Você está na página 1de 136

UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS

FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS


CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

ANÁLISE DA SEGURANÇA DO TRABALHO EM SERVIÇOS COM


ELETRICIDADE SOB A ÓTICA DA NOVA NR-10

HELITON LOURENÇO

FOZ DO IGUAÇU
2008
HELITON LOURENÇO

ANÁLISE DA SEGURANÇA DO TRABALHO EM SERVIÇOS COM


ELETRICIDADE SOB A ÓTICA DA NOVA NR-10

Trabalho de Conclusão de Curso,


apresentado à banca examinadora da
Faculdade Dinâmica das Cataratas – UDC,
como requisito parcial para obtenção de
grau de Engenharia Civil.

Prof. Orientador: Dr. Elidio de Carvalho


Lobão.

FOZ DO IGUAÇU
2008
TERMO DE APROVAÇÃO

UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS

Análise da Segurança do Trabalho em Serviços com Eletricidade


Sob a Ótica da Nova NR-10

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE


BACHAREL EM ENGENHARIA CIVIL

_____________________________________________
Heliton Lourenço

______________________________________________
Orientador: Profº. Drº. Elídio de Carvalho Lobão

Nota Final: _______________

Banca Examinadora:

_____________________________________________
Profº. Simon Amim Lascani

___________________________________________
Profº. Carlos Santos

Foz do Iguaçu, 01 de julho de 2008.


À pequena Ana Luiza,
razão do meu viver.
AGRADECIMENTOS

A Deus em primeiro lugar por proporcionar a conclusão de mais uma etapa da vida
que se finda neste trabalho.

Ao Orientador Prof. Dr. Elidio de Carvalho Lobão pela colaboração e atenção


dispensada.

A minha família que soube compreender ausência necessária durante realização do


presente trabalho, em especial a minha esposa querida e minha filha.

Aos colegas acadêmicos que dedicaram seu tempo e compartilharam a experiência


para que nossa formação fosse também um aprendizado de vida.

A todos que colaboraram para realização não só deste trabalho, mas do curso como
um todo.
“Não existe exército que resista
força de uma idéia que a seu
tempo tenha chegado.”

Victor Hugo
LISTA DE TABELAS

Tab. 1 – Diferença de Sensações entre Pessoas do Sexo Feminino e Masculino....23


Tab. 2 – Efeitos dos Campos Elétricos (E) e Magnéticos (B)....................................28
Tab. 3 – Classificação dos Principais Riscos Ocupacionais......................................30
Tab. 4 – Categoria de Freqüências dos Cenários......................................................44
Tab. 5 – Categoria de Severidade dos Cenários.......................................................44
Tab. 6 – Matriz de Classificação de Risco.................................................................45
Tab. 7 – Índice de Risco e Prioridade de Intervenção................................................45
Tab. 8 – Estatística de Acidentes no Setor Elétrico Brasileiro 2006..........................49
Tab. 9 – Classificação das Luvas Isolantes de Borracha...........................................84
Tab. 10 – Propriedades das Vestimentas Quanto à Proteção...................................86
Tab. 11 – Classes de Riscos Correspondentes ATPV...............................................87
LISTA DE FIGURAS

Fig. 1 – Probabilidade de Reanimação de Vítimas de Choque Elétrico.....................25


Fig. 2 – Exemplo de Diagrama Unifilar.......................................................................33
Fig. 3 – Pirâmide de Heinrich (1931)..........................................................................35
Fig. 4– Pirâmide de Bird (1966)..................................................................................36
Fig. 5 – Pirâmide de Bird (1968).................................................................................37
Fig. 6 – Dominó de Bird..............................................................................................37
Fig. 7 – Fatores Responsáveis pela Cultura de Segurança Total..............................41
Fig. 8 – Estatísticas Mundiais de Acidentes do Trabalho...........................................47
Fig. 9 – Acidentes Fatais no Setor Elétrico Brasileiro entre 1999 e 2006..................48
Fig. 10 – Adaptação da Pirâmide de Bird, de 1999 a 2004........................................50
Fig. 11 – Número de Acidentados com Arco Elétrico.................................................51
Fig. 12 – Acidentes de Origem Elétrica no Setor da Construção Civil.......................52
Fig. 13 – Acidentes Fatais no Período de 1977 a 2006.............................................53
Fig. 14 – Custo Total Estimado de Acidentes no Setor Elétrica.................................54
Fig. 15 – Custos dos Acidentes do Trabalho..............................................................55
Fig. 16 – Seccionamento de Circuito Elétrico Através de Chave Seccionadora........73
Fig. 17 – Dispositivo Detector de Tensão Elétrica......................................................74
Fig. 18 – Aterramento Temporário de Linha de Distribuição......................................75
Fig. 19 – Jumper Temporário para Equipotencialização............................................76
Fig. 20 – Cartão de Segurança e Bloqueio................................................................77
Fig. 21 – Cartão de Precaução...................................................................................77
Fig. 22 – Cartão de TDP.............................................................................................78
Fig. 23 – Cartão de Controle de Aterramento............................................................78
Fig. 24 – Modelos de Placas de Sinalização..............................................................80
Fig. 25 – Exemplo de Delimitação da Área de Serviço..............................................81
Fig. 26 – Capacete de Segurança..............................................................................82
Fig. 27 – Calçado de Segurança tipo Botina de Couro..............................................83
Fig. 28 – Óculos de Segurança..................................................................................83
Fig. 29 – Luva Isolante de Borracha...........................................................................84
Fig. 30 – Cinto de Segurança tipo Pára-Quedista......................................................84
Fig. 31 – Vestimenta para Manobras de Disjuntores Classe APTV 4........................88
Fig. 32 – Causa das Atuações pela Fiscalização do MTE.........................................90
LISTA DE SIGLAS

APR – Análise Preliminar de Risco


APP – Análise Preliminar de Perigo
ATPV – Valor Térmico da Incidência do Arco (Arc Thermal Perfomance Value)
CA – Corrente Alternada
CC – Corrente Contínua
CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
CLT – Consolidação das Leis do Trabalho
CPNSEE – Comissão Permanente Nacional sobre Segurança em Energia Elétrica
CTPP – Comissão Tripartite Paritária Permanente
DDS – Diálogo Diário de Segurança
DSST – Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho
ELM – Campo Eletromagnético
EPC – Equipamento de Proteção Coletiva
EPI – Equipamento de Proteção Individual
FTA – Analise de Árvore de Avarias (Faut Tree Analysis)
FMEA - Análise de Modos de Falha e Efeitos
FR – fire retardant
FUNCOGE – Fundação Comitê de Gestão Empresarial
GTT10 – Grupo Técnico Tripartite da NR-10
HAZOP – Estudo de Riscos Operacionais (Hazard and Operability Studies)
HSR25 – Memorandum of guidance on the Electricity at Work Regulations 1989
INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social
kV – kilovolts
m – metros
mT – militesla
MTE – Ministério do Trabalho e Emprego
NOE – Norma de Operação do Sistema Eletroenergético
NR – Norma Regulamentadora
OIT – Organização Internacional do Trabalho
ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico
PCH – Pequena Central Elétrica
PDV – Plano de Demissão Voluntária
SEP – Sistema Elétrico de Potência
SESMT – Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do
Trabalho
SUMÁRIO

RESUMO...................................................................................................................10

ABSTRACT ...............................................................................................................11

1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................12
1.1 Objetivos.........................................................................................................14
1.1.1 Objetivo Geral.................................................................................................14
1.1.2 Objetivos Específicos .....................................................................................14
1.2 Justificativas ...................................................................................................14
1.3 Metodologia ....................................................................................................16

2 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................16


2.1 Historicidade das Normas Regulamentadoras ...............................................16
2.2 Conceitos Gerais ............................................................................................18
2.3 Riscos no Setor Elétrico .................................................................................21
2.3.1 Choque Elétrico ..............................................................................................22
2.3.2 Queimaduras ..................................................................................................25
2.3.3 Campos Eletromagnéticos..............................................................................27
2.4 Causas Determinantes das Ocorrências dos Riscos......................................28
2.5 Controle de Riscos .........................................................................................30
2.5.1 Avaliação de Riscos .......................................................................................35
2.5.1.1 Análise de Preliminar de Risco – APR ..........................................................42

3 ESTATÍSTICAS DE ACIDENTES NO SETOR ELÉTRICO...............................48


3.1 Impactos dos acidentes ..................................................................................55

4 NORMA REGULAMENTADORA N° 10 – NR–10 .............................................57


4.1 Processo de atualização.................................................................................57
4.2 Análise Comparativa da NR-10/1978 com a Nova NR-10/2004 .....................61
4.3 Medidas para o Controle de Riscos................................................................71
4.3.1 Medidas de Proteção Coletiva........................................................................73
4.3.1.1 Sinalização de segurança .............................................................................77
4.3.1.2 Isolação e delimitação das áreas de serviço .................................................81
4.3.2 Medidas de Proteção Individual......................................................................83
4.3.2.1 Vestimentas de trabalho................................................................................86

5 RESPONSABILIDADE ACIDENTÁRIA, CIVIL E PENAL NO ACIDENTE


PESSOAL..................................................................................................................90

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..............................................................................92


9

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................95

ANEXOS ...................................................................................................................99
ANEXO A – Norma Regulamentadora N° 10 – NR–10 – Segurança em Instalações e
Serviços em Eletricidade
ANEXO B – Modelo de Análise Preliminar de Risco – APR
ANEXO C – Modelo de Auditoria de Instalações Elétricas e Serviços com
Eletricidade

 
10

LOURENÇO, Heliton. Análise da Segurança do Trabalho em Serviços com


Eletricidade sob a Ótica da Nova NR-10. Foz do Iguaçu, 2008. Trabalho de
Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Civil) – União de Dinâmica de
Faculdades Cataratas.

RESUMO

O presente trabalho tem por objetivo analisar as alterações do texto da Norma


Regulamentadora nº 10 (Portaria nº 3.214/1978) , que versa sobre a segurança dos
trabalhos envolvendo eletricidade. A análise compara o novo texto (Portaria do
Ministério do Trabalho e Emprego nº 598/2004) com sua redação anterior,
apresentando as principais melhorias, novos conceitos e definições trazidos pelo
texto. O trabalho busca avaliar se as alterações contribuirão com a redução de
acidentes no setor elétrico. A relevância do tema abordado reside na proteção do
bem maior, a vida humana, através da melhora das condições de saúde e
segurança para o trabalhador que suporta os altos riscos da eletricidade. Ainda, os
elevados danos materiais oriundos dos acidentes de trabalho, ocasionados devido
ao grande número de horas não trabalhadas torna o tema de observância obrigatória
a todos aqueles que tenham contato direta ou indiretamente com a eletricidade,
elemento imprescindível ao crescimento da construção civil.

Palavras-chaves: Segurança do Trabalho – Eletricidade – Acidente de Trabalho -


Risco – Medidas de Segurança.

 
11

LOURENÇO, Heliton. Analysis of the Security of the Work in Services with Electricity
under the Optics of the New NR-10. Foz do Iguaçu, 2008. Work of Conclusion of
Course (Graduation in Civil Engineering) - Union of Dynamics of Faculties Cataratas.

ABSTRACT

The present work has for objective to analyze the alterations of the text of the
Regulamentadora Norm nº 10 (It would carry nº 3,214/1978), that electricity turns on
the security of the works involving. The analysis compares the new text (portaria do
ministerio do trabalho e emprego nº 598/2004) with its previous writing, presenting
the main improvements, new concepts and definitions brought for the text. The work
search to evaluate if the alterations will contribute with the reduction of accidents in
the electric sector. The relevance of the boarded subject inhabits in the protection of
the well biggest one, the life human being, through the improvement of the conditions
of health and security for the worker who supports the high risks of the electricity.
Still, the raised deriving material damages of the industrial accidents, caused had to
the great number of worked hours do not become the subject of obligator observance
all those that indirectly have direct contact or with the electricity, essential element to
the growth of the civil construction.

Word-keys: Security of the Work - Electricity - Industrial accident - Risk - Measured of


Security.

 
12

1 INTRODUÇÃO

A eletricidade é uma das fontes de energia mais utilizadas no mundo

moderno, seu transporte e transformação em outros tipos de energia é normalmente

simples e contribui para o desenvolvimento socioeconômico. Ela é essencial a toda

hora, sem interrupções e ainda, é considerada como serviço público.

No entanto, a eletricidade pode comprometer a segurança e a saúde

das pessoas a ela expostas direta ou indiretamente, porque a eletricidade não é

perceptiva aos sentidos do homem, ou seja, não é vista e nem sentida, em virtude

disto, as pessoas podem ser expostas a situações de risco ignoradas ou

subestimadas.

A nova NR-10 estabelece os requisitos e condições mínimas para a

implementação de medidas de controle e sistemas de prevenção de acidentes, de

forma a garantir segurança e a saúde dos trabalhadores que estejam expostos ou

que interajam em instalações elétricas e serviços com eletricidade em geral.

No ciclo de produção até o consumo de energia elétrica, nas

instalações elétricas, em qualquer fase, seja produção, transmissão, distribuição ou

consumo, o choque elétrico é uma das principais causas de acidentes graves e

fatais.

A falta de prevenção envolvendo eletricidade resulta na exposição

aos dois agentes físicos de risco: CHOQUE e ARCO ELÉTRICO.

De uma maneira geral as normas regulamentadoras visam garantir a

segurança e saúde dos trabalhadores nas mais diversas áreas, tendo como foco a
 
13

gestão de segurança e saúde, e as responsabilidades dos envolvidos no processo

desde a produção até ao consumo.

A realização da pesquisa volta-se para a descrição e compreensão

dos itens constantes da referida norma regulamentadora, bem como, nos trabalhos

realizados de acordo com o tipo de carga instalada, o potencial instalado, e o nível

de proteção e habilidades do trabalhador que se faz necessário.

Este trabalho correlaciona as principais modificações e exigências

apresentadas na nova redação da NR-10 aprovada em 2004, comparada a antiga

redação da mesma norma de 1978.

Destaca-se ainda que a nova NR-10 enquadra todos os serviços que

envolvam instalações de baixa e alta tensão, não sendo aplicada apenas a

instalações alimentadas por extra-baixa tensão, em outras palavras, não se aplica

em instalações alimentadas por tensões inferiores a 50 volts em corrente alternada e

120 volts em corrente contínua.

Considerando que as construções civis encontram-se normalmente

nas proximidades da rede elétrica e que, as residências são alimentadas na tensão

de 120 volts e/ou 220 volts em corrente alternada, esta norma igualmente se aplica

às instalações elétricas residenciais, visto que tais fatos enfatizam que a NR-10

também abrange os trabalhadores da construção civil.

Pretende-se que, a pesquisa a ser realizada auxilie na

conscientização dos empregados, empregadores e dirigentes sobre proteção do

trabalhador como sinônimo de produtividade, e em decorrência disto promova uma

melhor garantia da segurança e saúde no trabalho.

 
14

1.1 Objetivos

1.1.1 Objetivo Geral

Demonstrar que a complexidade dos procedimentos introduzidos

pela nova NR-10 tende a reduzir os acidentes de trabalho no setor elétrico, seja na

construção, montagem, operação, manutenção das instalações elétricas e quaisquer

trabalhos realizados nas suas proximidades.

1.1.2 Objetivos Específicos

a) comparar a NR-10 atual com a anterior;

b) analisar a instrumentalidade dos procedimentos de segurança

para execução dos trabalhos;

c) discutir medidas de controle de risco elétrico;

d) analisar se as novas medidas de controle tendem a reduzir os

acidentes de trabalho.

1.2 Justificativas

O presente trabalho objetiva analisar a eficiência e a complexidade

trazida pela nova redação da NR-10 acerca dos procedimentos de segurança para o

trabalho no setor elétrico.

A pesquisa, além da importância intelectual para formação do

Engenheiro, decorrente da exploração científica de um dos campos da segurança do


 
15

trabalho, tem grande valor social haja vista a busca pela redução dos acidentes de

trabalho, e como conseqüência lógica à preservação da vida humana.

A norma regulamentadora de segurança em instalações e serviços

em eletricidade prima por melhores garantias à segurança e saúde do trabalhador

do setor elétrico.

Convém mencionar que as normas regulamentadoras de segurança

do trabalho, são de uso obrigatório tanto para empresas públicas, quanto para as

privadas sob o regime da CLT, uma vez que trazem em seu bojo os requisitos e

condições mínimas de segurança para o trabalho. Assim, a NR-10, dispõe acerca

das medidas de controle e sistema preventivos como garantia de segurança e saúde

dos trabalhadores.

A realidade brasileira está longe de ser adequada no que diz


respeito ao seguimento e observância das normas
regulamentadoras. A obediência à NR-10 se faz obrigatória há mais
de 20 anos, com maior incisividade a partir de 2004, após o
estabelecimento de uma versão mais atualizada das normas. Devido
a este fato, existe nestes últimos dois anos uma maior preocupação
por parte dos responsáveis pelas indústrias e instalações comerciais,
no respeito a estas normas, fato este que se torna ainda mais
expressivo em decorrência de prazos em expiração, e mais
especificamente, multas a pagar (PEDROSO, 2007).

Outros países também estão sempre revendo e atualizando suas

normas de segurança do trabalho. Na Inglaterra a norma sobre segurança em

eletricidade também foi atualizada, sendo publicada a nova edição chamada de

HSR25. O principal motivo da atualização deve-se aos acidentes com eletricidade,

cerca de 1.000, com 25 mortes/ano (PUIATTI, 2007).

Em síntese, esta norma será discutida, comparada e analisada se

seu contexto é eficiente na prevenção de acidentes, já que a sua implantação onera

os custos operacionais destes serviços afins.

 
16

1.3 Metodologia

O método de pesquisa a ser utilizado será o método dedutivo, que

segundo Teixeira (2008), tem o propósito de explicitar o conteúdo das premissas,

pois parte do geral para se chegar às particularidades. No entanto, sua explicação

não reside necessariamente nas premissas, mas sim, na relação entre as premissas

e a conclusão.

Quanto à tipologia trata-se de uma pesquisa exploratória, partindo

da abordagem teórica pautada na bibliografia existente sobre o tema.

Especificamente, a pesquisa se dará pela comparação bibliográfica

da antiga norma com a vigente NR-10, pautando-se em obras que tratam do

assunto.

Após, serão analisadas as atualizações propostas pelo texto da nova

NR-10, bem como, sua eficácia frente à antiga.

Por fim, na conclusão do trabalho espera-se uma análise positiva da

atualização do texto da nova NR-10 na redução dos acidentes no setor elétrico.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Historicidade das Normas Regulamentadoras

As normas regulamentadoras dispõem sobre procedimentos

obrigatórios quanto à medicina e segurança do trabalho nas empresas.

 
17

As primeiras referências legais à Inspeção do Trabalho no Brasil

surgem do Decreto n.º 1.313 de 17/01/1891, todavia, o referido dispositivo legal

abordava apenas normas relativas ao trabalho de crianças na Capital, na época a

cidade do Rio de Janeiro (Wikipedia, 2008).

Após, o Decreto n.º 9.671-A, de 04/04/1931, editado no governo

Getúlio Vargas, criou o Departamento Nacional do Trabalho, incumbido da

fiscalização do cumprimento de Leis sobre acidentes do trabalho, jornada, férias,

trabalho de mulheres e menores e organização sindical.

Em 19/07/1947 a Organização Internacional do Trabalho - OIT,

adere a Convenção n.º 81, que estabelece que cada Membro da OIT, deve ter um

sistema de inspeção do trabalho nos estabelecimentos industriais e Comerciais.

Contudo, o Brasil ratificou a Convenção n.º 81 da OIT, pelo Decreto Legislativo n.º

24, apenas em 29/05/1956, promulgado pelo Decreto n.º 41.721, de 25/06/1957, ou

seja, 10 anos mais tarde.

Em decorrência disto, em 15/03/1965, com a expedição do Decreto

n.º 55.841, surge o Regulamento da Inspeção do Trabalho, que estrutura as

carreiras dos Agentes da Inspeção do Trabalho nas diversas especialidades - Fiscal

do Trabalho, Médico do Trabalho, Engenheiro e Assistente Social, e estabelece

normas de inspeção.

Em 1977 fora editada a Lei nº 6.514 alterou o Capitulo V do Titulo II

da CLT, relativo à segurança e medicina do trabalho, na seção IX, que trata das

instalações elétricas em seu art. 179 diz:

O Ministério do Trabalho disporá sobre condições de


segurança e as medidas especiais a serem observadas em
instalações elétricas em qualquer de suas fases de produção,
transmissão, distribuição ou consumo de energia. E somente
profissional qualificado poderá instalar, operar, inspecionar ou
reparar instalações elétricas (ATLAS, 2006).
 
18

E posteriormente a Portaria n.º 3.214, de 08/06/1978, aprovou 28

Normas Regulamentadoras de Segurança e Medicina do Trabalho, conhecidas

como “NR”, que versam sobre diversas áreas do trabalho. Atualmente, o Brasil

dispõe de 33 normas regulamentadoras.

De acordo com a NR-1, que trata das disposições gerais, as NRs

relativas à segurança e medicina do trabalho, são de observância obrigatória tanto

pelas empresas públicas como as privadas e pelos órgãos públicos de

administração direta e indireta, e aos órgãos dos poderes legislativo e judiciário, que

possuam empregados regidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho),

conforme prevê a Lei 6.514/1977, que instituiu as referidas normas

regulamentadoras (ATLAS, 2006).

2.2 Conceitos Gerais

Segundo Miranda Junior (2007) desde a sua publicação, em junho

de 1978, a NR-10 não havia sofrido modificações consideráveis como as que foram

aprovadas pela Portaria 598, de dezembro de 2004, as quais muitos aspectos

discutidos de forma tripartite foram aperfeiçoados e passaram a fazer parte da nova

NR-10, o sistema tripartite de discussão para a revisão de normas regulamentadoras

tem se mostrado eficaz.

Conforme dispõe a NR-10 a exigência de requisitos e condições

mínimas para a implementação de medidas de controle e sistema de prevenção de

acidentes, garantem a segurança e a saúde dos trabalhadores expostos ou que

interajam em instalações elétricas e serviços com eletricidade (MTE, 2004).


 
19

Os resultados obtidos são frutos de negociações entre as três partes

diretamente envolvidas com a segurança dos trabalhadores: sindicatos, empresas e

Governo, formando assim o GTTE (Grupo Técnico Tripartite de Energia).

A nova norma traz orientações objetivas quanto às especificidades,

e genéricas quanto as finalidades e aplicabilidade, resumindo e condicionando as

disposições regulamentadas. Fica claro que a nova norma fixa os requisitos e as

condições mínimas necessárias ao processo de transformação das condições de

trabalho com energia elétrica, de forma a torná-los mais seguros e salubres

(SOUZA, 2007).

A aplicabilidade da nova NR-10 se faz em todas as fases: produção,

transmissão, distribuição e consumo, incluindo as etapas de projeto, construção,

montagem, operação, manutenção das instalações elétricas e ou qualquer trabalhos

realizado nas suas proximidades (ATLAS, 2006).

O trabalho nas áreas de geração, transmissão e distribuição de

energia elétrica possuem riscos muito superiores do que aqueles existentes nas

instalações elétricas residenciais e industriais, exigindo-se um conhecimento geral

das diversas metodologias de análise de riscos, a fim de permitir a esperada

avaliação crítica das condições de trabalho, sem a qual é praticamente impossível

garantir a aplicação dos meios de controle colocados à disposição dos trabalhadores

(FURNAS, 2006).

A definição de acidente de trabalho pela legislação previdenciária é

conceituada acidente do trabalho meramente do ponto de vista social,

exemplificando quais são os acidentes do trabalho, não definindo que se entende

por acidente de trabalho. Assim se expressa o texto legal da Lei nº 8.213, de 25 de

julho de 1991 (ZOCCHIO, 1996):


 
20

Art. 19. “Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do


trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos
segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando
lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a
perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o
trabalho.”

Segundo Porto (2000) atualmente em muitas empresas brasileiras,

se espera ocorrer acidentes e/ou doenças graves para se tomar alguma atitude, e

freqüentemente os trabalhadores são acusados como principais responsáveis pelos

acidentes, através do uso do conceito de ato inseguro.

Vale ressaltar que a condição insegura não é o único fator e que as

causas de acidentes não podem ser relacionadas apenas a um único fator, assim

sendo, são apresentados a seguir os fatores iniciais que caracterizam as causas

básicas de acidentes (VIEIRA, 2005):

• ato inseguro: ocorre quando o trabalhador não toma os devidos

cuidados ou faça de forma errada a execução dos serviços, ou

ainda não respeita as normas de segurança;

• condições inseguras: são deficiências técnicas que colocam em

risco a integridade física e/ou mental do trabalhador, e ocorre

quando não há condições de ambiente de trabalho adequadas a

execução dos trabalhos;

• fator Pessoal Inseguro: quando o cumprimento das atividades

laborais são executadas por pessoas com falta de prática,

treinamento, má vontade, más condições físicas etc.

Ainda, para apontar a causa do acidente deve ser realizada uma

análise mais profunda e real dos acidentes, no qual outros fatores devem ser

levados em consideração conforme está exposto no item 2.5.


 
21

2.3 Riscos no Setor Elétrico

Os riscos à segurança e saúde dos trabalhadores no setor de

energia elétrica são por si só muito elevados, e como já dito, podem levar a lesões

graves e até mesmo a morte. Os riscos são específicos para cada tipo de atividade,

assim, o maior risco à segurança e saúde dos trabalhadores é de origem elétrica.

A eletricidade constitui-se em agente de alto potencial lesivo ao

homem. Mesmo em baixas tensões ela representa perigo à integridade física e

saúde do trabalhador. Para uma melhor compreensão dos riscos e suas causas

seguem abaixo algumas definições relevantes.

Por risco entende-se, segundo o Portal da Construção (2008), que é

a probabilidade de ocorrência de danos sobre pessoas ou bens, resultantes da

concretização de uma determinada condição perigosa, em função:

• da probabilidade de ocorrência de uma determinada condição

perigosa;

• do grau de gravidade dos danos conseqüentes, estes danos

podem ser materiais, ambientais e humanos.

Em serviços com eletricidade o trabalhador está sujeito a exposição

de dois agentes físicos de risco de acidentes, choque e arco elétrico, com

conseqüências diretas. Há também os riscos com conseqüências indiretas como

quedas, batidas, incêndio, explosões de origem elétrica, queimaduras etc.

(FURNAS, 2006).

Ainda, é considerado risco à possibilidade da ocorrência de curtos-

circuitos ou mau funcionamento do sistema elétrico originando grandes incêndios e

explosões.
 
22

Cumpre mencionar que o fato de se tomar simples providências no

sentido de minimizar o risco elétrico não o elimina, e tampouco a observação das

medidas de controle coletivas e individuais necessárias, haja vista que a

energização acidental pode ocorrer devido a erros de manobra, contato acidental

com outros circuitos energizados, tensões induzidas por linhas adjacentes ou que

cruzam a rede, descargas atmosféricas e fontes de alimentação de terceiros, fatos

alheios a conduta humana que devem ser previstos, uma vez que constituem riscos

reais.

No setor elétrico os riscos ambientais observados com maior

freqüência, são:

• riscos Físicos: ruído, calor e radiações ionizantes e não-

ionizantes;

• riscos Químicos: poeira e produtos químicos;

• riscos Adicionais ou Associados: radiação solar, ergonomia e

queda em altura.

A definição dos riscos supra citados será melhor analisada no item

2.5, e conforme tabela 3.

2.3.1 Choque Elétrico

Segundo Vieira (2005) o choque elétrico é uma perturbação que se

manifesta no organismo humano, quando este é percorrido por uma corrente

elétrica, e é acompanhada de calor, produzido pelo efeito Joule, ocasionando

queimaduras. Essas perturbações podem provocar:


 
23

• tetanização – contração muscular tônica contínua;

• parada respiratória;

• fibrilação ventricular do coração, e;

• queimaduras, de origem térmica e não térmicas.

Uma grande parcela dos acidentes por choque elétrico conduz a

lesões provenientes de batidas e quedas, em lugares com diferença de níveis.

O choque elétrico também pode ser definido como um estímulo

rápido no corpo humano, ocasionado pela passagem da corrente elétrica. Essa

corrente circulará pelo corpo tornando-o parte do circuito elétrico, onde há uma

diferença de potencial suficiente para vencer a resistência elétrica oferecida pelo

corpo (CPNSP, 2005).

A tabela a seguir correlaciona a intensidade da corrente elétrica e a

sensação que essa corrente elétrica causa ao passar pelo corpo humano, e ainda a

diferença entre homens e mulheres:

Tab. 1 – Diferença de sensações entre pessoas do sexo feminino e masculino

Corrente elétrica
Efeitos (mA) – 60 Hz
Homens Mulheres
Limiar de percepção. 1,1 0,7
Choque não doloroso, sem perda do controle
1,8 1,2
muscular.
Choque doloroso, limiar de largar. 16,0 10,5
Choque doloroso e graves contrações musculares,
23,0 15,0
dificuldade de respiração.
Fonte: CPNSP, 2005

Segundo Furnas (2006) os fatores que determinam a gravidade da

lesão ocasionada pelo choque elétrico são:


 
24

a) intensidade da corrente elétrica circulante – quantidade de

corrente elétrica que circulará pelo corpo;

b) percurso da corrente elétrica - depende do caminho por ela

percorrido, sendo o de maior gravidade aqueles em que a

corrente elétrica passa pelo coração;

c) características da corrente elétrica:

− corrente alternada (CA) – as de freqüência entre 20 e 100

Hertz são as que oferecem maior risco. Especificamente as

de 60 Hertz, usadas nos sistemas de fornecimento de

energia elétrica, são mais perigosas devido à freqüência na

qual se situam possui maior possibilidade de ocorrência da

fibrilação ventricular,

− corrente contínua (CC) – as intensidades da corrente CC

deverão ser mais elevadas do que em CA, para ocasionar

as sensações do choque elétrico,

d) resistência elétrica do corpo humano – situa-se entre 100 e 600

kilohms (kΩ), quando apresentar-se seca e sem cortes. A

resistência oferecida pela parte interna do corpo, constituída pelo

sangue, músculos e demais tecidos, se comparado com a

resistência da pele é bem baixa, entre 300 ohms em média.

Devido à gravidade dos riscos envolvendo energia elétrica a nova

NR-10 faz exigências quanto ao treinamento de resgate e primeiros-socorros a

acidentados em seu item 10.12.2, para todos os trabalhadores que interajam com

instalações elétricas, que não as de extra-baixa tensão.


 
25

O conhecimento e domínio dos trabalhadores acerca das técnicas

de resgate e primeiros-socorros a acidentados, bem como, a disponibilização de

equipamentos para prestar tais socorros, são obrigatórias e de suma importância

para a vida.

Analisando a figura 1 conclui-se que após uma parada

cardiorrespiratória, originada ou não por choque elétrico, quanto maior o tempo para

iniciar o atendimento, menor será a possibilidade de reanimação da vítima.

100%
90%
Chances de Reanimaçào

80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
1 2 3 4 5 6 8

Tempo para o início do RPC (minutos)

Fig. 1 – Probabilidade de Reanimação de Vítimas de Choque Elétrico


(Fonte: Furnas, 2006).

2.3.2 Queimaduras

Na maioria dos casos de acidentes envolvendo eletricidade, as

vitimas apresentam queimaduras, isso porque a corrente elétrica atinge o organismo

através do revestimento cutâneo. Devido à alta resistência da pele, a passagem de

corrente elétrica produz alterações estruturais no organismo, portanto, as

queimaduras provocadas pela eletricidade diferem daquelas causadas por efeitos

químicos, térmicos e biológicos.


 
26

A passagem de corrente elétrica através de um condutor cria o

chamado efeito joule, ou seja, uma certa quantidade de energia é transformada em

calor. Essa energia, em Watts, varia de acordo com a resistência que o corpo

oferece à passagem de corrente elétrica, com a intensidade da corrente e o tempo

de exposição.

Para que isso aconteça não é necessário contato direto da pessoa

com partes energizadas, basta uma descarga elétrica em caso de proximidade da

pessoa com partes eletricamente carregadas. A eletricidade pode produzir

queimaduras de diversas formas, que podem ser classificadas conforme abaixo

(CPNSP, 2005):

a. queimaduras através do contato – quando se toca uma superfície

condutora energizada, as queimaduras podem ser locais e

profundas atingindo até a parte óssea, deixando apenas uma

mancha branca na pele. É necessário um exame necrológico

para verificar a extensão dos danos;

b. queimaduras por arco voltaico – o arco elétrico caracteriza-se

pelo fluxo de corrente elétrica através do ar, é produzido pela

conexão e desconexão de dispositivos elétricos e pelo curto-

circuito. Suas conseqüências são queimaduras de segundo e

terceiro grau, e possui energia suficiente para queimar as roupas,

provocar incêndios, emitir vapores de material ionizado e raios

ultravioletas;

c. queimaduras por vapor metálico – na fusão de um elo fusível ou

condutor, há a emissão de vapores e derramamento de metais

derretidos podendo atingir as pessoas localizadas nas

proximidades.
 
27

2.3.3 Campos Eletromagnéticos

A passagem de corrente elétrica, alternada, nos meios condutores

geram os campos eletromagnéticos (ELM). Ele está presente em muitas atividades

humanas, tais como trabalhos com circuitos ou linhas energizadas, solda elétrica,

telefonia celular, e fornos de microondas.

Os trabalhadores que interagem com o SEP (Sistema Elétrico de

Potência) estão expostos ao campo eletromagnético, quando da execução de

serviços em linhas de transmissão aérea e subestações de distribuição de energia

elétrica, nas quais empregam-se elevados níveis de tensão e corrente.

Os efeitos no organismo humano decorrente da exposição ao campo

eletromagnético são de natureza elétrica e magnética, no qual o empregado fica

exposto ao campo onde seu corpo sofre uma indução, estabelecendo um diferencial

de potencial entre o empregado e outros objetos inerentes às atividades.

Segundo Vieira (2005) além dos riscos dos altos potenciais elétricos

em objetos não aterrados, os campos ELM podem provocar vibrações dos íons

cálcio e conseqüente perda do mesmo pelas células do cérebro. E ainda, podem

levar a mudanças cromossomáticas, cerebelares (em animais), efeitos

carcinogênicos (leucemias, tumores cerebrais etc).

Nos Estados Unidos, os limites de tolerância de exposição aos

campos eletromagnéticos de 50 e 60 Hz, são estabelecidos entre 0,5 mT para um

dia de trabalho e 5 mT para 2 horas de trabalho para freqüências de 50 e 60 Hz,

limitada entre 10 e 30 kV/m, respectivamente. O limite de exposição para a

população é de 5 kV/m e 0,1 mT no período de 24 horas. E na legislação brasileira

não há limites estabelecidos (VIEIRA, 2005).

A tabela 2 expressa alguns efeitos comprovados dos campos ELM:


 
28

Tab. 2 – Efeitos dos Campos Elétricos (E) e Magnéticos (B)

Efeitos E Efeitos B
Vibração do cabelo Magnetofosfenos*
Faíscas Impulsos nervosos
Eletrofosfenos* Distúrbios comportamentais
Distúrbios comportamentais Alteração no metabulismo e crescimento da célula
Mudança no ritmo circadino Efeitos teratogênicos
*fosfenos - impressão luminosa que ocorre, por exemplo, ao se fechar fortemente os olhos.
Fonte: VIEIRA, 2005

A solução para minimizar os efeitos dos campos ELM nem sempre

são fáceis devido a geração desses dois efeitos, elétrico e magnético, para o efeito

do campo magnético geralmente é preciso aplicar técnicas implexas, já o campo

elétrico pode ser enclausurado, através de qualquer superfície metálica situada entre

a fonte elétrica e o individuo, ou fazer uso de roupas condutivas.

O método de enclausuramento foi desenvolvido por Faraday, que

em seu experimento utilizou uma gaiola metálica, que era eletrificada e um corpo

dentro da gaiola poderia permanecer lá, isolado e sem levar nenhuma descarga

elétrica, ou seja o campo elétrico no interior da gaiola é nulo (wikipedia, 2008).

Trabalhadores ou pessoas que possuem em seu corpo aparelhos

eletrônicos, tais como marca passo, aparelhos auditivos, dentre outros, devem tomar

alguns cuidados especiais, pois seu funcionamento pode ser comprometido na

presença de campos magnéticos intensos.

2.4 Causas Determinantes das Ocorrências dos Riscos

Os acidentes ocorrem em decorrência da prática de atos inseguros

ou da existência de condições inseguras. Essas duas situações constituem causas

determinantes na ocorrência dos riscos e em conseqüência dos danos e das

fatalidades.
 
29

Dentre as condutas acima descritas tem-se como exemplos práticos

o contato com um condutor nu energizado e falha na isolação elétrica.

O contato com um condutor nu energizado constitui uma das causas

mais comuns nos acidentes com linhas aéreas (vias de distribuição de energia), e

geralmente decorre da prática inadequada, ou sem a devida cautela, do manuseio

de equipamentos nas áreas próximas a estes condutores, sejam eles guindastes,

caminhões basculantes, manutenção das linhas telefônicas etc.

Quando da prática destes atos ocorrerem erros que possam resultar

no contato com os condutores energizados; ao serem tocados por uma pessoa

localizada fora dos equipamentos sujeitos ao contato, ou mesmo pelo simples ato do

motorista de sair do veículo, existindo um contato simultâneo com esses

equipamentos e a terra, ocorrerá o choque elétrico que pode resultar num acidente

fatal.

As falhas na isolação elétrica ocorrem pela deterioração das partes

isolantes por agentes agressivos, envelhecimento natural ou forçado ou mesmo o

uso inadequado do equipamento podem comprometer a eficácia do isolante.

Conforme Furnas (2006) os fatores pelos quais os isolamentos

elétricos podem ficar comprometidos são:

a) calor e temperatura elevados;

b) umidade: o fato do revestimento dos condutores absorverem

umidade faz com que a resistência do material isolante fique

diminuída tanto no seu interior como na sua superfície;

c) oxidação;

d) desgastes mecânicos;
 
30

e) fatores biológicos;

f) produtos Químicos : os isolantes elétricos degradam-se na

presença de ácidos, lubrificantes e sais;

g) radiação: as radiações ultravioletas e nucleares têm a

capacidade de degradar as propriedades do isolamento,

especialmente de polímeros;

h) altas tensões: Altas tensões podem originar arcos elétricos ou

efeitos corona,os quais criam buracos na isolação ou degradação

química, reduzindo, assim, a resistência elétrica do isolamento;

i) pressão: O vácuo pode causar o desprendimento de materiais

voláteis dos isolantes orgânicos, causando vazios internos no

material isolante, reduzindo assim sua resistividade.

2.5 Controle de Riscos

A NR-10 em seu item 10.2 trata das medidas de controle, que nada

mais são do que um conjunto de ações estratégicas de prevenção com o objetivo de

eliminar ou reduzir os riscos de acidentes, ainda manter sob controle os possíveis

potenciais de riscos de acidentes que podem causar danos aos trabalhadores,

sendo obrigatória a aplicação de medidas preventivas de controle de tais riscos.

Segundo Zocchio (1996) tudo começa com a existência de riscos de

acidentes, por isso é indispensável identificá-los e avaliá-los. Os riscos quando sob

controle deixam de ser agressivos, mas fora de controle passam a ser um perigo
 
31

para as pessoas. São tradicionalmente divididos em cinco classes e caracterizados

de acordo com os agentes de riscos, conforme a tabela 3.

A NR-10 faz referência a tabela I do anexo IV da NR-5 no que diz

respeito aos riscos ocupacionais, que são agentes existentes nos ambientes de

trabalho, capazes de causar danos a saúde do trabalhador, também previstos na

tabela 3.

São classificados em grupos de acordo com a natureza e da

padronização das cores correspondentes, didaticamente os riscos são divididos em:

riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e Acidentes. Conforme tabela

abaixo:

Tab. 3 – Classificação dos Principais Riscos Ocupacionais

Cor de
Gp Riscos Descrição
Identificação

Ruído, calor, frio, pressões, umidade,


1 Físicos Verde
Radiações ionizantes e não ionizantes, vibrações

2 Químicos Vermelho Poeiras, fumos, gases, vapores, nevoas e neblinas

3 Biológicos Marrom Fungos, vírus, parasitas, bactérias, protozoários, insetos

Levantamento e transporte manual de peso, monotonia,


4 Ergonômicos Amarelo repetitividade, responsabilidade, ritmo excessivo, posturas
inadequadas de trabalho, trabalho em turnos.

Arranjo físico inadequado, iluminação inadequada, incêndio


5 Acidentes Azul e explosão, eletricidade, máquinas e equipamentos sem
proteção, quedas e animais peçonhentos.

Fonte: ATLAS, 2006

 
32

O conjunto de riscos físicos, químicos e biológicos são chamados de

riscos ambientais, conforme a teoria de classificação dos riscos, que por muitos é

considerada inadequada, pois se deve separar os riscos provenientes de causas

naturais, como: raios, chuvas, terremotos, ciclones, ventanias, inundações etc.

(FURNAS, 2006).

Ainda, no entendimento do Zocchio (1996) todas as medidas de

segurança aplicadas para proteger as pessoas contra os riscos de acidentes, são

por intermédio de uma das seguintes alternativas: eliminando-os, isolando-os e ou

sinalizando-os.

Uma das principais medidas de proteção para o trabalhador é a

instalação de aterramento temporário, para executar trabalhos em instalações

elétricas. E que segundo Almeida (2008) é uma das principais mudanças ocorridas

no texto da nova NR-10.

Segundo Vieira (2005), o aterramento elétrico é definido como uma

ligação intencional com o solo e pode ser considerado como um condutor para a

dissipação da corrente elétrica. Os aterramentos são classificados em dois tipos:

aterramento funcional e de proteção, mas há ainda um tipo de aterramento para

serviços de manutenção, denominado de aterramento temporário.

Através de métodos de análises de riscos é possível realizar a

avaliação de todas as etapas e elementos dos trabalhos, a fim de racionalizar e

desenvolver as seqüências de operações que o trabalhador executa.

Desta forma, podem-se identificar os riscos potenciais de acidentes

físicos e materiais, identificando e corrigindo problemas operacionais para uma

segura condição de realização dos trabalhos.

 
33

Segundo o Portal da Construção (2008) dentre as metodologias

existentes para análise de risco destacam-se:

a) Análise Preliminar de Risco (APR) – é uma metodologia

estruturada para identificar os riscos, os perigos, as suas causas

e efeitos, avaliação qualitativa desses riscos, priorização dos

riscos, e sugerir medidas preventivas para eliminar ou reduzir as

causas e conseqüências dos riscos;

b) Análise de Modos de Falha e Efeitos (FMEA) – é uma ferramenta

que procura evitar, por meio da análise das falhas potenciais e

propostas de ações de melhoria, que ocorram falhas no projeto

do produto ou do processo;

c) Hazard and Operability Studies (HAZOP) – Estudo de Riscos

Operacionais – é uma metodologia que se destina a examinar

instalações e/ou processos complexos com vista a encontrar

procedimentos e operações que constituam risco real e/ou

potencial;

d) Faut Tree Analysis (FTA) – Analise de Árvore de Avarias – é

aplicada em zonas restritas de instalações consideradas

sensíveis, para análise dos riscos antecipadamente observados e

não na identificação dos riscos;

e) Análise Preliminar de Perigo (APP) - é uma metodologia indutiva

estruturada para identificar os potenciais perigos decorrentes do

tipo das instalações, dos sistemas ou da própria operação.

 
34

As instalações devem estar providas de diagramas unifilares

atualizados a disposição dos trabalhadores, medidas que auxiliam na garantia da

segurança.

LIIPUFI1 AT-01 AT-02

5257 5267

5254 5264

TSA-1 TSA-2

2614 2501 230


CC-1 CC-2

2544 2624 2324 2314

SE Copel
SE Copel

Fig. 2 – Exemplo de Diagrama Unifilar (Fonte: Furnas, 2006)

Outras medidas de segurança são exigidas pela nova NR-10 para

instalações com carga instalada superior a 75 kW ou que é integrante do SEP

(Sistema Elétrico de Potência), dentre elas: manter prontuário das instalações

elétricas.

Os prontuários das instalações elétricas devem conter as seguintes

informações e documentações: certificado de aprovação dos EPIs e EPCs

envolvidos; ferramentas com proteções adequadas; cronogramas de manutenção,

inspeções e medições; comprovação da qualificação; habilitação, capacitação e

autorização dos trabalhadores, vide glossário, bem como dos treinamentos.

 
35

2.5.1 Avaliação de Riscos

Neste capitulo enfatiza-se a teoria clássica sobre avaliação de riscos

de acidentes de trabalho realizada por alguns estudiosos, de interesse das

empresas seguradoras na época. Para que nos capítulos seguintes se faça entender

como são realizadas as avaliações de riscos e qual o tratamento que deve ser dados

a estes riscos.

Segundo Rosa (2006) no começo do século XX, iniciaram-se

ensaios sobre os aspectos econômicos dos problemas acidentários em alguns

países, principalmente nos Estados Unidos. Só na década de 1920 do século XX,

nesse mesmo país foi publicado um vasto trabalho que veio demonstrar a extensão

dos problemas econômicos dos acidentes do trabalho. Trata-se do livro “Industrial

Accident Prevention”, de H. W. Heinrich, que passou a ser a base para estudos de

custos de acidentes e precursor dos programas de controle de perdas que vieram

mais tarde.

Segundo Silva (2004) a evolução do estudo dos riscos iniciou-se

com W. Heinrich e R. P. Blake. Heinrich e Blake foram pioneiros ao considerarem a

idéia de acidentes sem lesões, apenas com danos a propriedade. Assim, são

considerados todos os acidentes que expõem ao perigo a execução de uma

atividade, e que causam danos materiais.

Nessa linha de estudo, considerados acidentes com lesão

incapacitante, lesão não incapacitante e acidentes sem lesão, tem-se a Pirâmide de

Heinrich, representada na figura 3.

 
36

Fig. 3 – Pirâmide de Heinrich (1931) (Fonte: Silva, 2004)

Haja vista a ausência de lesão tais acidentes não eram

considerados, nem no aspecto financeiro, em decorrência dos danos materiais, e

tampouco, os riscos potenciais para o trabalhador. Portanto, deixava-se de observar

o fator contribuinte do acidente, ato ou condição insegura, ao fim de evitarem-se

novos acidentes com perigo de lesão.

Em 1966, Frank Bird Jr. iniciou um programa de Controle de Danos

que, sem se descuidar dos acidentes com danos pessoais, tinha o objetivo principal

de reduzir as perdas oriundas de danos materiais. A principal motivação para

realização deste trabalho foram os acidentes pessoais e a consciência dos acidentes

ocorridos, uma vez que o Bird fora operário (Silva, 2004).

O programa de Controle de Danos contemplava quatro aspectos

básicos:

ƒ informação;

ƒ investigação;

ƒ análise e;

ƒ revisão do processo.
 
37

Fundamentado nessa teoria e após uma análise de 90.000 acidentes

ocorridos na companhia Luckens Steel, por um período de mais de 7 anos, observou

que do total, 145 acidentes foram incapacitantes, 15.000 acidentes com lesão e

75.000 foram acidentes com danos à propriedade, proporcionalmente representados

pela Pirâmide de Bird no ano de 1966 (Silva, 2004).

Esta correlação da pirâmide de Bird é demonstrada na figura 4.

Fig. 4– Pirâmide de Bird (1966) (Fonte: Silva, 2004)

Mais tarde Frank Bird realizou nova análise, entre 1967 a 1968, na

qual analisou 297 companhias americanas, envolvendo nessa análise 170.000

pessoas de 21 grupos diferentes de trabalho. Neste período, houve 1.753.498

acidentes comunicados. Então Bird aperfeiçoou sua pirâmide, demonstrada na figura

5, na qual definiu que, para que ocorra um acidente grave incapacitando o

trabalhador, antes ocorreram 600 incidentes sem danos pessoais e / ou materiais

(BITENCOURT, 1998).

 
38

Fig. 5 – Pirâmide de Bird (1968) (Fonte: Bitencourt, 1998)

Em síntese, uma análise contínua e um controle administrativo

eficaz poderia atuar na base da pirâmide, o que minimizaria as demais ocorrências.

Bird também contribuiu desenvolvendo um modelo simples para

avaliar a seqüência de situações e eventos que resultam em perdas, denominado

DOMINÓ DE BIRD, que uma sucessão de causas e conseqüências dos acidentes

nas empresas, ou seja, cada dominó representa um conjunto de fatos negativos que

desencadeia o conjunto subseqüente, a queda do dominó gera a queda de todos os

dominós subseqüentes, na qual, a ocorrência de um grupo de fatos negativos

representados em um dominó gera a ocorrência do imediatamente posterior e assim

sucessivamente (Furnas, 2006), conforme figura 6.

Fig. 6 – Dominó de Bird (Fonte: Furnas, 2006)


 
39

Segue abaixo o significado de cada peça do dominó e a sua

seqüência lógica do esquema apresentado na figura 6, e segundo Furnas (2006):

• primeiro dominó: falta de controle gerencial, a causa básica que

desencadeia todos os fatos negativos subseqüentes, e a queda

dos demais dominós.

• segundo dominó: causas básicas dos acidentes, tais como:

i. fatores pessoais – falta de conhecimento, habilidade ou

destreza, motivação imprópria ou inadequada, problemas

físicos, psico-sociais ou fadiga;

ii. fatores de trabalho – padrões de trabalho inadequados,

métodos e processos, procedimentos, projetos,

equipamentos, instalações,manutenção, operação e

fabricação.

• terceiro dominó: causas imediatas dos acidentes, tais como:

i. atos inseguros;

ii. condições ambientais inseguras.

• quarto dominó: ocorrência do acidente ou incidente.

• quinto dominó: danos ou perdas à pessoas e propriedade, que

são originados pelos acidentes ou incidentes.

O processo de avaliação de riscos nos permite identificar a

probabilidade de estes acontecerem e quantificar as suas conseqüências. Risco é

igual à multiplicação da freqüência de um perigo pela sua gravidade, sendo a

freqüência uma previsão da quantidade dos acidentes ocorrerem e a gravidade os

danos causados por cada acidente.

 
40

A principal vantagem da avaliação de riscos é o fornecimento de

elementos para tomadas de decisões que envolvam confiança e segurança,

possibilitando assim apresentar alternativas claras e objetivas. Segundo o Portal da

Construção (2008) para isso é necessário conhecer alguns conceitos:

a. risco – junção da probabilidade de ocorrer um acidente com as

suas conseqüências e gravidades;

b. quantificação de risco – estimativa por métodos estatísticos, da

probabilidade de sua ocorrência e suas conseqüências;

c. avaliação do risco – medida de qualificar o risco;

d. gestão de riscos – modelo de orientação para tomadas de

decisões com medidas de se evitar, eliminar ou diminuir os

riscos;

e. análise de riscos – estudar através de certos métodos os riscos

ligados a atividade, funcionamento, operação, sistema ou produto

dentro de seu contexto;

f. perigo – condições em que podem ocorrer acidentes no

desenvolvimento de uma atividade

g. identificação dos perigos – determinar as possibilidades de

acontecer algo não desejado;

h. índice de segurança – identificam locais sensíveis da instalação

onde podem ocorrer acidentes de maiores conseqüências.

Ainda segundo O Portal da Construção (2008) através dos conceitos

 
41

supracitados o processo de análise de riscos no trabalho, utilizando-se como

ferramenta de análise a APR, se resume da seguinte forma:

1º) identificar os perigos – determinar com um elevado nível de

certeza as condicionantes que poderão colocar em risco a

segurança do(s) trabalhador(es);

2º) quantificar os riscos – estimar a quantidade de riscos e, em caso

de acidente, as conseqüências que terão;

3º) determinar o risco aceitável – depois de definidos quais os

riscos, decidir quais são os que, mesmo existindo, têm

probabilidade muito reduzida de se concretizarem;

4º) definir a estratégia para a gestão do risco – escolher um método

que permita gerir da melhor forma os riscos existentes.

Para gerenciar riscos é necessário formar uma nova ótica no

conceito de segurança industrial, tanto no aspecto de prevenção como no aspecto

da ação. O gerenciamento de riscos visa a busca de todas as causas básicas de

todos os acidentes que possam ocorrer ou que tenham acontecido numa

determinada empresa, ou seja, a ênfase é em relatar todos os acidentes que

causem ou que tenham potencial de causar algum tipo de dano.

No que diz questão à ação, exige uma nova forma de atuação

gerencial, de forma que o gerente seja responsável pela segurança tomando os

profissionais da segurança para apoio e acessoria. Com isso, considera-se a

segurança baseada na mudança do comportamento humano, conforme figura 7.

 
42

Fig. 7 – Fatores Responsáveis pela Cultura de Segurança Total

(Fonte: Furnas, 2008)

Com estes conceitos, metodologias estabelecidas e definidas e a

escolha da melhor, ou mais adequada, ferramenta de análise dentre as já citadas

(FMEA, HAZOP, APR, APP e ART).

Segundo a FUNCOGE (2008), o método adotado pela maioria das

empresas do setor elétrico é a APR, desta forma pode-se realizar a previsão da

ocorrência danos para as pessoas, processos, equipamentos e meio ambiente, no

exercício de determinada atividade.

2.5.1.1 Análise de Preliminar de Risco – APR

A Análise Preliminar de Risco é uma visão técnica antecipada do

trabalho a ser executado, que permite a identificação dos riscos envolvidos em cada

passo da tarefa, permitindo assim, evitá-los ou conviver com eles em segurança

(FURNAS, 2006).
 
43

A APR é elaborada através do estudo, questionamento,

levantamento, detalhamento, criatividade, análise crítica e autocrítica, com

estabelecimento de precauções técnicas necessárias para a execução das tarefas,

de forma que o trabalhador esteja sempre no controle por maior que seja o risco

(FURNAS, 2006).

A aplicação da APR colabora para a seleção de áreas da instalação

que exijam técnicas mais apuradas de análise de riscos ou de confiabilidade que

devam ser aplicadas posteriormente, ou seja, a APR é precursora de outras

análises. E um de seus benefícios é o controle de risco desde o inicio operacional do

sistema, permitindo revisões de projeto em tempo hábil no sentido de propor maior

segurança.

Conforme Furnas (2006) as principais informações exigidas para a

realização da APR são:

• Região: dados demográficos e climatológicos;

• Instalações: premissas e especificações do projeto,

especificações dos equipamentos, lay-out das instalações e

descrição dos sistemas de proteção/segurança;

• Substâncias: propriedades físicas e químicas, características de

toxicidade e inflamabilidade.

Na APR são levantadas às causas que podem promover a

ocorrência de cada um dos eventos e as suas respectivas conseqüências, desta

forma, é realizada uma avaliação qualitativa da freqüência de ocorrência do cenário

de acidentes, da severidade e do risco associado, logo os resultados são

qualitativos, não fornecendo estimativas numéricas.

 
44

Ainda, de acordo com Furnas (2006), a exposição da técnica de

APR e os procedimentos de execução consistem nas seguintes etapas:

• Definição dos objetivos e do escopo da análise;

• Definição de fronteiras do processo e/ou instalação;

• Coleta de informações sobre a região, a instalação e perigos;

• Subdivisão do processo/instalação em módulos de análise;

• Realização da APR, preenchimento da planilha;

• Elaboração das estatísticas dos cenários identificadores por

categoria de risco, freqüência e severidade;

• Análise dos resultados e preparação do relatório.

Para a elaboração de estatísticas dos cenários identificadores por

risco, freqüência e severidade é preciso analisar a proporção do risco, risco este que

é função da probabilidade de ocorrência de um determinado dano e da gravidade a

ele associada.

Para caracterizar a estimativa do risco em termos de probabilidade

ou freqüência de ocorrência, gravidade ou severidade das conseqüências, tempo de

exposição, nº de trabalhadores expostos, procedimentos e condições de segurança,

nº de pessoas afetadas e a quantificação da magnitude do risco, recorreu-se à

utilização de uma matriz simplificada 4X5, conforme tabela 6 (Carvalho, 2007).

A seguir apresenta-se a matriz que exprimi a relação, pré-

estabelecida, entre as duas variáveis, supracitadas, e que possibilita determinar a

Magnitude do risco. As tabelas e a matriz a seguir apresentam-se pela ordem normal

de utilização.

 
45

Tab. 4 – Categoria de Freqüências dos Cenários

Possível, mas improvável de ocorrer durante a vida útil do


A Muito Improvável
processo

B Improvável Não esperado ocorrer durante a vida útil do processo

C Ocasional Pouco provável de ocorrer durante a vida útil do processo

D Provável Esperado ocorrer até uma vez durante a vida útil do processo

E Freqüente Esperado ocorrer várias vezes durante a vida útil do processo

Fonte: Furnas (2006)

Tab. 5 – Categoria de Severidade dos Cenários

Sem danos ou danos insignificantes aos equipamentos, propriedade, e/ou


I Desprezível
meio. Não ocorrem lesões/mortes de funcionários e de terceiros.

Danos leves aos equipamentos, propriedade e/ou meio ambiente, sendo


II Marginal controláveis e de baixo custo de reparo. Lesões leves em empregados e de
terceiros.
Danos severos aos equipamentos, propriedade, e/ou meio ambiente. Lesões
III Crítica de gravidade moderada em empregados ou terceiros. Probabilidade de
morte.

Danos irreparáveis aos equipamentos, propriedade e/ou meio ambiente,


IV Catastrófica
provoca mortes ou lesões graves em funcionários e terceiros.

Fonte: Furnas (2006)

Segundo Carvalho (2007) o método de matriz simples 5X4, é um

método que, usa uma matriz composta por duas escalas de níveis distintos para as

duas variáveis que a integra. Para distinguir a Freqüência é utilizada uma escala de

5 níveis (tabela 4), do mesmo modo, para a Severidade é utilizada uma escala de 4

níveis (tabela 5).

As categorias de freqüência e severidade devem ser combinadas, de

modo a gerar as categorias de riscos, conforme tabela 6.


 
46

Tab. 6 – Matriz de Classificação de Risco


FREQÜÊNCIA
S
A B C D E
E
V
IV 2 3 4 5 5
E
R
III 1 2 3 4 5
I
D
A II 1 1 2 3 4
D
E I 1 1 1 2 3

Fonte: (Furnas, 2006)

A escala de Índice de risco integra 5 níveis de prioridade de

intervenção, conforme tabela 7.

Tab. 7 – Índice de Risco e Prioridade de Intervenção

Índice de risco Prioridade de Intervenção

1 Desprezível, não requer nenhuma ação.

2 Menor, intervenção a médio prazo.

3 Moderado, intervenção a curto prazo.

4 Sério, atuação urgente.

5 Crítico, requer medidas imediatas.


Fonte: (Furnas, 2006)

Aplicando-se o método da matriz simples 5X4 acima explicitado

consegue-se obter a amplitude do risco, que através do índice de risco se define a

prioridade do risco em estudo. Assim, Após a priorização do risco pode-se atuar de

forma eficaz na prevenção, de forma que a APR será corretamente elaborada

atingindo uma melhor avaliação dos riscos de acidentes de trabalho.

 
47

A APR trata-se de uma técnica aplicável a todas as atividades, uma

grande virtude da aplicação desta técnica é o fato de promover e estimular o

trabalho em equipe e a responsabilidade solidária.

E ainda envolve a necessidade de realizar uma avaliação prévia dos

serviços a serem executados, identificando e antecipando-se aos prováveis riscos

em situações especificas dos locais de trabalho, que fogem a normalidade de

ocorrência.

Segundo Souza (2007) essa técnica é conhecida por algumas

terminologias, tais como conversa ao pé do poste, diálogo preliminar de segurança e

diálogo diário de segurança, essa avaliação prévia deve ser realizada no local de

trabalho com a participação do superior ou encarregado do serviço e os

trabalhadores ou equipe de trabalho.

Deve-se considerar a ordem de serviço ou autorização de serviço,

os procedimentos de trabalho, as instruções de segurança, os equipamentos e

ferramentas, com a participação de toda a equipe de trabalho no desenvolvimento

de análise crítica real.

Quanto à periodicidade e freqüência de elaboração da APR, esta

deverá ser preenchida na fase do planejamento da atividade, sob responsabilidade

do encarregado ou supervisor do serviço, deve-se realizar como complementação o

DDS (Dialogo Diário de Segurança) no local, com todos os envolvidos e antes do

inicio dos serviços, e ainda deverá constar a assinatura de todos na APR.

A APR deverá ser feita diariamente, observando os riscos inerentes

ao local de execução da atividade, sendo válida somente para aquela data. Após o

término dos serviços a APR deverá ser arquivada (modelo de APR anexo B).

 
48

3 ESTATÍSTICAS DE ACIDENTES NO SETOR ELÉTRICO

Abordar a questão da preservação da vida, especificamente dentro

de uma área exata como a Engenharia Civil, tende a parecer irrelevante, todavia,

diante do eminente aumento de acidentes fatais, bem como, do enrijecimento das

normas atinentes a engenharia e segurança do trabalho, é urgente a necessidade da

compreensão e domínio do tema pelos Engenheiros de um modo geral.

O número de acidentes com trabalhos relacionados à eletricidade

supera todas as outras áreas ocupacionais, e como se não bastasse, em sua grande

maioria, são fatais, ou ocasionam à vitima seqüelas irreversíveis. Deste modo, a

importância desta pesquisa vem refletida nas estatísticas abaixo expostas.

Entre os países da América Sul, Norte e Central, o Brasil é campeão

em acidentes do Trabalho e está em primeiro lugar no Ranking (Fig. 8).

Fig. 8 – Estatísticas Mundiais de Acidentes do Trabalho (Fonte: Furnas, 2006)

No setor elétrico também houve um aumento significativo no número

de acidentes do trabalho, devido ao processo de privatização ocorrido no setor,


 
49

trazendo consigo a globalização, a introdução de novas tecnologias, materiais,

mudanças no processo e organização do trabalho, terceirização e cooperativação da

mão-de-obra, planos de demissões voluntárias entre outros.

Tendo como conseqüência uma expressiva penalização dos

trabalhadores e a precarização das condições de segurança.

A figura abaixo demonstra que o número de acidentes ocorridos no

setor elétrico supera os acidentes ocorridos em outros setores a nível de Brasil.

Fig. 9 – Acidentes Fatais no Setor Elétrico Brasileiro entre 1999 e 2006

(Fonte: FUNCOGE, 2008)

Com isso, a atualização da Norma Regulamentadora nº 10, foi de

suma importância para os trabalhadores do setor elétrico brasileiro, relevância que

se evidencia através da exposição de alguns dados estáticos de acidentes de

trabalho no setor elétrico, embasados no relatório de estatísticas de acidentados de

2006 realizado pela Fundação COGE.


 
50

A FUNCOGE, mantida pela Eletrobrás e pelas empresas do setor

elétrico nacional, realiza pesquisas e pública relatórios das estatísticas sobre

acidentes de trabalho envolvendo eletricidade, cujas estatísticas estão mencionadas

neste trabalho.

Sendo assim, um dos principais veículos de acerca dessas

informações estatísticas sobre acidentes do trabalho com eletricidade no Brasil, é o

relatório anual produzido pela própria Fundação, apresentando não apenas os

números totais, mas a sua estratificação, classificação e descrição dos acidentes, de

forma geral, sejam com os empregados, empresas, bem como, a população

envolvida com a energia advinda da rede pública (MATTOS, 2008).

Segundo a FUNCOGE (2008) em seu relatório de 2006, o

contingente era de 101.105 empregados próprios do setor elétrico, com riscos de

natureza geral e riscos específicos, no qual ocorreram registros de 840 acidentados

do trabalho típicos com afastamento, acarretando, entre custos diretos e indiretos,

prejuízos de monta para o setor elétrico.

Tab. 8 – Estatística de Acidentes no Setor Elétrico Brasileiro 2006

Dados Globais

1 – Empresas 72

2 – Empregados Próprios 101.105

3 – Horas-Homem de Exposição ao Risco 200.219.744

4 – Acidentes Típicos com Afastamento 840

5 – Tempo Computado (dias) 144.018

6 – Número Médio de Clientes 62.043.384

Fonte: FUNCOGE, 2008

 
51

Conforme exposto, o número de acidentes envolvendo eletricidade é

inaceitável, e as causas destes acidentes estão diretamente relacionadas a

inobservância e ao desconhecimento das normas técnicas referentes ao tema.

Há três causas principais na ocorrência de acidentes fatais, tais

como: origem elétrica, queda e veículos. As duas primeiras causas dependem do

cumprimento de procedimentos técnicos de trabalho, com isso podem ser

minimizados ou ate mesmo evitados, com a atuação sistemática na base da

pirâmide, baseado na teoria da pirâmide de Bird.

Fig. 10 – Adaptação da Pirâmide de Bird, de 1999 a 2004 (Fonte: FUNCOGE, 2008).

Analisando a pirâmide representada acima conclui-se que, para 1

acidente fatal ocorreram antes 36.300 atos inseguros e condições ambientes de

insegurança.

Logo se afirma novamente que uma atuação eficiente na base da

pirâmide se consegue reduzir os acidentes com conseqüências mais graves e

conseqüentemente reduzir os custos com acidente.


 
52

Dentre os acidentes fatais ocorridos com mão-de-obra terceirizada

72% do total são de origem elétrica, isto evidencia que a relação com a terceirização

das atividades de maior risco e os acidentes estão diretamente ligados aos

processos de trabalho (FUNCOGE, 2008).

Segundo estudos realizados pela FUNCOGE em 2006, para cada

acidente fatal de empregados próprios das empresas do setor elétrico brasileiro,

equivale a quatro mortes de empregados contratados e a quinze mortes envolvendo

a população.

Outra fonte de risco além do choque elétrico e não menos

importante é o arco elétrico, o qual quando ocorre eleva a temperatura subitamente,

podendo ocasionar explosão, em acidentes com arco elétrico quase sempre se tem

como conseqüência queimaduras sérias, podendo levar a óbito.

O gráfico da figura 11 evidencia o aumento significativo de acidentes

com arcos elétricos, o qual após 2004, ano em que foi aprovada a nova NR-10, o

número de acidentes vem sendo reduzido.

Fig. 11 – Número de Acidentados com Arco Elétrico (Fonte: FUNCOGE, 2008)


 
53

Segundo a FUNCOGE (2008) em seu relatório de estatística de

acidentes do setor elétrico brasileiro de 2006, há um grande número de acidentes de

origem elétrica envolvendo o setor da construção civil, o qual o gráfico da figura 12

demonstra, e está correlacionando a causa e gravidade.

Fig. 12 – Acidentes de Origem Elétrica no Setor da Construção Civil no Ano de 2006

(Fonte: FUNCOGE, 2008)

Segundo Furnas (2008), dentre os acidentes fatais ocorridos de

1977 a 2006 destacam-se três tipos de acidentes, o acidente que mais mata é o

trânsito seguido pelo choque elétrico, neste estão incluídos os acidentes com arco

elétrico, vale ressaltar um terceiro tipo de acidente, queda com diferença de nível, o

 
54

qual a nova NR-10 denomina de risco adicional, conforme demonstra o gráfico da

figura 13.

Fig. 13 – Acidentes fatais no Período de 1977 a 2006 (Fonte: Furnas, 2008)

Os acidentes por queda com diferença de nível ocorridos no setor

elétrico, na maioria dos casos não é a fonte do acidente e sim a fonte da lesão, ou

seja, a fonte do acidente é o choque elétrico que ocasionou a queda. E ainda quase

sempre este tipo de acidente está relacionado com atividade fim do setor da

construção civil.

 
55

3.1 Impactos dos acidentes

Segundo a FUNCOGE (2008) em 2006 foram perdidas 1.152.144

horas de trabalho, isto é igual ao total de horas de um ano de trabalho de uma

empresa de médio porte do setor elétrico, calculando-se os custos dos acidentes de

trabalho. Segundo a teoria de Chiara J. F. de Paiva, apoiado na teoria de Heinrich e

na pirâmide de Bird, enquadrando-os a realidades dos acidentes no Brasil.

O calculo do custo total estimado (custo direto e indireto),

considerando os acidentes sem perda de tempo e os acidentes com e sem danos

materiais, equivaleria ao investimento necessário para implantar 10 PCHs

(Pequenas Centrais Elétricas) de 30MW cada, com atendimento a uma demanda de

aproximadamente 1.250.000 habitantes. Ou ainda análogo ao exemplo anterior

poderia representar a construção de 2.460 km de linhas de transmissão, na tensão

de 230 kV e circuito simples (FUNCOGE, 2008).

Fig. 14 – Custo total estimado de acidentes no setor elétrico

(Fonte:FUNCOGE, 2008)

 
56

Este trabalho não visa avaliar nem quantificar os custos dos

acidentes de trabalho, o objetivo aqui é de apenas uma breve explicação de como

podem ser classificados. Segundo furnas (2006) os custos dos acidentes de trabalho

podem ser classificados como:

− Custos Diretos (Segurado): é a despesa com o pagamento do

prêmio do seguro de acidente do trabalho;

− Custos Indiretos (Não Segurado): é o total das despesas não

cobertas pelo seguro acidente do trabalho e, em geral, não são

facilmente computáveis, tais como as resultantes da interrupção

do trabalho, do afastamento do empregado de sua ocupação

habitual, de danos causados a equipamentos e materiais, da

perturbação do trabalho normal e de atividades assistenciais não

seguradas.

A figura abaixo ilustra como os custos indiretos são muito maiores

que os custos diretos.

Custo Direto (Segurado)

Custo Indireto (Não Segurado)

Fig. 15 – Custos dos acidentes do trabalho (Fonte: Furnas, 2006)

 
57

4 NORMA REGULAMENTADORA N° 10 – NR–10

A Norma Regulamentadora n° 10 – Segurança em Instalações e

Serviços em Eletricidade, aprovada pela Portaria do Ministério do Trabalho n° 3.214,

de 1978, foi alterada pela portaria n° 598, de 7/12/2004, a qual altera a redação

anterior.

Esta norma dispõe de diretrizes básicas para a implementação de

medidas de controles preventivos, destinados a garantir a segurança e a saúde dos

trabalhadores que, direta ou indiretamente, interajam com instalações elétricas e

serviços com eletricidade nos seus mais diversos usos e aplicações, mesmo aqueles

realizados em suas proximidades, abrangendo diversas etapas da construção civil,

tais como instalações elétricas provisórias, industriais, prediais e de manutenção de

modo geral.

4.1 Processo de atualização

A Norma Regulamentadora nº 10 – “Instalações e Serviços em

Eletricidade”, passou por um processo de atualização frente às necessidades

geradas pelas mudanças ocorridas no setor elétrico e nas atividades com

eletricidade.

Mas, principalmente pela responsabilidade do MTE (Ministério do

Trabalho e Emprego), em promover a redução de acidentes envolvendo energia

elétrica, agente de altíssimo risco.

Essas mudanças alavancaram o processo de globalização do setor


 
58

elétrico brasileiro, tendo como conseqüência a introdução de novas tecnologias,

materiais e mudanças significativas no processo e organização do trabalho.

Dentre as principais tecnologias implantadas destaca-se a

automação, o telecontrole, a informatização e a telesupervisão, e alterações na

organização do trabalho e reengenharia.

Outro fator que contribuiu para o aumento do número de acidentes

foi à implantação de planos de demissão voluntária – PDV, e em decorrência disto,

as empresas de energia elétrica abriram mão de funcionários com vários anos de

experiência, não havendo transferência de conhecimento para novos funcionários, e

especialmente a terceirização da mão-de-obra.

Essa grande transformação do setor elétrico ocorreu no final da

década de 90, época em que se iniciou o processo de privatização do setor elétrico.

Em decorrência disto, segundo Souza (2007) as privatizações

atingiram 80% da atividade de distribuição e 20% da atividade de geração de

energia elétrica, por empresas ou consórcios internacionais.

Com a grande necessidade de controle dos riscos envolvendo

energia elétrica, principal fonte de energia da sociedade moderna, o MTE promoveu

a atualização da norma, para adequá-la a nova realidade.

No ano de 2001, o MTE convocou um grupo de engenheiros

eletricistas e de segurança no trabalho, de diversas instituições governamentais com

o propósito de estudar a situação de segurança e saúde em atividades com

eletricidade, onde foi elaborado um texto base, constituindo-se assim a proposta

inicial apresentada ao MTE.

O Ministério do Trabalho e Emprego aceitou a proposta inicial e a

 
59

encaminhou para consulta pública, pela portaria MTE n° 6 de 28/03/2002, o prazo

fora prorrogado até 09/09/2002, conforme portaria n° 14.

Sendo assim, em outubro com as sugestões recebidas da sociedade

e apresentadas a CTPP (Comissão Tripartite Paritária Permanente), que organizou e

indicou a constituição do GTT10 (Grupo Técnico Tripartite da NR-10) formado por

notáveis profissionais da área de segurança em energia elétrica, envolvendo todas

as atividades afins, onde ficaram responsáveis pela análise, discussão e disposição

final. A conclusão da Norma com a recomendação para aprovação ocorreu em

novembro de 2003 (Souza, 2007).

A Norma foi aprovada pela CTPP e o GTT10 sem alterações por

consenso de forma tripartite, exceto um item, que dispõe da proibição de se realizar

trabalhos individuais em serviços envolvendo alta tensão e aqueles realizados no

SEP (Sistema Elétrico de Potência).

Sendo assim, o MTE precisou intervir através do Ministro Sr. Ricardo

Berzoini, no uso de suas atribuições legais, apoiado por técnicos do DSST

(Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho), aprovou a nova Norma

Regulamentadora n° 10 através da portaria MTE n° 598, de 7/12/2004 e publicada

no Diário Oficial da União em 8/12/2004.

Através desta portaria também foi constituído a CPNSEE (Comissão

Permanente Nacional sobre Segurança em Energia Elétrica), tripartite e paritária aos

representantes do Governo, dos empregados e dos empresários, no âmbito do

Ministério do Trabalho e Emprego com a interveniência da CTPP (Comissão

Tripartite Paritária Permanente), objetivando o acompanhamento de implementação

da norma, sendo o mantenedor das adequações e aperfeiçoamentos que se fizerem

necessário.
 
60

A nova NR-10 que trata da segurança em instalações e serviços em

eletricidade está estruturada da seguinte forma:

a) 10.1 Objetivo e campo de aplicação;

b) 10.2 Medidas de controle;

c) 10.3 Segurança em projetos;

d) 10.4 Segurança na construção, montagem, operação e

manutenção;

e) 10.5 Segurança em instalações elétricas desenergizadas;

f) 10.6 Segurança em instalações elétricas energizadas;

g) 10.7 Trabalhos envolvendo alta tensão;

h) 10.8 Habilitação, qualificação, capacitação e autorização dos

trabalhadores;

i) 10.9 Proteção contra incêndios e explosões;

j) 10.10 Sinalização de segurança;

k) 10.11 Procedimento de trabalho;

l) 10.12 Situação de emergência;

m) 10.13 Responsabilidades;

n) 10.14 Disposições finais.

O texto da nova NR-10 está dividido em 14 itens e 99 subitens,

seguidos também de um glossário e três anexos (zona de risco, zona controlada,

treinamento e prazos para comprimentos dos itens desta NR), conforme anexo A

deste trabalho.

 
61

4.2 Análise Comparativa da NR-10/1978 com a Nova NR-10/2004

A Norma Regulamentadora n° 10 desde a sua publicação pela

Portaria MTE n° 3.214, de 8 de junho de 1978, não sofreu alterações significativas

como as da nova redação aprovada pela Portaria MTE n° 598, de 7 de dezembro de

2004. A alteração da norma foi discutida e aprovada de forma Tripartite, ou seja,

pelos representantes dos empregados, empregadores e governo.

Segundo Miranda Junior (2007) as alterações da norma nos

trouxeram novos conceitos, tais como:

Inúmeros são os benefícios da nova norma que trouxe o


conceito de gestão para a prevenção e organização do trabalho em
eletricidade. O planejamento e decorrentes ações dele originadas
permeiam todo o conteúdo da norma e a consagrada metodologia do
PDCA (Plan / Do / check / Act) tem sua utilização incentivada.
Assuntos de crucial importância para a preservação da integridade
física dos trabalhadores, tais como: prontuário das instalações, EPIs,
EPCs, treinamento, autorização para trabalho, APR e vestimentas
são alguns temas que a norma aborda, sempre com a preocupação
de que melhorias sejam sistematicamente incorporadas a cada um
deles, o que evidenciam a visão de gestão que baliza toda a norma.

O resultado acarretou numerosos benefícios aos trabalhadores, cuja

redação atual apresenta conceitos de gestão para a organização do trabalho e

prevenção de riscos. A seguir evidenciam-se as principais alterações da nova

redação da NR-10/04 comparada à antiga redação da referida norma, seguidas de

uma breve análise de seus benefícios e impactos:

a) Estabelecimento de requisitos e condições mínimas para

implementação de medidas de controle e sistemas de prevenção

inerente ao risco elétrico;

Essa alteração da norma impôs a necessidade do conhecimento do

risco elétrico, possibilitando uma maior ciência das nocividades do trabalho com
 
62

eletricidade, e assim, a implementação de regras de segurança e procedimentos que

evitem os acidentes e seus danos, ou que ao menos possam amenizar as

conseqüências destes, preservando o trabalhador.

b) Todas as empresas devem manter esquemas unifilares

atualizados das instalações elétricas, e em instalações com carga

superior a 75 KW, devem manter prontuário de forma a organizar

os documentos e registros, dentro das medidas de controle,

coletiva e individual;

No entendimento de Souza (2007) a ausência ou desatualização

desta documentação provoca surpresas que podem conduzir a eventos

indesejáveis, como os acidentes de trabalho.

A obrigatoriedade de documentar inserida pela norma, propicia uma

melhor organização, e como conseqüência lógica, uma melhor visualização da

atividade como um todo, auxiliando na atuação da prevenção, através das medidas

de proteção coletiva e individual que será tratada neste trabalho nos itens 4.3.1 e

4.3.2 respectivamente.

c) Estabelecimento de relatório de auditoria de conformidade das

instalações elétricas;

A realização do relatório de auditoria interna busca auxiliar na

fiscalização, apontar falhas no procedimento de segurança, bem como, fazer

recomendações e propor melhorias, apresenta-se um modelo de Check List para

auditoria anexo C.

d) torna obrigatória a introdução de dispositivos e equipamentos e

medidas de controle coletivo;


 
63

A alteração da norma impõe a utilização de medidas e equipamentos

de segurança buscando um controle coletivo e eficaz, ou seja, busca a alargar o

alcance da proteção para o conjunto de trabalhadores envolvidos, direta ou

indiretamente com o risco elétrico.

A NR-10 dá destaque ao aterramento das instalações elétricas,

isolação das partes vivas, sistema de seccionamento e bloqueio do circuito

elétrico como formas de prevenção coletiva de acidentes, os quais são abordados

no item 4.3.1 neste trabalho.

e) Faz referência a NR-6 para implementar medidas de proteção

individual, todavia, prevê a exigência o uso de vestimentas

adequadas ao trabalho

não prescritas na referida norma, bem como, proíbe o uso de adornos pessoais.

No que concerne à proteção individual a NR-10 remete a utilização

do disposto na NR-6, que trata especificamente dos EPI’s, contudo, exige a

utilização de vestimentas adequadas a situações específicas não contempladas por

esta. As vestimentas são entendidas como EPIs pela NR-10, sendo designada para

proteção do corpo humano contra os mais diversos riscos elétricos, e é tratada no

item 4.3.2.1 neste trabalho.

Proíbe também o uso de adornos pessoais que possam contribuir ou

agravar as conseqüências de um acidente, mas vale ressaltar que alguns objetos de

uso pessoal essencial para o exercício das atividades, como o óculos de grau, não

podem ser proibidos.

f) obrigatoriedade de introduzir conceitos de segurança no projeto

das instalações elétricas;

 
64

Mais uma vez, a norma insere a obrigatoriedade do conhecimento,

não só dos riscos, mas também, dos procedimentos de segurança a serem

implementados desde o projeto elétrico. Exigindo, assim, o conhecimento prévio

das exigências regulamentares de segurança do trabalho pelo projetista.

g) formar diretrizes de segurança para a construção, montagem,

operação e manutenção;

Essa alteração, talvez uma das mais importantes, evidencia a

necessidade do planejamento voltado para a segurança do trabalho, com iluminação

adequada e posição de trabalho segura, em todas as etapas das atividades a serem

realizadas pelo trabalhador. Inclusive, com a previsão de riscos elétricos extrínsecos

decorrentes de cada processo ou ambiente de trabalho. Ainda, são exigidas a

supervisão de cada uma destas etapas por profissional habilitado.

h) Resolve e estabelece as exigências para trabalhos em

instalações elétricas desernergizadas;

Aqui, insere-se a preocupação em adotar medidas que possam

prevenir que os equipamentos desenergizados venham a ser acidentalmente

reenergizados (religados) ocasionando graves acidentes, conforme controle de

medidas coletivas tratados no item 4.3.1. Convém mencionar que essa alteração,

em especial, advém do grande números de acidentes com choque elétrico, conforme

está evidenciado nas figuras 8 e 9 e na tabela 8 no item 3 deste trabalho.

i) estabelece critérios para a proteção em trabalhos com

instalações energizadas;

A nova redação da norma regulamentadora trouxe maiores

exigências, bem como, maior severidade nos procedimentos de trabalho com


 
65

instalações energizadas, haja vista, o grande potencial lesivo desta atividade,

também evidenciado na figura 9.

Estabelece também que os trabalhadores que intervém em

instalações com tensões elétricas acima da extra-baixa tensão (vide glossário),

devem atender o quesito do item 10.8 da nova NR-10, que diz respeito a habilitação,

capacitação e autorização, e ainda que os trabalhadores recebam treinamento de

segurança especifico para trabalhos nessa condição, independente do cargo ou grau

de escolaridade, conforme anexo III da NR-10 (anexo A deste trabalho).

j) estabelece as zonas de risco e controlada, no entorno de pontos

ou conjuntos energizados;

Zona de risco e controlada (vide glossário) nada mais é que a

denominação dada pela NR-10 para as distâncias de segurança, balizada em função

da classe de tensão elétrica, delimitando a presença de risco e estabelecendo

condições restritivas de acesso, permitido apenas para trabalhadores autorizados.

Inclusive para qualquer outro tipo de trabalho ou atividade que não

envolva a instalação elétrica, mas que adentre na zona controlada, tais como

pintura, inspeção etc. Trata-se do anexo II da NR-10, anexo A deste trabalho.

k) diferencia níveis e estabelece condições para atividades

realizadas em alta tensão;

O novo texto da NR-10 trouxe novos conceitos e delimitações para

os trabalhos nas diferentes tensões elétricas, especialmente naqueles realizados em

alta tensão, ou seja, acima de 1000(mil) volts em corrente alternada ou 1500 (mil e

quinhentos) volts em corrente contínua, entre fases ou entre fases e terra. A NR-10

impõe a necessidade de treinamento específico, complementar ao treinamento de


 
66

segurança básico, de acordo com anexo III da NR-10 (anexo A deste trabalho).

Realizar avaliação prévia dos riscos existentes na atividade a ser

executada, identificando e se antecipando aos acidentes, através da elaboração da

APR e da realização do DDS no local do serviço antes do inicio das atividades,

conforme foi evidenciado no item 2.5.1.1 deste trabalho.

l) proibe a realização de serviços individuais em instalações

elétricas de alta tensão ou integrantes do SEP;

Certamente, uma das alterações mais discutidas na norma, uma vez

que veda a possibilidade do profissional realizar serviços com eletricidade

desacompanhado de outro trabalhador. Isto porque envolveu outras questões além

da técnica, como políticas e econômicas.

Esse item foi aprovado somente porque houve a intervenção do

MTE através do Ministro Ricardo Berzoini. O que contribuiu para a inserção deste

item na nova NR-10 foi: o alto risco existente nos trabalhos envolvendo alta tensão,

os altos índices de acidentes (conforme relatado no item 3 deste trabalho) e

segundo Souza (2007) por já existir decisão judicial favorável ao trabalho

acompanhado.

m) define o entendimento quanto a profissional qualificado e

habilitado, pessoa capacitada e autorizada;

A norma trouxe em seu bojo a conceituação e a diferenciação das

características de cada profissional, bem como, a extensão do alcance de sua

atuação.

A NR-10 reiterou a necessidade de formação técnica em cursos

especializados para o trabalho em área elétrica, definindo como trabalhador

 
67

qualificado aquele que comprovar conclusão nesses cursos. Todavia, é considerado

profissional habilitado aquele com registro no competente conselho de classe. Ainda,

a norma considera capacitado aquele trabalhador que embora não tenha

freqüentado curso profissionalizante, adquiriu conhecimento através da experiência,

desde que, trabalhe sob responsabilidade de profissional habilitado e autorizado.

Por fim, é autorizado aquele que recebe anuência formal da

empresa.

n) torna obrigatório o treinamento de segurança para profissionais

autorizados a intervir em instalações elétricas, curso básico e

complementar;

Todo trabalhador que intervêm em instalações elétricas com tensões

acima da extra-baixa tensão devem participar de treinamento básico com currículo

mínimo estabelecido no anexo III da NR-10 (anexo A deste trabalho), e em

instalações de alta tensão ou instalações integrantes do SEP, os trabalhadores

devem participar de treinamento complementar, além do básico, também

estabelecido pelo referido anexo supra citado.

o) reafirma a obrigatoriedade de certificação de equipamentos,

dispositivos e materiais destinados a aplicação em áreas

classificadas;

Em áreas classificadas (vide glossário) os equipamentos

dispositivos elétricos devem ser avaliados quanto a sua conformidade e possuir

certificação por órgãos brasileiros de certificação, exceto aqueles adquiridos antes

da data de publicação da nova NR-10 que estão isentos de certificação, mas devem

comprovar que são seguros através de certificados e laudos

 
68

p) remete a NR-23 as providências de proteção contra incêndio e

explosão;

Quanto às providências contra incêndio e explosão a NR-10 instituiu

a observância dos procedimentos contidos na NR-23 que trata especificamente

sobre este assunto, a qual estabelece que todas as empresas devem possuir:

i. proteção contra incêndio;

ii. saídas de emergências em caso de incêndio;

iii. equipamentos e dispositivos suficientes para combater o fogo em

seu inicio;

iv. pessoas capacitadas e treinadas no uso correto desses

equipamentos.

Todo incêndio que vier a ocorrer em locais com instalações elétricas,

mesmo que o incêndio não seja de origem elétrica, devem ser tratados como classe

C devido à presença de eletricidade.

q) define que as situações de emergência deverão constar em plano

especifico da empresa;

Diante de uma análise prévia de possíveis falhas, as empresas

estão obrigadas a elaborar procedimentos emergenciais com disponibilização de

recursos materiais, equipamentos, treinamento de pessoas, e equipamentos

adicionais a serem capacitados na ocorrência de situações perigosas.

A maioria das empresas do setor elétrico já possuíam brigadas de

incêndio com equipes treinadas para combater inícios de incêndios, o que mudou

então na nova NR-10 é que tornou obrigatório o treinamento em combate a incêndio

para todos os trabalhadores autorizados.


 
69

Os trabalhadores autorizados também devem receber treinamento

de resgate e primeiros socorros à acidentados, adquirindo desta forma domínio das

técnicas de remoção e transporte de pessoas e acidentados e principalmente da

técnica de reanimação cardiorrespiratória, o qual sabe-se que a probabilidade de

reanimação diminui com o passar do tempo conforme já foi demonstrado na figura 1.

r) torna obrigatória a elaboração de procedimentos operacionais de

trabalho contendo as instruções de segurança;

Outra alteração do novo texto da NR-10 muito importante porque

através da descrição detalhada de todas as atividades e serviços executados pelas

empresas, com ordem lógica na seqüência de realização dos serviços, o chamado

passo-a-passo, proporciona aos trabalhadores e as empresas elaborar orientações

de segurança com medidas de controle dos riscos e as responsabilidades de cada

um.

Esses procedimentos de trabalho e as orientações de segurança

devem estar escritos em português, de fácil entendimento, e de conhecimento de

todos os trabalhadores envolvidos, e ainda que se faça cumpri-los.

Segundo Souza (2007) sob a ótica de segurança do trabalhador, os

procedimentos de trabalho podem ser definidos como: “Seqüência de operações ou

atos a serem desenvolvidos para a realização de um determinado trabalho, com a

inclusão dos meios materiais e humanos, instruções e orientações técnicas de

segurança e as possíveis circunstancias que impeçam a sua realização”.

s) estabelece as responsabilidades aos contratantes e contratados;

Houve o enrijecimento da responsabilidade dos empregadores,

sejam contratantes diretos ou tomadores do serviço, bem como, impõe penalidades

 
70

aos trabalhadores que não observarem os procedimentos estabelecidos, conforme

será tratado no item 5 deste trabalho.

t) ratifica o direito de recusa e obriga a disponibilização de

documentos e complementa-se com as normas técnicas oficiais

(NBR 5410 / 14039 entre outras).

O novo texto da NR-10 concede ao trabalhador o direito de recusa

na realização de serviços que não sigam os padrões de segurança mínima, e ao

expor sua saúde e integridade física, desde que justifique através da comunicação

imediata dos riscos graves e iminentes ao seu superior hierárquico.

Este item da norma é uma ratificação do direito de recusa, previsto

no art. 13 da Convenção 155 da OIT e promulgada pelo Decreto n° 1.254, de 29 de

setembro de 1994 (Souza, 2007).

u) apresenta um glossário contendo conceitos e definições claras e

objetivas;

A nova NR-10 traz no anexo I, um glossário com definições e

significados de algumas denominações empregadas no setor elétrico, também

contido no anexo A deste trabalho.

Em síntese, a nova redação da NR-10 buscou inserir conceitos e

medidas de segurança de observância obrigatória, mas principalmente a

necessidade da organização e do planejamento dos serviços, do conhecimento dos

diferentes tipos de risco, da adequada realização de cada tipo de trabalho, para a

partir disso, a criação e instituição de medidas eficazes de segurança, individuais e

coletivas.

 
71

Para um melhor entendimento desta análise, as medidas de controle

de riscos e de proteção coletiva e individual abordadas pela nova NR-10, estão

descritas nos itens a seguir.

4.3 Medidas para o Controle de Riscos

As medidas de controle podem ser interpretadas como um conjunto

de ações estratégicas de prevenção com objetivo de reduzir ou eliminar os riscos, ou

ainda manter sob controle os possíveis eventos indesejáveis.

Para uma melhor compreensão das exigências de medidas de

controle de riscos, bem como, das medidas de proteção coletiva e individual, que a

referida norma torna obrigatória, e segundo a análise realizada anteriormente, são

descritos a seguir alguns desdobramentos dessas exigências para a sua

aplicabilidade.

A nova NR-10 exige que se faça um controle do risco elétrico,

através de medidas preventivas devidamente planejadas antes de sua implantação

nas empresas que realizam intervenções em instalações elétricas. São elas:

a) técnicas de análises de risco já citadas neste trabalho no item

2.5.1, e a elaboração de APR antes do inicio de cada serviço, de

acordo com o item 2.5.1.1 deste trabalho;

b) disponibilização e organização de prontuários e esquemas

unifilares, atualizados, de suas instalações para consulta dos

trabalhadores na realização dos trabalhos, conforme análise

realizada no item anterior, alínea b;


 
72

c) especificações e testes periódicos de isolação elétrica dos

equipamentos de proteção coletiva e individual, além de sua

certificação, abordada nos itens 4.3.1 e 4.3.2;

d) realização periódica de auditorias em relação às condições de

segurança das instalações elétricas, roteiro para realização da

auditoria, também já citadas na análise do item anterior e

conforme modelo de Check List anexo C;

e) empresas integrantes do SEP devem ter procedimentos para

atender emergências e seus trabalhadores devem conhecê-los e

estar aptos a adotá-los;

f) os trabalhadores que realizam intervenções em instalações

elétricas devem possuir comprovação de:

i. Qualificação – documento da instituição oficial de ensino,

ii. Habilitação – Registro do conselho de classe correspondente,

iii. Capacitação – certificado de cursos de capacitação técnica e

de treinamentos de segurança exigidos por esta norma,

realizados na empresa.

As empresas que realizam trabalhos nas proximidades de

instalações elétricas também estão sujeitas a tais exigências da nova NR-10,

principalmente as instalações elétricas integrantes do SEP.

Destarte as medidas de controle abrangem os sistemas de proteção

coletiva, as medidas de proteção coletiva e as medidas de proteção individual, esta

ultima sempre deve ser adotada principalmente quando não for possível a adoção

das medidas anteriores. Nas quais estão descritas nos itens a seguir.
 
73

Vale ressaltar que para uma correta implantação das medidas de

controle é necessário realizar uma correta identificação dos riscos que as

instalações em questão oferecem ao trabalhador, através das técnicas de análise

tratadas no item 2.5 e seus subitens, deste trabalho.

4.3.1 Medidas de Proteção Coletiva

As medidas de proteção coletiva devem ser adotadas sempre que

possível para trabalhos coletivos que expõem os trabalhadores às mesmas

condições de risco, sempre com o objetivo de eliminar, minimizar ou controlar as

probabilidades de ocorrer qualquer evento indesejável gerador de risco.

A nova NR-10 prevê medidas de segurança e se faz exigências

quanto a isolação, bloqueio, delimitação, sinalização, e aterramento dos

equipamentos elétricos.

Para isso adotam-se como medidas de proteção coletiva a utilização

dos EPC (Equipamentos de Proteção Coletiva), que são os equipamentos ou

dispositivos para a proteção de vários trabalhadores e/ou terceiros em relação dos

riscos provenientes do desenvolvimento das atividades laborais.

As medidas de proteção coletiva, hora de suma importância para a

preservação da integridade física dos trabalhadores, e consistentes em condutas

humanas, que merecem ser transcritas. Dentre elas pode-se destacar:

− Desenergização - procedimento destinado a garantir a ausência

de tensão elétrica no circuito durante o tempo do trabalho,

 
74

somente realizadas mediante liberação e obediência aos

protocolos e procedimentos apropriados;

− Seccionamento – ato de promover a descontinuidade elétrica

total, com o afastamento entre um circuito e outro, obtida

mediante acionamento de dispositivo apropriado (chave

seccionadora, disjuntor etc), ilustrado na figura 16;

Fig. 16 – Seccionamento de circuito elétrico através de chave seccionadora

− Impedimento de reenergização – refere-se a procedimentos

que impedem de fato a reenergização do circuito, como

travamentos mecânicos, cadeados e dispositivos auxiliares de

travamento e sistemas de sinalização de bloqueio, como os

cartões de segurança que será exposto mais adiante. E busca

impedir a reenergização involuntária ou acidental do circuito;

− Constatação de ausência de tensão elétrica – constitui-se

da verificação da efetiva ausência de tensão elétrica nos

condutores do circuito elétrico, realizada através de

 
75

equipamentos detectores de tensão, conforme demonstrado na

figura 17, este equipamento geralmente é utilizado em circuitos

de alta tensão, e em baixa tensão pode-se fazer uso do

multímetro para este mesmo fim;

Fig. 17 – Dispositivo detector de tensão elétrica

− Aterramento do equipamento – consiste na conexão elétrica do

equipamento que sofre a manutenção à malha da terra da

instalação. Fundamental na prevenção de energizações

acidentais, descargas atmosféricas, tensões estáticas ou

induzidas etc.

− Instalação de aterramento temporário com

equipotencialização dos condutores dos circuitos – após a

verificação da ausência de tensão, um condutor do conjunto de

aterramento temporário deverá ser lidado a uma haste

conectada a terra. Após, deverão ser conectadas as garras

de aterramento aos condutores fase, previamente desligados,

conforme demonstrado na figura 18.


 
76

É importante ressaltar que para uma melhor segurança na execução

do aterramento temporário os trabalhadores deverão utilizar os EPIs adequados de

acordo com a classe de tensão elétrica, tais como: capacete, óculos de segurança,

luva isolante, vestimentas FR e cinto de segurança em caso de diferença de nível,

os quais estão descritos no item 4.3.2, e ainda deve-se trabalhar entre dois pontos

devidamente aterrados.

Fig. 18 – Aterramento temporário de Linha de distribuição

− Proteção dos elementos energizados existentes na zona

controlada – entende-se por zona controlada a área em torno da

parte condutora energizada, de dimensões estabelecidas de

acordo o nível de tensão, onde só podem adentrar profissionais

autorizados. A proteção desta área deve ser feita com anteparos,

dupla isolação invólucros, entre outros.

− Equipotencialização – procedimento que consiste na

interligação de elementos especificados, sendo que todas as

massas devem estar ligadas aos condutores de proteção, através

de jumper temporário (fig. 19).

 
77

Fig. 19 – Jumper temporário para equipotencialização

Há ainda, o seccionamento automático de proteção que possui um

dispositivo que deverá cortar automaticamente a alimentação do circuito ou

equipamento a ele vinculado. O dispositivo atuará toda vez que ocorrer uma falta

(contato entre parte viva e massa,parte viva e condutor de proteção, e ainda, entre

as partes vivas) ocasionando uma corrente maior que o valor ajustado no dispositivo

de proteção.

O referido dispositivo de proteção é indispensável para o fim de se

evitar danos oriundos do contato de pessoas e animais com o circuito, altas

temperaturas e arcos elétricos, valores acima do estabelecido pelo sistema de

proteção, correntes de curto-circuito e sobre tensões.

4.3.1.1 Sinalização de segurança

Durante a realização dos trabalhos com eletricidade deverá ser

adotada sinalização adequada de segurança, destinada a advertência e identificação

do tipo de trabalho, bem como do responsável pelos serviços. Podem ser cartões,

placas, avisos, etiquetas, que devem ser claros e adequadamente afixados.

 
78

A sinalização por Cartões de operação é normatizada pelo NOS

(Operador Nacional do Sistema Elétrico) através da Norma de Operação do Sistema

Eletroenergético (NOE) nº 03, para intervenções em equipamentos do sistema

elétrico, utilizada para sinalizar o equipamento e tipo de trabalho realizado, bem

como, as precauções e restrições que devem ser acatadas. Conforme Furnas (2008)

segue abaixo alguns exemplos de cartões utilizados para sinalização.

Cartão de Segurança na cor vermelha é utilizado para alertar que o

equipamento não pode ser manobrado, trabalhado ou tocado, sendo de uso restrito

a isolação de equipamento, desta forma, protegendo o pessoal envolvido na

manutenção.

Fig. 20 – Cartão de Segurança e Bloqueio (Fonte: Furnas, 2008)

Cartão de Precaução na cor amarela é utilizado para notificar que

um equipamento com restrição de operação, ou que esteja em situação anormal,

seja operado indevidamente.

Fig. 21 – Cartão de Precaução (Fonte: Furnas, 2008)


 
79

Cartão de TDP (Trabalho Direto ao Potencial) na cor laranja é

utilizado para alertar que o equipamento não pode ser manobrado, trabalhado ou

tocado e para evitar que haja religamento automático do equipamento após

perturbação do sistema elétrico, sua utilização visa à segurança dos trabalhadores.

Fig. 22 – Cartão de TDP (Fonte: Furnas, 2008)

Cartão para Controle de Aterramento na cor branca é utilizado para

controlar a instalação e remoção de cabos de aterramento na área das subestações

e usinas, para evitar que ocorra esquecimento da retirada dos cabos de

aterramento, após a realização dos trabalhos.

Fig. 23 – Cartão de Controle de Aterramento (Fonte: Furnas, 2008)


 
80

Os cartões supra citados estão sempre vinculados a documentos de

autorização de serviço para intervenções em equipamentos do sistema elétrico, que

após a isolação dos referidos equipamentos e do inicio dos documentos, são

instalados juntamente com os cabos de aterramento, sendo removidos somente

após o encerramento dos serviços e da baixa dos documentos e liberação para

energização.

Do mesmo modo usam-se placas de sinalização, com rotulagem

preventiva, e devera ser utilizada como complementação das áreas demarcadas ou

delimitadas para trabalhos dentro de pátios de usinas e subestações do SEP.

As placas de sinalização devem obedecer às prerrogativas da NR-26

– Sinalização de Segurança, e podem ser classificadas conforme descrito abaixo e

conforme demonstrado na figura 24:

a) Placas de Perigo – na cor vermelha, com bordas em preto e

fundo branco, para identificar locais onde há risco iminente a

saúde e a vida do trabalhador;

b) Placas de Avisos – na cor azul e fundo branco, para comunicar

medidas e mensagens de segurança, movimentação de

máquinas e equipamentos;

c) Placas de Segurança – na cor verde e fundo branco, para

transmitir medidas e instruções de segurança, enfatizar normas e

práticas de segurança;

d) Placas de Atenção/Cuidado – na cor preta com fundo amarelo,

para alertar sobre atos inseguros e onde exista risco ao

trabalhador;

 
81

e) Placas de Emergência – na cor vermelha e fundo branco, para

identificar dispositivos de combate a incêndios, e em situações de

emergência, bem como em rotas de fuga;

Fig. 24 – Modelos de Placas de Sinalização (Fonte: Furnas, 2008)

4.3.1.2 Isolação e delimitação das áreas de serviço

A isolação e delimitação da área de serviço é muito importante na

prevenção de acidentes, pois através dela é possível evitar que o trabalhador

adentre por engano em área energizada, evitando assim que ocorram acidentes. A

NR-10 faz exigências quanto à isolação e delimitação da área onde se encontra o

equipamento sob manutenção, os quais devem ser adotadas as seguintes medidas

preventivas:

a) Sinalização através de cartões de segurança para que o

equipamento não seja manobrado;

b) Demarcar a área utilizando corda com bandeirolas, fitas laranja,

 
82

cones ou cavaletes e placas de sinalização indicando a área e o

equipamento liberado para trabalho;

c) Observar as distâncias de segurança entre a área energizada e a

área a ser confinada durante a delimitação através dos

dispositivos citados no item anterior;

d) definir apenas uma abertura na delimitação da área para entrada

e saída de materiais e pessoas.

Toda delimitação deve ser acrescida de sinalização complementar,

através de placas adequadas a informação necessária com descritivos pertinentes,

conforme descritos no subitem anterior e figura 24.

A figura 25 ilustra um exemplo de isolação e delimitação da área de

serviço com sinalização adequada, utilizando-se de fitas, cones, bandeirolas, e com

sinalização complementar através de placa de sinalização, e com apenas uma

abertura para entrada e saída de materiais e pessoas.

Fig. 25 – Exemplo de delimitação da área de serviço


 
83

4.3.2 Medidas de Proteção Individual

De acordo com a Norma Regulamentadora NR-6 (Equipamento de

Proteção Individual) da Portaria nº 3214 de 8 de junho de 1978, do Ministério do

Trabalho e Emprego, considera-se Equipamento de Proteção Individual – EPI é todo

dispositivo de uso individual destinado a proteger a saúde e a integridade física do

trabalhador.

A principal medida de proteção é a utilização de EPI (Equipamento

de Proteção Individual, e entende-se por EPI os equipamentos ou dispositivos de

uso individual e que possuam CA (Certificado de Aprovação) e CRF (Certificado de

Registro do Fabricante), emitido pelo MTE (Ministério de Trabalho e Emprego),

utilizados pelo trabalhador para a sua própria proteção contra a exposição aos riscos

durante a realização de suas atividades laborais, dentre os principais EPI’s

destacam-se:

• Capacete de proteção tipo aba frontal utilizado para proteção da

cabeça, e deve-se utilizá-lo em trabalhos a céu aberto, em local

confinado, para proteção de impactos de queda e ou projeção de

objetos, queimaduras, choque elétrico e irradiação solar

(CPNSP, 2005);

Fig. 26 – Capacete de segurança (Fonte: CPNSP, 2005)

 
84

• calçado de segurança utilizado para proteção dos pés contra

torção, escoriações, derrapagens e umidade;

Fig. 27 – Calçado de segurança tipo botina de couro (Fonte: Furnas, 2006)

• óculos de proteção para os olhos contra impactos mecânicos,

partículas volantes e raios ultravioletas;

Fig. 28 – óculos de segurança (Fonte: CPNSP, 2005)

• luva isolante de borracha utilizada para a proteção das mãos e

braços contra choque elétrico em trabalhos envolvendo circuitos

elétricos energizados, conforme ilustra a figura 29 e são

classificadas de acordo a tabela abaixo:

 
85

Tab. 9 – Classificação das luvas isolantes de borracha


Tipo / Contato / Tarja
Classe 00 / 500 V / Bege Classe II / 17 kV / Amarela
Classe 0 / 1000 V / Vermelha Classe III / 26,5 kV / Verde
Classe I / 7,5 kV / Branca Classe IV / 36 kV / Laranja
Fonte: CPNSP, 2005

Fig. 29 – Luva isolante de borracha (Fonte: Furnas, 2006)

• cinto de segurança tipo pára-quedista deve ser utilizado em

atividades com mais de 2 m de altura do piso, e sempre que haja

risco de queda, tem a finalidade de sustentar o usuário e

distribuir a força de impacto por todo o corpo. Deve ser utilizado

com talabarte tipo Y e/ou trava quedas;

Fig. 30 – Cinto de segurança tipo pára-quedista (Fonte: Furnas, 2006)


 
86

• vestimenta de trabalho para proteção do corpo do trabalhador

contra queimaduras e/ou explosões provenientes acidentes com

choque elétrico ou arco elétrico, estão descrito no item 4.3.2.1.

A NR-10 remete a NR-6 a responsabilidade de regulamentação que

trata especificamente do EPI, mantendo assim sua integridade ética. Com isso cabe

ao MTE atualizar e alterar a NR-6, para que contemple outros EPI inerente aos

riscos elétricos, de acordo com a NR-10, que ainda não seja contemplado. Como por

exemplo, as roupas profissionais ou vestimentas de trabalho que será tratado nos

item a seguir.

O EPI adequado ao risco existente em determinada atividade deverá

ser recomendado ao empregador pelo Serviço Especializado em Engenharia de

Segurança e em Medicina do Trabalho - SESMT, ou a Comissão Interna de

Prevenção de Acidentes - CIPA, nas empresas desobrigadas de manter o SESMT.

4.3.2.1 Vestimentas de trabalho

Antes da nova NR-10 as empresas adotavam roupas com 100% de

algodão com aplicação de produto químico para que adquirissem características

ignífuga, fornecendo assim alguma proteção em caso de acidentes com arcos

elétricos, essa característica decrescia com o tempo após varias lavagens, com isso

a nova NR-10 passou a exigir propriedades específicas as vestimentas, lhes

conferindo status de EPI.

Conforme o item 10.2.9.2 da nova NR-10, que trata sobre as

vestimentas de trabalho entendida como EPI destinada a proteção dos membros

 
87

superiores e inferiores e contra diversos efeitos causados pelos riscos elétricos

quando a eles expostos, tais como condutibilidade, inflamabilidade e influências

eletromagnéticas.

Tab. 10 – Propriedades das Vestimentas Quanto à Proteção

Propriedade Fator de Proteção


O tecido adotado para a confecção das
Condutibilidade: propriedade que têm os
vestimentas não pode ser condutor de
corpos condutores de calor, eletricidade, som
eletricidade e deve minimizar a condução de
etc.
calor.

O tecido não pode ser inflamável, ou seja,


Inflamabilidade: substâncias inflamáveis, que
não pode manter a chama após cessar a
se inflamam com facilidade.
fonte de calor.

Influências eletromagnéticas: propriedades O tecido não deve resistir ou atenuar a


dos campos elétricos, fundamentado a partir energia calorífica (energia incidente)
das equações estabelecidas por J. C. Maxwell. originada pela ocorrência de arco elétrico.
Fonte: Miranda Junior, 2007.

Não há fabricantes de tecidos no Brasil ainda que, atendam as

especificações exigidas pela nova NR-10 sendo necessário importar tais tecidos de

empresas européias ou norte americano. Nos Estados Unidos há um tecido

denominado FR (Fire Retardant), na qual os fios recebem tratamento ignífugo

anteriormente a trama do tecido, que lhe confere características antichama por toda

a sua vida útil.

A energia incidente é outra propriedade importante que, leva em

consideração alguns dados como: corrente e tensão das instalações elétricas, tempo

de atuação dos sistemas de proteção, distância entre fases, tempo de duração do

arco elétrico, distancia do trabalhador ao ponto energizado, dentre outros, calcula-se

a energia incidente no trabalhador originado por acidente com presença de arco

elétrico.
 
88

Abalizado nesse cálculo adota-se a categoria de proteção da

vestimenta que se subdivide em cinco classes, conforme a tabela 11 “Classes de

Riscos Correspondentes ATPV”.

Tab. 11 - Classes de Riscos Correspondentes ATPV

Classe de APTV
Descrição da roupa
risco / Mínimo
(número total de camadas de tecido)
Categoria (cal/cm2)

Não
0 Algodão não tratado (1 camada)
aplicável

Calça e camisa ou macacão confeccionados com tecido FR


1 4
(1 camada)

Calça e camisa ou macacão confeccionados com tecido FR


2 8
(1 camada com gramatura superior a classe 1)

Roupa interna de algodão mais calça e camisa ou macacão ou calça e


3 25
capa confeccionados com tecido FR (2 camadas + tecido de algodão)

Roupa interna de algodão mais calça e camisa ou macacão ou calça e


4 40
capa confeccionados com tecido FR (3 camadas + tecido de algodão)

Fonte: Revista Miranda Junior, 2007.

Cada categoria esta ligada a um intervalo de proteção contra o arco

elétrico, na qual convencionou-se ATPV (Arc Thermal Performance Value), e é

expresso em cal/cm2. A categoria de ATPV influencia na gramatura do tecido, assim

em climas quentes como o da maioria dos estados brasileiros, é preciso levar em

consideração os aspectos ergonômicos (Miranda Junior, 2007).

Existem ainda as vestimentas para uso especifico, no caso para

manobras de disjuntores, onde há o risco de arcos elétricos seguidos de explosões,

cuja vestimenta é constituída por camisa guarda pó, capuz tipo carrasco com viseira,

e luvas isolantes, com classe de proteção ATPV 4, conforme ilustra a figura 31.

 
89

Fig. 31 – Vestimenta para manobras de disjuntores Classe APTV 4.

O uso das vestimentas FR é de suma importância para proteger os

trabalhadores dos efeitos causados pelos acidentes, principalmente com arcos

elétricos e explosões, que provocam sérias queimaduras, na figura 11 fica

evidenciado o alto índice de acidentes com arco elétrico. Diante do exposto

anteriormente pode-se concluir o porque se devem usar as vestimentas especiais

resistentes ao fogo em serviços com eletricidade:

• Porque não ignita, queima, derrete ou goteja;

• Porque possui resistência inerente a chamas;

• Porque mantém uma barreira para isolar o trabalhador da

exposição térmica;

• Porque proporciona tempo de escape;

• Porque resiste a quebras/rupturas;

• Conseqüentemente reduz queimaduras e aumenta chances de

sobrevivência.

 
90

5 RESPONSABILIDADE ACIDENTÁRIA, CIVIL E PENAL NO ACIDENTE

PESSOAL

Os acidentes pessoais decorrentes do trabalho, no caso em tela, dos

trabalhos com eletricidade, podem acarretar, além da responsabilidade

previdenciária inerente ao INSS, responsabilidades ao empregador em âmbito civil,

penal, trabalhista e administrativo.

Conforme dispõe Nascimento (2006), considera-se acidente de

trabalho “aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa,

provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou perda ou

redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho (Lei n. 8.213/91,

art. 19)”.

Diante do infortúnio laboral, a primeira medida adotada pelo

trabalhador lesado é a concessão do auxílio acidente perante o INSS, de caráter

alimentar, objetivando a mantença do enfermo diante da incapacidade para o

trabalho.

No que tange ao âmbito civil, entendia-se que se o acidente

ocorresse diante do risco inerente ao trabalho não haveria responsabilidade por

parte do empregador, de forma que este somente seria responsabilizado, quando a

causa do acidente extravasasse o simples risco normal do trabalho.

Porém, embasado no art. 7º da Constituição Federal da República, e

com o advento do novo Código Civil (Lei 10,406/2002), este entendimento mudou

significativamente ampliando e muito a responsabilidade civil por danos causados

pelo acidente de trabalho por parte do empregador.

Assim, tratando-se de responsabilidade civil por danos decorrente de

acidente de trabalho, nos termos do art. 927 do Código Civil Brasileiro, adota-se as
 
91

responsabilidades objetivas do empregador, sendo irrelevante a culpa do

empregado, cabendo apenas a demonstração da relação entre o fato e o dano

(nexo causal). O próprio o risco da atividade enseja as responsabilidades objetivas,

que no caso da eletricidade é, inquestionavelmente, uma atividade de risco.

Cumpre mencionar, que tanto as empresas contratantes quanto as

tomadoras dos serviços são solidariamente responsáveis pelos danos sofridos pelo

trabalhador em caso de acidente em trabalhos com eletricidade.

Já em âmbito penal, o art. 132 do Código Penal Brasileiro prevê o

crime de perigo, quando da exposição da vida ou saúde de outrem a perigo direto e

iminente, característica própria da eletricidade, de forma, que a negligência acerca

da prevenção de acidentes pode acarretar na responsabilização criminal.

Por fim, no âmbito administrativo, o descumprimento dos preceitos

da NR-10 acarreta para as empresas diversas autuações pelo MTE, as quais a

figura 32 ilustra:

Fig. 32 – Causa das Atuações pela Fiscalização do MTE (Fonte: Furnas, 2008)

 
92

De outro norte, existe responsabilidade também para o trabalhador,

decorrente da obrigatoriedade da utilização do EPI conforme item 10.2.9 da NR-10

associado ao art. 158, parágrafo único, b, da CLT, impondo falta grave em caso de

recusa na utilização do equipamento de proteção.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho se propôs a evidenciar se a nova redação da

NR-10, que regulamenta os procedimentos de segurança dos trabalhos realizados

com eletricidade, apresenta maior eficácia na prevenção de acidentes decorrentes

do risco elétrico.

Assim, foram abordadas premissas iniciais como o histórico das

normas regulamentadoras, conceitos gerais necessários à compreensão do tema, a

definição dos riscos existentes no setor elétrico, que motivam a necessidade de uma

constante reavaliação das medidas de segurança.

Foram, ainda, discutidos os danos oriundos do choque e do arco

elétrico, como as queimaduras, a exposição aos campos eletromagnéticos, e ônus

nos custos operacionais decorrente dos acidentes.

O tema discutido é de grande relevância uma vez que trata

diretamente da preservação da vida humana, através da busca pela melhora das

condições de trabalho, sobretudo, para a Engenharia Civil. Embora, falou-se muito

no setor elétrico, a problemática atinge diretamente a Engenharia, desde o mais

 
93

simples reparo até a mais complexa obra, tanto na fase do projeto, quanto na de

construção, e permanentemente nas manutenções que se fizerem necessárias.

Os danos decorrentes dos acidentes de trabalho com eletricidade,

além do dano a integridade física do trabalhador, refletem também prejuízos

econômicos altíssimos. Estes prejuízos derivam das horas perdidas de trabalho, dos

danos ao próprio local do acidente (empresas, obras, equipamentos), das

indenizações á vítima, ou a família em caso de óbito, e ainda, nas multas impostas

pelos órgãos de fiscalização se verificadas irregularidades.

Assim, diante destes fatos bastante motivadores à pesquisa do tema,

e por todo o exposto no corpo do trabalho, pôde-se verificar que o aumento da

complexidade dos procedimentos de segurança sugerem uma redução do número

de acidentes, uma vez que, a nova norma fixa de forma clara as condições mínimas

necessárias aos trabalhos envolvendo eletricidade.

A norma impôs a obrigatoriedade de um planejamento de segurança

para todas as fases do trabalho, explicitando regras específicas para projeto (item

10.3), construção, montagem, operação e manutenção (item 10.4), instalações

desenergizadas (item 10.5), energizadas (item 10.6), dá o conceito de alta tensão e

impõe regras peculiares e mais rigorosas (item 10.7). Intensifica a sinalização de

segurança e, ainda, prevê planejamento para situações de emergência, proteção

contra incêndios e explosões.

A norma também evoluiu no sentido de firmar exigências acerca da

capacitação dos profissionais aptos ao trabalho com eletricidade, definindo com

maior clareza as características de cada nível de capacitação, exigindo-se o

acompanhamento de profissional habilitado, bem como, da competente autorização

da empresa responsável.
 
94

Frise-se, que a ocorrência dos acidentes decorre da existência da

condição insegura associada a prática do ato inseguro, e ciente disso, após anos de

ineficácia, a NR-10, renovou-se amparando-se, principalmente, em medidas de

controle de riscos, ou seja, na ação estratégica de prevenção para eliminar ou

reduzir riscos, identificando-os, avaliando-os, e planejando-se cuidadosamente a

execução da ação repressiva à existência destes riscos.

Embora o índice de acidentes ainda seja alto, pode-se perceber

através de dados estatísticos (figuras 9 e 11), que após a alteração da NR-10, em

2004, estes números estão caindo significativamente, o que corrobora a idéia de que

a maior complexidade dos procedimentos, de fato, tende a reduzir os acidentes de

trabalho com eletricidade.

Em síntese, os acidentes não podem ser extinguidos por completo,

pois onde há ação humana, há sempre a possibilidade de erros. No entanto, a

obrigatoriedade do planejamento e da previsão de falhas, principais inovações da

NR-10, tende a reduzir erros e possíveis acidentes.

 
95

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, Aguinaldo B. de. CATELANI JR, Luiz C. Aterramento temporário: A

medida provisória usada em redes elétricas desenergizadas protege o

trabalhador. Revista Proteção, ed. 195, 2008.

ATLAS. Segurança e Medicina do Trabalho. 59 ed. São Paulo: Atlas, 2006.

BITENCOURT, Celso L.; QUELHAS, Osvaldo L. G. Histórico da Evolução dos

Conceitos de Segurança. Universidade Federal Fluminense, CTC, LATEC: Niterói,

1998.

CARVALHO, Filipa Catarina Vasconcelos Da Silva Pinto Marto. Avaliação de Risco

- Estudo comparativo entre diferentes métodos de Avaliação de Risco, em

situação real de trabalho. Dissertação elaborada com vista à obtenção do Grau de

Mestre na Especialidade de Ergonomia na Segurança no Trabalho. Universidade

Técnica de Lisboa - Faculdade de Motricidade Humana: Lisboa, 2007.

CPNSP – Comissão Tripartite Permanente de Negociação do Setor Elétrico no

Estado de São Paulo. Curso Básico de Segurança em Instalações e Serviços em

Eletricidade – Manual de Treinamento. FUNCOGE: Rio de Janeiro, 2005.

FUNCOGE – Fundação Comitê de Gestão Empresarial – Fundação COGE.

Estatística de Acidentes no Setor Elétrico Brasileiro – Relatório 2006.

Disponível em: <http://www.funcoge.org.br/csst/relat2006>. Acesso em 10 maio

2008.

 
96

FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS S.A., Superintendência de Recursos Humanos,

Departamento de Segurança e Higiene industrial. Apostila Curso Básico –

Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade. Rio de Janeiro, 2006.

FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS S.A., Superintendência de Recursos Humanos,

Departamento de Segurança e Higiene industrial. Apostila Curso Complementar –

Segurança no Sistema Elétrico de Potência (SEP) e em suas proximidades . Rio

de Janeiro, 2008.

MATTOS, Ricardo Pereira de. Aumenta a preocupação com a segurança.

Disponível em: <http://www.ricardomattos.com/> Acesso em 18 maio 2008.

MIRANDA JUNIOR, Luiz C. de. Com que roupa? Propriedades específicas nas

vestimentas garantem conforto e segurança aos eletricistas. Revista Proteção,

ed. 192, 2007.

MTE – Ministério do Trabalho e Emprego. NR-10 – Segurança em Instalações e

Serviços em eletricidade. Aprovada pela portaria nº 598, de 07 de dezembro de

2004, publicada no D.O.U. em 8 de dezembro de 2004.

NASCIMENTO, Amauri Mascaro do. Iniciação ao Direito do Trabalho. 32 ed. São

Paulo: LTr, 2006.

PEDROSO, Ricardo F. NR–10 Aplicada a Edifícios Comerciais. 2007. Trabalho de

Pós-Graduação (Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho) -

Universidade Presbiteriana Mackenzie. São Paulo, 2007.

PORTAL DA CONSTRUÇÃO. Segurança e Higiene no Trabalho – Análise de

Riscos. Desenvolvido pelo Guia Técnico O Portal da Construção. Apresenta textos

com conteúdos relacionados à área de Construção Civil. Disponível em


 
97

http://www.oportaldaconstrucao.com/guiastec/guia_tecnico_sht_volume_1.pdfl.>.

Acesso em 24 maio 2008.

PORTO, Marcelo Firpo de Souza. Análise de Riscos nos locais de trabalho:

conhecer para transformar. Instituto Nacional de Saúde do Trabalho: São Paulo,

2000.

PUIATTI, Roque. De Olho no Mundo. Revista Proteção, ed. 192, 2007.

ROSA, Eduardo Sérgio. Reflexões sobre o papel das áreas de Construção e de

RH de Furnas na redução de acidentes fatais em obras de linhas de

transmissão aéreas. Monografia (Pós-Graduação MBA em Gestão de Recursos

Humanos. Universidade Federal Fluminense: Niterói, 2007.

SILVA, Fabiana Carvalho da. Análise Da Sub-Notificaçâo De Acidentes De

Trabalho No Brasil Através De Dados Reais No Município De São Bento Do Sul.

Monografia - (submetida ao Departamento de Ciências Econômicas para obtenção

de carga horária na disciplina CNM 5420) Universidade Federal de Santa Catarina:

Florianópolis, 2004.

SOUZA, João J. B. de; Pereira, Joaquim G. NR–10 Comentada, Manual de auxilio

na interpretação e aplicação da nova NR-10. São Paulo: LTr, 2007.

TEIXEIRA, Gilberto. A Questão do Método na Investigação Científica. Disponível

em: <http://www.serprofessoruniversitario.pro.br/ler.php?modulo=21&texto=1660>.

Acesso em: 08 abr. 2008.

VIEIRA, Sebastião Ivone. Manual de Saúde e Segurança do Trabalho:

segurança, higiene e medicina do trabalho. Vol. 3. São Paulo: LTr, 2005.

 
98

WIKIPEDIA. Cronologia da Legislação de Segurança e Saúde no Trabalho no

Brasil. Disponível em:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cronologia_da_Legisla%C3%A7%C3%A3o_de_Seguran

%C3%A7a_e_Sa%C3%BAde_no_Trabalho_no_Brasil . Acesso em 06 abr 2008.

WIKIPEDIA. Gaiola de Faraday. Disponível em:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gaiola_de_Faraday. Acesso em 04 jul 2008.

ZOCCHIO, Álvaro. Prática da prevenção de acidentes: ABC da segurança do

trabalho. 6 ed. ver. e ampl. São Paulo. Atlas, 1996.

 
99

ANEXOS

 
100

ANEXO A – Norma Regulamentadora N° 10 – NR–10 – Segurança em


Instalações e Serviços em Eletricidade

 
NR – 10: Portaria n.º 598, de 07/12/2004 (D.O.U. de 08/12/2004 – Seção 1)
Ementas: Portaria n.º 126, de 03/06/2005 (D.O.U. de 06/06/2005 – Seção 1)

NORMA REGULAMENTADORA Nº 10
SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE

10.1- OBJETIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO

10.1.1 Esta Norma Regulamentadora – NR estabelece os requisitos e condições


mínimas objetivando a implementação de medidas de controle e sistemas
preventivos, de forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que, direta
ou indiretamente, interajam em instalações elétricas e serviços com eletricidade.

10.1.2 Esta NR se aplica às fases de geração, transmissão, distribuição e


consumo, incluindo as etapas de projeto, construção, montagem, operação,
manutenção das instalações elétricas e quaisquer trabalhos realizados nas suas
proximidades, observando-se as normas técnicas oficiais estabelecidas pelos órgãos
competentes e, na ausência ou omissão destas, as normas internacionais cabíveis.

10.2 - MEDIDAS DE CONTROLE

10.2.1 Em todas as intervenções em instalações elétricas devem ser adotadas


medidas preventivas de controle do risco elétrico e de outros riscos adicionais,
mediante técnicas de análise de risco, de forma a garantir a segurança e a saúde no
trabalho. (210.001-0/I=3)

10.2.2 As medidas de controle adotadas devem integrar-se às demais iniciativas


da empresa, no âmbito da preservação da segurança, da saúde e do meio ambiente
do trabalho. (210.002-9/I=1)

10.2.3 As empresas estão obrigadas a manter esquemas unifilares atualizados


das instalações elétricas dos seus estabelecimentos com as especificações do sistema
de aterramento e demais equipamentos e dispositivos de proteção. (210.003-7/I=3)

10.2.4 Os estabelecimentos com carga instalada superior a 75 kW devem


constituir e manter o Prontuário de Instalações Elétricas, contendo, além do disposto
no subitem 10.2.3, no mínimo: (210.004-5/I=4)
a) conjunto de procedimentos e instruções técnicas e administrativas de
segurança e saúde, implantadas e relacionadas a esta NR e descrição das medidas de
controle existentes; (210.005-3/I=3)
b) documentação das inspeções e medições do sistema de proteção contra
descargas atmosféricas e aterramentos elétricos; (210.006-1/I=2)
c) especificação dos equipamentos de proteção coletiva e individual e o
ferramental, aplicáveis conforme determina esta NR; (210.007-0/I=2)
d) documentação comprobatória da qualificação, habilitação, capacitação,
autorização dos trabalhadores e dos treinamentos realizados; (210.008-8/I=2)
e) resultados dos testes de isolação elétrica realizados em equipamentos de
proteção individual e coletiva; (210.009-6/I=2)
f) certificações dos equipamentos e materiais elétricos em áreas classificadas;
(210.010-0/I=3)
g) relatório técnico das inspeções atualizadas com recomendações, cronogramas
de adequações, contemplando as alíneas de “a” a “f”. (210.011-8/I=3)

10.2.5 As empresas que operam em instalações ou equipamentos integrantes do


sistema elétrico de potência devem constituir prontuário com o conteúdo do item
10.2.4 e acrescentar ao prontuário os documentos a seguir listados: (210.012-6/I=4)
a) descrição dos procedimentos para emergências; (210.013-4/I=3)
b) certificações dos equipamentos de proteção coletiva e individual; 210.014-
2/I=3)

10.2.5.1 As empresas que realizam trabalhos em proximidade do Sistema


Elétrico de Potência devem constituir prontuário contemplando as alíneas “a”, “c”,
“d” e “e”, do item 10.2.4 e alíneas “a” e “b” do item 10.2.5. (210.015-0/I=4)

10.2.6 O Prontuário de Instalações Elétricas deve ser organizado e mantido


atualizado pelo empregador ou pessoa formalmente designada pela empresa,
devendo permanecer à disposição dos trabalhadores envolvidos nas instalações e
serviços em eletricidade. (210.016-9/I=3)

10.2.7 Os documentos técnicos previstos no Prontuário de Instalações Elétricas


devem ser elaborados por profissional legalmente habilitado. (210.017-7/I=2)

10.2.8 - MEDIDAS DE PROTEÇÃO COLETIVA

10.2.8.1 Em todos os serviços executados em instalações elétricas devem ser


previstas e adotadas, prioritariamente, medidas de proteção coletiva aplicáveis,
mediante procedimentos, às atividades a serem desenvolvidas, de forma a garantir a
segurança e a saúde dos trabalhadores. (210.018-5/I=4)

10.2.8.2 As medidas de proteção coletiva compreendem, prioritariamente, a


desenergização elétrica conforme estabelece esta NR e, na sua impossibilidade, o
emprego de tensão de segurança. (210.019-3/I=3)

10.2.8.2.1 Na impossibilidade de implementação do estabelecido no subitem


10.2.8.2., devem ser utilizadas outras medidas de proteção coletiva, tais como:
isolação das partes vivas, obstáculos, barreiras, sinalização, sistema de
seccionamento automático de alimentação, bloqueio do religamento automático.
(210.020-7/I=2)

2
10.2.8.3 O aterramento das instalações elétricas deve ser executado conforme
regulamentação estabelecida pelos órgãos competentes e, na ausência desta, deve
atender às Normas Internacionais vigentes. (210.021-5/I=2)

10.2.9 - MEDIDAS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL

10.2.9.1 Nos trabalhos em instalações elétricas, quando as medidas de proteção


coletiva forem tecnicamente inviáveis ou insuficientes para controlar os riscos,
devem ser adotados equipamentos de proteção individua l específicos e adequados
às atividades desenvolvidas, em atendimento ao disposto na NR 6. (210.022-3/I=4)

10.2.9.2 As vestimentas de trabalho devem ser adequadas às atividades,


devendo contemplar a condutibilidade, inflamabilidade e influências
eletromagnéticas. (210.023-1\/I=4)

10.2.9.3 É vedado o uso de adornos pessoais nos trabalhos com instalações


elétricas ou em suas proximidades. (210.024-0/I=1)

10.3 - SEGURANÇA EM PROJETOS

10.3.1 É obrigatório que os projetos de instalações elétricas especifiquem


dispositivos de desligamento de circuitos que possuam recursos para impedimento
de reenergização, para sinalização de advertência com indicação da condição
operativa. (210.025-8/I=3)

10.3.2 O projeto elétrico, na medida do possível, deve prever a instalação de


dispositivo de seccionamento de ação simultânea, que permita a aplicação de
impedimento de reenergização do circuito. (210.026-6/I=3)

10.3.3 O projeto de instalações elétricas deve considerar o espaço seguro, quanto


ao dimensionamento e a localização de seus componentes e as influências externas,
quando da operação e da realização de serviços de construção e manutenção.
(210.027-4/I=3)

10.3.3.1 Os circuitos elétricos com finalidades diferentes, tais como:


comunicação, sinalização, controle e tração elétrica devem ser identificados e
instalados separadamente, salvo quando o desenvolvimento tecnológico permitir
compartilhamento, respeitadas as definições de projetos. (210.028-2/I=3)

10.3.4 O projeto deve definir a configuração do esquema de aterramento, a


obrigatoriedade ou não da interligação entre o condutor neutro e o de proteção e a
conexão à terra das partes condutoras não destinadas à condução da eletricidade.
(210.029-0/I=3)

3
10.3.5 Sempre que for tecnicamente viável e necessário, devem ser projetados
dispositivos de seccionamento que incorporem recursos fixos de equipotencialização
e aterramento do circuito seccionado. (210.030-4/I=1)

10.3.6 Todo projeto deve prever condições para a adoção de aterramento


temporário. (210.031-2/I=2)

10.3.7 O projeto das instalações elétricas deve ficar à disposição dos


trabalhadores autorizados, das autoridades competentes e de outras pessoas
autorizadas pela empresa e deve ser mantido atualizado. (210.032-0/I=2)

10.3.8 O projeto elétrico deve atender ao que dispõem as Normas


Regulamentadoras de Saúde e Segurança no Trabalho, as regulamentações técnicas
oficiais estabelecidas, e ser assinado por profissional legalmente habilitado. (210.033-
9/I=2)

10.3.9 O memorial descritivo do projeto deve conter, no mínim o, os seguintes


itens de segurança:
a) especificação das características relativas à proteção contra choques elétricos,
queimaduras e outros riscos adicionais; (210.034-7/I-1)
b) indicação de posição dos dispositivos de manobra dos circuitos elétricos:
(Verde – “D”, desligado e Vermelho - “L”, ligado); (210.035-5/I-1)
c) descrição do sistema de identificação de circuitos elétricos e equipamentos,
incluindo dispositivos de manobra, de controle, de proteção, de intertravamento,
dos condutores e os próprios equipamentos e estruturas, definindo como tais
indicações devem ser aplicadas fisicamente nos componentes das instalações;
(210.036-3/I-1)
d) recomendações de restrições e advertências quanto ao acesso de pessoas aos
componentes das instalações; (210.037-1/I-1)
e) precauções aplicáveis em face das influências externas; (210.038-0/I-1)
f) o princípio funcional dos dispositivos de proteção, constantes do projeto,
destinados à segurança das pessoas; (210.039-8/I-1)
g) descrição da compatibilidade dos dispositivos de proteção com a instalação
elétrica. (210.040-1/I-1)

10.3.10 Os projetos devem assegurar que as instalações proporcionem aos


trabalhadores iluminação adequada e uma posição de trabalho segura, de acordo
com a NR 17 – Ergonomia. (210.041-0/I=2)

10.4 - SEGURANÇA NA CONSTRUÇÃO, MONTAGEM, OPERAÇÃO E


MANUTENÇÃO

4
10.4.1 As instalações elétricas devem ser construídas, montadas, operadas,
reformadas, ampliadas, reparadas e inspecionadas de forma a garantir a segurança e
a saúde dos trabalhadores e dos usuários, e serem supervisionadas por profissional
autorizado, conforme dispõe esta NR. (210.042-8/I=4)

10.4.2 Nos trabalhos e nas atividades referidas devem ser adotadas medidas
preventivas destinadas ao controle dos riscos adicionais, especialmente quanto a
altura, confinamento, campos elétricos e magnéticos, explosividade, umidade,
poeira, fauna e flora e outros agravantes, adotando-se a sinalização de segurança.
(210.043-6/I=4)

10.4.3 Nos locais de trabalho só podem ser utilizados equipamentos, dispositivos


e ferramentas elétricas compatíveis com a instalação elétrica existente, preservando-
se as características de proteção, respeitadas as recomendações do fabricante e as
influências externas. (210.044-4/I=3)

10.4.3.1 Os equipamentos, dispositivos e ferramentas que possuam isolamento


elétrico devem estar adequados às tensões envolvidas, e serem inspecionados e
testados de acordo com as regulamentações existentes ou recomendações dos
fabricantes. (210.045-2/I=3)

10.4.4 As instalações elétricas devem ser mantidas em condições seguras de


funcionamento e seus sistemas de proteção devem ser inspecionados e controlados
periodicamente, de acordo com as regulamentações existentes e definições de
projetos. (210.046-0/I=3)

10.4.4.1 Os locais de serviços elétricos, compartimentos e invólucros de


equipamentos e instalações elétricas são exclusivos para essa finalidade, sendo
expressamente proibido utilizá-los para armazenamento ou guarda de quaisquer
objetos. (210.047-9/I=2)

10.4.5 Para atividades em instalações elétricas deve ser garantida ao trabalhador


iluminação adequada e uma posição de trabalho segura, de acordo com a NR 17 –
Ergonomia, de forma a permitir que ele disponha dos membros superiores livres
para a realização das tarefas. (210.048-7/I=2)

10.4.6 Os ensaios e testes elétricos laboratoriais e de campo ou comissionamento


de instalações elétricas devem atender à regulamentação estabelecida nos itens 10.6
e 10.7, e somente podem ser realizados por trabalhadores que atendam às condições
de qualificação, habilitação, capacitação e autorização estabelecidas nesta NR.
(210.049-5/I=3)

10.5 - SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DESENERGIZADAS

5
10.5.1 Somente serão consideradas desenergizadas as instalações elétricas
liberadas para trabalho, mediante os procedimentos apropriados, obedecida a
seqüência abaixo:
a) seccionamento; (210.050-9/I=2)
b) impedimento de reenergização; (210.051-7/I=2)
c) constatação da ausência de tensão; (210.052-5/I=2)
d) instalação de aterramento temporário com equipotencialização dos
condutores dos circuitos; (210.053-3/I=2)
e) proteção dos elementos energizados existentes na zona controlada (Anexo I);
(210.054-1/I=2)
f) instalação da sinalização de impedimento de reenergização. (210.055-0/I=2)

10.5.2 O estado de instalação desenergizada deve ser mantido até a autorização


para reenergização, devendo ser reenergizada respeitando a seqüência de
procedimentos abaixo: (210.056-8/I=3)
a) retirada das ferramentas, utensílios e equipamentos; (210.057-6/I=2)
b) retirada da zona controlada de todos os trabalhadores não envolvidos no
processo de reenergização; (210.058-4/I=2)
c) remoção do aterramento temporário, da equipotencialização e das proteções
adicionais; (210.059-2/I=2)
d) remoção da sinalização de impedimento de reenergização; (210.060-6/I=2)
e) destravamento, se houver, e religação dos dispositivos de seccionamento.
(210.061-4/I=2)

10.5.3 As medidas constantes das alíneas apresentadas nos itens 10.5.1 e 10.5.2
podem ser alteradas, substituídas, ampliadas ou eliminadas, em função das
peculiaridades de cada situação, por profissional legalmente habilitado, autorizado e
mediante justificativa técnica previamente formalizada, desde que seja mantido o
mesmo nível de segurança originalmente preconizado.

10.5.4 Os serviços a serem executados em instalações elétricas desligadas, mas


com possibilidade de energização, por qualquer meio ou razão, devem atender ao
que estabelece o disposto no item 10.6. (210.062-2/I=3)

10.6 - SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES ELÉTRICAS ENERGIZADAS

10.6.1 As intervenções em instalações elétricas com tensão igual ou superior a 50


Volts em corrente alternada ou superior a 120 Volts em corrente contínua somente
podem ser realizadas por trabalhadores que atendam ao que estabelece o item 10.8
desta Norma. (210.063-0/I=4)

10.6.1.1 Os trabalhadores de que trata o item anterior devem receber


treinamento de segurança para trabalhos com instalações elétricas energizadas, com

6
currículo mínimo, carga horária e demais determinações estabelecidas no Anexo II
desta NR. (210.064-9/I=4)

10.6.1.2 As operações elementares como ligar e desligar circuitos elétricos,


realizadas em baixa tensão, com materiais e equipamentos elétricos em perfeito
estado de conservação, adequados para operação, podem ser realizadas por
qualquer pessoa não advertida.

10.6.2 Os trabalhos que exigem o ingresso na zona controlada devem ser


realizados mediante procedimentos específicos respeitando as distâncias previstas
no Anexo I. (210.065-7/I=3)

10.6.3 Os serviços em instalações energizadas, ou em suas proximidades devem


ser suspensos de imediato na iminência de ocorrência que possa colocar os
trabalhadores em perigo. (210.066-5/I=2)

10.6.4 Sempre que inovações tecnológicas forem implementadas ou para a


entrada em operações de novas instalações ou equipamentos elétricos devem ser
previamente elaboradas análises de risco, desenvolvidas com circuitos
desenergizados, e respectivos procedimentos de trabalho. (210.067-3/I=3)

10.6.5 O responsável pela execução do serviço deve suspender as atividades


quando verificar situação ou condição de risc o não prevista, cuja eliminação ou
neutralização imediata não seja possível. (210.068-1/I=2)

10.7 - TRABALHOS ENVOLVENDO ALTA TENSÃO (AT)

10.7.1 Os trabalhadores que intervenham em instalações elétricas energizadas


com alta tensão, que exerçam suas atividades dentro dos limites estabelecidos como
zonas controladas e de risco, conforme Anexo I, devem atender ao disposto no item
10.8 desta NR. (210.069-0/I=4)

10.7.2 Os trabalhadores de que trata o item 10.7.1 devem receber treinamento de


segurança, específico em segurança no Sistema Elétrico de Potência (SEP) e em suas
proximidades, com currículo mínimo, carga horária e demais determinações
estabelecidas no Anexo II desta NR. (210.070-3/I=4)

10.7.3 Os serviços em instalações elétricas energizadas em AT, bem como


aqueles executados no Sistema Elétrico de Potência – SEP, não podem ser realizados
individualmente. (210.071-1/I=4)

10.7.4 Todo trabalho em instalações elétricas energizadas em AT, bem como


aquelas que interajam com o SEP, somente pode ser realizado mediante ordem de

7
serviço específica para data e local, assinada por superior responsável pela área.
(210.072-0/I=2)

10.7.5 Antes de iniciar trabalhos em circuitos energizados em AT, o superior


imediato e a equipe, responsáveis pela execução do serviço, devem realizar uma
avaliação prévia, estudar e planejar as atividades e ações a serem desenvolvidas de
forma a atender os princípios técnicos básicos e as melhores técnicas de segurança
em eletricidade aplicáveis ao serviço. (210.073-8/I=2)

10.7.6 Os serviços em instalações elétricas energizadas em AT somente podem


ser realizados quando houver procedimentos específicos, detalhados e assinados por
profissional autorizado. (210.074-6/I=3)

10.7.7 A intervenção em instalações elétricas energizadas em AT dentro dos


limites estabelecidos como zona de risco, conforme Anexo I desta NR, somente pode
ser realizada mediante a desativação, também conhecida como bloqueio, dos
conjuntos e dispositivos de religamento automático do circuito, sistema ou
equipamento. (210.075-4/I-4)

10.7.7.1 Os equipamentos e dispositivos desativados devem ser sinalizados com


identificação da condição de desativação, conforme procedimento de trabalho
específico padronizado. (210.076-2/I-4)

10.7.8 Os equipamentos, ferramentas e dispositivos isolantes ou equipados com


materiais isolantes, destinados ao trabalho em alta tensão, devem ser submetidos a
testes elétricos ou ensaios de laboratório periódicos, obedecendo-se as especificações
do fabricante, os procedimentos da empresa e na ausência desses, anualmente.
(210.077-0/I-4)

10.7.9 Todo trabalhador em instalações elétricas energizadas em AT, bem como


aqueles envolvidos em atividades no SEP devem dispor de equipamento que
permita a comunicação permanente com os demais membros da equipe ou com o
centro de operação durante a realização do serviço. (210.078-9/I-4)

10.8 - HABILITAÇÃO, QUALIFICAÇÃO, CAPACITAÇÃO E


AUTORIZAÇÃO DOS TRABALHADORES.

10.8.1 É considerado trabalhador qualificado aquele que comprovar conclusão


de curso específico na área elétrica reconhecido pelo Sistema Oficial de Ensino.

10.8.2 É considerado profissional legalmente habilitado o trabalhador


previamente qualificado e com registro no competente conselho de classe.

8
10.8.3 É considerado trabalhador capacitado aquele que atenda às seguintes
condições, simultaneamente:
a) receba capacitação sob orientação e responsabilidade de profissional
habilitado e autorizado; e
b) trabalhe sob a responsabilidade de profissional habilitado e autorizado.

10.8.3.1 A capacitação só terá va lidade para a empresa que o capacitou e nas


condições estabelecidas pelo profissional habilitado e autorizado responsável pela
capacitação.

10.8.4 São considerados autorizados os trabalhadores qualificados ou


capacitados e os profissionais habilitados, com anuência formal da empresa.

10.8.5 A empresa deve estabelecer sistema de identificação que permita a


qualquer tempo conhecer a abrangência da autorização de cada trabalhador,
conforme o item 10.8.4. (210.079-7/I=1)

10.8.6 Os trabalhadores autorizados a trabalhar em instalações elétricas devem


ter essa condição consignada no sistema de registro de empregado da empresa.
(210.080-0/I=1)

10.8.7 Os trabalhadores autorizados a intervir em instalações elétricas devem ser


submetidos à exame de saúde compatível com as atividades a serem desenvolvidas,
realizado em conformidade com a NR 7 e registrado em seu prontuário médico.
(210.081-9/I=3)

10.8.8 Os trabalhadores autorizados a intervir em instalações elétricas devem


possuir treinamento específico sobre os riscos decorrentes do emprego da energia
elétrica e as principais medidas de prevenção de acidentes em instalações elétricas,
de acordo com o estabelecido no Anexo II desta NR. (210.082-7/I=4)

10.8.8.1 A empresa concederá autorização na forma desta NR aos trabalhadores


capacitados ou qualificados e aos profissionais habilitados que tenham participado
com avaliação e aproveitamento satisfatórios dos cursos constantes do ANEXO II
desta NR. (210.083-5/I=4)

10.8.8.2 Deve ser realizado um treinamento de reciclagem bienal e sempre que


ocorrer alguma das situações a seguir: (210.084-3/I=2)
a) troca de função ou mudança de empresa; (210.085-1/I=2)
b) retorno de afastamento ao trabalho ou inatividade, por período superior a três
meses; (210.086-0/I=2)
c) modificações significativas nas instalações elétricas ou troca de métodos,
processos e organização do trabalho. (210.087-8/I=2)

9
10.8.8.3 A carga horária e o conteúdo programático dos treinamentos de
reciclagem destinados ao atendimento das alíneas “a”, “b” e “c” do item 10.8.8.2
devem atender as necessidades da situação que o motivou. (210.088-6/I=1)

10.8.8.4 Os trabalhos em áreas classificadas devem ser precedidos de


treinamento especifico de acordo com risco envolvido. (210.089-4/I=3)

10.8.9 Os trabalhadores com atividades não relacionadas às instalações elétricas


desenvolvidas em zona livre e na vizinhança da zona controlada, conforme define
esta NR, devem ser instruídos formalmente com conhecimentos que permitam
identificar e avaliar seus possíveis riscos e adotar as precauções cabíveis. (210.090-
8/I=2)

10.9 - PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO E EXPLOSÃO

10.9.1 As áreas onde houver instalações ou equipamentos elétricos devem ser


dotadas de proteção contra incêndio e explosão, conforme dispõe a NR 23 – Proteção
Contra Incêndios. (210.091-6/I=3)

10.9.2 Os materiais, peças, dispositivos, equipamentos e sistemas destinados à


aplicação em instalações elétricas de ambientes com atmosferas potencialmente
explosivas devem ser avaliados quanto à sua conformidade, no âmbito do Sistema
Brasileiro de Certificação. (210.092-4/I=2)

10.9.3 Os processos ou equipamentos susceptíveis de gerar ou acumular


eletricidade estática devem dispor de proteção específica e dispositivos de descarga
elétrica. (210.093-2/I=2)

10.9.4 Nas instalações elétricas de áreas classificadas ou sujeitas a risco


acentuado de incêndio ou explosões, devem ser adotados dispositivos de proteção,
como alarme e seccionamento automático para prevenir sobretensões,
sobrecorrentes, falhas de isolamento, aquecimentos ou outras condições anormais de
operação. (210.094-0/I=3)

10.9.5 Os serviços em instalações elétricas nas áreas classificadas somente


poderão ser realizados mediante permissão para o trabalho com liberação
formalizada, conforme estabelece o item 10.5 ou supressão do agente de risco que
determina a classificação da área. (210.095-9/I=4)

10.10 - SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA

10.10.1 Nas instalações e serviços em eletricidade deve ser adotada sinalização


adequada de segurança, destinada à advertência e à identificação, obedecendo ao

10
disposto na NR-26 – Sinalização de Segurança, de forma a atender, dentre outras, as
situações a seguir: (210.096-7/I=3)
a) identificação de circuitos elétricos; (210.097-5/I=2)
b) travamentos e bloqueios de dispositivos e sistemas de manobra e comandos;
(210.098-3/I=2)
c) restrições e impedimentos de acesso; (210.099-1/I=2)
d) delimitações de áreas; (210.100-9/I=2)
e) sinalização de áreas de circulação, de vias públicas, de veículos e de
movimentação de cargas; (210.101-7/I=2)
f) sinalização de impedimento de energização; (210.102-5/I=2)
g) identificação de equipamento ou circuito impedido. (210.103-3/I=2)

10.11 - PROCEDIMENTOS DE TRABALHO

10.11.1 Os serviços em instalações elétricas devem ser planejados e realizados


em conformidade com procedimentos de trabalho específicos, padronizados, com
descrição detalhada de cada tarefa, passo a passo, assinados por profissional que
atenda ao que estabelece o item 10.8 desta NR. (210.104-1/I=3)

10.11.2 Os serviços em instalações elétricas devem ser precedidos de ordens de


serviço especificas, aprovadas por trabalhador autorizado, contendo, no mínimo, o
tipo, a data, o local e as referências aos procedimentos de trabalho a serem adotados.
(210.105-0/I=2)

10.11.3 Os procedimentos de trabalho devem conter, no mínimo, objetivo,


campo de aplicação, base técnica, competências e responsabilidades, disposições
gerais, medidas de controle e orientações finais. (210.106-8/I=2)

10.11.4 Os procedimentos de trabalho, o treinamento de segurança e saúde e a


autorização de que trata o item 10.8 devem ter a participação em todo processo de
desenvolvimento do Serviço Especializado de Engenharia de Segurança e Medicina
do Trabalho - SESMT, quando houver. (210.107-6/I=2)

10.11.5 A autorização referida no item 10.8 deve estar em conformidade com o


treinamento ministrado, previsto no Anexo II desta NR. (210.108-4/I=3)

10.11.6 Toda equipe deverá ter um de seus trabalhadores indicado e em


condições de exercer a supervisão e condução dos trabalhos. (210.109-2/I=2)

10.11.7 Antes de iniciar trabalhos em equipe os seus membros, em conjunto com


o responsável pela execução do serviço, devem realizar uma avaliação prévia,
estudar e planejar as atividades e ações a serem desenvolvidas no local, de forma a
atender os princípios técnicos básicos e as melhores técnicas de segurança aplicáveis
ao serviço. (210.110-6/I=2)

11
10.11.8 A alternância de atividades deve considerar a análise de riscos das
tarefas e a competência dos trabalhadores envolvidos, de forma a garantir a
segurança e a saúde no trabalho. (210.111-4/I=2)

10.12 - SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA

10.12.1 As ações de emergência que envolvam as instalações ou serviços com


eletricidade devem constar do plano de emergência da empresa. (210.112-2/I=3)

10.12.2 Os trabalhadores autorizados devem estar aptos a executar o resgate e


prestar primeiros socorros a acidentados, especialmente por meio de reanimação
cardio-respiratória. (210.113-0/I=3)

10.12.3 A empresa deve possuir métodos de resgate padronizados e adequados


às suas atividades, disponibilizando os meios para a sua aplicação. (210.114-9/I=3)

10.12.4 Os trabalhadores autorizados devem estar aptos a manusear e operar


equipamentos de prevenção e combate a incêndio existentes nas instalações
elétricas. (210.115-7/I=3)

10.13 - RESPONSABILIDADES

10.13.1 As responsabilidades quanto ao cumprimento desta NR são solidárias


aos contratantes e contratados envolvidos.

10.13.2 É de responsabilidade dos contratantes manter os trabalhadores


informados sobre os riscos a que estão expostos, instruindo-os quanto aos
procedimentos e medidas de controle contra os riscos elétricos a serem adotados.
(210.116-5/I=3)

10.13.3 Cabe à empresa, na ocorrência de acidentes de trabalho envolvendo


instalações e serviços em eletricidade, propor e adotar medidas preventivas e
corretivas. (210.117-3/I=4)

10.13.4 Cabe aos trabalhadores:


a) zelar pela sua segurança e saúde e a de outras pessoas que possam ser
afetadas por suas ações ou omissões no trabalho;
b) responsabilizar-se junto com a empresa pelo cumprimento das disposições
legais e regulamentares, inclusive quanto aos procedimentos internos de segurança
e saúde; e
c) comunicar, de imediato, ao responsável pela execução do serviço as situações
que considerar de risco para sua segurança e saúde e a de outras pessoas.

12
10.14 - DISPOSIÇÕES FINAIS

10.14.1 Os trabalhadores devem interromper suas tarefas exercendo o direito de


recusa, sempre que constatarem evidências de riscos graves e iminentes para sua
segurança e saúde ou a de outras pessoas, comunicando imediatamente o fato a seu
superior hierárquico, que diligenciará as medidas cabíveis. (210.118-1/I=4)

10.14.2 As empresas devem promover ações de controle de riscos originados por


outrem em suas instalações elétricas e oferecer, de imediato, quando cabível,
denúncia aos órgãos competentes. (210.119-0/I=2)

10.14.3 Na ocorrência do não cumprimento das normas constantes nesta NR, o


MTE adotará as providências estabelecidas na NR 3.

10.14.4 A documentação prevista nesta NR deve estar permanentemente à


disposição dos trabalhadores que atuam em serviços e instalações elétricas,
respeitadas as abrangências, limitações e interferências nas tarefas. (210.120-3/I=2)

10.14.5 A documentação prevista nesta NR deve estar, permanentemente, à


disposição das autoridades competentes. (210.121-1/I=2)

10.14.6 Esta NR não é aplicável a instalações elétricas alimentadas por extra-


baixa tensão.

GLOSSÁRIO

1. Alta Tensão (AT): tensão superior a 1000 volts em corrente alternada ou 1500
volts em corrente contínua, entre fases ou entre fase e terra.

2. Área Classificada: local com potencialidade de ocorrência de atmosfera explosiva.

3. Aterramento Elétrico Temporário: ligação elétrica efetiva confiável e adequada


intencional à terra, destinada a garantir a equipotencialidade e mantida
continuamente durante a intervenção na instalação elétrica.

4. Atmosfera Explosiva: mistura com o ar, sob condições atmosféricas, de


substâncias inflamáveis na forma de gás, vapor, névoa, poeira ou fibras, na qual
após a ignição a combustão se propaga.

5. Baixa Tensão (BT): tensão superior a 50 volts em corrente alternada ou 120 volts
em corrente contínua e igual ou inferior a 1000 volts em corrente alternada ou 1500
volts em corrente contínua, entre fases ou entre fase e terra.

13
6. Barreira: dispositivo que impede qualquer contato com partes energizadas das
instalações elétricas.

7. Direito de Recusa: instrumento que assegura ao trabalhador a interrupção de


uma atividade de trabalho por considerar que ela envolve grave e iminente risco
para sua segurança e saúde ou de outras pessoas.

8. Equipamento de Proteção Coletiva (EPC): dispositivo, sistema, ou meio, fixo ou


móvel de abrangência coletiva, destinado a preservar a integridade física e a saúde
dos trabalhadores, usuários e terceiros.

9. Equipamento Segregado: equipamento tornado inacessível por meio de invólucro


ou barreira.

10. Extra-Baixa Tensão (EBT): tensão não superior a 50 volts em corrente alternada
ou 120 volts em corrente contínua, entre fases ou entre fase e terra.

11. Influências Externas: variáveis que devem ser consideradas na definição e


seleção de medidas de proteção para segurança das pessoas e desempenho dos
componentes da instalação.

12. Instalação Elétrica: conjunto das partes elétricas e não elétricas associadas e com
características coordenadas entre si, que são necessárias ao funcionamento de uma
parte determinada de um sistema elétrico.

13. Instalação Liberada para Serviços (BT/AT): aquela que garanta as condições de
segurança ao trabalhador por meio de procedimentos e equipamentos adequados
desde o início até o final dos trabalhos e liberação para uso.

14. Impedimento de Reenergização: condição que garante a não energização do


circuito através de recursos e procedimentos apropriados, sob controle dos
trabalhadores envolvidos nos serviços.

15. Invólucro: envoltório de partes energizadas destinado a impedir qualquer


contato com partes internas.

16. Isolamento Elétrico: processo destinado a impedir a passagem de corrente


elétrica, por interposição de materiais isolantes.

17. Obstáculo: elemento que impede o contato acidental, mas não impede o contato
direto por ação deliberada.

18. Perigo: situação ou condição de risco com probabilidade de causar lesão física ou
dano à saúde das pessoas por ausência de medidas de controle.

14
19. Pessoa Advertida: pessoa informada ou com conhecimento suficiente para evitar
os perigos da eletricidade.

20. Procedimento: seqüência de operações a serem desenvolvidas para realização de


um determinado trabalho, com a inclusão dos meios materiais e humanos, medidas
de segurança e circunstâncias que impossibilitem sua realização.

21. Prontuário: sistema organizado de forma a conter uma mem ória dinâmica de
informações pertinentes às instalações e aos trabalhadores.

22. Risco: capacidade de uma grandeza com potencial para causar lesões ou danos à
saúde das pessoas.

23. Riscos Adicionais: todos os demais grupos ou fatores de risco, além dos
elétricos, específicos de cada ambiente ou processos de Trabalho que, direta ou
indiretamente, possam afetar a segurança e a saúde no trabalho.

24. Sinalização: procedimento padronizado destinado a orientar, alertar, avisar e


advertir.

25. Sistema Elétrico: circuito ou circuitos elétricos inter-relacionados destinados a


atingir um determinado objetivo.

26. Sistema Elétrico de Potência (SEP): conjunto das instalações e equipamentos


destinados à geração, transmissão e distribuição de energia elétrica até a medição,
inclusive.

27. Tensão de Segurança: extra baixa tensão originada em uma fonte de segurança.

28. Trabalho em Proximidade: trabalho durante o qual o trabalhador pode entrar na


zona controlada, ainda que seja com uma parte do seu corpo ou com extensões
condutoras, representadas por materiais, ferramentas ou equipamentos que
manipule.

29. Travamento: ação destinada a manter, por meios mecânicos, um dispositivo de


manobra fixo numa determinada posição, de forma a impedir uma operação não
autorizada.

30. Zona de Risco: entorno de parte condutora energizada, não segregada, acessível
inclusive acidentalmente, de dimensões estabelecidas de acordo com o nível de
tensão, cuja aproximação só é permitida a profissionais autorizados e com a adoção
de técnicas e instrumentos apropriados de trabalho.

15
31. Zona Controlada: entorno de parte condutora energizada, não segregada,
acessível, de dimensões estabelecidas de acordo com o nível de tensão, cuja
aproximação só é permitida a profissionais autorizados.

16
ANEXO II

ZONA DE RISCO E ZONA CONTROLADA

Tabela de raios de delimitação de zonas de risco, controlada e livre.

Faixa de Rr - Raio de Rc - Raio de


tensão delimitação delimitação
Nominal da entre zona entre zona
instalação de risco e controlada e
elétrica em controlada livre em
kV em metros metros
<1 0,20 0,70
≥1 e <3 0,22 1,22
≥3 e <6 0,25 1,25
≥6 e <10 0,35 1,35
≥10 e <15 0,38 1,38
≥15 e <20 0,40 1,40
≥20 e <30 0,56 1,56
≥30 e <36 0,58 1,58
≥36 e <45 0,63 1,63
≥45 e <60 0,83 1,83
≥60 e <70 0,90 1,90
≥70 e <110 1,00 2,00
≥110 e <132 1,10 3,10
≥132 e <150 1,20 3,20
≥150 e <220 1,60 3,60
≥220 e <275 1,80 3,80
≥275 e <380 2,50 4,50
≥380 e <480 3,20 5,20
≥480 e <700 5,20 7,20

17
Figura 1 - Distâncias no ar que delimitam radialmente as zonas de risco, controlada e
livre
ZL

Rc
ZCP

ZR

PE
Rr

Figura 2 - Distâncias no ar que delimitam radialmente as zonas de risco, controlada e


livre, com interposição de superfície de separação física adequada.

ZL

Rc
ZC
ZL

ZR

PE
Rr

SI

ZL = Zona livre
ZC = Zona controlada, restrita a trabalhadores autorizados.
ZR = Zona de risco, restrita a trabalhadores autorizados e com a adoção de técnicas,
instrumentos e equipamentos apropriados ao trabalho.
PE = Ponto da instalação energizado.
SI = Superfície isolante construída com material resistente e dotada de todos
dispositivos de segurança.
ANEXO III

18
TREINAMENTO

1. CURSO BÁSICO – SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS COM


ELETRICIDADE

I - Para os trabalhadores autorizados: carga horária mínima – 40h:

Programação Mínima:
1. introdução à segurança com eletricidade.

2. riscos em instalações e serviços com eletricidade:


a) o choque elétrico, mecanismos e efeitos;
b) arcos elétricos; queimaduras e quedas;
c) campos eletromagnéticos.

3. Técnicas de Análise de Risco.

4. Medidas de Controle do Risco Elétrico:


a) desenergização.
b) aterramento funcional (TN / TT / IT); de proteção; temporário;
c) equipotencialização;
d) seccionamento automático da alimentação;
e) dispositivos a corrente de fuga;
f) extra baixa tensão;
g) barreiras e invólucros;
h) bloqueios e impedimentos;
i) obstáculos e anteparos;
j) isolamento das partes vivas;
k) isolação dupla ou reforçada;
l) colocação fora de alcance;
m) separação elétrica.

5. Normas Técnicas Brasileiras – NBR da ABNT: NBR-5410, NBR 14039 e outras;

6) Regulamentações do MTE:
a) NRs;
b) NR-10 (Segurança em Instalações e Serviços com Eletricidade);
c) qualificação; habilitação; capacitação e autorização.

7. Equipamentos de proteção coletiva.

8. Equipamentos de proteção individual.

9. Rotinas de trabalho – Procedimentos.

19
a) instalações desenergizadas;
b) liberação para serviços;
c) sinalização;
d) inspeções de áreas, serviços, ferramental e equipamento;

10. Documentação de instalações elétricas.

11. Riscos adicionais:


a) altura;
b) ambientes confinados;
c) áreas classificadas;
d) umidade;
e) condições atmosféricas.

12. Proteção e combate a incêndios:


a) noções básicas;
b) medidas preventivas;
c) métodos de extinção;
d) prática;

13. Acidentes de origem elétrica:


a) causas diretas e indiretas;
b) discussão de casos;

14. Primeiros socorros:


a) noções sobre lesões;
b) priorização do atendimento;
c) aplicação de respiração artificial;
d) massagem cardíaca;
e) técnicas para remoção e transporte de acidentados;
f) práticas.

15. Responsabilidades.

2. CURSO COMPLEMENTAR – SEGURANÇA NO SISTEMA ELÉTRICO DE


POTÊNCIA (SEP) E EM SUAS PROXIMIDADES.

É pré-requisito para freqüentar este curso complementar, ter participado, com


aproveitamento satisfatório, do curso básico definido anteriormente.

Carga horária mínima – 40h

(*) Estes tópicos deverão ser desenvolvidos e dirigidos especificamente para as


condições de trabalho características de cada ramo, padrão de operação, de nível de

20
tensão e de outras peculiaridades específicas ao tipo ou condição especial de
atividade, sendo obedecida a hierarquia no aperfeiçoamento técnico do trabalhador.

I - Programação Mínima:

1. Organização do Sistema Elétrico de Potencia – SEP.

2. Organização do trabalho:
a) programação e planejamento dos serviços;
b) trabalho em equipe;
c) prontuário e cadastro das instalações;
d) métodos de trabalho; e
e) comunicação.

3. Aspectos comportamentais.

4. Condições impeditivas para serviços.

5. Riscos típicos no SEP e sua prevenção (*):


a) proximidade e contatos com partes energizadas;
b) indução;
c) descargas atmosféricas;
d) estática;
e) campos elétricos e magnéticos;
f) comunicação e identificação; e
g) trabalhos em altura, máquinas e equipamentos especiais.

6. Técnicas de análise de Risco no S E P (*)

7. Procedimentos de trabalho – análise e discussão. (*)

8. Técnicas de trabalho sob tensão: (*)


a) em linha viva;
b) ao potencial;
c) em áreas internas;
d) trabalho a distância;
e) trabalhos noturnos; e
f) ambientes subterrâneos.

9. Equipamentos e ferramentas de trabalho (escolha, uso, conservação, verificação,


ensaios) (*).

10. Sistemas de proteção coletiva (*).

21
11. Equipamentos de proteção individual (*).

12. Posturas e vestuários de trabalho (*).

13. Segurança com veículos e transporte de pessoas, materiais e equipamentos(*).

14. Sinalização e isolamento de áreas de trabalho(*).

15. Liberação de instalação para serviço e para operação e uso (*).


16. Treinamento em técnicas de remoção, atendimento, transporte de acidentados
(*).

17. Acidentes típicos (*) – Análise, discussão, medidas de proteção.

18. Responsabilidades (*).

22
101

ANEXO B – Modelo de Análise Preliminar de Risco – APR

 
ANÁLISE PRELIMINAR DE RISCOS
FURNAS Departamento de Segurança e Higiene Industrial- DSH.G
CENTRAIS ELÉTRICAS SA

1. Atividade
INSPEÇÃO NA SUBESTAÇÃO

2. Local da atividade 3. Supervisor / Encarregado 4. Matrícula 5. APR 6. Período de execução


SUBESTAÇÃO GERAL
7. Documento 8. Operador 9. Matrícula Operador 10. Data de registro da APR

11. Equipe de trabalho


Nome Assinatura Nome Assinatuta Nome Assinatura

12. Tabela Padrão de Riscos

X 12.1. Ruído 12.9. Fumos metálicos (solda) X 12.16. Choque elétrico X 12.24. Animais / insetos 12.32. Sinalização / Delimitação

X 12.2. Vibração 12.10. Asfixia X 12.17. Retorno de tensão X 12.25. Explosão 12.33. Ferramentas e dispositivos inadequados

X 12.3. Radiação ionizante 12.11. Intoxicação (especificar) X 12.18. Indução elétrica X 12.26. Incêndio X 12.34. Operação de Máquinas e equipamentos

12.4. Radiação não ionizante X 12.19. Circuitos energizados X 12.27. Iluminação inadequada X 12.35. Movimentação Máquinas, materiais e veículos

X 12.5. Calor 12.12. Agentes biológicos X 12.20. Religamento Indevido X 12.28. Falha de comunicação Outros (especificar):

X 12.6. Frio X 12.13. Descargas Atmosféricas X 12.21. Manobra acidental 12.29. Afogamento 12.36.

X 12.7. Umidade 12.14. Fadiga X 12.22. Queda de objetos 12.30. Local confinado 12.37.

X 12.8. Produtos químicos 12.15. Local de difícil acesso 12.23. Trabalho Altura X 12.31. Projeção de materiais 12.38.

13. Etapas / operações 14. Riscos 15. Medidas a serem adotadas para controle dos riscos

12.1 - 12.2 - 12.3 - 12. 5 - 12.6 - 12.7 -


1 - Inspeção Visual em equipamento 12.8 - 12. 13 - 12.16 - 12.18 - 12.19 -
energizados e acesso a áreas Uso de EPI's - Capacete - Bota - Abafador - Óculos escuros - Rádio Hand-Com - Luvas de Borracha -
energizadas 12.22 - 12.24 - 12.25 - 12.26 - 12.27 -
12.28 - 12.31 - 12.34 - 12.35
2 - Partida das Moto Bombas e 12.1 - 12. 2 - 12.5 - 12.7 - 12.8 - 12.16 -
Uso de EPI's - Capacete - Bota - Abafador - Óculos escuros - Rádio hand-com.
Geradores Diesel. 12.19 - 12.21 - 12.24 - 12.25 - 12.26

3 - Revezamento de Bombas de Ar
condicionado e Bombas do Sistema 12.1 - 12. 2 - 12.7 - 12.8 - 12.16 - 12.19 -
Uso de EPI's - Capacete - Bota - Abafador - Óculos escuros - Rádio hand-com.
Primário e Secundário de Reposição 12. 21 - 12.24 -
de Água.
16 - Recomendações Complementares

INSTRUÇÃO PARA INÍCIO DA ATIVIDADE


Campo 1 - Descrever suscintamente a atividade a ser desenvolvida.
Campo 2 - Informar o local exato onde será desenvolvida a atividade.
Campo 3 - Informar o nome do supervisor / encarregado responsável para acompanhamento da atividade durante o período de execução.
Campo 4 - Informar matrícula do supervisor / encarregado do campo 3.
Campo 5 - Apor número sequencial de controle de emissão de APR, que deverá seguir o formato: Órgão/Número/Ano. (Exemplo: XXX.X/006/2005).
Campo 6 - Informar o período de execução da atividade, podendo ser expresso em horas, dias, semanas ou meses.
Campo 7 - Apor numeração do documento oficial emitido pelo Setor de Operação, fornecido ao supervisor/encarregado indicado no campo 3, somente após o preenchimento desta APR. Este número é o
identificador de liberação para o início das atividades. (Uso exclusivo pelo Setor de Operação).
Campo 8 - Informar o nome do operador responsável pela abertura do documento formal. (Uso exclusivo pelo Setor de Operação).
Campo 9 - Informar matrícula do operador indicado no campo 8. (Uso exclusivo pelo Setor de Operação).
Campo 10 - Informar data em que a APR foi registrada pelo Setor de Operação.
Campo 11 - Informar o nome, matrícula e assinatura de todos os empregados envolvidos na execução da atividade descrita no campo 1.
NOTA: TODOS DEVERÃO ASSINAR SOMENTE APÓS ESTAREM CIENTES DE TODOS OS RISCOS EXISTENTES DURANTE A ATIVIDADE. CASO NÃO CONCORDE COM A ANÁLISE, SOLICITAR
ALTERAÇÃO JUNTO AO SUPERVISOR INDICADO NO CAMPO 3.
Campo 12 - Assinalar os riscos que podem existir na atividade a executar, dentre os constantes na tabela, marcando com "X" os campos correspondentes. Aqueles riscos que não se encontram nesta tabela
deverão ser especificados nos campos 12.36, 12.37, 12.38
Campo 13 - Identificar cada etapa a ser desenvolvida dentro da atividade descrita na atividade do campo 1.
Campo 14 - Indicar neste campo os numeros correspondentes aos riscos constantes na tabela a que o empregado poderá ficar exposto .
Campo 15 - Descrever as medidas e ações que deverão ser adotadas antes e durante a execução da atividade com a finalidade de neutralizar ou minimizar o risco identificado.
Campo 16 - Destinado a continuação do campo 14 e/ou descrever as recomendações que forem surgindo ao longo do desenvolvimento da APR
OBSERVAÇÕES
a) Esta planilha será de preenchimento obrigatório para todas as atividades de risco.
b) Deverá ser comunicada previamente a todos os componentes da equipe que executarão a atividade descrita neste documento.
c) A atividade somente poderá ser iniciada após o Setor de Operação registrar nesta APR o número do documento do campo 7.
d) A APR será preenchida na fase de planejamento da atividade, sob responsabilidade do Encarregado do Serviço, devendo ser complementada no local de execução com a participação de todos os envolvidos no
serviço por meio de Diálogo de Segurança. O Setor de Operação deverá ser informado quanto as modificações efetuadas na APR original.
e) Esta APR deve ser refeita no mínimo diariamente, observando os riscos existentes no local de execução da atividade, sendo válida somente para aquela data.
102

ANEXO C – Modelo de Auditoria de Instalações Elétricas e Serviços com


Eletricidade