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FEBEM X FASE

Em 1976, a Pró-Menor passou a se chamar FEBEM, alinhando o Estado à política nacional. Ou seja, a FEBEM foi criada muito antes do Estatuto da Criança e do Adolescente ser promulgado, em 1990. Antes do ECA, a criança e o adolescente não eram vistos como cidadãos com prioridade nas políticas públicas, que devem ser protegidos pelo Estado e ressocializados, mas como menores delinqüentes ou em situação irregular, a serem contidos. “A FEBEM traz o DNA da Funabem, órgão criado em 1964 para implantar nos estados a Política Nacional do Bem- Estar do Menor. A Funabem atendia crianças abandonada se os então chamados “menores infratores”. Baseava-se no Código de Menores de 1927 (revisto em 1979), e previa a internação de crianças e adolescentes apenas para contenção da criminalidade, seguindo a linha da Doutrina de Segurança Nacional. . Os funcionários foram treinados para contenção, segurança e alta disciplina. O círculo vicioso começa com o grande número de adolescentes internados pela Justiça, que causa a superlotação das unidades, onde, em geral, os jovens sobrevivem de forma desumana. A isso se somam denúncias de tortura, falta de condições de trabalho para os funcionários e as conseqüentes (e tão temidas) rebeliões. O lado irônico é que tanto as ONGs quanto os governos apontavam as mesmas soluções para a FEBEM — a criação de unidades nos padrões definidos pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, o Conanda, órgão que regulamenta o ECA. De acordo com o Conanda, as unidades devem ser pequenas, regionalizadas, com um projeto pedagógico consistente e devem proporcionar ao adolescente assistência médica, jurídica, acesso à cultura, lazer, esporte, educação e contato com a comunidade e a família. Mas se todos concordavam quanto ao atendimento ideal para o adolescente em conflito com a lei, por que o problema da FEBEM não se resolvia? Na opinião dos especialistas, a instituição ainda mantinha a cultura carcerária, de contenção e repressão, que herdou da Ditadura Militar. No Rio Grande do Sul foi criada em 2002 a Fundação de Atendimento Sócio educativo (Fase), para substituir a FEBEM. As unidades foram regionalizadas (de um total de 16, 10 estão no interior do Estado), e funcionam com um projeto pedagógico que acompanha os adolescentes desde a internação até sua saída é o órgão responsável pela execução das medidas sócio-educativas de internação e de semiliberdade, aplicadas judicialmente aos adolescentes que cometem ato infracional. Foi criada a partir da Lei Estadual nº 11.800, de 28 de maio de 2002, em substituição à Lei nº 5.747 de 17 de janeiro de 1969. O surgimento da FASE no Rio Grande do Sul é a consolidação do processo que vem do início da década de 1990, com o advento do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA (Lei 8.069/90), que impôs a necessidade de reordenamento dos órgãos púbicos e entidades da sociedade civil que atuam na área da infância e juventude, com vistas à adequação aos novos paradigmas conceituais e legais de atenção a esta população. Todo o atendimento prestado na Fundação é norteado pelo Programa de Execução de Medidas Sócio-educativas de Internação e Semiliberdade - PEMSEIS, que tem como eixo principal o Plano Individual de Atendimento. A garantia aos direitos individuais e coletivos é o pressuposto básico da intervenção técnica e administrativa, contemplando aspectos pedagógicos e terapêuticos no atendimento aos adolescentes.