícil de entender porque a energia adquirida pelos elétrons ejetados é independente da intensidade da luz, como mostram os resultados experimentais. Outro ponto controverso, de acordo com a teoria ondulatória clássica da luz, é que é necessário um tempo muito longo para um elétron absorver energia suficiente e escapar do metal. Nos experimentos, o número de elétrons liberados do metal dependia da intensidade da luz incidente (como esperado), mas a energia cinética dos elétrons não variava com a intensidade da luz. A experiência mostrava que a energia cinética máxima depende apenas da frequência. Nenhuma fonte de luz de alta intensidade, mas de baixa frequência conseguia liberar elétrons do metal.

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Outra observação era que não havia um intervalo de tempo entre a iluminação e a emissão de elétrons. Pela teoria ondulatória da luz, a energia incidente é distribuída uniformemente sobre a superfície, o tempo necessário para que haja energia suficiente em uma área equivalente a um átomo pode ser calculado. Esse tempo seria de minutos ou até horas dependendo da intensidade da radiação incidente. Entretanto, nunca foi observado tal intervalo, os elétrons são emitidos imediatamente após a incidência da luz. Em 1905, Einstein propõe uma explicação para esse fenômeno que estava deixando muitos pesquisadores confusos e intrigados. Para explicar esses fatos, Einstein considerou que em vez da energia luminosa se distribuir igualmente pelo espaço no qual ela se propaga, ela seria composta de quantas de energia. A energia de um quantum é proporcional à frequência da luz incidente. Quando um desses quantas penetra no metal toda sua energia e transferida para um elétron. O termo fóton apareceu pela primeira vez no título de um artigo escrito em 1926, “A conservação dos fótons” pelo físico-químico Gilbert Lewis. Com essa hipótese explicam-se facilmente as observações experimentais: como a energia dos fótons é diretamente proporcional à frequência, quanto maior a frequência da luz incidente, maior a energia transferida ao elétron. Consequentemente, a energia cinética máxima dos elétrons também dependia da frequência da luz. Os elétrons precisam de uma energia mínima para serem liberados do metal, essa energia é chamada de função trabalho do metal. Se a energia fornecida pelo fóton for menor do que a função trabalho do metal, o elétron não terá energia suficiente para escapar do metal e não será emitido. Einstein desenvolveu, em 1905, uma teoria muito simples e revolucionária para explicar o efeito fotoelétrico. Simplesmente, ao invés de considerar a luz como uma onda, ele propôs que ela seja composta de corpúsculos, denominados fótons, como já foi esclarecido antes (a teoria corpuscular da matéria). Cada fóton, ou quantum de luz, transporta uma energia dada por hn, onde h é a constante de Planck, e n é a frequência da luz. A proposta de Einstein recupera uma ideia que foi defendida por Newton, e abandonada depois do experimento de Young. De acordo com esta proposta, um quantum de luz transfere toda a sua energia (hf) a um único elétron, independentemente da existência de outros quanta de luz. Tendo em conta que um elétron ejetado do interior do corpo perde energia até atingir a superfície, Einstein propôs a seguinte equação, que relaciona a energia do elétron ejetado (E) na superfície, à frequência da luz incidente (n) e à função trabalho do metal (f), que é a energia necessária para escapar do material. Isto é:

A última equação vale para todos os elétrons ejetados. Como elétrons são ejetados de diferentes profundidades do material, tem-se uma distribuição de energia. Einstein sugeriu que se usa-se apenas os elétrons mais energéticos, isto é, aqueles que saíssem da parte mais superficial. Assim, a equação de Einstein transforma-se em:

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Conhecendo-se Emax e a frequência da luz incidente, é possível determinar h e f. Para entender como se determina a energia cinética máxima dos elétrons, veja a ilustração (figura 9) do arranjo experimental:

Fig. 9

Se o potencial negativo da placa coletora for nulo, todos os elétrons que saem da placa emissora chegam na coletora. Este é o caso em que temos a maior distribuição de fóton-elétrons. Se aumentarmos este potencial retardador, a corrente diminui. Quando a corrente for zero, tem-se um potencial (também conhecido como potencial de corte) capaz de repelir os elétrons mais energéticos. Então eV é uma estimativa de Emax. Agora podemos escrever a equação de Einstein na forma adequada para a verificação experimental: A equação acima pode ser escrita de uma forma ainda mais apropriada:

Neste caso, V é dado em volts, h em ev.s, n em Hz e f em eV. A partir da sua equação, Einstein fez a seguinte proposta para ser verificada experimentalmente: variando-se a frequência, n, da luz incidente e plotando-se V versus n, obtêm-se uma reta, cujo coeficiente angular deve ser h/e. Este foi o primeiro experimento que demonstrou a universalidade da constante de Planck. Isto é, h é uma constante independente do material irradiado. O primeiro pesquisador experimental a apresentar resultados realmente importantes para comprovar a equação de Einstein foi Arthur Llewellyn Hughes, que demonstrou, em 1912, que a inclinação da função E (n) variava entre 4,9×10-27 e 5,7×10-27 erg.s, dependendo da natureza do material irradiado.

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Em 1916, Millikan publicou um extenso trabalho sobre seus resultados obtidos na Universidade de Chicago. Ele comprovou que a equação de Einstein se ajusta muito bem aos experimentos, sendo h = 6,57×10-27 erg.s. Em 1949, Millikan confessou ter dedicado mais de dez anos de trabalho testando a equação de Einstein, com absoluto ceticismo em relação à sua validade. Todavia, contrariando todas as suas expectativas os resultados experimentais confirmaram a teoria de Einstein sem qualquer ambiguidade. Este comentário reflete muito bem a postura da comunidade científica da época diante da proposta de Einstein. Entre 1905 e 1923, poucos foram os que levaram a sério sua teoria, entre os quais podemos destacar Planck. O Prêmio Nobel de Einstein O ano de 1905 é considerado o “annus mirabili” da vida científica de Albert Einstein. Ao longo daquele ano ele publicou cinco artigos, três dos quais revolucionaram a física. Entre estes, encontra-se sua abordagem ao problema do efeito fotoelétrico. A explicação de Einstein estava de acordo com as observações experimentais e pela sua simplicidade poder-se-ia julgar que seria de fácil aceitação entre a comunidade científica. No entanto, não foi bem isso que aconteceu. As equações de Maxwell (1864) que descrevem o campo eletromagnético e a natureza ondulatória da radiação eram bem aceitas no meio científico. Na teoria de Maxwell, não havia possibilidade de inserção dos quantas de energia e não aconteceria o fenômeno de interferência da luz se esta fosse composta de corpúsculos pontuais, assim a hipótese de Einstein violava dogmas dos físicos clássicos. Em 1913 Einstein é proposto para a Academia Prussiana e Planck, Nernst, Rubens e Wangel escrevem uma recomendação: "Em suma, pode se dizer que dificilmente se encontrará um, entre os grandes problemas em que a física moderna é tão rica, para o qual Einstein não tenha apresentado uma contribuição notável. Que ele, por vezes, possa ter errado o alvo, nas suas especulações, como, por exemplo, na sua hipótese dos quanta de luz, não pode ser erguido como um obstáculo à sua candidatura, porque não é possível apresentar ideias realmente novas, mesmo nas ciências mais exatas, sem, por vezes, se correr um risco". Para bem se compreender o caráter revolucionário da hipótese é suficientemente esclarecedor o seguinte comentário de Millikan, escrito para as comemorações dos 70 anos de Einstein: "Passei 10 anos da minha vida a testar aquela equação de Einstein e, ao contrário de todas as minhas expectativas, fui obrigado, em 1915, a afirmar a sua verificação sem ambiguidades, apesar da sua falta de razoabilidade, pois parecia violar tudo o que sabíamos sobre a interferência da luz". Contudo foi apenas em 1917 que A. H. Compton e P. Debye, de forma independente, deduziram as conhecidas expressões da cinemática relativista para a deflexão de um quantum de luz por um elétron inicialmente em repouso. Os resultados de Compton fizeram aceitar, definitivamente, a idéia de que o quantum de luz é uma partícula. Não é por isso de estranhar o premio Nobel de Einstein em 1921 (mas só atribuído em 1922) "pela explicação do efeito fotoelétrico".
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O próprio Einstein chegou a comentar, em 1951, já perto da sua morte em Março de 1955: "Estes 50 anos de reflexão não me fizeram ficar mais perto da resposta à questão: o que são os quanta de luz?". Einstein tem contribuições importantes em quase todas as áreas da física, mas, sem qualquer dúvida, suas contribuições mais impactantes foram aquelas relacionadas com a teoria da relatividade restrita e com a teoria da relatividade geral. No entanto, ao escolher o Prêmio Nobel de 1921, o Comitê Nobel para Física da Academia Real de Ciências da Suécia deu mais importância ao trabalho sobre o efeito fotoelétrico. Literalmente, o prêmio foi concedido pelas suas contribuições à Física Teórica, mas especialmente pela sua descoberta da lei do efeito fotoelétrico. No seu discurso de apresentação, o Coordenador do Comitê, Svante Arrhenius, fez apenas uma pequena referência à teoria da relatividade, enfatizando que a principal discussão em torno do assunto restringia-se à área epistemológica e filosófica. Mencionou também que implicações astrofísicas estavam sob rigorosos exames. É importante chamar a atenção que já em 1919, o eclipse solar observado em Sobral (Ce) e em outras partes do mundo, comprovava os principais resultados da teoria da relatividade geral. O restante do discurso foi obviamente quase que dedicado ao efeito fotoelétrico. Einstein não pôde comparecer à cerimônia porque estava no Japão. Portanto, a tradicional Conferência Nobel não foi ministrada na ocasião da entrega do Prêmio. Em 1923 ele apresentou uma conferência na “Assembleia Nórdica de Naturalistas“, em Gotemburgo, intitulada “Ideias fundamentais e problemas da teoria da relatividade“. É esta conferência que consta nos arquivos da Academia. No entanto, há uma nota de rodapé esclarecendo que a conferência não foi apresentada na ocasião da entrega do Prêmio Nobel, e, portanto, não se referia à descoberta do efeito fotoelétrico. Aplicações A descoberta do efeito fotoelétrico teve grande importância para a compreensão mais profunda da natureza da luz. Porém, o valor da ciência consiste não só em esclarecer-nos a estrutura complexa do mundo que nos rodeia, como em fornecer-nos os meios que permitem aperfeiçoar a produção e melhorar as condições de trabalho e de vida da sociedade. Graças ao efeito fotoelétrico tornou-se possível o cinema falado, assim como a transmissão de imagens animadas (televisão). O emprego de aparelhos fotoelétricos permitiu construir maquinaria capaz de produzir peças sem intervenção alguma do homem. Os aparelhos cujo funcionamento assenta no aproveitamento do efeito fotoelétrico controlam o tamanho das peças melhor do que o pode fazer qualquer operário, permitem acender e desligar automaticamente a iluminação de ruas, os faróis, etc. Tudo isto se tornou possível devido à invenção de aparelhos especiais, chamados células fotoelétricas, em que a energia da luz controla a energia da corrente elétrica ou se transforma em corrente elétrica. Uma célula fotoelétrica moderna consta de um balão de vidro cuja superfície interna está revestida, em parte, de uma camada fina de metal com pequeno trabalho de arranque. É o cátodo.
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Através da parte transparente do balão, dita "janelinha", a luz penetra no interior dela. No centro da bola há uma chapa metálica que é o ânodo e serve para captar elétrons fotoelétricos. O ânodo liga-se ao polo positivo de uma pilha. As células fotoelétricas modernas reagem à luz visível e até aos raios infravermelhos. Ela é um dispositivo capaz de liberar partículas eletricamente carregadas quando recebe a irradiação de luz (ou outra radiação eletromagnética). O efeito responsável pelo fenômeno é efeito fotoelétrico externo, no qual elétrons são liberados da superfície de um condutor metálico por efeito da luz. Os elétrons tendem a migrar de um dos pólos, o fotocátodo, para o outro, o fotoânodo, sob o efeito de um campo elétrico formado pela irradiação luminosa. Albert Einstein elaborou a teoria dos fótons para justificar o efeito fotoelétrico externo. Quando um fóton atinge a superfície metálica do material fotossensível, a energia liberada é suficiente para fazer com que alguns elétrons rompam a barreira de potencial da superfície do metal, e suprando o limiar da emissão, movimentam-se e assim produzindo uma corrente elétrica. A Célula Fotovoltaica que é feita de material especial (semicondutores), cujo comportamento elétrico está entre o de condutores metálicos e o de bons isolantes. Ao absorver luz, este dispositivo produz uma pequena corrente elétrica, que pode ser aproveitada. Os semicondutores feitos de silício são os mais usados na construção de células fotovoltaicas e sua eficiência em converter luz solar (que é branca) em eletricidade chega a 10%. Por causa do grau de pureza desses componentes, que são cristais, essa forma alternativa de energia ainda apresenta uma série de problemas para ser produzida em larga escala: o custo ainda é muito elevado. O arseneto de gálio (GaAs), sulfeto de cádmio (CdS) e o sulfeto de cobre (Cu2S) também são utilizados para a confecção de semicondutores e possuem diferentes eficiências de conversão. A potência produzida pelas células fotovoltaicas é dada pela seguinte expressão matemática:

Onde Pi é a potência solar incidente, n a eficiência do dispositivo e A a área do coletor. É interessante observar que a utilização comercial não oferece vantagem sobre outros métodos de conversão de energia. Seu uso mais recomendável atualmente é nos satélites artificiais, onde os painéis de células voltaicas são a fonte de energia para os equipamentos a bordo.  Geração de energia elétrica

A geração de elétrica a partir de células fotovoltaicas através da luz solar se dá da seguinte forma: existe uma placa, geralmente de silício (figura 10). O silício pode ser dopado, geralmente com fósforo. Esse processo de dopagem é misturar átomos de silício (mal condutor de eletricidade) com os de fósforo, fazendo com que apareçam elétrons livres através de um compartilhamento de elétrons.

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Com isso, os elétrons emitidos pela placa de silício dopado são capturados e, devido a campos elétricos formados pelos materiais que constituem a placa (ela não é só feita de silício dopado), os elétrons são forçados a fluírem em certo sentido, gerando assim uma corrente elétrica. Só que essa corrente elétrica gerada é fraca e esse é um dos motivos pela pouca invasão da energia solar.

Fig. 10

Câmeras digitais

A câmera de vídeo possui sensores fotoelétricos altamente sensíveis, e quando a luz incide nestes sensores seus elétrons são “liberados” e passam por um dispositivo chamado fotomultiplicador. Após a saída dos primeiros elétrons dos sensores fotoelétricos, estes incidem em uma placa metálica e provocam uma emissão de novos elétrons. Começa uma reação em cadeia, onde os elétrons secundários provocam uma nova emissão de elétrons e assim sucessivamente. Os elétrons que incidiram nessa placa metálica são “coletados” por um ânodo e fica registrado a colisão do elétron na placa metálica como um “pixel” (pontos que formam um imagem) da imagem digital final. Quando a luz incide no cátodo da célula fotoelétrica, no circuito produz-se uma corrente elétrica que aciona um relé apropriado. A combinação da célula fotoelétrica com um relé permite construir um semnúmero de dispositivos capazes de ver, distinguir objetos. Os aparelhos de controlo automático de entrada no metrô constituem um exemplo de tais sistemas. Esses aparelhos acionam uma barreira que impede o avanço do passageiro, caso este atravesse o feixe luminoso sem ter previamente introduzido a moeda necessária.

Fig. 11

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Prevenção de acidentes

Os aparelhos deste tipo tornam possível a prevenção de acidentes. Por exemplo, nas empresas industriais uma célula fotoelétrica faz parar quase instantaneamente uma prensa potente e de grande porte se, digamos, o braço dum operário se encontrar, por casualidade, na zona de perigo. A figura 11 esquematiza uma célula fotoelétrica. Quando a luz incide na célula, no circuito da pilha Pi1 produz-se uma corrente elétrica de pequena intensidade que atravessa a resistência R cujas extremidades estão ligadas à grelha e ao cátodo do tríodo T. O potencial do ponto G (grelha) é inferior ao do ponto C (cátodo). A válvula, nestas condições, não deixa passar a corrente elétrica e, portanto, no circuito anódico do tríodo não há corrente. Se a mão ou o braço do operário se encontrar, por casualidade ou negligência, na zona de perigo, faz com que seja cortado o fluxo luminoso que normalmente incide na célula fotoelétrica. A válvula fica aberta e através do enrolamento do relé eletromagnético ligado ao circuito anódico passa a corrente elétrica, acionando o relé cujos contatos fecham o circuito de alimentação do mecanismo responsável por parar a prensa.  Semicondutores

O fotoelétrico interno, próprio dos semicondutores, muito utilizado, por exemplo, nas resistências fotoelétricas, isto é, aparelhos elétricos cuja resistência depende da intensidade da iluminação. Aplica-se igualmente nos aparelhos fotoelétricos semicondutores que transformam, de forma direta, a energia luminosa em energia elétrica. Tais aparelhos podem servir de fonte de corrente elétrica, permitindo avaliar a intensidade da iluminação, por exemplo, em fotômetros. No mesmo princípio assenta o funcionamento das pilhas solares, de que estão munidas todas as naves cósmicas.  Ações automáticas

Outra importante aplicação e que nos traz grande comodidade são as ações automáticas como o acendimento de luzes. Além de as luzes acenderem no momento ideal (aquele em que a escuridão já começa a dominar o ambiente) diminuindo o consumo de energia, elas diminuem a extensão do sistema elétrico e a nossa intervenção. Esses sistemas fotossensíveis a luz solar se utilizam do mesmo mecanismo. Enquanto há luz solar, os elétrons são emitidos (em um dispositivo chamado LDR) e com isso vai haver mais elétrons livres disponíveis, o que vai fazer com que a corrente elétrica aumente e a resistência diminua (lembre que R = U/i; com U constante, se a corrente aumenta, a resistência diminui). Assim, após esse sensor, vem um ímã, que assim se torna devido a passagem de corrente elétrica. Esse ímã é em geral um solenóide e como a corrente aumentou com a luz solar, o campo magnético gerado por esse solenóide também aumenta (o campo magnético de um solenóide é diretamente proporcional a corrente; assim, se a corrente aumenta, o campo aumenta; se diminui, o campo diminui).

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Isso atrai o metal (ligado a uma mola para poder voltar a fechar a corrente quando a intensidade luminosa diminuir) e o mecanismo é aberto, fazendo com que a corrente elétrica não feche e, portanto, com que a luz não acenda. Ao fim do dia, a intensidade solar diminui muito e os elétrons livres param de ser liberados. Então, a resistência aumenta e a corrente diminui, fazendo com que o campo magnético da bobina diminua e o metal não seja tão atraído pelo ímã e fazendo com que a força de restituição da mola seja maior, fazendo fechar a corrente e a luz acender. Esse esquema está representado na figura 12:

Fig. 12

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1905 - O “Annus Mirabilis” de Einstein
Teoria da Relatividade Especial Em 1905, enquanto trabalhava no Serviço de Patentes, em Berna, Suíça, Albert Einstein voltou a dedicar sua atenção a uma pergunta que o intrigava desde criança: como seria viajar em um raio de luz? A resposta para essa pergunta levou à Teoria da Relatividade Especial. Ela é construída a partir de dois postulados:  Primeiro Postulado

As relações que expressam as leis físicas são as mesmas em todos os referenciais inerciais, ou seja, que se movem uns em relação aos outros em movimento retilíneo uniforme (MRU).  Segundo Postulado

A velocidade da luz no vácuo é sempre a mesma em qualquer referencial inercial de observação. É invariável para qualquer mudança de referencial. Ou seja, não existe um sistema de referência inercial preferencial no estudo de qualquer fenômeno físico. Dessa forma, o princípio de relatividade na mecânica clássica fica generalizado para todos os processos que ocorrem na Natureza, incluindo os eletromagnéticos, o que não acontece na física newtoniana. E a velocidade da luz não depende da velocidade da fonte emissora nem da velocidade do receptor, não dependendo em nenhum aspecto do referencial inercial adotado, sendo constante e de módulo 8 3,0.10 m/s no vácuo. Para exemplificar, será adotado um exemplo da física clássica newtoniana: um veículo, A, está se movendo em MRU a 120km/h (V A) e ultrapassa um outro veículo, B, também em MRU, se movendo na mesma direção e sentido de A, a 90km/h (VB), sendo VA e VB medidas em relação à Terra. Para um observador dentro de A, B está se movendo a 30km/h (V A VB). Ambos os veículos, A e B, acendem os faróis, e ambos verão a luz a uma velocidade constante, de acordo com o Segundo Postulado. Outro ponto essencial nesta Teoria é a existência de uma quarta dimensão, o Tempo. Para Einstein, havia como dimensões a Altura, a Largura, a Profundidade, que constituíriam o conceito de Espaço, e o Tempo. Essa ideia também é uma das bases da Teoria da Relatividade Geral. Isso significa, por exemplo, que mesmo em repouso, um corpo está se movendo, só que na dimensão do Tempo, pois os segundos estão correndo continuamente. Porém, isso significaria que o tempo corre da mesma forma para corpos com velocidades constantes, mas diferentes em módulo?

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Paradoxo dos Gêmeos Considerar-se-ão dois gêmeos idênticos. Aos 15 anos, um deles parte em uma nave espacial cuja velocidade é próxima à da luz, e dali a 45 anos, o gêmeo que partiu retorna. Ao se encontrar com o irmão que ficou na Terra, verifica-se que eles envelheceram de forma diferente: o gêmeo que ficou está mais velho que o que partiu. Ora, se os irmãos nasceram praticamente ao mesmo tempo, como podem ter idades diferentes? Isso só pode ser explicado admitindo-se que o tempo é relativo, ou seja, não existe tempo absoluto. O fato de o gêmeo que partiu ter sofrido algumas acelerações e desacelerações, enquanto o outro gêmeo não, não deve ser ignorado, pois também influenciou muito para esse efeito. Dilatação Temporal e Espacial Aqui será utilizada outra situação hipotética para demonstrar os conceitos de dilatação temporal e especial na Teoria da Relatividade Especial. Um observador A encontra-se em um corpo, como um veículo, a uma 8 velocidade de 2,9.10 m/s, praticamente a velocidade da luz no vácuo, e passa por um observador B, em repouso, ambos em relação à Terra. O observador B solta uma bola de borracha no chão. Primeiramente, o observador A está se aproximando de B, quando a bola começa a cair. Como A está em repouso em relação ao veículo em que ele se encontra, movendo-se à mesma velocidade deste, tudo se passa como se este veículo (aqui considerado um ponto material) estivesse parado e o mundo estivesse “correndo para trás”.  Deformação Espacial

Para A, a bola não pareceria redonda, e sim achatada verticalmente, na direção de seu movimento. B continuaria a ver a bola normalmente.

Fig. 1: Contração Espacial (ou Contração de Lorentz-Fitzgerald) sofrida pela bola

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Deformação Temporal

Para A, a bola demoraria mais para cair. Esse efeito significa que para um relógio em movimento, o tempo passa mais devagar. Quanto maior a velocidade do corpo, mais devagar o tempo passa para ele. Supondo que houvesse um relógio bem ao lado de B:

Fig 2: Dilatação Temporal

Para baixas velocidades, não comparáveis à da luz, ainda ocorrem os fenômenos de dilatação temporal e espacial, porém seus efeitos são extremamente menos perceptíveis. Portanto, o tempo é relativo. Respondendo à pergunta de Einstein, caso viajássemos em um raio de luz, ou seja, com velocidade constante igual à da luz no vácuo, e de forma retilínea, seria como se o tempo parasse, simplesmente deixasse de passar, pois quanto mais próxima da velocidade da luz, mais o tempo medido tende a zero.

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A ideia de que a velocidade da luz é a mesma para todos os observadores conduz a alguns resultados surpreendentes. Por exemplo, dois eventos que um observador considera simultâneos geralmente não parecerão acontecer ao mesmo tempo do ponto de vista de um outro observador. Se um observador pensa que um evento α e o evento β ocorrem simultaneamente, um segundo pensará que α aconteceu primeiro, enquanto um terceiro vai concluir que β foi primeiro. Isso pode ser ilustrado por um experimento mental. Supõe-se que um navio está navegando junto à costa numa noite escura e que se vejam relâmpagos em dois lugares ao longo do litoral. Considera-se em seguida que um observador está postado na praia num ponto intermediário entre os dois relâmpagos. Como a luz de cada um dos relâmpagos o atinge ao mesmo tempo, conclui que são simultâneos. Agora, o navio também está equidistante dos dois relâmpagos e que está se afastando de um deles e rumando em direção ao outro. Como o navio está se afastando de um conjunto de ondas de luz e se aproximando de outro, um observador a bordo não verá os dois relâmpagos simultaneamente. Um deles chegará uma minúscula fração de segundo mais cedo. Mas o observador no navio tem tanto direito a se considerar imóvel como a pessoa na praia. E se um clarão é visto antes do outro, tem toda razão ao concluir que esse relâmpago ocorreu primeiro. Na prática, a diferença entre os tempos de chegada dos dois relâmpagos seria pequena demais para ser medida. Contudo, se dois clarões fossem vistos por um observador numa nave espacial que se deslocasse com uma fração considerável da velocidade da luz (comparado a algum observador "estacionário"), a diferença poderia ser bastante grande. Se os clarões fossem suficientemente distanciados um do outro, e a velocidade do observador suficientemente grande, a diferença poderia ser uma questão de anos. O observador "estacionário", no entanto, poderia vê-los como acontecendo ao mesmo tempo (a palavra estacionário está entre aspas porque este é um conceito arbitrário. Qualquer observador que não está sendo acelerado pode se considerar estacionário). Quando um objeto tridimensional é visto de diferentes ângulos, as imagens visuais que ele produz mudam. Por vezes, é dito que é possível vêlo de diferentes perspectivas. A teoria da relatividade de Einstein diz que podemos ver também o tempo de diferentes perspectivas. A ordem temporal de dois eventos pode parecer diferente para diferentes observadores segundo seu estado de movimento. Mas a ordem temporal de dois eventos nem sempre pode ser invertida. Se estiverem suficientemente próximos um do outro no espaço, ou suficientemente distantes um do outro no tempo, todos os observadores verão um acontecer antes do outro. Não há, por exemplo, nenhum estado de movimento possível capaz de levar um observador a concluir que a bomba atômica foi lançada sobre Hiroshima antes do ataque a Pearl Harbor. E não há nenhum estado de movimento possível capaz de levar um observador a ver um batedor golpear uma bola de beisebol antes de o lançador fazer seu arremesso. Ou pelo menos isso não pode acontecer se o observador estiver se movendo com velocidade menor que a da luz.

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Outro fator que pode modificar a passagem do tempo é a gravidade: ela retarda o tempo, como será demonstrado mais a frente. Uma das mais importantes descobertas de Einstein a partir da Teoria de Relatividade Especial foi a percepção de como Energia e Matéria se relacionavam intimamente, da mesma forma que espaço e tempo, através da célebre equação: Onde: E = energia m = massa c = velocidade da luz no vácuo Essa relação demonstra que massa pode ser convertida em energia e vice-versa, o que explica a radioatividade e o poder tão grande de destruição das bombas nucleares, pois, mesmo estando em repouso e não submetido à ação de nenhuma força, um corpo possui energia só pelo fato de possuir massa, e durante a fissão nuclear, por exemplo, essa enorme quantidade de energia é liberada de forma não controlada. Outra dedução a partir desta fórmula é a que a energia tem massa, portanto, tem peso e inércia: é ligeiramente mais difícil empurrar um corpo mais quente que o mesmo mais frio, e mais quente, ele também pesa mais que mais frio. Mas isso só é perceptível quando a energia, no caso térmica, é comparável à energia equivalente da massa total do corpo. Porém, a Teoria da Relatividade Especial não se aplica a movimentos acelerados nem a trajetórias não retilíneas. Por exemplo, por que um homem não sente o próprio peso ao cair de um telhado? Depois de muitos anos trabalhando nela, Einstein conseguiu formular uma teoria que se aplicasse a tudo: a Teoria da Relatividade Geral. Teoria da Relatividade Geral Einstein demorou onze anos para elaborar uma teoria da relatividade realmente abrangente, que incluía até mesmo a Gravidade. Ao desenvolver a Teoria da Relatividade Especial, Einstein percebeu que o espaço e o tempo são intimamente relacionados. Entrelaçados, eles formam algo muito parecido com a trama de um tecido invisível e tetradimensional chamado espaço-tempo. Grandes massas tem o poder de “encurvar” o espaço-tempo. Como analogia, podemos considerar um colchão macio com um objeto de grande massa por cima, como uma bola de boliche. O colchão vai afundar por baixo e em volta daquela massa, formando uma curva.

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Fig 3: Analogia: a cama eléstica representa o tecido espaço-tempo e o rapaz, a grande massa

Essa curvatura no espaço-tempo é a responsável, entre outras coisas, pela força de atração que grandes massas exercem: a Gravidade. Na realidade, não existe uma força que “puxe”a Terra para o Sol, e sim a curvatura que o Sol provoca no espaço-tem/po, que faz com que a Terra fique girando “à volta dessa curva”, como se fosse formado um escorregador gigantesco à volta do Sol e a Terra ficasse a escorregar por ele. Seria o mesmo princípio no caso do colchão: se fossem lançadas pequenas esferas, como bolinhas de gude, na direção da curvatura, suas trajetórias não seriam retílineas, seriam curvas, que dependendo da distância a que passassem, poderiam apenas ter suas trajetórias um pouco alteradas ou sofrer uma total mudança de direção no movimento.

Fig 4: Deformação causada pela Terra no espaço-tempo

Fig 5: A atração de corpos é causada por distorções no espaço-tempo

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Não são apenas corpos que obedecem a essa característica da curvatura do espaço-tempo. A luz, segundo Einstein, também tem sua trajetória alterada.

Fig 6: A luz também segue uma curvatura no espaço-tempo

Fig 7: Ondas emitidas pela sonda se curvam ao passar próximas ao Sol

Como foi dito anteriormente, a gravidade, ou mais especificamente, as curvas no espaço-tempo, retardam o tempo. Um relógio no topo de um arranha-céu anda mais depressa que um no chão, ao nível do mar.

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Isso ocorre porque esse tecido é um entrelaçamento do espaço e do tempo, portanto, ambos sofrem distorções. Se considerarmos que a Terra tem massa suficiente para curvar o espaço-tempo, como na fig. 4, podemos considerar que há uma diferença na curvatura de acordo com a altura do relógio.

Fig 8: Diferentes pontos no espaço tempo

Como é possível visualizar na fig. 8, em cada ponto diferente do espaço-tempo, a curvatura pode ser mais ou menos acentuada. É perceptível que o ponto P2 é menos curvo que P3, ou que P6 está sofrendo maior “atração” que P5, por estar mais curvado e próximo ao corpo. Pois bem, é essa diferença de curvatura, se é mais acentuada ou não, que provoca a dilatação temporal. Hipoteticamente, se fosse possível extrair e analisar um segmento deste “tecido”, um segmento do Tempo, por exemplo, em que uma de suas pontas marcasse 2s e a outra, 3s (∆t = 1s), este segmento seria como um elástico. Reintegrado ao tecido espaço-tempo, mas ainda com a marcação, seria possível notar que, conforme uma grande massa o encurva, ambos os pontos do tecido, 2s e 3s, se distanciam, porém, o ∆t continua sendo igual a um segundo. É como se aumentasse o comprimento (a distância) entre 2s e 3s, portanto, é como se antes de o segmento ser esticado pela curvatura causada pela massa, ele tivesse uma distância menor a ser percorrida, ou seja, aquele ∆t = 1s passaria mais depressa do que após ser curvado, pois ele seria mais curto. Depois da curvatura, o mesmo segmento seria mais longo, portanto o mesmo ∆t = 1s demoraria mais a passar. Se tomarmos as curvaturas da fig. 8 como de um mesmo trecho do espaço-tempo, é como se P3 e P4 representassem o segmento descrito, e após ser submetido à ação de uma massa maior como na terceira imagem, passassem a ser os pontos P9 e P10. É o mesmo segmento, porém mais “esticado“. Quanto mais próximo ao corpo de grande massa, mais acentuada a curvatura no espaço e no tempo, por essa razão um relógio ao nível do mar, no chão, andaria mais devagar: o tempo estaria mais esticado, mais dilatado, e um segundo demora mais a passar do que em um relógio no topo de um arranha-céu - este estaria mais distante do corpo causador da curvatura (a Terra) e o trecho do tecido espaço-tempo estaria menos esticado, menos dilatado, e um segundo passaria mais rapidamente.

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Através de cálculos e experiências, foi comprovado que a trajetória da luz segue a curvatura do espaço-tempo. Como o Universo está repleto de corpos de grandes massas, além dele próprio ter uma densidade grande o bastante para curvá-lo até fechar, pode-se considerar que seria impossível existirem trajetórias completamente retilíneas. Assim sendo, todos os movimentos, incluindo o caminho que a luz percorre, tem no mínimo uma componente da aceleração diferente de zero, a angular, pois todas as trajetórias seguem as curvas do espaço-tempo. Se um veículo for acelerado de forma equivalente à gravidade na Terra, por exemplo, uma pessoa que estivesse neste veículo não poderia afirmar que está na superfície da Terra ou em algum outro lugar do universo. Para ilustrar, considere-se uma nave viajando no espaço com uma aceleração constante de módulo 9,8 m/s², o mesmo valor da aceleração gravitacional na Terra. Se uma pessoa, em repouso relativamente a essa nave, deixar uma bola cair em queda livre, essa bola levará o mesmo tempo para cair que levaria na Terra. Portanto, conclui-se que gravidade e aceleração são equivalentes. Ora, se todos os movimentos possuem uma componente da aceleração diferente de zero, ela age como a gravidade. Para aumentar a velocidade, é necessário aumentar também a aceleração. Se aumentar a aceleração, será provocada uma distorção no espaço-tempo que levará à dilatação temporal. Por essa razão, quanto maior a velocidade de um corpo, mais devagar o tempo passará para ele. Porém, essa Teoria só pode ser comprovada através de um eclipse solar total. Einstein precisava de um evento em que algo com massa suficiente pudesse curvar o espaço-tempo, assim curvar a trajetória da luz, e ser observado da Terra. O Sol seria esse “algo” perfeito, porém sua claridade impediria que o cientista completasse seu objetivo: de acordo com a Relatividade Geral, devia ser possível enxergar o brilho de uma estrela que estivesse atrás do Sol, pois a luz dessa estrela acompanharia a curva provocada pelo Sol e chegaria à Terra. A oportunidade seria um eclipse solar total, em que o brilho do Sol seria encoberto pela Lua, e o céu ficaria escuro o suficiente para enxergar o brilho de uma dessas estrelas atrás do Sol. Após algumas tentativas fracassadas de fotografar o eclipse, em 1919, uma equipe inglesa teve sucesso em seu intento, e em Sobral, Ceará, obtiveram a comprovação da Teoria da Relatividade Geral durante um eclipse solar total.

Fig 9: Foto do eclipse solar de Sobral

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Entre algumas conclusões possibilitadas pela Relatividade Geral:  Buracos Negros

Buracos Negros regiões que concentram tão grande quantidade de matéria em um espaço tão pequeno, que se tornam extremamente densas. Isso causa uma deformação no espaço-tempo tão acentuada, ou seja, o lugar possui uma gravidade tão grande, que nada pode escapar dali, nem mesmo a luz. Se alguém observasse uma outra pessoa caindo em um buraco negro, por exemplo, nunca a veria chegar ao horizonte, pois a luz que o permite vêla, demoraria mais tempo para escapar do buraco e chegar ao observador, além do fato de a gravidade ser tamanha que provocaria uma megadilatação no tempo e espaço, e seria suficiente para despedaçar essa outra pessoa caindo no buraco negro. A borda de um buraco negro é chamada de horizonte de eventos, e ela marca o limite de onde não se pode mais voltar. Recentes descobertas de Stephen Hawking provaram que, com o passar do tempo, os buracos negros deixam escapar partículas e radiação, e assim vão diminuindo. Se um computador super potente conseguisse acelerar o tempo e reunir as partículas, poderia reconstituir o que estava no buraco negro e saber o que estava dentro dele.

Fig 10: Diferentes massas curvando o espaço-tempo / buraco negro

Campos de força

São distorções na estrutura do espaço-tempo.  Viagens no Tempo

Muitas pessoas sustentam que seria possível viajar no tempo se fosse possível ultrapassar a velocidade da luz, acreditam que nesse caso, o fluxo dos eventos e do tempo deveria voltar atrás. Em teoria, talvez isso realmente acontecesse, mas a grande maioria dos cientistas modernos descarta a possibilidades de conseguir acelerar um corpo a uma velocidade maior que a da luz.
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Energia escura

Esse termo designa uma matéria incapaz de produzir energia, ou seja, incapaz de emitir radiação eletromagnética. Ela constituI uma excessão à Teoria da Relatividade, pois a equação E = m.c² se torna inválida. Equações de Campo de Einstein A Equação de Campo de Einstein é uma equação que descreve como a matéria gera gravidade, e inversamente, como a gravidade afeta a matéria, assim, como a curvatura do tecido pela matéria dá lugar à gravidade. A equação da gravidade de Einstein se reduz à lei de Newton da gravidade no limite não-relativista, isto é, à velocidades baixas e campos gravitacionais pouco intensos. Na equação, a gravidade se dá em termos de um tensor métrico, uma quantidade que descreve as propriedades geométricas do espaço-tempo tetra dimensional. A matéria é descrita por seu tensor de energia-momento, uma quantidade que contém a densidade e a pressão da matéria. Esses tensores são tensores simétricos 4x4, de modo que têm 10 componentes independentes. Dada a liberdade de escolha das quatro coordenadas do espaço-tempo, as equações independentes se reduzem a seis. A força de acoplamento entre a matéria e a gravidade é determinada pela constante gravitacional universal. A equação do campo se apresenta como se segue (: tensor que representa a curvatura de Einstein, equação diferencial de segunda ordem em termos do tensor métrico ):

(1) Onde: : tensor de energia-momento : constante de acoplamento : velocidade da luz : constante garvitacional O tensor da curvatura de Einstein se pode escrever como:

(2) : tensor de curvatura de Ricci : escalar da curvatura de Ricci : constante cosmológica

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Portanto, substituindo-se (2) em (1), a equação de campo também pode ser representada como:

(3) Se o tensor de energia-momento eletromagnético, ele pode ser considerado: é aquele de um campo

(4) : permeabilidade do vácuo (constante magnética: 0,0000012566 H/m) G: tensor intensidade de campo ou tensor de Faraday, escrito como uma matriz 4x4 (4) em (3):

(5) Neste caso, as equações de campo passam a se chamar equações de Einstein-Maxwell.

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Bomba Nuclear
Contexto histórico A descoberta do nêutron, no ano de 1932, mudou totalmente os métodos utilizados para estudar as propriedades do núcleo atômico. Ernest Rutherford, físico inglês que viveu entre os anos de 1871 e 1937, fez inúmeras pesquisas investigativas sobre a estrutura do átomo utilizando as partículas alfa. Nos anos 30, inúmeras descobertas revelaram aspectos inesperados em relação ao núcleo do átomo. Ao bombardear átomos de urânio com nêutrons, cientistas como Otto Hahn e Lise Meitner, provaram que o núcleo desse átomo, formado por 92 prótons, é dividido em núcleos menores e descobriram ainda que o urânio pode fissionar em bário criptônio, respectivamente com 56 e 36 prótons no núcleo. Com essas descobertas os cientistas perceberam que era possível criar uma reação em cadeia com capacidade para gerar grandes quantidades de energia e que, se ela ocorresse de forma descontrolada, em uma fração de segundos a liberação de energia seria gigantesca, provocando dessa forma uma explosão de alto poder destrutivo. Após essas descobertas surgiu uma nova arma: a bomba nuclear, cujo poder destrutivo é altíssimo. Na época da Segunda Guerra Mundial, já se tinha o conhecimento necessário para a construção da bomba nuclear. No ano de 1941, os Estados Unidos entram na Segunda Guerra Mundial após o incidente de Pearl Harbor. A Europa estava um caos e Hitler já havia invadido vários países. Mediante esse ataque surpresa, os EUA iniciaram uma operação ultra-secreta num laboratório localizado no Novo México para construção de uma bomba atômica. Em julho de 1945, foram realizados os primeiros testes para a detonação da bomba atômica. Muitos que presenciaram os testes sabiam que a partir daquele instante a humanidade não seria a mesma. Nesse mesmo ano os nazistas se renderam, mas os japoneses não fizeram o mesmo. Dessa forma, os aviões norte-americanos bombardearam a cidade de Tóquio com bombas incendiárias matando milhares de pessoas. Em uma decisão trágica, o presidente Harry Truman autorizou o uso da bomba atômica com argumento de que a invasão por terra causaria a morte de milhões de vidas americanas e japonesas. Com a autorização para o ataque, no dia 16 de agosto de 1945, a bomba atômica - apelidada de “Garotinho” - foi lançada sobre os céus de Hiroshima, matando milhares civis e marcando a história como o primeiro ataque atômico. Foi a partir dessa guerra e desse acontecimento que a ciência passou a receber verbas para pesquisas, muitas delas diretamente do governo. Se por um lado a fissão nuclear proporcionou o desenvolvimento da bomba atômica, por outro ela favoreceu o desenvolvimento da fissão nuclear controlada, que é utilizada nos reatores nucleares e em várias aplicações na medicina.

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Einstein e a Bomba Nuclear Einstein ganhou o Prêmio Nobel de Física em 1921 pelo Efeito Fotoelétrico e jamais trabalhara em física nuclear. Fugindo da Alemanha nazista, chega aos EUA em 17 de outubro de 1933, época em que se interessa por três temas: teoria da relatividade geral, teoria do campo unificado e fundamentos da mecânica quântica. Era, por assim dizer, "quase-ignorante" em física nuclear. Em 14 de março de 1939, ao completar sessenta anos, Einstein deu uma entrevista ao New York Times, na qual declarava não acreditar que a energia liberada no processo de divisão do átomo pudesse ser usada para fins práticos. Em julho, depois de ouvir os comentários de Szilard e Wigner, e convencido de que os alemães poderiam fabricar uma bomba nuclear, ele exclamou: "jamais pensei nisso". Em 2 de agosto, Einstein escreveu a famosa carta para o Presidente Roosevelt, alertando-o para a possibilidade da bomba nuclear alemã. Aparentemente, esta carta não causou grande impressão no governo norteamericano; os recursos destinados para as pesquisas sobre fissão nuclear eram insignificantes. Por sugestão de alguns cientistas, Einstein escreveu outra carta para Roosevelt, em 7 de março de 1940. Mais uma vez, o Presidente não foi significativamente influenciado, pois só decidiu iniciar o projeto Manhattan em outubro de 1941. Carta Einstein-Szilárd A Carta Einstein-Szilárd foi uma carta enviada ao presidente Franklin Delano Roosevelt em agosto de 1939, assinada por Albert Einstein, mesmo que grande parte tenha sido escrita por Leó Szilard, em consulta com os físicos Edward Teller e Eugene Wigner. A carta alertava Roosevelt que a Alemanha Nazista poderia estar conduzindo pesquisas para o uso da fissão nuclear para a criação de bombas atômicas, e sugeria que os Estados Unidos deveria iniciar pesquisas próprias sobre o tema. Um trecho da carta (fig. 1): No curso dos últimos quatro meses foi-se provado — pelo trabalho de Joliot na França assim como o de Fermi e Szilard na América — que pode ser possível provocar uma cadeia de reações nucleares numa grande massa de urânio, no qual grandes quantidades de poder e um novo tipo de radiotividade seriam geradas. Agora parece quase certo que isso poderá ser atingido num futuro próximo. Esse novo fenômeno poderia ser usado na construção de bombas, e é concebível — apesar de haver muita pouca certeza — que bombas extremamente poderosas poderiam assim ser construídas. Uma única bomba desse tipo, levada por um barco e detonada num porto poderia muito bem destruir todo o porto e alguma parte da sua área adjacente. Contudo, tais bombas podem muito bem acabar por serem muito pesadas para o transporte aéreo.

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Fig. 1

A carta foi assinada por Einstein em 2 de agosto, contudo, ela só foi lida em 11 de outubro devido a preocupação do presidente com a invasão germânica da Polônia, que viria a iniciar a Segunda Guerra Mundial. Após ouvir um resumo de Sachs da carta, Roosevelt autorizou a criação do Comitê Consultivo do Urânio. A primeira reunião do comitê ocorreu em 21 de outubro, liderada por Lyman Briggs, presidente do National Bureau of Standards. $6.000 foram disponibilizados para experiências com o nêutron, feitas por Enrico Fermi na Universidade de Chicago. A carta é frequentemente vista como uma das origens do Projeto Manhattan, o bem sucedido projeto nuclear que viria a produzir as bombas lançadas em Hiroshima e Nagasaki em 1945. Apesar de não ter trabalhado no projeto atômico, de acordo com Linus Pauling, Einstein mais tarde teria se arrependido de ter assinado a carta. Projeto Manhattan A partir da carta de Einstein, o presidente Roosevelt reuniu um grupo de cientistas e militares para discutir maneiras de desenvolver a bomba. O Projeto Manhattan foi a resposta a este desafio, custando mais de U$2 bilhões aos cofres públicos americanos, e envolveu um número sem precedentes de físicos, químicos, engenheiros e técnicos. Apesar da grande notoriedade de Einstein e de sua contribuição indireta para a construção da primeira bomba atômica por meio da fórmula E = mc2, o cientista não participou diretamente do Projeto Manhattan. Na ocasião, o Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (Federal Bureau of Investigation – FBI) e a agência de inteligência do exército alegaram que Einstein não era suficientemente confiável, já que, desde sua chegada aos Estados Unidos, mantinha um discurso em favor do pacifismo e da união entre os povos.

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O primeiro e decisivo teste da bomba nuclear de plutônio (com 60 cm de diâmetro, 180 cm de comprimento e quatro toneladas de peso) ocorreu em 16 de junho de 1945, no deserto do Novo México em uma área isolada. Três semanas após os testes no deserto norte-americano, caiam sobre Hiroshima e Nagasaki em 6 e 9 de agosto de 1945, respectivamente, as bombas atômicas, mesmo sem ter sido dada a chance do país se render. Depois dos bombardeamentos, Einstein afirmou que ter enviado a carta teria sido o “maior erro de sua vida”. Einstein ainda destacou sua defesa pela paz: ―Minha responsabilidade na questão da bomba atômica se limita a uma única intervenção: escrevi uma carta ao Presidente Roosevelt. Eu sabia ser necessária e urgente a organização de experiências de grande envergadura para o estudo e a realização da bomba atômica. Eu o disse. Conhecia também o risco universal causado pela descoberta da bomba. Mas os sábios alemães se encarniçavam sobre o mesmo problema e tinham todas as chances de resolvê-lo. Assumi, portanto, minhas responsabilidades. E, no entanto, sou apaixonadamente um pacifista e minha maneira de ver não é diferente diante da mortandade em tempo de guerra e diante de um crime em tempos de paz‖. Fissão Nuclear A figura 2 mostra um diagrama de um processo chamado Fissão Nuclear. A fissão nuclear é uma reação que ocorre no núcleo de um átomo. Geralmente o núcleo pesado é atingido por um nêutron, que, após a colisão, libera uma imensa quantidade de energia. No processo de fissão de um átomo, a cada colisão são liberados novos nêutrons. Os novos nêutrons irão colidir com novos núcleos, provocando a fissão sucessiva de outros núcleos e estabelecendo, então, uma reação que denominamos reação em cadeia. Para entendermos melhor o que é uma fissão nuclear, devemos estudar alguns conceitos básicos. São eles os conceitos de Isótopo, massa crítica e instabilidade nuclear.

Fig. 2

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Isótopo

Isótopos são átomos de um mesmo elemento químico que possuem, em seu núcleo, diferentes números de nêutrons do elemento original. Assim, o urânio tem uma massa atômica 238, sendo o seu isótopo o U-235 - o que significa que em seu núcleo possui três nêutrons a menos.A partir disso, poderemos compreender as superbombas.  Massa crítica

Como o urânio 235 é muito instável, a simples concentração de uma quantidade (por volta de 3,5 quilos) pode iniciar essa reação. A essa massa mínima, suficiente para iniciar o processo, dá-se o nome de massa crítica. A simples obtenção de massa crítica não necessariamente a fará explodir, mas a sua temperatura pode alcançar milhares de graus e, como numa bomba, acontecerão emissões alfa, beta e gama (vide radioatividade).

 Instabilidade Nuclear
Diz-se que um átomo é instável quando uma população deles apresenta uma transmutação acelerada (ou seja, emitem radiação com alta velocidade). Uma maneira de medir a instabilidade é determinar o tempo de meia- vida do elemento (tempo gasto para que sua concentração chegue à metade). Quanto maior for a instabilidade nuclear, maior será a probabilidade para que o núcleo sofra uma transformação capaz de alterar seu número atômico. Esse decaimento (alteração de Z) é chamado de transmutação. A transmutação radioativa se faz pela emissão de energia sob a forma de radiações alfa e beta, as quais podem estar acompanhadas por emissão gama. Os núcleos instáveis, ao perderem energia, aumentam os seus graus de estabilidade. Um parâmetro importante para analisar a estabilidade de um núcleo é a razão entre o número de prótons e o número de nêutrons. Por um lado, a falta de nêutrons pode tornar a distância entre prótons tão pequena que a repulsão se torna inevitável, resultando na fissão do núcleo. Por outro lado, como a força nuclear é de curto alcance, o excesso de nêutrons pode acarretar uma superfície de repulsão eletromagnética insustentável, que também resultaria na fissão do núcleo. Assim, um dos principais fatores para a estabilidade do núcleo é que tenhamos N = Z. Quando o isótopo urânio-235 (235U) recebe um nêutron, ele passa para um estado excitado que corresponde ao urânio-236 (236U). Pouco tempo depois esse novo núcleo excitado se rompe em dois novos elementos. Esse rompimento, além de liberar novos nêutrons, libera uma grande quantidade de energia. Os nêutrons provenientes do rompimento do núcleo excitado vão encontrar novos núcleos, gerando, portanto, uma reação em cadeia (figura 3). A fim de que os novos nêutrons liberados encontrem novos núcleos, para assim manter a reação em cadeia, após a fissão do núcleo de urânio, deve-se ter uma grande quantidade de urânio-235. Como a concentração de urânio-235 no mineral urânio é pouca, obtém-se o urânio 235 em grande escala através do processo de enriquecimento do urânio.
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Fig. 3

A fissão nuclear de um átomo de urânio libera grande quantidade de energia, cerca de 200 Mev. Se for descontrolada, a reação será explosiva – é o que acontece com as bombas nucleares. Bomba Nuclear O termo fissão significa quebra. Então, na bomba de fissão, ou bomba atômica, o núcleo de um átomo se rompe. O isótopo de urânio 235, por ter três nêutrons a menos, captura nêutrons livres que se tornam altamente instáveis. Esta instabilidade é tamanha que ele se quebra em dois outros (bário e criptônio) e libera três nêutrons, gerando uma quantidade enorme de energia. Esses três nêutrons tendem a romper outros três núcleos, os quais libertarão nove nêutrons, que libertarão 27 e, assim, sucessiva e exponencialmente. Se essa reação for muito rápida, ocorre uma grande explosão. Bombardeando urânio com nêutrons, os cientistas tentavam obter elementos transurânicos. Foi desta forma que, em 1938, Hahn e Strassmann, na Alemanha, acabaram por fissionar (quebrar) urânio (235U). Frisck e Lise Meitner interpretaram as experiências de Hahn afirmando que, se um núcleo pesado sofre fissão, obtêm-se átomos de massa mediana e enorme quantidade de energia. A física Lise Meitner saiu da Alemanha por causa do nazismo. Ela foi para a Dinamarca levando consigo algumas informações sobre a cisão nuclear. Essas informações foram posteriormente divulgadas em Washington durante uma reunião de físicos. Com isto, outros cientistas executaram experimentos e constataram a "quebra" do núcleo do urânio através de nêutrons. 235U + 1n => 141,56Ba + 92,36Kr + 3n
Equação que mostra o processo de ―quebra‖ do isótopo de urânio 235

Nessa quebra, vários produtos de fissão são possíveis, ou seja, temos diversas reações nucleares ocorrendo simultaneamente. Em qualquer quebra são liberados nêutrons (2 ou 3), que como desencadeantes da fissão provocam novas reações em cadeia (figura 4). Essas reações podem ser usadas na bomba atômica.
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A primeira bomba atômica foi detonada em uma região desértica do Novo México (julho de 1945), comprovando-se sua incrível potência.

Fig. 4

Porém, suas consequências desastrosas se fizeram sentir em 6 de agosto de 1945. Nessa ocasião, contrariando a posição de um conjunto de cientistas, os Estados Unidos detonaram a bomba em Hiroshima e logo depois em Nagasaki (Japão). A bomba de Hiroshima ocasionou a morte de aproximadamente 70 000 pessoas e devastou completamente 9 quilômetros quadrados. Na bomba de Hiroshima foi usado o 235U e na de Nagasaki o 239Pu. Porém, em qualquer dos casos há formação de novos elementos, os quais também podem ser radioativos. Devido aos efeitos nocivos das radiações, os habitantes de Hiroshima e Nagasaki foram vitimas de vários problemas de saúde. Houve inúmeros casos de crianças que nasceram defeituosas em conseqüência de alterações genéticas e muitos casos de leucemia, só para citar alguns exemplos. A bomba de Hiroshima tinha potência equivalente a 20 000 toneladas do explosivo químico TNT (trinitrotolueno) - 20 quilotons.

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