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A INFLUÊNCIA DA POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS NA FORMALIZAÇÃO DO TRABALHO DOS CATADORES DE RECICLÁGEM

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TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO DE GRADUAÇÃO DE SERVIÇO SOCIAL
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UNIVERSIDADE PAULISTA

ADRIANA TEIXEIRA SIMONI

A INFLUÊNCIA DA POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS NA FORMALIZAÇÃO DO TRABALHO DO CATADOR DE PRODUTOS RECICLÁVEIS

Trabalho de conclusão de curso para obtenção do título de graduação em Serviço Social apresentado à Universidade Paulista – UNIP.

Orientador: Profª Luciana Helena M. Lopes

São Paulo 2012

FICHA CATALOGRÁFICA

SIMONI, Adriana Teixeira. A influência da Política Nacional na formalização do trabalho do recicláveis/Adriana Teixeira Simoni.

de Resíduos Sólidos catador de produtos

Trabalho de conclusão de curso sob orientação da Professora Luciana Helena M. Lopes - São Paulo/SP – Universidade Paulista – UNIP, 2012, 69 fls. Volume único.

ADRIANA TEIXEIRA SIMONI

A INFLUÊNCIA DA POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS NA FORMALIZAÇÃO DO TRABALHO DO CATADOR DE PRODUTOS RECICLÁVEIS

Trabalho de conclusão de curso devidamente aprovado como fundamento para obtenção do Grau de Bacharel em Serviço Social no curso de Serviço Social da UNIP – Universidade Paulista.

Data de Aprovação 29/06/2012

BANCA EXAMINADORA ______________________________ Professor UNIP – Universidade Paulista ______________________________ Professor UNIP – Universidade Paulista ______________________________ Professor UNIP – Universidade Paulista

SÃO PAULO 2012

DEDICATÓRIA

Dedico esse trabalho de conclusão de curso a meu pai que apesar de não estar mais aqui presente, sinto que de onde me cuida, aprecia com profundo orgulho.

AGRADECIMENTOS

Quero, em primeiro lugar agradecer a DEUS, a luz, a energia que me encaminhou para realizar esse sonho, pois como diz o ditado antes tarde do que nunca, e, sendo assim, hoje realizo o sonho de desenvolver junto a categoria de catadores de reciclagem algo que elucidará formas de no futuro desenvolver junto a eles algo mais significante. A Assistente Social minha supervisora de campo Alessandra Krause, meus sinceros agradecimentos por ter-me aberto o caminho de possibilidades para que eu pudesse realizar esse trabalho com suas orientações e material cedidos. Ao minha orientadora, Professora Luciana Lopes, agradeço o empenho e a paciência ao conduzir-me durante essa pesquisa. A José Flavio do Val Simoni pela paciência, compreensão e por suas opiniões e principalmente pelo apoio financeiro que ajudou a concretizar esse sonho. Aos meus colegas de turma agradeço a solidariedade e apoio. E a minha colega e amiga Maria Goreti Dellallibera Modesto em especial, agradeço sua boa vontade sua paciência e apoio. Por último, mas não menos importante o meu profundo agradecimento aos membros da Coopervida – Cooperativa de Trabalho Vida Nova Mogi Mirim pela atenção que me acolheram durante a pesquisa e também a todos os catadores de recicláveis entrevistados em seus locais de trabalho, pelas ruas da cidade de Mogi Mirim.

EPIGRAFE

Só uma sociedade bem informada a respeito da riqueza, do valor e da importância da biodiversidade é capaz de preservá-la. Informada a sociedade saberá o que fazer e o que não fazer. Saberá impedir que aconteçam coisas que ameaçam a biodiversidade. Saberá transformá-la em um tema decisivo na política. Washington Novaes Jornalista

Não és bom, nem és mau: és triste e humano... Vives ansiando, em maldições e preces, Como se, a arder, no coração tivesses O tumulto e o clamor de um largo oceano. Pobre, no bem como no mal, padeces; E, rolando num vórtice vesano, Oscilas entre a crença e o desengano, Entre esperanças e desinteresses. Capaz de horrores e de ações sublimes, Não ficas das virtudes satisfeito, Nem te arrependes, infeliz, dos crimes: E, no perpétuo ideal que te devora, Residem juntamente no teu peito Um demônio que ruge e um deus que chora.

Dualismo Olavo Bilac

RESUMO

O presente trabalho procurou demonstrar como a Lei n º 12305 de agosto de 2010 que instituiu a nova Política Nacional de Resíduos Sólidos pode influenciar na inclusão dos catadores de reciclagem ao mercado de trabalho. Proporcionando a esses sujeitos elevação de sua condição econômica e social além de demonstrar o quanto podem contribuir para que essa mesma sociedade que os marginaliza também usufrua de maior qualidade de vida, através de sua ação interventiva junto ao ambiente em que todos compartilham. Dentro desse trabalho percorremos estudos e abordagens referentes à informalidade, o lixo reciclável, o profissional catador de reciclagens, o que os leva a essa atividade de catação, aspectos sobre a economia solidária e o cooperativismo. Ressaltamos possibilidades para uma articulação entre o serviço social e a Nova Política Nacional de Resíduos Sólidos comprovando constituir eficiente alternativa para o melhor equilíbrio na geração de emprego e renda e diminuição de vulnerabilidades sociais na qual os catadores de reciclagem estão propensos. A pesquisa permitiu visualizar um novo desafio aos Assistentes Sociais quanto aos problemas socioambientais envolvidos nessa pesquisa, onde foram estudados os catadores informais e os cooperativados que se encontram envolvidos tanto com o “lixo” quanto as inúmeras vulnerabilidades sociais que esse trabalho pode incorrer, descortinando várias aberturas de intervenção desses profissionais proporcionando maior crescimento social a esses sujeitos estudados. Os estudos demonstram também a necessidade do compromisso da sociedade dentro desse mote para que haja o efetivo sucesso da nova Política Nacional de Resíduos Sólidos reconhecendo na educação ambiental um dos fatores de intervenção para que outras políticas públicas venham contribuir associadas a Assistência social, permitindo assim empoderamento social e pleno exercício da cidadania a esses sujeitos marginalizados pela sociedade na atividade que exercem junto a catação de materiais recicláveis.

Palavras-chave: Catadores de reciclagem, cooperativas, educação ambiental.

ABSTRACT

The present study sought to demonstrate how the Law No. 12305 of August 2010 which introduced the new National Policy on Solid Waste can influence the inclusion of recycling scavengers to the labor market. Providing these subjects lifting their economic and social as well as demonstrate how they can contribute to that same society that marginalizes them also enjoy higher quality of life, through its action intervening with the environment in which everyone shares. In this work we go through studies and approaches related to informality, recyclables, professional groomer for recycling, which leads to this scavenging activity, aspects of the social economy and cooperative. We point out possibilities for a link between social services and the New National Policy on Solid Waste proving effective alternative to provide the best balance in creating jobs and income and reduced social vulnerabilities on which the collectors are likely recycling. The research allowed to view a new challenge to social workers about the social and environmental problems involved in this research, where studies on the informal collectors and cooperative members who are involved with both the "junk" as the numerous vulnerabilities that social work can incur, revealing several openings greater involvement of such professionals providing social growth to these subjects. The studies also demonstrate the need for the commitment of society within this theme so there is the actual success of the new National Policy on Solid Waste environmental education in recognizing one of the factors of intervention so that other public policies may help associated with social assistance, thus empowering social and full exercise of citizenship to these individuals marginalized by society engaged in the activity with scavenging recyclable materials.

Keywords: Collectors of recycling cooperatives, environmental education.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 10 CAPITULO I 1. A descatabilidade uma ameaça a sustentabilidade ambiental .............................................. 12 1.1 Lixo , Resíduo de Volume e Valor Legítimos ......................................................................... 12 1.2 Reciclagem - Solução , Economia e lucratividade...................... .......................................... 15 1.3 Catadores de reciclagem: da invisibilidade a provedores de sustentabilidade ................... 19 CAPITULO II 2. INVISIBILIDADE E RECONHECIMENTO SOCIAL DENTRO DA QUESTÃO SOCIOAMBIENTAL ... 24 2.1 Única Cooperativa de Recicláveis de Mogi Mirim ................................................................. 24 2.2 Cooperativas de catadores de recicláveis: Uma solução ?....2Erro! Indicador não definido.7 2.3 Políticas Públicas – Gestão e Comprometimento ................................................................. 31 2.4 A Informalidade Como Meio de Sobrevivência na Dialética Capitalista .............................. 37 CAPITULO III 3.PESQUISA ................................................................................................................................. 42 3.1 Disposições dos dados da Cooperativa Coopervida.............................................................. 42 3.2 Sujeitos da Pesquisa ............................................................................................................. 43 3.3 Trabalho e Rendimentos ....................................................................................................... 46 3.4 Conhecimento sobre o Cooperativismo e Atributos da Informalidade ............................ 48 3.5 Consciência Ambiental ......................................................................................................... 50 4 CAPITULO IV 4 CONCLUSÃO ............................................................................................................................ 51 4.1 Conferindo as hipóteses ........................................................................................................ 51 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: .............................................................................................. 54 5.1 Endereços eletrônicos: .......................................................................................................... 56 6 ANEXOS .................................................................................................................................... 59

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INTRODUÇÃO

Atualmente há um crescente aumento de adeptos da atividade de catador de produtos recicláveis, todos motivados pela falta de oportunidade no mercado de trabalho e também pela possibilidade oriunda da transformação do lixo em renda. Porém, é importante ressaltar a importância dos catadores se organizarem em cooperativas para garantir melhor acesso a benefícios sociais, empoderamento pessoal e crescimento enquanto cidadãos com garantia de emprego, renda e capacitação. Sendo assim apoiada na nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, LEI 12305/2010, se torna possível uma análise direcionada aos dois tipos de catadores de recicláveis existentes hoje percorrendo as ruas da cidade de Mogi Mirim. O fato que direciona esta pesquisa centraliza-se na possibilidade de inclusão dessa categoria numa alternativa que favorece maior renda, reconhecimento e seguridade social, em sua organização em cooperativas. A Lei nº 12.305/2010 enfatiza que os serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos devem priorizar a organização e o funcionamento de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis formadas por pessoas físicas de baixa renda, bem como sua contratação onde também reforça a lei no que diz respeito a dispensa de licitação para agilizar o processo nesse caso. Portanto percebesse o quanto é importante se basear nessa lei para efetivamente incluir essa classe de trabalhadores que se passa invisível frente a sociedade e a toda problemática ambiental causada pelos resíduos pós consumo. Seu trabalho colabora para minimizar os problemas com o “lixo”, porém ele o catador informal se não incorporado a cooperativas fica vulnerável e em risco social, pois sem o amparo de benefícios sociais a que uma cooperativa pode lhe fornecer, conforme essa pesquisa demonstra não se sente motivado a contribuir a previdência ou a buscar outros direitos e capacitações. A lei também é clara quanto a responsabilidade da sociedade e supõe ações de educação ambiental que promovam a não geração, a redução, a reutilização e a reciclagem de resíduos sólidos, ademais sua colaboração na cotela seletiva é um ponto importante a considerar.

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Essa pesquisa para chegar às hipóteses colocadas fará contato direto com os sujeitos pesquisados, onde o pesquisador já mantêm aproximação desde o ano de 2009 pesquisando a Cooperativa Coopervida - Cooperativa de Trabalho Vida Nova Mogi Mirim e seus associados no intuito de descobrir possíveis atuações do serviço Social dentro dessa organização. A pesquisa se dará através de revisão bibliográfica fundamentando todo o processo da dialética capitalista envolvida nessa demanda social e posterior estudo do caso através de entrevistas semi-estruturadas individuais para conhecer a realidade de cada membro, aproveitando os relatos e dados expostos pelos sujeitos pesquisados informais e cooperativados e também da observação direta participativa. O objetivo específico deste trabalho é demonstrar a importância do catador de recicláveis para o meio ambiente e a sociedade, analisando os principais fatores que levam um ser social buscar na catação de “lixo” a sobrevivência. Identificando o possível compromisso do novo Plano Nacional de resíduos Sólidos na inclusão dessa categoria com maior reconhecimento dentro das políticas públicas. A pesquisa está distribuída em quatro capítulos, onde o capitulo um se encontra uma explanação sobre o “LIXO” a reciclagem e as políticas públicas envolvidas nesse tema, a exposição sobre os catadores de reciclagens e sua invisibilidade social a partir de posições de pensadores ambientalistas com viés social francamente imbuído. No capitulo dois trata dos fundamentos da questão ambiental, a informalidade no Brasil incluído a formalização das cooperativas de recicláveis, e a apresentação do lócus da pesquisa. Na terceira parte se encontra a

pesquisa de campo com dados coletados e a dinâmica da hipótese levantada frente ao paralelo entre os dois tipos de catadores tratados nesta pesquisa, os informais avulsos e os formais cooperativados. E finalizando com as conclusões advindas dessa pesquisa.

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CAPITULO I

1.

A

DESCATABILIDADE

UMA

AMEAÇA

A

SUSTENTABILIDADE

AMBIENTAL

1.1 Lixo, Resíduo de Volume e Valor Legítimos

O lixo é um resíduo certo de ser encontrado em praticamente todos os processos, sejam eles para manter a vida humana ou para qualquer processo produtivo. Ainda que passe por algum método na tentativa de fazê-lo desaparecer completamente através de algum outro processo industrial específico, ainda assim sobrará alguma partícula líquida, sólida ou gasosa como resíduo referente à primeira etapa do processo produtivo utilizado. É praticamente impossível ficar completamente livre do lixo, mesmo com o avanço de tecnologias e amplas pesquisas voltadas para área, as ações implementadas pelo poder público são pequenas, pois os investimentos financeiros requeridos são muito altos, onde possíveis soluções para essa problemática são sempre postergadas comprometendo a saúde do planeta e consequentemente da sociedade. Entre todos os resíduos o mais preocupante e o que gera maior volume é o lixo urbano. Esse resíduo sólido proveniente do descarte pós-consumo e que está muito ligado a hábitos culturais numa relação marcante entre a produção de lixo e poder econômico da população. O que se torna perceptível diante desses fatores econômicos e culturais da atualidade que são alimentados pela globalização é que a geração de lixo está sempre acompanhando e certas vezes ultrapassando a realidade econômica da sociedade tanto em volume como em comprometimento ambiental. Onde a sociedade capitalista atual se remete em direção ao consumo alienado nos fazendo geradores de lixo autônomos e mecanizados impulsionados pela tal globalização.
“Os donos do capital incentivarão a classe trabalhadora a adquirir, cada vez mais, bens caros, casas e tecnologia, impulsionando-a cada vez mais ao caro endividamento, até que sua dívida se torne insuportável. (MARX, Karl ,1867, p. 31).

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Isso

associado

ao

aumento

populacional

aponta

para

um

comprometimento ambiental e escasseamento de recursos naturais já que a deposição de todo esse resíduo urbano acaba possibilitando poluir tanto o solo, a água e o ar dependo da forma que for encaminhado ao seu destino final. Sevá (2001) apresenta um questionamento pertinente ao fato:
“se com o aumento da demanda os recursos vão se tornando escassos, os investimentos vão se tornando maiores e a produção passa a provocar mais problemas ambientais. O certo não seria gastar menos, aproveitar melhor o que se produz, obter bens mais duráveis e então aproveitar cada vez mais o lixo assim produzido, e, enfim, alcançar-se uma geração cada vez menor de lixo, de poluição e de miséria” (SEVÁ, Filho apud FADINI,2001, P.11)

Outro fator relevante no Brasil é a possibilidade de encontrar lixo urbano sendo depositado em lixões, áreas abertas expostas a todo tipo de contaminação e poluição, porém a partir de 2014 o uso de lixões e aterros sanitários legalizados estarão proibidos de receber rejeitos , ou seja, todo aquele resíduo que pode ser reaproveitado ou reciclado. Adequação a essas medidas será exigida aos Municípios brasileiros de acordo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei nº. 12.305/10 regulamentada em dezembro de 2010. Quantificando a produção diária de lixo no Brasil em 2010 foi de
234.103 toneladas (IBGE 2010) onde 57,6 % desse total recebeu destinação

adequada em aterros sanitários controlados que ganham tratamento mais adequado e menos impactante ao meio ambiente, como consta nos dados obtidos pela ABRELPE no Panorama/2010, porém dentre esse total de lixo urbano coletado, não foi quantificado efetivamente o que foi enviado a reciclagem ou efetivamente reciclado. Em Mogi Mirim no ano de 2011 houve uma média mensal de 1730 toneladas de lixo domiciliar coletadas (Jornal “O Popular” 15/10/2011,p.A4), isso para uma população de 86.505 habitantes, lixo esse que é enviado ao aterro sanitário de Paulínia a um custo de R$ 106,00 a tonelada. Se fizermos um pequeno cálculo entre o preço da tonelada enviada ao aterro sanitário e a quantidade de lixo domiciliar recolhido, verificamos um alto montante que caso não houvesse a coleta seletiva feita pela cooperativa Coopervida que recolhe 35 Toneladas mês percorrendo, 30% da cidade na coleta porta a porta, o

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município teria um encargo ainda maior com essa destinação final do lixo e ainda cercearia o sustento de 10 famílias que vivem da renda obtida através

da coleta seletiva de lixo reciclável pela cidade de Mogi Mirim. Fato esse que conchega para um potencial desperdício de matéria prima para indústria, assim como negativamente na geração de renda para a parcela pauperizada da sociedade que contumazmente se apropria desses rejeitos recicláveis como subsistência dentro da cadeia de reciclagem.
“A produção e destinação de resíduos sólidos configuram uma das expressões mais dramáticas da “questão ambiental” e refletem a tendência de reprodução da desigualdade que marca o imperialismo ecológico. Com uma produção de cerca de dois milhões de toneladas de lixo domiciliar por dia (cerca de 730 milhões de toneladas ao ano) o planeta demonstra evidentes sinais de esgotamento de sua capacidade de absorver os dejetos da produção humana.” (SILVA, 2010, p.112)

A coleta seletiva é um primeiro e importante passo para viabilizar os esforços advindos da questão ambiental onde a falta da coleta seletiva e da reciclagem dos produtos com esse potencial contribuem para um aumento da insalubridade ambiental bem como para o aumento da miséria de muitas pessoas excluídas do mercado de trabalho que vivem a margem das sobras da sociedade. A descartabilidade cíclica do consumo exacerbado atual e baseado na obsolescência rápida dos produtos faz crescer a quantidade de resíduos anualmente. É possível verificar o crescimento da geração de resíduos sólidos urbanos no Brasil entre 2009/ 2010 no gráfico a seguir, um dado que já era esperado frente ao crescente consumo.

Geração de resíduos Sólidos Urbanos no Brasil
100% 50% 0% 2009 2010 57.011.136 60.866.080 T/ano

Gráfico 1.1 FONTE: Pesquisas ABRELPE (2010);IBGE (2009/2010)

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Portanto não há como esconder mais o lixo na incomodidade como foi visto por muito tempo, a questão dos resíduos no Brasil agora no século XXI é algo que requer outra estratégia, fundamentada em políticas e regulações públicas incentivando a coleta seletiva e a reciclagem. Promovendo o desenvolvimento sustentável com adequadas e eficientes normas de gestão de resíduos espalhadas por todos os municípios brasileiros, colocando a questão dos resíduos como uma nova cultura econômico-ambiental, onde por um lado com a coleta seletiva e a reciclagem breca-se a crescente escassez dos recursos naturais por outro lado o efetivo aproveitamento e transformação dos recicláveis trás lucratividade para a industria da reciclagem e a inclusão de pessoas em vulnerabilidade social no mercado de trabalho.

1.2 Reciclagem - Solução, Economia e lucratividade O acentuado impacto ambiental causado pelo crescimento demográfico exige do Ser humano uma mudança de paradigmas, uma revisão do modelo de conduta atual que se distancia da natureza pouco a pouco para uma conduta de aproximação mais holística e menos imediatista. Essa sensibilização colabora para recriação de valores dentro da questão da sustentabilidade ambiental. Dentro do enfoque dado pela pedagogia dos três Rs , essa recriação de valores se encaixa perfeitamente, incorporado como novos valores o

reduzir, reutilizar e reciclar no cotidiano humano trazendo uma consonância importante para com a sustentabilidade. Definitivamente dentre as três iniciativas o “Reciclar” se torna a prática indispensável para garantir a sustentabilidade e o aperfeiçoamento da cadeia produtiva bem como na ação protetiva ao meio ambiente e aos recursos naturais.
“[...] a venda de resíduos ao mercado secundário pode gerar receitas; a reciclagem pode reduzir os custos de coleta e processamento; e o valor de venda dos produtos re-fabricados ou convertidos em novos, será sempre menor do que o valor dos produzidos pela primeira vez, porém será maior do que o valor dos produtos vendidos para refugo ou reciclagem.”(GUARNIERI,2011,P.132)

Para evitar o colapso anunciado devido à falta de recursos naturais originados pela extração excessiva de combustíveis fosseis para a indústria de

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produção se faz premente se adaptar as novas realidades, aproveitando o avanço tecnológico e também oportunizando mais pesquisas dirigidas para a suficiência e a prosperidade dos recursos naturais. Nesse quadro, se coloca a reciclagem como uma das soluções mais econômicas tanto para o socioambiental quanto para a economia de modo geral. A reciclagem de resíduos sólidos urbanos oriundos da coleta seletiva requer uma abordagem integrada de gestão, unindo a sociedade civil e o poder público para assim ser ponto de partida para projetos sociais, permitindo a inclusão dos catadores nesse processo adicionando valor e reconhecimento no serviço prestado por esse segmento à sociedade e ao ambiente, tirando-os da marginalidade e da obscuridade frente ao olhar coletivo. Muito bem colocado por André Vilhena, diretor-executivo da CEMPRE 1 - Compromisso Empresarial para Reciclagem, onde ressalta:
“A importância das cooperativas de catadores vai além do aumento no ganho financeiro [...] Há uma maior proteção social, um respeito maior por questões de segurança e higiene. Eles trabalham em escalas menores e os produtos são mantidos de maneira mais adequada. E, quando se melhora a condição da mercadoria, o preço aumenta”.(PNUD,2006)

Essa gestão compartilhada viabiliza uma maior otimização do processo de reciclagem com a participação consciente da população onde ocorre a redução do lixo destinado aos lixões ou aterros sanitários e propicia geração de emprego e renda. O conceito de Desenvolvimento Sustentável está fundamentado no uso racional dos recursos naturais hoje de forma a permitir igual uso para futuras gerações. Esse conceito viabiliza uma mudança de paradigma edificado sobre os valores da sustentabilidade garantindo também a construção de uma sociedade mais justa, do ponto de vista econômico, social e ambiental.

1

O Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre) é uma associação sem fins lucrativos dedicada à promoção da reciclagem dentro do conceito de gerenciamento integrado do lixo. Fundado em 1992, o Cempre é mantido por empresas privadas de diversos setores. O Cempre trabalha para conscientizar a sociedade sobre a importância da redução, reutilização e reciclagem de lixo através de publicações, pesquisas técnicas, seminários e bancos de dados. Os programas de conscientização são dirigidos principalmente para formadores de opinião, tais como prefeitos, diretores de empresas, acadêmicos e organizações não-governamentais (ONG's). http://www.cempre.org.br/ciclosoft.php

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A

Conferência das Nações Unidas sobre

Meio Ambiente e

Desenvolvimento (Rio-92) firmou essa diretriz para caminhar rumo ao desenvolvimento global. O comprometimento com essa norma leva a catalisar uma mudança social mais abrangente fundamentada nos valores da sustentabilidade alcançando transformação e permitindo explorar formas menos danosas ao meio ambiente de maneira a manter a produção e consumo na ciranda econômica e ainda respaldados sustentável.
[...]Os primeiros programas de coleta seletiva [...] e reciclagem dos resíduos sólidos no Brasil começaram a partir de meados da década de 1980, como alternativas inovadoras para a redução da geração dos resíduos sólidos domésticos e estímulo à reciclagem. Desde então, comunidades organizadas, indústrias, empresas e governos locais têm sido mobilizados e induzidos à separação e classificação dos resíduos nas suas fontes produtoras. Tais iniciativas representaram um grande avanço no que diz respeito aos resíduos sólidos e sua produção[...] (Pesquisa Nacional Saneamento Básico, (IBGE, 2008)

encorajando essa busca de escopos com o desenvolvimento

em

maiores

responsabilidades

O desafio da reciclagem se encontra na gestão dos resíduos, onde a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) irá contribuir para que a vida útil dos produtos não termine após o consumo, mas que volte a seu ciclo de vida, transformando-se em nova matéria prima para indústria da produção, resultando num aumento da reciclagem e da coleta seletiva no Brasil, o que ainda trará economia aos cofres públicos com a energia economizada e o ganho financeiro alcançado com a reciclagem desses resíduos bem como com a economia nos custos da destinação final, evitando que esses resíduos com potencial para reciclável cheguem aos aterros sanitários colaborando com o aumento do impacto ambiental causado pela demora de sua decomposição.
“Mobilizações globais – que se traduzem na proposta de construção do movimento denominado União Global pela Sustentabilidade, iniciativa que visa influenciar a governança global e provocar ações concretas das lideranças empresariais, públicas e de toda a sociedade nos temas críticos desta plataforma. A primeira edição da União Global pela Sustentabilidade está prevista para setembro de 2011 e tem como primeiro objetivo influenciar a Rio+20, auxiliando na articulação das demais atividades com o mesmo objetivo” (ETHOS,2011 p.15)

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Nesse contexto, os catadores nascem como atores indispensáveis, afinal eles são os responsáveis pela separação e triagem desse material que sai do lixo e deixa de comprometer o ambiente e se transforma em renda ao ser vendido às indústrias de reciclagem. Os dados do IBGE (IDS 2008) sobre Reciclagem retratam a proporção de material reciclado no consumo de algumas matérias-primas industriais como latas de alumínio, papel, vidro, embalagens PET e latas de aço. Já o Brasil é recordista mundial em reciclagem de latas de alumínio 94,4%, e a reciclagem de papel fica em torno de 45% a 50%. A reciclagem paralela à miséria socioeconômica demonstrada pela crescente procura de sustento junto ao lixo, ou na garimpagem deste como alento familiar, faz com que a reciclagem ganhe maior valorização no meio empresarial tornando os investimentos nesta área atraentes e complementares na prática da responsabilidade social, valorizando sempre mais, o ser humano e o meio ambiente. No Brasil, os altos índices de reciclagem estão mais associados ao valor das matérias-primas e aos altos níveis de pobreza e desemprego do que à educação e à conscientização ambiental. Apesar desse sucesso da reciclagem proporcionado potencialmente através da contribuição desolada dos catadores integrados nesse processo sem o devido reconhecimento, afastados de qualquer seguridade social se mostra necessário e urgente a intervenção Pública inserindo os catadores definitivamente na gestão desses resíduos de forma a garantir-lhes melhor qualidade de vida, emprego e renda, com consequente reconhecimento de sua colaboração para o comprovado ganho econômico e ambiental brasileiro. Para complementar e apoiar o reconhecimento dos catadores existe também projetos junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) que viabilizam um incremento direto para as cooperativas e as associações de catadores, visando à geração de novos postos de trabalho e aumento de eficiência no segmento da reciclagem, bastando aprovação dos critérios de elegibilidade e enquadramento jurídico. Viabilizando essa necessária contribuição para solução dos problemas socioambientais relacionados com o lixo, em 17 de novembro de 2011 foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania o Projeto de Lei nº 6.822/10, do Senado, que regulamenta a profissão de catadores de

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materiais recicláveis e de recicladores de papel. A Lei nº 6.822/10 vem nortear a profissão de catadores informais trazendo-lhes respaldo permitindo-os atuar de forma autônoma ou integrar-se em cooperativas bastando cadastrar-se

junto a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de sua cidade, apresentando os documentos necessários que incluem comprovantes de votação nas últimas eleições. Hoje a reciclagem não é mais somente um fator de busca e encontro para subsistência de pessoas desempregadas e com baixo nível escolar. Abarca também nessa fronteira a busca por lucratividade motivada pelo grande valor agregado aos recicláveis, além da economia dos recursos naturais ao retornar ao ciclo produtivo o material reciclável e a geração de renda e emprego.

1.3 Catadores de reciclagem da invisibilidade a provedores de sustentabilidade A globalização e a crescente exclusão provocada pelo desemprego devido à inovação das tecnologias utilizadas no avanço desse modelo capitalista de produção que vivemos, abriu espaços para o crescimento da informalidade e desta, nascerem novas e diversificadas ocupações como marcas do neoliberalismo atual onde o Estado se exonera de algumas competências, como a saúde, educação e a segurança, reacionando esse modelo econômico hegemônico e incapaz de nortear novos paradigmas à sociedade disponibilizando qualidade de vida e emprego a todos. Ainda dentro deste contexto se aquiesce também a necessidade de preservar os recursos naturais, pois a natureza não suporta mais satisfazer os apelos do setor produtivo que consome exaustivamente as reservas, a matéria prima para a indústria, sendo urgentes e necessárias medidas alternativas para suprir o setor produtivo com novas pesquisas e tecnologias que garantam a produção sem causar danos ou escassez dos recursos naturais ao planeta e ainda garantam o crescimento econômico.
“Um importante resultado do relatório do Pnuma sobre economia verde é que não existe contradição entre sustentabilidade ambiental e progresso econômico (…) as mudanças da economia em direção à sustentabilidade ambiental não inibem a criação de riquezas nem as oportunidades de emprego e, nesse processo, há inúmeros setores

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que poderão apresentar significativas oportunidades de investimento e de crescimento de riquezas e de empregos”. Essa visão é compartilhada pelo Brasil. (PNUMA, 2011)

Conforme demonstra no relatório sobre economia verde do Programa das Nações Humanas para o Meio Ambiente – PNUMA (2011), a ecologização da economia não é uma barreira ao desenvolvimento, mas sim um novo agente de crescimento, que será um determinante na geração de empregos e renda além de uma estratégia fundamental para a eliminação da pobreza proporcionando uma equidade social relevante. Portanto a reciclagem do lixo traz consigo essa nova ocupação, os catadores, atores que se tornaram figuras centrais do processo e do sucesso da reciclagem no Brasil. O catador de recicláveis é atualmente o principal responsável pelos altos índices de reciclagem de materiais como alumínio (73%) e papelão (71%), tornando o Brasil um dos maiores recicladores desse tipo de material. (CEMPRE, 2000). Esse novo fenômeno personificado no “Coletar lixo” se transformou na estratégia de sobrevivência encontrada por trabalhadores excluídos pelas exigências do mercado de capital ao não atenderem na qualificação exigida para se manterem na formalidade acompanhando os avanços tecnológicos do mercado produtivo.
“Assim é um grande engano considerar que esses catadores são supérfluos do ponto de vista da acumulação global, porque vivem dos restos da sociedade. Eles se encontraram integrados à economia, ainda que pela via mais perversa de trabalho informal socialmente não reconhecido.”(GONÇALVES,2005, p.95)

Entretanto apesar dessa atividade representar para a sociedade uma forma de trabalho marginalizada e degradante, os “catadores de materiais recicláveis” fazerem do lixo uma forma de obter a renda para o seu próprio sustento e são agentes ambientais de grande importância para sociedade, pois com o aumento da descartabilidade do “modus vivendi” atual a sociedade produz resíduos em grandes quantidades motivados pelo consumismo exacerbado, ancorado no movimento da produção de massa onde são crescentes os problemas ambientais referentes ao lixo produzido bem como com a escassez dos recursos naturais.
“No entanto, a produção capitalista, à medida que promove o intenso desenvolvimento das forças produtivas, institui a “sociedade dos

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descartáveis”, ou do “desperdício institucionalizado” como modo privilegiado de acelerar a velocidade de sua rotação, posto que a ampliação do círculo do consumo no interior da circulação é condição precípua para a realização de valor. Isto porque” a produção é, pois, imediatamente consumo; o consumo é, imediatamente produção”. Cada qual é imediatamente o seu contrário”(MARX,1999,p.32 apud SILVA,2010,p.62.)

Essa Atividade de catador de recicláveis foi reconhecida em 2002 pelo Ministério do Trabalho e, segundo a Classificação Brasileira de Ocupações, catadores são aqueles que “catam, selecionam e vendem materiais recicláveis como papel, papelão e vidro, materiais ferrosos e não ferrosos e outros materiais reaproveitáveis”. Existem catadores de várias categorias:
* Catadores trecheiros: que vivem no trecho entre uma cidade e outra, catam lata pra comprar comida e suprir despesas de deslocamento. * Catadores do lixão: Fazem de um lixão específico seu ambiente de trabalho diariamente por tempo determinado por eles. * Catadores individuais: catam autonomamente trabalham de forma independentes, puxam carrinhos ou carroças pelas ruas da cidade. * Catadores organizados: em grupos autogestionários onde todos são donos do empreendimento, legalizados ou associados a cooperativas, associações, ONGs ou OSCIPs. (fonte: lixo.com.br.)

Essa atividade informal como “catadores” tem algumas passagens históricas desde a década de 1980 onde começaram a buscar por organização na procura de reconhecimento. Dez anos mais tarde em 1990, houve manifestações públicas de apoio de Instituições não governamentais o que culminou em 1999 na realização do 1° Encontro de catadores de papel por meio de empenho e articulação junto ao Fórum Nacional de Estudos sobre População de Rua que também ocorreu em 1999 promovendo articulações para que acontecesse em 2001 o 1° Congresso Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis com a participação de 1.600 congressistas, entre catadores, técnicos e agentes sociais de dezessete estados brasileiros, e mais 3.000 participantes da 1ª Marcha Nacional da População de Rua. Esses encontros e congressos encaminharam proposituras

reivindicativas de cunho sócio-econômico-assistencial à categoria de catadores de reciclagem com ênfase em qualificação, aperfeiçoamento e reconhecimento do empreendedorismo do segmento, priorizando atenção governamental para

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os projetos das cooperativas na disponibilização e aplicação de recursos públicos. Já em 2003, o Governo federal criou através do decreto N° 7.405 de 23 de Dezembro de 2010 o Comitê Interministerial para Inclusão Social de Catadores de Recicláveis como segue:
Institui o Programa Pró-Catador, denomina Comitê Interministerial para Inclusão Social e Econômica dos Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis o Comitê Interministerial da Inclusão Social de Catadores de Lixo criado pelo Decreto de 11 de setembro de 2003, dispõe sobre sua organização e funcionamento, e dá outras providências. (BRASIL,2010)

Esse programa prometido pelo comitê

ainda não demonstra

transformações nas condições de vida e trabalho dos catadores de recicláveis, porém integrou a ele várias reivindicações do 1° congresso Nacional de Catadores de Reciclagem promovendo “à melhoria das condições de trabalho, à ampliação das oportunidades de inclusão social e econômica reciclagem por meio da atuação desse segmento”. (CIISC, 2003) Nesse intrincado cenário estão imersos os catadores de recicláveis e os conflitos entre essa categoria de profissionais, o governo e os “atravessadores” ou “sucateiros” (empresas do comércio de resíduos e sucatas) onde esses últimos exploram os catadores informais no momento em que vendem seus resíduos coletados durante o dia, semana, mês de trabalho. Tal ocorrência acaba por afastar o catador de reciclagem do protagonismo pessoal lhe mantendo refém da miséria ao auferir pouco lucro com a venda de seu trabalho. “Desta forma são os compradores do material reciclado os que determinam o valor do seu custo de produção” (LEGASPE,1996, p.4 apud SILVA, 2010, p.129) Portanto baseado no contraponto acima, é necessário atribuir aos catadores de recicláveis informais a iniciativa deles se organizarem em grupos, se associando a cooperativas de materiais recicláveis unindo esforços e forças de trabalho para juntos conseguirem romper com essa hegemonia da cadeia da reciclagem, que impõem aos catadores da informalidade um valor de mercado menor atribuído a sua força de trabalho, distante do empenho disponibilizado por esse profissional, demonstrando a exploração de sua maisalém da

expansão da coleta seletiva de resíduos sólidos, da reutilização e da

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valia (MARX,1978)

ao não receber o valor equivalente ao que a indústria

repassaria caso o catador fosse associado a alguma cooperativa.
“O reconhecimento das formas de organização econômica baseadas no trabalho associado, na propriedade coletiva dos meios de produção, na cooperação e na autogestão é fundamental para a afirmação da economia solidária como parte de um modelo de desenvolvimento sustentável. Significa reconhecer que existem outros caminhos para o desenvolvimento” (IPEA,2011 cap.6,p. 204)

24 CAPITULO II

2. INVISIBILIDADE E RECONHECIMENTO SOCIAL DENTRO DA QUESTÃO SOCIOAMBIENTAL 2.1 A única cooperativa de recicláveis de Moji Mirim

A Coopervida - Cooperativa de Trabalho Vida Nova de Mogi Mirim, objeto dessa pesquisa nasceu em 1994 após a Campanha “Natal sem Fome” promovido pelo sociólogo Betinho onde participantes de outra entidade denominada “Grupo vida Nova” que era voltada a doação de cestas básicas à famílias carentes, percebeu que a maioria das famílias que retirava cestas básicas nesse projeto eram pessoas que tinham possibilidades de trabalhar apesar do baixo nível escolar e desta forma surgiu a ideia de desenvolver com essas famílias o “Projeto Reciclar”, onde deu-se o inicio dos movimentos para a formação da Cooperativa de Reciclagem atual. No ano de 1994 o tema reciclagem junto ao meio industrial se aqueceu promovendo um grande crescimento de indústrias incrementando sua produção com o uso de materiais recicláveis principalmente indústrias do setor do alumínio (ABAL- Associação Brasileira do Alumínio). Os anos noventa se mostraram como sendo o marco do consumo de descartáveis, o que colaborou para o avanço da reciclagem como um todo, desencadeando

consecutivamente o crescimento do número de catadores e associações e cooperativas bem como sucateiros e ferros velhos. A Coopervida iniciou as atividades em 1994 com o “Projeto reciclar”, inicialmente houve uma parceria com a Prefeitura Municipal de Mogi Mirim na qual era cedido o uso do espaço dos trabalhos, um barracão de uma indústria na qual estava em processo judicial por dívidas junto a Prefeitura, e também com a doação de um caminhão baú usado em condições lastimáveis de conservação. Todavia a administração municipal mudou e a parceria foi se enfraquecendo até que a Cooperativa perdeu o prédio onde faziam a triagem e acondicionamento do material coletado emprestado pela Prefeitura, o que refletiu numa nova adequação tanto do número de cooperados quanto de planos de investimento.

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No início do “Projeto Reciclar” a cooperativa possuía em seu quadro uma secretária registrada, um presidente que não trabalha diretamente na reciclagem, apenas se ocupava do trabalho burocrático e organização e mais os 15 cooperados que trabalham diretamente na coleta e seleção do lixo

sendo um deles coordenador do grupo na qual participa desta pesquisa quanto as informações sobre o funcionamento da Coopervida. Os valores líquidos advindos com a venda do material coletado diariamente são repartidos entre todos os membros da cooperativa após a retirada das despesas, sendo um percentual condizente com suas

horas/toneladas de lixo separadas/coletadas mês. Desde o inicio da Coopervida havia uma parceria com a Instituição Grupo Vida Nova onde a mesma cobre as despesas e pagamentos da Coopervida temporariamente até que entre os recursos previstos, parceria que permite a mesma cumprir com seus compromissos nos prazos, como disse o Presidente Glauco: “- a parceria se faz necessária para que não trabalhemos no vermelho, pois o valor referente as vendas não creditam em dias certos e os compromissos possuem data fechada”. A cooperativa Coopervida – Cooperativa de Trabalho Vida Nova Mogi Mirim, está formalizada junto a Ministério da Fazenda e possui estatuto registrado no cartório civil de pessoas Jurídicas. No entanto não possui o profissional Assistente Social em seu quadro de funcionários assim como não dispõe do serviço desse profissional nem de forma voluntária. Podemos inclusive verificar a necessidade de ter o serviço social dentro dessa organização para promover maior vínculo dos cooperados com a mesma motivando aceitação e compartilhamento, promovendo também inclusão em projetos de capacitação no intuito de buscar autonomia pessoal e aumento da autoestima do grupo. Oportunizar melhor acompanhamento familiar, garantindo acesso a programas Estaduais, Federais e municipais para os filhos e familiares bem como os de transferência de renda, e habitacionais. Não vendo a organização de forma restrita apenas na visão da inclusão econômica e social dos indivíduos na geração de trabalho e renda e sim numa ação profissional técnica operativa que propicie a melhora da qualidade de vida desses sujeitos numa visão holística, contudo sem praticar assistencialismo.

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Os membros selecionados para trabalhar na cooperativa são geralmente indicados por outros membros, mas há sempre uma preocupação em colocar pessoas que não tenham outras fontes de renda. Todos os custos de bens de consumo, tributos, água, luz, telefone, manutenção de veículos e maquinário correm por conta da cooperativa Coopervida não havendo subsidio da Prefeitura Municipal ou de outra esfera qualquer. Consta apenas que esporadicamente a prefeitura concede uma porcentagem do combustível gasto na coleta seletiva pela cidade, mas não há um acordo formalizado a esse respeito. Em relação à infraestrutura, a Coopervida utiliza-se de barracão para o recebimento dos materiais recicláveis e acondicionamento até a venda, possui uma balança eletrônica, uma prensa, um carrinho de mão e um caminhão Ford F.400 Baú em péssimas condições de rodagem com mais de 30 anos de uso. A receita mensal resultante da venda do material como um todo é em média R$ 9.000,00 mensais. Os materiais mais vendidos são:
Gráfico 1.2

PRODUTOS MAIS VENDIDOS

Plástico Aluminio PET Tetra Pack Vidro Metais Papelão Papel

A cooperativa Coopervida não possui nenhum material de divulgação do projeto, apenas consta no calendário informativo da coleta de aparas e galhos de jardim o telefone e que há a coleta seletiva ,porém o mesmo não explicita nem os bairros nem os dias e horários em que a coleta seletiva passa, fazer uma

demonstrando completo desinteresse do poder Municipal em

parceria com a única cooperativa de reciclagem do Município. Existe um formulário produzido pelo escritório de contabilidade que presta serviços de escrituração contábil para a cooperativa, mas que não foi buscado patrocínio para levar em frente e guardam como modelo.

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Percebe-se que se não fosse o empenho e luta dos membros dessa cooperativa em mantê-la de pé, funcionando, lhes garantindo emprego, renda e autoestima ao participar de um empreendimento em que ele também é “dono” e que tem voz para decidir os rumos que o empreendimento deve tomar com toda certeza não sobreviveria esses 18 anos. Essa satisfação é perfeitamente observada nos membros com mais tempo de associados, onde demonstram altruísmo e resiliência em sempre achar que vai melhorar, isso é sinônimo de cooperativismo.
[...]a relação do homem com ele mesmo só é real, objetiva, por meio da sua relação com os outros homens. Se ele se relaciona com o produto do trabalho, com o seu trabalho objetivado, como um objeto estranho, hostil, poderoso, independente, relaciona-se com ele de tal forma que outro homem estranho, inimigo, mais poderoso e independente, seja o senhor deste objeto. Se ele se relaciona com a própria atividade como uma atividade não-livre, então se relaciona assim como a atividade com o serviço, sob domínio, a repressão e o mando de outro homem. (MARX ,1988, p.119)

2.2 Cooperativas de catadores de recicláveis: Uma solução ? A sustentabilidade se centraliza numa divisão equitativa dos recursos da Terra, onde a cooperação passa a ser a tônica nesse novo mundo. Considerando essa necessidade de integrar problemas comuns para posterior solução, projeta-se a cada problema a sua especificidade ao compor o tripé Social, econômico e ambiental, envolvendo a idiossincrasia de cada elemento na problemática global. Construindo de forma consolidada por meio das regulamentações públicas e/ou autorregulação de mercado, as soluções e arreglos que permitirão alavancar ações de aprimoramento na infraestrutura socioambiental e, enfim garantir por meios transversos, a redução das desigualdades de renda, da equidade nos direitos civis, permitindo oportunidades de inclusão, emprego e renda, às efetivas mudanças rumo à sustentabilidade, se darão com a total adesão da sociedade e o envolvimento global das questões

ambientais e sociais. Ao fundirem-se os recursos sociais, econômicos e naturais numa perspectiva sustentável conseguimos erigir dimensões de compromissos entre direitos e deveres da sociedade e o Estado, onde esse último, jamais pode se

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posicionar neutro. O Estado deve oferecer condições para que a autonomia se manifeste, além de proteger e garantir os direitos fundamentais.
“Entretanto, a falta de incentivos governamentais à atividade de comércio de sucatas e reciclagem tem sido um obstáculo a um crescimento mais acentuado do setor. Na verdade, antes de falar em incentivos é necessário eliminar os “desincentivos”, que não são poucos na esfera tributária, a nível federal, estadual e mesmo municipal.” (CEMPRE, 2011)

Nessa conjuntura onde é crescente o contingente populacional de excluídos do mercado de trabalho, se faz presente a busca de alternativas para conter essa expansão de vulnerabilidades nas relações de trabalho e de pobreza, contornando a problemática social que resulta dessa exclusão.
“Nesse sentido, pode-se projetar a economia solidária como uma das estratégias de “enfrentamento da pobreza” emanadas da relação Estado-sociedade. Inserindo-se no processo econômico, mas também em busca de expansão e transformação da cidadania, a economia solidária pode contribuir para a superação dos padrões históricos da ação do Estado quanto a questão social, notadamente na América Latina. Para tanto, torna-se necessário impulsioná-la no âmbito das políticas públicas.” (SILVA, J. O. p. 131)

A economia solidária trás em seu conceito uma ponte que permite o acesso a uma multiplicidade de possibilidades que consentem passear entre a produção, o consumo, no acesso a renda e ao emprego e a plena cidadania, significando a reinserção na solidariedade social e o cooperativismo. Uma herança de projetos comunitários alternativos praticados pela Cáritas Brasileira. O cooperativismo nasceu a partir de conflitos no trabalho em seguida da revolução industrial, onde o cooperativismo surgiu como uma alternativa a exploração da classe trabalhadora dando um sentido antagônico, pois o capitalismo se vale da competição e o cooperativismo da solidariedade, da cooperação. Os trabalhadores individuais começaram a perceber nas semelhantes mazelas que os circundavam nas relações de trabalho, demonstrando uma possível união dessas forças em busca de uma autonomia comum a todos. Bem colocado por Martinelli:
“A construção da consciência de classe exigia o desmascaramento das ilusões criadas pelo capitalismo, assim como, com a força de uma determinação essencial, exigia também o trânsito para o nível da compreensão política das contradições inerentes à sociedade

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capitalista. Rompendo com a alienação e com as falsas aparências que recobrem a sociedade burguesa, os trabalhadores começavam a se colocar em condições de discernir a importância de seu papel no circuito do capital.”(MARTINELLI,2009,p.73)

Portanto, cooperativismo tem como definição ser uma associação autônoma de pessoas que se unem, voluntariamente, para satisfazer aspirações e necessidades econômicas, sociais e culturais comuns, por meio de uma empresa de propriedade coletiva e democraticamente gerida. E seus

valores são baseados na ajuda mútua, responsabilidade, democracia, igualdade, equidade e solidariedade. A cooperativa de catadores de recicláveis acrescenta novos valores a essa cooperação de interesses, onde contempla deveres e direitos a uma classe marginalizada por lidar com “lixo”, que trás camuflada a dignidade do trabalho que executa para essa sociedade que o ignora e para o ambiente que lhe agradece, viabilizando plena cidadania aos cooperados e qualidade de vida a toda sociedade. Faz-se interessante colocar que entre os catadores organizados há uma preocupação em tentar melhorar a relação como o poder público e a sociedade para ampliar e concretizar alianças para o bem social e ambiental e na melhoria da qualidade de vida deles próprios. É possível, no entanto verificar isso no primeiro congresso latino-americano de catadores ocorrido em 2003 no Rio grande do Sul na cidade de Caxias do Sul , onde firmam no documento Carta de Caxias do Sul, compromissos e também socializam junto aos povos e a sociedade a atuação mutua nesse acordo exposto originalmente

em 18 itens, sendo mais relevante para o contexto dessa pesquisa os itens:
1. lutar em favor da organização de todos os Catadores e Catadoras em associações ou cooperativas, reforçando os Movimentos dos Catadores existentes, superando a fome e a exclusão por meio de iniciativas que gerem trabalho e renda; 3. trabalhar em favor de uma maior integração das comunidades de nossas cidades com as organizações de Catadores através de políticas e programas de educação ambiental, garantindo sua cooperação na separação e entrega dos recicláveis, no controle das ações dos governos, na valorização do trabalho dos Catadores, na participação em Fóruns de Gestão das políticas públicas; 7. lutar por novas formas de acesso dos Catadores aos benefícios da Previdência Social; 15. exigir a garantia da integração dos Catadores na política de saneamento ambiental; (MNCR, 2003)

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Contudo esses catadores de recicláveis organizados abrem um parêntese junto a essa sociedade diferençando-se de quando agem informalmente onde são mais passíveis de serem ignorados, o que oportuniza através de sua união de classe quebrar o estigma de “lixeiro” pelo fato de tirar seu sustento dos resíduos que essa sociedade descarta. Segundo Gonçalves, a atividade dos catadores de materiais recicláveis é desprovida de reconhecimento social e acaba reproduzindo um trabalho no ciclo capitalista.
“descobrindo nele o valor de uso, e ainda transformam em mercadoria, incorporando-lhe valor, mediante sua apropriação pelo trabalho. Recorrendo à conceituação marxista, a atividade de reciclagem e reaproveitamento do lixo poderia ser lida como a aplicação de trabalho humano incorporado à matéria bruta(o lixo), desprovida de valor de troca, que manteria um valor material residual, o qual a capacitaria de ser, assim transformada em mercadoria , ou seja, aproveitada por seu valor de troca e , desta forma, retornar ao mercado, ou para ser aproveitada por seu valor de uso, sendo consumida.( GROSSI, apud GONSALVES,2005, P.103,104)

Hoje o modelo de cooperativismo é reconhecido no mundo todo. No Brasil esse movimento cooperativista iniciou em 1847 com o médico francês Jean Maurice Faivre2 que inaugurou uma colônia com inspiração nos ideais humanistas, junto com outros colonos europeus no Paraná. As cooperativas atuam em diversos segmentos da sociedade como: agropecuário, consumo, crédito, educacional, habitacional, produção, saúde, serviço e trabalho. As cooperativas de catadores de reciclagem se enquadrariam na de cooperativas de produção, pois catam reciclagens que são processadas e vendidas, numa alternativa a saída da informalidade. No cenário atual a cooperativa de recicláveis aparece como uma arca de amparo resgatando essa classe do naufrágio da exclusão promovendo um resgate das vulnerabilidades que enfrentam na precariedade do trabalho informal como catador de recicláveis. A gestão participativa das cooperativas desenvolve o ânimo na busca de emancipação e empoderamento desse ser social promovendo seu auto-desenvolvimento garantindo uma melhor

qualidade do trabalho desenvolvido bem como a sua própria autonomia além de gerar resultados representativos a toda a cooperativa.

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Referência da informação disponível em COOPERSULCA: http://www.coopersulca.com.br/cooperativismo/historico/cooperativismo-no-brasil

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2.3 Políticas Públicas – Gestão e Comprometimento Uma das principais preocupações de ordem sanitária e ambiental nos dias atuais é o lixo urbano, cuja quantidade vem aumentando a cada dia. Esse crescente aumento da produção de lixo está relacionado estreitamente ao consumo e ao aumento populacional associado ainda ao modo de vida moderno. Entretanto, temos a falta de estrutura dos serviços públicos prosaicamente carentes de investimento e de comprometimento com a questão ambiental e social que estão estreitamente envolvidos na questão do manejo do lixo urbano com destinação final e a logística reversa.
“Cabe resaltar que o gerenciamento dos resíduos sólidos municipais é de responsabilidade das prefeituras e depende de como os municípios brasileiros estabelecem e implementam suas políticas. Tal gerenciamento deve consistir de ações normativas, operacionais, financeiras e de planejamento desenvolvido pelas administração municipal baseado em critérios sanitários, ambientais e econômicos para coletar, tratar e dispor os resíduos sólidos de uma cidade, viabilizando processos e procedimentos que garantam a proteção a saúde pública e a qualidade do meio ambiente.” (GONÇALVES, 2005,p.89,)

A prerrogativa das políticas públicas está em ser adequada à solução dos problemas sociais nas cidades corroborando com a realidade social e a consequente demanda advinda dessa realidade propiciando um equilíbrio entre o orçamento, receita e despesa. Porém o poder decisório vem sempre do Estado, determinando como serão investidos os recursos a beneficiar os cidadãos e muitas vezes essas decisões não acompanham a necessidade nem o andamento da demanda. É fato que a questão ambiental é discutida desde a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano que ocorreu em Estocolmo, na Suécia em 1972 e desde lá, houve incorporação e ajustes sobre a ótica de amparar o bem estar humano e o ambiental imbuído na busca da sustentabilidade. Essa conferência se caracterizou como um marco muito importante que direcionou atenção para o global, sobre a poluição atmosférica e a intensa exploração dos recursos naturais. Já na Agenda 21 aprovada na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992 (Rio 92) foi apresentado como um dos principais fundamentos da

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sustentabilidade o fortalecimento da democracia e da cidadania, o que reforça que antes de se reduzir à questão ambiental a contextos técnicos e legais se faz necessário materializar as alianças entre os diversos grupos sociais responsáveis pela reunião das transformações necessárias.
“É importante considerar que a passagem de um modelo economicista como o atual para um modelo construído a partir dos princípios e valores da sustentabilidade deve ser proposta como uma transição de longo prazo, progressiva, respaldada por amplos consensos e por uma crescente aprendizagem social que levem a mudanças nos padrões de produção e consumo, na adoção de tecnologias, na regulamentação e no estabelecimento de normas, na organização institucional e na percepção cultural da sociedade” (Perez, 2011, P.29)

Essa visão global para os problemas ambientais demonstram a necessidade de envolver a sociedade como um todo, seja com atuação individual ou coletiva nas práticas e mudanças de hábitos, pois essa sociedade é a parte fundamental da construção desse novo modelo de desenvolvimento norteado para a sustentabilidade. A sociedade precisa ter consciência que seus atos individuais podem colocar em risco o equilíbrio ambiental e que para projetos e legislações tragam pleno desenvolvimento e sucesso na mitigação da problemática ambiental a sociedade será sempre a engrenagem mais exigida, pois é seu o dever de manter a vida, a biodiversidade e a renovação do nosso ecossistema ao mesmo tempo em que permite e respeita que o mesmo se renove (AGUAYO, & GARCIA , 2011,p.60) . A Constituição Federal de 1988 em seu Art. 225 faz uma referência importante sobre esse assunto:
“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e a à coletividade o dever de defendêlo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”(BRASIL, 1988)

E sobre a inclusão da Educação ambiental nesse caminho também:
A Lei nº 6.938, de 31.8.1981, que institui a Política Nacional de Meio Ambiente, também evidenciou a capilaridade que se desejava imprimir a essa dimensão pedagógica no Brasil, exprimindo, em seu artigo 2º, inciso X, a necessidade de promover "educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente”.(BRASIL , 1981)

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Na atualidade movida por pressões da própria sociedade, a legislação vem sendo mais elaborada e restritiva para conter o avanço da destrutividade ambiental, responsabilizando e cobrando da indústria uma atuação mais impelida na adoção de condutas legais e pertinentes ao mote da legislação relativa ao meio ambiente, numa forma de impingir uma produção menos danosa ao meio ambiente. (GUARNIERI, 2011, p. 101) Como fator essencial para essa realidade, Estados e Municípios Brasileiros garantem com a aprovação da LEI Nº 12.305, de 02/08/2010 a instituição da nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, que vem nortear de forma sustentável o manejo e destino final do lixo urbano entre outros. Designando em meio a regulações e normas os caminhos para o saneamento básico com vistas à gestão integrada e ao gerenciamento ambientalmente adequado dos resíduos sólidos com a inclusão do segmento de catadores e cooperativas de recicláveis nesta proposta, tornando a gestão compartilhada e com uma visão permeada também para as questões sociais envolvidas neste tema, como foco principal o desenvolvimento sustentável. A aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (2010) vem como um incentivo à indústria da reciclagem, tendo em vista fomentar o uso de matérias-primas e insumos derivados de materiais recicláveis onde neste contexto se aplica também o favorecimento da incorporação dos catadores, uma nova categoria profissional oriunda da informalidade gerada no mercado de capital, que deverá efetivamente participar desse processo ancorada nessa nova lei. Esses protagonistas históricos na gestão dos resíduos nas cidades que contribuem com seu trabalho na cadeia produtiva da reciclagem merecem políticas públicas que fortaleçam seu perfil empreendedor apesar de primeiramente estarem incluídos nesse processo por mera necessidade de sobrevivência, invisíveis na informalidade que atuam o que consequentemente pode mudar frente a esse novo reconhecimento e amparo legal advindo dessa nova lei. Tal amparo coloca o catador numa perspectiva de reconhecimento e visibilidade menos marginalizada conscientizando a sociedade sobre a importância de seu trabalho. Conforme apresentado por Polônio (1999):

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“Se não fosse pelo trabalho que nelas desenvolvem, estariam fora do mercado de trabalho, sem qualquer fonte de renda, possibilitando ao homem comum uma melhoria em seu nível de vida, através da valorização do seu trabalho, respeitando-lhe e preservando-lhe a livre iniciativa”. (POLÔNIO, 1999, p.42)

No Estado de São Paulo o CONSEMA, Conselho Estadual do Meio Ambiente é o órgão superior de caráter colegiado, consultivo, normativo e deliberativo, que integra o Sistema Nacional do Meio Ambiente. Esse órgão foi motivado a promulgar a Resolução SMA 38/2011 para garantir o envolvimento responsável de todos os atores (população em geral, entidades da sociedade civil organizada, academia, parlamentares, Ministério Público, etc.) na implantação da responsabilidade pós-consumo e destinação final dos resíduos sólidos.
Nota de Esclarecimento nº 2 – Resolução SMA 38/2011 [...]No âmbito do Estado de São Paulo, a necessidade de se dar a correta destinação aos resíduos sólidos pós-consumo já é questão sedimentada desde 2006 (Lei Estadual n° 12.300/2006). Assim, a principal motivação da SMA ao promulgar a Resolução SMA 38/2011 é iniciar, do ponto de vista prático, a implantação da responsabilidade pós-consumo, sendo que a discussão de como isso será feito partirá do diálogo junto aos setores envolvidos[...]

As cooperativas de catadores de lixo reciclável vêm demonstrando ser uma importante alternativa na resolução da problemática dos resíduos sólidos através da coleta seletiva de materiais recicláveis e na incorporação dos profissionais catadores nessa organização como forma de geração de emprego e renda. Onde as cooperativas se transformam num meio viável para a retirada dos catadores da informalidade, lhes proporcionando maior qualidade de vida, proteção à saúde e previdência social, além de quando organizadas cooperarem para a despoluição das cidades mediante a coleta seletiva de materiais recicláveis ao mesmo tempo em que paralelamente contribuírem ambientalmente com o planeta globalmente. De acordo com a LEI nº 12.305, de 2 de agosto de 2010:
[..] § 1 Para o cumprimento do disposto nos incisos I a IV do caput, o titular dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos priorizará a organização e o funcionamento de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis formadas por pessoas físicas de baixa renda, bem como sua contratação [..] (BRASIL, 2010).
o

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Entretanto, para o reconhecimento dessa categoria que catalisa grande evolução para o desenvolvimento sustentável na questão que envolve o lixo urbano, existe além da Lei nº 12305/10 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a aprovação do Projeto de Lei nº 6822/10 do Senado Federal (O projeto tramita em caráter conclusivo) que regulamenta o exercício da profissão de catador de materiais recicláveis e reciclador de papel. Trazendo embasamento jurídico para essa classe trabalhadora minimizando as vulnerabilidades a que estão expostos na sua prestação de serviço a sociedade como um todo e que acaba favorecendo o município

economicamente ao separar do lixo comum o reciclável, não permitindo seu envio aos aterros sanitários saturando rapidamente sua capacidade e assim comprometendo o ambiente. Segundo A Política Nacional de Resíduos Sólidos (2010) o Poder Público Municipal tem algumas obrigações conforme adaptação referente à LEI 12.305/10 de GUARNIERI (2011, p.117):
[...] Neste grupo se enquadram as Prefeituras Municipais responsáveis pelos serviços de limpeza urbana e coleta/manejo dos resíduos sólidos urbanos, conforme art. 36 da PNRS. Esses atores devem assumir: - o estabelecimento de sistemas de coleta seletiva; - a articulação com os agentes econômicos e sociais de medidas para viabilizar; o retorno ao ciclo produtivo dos resíduos sólidos; - a implantação de sistemas de compostagem para os resíduos orgânicos e a definição de sua utilização; - a disposição final ambientalmente adequada dos resíduos e rejeitos gerados; - a contribuição de parcerias com cooperativas ou empresas terceirizadas que realizem parte ou toda a gestão dos resíduos mediante licitação que deve estar de acordo com o inciso XXVEE do art. 24 da Lei nº 8666/93 (art. 36 PNRS)

Todavia nesse contexto, são identificadas limitações assim como oportunidades na otimização e na gestão dos resíduos sólidos no Brasil. Entretanto os municípios precisam se nortear pelo Plano Nacional de Resíduos Sólidos e aplicar a legislação seriamente e preparar-se para enfrentar outros desafios que virão pelo caminho rumo à sustentabilidade e para o sucesso desta onde se fará necessário desenvolver na sociedade uma conscientização mais crítica e participativa em relação às atitudes e aos comportamentos dos seres humanos com o meio ambiente e desta forma levá-la a assumir suas responsabilidades com a preservação do meio ambiente e seguindo esse novo

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paradigma estabelecido para o futuro de nosso planeta, pois, ou preservamos ou também entraremos em extinção.
“Praticas como redução na fonte, reutilização de materiais, reciclagem e disposição final correta de resíduos são fundamentais para que o desenvolvimento sustentável seja alcançado e, para que estas práticas tenham sucesso, devem ser fundamentadas em processos de logística reversa adequadamente estruturados.”(GUARNIERI,2011,p.115)

Dentro desse plano, as cooperativas de catadores de lixo são componente importante na logística reversa, pois além de ser a importante alternativa que abrange o tripé da sustentabilidade envolvendo soluções ambientais, econômicas e sociais, estes também resolvem grande parte da problemática ambiental gerada pela quantidade de lixo procedente do consumo exacerbado e da descartabilidade atual do mercado de produção.
“A logística reversa é justamente a estratégia que cumpre o papel de operacionalizar o retorno dos resíduos de pós-venda e pós-consumo ao ambiente de negócios e/ou produtivo,considerando que somente dispor resíduos em aterros sanitários, controlados ou lixões não basta no atual contexto empresarial.” (GUARNIERI,2011,p.29)

Da mesma forma que os catadores e as cooperativas de recicláveis marcam significativa presença no fator determinante do expressivo crescimento da indústria recicladora, que se utiliza da matéria-prima oriunda do “lixo” e no uso da força do trabalho desses agentes ambientais sem dar a eles ao menos o reconhecimento de sua condição de “produtor de riqueza social”, onde Silva (2011) destaca:
“[...] é notável a capacidade do sistema capitalista de converter em seu favor as mazelas de sua produção destrutiva, seja através da transformação dos dejetos e poluentes em objeto mercantil, seja incorporando-as em poderosos instrumentos de legitimação social.” (SILVA, 2011, p. 143)

Embora a legislação sobre a gestão dos resíduos sólidos esteja aprovada e com prazos determinados de implantação pelos Estados e Municípios, a sociedade como um todo está alheia dessas informações bem como quanto ao compartilhamento de responsabilidades com essa nova legislação. Entretanto ela convive com a questão ambiental, social e econômica na porta de sua casa toda vez que coloca para fora o “lixo” para coleta urbana municipal levar para “longe” de suas vistas. Todavia ele é remexido em busca de sobrevivência por catadores que no decorrer do dia irão interromper sua

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pressa para chegar ao trabalho puxando a sua frente uma carrocinha cheia de “lixo” e não obstante cruzará por uma comunidade com vulneráveis habitações rodeadas daquele mesmo “lixo” embalados em grandes sacos ou espalhados em montes designados provedores de sustento. Entretanto o tripé que ampara a sustentabilidade acaba por acompanhar a vida contemporânea não sendo mais possível viver sem a produção, seja ela de produtos para o consumo ou a produção de dejetos, de “lixo”. Onde a faceta “economia” tanto está presente na produção e consumo quanto no descarte, assim como o “social” também está presente na produção, na força do trabalho, identicamente como é visto no descarte onde um ser social marginalizado utiliza-o como meio de sobrevivência. Logo, resta à questão “ambiental” ser apenas o ambiente onde tudo se deflagra. Conclui-se que a problemática ambiental só será percebida quando houver uma metamorfose cultural da sociedade, onde essa sociedade que nega vida ao ambiente a cada consumo, mas que não poderá negar por muito tempo, pois a sua existência depende desse ambiente vivo também. Recai então sobre essa sociedade a necessidade de estarem mais presentes e conscientes com atitudes e hábitos mais sustentáveis compartilhando responsabilidades de forma global.

2.4 A Informalidade Como Meio de Sobrevivência na Dialética Capitalista
“Antes de tudo, o trabalho é um processo entre o homem e a natureza, um processo em que o homem, por sua própria ação, media, regula e controla seu metabolismo com a Natureza. Ele mesmo se defronta com a matéria natural como uma força natural. Ele põe em movimento as forças naturais pertencentes à sua corporalidade, braços, pernas, cabeça e mãos, a fim de apropriar-se da matéria natural numa forma útil para sua própria vida. A atuar, por meio desse movimento sobre a Natureza externa a ele, e ao modificála, ele modifica a sua própria natureza” (MARX, 1978, p.148).

O crescimento populacional e a crescente expansão de tecnologias impostas pelo modo capitalista de produção fazem com que as relações sociais com o econômico entrem numa profusão de conflitos no meio urbano levando ao surgimento de novos postos de trabalho, pois como Marx (1978) coloca

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acima, o trabalho é uma busca natural que faz com que o homem se adapte se module a natureza e ao ambiente para cumprir seu protagonismo pessoal. Por meio dessa transformação social e econômica em que o homem é inserido pelas forças da dialética do mercado de capital ele apreende que o movimento é contraditório ao metabolismo desta sociedade do capital, onde a inclusão desse homem na informalidade é um fator proveniente da exclusão desse mesmo homem do mercado de trabalho.
“há uma forte correlação entre lugar ocupado na divisão social do trabalho e a participação nas redes de sociabilidade e nos sistemas de proteção que cobrem um indivíduo diante dos acasos da existência. Donde a possibilidade de construir o que chamarei, metaforicamente de ‘zonas’ de coesão social. Assim, a associação trabalho estável inserção relacional sólida caracteriza uma área de integração. Inversamente, a ausência de participação em qualquer atividade produtiva e o isolamento relacional conjugam seus efeitos negativos para produzir a exclusão [...].A vulnerabilidade social é uma zona intermediária,instável, que conjuga a precariedade do trabalho e a fragilidade dos suportes de proximidade.”(CASTEL,1998,p.24 apud GONÇALVES,2005 p. 100)

Sob a lógica do sistema capitalista de produção, vários aspectos na divisão social do trabalho se apresentam, pois a cada inovação tecnológica sujem novas formas de gestão destas relações de produção, contrapondo a organização e expressão territorial do trabalho na sociedade. Essa

flexibilização, oportuniza a precarização do trabalho, onde culmina com o crescente número de trabalhadores disputando espaço nos centros urbanos brasileiros, abarcados por essa reestruturação produtiva capitalista motivando uma enorme gama de trabalhadores sujeitados a condições cada vez mais precárias e distanciados de direitos trabalhistas e qualquer proteção social dentro da dinâmica do trabalho informal. Creditando ao acelerado crescimento demográfico urbano nos países de terceiro mundo, de acordo com Forbes (1989), já na década de 70, a informalidade no trabalho começa a ser compreendida como o setor econômico que acolhe os trabalhadores incapazes de serem agregados aos setores produtivos mais importantes da economia capitalista, sendo obrigados a buscar meios de sobrevivência em atividades economicamente menos importantes. O setor informal nasce no contexto da economia urbana como sendo de grande importância para a manutenção do pragmatismo da ordem social onde as atividades desenvolvidas nesse setor informal exercem um papel

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social e econômico muitas vezes bastante eficaz e necessário oportunizando a inclusão desses trabalhadores desqualificados, em situação de pobreza, marginalização e de desemprego, porém de acordo com Telles (1994, p. 99):
“as atividades no mercado informal, por mais constantes e persistentes que venham a se tornar, não são consideradas trabalho, sendo este rigor definido por referência à carteira de trabalho assinada que lhes confere identidade e lhes garante direitos sociais, tudo o mais caindo na categoria genérica das atividades de sobrevivência, algo como ‘viração’ que, a rigor, caracteriza o pobre, mas não o trabalhador.”

As razões ideopolíticas que garantem a base dessa pseudo-inclusão de trabalhadores no meio informal se apresenta no contexto social como outro meio desses trabalhadores serem aviltados e desonerados de direitos sociais ao mesmo tempo que garante ao capital à exploração da força criativa do trabalho humano promovendo cada vez mais um caráter predatório sob a lógica do sistema produtor numa nova divisão social do trabalho. Na conformação dessa nova divisão social do trabalho surgem diversificações profissionais dentro da informalidade, originando ocupações e prestações de serviços diversos tais como: vendedores ambulantes conhecidos como camelôs, sacoleiras, empregados domésticos, serventes na construção civil, roçadores de terrenos, catadores de recicláveis, tema principal desse trabalho. Essa nova classe de trabalhadores é composta em sua generalidade por pessoas desprovidas de qualificação técnica que tentam garantir sua inclusão no trabalho e na disputa pela sobrevivência dentro dessa sociedade privatista que acaba por consumir como mercadoria “exclusiva” a sua força de trabalho ao mesmo tempo em que se mostra indiferente a sua contribuição social, aumentando ainda mais sua exposição à exploração e a precariedade perante sua informalidade de trabalho.
“O predomínio do capital fetiche conduz à banalidade do humano, à descartabilidade e indiferença perante o outro, o que encontra na raiz das novas configurações da questão social na era das finanças. Nessa perspectiva, a questão social é mais do que as expressões de pobreza, miséria e exclusão. Condensa a banalização do humano, que atesta a radicalidade da alienação e a invisibilidade do trabalho social. (IAMAMOTO, 2007, P.125)

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A integração desses trabalhadores informais, na tentativa de firmar sua identidade após serem excluídos do mercado de trabalho ou ainda por nem terem tido a oportunidade de auferir experiência profissional, seja pela falta de preparo técnico/educacional ou pelas exigências do mercado acabam por manterem-se a margem da construção de sua própria identidade ocupacional. Esse episódio faz com que seja necessário um maior compromisso do Estado em ajustar políticas públicas para o retorno desse trabalhador a certa “formalidade” e ou vínculo a benefícios sociais mesmo que autonomamente.
“A Previdência Social é o seguro social para a pessoa que contribui. É uma instituição pública que tem como objetivo reconhecer e conceder direitos aos seus segurados. A renda transferida pela Previdência Social é utilizada para substituir a renda do trabalhador contribuinte, quando ele perde a capacidade de trabalho, seja pela doença, invalidez, idade avançada, morte e desemprego involuntário, ou mesmo a maternidade e a reclusão.”(BRASIL,2008)

Diante dessa prerrogativa de inclusão dos trabalhadores informais dentro de alguma formalidade que os ampare dando sustentação e estimulação, Arruda (1996: 27 apud LECHAT) apresentou um texto onde ele expõe o cooperativismo autogestionário e solidário como proposta para um desenvolvimento que “reconstrua o global a partir da diversidade do local e do nacional” .
É nesse processo que ganha enorme importância à práxis de um cooperativismo autônomo, autogestionário e solidário, que inova no espaço da empresa, comunidade humana e também na relação de troca entre os diversos agentes; (...) o associativismo e o cooperativismo autogestionário, transformados em projeto estratégico, podem ser os meios mais adequados para a reestruturação socioeconômica na nova era que se anuncia (ARRUDA , 1996: 4 apud LECHAT, 2002, p.11)

Essas intervenções em direção a auto-sustentação e autopromoção potencializam a união da sociedade ao preconizaram o trabalho como um meio de libertação humana dentro de um processo de democratização econômica, criando uma alternativa à dimensão alienante das relações do trabalho capitalista, contudo sem deixar que os trabalhadores sejam inibidos de seus direitos valorizando a participação, o igualitarismo, a cooperação no trabalho, a auto-sustentação e o desenvolvimento humano (GAIGER, 1999). Conclui-se que a informalidade mesmo centrada dentro do mercado capitalista pode se democratizar no momento em que esse trabalhador busca

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sua plena cidadania estabelecendo sua condição de sujeito do seu próprio protagonismo unindo-se a outros desejos e aspirações num movimento que redirecione os mercados aproveitando as oportunidades abertas dentro desse sistema fundamentado na competição. (ARRUDA,1998) Constituindo a economia solidária como uma estratégia de

enfrentamento da pobreza (SILVA,2002, p.126), este confronto contribui para a superação de sua própria exclusão do mercado de trabalho assim sua plena cidadania ao mesmo tempo em que garantindo

debela a ordem

capitalista transformando sua luta em emancipação e empoderamento como sujeito social, que até então estava invisível frente a sociedade na

informalidade de seu trabalho. Bem lembrado por Arruda:
“1.5 Estabelecer um sólido e permanente processo de educação dos trabalhadores, a fim de que se apropriem da visão, dos conhecimentos e dos instrumentos aptos para a transformação de si próprios em trabalhadores-empreendedores autónomos e solidários, e das suas empresas em cooperativas, ao mesmo tempo, em comunidades plenamente humanas.” (ARRUDA,1998)

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CAPITULO III 3. A PESQUISA 3.1 Disposições dos dados da Cooperativa Coopervida

O presente estudo iniciou-se no segundo semestre de 2009, quando fizemos uma visita institucional para coletar dados para compor um trabalho de atividade complementar. Foi constatado que algumas mudanças ocorreram no campo da pesquisa, porém outras permanecem iguais desde a visita institucional ocorrida em 2009. A Coopervida em 2009 tinha 15 membros cooperados, utilizava um espaço físico emprestado, três veículos sendo um caminhão baú, um caminhão menor de carroceria e uma Kombi, todos em péssimas condições, porém percorriam 60% da cidade fazendo coleta porta a porta, coletando uma média de 50 toneladas mês de recicláveis o que correspondia a 3% de todo lixo urbano coletado pelo serviço público municipal. Essa é uma marca excepcional atingida por uma cooperativa de Recicladores para uma cidade de 86.505 habitantes (IBGE 2010) tão mal instrumentalizada. Porém hoje no retorno ao “lócus” da pesquisa verificamos que a Coopervida já não possui mais os três veículos, onde a Kombi foi vendida quase como sucata e o caminhão de carroceria após um gasto com retificação do motor foi roubado de dentro do barracão que hoje é alugado a um custo de R$ 2.350,00 mensais. Também diminui em 30% o número de membros cooperados, compondo hoje o quadro com 10 membros associados. Hoje são coletados 35 toneladas/mês , houve no entanto uma queda de 30 % do volume coletado desde 2009. Ademais o andamento da cooperativa também se adaptou ao mercado que devido a crise americana acabou refletindo no preço pago aos materiais recicláveis coletados prensados e vendidos, momento que houve uma queda vertiginosa causando desinteresse pelos catadores informais na coleta de papel/papelão e também diminuindo o ganho das cooperativas. Atualmente conforme entrevista com o presidente (anexo 1) se conserva da mesma forma os benefícios e a distribuição da renda obtida, onde além do

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rateio dos valores auferidos pela venda do material coletado e separado, possuem todos os associados como beneficio: Seguro de vida, benefícios

previdenciários, pois é descontado de todos os associados a contribuição a Previdência Social como autônomos, e convênio com farmácia para compra de medicamentos que são descontados do rendimento mensal. São fornecidos uniformes e EPIs como luvas, botinas e mascaras, mas podemos observar nas visitas durante a pesquisa que os mesmos não usavam os equipamentos de EPI, foi possível verificar apenas o uso de luvas pelos trabalhadores da triagem, dado que se manteve idêntico ao percebido nas visitas em 2009. Apesar dessa falha na segurança, o índice de acidentes de trabalho é desconsiderável, pois ocorreram nos últimos cinco anos dois casos com cortes nas mãos, não gerando afastamento. Durante os últimos cinco anos houve dois afastamentos pelo INSS, porém um por doença pré-existente e outro por licença maternidade. Há uma adesão de 100% dos associados nas reuniões propostas para decisões dentro da cooperativa. Quanto a participação efetiva com opinião sobre assuntos colocados em pauta apenas 30 % costuma se manifestar, porém tudo é colocado em votação e somente o que for decidido a consenso é realmente colocado em prática. Constatou-se que há baixa relação entre ter sido catador informal antes de ser associado dessa cooperativa, pois entre os sujeitos entrevistados apenas um se pronunciou ter trabalhado informalmente com reciclagens antes de entrar para a Coopervida. A maioria dos associados entra na Coopervida através de indicação de outros associados, porém existe um arquivo com currículos deixados na sede da cooperativa, onde no critério de triagem é dando preferência a pessoas sem nenhuma renda e com baixa escolaridade. Todos associados contribuem com uma quota associativa de R$ 100,00 que são parceladas em 20 meses

3.2 Sujeitos da Pesquisa

Os dados que se seguem correspondem aos dados quantitativos e qualitativos obtidos através de entrevista semi-estruturada (anexos 2 e 3 ) onde

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será possível verificar através do paralelo entre as duas categorias, Catadores Informais e Catadores cooperativados os subsídios para responder as hipóteses apresentadas. Quanto a variação de idade encontrada entre os catadores entrevistados conforme a tabela 1.1 , nas duas categorias podemos verificar que há maior número de cooperados com idade entre 30 e 50 anos e no trabalho informal pelas ruas de Moji Mirim foi encontrado maior número de trabalhadores com idade superior a 51 anos.
Tabela 1.1
COOPERATIVADOS INFORMAIS

Intervalo De Idades
21 A 30 2

Em %

Em %

19

31 A 40

39

2

41 A 50

38

20

51 A 60

19

39

+ DE 61

2

20

Quanto ao gênero houve uma inversão nítida entre informais e cooperativados, onde na informalidade predomina mais o gênero masculino no trabalho com catação de reciclagens e entre os cooperativados a maioria são mulheres que trabalham principalmente no setor de triagem e algumas na coleta porta a porta. Ficando para os homens a movimentação dos materiais dispostos por bags entre os departamentos de triagem, prensa e

armazenamento.
Gráfico 1.3 Gráfico 1.4

INFORMAIS

COOPERATIVADOS

40% 60%

HOMEM MULHER

HOMEM MULHER

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Constatamos conforme o gráfico 1.5 que entre os cooperativados a escolaridade é mais baixa, e entre os sujeitos entrevistados não foi demonstrado interesse em voltar estudar, porém demonstraram interesse em receber cursos de capacitação para artesanato ou outros que ensinem a transformar reciclagem em arte.
Gráfico 1.5
4 3 2 1 0

Informais coperativados

Quanto a profissão anterior ou atividade anterior que desenvolviam antes de entrar para a catação de recicláveis constatou-se que as mulheres na grande maioria são oriundas do trabalho doméstico e os homens do trabalho rural e também da construção civil, dados que se associam muito ao fato da baixa escolaridade que possuem. Os entrevistados que vieram do setor rural na sua maioria relataram não ter conseguido emprego na cidade e então entraram para catação de reciclagem. Porém quanto a moradia percebemos através dos dados coletados que 70 % dos entrevistados possuem casa própria e os demais moram em casa alugada. Entretanto em torno de 95 % dos entrevistados possuem

dependentes de sua renda. Foi questionado a todos os entrevistados (anexo 2 e 3) nos dois campos de pesquisa sobre a quantidade de pessoas que moram na mesma casa e quantos trabalhavam , constatando-se assim que a per capita acaba sendo muito baixa pois moram muitas pessoas entre crianças e adultos que não trabalham na mesma casa. Do público alvo desta pesquisa, 86 % vivem apenas da coleta do lixo, enquanto 20 % recebem Benefício de Prestação Continuada ou bolsa família, e outros 20 % retiram da coleta seletiva objetos em bom estado para vender em empreendimento pessoal e também transformam óleo usado em sabão para uso próprio e para venda.

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3.3 Trabalho e Rendimentos

Quanto aos rendimentos auferidos mensalmente pelas duas categorias na coleta e tratamento dos recicláveis podemos observar que os catadores cooperativados conseguem retirar livre das contribuições a previdência 13 % a mais que o salário mínimo vigente de R$ 622,00. Já os catadores informais atingem uma média de ganho em torno de R$ 565,00, o que está 10% abaixo do salário mínimo vigente.

Gráfico 1.6

Média de Ganho Mensal
Informais 565 Cooperativados 700

Percebeu-se que nesse campo de trabalho há muita rotatividade dentre os cooperativados, pois entre os entrevistados podemos encontrar sujeitos com três meses de cooperativa, mas que já haviam trabalhado na Coopervida em outra ocasião, e outros que estão entre 6 a 8 anos nesta mesma cooperativa. Os entrevistados com pouco tempo na cooperativa demonstraram estar apenas transitoriamente até arrumar um emprego. O que foi constatado entre os informais é que a maioria dos entrevistados está no trabalho com catação de reciclagens a mais de 05 anos.
Gráfico 1.7 MEDIA EM ANOS NO TRABALHO COM RECICLAVEIS
Cooperativados Informais 4,4 4,6 4,8 5 5,2 5,4 5,6 5,8 6 6,2

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Quanto ao questionamento (anexos 3 e 4) sobre o que gostariam de ter garantido sendo catador/reciclador, a maioria demonstrou interesse por melhor preço do material coletado, porém acrescentavam dados aos itens sugeridos, como em referência a parceria com a Prefeitura e associação a uma cooperativa de recicladores apenas 1 se manifestou favorável . Também bastante citado entre os catadores informais e cooperativados a questão do reconhecimento e respeito pela sociedade.Apenas um gostaria de ter melhor maquinário para trabalhar.
Gráfico 1.8

+ BENEFÍCIOS GARANTIDOS
Parceria Prefeitura Melhor preço Reconhecimento Melhor maquinário

Entre todos os trabalhadores informais entrevistados há uma variação de horas trabalhadas durante o dia, porém a maioria trabalha mais de 6 horas por dia só na catação, alguns levam serviço para casa para separar, outros separam pelo caminho para acomodar melhor o material em sua carrocinha. Alguns sujeitos entrevistados são especializados em dois ou três produtos como papelão, plástico mole e latinhas de alumínio, mas a maioria trabalha com todos os tipos de materiais recicláveis. Já os cooperativados trabalham diariamente 9 horas. Gráfico 1.9
9 HORAS 8,5 8 7,5 Informais Cooperativados HORAS TRABALHADAS DIA

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Foi possível constatar pela observação e também em alguns relatos que a ergonomia do espaço de triagem dentro da Coopervida não é o mais indicado, pois não há esteiras e sim baias com altura fixa onde são jogados após serem pesados os materiais coletados para posteriormente serem separados por espécie e dispostos em toneis e bags seletivamente. Esse trabalho é repetitivo e pode resultar em lesões nos membros superiores devido ao expressivo tempo trabalhado nesse setor, cada cooperado que trabalha na triagem separa em média 500 kg de material por dia. Os sujeitos que relataram dores e incômodos foram remanejados para trabalhar na coleta porta a porta. Apesar de no final do expediente a carrocinha de transporte se encontrar bastante pesada com recicláveis , entre os catadores informais entrevistados, não houve nenhuma queixa quanto a problemas de saúde devido esse trabalho diário. desenvolvidos

3.4 Conhecimento Informalidade

sobre o

Cooperativismo

e Atributos da

A maioria dos catadores informais respondeu não saber da existência de uma cooperativa de recicláveis em Mogi Mirim e também não sabiam como é o funcionamento de uma cooperativa. Após ouvirem as informações básicas sobre o funcionamento de uma cooperativa acharam interessante o funcionamento, porém não demonstraram nenhum interesse em tal associação. Entretanto entre os cooperativados o quesito informações sobre cooperativas já se diferenciou bastante, pois os trabalhadores na Coopervida demonstraram amplo conhecimento de benefícios oferecidos por cooperativas da capital paulista e demonstraram querer alcançar os mesmos benefícios. Entre os catadores informais a maioria mora em um local e trabalha em outra região fazendo coleta, a maioria possui uma carrocinha para puxar ou empurrar, costuma juntar uma quantidade maior de recicláveis para depois vender a um sucateiro, todos armazenam em casa até atingir uma boa quantidade para a venda. Outro dado encontrado entre os informais é que entraram para a reciclagem por se encontrarem certo tempo desempregados, 100% não contribui com a Previdência Social, apenas contribuíram quando eram

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registrados. Quando ficam impossibilitados de trabalhar não possuem outra renda e nem outra pessoa que trabalhe em seu lugar para ajudar,e devido a idade também não participam de nenhum programa de distribuição de renda.

3.5 Consciência Ambiental

Quanto à consciência ambiental no questionamento do fato de se considerarem como agentes ambientais, 100 % dos catadores cooperados entrevistados responderam que se consideram agentes ambientais ao trabalharem com recicláveis. Já entre os catadores informais 10% responderam não e não sei. Dentre esses que responderam “não/não sei” constatou-se também certa revolta quanto à sociedade onde relataram alguns maus tratos ou desrespeitos a que passaram na catação de recicláveis diretamente nas lixeiras das casas ou humilhação sofrida por ofensas vindas de crianças e jovens pela rua. No que se refere à questão da participação da sociedade na reciclagem entre os membros entrevistados da cooperativa 90 % declararam ser boa, inclusive ressaltando doações de alimentos e objetos para o lar. Apenas 10% relatou ser regular. Já entre os catadores informais houve certo equilíbrio nas declarações onde 50% acham a participação da sociedade nesse programa de coleta seletiva boa e o restante regular. Citaram o fato das pessoas misturarem lixo entre os recicláveis e também objetos contaminados como seringas e papel higiênico além de objetos cortantes como vidros quebrados sendo esse o principal motivo relatado devido ao alto índice de cortes provocados nas mãos pelo mau acondicionamento desses materiais pela sociedade.

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CAPITULO IV 4. CONCLUSÃO 4.1 Conferindo as hipóteses

De acordo com a pesquisa e os dados levantados sobre as duas categorias de catadores concluímos que efetivamente para acontecer à inclusão da categoria de catadores informais dentro da Política Nacional de Resíduos Sólidos instituída em Agosto/2010 se faz necessária uma abordagem mais comprometida do poder Municipal junto da assistência Social para movimentar programas e ou projetos junto desses sujeitos conhecendo seu número exato dentro do Município de Moji Mirim para assim ser possível motivar intervenções sociais para com esse grupo. Quando procurada a Promoção Social do Município de Mogi Mirim durante a pesquisa de campo na busca de dados cadastrais desses sujeitos, foi informado pelo chefe da Divisão de Assistência do Departamento de Promoção Social de Mogi Mirim que não haveria nenhum dado sobre essa categoria de trabalhadores envolvidos com catação de recicláveis, mesmo no cadastro Único do município, e tão pouco quanto os incluídos na Coopervida Cooperativa de trabalho Vida Nova Mogi Mirim. Constatamos por meio da pesquisa que Mogi Mirim possui

aproximadamente em torno de 15 a 30 catadores informais percorrendo as ruas dos bairros da cidade além dos que catam aleatoriamente não fazendo dessa atividade uma forma de renda mensal, mas uma forma de rendimento imediato para satisfações momentâneas e por vezes motivadas pelo vício em drogas ilícitas ou mesmo álcool. Importante lembrar que dentro da Política Nacional de Resíduos Sólidos aonde faz referência à inserção da coleta seletiva aos Municípios e também da inclusão dos catadores de reciclagens nesse processo, faz também referência sobre esta inclusão ser através de Cooperativas ou Associações de catadores o que torna a abordagem dessa pesquisa importante, pois resalta então a necessidade de um programa para conhecer a realidade dessa categoria informal que exerce continuamente essa atividade dentro da cidade de Mogi

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Mirim, constituindo assim instrumentos para projetos de inclusão e também de subsídios para intervenção do município junto a cooperativa já existente pesquisada nesse trabalho e os catadores que trabalham na informalidade possibilitando a essa categoria melhor exercício da cidadania, sua efetiva

inclusão ao emprego e renda lhes garantindo assim maiores benefícios sociais e assistenciais efetivados através de seu cadastro junto ao município.
Agora, em pleno século XXI, já percebemos, no cotidiano, a urgente necessidade de transformações que resgatem o RESPEITO PELA VIDA, com justiça ambiental, equidade, diversidade, sustentabilidade e... beleza. (UNESCO, 2007 p. 5)

A educação ambiental é outro braço importante nesse processo que se torna parte no enfrentamento dessa tensão radicalizando seu compromisso com mudanças de comportamento, sentimentos e atitudes visando sensibilizar e motivar a sociedade como um todo encaminhando a uma reflexão crítica dos problemas socioambientais, reconhecendo a importância desses sujeitos verdadeiros e empenhados agentes ambientais que convivem no dia a dia com a sociedade proporcionando a essa mais conforto lhes distanciando do incomodo dos seus descartes, dos seus “lixos”. Nesse aspecto da educação ambiental também entra a ação profissional do assistente social que poderá

desenvolver junto a esse público atividades de natureza conscientizatórias sobre a importância do trabalho que prestam a sociedade e o meio ambiente além de atender as necessidades sociais que se apresentarem dentro da organização, com a família desses sujeitos dentro da organização e também junto a comunidade no intuito de garantia de direitos sociais. Embora a legislação sobre a gestão dos resíduos sólidos esteja aprovada e com prazos determinados de implantação pelos Estados e Municípios, a sociedade como um todo está alheia dessas informações bem como quanto ao compartilhamento de responsabilidades com essa nova legislação. Entretanto ela convive com a questão ambiental, social e econômica na porta de sua casa toda vez que coloca para fora o “lixo” para coleta urbana municipal levar para “longe” de suas vistas. Todavia esse “lixo” é remexido na busca de sobrevivência por catadores que no decorrer do dia irão interromper sua pressa para chegar ao trabalho puxando a sua frente uma carrocinha cheia atender as necessidades na perspectiva da

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de “lixo” e não obstante cruzará por uma comunidade com vulneráveis habitações rodeadas daquele mesmo “lixo” embalados em grandes sacos ou espalhados em montes sujeitos. Entretanto o tripé que ampara a sustentabilidade acaba por acompanhar a vida contemporânea não sendo mais possível viver sem a produção, seja ela de produtos para o consumo ou a produção de dejetos, de “lixo”. Onde a faceta “economia” tanto está presente na produção e consumo quanto no descarte, assim como o “social” também está presente na produção, na força do trabalho que o usa, identicamente como é visto no descarte onde um ser social marginalizado utiliza-o como meio de sobrevivência.
"[...]Primeiro: Cuidado é uma atitude de relação amorosa, suave, amigável, harmoniosa e protetora para com a realidade, pessoal, social e ambiental. Metaforicamente podemos dizer que o cuidado é a mão aberta que se estende para a carícia essencial, para o aperto das mãos, com os dedos que se entrelaçam com outros dedos para formar uma aliança de cooperação e a união de forças. Ele se opõe à mão fechada e ao punho cerrado para submeter e dominar o outro."(BOFF, 2012)

designados como provedores de sustento desses

A educação ambiental necessária é a que trará a sociedade para dentro do terreno político-ideológico da problemática ambiental, onde o “consumo consciente” e o fim das práticas predatórias seriam responsabilidade de toda a humanidade, porém dentro de um processo democratizante com uma nova consolidação da relação humana e o meio ambiente como expressada metaforicamente por Boff, propiciando uma reflexão teórica ampliando o debate político sem, contudo, perder a dimensão das práticas cotidianas. Onde além de políticas públicas se faz necessária a participação da sociedade atuante e consciente das atitudes que venha a tomar terão uma resposta diferente a si e todo o ambiente.

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5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ABRELPE – Associação Brasileira das empresas de limpeza pública e resíduos especiais - Panorama dos resíduos sólidos no Brasil, 2010 AGUAYO, Inmaculada Herranz – O meio ambiente como fator de desenvolvimento : Uma perspectiva a partir do serviço social, São Paulo, 2011 Cortez BRASIL - Programas municipais de coleta seletiva de lixo como fator de sustentabilidade dos sistemas públicos de saneamento ambiental na região metropolitana de São Paulo - Fundação Nacional de Saúde. – Brasília , Fundação Nacional de Saúde, 2010.168 p. Il CEMPRE – Compromisso Empresarial para a Reciclagem - Lixo Municipal: Manual de Gerenciamento Integrado São Paulo, 2000 FORBES, D.K. O emprego e o setor informal - Uma visão crítica da geografia do subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989, p. 288-296. GAIGER, Luis Inácio - BESSON, M.; LARA, F. e SOMMER, I. A Economia Solidária no RS: viabilidade e perspectivas. Cadernos CEDOPE – Série Movimentos Sociais e Cultura, n.º 15. São Leopoldo: Unisinos, 1999 GAIGER, Luis Inácio - Empreendimentos solidários - uma alternativa para a economia popular? Formas de combate e de resistência à pobreza. São Leopoldo : UNISINOS, 1996, p. 101-126. GARCÍA, Luis Miguel Rondón – O meio ambiente como fator de desenvolvimento : Uma perspectiva a partir do serviço social, São Paulo, 2011 Cortez IAMAMOTO, Marilda Villela - Serviço Social em tempo de capital fetiche: Capital financeiro e questão social. São Paulo: Cortez, 2007 IPT/CEMPRE - Instituto de Pesquisas Tecnológicas -Lixo municipal: manual de gerenciamento integrado. 1 ed ., SãoPaulo, Publicação IPT 2163, 1995 GóMEZ, J. Andrés Domínguez , AGUADO, Octávio Vásquez , PEREZ, Alejandro Gaona – Serviço Social e Meio Ambiente – Ed. 4 – São Paulo, Cortez, 2011 LECHAT, Noëlle Marie Paule - As Raízes Históricas Da Economia Solidária E Seu Aparecimento No Brasil – Palestra no II Seminário de incubadoras tecnológicas de cooperativas populares, São Paulo, 2002 UNICAMP

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55

BARRETO, kaique , Sob Carlos Nelson, custo do lixo aumenta 166% , O Popular ,Mogi Mirim, 15 de Outubro de 2011- Cidade – P. A4.

5.1 Fontes eletrônicas: ABAL- Associação Brasileira do Alumínio - Reciclagem, Latinhas Campeãs Disponível em: http://www.abal.org.br/reciclagem/latas_pinda.asp acesso em: 14/04/2012 ARRUDA , M. - Globalização E Sociedade Civil- Repensando o cooperativismo no contexto da cidadania Ativa - Globalização Competitiva e Desenvolvimento proposta n°65 , 1998. Disponível em: http://www.apagina.pt/?aba=7&cat=65&doc=7250&mid=2 Acesso em: 24/03/2012 ABRELPE – Associação Brasileira de limpeza Pública e Resíduos Especiais Panorama dos resíduos sólidos no Brasil , são Paulo, 2010 BRASÍL. Lei Federal nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 02 set. 1981. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6938.htm Acesso em: 25/03/2012. BRASIL - Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/823945/constituicao-darepublica-federativa-do-brasil-1988 Acesso em: 12/02/2012 BRASIL- Ministério da Previdência Social - Benefícios da Previdência Social - Disponível em: http://www.mpas.gov.br/conteudoDinamico.php?id=33 acesso em: 12/04/2012 BRASIL – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a fome Comitê Interministerial de Inclusão Social de Catadores de Materiais Recicláveis(CIISC),2003 Disponível em: http://www.mds.gov.br/sobreoministerio/orgaoscolegiados/orgaos-emdestaque/ciisc acesso em:12/02/2012. BRASIL - Presidência da República - Casa Civil - Subchefia para Assuntos Jurídicos- LEI Nº 12.305, DE 2 DE AGOSTO DE 2010. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm Acesso em 07/02/2012. BRASIL- Presidência da República - Casa Civil - Subchefia para Assuntos Jurídicos – Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20072010/2010/Decreto/D7405.htm Acesso em: 24/03/2012.

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BRASIL - Secretaria do Meio Ambiente – Nota de Esclarecimento - Política Estadual de Resíduos Sólidos Disponível em : http://www.ambiente.sp.gov.br/wp/residuossolidos/ Acesso em 10/02/2012. BOFF, Leonardo Não há Sustentabilidade sem Cuidado , disponível em: http://leonardoboff.wordpress.com/2012/05/18/nao-ha-sustentabilidade-sem-ocuidado/ acesso em 18/05/2012 CEMPRE – Compromisso Empresarial para a reciclagem – A Reciclagem do Lixo Como Oportunidade de Negócios – Disponível em : http://www.cempre.org.br/pequenas_empresas.php Acesso em: 14/04/2012 CEMPRE – Compromisso Empresarial para a Reciclagem – CicloSoft – Coleta seletiva – Disponível em :http://www.cempre.org.br/ciclosoft.php Acesso em: 20/02/2012 ETHOS – Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Plataforma para uma Economia Inclusiva, verde e responsável - 2011 Disponível em: http://www1.ethos.org.br/EthosWeb/arquivo/0-A974Plataforma%20por%20uma%20Economia%20Inclusiva,%20Verde%20e%2 0Respons%C3%A1vel.pdf acesso em: 20/03/2012 MARX, Karl. O Capital - Domínio Público: Marxists Internet Archives. Disponível em: http://www.elivros-gratis.net/elivros-gratis-karl-marx.asp Acesso em 10/02/2012 . MEC - Vamos cuidar do Brasil : conceitos e práticas em educação ambiental na escola - Brasilia, 2007 UNESCO . Disponível em : http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/publicacao3.pdf Acesso em : 29/03/2012 MNCR - Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis – Carta de Brasilia – 1º Congresso Nacionalde CatadoresdeRecicláveis – Disponivel em: http://www.mncr.org.br/box_1/principios-e-objetivos/carta-debrasilia- acesso em : 10/02/2012. LIXO.COM Disponível em: http://www.lixo.com.br/ Acesso em 20/03/2012 IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – Perfil dos Municípios Brasileiros Gestão Pública 2004, P. - Rio de Janeiro, Brasil Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/perfilmunic/2004/munic2004. pdf Acesso em: 10/02/2012 . IPEA - Políticas Sociais: Trabalho e renda - Acompanhamento e análise – Disponível em: http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/politicas_sociais/bps_19_cap 06.pdf ,2011 Acesso em 22/03/2012

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PNUMA, Relatório compilado - sobre o caminho para a economia verde Disponível: http://brasilpnuma.blogspot.com.br/ Disponível em inglês: www.unep.org/greeneconomy Acessado em : 22/03/2012 PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - Associarse, a saída para catadores de lixo, 2006 Disponível em: http://www.pnud.org.br/saneamento/reportagens/index.php?id01=2223&lay=sa n acesso em:20/03/2012. FUNDAÇÃO SEADE. Índice Paulista de Responsabilidade Social Fundação Seade, São Paulo, 2010. Disponível em: http://www.seade.gov.br/produtos/perfil/perfil.php acesso em: 12/03/2012.

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6. ANEXOS

ANEXO 1 – Questionário aplicado ao Diretor Presidente da Coopervida Cooperativa de Trabalho Vida Nova Moji Mirim
Identificação da cooperativa :______________________________________________ Nome do Presidente da Cooperativa:________________________________________ 1. A cooperativa é registrada? ( ) sim ( ) não ( ) em processo.

-

2. A cooperativa possui estatuto? ( ) sim ( ) não ( ) em discussão

3. Qual a data de início das atividades da cooperativa? Mogi Mirim , ___/___/_____ .

4. Qual foi o número inicial de cooperados?_______ 5. Se houve, qual a data de início da parceria com a prefeitura na coleta seletiva? ( ) Não houve ( ) Sim em : data ___/___/_____

6. Existe documento de formalização da parceria com a prefeitura? ( ( ) sim ) não qual? _________________________________________

7.Qual a porcentagem de coleta seletiva feita em Mogi Mirim? ____________Ton/Mês___________ 8. Qual o número atual de cooperados?_______________. 9. Qual o número de homens e de mulheres que integram a cooperativa atualmente ? _______homens _______mulheres

10. Qual a origem dos cooperados? ( ) ex-catadores de lixão ( ) ex-catadores autônomos ( ) desempregados ( ) donas de casa ( ) outros _________________________quais? __________________________________________

11 Qual a quantidade média triada por cada cooperado? _____________Ton/Mês 12. A área da Central de Triagem é: ( ) própria ( ) cedida pela prefeitura

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( ) cedida por outras instituições ( ) alugada pela cooperativa ( ) alugada pela prefeitura ( ) outros explicar_____________________________________________________________________ 13. Quais e quantos equipamentos existem disponíveis para a cooperativa e em que condições se encontram ? EQUIPAMENTOS Prensa Esteira Carrinhos de mão Caminhão Baú Kombi Caminh.carroceria Caminh.Compacta Balança Eletrônica Balança manual Triturador de vidro Outros Próprios Cedidos Doados Alugados Em uso Parado Em concerto qual ? _________________________________________________

14. Como você considera a participação da população no programa de coleta seletiva ? ( ) ruim ( ) regular ( ) boa ( ) ótima ( ) irresponsável ambientalmente

15. Os cooperados estão recolhendo o INSS? ( ) sim todos ( ) sim alguns ( ) não ( ) Nenhum deles.

16. Há realização de capacitação entre os cooperados ? Quais? ____________________________________________________________________________ Foram Realizadas por: ( ) ONGs contratadas ( ) Universidades ( ) Sebrae ( ) Fundação Banco do Brasil

( ) outros quais__________________________________

17. Quais as atividades da cooperativa? ( ( ( ( ( ( ) coleta ) triagem ) beneficiamento Quais? ______________________________________________ ) comercialização ) reciclagem ) divulgação do programa Qual forma?_____________________________________

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18. Como a cooperativa coleta o material reciclável? ( ( ( ( ( ( ( ) porta-a-porta ) PEVS (Pontos de Entrega Voluntária) ) entrega voluntária na central ) em pontos específicos ) recebe o material coletado pela prefeitura ) recebe o material da coleta por empresas contratadas pela prefeitura ) outros especificar___________________________________________________

19. Qual a porcentagem média de rejeito em relação ao material coletado? ( ) até 5% ( ) 5 a 10% ( ) 10 a 20% ( ) acima de 20% ( ) não sabe

20. Qual o valor médio BRUTO MENSAL arrecadado pela cooperativa com a venda dos materiais recicláveis? R$_______________________

21. Qual a renda mensal média distribuída por cooperado? R$ __________________________ 22. Existe outra fonte de renda além da comercialização dos materiais recicláveis? ( ) Não ( ) Sim Qual ? ____________________________________________

23. Existem outros parceiros da cooperativa? ( ) indústrias ( ) ONGs ( ) poder público Municipal , estadual ou federal ( ) Comércio ( ) entidades religiosas ( ) entidades filantrópicas ( ) outras instituições especificar________

24. Em que consiste a parceria? ( ( ( ( ( ( ) doação de equipamentos ) capacitação técnica e gerencial ) alfabetização ) doação de materiais recicláveis separados ) doação de material de divulgação ) outros especificar___________________________________________________________

25. Qual a forma de divulgação do programa de coleta seletiva?

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( ) só quando começou ( ) permanente ( uma vez a cada três meses) ( ) esporádica ( uma vez por ano) ( ) não existe ( ) outros especificar __________________________________________________ 27. Quantos cooperados comparecem em média nas reuniões da cooperativa? ( ) nenhum ( ) 10 a 30% ( ) 30 a 50% ( ) 50 a 75% ( ) 75% a 100%.

28. Quem toma as decisões na cooperativa? ( ) o presidente, sem discussão prévia ( ) o presidente, após discussão. ( ) por votação sem discussão prévia ( ) por votação após discussão prévia ( ) por votação após consenso ( ) por consenso após discussão. 29. Quais os benefícios sociais concedidos aos cooperados e quem os concede? Cooperativa Cestas básicas Serviços de saúde Transporte Alfabetização Férias Prêmios Seguro de vida Outros quais? Prefeitura Outros?Quais?

30. Quais os benefícios que a prefeitura disponibiliza para a cooperativa ? ( ) Isenção de ISS ( )Pagto de tarifas de água ( )Cestas básicas ( ) Capacitação técnica ( ) Pagto de tarifas de luz ( ) Combustível ( ) Aluguel Barracão

( )Motoristas para caminhões ( )Equipe de coleta ( ) Material de divulgação

( )Outros______________________________________

31. Quais os benefícios ajudariam a cooperativa se fossem viabilizados pela Prefeitura? ( ) Isenção de ISS ( )Pagto de tarifas de água ( )Cestas básicas ( ) Capacitação técnica ( ) Pagto de tarifas de luz ( ) Combustível ( ) Aluguel Barracão

( )Motoristas para caminhões ( )Equipe de coleta ( ) Material de divulgação

( )Outros______________________________________

32. Como considera a relação da cooperativa com a prefeitura?

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( ) ruim ( ) boa ( ) regular ( ) ótima

33. Qual o número de horas trabalhadas por dia pela maioria dos catadores? ( ) 0-4hs ( ) 4 a 8 horas ( ) 8 a 12horas

34. Quais os EPIs – Equipamentos de Proteção Individual que a cooperativa possui? ( ( ( ( ) luvas ) botas ) óculos ) outros Quais ? _______________________________________________________

35. Quais os EPIs que os cooperados utilizam? ( ( ( ( ) luvas ) botas ) óculos ) outros Quais ? ___________________________________

36. Quais os últimos acidentes de trabalho ocorridos nos últimos 5 anos ? ( ) corte com vidro ( ) prensagem ( ) ferimento de vista ( ) outros quais? ________________________________

37. Quais os principais problemas enfrentados pela cooperativa? ____________________________________________________________________________ 38. Na sua opinião, como considera o programa de coleta seletiva no município de Mogi Mirim ? Detalhe como poderia melhorar: ____________________________________________________________________________

39. Como é feita a divulgação de vagas na cooperativa? A entrada é com ou sem cota paga? ____________________________________________________________________________

40. Com sua experiência, o que compreende ser necessário para que as COOPERATIVAS DE CATADORES DE RECICLÁVEIS cresçam e sejam consideradas a alternativa mais eficiente de geração de emprego e renda ? ____________________________________________________________________________

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ANEXO 2 – Questionário aplicado aos Catadores Informais pelas ruas da Cidade de Moji Mirim
NOME: _________________________________________________ SEXO : ( ) MASCULINO ( )FEMININO NIVEL ESCOLAR: ( ) Fundamental incompleto ( ) Fundamental ( )Ensino médio incompleto ( )Ensino Médio ( ) Superior incompleto ( )Superior PROFISSÃO : ( antiga) _______________________________________ 1 - QUAL BAIRRO EXECUTA A CATAÇÃO DE MATERIAIS RECICLÁVEIS?______________________________ Em qual bairro mora?_________________ 2 - QUANTO TEMPO ESTÁ CATANDO RECICLÁVEIS NA RUA? ( )ALGUNS MESES ( ) 1 ANO ( )MAIS DE 1 ANO IDADE: ( ) ENTRE 16 A 21 ANOS ( )ENTRE 22 A 30 ANOS ( )ENTRE 31 A 50 ANOS ( )ENTRE 51 A 60 ANOS ( ) MAIS DE 61 ANOS

3 – QUANTO TEMPO ESTÁ DESEMPREGADO SEM CARTEIRA ASSINADA? ( ) MENOS DE 6 MESES ( ) 1 ANO ( ) MAIS DE 1 ANO

4 - RECOLHE INSS AUTONOMAMENTE? ( ) SIM ( registrado ) ESTOU EM ATRASO ( ) NÃO ( ) NUNCA ( ) Só quando ERA

5 - POSSUI ALGUM OUTRO MEIO DE RENDA? ( )NÃO FAMILIA ( ( ) BPC ) SIM QUAL: ( ) PENSÃO ( ) APOSENTADORIA ( ) BOLSA

6 - QUANTO CONSEGUE GARANTIR COM A VENDA DE RECICLÁVEIS POR SEMANA? ( ( ( ( ) MENOS DE R$ 100,00 POR SEMANA ) ENTRE R$ 100,00 E R$ 150,00 POR SEMANA ) ENTRE R$ 150,00 E R$ 200,00 POR SEMANA ) MAIS DE 200,00 POR SEMANA SEMANA

7 – POSSUI ALGUM MEIO DE TRASNPORTE PARA CARREGAR O MATERIAL RECOLHIDO? ( ) CARROCINHA ( )CARRINHO DE MÃO ( ) PUXADA POR MOTO ( ) VEÍCULO Automotor

8 - ONDE COSTUMA VENDER O MATERIAL QUE RECOLHE DAS RUAS? ( ) SUCATEIROS ( ) FERRO VELHO ( )COOP. DE RECICLADORES )ATRAVESSADORES ( )DIRETO A INDUSTRIA (

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9 - ALGUÉM MAIS DE SUA FAMILIA AJUDA NA CATAÇÃO DE RECICLÁVEIS? ( ) SIM ( ) NÃO AJUDAM?___________________ QUANTAS PESSOAS

10 - QUANDO ADOECE E NÃO CONSEGUE TRABALHAR quem TRABALHA EM SEU LUGAR? ( )FILHOS ( ) AMIGOS ( ) COMPANHEIRO ( ) NINGUÉM ( ) NÃO (

11 - JÁ TRABALHOU EM ALGUMA COOPERATIVA DE RECICLADORES? ) SIM

12 - FOI CONVIDADO OU INFORMADO POR ALGUÉM DA POSSIBILIDADE DE TRABALHAR ASSOCIADO A UMA COOPERATIVA ? ( ) SIM ( ) NÃO 13 - ALGUM ACONTECIMENTO TE MARCOU COM RELAÇÃO A OUTRAS PESSOAS DA SOCIEDADE DURANTE SEU TRABALHO ? _____________________________________________________________________________ 14 - QUANTAS PESSOAS MORAM COM VOCÊ?___________Quantas trabalham___________________ 15 – MORA EM CASA? ( ) PROPRIA ( ) ALUGADA ( ) EMPRESTADA ( ) MORA COM PARENTES ( rua ) Não TEM vive

16 – QUANTAS HORAS TRABALHA NA CATAÇÃO DE RECICLÁVEIS POR DIA NA RUA ? ( ) MENOS DE 6 HORAS ( ) 6 E 8 HORAS ( ) ENTRE 8 E 10HORAS ( ) 12 HORAS ( ) SIM (

17 – VOCÊ GUARDA EM CASA O MATERIAL RECOLHIDO ATÉ A VENDA? ) NÃO

18 - FAZ ALGUM BENEFICIAMENTO, TRANSFORMA E VENDE ALGUM MATERIAL COMO POR EXEMPLO óleo usado em sabão em pedra? ( ) NÃO ( ) SIM Qual: ____________________________________ 19-VOCÊ SE RECONHECE SENDO UM AGENTE AMBIENTAL? NÃO SEI ( ) SIM ( ) NÃO ( )

20 – O QUE GOSTARIA DE TER de BENEFÍCIOS GARANTIDOS FAZENDO ESSE TRABALHO? ( ) Melhor preço pelo material vendido ( ) Gostaria de me associar a uma cooperativa ( ) Que a Prefeitura fizesse uma parceria trocando recicláveis por alimentos ( ) Reconhecimento e respeito pela sociedade ( ) Outras___________________________________________________________ 21. COMO VOCÊ CONSIDERA A PARTICIPAÇÃO DA POPULAÇÃO NO PROGRAMA DE COLETA SELETIVA? ( ) ruim ( ) regular ( ) boa ( ) ótima ( ) irresponsável ambientalmente

ANEXO 3 – Questionário aplicado aos catadores Cooperados da Coopervida – Coop. De Trabalho Vida Nova Moji Mirim

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NOME: _________________________________________________ SEXO : ( ) MASCULINO ( )FEMININO NIVEL ESCOLAR: ( ) Fundamental incompleto ( ) Fundamental ( )Ensino médio incompleto ( )Ensino Médio ( ) Superior incompleto ( )Superior IDADE: ( ) ENTRE 16 A 21 ANOS ( )ENTRE 22 A 30 ANOS ( )ENTRE 31 A 50 ANOS ( )ENTRE 51 E 60 ANOS ( ) MAIS DE 61 ANOS

PROFISSÃO : ( antiga) _______________________________________ 1 – A QUANTO TEMPO ESTÁ NESTA COOPERATIVA TRABALHANDO? ( )ALGUNS MESES ( ) 1 ANO ( ) MAIS DE 1 ANO (___________)

2 – O QUE ACONTECEU DE MAIS SIGNIFICANTE EM SUA VIDA DEPOIS DE ENTRAR PARA A COOPERATIVA: __________________________________________________________________________ 3 – QUANTO TEMPO TRABALHOU CATANDO RECICLÁVEIS ANTES DE ENTRAR NA COOPERATIVA? ( )ALGUNS MESES trabalhava ( ) 1 ANO ( )MAIS DE 1 ANO (_____________) ( ) Não

4- ALGUM ACONTECIMENTO TE MARCOU COM RELAÇÃO A OUTRAS PESSOAS DA SOCIEDADE? _____________________________________________________________________________ 5 – SE VOCÊ FOI CATADOR DE RECICLAGENS INFORMAL, QUANTO CONSEGUIA GARANTIR COM A VENDA DE RECICLÁVEIS POR SEMANA? ( ( ( ( ) MENOS DE R$ 100,00 POR SEMANA ) ENTRE R$ 100,00 E R$ 150,00 POR SEMANA ) ENTRE R$ 150,00 E R$ 200,00 POR SEMANA ) MAIS DE 200,00 POR SEMANA ANO _______

6 – QUANTO CONSEGUE RETIRAR POR MÊS PELA COOPERATIVA HOJE ENQUANTO COOPERATIVADO? R$ _____________________ 7 - RECOLHE INSS AQUI PELA COOPERATIVA ? ( ) SIM carteira ( ) ESTOU EM ATRASO ( ) Não Só quando ERA registrado em

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( ) NÃO ( ) NUNCA

8 - POSSUI ALGUM OUTRO MEIO DE RENDA? ( ( ) SIM Qual : )NÃO ( ) PENSÃO ( ) APOSENTADORIA ( ) BOLSA FAMILIA ( ) BPC

9 -QUAL A SUA FUNÇÃO AQUI NA COOPERATIVA HOJE ? ( ) COLETA ( ) TRIAGEM ( ________________________ ) PRENSA ( ) Transporte ( )outras

10 – QUANTAS HORAS TRABALHA POR DIA NA COOPERATIVA ? ( ) MENOS DE 6 HORAS ( )ENTRE 6 E 8 HORAS ( 12 HORAS ) ENTRE 10 E 12 HORAS ( ) MAIS DE

11 - Como você considera a participação da população no programa de coleta seletiva ? ( ) ruim ( ) regular ( ) boa ( ) ótima ( ) irresponsável ambientalmente

12 - JÁ PRECISOU SE AFASTAR POR DOENÇA OU LICENÇA enquanto cooperado ? Utilizou o benefício do INSS? ( )SIM ( ) NÃO 13 – MORA EM CASA? ( ) PROPRIA ( ) ALUGADA ( ) EMPRESTADA ( ) MORA COM PARENTES 14 - QUANTAS PESSOAS MORAM COM VOCÊ? _________ trabalham?____________ Quantas

15 – TRANSFORMA E VENDE ALGUM MATERIAL como por exemplo óleo usado em sabão em pedra? ( ) SIM ( ) NÃO O Quê:______________________________________________________ 16- VOCÊ SE RECONHECE SENDO UM AGENTE AMBIENTAL? NÃO SEI ( ) SIM ( ) NÃO ( )

17 – O QUE MAIS, GOSTARIA DE TER GARANTIDO SENDO CATADOR DE RECICLÁGENS NESSA COOPERATIVA ? ( ) MELHOR PREÇO do MATERIAL VENDIDO GARANTINDO MAIOR GANHO DISTRIBUÍDO AOS COOPERADOS ( ) MAIOR PARCERIA COM A PREFEITURA ( ) MAIOR RECONHECIMENTO E RESPEITO DA SOCIEDADE ( ) MAIS ESTRUTURA E MAQUINÁRIOS DISPONÍVEIS ( ) Outras________________________________________________________________________

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