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Teoria de Misturas

Sumário

1 - Introdução

2 - Base Teórica

A - Cinemática

B - Leis de Balanço (i) BALANÇO DE MASSA

(ii)

BALANÇO DO MOMENTUM

(ii)

BALANÇO DO MOMENTUM ANGULAR

(iii)

BALANÇO DE ENERGIA

(iv)

BALANÇO DE ENTROPIA

3 - Conclusão

Simbologia:

A

área

A

energia livre de Helmholtz por unidade de massa

d

parte simétrica do gradiente de velocidades, d

(

)

F

força externa de campo por unidade de volume

G

energia adicionada pela geração de constituinte

H

momento angular

J

força decorrente da geração de constituintes

L

gradiente de velocidades,

m

taxa produção do constituinte

M

massa

n

vetor normal

N

propriedade intensiva genérica

p

foça de interação interna

P

momento linear

q

fluxo de calor através da superfície

r

fluxo de calor por unidade de massa

R

região

S

entropia por unidade de massa

t

tempo

t

força de superfície

u

velocidade do constituinte

U

energia interna por unidade de massa

v

vetor velocidade

V

volume

x

posição

2

Letras gregas

α

constituinte

produção de entropia por constituinte

ε

símbolo de permutação

η

propriedade intensiva por unidade de massa

λ

tensor antissimétrico

ρ

massa específica

σ

tensor parcial de tensões

ψ

energia decorrente de mecanismos de interação

ω

parte antissimétrica do gradiente de velocidades,

(

)

1- Introdução

Este resumo faz uma breve apresentação da aplicação das leis de balanço à teoria de misturas, esta teoria é uma extensão da teoria dos meios contínuos empregada na modelagem de sistemas multicomponente.

Uma mistura pode ser constituída de substâncias distintas ou da mesma substância em diferentes estados físicos. Os postulados da mecânica do contínuo: conservação da massa, do momentum linear e do momentum angular, assim como o princípio de conservação de energia e a segunda lei da termodinâmica são aplicáveis aos constituintes e, globalmente, à mistura.

2 - Base Teórica A - Cinemática

O ponto de partida da teoria de mistura é que a mistura pode ser idealizada como uma superposição

cinematicamente independente de múltiplos constituintes deformáveis ( ). Todos os constituintes são considerados um contínuo com movimento próprio, também é assumido que cada ponto espacial da mistura é simultaneamente ocupado por partículas de todos os constituintes.

, a massa

A cada constituinte, representado por α, é atribuído uma massa especifica denotada por

específica global da mistura é dada pelo somatório da massa especifica dos constituintes:

(1)

A descrição espacial de movimento de cada constituinte é definida por:

(2)

Assume-se que a velocidade média da mistura é a média das velocidades dos constituintes, ponderada pela densidade, portanto:

(3)

A velocidade média do constituinte não possui significado físico, por isso deve ser substituída pela

velocidade relativa, denominada por velocidade de difusão, dada por:

(4)

3

Substituindo na equação anterior, temos que a vazão mássica total do movimento difusivo é nula:

A definição de derivada material para um escalar arbitrário

constituinte α e para a mistura , é dado por:

e vetor arbitrário

(5)

para o

Propriedade Constituinte (α) Mistura Escalar Vetor
Propriedade
Constituinte (α)
Mistura
Escalar
Vetor

A velocidade relativa do constituinte em relação à média da mistura é dada por:

Para o componente β

(6)

(7)

A velocidade relativa entre um constituinte α em relação ao constituinte β é dada por:

(

)

(8)

(9)

(10)

Utilizando a definição de velocidade relativa, podemos escrever:

(11)

(12)

Seguindo o mesmo procedimento para o campo escalar, temos:

(13)

4

Utilizando as definições apresentadas podemos escrever:

(14)

(15)

A aplicação dos postulados clássicos da mecânica do contínuo para estes corpos simples resulta nas

equações de balanço para cada componente da mistura.

B - Leis de Balanço

As leis de balanço podem ser aplicadas a uma região constituída sempre pelas mesmas partículas e, geralmente, cuja superfície limítrofe pode variar com o tempo.

Outra abordagem é considerar uma região fixa arbitraria no espaço. Neste trabalho a região fixa do

espaço será denominada de R e possui um volume V, limitada por uma superfície

de área A.

possui um volume V, limitada por uma superfície de área A. Todas as equações são postuladas

Todas as equações são postuladas no tempo atual t e todas as quantidades são funções do espaço

x e do tempo t

Interpretação física das leis de balanço

A taxa de variação de qualquer propriedade extensiva N de um determinado sistema e as variações

dessa propriedade associadas com o volume de controle é dada pela seguinte expressão:

(16)

Ao utilizarmos a equação acima na passagem das formulações das leis básicas aplicadas ao sistema para formulações aplicadas para ao volume de controle, consideramos que ela relaciona a taxa de variação de qualquer propriedade extensiva N, do sistema com variações dessa propriedade em que

o sistema e volume de controle coincidem. Isto é verdade, pois, quando , o sistema e o volume de controle ocupam o mesmo volume e têm as mesmas fronteiras.

5

Entendendo termo a termo:

 

taxa de variação total da propriedade extensiva N do sistema

taxa de variação com o tempo da propriedade extensiva N dentro do

volume de controle

 

propriedade intensiva correspondente a N, ou seja

= N / M

 

elemento de massa contido no volume de controle

quantidade total da propriedade extensiva N, contida no volume de controle

taxa líquida de fluxo da propriedade extensiva N, através da superfície de controle

 

taxa de fluxo através do elemento de área dA

 

taxa da propriedade extensiva N, através da área dA

(i) BALANÇO DE MASSA

Mecânica do Contínuo

 

(17)

(18)

(19)

 

(20)

Lei de balanço aplicada a um constituinte:

 

Termo adicional a ser incluído na equação de balanço de um constituinte:

 

i) Intercâmbio de massa entre constituintes, representado por

;

(21)

Este termo deve-se à produção, ou consumo, do constituinte devido a mudança de fase ou reação química.

6

Aplicando à equação (20) as considerações acima:

Lei de balanço aplicada à mistura:

(22)

Para a mistura, a massa é conservada, o intercâmbio de massa entre os constituintes ocorre internamente à mistura, logo , aplicando um somatório sobre todos os componentes da mistura à equação (23):

∫ ∑

(23)

Aplicando-se o teorema da divergência sobre a equação (22):

Aplicando o mesmo raciocínio para equação (25):

(24)

(25)

Somando a equação (24) para todos os constituintes aplicando a equação (25) resulta:

(ii) BALANÇO DO MOMENTUM

Mecânica do Contínuo

Lei de balanço aplicada a um constituinte:

(26)

(27)

(28)

(29)

(30)

Termos adicionais a serem incluídos na equação de balanço de um constituinte:

7

i) Esforços internos entre constituintes que surgem com à geração ou consumo de constituintes por reações químicas ou mudança de estado;

(31)

ii) Forças internas de interação originadas por outros mecanismos, tais como, esforços internos originados pela movimentação dos constituintes;

Aplicando à equação (30) as considerações acima:

(

)

Lei de balanço aplicada à mistura:

(32)

(33)

Somando os termos para todos os constituintes temos a equação que representa o balanço do momentum para a mistura.

∫ ∑

∫ ∑

(34)

Aplicando o teorema da divergência e aplicando a hipótese de Cauchy, que estabelece a existência de um tensor associado ao constituinte α, tal que n , tem-se a o balanço diferencial de momentum para constituinte α:

∫ {

(

)

}

(35)

Aplicando novamente o teorema da divergência para o novo termo:

Substituindo (44) em (43) e integrando:

Lembrando que:

(

)

(36)

(37)

(38)

8

O somatório das interações de momentum entre os componentes via reações químicas e movimentos relativos é nulo conforme visto anteriormente no balanço de massa.

 

(39)

(40)

A

força externa total por unidade de massa que age sobre a mistura é dado por:

 

(41)

O

tensor de tensão total:

 
 

(42)

(ii) BALANÇO DO MOMENTUM ANGULAR

 

Mecânica do Contínuo

 
 

(43)

(44)

 

(45)

 

(46)

Lei de balanço aplicada a um constituinte:

Termos adicionais a serem incluídos na equação de balanço de um constituinte:

i) Momentum angular decorrentes da geração ou consumo de constituintes por reações químicas ou mudança de estado;

ii) Momentum angular, representado por

(47)

, decorrentes de forças interação internas;

(48)

9

iii) Momentum angular intercambiado entre componentes;

Aplicando à equação (46) as considerações acima:

(

)

Lei de balanço aplicada à mistura:

(49)

(50)

Somando os termos para todos os constituintes temos a equação que representa o balanço do momentum para a mistura.

∫ ∑

∫ ∑

(51)

Do mesmo modo, a tensão total da mistura é simétrica, enquanto que as tensões parciais podem ter partes antissimétricas diferentes de zero:

(52)

(53)

O índice “Adenota a parte antissimétrica do respectivo tensor.

Partindo de (52) e (53) sob a forma de equação de o equilíbrio momento angular para a mistura, temos:

(54)

Os resultados (52) a (60) são independentes do vetor posição , condição necessária para que a teoria seja aceitável.

(iii) BALANÇO DE ENERGIA

Mecânica do Contínuo

(55)

(56)

10

̇

(

̇

)

(

)

Lei de balanço aplicada a um constituinte:

(57)

(58)

Termos adicionais a serem incluídos na equação de balanço de um constituinte:

i) Energia intercambiada entre constituintes devido à geração ou consumo de constituintes por reações químicas ou mudança de estado;

(59)

ii)

Energia decorrente de esforços internos de interação;

 

(61)

iii)

Energia decorrente da troca de momento angular entre constituintes;

 

(62)

iv)

Energia intercambiada entre constituintes;

 

(60)

O tensor de rotação

é definido por:

 
 

onde

(63)

Aplicando à equação (58) as considerações acima:

 
 

(

)

(

)

 

(

)

(64)

11

Lei de balanço aplicada à mistura:

Somando os termos para todos os constituintes temos a equação que representa o balanço do momentum para a mistura.

∫ ∑

(

∫ ∑

)

(

)

(65)

A semelhança dos demais casos, o somatório dos termos relativos às transferências de energia entre constituintes é nulo.

[

]

(iv) BALANÇO DE ENTROPIA

Mecânica do Contínuo

̇

Produção de entropia pela mistura:

∫ ∑

Produção de entropia por constituinte:

(66)

(67)

(68)

(69)

(70)

(71)

A condição imposta pela equação permite que, internamente a mistura, produção de entropia por constituinte, , seja positiva ou negativa.

(

)

(72)

12

Aplicando o teorema da divergência à equação (64) e efetuando algumas substituições:

(

(

)

)

(73)

Utilizando a equação (73) para eliminar r α na equação (72) e aplicando a definição de energia livre de

Helmholtz

, obtém-se a equação de produção de entropia por constituinte.

(

)

(

(

)

(

)

)

(74)

Resumo dos termos adicionais das equações de balanço dos constituintes

 

Balanço de

Balanço do

Balanço do Momentum Angular

Balanço de

Massa

Momentum

Energia

Intercâmbio de

 

constituinte

Força de interação interna

 

∫ ∫

 

Intercâmbio de momento angular

   

Intercâmbio de

     

energia

3 - Conclusão

A tabela a seguir apresenta os termos adicioans que.