Você está na página 1de 2
ESTUDO Mochilas com excesso de peso 04/11/2011 Um estudo efetuado por investigadores da Faculdade de

ESTUDO

Mochilas com excesso de peso

04/11/2011

Um estudo efetuado por investigadores da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e que teve por amostra uma escola de Lisboa concluiu que quase sete em cada 10 crianças entre os seis e os 13 anos transportam excesso de peso nas mochilas, suportando uma carga acima de 12 por cento do seu peso corporal.

Foto: NOVA
Foto: NOVA

A análise da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, que abrangeu 630 alunos do 1º e 2º ciclos de ensino da escola D. Filipa de Lencastre, mostra que são os alunos do 5º ano os que mais peso transportam às costas.

» Siga o Universia Portugal no Twitter» Seja Fã do Universia Portugal no Facebook Neste nível de ensino, os alunos transportam em média mochilas que representam 13,5% do

seu peso. "Pode ser explicado por ser um ano de transição, em que as crianças são confrontadas pela primeira vez com várias disciplinas, o que obriga a uma gestão de material a que não estão habituadas", admite o estudo, a que a Lusa teve acesso.

A nível mundial, os estudos indicam que a carga das mochilas é de 20% do peso do corpo dos estudantes.

Apesar de a relação entre o peso da mochila e o do aluno ser inferior nesta análise portuguesa, a prevalência de crianças que transportam peso em excesso é superior à de outros países.

"A prevalência global dos alunos com excesso de peso na mochila escolar foi de 68,4%. A média da relação peso da mochila/do aluno foi de 12,3%, tendo-se verificado em todos os anos escolares uma média superior a 10%, valor a partir do qual se considera excesso de peso", resume a conclusão do estudo, elaborado por E. Andrade, V. Borges, G. Cardoso, A. Henriques, M. Mira, T. Yan e coordenado pelo professor e pediatra Mário Cordeiro.

Segundo estes dados, estas crianças de seis anos estão a transportar às costas cerca de 2,5 quilos, tendo em conta que pesarão em média 20 quilos. No caso dos mais velhos, aos 12 anos podem estar a carregar mais de quatro quilos diariamente.

Dizem os autores que o excesso de peso das mochilas é um problema que requer que se estabeleçam

recomendações, programas de educação ou legislação, com o objectivo de "prevenir consequências negativas para

a saúde e para o desenvolvimento das crianças".

Além da pesagem individual, os investigadores também realizaram questionários às crianças e aferiram a percepção

Além da pesagem individual, os investigadores também realizaram questionários às crianças e aferiram a percepção de cada uma sobre o peso que transportam. Assim, 38% afirmam que ficam cansadas e 27% relatam dores depois de as usarem.

Contudo, 38% dizem que a carga transportada é confortável e 27% referem mesmo que é leve. A esmagadora maioria dos alunos analisados usa uma mochila de levar às costas e apenas 13% opta pelas de rodinhas (ou tróleis).

A justificação desta escolha, segundo as crianças, é que as mochilas com rodas não dão jeito para subir escadas,

andar ou usar transportes públicos. No entanto, os autores admitem que estas mochilas possam ser consideradas infantis e existir uma influência do grupo a que as crianças pertencem para a sua rejeição.

É ainda sublinhado o facto de este grupo de 630 crianças pertencerem a um agrupamento escolar que já tem

medidas para reduzir o peso das mochilas, como a possibilidade de alugar cacifos ou de deixar o material escolar nas salas de aula.

Os investigadores recomendam que, além de medidas tomadas por parte da escola, a diminuição do peso das mochilas escolares exige uma atitude suplementar por parte dos estudantes, pais e professores e, também, dos fabricantes de materiais e manuais escolares, nomeadamente através do fabrico de livros com material mais leve.

"Consideramos útil este assunto ser debatido entre os professores e os pais", refere a análise, acrescentado que as escolas deem a conhecer aos alunos as consequências do transporte de excesso de peso.

As escolas deveriam ainda providenciar cacifos, armários ou secretárias com arrumação e incentivar o seu uso.

Um papel poderão também ter os profissionais de saúde, que nas consultas de vigilância ou nos atos de vacinação devem recordar o assunto, defendem.DN

Fonte: DN