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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA – UNICEUB FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE – FACS CURSO: ENFERMAGEM

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA – UNICEUB FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE – FACS CURSO: ENFERMAGEM

HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DO ENFERMEIRO EM CENTRO CIRÚRGICO

JOSÉ TARCISIO MENDES BEZERRA

Brasília – DF

Maio/2007

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA – UNICEUB FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE – FACS CURSO: ENFERMAGEM

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA – UNICEUB FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE – FACS CURSO: ENFERMAGEM

JOSÉ TARCISIO MENDES BEZERRA

HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DO ENFERMEIRO EM CENTRO CIRÚRGICO

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado como requisito parcial para a obtenção do Titulo de Bacharel em Enfermagem 9º semestre do Centro Universitário de Brasília UniCEUB. Orientadora: MSc Nílvia Jaqueline Reis Linhares

Brasília – DF

Maio/2007

É concedida ao Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) permissão para reproduzir cópias somente para propósitos acadêmicos e científicos. O autor reserva outros direitos de publicação e nenhuma parte desta monografia pode ser reproduzida sem autorização do autor.

José Tarcisio Mendes Bezerra tarcisiomendesdf@gmail.com

Banca Examinadora

Brasília, 17 maio de 2007

Nome: Professora MSc. Nílvia Jaqueline Reis Linhares Instituição: Centro Universitário de Brasília (UniCEUB)

-------------------------------------------------------

Assinatura

Nome: Professora Tereza Cristina Segatto Instituição: Centro Universitário de Brasília (UniCEUB)

-------------------------------------------------------

Assinatura

Nome: Professora MSc. Nílvia Jaqueline Reis Linhares Orientadora da Pesquisa Instituição: Centro Universitário de Brasília (UniCEUB)

-------------------------------------------------------

Assinatura

Dedicatória

Dedico a realização deste trabalho a minha mãe MARIA JOSÉ MENDES BEZERRA, uma lutadora sem igual, e as minhas Tias: Irmã Maria das Vitórias (Tia Vivi) e Irmã Maria Joana (Tia Joana) da Congregação Irmãs Missionárias Capuchinhas, que me ensinaram os primeiros passos na ENFERMAGEM.

Agradecimento

Agradeço a realização desta pesquisa em primeiro lugar à

“DEUS”.

A minha mais que orientadora Jaqueline Linhares pelo

empenho, dinamismo, autenticidade, paciência e intensa colaboração que me dispensou no decorrer de todo o

trabalho.

Aos meus irmãos, e aos muitos amigos que conquistei e aos já existentes pela força na idealização deste importante

processo.

Resumo

Este estudo tem como objetivos principais discutir e construir idéias sobre humanização da assistência do enfermeiro em centro cirúrgico de hospitais e unidade de saúde, identificando a necessidade e importância na atividade da enfermagem, ressaltando os aspectos da formação acadêmica e considerações éticas relativas à assistência frente aos avanços tecnológicos, bem como as alternativas e as oportunidades de suas práticas, visando o resgate das relações sociais mais saudáveis entre paciente de centro cirúrgico e enfermeiro. Neste estudo, o termo Humanização é concebido como atendimento das necessidades biopsicossocioespirituais do indivíduo tanto no contexto do profissional de saúde quanto na do usuário (cliente/paciente). Nessa perspectiva, cada um deve ser compreendido e aceito como ser único e integral e, portanto, com necessidades e expectativas particulares. A pesquisa foi realizada por meio de palavras-chave, delimitando-se o período entre 2002-2006. Na revisão bibliográfica, procuraremos ressaltar os aspectos da formação acadêmica voltada para humanização. Este estudo pretendeu ir além, destacando a função do enfermeiro na unidade de centro cirúrgico que não deve ser dirigida somente para os aspectos gerenciais, afastando-o do contato com o paciente. Desse modo, é necessário incentivar uma nova postura do enfermeiro ao prestar assistência mais direta ao paciente em todas as etapas do processo cirúrgico, destacando-se a importância desta para o sucesso do tratamento e o pronto restabelecimento do paciente.

Palavras-chave: Enfermagem – Humanização – Centro Cirúrgico

Abstract

This study aimed to discuss and build up ideas about humanization of attendance of nurses in surgery center in hospitals and healthy units, identifying necessity and importance of activity of nursery, emphasizing aspects of academic formation and ethic considerations relation to attendance in opposition technological advances, as well as alternatives and opportunities of their practices, with the objective to rescue social relations more healthful between patient in surgery center and nurses. In this work, the term humanization is conceived as attendance of biological psychological spiritual necessities of human being both in context of professional of healthy and patient. In this perspective, each one must be understood and accepted like unique and integral and, therefore with individual necessities and expectations. The research was accomplished through out keywords, in the period of 2002-2006. In the literature review, we sought to show aspects of academic formation in relation with humanization. This work intended to go beyond, emphasizing the function of nursery professional in surgery center in hospitals and healthy units which must not be lead only manager aspects, without a closer contact with patients. This way, it is necessary to incentive a new attitude of nursery professionals when they are in directive attendance to patients in all phases of surgery process, emphasizing the importance to success treatment and immediate recuperation of a patient.

Key-word: Nursery – Humanization –Surgery Center

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

7

2 OBJETIVOS

9

3 MATERIAL E MÉTODOS

10

4 HISTÓRIA DA HUMANIZAÇÃO NA ÁREA DA SAÚDE

13

4.1

ALGUNS PRECURSORES DA ENFERMAGEM HUMANIZADA

14

4.1.1 Florence Nightingale (1820 – 1910)

14

4.1.2 Ivan Illich (1926-2002)

16

4.1.3 Wanda Horta (1926-1981)

16

4.2 A FORMAÇÃO DO ENFERMEIRO PARA O CUIDADO HUMANIZADO

20

4.3 A ÉTICA NA ASSISTÊNCIA (DES) HUMANIZADA NO CENTRO CIRÚRGICO

22

4.4 A HUMANIZAÇÃO FRENTE AO AVANÇO TECNOLÓGICO

25

4.5 HUMANIZAR O CUIDADO NO C. CIRÚRGICO É POSSÍVEL?

26

5

CONSIDERAÇÕES FINAIS

32

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

35

7

INTRODUÇÃO

Este

estudo

tem

como

objetivos

principais

discutir

e

construir

idéias

sobre

humanização da assistência do enfermeiro em centro cirúrgico, identificando a necessidade e

importância na atividade da enfermagem, ressaltando os aspectos da formação acadêmica e

considerações éticas relativas à assistência frente aos avanços tecnológicos, bem como as

alternativas e as oportunidades de suas práticas, visando o resgate das relações sociais mais

saudáveis entre paciente de centro cirúrgico e enfermeiro.

O objetivo primordial é tentar criar uma nova mentalidade com relação a como

usufruir os recursos oferecidos aos pacientes de centro cirúrgico, visando a saúde e o bem

estar dos mesmos, nos diversos aspectos: psicológicos, espirituais, sociais e físicos.

O presente estudo foi realizado por meio de revisões bibliográficas, identificando-se as

seguintes palavras-chave: cliente cirúrgico, tratamento humanizado, assistência humanizada,

centro cirúrgico, cuidados na admissão em centro cirúrgico e cuidar em enfermagem.

As práticas de enfermagem se desenvolveram através dos séculos, mantendo uma

estreita relação com a história da civilização. Neste contexto, tem um papel preponderante por

ser uma profissão que busca promover o bem estar do ser humano, considerando sua liberdade

e dignidade, atuando na promoção da saúde e prevenção de enfermidades. Na enfermagem,

embora de forma indireta, a humanização do paciente foi enfocada no Século XIX por

Florence Nightingale (1989).

Em seu livro de título Notas Sobre Enfermagem, em vários momentos, ela sugere

maneiras para o melhor restabelecimento dos pacientes através da adoção de medidas

ambientais proporcionadas pelas enfermeiras. Através dos seus escritos, percebemos que

naquela época, ainda que o foco principal da assistência fosse o ambiente, a humanização já

estava implícita na atuação da enfermagem Hoje, passados um século e meio, a questão da

8

humanização ainda consiste num desafio para a profissão que precisa se adequar às demandas

tecnológicas, econômicas e sociais todas elas com forte tendência a desumanização.

Com este estudo, pretende-se ir além, destacando a função do enfermeiro na unidade

de centro cirúrgico que não deve ser dirigida somente para os aspectos gerenciais, afastando-o

do contato com o paciente. Desse modo, é necessário incentivar uma nova postura do

enfermeiro de centro cirúrgico ao prestar assistência mais direta ao paciente em todas as

etapas do processo cirúrgico, destacando-se a importância desta para o sucesso do tratamento

e o pronto restabelecimento do paciente.

Neste estudo o termo Humanização é concebido como: atendimento das necessidades

biopsicossocioespirituais do indivíduo tanto no contexto do trabalhador (servidor) quanto na

do usuário (cliente/paciente). Nessa perspectiva, cada um deve ser compreendido e aceito

como ser único e integral e, portanto, com necessidades e expectativas particulares.

A presente monografia está estruturada em cinco capítulos: o primeiro capítulo

apresenta a discussão sobre a formação do enfermeiro para o cuidado humanizado; o segundo

capítulo aborda a humanização frente ao avanço tecnológico; o terceiro capítulo apresenta a

ética na assistência (des)humanizada no centro cirúrgico; no quarto capítulo discute-se o

cuidado que se deve ter no centro cirúrgico; no quinto capítulo, as considerações finais.

9

2 OBJETIVOS

O presente estudo terá como objetivo principal levantar as principais literaturas

nacionais que abordem a humanização da assistência do Enfermeiro em Centro Cirúrgico,

identificando suas necessidades e importância na atividade da enfermagem.

A pesquisa foi realizada por meio de palavras-chave, delimitando-se o período entre

2002-2006.

Na

revisão

bibliográfica,

procuraremos

ressaltar

os

aspectos

da

formação

acadêmica voltada para humanização, considerações éticas à assistência e a necessidade de

humanizar o cuidado frente aos avanços tecnológicos.

10

3 MATERIAL E MÉTODOS

O presente estudo foi realizado através de revisão bibliográfica da literatura e artigos

publicados em revistas e sites especializados, por meio das palavras-chave: cliente cirúrgico,

tratamento humanizado, assistência humanizada, centro cirúrgico, cuidados na admissão em

centro cirúrgico e cuidar em enfermagem.

De início, procuramos abordar as relações entre linguagem e ideologia; apresentando

uma visão das definições e conceitos que nortearam o presente estudo, assim, subdivido:

CENTRO CIRÚRGICO, DOENÇA, ENFERMAGEM, HOSPITAL, HUMANIZAÇÃO e

SAÚDE.

Desta feita, temos os seguintes conceitos:

CENTRO CIRÚRGICO: conjunto de elementos destinados ás atividades cirúrgicas,

bem quanto á recuperação pós-anestésica (SRPA) e pós-operatória do paciente que passou por

tratamentos cirúrgicos.

DOENÇA: processo no qual a atuação da pessoa está diminuída ou prejudicada, em

uma ou mais dimensões, quando comparada com a sua condição de saúde inicial.

ENFERMAGEM: Atualmente a enfermagem não é somente arte, mas uma ciência, e

como tal possui seu corpo de conhecimentos próprios, baseado em uma teoria científica,

visando à saúde e o bem-estar das pessoas nos diversos aspectos: psicológicos, espirituais,

sociais e físicos, sendo uma arte de cuidar do cliente durante períodos de doenças, auxiliando-

o para atingir seu potencial máximo de saúde durante seu ciclo de vida, pois baseia-se em

princípios científicos.

11

Para a enfermeira Horta (1979) a enfermagem tem três seres:- o ser enfermagem- o ser

enfermeiro- o ser paciente.

HOSPITAL: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “O hospital é o

elemento de uma organização de caráter médico e social cuja função consiste em assegurar

assistência médica completa, curativa e preventiva, a população e cujos serviços externos se

irradiam até a célula familiar considerada em seu meio”.

HUMANIZAÇÃO: na assistência, hospitalar envolve uma ampla e controversa

polissemia. A primeira indagação de senso comum é questionar o que significaria humanizar

uma relação, essencialmente humana, que é a produção do cuidado de saúde. Apesar das

reflexões e demandas recentes, o tema humanização é debatido e tal termo utilizado há mais

de 40 anos. (DESLANDES; 2005)

Na literatura vigente, verificou-se que humanizar a assistência é uma preocupação da

constante da enfermagem. Diante disto, a mecanização da assistência pode comprometer o

atendimento humanizado, e a tecnologia, em alguns momentos, parece contribuir de forma

pouco significativa para a prática do cuidado humanizado. Porém, a busca de melhoria da

qualidade da assistência contribui para que novos modelos sejam adotados, nos quais o

conceito humanização tem lugar garantido.

SAÚDE: bem estar físico, mental e social e não mera ausência de doença (OMS

1945).

De acordo com Sampaio (1988), que na atualidade um conceito mais moderno é que:

Saúde deve ser entendida em sentido mais amplo, como componente da qualidade de vida.

12

Assim, não é um “bem de troca”, mas um “bem comum”, um bem e um direito social, em que

cada um e todos possam ter assegurado o exercício e a prática do direito à saúde, a partir da

aplicação e utilização de toda a riqueza disponível, conhecimentos e tecnologia desenvolvidos

pela sociedade nesse campo, adequados às suas necessidades, abrangendo promoção e

proteção da saúde, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação de doenças.

13

4 HISTÓRIA DA HUMANIZAÇÃO NA ÁREA DA SAÚDE

Na medicina, o auge dos debates sobre humanização do atendimento surge na década

de 1970, através de debates em fascículos do Centro Intercultural de Documentação –

CIDOC, instituição fundada no México por Ivan Illich

A medicina precisa de um exercício crítico e autocrítico à racionalidade vigente, à

impessoalidade do modelo médico profissional, à falta de informação e de protagonismo dos

pacientes, diante de sua terapêutica, além das possibilidades de iatrogenia da prática clínica.

(ILLICH, 1975)

De maneira específica, referindo-se ao contexto hospitalar, Mezzomo (2001, p. 276)

afirma: “Hospital Humanizado, portanto, é aquele em que em sua estrutura física, tecnológica,

humana e administrativa valoriza e respeita a pessoa, colocando-se a serviço da mesma,

garantindo-lhe um atendimento de elevada qualidade”.

Em 1975, com a publicação do livro “Nêmesis médica: a expropriação da saúde”

causa grande polêmica, tal publicação segundo Richard Smith, diretor do British Medical

Journal, é um clássico da medicina, neste livro, Illich defende que: “a maior ameaça para a

saúde no mundo era a medicina moderna”.Alerta sobre as três modalidades de iatrogenia

médica: a clínica (o dano provocado pelos tratamentos), a social (resultante da medicalização

de muitos aspectos da vida, como o nascimento, o sexo ou a morte) e o cultural, o mais

perverso, porque destrói as vias tradicionais de enfrentar a dor e a doença. Outra publicação

polêmica é seu último livro “A convivencialidade”

No início da década de setenta, já acontecia nos Estados Unidos, em particular em São

Francisco, um simpósio nacional intitulado "Humanizando o Cuidado em Saúde", derivado de

uma publicação com a mesma denominação.

No Brasil, as reflexões sobre humanização aparecem de forma mais intensa no final da

década de 1980, a partir de movimentos de redemocratização política, no espírito do

14

movimento sanitário e, especialmente, pelo movimento de mulheres, em torno de pautas de

direitos sexuais e reprodutivos e das críticas ao modelo hegemônico da medicina.

A

partir

da

década

de

1990,

estas

reflexões,

que

até

então

faziam

parte

de

questionamentos internos ao campo da saúde e à prática de seu profissional vão ser

incorporadas como um conjunto de diretrizes que constituirão o ponto norteador de diversos

programas e políticas de saúde no Brasil. E, algumas secretarias municipais e estaduais de

saúde seriam precursoras deste processo, que na década seguinte seria ampliado, atingindo

uma abrangência nacional.

Em 2000, o Ministério da Saúde implantou o Programa Nacional de Humanização da

Assistência Hospitalar, mas tarde substituído pela Política Nacional de Humanização -

Humaniza SUS, em 2004; a Norma de Atenção Humanizada do Recém Nascido de Baixo

Peso, em 1999-2000; o Programa Humanização do Parto. Humanização no Pré-Natal e

Nascimento, em 2002. Tais programas e políticas são acompanhados da produção de

diretrizes técnicas importantes (BRASIL. Ministério da Saúde, 2000).

4.1 ALGUNS PRECURSORES DA ENFERMAGEM HUMANIZADA

4.1.1 Florence Nightingale (1820 – 1910)

Enfermeira inglesa nascida na cidade italiana de Florença, onde sua família, de origem

inglesa, residia temporariamente, que com seu trabalho lançou as bases dos modernos

serviços

de

enfermagem,

ganhando

fama,

portanto,

como

fundadora

da

profissão

de

enfermeira e como reformadora do sistema de saúde. Educada pelo pai, aprendeu grego, latim,

francês, alemão e italiano, história, filosofia e matemática. Após se formar por uma instituição

protestante de Kaiserswerth, Alemanha, transferiu-se para Londres, onde passou a trabalhar

15

como superintendente de um hospital de caridade. Sempre interessada pela enfermagem,

durante a guerra da Criméia (1854 -1856), integrou o corpo de enfermagem britânico como

enfermeira-chefe do exército, em Scutari, Turquia.

Durante a guerra constatou que a falta de higiene e as doenças matavam grande

número de soldados hospitalizados por

ferimentos. Assim desenvolveu um trabalho de

assistência aos enfermos e de organização da infra-estrutura hospitalar que a tornou conhecida

em toda à frente de batalha, consagrando a assistência aos enfermos em hospitais de

campanha.

Suas reformas reduziram a taxa de mortalidade em seu hospital militar de 42,7% para

2,2% voltando famosa da guerra e logo passou a batalhar, com considerável sucesso, pela

reforma do sistema militar de saúde.

Depois da guerra publicou “Notes on Matters Affecting the Health, Efficiency and

guerra

publicou

“Notes

on

Matters

Affecting

the

Health,

Efficiency

and

Hospital

Administration of the British Army” (1858) e fundou a primeira escola de enfermagem do

mundo, uma escola de enfermagem no Hospital de St. Thomas, em Londres (1860).

Como era solteira, trabalhava fora de casa e agia de acordo com as suas idéias, serviu

de exemplo a outras mulheres e contribuiu para impor respeito pelo papel da mulher na

sociedade, e só parou de trabalhar quando ficou completamente cega (1901), morreu em

Londres, aos noventa anos de idade.

Ela considerava a estatística essencial para entender qualquer problema social e

procurou introduzir o estudo deste ramo da matemática para justificar suas conclusões.

Utilizou em seus esforços dos dados que tinha, tornando-se pioneira na utilização de gráficos,

para apresentar dados em uma forma clara para que todos, inclusive os generais e membros do

parlamento; pudessem compreender. Seus gráficos criativos constituíram-se em um marco no

crescimento da nova ciência: a Estatística.

16

4.1.2 Ivan Illich (1926-2002)

Nasceu

em Viena,

em 4/09/1926.

Viveu

até

1941,

em Viena.

Neste

ano,

foi

considerado pelas leis nazistas como meio-judeu, fugindo aos 15 anos para a Itália, onde

passou o resto da sua juventude. Estudou ciências naturais, especializando-se em química

inorgânica na Universidade de Florença (1942-45) e na Universidade de Roma (1945-1947),

padre, teólogo, sociólogo, histórico heterodoxo, pensador radical, expoente da Escola de

Frankfurt, como um precursor do movimento antiglobalização.

Faleceu aos 76 anos no dia 2 de dezembro de 2002, na Alemanha acometido de um

câncer que se recusou a tratar. Em 1961, mudou-se para o México, onde, fundou o Centro

Intercultural de Documentação – CIDOC. Neste centro, discutia apaixonadamente sobre a

missão da Igreja na América Latina, tendo sido inclusive considerado uma instituição de

apoio à esquerda. É da época do CIDOC a realização dos famosos e acalorados debates com

Paulo Freire sobre educação, escolarização e conscientização.

Os famosos textos, “A escola, está velha e gorda vaca sagrada: na América Latina ela

abre um abismo de classes e prepara uma elite e com ela o fascismo”, (1968)”,e “En América

Latina, para qué sirve la escuela?”, (1973), originam o importante livro:“A Sociedade sem

escola” (1973), onde dizia que era necessário desescolarizar, não somente as instituições do

saber, mas também a sociedade. Novamente gera polêmica com “Némesis médica: a

expropriação da saúde”(1975).

No Brasil, este livro foi analisado pela tese de doutorado A Saúde pelo Avesso - Uma

Reinterpretação de Ivan Illich, o Profeta da Autonomia, IMS/UERJ (Instituto de Medicina

Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro), 1998, de Roberto Passos Nogueira.

4.1.3 Wanda Horta (1926-1981)

Nasceu em 11 de agosto de 1926, natural de Belém do Pará. Permaneceu em Belém

até os 10 anos de idade onde iniciou seus estudos primários no Colégio Progresso Paraense.

17

Em 1936 a família Aguiar muda-se para Ponta Grossa, no Paraná, onde concluiu o curso no

Colégio Regente Feijó da mesma cidade.

Graduada pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, em 1948.

Licenciada em história natural pela Faculdade de Filosofia, Ciências e letras da Universidade

do Paraná, Curitiba em 1953.

Pós-graduada

em

pedagogia

e

didática

aplicada

à

Enfermagem

na

Escola

de

Enfermagem da Universidade de São Paulo, em 1962.

Doutora em Enfermagem, na Escola de Enfermagem Ana Néri da Universidade

Federal do Rio de Janeiro com a tese intitulada "A observação sistematizada na identificação

dos

problemas

de

enfermagem

em

seus

aspectos

físicos",

apresentada

à

cadeira

de

Fundamentos de Enfermagem, Rio de Janeiro, em 31 de outubro de 1968.

Docente-livre da cadeira de Fundamentos de Enfermagem, da Escola de Enfermagem

Ana Néri da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 31 de outubro de 1968. Professora

livre-docente, Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, em 1970. Professora

Adjunto, Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, concurso realizado em 2 de

abril de 1974. Trabalhou em diversas instituições no período de 1948 a 1958 entre as quais

destacamos,

Chefe

de

Enfermagem

do

Serviço

de

Enfermagem

do

Hospital

Central

Sorocabano, São Paulo, no período de 1954 a 1955 e como professora do Curso de Auxiliares

de Enfermagem do Hospital Samaritano, São Paulo, no período de 1956 a 1958. Na escola de

enfermagem da Universidade de São Paulo no período de 1959 a 1981, como professora

auxiliar de Ensino da cadeira de Fundamentos de Enfermagem de 1959 a 1968, como

Professor Livre Docente no período de 1970 a 1974, como Professor Titular das disciplinas

Introdução à Enfermagem e Fundamentos de Enfermagem, no período de 1968 a 1974, como

Professor adjunto de 1974 a 1977. Em 1981, ano do seu falecimento, foi proclamada

Professor Emérito pela Egrégia Congregação da Escola de Enfermagem da USP.

18

A

menina

Wanda,

cedo

demonstrou

possuir

uma

inteligência

privilegiada.

Precocemente estudiosa, procurava aprender a essência do que lhe era ensinado e por isso era

muito elogiada por seus professores.

Sua mensagem ultrapassou não só fronteiras geográficas, sendo estudada também a

nível internacional, como também venceu as barreiras do tempo permanecendo ainda viva e

atual.

Horta buscou ao longo de sua trajetória criar e transmitir um conceito de enfermagem

que englobasse os aspectos, muitas vezes conflitantes, de arte humanitária, ciência e

profissão.

Adorava dar aulas que eram sempre enriquecidas por sua cultura geral e científica e

seu maior prazer era acompanhar os estágios dos alunos.

Ao retornar à Escola de Enfermagem da USP, em 1959, começa a desenvolver o

núcleo central de seu trabalho que constitui na elaboração de vasta fundamentação teórica

para a enfermagem, culminando com a elaboração da Teoria das Necessidades Humanas

Básicas. Essa teoria é considerada o ponto alto de seu trabalho e a síntese da todas as suas

pesquisas.

A obra de Horta permite ser interpretada, na enfermagem brasileira, como um divisor

de épocas - antes de se falar em teorias de enfermagem e depois, quando se fala sobre teorias

de enfermagem construída por enfermeiros.

Duas questões fundamentais foram perseguidas no trabalho de Wanda Horta. A

primeira, a quem serve a enfermagem? Respondida finalmente em sua teoria como uma

afirmação: "a enfermagem é um serviço prestado ao ser humano", e a segunda, com que se

ocupa a enfermagem? Respondida então que "a enfermagem é parte integrante da equipe de

saúde e como tal se ocupa em manter o equilíbrio dinâmico, prevenir desequilíbrios e reverter

desequilíbrios em equilíbrio do ser humano".

19

Em 1968

ela

publica

pela

primeira

vez

seu

próprio

conceito

de

enfermagem:

"Enfermagem é ciência e a arte de assistir o ser humano no atendimento de suas necessidades

básicas, de torna-lo independente desta assistência através da educação; de recuperar, manter

e promover sua saúde, contando para isso com a colaboração de outros grupos profissionais".

Suas realizações são tantas que se torna impossível enumerá-las. Participou em muitas

conferências em diversos pontos do país e no exterior, organização de cursos de graduação e

pós-graduação em diversos estados brasileiros, o comparecimento em atividades culturais no

Brasil e no exterior, a orientação de diversos trabalhos de pesquisa, participação em inúmeras

comissões de estudo e bancas examinadoras.

Horta enfrentou muitas resistências. As idéias desta pioneira pertubaram os baluartes

conservadores da enfermagem. Inúmeras barreiras tiveram que ser vencidas. Para melhor

divulgar suas idéias, criou e manteve de 1975 a 1979, sem apoio de qualquer órgão oficial, a

revista Enfermagem em Novas Dimensões, onde divulgou 13 artigos e 22 editoriais.

Esta publicação se tornou um marco editorial da enfermagem brasileira. Era uma

revista dinâmica, de diagramação moderna, voltada para a divulgação e o estímulo à pesquisa

científica na comunidade da enfermagem.

Suas armas nesta batalha foram sua inteligência viva, seu carisma pessoal, sua

disposição sem limites e seu entusiasmo pela enfermagem.

Atravessou momentos difíceis, vitima de uma doença degenerativa, a esclerose

múltipla, tendo vivido os últimos anos de sua vida em cadeira de rodas.

Em fevereiro de 1981, quando se aposentou, o Professor Dr. Carlos da Silva Lacaz

externou os sentimentos de todos os funcionários, professores e alunos da Escola de

enfermagem dizendo do apreço que lhe era atribuído por dignificar a classe a que servia e,

pela contribuição que havia dado ao desenvolvimento da enfermagem em nosso país, lhe

outorgava o título de professor Emérito, a ser entregue posteriormente.

20

Realizou

brilhante

carreira

acadêmica,

tornando-se

conhecida

nacionalmente

na

comunidade

da

Enfermagem,

introdutora

do

Processo

de

Enfermagem,

ou

seja,

a

sistematização dos procedimentos de enfermagem cientificamente fundamentados.

Mestra de reconhecido saber, orgulho e respeito de toda a categoria profissional

Faleceu em 1981.

.

4.2 A FORMAÇÃO DO ENFERMEIRO PARA O CUIDADO HUMANIZADO

Segundo Backes et al 2007, as reflexões filosóficas no campo da humanização tem

adquirido

grande

importância,

principalmente,

diante

do

princípio

da

responsabilidade

científica e social e da aparente impotência da ética frente ao ser humano tecnológico, capaz

de organizar, desorganizar e mudar, radicalmente, os fundamentos da vida, ou seja, de criar

e/ou destruir a si mesmo.

As atividades educativas dos profissionais de enfermagem vêm sendo discutidas em

vários momentos pelas entidades representativas.

Zago; Casagrande (1996, p.54), salientam que:

] [

enfermeiro possa recriar o processo educativo, contendo conhecimentos de pedagogia, porém transformado, para que não seja uma simples transferência de informações aos indivíduos, mas, um ensino que busca um resultado mais imediato sobre o modo como eles

a educação em saúde precisa ser melhor estudada para que o

cuidam de sua saúde, porque se fundamenta uma necessidade imediata.

Durante o processo de formação os alunos são colocados em situações onde se torna

necessário o processo de comunicação entre eles e o paciente, utilizando-se tanto da forma

verbal, quanto não-verbal. Para Azevedo (2002, p.21), “a comunicação franca e aberta auxilia

21

alunos e clientes a enfrentarem momentos de incerteza e ansiedade durante a realização de

cuidados”.

Por outro lado, Zago; Casagrande (1996, p.57), lembram que:

]os [

atividades educativas com o paciente. Mas, a extensão, a visão desses profissionais quanto à atividade, o contexto cultural em que ocorrem e os padrões culturais dessa atividade ainda são incompatíveis com os pressupostos de educação e ensino de pacientes e de auto cuidado.

enfermeiros cirúrgicos brasileiros valorizam e desenvolvem

No centro cirúrgico, um dos fatores que vem afastando os profissionais de suas

atividades é o avanço tecnológico desta unidade, o que tem favorecido a complexibilidade dos

procedimentos ali realizados.

Jouclas et al (1998, p.44) afirmam:

] [

pelo desafio entre a racionalidade cientifica do modelo biológico de assistência à saúde e seus valores culturais, sociais e éticos. Assim em

seu dia–a–dia, vê–se constantemente impulsionado a transferir e adiar suas escolhas e ideais profissionais, entre as decisões tecnocratas, sentindo–se, cada vez mais, como um instrumento de controle, o que vem pesando sobre si como uma grande e constante ameaça.

o enfermeiro de centro cirúrgico enfrenta uma crise compreendida

É ainda interessante perceber, que ao ser internada a pessoa traz suas percepções, seus

conceitos. Além de trazer sua história de vida. No entanto, parece que, por vezes, esses

aspectos são pouco valorizados.

Quando

se

fala

em

humanização,

várias

questões

são

envolvidas:

conserto

de

equipamentos e aquisição de novos, recuperação e adequação da estrutura física, contratação

de profissionais para atender à demanda, bem como sua permanente capacitação técnica e

emocional.

22

Assim, o estabelecimento de um diálogo franco e esclarecedor com o cliente, suas

funções e formas, a comunicação terapêutica e sua aplicabilidade no cotidiano das ações de

enfermagem vêm sendo debatidas constantemente com os graduandos, e mesmo com o

empenho de docentes e discentes, durante o processo de ensino-apendizagem, sobretudo, nas

atividades práticas, estes se deparam com situações em que o processo de comunicação com o

cliente parece ineficaz e/ou não oferece subsídios para o planejamento da assistência

(AZEVEDO, 2002, p.19).

4.3 A ÉTICA NA ASSISTÊNCIA (DES) HUMANIZADA NO CENTRO CIRÚRGICO

Levando em conta a ética profissional da enfermagem, a estes profissionais não

competem apenas as ações técnicas e especializadas, mas a atenção às pessoas doentes da

melhor maneira possível, respeitando sua individualidade (GUIDO, 1995, p.103).

O Código de Ética dos profissionais de enfermagem, por meio da Resolução nº

240/2000, p.35, capítulo I (COFEN, 2000), estabelece que:

] [

direitos da pessoa humana, em todo seu ciclo vital, a discriminação de qualquer natureza, assegura ao cliente uma assistência de enfermagem

livre de danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência, cumpre e faz cumprir os preceitos éticos e legais da profissão, exercendo a enfermagem com justiça, competência, responsabilidade e honestidade.

o profissional da enfermagem respeita a vida a dignidade e os

Ao descrevermos as atividades desenvolvidas pela enfermagem no centro cirúrgico,

temos: recepção e identificação do paciente, encaminhamento à sala de cirurgia, preparação e

montagem da sala, teste e verificação da segurança dos equipamentos, mobilização e

transporte de pacientes, recepção e avaliação em sala de recuperação anestésica, assistência

23

individualizada e humanizada, encaminhamento e alta com segurança e respeito (GUIDO,

1995).

Consideramos que a humanização deve permear cada uma destas atividades, mesmo

que equipamentos estejam presentes no procedimento. No centro cirúrgico, há momentos em

que o paciente é esquecido em detrimento de questões burocráticas, ambientais, e até por falta

de respeito. Durante a fase pré-anestésica, o paciente “pode ficar” exposto e até mesmo nu

sobre a mesa cirúrgica aguardando o efeito dos anestésicos.

No trabalho diário de um centro cirúrgico é de responsabilidade do enfermeiro a

recepção do paciente que, na maioria das vezes, é feita de forma mecânica junto a uma

identificação que passa de nome e sobrenome para número e patologia.

Ao realizar um estudo sobre a humanização da assistência de enfermagem prestada no

centro cirúrgico, Rodrigues (2000, p.18) traz fragmentos de entrevistas que demonstram o

tratamento ético que é dispensado aos pacientes sob a ótica dos mesmos:

] [

] fui recebida

com bom dia, mas depois me deixaram sozinha em uma sala e eu só ouvia conversas no corredor, senti medo, foi muito ruim, eu estava angustiada e as moças ficaram discutindo preço de celular.

que estavam fazendo, isso me deixou mais tranqüila; [

quando me chamaram pelo meu nome, tive a certeza que sabiam o

O paciente é levado até a sala de cirurgia de forma fria, sem se estabelecer um diálogo

ou mesmo uma relação de confiança profissional-paciente; depois de colocado na mesa

operatória é esquecido, e a enfermagem passa a assumir função tecnicista, dispensando

atenção aos equipamentos e seu funcionamento adequado, sem maiores esclarecimentos ou

respostas às suas angústias.

A atenção, muitas vezes, fica restrita a simples expressões como: “está tudo bem”,

“respira fundo” ou “calma”, sem ao menos olhar diretamente para ele. Relato de médicos que

24

passaram para a situação de paciente demonstram essa, como Caprara; Francos (1999, p.652)

colocam:

Fato que merece destaque e muitas vezes é desencadeado por problemas administrativos, é o cancelamento de cirurgias, que já causou angústia e insegurança considerável ao paciente, prejudicando- o e desrespeitando-o, pois geralmente só é informado no centro

cirúrgico, sendo que cada paciente tem sua reação e resposta particular

] [

e para alguns pode ter efeitos desastrosos, mesmo que sejam

esclarecidos ou que estes tentem racionalizar e compreender a situação.

Baseados no Código de Ética dos profissionais de enfermagem (COFEN, 2000, p.34),

verificamos no capítulo III, artigo 16º que é de responsabilidade da nossa profissão “assegurar

ao

cliente

uma

assistência

de

negligência ou imprudência”.

enfermagem

livre

de

danos

decorrentes

de

imperícia,

Associado ao cancelamento de cirurgias outros “dilemas éticos” podem ser relatados

no atendimento ao cliente na eminência de uma cirurgia, como a invasão de sua privacidade e

o desrespeito dentro da sala operatória; não se pode ignorar que a enfermagem no cuidado

diário, toca e expõe o paciente, muitas vezes, sem autorização, adotando posturas de poder

sobre o mesmo. Sentimentos de constrangimento, vergonha e embaraço, são demonstrados,

porém o paciente pouco questiona acreditando ser imprescindível a invasão para sua

recuperação.

Entretanto, o sujeito do processo de trabalho da enfermagem é um ser humano com

personalidade, dignidade, preconceito e pudor (PUPULIM; SAWADA, 2002).

25

Por outro lado, Guido (1995, p.106) ainda nos mostra claramente esses dilemas

quando cita algumas situações a serem corrigidas para que se alcance a humanização e o

respeito que é de direito do paciente:

Lembrando novamente o Código de Ética da Enfermagem, citamos os artigos 27 e 28

do capítulo IV que tratam dos deveres do profissional enfermeiro, sendo, o “Art. 27 -

Respeitar e reconhecer o direito do cliente de decidir sobre sua pessoa, seu tratamento e seu

bem estar” e o “Art.28-Respeitar o natural pudor, a privacidade e a intimidade do cliente”

(COFEN, 2000).

Diante disto, é possível observar que, o atendimento dedicado ao paciente se distancia

demasiadamente da teoria já que na prática em várias situações, a atenção individualizada é

praticada de forma mecânica. Assim, a ética profissional que tanto deve ser conservada acaba

sendo

substituída

por

práticas

adotadas

devido

à

escassez

de

tempo

ou

mesmo

por

comodidade de certos profissionais, tornando o ambiente (des) humano.

Profissionais de várias áreas que trabalham juntos, no contexto hospitalar, são as

chamadas equipes.

Moscovici (1994) discute esta essa idéia alertando que um grupo pode considerar-se

equipe

quando

compreende

seus

objetivos

e

está

engajado

em

alcançá-los

de

forma

compartilhada, quando passa a prestar atenção em sua forma de tencionar, resolver os

problemas que afetam, a comunicação entre membros é verdadeira, investe constantemente

em seu próprio crescimento.

4.4 A HUMANIZAÇÃO FRENTE AO AVANÇO TECNOLÓGICO

26

Ao longo da história a enfermagem vem se desenvolvendo, e a partir da Revolução

Industrial teve um impulso considerável, em pesquisas, técnicas e novos conceitos que

conquistou perante a sociedade.

Por outro lado, a ciência obteve um grande avanço a partir do momento em que se

aliou à tecnologia, beneficiando-se dos princípios científicos e dos equipamentos mais

simples aos mais sofisticados (RIBEIRO et al, 1999, p.15).

É claro que a tecnologia é essencial, desejável e necessária à modernização do

atendimento aos pacientes no centro cirúrgico, tornando-se útil para prolongar a vida e

diminuir o sofrimento de muitas pessoas, no entanto, não se deve deixar o paciente de lado

dando prioridade aos aparelhos, conforme descreve RIBEIRO et al (1999, p.19) ao dizer que,

“de nada adianta ser um humanista e observar o homem que morre por falta de tecnologia,

nem

ser

rico

em

indignamente”.

tecnologia

apenas

para

observar

os

homens

que

vivem

e

morrem

4.5 HUMANIZAR O CUIDADO NO C. CIRÚRGICO É POSSÍVEL?

Segundo Costa (2003), ao entrar num ambiente cirúrgico um profissional da saúde

paramenta-se de acordo com a necessidade que o ambiente exige, isto é, aventais, pro-pés,

máscaras, gorros e luvas e tudo o mais para a garantia de um ambiente asséptico, evitando

assim uma infecção hospitalar. Isto é um fato conhecido, mesmo que não possamos vê-los,

temos consciência de que existem universo invisíveis a olho nu, por exemplo, o microscópico

universos dos germes. Ínfimas partículas, porém, com potencialidade se bem agrupadas e

organizadas, desperta uma potência letal capaz de dizimar toda uma população.

27

Ao fazermos um retrospecto sobre a enfermagem, suas origens e evolução até o

presente momento, não restam dúvidas que o cuidar é sua principal característica e seu marco

referencial, representando as crenças e valores predominantes da prática da enfermagem.

Com o passar dos tempos têm surgido várias definições de cuidar/cuidado de acordo

com diferentes concepções.

Waldow (1992, p. 30) afirma que o “cuidado pode ser considerado como a conotação

de atenção, preocupação para, responsabilidade por, observar com atenção, com afeto, amor

ou simpatia. Em geral, o termo implica a idéia de fazer, de ação”.

Para que o cuidado humano tenha efeito positivo, deve-se incorporar mais de um fator

em sua estrutura, como a valorização da humanização, a criatividade na promoção da fé e da

esperança, promoção do ensino-aprendizagem entre os profissionais, a prestação de cuidados,

a expressão de sentimentos negativos e positivos, entre outros.

Tanji;

Novakoski

(2000,

p.802)

afirmam

que

“o

cuidado

é

imprescindível

em

diferentes situações da vida do ser humano, podendo ser adaptadas e ajustadas conforme a

necessidade”.

Pode-se afirmar que desde o momento em que o paciente é admitido para a realização

de procedimento cirúrgico até a alta hospitalar, este não é mais o único responsável pelo que

acontece consigo, mas toda a equipe.

28

Durante sua permanência no centro cirúrgico, a responsabilidade recai sobre a equipe

cirúrgica e mais diretamente no enfermeiro, passando a responder por tudo o que está ou

possa acontecer com o mesmo. Os primeiros passos devem ser em direção ao cuidado de

quem cuida. A equipe deve estar atenta a esta realidade e estar constantemente ocupada em

criar encontros para pensarem mecanismos de proteção psíquica, através de exercícios e

técnicas, até mesmo práticas de meditação.

Mantendo sempre o caráter ecumênico num clima de ética e respeito supra-religioso,

olhando a espiritualidade como um conhecido e bem-sucedido fator de proteção psíquica.

Uma equipe multidisciplinar, espiritualmente bem preparada, terá maiores chances de assistir

aos pacientes de maneira mais sensível e humana, podendo, por exemplo, trazer para a prática

diária da oração, respeitando o sistema de crença de cada um.

A Organização Hospitalar é uma das mais complexas que existe e esta complexidade

advém dos desafios que lhe são inerentes, dependendo de sua capacidade de harmonizar os

diferentes processos, direcionando-os ao produto final que resulta na promoção da saúde e seu

restabelecimento retomando, a pessoa, a seu equilíbrio e convívio social.

A condução deste processo com êxito consiste na coordenação de ações específicas de

cada segmento envolvido neste trabalho, atribuindo-se a cada um deles um sentido próprio, os

quais em sintonia, convergem para um único objetivo.

Grupos

ou

subgrupos

apresentam

uma

tendência

a

funcionar

isoladamente,

construindo seu universo isolado com interesses e objetivos próprios, distanciando-se do todo

organizacional, o que resulta em prejuízo no alcance das metas e resultado final.

29

Humanizar significa mudar os paradigmas de gestão, possibilitando aos profissionais o acesso

a uma participação mais efetiva nos processos que envolvem tomadas de decisões, definição

de tarefas e construção de projetos concorrentes a sua esfera de ação.

Os hospitais são considerados empresas prestadoras de serviços, cujo trabalho é

produto de inter-relações complexas de vários profissionais atuantes nesta área, voltadas à

saúde, e estes profissionais têm como principal objetivo de trabalho, a vida e o sofrimento das

pessoas.

Por esta ótica, a Gestão de Pessoas, deverá enfocar o processo de humanização,

voltado ao atendimento das necessidades pessoais e profissionais de seu Quadro Operacional;

para que possa atender satisfatoriamente aos requisitos básicos da Assistência qualificada,

referentes à competência técnica e competência para interagir.o profissional que é valorizado

pela Instituição que trabalha e que se sente respeitado, tendo suas expectativas pessoais e

profissionais atendidas, passará a assumir uma postura menos rígida e tensa em seu

desempenho,

adotando

um

posicionamento

mais

flexível,

tomando-se mais apto a atendê-Io com eficiência.

mais

próximo

ao

paciente,

A humanização é entendida como valor na medida em que resgata o respeito à vida

humana, em dimensões que atingem as circunstâncias sociais, éticas, educacionais e psíquicas

presentes em todo relacionamento humano; não fragmentando o homem, na ideologia

"corpomáquina"

30

De acordo com Capra (1991), esse pensamento dificultou a compreensão do ser

humano em sua totalidade, corpo e mente que interagem mutuamente.

Já Waldow (1992) afirma que o modelo cartesiano exerceu influência na Enfermagem,

não só no que diz respeito ao aspecto psicossocial dos pacientes, mas, também, aos

enfermeiros

que

aprenderam

a

conter

suas

emoções,

evidenciando

posições

rígidas

e

conflituosas.

Nesta perspectiva, entendemos que o principal aspecto que envolve a Humanização

fundamenta-se no fortalecimento do comportamento ético, em articular o cuidado técnico-

científico ao cuidado que incorpora o acolhimento e o respeito ao outro como ser autônomo e

digno.

De certo modo, deve-se atentar para a qualificação profissional e proporcionando

melhores condições de trabalho e qualidade de vida a seus profissionais, que os favoreçam a

enfrentar o desgaste provocado pelo constante contato com a dor, sofrimento, limites e

dificuldades no desempenho de seu trabalho, permitindo efetivamente que participem na

identificação

das

melhoras

que

viabilizem

estas

condições,

as

Instituições

estarão

definitivamente engajadas no Processo de Humanização.

A essência humana se encontra basicamente no cuidado. Cuidar é mais que um ato; é

uma atitude. Representa uma atitude de ocupação, preocupação e de envolvimento afetivo

com o outro. Toda vida precisa de cuidado, caso contrário adoece e morre (BOFF, 2000).

Desse modo, a rotina de um paciente, geralmente prende-se a várias situações novas,

que modificam radicalmente seu cotidiano. Sua nova rotina passa a incluir consultas médicas,

31

exames, expectativas quanto a resultados, futuro incerto, mudanças na vida familiar, situação

profissional

e

financeira,

ligadas

ao

medo,

angústia,

solidão

e

uma

série

de

outros

sentimentos. Também a família atravessa momentos de dificuldades em se adaptar à nova

realidade e com novos papéis a desempenhar e aceitação da mortalidade da vida nos faz

entender de forma diferente a saúde e a doença (BOFF, 2000)

Ao tratarmos do cuidar em toda sua dimensão, devemos direcionar nossa atenção para

a relação existente entre a pessoa que cuida e a que recebe cuidado. Esta relação geralmente

encontra-se permeada por suas histórias de vida e a forma como essas pessoas deram

significados a suas experiências e valores irão interferir e influenciar este encontro.

Assim, o cuidado profissional pretende assegurar ao paciente, o bem estar, o conforto,

o alívio da dor e a cura irá acontecer quando um novo equilíbrio humano for criado e

reintegrar as dimensões da vida sã, nos planos pessoal e social.

32

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise das narrativas sobre iniciativas de humanização da assistência Médica e em

especial

em

Centros

Cirúrgicos

permite

inferir

a

vitalidade

e

legitimidade

de

suas

reivindicações, dado que são oriundas do movimento social, iniciado pelas mulheres para

proteger sua prole, quando nasciam com pouco peso.

Leva-nos ainda a refletir sobre os modos de acomodação de um ideário questionador,

num modelo institucionalizado e historicamente hierárquico, surgindo versões normativas,

como também criando resistências daqueles que se vêem ameaçados ou questionados por uma

proposta relativamente recente e potencialmente transformadora.

Um dos grandes desafios da humanização está em rejuntar/religar as indagações, os

saberes e, principalmente, os valores éticos, morais e sociais. Redesenhar um novo horizonte,

afastado do debate reducionista voltado para os direitos individuais e mais preocupado com o

resgate de conceitos mais abrangentes relacionados à dignidade humana.

Além disso, as soluções tecnológicas não passam necessariamente pela academia e sim

pelos

mentores

dessas

tecnologias

com

treinamentos

ou

orientações

práticas.

O

mais

importante, nesse espaço, não é saber onde se originou o pensar tecnológico dos profissionais,

mas, sim, na capacidade de estimular a re-inserção crítica do ser humano na realidade, a partir

do pensamento complexo.

Por mais competente e experiente que seja o profissional, é impossível dominar todos

os conhecimentos de área, mesmo havendo momentos em que seu repertório de habilidades

não seja suficiente para curar um determinado paciente.

33

Não é fácil para o profissional de saúde manter-se atualizado. As informações chegam

de todos os lados em grande quantidade e com enorme velocidade, como aquelas geradas pela

Internet, por exemplo.

Com isso, seu treinamento prioriza, quase sempre, o acúmulo de conhecimentos

teóricos e o desenvolvimento de habilidades técnicas. Ficam relegados ao segundo plano suas

habilidades interpessoais, a relação profissional-paciente, o lado humano do atendimento e o

paciente deixa de ser visto como uma pessoa para tornar-se um caso de obstrução coronariana,

acidente vascular-cerebral, ulcera gástrica, hipertensão, carcinoma e outras patologias mais.

A ênfase é dada ao problema, ao sintoma, à doença ou ao órgão doente. Ficam

esquecidas a pessoa do paciente e suas questões emocionais. Esta criada no profissional,

assim, a postura denominada organicista.

Nessa perspectiva, é preciso alcançar-se o equilíbrio entre as habilidades técnicas e

interpessoais no contato com o paciente. Não se trata aqui de supervalorizar umas em

detrimento das outras; ambas devem estar presentes num atendimento integral ao paciente.

Preparando o ambiente de sua sala de espera, consultório, ambulatório ou dos vários

setores de um hospital, o profissional começa a cuidar do paciente antes mesmo de encontrá-

lo. À medida que prepara o ambiente externo, prepara também seu ambiente interno, dirigindo

seus pensamentos e sentimentos para o paciente que vai ser atendido, entrando em sintonia

com ele antes de vê-lo.

34

Além do mais, o ambiente físico nunca é neutro ele emite, o tempo todo, mensagens

para o paciente. Essas mensagens tanto podem ser de cuidado e interesse como de extremo

descuido e desinteresse. A parti do instante em ele entra em contato com o lugar em que vai

ser atendido, começa a experimentar sensações de bem-estar ou mal-estar, provocadas pelo

ambiente.

Demanda ainda o debate das formas de condução da política de humanização com a

categoria médica. Tais diferenças também conferem papéis distintos aos enfermeiros e

médicos, e conseqüentemente, diversos graus de adesão a tais concepções.

Investir nos profissionais de saúde implica em direcionar ações que objetivem um

convívio cada vez mais humano, buscando também qualidade e produtividade no trabalho em

equipe, conscientizando-os da necessidade da manutenção de um autoequilíbrio que os

possibilite

a

profissional.

realizar

um

trabalho

com

competência

técnica,

habilidade

e

dedicação

Portanto, a humanização deve ser resgatada, pois é direito do paciente/cliente como ser

humano ter respeitados as suas necessidades, os valores, os princípios éticos e morais, as suas

crenças e de seus familiares e, acima de tudo, ter alívio da dor e de seu sofrimento com todos

os recursos tecnológicos e psicológicos disponíveis no momento de seu atendimento, além de

ter sua privacidade preservada, sempre que possível, como também, ter condições e ambientes

que facilitem o restabelecimento, a manutenção, a melhora da assistência à saúde.

35

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