Você está na página 1de 72

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

PRONOMES

Os pronomes já povoam nosso curso há bastante tempo. Já falamos deles em CONCORDÂNCIA, em REGÊNCIA e iremos falar até a última aula.

Por isso, o início dessa aula é uma espécie de “retrospectiva” de alguns pontos já estudados.

Pronome é o vocábulo que, ao pé da letra, “fica no lugar do nome” (chamado de pronome substantivo) ou o determina (pronome adjetivo).

Os pronomes podem ser pessoais (retos e oblíquos), possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos (uma subcategoria dos indefinidos), relativos.

Aspectos próprios de cada um dos pronomes serão abordados nos comentários às questões de prova.

PRONOME “SE”

Para começar, vamos falar sobre o pronome “se”, que pode ser, dentre outras coisas:

- parte integrante do verbo: verbos como “queixar-se, arrepender-se, suicidar-se”

não se conjugam sem o pronome. Então, este termo não exerce uma função sintática própria, sendo chamado de “parte integrante do verbo”, ainda que apresente um valor reflexivo;

- pronome apassivador: chegamos à exaustão de tanto estudar a construção de voz

passiva. Já sabemos de cor e salteado que o verbo que possua um objeto direto (transitivo direto ou bitransitivo), quando acompanhado do pronome “se”, forma voz

passiva, devendo o verbo concordar com o sujeito paciente;

- índice de indeterminação do sujeito: quando o verbo não possuir objeto direto

(verbos intransitivos, transitivos indiretos, de ligação), o pronome “se” tem a função

de não identificar o agente que pratica a ação verbal.

Certamente, não são essas as únicas possibilidades do pronome “se”. Há também os reflexivos, recíprocos, os de realce (estes só servem para ênfase, podendo ser retirados sem prejuízo algum: “Foi-se embora a minha vontade de viver” “Foi embora a minha vontade de viver.”). Contudo, são esses os que nos interessam por ora. Vamos ver algumas questões que exploram esses conceitos.

1 - (ESAF/ANA/2009)

Em relação ao texto abaixo, analise a assertiva a seguir.

O tratamento de esgotos é fundamental para qualquer programa de despoluição das águas. Em grande parte das situações, a viabilidade econômica das estações de tratamento de esgotos (ETE) é reconhecidamente reduzida, em razão dos altos investimentos iniciais necessários à sua construção e, em alguns casos, dos altos custos operacionais. Por esses motivos que mesmo os países desenvolvidos têm incentivado financeiramente os investimentos de Prestadores de Serviços em ETE, como os Estados Unidos e países da Comunidade Europeia. No Brasil, o problema de viabilidade econômica do investimento público torna-se ainda mais agudo, devido à elevada parcela de população de baixa renda. No entanto, vale ressaltar que a água de qualidade também é um fator de exclusão social, uma vez que a população de baixa renda dificilmente tem condições de comprar água de qualidade para beber ou até

1

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

mesmo de pagar assistência médica para remediar as doenças de veiculação hídrica, decorrentes da ausência de saneamento básico.

(http://www.ana.gov.br/prodes/prodes.asp)

- Em “torna-se”(.8), o “-se” indica sujeito indeterminado.

ITEM ERRADO

Comentário.

O verbo TORNAR apresenta-se, nesse caso, como um verbo transobjetivo, com objeto direto representado pelo pronome “se” e o predicativo do objeto na forma do substantivo “médico”. Note que podemos substituir o pronome por um nome: “Ele tornou sua filha uma excelente pessoa.”. Assim, a função do pronome é a de objeto direto e tem valor reflexivo.

o

problema (

Agora, de volta a o texto, vemos que a construção original é similar a essa: “

)

torna-se ainda mais agudo

”.

Não há nenhuma possibilidade de esse pronome indicar sujeito indeterminado, porque o sujeito está bem explícito na construção: tem seu núcleo representado por “problema”.

2 - (ESAF/ANEEL TÉCNICO/2006)

Em relação ao texto, analise o item abaixo.

Apesar das dificuldades, o Programa de Metas foi executado e seus resultados manifestam-se na transformação da estrutura produtiva nacional. O governo JK, que soube mobilizar com maestria a herança de Vargas e elevar a auto-estima do povo brasileiro, realizou-se em condições democráticas, com liberdade de imprensa e tolerância política. A taxa de inflação, que em 1956 foi de 12,5%, no final do governo JK, elevou-se para o patamar de 30,5%. A Nação, por sua vez, obteve um crescimento econômico médio de 8,1% ao ano. Apesar das pressões do Fundo Monetário Internacional (FMI), que já advogava o “equilíbrio fiscal” e o Estado mínimo para o Brasil, e de setores conservadores da vida brasileira, JK conseguiu elevar o PIB nacional em cerca de 143%. E tudo isto ocorreu em um contexto marcado por um déficit de transações correntes que atingiu 20% das exportações em 1957 e 37% em 1960, o que ampliava a fragilidade externa e fazia declinar a condição de solvência da economia brasileira. No entanto, foi graças ao controle do câmbio e ao regime de incentivos criados que as importações de bens de consumo duráveis foram contidas.

(Rodrigo L. Medeiros, com adaptações)

- Em “manifestam-se”(l.2) o “se” é índice de indeterminação do sujeito.

ITEM ERRADO

Comentário.

De forma alguma, o pronome “se” poderia ser um “índice de indeterminação do sujeito”, pois o sujeito já está bem claro na passagem: é “seus resultados” (“ seus resultados manifestam-se na transformação da estrutura produtiva nacional”).

2

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

O verbo MANIFESTAR é transitivo direto (alguém manifesta alguma coisa: “Fulano

manifesta seu descontentamento.”), então o pronome “se” forma, na verdade, voz

passiva – é PRONOME APASSIVADOR (equivalente a “seus resultados são

manifestados

”).

Por isto, o verbo está no plural: para concordar com o sujeito

paciente.

Cuidado

especialmente

quando,

dessa

análise,

depender

a

verificação

de

CONCORDÂNCIA.

3 - (ESAF/AFC STN / 2008)

Com base no texto, analise os itens a seguir.

1. Ao lado de características inéditas, a crise cevada

no mercado imobiliário e financeiro americano, com

reverberações mundiais, apresenta aspectos também

verificados em outras situações de nervosismo global.

5. Não há medida mágica e salvadora que faça cotações

se estabilizarem e o investidor recuperar o sono. Só

uma sucessão de ações consegue mudar expectativas

como as atuais. A Casa Branca, ao contrário da postura

que assumira no caso do Lehman Brothers – tragado,

10. sem socorro, por um rombo de US$600 bilhões –,

decidira estender a mão para a maior seguradora do

país, a AIG.

Aos bilhões empenhados para permitir ao Morgan

digerir o Bear Stearns, em março; ao dinheiro sacado

15. a fim de evitar a quebra das gigantes Fannie Mae e

Freddie Mac, redescontadoras de hipotecas, o governo

e o Fed, o BC dos EUA, decidiram somar US$85 bilhões

para salvar a AIG. Decepcionou-se quem esperava

tranquilidade. O emperramento do crédito – ninguém

20.

empresta a ninguém, por não se saber ao certo o risco

do

tomador – continua a travar o mercado global, e as

ações novamente desceram a ladeira, empurradas por

boatos sobre quais serão, ou seriam, os próximos a

cair.

(O Globo, 18 de setembro de 2008 , Editorial)

a) Em “se estabilizarem”(l.6), o “se” indica que o sujeito é indeterminado.

3

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

b) Em “Decepcionou-se”(l.18), o “se” justifica-se porque o verbo está sendo empregado como pronominal.

Gabarito:

a) ITEM ERRADO

Comentário.

Nossa, mas a banca cismou com isso! rs

O “se” somente pode ser índice ou partícula indeterminadora do sujeito se estiver

acompanhando um verbo que não possua objeto direto, ou seja, um verbo intransitivo,

transitivo indireto ou de ligação.

O

é

questionável: pode ser apassivador (a medida estabilizou as cotações => as

cotações se estabilizaram => as cotações foram estabilizadas) ou reflexivo, se houver a possibilidade de essa estabilidade ser resultado de uma ação das próprias cotações (não sou economista, portanto não me venha perguntar se isso é lógico, possível ou

racional

De qualquer forma, INDETERMINADOR DO SUJEITO esse pronome

do pronome “se” na construção “

verbo ESTABILIZAR é transitivo direto (a medida estabilizou as cotações.). O valor

que façam as cotações se estabilizarem

rs

).

não é, pois o sujeito está lá, bonitão, lindinho: “as cotações”. Por isso, o item está ERRADO.

b) ITEM CERTO

Comentário.

Puxa

O verbo DECEPCIONAR também é transitivo direto (decepcionar alguém: “O rapaz

decepcionou sua namorada.”). Usado com o pronome (forma pronominal, como afirmou o examinador), torna-se reflexivo. Na ordem direta, a oração seria: “Quem esperava tranquilidade decepcionou-se.”.

até que enfim acertou!

rs

4 - (ESAF/SEFAZ SP/2009)

1. É importante notar que a taxa de juros anual média

de 141,12% é escandalosa para o Brasil, cuja inflação

anual é estimada em torno de 6,5%. A redução dos juros

que se verificou em dezembro certamente não reflete

5. as mudanças que beneficiaram os bancos (redução do

compulsório e ligeira melhora na captação de recursos),

mas apenas a menor procura por crédito. A discreta

queda dos juros não deve aumentar a procura por

crédito pelas pessoas físicas que estão conscientes de

10. que não é o momento de se endividar, nem favorecerá

4

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

uma redução da inadimplência. No máximo, interessará

às pessoas jurídicas que buscam crédito de curtíssimo

prazo ou financiamentos para exportação, embora as

facilidades oferecidas pelo Banco Central tenham um

15. custo muito elevado. Sabe-se que uma redução da

taxa Selic nunca repercute plenamente nas taxas de

juros dos bancos, que, sob o pretexto da elevação da

inadimplência, aumentaram os seus spreads (diferença

entre a taxa de captação e de aplicação). O governo

20. está tentando obter uma redução desse spread, até

agora sem grande sucesso.

Para uma redução sensível das taxas de juros, duas

medidas seriam necessárias: reduzi-las nos bancos

públicos (Caixa Econômica e Banco do Brasil) e,

25. especialmente, em função de uma taxa Selic menor,

reduzir o interesse dos bancos em aplicar seus

excedentes de caixa em títulos da dívida mobiliária

federal, que oferecem juros elevados e total garantia.

(O Estado de S. Paulo, Editorial, 16/1/2009)

Em relação ao texto acima, analise a proposição.

- Em “Sabe-se”(.15), o pronome “-se” indica voz reflexiva.

ITEM ERRADO

Comentário.

O valor desse pronome não é reflexivo, mas passivo. Na voz reflexiva, o sujeito, ao mesmo tempo, pratica e sofre a ação verbal. O verbo SABER é transitivo direto (alguém sabe alguma coisa). Acompanhado do pronome SE, forma voz passiva. O sujeito paciente, nesse caso, vem sob a forma de oração: “Sabe-se que uma redução da taxa Selic nunca repercute plenamente nas taxas de juros dos bancos, que, sob o pretexto da elevação da inadimplência, aumentaram os seus spreads (diferença entre a taxa de captação e de aplicação)” ( isso é sabido).

Assim, o pronome “se” indica construção de voz passiva sintética, e não reflexiva.

5 - (ESAF/AFC CGU/2006)

O final do século XX assistiu a um processo sem precedentes de mudanças na história do pensamento e da técnica. Ao lado da aceleração avassaladora nas tecnologias da comunicação, de artes, de materiais e de genética, ocorreram mudanças

5

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

paradigmáticas no modo de se pensar a sociedade e suas instituições. De modo geral, as críticas apontam para as raízes da maioria dos atuais conceitos sobre o homem e seus aspectos, constituídos no momento histórico iniciado no século XV e consolidado no século XVIII. A modernidade que surgira nesse período é agora criticada em seus pilares fundamentais, como a crença na verdade, alcançável pela razão, e na linearidade histórica rumo ao progresso. Para substituir esses dogmas, são propostos novos valores, menos fechados e categorizantes.

(http://pt.wikipdia.org (acessado em 14 de dezembro de 2005, com adaptações))

Analise a proposição de acordo com o padrão culto da língua portuguesa.

- A supressão do pronome “se” (l.4) alteraria as relações sintáticas da oração, mas preservaria a coerência textual, pois a estrutura da oração admite aí omissão do sujeito.

ITEM CERTO

Comentário.

O pronome “se” junto ao verbo PENSAR torna a construção passiva: “algo é pensado”

– construção essa que possui como sujeito paciente o sintagma nominal “a sociedade e suas instituições”.

Com a retirada do pronome, este sintagma volta à sua função da voz ativa, qual seja:

objeto direto.

Por isso, está perfeita a afirmação de que as relações sintáticas seriam alteradas (de sujeito paciente, o conjunto passa a ser objeto direto), mas seria preservada a coerência, pois o verbo passaria a se apresentar na forma impessoal (sem sujeito).

O examinador foi bastante feliz na elaboração dessa questão de prova.

6 - (ESAF/ATA MF/2009)

Em relação ao texto abaixo, analise o item a seguir.

Os mercados financeiros entraram em março

2. assombrados pelo maior prejuízo trimestral da história

corporativa dos Estados Unidos – a perda de US$ 61,7

4. bilhões contabilizada pela seguradora American

International Group (AIG) no quarto trimestre de 2008.

6. No ano, o prejuízo chegou a US$ 99,3 bilhões. O

Tesouro americano anunciou a disposição de injetar

8. mais US$ 30 bilhões na seguradora, já socorrida em

setembro com dinheiro do contribuinte. Na Europa, a

10. notícia ruim para as bolsas foi a redução de 70% do

lucro anual do Banco HSBC, de US$ 19,1 bilhões para

12. US$ 5,7 bilhões. Enquanto suas ações caíam 15%,

6

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

o banco informava o fechamento das operações de

14. financiamento ao consumidor nos Estados Unidos,

com dispensa de 6.100 funcionários.

16. Com demissões de milhares e perdas de bilhões

dominando o noticiário de negócios no dia a dia, os

18. sinais de reativação da economia mundial continuam

fora do radar. E isso não é o pior. No fim do ano

20. passado, havia a esperança de se iniciar 2009 com

a crise financeira contida. Se isso tivesse acontecido,

22.os governos poderiam concentrar-se no combate

à retração econômica e ao desemprego. Aquela

24.esperança foi logo desfeita.

(O Estado de S. Paulo, 3/3/2009)

- Em “concentrar-se”(.22), o “-se” indica sujeito indeterminado.

ITEM ERRADO

Comentário.

Mas voltou a insistir nisso, meu filho? Que teimosia! rs

Como é que poderia ser um sujeito indeterminado se esse termo está ali do lado, atrás do verbo auxiliar PODER que, com o verbo CONCENTRAR, forma uma locução verbal? Ora, o sujeito é “os governos”, e o valor desse pronome é reflexivo. Próximo!

7 - (ESAF/SEFAZ SP/2009)

Em relação ao texto abaixo, analise a proposição.

1. É importante notar que a taxa de juros anual média

de 141,12% é escandalosa para o Brasil, cuja inflação

anual é estimada em torno de 6,5%. A redução dos juros

que se verificou em dezembro certamente não reflete

5. as mudanças que beneficiaram os bancos (redução do

compulsório e ligeira melhora na captação de recursos),

mas apenas a menor procura por crédito. A discreta

queda dos juros não deve aumentar a procura por

crédito pelas pessoas físicas que estão conscientes de

10. que não é o momento de se endividar, nem favorecerá

uma redução da inadimplência. No máximo, interessará

7

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

às pessoas jurídicas que buscam crédito de curtíssimo

prazo ou financiamentos para exportação, embora as

facilidades oferecidas pelo Banco Central tenham um

15. custo muito elevado. Sabe-se que uma redução da

taxa Selic nunca repercute plenamente nas taxas de

juros dos bancos, que, sob o pretexto da elevação da

inadimplência, aumentaram os seus spreads (diferença

entre a taxa de captação e de aplicação). O governo

20. está tentando obter uma redução desse spread, até

agora sem grande sucesso.

Para uma redução sensível das taxas de juros, duas

medidas seriam necessárias: reduzi-las nos bancos

públicos (Caixa Econômica e Banco do Brasil) e,

25. especialmente, em função de uma taxa Selic menor,

reduzir o interesse dos bancos em aplicar seus

excedentes de caixa em títulos da dívida mobiliária

federal, que oferecem juros elevados e total garantia.

(O Estado de S. Paulo, Editorial, 16/1/2009)

- Em “reduzi-las”(.23), o pronome “-las” retoma o antecedente “medidas”(.23).

ITEM ERRADO

Comentário.

Veremos a forma mais recorrente de questões sobre PRONOME – o uso desses termos em coesão textual. A banca indica a qual termo o pronome se referia e você, candidato preparado, irá reler o texto para identificar esse referente.

No caso, o pronome “as” (transformado em “las” por causa da conjugação verbal) se refere a “taxas de juros” (reduzir as taxas de juros nos bancos públicos é uma das

medidas necessárias para a redução dos juros de forma geral, segundo o autor), e não

a “medidas”.

Vamos, agora, nos aprofundar nesse tipo de questão.

PRONOMES E COESÃO TEXTUAL

Os pronomes exercem um papel decisivo na construção de um texto coeso e coerente,

a partir de indicações corretas aos seus elementos.

Para compreender melhor a função dos pronomes, precisamos saber o conceito de coesão textual, pois os pronomes, assim como os conectivos (conjunção e preposição

8

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

– a serem estudados na próxima aula), são responsáveis por estabelecer nexo entre as ideias do texto.

Coesão textual é a ligação entre os elementos da oração e delas em relação ao texto.

A incoerência de um texto muitas vezes se deve à falta de coesão, exatamente porque

a leitura fica prejudicada pelo emprego inadequado de pronomes, conjunções ou

outros elementos textuais, inclusive a pontuação. Por exemplo, o uso inapropriado de “porquanto” ou de “a ele” pode levar o leitor a uma conclusão diversa da que se pretendia apresentar, ou até mesmo a nenhuma conclusão (alguns chamam de “ruptura semântica” ou “truncamento semântico”).

Muitas questões da ESAF exploram esse conhecimento. A banca faz afirmações sobre

as referências textuais e o candidato deve verificar se estão corretas essas indicações.

Para isso, a compreensão correta do texto e o domínio do significado de seus

elementos são decisivos.

PRONOMES EM REFERÊNCIAS TEXTUAIS

8 - (ESAF/MP ENAP – SPU/2006 - adaptada)

1. Ninguém melhor do que Voltaire definiu a real

essência da democracia quando escreveu: “Posso

não concordar com uma só palavra do que dizes,

mas defenderei até à morte o teu direito de dizê-las”. Ter

5. idéias e comportamentos políticos ou sociais diversos

de outros indivíduos não significa, necessariamente,

transformá-los em inimigos ferrenhos. Afinal, o

que se combate são as idéias do outro e não sua

pessoa.

(Adaptado de Alfredo Ruy Barbosa, Jornal do Brasil, 11/03/2006)

Em relação ao texto acima, marque V para as assertivas verdadeiras e F para as falsas

e, em seguida, assinale a opção correta.

I - O emprego de segunda pessoa em “teu” (l.4) concorda com o emprego de “dizes”.

II - Em “transformá-los”(l.7), a forma pronominal “-los” retoma a idéia explicitada em

“outros indivíduos”.

III - Em “ o que se combate”(l.7 e 8), o termo “o” pode, sem prejuízo gramatical para

o período, ser substituído pelo pronome aquilo.

a) V – V – F

b) F – V – F

c) V – F – V

d) F – V – V

e) V – V - V

9

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

Gabarito: E

Comentário.

Mudança ortográfica: não há acento agudo em “ideias”.

São três as pessoas do discurso, e a elas se referem os PRONOMES PESSOAIS:

- 1ª pessoa é a pessoa que fala;

- 2ª pessoa, a para quem se fala;

- 3ª pessoa, a de quem se fala.

Os pronomes pessoais dividem-se em retos e oblíquos.

Regra geral, os retos exercem a função de sujeito ou de predicativo do sujeito, enquanto que os oblíquos funcionam como complementos (objetos diretos, indiretos ou adjuntos).

Os pronomes oblíquos devem obedecer a certas regras de colocação (sintaxe de colocação pronominal), a serem estudadas mais à frente.

Para se referir à segunda pessoa (para quem se fala), temos duas opções: uso do “TU” (2ª pessoa do singular) ou do “VOCÊ” (pronome de tratamento, que usa verbos e pronomes de 3ª pessoa).

O padrão formal culto da língua exige que o orador/escritor decida se quer usar

sempre a 2ª ou a 3ª pessoa. A isso se dá o nome de “uniformidade de tratamento”.

Falta uniformidade de tratamento quando ocorre uma “mistura” entre pronomes de 2ª (tu, ti, te) com pronomes de 3ª (você, sua), pronomes de 3ª com verbos conjugados

na 2ª pessoa etc.

Quer ver um exemplo clássico?

“Vem pra Caixa você também!” (não vamos entrar no mérito desse “pra”, só para não

complicar mais ainda a nossa vida

Vimos que o imperativo se forma a partir do presente do subjuntivo, em regra. A “exceção” fica por conta das segundas pessoas (tu/vós), que buscam a conjugação do presente do indicativo e retiram a letra “s”, no imperativo afirmativo. No imperativo negativo, até as segundas pessoas recaem na “regra geral” do subjuntivo.

Pois bem: a forma “vem” é a conjugação de 2ª pessoa do singular no presente do indicativo sem a letra S (vens vem tu). Só que, em seguida, usou-se o pronome “você”, que, por ser de tratamento, exige verbos e pronomes na 3ª pessoa. Assim, a propaganda, para se adaptar à norma culta da língua, teria duas opções:

rs

)

1 - Venha pra Caixa você também! (perde um pouco do ritmo

); ou

2 – Vem pra Caixa tu também! (nossa, como fica agressivo esse “tu”, não é?)

Agora, fale sério, no dia a dia, quem é que não faz uma “misturinha” de vez em “sempre”?

(Aliás, você notou que este “dia a dia”, substantivo, perdeu o hífen? Agora, tanto no sentido de cotidiano – substantivo – quanto como “diariamente” – advérbio-, o “dia a dia” não recebe mais o hífen.)

10

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

“Eu vi teu pai saindo e ele perguntou por você.”

“Por mais que eu te agrade, você continua insatisfeito

A música “Vambora”, de Adriana Calcanhoto, ilustra bem o emprego de IMPERATIVO:

Entre por essa porta agora

E diga que me adora

Você tem meia hora

Pra mudar a minha vida

As formas “entre”, “diga” são formas dos verbos ENTRAR e DIZER no imperativo afirmativo. Vamos relembrar a conjugação neste modo verbal?

A “regra” é o presente do subjuntivo – é a base para a construção de todo o imperativo negativo (todas as pessoas) e do imperativo afirmativo, exceto as segundas pessoas (tu/vós), que usam o presente do indicativo sem o “s”.

ENTRAR – presente do indicativo: eu entro, tu entras / presente do subjuntivo: eu entre, tu entres, ele (você) entre

DIZER – presente do indicativo: eu digo, tu dizes / presente do subjuntivo: eu diga, tu digas, ele (você) diga.

Como deixa claro o tratamento que será dispensado – o de 3ª pessoa – está certíssimo

o

emprego do pronome de tratamento “você” (“Você tem meia hora

).

O

problema é a derrapagem na sequência:

Vem, vambora

Que o que você demora

É o que o tempo leva

Puxa

verbo VIR da SEGUNDA PESSOA: tu vens (presente do indicativo) vem tu.

Para manter a uniformidade, deveria ser “venha”, mas, considerando a informalidade da letra (“vambora” é a contração de “vamos embora”), deixemos assim mesmo rs

Agora, quer “colírio” para seus olhos?

estava indo tão bem, até surgir esse “vem”. Essa é a forma de imperativo do

Leia com bastante cuidado a (lindíssima!!!) letra da música “Eu te amo”, de Tom

Aproveite para notar a

Jobim e Chico Buarque (e de quem mais poderia ser

uniformidade (belíssima!!!) de tratamento (nossa, quantos superlativos!!! rs ):

?).

Ah, se já perdemos a noção da hora Se juntos já jogamos tudo fora Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios Rompi com o mundo, queimei meus navios Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas Já confundimos tanto as nossas pernas

11

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão Se na bagunça do teu coração Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido Meu paletó enlaça o teu vestido E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos, Teus seios ainda estão nas minhas mãos, Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta Te dei meus olhos pra tomares conta Agora conta como hei de partir.

Trocando em miúdos (com trocadilho, por favor, já que é outro exemplo de perfeita

se houver a opção pelo “tu”, todos os verbos e

pronomes correspondentes à segunda pessoa também devem ser de 2ª. O mesmo

acontece se a escolha for pelo tratamento de 3ª pessoa.

Agora, se quiser ver um belíssimo exemplo de FALTA de uniformidade de tratamento, sugiro que leia a matéria que publiquei em homenagem ao Dia das Mães, em 2007 (Ponto 58).

Dever de casa: pesquisar outras letras de música e verificar o atendimento a essa

exigência gramatical (já pensei em outra: “Atrás da Porta”

ah! A questão da

prova (rs

Então, vamos à análise do primeiro item (tão distante

uniformidade de tratamento

rs

),

adivinha de quem???).

Bem, antes da música, acho que estávamos fazendo alguma coisa

).

I - O emprego de segunda pessoa em “teu” (l.4) concorda com o emprego de “dizes”.

A passagem do texto é: “Posso não concordar com uma só palavra do que dizes, mas

defenderei até à morte o teu direito de dizê-las”.

Está perfeito o emprego do pronome, uma vez que já havia sido usado o tratamento de segunda pessoa do singular: dizes / teu direito. ITEM CERTO.

II - Em “transformá-los”(l.7), a forma pronominal “-los” retoma a idéia(*) explicitada em “outros indivíduos”.

Para identificar corretamente o referente do pronome usado no texto, precisamos reler

a passagem em que ele se encontra:

Ter idéias (*) e comportamentos políticos ou sociais diversos de outros indivíduos não significa, necessariamente, transformá-los em inimigos ferrenhos.

Quem nos dá a dica é o complemento da sequência: “não significa transformá-los em inimigos ferrenhos.

12

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

Não poderíamos transformar “idéias(*) e comportamentos” em inimigos, mas sim os “outros indivíduos”. Portanto, a referência pronominal está CORRETA.

(Coloquei este sinal - * - para lembrar que essa palavra, assim como todas as paroxítonas que apresentem o ditongo aberto “ei” ou “oi”, a partir do advento do Acordo Ortográfico – não recebe mais o acento agudo: ideia)

III - Em “o que se combate”(l.7 e 8), o termo “o” pode, sem prejuízo gramatical para o período, ser substituído pelo pronome aquilo.

Na questão 38 da aula sobre CONCORDÂNCIA, vimos que a expressão “o que” em

passagens como a do texto (o que se combate são as idéias(*) do outro nada

mais é do que um pronome demonstrativo “o” com o pronome relativo “que”, tanto assim que podemos substituir esse “o” pelo correspondente “aquilo”. Se houver necessidade, volte àquela aula e releia o comentário. ITEM CORRETO.

Assim, a ordem é V – V – V - opção E.

)

9 - (ESAF/AFRE MG/2005)

1. O setor público não é feito apenas de filas, atrasos,

burocracia, ineficiência e reclamações. A sétima

edição do Prêmio de Gestão Pública, coordenado

pelo Ministério do Planejamento, mostra que o serviço

5. público federal também é capaz de oferecer serviços

com qualidade de primeiro mundo. De 74 instituições

públicas inscritas, 13 foram selecionadas por ter

conseguido, ao longo dos anos, implantar e manter

práticas e rotinas de gestão capazes de melhorar de

10. forma crescente seus resultados, tornando-os referências

nacionais. O perfil dos premiados mostra que

o que está em questão não é tamanho, visibilidade

ou importância estratégica, mas, sim, a capacidade

de fazer com que as engrenagens da máquina funcionem

15. de forma eficiente, constante e muito bem

controlada.

(Ilhas de Excelência. ISTOÉ, 2/3/2005, com adaptações)

Analise a asserção abaixo a respeito das estruturas lingüísticas do texto.

-

A retirada do pronome do termo “tornando-os”(l

10)

preserva a correção gramatical

e

a coerência textual, deixando subentendido o objeto de “referências nacionais”(l 10

e

11).

ITEM ERRADO

13

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

Comentário.

Mudança ortográfica: não há trema em “linguísticas”.

Vamos reler a passagem do texto com a alteração proposta pelo examinador (retirada do pronome “os”):

De 74 instituições públicas inscritas, 13 foram selecionadas por ter conseguido, ao longo dos anos, implantar e manter práticas e rotinas de gestão capazes de melhorar de forma crescente seus resultados, tornando referências nacionais.

Pergunto agora: o que se tornou “referências nacionais”?

Será que foram os resultados? Ou será que foram as “práticas e rotinas de gestão”? Ou, ainda, será que foram “as 13 instituições públicas selecionadas”?

Pois é para isso que serve o pronome – dentre outras coisas, desfazer possíveis ambiguidades.

Com o emprego do pronome “os”, sepulta-se essa dúvida, pois o único referente no gênero masculino é “seus resultados” (os resultados tornaram-se referências nacionais).

Sem o pronome, fica prejudicada a compreensão textual (e, por consequência, a coerência). Não sei quem seria uma referência nacional: as 13 empresas? As práticas e rotinas de gestão? Os resultados? Por isso, está INCORRETA a assertiva de que foram preservadas a correção gramatical e a coerência textual.

10 - (ESAF/SUSEP - Analista Técnico/2006)

Analise a assertiva a respeito do emprego das estruturas lingüísticas no texto.

1. Antenas, computadores e vontade política. Três fatores

que podem facilitar o acesso às modernas tecnologias

de informação, à internet e ajudar a reduzir a nossa

enorme dívida social. Podem, com certeza, encurtar a

5. distância entre os que têm e os que não têm acesso

à rede mundial de computadores e às modernas

tecnologias. A grande massa do povo encontra-se à

margem das informações disponíveis e contatos com

o mundo global.

(Adaptado de Eunício Oliveira, O acesso às novas tecnologias e a inclusão social, Correio Braziliense, 14 de junho de 2004)

- O desenvolvimento textual leva a entender as duas ocorrências de “os”(l.5) como

remetendo aos mesmos referentes, e por isso podem ser substituídos por aqueles,

sem prejuízo da correção gramatical.

ITEM CERTO

14

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

Mudança ortográfica: não há trema em “linguísticas”.

Comentário.

Vamos reler a passagem do texto:

Podem, com certeza, encurtar a distância entre os que têm e os que não têm acesso à rede mundial de computadores e às modernas tecnologias. A grande massa do povo encontra-se à margem das informações disponíveis e contatos com o mundo global.

Nas duas passagens, o pronome demonstrativo “os” refere-se à ideia de “aqueles”,

sem necessidade de haver um antecedente expresso (“ aqueles que não têm acesso ”)

Na verdade, esse antecedente encontra-se implícito na passagem “Três fatores que podem facilitar o acesso [dos indivíduos] às modernas tecnologias de informação, à internet

O referente é, portanto, “indivíduos”: “encurtar a distância entre os indivíduos que

têm [acesso às modernas tecnologias de informação, à internet] e os indivíduos que

não têm

Assim, poderia com perfeição haver a troca de “os” por “aqueles”, outro pronome demonstrativo usado em um alcance bastante abrangente (não determinadas pessoas, mas “todas” as pessoas).

entre aqueles que têm e

.

11 - (ESAF/Auditor-Fiscal do Trabalho/2006)

A relação conflituosa entre fazendeiros e colonos, aliada à crescente dificuldade de

importação de escravos negros da África a partir da década de 60, exige que se use a

mão-de-obra nativa, forçando-a ao trabalho na lavoura. Os fazendeiros também reclamavam uma legislação que permitisse garantias dos investimentos na mão-de- obra, do cumprimento dos contratos, da repressão às greves e, ainda, que lhes propiciasse adequada produtividade. A promulgação da Lei do Ventre Livre, em 1871, sinalizando a abolição da escravidão, criou as condições para uma legislação que, ao mesmo tempo em que fazia a regulação minuciosa da contratação do trabalho livre, previa a obrigação de o homem livre contratar, como mecanismo de combate à vadiagem.

http://calvados.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/direito/

article/viewPDFInterstitial/1766/1463)

Julgue a assertiva a seguir.

- Em “que lhes propiciasse”(l.5) o pronome “lhes” refere-se a “Os fazendeiros”(l.5).

(Sidnei

Machado

-

ITEM CERTO

Comentário.

Acordo Ortográfico: O substantivo “mão de obra” perdeu o hífen.

Existem diversos elementos que serviriam de referente ao pronome “lhes”. Por isso, é importante fazer uma leitura atenta da passagem do texto.

15

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

Os fazendeiros também reclamavam uma legislação que permitisse garantias dos investimentos na mão-de-obra(*), do cumprimento dos contratos, da repressão às greves e, ainda, que lhes propiciasse adequada produtividade.

Em tempo, o sentido de “reclamar” no texto é o de “reivindicar”, “exigir”.

O texto fala de “propiciar produtividade” a quem? Aos escravos? Aos colonos?

Não! Os fazendeiros reivindicavam uma legislação que propiciasse adequada produtividade A ELES MESMOS.

Por isso, a indicação está correta.

Cuidado!!! Não menospreze uma questão como essa. Na hora da prova, há diversos fatores atuando contra você: tempo, nervosismo

Quantos candidatos saem da prova contabilizando diversos acertos e, no dia seguinte, com o gabarito na mão, se decepcionam!!! Então, tranquilidade e atenção!

12 - (ESAF/ AUDITOR DO TESOURO MUNICIPAL NATAL / 2008)

1. As pessoas sempre pensam em si mesmas antes de

levar em conta o bem-estar geral. Não adianta querer

mudar isso. A espécie humana é essencialmente egoísta

e precisa freqüentemente receber estímulos individuais

5. para agir em prol de uma causa que transcenda o

próprio raio de interesses. A princípio todo mundo

trabalha impulsionado por objetivos próprios, entre eles

o progresso na carreira e o salário no fim do mês. A

única maneira de fazer um funcionário voltar-se também

10. para os interesses da empresa é motivá-lo por meio de

um conjunto concreto de benefícios extras. Não é por

acaso que as companhias que implantaram políticas

de reparte de lucros ou de premiação em dinheiro aos

funcionários mais talentosos e esforçados tendem a

15. superar as demais em produtividade e lucro. Em um

mundo tão complexo, economistas, empresários e

governantes precisam saber mais sobre psicologia.

(Entrevista de Maskin a VEJA, 26 de março, 2008).

Assinale a opção em que os três termos remetem, por coesão textual, ao mesmo referente.

a) “As pessoas”(l.1) – “que”(l.5) – “próprio”(l.6)

16

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

b) “bem-estar geral”(l.2) – “isso” (l.3) – “raio de interesses” (l.6)

c) “estímulos individuais”(l.4) – “objetivos próprios”(l.7) – “eles”(l.8)

d) “funcionário”(l.9) – “-se” (l.9) – “-lo” (l.10)

e) “empresa”(l.10) – “companhias”(l.12) – “demais”(l.15)

Gabarito: D

Comentário.

Acordo Ortográfico: Não há trema em “frequentemente” .

Agora, de forma brilhante, o examinador exige que o candidato saiba identificar a relação entre os vocábulos empregados no texto. Vejamos qual opção indica corretamente os elementos interligados em coesão textual.

em prol de

uma causa que – ESTA CAUSA – transcenda o próprio raio de interesses.”). O demonstrativo “próprios” liga-se a “todo mundo”, e não a “pessoas” (linha 1).

b) O pronome “isso” (linha 3) retoma toda a ideia apresentada anteriormente (a de

que “as pessoas sempre pensam em si mesmas antes de levar em conta o bem-estar geral.”). A esse pronome dá-se o nome de “vicário”, devendo ser estudado mais adiante nesta aula. Além disso, o “raio de interesses” mencionado na linha 6 não tem relação nenhuma com o “bem-estar geral”; ao contrário – refere-se ao próprio indivíduo, de forma egoísta, segundo o autor.

impulsionado por

mas não a “estímulos

c) O pronome “eles” refere-se ao sintagma “objetivos próprios” (

a) O pronome relativo “que” (linha 5) retoma o antecedente “causa” (

objetivos próprios, entre eles o progresso na carreira individuais”.

d)

voltar a si mesmo). Do mesmo

modo, o pronome “o” (transformado em “lo” por força da conjugação verbal) em

“motivá-lo” também retoma “o funcionário” (“ também para os interesses da empresa é MOTIVÁ-LO Essa é a resposta correta.

motivar esse funcionário).

“funcionário” (

O pronome “se” tem valor reflexivo e, por isso, retoma o antecedente (sujeito)

),

fazer um funcionário voltar-se

fazer um funcionário voltar-se ”

e) Essa talvez tenha sido a opção mais capciosa desta questão. Note que o examinador

buscou apresentar palavras que têm relação lógica entre si. Contudo, se voltarmos ao texto, veremos que esses elementos não têm ligação entre si. O substantivo “empresa”, na linha 10, está usado de forma genérica, vaga, não se referindo a

nenhuma empresa em especial. Na linha 12, o substantivo “companhias” vem acompanhado de uma oração adjetiva restritiva (que determina o alcance dessas

“companhias”):

ou de premiação em dinheiro aos funcionários mais talentosos e

esforçados

etc., etc.). Quando, em seguida,

fizeram o que se segue (implantaram políticas

Não são, portanto, QUAISQUER companhias, mas aquelas que

as companhias que implantaram políticas de reparte de lucros

etc.,

”).

o autor faz menção “às demais”, pode-se subentender que as demais não implantaram tais políticas. Portanto, esse demonstrativo (“demais”) não possui o mesmo referente de “empresa” ou de “companhias” (linha 12).

17

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

13 - (ESAF/AFC STN / 2008)

Assinale a opção em que a relação de referência está incorreta.

1. O Brasil vive hoje seu primeiro momento plenamente

democrático. Todas as experiências anteriores ou

foram autoritárias ou tinham algumas características da

democracia, mas não a realizavam por completo. Boa

5. parte desse resultado político se deve à Constituição

de 1988, num sentido mais amplo que as regras por

ela determinadas. Além do arcabouço institucional

original, o espírito que norteou a confecção do texto

constitucional e o aprendizado posterior têm produzido

10. efeitos democratizantes na vida política brasileira.

Ainda há, no plano da cidadania, distância entre o Brasil

legal e o Brasil real. As formas de participação extra-

-eleitoral ainda são subaproveitadas. Grande parte da

população não as usa.

(Fernando Abrucio, Revista Época, 17 de setembro de 2008)

a) “seu”(l.1) se refere a “Brasil”(l.1)

b) “a”(l.4) se refere a “democracia”(l.4)

c) “desse resultado político”(l.5) se refere a “foram autoritárias”(l.3)

d) “ela”(l.7) se refere a “Constituição de 1988”(l.5 e 6).

e) “as”(l.14) se refere a “formas de participação extra-eleitoral”(l.12 e 13).

Gabarito: C

Comentário.

Acordo Ortográfico: Registra-se, agora, “extraeleitoral”.

O “resultado político” mencionado na linha 5 é mencionado no primeiro período do texto: “O Brasil vive hoje seu primeiro momento plenamente democrático.”. Não tem relação, portanto, com a estrutura oracional “foram autoritárias”, que se refere a algumas das experiências anteriores a esse momento. As demais indicações estão corretas.

14 - (ESAF/TCU/2006)

Em relação ao texto, analise a assertiva.

Do ponto de vista político, a reentronização da hegemonia do capital financeiro sobre a reprodução social capitalista mundial significou a vitória da contra-revolução política e

18

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

econômica capitalista em todos os diferentes universos em que as revoluções políticas capitalistas e anticapitalistas tentaram se libertar do pesadelo de um capital financeiro entregue a si próprio. Esse foi o causador de duas guerras mundiais e várias escaramuças bélicas em vários rincões do planeta, assim como da contra-revolução capitalista, para não falar da inflação e do desemprego, que jogaram os trabalhadores na miséria e no desespero, no inferno das guerras, da fome e das perseguições inomináveis. Eles tentaram se libertar do pesadelo derivado de um dado histórico inequívoco: a voragem exterminista e genocida do capital e do capital financeiro em primeiríssimo lugar. E fracassaram.

(Paulo Alves de Lima Filho)

- O pronome “Esse” (l. 5) refere-se a “um capital financeiro entregue a si próprio” (l. 4 e 5).

ITEM CERTO

Comentário.

Mudança ortográfica: registra-se, agora, “contrarrevolução”. Segundo as normas ortográficas novas, em regra, usa-se hífen para separar prefixo do segundo elemento quando: (1) a segunda palavra iniciar por H; (2) houver coincidência de vogal ou consoante entre o fim do prefixo e o início da segunda palavra. Nos demais casos, caso o prefixo termine por vogal e a palavra seguinte tenha início por R ou S, dobra-se esta consoante para não prejudicar a estrutura fonética.

Entramos, agora, na seara dos PRONOMES DEMONSTRATIVOS.

Esses pronomes possuem duas funções linguísticas:

1ª função – indicar a posição dos seres no espaço e no tempo, chamada de função dêitica.

Ao se referir ao momento presente (referência temporal) ou a algo que está próximo do falante (referência espacial), usam-se este, esta, isto; em relação a momento passado (temporal) ou próximo do ouvinte (espacial), usam-se esse, essa, isso; para se referir a momentos distantes (tanto no futuro quanto no passado – temporal) ou a algo que está distante dos dois (falante e ouvinte), usam-se aquele, aquela, aquilo.

Exemplos:

Naquela época (período distante), usava-se espartilho.

Naquele ano de 1969, o país foi submetido a uma das piores ditaduras da história universal.

Neste momento, estão todos dormindo. (momento atual)

Nesse fim de semana (o que passou), fomos ao teatro.

Neste fim de semana (o que está por vir), iremos ao teatro.

Em relação ao espaço, este/esta/isto indicam o que se encontra próximo do falante; esse/essa/isso, longe do falante, mas próximo do ouvinte; aquele/aquela/aquilo, longe de ambos.

19

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

É da essência dos pronomes demonstrativos esse caráter dêitico, ainda que não seja privilégio seu. Outros pronomes – como os pessoais, por exemplo –, alguns advérbios (aqui, ali, agora) e substantivos também se prestam a essa função linguística.

2ª função – substituir elementos textuais em referência anafórica (se o termo for antecedente ao pronome) ou catafórica (em caso de termo referente após o pronome).

Quando houver mais de um elemento textual aos quais iremos fazer menção, podemos usar “este” para o mais próximo e “aquele” para o mais distante. Exemplo: “Paulo e Mauro foram aprovados no concurso. Este (Mauro) irá para Porto Alegre, enquanto que aquele (Paulo), para Manaus.” ou “Estes argumentos [os que foram mencionados imediatamente antes desta citação] se contrapõem àqueles apresentados no início do debate.”

Podemos,

referências textuais:

Forma 1 - Quando um pronome demonstrativo faz referência a algo já mencionado no texto, ou seja, a algo que está no “paSSado” do texto, deve-se usar ESSE / ESSA / ISSO (com o SS do paSSado). Se a referência ainda vier a ser apresentada (pertence ao fuTuro), usa-se ESTE / ESTA / ISTO (com o T do fuTuro) – gostou dessa dica mnemônica?

Forma 2 - Quando se citam dois elementos, retoma-se o último, ou seja, o mais próximo, pelo pronome "este" (ou "esta", "estes", "estas"). O primeiro elemento citado, isto é, o mais distante, é retomado por "aquele" (ou suas flexões). Exemplo:

João e Pedro farão a prova para o Tribunal de Contas da União. Este para Analista e aquele para Técnico.” – Nesta construção, “este” é o referente mais próximo (Pedro) e aquele, o mais distante (João).

Modernamente, reduziu-se o rigor no emprego do pronome demonstrativo em referências textuais, inclusive em relação às provas (como vimos nesta questão, em que, mesmo se referindo a expressão já mencionada, usou o “este”), mas, em textos formais, como pareceres e provas dissertativas, deve-se observar o correto emprego dos pronomes demonstrativos.

então,

resumir

o

emprego

dos

pronomes

demonstrativos

em

Esse é um texto de difícil leitura, por isso devemos ter bastante atenção.

“Do ponto de vista político, a reentronização da hegemonia do capital financeiro sobre a reprodução social capitalista mundial significou a vitória da contra-revolução(*) política e econômica capitalista em todos os diferentes universos em que as revoluções políticas capitalistas e anticapitalistas tentaram se libertar do pesadelo de um capital financeiro entregue a si próprio. Esse foi o causador de duas guerras mundiais e várias escaramuças bélicas em vários rincões do planeta, assim como da contra-revolução(*) capitalista, para não falar da inflação e do desemprego, que jogaram os trabalhadores na miséria e no desespero, no inferno das guerras, da fome e das perseguições inomináveis. Eles tentaram se libertar do pesadelo derivado de um dado histórico inequívoco: a voragem exterminista e genocida do capital e do capital financeiro em primeiríssimo lugar. E fracassaram.”

20

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

Para começar, vamos ao significado de alguns vocábulos:

- reentronização – “entronizar” significa “sublimar”. Assim, reentronização seria uma nova sublimação.

- hegemonia – preponderância, supremacia.

- escaramuças – conflitos, brigas, desordens.

O pronome demonstrativo “Esse” retoma o antecedente “capital financeiro entregue a si próprio” e quem nos dá essa certeza é a última passagem do texto (!): “Eles tentaram se libertar do pesadelo derivado de um dado histórico inequívoco: a voracidade exterminista e genocida do capital e do capital financeiro em primeiríssimo lugar.”.

Segundo o autor, esse foi o elemento causador de duas guerras mundiais e de diversos conflitos espalhados pelos vários cantos do mundo, bem como de tantas outras mazelas que devastaram os trabalhadores e a humanidade em geral.

Veja que, muitas vezes, o texto precisa ser lido e relido para identificarmos algum referente textual. Precisamos compreender TODO O TEXTO e não apenas a passagem em análise.

Por isso, por favor, leia com atenção e calma. Não se apresse para resolver uma dessas questões. Se for preciso, deixe essa questão para o fim, momento em que, com mais tempo e tranquilidade, será possível a compreensão textual.

15 - (ESAF/MPOG - APO/2008)

Em relação ao texto, assinale a opção incorreta.

1. O objetivo da Embratur é atrair mais turistas

estrangeiros. Em média, segundo a empresa,

eles permaneceram no Brasil 18 dias em cada

viagem, em 2007, dois dias mais do que em 2006.

5. A média geral de gastos diários, por turista, foi de

US$ 91,74, mas os europeus gastaram bem mais

que isso. Segundo a presidente da Embratur,

aumentou em 22% o número de viagens dos

turistas espanhóis ao País.

10. Para atrair mais turistas, é preciso oferecer não

apenas mais vôos e mais hotéis, o que já vem

ocorrendo, mas também serviços de qualidade,

funcionários bilíngües, segurança reforçada

nas proximidades de hotéis, aeroportos e infra-estrutura.

15. O empenho justifica-se pelo aumento

21

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

do emprego propiciado pelo turismo e da renda

gerada para os mais diversos segmentos –

shopping centers, restaurantes, cinemas, táxis,

transporte especializado, farmácias.

(O Estado de S. Paulo, 6/02/2008)

a) A palavra “empresa” (l. 2) é termo de coesão lexical que retoma o antecedente

“Embratur” (l.1).

b) O pronome “eles” (l. 3) constitui uma anáfora, pois se refere ao antecedente

“turistas estrangeiros” (l. 1 e 2).

c) O termo “isso” (l. 7) constitui elemento coesivo, pois retoma o antecedente “US$

91,74”.

d) Em “justifica-se” (l. 15), o “-se” indica sujeito indeterminado.

Gabarito oficial: B

ATENÇÃO: Essa questão deveria ter seu gabarito alterado para D.

Comentário.

Acordo Ortográfico: Registram-se, agora, os vocábulos “voos” (sem acento circunflexo), “bilíngues” (sem trema) e “infraestrutura” (sem hífen). Nossa, quantas alterações! rs

Essa questão foi o absurdo cometido pela banca naquele concurso para o MPOG. Evidentemente, a resposta (opção incorreta) deveria ter sido a de letra D. Contudo, a banca apresentou (preliminar e definitivamente) a resposta como B. Infelizmente, temos de aturar esse tipo de coisa, mas apresentamos aqui nosso completo e total repúdio, uma vez que o candidato preparado foi prejudicado com esse resultado – perdeu um ponto injustamente.

Você deve estar se perguntando: “Então, por que a professora colocou essa questão no

Não, amiguinho(a), longe

de mim isso

em sua preparação, podem já ter baixado a prova e encontrado essa resposta absurda.

Assim, caso isso tenha acontecido com você, pode ficar tranquilo – não é você quem não sabe nada de pronome – é o examinador rs

Vejamos cada uma das opções e tire suas próprias conclusões.

a) Sim, para não repetir o nome da empresa, usou-se desse artifício de coesão textual

– a troca de um substantivo próprio por um comum.

b) Ainda bem que você

mesmo?!?!?!

Não é

Anáfora é o processo de referência textual

em relação a algo que já foi mencionado. Está correta a indicação de que “eles” retoma

o antecedente “turistas estrangeiros” (“esses turistas permaneceram no Brasil 18

dias

ERRADA? Absurdo!!!

Então, como é que poderia ser essa a resposta, se o enunciado busca a opção

nosso material? Para me confundir, para me estressar?”

rs

Trouxe a questão em função do grande número de candidatos que,

sabe o que é uma “anáfora”, não é mesmo?

rs

rs

Espero que sim!

”).

22

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

c) “A média geral de gastos diários, por turista, foi de US$ 91,74, mas os europeus gastaram bem mais que isso.”. O pronome “isso”, em referência anafórica, retoma “US$ 91,74”, sim. Está certa essa indicação.

d) O pronome “se”, como vimos à exaustão no início dessa aula, não poderia ser

“índice de indeterminação do sujeito”, pois o sujeito está EXPLÍCITO: “O empenho

JUSTIFICA-SE

.

Essa deveria ter sido a resposta à questão. Está incorreta!!!

16 - (ESAF/IRB – Advogado/2006)

1. “O mundo é plano”, livro do jornalista Thomas

Friedman, mostra que há uma nova globalização por

aí. Ela achatou o planeta e explodiu as noções de

distância, tempo e trabalho. Recriou a China e a Índia.

5. Ao contrário da globalização financeira dos anos 90,

nessa há lugar para brasileiros. Na primeira, ganhava

quem tinha dinheiro. Agora, pode ganhar quem tem

educação, quer aprender mais e acredita no seu

trabalho.

10. É nessa hora que se abre espaço para Pindorama.

Se os jovens brasileiros começarem a brigar por mais

computadores em suas casas, escolas e trabalho, a

brincadeira terá começado.

O livro não arruma empregos para seus leitores, mas

15. ensina como eles acabam, onde reaparecem e como

reaparecem.

(Elio Gaspari, Um livro muito bom: “O mundo é plano”, Folha de São Paulo, 18 de dezembro de 2005, com adaptações)

Assinale a opção em que o termo da primeira coluna retoma, no texto, o termo da segunda.

a) “nessa” (l.6)

b) “primeira” (l.6)

c) “nessa hora” (l.10)

d) “Pindorama” (l.10)

e) “eles” (l.15)

“globalização financeira dos anos 90” (l.5)

“nova globalização” (l.2)

“Agora” (l.7)

“livro do jornalista Thomas Friedman” (l.1 e 2)

“leitores” (l .14)

Gabarito: C

23

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

Comentário.

a) O pronome demonstrativo “nessa” se refere a “nova globalização” que vem por aí.

Note que, por haver dois antecedentes – um próximo (globalização financeira dos anos

90) e outro mais distante (nova globalização) –, o pronome mais adequado seria “naquela”. Contudo, como afirmamos, não deve haver um rigor gramatical extremado quando se trata de pronomes em referência anafórica.

b) Agora, não se trata de referência textual (até porque foi mencionada logo no início

do texto “a nova globalização”, e não é a essa expressão que “primeira” faz menção).

A referência é em relação aos aspectos temporais – “a primeira” significa “a que veio

primeiro”, “a que antecedeu a todos” ou “a que veio antes da outra”. Por isso, a indicação do referente está INCORRETA.

Na pressa, sem retornar ao texto, o candidato pode errar!!!

c) Vamos identificar os termos da argumentação.

“Na primeira [entenda-se: na primeira globalização – a dos anos 90] , ganhava quem tinha dinheiro. Agora [na globalização que se anuncia], pode ganhar quem tem educação, quer aprender mais e acredita no seu trabalho.”

O dêitico “agora” se refere ao mesmo elemento de “nessa hora”, mencionado no início

do parágrafo seguinte: “É nessa hora que se abre espaço para Pindorama [nosso país, na linguagem do autor]” – pergunto: em que hora?

Na mesma “hora” mencionada na passagem: “nessa há lugar para brasileiros”, ou seja, na globalização que se anuncia. Assim, está CORRETA a indicação de relação entre os termos.

d) “Pindorama”, de origem tupi, designa uma região com palmeiras. Como acabamos

de ver, é como o autor se refere ao nosso país.

e) O que acaba e reaparece? Será que são os leitores? Certamente que não. O pronome pessoal “eles” faz menção aos “empregos”.

17 - (ESAF/TRF/2002)

Julgue se as formas de redação abaixo estão gramaticalmente corretas.

- Pensa hoje que se tornou barato adquirir a hegemonia ao preço de 3,8% de PIB

florescente e produtividade que permite encarar sem susto o momento próximo em que os EUA gastarão com a defesa US$ 1 bilhão por dia. / Seu pensamento hoje é esse: tornou-se barato adquirir a hegemonia ao preço de 3,8% de PIB florescente e produtividade que permite encarar sem susto o momento próximo em que os EUA

gastarão com a defesa US$ 1 bilhão por dia.

ITEM CERTO

Comentário.

24

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

Observe que, no segundo segmento, o autor usa o pronome demonstrativo esse em referência catafórica (PARA A FRENTE), o que seria, segundo os puristas, um erro.

Contudo, a banca indicou esse item como correto. Isso reforça a tese de que se reduziu o rigor gramatical no emprego anafórico do pronome demonstrativo.

18 - (ESAF/AFRF/2005)

Em relação ao texto, analise a proposição.

1. IBGE e BNDES mostraram que a desesperança nas cidades pequenas empurra a força de trabalho para as médias, que detêm maior dinamismo econômico. A carga da pesada máquina administrativa das pequenas “cidades mortas” é paga pelas verbas federais do Fundo de Participação dos Municípios. A economia local nesses municípios, 5. como o IBGE também já mostrou, é dependente da chegada do pagamento dos aposentados do Instituto Nacional de Seguridade Social. O seminário “Qualicidade”, por sua vez, confirmou que a favelização é produto de “duas ausências”, a do crescimento econômico e a de política urbana.

(Gazeta Mercantil, 17/10/2005, Editorial)

- A presença de artigo definido feminino singular, em suas duas ocorrências (l.7 e 8), indica que se pode subentender após o artigo a repetição da palavra “favelização”(l.7).

ITEM ERRADO

Comentário.

O seminário “Qualicidade”, por sua vez, confirmou que a favelização é produto de “duas ausências”, a do crescimento econômico e a de política urbana.

Antes da palavra “favelização”, temos um artigo definido feminino, que é a palavra variável que precede o substantivo, indicando-lhe o gênero e o número.

Contudo, na sequência, esses “as” indicam a existência do substantivo “ausência” e não “favelização”, como sugere o examinador.

Como este item já possuía um erro – indicação incorreta de um referente – não poderíamos afirmar se a indicação da classe gramatical desse “a” estaria correta ou não, por ser considerado pronome demonstrativo e não artigo definido.

A resposta veio tempos depois, com uma questão da prova para Auditor-Fiscal do Trabalho, em 2006. Vejamos.

19 - (ESAF/Auditor-Fiscal do Trabalho/2006)

Avalie a afirmação abaixo, a respeito do emprego das estruturas lingüísticas no texto.

Quando se ouve a palavra “preço”, as primeiras imagens que invadem nossa mente são as de cartazes de liquidação, máquinas registradoras, cheques e cartões de crédito. Mesmo nas sociedades orientais, menos capitalistas que a nossa, a idéia de preço é sempre ligada à noção de objeto de valor. Porém, diferentemente do que a mídia informa, nem tudo pode ser comprado e parcelado em três vezes no cartão. As coisas realmente importantes da vida têm seu preço, isso é certo, mas a forma de

25

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

pagamento é bem diversa das praticadas nos shopping centers. Na infinita negociação que é viver, se sairá melhor aquele que possuir uma sólida conta corrente de reservas emocionais e de bom senso do que aquele que confia apenas em sua coleção de cartões de plástico. Lucrará mais aquele que souber responder com sabedoria a pergunta: vale a pena pagar o preço?

(Adaptado da Revista Planeta, maio de 2006)

- Para a coerência textual, o vocábulo “as”(l.2) tanto pode ser interpretado como um pronome, substituindo o substantivo “imagens”(l.2), quanto como um artigo definido que deixa implícita a concordância com “imagens”.

Gabarito oficial: ITEM CERTO

Comentário.

Mudança ortográfica: não há trema em “linguísticas”, nem acento agudo em “ideia".

Mais uma vez, a banca chama de “artigo definido” uma ocorrência que costumávamos considerar como de um pronome demonstrativo.

“Costumávamos” porque nosso papel é “dançar conforme a música” (pelo menos,

enquanto o maestro for o mesmo de ideia ou não forem substituídos).

Bem, vejamos, em primeiro lugar, a proposta de recurso que fizemos para essa questão.

Existe uma justificativa etimológica para a proximidade entre os artigos definidos (o, a, os, as) e os pronomes demonstrativos: o artigo definido românico, que abarca o português (o, a, os, as), o francês (le, la, les), o italiano (il, lo, la, le) e o espanhol (el, lo, la, los, lãs), proveio dos demonstrativos latinos de terceira pessoa ille, illa, illud (respectivamente masculino, feminino e neutro).

ou seja, os componentes da banca não mudarem

As formas arcaicas dos artigos definidos el, lo, la, derivadas desses demonstrativos latinos, foram usadas no período em que o português estava se formando.

Com a evolução da língua, o valor demonstrativo do artigo definido foi se perdendo, mas subsiste em alguns casos, ainda que de modo tênue, como bem indica o mestre Celso Cunha a partir dos seguintes exemplos:

“Permaneceu A [= esta/aquela] semana inteira em casa.”

“Partimos NO [= neste] momento para São Paulo.”

“Levarei produtos DA [= desta] região.”

Mas adverte M. Said Ali, na obra Gramática Histórica da Língua Portuguesa, em Lexeologia do Português Histórico: "esta função se amorteceu desde que se tornou em costume de antepor, sem grande necessidade, a qualquer substantivo a palavra o, a,

26

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

tornando-a seu companheiro quase inseparável. Desde então passou o demonstrativo a ser artigo". (grifo não do original)

Em virtude disso, as definições que os diversos gramáticos atribuem ao artigo são:

- (Celso Cunha e Lindley Cintra) “palavras o (com as variações a, os, as) e um (com

as variações uma, uns, umas) que se antepõem aos substantivos (

- (Rocha Lima) “partícula que precede o substantivo, assim à maneira de ‘marca’ dessa classe gramatical”;

- (Evanildo Bechara) “a palavra que se antepõe aos substantivos que designam

seres determinados (o, a, os, as) ou indeterminados (um, uma, uns, umas).”.

)”;

Não se pode confundir, pois, o artigo definido, que acompanha um substantivo, pronome substantivo ou, em algumas vezes, um adjetivo com um substantivo oculto, com pronome demonstrativo, que pode ser empregado no lugar de um substantivo.

Merece destaque a seguinte lição de Evanildo Bechara:

“O pronome o, perdido de seu valor essencialmente demonstrativo e posto antes de substantivo, como adjunto, recebe o nome de artigo definido. Assim é que a gramática, no exemplo seguinte, considera o primeiro os ARTIGO DEFINIDO e o segundo PRONOME DEMONSTRATIVO:

‘Os homens de extraordinários talentos são ordinariamente os de menor juízo’ (Marques de Marica)”. (grifos nossos)

O exemplo apresentado pelo nobre mestre é idêntico à construção presente no primeiro período do texto a seguir transcrito, base do item I da questão 14:

Quando se ouve a palavra “preço”, as primeiras imagens que invadem nossa mente são as de cartazes de liquidação, máquinas registradoras, cheques e cartões de crédito.

No item I da referida questão, afirma-se:

I. Para a coerência textual, o vocábulo “as” (l.2) tanto pode ser interpretado como um pronome, substituindo o substantivo “imagens”(l.2), quanto como um artigo definido que deixa implícita a concordância com “imagens”.

O gabarito indica esse item como correto.

Em virtude de todo o exposto, respeitosamente discordamos de tal indicação. O vocábulo ‘as’ deve ser classificado SOMENTE como um pronome demonstrativo, uma vez que substitui o substantivo “imagens”, já presente no texto, evitando sua repetição.

Infelizmente, o gabarito foi mantido (de novo?!?!), o que nos leva a crer que a banca classifica como “artigo definido” a ocorrência de “a” quando for possível subentender, na sequência, um substantivo (estando ele ausente).

E durma-se com um barulho desses

Voltaremos a essa questão mais adiante, em “colocação pronominal”.

27

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

COLOCAÇÃO PRONOMINAL

20 - (ESAF/AFRF/2005)

A

questão proposta é a do acaso. Na tradição ocidental, o tema aparece

invariavelmente ligado a um outro, o da razão: o dos limites e do alcance da racionalidade. Nem seria errôneo afirmar que o empenho maior para o pensamento filosófico inaugurado na Grécia antiga resume-se em querer vencer a sujeição ao acaso. De fato, um dos traços peculiares ao homem primitivo está em deixar-se surpreender pelo acaso, em guiar-se pelo imprevisível.

Já o homem racional instaurado pelos gregos entrega-se, pela primeira vez na história,

a

esse esforço descomunal e decisivo para a evolução do Ocidente, de tentar conjurar

o

mais possível as peias do acaso, estabelecendo as bases para um comércio racional

do

homem com o seu meio ambiente; mais precisamente: a postura racional passou a

designar, de modo gradativo, um comportamento de dominação por parte do homem, elaborando racionalmente as suas relações com a natureza, o homem terminaria abocanhando as vantagens de ver subordinada a natureza aos seus desígnios pessoais.

(Gerd Bornheim. Racionalidade e acaso. fragmento)

Analise a correção gramatical da proposição abaixo.

-

Seria errôneo afirmar que nem o empenho maior do pensamento filosófico grego

sujeitaria-se ao objetivo de querer trocar os limites do acaso pelo alcance da

racionalidade.

ITEM ERRADO

Comentário.

Mudança ortográfica: não há acento agudo em “ideias”.

Agora, entramos em um dos pontos mais incidentes em provas da ESAF: COLOCAÇÃO DO PRONOME EM RELAÇÃO AO VERBO.

A fim de facilitar, resumimos todas as regras de colocação pronominal a três, além da

regra geral: CASOS DE PRÓCLISE OBRIGATÓRIA, CASOS PROIBIDOS, CASO FACULTATIVO.

1) REGRA GERAL:

Segundo a norma culta, a regra é a ênclise, ou seja, o pronome após o verbo. Isso tem origem em Portugal, onde essa colocação é mais comum. No Brasil, o uso da próclise é mais frequente, por apresentar maior informalidade, mas, como devemos abordar os aspectos formais da língua, a regra será ênclise, usando próclise em situações excepcionais, que são:

Palavras invariáveis (advérbios, alguns pronomes, conjunção) atraem o pronome. Por “palavras invariáveis”, entendemos os advérbios, as conjunções, alguns pronomes que não se flexionam, como o pronome relativo que, os pronomes indefinidos quanto/como, os pronomes demonstrativos isso, aquilo, isto.

28

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

Exemplos:

Ele não se encontrou com a namorada.” – próclise obrigatória por força do advérbio de negação.

Quando se encontra com a namorada, ele fica muito feliz.” – próclise obrigatória por força da conjunção;

Orações exclamativas (“Vou te matar!”) ou que expressam desejo, chamadas de optativas (“Que Deus o abençoe!”) – próclise obrigatória.

Orações subordinadas – (“

e

é

por

isso

que nele se

acentua o

pensador

político” – uma oração subordinada causal, como a da questão, exige a

próclise.).

2) EMPREGO PROIBIDO:

Iniciar período com pronome (a forma correta é: Dá-me um copo d’água. / Permita-me fazer uma observação.);

Após verbo no particípio, no futuro do presente e no futuro do pretérito. Com essas formas verbais, usa-se a próclise (desde que não caia na proibição acima), modifica-se a estrutura (troca o “me” por “a mim”) ou, no caso dos futuros, emprega-se o pronome em mesóclise.

Exemplos: “Concedida a mim a licença, pude começar a trabalhar.” (Não poderia ser “concedida-me” – após particípio é proibido - nem “me concedida” – iniciar período com pronome é proibido).

“Recolher-me-ei à minha insignificância” (Não poderia ser “recolherei-me” nem “Me recolherei”).

3) EMPREGO FACULTATIVO:

Com o verbo no infinitivo, mesmo que haja uma palavra “atrativa”, a colocação do verbo pode ser enclítica (após o verbo) ou proclítica (antes do verbo).

Exemplo:

“Para não me colocar em situação ruim, encerrei a conversa.” “Para não colocar-me em situação ruim, encerrei a conversa.”

Assim, com infinitivo está sempre certa a colocação, desde que não caia em um caso de proibição (começar período).

NÃO CONFUNDA INFINITIVO COM FUTURO DO SUBJUNTIVO – Na maior parte dos verbos, essas formas são iguais (para comprar/quando comprar, para estudar / quanto estudar). Contudo, a regra da colocação pronominal só se aplica ao infinitivo. Se o verbo estiver no futuro do subjuntivo, aplica-se a regra geral.

Para ter certeza de que é o infinitivo mesmo e não o futuro do subjuntivo, troque o verbo por um que se modifique, como o verbo TRAZER (para trazer / quando trouxer), FAZER (para fazer/ quando fizer), PÔR (para pôr/ quando puser), e tire a “prova dos noves”.

29

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

Se for infinitivo, pode colocar o pronome antes ou depois, tanto faz. De qualquer jeito, estará certo, mesmo que haja uma palavra atrativa (invariável).

Observação importante: quando houver mais de uma palavra invariável antes do verbo, o pronome poderá ser colocado entre elas. A esse fenômeno dá-se o nome de APOSSÍNCLISE (estava devendo esse nome desde a última aula, lembra?).

Exemplo: “Para não levar-me a mal, irei apresentar minhas desculpas.” – como vimos, com infinitivo está sempre certa a colocação (caso facultativo), mesmo que haja uma palavra invariável (no caso, são duas – para e não).

COLOCAÇÕES IGUALMENTE POSSÍVEIS:

”- O pronome foi atraído pelo advérbio

(1) “Para não me levar a mal, (palavra invariável).

” – O pronome foi atraído pela preposição

(2) “Para me não levar a mal, (outra palavra invariável).

De volta à questão, vemos que o erro está em colocar o pronome APÓS o futuro do pretérito: SUJEITAR-SE-IA.

Em relação a essa sintaxe, alertamos para os verbos terminados em –ZER.

“Cláudia, qual é o problema com esses verbos?”

A maioria esmagadora dos verbos, tanto no futuro do presente quanto no do pretérito, mantém “de um lado” o infinitivo e do outro a desinência. Veja só:

VERIA + O VER + O + IA VÊ-LO-IA

COMPRARIA + AS COMPRAR + AS + IA COMPRÁ-LAS-IA (já falamos sobre a acentuação gráfica nesses casos, não é?)

ESTUDAREI + O ESTUDAR + O + EI ESTUDÁ-LO-EI

Só que não é isso o que acontece com os verbos terminados em –ZER:

FAZER (futuro do presente) FAREI (não é FAZEREI) (futuro do pretérito) FARIA (e não “fazeria”).

Assim, quando um pronome é colocado em MESÓCLISE, de um lado não fica o infinitivo, POIS HOUVE ALTERAÇÃO NO RADICAL DO VERBO!!!

FAZER + O FAREI + O = FÁ-LO-EI (futuro do presente) FARIA + O = FÁ-LO-IA (futuro do pretérito)

DIZER + AS DIREI + AS = DI-LAS-EI (fut.do presente) DIRIA + AS = DI-LAS-IA (futuro do pretérito)

Agora, confesse: se encontrasse no meio de um texto imenso dividido em opções um “fazê-las-ia com a máxima urgência”, será que você notaria esse erro????

30

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

21 - (ESAF/Auditor-Fiscal do Trabalho/2006)

As coisas realmente importantes da vida têm seu preço, isso é certo, mas a forma de pagamento é bem diversa das praticadas nos shopping centers. Na infinita negociação que é viver, se sairá melhor aquele que possuir uma sólida conta corrente de reservas emocionais e de bom senso do que aquele que confia apenas em sua coleção de cartões de plástico. Lucrará mais aquele que souber responder com sabedoria a pergunta: vale a pena pagar o preço?

(Adaptado da Revista Planeta, maio de 2006)

Avalie a afirmação abaixo, a respeito do emprego das estruturas lingüísticas no trecho em destaque.

- Devido ao emprego da vírgula, mantém-se a coerência textual e a correção

gramatical ao empregar o pronome átono depois do verbo em “se sairá”(l.3): sairá- se.

ITEM ERRADO

Comentário.

Mudança ortográfica: não há trema em “linguísticas”.

O examinador insiste no mesmo erro: colocar o pronome em ênclise a um verbo no

futuro do presente / futuro do pretérito.

Esse é um caso de mesóclise, se não houver palavra invariável antes do verbo, o que provocaria uma próclise.

Veja a passagem do texto, que já foi apresentado na íntegra em questão pretérita:

Na infinita negociação que é viver, se sairá melhor aquele que possuir uma sólida

conta corrente de reservas emocionais e de bom senso

Muitos devem estar se perguntando se a posição deste pronome estaria correta, e a resposta é SIM. O que o pronome não pode é iniciar PERÍODO, mas este foi iniciado pela estrutura “Na infinita negociação que é viver

Vamos supor que este segmento estivesse mais adiante. Nesse caso, a única possibilidade seria a mesóclise: “Sair-se-á melhor aquele que, na infinita negociação

que é viver, possuir uma sólida

.

22 - (ESAF/MPOG – Especialista Políticas Públicas/2005)

Julgue a afirmação abaixo em relação às lacunas do texto.

, conquistados se efetivam para a quase totalidade dos assalariados. Mas a situação

os novos direitos

Enquanto houver falta de força de trabalho,

a)

c)

Nessas fases da conjuntura, a competição pelos poucos empregos

disponíveis faz com que

podem fazer trabalhando como “informais”. É o que estamos assistindo hoje no Brasil:

muda completamente

b)

e

d)

, o

que

31

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

, um número ainda maior trabalha sem registro e sem os

direitos consignados na CLT.

(Paul Singer, Folha de S. Paulo, 30/04/2005)

- A primeira lacuna poderia ser preenchida, com correção gramatical, coesão e coerência textuais, por qualquer das propostas a seguir.

1. que caracteriza períodos de intenso crescimento econômico

2. que distingue-se a economia em ritmo de aceleração

e)

ITEM ERRADO

Comentário.

O pronome relativo “que” é uma palavra invariável, que tem o condão de atrair o

pronome para antes do verbo. Além desse fator, temos, nesse caso, uma oração subordinada adjetiva, um dos casos de próclise obrigatória.

Assim, além de se observar um prejuízo em relação à coerência textual, a proposição 2 apresenta o erro de colocação do pronome “se”, exigindo-se a próclise: que se distingue.

23 - (ESAF/MPOG – Especialista Políticas Públicas/2005)

Aponte a opção que finaliza com correção gramatical o trecho abaixo.

O

desenvolvimento científico e tecnológico tem, de fato, uma coerência imanente

fundamental. O seu temido desvirtuamento decorre sempre de fatores acidentais,

alheios portanto à sua lógica intrínseca e fatal que, levada às últimas conseqüências, é sempre a favor e não contra o homem, porquanto não somente somos parte integrante do processo, mas o seu remate. Se a televisão, por exemplo, pode revelar-

se

aborrecida ou nociva,

(Lúcio Costa, “O novo humanismo científico e tecnológico”)

a)

não é que o deve ser necessariamente, mas porque o critério do seu emprego a

torna assim.

b)

não é que deva sê-lo necessariamente, mas por que o critério do seu emprego a

torna assim.

c) não é porque seja-o necessariamente, mas por que o critério do seu emprego torna- a assim.

d)

não é que a deve ser necessariamente, mas porque o critério do seu emprego

torna-a assim.

e)

não é que deve sê-la necessariamente, mas por que o critério do seu emprego

torna-a assim.

Gabarito: A

Comentário.

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

Além do aspecto semântico, devemos observar a correção gramatical. Para aumentar nossas chances de acertar a questão, vamos eliminar os itens que apresentam erros gramaticais.

As opções b, c e e indicam o vocábulo por que (separado), que é um pronome interrogativo ou uma preposição acompanhada de pronome relativo (assunto da aula de CONJUNÇÃO).

Na oração, deve ser usada uma conjunção de valor explicativo, que se escreve em um só vocábulo: porque.

Na opção d, há erro de emprego do pronome "a", quando, conforme veremos, deveria "

ficar "neutro", por ser vicário: "não é que O DEVE ser necessariamente

Só com essa análise gramatical, teríamos chegado à resposta – a única correta seria opção A.

Para fins didáticos, iremos avaliar o aspecto semântico da construção e a função de seus elementos. É preciso, antes de tudo, compreender o texto. Para isso, precisamos vencer alguns obstáculos, quais sejam: o emprego de vocábulos desconhecidos por nós. Alguns são essenciais, outros não.

Glossário:

Imanente – algo sempre presente, inseparável;

Porquanto – conjunção de valor causal, equivalente a porque (aguarde a aula sobre CONJUNÇÃO para receber uma dica de como memorizar o sentido dessa conjunção, sempre presente nas provas da ESAF);

Remate – acabamento, fim, e, em linguagem conotativa, cume, auge, ponto máximo.

Fala-se da coerência própria do desenvolvimento científico e tecnológico, de seu desvirtuamento e das consequências disso, sempre a favor do homem, que é não só parte, mas também fim desse processo.

A partir disso, aborda-se o papel da televisão nesse contexto.

Para compreendermos a função do pronome demonstrativo o em “não é que o deve ser necessariamente”, vamos dissecar a passagem:

“Se a televisão, por exemplo, pode revelar-se aborrecida ou nociva, não é que necessariamente deve (a televisão) ser assim (aborrecida ou nociva), mas porque o seu emprego (emprego da televisão) a torna (torna a televisão) assim (aborrecida ou nociva).”

Afinal, qual a função do pronome demonstrativo “o” em “não é que o deve ser”? Retomar a ideia de que “a televisão pode revelar-se aborrecida ou nociva”.

Veja a seguir mais um exemplo de pronome em função vicária.

24 - (ESAF/SEFAZ SP/2009)

Com base no texto, analise a proposição a seguir.

1. É certo que houve expansão da frota, tanto de carros,

como de caminhões e ônibus. Mas isso é muito pouco

para explicar a verdadeira chacina na malha rodoviária

33

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

a que o país parece assistir de braços cruzados.

5. Cabe boa parte da culpa aos motoristas. Quem

viaja pelas estradas brasileiras não precisa ir longe

para constatar verdadeiros descalabros. Motoristas

dispostos a tudo mostram sua estupidez e total falta

de responsabilidade: trafegam em alta velocidade,

fazem ultrapassagens inconvenientes, andam pelo

10. acostamento, usam faróis altos e frequentemente

dirigem alcoolizados.

(Estado de Minas, Editorial, 6/1/2009.)

- O termo “isso”(.2) retoma as informações do período antecedente.

ITEM CERTO

Comentário.

O pronome “isso” retoma todas as informações já apresentadas anteriormente: “houve

expansão da frota, tanto de carros, como de caminhões e ônibus”.

Por ser usado em referência a todo um período anterior, o pronome demonstrativo, em função vicária (substitui todo o antecedente), mantém-se neutro – no singular masculino – “o deve ser”. Mas o que significa isso?

Esse papel vicário é exercido pelos pronomes demonstrativos quando substituem uma expressão, palavra e até mesmo uma ideia já apresentada anteriormente, evitando a repetição de vocábulos.

“Há muito tempo eu planejo sair de férias e vou fazê-lo no meio desse ano.”

fazê-lo = fazer isso = sair de férias

“Eu lhe jurei que seria fiel e vou sê-lo.”

sê-lo = ser isso – ser fiel

O pronome demonstrativo permanece neutro, sem flexão de gênero ou número, assim

como acontece com o “isso”.

Além dos pronomes, outras palavras podem fazer esse papel. Veja um exemplo de “verbo vicário”, dado por Aurélio: “Ele trabalha, mas não é tanto como diz.”.

O verbo SER substitui o verbo TRABALHAR na segunda oração, para evitar sua

repetição. Este é mais um instrumento de coesão textual.

25 - (ESAF/CGU-Técnico/2008)

Assinale a opção que completa com correção gramatical e propriedade vocabular as lacunas do trecho abaixo.

O governo não se preparou para fazer frente ao corte de receitas de R$ 40 bilhões.

―― (1) ―― buscar alternativas para compensar a morte anunciada, o Executivo

34

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

contou com os recursos como se fossem permanentes. ――――(2) ―――― a proposta orçamentária de 2008, ―――――(3) ――――― a previsão de arrecadação do tributo que, segundo a lei, estaria extinto.

(“Enterrar cadáveres”, Correio Braziliense, 15/1/2008, p. 16)

1

2

3

a) Ao invés

Comprova isso

onde inclui-se

b) No lugar de

Há prova disso

na qual tem

c) Em vez de

Prova disso

é onde tem

d) Em vez de

Prova-o

em que consta

e) No inverso de

É prova desse fato

que consta

Gabarito: D

Comentário.

Para começar, vamos distinguir “ao invés de” de “em vez de”. O primeiro somente pode ser usado quando estiver implícita a ideia de “contrário, inverso”: “Ao invés de se enfraquecer, ele voltou mais forte ainda.” (“fraco” é o inverso de “forte”, por isso o emprego está correto).

Já “em vez de” pode ser usado em qualquer circunstância, inclusive a de “inverso”. Por

isso, na dúvida, use “em vez de” e irá acertar sempre.

Na construção do texto, “buscar alternativas” não significa o inverso de “contar com os recursos como se fossem permanentes”. Por isso, eliminamos as opções “a” (“Ao invés”, que até omitiu a preposição “de”, que seria necessária se fosse possível o emprego da expressão) e “e” (“No inverso de”, expressão essa nunca antes vista por mim rs

Em relação ao segundo item, todos os pronomes (“isso”, “o” ou “esse”) foram usados em sua função vicária, já que é retomada a ideia apresentada anteriormente: “o Executivo contou com os recursos como se fossem permanentes”. As sugestões das opções B e C provocam prejuízo para a estrutura oracional (“Há prova disso a ”

proposta

O item A apresenta, no terceiro item, erro de colocação pronominal. A próclise é

obrigatória em orações subordinadas, e o pronome relativo “onde” inicia uma oração

subordinada adjetiva, devendo o pronome surgir antes do verbo: “

Usa-se “onde” quando o referente for LUGAR ou algo que se assemelhe a isso. “Forçando uma barra”, poderíamos até admitir o emprego de “onde” com o antecedente “proposta orçamentária”, mas a colocação do pronome impossibilitou a opção A.

Para atender ao rigor gramatical, não devemos usar o verbo TER no sentido de “existência”, ainda que os melhores escritores já o tenham feito (“No meio do caminho

tem uma pedra

Por fim, a regência do verbo CONSTAR aponta para a opção D, que aceita tanto a preposição DE quanto EM: “a previsão de arrecadação do tributo consta dessa / nessa proposta orçamentária”.

ou “Prova disso a proposta

),

devendo ser eliminadas.

onde SE inclui

.

).

Por isso, confirmamos a eliminação das opções B e C.

35

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

Assim, a opção correta é a D.

26 - (ESAF/AFC CGU/2006)

Assinale a opção que preenche as lacunas do texto de forma gramaticalmente correta e coerente.

O saldo da balança comercial (exportações menos importações) brasileira de 2005

alcançou US$ 44,76 bilhões, valor

2 ao desempenho expressivo das

3 US$ 24

positivo, 33% maior que o atingido em 2004,

1 registrado na história do país. O resultado

exportações e importações. As vendas externas tiveram incremento

bilhões no ano passado e fecharam 2005 com US$ 118,3 bilhões. Já as importações

totalizaram US$ 73,545 bilhões no ano passado. Os resultados recordes mostram

4 apesar da valorização do real frente ao dólar, a corrente de comércio do país

5 de crescer com a diversificação de pauta

exportadora, aumento do número de países que compram os produtos brasileiros e o crescimento da participação de estados com pouca tradição nas vendas externas.

(Em Questão, Subsecretaria de Comunicação Institucional da Secretaria-Geral da Presidência da República, n. 390, Brasília, 06 de janeiro de 2006)

1 / 2 / 3 / 4 / 5

a) não / se devem / demais de / -lhe / deixa

b) nunca antes / devem-se / mais que / -se / para

c) nunca / deve-se / superior a / que / pára

d) não / deveu-se / de mais de / cujo / cessa

e) nem / devia-se / maior que / qual / termina

(exportações mais importações) não

Gabarito: C

Comentário.

Vamos analisar lacuna por lacuna e eliminar as opções incorretas, como fizemos nas questões de CRASE.

1) A única opção que pode ser descartada seria a de letra E, pois a conjunção “nem”

prejudicaria a coerência textual.

2) O núcleo do sujeito é “resultado”. Assim, o verbo DEVER deve ficar no singular.

Com isso, podemos eliminar as opções A e B. Já temos 50% de chances de acertar,

pois só sobraram as opções C e D!!!

3) Essa lacuna não nos ajuda em nada, pois as duas opções restantes a preencheriam

adequadamente – “As vendas externas tiveram incremento superior a US$24 ”

bilhões

4) Opa! Que negócio é esse de preencher essa lacuna com “cujo”?

Essa é a nossa “deixa” para tratarmos dos PRONOMES RELATIVOS.

ou “As vendas externas tiveram incremento de mais de US$24 bilhões

.

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

O pronome relativo, como o próprio nome sugere, apresenta um referente, ou seja, um termo já mencionado, substituindo-o na oração adjetiva – “O número de candidatos que prestaram o concurso aumentou significativamente.” – o pronome relativo “que” está no lugar de “candidatos” (“os candidatos prestaram o concurso”).

Sem dúvida, dos pronomes, o relativo é o mais recorrente em questões de prova e, dos pronomes relativos, o “cujo” mais solicitado – ganha em disparada em todos os concursos públicos do Brasil. Por isso, é tão importante seu estudo e domínio de seu conceito.

Os pronomes relativos referem-se a termos antecedentes. Já falamos sobre concordância e regência com pronomes relativos.

Agora, veremos quais são esses pronomes e como devem ser empregados na oração subordinada adjetiva que iniciam, especialmente em relação aos seus referentes e ao emprego de preposição porventura necessária.

Vamos ver as características dos pronomes relativos.

QUE

Pode ser usado com qualquer antecedente, por isso é chamado de

“pronome relativo universal” ou “pronome relativo básico”. Normalmente

é

empregado em relação a “coisa”, já que os demais referentes têm

pronomes relativos específicos (lugar, quantidade, modo, pessoa). É o

“genérico” dos relativos (rs monossilábicas, exceto sem e sob.

).

Aceita somente preposições

O QUAL

Assim como “que”, pode ser usado com qualquer antecedente. Aceita preposição com duas ou mais sílabas, locuções prepositivas, além de sem e sob (rejeitadas pelo “que”).

(e flexões)

É

usado

quando

o

referente

se

encontra

distante

ou

para

evitar

ambiguidade: Visitei a tia do rapaz que sofreu o acidente.

 

Quem se acidentou? O rapaz ou a tia dele? Para evitar a dúvida, uso “o qual” para ele ou “a qual” para ela.

QUEM

Somente usado com antecedente PESSOA. Sempre virá antecedido de preposição – Ele é o rapaz de quem lhe falei.

ONDE

Utilizado quando o referente for lugar, ou qualquer coisa que a isso se assemelhe (livro, jornal, página etc.) – “A gaveta onde guardei o dinheiro foi arrombada.”; pode ser substituído por “em que”. Fica em segundo lugar na disputa de ocorrências em provas.

COMO

Usado com antecedente que indique MODO ou MANEIRA – O jeito como escreve mostra a pessoa que é.

QUANDO

O

antecedente dá ideia de TEMPO, também equivalente a “em que” –

Época de ouro era aquela, quando todos andavam tranquilos pelas ruas.

QUANTO

O

antecedente dá ideia de QUANTIDADE - normalmente precedido de um

pronome indefinido (tudo, tanto(s), todos, todas) – Tenho tudo quanto quero. Leve tantos quanto quiser.

Finalmente, o mais especial de todos:

37

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

CUJO

Liga dois substantivos indicando relação entre eles (entre os substantivos, haveria uma preposição de) – (“A mãe do rapaz faleceu.” + “O rapaz procurou por você.” “O rapaz cuja mãe faleceu procurou por você.”); concorda com o substantivo subsequente, flexionando-se em gênero e número, e dispensa o artigo (não existe “cujo o” ou “cuja a”).

(e flexões)

DICA:

Ao usar o pronome relativo, verifique:

1 – qual deve ser o pronome mais adequado, a depender do antecedente (coisa, pessoa, tempo, modo, lugar );

2 – se o algum termo na oração adjetiva exige preposição.

Na aula passada, falamos sobre a diferença entre CONJUNÇÃO INTEGRANTE e PRONOME RELATIVO.

Será que você ainda se lembra dessa distinção?

O

ADJETIVO.

Agora, quando podemos trocar toda a oração iniciada pelo QUE pelo pronome ISSO, é sinal de que se trata de uma CONJUNÇÃO INTEGRANTE, e a oração que ela inicia tem valor substantivo.

Agora volte ao texto e faça o teste:

“Os resultados recordes mostram

frente ao dólar, a corrente de comércio do país ”

“Os resultados recordes mostram ISSO.”

Então, a palavra que irá preencher a lacuna 4 será uma conjunção integrante “que” (só existem duas conjunções integrantes: “se” e “que”).

Pronto! Resolvemos a questão da prova – o gabarito é a letra C.

Veremos, na sequência, outra questão de prova da ESAF que tratava dessa diferença entre PRONOME RELATIVO e CONJUNÇÃO INTEGRANTE, aliás a que já foi usada na aula sobre Regência e Crase.

pronome relativo retoma um antecedente, e a oração que inicia tem valor

4 apesar da valorização do real

Só para encerrarmos o comentário, note o acento agudo na conjugação do verbo PARAR: pára. Ainda se lembra do nome do bendito? Acento diferencial, para

distingui-lo da preposição “para”. Lembre-se, também, que esse acento diferencial

CAIU, MORREU, ESCAFEDEU-SE

Os únicos dois que se mantiveram com a

“reforma ortográfica” foram “pôr” (verbo) e “pôde” (pretérito perfeito do indicativo do

verbo PODER).

rs

27 - (ESAF/AFC STN/2005)

A respeito de aspectos lingüísticos do trecho abaixo, analise a proposição.

1. Só mais tarde alcancei compreender que a inteligência

38

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

pode trabalhar até ao fim inteiramente alheia aos

graves problemas religiosos que confundem o pensador

que os quer resolver segundo a razão, se

5. nenhum choque exterior veio perturbar para ela

solução recebida na infância. A dúvida não é sinal de

que o espírito adquiriu maior perspicuidade, é às

vezes um simples mal-estar da vida.

(Joaquim Nabuco, Minha formação)

- Os dois primeiros quês do texto, em “que

confundem”( .3) são ambos pronomes relativos.

a inteligência”( .1

e

2)

e

em “que

ITEM ERRADO

Comentário.

Mudança ortográfica: não há trema em “linguísticos”.

Toda a oração iniciada pelo primeiro “que” pode ser substituída pelo “ISSO”.

“Só mais tarde alcancei compreender ISSO.”

Então,

substantiva.

Já o segundo “que” retoma o antecedente “graves problemas religiosos”. Então, é um pronome relativo, que inicia uma oração subordinada adjetiva.

E aí, isso já está no sangue? Tem de estar porque, como você vê, isso é comum de ser cobrado em prova. E não venha me dizer que já está cansado de saber disso – não me convence! Irei repetir quantas vezes achar necessário, viu?

Aliás, até a banca da ESAF já se confundiu, o que levou à anulação de uma questão de prova. Veja a seguir.

é

uma

conjunção

integrante,

que

inicia

uma

oração

subordinada

28 – (ESAF/AFRF/2002-2)

1.Em artigo publicado na década de noventa, o

professor Paul Krugman explicava que todos

aqueles países que falavam inglês haviam

tido um desempenho econômico acima da

5. média de seus vizinhos e que o inglês estava

se tornando rapidamente a língua franca dos

negócios, do turismo e da internet. Assim, os

processos de fusão de empresas, tão comuns

naquele tempo, só teriam sucesso se

39

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

10. utilizassem o inglês como língua de integração

das corporações.

Julgue a seguinte proposição.

- As duas ocorrências da conjunção “que” (l.3 e 5) têm a função de demarcar o início das duas orações ligadas por “e”(l.5), mas, sintaticamente, o segundo que pode ser omitido

ITEM ERRADO (QUESTÃO ANULADA)

Comentário.

O examinador analisa as ocorrências do pronome “que” de linhas 3 e 5.

Ele afirma serem duas CONJUNÇÕES, mas vamos ver se ele está certo disso:

-

linha

3:

aqueles países que falavam inglês haviam tido um desempenho

econômico

– a palavra que retoma o substantivo “países” (a oração adjetiva, com a

troca, seria “países falavam inglês”). Então, isso não é uma conjunção, mas um

PRONOME RELATIVO;

- linha 5:

desempenho econômico acima da média de seus vizinhos e que o inglês estava

são dois os complementos verbais de EXPLICAR, sendo o segundo aquele iniciado pelo “que” da linha 5 (em negrito). Como podemos trocar toda a oração iniciada por ele

pelo pronome ISSO (“

acertou: é uma conjunção integrante.

ISSO), vemos que, neste ponto, o examinador

[explicava que todos aqueles países que falavam inglês haviam] tido um

explicava

Como errou na indicação do primeiro, a opção estava INCORRETA, o que acabou provocando a anulação da questão.

29 - (ESAF/MP ENAP – SPU/2006)

Assinale a opção em que há emprego indevido de palavra.

a) O desmatamento nos nove estados da Amazônia Brasileira caiu 31% no período

2004/2005, passando de 27.200 km2 para 18.900 km2.

b) A redução na derrubada da floresta foi anunciada pelo Ministério do Meio Ambiente,

com base em levantamentos realizados por satélite sob a orientação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

c) A última queda no índice havia ocorrido entre 1996-1997, onde o volume de floresta abatida caiu 27%.

d) Os dados apontam queda acentuada do desmate nas áreas próximas à rodovia

Cuiabá-Santarém (BR-163), onde houve maior intervenção do Governo Federal por meio do Plano de Ação Para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia, do qual participam 13 ministérios.

e) Os números também indicam leve crescimento do desmatamento apenas no sudeste do Pará e no sul do Amazonas. É a primeira vez, em 17 anos de monitoramento da Amazônia, que os dados sobre desmatamento são apresentados no mesmo ano em que são levantados.

40

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

(Adaptado de Em Questão n. 381 - Brasília, 07 de dezembro de 2005)

Gabarito: C

Comentário.

O erro da opção C está em usar o pronome relativo ONDE sem que o antecedente seja

um lugar ou algo que a isso se assemelhe.

Em “A última queda no índice havia ocorrido entre 1996-1997, onde o volume de

floresta abatida caiu 27%.”, o antecedente é um período de tempo (“entre 1996-

1997), sendo apropriado o uso de “quando”: “ quando o volume de floresta abatida caiu 27%.”.

Compare, agora, com a ocorrência do “onde” na opção D:

d) “Os dados apontam queda acentuada do desmate nas áreas próximas à rodovia

Cuiabá-Santarém (BR-163), onde houve maior intervenção do Governo Federal

agora sim! O referente são as “áreas próximas à rodovia Cuiabá-Santarém” – um

lugar. Neste caso, podemos usar o relativo “onde”. Aqui está correto.

havia

ocorrido entre 1996-1997,

30 - (ESAF/MF – Processo Seletivo Interno/2008)

1. Construída uma ciência ou uma teoria científica,

mesmo com os maiores cuidados para garantir a

sua objetividade, existe sempre o risco de que esse

conhecimento científico possa ser usado de maneira

5.ideologicamente implementada.

Atualmente, um dos graves problemas que enfrenta

o cientista é o emprego ideológico e técnico de sua

produção. Isto está criando grande sensibilidade

não apenas nos países desenvolvidos, mas também

10. em países como o nosso, onde a pesquisa científica

procura um lugar de destaque, mas também enfrenta o

risco de ser ideologicamente manipulada.

Mesmo sem renunciar a nossas ideologias particulares,

podemos ignorar ou reduzir as influências ideológicas

15. para produzir resultados cientificamente objetivos.

Todos conhecemos os benefícios que acarretam ao

homem a informática, a biotecnologia e a pesquisa

nuclear. Pode-se reduzir o esforço do trabalhador,

podem ser encontradas novas técnicas de alimentação

20. e consegue-se dominar doenças graves. Contudo

41

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

essas ciências e muitas outras podem ser usadas

para informatizar a guerra, criar o desemprego através

da robotização, produzir transtornos nas espécies

biológicas e auxiliar a construção de bombas.

(Adaptado de Carlos Lungarzo. O que é ciência, p. 83-84)

Analise a opção a respeito das estruturas lingüísticas do texto.

- Embora o conectivo “onde”(l.10) admita, nessa estrutura, ser substituído por no qual ou em que, seu emprego obedece às regras da norma culta da Língua Portuguesa.

ITEM CERTO

Comentário.

Dessa vez, a banca acertou. Como o referente implícito é PAÍS (“

nosso [país], onde a pesquisa ou “em que”, indistintamente.

em países como o

poderia ser empregado o relativo “onde”, “no qual”

),

31 - (ESAF/AFC STN/2005) Indique a opção que contém o único segmento correto do texto abaixo.

No que diz respeito à responsabilidade dos administradores decorrente da cessão de quotas, não pode o mesmo ser responsabilizado, uma vez que é direito do sócio

desfazer-se de suas quotas, salvo nos casos que haja previsão vedatória no contrato, e

o administrador tenha mostrado-se negligente, agindo com culpa, onde passará a responder solidariamente com o sócio cedente.

a) No que diz respeito à responsabilidade dos administradores

b) não pode o mesmo ser responsabilizado

c) salvo nos casos que haja previsão vedatória

d) tenha mostrado-se

e) onde passará a responder

Gabarito: A

Comentário.

Vejamos os erros das demais opções.

b) Não há respaldo para o emprego do vocábulo mesmo (e variantes) no lugar de

um substantivo, como se observa atualmente na linguagem coloquial.

Isso parece ter virado uma febre nacional. Vamos, então, tomar um “antitérmico gramatical” rs

42

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

Para evitar esse tipo de construção, sugerem os gramáticos a substituição por pronomes pessoais ou demonstrativos, por um sinônimo ou até mesmo a repetição da palavra. Uma opção para a passagem seria:

não pode o sócio ser responsabilizado, uma vez que é seu direito desfazer-se

Contudo, não vá eliminando essa palavra do seu léxico. Quando acompanha um substantivo ou pronome, como pronome demonstrativo, serve para realçar e com eles concorda: “Eles mesmos fizeram a casa.”. / “Ela se esqueceu de si mesma.”

Neste caso, é sinônimo de “próprio”.

Também pode ser usado como advérbio (equivalente a “realmente, de fato”: “O que eu

eu também!) ou como a palavra denotativa

de inclusão, como “inclusive, até” (Mesmo o mais inocente dos homens percebeu

aquela maldade.”).

Nesses dois casos, é INVARIÁVEL, ou seja, não se flexiona (“MESMO os mais ”

inocentes

Uma última ocorrência de “mesmo” é na expressão “o mesmo”, no sentido de “a mesma coisa”: “Eu sinto o mesmo por você.”. Essa também é uma construção invariável. Na aula passada, vimos um desses exemplos na questão 33. Se quiser, volte àquele material e analise.

c) Há dois erros na passagem: um de regência e outro de ortografia.

queria MESMO era estar na praia.”

.

ah

ou “O que eles queriam MESMO era

).

Substituindo o relativo “que” pelo antecedente (casos), a oração seria: “haja previsão NESSES CASOS”. Assim, é necessário o emprego da preposição “EM” antes do relativo: “salvo nos casos em que haja previsão

O segundo problema é que não existe registro formal da palavra VEDATÓRIA. O

que serve para vedar é VEDANTE (adjetivo de dois gêneros). Também existe outra parecida: “VEXATÓRIA”, que deriva de “vexar” e significa “causadora de vexame,

tormento”. Se não estiver acreditando no que eu afirmo (olha lá, hem???

uma olhadinha no sítio da ABL (vou até facilitar sua vida: o link é

www.academia.org.br.).

d) Problema de colocação pronominal – não se emprega pronome oblíquo após particípio.

e) Olha o uso indevido do “onde” (acabamos de falar sobre isso

Podemos usar “quando”, já que se refere a um dado momento, o da ocorrência da

culpa (“

quando passará a responder solidariamente com o sócio cedente.”). Neste

caso, “quando”, como não possui referente, não é pronome relativo, mas uma

conjunção adverbial, iniciando uma oração indicativa de tempo, momento.

rs

),

).

32 - (ESAF/TCU/2006)

Assinale a substituição necessária para que o texto fique gramaticalmente correto.

A situação social, política e econômica em que se encontra a população negra é

conseqüência de um longo processo estrutural-histórico do qual mudanças dependem de políticas públicas amplas e pautas muito além das formulações dos preconceitos ou das discriminações do racismo como têm sido dadas. Aprofundar a base teórica

43

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

significa aprofundar o campo das ações nas áreas do trabalho, da habitação, do urbanismo, da economia, da saúde, da cultura e da educação.

(Henrique Cunha Jr. “Novos caminhos para os movimentos negros” in Política

Democrática - Revista de Política e Cultura, Brasília: Fundação Astrogildo Pereira, Ano

V, n. 12, agosto de 2005.)

a) em que (l.1) > na qual

b) do qual (l.3) > cujas

c) de um (l. 2) > do

d) têm sido (l. 6) > são

e) nas ( l. 7) > em

Gabarito: B

Comentário.

Mudança ortográfica: não há trema em “consequência”.

O pronome relativo “cujo” é empregado entre dois substantivos que possuem uma

relação de dependência.

Note que, entre “mudanças” e “processo estrutural-histórico” (substantivos), há essa relação (mudanças do processo).

O emprego de “do qual” prejudicava essa relação. Assim, deve ser realizada essa

um longo

substituição com vistas à correção do período: “

processo estrutural-histórico CUJAS mudanças [mudanças do processo estrutural- histórico] dependem de políticas públicas amplas e pautas

As demais opções apresentam sugestões em que não se verifica erro no texto original.

conseqüência(*)

de

33 - (ESAF/SEFAZ CE/2007)

Foram introduzidos erros morfossintáticos, de pontuação e/ou de falta de paralelismo em artigos do Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado do Ceará. Analise a correção gramatical do artigo abaixo.

- Os deveres do funcionário são gerais, quando fixados neste Estatuto e legislação complementar, e especiais, cujos são as peculiaridades das atribuições funcionais.

ITEM ERRADO

Comentário.

Essa é a questão típica da ESAF em pronomes relativos.

O pronome relativo “cujo” (e derivados) serve como elo entre dois substantivos que

possuam relação (o livro CUJO autor = o autor do livro / o aluno cuja mãe = a mãe do aluno).

44

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

Na presente construção, o pronome relativo foi usado indevidamente, pois não apresentava sem nenhum substantivo subsequente, prejudicando, assim, a coerência textual.

34

- (ESAF/AFRF/2005)

O

advento da moderna indústria tecnológica fez com que o contexto em que passa a

dispor-se a máquina mudasse completamente de configuração. Entretanto, tal mudança obedece a certas coordenadas que começam a ser pensadas já na antiga Grécia, que novamente se relacionam com a questão da verdade. É que a verdade, a partir de Platão e Aristóteles, passa a ser determinada de um modo novo, verificando- se uma transmutação em sua própria essência. Desde então, entende-se usualmente a verdade como sendo o resultado de uma adequação, ou seja, a verdade pode ser constatada sempre que a idéia que o sujeito forma de determinado objeto coincida com esse objeto.

(Gerd Bornheim. Racionalidade e acaso. fragmento)

Assinale a opção correta a respeito do uso das estruturas lingüísticas do texto.

- Preservam-se as relações de sentido entre “contexto” (l.1) e “máquina” (l.2) com a substituição do pronome relativo “que” (l.1) por qual, mantendo-se obrigatória a presença de “em”.

ITEM ERRADO

Comentário.

Mudança ortográfica: não há trema em “linguísticas”, nem acento agudo em “ideia".

Estaria tudo perfeito e maravilhoso não fosse um “pequeno detalhe”: a contração da preposição “em” (original do texto) com o “o” do pronome relativo “o qual”, que veio substituir o relativo “que”.

o

É por essas e outras que você DEVE voltar ao texto e aplicar a sugestão examinador faz:

O advento da moderna indústria tecnológica fez com que o contexto EM QUAL (?!?!?!) passa a dispor-se a máquina mudasse completamente de configuração.”

O correto seria:

mudasse completamente de configuração.”

fez com que o contexto NO QUAL passa a dispor-se a máquina

que

Esse “detalhe” fez toda a diferença para a correção do período.

35 - (ESAF/Auditor-Fiscal do Trabalho/2006 - adaptada)

Analise a assertiva.

No atual estágio da sociedade brasileira, se se deseja um regime democrático, não basta abolir a necessidade de bens básicos. É necessário que o processo produtivo seja capaz de continuar, com eficiência, a produção e a oferta de bens considerados supérfluos. Em se tratando de um compromisso democrático, uma hierarquia de

45

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

prioridades deve colocar o básico sobre o supérfluo. O que deve servir como incentivo para a proposta de casar democracia, fim da apartação e eficiência econômica em geral é o fato de que o potencial econômico do país permite otimismo quanto à possibilidade de atender todas essas necessidades, dentro de uma estratégia em que o tempo não será muito longo.

(Adaptado de Cristovam Buarque, Da modernidade técnica à modernidade ética, p.29)

- É possível substituir a relação expressa por “em que o tempo” (l. 8 e 9) pela relação expressa por cujo tempo, pois essa proposta de alteração para o texto não provoca erro gramatical e/ou incoerência textual

ITEM CERTO

Comentário.

Olhe a malandragem da banca.

O examinador exige apenas CORREÇÃO GRAMATICAL e COERÊNCIA TEXTUAL. Nada

fala sobre MUDANÇA DE SENTIDO (alteração semântica).

Por isso, esse item estava CORRETO. Há mudança de sentido na troca de “dentro de uma estratégia em que o tempo não será muito longo” por “dentro de uma estratégia CUJO tempo não será muito longo”.

No primeiro, a oração adjetiva seria: “o tempo não será muito longo NESSA ESTRATÉGIA”, ao passo que, a partir da troca, seria: “o tempo DA ESTRATÉGIA não será muito longo”.

Mudança de sentido, sim, houve, mas prejuízo à coerência textual ou à correção gramatical, não. Por isso, a troca seria plenamente válida, de acordo com o enunciado.

36 - (ESAF/AFC CGU/2004)

1. Os gregos não possuíam textos sagrados

nem castas sacerdotais. Graças à literatura de

Homero, produzida oito séculos antes de

Cristo, os gregos se apropriaram de uma ferramenta

5. epistemológica que, ainda hoje, nos

dá a impressão de que eles intuíram todos os

conhecimentos que a ciência moderna viria a

descobrir. O que seria de nossa cultura sem a

matemática de Pitágoras, a geometria de Euclides,

10. a filosofia de Sócrates, Platão e Aristóteles?

O que seria da teoria de Freud sem o

teatro de Sófocles, Eurípedes e Ésquilo?

Os hebreus imprimiram ao tempo, graças

46

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

aos persas, um caráter histórico e uma natureza

15. divina. E produziram uma literatura monumental

– a Bíblia –, que inspira três grandes

religiões: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

Tira-se o livro dessas tradições religiosas

e elas perdem toda a identidade e o propósito.

(Frei Betto)

Julgue a assertiva abaixo.

- O emprego da primeira pessoa em “nos dá” (l.5 e 6) e em “nossa cultura”(l.8)

confere ao trecho um aspecto interativo em relação ao leitor, inserindo-o no texto.

ITEM CERTO

Comentário.

Muitas vezes, o autor, para tornar o texto o mais próximo possível do leitor (em busca, inclusive, de sua aprovação), emprega elementos que o incluem no discurso, dentre eles o emprego das formas verbais na 1ª pessoa do plural (nós). Trata-se de um recurso estilístico muito comum em textos argumentativos. Nesse caso, todos os

termos (verbos, adjetivos

seus leitores. O sujeito, portanto, são todos eles.

Não confunda esse “apelo linguístico” com outro recurso estilístico: o plural de modéstia, também conhecido por “plural majestático”. Esse é um recurso muito comum a oradores, para tornar o discurso menos personalista e mais coletivo. Realiza- se uma concordância ideológica conhecida como “silepse de número” (plural no lugar do singular), usando, em vez do pronome da 1ª pessoa do singular, a 1ª pessoa do plural, ainda que só se refira a UMA PESSOA (a que fala/escreve). Agora, o verbo

mas o

se referem a “nós”, grupo do qual fazem parte o autor e

)

realiza a concordância com o pronome pessoal “nós” (“Nós ficaríamos

adjetivo – porventura existente - permanece no singular, a realizar a concordância

como o “eu” ideológico (“Nós ficaríamos FELIZ se pudéssemos contar com sua compreensão.” – é isso mesmo: FELIZ!!!).

Perceba que, ao contrário do evento explorado na questão, em que o autor inclui seus leitores no grupo, formando “nós” e levando todos os elementos para o plural (“Nós não podemos ficar inertes diante de tal fato.”), no plural majestático o sujeito é UM SÓ: quem profere tais palavras. Assim, ocorre um fato inusitado: um aparente desvio de concordância entre o verbo (no plural) e o adjetivo (no singular), mas – acredite no que eu digo – essa estrutura está correta!!! (rs )

”),

37 - (ESAF/MPOG – EPPGG/2009)

1. Exatamente na medida em que não mais podemos

identificar um paradigma dominante em nosso contexto

de pensamento – referência básica para nossos

projetos científicos, políticos, éticos, pedagógicos e

47

www.pontodosconcursos.com.br

CURSO ON-LINE – PORTUGUÊS EM EXERCÍCIOS P/ RECEITA FEDERAL QUESTÕES COMENTADAS DA ESAF PROFESSORA: CLAUDIA KOZLOWSKI

5. mesmo estéticos – é que nos caracterizamos como

vivendo uma crise de paradigmas, e até mesmo

uma crise da própria necessidade e possibilidade

de um paradigma hegemônico. Estamos, portanto,

em busca de caminhos, de respostas. A história

10. das ideias e, mais especificamente, a história da

ciência nos revelam, entretanto, que os períodos

de crise são extremamente férteis porque

abrem novas possibilidades ao pensamento.

Nesse sentido, eles permitem o surgimento de

15. alternativas aos modos de pensar anteriores.

(Danilo Marcondes, A crise de paradigmas e o surgimento da Modernidade. In: Zaia Brandão (org.), A crise dos paradigmas e a educação. São Paulo: Cortez, 1994, p.28- 29, com adaptações)

Com base no texto acima, julgue a assertiva a seguir.

- Na organização da argumentação, a retirada do pronome “eles” (l.14) provocaria dificuldade de interpretação do texto porque seu referente está muito distante:

“nossos projetos científicos” (l. 3 e 4).

ITEM ERRADO

Comentário.

Mais uma vez, o examinador busca a identificação dos referentes de pronomes. No caso, o pronome reto “eles” retoma “períodos de crise”, conclusão a que se chega a partir da interpretação do texto:

“Estamos, portanto, em busca de caminhos, de respostas. A história das ideias e, mais especificamente, a história da ciência nos revelam, entretanto, que os períodos de crise são extremamente férteis porque abrem novas possibilidades ao pensamento. Nesse sentido, eles [= os períodos de crise] permitem o surgimento de alternativas aos modos de pensar anteriores.”

38 - (ESAF/MPOG – EPPGG/2009)

Em relação ao uso das estruturas linguísticas no texto, julgue a assertiva.

1. É próprio das grandes crises despertar o potencial

criativo dos governos para reduzir-lhes os efeitos e, se

possível, contorná-las. No Brasil, a utilização de meios

inovadores para conter consequências mais dramáticas

dos graves desacertos nas finanças internacionais

5. prodigalizou, também, lições úteis a mudanças