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EXPERIMENTAÇÕES COM PHYTOTYPES

Andréa Brächer - UFRGS Resumo Esta pesquisa, da área teórico-prática da fotografia, investiga o processo fotográfico histórico denominado Phytotype, que são fotografias feitas com a emulsão fotossensível de sucos de vegetais e descrita pela primeira vez em 1842, por Sir John Herschel e, em 1845, pela cientista Mary Somerville. Busca-se problematizar o uso de pigmentos naturais e a longevidade das imagens procurando transformar imagens transitórias em permanentes e também refletir sobre as conseqüências práticas e teóricas ao lidarmos com permanência e impermanência neste processo. Palavras-chave: Fotografia, Processos Fotográficos Históricos, Phytotypes.

Abstract This research in the field of photography, investigates the historical photographic process called Phytotype, which are photographs made with a photosensitive emulsion of vegetable juice and first described in 1842 by Sir John Herschel, and in 1845 by scientist Mary Somerville. Seeks to problematize the use of natural pigments and longevity; to transform transitory images into permanent prints. Also reflect on the theoretical and practical consequences in dealing with permanence and impermanence in this process. Key words: Photography, Historical Photographic Processes, Phytotypes.

1 INTRODUÇÃO Esta artigo relata a pesquisa que inicio em 2011 com o apoio da Propesq/UFRGS. Pretende dar continuidade a duas investigações que desenvolvi desde 2003 sobre processos fotográficos históricos dentro da linha de pesquisa de poéticas artísticas. A pesquisa está centrada nos Phytotypes, que são fotografias feitas com a emulsão fotossensível de sucos de vegetais e descrita pela primeira vez em 1842, por Sir John Herschel, no artigo On the Action of the Rays of the Solar Spectrum on Vegetable Colours, and on some new Photographic Processes.i Este processo já havia sido pesquisado por mim nos anos de 2003-2004ii, no decorrer do projeto Fotografia Experimental e Aplicada: Estudos na Captura e

Na base desse tipo de emulsão. poucos materiais químicos necessários e menos tóxicosvi). Andréa Brächer. Shadows e Old Timesiv. e tinha como objetivo específico aplicá-los em sala de aula. Coleção da autora. foram escolhidas as técnicas do Cyanotype (cianotipia) e do Anthotypevii (Phytotypes). legumes. É considerado por autores contemporâneos um processo “realmente seguro”viii.3203 Processamento Analógico e Digital. nas publicações de John Herschel. há evidências. Ilex Matetype. O problema inicial daquela pesquisa era a articulação entre os processos fotográficos históricos e as novas tecnologias digitais.V. As imagens finais foram obtidas entre dezembro de 2003 e março de 2004 – época de verão e de alta incidência de raios U.v Dentre as alternativas possíveis (de bibliografia acessível. O trabalho Ilex Matetype desdobrou-se em três séries fotográficas: Jardim Secreto. folhas ou frutas silvestres – também denominados “sucos vegetais” diluídos em água ou álcool. 2003/4. Sem título. empregam-se pétalas de flores. de fácil execução. e nas minhas palavras “ecologicamente correto” – porém. e resultou na série de fotografias denominadas Ilex Matetypeiii – cuja emulsão fotográfica era baseada em álcool e erva-mate. 25 x 17cm. . O Phytotype é um processo fotográfico pouco conhecido.

São eles respectivamente: Experiments on Various Subjects. estive em Londres/GB. goma bicromatada e kallitype ou marrom Van Dyke) até imagens capturadas em câmeras digitais. De 2005 a 2009. Os objetivos eram fazer experiências híbridas entre as práticas analógicas e as digitais. Nonsensical and Queer Things Miscellaneously Arranged for the Benifit of . a partir do uso dos processos fotográficos históricos. ambrótipos. englobando a captura e/ou processamento e/ou suportes. as emulsões vegetais não foram empregadas em meu trabalho. Em seus manuscritos e artigos originais. copiei partes de seu manuscrito referente à fotografia do Science Museum (Swindon). aprofundando minha pesquisa sobre processos fotográficos históricos. cianótipo. processadas e impressas digitalmente. Viz: Optical. tintypes. Durante estes anos. Além de Herschel pesquisá-lo inicialmente. tanto no plano prático quanto no plano teórico. na Inglaterra e Itália. diferentemente da literatura contemporânea que cita o processo. Entre os meses de maio e agosto de 2008. As imagens que resultam como corpus fotográfico da tese foram produzidas a partir de processos fotográficos analógicos e digitais. foram descritos o uso de produtos químicos “under the influence of the other chemical reagents”ix. Sua pesquisa foi apresentada sob o título On the Action of the Rays of the Spectrum on Vegetable Juicesx. papel salgado. depositado na New Bodleian Library (Oxford). Da mesma forma. obtive acesso e copiei o manuscrito de Mary Somerville sobre o mesmo processo. desenvolvi a tese de doutorado denominada Assombr(e)amentos: Poéticas do Imaginário Infantil Através de Processos Fotográficos Históricos. respectivamente. Naquele país. no Museum of the History of Science (Oxford). na primeira metade da década de 1840. Chemical. obtive acesso e fotografei a coleção de Phytotypes de Sir John Herschel. também Mary Somerville o fez. Esses processos e seus usos contemporâneos buscavam articular.3204 do uso de outros químicos. os conceitos de hibridismo e o de fotografia expandida. ou dos processos denominados Early Photographic Processes (como daguerreótipos. que não os descritos anteriormente. com Bolsa Capes (Sanduíche).

Herschel percebeu que muitos de seus experimentos não tinham uma aplicação prática imediata. 200-566. a prática dos experimentos fotográficos buscava solucionar questões da rapidez ligadas à sensibilidade química. sem se deter na sua xiii especificidade. criativa. frutas e legumes. Uma pequena parte das informações obtidas foi descrita no capítulo 4 de minha tese. que ousam ampliar os limites da fotografia enquanto linguagem. p. denominado Antepartum: Ilex Matetype e Seus Desdobramentos. construída. experimento a experimento. mas que estes poderiam ser as bases para a fotografia coloridaxi. Hoje. a qual aponta para uma reorientação dos paradigmas estéticos. Larry Schaaf aponta. conforme Rubens Fernandes Junior aponta em sua tese. Vol. entendo que minha prática fotográfica encontra-se no campo expandido da fotografia. manipulada. a busca por uma fotografia que se assemelhasse o mais possível com o olhar-cor. Se em seus primórdios a . Dentro dos conceitos de fotografia expandida (ou fotografia experimental. 1845. que o processo é prova do interesse e pesquisa em direção da fotografia colorida. No presente projeto pretende-se abrir espaço para uma prática multidisciplinar envolvendo as áreas da fotografia e da biologia/química.3205 Posterity. contaminada. híbrida. e Experiments on Light. em Out of the Shadows. 3. entre tantas outras denominações) devemos considerar todos os tipos de intervenções que oferecem à imagem final um caráter perturbador. um método de replicar a natureza infinitamente. a partir das estratégias propostas por Andreas Müller-Pohlexii e dos diversos procedimentos que as ampliam. sem a necessidade da mão de um artista. a nitidez das imagens por conta de seus negativos ou positivos. Segundo o autor. 2 FOTOGRAFIA E FLORA BRASILEIRA Nos anos de 1840. Rome. precária. Nestes manuscritos há a descrição. O Phytotype foi apenas um entre muitos processos “descobertos” e que não obtiveram sucesso comercial. dos materiais fotossensíveis utilizados por ambos para a obtenção dos exemplares fotográficos a partir de emulsões com o suco de vegetais – flores.

presumidamente. xvii Que contribuição para o estudo do processo poderemos ter ao replicarmos os experimentos na flora brasileira? Sabemos que as Angiospermas (plantas com flor) são as mais abundantes e dominantes das plantas terrestres – e que a flora brasileira contém. British Algae: Cyanotype impressions (1843). como argumenta Mike Warexv. Mas não um exemplar de “Flora”. de Hervey (1841)xiv. Suas fotografias são impressas sobre um tipo de grama “stay-green” e depois “embalsamam” seus resultados que incorporam diversos tons de verde a amarelados. por ser um dos exemplares mais bonitos e criativos dos primeiros dias da fotografia. ao realizar o primeiro livro ilustrado manualmente com cianótipos. A pesquisa quanto a este tipo de grama.000 espécies. Em Bristish Algae. Heather Ackroyd e Dan Harvey voltam-se para experimentos fotográficos aliados aos conhecimentos da fotossíntese em grama. Ela tinha em mente registrar espécimes botânicas e que este fosse uma companhia ilustrada à publicação Manual of British Algae. Hoje. se pensarmos em Anna Atkins. representando de 16 a 20% do total mundialxviii. Ao realizar novamente os experimentos de Herschel e Somerville com os phytotypes com a flora brasileira pretende-se problematizar o uso de pigmentos naturais e a longevidade das imagens: sua permanência e transitoriedade. . foram usadas as espécies vegetais que encontrou em seu jardim e no campo (cultivadas e selvagens). assim como o processo de tornar as imagens estáveis e permanentes. envolveram pesquisas científicas junto ao Institute of Grassland and Environmental Research em Wales (GB).000 a 50. biologia e fotografia uniram-se para prover uma documentação científica duplamente intrigante.3206 fotografia era vista como parte da ciência até se autonomizar como um campo da arte – perguntamos hoje qual o papel da arte fotográfica ao voltar-se para a ciência? A história da ciência e da arte estão intimamente ligadas. por exemplo. na Inglaterra do século XIX. de 40.xvi O que nos provoca o trabalho conjunto envolvendo mais de um campo de conhecimento: fotografia e bioquímica? Nas palavras de Herschel.

usa a palavra “Fotografia” para designar os processos desenvolvidos por elexxv. and on Some New Photographic Processes xix . Herschel passa ao estudo da fotografia por. sob o nome de On the Action of the Rays of the Spectrum on Vegetable Juicesxxvii). no artigo On the Action of the Rays of the Solar Spectrum on Vegetable Colours. obtém-se uma imagem nítida. flores com bulbos especialmentexxii. na Inglaterra. A partir da observação dos originais de Herschel e de meu próprio trabalho. Mary Somerville desenvolve Experiments on Lightxxvi. Após seu retorno à Inglaterra e o conhecimento do invento de Daguerre. passa a utilizar o hipossulfito de sódio como agente fixador das imagens. é deste período de sua vida que vem o interesse maior pela Botânica. . o Chrysotype e o Amphitypexxiii. Embora seus maiores méritos estejam na área da astronomia e as descobertas desta área ocorridas durante sua estada em Cape Town (África do Sul).3207 3 EXPERIMENTOS COM LUZ E PIGMENTOS FOTOSSENSÍVEIS VEGETAIS O processo do Phytotype é descrito por Sir John Frederick William Herschel (1792–1871). Outros autores chamaram. John Herschel é um dos cientistas mais conhecidos do século XIX. inventa seus próprios processos. Ao longo deste período. três anos. à época. ao invés do salt tablexxiv. dentre eles o Cyanotype. Somerville anotou em seu manuscrito suas experiências que tiveram curso durante sua estadia na Itália entre Roma e Genova. Outras observações importantes a respeito do processo e do processamento foram pontuados em minha tese. estes experimentos de Coloring Matter of Flowersxx ou Action of Light on Organic Compoundsxxi. Encontram-se hoje exemplares originais do processo nas coleções da Universidade do Texas (EUA) e no Museum of the History of Science de Oxford (GB). Durante o período de 5 de junho de 1845 a 28 de outubro de 1851. onde repete e avança os experimentos fotográficos com cores vegetais (lidos por John Herschel na Royal Society em 27 de novembro de 1845. as quais apresento a seguir. Como conseqüência do trabalho de Herschel e da troca de correspondências científicas. porém sem contraste. pelo menos. cunha as expressões “positivo” e “negativo”.

há uma valorização da sensação/percepção visual através da utilização de suportes como o papel para aquarela. dos diferentes materiais empregados e das interações entre os produtos químicos que se comportam (reagem) de diferentes formas. Isto se deve a diversos fatores enumerados por ele em seu artigo. a necessidade de uso imediato da emulsão. com reserva alcalina) da linha Canson Infinity Digital Fine Art & Photo Portfolio. Diante da tecnologia digital. capaz de produzir novos conhecimentos visuais. em oposição aos papéis fotográficos plásticos homogêneos (em sua superfície e estandartizados no tamanho) que passam a imperar durante o século XX. e quando sim. Quanto aos suportes materiais. quando não preparada com álcool. em suas experiências. abrem-se inúmeras possibilidades de cores. Conforme Herschel. se compararmos um papel para aquarela canson emulsionado com o phytotype e a mesma imagem num papel canson Rag Photographique. Katy Barron e Anna Douglasxxviii usam a expressão “alquimia” para traduzir o desejo de fotógrafos (e eu me incluo entre eles) de explorar a “percepção”. No entanto. os resultados finais da imagem são distintos. o avanço do ciclo de vida das flores. a cor original do suco vegetal modifica-se com a exposição aos raios solares no papel branco. também são fabricados em rolos.3208 Diante de tais procedimentos – os do fazer fotográfico através de processos históricos –. devido a uma grande gama de cores de pigmentos. fábricas como a Canson estão lançando no mercado papéis fotográficos destinados à impressão digital de longa permanência. Por exemplo. Há questões envolvendo a maneira de preparo do papel. é possível inferir que. No caso dos vegetais. luz. Além dos tamanhos tradicionais de papéis fotográficos. o fato das flores não suportarem a guarda por longos períodos de tempo. particularmente conectada às noções de tempo. por exemplo. é possível verificar que a fotografia é um meio aberto e experimental. reações químicas. permitindo a impressão de exemplares grandes. como o Rag Photographique (100% algodão. por meio da percepção das sutilezas. a Red Damask Rose (Black Rose) dá uma cor azul escura. o trabalho da matéria e as transformações das substâncias (ao longo do processamento e do .

Ou. o papel pode encolher. a fotografia. já que são responsáveis por uma metamorfose material no suporte fotográfico. mesmo sem a interferência do artista. Atacada pela luz. extenua-se. As reações bioquímicas à luz – “escape de ácido carbônico”. “E a relação do acaso e do desígnio mostram-se como a dialética do movimento criador. sofrer ondulações e rasgar-se. ela empalidece. “Nasce dos próprios grãos de prata que germinaram. pode ser entendida de acordo com a definição de Roland Barthes: como um organismo vivo. Os trabalhos são “revelatórios”. as interferências no resultado final da imagem podem ser entendidas como erros ou uma serenpicidadexxxiii. que imprime imagens de revistas e fotos instantâneos em folhas de plantas tropicais. desabrocha por um instante. A noção de organismo vivo não pode ser mais verdadeira no caso dos Phytotypes. aderência de elementos externos (impurezas) ao papel. “absorção de oxigênio”. depois envelhece. mas interfere e colabora na transmutação de objetos comuns em imagem. O tempo e a luz são os agentes desse trabalho alquímicoxxix. Nesse contexto. Aqueles encontrados em Oxford (GB) estão guardados em envelopes abrigados da luz. “embalsama” seus exemplares através de resinaxxxii. ainda na secagem.3209 tempo). em oposição aos tempos controlados e etapas padronizadas do fazer pretoe-branco tradicional e sua durabilidade. riscos. pela umidade. mudam as cores da emulsão/fotografia. A criação continua direcionada . uma vez que deixam traços da qualidade viva das metamorfoses químicas: manchas provocadas por excesso de emulsão ou descolorações decorrentes de excesso de exposição à luz. Contemporaneamente Binh Danh. “desorganização das moléculas” – descritas por Herschelxxxi (à luz dos conhecimentos da época). Os erros podem trazer novos elementos a serem explorados também. através do processo da fotossíntese. O artista não só capta fotograficamente o mundo externo. fazendo-a empalidecer até o seu completo desaparecimento. O desparecimento das cópias já fazia Herschel preocupar-se com um modo de guarda eficiente para seus exemplares. nesses processos. desaparece”xxx.

Assim. a construção acontece por . enriquece a prática fotográfica com a reflexão contínua sobre o trabalho/fazer. em que o perto importa mais do que o distante. ou dispostas em porta-retratos. incorporadas (consubstanciados) e sensuais (sensíveis)”xxxviii. o do tocar com a visão xxxvi. Por consequência. o que se distancia muito de uma fotografia vista na tela do computador (no orkut. irrepetibilidade. tal qual teoriza Carol Armstrongxxxv. para além de seu suporte. O caráter háptico desses trabalhos bidimensionais. montadas em cartões de diferentes tamanhos. enseja a carícia em vez do abraço. que foi realizada na área de poéticas visuais. e ambos fazem parte de possíveis estratégias de trabalho. O projeto é um marco de partida. opacidade.3210 por um projeto. instabilidade e indeterminação neste fazer. “existem no tempo e no espaço. pois lança algumas luzes no caminho. A imagem fotográfica e sua materialidade têm um repertório amplo. por uma solicitação ao toque. Propõe-se uma “re-materialização” fotográfica. As fotografias são emolduradas. porém inserido na continuidade de um processo”xxxiv. ou penduradas diretamente na parede. há um certo grau de incontrolabilidade. e que. Elas têm 'volume. traz a fascinação pela materialidade da superfície texturizada. Fotografias são depósitos de químicos em papel: ao mesmo tempo imagem e objeto físico. cores e decorações. O acaso pode ser inesperado como construído. 4 PROCESSO E EXPERIMENTAÇÕES A metodologia que se procurará seguir encontra respaldo nos procedimentos metodológicos já experimentados ao longo de minha tese de doutorado. permite estabelecer em princípio alguns objetivos que guiarão o pesquisadorxxxix. na experiência social e cultural. coladas em um álbum fotográfico – ou atualmente em um Scrapbook –. Mas. por exemplo). ou como o projétil que é lançado mirando-se em algo. no meu entender. tactilidade e uma presença física no mundo' e estão envolvidas/enredadas com interações subjetivas. é um espaço somático. formas. defendo que a materialidade fotográfica presente em obras como as decorrentes dos processos históricos não pode ser reduzida à experiência somente com a imagemxxxvii.

a fotografia sem o aparelho (sem câmera)xlv. A obra se desenvolve ao mesmo tempo em que é executada. São exemplos: a solarização. a integração da fotografia em um “organismo visual” mais complexo. Podem ser empregados: o movimento da câmera durante o registro. O processo é o meio utilizado pelo pesquisador/fotógrafo para aproximar-se de seu projeto poéticoxlii. câmeras de foco fixo com lentes de baixa qualidade. ou seja. portanto. destacam-se o cut papers. câmeras artesanais. a sobreposição de imagens. que poderão ser adotadas para o resultado final das imagens. em busca de um esgaçamento da linguagem. as construções por miniaturas. O fotógrafo está empenhado em obrigar o aparelho a revelar novas potencialidadesxliv. encontram-se os seguintes níveis de intervenção: 1. o desfoque como estratégia de representação. a combinação de diferentes procedimentos. combinando-a com outras mídias ou transferindo-a para outros suportes. as fotomontagens e as superimposições (os sanduíches) e a revelação forçada. gerando uma imagem trêmula e nem sempre reconhecível imediatamente. Podem ser interferências no suporte (negativo e/ou positivo) – no caso. meios de expressão desejam servir a alguma coisaxli. a câmera cega (blind câmera). ao seu programa de funcionamento. 3. uma dualidade do processo: às vezes. Penso na fotografia de um modo processual. Entre o “Artista e o Aparelho”: no sentido de usar a câmera fotográfica contrariamente à sua função preestabelecida. Há. 2. alguma coisa deseja se exprimir e. Dentre as estratégias. a encenação do auto-retrato. Entre o “Artista e o Objeto”: dentre muitos procedimentos que poderão ser adotados. a produção de imagens por apropriação de outras imagens. experimental e construída. as alterações de processos . o fotograma. Estas estratégias poderão são realizadas antes da captura de imagem pela câmera. outras vezes. câmeras amadoras. Entre o “Artista e a Imagem”: interferindo na própria fotografia. intervenções possíveis a partir do positivo e/ou negativo.3211 meio de operações lógicas e sensíveisxl. o uso dos “negativos” de papel vegetal que venho usando. propostas por Müller-Pohle. a construção de “realidades”xliii.

royalsociety. em São Paulo. Royal Society. New Haven & London: Yale University Press. caso não haja um grande cuidado na manipulação dos mesmos. Eram propostos. Larry J. entre outras patologias. Na disciplina. 2002. fotogravura. p. p. Arte e História no curso Graduação Tecnológica em Fotografia da ULBRA. bem como respirador com filtros apropriados para os produtos manipulados. a série Shadows participou da exposição de seleção do Prêmio Porto Seguro de Fotografias. fevereiro. 182. e aquelas consideradas bem-sucedidas serão preparadas para a organização de artigos científicos.215. p. Durante todo o processo.3212 químicos. p. durante o semestre. foi empregado para designá-lo até a minha qualificação de doutorado. Será criado um caderno/ ficha ficha técnica dos experimentos – para registros sobre os processos e resultados. 2008. aplicação de produtos e mesmo lavagem e fixação devem ser utilizadas luvas especiais. p.V. platina e paládio. um livro e exposições. Neste caso. como por exemplo. percorre-se a trajetória da história da fotografia e sua relação com a arte desde o século XIX até o presente. podem acontecer manchas e corrosões na pele. heliografia. Foi também umas das técnicas vistas em 2007/1 e 2007/2 pelos alunos da Oficina de Fotografia Experimental da mesma universidade. no processo E-6 por C-4. Lá em sua própria grafia. Londres. pretende-se realizar a edição das imagens obtidas. xii Encontram-se no artigo do autor sob o nome de Information Strategies. 16-17. 111-120. janeiro. 200 – 2005. xiii FERNANDES JUNIOR. GB. 1992. a reprodução de processos primitivos. encontrei os originais do processo de Sir John Herschel no Museum of the History of Science. viii JAMES. Disponível em: <http://www. o uso da emulsão vegetal – que determinará os meses a serem feitos os experimentos. Durante a mistura dos químicos. vi Boa parte dos produtos químicos empregados nos processos do século XIX são cancerígenos ou mesmo mortais. na Galeria Lunara. Transcrito em SECORD. Canoas/RS. In: Philosophical Transactions of the Royal Society of London. dezembro. Vol 1: Scientific Papers and Reviews. goma bicromatada. será efetuada manipulação da matriz após ser digitalizada (via scanner e transporte para o computador). a substituição da revelação do filme positivo. março). 2006. originalmente publicado como Photography: Today/Tomorrow. (novembro. p. Goiânia (GO). coleção e sombras” foi publicado nos anais do 14º. Oxford. durante minha estada na Inglaterra (2008).127. Ainda. 181. Van Dyke. É a partir dessa observação que passei a utilizar tal denominação no lugar de Anthotype. Talbot and the Invention of Photography. havia a denominação Phythotypes para os exemplares em Vegetable Photographs. James A. 1842. através de softwares variadosxlvi. i 26 de junho de 1842. vii O nome do processo Anthotype. .org/>. ii Pesquisa financiada pela Pró-reitoria de Pesquisa da ULBRA. ainda no mesmo ano. vol. do Centro Cultural Usina do Gasômetro. Collected Works of Mary Somerville. Acesso em: 1 jul. Mais tarde. v De 2003 a 2004 e 2007/1. x Philosophical Transactions of the Royal Society of London. 1846. encontrado no livro de Christopher James. Out of the Shadows: Herschel. Bristol: Thoemmes Continuum. a partir desta pesquisa. ix HERSCHEL. de alta incidência de raios U. iv O artigo “Anthotypes e o limite da visibilidade: segredos. 2005. Porém. 2004. Encontro Nacional da ANPAP. 136. além da inalação de vapores tóxicos. iii As três séries foram selecionadas por edital para uma exposição individual em Porto Alegre. como cianótipo. na categoria Pesquisas Contemporâneas. Devido às reações químicas. lecionei na disciplina Fotografia. exercícios práticos que incluíam a cianotipia. xi SCHAAF. The Book of Alternative Photographic Processes.

1302. xli Idem. Massachusetts: The MIT Press. 1992. Disponível em: <http: //digitalgallery. xxxiii Capacidade de fazer descobertas desejáveis por meio do acaso. xliv Idem. 8.org/. 264). xxix Idem. In: October.). 2004. 53. 2010. xxiii Respectivamente Blue Print. Robert. São Paulo: Contexto. p.> Acesso em: 22 jun. 111-120. além do hobby do cultivo. 1842. London: Harrison and Sons. 2004. 2008. p. Massachussets: MIT Press. Flora Herscheliana. 168-169). 1981. 158. 354. Acesso em: 1 jul. ROURKE. Capítulo XII. p. Atualmente depositado na Bodleian Library. xxv BUTTMANN. Collected Works of Mary Somerville.nypl. HART. Disponivel em: <http://www. 76. Ocean Flowers: Anna Atkins’s Cyanotypes of British Algae. 82. Guildford & London: Lutterworth Press. Binh Danh: one week’s dead.royalsociety. p. xl SALLES. p. mediante pagamento de uma taxa. 2008. 1883. esta atividade é extensamente descrita. feitos por Sir John Herschel com a ajuda de uma Camera Lucida. baseado nos sais do Azul da Prússia. xxvi Nome do manuscrito onde estão as experiências de Somerville com materiais orgânicos e químicos. sem iodo. 85. 130. xliii FERNANDES JUNIOR. Retrata uma grande variedade de plantas com bulbos. começa a fazer análises químicas nas espécies (p. 62-63. ibidem. 2007. vol. 1974. 181. xxxix REY. 2 ed. The Bulb Garden. Bodleian MSSW-13 dep. xxviii Apud BARRON. 2006. p. Syracuse: Light Work. p. p. 17-18.nypl. n. London: John Joseph Griffin & Co. (org. Bristol: Thoemmes Continuum.S. p. Anna. p. ARMSTRONG. C. JAMES. 1996. em sua maioria aquarelados. 3. 1999. xx HUNT. baseado em sais de ouro. xxxviii Idem. p. Acesso em: 22 jun. p. 1846. In: Philosophical Transactions of the Royal Society of London. xxx BARTHES. xviii LEWINSOHN. com sais de mercúrio. 84. REFERÊNCIAS ATKINS. p. porém. Reproduz 112 desenhos a lápis. James A. Günther. xvi KAC. WARE. Return to England. No capítulo 9. xxxv POLLOCK. and on some new photographic processes. xxiv Mesmo sal que se usa no processo de Salt Print ou Papel Salgado. é mencionado que uma das experiências fotográficas mais bem sucedidas com flores foi com uma das espécies trazidas de Cape Town (p. . 2006. Brian. 1. xxxvi ARMSTRONG.org/>. xlii Idem. xlv Idem. Houghton: The Brenthurst Press. 9. p. Laura A. da Universidade de Oxford. Transcrito em SECORD. 17. p. 1853. John. ARMSTRONG. p. 138-139. 1984. 102. 139.3213 xiv Ocean flowers: Anna Atkins’s cyanotypes of British Algae. Paulo Inácio. o que evidencia ser esta uma de suas atividades diurnas: a procura e o cultivo destas espécies. M. Eduardo. p. inclusive menciona que. Disponível em: <http://digitalgallery. No capítulo 4. xlvi Idem. p. 2004. xxi EDER. 1842.215. 101. 1842. Thomas M. Carol. 190. com possibilidade de baixar o abstract. p. 2002. 1996. xv 1999. xxvii Philosophical Transactions of the Royal Society of London. 188 xxxii GUTH. 2002. A manual of photography. Vol 9: Scientific Papers and Reviews. 2002. The shadow of the telescope: a biography of John Herschel. xxxi On the action of the rays of the solar spectrum on vegetable colours.H. 18. 2007. xxii WARNER.org/>. 19-52. xxxiv SALLES.. Capítulo V. Do inglês Serendipity. xvii HERSCHEL. FLEXNER. xix Publicado e disponibilizado on-line. 1842. J. Biodiversidade Brasileira: síntese do estado atual de conhecimento. 136. PRADO. p. 2010. This Photography which is not one: in the gray zone with Tina Modotti. 2004. 2002. Signs of life: bio art and beyond. The chemical effect of the spectrum. Sir John and Lady Herschel at the Cape 1834 – 1838. xxxvii EDWARDS.

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Mike. Film and Television. Bradford: National Museum of Photography. . science and the art of photographic printing in Prussian Blue. atualmente professora adjunta na FABICO/UFRGS. Teoria e Crítica de Artes Visuais pelo mesmo programa (2000). Docente da área de fotografia desde 1997. Andréa Brächer Doutora em Poéticas Visuais pelo PPGAVi/UFRGS (2009). Cyanotype: the history.3216 WARE. Mestre em História. Pesquisa processos fotográficos históricos. 1999.