Continuação/Parte 2 da Resenha Crítica: Referência bibliográfica

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BECKER, Howard. “Outsiders”; “Tornando-se um usuário de maconha” e “Uso da maconha e controle social”. In.: BECKER, Howard. Outsiders: estudos de sociologia do desvio. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008, pp. 15 – 30; 51 – 87.

Becker encerra seu prefácio focalizando a ideia, mais geral do que a de quem comete um crime, de “desvio”. Sob esse prisma, o autor defende que as regras não têm caráter universal, mas são fabricadas e/ou operadas de acordo com as características específicas de cada grupo. Por fim, o autor reconhece a relevância do antropólogo urbano brasileiro Gilberto Velho no sentido de “reorientar ligeiramente a abordagem, transformando -a num estudo do processo de acusação.”(p. 14 do texto “Outsiders) No primeiro capítulo do livro, Becker define “outsider” como aquele que, “quando uma regra é imposta a pessoa que presumivelmente a infringiu pode ser vista como um tipo especial, alguém de quem não se espera viver de acordo com as regras estipuladas pelo grupo.”(p.15) Em seguida, o autor explica a situação em que o suposto “outsider” discorda da validade da regra que lhe foi imposta(e segundo a qual foi julgado). Desse modo, emerge a segunda definição de “outsider”: “aquele que infringe a regra pode pensar que seus juízes são outsiders”.(p. 15) Becker distingue entre as regras que são formalmente impostas, cuja consecução está respaldada na possibilidade de coação policial, daquelas, nas quais seu interesse é central, “regras operantes efetivas de grupos”, que ele classifica como “mantidas vivas por meio de tentativas de imposição.”(p. 16) O autor faz uma interessante comparação do modo como classificamos comportamentos desviantes como “outsiders” ou quando admitimos certas infrações com tolerância. Como exemplos do primeiro tipo, figuram crimes como assassinato, estupro ou traição. Por outro lado, somos mais complacentes e chegamos a nos identificar com aqueles multados por regras de trânsito após dirigirem alcoolizados ou em alta velocidade. O autor faz outra diferenciação entre os que violam regras e não pensam que foram injustamente julgados e entre aqueles desviantes que, “no extremo(...), (homossexuais e viciados em drogas são bons exemplos) desenvolvem ideologias completas para explicar por que estão certos e por que os que os desaprovam e punem estão errados.”(p. 17) Em seguida, Becker traz um importante pressuposto: os cientistas, ainda que este equívoco venha se mostrando recorrente, não devem partir da classificação de “desviantes” trazidas pelo senso comum. Para justificar sua

18). ele aborda que a homossexualidade seria encarada como uma patologia por desviar da regra usual. Segundo ele. estarão podando as possíveis teorias que seriam desenvolvidas no sentido de compreendê-los. é notável a distinção que Becker faz entre “comportamento de violação de regra” e “comportamento desviante”.”(p. além da classificação e do julgamento frente à infração variar conforme a classe social e os valores de quem rotula o indivíduo. Becker apresenta quatro vertentes.tese. “Ela identifica o desvio como a falha em obedecer a regras do grupo. Como quarta e mais próxima tese do que ele mesmo acredita. dificulta que haja um padrão de referência único traçado como desviante. Becker traça a desconsideração do aspecto político na concepção funcional do desvio. Becker objeta que ela é tão limitadora quando à estatística ao passo que “aceita o julgamento leigo de algo como desviante. A concepção estatística classifica como “desviante tudo que varia excessivamente com relação à média. Becker traz a concepção sociológica relativística do problema. 20) Como óbice para essa teoria. defendida por diversos sociólogos. “Em suma. sendo inadequada para um estudo científico comprometido sobre os outsiders. caso as pesquisas científicas menosprezem o caráter específico e circunstancial dessas classificações. que identifica o desvio como “patologia” ou “doença”. 20) Ainda assim. o autor explicou que a rotulação de desviante envolve a reação de outras pessoas. No que tange ao ponto “Desvio e as reações dos outros”. o fato de hoje não haver grupos com limites rigidamente circunscritos. O ponto forte dessa teoria é “apontar para áreas de possível perturbação numa sociedade de que as pessoas poderiam não estar cientes. depende em parte da natureza do ato(isto é. A terceira concepção.”(p. diferencia entre traços da sociedade que promovem estabilidade(e são portanto “funcionais”) e os que rompem a estabilidade(disfuncionais). Para tanto. se ele viola ou não uma regra) e em parte do que outras pessoas fazem acerca dele”.”(p. se um dado ato é desviante ou não. . 20) Como exemplo. o autor argumenta que esses estereótipos variam de grupo para grupo e que.26) Por fim. Na tentativa de definir “desvio”. Em relação à segunda tese. podendo ocorrer de a mesma pessoa integrar diversos deles. teóricos e interpretativos de o cientista sinonimizar comportamento desviante e comportamento violador de certas regras. 18) A o bjeção que ele traz a essa ideia simplista é que ela marginaliza “questões de valor que surgem usualmente em discussões sobre a natureza do desvio”(p. que é a heterossexualidade.(p.”(p. Becke r alerta para os prejuízos semânticos.

Em “Regras de quem?”.. aplicando-as mais ou menos contra a vontade e sem o consentimento desses outros. o autor defende que a capacidade de fazer e aplicar regras varia conforme o status social e o ..”(p. impondo suas regras a outras. 27) Segundo Becker. “(. Becker trabalha o segundo significado do que ele classifica como outsiders: aquelas pessoas que “fazem as regras de cuja violação ela foi considerada culpada.”(p.. de fato.(.) as pessoas estão sempre.. haverá desacordo quanto ao tipo de comportamento apropriado em qualquer situação dada.)à medida que as regras de vários grupos se entrechocam e contradizem. 29) Em seguida.

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