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EXPERIMENTAÇÕES COM PHYTOTYPES

Andréa Brächer - UFRGS Resumo Esta pesquisa, da área teórico-prática da fotografia, investiga o processo fotográfico histórico denominado Phytotype, que são fotografias feitas com a emulsão fotossensível de sucos de vegetais e descrita pela primeira vez em 1842, por Sir John Herschel e, em 1845, pela cientista Mary Somerville. Busca-se problematizar o uso de pigmentos naturais e a longevidade das imagens procurando transformar imagens transitórias em permanentes e também refletir sobre as conseqüências práticas e teóricas ao lidarmos com permanência e impermanência neste processo. Palavras-chave: Fotografia, Processos Fotográficos Históricos, Phytotypes.

Abstract This research in the field of photography, investigates the historical photographic process called Phytotype, which are photographs made with a photosensitive emulsion of vegetable juice and first described in 1842 by Sir John Herschel, and in 1845 by scientist Mary Somerville. Seeks to problematize the use of natural pigments and longevity; to transform transitory images into permanent prints. Also reflect on the theoretical and practical consequences in dealing with permanence and impermanence in this process. Key words: Photography, Historical Photographic Processes, Phytotypes.

1 INTRODUÇÃO Esta artigo relata a pesquisa que inicio em 2011 com o apoio da Propesq/UFRGS. Pretende dar continuidade a duas investigações que desenvolvi desde 2003 sobre processos fotográficos históricos dentro da linha de pesquisa de poéticas artísticas. A pesquisa está centrada nos Phytotypes, que são fotografias feitas com a emulsão fotossensível de sucos de vegetais e descrita pela primeira vez em 1842, por Sir John Herschel, no artigo On the Action of the Rays of the Solar Spectrum on Vegetable Colours, and on some new Photographic Processes.i Este processo já havia sido pesquisado por mim nos anos de 2003-2004ii, no decorrer do projeto Fotografia Experimental e Aplicada: Estudos na Captura e

2003/4. e tinha como objetivo específico aplicá-los em sala de aula. Ilex Matetype.V. e nas minhas palavras “ecologicamente correto” – porém. e resultou na série de fotografias denominadas Ilex Matetypeiii – cuja emulsão fotográfica era baseada em álcool e erva-mate. . folhas ou frutas silvestres – também denominados “sucos vegetais” diluídos em água ou álcool. poucos materiais químicos necessários e menos tóxicosvi). Sem título. Coleção da autora. nas publicações de John Herschel. há evidências. É considerado por autores contemporâneos um processo “realmente seguro”viii. empregam-se pétalas de flores. O problema inicial daquela pesquisa era a articulação entre os processos fotográficos históricos e as novas tecnologias digitais. 25 x 17cm. O Phytotype é um processo fotográfico pouco conhecido. As imagens finais foram obtidas entre dezembro de 2003 e março de 2004 – época de verão e de alta incidência de raios U. Andréa Brächer. O trabalho Ilex Matetype desdobrou-se em três séries fotográficas: Jardim Secreto. de fácil execução. Na base desse tipo de emulsão. legumes. foram escolhidas as técnicas do Cyanotype (cianotipia) e do Anthotypevii (Phytotypes).v Dentre as alternativas possíveis (de bibliografia acessível.3203 Processamento Analógico e Digital. Shadows e Old Timesiv.

aprofundando minha pesquisa sobre processos fotográficos históricos. processadas e impressas digitalmente. obtive acesso e fotografei a coleção de Phytotypes de Sir John Herschel. respectivamente. as emulsões vegetais não foram empregadas em meu trabalho. Durante estes anos. com Bolsa Capes (Sanduíche). englobando a captura e/ou processamento e/ou suportes. depositado na New Bodleian Library (Oxford). no Museum of the History of Science (Oxford). Chemical. na primeira metade da década de 1840. goma bicromatada e kallitype ou marrom Van Dyke) até imagens capturadas em câmeras digitais. diferentemente da literatura contemporânea que cita o processo. Nonsensical and Queer Things Miscellaneously Arranged for the Benifit of . Em seus manuscritos e artigos originais. papel salgado. Da mesma forma. Viz: Optical. na Inglaterra e Itália. os conceitos de hibridismo e o de fotografia expandida. também Mary Somerville o fez. As imagens que resultam como corpus fotográfico da tese foram produzidas a partir de processos fotográficos analógicos e digitais. obtive acesso e copiei o manuscrito de Mary Somerville sobre o mesmo processo. São eles respectivamente: Experiments on Various Subjects. copiei partes de seu manuscrito referente à fotografia do Science Museum (Swindon). cianótipo. Os objetivos eram fazer experiências híbridas entre as práticas analógicas e as digitais.3204 do uso de outros químicos. ou dos processos denominados Early Photographic Processes (como daguerreótipos. desenvolvi a tese de doutorado denominada Assombr(e)amentos: Poéticas do Imaginário Infantil Através de Processos Fotográficos Históricos. estive em Londres/GB. a partir do uso dos processos fotográficos históricos. Entre os meses de maio e agosto de 2008. tintypes. Esses processos e seus usos contemporâneos buscavam articular. foram descritos o uso de produtos químicos “under the influence of the other chemical reagents”ix. tanto no plano prático quanto no plano teórico. Naquele país. Além de Herschel pesquisá-lo inicialmente. que não os descritos anteriormente. ambrótipos. Sua pesquisa foi apresentada sob o título On the Action of the Rays of the Spectrum on Vegetable Juicesx. De 2005 a 2009.

Herschel percebeu que muitos de seus experimentos não tinham uma aplicação prática imediata. um método de replicar a natureza infinitamente. em Out of the Shadows. a busca por uma fotografia que se assemelhasse o mais possível com o olhar-cor. a qual aponta para uma reorientação dos paradigmas estéticos. O Phytotype foi apenas um entre muitos processos “descobertos” e que não obtiveram sucesso comercial. e Experiments on Light. a nitidez das imagens por conta de seus negativos ou positivos. sem se deter na sua xiii especificidade. 3. a partir das estratégias propostas por Andreas Müller-Pohlexii e dos diversos procedimentos que as ampliam. frutas e legumes. No presente projeto pretende-se abrir espaço para uma prática multidisciplinar envolvendo as áreas da fotografia e da biologia/química. Se em seus primórdios a . híbrida. Dentro dos conceitos de fotografia expandida (ou fotografia experimental. Hoje. conforme Rubens Fernandes Junior aponta em sua tese. a prática dos experimentos fotográficos buscava solucionar questões da rapidez ligadas à sensibilidade química. criativa. dos materiais fotossensíveis utilizados por ambos para a obtenção dos exemplares fotográficos a partir de emulsões com o suco de vegetais – flores. p. Segundo o autor. contaminada. experimento a experimento. manipulada. que o processo é prova do interesse e pesquisa em direção da fotografia colorida. sem a necessidade da mão de um artista. Uma pequena parte das informações obtidas foi descrita no capítulo 4 de minha tese. Rome. entre tantas outras denominações) devemos considerar todos os tipos de intervenções que oferecem à imagem final um caráter perturbador. 2 FOTOGRAFIA E FLORA BRASILEIRA Nos anos de 1840. 200-566.3205 Posterity. entendo que minha prática fotográfica encontra-se no campo expandido da fotografia. denominado Antepartum: Ilex Matetype e Seus Desdobramentos. Nestes manuscritos há a descrição. construída. mas que estes poderiam ser as bases para a fotografia coloridaxi. Vol. 1845. que ousam ampliar os limites da fotografia enquanto linguagem. precária. Larry Schaaf aponta.

000 espécies. Ao realizar novamente os experimentos de Herschel e Somerville com os phytotypes com a flora brasileira pretende-se problematizar o uso de pigmentos naturais e a longevidade das imagens: sua permanência e transitoriedade.xvi O que nos provoca o trabalho conjunto envolvendo mais de um campo de conhecimento: fotografia e bioquímica? Nas palavras de Herschel. na Inglaterra do século XIX. xvii Que contribuição para o estudo do processo poderemos ter ao replicarmos os experimentos na flora brasileira? Sabemos que as Angiospermas (plantas com flor) são as mais abundantes e dominantes das plantas terrestres – e que a flora brasileira contém. foram usadas as espécies vegetais que encontrou em seu jardim e no campo (cultivadas e selvagens). envolveram pesquisas científicas junto ao Institute of Grassland and Environmental Research em Wales (GB). de 40. Hoje. biologia e fotografia uniram-se para prover uma documentação científica duplamente intrigante. Ela tinha em mente registrar espécimes botânicas e que este fosse uma companhia ilustrada à publicação Manual of British Algae. por ser um dos exemplares mais bonitos e criativos dos primeiros dias da fotografia. Suas fotografias são impressas sobre um tipo de grama “stay-green” e depois “embalsamam” seus resultados que incorporam diversos tons de verde a amarelados. Heather Ackroyd e Dan Harvey voltam-se para experimentos fotográficos aliados aos conhecimentos da fotossíntese em grama. Mas não um exemplar de “Flora”. Em Bristish Algae. por exemplo. ao realizar o primeiro livro ilustrado manualmente com cianótipos. British Algae: Cyanotype impressions (1843). A pesquisa quanto a este tipo de grama. de Hervey (1841)xiv. assim como o processo de tornar as imagens estáveis e permanentes. presumidamente. se pensarmos em Anna Atkins. como argumenta Mike Warexv. representando de 16 a 20% do total mundialxviii.3206 fotografia era vista como parte da ciência até se autonomizar como um campo da arte – perguntamos hoje qual o papel da arte fotográfica ao voltar-se para a ciência? A história da ciência e da arte estão intimamente ligadas. .000 a 50.

no artigo On the Action of the Rays of the Solar Spectrum on Vegetable Colours. A partir da observação dos originais de Herschel e de meu próprio trabalho.3207 3 EXPERIMENTOS COM LUZ E PIGMENTOS FOTOSSENSÍVEIS VEGETAIS O processo do Phytotype é descrito por Sir John Frederick William Herschel (1792–1871). and on Some New Photographic Processes xix . estes experimentos de Coloring Matter of Flowersxx ou Action of Light on Organic Compoundsxxi. ao invés do salt tablexxiv. Herschel passa ao estudo da fotografia por. dentre eles o Cyanotype. sob o nome de On the Action of the Rays of the Spectrum on Vegetable Juicesxxvii). passa a utilizar o hipossulfito de sódio como agente fixador das imagens. três anos. Outros autores chamaram. Outras observações importantes a respeito do processo e do processamento foram pontuados em minha tese. pelo menos. onde repete e avança os experimentos fotográficos com cores vegetais (lidos por John Herschel na Royal Society em 27 de novembro de 1845. flores com bulbos especialmentexxii. na Inglaterra. Mary Somerville desenvolve Experiments on Lightxxvi. à época. Encontram-se hoje exemplares originais do processo nas coleções da Universidade do Texas (EUA) e no Museum of the History of Science de Oxford (GB). Como conseqüência do trabalho de Herschel e da troca de correspondências científicas. usa a palavra “Fotografia” para designar os processos desenvolvidos por elexxv. John Herschel é um dos cientistas mais conhecidos do século XIX. inventa seus próprios processos. as quais apresento a seguir. Após seu retorno à Inglaterra e o conhecimento do invento de Daguerre. Somerville anotou em seu manuscrito suas experiências que tiveram curso durante sua estadia na Itália entre Roma e Genova. cunha as expressões “positivo” e “negativo”. Durante o período de 5 de junho de 1845 a 28 de outubro de 1851. é deste período de sua vida que vem o interesse maior pela Botânica. obtém-se uma imagem nítida. Embora seus maiores méritos estejam na área da astronomia e as descobertas desta área ocorridas durante sua estada em Cape Town (África do Sul). porém sem contraste. Ao longo deste período. o Chrysotype e o Amphitypexxiii. .

Quanto aos suportes materiais. também são fabricados em rolos. luz. por meio da percepção das sutilezas. No entanto. capaz de produzir novos conhecimentos visuais. é possível inferir que. fábricas como a Canson estão lançando no mercado papéis fotográficos destinados à impressão digital de longa permanência. a cor original do suco vegetal modifica-se com a exposição aos raios solares no papel branco. a Red Damask Rose (Black Rose) dá uma cor azul escura. se compararmos um papel para aquarela canson emulsionado com o phytotype e a mesma imagem num papel canson Rag Photographique. Diante da tecnologia digital. dos diferentes materiais empregados e das interações entre os produtos químicos que se comportam (reagem) de diferentes formas. o avanço do ciclo de vida das flores. Além dos tamanhos tradicionais de papéis fotográficos. a necessidade de uso imediato da emulsão. Conforme Herschel. Há questões envolvendo a maneira de preparo do papel. No caso dos vegetais. os resultados finais da imagem são distintos. devido a uma grande gama de cores de pigmentos. com reserva alcalina) da linha Canson Infinity Digital Fine Art & Photo Portfolio. em oposição aos papéis fotográficos plásticos homogêneos (em sua superfície e estandartizados no tamanho) que passam a imperar durante o século XX. é possível verificar que a fotografia é um meio aberto e experimental. abrem-se inúmeras possibilidades de cores. e quando sim. em suas experiências. o fato das flores não suportarem a guarda por longos períodos de tempo. permitindo a impressão de exemplares grandes.3208 Diante de tais procedimentos – os do fazer fotográfico através de processos históricos –. o trabalho da matéria e as transformações das substâncias (ao longo do processamento e do . reações químicas. há uma valorização da sensação/percepção visual através da utilização de suportes como o papel para aquarela. particularmente conectada às noções de tempo. por exemplo. quando não preparada com álcool. Por exemplo. como o Rag Photographique (100% algodão. Katy Barron e Anna Douglasxxviii usam a expressão “alquimia” para traduzir o desejo de fotógrafos (e eu me incluo entre eles) de explorar a “percepção”. Isto se deve a diversos fatores enumerados por ele em seu artigo.

o papel pode encolher. A criação continua direcionada . As reações bioquímicas à luz – “escape de ácido carbônico”. já que são responsáveis por uma metamorfose material no suporte fotográfico. fazendo-a empalidecer até o seu completo desaparecimento. O desparecimento das cópias já fazia Herschel preocupar-se com um modo de guarda eficiente para seus exemplares. aderência de elementos externos (impurezas) ao papel. mudam as cores da emulsão/fotografia. nesses processos. desaparece”xxx. Atacada pela luz. “E a relação do acaso e do desígnio mostram-se como a dialética do movimento criador. sofrer ondulações e rasgar-se. “absorção de oxigênio”. extenua-se. depois envelhece. mas interfere e colabora na transmutação de objetos comuns em imagem. O tempo e a luz são os agentes desse trabalho alquímicoxxix. A noção de organismo vivo não pode ser mais verdadeira no caso dos Phytotypes. Aqueles encontrados em Oxford (GB) estão guardados em envelopes abrigados da luz. ainda na secagem. uma vez que deixam traços da qualidade viva das metamorfoses químicas: manchas provocadas por excesso de emulsão ou descolorações decorrentes de excesso de exposição à luz. desabrocha por um instante. a fotografia. Os erros podem trazer novos elementos a serem explorados também. riscos. “desorganização das moléculas” – descritas por Herschelxxxi (à luz dos conhecimentos da época). através do processo da fotossíntese. as interferências no resultado final da imagem podem ser entendidas como erros ou uma serenpicidadexxxiii.3209 tempo). “Nasce dos próprios grãos de prata que germinaram. pela umidade. ela empalidece. Ou. O artista não só capta fotograficamente o mundo externo. Os trabalhos são “revelatórios”. mesmo sem a interferência do artista. “embalsama” seus exemplares através de resinaxxxii. Nesse contexto. pode ser entendida de acordo com a definição de Roland Barthes: como um organismo vivo. Contemporaneamente Binh Danh. em oposição aos tempos controlados e etapas padronizadas do fazer pretoe-branco tradicional e sua durabilidade. que imprime imagens de revistas e fotos instantâneos em folhas de plantas tropicais.

a construção acontece por .3210 por um projeto. instabilidade e indeterminação neste fazer. permite estabelecer em princípio alguns objetivos que guiarão o pesquisadorxxxix. Fotografias são depósitos de químicos em papel: ao mesmo tempo imagem e objeto físico. coladas em um álbum fotográfico – ou atualmente em um Scrapbook –. ou como o projétil que é lançado mirando-se em algo. enriquece a prática fotográfica com a reflexão contínua sobre o trabalho/fazer. O acaso pode ser inesperado como construído. Mas. cores e decorações. tactilidade e uma presença física no mundo' e estão envolvidas/enredadas com interações subjetivas. é um espaço somático. formas. que foi realizada na área de poéticas visuais. na experiência social e cultural. defendo que a materialidade fotográfica presente em obras como as decorrentes dos processos históricos não pode ser reduzida à experiência somente com a imagemxxxvii. há um certo grau de incontrolabilidade. opacidade. para além de seu suporte. Propõe-se uma “re-materialização” fotográfica. enseja a carícia em vez do abraço. e ambos fazem parte de possíveis estratégias de trabalho. O caráter háptico desses trabalhos bidimensionais. por exemplo). tal qual teoriza Carol Armstrongxxxv. porém inserido na continuidade de um processo”xxxiv. O projeto é um marco de partida. incorporadas (consubstanciados) e sensuais (sensíveis)”xxxviii. traz a fascinação pela materialidade da superfície texturizada. As fotografias são emolduradas. Elas têm 'volume. irrepetibilidade. 4 PROCESSO E EXPERIMENTAÇÕES A metodologia que se procurará seguir encontra respaldo nos procedimentos metodológicos já experimentados ao longo de minha tese de doutorado. e que. por uma solicitação ao toque. ou dispostas em porta-retratos. o do tocar com a visão xxxvi. pois lança algumas luzes no caminho. no meu entender. ou penduradas diretamente na parede. Assim. o que se distancia muito de uma fotografia vista na tela do computador (no orkut. montadas em cartões de diferentes tamanhos. em que o perto importa mais do que o distante. A imagem fotográfica e sua materialidade têm um repertório amplo. “existem no tempo e no espaço. Por consequência.

Penso na fotografia de um modo processual. O processo é o meio utilizado pelo pesquisador/fotógrafo para aproximar-se de seu projeto poéticoxlii. portanto. intervenções possíveis a partir do positivo e/ou negativo. a fotografia sem o aparelho (sem câmera)xlv. uma dualidade do processo: às vezes. as alterações de processos . Estas estratégias poderão são realizadas antes da captura de imagem pela câmera. câmeras artesanais. ao seu programa de funcionamento. que poderão ser adotadas para o resultado final das imagens. 2. combinando-a com outras mídias ou transferindo-a para outros suportes. a produção de imagens por apropriação de outras imagens. Podem ser interferências no suporte (negativo e/ou positivo) – no caso. Entre o “Artista e o Objeto”: dentre muitos procedimentos que poderão ser adotados. câmeras amadoras. a integração da fotografia em um “organismo visual” mais complexo. propostas por Müller-Pohle. alguma coisa deseja se exprimir e. Entre o “Artista e o Aparelho”: no sentido de usar a câmera fotográfica contrariamente à sua função preestabelecida. a construção de “realidades”xliii. experimental e construída. O fotógrafo está empenhado em obrigar o aparelho a revelar novas potencialidadesxliv. A obra se desenvolve ao mesmo tempo em que é executada. 3. as construções por miniaturas. ou seja. as fotomontagens e as superimposições (os sanduíches) e a revelação forçada. Podem ser empregados: o movimento da câmera durante o registro. encontram-se os seguintes níveis de intervenção: 1. gerando uma imagem trêmula e nem sempre reconhecível imediatamente. a combinação de diferentes procedimentos. Há. meios de expressão desejam servir a alguma coisaxli. a câmera cega (blind câmera). Entre o “Artista e a Imagem”: interferindo na própria fotografia. Dentre as estratégias. câmeras de foco fixo com lentes de baixa qualidade. destacam-se o cut papers. em busca de um esgaçamento da linguagem. o fotograma. o uso dos “negativos” de papel vegetal que venho usando. o desfoque como estratégia de representação. outras vezes. a encenação do auto-retrato.3211 meio de operações lógicas e sensíveisxl. São exemplos: a solarização. a sobreposição de imagens.

Arte e História no curso Graduação Tecnológica em Fotografia da ULBRA. pretende-se realizar a edição das imagens obtidas. Canoas/RS. podem acontecer manchas e corrosões na pele. bem como respirador com filtros apropriados para os produtos manipulados. Na disciplina. ix HERSCHEL. 181. Porém. 1992. fotogravura. caso não haja um grande cuidado na manipulação dos mesmos. foi empregado para designá-lo até a minha qualificação de doutorado.127. Oxford. percorre-se a trajetória da história da fotografia e sua relação com a arte desde o século XIX até o presente. p. v De 2003 a 2004 e 2007/1. a partir desta pesquisa. e aquelas consideradas bem-sucedidas serão preparadas para a organização de artigos científicos. em São Paulo. 2004. coleção e sombras” foi publicado nos anais do 14º. durante minha estada na Inglaterra (2008). New Haven & London: Yale University Press. 2005. vii O nome do processo Anthotype. janeiro.V. Bristol: Thoemmes Continuum. Van Dyke. durante o semestre. Out of the Shadows: Herschel. de alta incidência de raios U. Lá em sua própria grafia. Eram propostos. Foi também umas das técnicas vistas em 2007/1 e 2007/2 pelos alunos da Oficina de Fotografia Experimental da mesma universidade. será efetuada manipulação da matriz após ser digitalizada (via scanner e transporte para o computador). lecionei na disciplina Fotografia.org/>. xii Encontram-se no artigo do autor sob o nome de Information Strategies. a substituição da revelação do filme positivo. encontrado no livro de Christopher James. além da inalação de vapores tóxicos. Durante a mistura dos químicos. Goiânia (GO). exercícios práticos que incluíam a cianotipia. iv O artigo “Anthotypes e o limite da visibilidade: segredos. vi Boa parte dos produtos químicos empregados nos processos do século XIX são cancerígenos ou mesmo mortais. viii JAMES. no processo E-6 por C-4. p. i 26 de junho de 1842. Durante todo o processo. Transcrito em SECORD. como cianótipo. . platina e paládio. Devido às reações químicas. 1846. x Philosophical Transactions of the Royal Society of London. Ainda. 2006.3212 químicos. p. entre outras patologias. Royal Society. In: Philosophical Transactions of the Royal Society of London. Larry J. do Centro Cultural Usina do Gasômetro. ii Pesquisa financiada pela Pró-reitoria de Pesquisa da ULBRA. É a partir dessa observação que passei a utilizar tal denominação no lugar de Anthotype. GB. p. Será criado um caderno/ ficha ficha técnica dos experimentos – para registros sobre os processos e resultados. Collected Works of Mary Somerville. Encontro Nacional da ANPAP. um livro e exposições. goma bicromatada. havia a denominação Phythotypes para os exemplares em Vegetable Photographs. encontrei os originais do processo de Sir John Herschel no Museum of the History of Science. vol. o uso da emulsão vegetal – que determinará os meses a serem feitos os experimentos. Acesso em: 1 jul. heliografia. 111-120. fevereiro. p. James A. Londres. a reprodução de processos primitivos. 16-17. através de softwares variadosxlvi. Disponível em: <http://www. (novembro. Mais tarde. na categoria Pesquisas Contemporâneas. 182. The Book of Alternative Photographic Processes. ainda no mesmo ano. como por exemplo. Talbot and the Invention of Photography. Vol 1: Scientific Papers and Reviews. 2002. 1842. 2008. iii As três séries foram selecionadas por edital para uma exposição individual em Porto Alegre. na Galeria Lunara. dezembro. aplicação de produtos e mesmo lavagem e fixação devem ser utilizadas luvas especiais. Neste caso. originalmente publicado como Photography: Today/Tomorrow. a série Shadows participou da exposição de seleção do Prêmio Porto Seguro de Fotografias. 136. 200 – 2005. xi SCHAAF.royalsociety. março). p. xiii FERNANDES JUNIOR.215.

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Mestre em História. atualmente professora adjunta na FABICO/UFRGS. Cyanotype: the history. Mike. Teoria e Crítica de Artes Visuais pelo mesmo programa (2000).3216 WARE. Docente da área de fotografia desde 1997. Pesquisa processos fotográficos históricos. . Film and Television. Andréa Brächer Doutora em Poéticas Visuais pelo PPGAVi/UFRGS (2009). Bradford: National Museum of Photography. 1999. science and the art of photographic printing in Prussian Blue.

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