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EXPERIMENTAÇÕES COM PHYTOTYPES

Andréa Brächer - UFRGS Resumo Esta pesquisa, da área teórico-prática da fotografia, investiga o processo fotográfico histórico denominado Phytotype, que são fotografias feitas com a emulsão fotossensível de sucos de vegetais e descrita pela primeira vez em 1842, por Sir John Herschel e, em 1845, pela cientista Mary Somerville. Busca-se problematizar o uso de pigmentos naturais e a longevidade das imagens procurando transformar imagens transitórias em permanentes e também refletir sobre as conseqüências práticas e teóricas ao lidarmos com permanência e impermanência neste processo. Palavras-chave: Fotografia, Processos Fotográficos Históricos, Phytotypes.

Abstract This research in the field of photography, investigates the historical photographic process called Phytotype, which are photographs made with a photosensitive emulsion of vegetable juice and first described in 1842 by Sir John Herschel, and in 1845 by scientist Mary Somerville. Seeks to problematize the use of natural pigments and longevity; to transform transitory images into permanent prints. Also reflect on the theoretical and practical consequences in dealing with permanence and impermanence in this process. Key words: Photography, Historical Photographic Processes, Phytotypes.

1 INTRODUÇÃO Esta artigo relata a pesquisa que inicio em 2011 com o apoio da Propesq/UFRGS. Pretende dar continuidade a duas investigações que desenvolvi desde 2003 sobre processos fotográficos históricos dentro da linha de pesquisa de poéticas artísticas. A pesquisa está centrada nos Phytotypes, que são fotografias feitas com a emulsão fotossensível de sucos de vegetais e descrita pela primeira vez em 1842, por Sir John Herschel, no artigo On the Action of the Rays of the Solar Spectrum on Vegetable Colours, and on some new Photographic Processes.i Este processo já havia sido pesquisado por mim nos anos de 2003-2004ii, no decorrer do projeto Fotografia Experimental e Aplicada: Estudos na Captura e

O problema inicial daquela pesquisa era a articulação entre os processos fotográficos históricos e as novas tecnologias digitais. de fácil execução. Na base desse tipo de emulsão.V. há evidências. O Phytotype é um processo fotográfico pouco conhecido. nas publicações de John Herschel.3203 Processamento Analógico e Digital. e tinha como objetivo específico aplicá-los em sala de aula. . Coleção da autora. Ilex Matetype. 2003/4. foram escolhidas as técnicas do Cyanotype (cianotipia) e do Anthotypevii (Phytotypes). As imagens finais foram obtidas entre dezembro de 2003 e março de 2004 – época de verão e de alta incidência de raios U. e resultou na série de fotografias denominadas Ilex Matetypeiii – cuja emulsão fotográfica era baseada em álcool e erva-mate. Sem título. 25 x 17cm. Shadows e Old Timesiv. É considerado por autores contemporâneos um processo “realmente seguro”viii.v Dentre as alternativas possíveis (de bibliografia acessível. Andréa Brächer. folhas ou frutas silvestres – também denominados “sucos vegetais” diluídos em água ou álcool. O trabalho Ilex Matetype desdobrou-se em três séries fotográficas: Jardim Secreto. e nas minhas palavras “ecologicamente correto” – porém. poucos materiais químicos necessários e menos tóxicosvi). legumes. empregam-se pétalas de flores.

goma bicromatada e kallitype ou marrom Van Dyke) até imagens capturadas em câmeras digitais. Em seus manuscritos e artigos originais. com Bolsa Capes (Sanduíche). Viz: Optical. obtive acesso e fotografei a coleção de Phytotypes de Sir John Herschel. a partir do uso dos processos fotográficos históricos. os conceitos de hibridismo e o de fotografia expandida. aprofundando minha pesquisa sobre processos fotográficos históricos. tanto no plano prático quanto no plano teórico. Nonsensical and Queer Things Miscellaneously Arranged for the Benifit of . Chemical. ou dos processos denominados Early Photographic Processes (como daguerreótipos. as emulsões vegetais não foram empregadas em meu trabalho. processadas e impressas digitalmente. que não os descritos anteriormente. desenvolvi a tese de doutorado denominada Assombr(e)amentos: Poéticas do Imaginário Infantil Através de Processos Fotográficos Históricos. respectivamente. Os objetivos eram fazer experiências híbridas entre as práticas analógicas e as digitais. tintypes. Entre os meses de maio e agosto de 2008. Esses processos e seus usos contemporâneos buscavam articular. depositado na New Bodleian Library (Oxford). Naquele país. São eles respectivamente: Experiments on Various Subjects. na primeira metade da década de 1840. copiei partes de seu manuscrito referente à fotografia do Science Museum (Swindon). englobando a captura e/ou processamento e/ou suportes. diferentemente da literatura contemporânea que cita o processo. Além de Herschel pesquisá-lo inicialmente. no Museum of the History of Science (Oxford). De 2005 a 2009. papel salgado.3204 do uso de outros químicos. na Inglaterra e Itália. Sua pesquisa foi apresentada sob o título On the Action of the Rays of the Spectrum on Vegetable Juicesx. As imagens que resultam como corpus fotográfico da tese foram produzidas a partir de processos fotográficos analógicos e digitais. Da mesma forma. ambrótipos. cianótipo. foram descritos o uso de produtos químicos “under the influence of the other chemical reagents”ix. obtive acesso e copiei o manuscrito de Mary Somerville sobre o mesmo processo. Durante estes anos. também Mary Somerville o fez. estive em Londres/GB.

Herschel percebeu que muitos de seus experimentos não tinham uma aplicação prática imediata. Vol. frutas e legumes.3205 Posterity. a partir das estratégias propostas por Andreas Müller-Pohlexii e dos diversos procedimentos que as ampliam. que o processo é prova do interesse e pesquisa em direção da fotografia colorida. No presente projeto pretende-se abrir espaço para uma prática multidisciplinar envolvendo as áreas da fotografia e da biologia/química. a prática dos experimentos fotográficos buscava solucionar questões da rapidez ligadas à sensibilidade química. conforme Rubens Fernandes Junior aponta em sua tese. híbrida. Segundo o autor. a qual aponta para uma reorientação dos paradigmas estéticos. Uma pequena parte das informações obtidas foi descrita no capítulo 4 de minha tese. sem a necessidade da mão de um artista. Se em seus primórdios a . Dentro dos conceitos de fotografia expandida (ou fotografia experimental. Nestes manuscritos há a descrição. em Out of the Shadows. precária. a busca por uma fotografia que se assemelhasse o mais possível com o olhar-cor. manipulada. denominado Antepartum: Ilex Matetype e Seus Desdobramentos. contaminada. entre tantas outras denominações) devemos considerar todos os tipos de intervenções que oferecem à imagem final um caráter perturbador. 200-566. 2 FOTOGRAFIA E FLORA BRASILEIRA Nos anos de 1840. e Experiments on Light. que ousam ampliar os limites da fotografia enquanto linguagem. p. criativa. Hoje. 3. O Phytotype foi apenas um entre muitos processos “descobertos” e que não obtiveram sucesso comercial. 1845. construída. a nitidez das imagens por conta de seus negativos ou positivos. dos materiais fotossensíveis utilizados por ambos para a obtenção dos exemplares fotográficos a partir de emulsões com o suco de vegetais – flores. mas que estes poderiam ser as bases para a fotografia coloridaxi. entendo que minha prática fotográfica encontra-se no campo expandido da fotografia. sem se deter na sua xiii especificidade. Rome. experimento a experimento. Larry Schaaf aponta. um método de replicar a natureza infinitamente.

por ser um dos exemplares mais bonitos e criativos dos primeiros dias da fotografia. ao realizar o primeiro livro ilustrado manualmente com cianótipos. xvii Que contribuição para o estudo do processo poderemos ter ao replicarmos os experimentos na flora brasileira? Sabemos que as Angiospermas (plantas com flor) são as mais abundantes e dominantes das plantas terrestres – e que a flora brasileira contém. A pesquisa quanto a este tipo de grama. representando de 16 a 20% do total mundialxviii. Hoje. se pensarmos em Anna Atkins. Ao realizar novamente os experimentos de Herschel e Somerville com os phytotypes com a flora brasileira pretende-se problematizar o uso de pigmentos naturais e a longevidade das imagens: sua permanência e transitoriedade. de 40.3206 fotografia era vista como parte da ciência até se autonomizar como um campo da arte – perguntamos hoje qual o papel da arte fotográfica ao voltar-se para a ciência? A história da ciência e da arte estão intimamente ligadas. British Algae: Cyanotype impressions (1843).xvi O que nos provoca o trabalho conjunto envolvendo mais de um campo de conhecimento: fotografia e bioquímica? Nas palavras de Herschel. biologia e fotografia uniram-se para prover uma documentação científica duplamente intrigante. Heather Ackroyd e Dan Harvey voltam-se para experimentos fotográficos aliados aos conhecimentos da fotossíntese em grama. presumidamente. Ela tinha em mente registrar espécimes botânicas e que este fosse uma companhia ilustrada à publicação Manual of British Algae. Em Bristish Algae. por exemplo. como argumenta Mike Warexv. envolveram pesquisas científicas junto ao Institute of Grassland and Environmental Research em Wales (GB). . na Inglaterra do século XIX. de Hervey (1841)xiv. foram usadas as espécies vegetais que encontrou em seu jardim e no campo (cultivadas e selvagens).000 espécies.000 a 50. Suas fotografias são impressas sobre um tipo de grama “stay-green” e depois “embalsamam” seus resultados que incorporam diversos tons de verde a amarelados. assim como o processo de tornar as imagens estáveis e permanentes. Mas não um exemplar de “Flora”.

Embora seus maiores méritos estejam na área da astronomia e as descobertas desta área ocorridas durante sua estada em Cape Town (África do Sul). três anos.3207 3 EXPERIMENTOS COM LUZ E PIGMENTOS FOTOSSENSÍVEIS VEGETAIS O processo do Phytotype é descrito por Sir John Frederick William Herschel (1792–1871). Outras observações importantes a respeito do processo e do processamento foram pontuados em minha tese. flores com bulbos especialmentexxii. John Herschel é um dos cientistas mais conhecidos do século XIX. Outros autores chamaram. no artigo On the Action of the Rays of the Solar Spectrum on Vegetable Colours. o Chrysotype e o Amphitypexxiii. é deste período de sua vida que vem o interesse maior pela Botânica. inventa seus próprios processos. Encontram-se hoje exemplares originais do processo nas coleções da Universidade do Texas (EUA) e no Museum of the History of Science de Oxford (GB). . porém sem contraste. pelo menos. cunha as expressões “positivo” e “negativo”. estes experimentos de Coloring Matter of Flowersxx ou Action of Light on Organic Compoundsxxi. obtém-se uma imagem nítida. passa a utilizar o hipossulfito de sódio como agente fixador das imagens. as quais apresento a seguir. Durante o período de 5 de junho de 1845 a 28 de outubro de 1851. A partir da observação dos originais de Herschel e de meu próprio trabalho. usa a palavra “Fotografia” para designar os processos desenvolvidos por elexxv. and on Some New Photographic Processes xix . à época. ao invés do salt tablexxiv. onde repete e avança os experimentos fotográficos com cores vegetais (lidos por John Herschel na Royal Society em 27 de novembro de 1845. dentre eles o Cyanotype. Mary Somerville desenvolve Experiments on Lightxxvi. Herschel passa ao estudo da fotografia por. Após seu retorno à Inglaterra e o conhecimento do invento de Daguerre. sob o nome de On the Action of the Rays of the Spectrum on Vegetable Juicesxxvii). Somerville anotou em seu manuscrito suas experiências que tiveram curso durante sua estadia na Itália entre Roma e Genova. Ao longo deste período. na Inglaterra. Como conseqüência do trabalho de Herschel e da troca de correspondências científicas.

é possível inferir que. por exemplo. em suas experiências. Há questões envolvendo a maneira de preparo do papel. como o Rag Photographique (100% algodão. No caso dos vegetais. particularmente conectada às noções de tempo. quando não preparada com álcool. com reserva alcalina) da linha Canson Infinity Digital Fine Art & Photo Portfolio. Isto se deve a diversos fatores enumerados por ele em seu artigo. Katy Barron e Anna Douglasxxviii usam a expressão “alquimia” para traduzir o desejo de fotógrafos (e eu me incluo entre eles) de explorar a “percepção”. capaz de produzir novos conhecimentos visuais. é possível verificar que a fotografia é um meio aberto e experimental. e quando sim. luz. fábricas como a Canson estão lançando no mercado papéis fotográficos destinados à impressão digital de longa permanência. Diante da tecnologia digital. abrem-se inúmeras possibilidades de cores. Por exemplo. também são fabricados em rolos. o trabalho da matéria e as transformações das substâncias (ao longo do processamento e do . a necessidade de uso imediato da emulsão. a Red Damask Rose (Black Rose) dá uma cor azul escura. a cor original do suco vegetal modifica-se com a exposição aos raios solares no papel branco. reações químicas. se compararmos um papel para aquarela canson emulsionado com o phytotype e a mesma imagem num papel canson Rag Photographique.3208 Diante de tais procedimentos – os do fazer fotográfico através de processos históricos –. No entanto. o avanço do ciclo de vida das flores. Quanto aos suportes materiais. o fato das flores não suportarem a guarda por longos períodos de tempo. dos diferentes materiais empregados e das interações entre os produtos químicos que se comportam (reagem) de diferentes formas. em oposição aos papéis fotográficos plásticos homogêneos (em sua superfície e estandartizados no tamanho) que passam a imperar durante o século XX. permitindo a impressão de exemplares grandes. Conforme Herschel. Além dos tamanhos tradicionais de papéis fotográficos. por meio da percepção das sutilezas. os resultados finais da imagem são distintos. há uma valorização da sensação/percepção visual através da utilização de suportes como o papel para aquarela. devido a uma grande gama de cores de pigmentos.

sofrer ondulações e rasgar-se. Atacada pela luz. “embalsama” seus exemplares através de resinaxxxii. mesmo sem a interferência do artista. “Nasce dos próprios grãos de prata que germinaram. já que são responsáveis por uma metamorfose material no suporte fotográfico. extenua-se. Os trabalhos são “revelatórios”. Ou. Contemporaneamente Binh Danh. em oposição aos tempos controlados e etapas padronizadas do fazer pretoe-branco tradicional e sua durabilidade. Os erros podem trazer novos elementos a serem explorados também. riscos. ainda na secagem. Nesse contexto. desaparece”xxx. pode ser entendida de acordo com a definição de Roland Barthes: como um organismo vivo. fazendo-a empalidecer até o seu completo desaparecimento. A criação continua direcionada . As reações bioquímicas à luz – “escape de ácido carbônico”. desabrocha por um instante. aderência de elementos externos (impurezas) ao papel. “E a relação do acaso e do desígnio mostram-se como a dialética do movimento criador. O desparecimento das cópias já fazia Herschel preocupar-se com um modo de guarda eficiente para seus exemplares. mudam as cores da emulsão/fotografia. “absorção de oxigênio”. através do processo da fotossíntese. O artista não só capta fotograficamente o mundo externo.3209 tempo). a fotografia. “desorganização das moléculas” – descritas por Herschelxxxi (à luz dos conhecimentos da época). as interferências no resultado final da imagem podem ser entendidas como erros ou uma serenpicidadexxxiii. O tempo e a luz são os agentes desse trabalho alquímicoxxix. uma vez que deixam traços da qualidade viva das metamorfoses químicas: manchas provocadas por excesso de emulsão ou descolorações decorrentes de excesso de exposição à luz. o papel pode encolher. A noção de organismo vivo não pode ser mais verdadeira no caso dos Phytotypes. mas interfere e colabora na transmutação de objetos comuns em imagem. depois envelhece. ela empalidece. nesses processos. pela umidade. Aqueles encontrados em Oxford (GB) estão guardados em envelopes abrigados da luz. que imprime imagens de revistas e fotos instantâneos em folhas de plantas tropicais.

é um espaço somático. montadas em cartões de diferentes tamanhos. pois lança algumas luzes no caminho.3210 por um projeto. Mas. opacidade. que foi realizada na área de poéticas visuais. para além de seu suporte. porém inserido na continuidade de um processo”xxxiv. Elas têm 'volume. e ambos fazem parte de possíveis estratégias de trabalho. O acaso pode ser inesperado como construído. tactilidade e uma presença física no mundo' e estão envolvidas/enredadas com interações subjetivas. defendo que a materialidade fotográfica presente em obras como as decorrentes dos processos históricos não pode ser reduzida à experiência somente com a imagemxxxvii. O caráter háptico desses trabalhos bidimensionais. “existem no tempo e no espaço. e que. irrepetibilidade. formas. coladas em um álbum fotográfico – ou atualmente em um Scrapbook –. As fotografias são emolduradas. Assim. ou como o projétil que é lançado mirando-se em algo. cores e decorações. Por consequência. o que se distancia muito de uma fotografia vista na tela do computador (no orkut. enriquece a prática fotográfica com a reflexão contínua sobre o trabalho/fazer. por exemplo). há um certo grau de incontrolabilidade. o do tocar com a visão xxxvi. incorporadas (consubstanciados) e sensuais (sensíveis)”xxxviii. por uma solicitação ao toque. traz a fascinação pela materialidade da superfície texturizada. permite estabelecer em princípio alguns objetivos que guiarão o pesquisadorxxxix. O projeto é um marco de partida. 4 PROCESSO E EXPERIMENTAÇÕES A metodologia que se procurará seguir encontra respaldo nos procedimentos metodológicos já experimentados ao longo de minha tese de doutorado. A imagem fotográfica e sua materialidade têm um repertório amplo. ou dispostas em porta-retratos. enseja a carícia em vez do abraço. a construção acontece por . ou penduradas diretamente na parede. Fotografias são depósitos de químicos em papel: ao mesmo tempo imagem e objeto físico. em que o perto importa mais do que o distante. tal qual teoriza Carol Armstrongxxxv. instabilidade e indeterminação neste fazer. no meu entender. na experiência social e cultural. Propõe-se uma “re-materialização” fotográfica.

a construção de “realidades”xliii. o fotograma. câmeras artesanais. encontram-se os seguintes níveis de intervenção: 1. A obra se desenvolve ao mesmo tempo em que é executada. propostas por Müller-Pohle. Podem ser interferências no suporte (negativo e/ou positivo) – no caso. meios de expressão desejam servir a alguma coisaxli. outras vezes. Estas estratégias poderão são realizadas antes da captura de imagem pela câmera. destacam-se o cut papers. a sobreposição de imagens. Dentre as estratégias. ou seja. 2. São exemplos: a solarização. câmeras amadoras. as construções por miniaturas. a produção de imagens por apropriação de outras imagens. as alterações de processos . gerando uma imagem trêmula e nem sempre reconhecível imediatamente. uma dualidade do processo: às vezes. combinando-a com outras mídias ou transferindo-a para outros suportes. em busca de um esgaçamento da linguagem. Entre o “Artista e o Objeto”: dentre muitos procedimentos que poderão ser adotados. alguma coisa deseja se exprimir e. Entre o “Artista e a Imagem”: interferindo na própria fotografia. O fotógrafo está empenhado em obrigar o aparelho a revelar novas potencialidadesxliv. a câmera cega (blind câmera). Há. experimental e construída. ao seu programa de funcionamento. Penso na fotografia de um modo processual. a integração da fotografia em um “organismo visual” mais complexo. a combinação de diferentes procedimentos. que poderão ser adotadas para o resultado final das imagens. a encenação do auto-retrato. intervenções possíveis a partir do positivo e/ou negativo. Entre o “Artista e o Aparelho”: no sentido de usar a câmera fotográfica contrariamente à sua função preestabelecida. O processo é o meio utilizado pelo pesquisador/fotógrafo para aproximar-se de seu projeto poéticoxlii. portanto. as fotomontagens e as superimposições (os sanduíches) e a revelação forçada. câmeras de foco fixo com lentes de baixa qualidade. o uso dos “negativos” de papel vegetal que venho usando. 3. o desfoque como estratégia de representação. Podem ser empregados: o movimento da câmera durante o registro. a fotografia sem o aparelho (sem câmera)xlv.3211 meio de operações lógicas e sensíveisxl.

3212 químicos. 182. lecionei na disciplina Fotografia. Out of the Shadows: Herschel. exercícios práticos que incluíam a cianotipia. Acesso em: 1 jul. como cianótipo. a partir desta pesquisa. ainda no mesmo ano. a substituição da revelação do filme positivo. Mais tarde. iv O artigo “Anthotypes e o limite da visibilidade: segredos.royalsociety. ix HERSCHEL. Arte e História no curso Graduação Tecnológica em Fotografia da ULBRA. Canoas/RS. vi Boa parte dos produtos químicos empregados nos processos do século XIX são cancerígenos ou mesmo mortais. xiii FERNANDES JUNIOR. vii O nome do processo Anthotype. In: Philosophical Transactions of the Royal Society of London. encontrei os originais do processo de Sir John Herschel no Museum of the History of Science. p. É a partir dessa observação que passei a utilizar tal denominação no lugar de Anthotype. em São Paulo. durante o semestre. Eram propostos. 136.127. Vol 1: Scientific Papers and Reviews. através de softwares variadosxlvi. x Philosophical Transactions of the Royal Society of London. 2006. 16-17. Goiânia (GO). além da inalação de vapores tóxicos.215. fevereiro. xi SCHAAF.V. vol. 200 – 2005. encontrado no livro de Christopher James. como por exemplo. Neste caso. James A. percorre-se a trajetória da história da fotografia e sua relação com a arte desde o século XIX até o presente. será efetuada manipulação da matriz após ser digitalizada (via scanner e transporte para o computador). a reprodução de processos primitivos. Encontro Nacional da ANPAP. 2002. Ainda.org/>. Devido às reações químicas. 1842. 111-120. 1992. Royal Society. 2004. goma bicromatada. Londres. iii As três séries foram selecionadas por edital para uma exposição individual em Porto Alegre. Durante a mistura dos químicos. platina e paládio. . p. 1846. março). a série Shadows participou da exposição de seleção do Prêmio Porto Seguro de Fotografias. xii Encontram-se no artigo do autor sob o nome de Information Strategies. Será criado um caderno/ ficha ficha técnica dos experimentos – para registros sobre os processos e resultados. Lá em sua própria grafia. Durante todo o processo. 2005. foi empregado para designá-lo até a minha qualificação de doutorado. fotogravura. dezembro. durante minha estada na Inglaterra (2008). New Haven & London: Yale University Press. Oxford. caso não haja um grande cuidado na manipulação dos mesmos. i 26 de junho de 1842. The Book of Alternative Photographic Processes. viii JAMES. Van Dyke. aplicação de produtos e mesmo lavagem e fixação devem ser utilizadas luvas especiais. p. 2008. podem acontecer manchas e corrosões na pele. GB. Na disciplina. do Centro Cultural Usina do Gasômetro. no processo E-6 por C-4. um livro e exposições. Larry J. originalmente publicado como Photography: Today/Tomorrow. v De 2003 a 2004 e 2007/1. havia a denominação Phythotypes para os exemplares em Vegetable Photographs. Talbot and the Invention of Photography. heliografia. Transcrito em SECORD. p. entre outras patologias. 181. p. Porém. pretende-se realizar a edição das imagens obtidas. na categoria Pesquisas Contemporâneas. p. Foi também umas das técnicas vistas em 2007/1 e 2007/2 pelos alunos da Oficina de Fotografia Experimental da mesma universidade. coleção e sombras” foi publicado nos anais do 14º. ii Pesquisa financiada pela Pró-reitoria de Pesquisa da ULBRA. o uso da emulsão vegetal – que determinará os meses a serem feitos os experimentos. janeiro. Disponível em: <http://www. Bristol: Thoemmes Continuum. bem como respirador com filtros apropriados para os produtos manipulados. e aquelas consideradas bem-sucedidas serão preparadas para a organização de artigos científicos. na Galeria Lunara. Collected Works of Mary Somerville. (novembro. de alta incidência de raios U.

Eduardo. 2010. 190. xlv Idem. HART. JAMES. mediante pagamento de uma taxa. 181. p. 168-169). xxii WARNER.org/>. baseado em sais de ouro. São Paulo: Contexto. J. xxxiii Capacidade de fazer descobertas desejáveis por meio do acaso. xxvii Philosophical Transactions of the Royal Society of London. p. 136.). ibidem. Biodiversidade Brasileira: síntese do estado atual de conhecimento. 18. REFERÊNCIAS ATKINS. Brian. p. Return to England. C. 102. p. 1992. 17. Sir John and Lady Herschel at the Cape 1834 – 1838. 2004. além do hobby do cultivo. p. Thomas M. 9. No capítulo 9. 2002. inclusive menciona que. 2006. Transcrito em SECORD. 1302. 53. 354. London: Harrison and Sons. Disponível em: <http: //digitalgallery. The Bulb Garden. Robert. 139. p. p. 2002. 2004. xxxi On the action of the rays of the solar spectrum on vegetable colours. Laura A. ARMSTRONG. The shadow of the telescope: a biography of John Herschel. p.royalsociety. 2 ed. 1842. 19-52. Bristol: Thoemmes Continuum. p. p.nypl. xxiii Respectivamente Blue Print. Paulo Inácio. Anna. 2007. Do inglês Serendipity. começa a fazer análises químicas nas espécies (p. ROURKE. Disponível em: <http://digitalgallery. 62-63. Binh Danh: one week’s dead. 82. Collected Works of Mary Somerville. xli Idem. em sua maioria aquarelados. p. Bodleian MSSW-13 dep.H. 2002. p. sem iodo. Disponivel em: <http://www. 1883. xxvi Nome do manuscrito onde estão as experiências de Somerville com materiais orgânicos e químicos. 85. 3. p. 111-120. Flora Herscheliana. xviii LEWINSOHN. vol. n. PRADO. Vol 9: Scientific Papers and Reviews. 188 xxxii GUTH. 1984.3213 xiv Ocean flowers: Anna Atkins’s cyanotypes of British Algae. p. Retrata uma grande variedade de plantas com bulbos.S. 130. baseado nos sais do Azul da Prússia. 2007. FLEXNER. xxv BUTTMANN. This Photography which is not one: in the gray zone with Tina Modotti. xxiv Mesmo sal que se usa no processo de Salt Print ou Papel Salgado. John. 138-139. and on some new photographic processes. Massachusetts: The MIT Press. 76. Ocean Flowers: Anna Atkins’s Cyanotypes of British Algae. xxx BARTHES. xx HUNT. 84. Acesso em: 22 jun. feitos por Sir John Herschel com a ajuda de uma Camera Lucida. 1974. Massachussets: MIT Press. porém. esta atividade é extensamente descrita. xxix Idem. Reproduz 112 desenhos a lápis. No capítulo 4. p. p. 17-18. 1981. p. p. (org. In: Philosophical Transactions of the Royal Society of London. xxxvii EDWARDS. p. xliv Idem. é mencionado que uma das experiências fotográficas mais bem sucedidas com flores foi com uma das espécies trazidas de Cape Town (p. Guildford & London: Lutterworth Press. 1996. 1846. Capítulo V. 158. o que evidencia ser esta uma de suas atividades diurnas: a procura e o cultivo destas espécies. p. ARMSTRONG.. com possibilidade de baixar o abstract.org/. In: October. 1842. xlvi Idem. 1996. 2002. xxxviii Idem. xxxvi ARMSTRONG. 1842. Syracuse: Light Work. xix Publicado e disponibilizado on-line. James A. 2006. Signs of life: bio art and beyond. xxxv POLLOCK. xl SALLES. 1. xliii FERNANDES JUNIOR. da Universidade de Oxford. com sais de mercúrio. 2004. 1842.215. London: John Joseph Griffin & Co. xlii Idem. xvii HERSCHEL. Atualmente depositado na Bodleian Library. A manual of photography. 2010. 101. xv 1999. Houghton: The Brenthurst Press. 2004. xxxiv SALLES. xvi KAC.> Acesso em: 22 jun. M. 2008. 1999. . The chemical effect of the spectrum. xxxix REY. Capítulo XII. 264). 1853. Carol.nypl. Acesso em: 1 jul. xxviii Apud BARRON. 2008. WARE. 8.org/>. Günther. xxi EDER.

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Cyanotype: the history. Pesquisa processos fotográficos históricos. Film and Television. Bradford: National Museum of Photography. atualmente professora adjunta na FABICO/UFRGS.3216 WARE. Andréa Brächer Doutora em Poéticas Visuais pelo PPGAVi/UFRGS (2009). . 1999. Teoria e Crítica de Artes Visuais pelo mesmo programa (2000). science and the art of photographic printing in Prussian Blue. Docente da área de fotografia desde 1997. Mike. Mestre em História.

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