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XXIV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação Sistemas de Informação,

XXIV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação Sistemas de Informação, Multiculturalidade e Inclusão Social Maceió, Alagoas, 07 a 10 de Agosto de 2011

Área Temática 2: Direito à Informação, Acesso à Informação e Inclusão Social

Estudos de Uso e Usuários da Informação uma análise do foco e dos tipos de grupos estudados históricamente e suas relações com as tendências atuais

Luciane Meire Ribeiro

lucianemr.bci@gmail.com Universidade Federal de São Carlos

Luzia Sigoli Costa

luziasigoli@ufscar.br Universidade Federal de São Carlos

RESUMO Os estudos de usos e usuários da informação constituem-se em uma área de pesquisa em constante processo de produção científica do estado-da-arte. Embora muitas pesquisas tenham se pautado na evolução histórica desses estudos, as diferentes possibilidades e combinações de recortes permitem reiterar (ou contrapor) e ainda emergir novas perspectivas epistemológicas, podendo revelar tendências. O objetivo desse estudo consiste em encontrar relações entre os estudos de usos e usuários iniciais e as tendências desses estudos na atualidade, por meio da análise de dois parâmetros, o foco e os grupos estudados, dentro da literatura que trata do contexto histórico dos estudos de uso e usuários da informação. Para essa finalidade, utilizou-se o método de pesquisa bibliográfica, tendo como recorte os dois parâmetros mencionados. A análise desses parâmetros revela que, embora tenha havido uma diversificação nos grupos de usuários estudados nas últimas décadas, verifica-se a presença peremptória do foco nos sistemas e fontes de informação e de grupos de cientistas e tecnólogos, desde os estudos iniciais até a década de 90. A pesquisa atenta para reflexões sobre as possibilidades de tendências de tipologias metodológicas, produtos e serviços de informação e até mesmo de atuação profissional, que nem sempre se ajustam ou correspondem às demandas de unidades de informação distintas.

PALAVRAS-CHAVE:

Estudos de Uso e Usuários da Informação. Cientistas e Tecnólogos. Fontes de informação. Sistemas de Informação. Tendências.

Trabalhos técnico-científicos

1 Introdução XXIV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação Sistemas de

1 Introdução

XXIV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação Sistemas de Informação, Multiculturalidade e Inclusão Social Maceió, Alagoas, 07 a 10 de Agosto de 2011

A preocupação das bibliotecas em relação ao uso dos serviços e das fontes de informação de

que dispõem não é recente. Durante a década de 20 e 30, vários tipos de surveys

(levantamentos estatísticos) eram realizados em bibliotecas que, segundo Dias e Pires (2004),

estavam interessadas em elucidar os empréstimos realizados pelos usuários, as obras

solicitadas e a quantidade de cópias fornecidas, no sentido de revelar a tendência do

comportamento do usuário por meio do uso dos serviços oferecidos pelas bibliotecas.

Discorrendo a respeito desses mesmos levantamentos, Wilson (2000a) comenta que havia

maior preocupação com as questões relativas à classe social dos usuários da biblioteca e

menos com as necessidades que conduziam esses usuários a procurá-la.

Segundo Araújo (2008), a origem dos estudos de usuários está atrelada à fundação da

Graduated Library School (pertencente à Universidade de Chicago) em 1930, principal

precursora nas pesquisas de usuários voltadas para o conhecimento dos hábitos de leitura e do

papel social da biblioteca. Ao abordar o campo de estudos de usuários, o autor comenta

brevemente – e de forma bastante pertinente – a respeito do contexto sócio-demográfico da

cidade de Chicago nesta época. Sob intenso processo de imigração de diversas partes do

mundo, Chicago deparava-se com uma complexa e crescente diversidade cultural e as

bibliotecas estavam entre as instituições que tinham o compromisso de atrair a população e

prover subsídios para estimular processos de socialização desses povos. Esses estudos

convertiam-se em indicadores de serviços e colaboravam para justificar tanto a criação,

quanto a permanência das bibliotecas (ARAÚJO, 2008; 2009).

Procurando atender às novas demandas informacionais do pós-guerra, os estudos de usos e

usuários se consolidam enquanto área de pesquisa dentro da Ciência da Informação. No

decorrer do seu contexto histórico, esses estudos incorporam os vieses de outras áreas de

conhecimento, além de dedicarem-se aos estudos de novos grupos de usuários.

Os estudos de usos e usuários e os principais grupos estudados nesse momento histórico, do

final da década de 40, foram muito importantes e continuam exercendo influência sobre os

cursos de formação que orientam as ações daqueles que trabalham com as teorias vinculadas à

informação, produzindo tendências de atuação profissional.

Nesse sentido, o objetivo do presente trabalho de pesquisa é analisar os grupos estudados e o

foco desses estudos dentro da literatura que trata do contexto histórico dos estudos de uso e

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usuários para estabelecer relações com as tendências mais recentes. Conforme a literatura que

trata do assunto, o foco pode variar, em maior ou menor grau, de estudos centrados no sistema

e nas fontes de informação aos estudos mais centrados no usuário e especificamente suas

necessidades, ou seja, para além dos sistemas e fontes de informação.

Não se pretende, com a utilização do parâmetro “foco”, alimentar a dicotomia entre as

abordagens tradicionais (estudos tradicionalmente conhecidos como centrados nos sistemas) e

alternativas (centrados no usuário), sendo reconhecidas a importância de ambas, as

possibilidades de convergência entre elas no mesmo estudo e, ainda, as possíveis armadilhas

que essa dicotomia pode causar (TALJA; HARTEL, 2007). Entende-se que a análise dessa

variável no contexto histórico dos estudos de uso e usuários da informação, juntamente com a

dos grupos estudados, pode refletir na geração de produtos e serviços de informação, bem

como na aquisição precipitada destes por diferentes unidades de informação que apresentam

características e usuários com necessidades específicas.

Considerando que o corpo de conhecimento teórico se constrói e trafega fundamentalmente

pelo fluxo das comunicações científicas a respeito do estado-da-arte, o método de pesquisa

adotado nesse trabalho é o da pesquisa bibliográfica, bastante apropriado para desvelar as

relações entre as variáveis de interesse.

2 Características Iniciais dos Estudos de Usuários

O marco histórico dos estudos modernos de usuários tem sido normalmente atribuído ao

Royal Society Scientific Information Conference (RSSIC), ocorrido em 1948, com destaque

para os estudos produzidos por Menzel, da Universidade de Columbia, nos quais todas as

referências datam de 1948, e aqueles produzidos por Paisley, Bernal e Urquhart (WILSON,

2000a; 2000b). O que de fato o RSSIC marcou foi o início dos estudos que demonstravam

preocupação com a compreensão de como as pessoas usavam a informação, particularmente

nas áreas de ciência e tecnologia.

Esse período foi importante por algumas razões. Primeiro porque, conforme comenta

Figueiredo (1994), houve uma mudança da postura da biblioteca, de passiva – por dedicar-se

pouco a descobrir se o usuário sabe ou não fazer uso da informação disponível – para ativa,

preocupando-se com a melhoria dos serviços existentes (reformulação de serviços de

bibliografia, índices e resumos) e a criação de novos serviços (Disseminação Seletiva da

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Informação – DSI, serviços de alerta ainda na forma de fichas, boletins, conteúdos de

periódicos, entre outros).

Em grande medida, esse período foi importante também porque proporcionou um espaço para

os estudos de usuários orientados ao uso da biblioteca, das fontes e dos serviços de

informação, tais como: serviços de empréstimos, de DSI, instrumentos e fontes disponíveis,

uso de catálogos, desenvolvimento de coleções e de bibliografias, análise de citações, entre

outros (DIAS; PIRES, 2004).

Passados dez anos da RSSIC, a Conferência Internacional sobre Informação Científica

(International Conference on Scientific Information), de 1958, revelou que os estudos de

usuários da informação haviam criado um imenso repertório sobre as necessidades de

literatura e de referência dos usuários cientistas, envolvendo a participação de trabalhos dos

Estados Unidos, do Reino Unido, República Tcheca e Escandinávia (WILSON, 2000b).

Todavia, Wilson (2000b) alerta para a superficialidade dos conceitos tratados, para a

ocorrência de explorações inadequadas de relações significantes e, ainda, para a

impossibilidade de comparar os resultados das produções científicas da área até aquele

momento histórico. Para Baptista e Cunha (2007) e Beaulieu (2003), os problemas de

comparação entre os resultados dos trabalhos de pesquisa sobre estudo de usuários,

produzidos entre as décadas de 40 e 80, se devem principalmente às diferenças entre as

técnicas de coleta de dados empregadas. Porém, Parker e Paisley (1966, apud TALJA;

HARTEL, 2007) advogam que a razão do surgimento de padrões não coerentes do uso da

informação científica não estaria atribuída às falhas metodológicas, mas à própria

complexidade de problemas ocasionada pela interação entre múltiplas variáveis.

3 A Influência dos Primeiros Grupos Estudados, da Tipologia de Métodos e de Outras

Áreas do Conhecimento sobre os Estudos de Uso e Usuários Subseqüentes

Quer seja pela limitação dos métodos empregados para avaliar o uso e as necessidades dos

usuários, quer seja pela impossibilidade de comparar os resultados dos trabalhos, razões que

dificultam análises ulteriores, abrangentes e sistêmicas sobre os estudos disponíveis, diante de

um quadro tão diversificado de usuários não é difícil supor que os resultados decorrentes

fossem contraditórios. A proposta inicial, de levantar subsídios para o planejamento de um

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sistema de informação, capaz de atender às necessidades da maioria dos usuários, precisava

ser repensada (FIGUEIREDO, 1994).

Os estudos empregando técnicas estatísticas de coleta e tratamento de dados continuaram

tendo papel preponderante entre as décadas de 60 a 80, desta vez visando atingir maior

precisão na análise e interpretação dos resultados e aumentar a confiabilidade dos mesmos

(BAPTISTA; CUNHA, 2007). Segundo Figueiredo (1994), o período de 1948 a 1965 foi

marcado pelos estudos de usuários que empregavam essencialmente os métodos de pesquisa

quantitativos, fazendo uso principalmente de técnicas como questionários e entrevistas com

propósitos exploratórios, porém voltados para identificar a freqüência do uso dos materiais e

dos tipos de fontes de informação da biblioteca, pela comunidade científica.

Um aspecto fundamental dos estudos de usuário, e que também varia conforme o período em

análise, diz respeito ao grupo estudado. No intervalo de tempo que antecede o RSSIC, grande

parte dos estudos era realizada em bibliotecas públicas. A partir de 1948, conforme enfatiza

Figueiredo (1994; 1999), o alvo dos estudos de usuários foram os cientistas (das ciências

puras), isto é, os engenheiros, seguidos na década de 60 por tecnólogos e só mais tarde pelos

educadores. Para a referida autora, as áreas de pesquisa desses grupos de usuários eram as que

mais sofriam com as inadequações dos sistemas de informação vigentes. Porém, considerando

a influência do momento histórico, vivido com a Guerra Fria, Araújo (2008) afirma que os

estudos de usuários estavam orientados a atender cientistas e tecnólogos com o objetivo de

otimizar o desenvolvimento científico e tecnológico do pós-guerra, estimulando a Pesquisa e

o Desenvolvimento (P&D), envolvendo os governos e o setor industrial e absorvendo

profundamente o modelo em vigor de produção científica centrada na rapidez e na eficiência.

A versão contextualizada de Araújo (2008) é reforçada pelos grupos de usuários apontados

por Wilson (2000a) nos estudos desse período, formados essencialmente por: cientistas

médicos, engenheiros florestais, e das indústrias de energia atômica e as unidades de pesquisa

associadas, em geral, em parceria com as universidades. Para Araújo (2008), esse movimento

em direção aos cientistas foi tão marcante que “[

estudos de usuários da informação

tornam-se praticamente sinônimos de estudos de necessidades de informação dos cientistas

]” [

Com o desenvolvimento mais amplo dos estudos sobre os canais de comunicação e o fluxo de

informação científica, que vinham avançando desde a década de 60 e ganharam maior

destaque com o modelo tradicional da comunicação científica elaborado por Garvey e Griffith

]

(ARAÚJO, p. 05, 2008).

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na década de 70 (MUELLER, 2007), os estudos de usuários também são influenciados pela

área das teorias de comunicação.

Revisitando a literatura, Costa, Silva e Ramalho (2009) afirmam que a origem dos estudos de

usuários remonta aos primeiros estudos de comunicação científica, junto aos quais surgem os

estudos bibliométricos. Costa, Silva e Ramalho (2009) destacam os trabalhos de técnicas

bibliométricas de Gross e Gross em 1927, de Bradford em 1934 e de Flusser em 1949. Sob

essa influência, iniciam-se as aplicações de métodos quantitativos (análise de citação,

referência, entre outros) nas pesquisas com usuário de informação (COSTA; SILVA;

RAMALHO, 2009).

Contudo, considerando as revisões elaboradas por Araújo (2008), Wilson (2000a; 2000b),

Figueiredo (1994), Dias e Pires (2004), Baptista e Cunha (2007) e por Beaulieu (2003), pode-

se constatar que os métodos quantitativos, como o survey, precedem a aplicação da

bibliometria nos estudos de usuários. Verifica-se que a influência da comunicação científica e

a orientação para se estudar as demandas de grupos de cientistas e tecnólogos foram de tal

forma determinantes que, conforme Araújo (2008), consequentemente os estudos de

bibliometria foram naturalmente introduzidos nesse campo. Revisando a literatura produzida

na Espanha no período de 1990 a 2004, González-Teruel e Abad-García (2007) verificaram

que ainda há uma predominância da abordagem bibliométrica nos estudos de usuários

contemporâneos.

Nos estudos de usuários, a presença recorrente do emprego de técnicas quantitativas, da

preocupação constante com as fontes de informação e da informação entendida como objeto

físico que tramita por canais entre emissor e receptor (influenciadas principalmente pelas

teorias da informação no final da década de 40, de Shannon e Weaver e da Cibernética, de

Wiener), revela que os estudos estavam orientados preferencialmente para promover

mudanças nos sistemas de informação e que o paradigma físico vinha se consolidando na

Ciência da Informação e de forma global sobre as suas disciplinas (ARAÚJO, 2009;

MARCIAL et al., 2007). A crítica aos estudos de usuários centrados no sistema, segundo

Talja e Hartel (2007) é a de que eles reforçavam a conduta passiva do usuário, os quais eram

essencialmente concebidos como receptores homogêneos de informação.

É importante destacar que a dimensão dos sistemas não está restrita aos sistemas

computadorizados, mas se estende às estruturas e comunidades comprometidas com o

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compartilhamento e disseminação das informações e aos instrumentos, serviços e agências

que facilitam o acesso à informação (CHOO, 2006).

Conforme Figueiredo (1994), ainda na década de 70 já se podia notar uma preocupação maior

em estudar as necessidades de grupos de usuários de outras áreas de forma mais exploratória e

com a aplicação de métodos qualitativos, em parte em razão do envolvimento de cientistas

sociais no campo de pesquisa de estudo de usuários. O final da década de 70 também foi

especialmente importante porque, segundo Araújo (2009), começam a se desenvolver os

estudos efetivamente voltados para o usuário, tendo em comum a perspectiva cognitivista na

qual “[

usuários que se relacionam (que necessitam, que buscam e que usam) a informação.”

(ARAÚJO, 2009, p. 200).

O período que envolve as décadas de 80 à 90 também é vivenciado por uma crescente

atividade multidisciplinar no campo da Ciência da Informação de forma geral, sobretudo com

a intervenção das áreas de marketing e da psicologia por meio de uma matriz teórica do

behaviorismo (comportamental), da administração, da economia (teoria de Taylor) e, também,

da comunicação científica. Baptista e Cunha (2007) afirmam, contudo, que esses estudos

estavam voltados aos aspectos do funcionamento das unidades de informação, no sentido de

oferecer um feedback para melhorias dos sistemas.

Paradoxalmente às tendências teóricas dos estudos que exploravam os sistemas de

informação, já no final da década de 70 e principalmente na década de 80 se faziam presentes

os questionamentos a respeito dessa perspectiva tradicional dos estudos de usuários, centrada

nos sistemas de informação.

busca-se entender o que é a informação do ponto de vista das estruturas mentais dos

]

4 Tendências dos Estudos de Usuários no Contexto Atual

Araújo (2008) acrescenta que, principalmente no âmbito internacional, já se faziam notar,

ainda na década de 80, questões vinculadas à inclusão digital. Na década de 90 o autor chama

atenção para o aumento das relações entre os conceitos de informação e conhecimento e o

desdobramento dessas relações em novos conceitos como o de gestão do conhecimento,

inteligência social e organizacional. É importante destacar também que, com a difusão da

internet a partir da década de 90, surge espaço para novos estudos de usuários preocupados

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com as estratégias de disseminação e de recuperação da informação, no contexto do usuário

virtual.

O

que se nota na literatura de estudo de usuários da atualidade é uma diversidade de subtemas

e

de grupos de usuários em evidência. Por meio de um mapeamento dos estudos de

necessidades e usos da informação, Choo (2006) também fornece alguns pontos de referência,

ao longo de cinco décadas (de 50 a 90) de pesquisas na área em questão (Gráfico 1).

Estudos (Grupos) - Necessidades e Usos da Informação

Comunicação Científica Engenheiros P&D (Estudos M IT) Funcionários do governo M odelo comportamental de Recuperação da Informação Estado de Conhecimento Anômalo M odelos do Usuário da Informação Ambiente de usário da Informação Processo de busca da Informação M odelo de Criação de Significado Cientistas e Tecnólogos Cientistas Sociais (Infross) Necessidades de Informação dos Cidadãos M édicos e Profissionais da Saúde Serviços Sociais (INISS) M odelo STI de Busca da Info Busca e Armazenamento da Info

Saúde Serviços Sociais (INISS) M odelo STI de Busca da Info Busca e Armazenamento da Info
Décadas 60 70
Décadas
60
70
50 80 90

50

50 80 90

80

50 80 90

90

Gráfico 1 – Estudos sobre necessidades e usos da informação entre 1950 e 1990

Fonte: Adaptado de Choo (2006)

O objetivo deste gráfico não é apresentar uma quantificação dos estudos de usuários nos

períodos demonstrados, mas sim apontar e localizar no tempo a ocorrência de determinados

aspectos das pesquisas de estudo de uso e usuários e tendências importantes, segundo a

perspectiva de Choo (2006).

Esse mapeamento contribui para reiterar alguns aspectos, apontados anteriormente como: a)

estudo praticamente contínuo de usuários cientistas e tecnólogos, os quais apareceram em

todas as décadas analisadas; b) surgimento de estudo sobre novos grupos principalmente na

década de 70 e 80; c) destaque das pesquisas sob a perspectiva cognitiva refletida nos estudos

relativos ao comportamento de busca de informação (Modelo comportamental de recuperação

da informação, Estado de conhecimento anômalo, Modelos do usuário da informação,

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Necessidade de informação dos cidadãos, Modelo de busca de informação, Busca e

armazenamento da informação) e; d) as tendências presentes na década de 90, voltadas para o

ambiente de usuário da informação, modelo de criação de significado, entre outros modelos.

Dentro da perspectiva da evolução histórica dos estudos de usuários pode-se observar,

sobretudo na literatura nacional, uma relativa carência de pesquisas principalmente de caráter

exploratório-qualitativo, que perscrutem, de forma pormenorizada e ao mesmo tempo

sistêmica, as décadas de 90 a primeira década do século XXI.

5 Considerações Finais

A análise das características iniciais dos estudos de uso e usuários desenvolvidos no período

entre as décadas de 1940 e 1990 também revelam, ainda que de forma incipiente, a presença

de

paradigmas dominantes sob os quais os estudos de usuários são produzidos.

O

que se verifica no decorrer do contexto histórico dos estudos de usuários de maneira geral é

que a preocupação com o uso de fontes de informação está peremptoriamente presente. Se por

um lado essa constatação reflete a importância dessas áreas no universo da biblioteca e de

outras unidades de informação, por outro reflete também a predominância das abordagens

tradicionais nos estudos de uso e usuários em geral, podendo induzir a geração de produtos e

serviços tipificados e minimizar a importância de outras práticas em unidades de informação

distintas.

Cabe ressaltar que não está excluída a possibilidade de ocorrência concomitante de estudos de

usos e usuários centrados em abordagens alternativas, ainda que não estejam expressos de

forma tão evidente na literatura abordada na pesquisa.

Da mesma maneira e no mesmo contexto histórico, pode-se observar a presença praticamente

contínua de estudos de grupo de usuários cientistas e tecnólogos. Diante desse quadro, fez-se

naturalmente notória a inclusão dessas experiências em muitos dos modelos já conhecidos de

estudos de usuários. Contudo, a literatura tem mostrado que análises anteriores não

alcançaram resultados satisfatórios, em parte pela complexidade de variáveis e suas interações

envolvidas nesse tipo de estudo. Experiências decorrentes de estudos sobre uma categoria tão

particular de usuários devem ser analisadas com moderação, antes de serem incorporadas em

modelos pretensamente genéricos de estudos de uso e usuários de informação.

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Com relação à possibilidade de existência de uma lacuna teórico-sistêmica contextualizando

os estudos de usuários entre a década de 1990 e a primeira década do novo milênio (2010), a

presente pesquisa atenta para a necessidade de estudos de usuários (ou de “comportamento

informacional”, termo utilizado recentemente na literatura para designar esses estudos),

principalmente em âmbito nacional, de caráter tanto qualitativo quanto quantitativo,

utilizando métodos de pesquisa mais apropriados e transparentes, para alcançar maior

diversificação e possibilidades de análises.

Information Users and Use Studies an analysis of focus and historical groups types studied and their relationship with current trends

ABSTRACT: Studies of uses and users of information are in a research area in constant process of scientific production in the state of the art. Although much research has been based on the historical evolution of these studies, the different possibilities and combinations of cut-outs to reiterate (or counter) and still emerging new epistemological perspectives, and can reveal trends. The aim of this study is to find relationships between studies of uses and users of these initial studies and trends today, through the analysis of two parameters, focus groups and within the literature that deals with the historical context of studies use and users of information. For this purpose, we used the method of literature search, with the cut out the two mentioned parameters. The analysis of these parameters reveals that while there has been a diversification in the user groups studied in recent decades, there is the presence of peremptory focus on systems and information sources and groups of scientists and technologists, from the initial studies until the late 90. A careful search for reflections on the possibilities of types of methodological trends, products and information services and even professional activities which do not always fit or match the demands of different units of information.

KEYWORDS: Information Science. Information Sources. Scientists and Technologists. Tendencies. User Studyes.

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