Democracia, liberalismo e tolerância em John Locke (1632-1704): sobre a junção entre direito e vida civil

Locke, nasceu em 1632, numa época em que predominavam na Europa monarquias absolutas, estando o poder concentrado no rei. Os individuos eram tratados como subditos e não como cidadãos.Tinham todos os deveres, mas muito poucos direitos. O Estado agia frequentemente de modo arbitrário, dispondo da vida das pessoas, apropriando-se dos seus bens e controlando as suas crenças. A liberdade, nestas circunstâncias, era uma pura ilusão. Neste contexto histórico, repensou as relações entre os individuos e o Estado, assim como a justificação e a legitimação da autoridade do Estado. Locke começou por fazer uma "reconstituição" do modo como surgiu o Estado, de forma a encontrar uma explicação para o consentimento da sua autoridade por parte dos que lhes estão sujeitos. 1. A humanidade, afirma, começou num estado natural. O homem, criado à imagem de Deus, não era um selvagem, mas um ser dotado de raciocínio e consciência que orientava a sua acção por um princípio moral que denominou lei natural. Todos os seres humanos possuiam três direitos naturais que ninguém tem legitimidade para pôr em causa: a vida, a liberdade e a propriedade (os bens que adquire). 2. A ausência de uma autoridade para administrar a justiça, entre individuos que se reconheciam como iguais, revelou-se uma fonte de conflitos. Foi por esta razão que os homens chegaram à conclusão que se deviam juntar voluntariamente, firmando entre si um Contrato Social tendo como finalidade obter a paz, garantir os direitos naturais e a auto-conservação. O governo seria entregue a uma instância superior que vela pelo cumprimento dos termos do acordo. 3. O Contrato Social deu origem ao Estado. Através do Contrato os homens transferiram para o Estado os poderes que lhes pertenciam. O Estado é assim uma criação artificial dos homens, destinada salvaguardar os seus direitos naturais - a vida, a liberdade e a propriedade - garantindo desta forma as condições para o seu livre desenvolvimento (liberalismo). Se um governo se afasta das suas funções e deixa de defender os direitos naturais dos cidadãos, estes têm o dever moral de procurar formas de o substituir, e no caso de não o conseguirem por meios pacíficos, assiste-lhes o direito de se revoltarem e de o derrubarem pela força.

Os regimes absolutistas foram sendo substituidos por regimes democráticos liberais. em nome de uma nova justiça social. Em coerência com estas ideias. executivo e judicial). É neste contexto social que surgem então diversos movimentos políticos como o anarquismo .4. As suas ideias tornaram-se a base do Liberalismo. que reconheciam formalmente a igualdade de direitos a todos os cidadãos. da liberdade de cada um. A justificação para a existência Estado. reduzindo o papel do Estado à justiça. nomeadamente nas suas crenças religiosas. assim como a legitimidade para a sua autoridade está na protecção dos direitos naturais dos cidadãos e tem esses direitos como limites. Muitos foram os que passaram a denunciar o facto da igualdade jurídica dos cidadãos se mostrar incapaz de proteger os pobres dos desvios do capitalismo. É por esta razão que Locke participa. propõe uma separação de poderes (legislativo. por exemplo. foram ganhando cada vez mais adesões entre as classes mais desfavorecidas da sociedade. defesa e regulação das actividades económicas quando a livre concorrência (mercado) se mostrasse incapaz de o fazer. Das Ideias que Incendiaram o mundo As ideias políticas de John Locke contribuiram para a criação do liberalismo. na revolução de 1688 em Inglaterra. Estes movimentos tiveram um enorme impulso . O fosso entre ricos e pobres tornou-se no século XIX verdadeiramente chocante. Saber mais: Biografia . Filosofia 4. nomeadamente a criação de Estados absolutos. Afim de evitar possiveis abusos do Estado. onde as desigualdades sociais fossem suprimidas ou corrigidas. mas também a sua livre iniciativa na economia. logo o Estado não pode em circunstância alguma tomar partido por uma ou outra religião (princípio da tolerância religiosa). uma corrente política que defendeu não apenas os direitos naturais dos individuos. tornaram mais visiveis muitas outras. opondo-se à formação de regimes absolutistas. A religião é do domínio da consciência. mas também dos Direitos Humanos. As sociedades liberais se corrigiram várias injustiças sociais do absolutismo. Locke recusa igualmente qualquer intromissão do Estado na vida privada dos cidadãos. Os movimentos revolucionários contra o liberalismo. provocando constantes revoltas na população.o comunismo ou a social-democracia que defendem a criação de uma sociedade mais justa.

O Estado não está acima da lei. sendo obrigado a observá-la 4. O Estado deve salvaguardar os direitos do Indivíduo (liberdade. quando um aparato do Estado tenta lesar os direitos inalienáveis do indivíduo . Revoluções com idênticos ocorreram em muitos outros países.. na Russia. a segunda entre pais e filhos.) 3. Algumas ideias centrais na teoria de Locke Considerações sobre a forma humana do viver social  A sociedade nasce como exigência do aperfeiçoamento da noção de sociabilização  A sociedade nasce provocado pelos instintos da comodidade e da necessidade  A primeira sociedade foi entre homem e mulher. Depois da IIª. assumindo como modelo político os EUA ou os regimes sociais-democratas europeus. pondo fim às desigualdades inerentes aos regimes liberais. a sociedade entre senhor e servo. O cidadão reserva-se o direito de rebelião. assumindo como modelo político a ex-União Soviética (Rússia) e a China. etc. b ) Os que as condenam. com o liberalismo de ações. propriedade privada. Guerra Mundial (1939-1945) o mundo dividiu-se em dois grandes blocos políticos: a) os que aceitam como legitimas as desigualdades sociais. O problema da justiça social passa a estar no centro dos debates políticos. O contrato social não é apenas afirmado entre os cidadãos (Hobbes) mas entre estes e o Estado 2. depois. com a criação do primeiro regime político que proclama a igualdade económica de todos os cidadãos.. havendo sobre o assunto perspectivas radicalmente opostas. com o tempo. nasce a sociedade política evoluída Liberdade e liberalismo  Liberalismo político: fundamento teórico da democracia moderna  Princípios do liberalismo político: 1.em 1917.

. como terras. dinheiro. o indivíduo deve considerar-se mais livre e menos limitado . liberdade física. para Hobbes  É social.. Deve estar separado dos demais poderes  Poder executivo Fazer com que as leis sejam colocadas em prática  Poder judicial Fazer com que as leis sejam respeitadas O Estado e a Propriedade Privada  O fim do governo deve ser a conservação da propriedade (propriedade física e propriedade intelectual)  Os indivíduos submetem-se à força do Estado para garantirem os direitos à sua propriedade privada  A democracia dá-se quando as leis não são só respeitadas na sua criação.A divisão dos poderes no regime liberalista. enfim.)  A lei do Estado deve proibir exatamente o que prejudica a sociedade  Os poderes da magistratura civil devem ser regulamentados A sociedade humana. etc.concepção original de Locke  Poder legislativo Os legisladores devem também se submeter às leis. ausência de dor. propriedades de objetos externos. mas na sua execução O Estado de direito para Locke  O Estado é uma sociedade humana com a obrigação de conservar e promover os bens civis (vida. móveis. amistosa e cooperativa  Na sociedade.

A teoria constitucional deve manter o controle sobre o Governo  A democracia é a expressão da vontade do povo e não de alguns grupos  A Sociedade utópica consistiria na ausência absoluta de lei .

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