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Índice

Apresentação...............................3

Reflexão:
“Da alegria de ser chamados
à coragem de chamar”...........5

Propostas de Oração:.................13
Adoração do Santíssimo.......15
Mistérios Dolorosos.............25
Mistérios Gloriosos..............31
Via-Sacra..............................37
Celebração Penitencial.........59

Apêndice....................................63
1
Apresentação
Sabemos que toda a vocação é dom de Deus. Faço pois um apelo sentido a
toda a Diocese para dar vida a “uma grande oração pelas vocações”, uma oração
vivida com intensa confiança e perseverança, capaz de envolver pessoalmente
todos os membros do povo de Deus e a realizar com oportunas modalidades
comunitárias. (…)
Peço pois ao Secretariado Diocesano das Vocações que estude as iniciativas
mais oportunas e adequadas a propor à Diocese para uma renovada e mais
vigorosa pastoral vocacional, como também as modalidades concretas para
promover “a grande oração pelas vocações” nas paróquias, nos arciprestados,
nas associações e movimentos eclesiais.

Correspondendo a este apelo do Sr. D. António Marto, para o


Ano Pastoral 2005/2006, dedicado aos Ministérios e Vocações na
Igreja, e à sugestão concreta dos Sacerdotes da nossa Diocese, o
Secretariado Diocesano da Pastoral Vocacional (SDPV) edita este
subsídio com propostas de oração orientadas para o Tempo da
Quaresma e da Páscoa.
Incluímos também o texto do Sr. Bispo intitulado “Da alegria
de ser chamado à coragem de chamar”, sobre a pastoral vocacional e
pedagogia vocacional, que nos oferece boa fundamentação para a
animação vocacional.
Apresentamos juntamente com este subsídio uma lamparina de
barro, que poderá, como símbolo sugestivo, ser um elemento a
integrar na ambientação destas propostas de oração vocacional.
Também disponibilizamos no sítio deste Secretariado –
www.sdpvviseu.web.pt – outros subsídios. Lá aguardamos as
sugestões que os nossos visitantes acharem oportunas.

Resta-nos augurar-mos para todos os Animadores Vocacionais


aquela alegria e coragem que vem da iniciativa de Jesus Cristo, o
Mestre do Chamamento.

SDPV

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Reflexão
“Da alegria de ser chamado à coragem de chamar”

Pastoral vocacional e pedagogia vocacional

“Da alegria de ser chamado à coragem de chamar” é o lema do plano


diocesano de pastoral vocacional que coloca a temática dentro do
lema para o ano pastoral: “Servidores da alegria do Evangelho”. Na
carta pastoral referi-me à necessidade de “uma verdadeira e própria
pedagogia vocacional”. Hoje quero explicitar esta pedagogia, o seu
alcance e as suas exigências para a comunidade cristã e para os
animadores vocacionais, tendo presente uma questão fundamental: o
que é que se deve por no centro da pastoral vocacional para abrir a
mente e o coração dos mais jovens a um apelo de Deus, que os atraia
de modo a colocá-lo no horizonte das suas opções?

1. Novo contexto vocacional

A crise das vocações ao sacerdócio ou à vida religiosa não


pode ser compreendida de um modo isolado do contexto cultural da
nossa época nem do contexto da vivência da fé nas nossas
comunidades.
É antes de mais uma crise cultural. Hoje sente-se a falta de
uma “cultura vocacional” que se reflecte em vários âmbitos: crise da
vocação ao matrimónio, à vida política, à vida sindical, à vida
associativa. Isto é derivado da cultura reinante da incerteza e da
confusão, causada pelo relativismo e pelo vazio de ideais, de valores,
de referências e modelos fortes, que desemboca por sua vez na
cultura da indecisão. Os jovens têm temor, receio e medo de tomar

3
opções e assumir compromissos fortes, exigentes e duradoiros. Esta
crise cultural repercute-se também na Igreja.
Em tempos de cristandade, a vocação, tal como a fé,
despertava e transmitia-se como que por osmose ou contágio do
ambiente cristão das famílias e da figura e do estatuto social do
padre. Hoje, num mundo em constante mudança e pluralista, a
vocação, tal como a fé, requer interpelação clara por parte da
comunidade cristã e escolha, opção consciente dos destinatários.
Acontece porém que nas nossas comunidades cristãs reina
uma amnésia vocacional. A maior parte dos nossos cristãos pensa que
isso da vocação é assunto do bispo e dos padres.
A crise vocacional é, em última análise, crise de interpretação
banal da fé, privada de toda a beleza, frescura, encanto, paixão,
alegria e entusiasmo por Cristo e pelo evangelho, privada do sentido
de responsabilidade e de doação a Deus e aos outros.
Entre os cristãos há a tendência a ser mais fruidores e
consumidores de serviços religiosos do que a ser chamados e
enviados por Jesus Cristo. Ora o crente não compreende nada da fé,
se não a percebe e vive como apelo, chamamento constante ao qual
dá resposta. Cada um é chamado a viver a fé como vocação segundo
os dons, qualidades, capacidades e carismas com que Deus o agraciou
e os ministérios a que o chama. Isto diz respeito a todos os cristãos.
Daqui resulta que a pastoral vocacional não é um aspecto
isolado, sectorial. Está vinculada à pastoral global da comunidade
cristã e, particularmente, à pastoral juvenil e familiar. Trata-se de uma
pastoral transversal e refere-se a todas as vocações.

2. Pedagogia vocacional

Esta pastoral requer uma pedagogia própria, isto é, linhas


pedagógicas em ordem á animação vocacional.

2.1.O âmbito existencial: a comunidade cristã normal deve ser por


natureza, “casa e escola vocacional” que faz despertar e crescer, de
modo normal, as vocações normais a partir da fé vivida e
testemunhada como apelo! A vocação há-de ser apresentada não
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como um facto extraordinário, mas como o desabrochar normal de
um caminho de fé: Que procuras? O que te move? Que anseios estão
no interior do teu coração? Que sentido e que projecto queres dar á
tua vida? Que esperas da vida?
Vocações normais: a vida matrimonial, profissão, sacerdócio,
ministérios, vida consagrada, voluntariado, empenho no social ou
politico etc.
A pastoral passa através de uma proposta vocacional
comunitária e popular, não elitista. Cada um na comunidade (família,
catequistas, padres…) tem um talento próprio a fazer frutificar na
acção comunitária, para a preparação do terreno e para a sementeira
de todas as vocações. Assim todos se sentem e mostram responsáveis
pelo futuro da Igreja.

2.2 Os protagonistas: todo o adulto na fé sentirá a alegria de ser


chamado e por sua vez de “chamar” também: com o testemunho de
vida, a palavra, o acompanhamento, a interpelação directa...
Mas, como num jogo em equipa, há que ter animadores
vocacionais nas comunidades e na diocese.

2.3 O objectivo: formar, educar o sujeito vocacional para que viva


conscientemente o chamamento pessoal como parte da sua fé, da sua
relação com Deus, com o povo de Deus e com o mundo. A vocação
de cada um é sempre vocação situada num contexto familiar,
religioso, comunitário e social, como se pode ver no exemplo típico
da vocação de Samuel.

2.4 Estratégia vocacional: os caminhos da pastoral vocacional são,


antes de mais, os do crescimento da fé e dos seus dinamismos. Em
concreto, requer-se:
– a articulação dos dinamismos da fé;
– propostas de itinerários vocacionais, ou seja, de mediações
para a opção vocacional.

3. O animador vocacional
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Naturalmente, não esquecemos que a animação vocacional é,
antes de mais, obra de Deus que trabalha o coração humano pela
acção do Espírito Santo. Mas Deus trabalha com a nossa colaboração,
em equipa connosco. O ser animador vocacional requer uma
pedagogia própria.
A pedagogia é antes de mais a própria pessoa que a põe em
prática. Não bastam os princípios teóricos. O método é sobretudo a
qualidade da sua vida. A pedagogia vocacional é pois, antes de mais,
o nível da maturidade vocacional do animador. Nesta perspectiva
propomos algumas qualidades ou características do animador
vocacional.

3.1 Educador e formador

Há hoje uma “orfandade educativa” que vai mais para além


dos pais que se demitem da sua função educativa, das famílias
desfeitas e dos pais separados. A crise vocacional é também crise de
educadores. Há de facto muito mais instrução, mas menos educação.
A educação é uma arte. Em síntese:
– a arte de ajudar o jovem a trazer ao de cima, a tomar
consciência da verdade de si mesmo: a conhecer-se e a conhecer as
suas aspirações, os seus ideais, os seus medos e as suas resistências,
as suas fragilidades e dependências;
– a arte de propor um ideal de vida que a desenvolve e a torna
digna de ser vivida.
Este empenho deveria ser visível: - no tempo e nas energias
dedicadas a este serviço; - na disponibilidade à escuta; - no
acompanhamento espiritual compreensivo e também exigente; - na
atenção particular a cada pessoa e não só ao grupo.

3.2 Propositivo e corajoso

Quer dizer, o animador deverá ter consciência de que tem algo


de belo e importante a comunicar e partilhar com os jovens. O que é
verdadeiro, bom e belo deve ser testemunhado e narrado não só
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respeitando mas também “pro-vocando” a liberdade de quem escuta
para que reconheça algo que pode tornar verdadeira, boa e bela a sua
vida. Neste aspecto é prioritário o recurso a testemunhos
significativos e belos. O primeiro testemunho dos padres e religiosos
é pois a beleza do sacerdócio, da missão, da vida consagrada, da vida
em comunidade, em tudo o que se vive, diz e faz...
O animador deve ter consciência de possuir este tesouro.
Daqui deriva a coragem e a criatividade de dar o primeiro passo, de
passar à pedagogia da proposta, de chamar pelo nome como fazia
Jesus, de experimentar estratégias educativas, mesmo quando não
parecem dar resultados imediatos. Não desiste após a primeira recusa.
Por vezes há timidez porque não se acredita no tesouro que se
possui. E não é com certas manias juvenilistas que se provoca a
liberdade dos jovens. Querem-nos ver próximos, mas diferentes!

3.3 Coerente e essencial

A coerência é a fidelidade a si mesmo, à sua vocação, às


convicções e aos valores, a Jesus Cristo e ao projecto de Deus que é o
essencial. Por vezes entretemos os jovens com o secundário e o
periférico que só serve para confundir.
Hoje um jovem vive na confusão mais desorientadora e em
contacto com a incoerência mais dissonante, a vários níveis e em
muitas pessoas, a começar na própria família. Tem necessidade de
coerência e de exemplos vivos desta virtude que deixam transparecer
o essencial da vida e o que é fundamental para a sua vida e a sua
felicidade. Isto implica passar da pedagogia dos valores à pedagogia
dos modelos de vida.

3.4 Alegre, contente e credível

O animador há-de ser testemunha de uma serenidade e alegria


interiores que tornam credível aquele que chama e o chamamento que
faz.
A autenticidade do testemunho vive-se na frescura de motivações, no
gosto de redescobrir, cada dia, motivos e sabores novos do próprio
ministério ou da consagração. Li uma vez esta frase: “O padre deve
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ser como o peixe, isto é, fresco; quando não é fresco começa a cheirar
mal”… Trata-se, naturalmente, da frescura espiritual!
Esta autenticidade transparece e manifesta-se na capacidade
de relação, na maturidade relacional: - a capacidade de estar no meio
da gente; - de querer bem a todos e não só aos simpáticos; - de viver
relações saudáveis, livres e libertadoras; - de estar contente com a sua
escolha ou com o seu ser celibatário como dom total de si mesmo.
O melhor modo de mostrar as próprias convicções é mostrar-
se contente, alegre, sereno; só assim, o que foi chamado se torna
também naquele que chama!

4. Estratégia vocacional

4.1 Articulação dos dinamismos da fé

Se o modo normal do desabrochar e crescer da vocação é a


partir da fé, há que articular todos os dinamismos que lhe são
próprios: fé recebida, personalizada, professada, celebrada, rezada,
estudada, partilhada, anunciada, provada na e pela vida.
A opção vocacional é consequência da vitalidade destes
dinamismos. E dentro destes dinamismos há que propor claramente a
fé como coragem de escolher e alimentá-la com a vida sacramental.

a) A fé como coragem de escolher, optar e decidir

Trata-se de uma educação da pessoa na e para a fé que se


traduz quotidianamente em opções de vida e de estilo de vida. A fé é
geradora duma coragem capaz de fazer frente á cultura da incerteza e
da indecisão.
Para isso há que ir treinando os jovens, progressivamente, no
seu itinerário de fé, com etapas ou momentos em que se tomam
pequenas ou grandes decisões (v.g. profissão de fé, compromissos na
vida pessoal ou familiar (estudo, horários, uso do tempo livre), na
comunidade ou no voluntariado, boa acção do dia, oração etc).

b) A vida sacramental
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“Se o Senhor não constrói a casa, em vão se afadigam os que
nela trabalham”, diz o salmista. Os sacramentos são momentos fortes
e contínuos em que o próprio Deus com a sua graça vai modelando o
coração de cada um; em que se vai formando a consciência que torna
o jovem capaz de sentir na sua consciência o Deus que chama; e em
que também se vão tomando decisões.
Na perspectiva vocacional há três sacramentos a valorizar: a
confirmação, a eucaristia e a reconciliação.

c) Os retiros

São autênticos “kairoi”, momentos especiais de graça para


que a fé seja personalizada, interiorizada e vivida como apelo,
chamamento de Deus.

4.2 Itinerários vocacionais específicos

Antes de mais, é necessário imprimir uma perspectiva


vocacional aos demais itinerários de fé que existem nas comunidades
como a catequese ou grupos de jovens. Não podemos esquecer que,
de qualquer itinerário de fé, fazem parte os elementos essenciais da fé
vivida: escuta da Palavra, celebração e oração, fraternidade e
testemunho.
Mas, para além disso, deverão ser oferecidos itinerários
especificamente vocacionais que podem ser organizados de vários
modos, embora com um ritmo regular. Sonho com um em particular,
para jovens com preocupação de discernir a sua vocação. Teria a
duração de um ano e um encontro de uma tarde uma vez por mês.
Constaria de oração inicial, meditação vocacional segundo o método
da lectio divina, uma hora de silêncio para interiorizar, trabalho de
grupo em género de partilha e um trabalho para casa. Cada
participante deveria ter um director espiritual com quem se
encontraria uma vez por mês. Poderia funcionar a nível diocesano.
Será viável?
A isto acrescem as iniciativas extra-ordinárias como as
vigílias vocacionais ou a semana das vocações etc.
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4.3 Serviços de apoio e dinamização

Sendo a pastoral vocacional algo que diz respeito a todo o


povo de Deus, ás comunidades cristãs, todavia são necessários
serviços de apoio e animação como o Secretariado Diocesano da
Pastoral Vocacional. A sua função principal será a de ser animador
dos animadores vocacionais com tudo o que isso implica, para criar
uma cultura vocacional nas comunidades paroquiais.

+ António Marto, Bispo de Viseu

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Propostas de Oração
Todas as propostas aqui apresentadas devem ser adaptadas aos
grupos e às diversas circunstâncias a que forem aplicadas.

No que se refere às sugestões de ambientação, realçamos que são


meras propostas que podem ser substituídas por outras. Sublinhamos,
no entanto, a importância de uma ambientação adequada para que a
oração resulte uma experiência/vivência que alimente por um lado a
abertura/sensibilização de quem está à escuta e à procura e, por outro,
de quem percorre o seu itinerário vocacional.

Os cânticos apresentados provêm das seguintes fontes, a maioria


à disposição na Livraria do Jornal da Beira:

► RJ = Rezar Juntos – Orações e Cânticos de Taizé (Ed.


Salesianas);
► NCT = Novo Cantemos Todos (Ed. Missões, Cucujães);
► CT = Cantemos Todos (Ed. Missões, Cucujães);
► CD = Cantai a Deus (Hinário da Missão, Grafilarte – Águeda);
► CAC = Canta Amigo Canta (Ed. Além-Mar);
► RC = Renascer Cantando (Ed. Salesianas)

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(À venda na Livraria do Jornal da Beira.)

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Exposição do Santíssimo

Proposta de ambientação:

Sem grandes aparatos, para não distrair os adoradores da


contemplação do Santíssimo Sacramento, propõe-se, no entanto,
que se poderá embelezar o espaço da celebração com os seguintes
elementos, para sublinhar com beleza a alegria de estar perto de
quem O adora Jesus Cristo, o Mestre que chama:

► Música de fundo alegre, com baixa intensidade;


► Muitas flores diante do altar;
► Candelabros de duas ou três velas, de cada lado da custódia (ou
lamparinas de barro).

1. Exposição do Santíssimo – Cântico:

(Outros: Tu, Senhor, chamaste, CT n. 655;


Tu que nas margens do lago, CT n. 652)

2. Oração inicial (outras propostas em apêndice):


13
Jesus Cristo, estou aqui diante de ti para cumprir o teu
mandato: “Rogai ao dono da messe que envie trabalhadores para a
sua messe” (Mt 9, 38). Tu és dono da messe e por isso te venho pedir
o que Tu me mandaste pedir. Eu o ouvi e li muitas vezes, mas só
agora o tomo a sério, e quero dedicar-te a Ti este momento de oração.
Sempre te pedi por mim e pelas minhas coisas; de vez em quando
pelos meus, mas poucas vezes te peço por algo que parece que não
tenho nada a ver.
Assim, pensando bem, ao pedir-te que mandes apóstolos a
teus campos, estou indirectamente pedindo um dom para mim, pois
esses operários que Tu mandas e que trabalham na tua messe, serão
para mim os mensageiros da tua palavra e do teu amor.
Creio Senhor, que estás aqui realmente presente neste
sacramento admirável em que Tu Criador do Universo vens a mim
como Pão que me fortalece no meu caminho.
Creio Senhor, mas aumenta a minha fé. Creio que estás aqui
comigo, que me escutas, que me falas interiormente sem ruído de
palavras e que, indefeso desde o altar, és um sinal eloquente de amor,
de doação, de entrega sem limites.
Não só Creio em Ti, como Confio em Ti, porque és o amigo
que deste a vida por mim; porque és a vida que me permite dar fruto;
porque Tu tens palavras de vida eterna; porque és o Bom Pastor que
me chama pelo próprio nome.
Creio em Ti. Confio em Ti, e também Te amo porque Tu me
amaste primeiro; porque deste a Tua vida para redimir o pecado;
porque me abriste as portas do teu Reino. Te amo pelo dom da vida
que me deste de forma inesperada. Pelo dom da fé e do baptismo;
pela família cristã onde quiseste que nascesse e onde respirei essa fé
sensível mas capaz de dar sentido a toda uma vida.
Venho a Ti para pedir trabalhadores para a tua vinha. Que
Maria, a mãe dos Sacerdotes, esteja a meu lado e seja Ela a primeira
intercessora, que te peça a graça de enviares ao mundo sacerdotes,
homens e mulheres consagrados a Ti e a teu Reino.

3. Oração pessoal – cânticos para intercalar o silêncio:


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(Outros: Cristo Jesus, Tu me chamaste, CT n. 731)

4. Leitura da Palavra de Deus – textos à escolha:

► “Deixa a tua terra e vai para a terra que Eu te indicar” – (Gén


12, 1-8);
► “Antes que fosses formado no ventre de tua mãe, Eu já te
conhecia” – (Jer 1, 4-9);
► “Vinde após Mim e Eu farei de vós pescadores de homens” – (Mt
4, 18-23);
► “Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua
palavra” – (Lc 1, 26-38);
► “Mestre, onde moras? Vinde ver” – (Jo 1, 35-43).
15
5. Reflexão sobre a leitura

6. Oração pessoal – cânticos para intercalar o silêncio:

(Outros: Não adores …, CD n.140 )

7. Oração pelas Vocações Sacerdotais, Consagradas e Missionárias:

Leitor: Senhor Jesus, prostrados diante de Ti, movidos pelo teu


imenso amor, estás presente entre nós oculto na espécie do
pão eucarístico, queremos apresentar-te nossa homenagem de
fé e de amor, de gratidão e de adoração, pondo em tuas mãos
tudo o que somos e temos.
Em união com Tua Mãe, vimos aqui para te acompanhar e te
encontrar como Amigo de nossas almas e luz de nossas vidas.
Vimos pedir-te, pelo mundo, por todos os homens, pelos teus
sacerdotes e homens e mulheres de vida consagrada. De
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forma especial, te imploramos que Tu, Senhor e dono da
messe, envies numerosos e santos operários.
Todos: Te pedimos Senhor.

Leitor: Necessitamos de homens que emprestem seus lábios para nos


falarem de Ti, seus pés para percorrerem o mundo pregando o
Evangelho, suas mãos para bendizermos, seus olhos para
vermos neles o reflexo do Teu olhar de Pai amoroso. Te
pedimos Senhor com humildade, te rogamos com ardor,
envia-nos sacerdotes, depositários do teu poder salvador;
envia-nos missionários, homens e mulheres consagradas que
sejam luz nas profundezas do mundo, sal que nos livre da
corrupção do mal e do pecado.
Todos: Envia, Senhor, operários à tua messe.

Leitor: Os homens e mulheres consagradas deixam tudo para te


seguirem na caridade perfeita. Dão pelo Teu amor sua
liberdade, oferecem-Te o melhor do seu afecto e do seu amor.
Grande é a generosidade destas almas e grande é o dom da
vida consagrada à Igreja.
Todos: Envia à Tua Igreja, Senhor, vocações à vida consagrada.

Leitor: Os missionários e missionárias, nos lugares mais remotos da


terra, por vezes perseguidos, arriscando suas vidas, pregam o
Teu Evangelho a quem ainda não ouviu falar de Ti. Sofrem
saudades, fadigas, incompreensões, e tudo suportam com
amor.
Todos: Envia, Senhor, missionários à Tua Igreja.

Leitor: Inspira e ajuda, Senhor, os sacerdotes que trabalham nos


seminários e nas casas de formação para que dêem à Tua
Igreja santos, doutores, mártires, apóstolos, novas
testemunhas de Cristo cheias de um ardor missionário para a
nova evangelização.
Todos: Envia-nos, Senhor, sacerdotes santos.

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Leitor: Te pedimos, Senhor, por todos aqueles que consagram suas
vidas à pastoral vocacional, para que em nome de Cristo não
deixem de lançar as redes para dar à Igreja as vocações de que
necessita, a fim de cumprirem com a sua missão.
Todos: Envia-nos, Senhor, Teus sacerdotes.

Leitor: Envia, Senhor, à Tua Igreja.


Todos: Sacerdotes segundo o Teu coração.
Leitor: A messe é grande e os operários são poucos.
Todos: Manda, Senhor, operários à Tua messe.
Leitor: Aos jovens que sentem Teu chamamento.
Todos: Dai-lhes generosidade, Senhor.
Leitor: Às almas que se consagram a Ti.
Todos: Aumenta a sua caridade, Senhor.
Leitor: Aos jovens que duvidam do seu chamamento.
Todos: Dai-lhes certeza, Senhor.
Leitor: Às crianças que sentem Teu chamamento.
Todos: Acompanha-os, Senhor.

Leitor: Aos Seminaristas.


Todos: Dai-lhes perseverança, Senhor.
Leitor: Aos sacerdotes tentados.
Todos: Dai-lhes Tua força, Senhor.
Leitor: Aos sacerdotes fervorosos.
Todos: Incendeia-os mais no Teu amor, Senhor.
Leitor: Aos sacerdotes tristes.
Todos: Consola-os, Senhor.
Leitor: Aos sacerdotes que sentem solidão.
Todos: Sejas Tu sua companhia, Senhor.
Leitor: A messe é grande e os operários são poucos.
Todos: Envia, Senhor, operários à Tua messe.
Leitor: Pelo Santo Padre, N.
Todos: Ouvi-nos Senhor.
Leitor: Pelos Pastores da Tua Igreja.
Todos: Ouvi-nos Senhor.
Leitor: Pelo nosso Bispo, N.
Todos: Ouvi-nos Senhor.
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Leitor: Por aqueles que mais necessitam da Tua graça.
Todos: Ouvi-nos Senhor.
Leitor: Pelos que andam afastados de Ti.
Todos: Ouvi-nos Senhor.

Sacerdote: Senhor Jesus, não deixes de enviar novos sacerdotes,


homens e mulheres consagradas à Tua Igreja, pastores
segundo o Teu coração. Eles são os instrumentos da Tua graça
e do Teu amor, nos consolam em Teu nome, alimentam a
nossa esperança, robustecem a nossa fé e fortalecem nosso
amor. Não nos deixes sós, Senhor. Envia operários para a
messe; envia pescadores de homens que nos acompanham
com as redes da Tua misericórdia. Envia, te pedimos com
humildade e confiança, pastores segundo o teu coração.
A messe é grande e os operários são poucos. Envia, operários
à Tua messe. Te pedimos, Senhor, Tu que vives e reinas pelos
séculos dos séculos.
Todos: Ámen.

8. Oração pessoal

9. Invocações (podem repetir-se várias vezes):

Sacerdote: Senhor, cremos em Ti.


Todos: Senhor, cremos em Ti.
Sacerdote: Senhor, esperamos em Ti.
Todos: Senhor, esperamos em Ti.
Sacerdote: Senhor, nós Te amamos.
Todos: Senhor, nós Te amamos.
Sacerdote: Senhor, nós Te adoramos.
Todos: Senhor, nós Te adoramos.
Sacerdote: Senhor, damos-Te graças.
Todos: Senhor, damos-Te graças.
Sacerdote: Jesus Cristo, cremos que és o Filho de Deus vivo.
Todos: Jesus Cristo, cremos que és o Filho de Deus vivo.
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Sacerdote: Jesus Cristo, cremos que és o Salvador dos homens.
Todos: Jesus Cristo, cremos que és o Salvador dos homens.
Sacerdote: Jesus Cristo.
Todos: Santifica-nos.

10. Cântico eucarístico:

(Outros: Veneremos, adoremos, CT n. 796; Oh verdadeiro Corpo do


Senhor, NCT n. 269; e outros cânticos eucarísticos)

Sacerdote: Vós sois o Pão que desceu dos céus. (T.P. Aleluia).
Todos: Para dar a vida ao mundo. (T.P. Aleluia).

Sacerdote:
Oremos:
Senhor, nosso Deus, que no vosso desígnio de Amor nos destes o
Vosso Filho Jesus como nosso Redentor, Aquele que reconhecemos
neste Sacramento, seja Ele, pela vossa divina misericórdia, a voz
inequívoca do chamamento, a frescura e alimento da vocação de cada
homem. Ele que Convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.
Todos: Ámen.

Ou:

Oremos: Senhor Jesus Cristo, que neste admirável Sacramento nos


deixastes o memorial da Vossa Paixão, concedei-nos a graça de
venerar de tal modo os mistérios do Vosso Corpo e Sangue, que
sintamos continuamente os frutos da vossa redenção. Vós que sois
Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

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Todos: Ámen.

11. Bênção com o Santíssimo (todos permanecem em silêncio)

12. No fim da bênção (outras orações em apêndice):

Senhor Jesus Cristo, Alfa e Ómega:


ontem, hoje e por toda a eternidade,
sê orientação diante dos caminhos
que se mostram. Guia-nos, Estrela Polar.
Guia os nossos adolescentes e jovens
pelo caminho do silêncio,
para que possam escutar da tua iniciativa de amor
a voz que os chama a um caminho de felicidade,
de realização pessoal e de encontro à aventura
da missão na tua Santa Igreja.
Pedimos-Te através de Maria,
aquele “Cálice” que tornou possível a grande Eucaristia
que hoje realizas através da história da humanidade.

13. Cântico Final:

21
(Outros: Profetas de um mundo novo, CD n. 234;
Ide e ensinai, CAC n.349)

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Oração do Rosário

O Rosário da Virgem Maria, que ao sopro do Espírito de Deus se foi formando


gradualmente no segundo Milénio, é oração amada por numerosos Santos e
estimulada pelo Magistério. Na sua simplicidade e profundidade, permanece,
mesmo no terceiro Milénio recém iniciado, uma oração de grande significado e
destinada a produzir frutos de santidade. Ela enquadra-se perfeitamente no
caminho espiritual de um cristianismo que, passados dois mil anos, nada perdeu
do seu frescor original, e sente-se impulsionado pelo Espírito de Deus a « fazer-se
ao largo » (duc in altum!) para reafirmar, melhor « gritar » Cristo ao mundo como
Senhor e Salvador, como « caminho, verdade e vida » (Jo 14, 6), como « o fim da
história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da
civilização».

(Papa João Paulo II, Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae)

Mistérios Dolorosos
► Ambiente (sugestão)
Um Crucifixo de madeira, realçado (com panos vermelho-escuro de
fundo), com algumas velas pequeninas acesas em volta; uma
imagem de Nossa Senhora, para colocar junto à Cruz; foco
apontado para a Cruz; cartaz com a frase: “Eu venho Senhor, para
fazer a Vossa vontade”; pode haver música ambiente enquanto não
se inicia a recitação do Terço.

► Introdução
Caríssimos Irmãos:
Vamos hoje recitar os Mistérios Dolorosos do Rosário. E vamos fazê-
lo tendo presente o ano pastoral que estamos a viver na nossa
Diocese, dedicado aos Ministérios e Vocações. Será um tempo para
reflectirmos no valor do sofrimento humano, presente
inevitavelmente no caminho da nossa vida, na Redenção que a Cruz

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de Jesus nos trouxe e ainda, no chamamento universal à santidade
que Deus dirige a todos os homens, vocação esta onde se misturam a
alegria e as lágrimas, a Cruz e a Ressurreição, a morte e a vida, a
felicidade assente na certeza de que Deus nunca nos abandona apesar
de termos de passar pelo Calvário. Como dizia um autor, não há
Sexta-feira Santa sem Domingo da Ressurreição.
Deixemos o Espírito Santo rezar em nós, deixemo-nos envolver pelo
mistério da Paixão do Senhor Jesus e ofereçamos esta hora pelas
vocações da nossa Diocese.

► Cântico: “Permanece junto de Mim”, Taizé


É Jesus quem nos dirige as palavras que vamos cantar. Terminada a
última Ceia, acompanhamo-Lo até ao Horto das Oliveiras.
Permaneçamos aí com Ele, vigilantes.

► I – No 1º mistério da Paixão vamos contemplar a hora da Agonia


de Jesus no Horto das Oliveiras.

- Dispostos a fazer a vontade do Pai


É noite. Um silêncio pesado envolve a Terra. O Filho de Deus
prepara-se para concluir a Sua Missão no meio dos Homens. Missão
essa que começou muito antes, há 33 anos, ao nascer em Belém. Toda
a vida de Jesus foi um sacrifício entregue ao Pai pelos Homens, de
quem se fez irmão. Não apenas esta hora, mas toda a Sua vida foi o
preço da nossa Salvação. Esse sacrifício diário, silencioso, fiel, feito
de pequeninas coisas, preparou-O para a Grande Hora. “Pai, se é
possível…” Mas não, não é possível, porque o Amor infinito de Deus
assim o exige. “Então, Pai, que se faça a Tua vontade!...” E Jesus
aceita a solidão do Gólgota, a traição, o abandono.
Jesus, sem se perguntar se Lhe apetece, se deseja a Paixão, abandona-
se à vontade do Pai, como toda a vida fez. “Faça-se em Mim,
segundo a tua palavra”, foi o grito da Mãe. “Não se faça a minha
vontade, mas a Tua!”, foi o grito do Filho. Haja o que houver, para o
que Tu quiseres, Senhor, passo-Te um cheque em branco da minha
vida.

24
Jesus, ajuda-me a pagar com amor o sacrifício que Tu fizeste
por mim, e a repetir no dia-a-dia o Teu grito: “a Tua vontade, Pai, a
Tua vontade!”
(Recitação do 1º mistério)

► II – No 2º mistério da Paixão, vamos contemplar a Flagelação de


Jesus no pretório de Pilatos.

- Entregamos a vida pelos irmãos


“Não se valeu da Sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a
Si próprio”, diz S. Paulo. Não tinha de ser assim. Não tinha. Porque
Jesus é Deus e a mais pequena coisa que Ele fizesse bastaria para nos
salvar. Mas Deus não se deixa vencer em generosidade, dá tudo. Dá
sempre tudo. Cego pelo amor que tem a cada homem, a ti e a mim,
Deus entregou o Seu próprio Filho, que aceitou dar-se até ao fim.
Jesus é a prova de que Deus não nos dá apenas coisas. Deus dá-se a
Si mesmo a cada um de nós. E enquanto os homens O açoitam,
rasgando o Seu Corpo sem piedade, Jesus vai repetindo: “é por ti, é
por ti, é por ti!...” E esses açoites, Jesus, que te doem tanto, que
sentido têm eles? Como dizia alguém, o coração tem razões que a
razão desconhece. Mas nós, homens, medimos tudo em graus de
utilidade e eficácia e a Tua Paixão, parece, em todas as cenas, uma
derrota. Que frustração, Jesus, ver-te assim a ser tratado, Tu que não
merecias, Tu que podias acabar com isso. A verdade é que não
precisas deste sacrifício para nada. Mas é o Teu amor, o Teu zelo
pelos irmãos que Te leva a semelhante entrega. E essa Tua dor,
transformou-se em salvação para nós, de uma forma misteriosa, que
nunca entenderemos. Também a nossa dor, unida à Tua, pode ser
alavanca que eleva o Mundo.
Jesus, ajuda-me a entregar a minha vida ao Pai, pelos
irmãos, e a repetir em cada instante: “É por Ti Jesus, é por Ti
Jesus!”
(Recitação do 2º mistério)

► Cântico: “Ninguém Te ama como Eu”

25
► III – No 3º mistério da Paixão vamos contemplar o momento em
que a coroa de espinhos é cravada na cabeça de Jesus.

- Livres para seguir o Senhor


Em que pensariam os homens que teceram a coroa de
espinhos para Jesus? Foram mãos humanas, endurecidas pelo ódio,
cegas pela vingança, que a construíram e a cravaram na Santíssima
Cabeça do Senhor. Deus fez o homem Rei, “de honra e glória o
coroaste”. O Homem responde a este abismo de Amor com a coroa
de espinhos. Porquê Jesus? Porque permitiste que Te fizessem tanto
mal? O sangue escorre pela Tua face e os homens maus não se
importam, não querem saber e continuam a enterrar os espinhos na
Tua carne. Eles não sabem que és Tu que queres e não eles que te
impõem semelhante sacrifício. E aqui está a verdadeira liberdade:
escolher o que Tu nos pedes. Às vezes pintamos a vontade de Deus
de cor de rosa, pomos na Sua boca palavras que correspondem aos
nossos desejos, sonhamos com coisas grandiosas, visíveis, que os
homens possam admirar. Espantar-nos-íamos se Deus nos pedisse tão
simplesmente que suportássemos a coroa de espinhos. Aqueles
espinhos que se enterram na nossa carne, vindos de tantos lados, que
acabam por nos sufocar se não lhes damos resposta. São os espinhos
da incompreensão, da injustiça, da doença, da morte de alguém
querido, da solidão, do trabalho bem feito e invisível. Espinhos que
magoam muito, que custam a suportar. Ainda para mais, porque não
somos nós que os escolhemos, eles vêm ter connosco sem que nós os
desejemos. E a verdadeira liberdade é esta: escolher, Senhor, o que
Tu nos pedes.
Jesus, ajuda-me a encontrar a liberdade autêntica no
seguimento fiel da vontade do Pai.

(Recitação do 3º mistério)

► IV – No 4º mistério da Paixão vamos contemplar o caminho que


Jesus percorreu até ao Calvário.

- A Cruz é o caminho
26
A Paixão de Jesus continua. Desta vez, seguimo-Lo no meio
da multidão furiosa, pelas ruas de Jerusalém. Jesus sabe bem o
caminho. Meditou nele muitas vezes. Preparou-o com toda a vida
passada. E eis que é chegada a hora derradeira. Aqueles que Jesus
curou, com quem conversou, aqueles que se tinham deixado fascinar
pelas Suas palavras e pelos Seus gestos, são os mesmos que agora,
inexplicavelmente, o agridem de tantas formas. Quantas vezes não se
passa o mesmo connosco!... Quantas desilusões com os outros!… A
tudo isto Jesus responde com um olhar de misericórdia e de perdão.
Quem como Ele conhece os corações daqueles homens e mulheres!
No meio do Seu caminho doloroso, Jesus perdoa, Jesus acolhe, Jesus
converte. “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei!”, dissera
Jesus um dia. Viver o mandamento de Jesus torna-se para nós,
caminho doloroso. Mas é este o único que leva à Páscoa. Quem
aceita seguir Jesus sabe que é para o Calvário que O segue, porque é
para lá que Ele vai. Qualquer vocação é caminho de identificação
com Jesus e este atinge a sua plenitude, a sua profundidade, quando
fazemos da hora de Jesus a nossa hora.
Jesus, ajuda-me a amar a Cruz como Tu a amaste e a
reconhecê-la como o caminho que nos identifica conTigo.

(Recitação do 4º mistério)

► Cântico: “Ninguém Te ama como Eu”

► V – No 5º mistério da Paixão vamos contemplar a morte de Jesus


na Cruz.

- A Redenção continua no sofrimento humano


Aproxima-se o desfecho da Paixão. E nestes últimos
momentos observamos a imagem fiel da Mãe de Jesus. Mãe e Filho
unidos no mesmo sim até ao fim. Jesus já não tem nada. De tudo O
despojaram. Só não puderam tirar-Lhe o imenso amor pelos homens,
mesmo por aqueles que cravaram os pregos nas Suas mãos e nos
Seus pés. “Perdoa-Lhes, Pai…”, sempre o perdão, sempre a
misericórdia, sempre o Amor. Jesus fala ao Pai, mas
inexplicavelmente, parece que o Pai se retirou. É impressionante o
27
Seu silêncio. Onde está o Pai? Porque não Se manifesta, porque não
abrevia esta dor? “Se é o Filho de Deus, que desça da Cruz e
acreditaremos Nele!”. Nada. Silêncio… É a Redenção. Sem
espectáculo, sem barulho. Num pontinho do Universo, chamado
Jerusalém, o Filho de Deus recupera a Humanidade pela Sua morte
na Cruz. Foi esta a forma que Deus escolheu para o fazer. Porquê?
Não sabemos. É este o Mistério da nossa fé. O que sabemos é que
este mistério, o do sofrimento, o da Cruz, nos aproxima de Deus. E
também nos aproxima dos irmãos, porque todos temos que,
inevitavelmente, passar pelo Calvário, para chegar à luz gloriosa da
Ressurreição. Quando parece que o Pai se ausentou, é aí que
encontramos a Mãe fiel ao nosso lado e os nossos irmãos, que
connosco partilham o caminho de Jesus. E é por ser o Seu caminho
que o sofrimento humano tem valor e sentido.
Jesus, ajuda-me a contemplar a Tua Cruz para poder
aceitar a minha e ser sensível ao sofrimento dos meus irmãos.

(Recitação do 5º mistério)

► Três Ave-Marias…

► Depois da Salve-Rainha pode ser erguida a Cruz de madeira para


que as pessoas a possam ir beijar. Nesta altura canta-se “Hino à Cruz”
ou outro.

► Conclusão:
Antes de partirmos, queremos Senhor, dirigir-Te um último apelo, por
todos os nossos irmãos que sofrem, por todos os que fogem à Cruz e
por aqueles que ainda não Te encontraram no Seu caminho doloroso.
Faz-nos mais sensíveis à dor dos outros, Senhor. Ajuda-nos a viver
em oferecimento e a não termos medo de Te entregar a nossa vida
num sim generoso à Tua vontade, para podermos chegar um dia,
conTigo, à Páscoa eterna. Ámen.

28
Mistérios Gloriosos
► Ambiente (sugestão)
Uma cruz colocada num vaso que contém um raminho de flores
para cada participante.
Perto poder-se-á colocar uma imagem de Nossa Senhora, com a
frase: “Feliz de ti, porque acreditaste!”

► Introdução

A vós, jovens, repito a palavra de Jesus: "Duc in altum!". Ao


propor novamente este seu apelo, penso ao mesmo tempo nas
palavras que Maria, sua Mãe, dirigiu aos empregados, em Caná da
Galileia: "Fazei tudo o que Ele vos disser" (Jo 2, 5). Queridos jovens,
Cristo pede-vos a vós que aceiteis "fazer-vos ao largo" e a Virgem
Maria anima-vos a não hesitardes em segui-l’O. (João Paulo II,
Mensagem para o 42.º Dia mundial de Oração pelas Vocações, 2005)
Maria está intimamente unida aos acontecimentos da vida de Seu
Filho Jesus. Os Evangelhos não nos falam muito dela, mas podemos
encontrá-La nos momentos mais decisivos. A razão de ser desta
relação é a grande fé de Maria. A sua vocação foi seguir de perto a
missão do Filho. No início da Sua vida pública ela colabora no
milagre do vinho novo; na ressurreição acompanha os discípulos no
saborear da vida nova de Jesus.
A vocação de Maria – e também a nossa – é, pois, fazer o que
Cristo nos disser. Os que procuram na Sua voz um sentido ou
significado para a vida, poderão ver a sua busca transformada em
encontro e doação.
Percorramos os mistérios gloriosos. Neles contemplemos a vida
que nos apela desde o interior a louvar e a dar glória a Deus.
Cantemos:

► Cântico:
29
► I – Primeiro mistério glorioso: Cristo ressuscita glorioso e
confirma a fé de sua Mãe fidelíssima

Maria estava junto ao sepulcro, da parte de fora, a chorar. Enquanto


chorava, debruçou-se para dentro do sepulcro e viu dois Anjos
vestidos de branco, sentados, um à cabeceira e outro aos pés, onde
jazera o corpo de Jesus. Perguntaram-lhe eles: "Mulher, por que
choras?" "Porque levaram o meu Senhor, respondeu, e não sei onde O
puseram." Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus de pé, mas não
sabia que era Jesus. Disse-lhe Ele: "Mulher, por que choras? Quem
procuras?" Pensando que era o jardineiro, ela disse-lhe: "Senhor, se
foste tu que O levaste, diz-me onde O puseste e eu irei buscá-
l'O."Disse-lhe Jesus: "Maria!" Ela, aproximando-se exclamou:
"Rabbuni!" que quer dizer: Mestre! Jesus disse-lhe: "Não Me
detenhas, porque ainda não subi para Meu Pai; mas vai ter com os
Meus irmãos e diz-lhes que vou subir para Meu e vosso Pai, Meu
Deus e vosso Deus." Maria de Magdala foi dar a nova aos discípulos:
"Vi o Senhor!", contando o que Ele lhe dissera.

Jesus ressuscitado chama cada pessoa pelo seu próprio nome e a sua
voz é inconfundível para quem O quer escutar. Peçamos neste
mistério para que na nossa comunidade se desenvolva o ambiente
necessário para que os adolescentes e jovens, sobretudo, escutem a
voz de Deus que tem um projecto de novidade para cada um.

30
(Recitação do 1º mistério)

► Cântico: “Entoemos hinos”

► II – Segundo mistério glorioso: Cristo ressuscitado sobe ao Céu,


à vista de Sua Mãe e dos Discípulos

Estavam todos reunidos, quando Lhe perguntaram: "Senhor, é agora


que vais restaurar o reino de Israel? " Respondeu-lhes: "Não vos
compete saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou com a
Sua autoridade. Mas ides receber uma força, a do Espírito Santo, que
descerá sobre vós, e sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, por
toda a Judeia e Samaria, e até aos confins do mundo." Dito isto,
elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E
como estavam de olhos fixos no céu enquanto Ele se afastava,
surgiram de repente dois homens vestidos de branco, que lhes
disseram: "Homens da Galileia, por que estais assim a olhar para o
céu? Esse Jesus, que vos foi arrebatado para o Céu, virá da mesma
maneira, como agora O vistes partir para o Céu."

Jesus ressuscitado sobe aos céus não para nos deixar órfãos, mas
para que o Espírito venha para continuar a nova criação dentro de
cada homem. Rezemos pelas comunidades empobrecidas, sem pastor
que as apascente. Peçamos através de Maria ao Senhor da Messe
que envie trabalhadores para a sua seara.

(Recitação do 2º mistério)

► Cântico: “Entoemos hinos”

► III – Terceiro mistério glorioso: Jesus, à direita do Pai, envia o


Espírito Santo à Sua Mãe e aos Discípulos

Quando chegou o dia do Pentecostes, encontravam-se todos reunidos


no mesmo lugar. Subitamente ressoou, vindo do céu, um som
comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa.
31
Viram, então, aparecer umas línguas, à maneira de fogo, que se iam
dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios
do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o
Espírito lhes inspirava que se exprimissem. Ora, residiam em
Jerusalém judeus piedosos provenientes de todas as nações que há
debaixo do céu. Ao ouvir aquele som poderoso, a multidão reuniu-se
e ficou estupefacta, pois cada um os ouvia falar na sua própria língua.
Atónitos e maravilhados, diziam: "Mas esses que estão a falar não
são todos da Galileia? Que se passa, então, para que cada um de nós
os oiça a falar na nossa língua materna? Partos, medos, elamitas,
habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da
Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia,
vizinha de Cirene, colonos de Roma, judeus e prosélitos, cretenses e
árabes ouvimo-los anunciar, nas nossas línguas, as maravilhas de
Deus!"

Vem, Espírito Santo – foi a oração de Maria e dos discípulos


reunidos no Cenáculo. Invocar o Espírito e por dialogar com Jesus é
o meio de comunicação mais poderoso que existe. Também é a força
do mesmo Espírito que poderá estar por detrás de qualquer relato da
vocação. Peçamos neste mistério para que haja na nossa Igreja mais
testemunhos alegres e vivos do chamamento de Deus e de vidas
entregues à causa do Evangelho.

(Recitação do 3º mistério)

► Cântico: “Entoemos hinos”

► IV – Quarto mistério glorioso: Jesus ressuscita Sua Mãe


Imaculada e A eleva ao Céu em corpo e alma

Depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos


invocado a luz do Espírito de verdade, para glória de Deus
omnipotente que à Virgem Maria concedeu a sua especial
benevolência para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e
triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da Sua
augusta Mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade
32
de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Bem-aventurados apóstolos
S.Pedro e S.Paulo e com a Nossa, pronunciamos, declaramos e
definimos ser dogma divinamente revelado que: A IMACULADA
MÃE DE DEUS, A SEMPRE VIRGEM MARIA, TERMINADO O
CURSO DA VIDA TERRESTRE, FOI ASSUNTA EM CORPO E
ALMA À GLÓRIA CELESTIAL. (Pio XII, Bula "Munificentissimus
Deus", 1 de Novembro do Ano Santo de 1950)

Não havia de tardar que a Igreja declarasse Maria como a


Imaculada que subiu ao Céu em Corpo e Alma. Era óbvio que a
primeira seguidora de Jesus, a fiel seguidora, recebesse tal prémio.
Não para seu próprio proveito, mas para nos atrair à mesma
realidade. Peçamos neste mistério, por Maria Imaculada, mais
vocações consagradas para a Igreja, para que serem no mundo sinal
inequívoco do Reino.

(Recitação do 4º mistério)

► Cântico: “Entoemos hinos”

► V – Quinto mistério glorioso: Cristo Rei, no Céu, senta Sua Mãe


à Sua direita e proclama-A Rainha do Universo

O argumento principal, sobre o qual se fundamenta a dignidade régia


de Maria, já evidente nos textos da tradição antiga e na sagrada
liturgia, é sem dúvida alguma a sua divina maternidade. Com efeito, a
propósito do Filho, que será dado à luz pela Virgem, afirma-se nas
sagradas Escrituras: "Será chamado Filho do Altíssimo e o Senhor
Deus lhe dará o trono de David, seu pai, e ele reinará na casa de
Jacob eternamente e o seu reino não terá fim." (Lc 1, 3233); e, além
disso, Maria é proclamada "mãe do Senhor" (ib. 1, 413). Daí segue
logicamente que ela própria é rainha, tendo dado a vida a um Filho,
que desde o instante da concepção, mesmo como homem, era Rei e
Senhor de todas as coisas, pela união hipostática da natureza humana
com o Verbo. (Pio XII, "ad coeli Reginam" 11.X.1954)

33
Rainha do Céu e da terra, Maria é também a Rainha da Vocação,
quer dizer: Aquela que faz gerar para a Igreja novos filhos que são
chamados a crescer e a florescer para o Reino. Peçamos a Maria
que faça reinar nos corações dos que se preparar para o Matrimónio
o Amor esponsal de Jesus, para que saibam abrir-se às riquezas
inesgotáveis com que Deus os quer abençoar, para que defendam e
promovam a vida e a encaminhem, nos filhos, para Deus, que é a sua
origem e seu fim.
(Recitação do 5º mistério)

► Três Avé-Marias (cantadas)

► Salve Rainha…

► Cântico final:

► Enquanto se canta o cântico, cada participante dirige-se ao vaso


de onde tira um raminho de flores. Depois da oração de envio, cada
um sai a respirar o perfume da vida nova.

► Envio: Ide! Levai esse perfume que simboliza a frescura da vida


nova a conservar e a transmitir. O melhor sinal de Cristo vivo é a
alegria que sai dos nossos corações e se transmite com o sorriso dos
lábios, com as palavras de bondade que saem das nossas bocas, com
os gestos de partilha fabricados pelas nossas mãos, com os passos de
conversão e encontro com os irmãos. Ide viver o “Aleluia!”

34
Via-Sacra Vocacional

No Caminho da Cruz… um Sentido para a Vida.

A preparar (se a Via-Sacra for celebrada


no exterior, em caminhada):

► Uma cruz com dimensões suficientes


para ser visível por todos;
► Quatro placas ou cartolinas
rectangulares com as seguintes
palavras, respectivamente: VOCAÇÃO,
DOAÇÃO, DISPONIBILIDADE,
VIDA;
► Uma placa ou cartolina com forma e cor do coração, com a
imagem do rosto de Jesus;
► Punaises para afixar as cartolinas na cruz;
► Flores naturais diversas;
► Providenciar pães que bastem para partilhar por todos os
participantes.
► Alva e estola para o sacerdote (só alva se não for este a presidir);
► Um dispositivo onde suspender a cruz na 14.ª Estação;
► Leitores – legenda:
O=orientador (sacerdote ou outro animador);
A=Admonitor
L1=Leitor 1
L2=Leitor 2
T=Todos
► Um participante para transportar a cruz;

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NOTAS: 1. Entre cada estação canta-se o refrão abaixo indicado,
seguido ou acompanhado por uma dinâmica que concretiza a
meditação e ajuda os participantes a caminhar para a estação
seguinte.
2. O sacerdote ou outro orientador só vestirá a alva na 10ª estação.
3. Alguns textos são longos. Podem, por isso, ser adaptados,
conforme as circunstâncias.
4. Este guião da Via-Sacra pode perfeitamente ser usado num
recinto fechado, visto que as caminhadas são propostas com
simplicidade. Ter-se-á, neste caso, o cuidado de se preparar o
espaço e providenciar as devidas adaptações (dinâmicas e
símbolos).
5. As sugestões de cânticos não são muitas, como propósito da
simplicidade e de favorecer, pelo o silêncio, a meditação. No
entanto, as estações poderá ser entremeadas com cânticos que todos
conheçam como complemento da reflexão e do louvor.

► Cântico inicial (que se repete nas sucessivas estações):

► Admonição inicial (estando todos à volta da cruz, que está


prostrada no chão, como que no meio de um círculo):

A – Caros irmãos: com a nossa atenção centrada na Cruz de Jesus,


estamos aqui para O adorar, para contemplar a sua atitude de um
amor misterioso, divino e humano. Na sua passagem por esta via-
36
sacra que vamos representar, Jesus interpela cada um de nós e ajuda-
nos a fazer a experiência do que há de mais profundo e importante na
vocação a que cada pessoa humana é chamada. Deixemo-nos guiar
pela cruz de Jesus que é também, hoje, a cruz dos irmãos que sofrem,
em fim a cruz de todos os que pagam o preço caro da busca de
sentido cristão para a vida.

► Primeira estação:

A – Jesus é condenado à morte

O – Nós adoramos-Te, Jesus Cristo, e contemplamos o teu amor.


T – Porque com o teu amor remiste o mundo.

L1 – Disse-lhes Pilatos: "Que hei-de fazer então de Jesus chamado


Cristo?". Eles responderam: "Seja crucificado!". E ele acrescentou:
"Mas que mal fez Ele?". Eles então gritaram mais forte: "Seja
crucificado!". Então soltou-lhes Barrabás e, depois de ter feito
flagelar Jesus, entregou-O aos soldados para que fosse crucificado
(Mt 27,22-23.26).

L2 – “Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus


e Deus nele” (1 Jo 4, 16). É com esta citação da primeira Carta de S.
João que o Papa Bento XVI começa a sua nova encíclica intitulada
“Deus é Amor”. Estas palavras – diz-nos ele – exprimem, com
singular clareza, o centro da fé cristã: a imagem cristã de Deus e
também a consequente imagem do homem e do seu caminho. Além
disso, no mesmo versículo, João oferece-nos, por assim dizer, uma
fórmula sintética da existência cristã: “Nós conhecemos e cremos no
amor que Deus nos tem”. Nós cremos no amor de Deus — deste
modo pode o cristão exprimir a opção fundamental da sua vida. Ao
início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia,
mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à
vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. No seu
Evangelho, João tinha expressado este acontecimento com as
palavras seguintes: “Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o

37
seu Filho único para que todo o que n'Ele crer (...) tenha a vida
eterna” (3, 16).
O – Oremos: Senhor Jesus, que nos vieste trazer um projecto de vida
baseado no Amor que vem de Deus, ajuda-nos a contemplar esse
Amor na sua verdadeira fonte que é a Tua doação na Cruz da Vida.
Tu que és Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
T – Ámen.

Canta-se: Nós Te adoramos, Senhor, a tua cruz; enquanto se canta


(estando sempre parados, diante da cruz!) alguém afixa no centro
da cruz a cartolina em forma de coração. Alguém transporta a cruz
à frente, com o coração voltado para os participantes.

A – Caminhamos em silêncio até à próxima estação, contemplando a


cruz que expressa o amor de Jesus.

► Segunda estação:

A – Jesus toma a cruz aos ombros

O – Nós adoramos-Te, Jesus Cristo, e contemplamos a tua coragem.


T – Porque com a tua coragem remiste o mundo.

L1 – Então os soldados do governador, levando Jesus para o Pretório,


reuniram toda a corte. Despiram-n'O e puseram-Lhe uma capa
escarlate e, tecendo, uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e
uma cana na mão direita; e depois, enquanto se ajoelhavam diante
d'Ele, faziam troça, dizendo: "Salve, rei dos judeus!". E cuspindo
n'Ele, tiraram-Lhe a cana e batiam-Lhe com ela na cabeça. Depois,
despiram-Lhe a capa escarlate, vestiram-n'O com as suas vestes e
levaram-n'O para O crucificar (Mt 27,27-31).

L2 – “Da alegria de ser chamado à coragem de chamar” é o lema do


plano diocesano de pastoral vocacional que coloca a temática dentro
do lema para o ano pastoral: “Servidores da alegria do Evangelho”.
Na sua carta pastoral o nosso Bispo, D. António Marto, refere-se à
necessidade de “uma verdadeira e própria pedagogia vocacional”. No
38
contexto temporal em que vivemos, caracterizado por uma crise de
cultura e de valores, crise de decisão e compromisso, crise de
identidade, os jovens têm mais dificuldade em escutar a voz
verdadeira que os chama a seguir o caminho da santidade nas suas
vidas. Somos implicados, por isso, numa nova pedagogia vocacional
marcada por uma animação alegre e corajosa.

O – Oremos: Senhor Jesus, que nos mostraste a coragem manifestada


na escolha da doação aos irmãos face às adversidades a calúnias, dá-
nos a capacidade de encontrar a coragem que existe dentro de cada
um de nós, para seguir num rumo diferente do mundano, um rumo de
oblação que pegue na cruz. Tu que és Deus com o Pai na unidade do
Espírito Santo.
T – Ámen.

Canta-se: Nós Te adoramos, Senhor, a tua cruz. Depois do cântico,


durante o caminho o admonitor convida todos os participantes a
dialogarem com o mais próximo, a relatar um momento da vida em
que precisou da coragem para vencer.

A – Caminhamos em diálogo até à próxima estação. Cada um pode


contar ao irmão mais próximo o momento da sua vida em que
precisou mais da coragem para vencer.

► Terceira estação:

A – Jesus cai pela primeira vez

O – Nós adoramos-Te, Jesus Cristo, e contemplamos a tua


humanidade.
T – Porque com a tua humanidade remiste o mundo.

L1 – Ele carregou os nossos sofrimentos, tomou sobre Si as nossas


dores como alguém que merece castigo, e é ferido por Deus e
humilhado. Ele foi trespassado pelos nossos delitos, esmagado pelas
nossas iniquidades. O castigo que nos dá a salvação, caiu sobre Ele;
por Suas feridas nós fomos curados. Todos nós andávamos errantes
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como um rebanho, seguindo cada qual o seu caminho; O Senhor fez
cair sobre Ele a nossa iniquidade (Is 53,4-6).

L2 – Quando, através da experiência da família humana, em contínuo


aumento a ritmo acelerado, penetramos no mistério de Jesus Cristo,
compreendemos com maior clareza que, na base de todas aquelas
vias ao longo das quais — de acordo com a sapiência do Sumo
Pontífice Paulo VI — a Igreja dos nossos tempos deve prosseguir,
existe uma única via: é a via experimentada de há séculos, e é, ao
mesmo tempo, a via do futuro. Cristo Senhor indicou esta via
sobretudo, quando — como ensina o Concílio — “pela sua
Encarnação, Ele, o Filho de Deus, se uniu de certo modo a cada
homem”. A Igreja reconhece, portanto, como sua tarefa fundamental
fazer com que uma tal união se possa actuar e renovar continuamente.
A Igreja deseja servir esta única finalidade: que cada homem possa
encontrar Cristo, a fim de que Cristo possa percorrer juntamente com
cada homem o caminho da vida, com a potência daquela verdade
sobre o homem e sobre o mundo, contida no mistério da Encarnação
e da Redenção, e com a potência do amor que de tal verdade irradia.
(J. Paulo II, Enc. Redemptor Hominis, 13)

O – Oremos: Senhor Jesus, que nas tuas quedas nos mostraste que
assumiste a nossa humanidade, revelando-nos totalmente o que nela
há de bom e divino; ajuda-nos a imitar, como o Apóstolo Paulo, essa
tua capacidade de estar como fraco entre os fracos, para ganhar a
humanidade que chamas à salvação. Tu que és Deus com o Pai na
unidade do Espírito Santo.
T – Ámen.

Canta-se: Nós Te adoramos, Senhor, a tua cruz. Depois do cântico,


durante o caminho o admonitor convida todos os participantes a dar
as mãos. Poder-se-á introduzir um cântico, por ex.: A mão na tua
mão, RC p. 110.

A – Caminhamos de mãos dadas até à próxima estação. (Cantando…)

► Quarta estação:
40
A – Jesus encontra Maria, sua mãe

O – Nós adoramos-Te, Jesus Cristo, e contemplamos a Tua e Nossa


Mãe.
T – Porque com a sua colaboração remiste o mundo.

L1 – Simeão disse a Maria, sua mãe: “Eis que este menino vai ser
motivo de queda e elevação de muitos em Israel. Ele será um sinal de
contradição, para que se revelem os pensamentos de muitos corações.
Quanto a ti, uma espada trespassará a tua alma”. Sua mãe conservava
todas estas coisas em seu coração (Lc 2,34-35.51).

L2 – Entre os Santos, sobressai Maria, – volta a falar-nos o Papa


Bento XVI – Mãe do Senhor e espelho de toda a santidade. No
Evangelho de Lucas, encontramo-La empenhada num serviço de
caridade à prima Isabel, junto da qual permanece “cerca de três
meses” (1, 56) assistindo-a na última fase da gravidez. “Magnificat
anima mea Dominum – A minha alma engrandece o Senhor” (Lc 1,
46), disse Ela por ocasião de tal visita, exprimindo assim todo o
programa da sua vida: não colocar-Se a Si mesma ao centro, mas dar
espaço ao Deus que encontra tanto na oração como no serviço ao
próximo — só então o mundo se torna bom. Maria é grande,
precisamente porque não quer fazer-Se grande a Si mesma, mas
engrandecer a Deus. Ela é humilde: não deseja ser mais nada senão a
serva do Senhor (cf. Lc 1, 38.48). Sabe que contribui para a salvação
do mundo, não realizando uma sua obra, mas apenas colocando-Se
totalmente à disposição das iniciativas de Deus. É uma mulher de
esperança: só porque crê nas promessas de Deus e espera a salvação
de Israel, é que o Anjo pode vir ter com Ela e chamá-La para o
serviço decisivo de tais promessas. É uma mulher de fé: “Feliz de Ti,
que acreditaste”, diz-lhe Isabel (cf. Lc 1, 45).

O – Oremos: Senhor Jesus, que nos deste Maria como nossa mãe,
concede-nos a graça de imitar-mos as suas virtudes, especialmente a
da abertura ao Espírito que nos leva a estar disponíveis no serviço aos
irmãos. Tu que és Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
41
T – Ámen.

Canta-se: Nós Te adoramos, Senhor, a tua cruz. Enquanto se canta,


alguém afixa no lugar onde supostamente Jesus teria os pés na cruz
a cartolina com a palavra DISPONIBILIDADE. Todos serão
convidados a contemplar esta palavra no silêncio.

A – Caminhamos em silêncio, com o nosso olhar voltado para os pés


da cruz, onde Maria nos deu a mais bela lição do que é estar
disponível para amar.

► Quinta estação:

A – Jesus é ajudado por Simão de Cirene

O – Nós adoramos-Te, Jesus Cristo, e contemplamos-Te quando Te


deixas ajudar.
T – Porque com a sua compaixão remiste o mundo.

L1 – Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, de nome Simão


e obrigaram-no a carregar a cruz de Jesus (Mt 27,32).

L2 – “O homem também não pode viver exclusivamente no amor


oblativo. Não pode limitar-se sempre a dar, deve também receber.
Quem quer dar amor, deve ele mesmo recebê-lo em dom.
Certamente, o homem pode — como nos diz o Senhor — tornar-se
uma fonte donde correm rios de água viva (cf. Jo 7, 37-38); mas, para
se tornar semelhante fonte, deve ele mesmo beber incessantemente da
fonte primeira e originária que é Jesus Cristo, de cujo coração
trespassado brota o amor de Deus (cf. Jo 19, 34). (Bento XVI, Deus
caritas est, 7)

O – Oremos: Senhor Jesus, que aceitaste a ajuda do Cireneu que


amavelmente carregou a tua cruz, pedimos-Te que nos ajudes a
continuar a lutar por uma nova civilização, onde reine a cultura do
amor recíproco, o ágape que bebemos nesta Fonte que é Tu, Deus
com o Pai na unidade do Espírito Santo.
42
T – Ámen.

Canta-se: Nós Te adoramos, Senhor, a tua cruz. Enquanto se canta,


alguém afixa num dos braços da cruz a palavra DOAÇÃO. Todos
serão convidados a contemplar esta palavra no silêncio.

A – Caminhamos em silêncio, contemplando o exemplo que nos foi


dado de doação, recordando situações da nossa vida em que
poderíamos ter ajudado mais os nossos irmãos mais necessitados.

► Sexta estação:

A – Verónica enxuga o rosto de Jesus

O – Nós adoramos-Te, Jesus Cristo, e contemplamos o Teu rosto.


T – Porque com ele nos mostraste a Luz que nasce das alturas.

L1 – Senhor, Deus do universo, escuta a minha oração,


presta-me ouvidos, ó Deus de Jacob.
Ó Deus, olha para o nosso escudo,
põe os olhos no rosto do teu ungido.
Um dia em teus átrios vale por mil;
antes quero ficar no limiar da casa do meu Deus,
do que habitar nas tendas dos maus.
Porque o Senhor é sol e é escudo;
Ele concede a graça e a glória;
o Senhor não recusa os seus favores
aos que vivem com rectidão.
Ó Senhor do universo,
feliz o homem que em ti confia! (Sl 84)

L2 – Diz-nos o Papa: “A fé, a esperança e a caridade caminham


juntas. A esperança manifesta-se praticamente nas virtudes da
paciência, que não esmorece no bem nem sequer diante de um
aparente insucesso, e da humildade, que aceita o mistério de Deus e
confia n'Ele mesmo na escuridão. A fé mostra-nos o Deus que
entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa
43
de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! Deste modo, ela
transforma a nossa impaciência e as nossas dúvidas em esperança
segura de que Deus tem o mundo nas suas mãos e que, não obstante
todas as trevas, Ele vence (…). A fé, que toma consciência do amor
de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por
sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz — fundamentalmente, a
única — que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá
a coragem de viver e agir. O amor é possível, e nós somos capazes de
o praticar porque criados à imagem de Deus. Viver o amor e, deste
modo, fazer entrar a luz de Deus no mundo.

O – Oremos: Senhor Jesus, cujo rosto sofredor ficou marcado no


lenço da Verónica, grava também nos nossos corações essa tua beleza
que nos purifique o coração das seduções enganadoras do mundo. Tu
que és Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
T – Ámen.

Canta-se: Nós Te adoramos, Senhor, a tua cruz. Depois do cântico,


todos são convidados a caminhar ou a estar, por algum tempo, de
olhos fechados.

A – Enquanto caminhamos (ou estando parados!), na medida em que


for possível para cada um, fechemos os olhos para este mundo.
Façamos a experiência de imaginar o rosto de Jesus “impresso” no
rosto de quantos homens e mulheres que conhecemos a sofrer. Na
nossa memória, e com todos esses rostos, poder-se-á formar um rosto
o mais parecido com o de Jesus Cristo neste passo da via-sacra.

► Sétima estação:

A – Jesus cai pela segunda vez

O – Nós adoramos-Te, Jesus Cristo, e contemplamos a Tua


perseverança.
T – Porque com perseverança nos guiaste pelo caminho da salvação.

44
L1 – Uma vez que temos um grande Sumo Sacerdote que
atravessou os céus, Jesus, o Filho de Deus, conservemos firme a fé
que professamos. De facto, não temos um Sumo Sacerdote que não
possa compadecer-se das nossas fraquezas, pois Ele foi provado em
tudo como nós, excepto no pecado. Aproximemo-nos, então, com
grande confiança, do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e
encontrar graça para uma ajuda oportuna. (Heb 4,14-16)

L2 – “Quaresma é o tempo privilegiado da peregrinação interior até


Àquele que é a fonte da misericórdia. Nesta peregrinação, Ele próprio
nos acompanha através do deserto da nossa pobreza, amparando-nos
no caminho que leva à alegria intensa da Páscoa. Mesmo naqueles
«vales tenebrosos» de que fala o Salmista (Sl 23, 4), enquanto o
tentador sugere que nos abandonemos ao desespero ou deponhamos
uma esperança ilusória na obra das nossas mãos, Deus guarda-nos e
ampara-nos.” (Mensagem de Bento XVI para a Quaresma de 2006)

O – Oremos: Senhor Jesus, que pela segunda vez na tua caminhada


para o calvário nos demonstraste o segredo e a força da perseverança;
diante da cultura anti-vocacional em que vivemos ajuda a perseverar
no caminho aqueles que, na tua Igreja, chamaste a exercer um
ministério, para poderem ser referência da tua presença que dá
segurança aos que Te procuram. Tu que és Deus com o Pai na
unidade do Espírito Santo.
T – Ámen.

Canta-se: Nós Te adoramos, Senhor, a tua cruz. Todos são


convidados a caminhar em silêncio até à próxima estação.

A – Caminhemos em silêncio, meditando no amor perseverante de


Jesus.

► Oitava estação:

A – Jesus encontra as mulheres de Jerusalém

45
O – Nós adoramos-Te, Jesus Cristo, e contemplamos a alegria
escondida na Tua mensagem de salvação.
T – Porque vieste para nos salvar com o testemunho alegre do Reino.

L1 – Grande multidão O seguia, e as mulheres batiam no peito e


lamentavam-se por causa d'Ele. Jesus, porém, voltando-Se para as
mulheres, disse: “Filhas de Jerusalém, não choreis sobre Mim, mas
antes sobre vós mesmas e sobre os vossos filhos. Dias virão em que
se dirá: Felizes as estéreis cujas entranhas nunca deram à luz e cujos
seios nunca amamentaram. Pois se tratam assim o lenho verde, o que
acontecerá com o seco?” (Lc 23,27-29.31).

L2 – “Todos os ministérios na Igreja são um serviço à alegria do


Evangelho enquanto notícia alegre da salvação de Deus para os
homens. Qualquer ministério é belo e grande porque, em definitivo, é
um serviço à alegria de Deus que quer fazer a sua entrada no mundo e
à alegria da comunhão. ‘Como são belos os pés dos que anunciam a
Boa Nova’ (Rom 10, 15). Por isso, o próprio exercício do ministério é
chamado a tornar-se uma fonte e uma experiência de alegria. É cheio
de significado que S. Lucas refira esta experiência dos 72 discípulos
no regresso da missão recebida de Jesus: ‘Os setenta e dois voltaram
cheios de alegria, dizendo: Senhor, até os demónios se sujeitaram a
nós em teu nome. Disse-lhes Ele: Não vos alegreis porque os
espíritos vos obedecem; alegrai-vos, antes, por estarem os vossos
nomes escritos no Céu’ (Lc 10, 17-20). Cada um de nós é chamado a
viver com alegria, serenidade e simplicidade o próprio ministério ou
serviço, pequeno ou grande que seja.” (D. António Marto, Carta de
Abertura do Ano Pastoral 2005/2006, n. 5)

O – Oremos: Senhor Jesus, que Te confrontaste com os lamentos


inibidores das mulheres de Jerusalém, dai-nos a graça de não
deixarmos que o desânimo vença a alegria que nos chamas a
transmitir no caminho do acompanhamento e do testemunho
vocacional. Tu que és Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
T – Ámen.

46
Canta-se: Nós Te adoramos, Senhor, a tua cruz. Enquanto se canta,
afixam-se na cruz os ramos verdes e flores, que todos são chamados
a contemplar. Durante a caminhada poder-se-á também cantar o
cântico Como são belos os pés que anunciam a paz…
A – Contemplemos, nesta caminhada, estas flores e ramos verdes.
São sinais dos passos de alegria e felicidade que Jesus deixou
marcados, para nós imitarmos e seguirmos. (Cantemos…)

► Nona estação:

A – Jesus cai pela terceira vez

O – Nós adoramos-Te, Jesus Cristo, e contemplamos o teu jugo


suave.
T – Porque nos deixaste o exemplo de que ser grande é ser servo de
todos até ao fim.

L1 – “Vinde a Mim, vós todos que estais cansados e oprimidos, e Eu


vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim que sou
manso e humilde de coração” (Mt 11,28-29).

L2 – O coração, na Bíblia, simboliza o centro de todas forças que


podem motivar as atitudes humanas. É a “fábrica” de todos os
sentimentos, o “genoma” que nos pode fazer mais parecidos com
Deus. Diz-nos o Papa: “Se vês a caridade, vês a Trindade” —
escrevia Santo Agostinho. Ao longo das reflexões anteriores,
pudemos fixar o nosso olhar no Trespassado (cf. Jo 19, 37; Zc 12,
10), reconhecendo o desígnio do Pai que, movido pelo amor (cf. Jo 3,
16), enviou o Filho unigénito ao mundo para redimir o homem.
Quando morreu na cruz, Jesus — como indica o evangelista —
“entregou o Espírito” (cf. Jo 19, 30) (…). De facto, o Espírito é
aquela força interior que harmoniza seus corações com o coração de
Cristo e leva-os a amar os irmãos como Ele os amou, quando Se
inclinou para lavar os pés dos discípulos (cf. Jo 13, 1-13) e sobretudo
quando deu a sua vida por todos (cf. Jo 13, 1; 15, 13).
O Espírito é também força que transforma o coração da comunidade
eclesial, para ser, no mundo, testemunha do amor do Pai, que quer
47
fazer da humanidade uma única família, em seu Filho. Toda a
actividade da Igreja é manifestação dum amor que procura o bem
integral do homem: procura a sua evangelização por meio da Palavra
e dos Sacramentos, empreendimento este muitas vezes heróico nas
suas realizações históricas; e procura a sua promoção nos vários
âmbitos da vida e da actividade humana. Portanto, é amor o serviço
que a Igreja exerce para acorrer constantemente aos sofrimentos e às
necessidades, mesmo materiais, dos homens.

O – Oremos: Senhor Jesus, que vieste para nos dar a vida em


abundância e nos fizeste contemplar essa Vida desde a Trindade, faz-
nos caminhar em comunhão com essa Fonte da qual Tu és a humilde
“vertente” e aprendamos a ser canais dessa água viva para a sede dos
nossos irmãos. Tu que és Deus com o Pai na unidade do Espírito
Santo.
T – Ámen.

Canta-se: Nós Te adoramos, Senhor, a tua cruz. Enquanto se canta,


cada um é convidado a caminhar individualmente até à cruz e a
inclinar a sua cabeça encostando-a ao coração de Jesus (inclina-se a
cruz se necessário, no centro do círculo dos participantes). Depois
deste gesto caminha-se em silêncio até à próxima estação.

A – Nesta estação, formamos um círculo à volta da cruz de Jesus.


Cada um de nós poderá livremente inclinar a cabeça no coração de
Jesus, aliviando nesta fonte de vida as suas dores e angústias, dúvidas
e ansiedades. (No fim deste gesto: Caminhemos em silêncio até à
próxima estação.)

► Décima estação:

A – Jesus é despojado das suas vestes

O – Nós adoramos-Te, Jesus Cristo, e contemplamos a tua túnica.


T – Porque nela, peça única e sem costura, nos deixaste a imagem de
uma Igreja unida.

48
L1 – Depois de crucificarem Jesus, os soldados dividiram em quatro
as suas vestes, ficando cada um com a sua parte. Deixaram de lado a
túnica. Era uma peça única e sem costura. Por isso disseram entre si:
“Não a rasguemos, mas tiremo-la à sorte para ver com quem fica”.
Assim se cumpria a Escritura: “Repartiram entre si as minhas vestes e
deitaram sortes sobre a minha túnica” (Jo 19,23-24).

L2 – “A comunidade cristã normal deve ser por natureza, “casa e


escola vocacional” que faz despertar e crescer, de modo normal, as
vocações normais a partir da fé vivida e testemunhada como apelo! A
vocação há-de ser apresentada não como um facto extraordinário,
mas como o desabrochar normal de um caminho de fé: Que procuras?
O que te move? Que anseios estão no interior do teu coração? Que
sentido e que projecto queres dar á tua vida? Que esperas da vida?
Vocações normais: a vida matrimonial, profissão, sacerdócio,
ministérios, vida consagrada, voluntariado, empenho no social ou
politico etc.
A pastoral passa através de uma proposta vocacional
comunitária e popular, não elitista. Cada um na comunidade (família,
catequistas, padres…) tem um talento próprio a fazer frutificar na
acção comunitária, para a preparação do terreno e para a sementeira
de todas as vocações. Assim todos se sentem e mostram responsáveis
pelo futuro da Igreja.” (D. António Marto, Pastoral vocacional e
pedagogia vocacional)

O – Oremos: Senhor Jesus, despido da tua túnica, ajuda-nos a não


perder os pedaços que a compõem na tua Igreja, hoje tão
caracterizada pelo pluralismo da fé; ajuda-nos a reconstruí-la com os
carismas, ministérios e vocações que pões à nossa disposição para a
grande tarefa da unidade. Tu que és Um com o Pai e o Espírito Santo.
T – Ámen.

Canta-se: Nós Te adoramos, Senhor, a tua cruz. Depois do cântico,


caminha-se até à estação seguinte meditando na proposta dada pelo
admonitor. Poderá acrescentar-se um cântico, por ex.: Somos a
Igreja de Cristo…

49
A – Jesus deixou-Se despir da sua túnica, para que nós a pudéssemos
vestir. Túnica rasgada e deitada em sortes, constituem-se hoje
pedaços a reunir num único “puzzle”. Enquanto caminhamos,
meditemos na nossa condição de baptizados e perguntemos, no nosso
íntimo, que consequências tem essa condição nesta Igreja concreta.

► Décima primeira estação:

A – Jesus é pregado na cruz

O – Nós adoramos-Te, Jesus Cristo, e contemplamos as tuas chagas.


T – Porque nelas provas que és verdadeiramente o Pastor que dá a
vida pelas suas ovelhas.

L1 – A Mãe de Jesus, a irmã de Sua Mãe, Maria de Cléofas e Maria


Madalena estavam junto à cruz. Jesus, vendo a Sua Mãe e, perto dela,
o discípulo a quem amava, disse à Mãe: "Mulher, eis o teu filho!".
Depois disse ao discípulo: "Eis a tua Mãe!" (Jo 19,25-27).

L2 – “«Dar­vos­ei pastores segundo o Meu coração» (Jer 3, 15). Com 
estas palavras do profeta Jeremias, Deus promete ao seu povo que 
jamais  o   deixará privado de pastores  que  o reúnam e guiem:  «Eu 
estabelecerei   para   elas   (as   minhas   ovelhas)   pastores,   que   as 
apascentarão, de sorte que não mais deverão temer ou amedrontar­se» 
(Jer  23,  4). A Igreja, Povo de Deus, experimenta continuamente a 
realização deste anúncio profético e, na alegria, continua a dar graças 
ao Senhor. Ela sabe que o próprio Jesus Cristo é o cumprimento vivo, 
supremo e definitivo da promessa de Deus: «Eu sou o Bom Pastor» 
(Jo 10, 11). Ele, «o grande Pastor das ovelhas» (Heb 13, 20), confiou 
aos   apóstolos   e   aos   seus   sucessores   o   ministério   de   apascentar   o 
rebanho de Deus (cf. Jo 21, 15­17; 1 Ped 5, 2). Sem sacerdotes, de 
facto, a Igreja não poderia viver aquela fundamental obediência que 
está no próprio coração da sua existência e da sua missão na história ­ 
a obediência à ordem de Jesus : «Ide, pois, ensinai todas as nações» 
50
(Mt 28, 19) e «Fazei isto em minha memória» (Lc 22, 19; cf. 1 Cor 
11, 24), ou seja, a ordem de anunciar o Evangelho e de renovar todos 
os   dias   o   sacrifício   do   seu   Corpo   entregue   e   do   seu   Sangue 
derramado pela vida do mundo. Pela fé, sabemos que a promessa do 
Senhor não pode deixar de cumprir­se. Esta promessa é exactamente 
a razão e a força que faz a Igreja alegrar­se perante o florescimento e 
o aumento numérico das vocações sacerdotais, que hoje se regista em 
algumas partes do mundo, e representa o fundamento e o estímulo 
para um seu acto de maior fé e de esperança mais viva, diante da 
grave escassez de sacerdotes que pesa noutras partes.” (João Paulo II, 
Ex. Ap. Pastores Dabo Vobis, 1)

O – Oremos: Senhor Jesus, pregado na cruz, de braços abertos para a


humanidade, continua a dar-nos pastores que segundo o teu coração,
pelo Sacramento da Ordem, possam receber e apascentar a nossa mãe
Igreja, a quem nos deste como filhos. Tu que és Deus com o Pai na
unidade do Espírito Santo.
T – Ámen.

Canta-se: Nós Te adoramos, Senhor, a tua cruz. Durante o cântico,


o presbítero reveste-se com a alva e com a estola (se não for um
presbítero a presidir, um leigo, de preferência um jovem rapaz,
poderá vestir a alva). O sacerdote aproxima-se da cruz e caminha
atrás dela.

A – Caminhemos na contemplação deste dom que é o sacerdócio


ministerial. Rezemos pelos jovens a quem Deus quer destinar este
dom, para que estejam atentos à voz que os chama. Rezemos também
pelas comunidades que sentem mais gravemente a falta e a urgência
deste ministério, para que o Senhor os livre de uma longa espera.

► Décima segunda estação:

A – Jesus morre na cruz

51
O – Nós adoramos-Te, Jesus Cristo, e contemplamos a tua paixão.
T – Porque por ela nos abriste a porta da ressurreição.

L1 – «Chegou a hora de se revelar a glória do Filho do Homem. Em


verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não
morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto. Quem se ama a si
mesmo, perde-se; quem se despreza a si mesmo, neste mundo,
assegura para si a vida eterna. Se alguém me serve, que me siga, e
onde Eu estiver, aí estará também o meu servo. Se alguém me servir,
o Pai há-de honrá-lo. Agora a minha alma está perturbada. E que hei-
de Eu dizer? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente para esta
hora é que Eu vim! Pai, manifesta a tua glória!» (Jo 12,23-28)

L2 – A hora da decisão vocacional é a hora de aceitar o desafio de


morrer para este mundo e fazer um caminho de encontro da plenitude
de Deus. Grão de trigo semeado na terra é cada cristão a deixar-se
morrer pelos outros, semente para o pão do Reino. Diz-nos o Papa:
“A história da Igreja é caracterizada pelas moções do Espírito Santo,
que não só a enriqueceu com os dons da sabedoria, da profecia e da
santidade, mas também adoptou formas de vida evangélica sempre
novas, através da obra de fundadores e de fundadoras que
transmitiram o seu carisma a uma família de filhos e de filhas
espirituais. Graças a isto, nos mosteiros e nos centros de
espiritualidade, os monges, os religiosos e as pessoas consagradas
oferecem hoje aos fiéis um oásis de contemplação e escolas de
oração, de educação para a fé e de acompanhamento espiritual.
Porém, sobretudo, dão continuidade à obra de evangelização e de
testemunho em todos os continentes, até às vanguardas da fé, com a
generosidade e muitas vezes com o sacrifício da vida, até ao martírio.
Muitos deles se dedicam inteiramente à catequese, à educação, ao
ensino, à promoção da cultura e ao ministério da comunicação. Estão
ao lado dos jovens e das suas famílias, dos pobres, dos idosos, dos
enfermos e das pessoas sozinhas. Não há âmbito humano e eclesial
em que eles não estejam presentes de maneira frequentemente
silenciosa, mas sempre efectiva e criativa, como que numa
continuação da presença de Jesus, que passou fazendo o bem a todos
52
(cf. Act 10, 38). A Igreja sente-se reconhecida pelo testemunho de
fidelidade e de santidade, dados por numerosos membros dos
Institutos de vida consagrada, pela incessante oração de louvor e de
intercessão que se eleva das suas comunidades, pela sua vida
despendida ao serviço do Povo de Deus.” (Mensagem do Papa Bento
XVI à sessão plenária da Congregação para os Institutos de Vida
Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica)

O – Oremos: Senhor Jesus, grão de trigo caído na terra, do qual


brotou para nós a vida eterna, faz cair para a tua Igreja sementes de
vocação, preparando o terreno coração dos jovens deste tempo para
que as acolham em projecto de realização na consagração ao serviço
do mundo. Tu que és Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
T – Ámen.

Canta-se: Nós Te adoramos, Senhor, a tua cruz. Depois do cântico,


enquanto se caminha, se estiver presente alguma pessoa
consagrada, poderá ser convidada a juntar-se ao pé da cruz e a
afixar no outro braço a palavra VIDA.

A – Caminhemos, contemplando a Igreja como “jardim” onde Deus


planta vários tipos de flores, onde nos faz sentir o suave “perfume”
do seu Reino de Vida que já está no meio de nós.

► Décima terceira estação:

A – Jesus é descido da cruz

O – Nós adoramos-Te, Jesus Cristo, descido da cruz.


T – Servido para nós na mesa da Eucaristia.

L1 – Estavam ali muitas mulheres, a olhar de longe; elas tinham


seguido Jesus desde a Galileia para O servir... Ao entardecer, chegou
um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se tornara
discípulo de Jesus. Ele dirigiu-se a Pilatos e pediu-lhe o corpo de
Jesus. Então Pilatos ordenou que lhe fosse entregue (Mt 27,55.57-
58).
53
L2 – Unindo-se a Cristo, o povo da nova aliança não se fecha em si
mesmo; pelo contrário, torna-se «sacramento» para a humanidade,
sinal e instrumento da salvação realizada por Cristo, luz do mundo e
sal da terra (cf. Mt 5, 13-16) para a redenção de todos. A missão da
Igreja está em continuidade com a de Cristo: «Assim como o Pai Me
enviou, também Eu vos envio a vós» (Jo 20, 21). Por isso, a Igreja
tira a força espiritual de que necessita para levar a cabo a sua missão
da perpetuação do sacrifício da cruz na Eucaristia e da comunhão do
corpo e sangue de Cristo. Deste modo, a Eucaristia apresenta-se
como fonte e simultaneamente vértice de toda a evangelização,
porque o seu fim é a comunhão dos homens com Cristo e, n'Ele, com
o Pai e com o Espírito Santo. Pela comunhão eucarística, a Igreja é
consolidada igualmente na sua unidade de corpo de Cristo. A este
efeito unificador que tem a participação no banquete eucarístico,
alude S. Paulo quando diz aos coríntios: «O pão que partimos não é a
comunhão do corpo de Cristo? Uma vez que há um só pão, nós,
embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos
participamos do mesmo pão» (1 Cor 10, 16-17).” (João Paulo II,
Ecclesia De Eucharistia, 22)

O – Oremos: Senhor Jesus, que na tua morte e ressurreição fundaste a


Eucaristia, memorial perene da tua presença viva; faz crescer nesta
Igreja ministros capazes de servir a participação plena, consciente e
activa do povo de Deus que celebra o Mistério da Fé na Liturgia. Tu
que és Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
T – Ámen.

Canta-se: Nós Te adoramos, Senhor, a tua cruz. Durante o cântico,


poder-se-á, conforme as condições fazer passar vários pães pelos
presentes, que irão repartindo e comendo na caminhada até à última
estação.

A – Um só pão repartido faz de nós um só Corpo em Cristo, diz-nos o


Apóstolo Paulo. Depois desta partilha de pão, caminhemos e
saboreemos como é bom viver a comunhão com Deus e com os
irmãos.
54
► Décima quarta estação:

A – Jesus é sepultado

O – Nós adoramos-Te, Jesus Cristo, dentro de cada coração.


T – Para nós és e estás na pessoa dos irmãos.

L1 – Não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser isto: amar-vos


uns aos outros. Pois quem ama o próximo cumpre plenamente a lei.
Sabeis em que tempo vivemos: já é hora de acordardes do sono, pois
a salvação está agora mais perto de nós do que quando começámos a
acreditar. A noite adiantou-se e o dia está próximo. Despojemo-nos,
por isso, das obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.
Como quem vive em pleno dia, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.
(Rom 8,13 ss)

L2 – “O problema vocacional põe-se a cada um: a exigência de


discernir a vocação específica que Deus nos reserva na nossa tarefa
de anunciar o Evangelho e edificar a Igreja de Jesus Cristo. Isto
significa não só saber o que Deus quer de nós, mas também o
compromisso de fazer o que Ele nos pede. É uma responsabilidade
pessoal que recebe aquele que é chamado: manter sempre viva, grata
e alegre a consciência da própria vocação e dar uma resposta livre,
generosa e cheia de amor a Deus que chama: ‘E eu respondi: eis-me
aqui, envia-me’ (Is 6,8)”. (D. António Marto, Carta de Abertura do
Ano Pastoral 2005/2006)

O – Oremos: Senhor Jesus, que vives no coração da Igreja e a


conduzes ao Pai com a força do Teu Espírito, ajuda a nossa Diocese
de Viseu a promover a nova cultura vocacional, onde, os que sentem
a alegria do chamamento tenham a coragem de chamar e acompanhar
cada homem e mulher em crescimento, para que não falte nenhum
dom à tua Igreja que peregrina para o Reino de Deus, com quem
vives e reinas na unidade do Espírito Santo.
T – Ámen.

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O (se for presbítero ou diácono) – O Senhor esteja convosco.
T – Ele está no meio de nós.
O – Abençoe-vos Deus todo-poderoso Pai, Filho e Espírito Santo.
T – Ámen.

Permanecendo todos ainda à volta da cruz, afixa-se no topo a


cartolina com a palavra VOCAÇÃO. Canta-se o cântico final:
A – Depois do cântico vamos partir, pois a Via-Sacra não termina
aqui, mas continua. Jesus, que nos amou até ao fim, permaneça vivo
nos nossos corações nos possa levar a caminhos de conversão, de
vida e de partilha. É a missão a que somos chamados e enviados!

Cantemos:

SUGESTÃO FINAL: Poder-se-á deixar exposta num local abrigado


da comunidade, fora ou dentro da igreja, a cruz “vivenciada” e
transportada nesta Via-Sacra – símbolo de salvação e de vida para o
mundo.

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Celebração penitencial

A preparar:

► Ambientação: apagar as luzes da igreja, deixando uma pequena


luz acesa perto do altar ou do sacrário, concentrando a atenção dos
participantes nestes pontos e para se poderem movimentar;
acompanhar este lusco-fusco com uma música de fundo muito
suave.

► Para os participantes: cartões com a seguinte frase: Fala,


Senhor, o teu servo escuta! – que estarão por cima do altar, para que
os participantes possam ir buscar ao altar depois da confissão
individual.

► Poderá estar sobre o altar um poster com o rosto de Jesus.

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► Música ambiente muito suave, para o momento da confissão
individual.

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1. Introdução:

Há dentro de cada um de nós uma voz misteriosa a que chamamos


consciência. Esta como um “santuário” onde se encontra Deus. Como
diz Santo Agostinho Ele é mais íntimo a nós do que nós mesmos (cf.
Confissões, III, 6, 11).
É por essa voz misteriosa e íntima que somos constantemente
chamados a seguir o apelo da vida e da vocação à santidade. Vamos,
por isso, criar um ambiente onde possamos escutar Deus, pois é Ele
quem poderá preencher todo o nosso ser e é no diálogo amoroso com
Ele que podemos confrontar-nos com o que não nos deixa, por vezes,
escutá-Lo e cumprir a sua vontade que nos santifica e nos dá a
felicidade verdadeira.

2. Cântico: Ando à procura de Ti, Senhor (CT, n. 659)

3. Leitura (1 Sam 3,1-10):

O jovem Samuel servia o Senhor sob a direcção de Eli. O Senhor,


naquele tempo, falava raras vezes e as visões não eram frequentes.
Ora certo dia aconteceu que Eli estava deitado, pois os seus olhos
tinham enfraquecido e mal podia ver. A lâmpada de Deus ainda não
se tinha apagado e Samuel repousava no templo do Senhor, onde se
encontrava a Arca de Deus. O Senhor chamou Samuel. Ele
respondeu: «Eis-me aqui.» Samuel correu para junto de Eli e disse-
lhe: «Aqui estou, pois me chamaste.» Disse-lhe Eli: «Não te chamei,
meu filho; volta a deitar-te.» O Senhor chamou de novo Samuel. Este
levantou-se e veio dizer a Eli: «Aqui estou, pois me chamaste.» Eli
respondeu: «Não te chamei, meu filho; volta a deitar-te.» Samuel
ainda não conhecia o Senhor, pois até então nunca se lhe tinha
manifestado a palavra do Senhor. Pela terceira vez, o Senhor chamou
Samuel, que se levantou e foi ter com Eli: «Aqui estou, pois me
chamaste.» Compreendeu Eli que era o Senhor quem chamava o
menino e disse a Samuel: «Vai e volta a deitar-te. Se fores chamado
outra vez, responde: «Fala, Senhor; o teu servo escuta!» Voltou
Samuel e deitou-se. Veio o Senhor, pôs-se junto dele e chamou-o,

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como das outras vezes: «Samuel! Samuel!» E Samuel respondeu:
«Fala, Senhor; o teu servo escuta!»

4. Cântico: Mostra, Senhor, o caminho… Fala, Senhor… (CAC,


n.362)

5. Exame de consciência (lido pausadamente, por um ou mais


leitores):

a) Deus fala-me no íntimo mais íntimo de mim mesmo.


• Procuro no meu dia um momento de silêncio para me
encontrar a sós com Deus?
• Deixo-me levar frequentemente para ambientes onde haja
barulho, para fugir dos desafios da vida?
• Procuro a voz de Deus na Bíblia, e procuro assimilá-la e
gravá-la na minha inteligência e no meu coração?

b) Deus fala-me através dos irmãos.


• Procuro escutar os outros com paciência?
• Preocupo-me com os sentimentos, as alegrias e as angústias
dos que vivem à minha volta?
• Estou aberto a que os outros façam com fraternidade críticas
aos meus defeitos e falhas?

b) Deus fala-me através dos acontecimentos.


• Estou atento ao que acontece no mundo e que me entra em
casa todos os dias pelo jornal, televisão ou pela rádio?
• Encontro tempo para discernir os sinais escondidos nesses
acontecimentos, reflectindo neles à luz da fé?
• Dou mais importância aos acontecimentos que sucedem perto
de mim?

b) Deus fala-me pela mãe Igreja.


• Costumo procurar e ler as mensagens e cartas do Papa e do
Bispo, que explicam e actualizam a Mensagem de Deus para
nós?
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• Estou atento à catequese contida nas homilias, ou outros
momentos de reflexão que me são proporcionados na
comunidade?
• Participo nas Celebrações da Liturgia, sobretudo na
Eucaristia, com entusiasmo e com uma consciência plena de
me encontrar com o Senhor, em comunhão com os irmãos?

b) Deus fala-me através da caridade.


• Procuro o interesse do meu próximo mais do que o meu
próprio interesse?
• Estou disponível para ajudar o irmão que me pede auxílio?
• Aceito “alargar” o meu coração para que caibam nele também
as pessoas de quem não gosto tanto?

6. Confissão (todos juntos): Confesso a Deus…

7. Confissão individual dos pecados

8. Gesto simbólico: depois da confissão individual, ou durante o


tempo da mesma para os que não se confessam individualmente, cada
participante é convidado a ir beijar o altar, trazendo de lá um cartão
com a frase Fala, Senhor, o teu servo escuta! (um gesto alternativo
poderá ser ir tocar na porta do sacrário).

(Se ainda não foi feito, poderão ser acesas todas as luzes da igreja.)

8. Acção de Graças: todos juntos elevam as mãos; recita-se o Pai-


nosso.

9. Volta a cantar-se: Fala, Senhor, que o teu servo escuta… (com


gestos, se for oportuno). Deixar a tocar uma música de fundo alegre
a tocar enquanto as pessoas vão saindo.

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Apêndice
Orações diante do
Santíssimo
1. Jesus Cristo, estou aqui diante de Ti para pensar um pouco na vida,
nos outros, em mim, em tantas coisas que me vêm à cabeça, coisas
sobre Ti, sobre o mundo e sobre mim mesmo. Quero fazer grandes
coisas por Ti, pelos homens, para que a minha passagem pela história
não seja em vão.
Em Ti está a vida e a verdade, por isso, devo beber na única
fonte capaz de apagar a minha sede de verdade, de bondade e de
beleza.
Hoje, quero pedir-te de modo especial por aqueles jovens que
percebem no interior do seu coração o Teu chamamento ao
sacerdócio e à vida consagrada. Não deve ser fácil deixar tudo para
Te seguirem. Deve-lhes custar deixar as suas famílias, a sua
namorada ou namorado, seus amigos...Mas, compreendo
perfeitamente aqueles que por Ti são capazes de deixar tudo para Te
seguirem. Porque Tu Senhor, és o tesouro por quem vale a pena
vender tudo.
Eles irão pelo mundo, pregando o Teu Evangelho, suavizando
com a Tua Palavra a amargura de muitas vidas humanas, dando um
pouco de esperança a tantos homens, a tantos jovens que vivem sem
ilusão, sem transcendência, sem verdadeiro amor. Eles irão derramar,
por este mundo que tantas vezes parece condenado à amargura e ao
ódio, o perfume da Tua mensagem de gozo, de paz e de esperança.
Irão consolar os tristes, fortalecendo os fracos, derramando a graça e
o perdão.
Tu Senhor, és capaz de moldar uma vida, de lhe dar sentido,
de fazê-la frutificar; dá-nos sacerdotes segundo o Teu coração. Move
o coração dos jovens para que não vacilem em deixar as redes
quando Tu, com Teu olhar e suavidade lhes disseres: Segue-me.

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2. Deus, Pai e Pastor de todos, Tu queres que não faltem homens e
mulheres de fé, que consagram suas vidas ao serviço do Evangelho e
ao cuidado da Igreja. Faz com que Teu Espírito ilumine os seus
corações e fortaleça suas vontades, para que, acolhendo o Teu
chamamento cheguem a ser os sacerdotes e Diáconos, Religiosos,
Religiosas e Consagrados que o Teu Povo necessita.
A messe é grande e os operários são poucos.
Envia, Senhor, operários à Tua messe. Ámen.

Orações para depois da


Bênção do SSmo
Bendito seja Deus
Bendito o Seu Santo Nome
Bendito Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem
Bendito o Nome de Jesus
Bendito o Seu Sacratíssimo Coração
Bendito o Seu preciosíssimo sangue
Bendito Jesus no Santíssimo Sacramento do Altar
Bendito o Espírito Santo Paráclito
Bendita a excelsa Mãe de Deus, Maria Santíssima
Bendita a Sua santa imaculada Conceição
Bendita a Sua gloriosa Assunção
Bendito o Nome de Maria, Virgem e Mãe
Bendito S. José, Seu Castíssimo esposo
Bendito Deus, nos Seus Anjos e nos Seus Santos.

Senhor Jesus,
Concede-nos meditar sobre o sentido do mistério da Igreja
Para podermos realizar a responsabilidade eclesial
Que cada um deve assumir na própria comunidade.
Concede-nos meditar este mistério de que participamos por tua graça
E de que somos chamados a ser colaboradores por chamamento teu.
Senhor, Tu vives e estás presente na tua Igreja:
Nela infundes o teu Espírito; nela difundes os teus dons e carismas;
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Nela nos abrigas, proteges e consolas; nela e por ela crias um Corpo
visível
Para irradiar a tua luz, a tua graça e a tua paz a todos os homens.
Faz-nos conhecer a grandeza da vocação a que nos chamas
Mediante a vida, o serviço e o ministério neste Corpo que é teu
E que irradia o esplendor da tua Beleza no tempo,
A espera da tua plenitude na glória.
Nós to pedimos por intercessão de Maria, tua e nossa Mãe,
Nossa Senhora da Esperança, que é a imagem da Igreja peregrina.
Ámen! (D. António Marto, Carta de Abertura do Ano Pastoral 2006)

Orações diversas
ACEITA-ME, SENHOR, COMO EU SOU
Aceita os meus medos, e transforma-os em confiança.
Aceita os meus sofrimentos,
e transforma-os em crescimento verdadeiro.
Aceita as minhas crises, e transforma-as em maturidade.
Aceita as minhas lágrimas, e transforma-as em intimidade.
Aceita a minha raiva, e transforma-a em oração.
Aceita o meu desânimo, e transforma-o em fé confiante.
Aceita a minha solidão, e transforma-a em contemplação.
Aceita as minhas amarguras, e transforma-as em calma interior.
Aceita as minhas expectativas, e transforma-as em esperança.
Aceita as minhas perdas, e transforma-as em ressurreição.

Quero anunciar o teu nome


“Ide por todo o mundo e anunciai a Boa Nova a toda a criatura”
(Mc. 16,15)

Senhor, Jesus,
Tu que disseste aos apóstolos, e neles a todos os crentes:
“Ide por todo o mundo e anunciai a Boa Nova a toda a criatura...”
Permite-me participar nesta tarefa
e anunciar-te com obras e palavras
a todos os homens e mulheres

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que se cruzam comigo neste longo e difícil caminhar que é a vida.

Permite-me, Senhor,
falar de ti e do teu amor maravilhoso
às crianças e aos jovens que começam a viver.
Permite-me, Senhor,
falar de ti e do teu perdão misericordioso
aos homens e mulheres
que transitam pela vida tristes e pesarosos,
oprimidos pelo peso das suas faltas e pecados.

Permite-me, Senhor,
falar de ti e da esperança da ressurreição
aos anciãos que cansados e pesarosos pelas angústias e problemas vividos,
se aproximam, com temor, do momento definitivo:
o seu encontro contigo.

Permite-me, Senhor,
falar de ti e do teu amor preferencial pelos pobres,
da justiça e da paz,
da solidariedade e da fraternidade, a tantos homens e mulheres,
crianças, jovens, adultos e anciãos,
submetidos pelos poderosos a situações de miséria.
Permite-me, Senhor,
falar de ti e da tua salvação, do amor imenso do Pai,
da força santificadora do Espírito, de Maria e sua protecção maternal,
da Igreja herdeira dos teus dons, administradora das tuas graças.

Permiti-me, Senhor,
falar de ti e do teu amor de uma maneira toda especial
às multidões imensas que ainda não te conhecem
porque até agora ninguém lhes falou de ti.
Também eles são meus irmãos; também por eles derramaste o teu sangue;
também eles desde há muito tempo estão esperando.

Senhor, eu sei muito bem que não sou grande coisa,


que não tenho títulos especiais
que me qualifiquem para ser e aparecer
perante os outros como mestre da fé,
porém no meu íntimo sinto que o único

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que realmente me interessa, o único que me faz vibrar,
é anunciar pelo mundo o Evangelho,
dar testemunho de ti e da tua mensagem de amor e de serviço,
com as palavras e com a vida,
apesar das minhas muitas limitações.

ORAÇÃO DE PARA UM EMPENHO


CONFIANÇA DE VIDA
E ABANDONO
Senhor,
nós acreditamos que a nossa vida
é um dom do Teu amor.
Meu Pai Tu no-lo dás
Eu me abandono a Ti como uma missão que devemos cumprir,
faz de mim colaborando contigo,
ao serviço dos nossos irmãos e para a Tua
o que quiseres.
glória.
O que quer que faças de mim Por isso, Senhor,
eu to agradeço. nós nos sentimos responsáveis pela nossa
existência,
Estou pronto para tudo diante de Ti e dos nossos irmãos.
aceito tudo, Concede-nos viver
todo o nosso dia,
desde que a tua Vontade como um dom que Tu nos fazes,
se faça em mim e com o coração
e em tudo o que criaste; a transbordar de gratidão.
nada mais quero, meu Deus. TOMAI SENHOR…

Nas tuas mãos Tomai, Senhor e recebei


entrego a minha vida, Toda a minha liberdade,
eu ta dou, meu Deus A minha memória,
com todo o amor O meu entendimento
do meu coração E toda a minha vontade.
porque eu Te amo Tudo o que tenho
e porque é para mim e tudo o que possuo
uma necessidade de amor vós mo destes.
dar-me, A vós, Senhor, o restituo.
entregar-me sem medida Tudo é vosso,
nas tuas mãos Disponde de tudo
com uma infinita confiança Segundo a vossa inteira vontade.
Dai-me o vosso amor
66 E a vossa graça,
Que isso me basta.

(S. Inácio de Loiola)


porque Tu és o meu Pai.

(Charles de Foucauld)

67
(À venda na Livraria do Jornal da Beira.)

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