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Ciência Política – Voto obrigatório vs Voto facultativo Questão: Os dados apresentados na pesquisa abaixo reforçam os argumentos usados pelos

defensores do voto facultativo ou, pelo contrário, reforçam os argumentos dos defensores do voto obrigatório?
Baseado em texto de Renato Janine Ribeiro

Renato Janine Ribeiro argumenta, primeiramente, que um ponto forte dos que defendem o voto facultativo está no que ele chama de “mal-estar”, referindo-se ao incômodo que a obrigação representa. Esta obrigatoriedade passaria certa sensação de “menoridade” por parte dos cidadãos, pois este precisa comprovar o cumprimento de sua obrigação legal, precisa comprovar junto ao empregador do setor público que votou. Nos dados apresentados na Folha de São Paulo em maio de 2010, afirma-se que, se o voto não fosse obrigatório no Brasil, 55% dos entrevistados votariam contra 44% que não votariam. Apesar de uma pequena maioria dizer que votaria mesmo não tendo a obrigação, este dado pode ser relacionado com o argumento da obrigação. Com o voto não sendo obrigatória, teríamos, então, algo uma redução próxima a 44% do número de eleitores que deveriam comparecer às urnas caso tivessem que votar (teoricamente). Em seguida, Renato Ribeiro lista alguns argumentos daqueles que são contra o voto obrigatório. Ele nos fala de um argumento pragmático, referindo-se aos eleitores que não têm consciência política, e, por isso, votariam de maneira aleatória ou nos “piores” candidatos. Desta forma, se dispensarmos estes cidadãos do ofício de votar, o resultado das eleições seria melhor, eliminando, assim, o “voto fortuito”. Seria mantido apenas o voto convicto. Janine fala ainda que se reduziria o peso da propaganda e da boca de urna, além de reduzir também o peso dos currais eleitorais em que muitos ainda votam pressionados pelos mais poderosos. No entanto, logo em seguida, o mesmo Janine faz uma contraposição a este ponto. Ele diz que outras maneiras de compulsão ainda continuariam em vigor. Seria provável que o fim do voto obrigatório mantenha como eleitores aqueles que pertencem aos “currais” do interior, diminuindo o peso da massa urbana e causando um efeito contrário ao que almejam as pessoas em favor do voto facultativo. Os dados da Folha de São Paulo argumentam em favor do lado pragmático do debate. Afirma-se que 62% das pessoas que recebem mais de dez salários, 66% das pessoas que recebem entre cinco e dez salários e 65% dentre os mais escolarizados são os que mais iriam às urnas caso o voto fosse facultativo. Os 52% mais pobres e menos escolarizados são os que menos votariam. Isto demonstra uma redução dos “votos furtuitos”, partindo do pressuposto de que os menos escolarizados estariam menos preparados a votar. No entanto, A Folha de São Paulo ainda nos mostra que os mais ricos e os mais escolarizados – 59% ambos- são os mais favoráveis ao voto facultativo. Os mais pobres e menos

são os mais favoráveis ao voto obrigatório. Isto mostra que os dados das pesquisas dizem que não existe um real consenso entre o fim ou não da obrigatoriedade do voto. Isto reforça o argumento de que os currais formados pela influência dos mais poderosos sobre os mais pobres e menos escolarizados existe e. Isto pode sugerir certa consciência para estas pessoas de que o voto obrigatório torna mais fácil a existência de políticas assistencialistas – como o “Bolsa Família” – ou de “incentivos” oferecidos por potenciais candidatos a cargos políticos. estes não preferem a obrigatoriedade do voto ao voto facultativo. por isso.escolarizados – 52% ambos. .