Você está na página 1de 30

CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIVATES CURSO DE DIREITO

CONTRATO DE SEGURO

Sabrina Regina Schneider

Lajeado, 08 de novembro de 2012.

CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIVATES

CURSO DE DIREITO

CONTRATO DE SEGURO

Sabrina Regina Schneider

Trabalho apresentado na disciplina de

DireitoCivil IV, do Curso de Direito, do

Centro UniversitárioUnivates, como

constituição da nota 03 do semestre

2012/B.

Professora: Eliane Fontana

Lajeado, 08 de novembro de 2012.

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

05

2 CONCEITO E ORIGEM

06

3 CARACTERÍTICAS E NATUREZA JURÍDICA

07

3.1 Bilateralidade

07

3.2 Onerosidade

07

3.3 Aleatoriedade

08

3.4 Consensualidade

08

3.5 Contrato de adesão

09

 

4 OBJETO

10

5 RISCO

10

6 ESPÉCIES

12

6.1

Seguros de dano

12

6.2Seguros de pessoa

13

 

7 PRÊMIO

15

8 MORA NO PAGAMENTO DO PRÊMIO

16

9 INDENIZAÇÃO E RATEIO

17

10 PARTES

19

10.1 Segurador

19

10.2 Segurado

19

11

OBRIGAÇÕES DO SEGURADO

20

12 OBRIGAÇÕES DO SEGURADOR

21

13 INSTRUMENTOS CONTRATUAIS

22

13.1 Proposta

22

13.2 Apólice ou bilhete de seguro

23

14 MULTIPLICIDADE DE SEGUROS: CO-SEGURO

24

15 RESSEGURO

24

16 SUB-ROGAÇÃO

25

17 EXTINÇÃO

26

18 PRESCRIÇÃO

27

19 CONCLUSÃO

29

20 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

30

1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho busca trazer uma abordagem que reúna as previsões legais e tratamento doutrinário do tema: contrato de seguro. Por sinal, matéria altamente em voga, devido a recorrente inclusão de novas ações judiciais que buscam deslindar questões acerca destes contratos.

CONTRATO DE SEGURO

2. CONCEITO E ORIGENS

O contrato de seguro tem origem a partir da necessidade de defesa dos bens patrimoniais, da vida ou da saúde humana. Teve seus primeiros desdobramentos na Idade Média, com a finalidade de proteger a atividade comercial marítima.

Os navegantes se organizavam em uma espécie de sociedade de contribuição mútua entre si, onde aquele prejudicado recebia dos demais subsídios necessários a aquisição de novos bens ou restituição do patrimônio dilacerado pelo prejuízo sofrido.

Atualmente, com o novo Código Civil de 2002, há regulamentação para a atividade das seguradoras, e define o contrato de seguro, basicamente, como um contrato bilateral que traz a obrigação para uma das partes (seguradora) de pagar a outra parte (segurado), ou terceiros afetados, mediante o pagamento do prêmio pelo segurado a seguradora, determinada quantia, no caso de ocorrer evento futuro que esteja previsto no contrato firmado entre eles.

O próprio artigo 757 do Código Civil de 2002, traz a definição nestes termos:

Art. 757. Pelo contrato de seguro, o segurador se obriga, mediante o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados.

Parágrafo único. Somente pode ser parte, no contrato de seguro, como segurador, entidade para tal fim legalmente autorizada.

3.

CARACTERÍSTICAS E NATUREZA JURÍDICA

3.1. Bilateralidade

A bilateralidade pressupõe duas partes para compor o contrato, além de obrigações

recíprocas e manifestação de vontade de ambos os contratantes.

No caso da contrato de seguro, há de se lembrar que uma obrigação é certa, que é

a do segurado de pagar o prêmio a seguradora, já a outra obrigação é eventual, por que a seguradora irá pagar a quantia devida ao segurado se houver evento futuro que esteja previsto no contrato. Do contrário, pode ocorrer que durante toda a execução apenas uma parte efetivamente tenha cumprido obrigações.

Conforme preceitua Arnoldo Wald (2004, pg. 603), considera-se bilateral o contrato de seguro por que ele cria deveres para ambas as partes, embora uma das prestações seja certa e a outra eventual.

Nestes termos, Silvio Venosa (2003, pg.377) também traz esta classificação ao contrato de seguro:

É bilateral e sinalagmático, porque depende da manifestação de vontade de ambos os contratantes, que se obrigam reciprocamente. O segurado assume a obrigação de pagar o prêmio e não agravar os riscos, entre outras. O segurador obriga-se a pagar o valor contratado no caso de sinistro.”

3.2. Onerosidade

Os contratos onerosos são identificados pela obtenção de benefícios em prol das partes, de forma recíproca.

No contrato de seguro as duas partes são oneradas e recebem proveito. O segurador onera-se quando assume a responsabilidade de pagar a quantia determinada na apólice ao segurado, ocorrendo o sinistro e recebe proveito ao segurado pagar-lhe o prêmio Já o segurado, onera-se quando paga o prêmio a

seguradora e é beneficiado ao receber da seguradora o valor da apólice, no caso da ocorrência do sinistro.

Silvio Venosa (2003), atribui a onerosidade do contrato, de forma sintética, ao fato de as duas partes estarem buscando vantagem patrimonial no negócio.

3.3. Aleatoriedade

Álea como a raiz da palavra traduz, significa sorte, acaso, risco. Os contratos aleatórios, em geral, caracterizam-se pela incerteza dos sacrifícios e vantagens que podem advir do contrato para ambas as partes.

Mesmo que pareça irônico, os contratos de seguros são naturalmente de riscos, aleatórios. Atribui-se a eles esta característica, pelo próprio fato, futuro e incerto, que motiva o contrato, e gera para a seguradora a obrigação de pagar a apólice ao segurado.

Em bem colocadas palavras, Venosa (2003, pg. 378), trata da característica de aleatoriedade do contrato de seguro:

“É tipicamente aleatório, por que sua origem gira em torno do risco. A prestação de pagar a indenização subordina-se a evento futuro e incerto. Em razão da álea que lhe é inerente, não há equivalência nas obrigações. No contrato de seguro, o fundamento da álea é a previdência do risco, a qual o distingue do jogo ou da aposta, nos quais o fundamento da álea é o intuito especulativo (Lopes, 1993, v.

4:401).”

3.4. Consensualidade

Os contratos dotados de consensualidade são aqueles que se perfectibilizam com o acordo de vontade entre as partes, ou como o próprio nome diz, com o consentimento. A partir disso, está formado o contrato.

Mas, no contrato de seguro, um dispositivo do Código Civil trouxe discussão para a doutrina acerca da consensualidade desta espécie de contrato. Dispõe o art. 758 do Código Civil de 2002:

Art. 758. O contrato de seguro prova-se com a exibição da apólice ou do bilhete do seguro, e, na falta deles, por documento comprobatório do pagamento do respectivo prêmio.

Parte da doutrina entende que o contrato de seguro somente se perfectibiliza com a emissão da apólice, e não apenas com a convenção das partes. Sendo assim, pode o contrato de seguro ser considerado solene.

Porém, com base no artigo 758 do Código Civil,a doutrina passou a considerar a apólice apenas uma prova pré-constituída, uma vez que, o dispositivo supra citado considera constituído o contrato desde que o segurador faça o lançamento da operação em seus livros, não sendo a apólice elemento essencial para a formação do contrato. Portanto, a falta da apólice pode ser suprida por outras provas.

Segundo Venosa (2003, pg. 379), a nova disposição consagra a jurisprudência, respaldada nos usos e costumes como já vinham admitindo. O documento que comprova o pagamento do prêmio serve para evidenciar a existência do seguro.

3.5. Contrato de adesão

Considera-se de adesão o contrato de seguro, uma vez que, principalmente o segurado, adere as condições da apólice (estas aprovadas e padronizadas por órgãos governamentais) com limitada margem de opção, no que diz respeito a discussão e flexibilização destas cláusulas e condições.

As cláusulas deste contrato estão predispostas, e o segurado não participa da sua elaboração.

Arnoldo Wald (2004, pg. 605), traz a característica de adesão deste contrato de forma sucinta e clara:

de adesão, pois o segurado não tem a possibilidade de discutir as cláusulas

contratuais com o segurador, podendo apenas aceita-las ou deixar de contratar. Muitas vezes, nem a liberdade de contratar, ou não, existe, pois a lei impõe a determinadas classes de pessoas o seguro obrigatório (acidentes de trabalho, de trânsito, e outros).”

é “

Vale ressaltar, conforme evidencia Venosa (2003, pg. 379), que o fato de serem adicionadas cláusulas manuscritas ou datilografadas não retira a característica de adesão do contrato de seguro, tendo em vista a disposição do art. 54, § 1º, do CDC:

“A inserção de cláusula no formulário não desfigura a natureza de adesão do contrato”.

4. OBJETO

Existem divergências na doutrina, acerca do objeto do contrato de seguro. Porém, a doutrina majoritária, entre Pontes de Miranda, Fran Martins, Orlando Gomes, Caio Mário, Silvio Venosa, e outros, convergem no sentido de que o objeto do contrato de seguro é o interesse segurável.

Temos portanto, um objeto imediato que é o interesse segurável e um objeto

mediato que é qualquer objeto lícito e possível que segurável.

interesse

dá origem ao

5. RISCO

Também considerado por algumas doutrinas como objeto do contrato de seguro, ele está sempre presente na formação do contrato, e é essencial a perfectibilização deste.

Tem-se como risco o acontecimento de evento futuro e incerto, previsto no contrato e suscetível de causar dano, como preleciona Venosa (2003, pg. 382).

Este evento futuro e incerto, quando ocorrer, previsto no contrato de seguro é chamado pelas seguradoras de sinistro.

Vale ressaltar, que os riscos não podem ser estendidos ou alargados, eles são exatamente aqueles previstos no contrato de seguro. Por exemplo, um contrato que protege contra incêndio não pode ser estendido a uma inundação ou vendaval.

Neste sentido, Carlos Roberto Gonçalves (ano, pg. 143) traz em sua doutrina:

“Os riscos cobertos pelo segurador são exclusivamente os constantes da apólice, dentro dos limites que ela fixar, não se admitindo interpretação extensiva nem analógica. Mas sendo de adesão o contrato, a interpretação deve ser feita em benefício da parte aderente, ou seja, do segurado, nos casos de dúvida.”

Consoante com o que dispõe o artigo 760 do Código Civil:

“Art. 760. A apólice ou o bilhete de seguro serão nominativos, à ordem ou ao portador, e mencionarão os riscos assumidos, o início e o fim de sua validade, o limite da garantia e o prêmio devido, e, quando for o caso, o nome do segurado e o do beneficiário.

Parágrafo único. No seguro de pessoas, a apólice ou o bilhete não podem ser ao portador.”

Havendo agravamento dos riscos por parte do segurado, ficará o segurador isento de pagar o prêmio. Este princípio está expresso no art. 768 do Código Civil. Em contrapartida, o segurador que tiver consciência, no momento da contratação, da inexistência do risco, deverá pagar em dobro o prêmio. Em razão do princípio da boa-fé dos contratos, é que o art. 773 do Código Civil traz esta regra no caso do segurador agir com conduta dolosa.

Venosa (2003, pg. 383) traz detalhes sobre a possibilidade de cobertura dos danos que resultam da tentativa de evitar o sinistro, minorar o dano ou salvar a coisa, como traz a regra do art. 779 do Código Civil:

“Art. 779. O risco do seguro compreenderá todos os prejuízos resultantes ou consequentes, como sejam os estragos ocasionados para evitar o sinistro, minorar o dano, ou salvar a coisa.”

Não há previsão do Código Civil de 2002 sobre a possibilidade de excluir esta cobertura, a partir de expressa declaração na apólice. Venosa (2003, pg. 383) entende que é o possível os contratantes convencionarem esta cláusula, suprimindo expressamente determinada categoria de prejuízos. Pode-se entender possível esta convenção, com base no princípio da autonomia da vontade que rege os contratos.

6.

ESPÉCIES

Mesmo havendo um conceito único e geral de contrato de seguro, este pode dividir- se em outras modalidades, em razão do seu tipo de reparação ou compensação. As espécies tratadas a seguir são as mais comuns abordadas pela maior parte da

doutrina do direito e trazidas expressamente pelo Código Civil em seus artigos 778 a

802.

6.1. Seguros de dano

Este tipo de seguro visa proteger o patrimônio de riscos geralmente provenientes de incêndios, transportes, roubos, acidentes. Podendo ser marítimo, terrestre ou aeronáutico.

O objetivo do seguro de dano é garantir ao segurado, até o limite máximo de garantia e de acordo com as condições do contrato, o pagamento de indenização por prejuízos, devidamente comprovados, diretamente decorrentes de perdas e/ou danos causados aos bens segurados, ocorridos no local segurado, em consequência de risco coberto.

Nos seguros de dano, a garantia prometida não pode ultrapassar o valor do interesse segurado no momento da conclusão do contrato, sob pena de perdê-la.

Neste sentido, Carlos Roberto Gonçalves (2008, pg. 353) preceitua:

O vocábulo garantia é empregado como sinônimo de cobertura dos riscos assumidos por um segurador.O contrato de seguro não se destina à obtenção de um

lucro. Ao celebrá-lo o segurado procura cobrir-se deeventuais prejuízos decorrentes de um sinistro, não podendo visar nenhum proveito.

Ainda, vale ressaltar algumas características do contrato de dano:

Salvo disposição em contrário, admite-se a transferência do contrato a terceiro com a alienação ou cessão do interesse segurado;

Se o instrumento contratual é nominativo, a transferência só produz efeitos em relação ao segurador mediante aviso escrito assinado pelo cedente e pelo cessionário;

A apólice ou o bilhete à ordem só se transfere por endosso em preto, datado e assinado pelo endossante e pelo endossatário.

6.2. Seguros de pessoa

Esta modalidade do contrato de seguro, como o próprio nome sugere, trata dos danos ocorríveis com a pessoa e engloba o conhecido seguro de vida e de acidentes pessoais.

Conforme definição geral, encontrada no site da SUSEP (Superintendência de Seguros Privados):

“Salvo disposição em contrário, admite-se a transferência do contrato a terceiro com a alienação ou cessão do interesse segurado.

Se o instrumento contratual é nominativo, a transferência só produz efeitos em relação ao segurador mediante aviso escrito assinado pelo cedente e pelo

cessionário. A apólice ou o bilhete à ordem só se transfere por endosso em preto, datado e assinado pelo endossante e pelo endossatário.”

Conclui-se, acerca do contrato de seguro de pessoa, que aquele que garante, mediante o prêmio anual que se ajustar, o pagamento de certa soma a determinada pessoa, por morte, incapacidade ou acidente do segurado, podendo estipular-se igualmente o pagamento dessa soma ao próprio segurado, ou terceiro, se aquele sobreviver ao prazo de seu contrato.

Devido a sua ampla utilização, a abordagem deste pelo Código Civil é bastante extensa, trazendo o seu regramento nos artigos 789 a 802.

Tendo em vista que o bem vida não tem preço, o valor do seguro não tem limites de estipulação e deve constar na apólice.

Há a possibilidade, para o segurado, de contratar mais de um seguro sobre o mesmo interesse, com o mesmo segurador ou mais de um.

Deve haver por parte do segurado, a indicação de um beneficiário do prêmio do seguro, o qual poderá ser substituído a qualquer tempo por ato de vontade do estipulante, sem a anuência do beneficiário a ser excluído. Em não havendo esta indicação, há para este caso, a regra do art. 792, do Código Civil, que inovou em relação ao que dispunha o diploma legal de 1916:

“Art. 792. Na falta de indicação da pessoa ou beneficiário, ou se por qualquer motivo não prevalecer a que for feita, o capital segurado será pago por metade ao cônjuge não separado judicialmente, e o restante aos herdeiros do segurado, obedecida a ordem da vocação hereditária.”

Esta modalidade de seguro pode ser individual quando o vínculo é firmado tendo como segurado uma única pessoa física ou ainda pode ser coletivo quando há uma pluralidade de segurados, podendo serem tratados como um grupo determinado ligado a uma pessoa jurídica.

Em relação a questão do suicídio, o CC de 2002 trouxe regulamentação a respeito para pacificar as discussões sobre este evento. A regulamentação do Código Civil trouxe a resposta sobre a questão da responsabilidade do segurado quando da ocorrência do suicídio. Em razão disso, o diploma civil, em seu artigo 798, trouxe um prazo de carência fixo de dois anos, devendo haver restituição dos prêmios pagos se o suicídio ocorrer dentro deste prazo.

A tema ainda encontra-se sumulado pelo Supremo Tribunal Federal:

Súmula 105 / STF - "salvo se tiver havido premeditação, o suicídio do segurado no período contratual de carência não exime o segurador do pagamento do seguro".

Em relação ao pagamento oriundo do seguro, a legislaçãomaterial (art. 794, CC) e processual trata este como impenhorável. Encontramos ainda a posição de Venosa (2003, pg. 388), neste sentido:

“O pagamento do seguro de vida é, portanto, impenhorável. O benefício responderá unicamente por débitos referentes ao próprio prêmio. Há evidente conteúdo alimentar no seguro de vida. A impenhorabilidade é reafirmada pelo art. 649, IX, do CPC.”

7.

PRÊMIO

O

prêmio é elemento essencial do contrato de seguro, e constitui obrigação por

parte do segurado, de pagá-lo em dinheiro a seguradora, em virtude de transferência

do risco, para garantir-lhe o direito a indenização.

Segundo Venosa (2003, pg. 389), o prêmio é o pagamento de valor feito pelo segurado, devido independentemente da contraprestação do segurador

O prêmio é a contrapartida para criar a obrigação da seguradora, conforme dispõe o artigo 763 do Código Civil.

O pagamento do prêmio é imprescindível para gerar os efeitos do contrato de

seguro, como prevê Venosa (2003, pg. 390):

“Pode ser pago antes da vigência de seguro, ou solvido a prazo, durante o período de vigência. No entanto, o seguro só vigerá a partir do pagamento do prêmio, embora o termo inicial apontado na apólice possa ser anterior. Trata-se de norma expressa (art. 12 do Decreto Lei nº 73/66), que visa garantir ao segurador o recebimento do prêmio.”

O valor do prêmio é estipulado no contrato de seguro, e varia de acordo com a

exposição ao risco, despesas administrativas e de produção, impostos, etc

Mesmo que pareça óbvio, é importante lembrar que o valor do prêmio não pode ser maior do que a importância segurada, não haveria sentido.

Em relação a estipulação do valor do seguro, Carlos Roberto Gonçalves (2008, pg. 352), traz definições e parâmetros usados tecnicamente pelas seguradoras para chegarem a definição do prêmio devido pelo segurado:

“O prêmio é fixado de antemão com base em cálculos atuariais, que se apoiam na análise das probabilidades.Os dados estatísticos mostram a incidência dos sinistros num determinado risco e possibilitam ao analista estabelecer, com precisão, qual será a referida incidência em futuro próximo.Com base nesses dados fixa o segurador a taxa de seguro, suficiente para pagar todas as indenizações e ainda proporcionar-lhe um lucro razoável.”

8. MORA NO PAGAMENTO DO PRÊMIO

É unânime a posição de que o pagamento do prêmio por parte do segurado está vinculado a cobertura dos riscos e pagamento de indenização pela seguradora. Neste sentido, há disposição expressa no art. 763 do Código Civil:

Art. 763. Não terá direito a indenização o segurado que estiver em mora no pagamento do prêmio, se ocorrer o sinistro antes de sua purgação.

Portanto, a falta de pagamento do prêmio, implica no efeito imediato de dispensa da obrigação de indenizar por parte da seguradora, podendo ainda haver cancelamento do contrato.

Sendo portanto, pacífico o efeito da mora do pagamento do prêmio sobre a indenização, restam ainda discussões doutrinárias acerca do cancelamento do contrato motivado pela mora do segurado. Alguns como, José Augusto Delgado, entendem que o cancelamento e a regra prevista no art. 763 do Código Civil devem ser interpretadas caso a caso, à luz dos princípios basilares do Código de Defesa do Consumidor, como: função social, equilíbrio contratual e boa-fé. Há ainda, decisões do STJ neste mesmo sentido.

Na mesma linha, preleciona Venosa (2003, pg. 391):

Na “

hipótese, fica apenas suspensa a exigibilidade da indenização, enquanto não

purgada a mora. Para a liberação do segurador, há necessidade de interpelação formal, para a possibilitar a purgação de mora. A melhor conclusão é de que o regulamento extrapolou o contido no Decreto-lei nº 73 e os dispositivos do Código Civil, não sendo possível à seguradora considerar unilateralmente rescindido o contrato.”

Ainda convergente a esta mesma posição, o Enunciado 371, que foi aprovado na IV Jornada de Direito Civil realizada em Brasília promovida pelo Conselho de Justiça Federal propõe:

“A mora do segurado, sendo de escassa importância, não autoriza a resolução do contrato, por atentar ao princípio da boa-fé objetiva.”

Neste caso, ainda é possível invocar o instituto da consignação em pagamento para que o segurado livre-se da mora, frente a injustificada recusa do segurador em receber o pagamento.

9. INDENIZAÇÃO E RATEIO

A indenização é o pagamento, por parte da seguradora ao segurado, do valor da apólice em razão da ocorrência do sinistro, ou seja, o evento futuro e incerto previsto na apólice do contrato.

Este pagamento, deve ser efetuado na forma dos artigos 760, 776, 778, 781, 785 e 789 todos do Código Civil de 2002.

Venosa (2003, pg. 392) traz alguns detalhes acerca deste pagamento:

“O pagamento desta indenização é, geralmente, em dinheiro, salvo se convencionada a reposição da coisa (art. 776). Nos seguros de automóvel e outros assemelhados, contudo, pode ser permitida tríplice alternativa: pagamento em dinheiro, reparação de danos ou substituição da coisa.”

Há que se falar ainda, na cláusula de rateio, que é inovação do Código Civil de 2002, pois não foi mencionada no diploma legal de 1916. A cláusula de rateio vem

motivada pelo princípio da função social dos contratos, nos casos em que não for possível às partes determinarem exatamente o valor da coisa segurada, e em conseguinte, no caso de sinistro o valor da cobertura fica aquém do que realmente seria necessário para indenizar o segurado.

Venosa (2003, pg. 393), traz a tona o tema supra citado:

“Nem sempre as partes têm condições de a priori estabelecer o valor exato da coisa. O valor segurado pode ser inferior aos danos. Desse modo, deve se aceita a cláusula de rateio inserida nos contratos de seguro, como forma de justo equilíbrio no contrato. Não deve, contudo, o segurador pagar mais do que contratou. A regra geral, deve ser a admissão do rateio, quando se verifica insuficiência da cobertura.”

Vale trazer aqui, a regra do artigo 783 do Código Civil:

Art. 783. Salvo disposição em contrário, o seguro de um interesse por menos do que valha acarreta a redução proporcional da indenização, no caso de sinistro parcial.

Esta é uma cláusula, que por frequentemente não ser bem compreendida e esclarecida traz indignações e descontentamentos para os segurados no momento da liquidação dos sinistros.

Deve sempre ficar claro ao segurado que, de acordo com esta cláusula, aqueles sinistros com perda parcial, quando o valor em risco da apólice for igual ou superior ao valor segurado, o segurador indenizará integralmente o sinistro. Porém, caso o valor segurado seja menor que o valor em risco, o segurador indenizará considerando a proporção a menor, aplicando a redução encontrada no cotejamento do valor segurado com o valor real do bem.

10. PARTES

O contrato de seguro é composto basicamente por duas partes, o segurado e o

segurador.

10.1. Segurador

É a pessoa jurídica, devidamente e legalmente autorizada para tal atividade, que

recebe o pagamento do prêmio pelo segurado e obriga-se, em contrapartida, a indenizar o segurado em relação ao sinistro.

Dispõe o § único, do artigo 757 do Código Civil:

“Art. 757. Pelo contrato de seguro, o segurador se obriga, mediante o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados.

Parágrafo único. Somente pode ser parte, no contrato de seguro, como segurador, entidade para tal fim legalmente autorizada.”

Como prescreve Venosa (2003), podem ainda estas empresas, que figura como seguradoras, a dedicarem-se aos contratos de seguro mútuo, ou seja, aqueles que possuem prêmio fixo com finalidade lucrativa.

10.2. Segurado

O segurado por sua vez, é aquele que paga o prêmio ao segurador transferindo-lhe

os riscos a que expõem-se o bem segurado. É aquele que recebe a apólice do

seguro. Pode o seguro ser pessoa física ou jurídica.

Este tema envolve ainda a figura do beneficiário, que aparece mais comumente nos contratos de seguro de vida, quando este é firmado em favor de um terceiro que receberá a indenização do valor segurado. Vale lembrar ainda, que o beneficiário não é parte, mas é atingido pelo negócio.

11. OBRIGAÇÕES DO SEGURADO

As obrigações do segurado são definidas pela legislação e intrínsecas na própria natureza do negócio. Cite-se as principais:

Pagar o prêmio convencionado ao segurador esta é a obrigação precípua do segurado, e deve ocorrer na forma prevista pela apólice. Este pagamento ainda, segundo Carlos Roberto Gonçalves (2008), deve ser feito em dinheiro se nada foi convencionado a respeito. Havendo atraso neste pagamento, fica sujeito o segurado aos juros moratórios. Há previsão legal neste sentido, nos artigos 757, 763 e 764 do Código Civil;

Não agravar os riscos não pode o segurado agravar os riscos a que se expõe o bem segurado, de forma que facilite ou potencialize as possibilidades de ocorrência do sinistro. Como preceitua Wald (2004), não pode o segurado agravar os riscos existentes no momento da celebração do contrato. Venosa (2003) exemplifica com o caso do segurado de vida que passa a praticar saltos de paraquedas, sem ter declarado esta atividade no momento da contratação. A regra está prevista no art. 768 do Código Civil. Inserida nesta mesma obrigação pode-se citar a obrigação do segurado de comunicar ao segurador todo incidente ou fato que possa agravar o risco existente. No caso de haver agravamento intencional dos riscos, fica o segurado sujeito a perda da garantia. (art. 769, Código Civil);

Comunicar ao segurador imediatamente a ocorrência de sinistro deve ainda tomar as providências necessárias para minorar as consequências. Venosa (2003) cita este item como de suma importância, no sentido de que com o aviso o segurador poderá auxiliar o segurado e as autoridades públicas em minimizar os danos e efetivar as medidas de salvamento e proteção dos bens atingidos. As apólices podem ainda conter disposições acerca do aviso. (art. 771, Código Civil);

Algumas obrigações do segurado não têm sanção legal expressa em face do não cumprimento destas, mas deve-se avaliar a boa-fé e o dano causado em cada caso, conforme entendimento de Wald (2003, pg. 611):

“Cabe ao juiz apreciar, em cada caso concreto, se a eventual infração do segurado é ou não suscetível de impedir o recebimento da indenização, exonerando o segurador de qualquer responsabilidade.”

12. OBRIGAÇÕES DO SEGURADOR

A principal obrigação do segurador é pagar a indenização devida ao segurado

em dinheiro, exceto se houver estipulação contratual divergente, permitindo a reposição da coisa ou reparação dos danos, conforme disposição dos artigos 772

e 776 do Código Civil. Se ocorrer dano parcial do bem segurado, caberá indenização proporcional a ele.

Pode o segurador eximir-se desta sua obrigação, excluindo o dever de pagar, caso possa provar uma das seguintes hipóteses (arts. 763, 766, 778 e 784 do Código Civil):

Existência de dolo por parte do segurado caso tenha o segurado agido com dolo no seu dever de informar, tenha agravado os riscos ou provocado a ocorrência do sinistro;

Existência de seguro anterior caso tenha o segurado contratado seguro anterior para o mesmo bem e seu valor integral;

Valor do seguro superior ao do bem neste caso, somente se houver má-fé por parte do segurado, em não havendo cabe apenas a redução da indenização ao valor justo;

Descumprimento das obrigações contratuais por parte do segurado quando

o

segurado não cumprir com as suas obrigações ou violá-las, precipuamente

o

não pagamento do prêmio;

Inexistência de cobertura para o sinistro ocorrido.

Deve-se lembrar ainda da previsão do artigo 761 do Código Civil, que define que a apólice deverá indicar qual das partes do contrato, que contiver mais de uma seguradora, que representará as demais e administrará o contrato.

É válido ainda ressaltar, a possibilidade de revisão e redução do prêmio, ou até mesmo resolução do contrato, no caso de haver diminuição considerável dos riscos durante a vigência do contrato (art. 770, Código Civil). Venosa (2003, pg. 398) exemplifica perfeitamente esta hipótese:

“Imagine-se, por exemplo, o seguro de vida feito aos alpinista, que abandona definitivamente o esporte. O risco diminui consideravelmente, o que abre ao segurado a possibilidade de exigir a redução do prêmio ou a resolução do contrato.”

13. INSTRUMENTOS CONTRATUAIS

Basicamente, o contrato de seguro contém dois instrumentos: a proposta e a apólice ou também chamada de bilhete de seguro.

13.1.

Proposta

Faz parte do contrato de seguro e é a sua base, pois é a partir dela que vai se constituir o contrato. Nos termos do art. 427 do Código Civil, a proposta obriga e vincula, como nos demais contratos. Ela é o instrumento utilizado pela seguradora para buscar a manifestação de vontade da outra parte em relação as condições nela expressas.

Segundo Venosa (2003, pg. 400):

“O prazo da proposta é de 15 dias, fixado pela Susep na Circular nº 47/80. Recorde- se de que o Código de Defesa do Consumidor amplia o alcance da proposta, vinculando a oferta sob qualquer modalidade de informação ou publicidade, de forma a integrar o contrato que se lhe segue (art. 30). O novo Código Civil dispõe acerca da obrigatoriedade da proposta escrita, precedente a emissão da apólice.”

Deve-se lembrar ainda que, através dela, não se realiza o contrato que somente o será quando a seguradora aceita a proposta e emite a apólice.

13.2. Apólice ou bilhete de seguro

Considerado o instrumento escrito do contrato, pode ter o seu nome diferenciado conforme o tipo de seguro.

Segundo Wald (2004, pg. 608), eles são os instrumentos probatórios do contrato de seguro, não excluindo os demais, e devem conter a enumeração dos riscos transferidos ao segurador, o prazo de vigência e as obrigações assumidas pelas partes.

As apólices podem ser nominativas, à ordem e ao portador (art. 760, Código Civil). A respeito de cada uma delas, preceitua Carlos Roberto Gonçalves (2008, pg. 349):

“As de seguro de vida não podem ser ao portador (parágrafo único). As apólices nominativas podem ser transferidas mediante cessão civil, e as à ordem, por endosso. Naquelas, alienada a coisa que se ache no seguro, transfere-se ao adquirente o contrato, pelo prazo que ainda faltar.”

Segundo Wald (2204), as apólices podem ainda ser simples ou individuais quando se referem aos riscos corridos por um bem específico ou por uma pessoa -, flutuantes ou coletivas quando cobrem os riscos de coisas fungíveis e coletivas, que se referem a um grupo de pessoas, independente da identificação individual de cada um.

O bilhete de seguro suprime a emissão da apólice, em determinados tipos de seguro, porém, só pode ser utilizado quando houver autorização legal.

A respeito do bilhete de seguro, Venosa (2003, pg. 402) diz que:

“O bilhete de seguro, por várias vezes aqui referido, é resultado do esforço legislativo em simplificar e ampliar a contratação. É limitado aos seguros de massa, porque obedece a padrão que nivela todos os segurados. Por isso mesmo, depende de autorização e regulamentação. Atende à tendência de socialização do seguro, como ocorre no seguro obrigatório de veículos.”

14.

MULTIPICIDADE DE SEGUROS: CO-SEGURO

O co-seguro é um desdobramento do contrato de seguro que envolve a figura de mais de uma seguradora assumindo os riscos de um mesmo segurado. Neste caso, pode haver a emissão de várias apólices quanto for o número de seguradoras, ou ainda uma única apólice que será emitida pela segurada designada para administrar o contrato e representar os demais (art. 761, Código Civil).

Pode-se dizer que são vários seguros feitos sobre um mesmo bem, porém a sua totalidade não pode ultrapassar o valor total do bem segurado, ficando cada seguradora responsável pelo valor do risco assumido.

Deve-se atentar para o fato de que o co-seguro não pode servir de fonte de lucro para o segurado, como bem coloca Carlos Roberto Gonçalves (2008, pg. 373 e

374):

“Já foi dito que pode haver mais de um segurador dando cobertura simultânea ao mesmo risco e que, no seguro de dano, exige-se que o segurado comunique previamente sua intenção por escrito ao primeiro segurador (CC, art. 782), a fim de evitar que o contrato seja fonte de lucro pela expectativa do segurado de receber o valor total dos danos de cada segurador. Respeitada a limitação imposta pela lei, pode haver multiplicidade de seguros ou co-seguro.”

Esta restrição não existe no caso do seguros pessoais.Já no seguro de dano, o valor total dos seguros não pode ultrapassar o valor do interesse do segurado no momento do sinistro.

15. RESSEGURO

Segundo Fabio Ulhoa Coelho (2008), o resseguro busca distribuir a cobertura do risco entre duas seguradoras, uma que efetivamente contrata com os segurados e a outra que fica responsável por cobrir parte da prestação, quando da ocorrência do sinistro.

É comum nos casos de seguros com excessivo risco, onde o segurador principal

divide a responsabilidade pela indenização com outra seguradora, bem como parte do prêmio recebido do segurado. De forma bem sucinta, é o seguro de outro seguro.

O Código Civil de 2002, em seus artigos 782 e 789, permite esta modalidade de

contrato, com a limitação de que o total da garantia não seja superior ao valor do interesse segurado quando da perfectibilização do contrato (art. 778, CC).

Conceitua Carlos Roberto Gonçalves (2008, pg. 347):

O resseguro consiste na transferência de parte ou de toda responsabilidade do segurador para o ressegurador. A finalidade é distribuir entre mais de um segurador a responsabilidade pela contraprestação.”

Vale lembrar, que a responsabilidade perante o segurado é do segurador com o qual ele firmou o seu contrato. O segurado não tem relação com o ressegurador, este último se relaciona apenas com o segurador que lhe transmitiu créditos e responsabilidades.

16. SUB-ROGAÇÃO

Conforme a doutrina de Silvio Venosa (2003, pg. 406):

“Originalmente, nos seguros marítimos, os segurados incluíam cláusula segundo a qual o segurado, recebendo pagamento, cedia áqueles todos os seus direitos e ações contra terceiro responsável pelo dano, até o limite da indenização. Posteriormente, essa cessão ou sub-rogação convencional passou a ser legal nos vários ordenamentos. Estava presente no art. 728 do Código Comercial. Essa sub- rogação legal, inicialmente restrita apenas nos seguros marítimos, foi estendida aos terrestres.”

O Código Civil de 1916 silenciou sobre esta matéria, e o diploma civil de 2002 trouxe

algumas regulamentações, principalmente no seu artigo 786:

Art. 786. Paga a indenização, o segurador sub-roga-se, nos limites do valor respectivo, nos direitos e ações que competirem ao segurado contra o autor do dano.

§ 1 o Salvo dolo, a sub-rogação não tem lugar se o dano foi causado pelo cônjuge do segurado, seus descendentes ou ascendentes, consangüíneos ou afins.

§ 2 o É ineficaz qualquer ato do segurado que diminua ou extinga, em prejuízo do segurador, os direitos a que se refere este artigo.

Neste sentido, a matéria foi sumulada pelo Supremo Tribunal Federal, em

13/12/1963:

“Súmula 188 – O segurador tem ação regressiva contra o causador do dano, pelo que efetivamente pagou, até o limite previsto no contrato de seguro.”

Mesmo assim, há posições técnicas divergentes sobre a sub-rogação no contrato de seguro. A primeira posição é de que ela não poderia ser admitida, uma vez que o segurador receberia duas vezes: o prêmio pago pelo segurado, além da indenização do causador do dano. Já o outro posicionamento entende que ela é legítima, tendo em vista que o segurador quando assume os riscos do bem segurado, o faz também em relação ao eventual reembolso de terceiro, considerando ainda, que este reembolso pelo terceiro pode não ocorrer.

Vale ressaltar aqui, que é vedado pelo Código Civil, em seu artigo 800, a sub- rogação nos direitos e ações do segurado ou beneficiário nos seguros pessoais, contra o causador do sinistro.

17. EXTINÇÃO

A extinção do contrato de seguro é citada de forma geral pela doutrina em seis hipóteses.

A primeira é o decurso de prazo do contrato, decorrido o prazo que deve constar na apólice, declarando ano, mês e dia, estará resolvido o contrato e extintas as obrigações.

A segunda hipótese é o mútuo consentimento, ou em outras palavras o distrato, que segue os efeitos e formas aplicáveis aos demais tipos de contratos.

A terceira e quarta hipóteses são a ocorrência do evento na maioria das vezes, ou a cessação do risco. Nas palavras de Venosa (2003, pg. 408), desaparecido o risco, desaparece a causa do seguro. Se desaparecer o objeto o contrato, cabe ao segurador reembolsar de forma proporcional aquilo que recebeu como prêmio pelo prazo que resta.

é

a inexecução das obrigações contratuais, seja ela por qualquer das partes do contrato. A rescisão do contrato gera para aquele que deu causa a esta a responsabilidade pelos prejuízos provocados, na forma do que instrui a matéria da Teoria Geral dos Contratos.

A quinta

possibilidade

de

extinção

do

contrato

E finalmente, a sexta causa de extinção, são as causas de nulidade ou anulabilidade do contrato. Correspondem a violação ou inobservâncias aos requisitos dos planos de validade e eficácia dos negócios jurídicos (art. 104, CC). As nulidades advêm da inobservância de requisitos do objeto, forma e contratantes. As anulabilidades estão vinculadas a existência de incapacidade relativa e vícios de consentimento.

18. PRESCRIÇÃO

Considerando as previsões do revogado Código Civil de 1916, os prazos para as

ações movidas pelos segurados contra as seguradoras e vice-versa, não foram

alterados, ficando regulados pelo Código Civil de 2002, em seu artigo 206, § 1º, II:

Art. 206. Prescreve:

§

1 o Em um ano:

II

- a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, contado o

prazo:

a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador;

b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da pretensão;

Em relação ao beneficiário do seguro, este prazo prescricional de um ano não o atinge, exceto esse ele for também o segurado.

Quanto a prescrição das ações de indenização dos segurados em grupo e dos seguros de transporte marítimo, o STJ na súmula 101 e o STF na súmula 151, respectivamente, deram prazo de um ano para a prescrição dos referidos casos.

Sobre o termo inicial do prazo de prescrição do contrato de seguro, nas palavras de Venosa (2003, pg. 409), a contagem inicia-se não necessariamente da data do sinistro, mas do momento em que o segurado podia exercer ação contra a seguradora, que tem razão de ser pelo princípio da actio nata. Ou seja, este princípio determina que os prazos de prescrição e decadência comecem a correr quando o titular do direito violado toma conhecimento do fato e da extensão de suas consequências. Isso dá ensejo, a propositura da ação ser motivada pela negativa da seguradora em pagar a indenização.

19.CONCLUSÃO

A partir da produção deste trabalho de pesquisa, é possível concluir que é de suma importância a regulamentação e atualização do regramento dos contratos de seguro, em prol dos princípios da boa-fé eda função social dos contratos.

Além disso, a intervenção estatal é fundamental neste tipo de contrato. Tendo em vista, que as seguradoras que celebram estes acordos com os segurados cercam-se de cláusulas protetivas de seus interesses, usando de linguagens técnicas que dificultam a interpretação das mesmas por parte do segurado, causando por diversas vezes dissabores, quando não sejam violações dos direitos dos segurados.

A atualização da legislação dos contratos de seguro, é fator essencial nesta matéria, em face da constante evolução destes atos negociais, que são considerados de grande essencialidade no âmbito econômico. Em que pese, as atualização feitas pelo Código Civil de 2002 em relação ao diploma de 1916, ainda assim, dia-a-dia, surgem novos questionamentos e impasses no judiciário, em forma de ações judiciais, acerca do alcance dos direitos por parte da seguradora e segurado, indicando que os 45 artigos do Código Civil, além da legislação esparsa sobre o tema, não esgotaram a matéria dos contratos de seguro.

20.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro Contratos e atos unilaterais, volume III. 5ª edição revista e atualizada. São Paulo: Saraiva, 2008.

COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de direito comercial. São Paulo: Saraiva, 2008.

VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil: contratos em espécie. 3ª edição. São Paulo:

Atlas, 2003.

produtos/seguros/seguro-de-pessoasacessado em 04/11/2012.