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PARA MIM VIVER É CRISTO

Morte de Paulo
• Não se sabe exactamente em que data nem de que modo Paulo foi morto. Os Actos dos
Apóstolos, depois do relato da sua prisão em Jerusalém e da viagem para Roma, para aí ser
julgado, dizem somente que aí permaneceu dois anos inteiros sob arresto domiciliário (Act 28,
30).
• Com base em tradições posteriores, pensa-se que terá sido degolado na primeira metade dos anos
sessenta.
• Mas, o que nos interessa é o significado da morte. Tanto mais que foi escrito directamente pelo
próprio neste texto, uma carta enviada da prisão, provavelmente em Éfeso, sem saber ainda o
desfecho que o esperava.
• As suas palavras mostram-nos que para ele a morte física não iria ser o termo, mas o auge de uma
vida que se prolonga muito para além dos nossos dias e da qual continuamos hoje a usufruir.
• Vejamos em que sentido.

Texto base: Fil 1,12-26


• No centro das palavras de Paulo está o mesmo de sempre: a alegria (v. 18). Alegra-se pelo que está
acontecer por causa da sua prisão (w. 12-18) e pelo que poderá suceder-lhe como resultado da
mesma (w. 19-26).
• Paulo é um preso que, quanto mais preso, mais livre se sente. O que o prende é quem o faz
plenamente livre: Cristo. É por causa dele que está encarcerado (v. 13).
• Na carta a Filémon, escrita do mesmo lugar, ele apresenta-se como prisioneiro de Cristo Jesus (v. l .9).
Nas amarras do cárcere, ou não, ele será sempre prisioneiro de Cristo. Daí a sua alegria.
• Na base da sua alegria está a certeza da fé: Sei que isto irá resultar para mim em salvação (v. 19). O
que sabe vem-lhe de Deus a quem se entrega. E fá-lo de três modos:
1. Recorre à sua Palavra: Isto irá resultar para mim em salvação é dito por Job (13,16), como
expressão de total confiança em Deus que, nem na morte, abandona os seus.
2. Conta com as orações da comunidade à qual ele próprio se havia associado, também pela oração e
por uma causa comum: o anúncio do Evangelho (1, 4-8). Por isso:
3. Confia no auxílio do Espírito de Jesus Cristo, certamente pedido nas orações da comunidade e
prometido por Jesus aos mensageiros do Evangelho (Mc 13,11).

A esta fé corresponde, a expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado (v. 20). (Conf Sl 24,
2s.20; 68,7; 118,31.80.116):
Como o salmista, também ele não será envergonhado na missão de testemunhar Cristo. Pelo contrário: se a
tribulação produz a paciência, a paciência a comprovação, e a comprovação a esperança, e esta não
engana (Rm 5,4s).
Então é nas tribulações, como aquela por que está a passar, que Cristo será engrandecido no meu corpo,
quer pela vida quer pela morte.

Daí a afirmação: Para mim, viver é Cristo e morrer um lucro (v. 21). Aquilo que o faz viver, é unicamente
Cristo. Se para Paulo viver é Cristo é porque Cristo é a sua vida, no sentido de que já não sou eu que
vivo, mas é Cristo que vive em mim (Gl 2, 20).
E é na medida em que Cristo vive em mim e eu para Cristo, que morrer é um lucro. Não porque esteja
cansado de viver, mas exactamente o contrário: porque a minha vida consiste em desfazer-me dela em
favor dos outros, como fez o Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim (Gl 2, 20).
Compreende-se assim o dilema de Paulo: por um lado, deseja morrer, para estar com Cristo para sempre;
por outro, vê como é necessário permanecer na carne para, continuar a contribuir para o progresso e
alegria da fé das suas comunidades (vv. 22-26).

Opta pela segunda hipótese, na esperança de deixar a cadeia em liberdade, mas levado pelo mesmo
amor que anseia por saborear na união definitiva com Cristo. Dito por palavras suas: Nenhum de nós vive
para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo. Se vivemos, é para o Senhor que vivemos, e se
morremos, é para o Senhor que morremos. Ou seja, quer vivamos quer morramos, é ao Senhor que
pertencemos. Pois foi para isto que Cristo morreu e voltou à vida: para ser Senhor dos vivos e dos
mortos (Rm 14,7-9).
Daí que nada mais lhe interesse, senão que Cristo seja anunciado (v. 18). Foi o que fez até a morte. Ou
melhor, até ao triunfo sobre a morte. Uma prova de que está vivo, é o testemunho (martírio, em grego)
que tantos de nós, levados por ele, damos de Cristo.

Para rezar:
• Começar com salmo 131
• O que tiro de mais importante da relfexão?
• Rezar: SI 22 - caminhar guiado e alimentado pelo Senhor, para com Ele repousar para todo o
sempre.
• Ler alguns destes textos: Act 20,17-28,31; Rm 8, 31-39; Gl 6, 14-18; 2 Tm 4, 1-8, para nos
mantermos em Cristo, guiados e animados pelo martírio do Apóstolo. Que aspectos acho
importantes para a minha vida continuar unida a Cristo?
• Escrever resumo ou oração