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Sandra da Costa Mattos

Sandra da Costa Mattos ; LIJ!ROBAS/CO "' OOSOGAS

;

LIJ!ROBAS/CO

"'

OOSOGAS

Sandra da Costa Mattos ; LIJ!ROBAS/CO "' OOSOGAS

o LIVRO BÁSICO DOS ÜGÃS

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

(Câtnara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Mattos, Sandro da Costa O livro b8sico dos Ogãs I Sanch-o da Costa Mattns. - São Pau lo : lcone , 2005.

/

Bibliografia.

ISBN 85~ 274~0 840 ~6

1. At abaque 2. In s trurnentos music ais , A spect os re ligiosos 3. Ogãs (Um b<:1nda) 4. Religiosidade

S. Urnband a (Culto) 1. Título .

, A spect os re ligiosos 3. Ogãs (Um b<:1nda) 4. Religiosidade S. Urnband a (Culto)

C DD~29 9.6 72

~

lndices para catálogo sisten1ático:

I. Ogãs : C erimônias litCtrgicns : Umbanda :

religião

299.672

Sandra da Costa Mattos

o LIVRO B ÁSICO DOS ÜG ÃS

~

I cone

e di tora

©

Copyright 2005.

Ícone Edi tora LtdCl.

Ilustração Capa

Sanclro da Costa Mattos

Capa

lv1e1ian e Moraes

Diagramação

Andréa Magalhães da Silva

Revisão gramatical e lingüística Silvio Ferreira da Costa Mattos

Revisão R os;,l M;-uia Cury

Cardoso

Proibida a reprodução rotai o u parcial desta o bra, de qualqu er f'órma ou meio eletrônico, mecâ nico , inclusive através de processos xerográficos,

sem penniss8o expressa do editor

( L eL 9.610/98) .

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editora(fi'!edi to r él icone. com .b r

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Agradecitnentos

o

Criador do Universo e o Gerador da V~da. A Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai Oxalá - Mestre Maior da Umbanda. Ao meu Orixá, Senhor Obaluaê, com respeito e ad1niração. Ao Caboclo Ubatuba, Mentor Espiritual da APEU,

p e las m ensagen s de amor e qu e nos ensinam a cmninhar na trilha da evoluç8.o espiritual.

Acima de tudo, a Deus (Zambi, Tupã, Olorum

),

À Cabocla Ind irn, peb doçura e afeto.

Ao Caboclo Boiadciro da Jurema, Entidade respons8vel pelos Ogãs da casa, que sempre n os traz novos conhecin1entos sobre a força dos instrumentos sagrados e da magia umbandista. Ao me u padrinho espiritual, o Preto~Velho de Xangô:

P8i Sete Quedas da Cachoeira.

Aos Exus de Lei, em especial ao Exu das Sete Portas e ao Exu dH lv1a r é, pela guarda e proteção. E a todos os Orix<1s, Guias e Protetores que atuam. nas Linhe1s de Umbm1da.

Meu sincero Saravá! O autor

Dedico esta obra

À nlinha espos;:t, Viviane Schiavino da C osta Ma ctos,

pelo amor c con1panheirismo . A os meus p ais e dirigente s espirituais da APEU: S ilvio Ferreir<:1 da Costa Matt:os c Cleide Cunh a da C osta M attos, pelo carinho, educação e incen tivo, e ainda por terem mostra -

elo desd e '' minh n tenr<1 ida de a iln port ânci a en1 s eguir um

can ünh o rel i g i oso p~1ra ê\ pnític a da fé e d a carid ad e. Ao meu "Pai-de-Couro", hoje dirigente do Templo de

U rnband a Branca do C a boclo G irassol, Dcrmeval Marques Saturnino.

A os Ü g;1s ela A PEU: Cristiano M. Roch <.l, S idn ey C .

Mattos 1 Rogério d a Silv<l, Wi llian da Silva, \'{!anderlci Cun ha, Luis Marcelo G . Nascimento e André Luis G. N ascimetHo.

À mi nh8 avó , Car mé lia D ec orni C u nha, a Adag ?i da

cnsa, sernpre fiel 8 U

mb a nda, se r vindo d e exemplo aos rnais

JOVens. A o Ü g8-0b <í de Ox alc1: He vanir de So uza Ma ttos,

.~rande Ta ta de Umba nda da cidade do Rio de Jane iro e pa-

trono el a APEU.

A o me u av t > e d o utri n ado r, Fr a nc isc o P. R . Co n ce

i ç ã o,

pelas palavras d e elevação espiritual.

Ao s tne us irnü 'tos d e

da

AP E U -

Pes q uisas Espirituais Ub Ci tub a.

As so c ia çã o d e

A t o do s os Ogã s , os qu ~is ti ve o pra ze r de a cotnp a n har

en1 um toque ou ponto cantado.

E a todo o povo urnbandista.

Qu e Oxalá os ilurninc!

Axé!

Prefácio, 11

/

Indice

A m.úsica e a religiosida de, 15

Tambores, 17 Religiõe s afro~bras ile iras que u tiliz a m tan1bore s, 21

O atabaque, 27

Instrumentos auxiliares, 31

Os Ogãs, 33

Títulos e cargos dos Ogãs, 35

Outras denominações dos Ogãs, encontradas n ::ts diversas N ações Africanas, 39

O Og ã e s ua mediunidade, 41

Iniciação do Ogi'i, 45

Comportamento e disciplina, 49

Saudações aos Orixás c Unhas, 53

S<1udaçõ es es peciai s, 55

Pon tos cantados, 57 Tc)ques c ri tmos, 63 Cobertura dos atabaques, 67

Obrigações ritualísticas, 69 Firmeza dos atabaques, 71 Cruzamento do couro, 73 Energizaçfto, 75 Ali1nentar os atabaqucs, 77 Descarregar o couro, 79

Troca ele couro, 81

Trabalhos junto

~l natureza, 83

Guias e cobres, 87

Demanda cn tre

Paga de Ügft, 91 Mulheres nos atabaques, 93

Casos verídicos, 95

O Hino da UmbandC~, 107

Ogfts, 89

Letras de pontos cantados, 109 Regulamento dos Ogã.s (modelo), 123 Manutencão dos instrumentos, 125

de história, 12 7

Um pouco

Monte seu próprio instrumento, 129

Epílogo, 133 Referências Bibliográficas, 135

10

~

Prefácio

Foi com imensa alegria que recebi do autor desta obra in titulada- O liv ro bc.ísico dos Ogãs - , coincide ntem ente, meu filho, a incumbência de prefaciar este que é seu prin1ciro

trabalho literário, particularmente de cunho religioso, no qual bu sca passar ao leitor u1n pouco da experiê ncia re unida ao longo d os se us vinte a n os no cargo de Ogã, c uj a evol ução n o aprendizado c no aperfeiçoamento lhe permitiu galgar os postos hierárquicos dessa representação sacerdotal, pautado no comprometimento corn a hmnildade, com a seriedade e a fé, até ati ngir os patamares que o levaram à posição de A labê. D esde m uito cedo, tivemos a surpreenden te e gratifi; cant e sa tisf~1ção de tes temunh ar o d es pert ar de s uas habili ; dadcs para lidar com instrumentos de percussão. Sabíamos qu e se tn1tava de urn8 dádiva do Criador, que lhe p ermitiu vir ao mundo dotado de tão maravilhosa medíunidadc. Seu t rein 8men to ini ci al aconte ce u sobre uma a ntig rt pen teadeira que compunha os móveis de nosso quarto. Ali,

cu e 1ninha es posa, pasmo s, presenciáv amo s sua

f(;rça de vo ntade ao vê;lo repetir incontáveis vezes as seqüên~

dedic aç ão e

11

cias dos toques, procurando as alternâncias sonoras e cmnpo~ sição dos ten1pos tnusicais de forn1a que os tornasse graciosos e suaves aos ouvidos daqueles que o prestigiavan1 con1o expectadores. Observávamos que, no transcurso dos trabalhos litúr~ gicos que, naquele ten1po dirigímnos na Associação de Pes~ quisas Espirituais Ubatuba- APEU -,no bairro do ]ardin1 Catarina, na zona leste da cidade de São Paulo, sentado nun1 banco de n1adcira dos que con1punhan1 as acon1odações dos assistentes, suas mãos não paravan1, tentando acon1panhar as batidas dos tambores tiradas pelos Ogãs mais antigos. Seus olhos apresentavan1 un1 brilho especial e certo en~ canta1nento quando presenciavam a ação do então Ogã Inte~ rino que colaborava com o Ten1plo do Caboclo Ubatuba. Era ele que se responsabilizava pelas chan1adas e pela n1arcação rínnica dos pontos ou cânticos, nosso irn1ão de fé, Antonio Carlos Pahneira, mais conhecido corno Toninha, un1 alto co~ nheccdor dos segredos e das tnodalidades utilizadas para fazer ressoar grande parte do cabedal n1usical integrante dos cultos oriundos dos povos africanos e indígenas, nos quais se acha n1esclada uma grande pnrcela de influências brasileiras, de outras religiões e até da própria universalidade htm1ana, harmo~ nízando~se par8 louvar as sacrossantas forças de Aruanda. O senso de observação, a sensibilidade aos efeitos da percussão, a perseverança e os dons- natural e n1ediúnico -, colaboraram para que o n1enino Sandro, posteriormente sub o comando do Ogã Alabê Dermeval Marques Saturnino, viesse a fazer parte integrante do grupo de instrumentistas da referida Instituição. Nesse período, devido à sua pequ e na estatur a e n1 fun~ ção da idade, foi necessário que o acon1odássen1os sobre un1

pedaço de tora de árvore, do tipo usado pelos açougueiros,

onde se faz o corte elas carnes, de tnodo que pudesse alcançar o couro do atabaquc a ele destinado.

O tempo passou dcspercebidmnente e, quc:mdo n1enos.

se e sper ava, ei-lo a dulto, casado, co n1 for m aç ã o su perior en1 Ciências Biológicas c com a fé preservada , nuli to embora tivesse passado por duras provações em sua vida . Nada fo i capaz de abalá-lo. Ao con trário, seguindo Lml dos ensina- m entos passados, certo dia , pelo C aboclo Ubatuba , retirou de seus caminhos todas as pedras pequenas e contorn ou ou transpôs aquelas de dimensões 1naiores. .Diante desse mérito, intuitivamente foi-lhe dada a mis- são de transcrever, de fo rm a respe itosa e singela, sen1 a pre- tensão de se assenhorear d a verdade, este con1pêndio, no qual aborda um te1na ainda pouco explorado ou d iv ulgado no meio

d as religiões umbandista, Fru to de estudos e

através de narrativas históricas o u da elucidação obtida por intermédio do Caboclo Boiadeiro da] urema, os regisrros de O livro básico dos Ogas procuram obedecer a un1a cronologia que passa por cerin1ônias da tadas da A ntigüidade, chegando

à era conten1porânea. O texto realça a importância dos instru-

m entos m usicais n o es ta belecim ento de elos de ligação entre

os homens em seu mundo terreno e os seres das incontáveis

e sfe r8s

n ados, quer sejam dos mais densos - pois é de conhecimento geral que em todos os ritos de que se tem informação vemo-

los presentes, seja no retininte badalar de un1 sino, nos ac(!rJes

d e uma lira, no soprar d e un1 oboé, seja n o son1 grave o u agudo dos tambores.

candomb lecista e outras con gên eres. p esquisas feitos tanto in-loco quan to

do plano extr afísico, quer se ja n1 do s e stratos mais refi-

com o pr een chime n to de lllna ou ignorada e que, certamente ,

lacuna, h <:'l muito esquecida

irá elucidar ou ·suprirnir muitas dúvidas nas respostas não obtidas dos líderes acomodados à simples prática da mediu- nidade ou de liturgias h erdadas e repetidas sen1 questiona- Inento, ou, pior ainda, cbqudes que não reúnen1 a mínüna condição de fazê-lo por tarnbén1 desconhecer as verdades.

Aqui nos d eparam o~

Nada resulta do acaso. Os que acreditan1 nesse acaso são somente aqueles que não buscam se aprofundar nas raízes dos acontecin1entos, pois se o fizessen1 poderiam ver que tudo obedece às Leis hnutáveis geradas pelo Onipotente, Onis~ ciente e Onipresente Arquiteto do Universo. É por isso que vemos surgir obras encantadoras no seio da literatura mnban~ dista, as quais tên1 tmnado vulto com o aparecin1ento de maravilhosos romances, con1pilados con1 esclarecin1entos sobre os métodos a serem en1pregados na convivência sociofa~ miliar que nos elevam no plano da espiritualidade e nos imuni- zam da não~aceitaçãoda realidade que nos é in1posta. Fortale~

cendo tais narrativas, vemos vicejar, também, urn sern~núlne­

ro de obras voltadas para a doutrina em si, algumas, inclusive, preocupadas com a depuração e a exclusão de detenninados hábitos causadores de repúdio e criadores de contendas. Se você é Ogã na verdadeira acepção da palavra, não fique limitado ao conhecin1ento dos toques de atabaque. em frente! Não pare no n1eio do carninho. Aprofunde~se no saber, pois foi para isso que Deus nos dotou da racionalidade

e da n1obilidade. Você est<-Í. de posse do livro certo. Mais un1a

vez lhe afirmo: N(ula resulta do acaso. Faça con1o os bons profissionais: especialize~se, busque o crescimento e a atuali-

zação e, corn certeza, estará contribuindo para o seu próprio aprin1oramento, para a prosperidade da casa a que ·se dedica

e para o engrandecimento da sua religião!

Axé!

Silvio F. ela Costa Mattos

A Música e a Religiosidade

Em todos os ternpos e povos encontrarnos o uso da músi-c a a fim de se man ter un1 cm-n ato com o Divino. Nas mais diversas cren ças poden1os observar sua presença. Vejan1 qu e na I g r eja Ca tó l ica en to an1~ se hin o s, lada i~ nhas, cantos grego ria nos. Os evangélicos também têm através do ccmto uma forma de agradar a D eus com suas bandas e

c onj untos G osjJcl. A s seita s orien tais utilizam.~se mui to dos mantras (combinações de letras q ue vibrmn no Astral). Na U1nbanda c cultos africanos, temos os pontos cantados, e até n o espiritisrno tradicional existem canções que servem para difundir o Evangelho e os ensinarnentos de Kardec. Na próp ri a Bíbli(l exi s tem vári as me n çõe s so bre a u tili~ zação musical, seja por meio de instnnnen tos seja por me io do canto. Ape na s parél exemplific:n~ n o A ntigo Te sta mento te~

m

os : "Logo a pós a t ra vess ia

do Mar Ver m elho, 1v1iriã e as

m

ulheres de Israel adoraram

a D eus com c ânticos acompa~

n had os d e dan ças e tam bor ins' ' . (L i vro do Ê xodo, 15: 20 ~2 1) "Os profetas dos tempos d e Samuel usavam sal téri os, télm~

, , _, ·········· -- - ----

,

15

-

-

bores, flautas e harpas". (1, San1uel, 10:5) Como disse Isaías:

"O Senhor veio salvar,Ine, pelo que, tangendo os instru, n1entos de cordas, nós o louvaren1os todos os dias de nossa vida, na Casa do Senhor". (Isaías, 38: 20) O Saltério (Salrnos) era o cancioneiro de Israel. Os salinos d~o n1uito destaque ao uso de instnnnentos 1nusicais na adoração a Deus: '<Celebrai o Senhor con1 harpa, louvai, o con1 cânticos no saltério de dez cordas. Entoai,lhe novo cântico, tangei, C0111 arte e C0111 júbilo". (Saln10 33: 2,3) No Novo Testan1ento, observan1os os seguintes textos:

~<Por volta da n1eia-noite, Paulo e Silas oravan1 e cantavan1 louvores a Deus, e os demais cmnpanheiros de prisão escuta, van1". (Atos, 16: 25) "Está alguén1 entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguén1 alegre? Cante louvores". (Tiago, 5: 13) '<Habite, ricatnente, en1 vós a palavra de Cristo; instruí,vos e aconselhai,vos n1utumnente en1 toda a sabedoria, louvando a Deus co1n sahnos e hinos e cânticos espirituais, con1 gratidão en1 vosso coração". (Colossenses, 3: 16)

Tatnbores

De forma genérica, podemos afinnar que tan1bores são ins- tnnnentos musicais de percussão, fon11ados por mna armação oca, tendo, sobre essa, uma pele esticada, produzindo o son1 quando percutido, sendo esse originado pela vibração da me1nbrana, o u seja, da pele, classificando-o assim con1o um membranofone. Os prüneiros tambores foran1 encontrados em escava- ções arqueológicas no Período N eolítico. Na Morávia, um

desses achados foi dat ado de 6.000 anos a.C

egípcios, outros for am localizados, com peles esticad as, data-

dos de 4.000 anos a.C. Na Mesopotâmia e na antiga S~1méria, a lguns tambores de 3 .000 anos a. C. ainda têm sido desco - bertos, conforme registro anotados por pesquisadores que estudmn os hábitos culturais de antigas civilizações.

Em artefatos

Características dos primeiros tambores

Consistiam de troncos ocos, cober tos pel as bo rdas con1 peles de répteis ou couro de peixes, sendo percu tidos com as

n1ãos. Son1ente n1ais tarde surgiu o uso de baque tas e tatnbén1 de peles 1nais resistentes. Cmn o desenvolvünento n1usical do ser hmnano, a grande variedade de tan1anhos, formas, tipos de peles e de tnétodos de fixação dessas foran1 surgindo. Ntnn tan1bor de

urna pele, ermn usados n1ateriais con1o pregos, grarnpos, cola

etc. nos de duas peles, fazimn~se furos atravessando,as,

pelos quais passavan1 cordas

tnais 1nodernos, usando aros que pressionan1 a pele, surgiran1 na Europa.

a filn de esticá, las. Os tan1borcs

Tambores sagrados

Os tmnbores se1npre tivenun funções diversas, con1o a de transtnitir alegria ezn festas populares, transtnitir tncnsa, gens à distância e principaln1ente a função religiosa. Tidos con1o objetos sagrados, con1 poderes znágicos, znesn1o atual~ n1ente, en1 certas sociedades, sua confecção envolve un1 certo ritual. Ezn todo o mundo encontran1os religiões ou seitas que os urilizan1 en1 seus cultos divinos. Na China, há tnais de 2.000 anos, usa~se tais instru, 1nentos, feitos de bronze, cn1 rituais sagrados e cerünônias de casmnento. No Japão, um gigantesco tan1bor chan1ado o~tail<.o é percutido no ritual "Bate o Coração da Mãe,Terra". Alén1 disso, consideran1,no diretatnente ligado à história sagrada do Japfio e ao culto original elo xintoísn1o. Encontran1os ainda os de tnenor tan1anho, con1o os pequenos shime-tail<o, que emitern un1 alto diapasão. A n1anipulação desses instrun1entos japoneses in1plica uma sintonia perfeita de n1ãos e pés, onde gestos coreografados não são sin1ples espetáculos, znas sin1 a evocação ritual dos kamis (espíritos universais), invocando,

os para a boa colheita, pr1ra a chegada da primavera e a identi~ ficação dos homens com a terra.

to que s

às batidas do coração

acesso à forca vital através de seu ritmo. Para os Xamãs, é veículo para invocação de espíritos, para curas e para afastar a forç a do mnl. É o instrume nto de comun icação e n tre o Céu e a Tcrni.

N ativos norte~americanos t a m

.,

bén1 ass ocimn os

da M ãe~Terra e ao som do útero , pois

No Vodu haitian o ,

cmp regmn~ se a l g uns outr os n1o delos

como: o boula, o sccond e o manrrum, também ch amado de assotor.

E xistem ta mbé m os Damarus (in str umentos d e S hiva),

·t umbadoras cubanas, tablas indianas, além dos usados no Tantra e no Budismo Tibetano. No s cultos afric anos, como o Candomblé e a Um banda, re ligião d e terras brasileiras, entre m uitas derivações, o 1nais comum é o conhecido atabaque. ainda outros instrumentos considerados de grande poder, como os marac::ís e chocalhos, m uito ut ilizados na A mérica do Sul, principalmente pelos indígenas, feitos de cabaça, cascos de tartaruga ou chifres de gado, contendo, em seu interior, sementes ou pedras. São utilizados para que, brar a energia estagn3l-b , para abertura de rituais, exorcisn1os

e tra balhos de cura, além de seren1 ótin1os para a marc;:~ção dos ritm os.

Religiões Afro,Brasileiras que U tilizafll Talllbores

No Brasil, existem diversas seitas e religiões que utilizam esse tipo de instnm1en to d e percussão em seu s ritua is sagra-

d o s . Entr e ela s, d es tac:un~ se a que l as

povos indígenas e africJ.nos, corno as que seguem:

que se ori g inaram dos

Umbanda

É uma religião universalista, com diversos detalhes en- contrados nas mais variad as religiôes e seitas d o rnundo. Porérn, n ão é difícil identificar que n a U mbJ.nd a, três bases re ligiosas têm pape l fundam e ntal em sua form a de atu a r: o espiri tism o, o ca tolicism o e os cultos africanos. A tudo isso, somamos ainda o conhecimento e a cultura indígena. Semelhan te ao espiritismo, possui comunicação entre médiuns e espíritos desencarn ados, baseando-se n a doutrin8 de Karcl c c, com re lação aos estudos dos fe n ô-

21

menos m ediún icos e n a crença d a ree n c arn aç ão e na evo~

lução do

espírito . ca to licism o, herd o u principalmente o sincretism o

D o

co m os S a ntos, p o i s, a t o do o m o n 1 en t o, o s umb a ndist a s reve ~

ren ciam t anto os Orixe:ís quanto esses

_e levação, qu e m u ito auxiliam ern seus

Espíritos d e altíssima t rabalh os.

d os culto s a frica n o s, é n o tório que a Umb anda r e ce - beu grande influência, principalmente através dos espíritos de negros e scr a v o s, o s Pret o s~Vel h os, qu e tr o ux e ram, e n1 s u as manifc s ta ç üc s , mui to s ensi n amen to s qu e s er v i ra m p a ra incor~ pora r, ao ritu a l, ele m e n t os qu e a t é en tão e ram t ípico s, prin ci- palmen te, do C;;mdo m blé . Os i n dí genas ( Caboclos) contri buíra m c o m se u conhe ~ cime nto sobre os vegetais sobre a man ipulação de energias através da pajehmça, usadas principalmente no cornbatc às

forças inferiores, n a p rM ica da c u ra e tc.

Qucmto à sua origem, a versão 1nais aceita entre os

a de p t os é a d a n1a nífe st a çf:lo d o C a b o clo Se-te Encruzilhadas ,

em 15 de n ovc tnbro de 1908, qm1ndo incorporado

n o

ainda

mui to jov e m Zélio Fern <indin o de M orae s, na sede

d a

Fede -

r

a ç ã o Espírita d o Rio ele J a neiro. Porém, ess a

h istó ri a

n ã o

é

um a un animi d ad e , p o is exis tern au rores q u e

d efendem que

a

Umbanda na sceu muito te mpo a trás, n a lend á ria A tl ân - t icla, ou, aind8, que ela seja u m a ra mificação dire ta ele c u ltos

african os que d avarn abertura à m anifestação dos espíritos dos seus antepassados. Particularmen te, acredito que, como

form a de cu lto

com o Ca bo clo

oficial, essa m aravilhosa religião nasceu siln

d as Sete Encr uzilhadas, mas qu e, como fo rç a

de atuação, desde dos primórdios da hmnanidade, até porque

e la trabalha com as en ergias

E se a Un1banda, c mno culto oficia l, p asso u a ser a ce ita

n ão

podemos esquecer das pabvras do Caboclo, declarando que se iniciava, naquele momen to, um novo culto em q ue estavam

con1o religifio a partir do evento corn Zé lio d e M oraes,

que regem a n atureza.

presen tes os espíritos de velhos africanos, que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam cam , po de açã o nas seitas n egras, jc.í. d eturpadas e voltadas m uitas

para os tra bc:dhos de feitiçarias, e de índios, nativos d e

nossa terra, q ue por el a poderiam t rabalhar cm benefício dos encarnados, independendo da sua raça, credo ou condição social. Disse também que a prática da caridade, r1o sentido do amor fraterno, seria a característica principal d esse culto, que teria, por base, o Evangelho de Cristo, e, com.o M estre

vezes

Supremo, Jesus . Entre 8S n ormas estabelecidas, seus pe~rtici~ pant es deveriam estar unif o rmiz a dos d e br anc o e o aten di~ 1nento seria totalmente gratuito. Aproximadamente na década de 50, um novo segmen~

to , d eno mi na do U m bancl ct Eso tér ica c

principalmente por '.::J./ W da Mata e Silva e seus discípulos, muito e mbo ra, an t eriormente a isso, 1nensagens enviadas pelo

Ini ciáti ca , foi difu ndido

Caboclo M irim através do médium Benjamün Figueiredo, falavam sobre essa escola umbandista. O mais importante não é a nmnenclatura utilizada, se

Utnband a Bran ca, M ista, Esotérica, Iniciática

mas, sim, seguir as méÍxín1as en sinadas pelo Mestre Jesus, Nosso Pai Ox aló: "Am a i-vo s u n s a os ou tr os" e "Fo ra da cnri~

dade não h8 salvac8o".

ou Popular,

.>

Candomblé

Religião de culto aos Orixás, praticada pelos negros africanos, que sobrevive u e a inda cresce nos díe~s at uais. Nasceu da mescla das diversas culturas encontradas entre os povos trazidos ao Bra.sil, para servir de 1não~de~obraescrava no período colonial. Essa mistura fez com q ue , aproxin1ad amente, quinhentos Orixás cultuados no início fossen1 absorvidos em aproximadamente dezesscis O rixás, louvados nos tempos a tuais.

Un1 f8tor irnport8nte para 8 sobrevivência do culto às

proibições vindas da Coroa Portuguesa, onde, assim como ern toda a Europa, o cristianismo imperava, foi a adoção do sincretisn1o, no qual os negros relacionaran1 seus deuses aos

Santos Católicos.

As principais Nações encontradas são: Ketu, Jeje (ou Gege), e Angola, com ztlgumas características próprias, con1o

o díaleto, a hierarquia, e até a nmnenclatura dos Orixás.

Xangô

Muito próximo ao Candomblé, é cmnun1 principal~

mente no Estado de Pernambuco, sendo tambén1 chamado

ele Xangu ele Recife ou do Nordeste.

Batuque

Religião de culto aos Orixás, praticada principalmente no Estado do Rio Grande do Sul, fruto dos povos da Costet da Guiné e d8 Nigéria, con1 suas naçôes Gege, !fexá, Oyô e Nagô. Surgiu no período de 1895 a 1935 e o principal respon~

sável por sua difusão foi o príncipe africano Manoel Custódio de Almeida que, na África, tinha outro nome. pode ser encon~

trada em países vizinhos cmno o Uruguai e a Argentina. Entre os instrumentos utilizados, existe Lll11 tambor chamado lnhã.

Tambor--de--Mina

Difundida no Maranhão e na Amazônia. A palavra

L!Tambor" derivc:t da importância do instrumento nos seus

rituais. 11 Min<1" vem_ do negro da Costa de lv1ína, denomi,

n ação cbcb <:tos escravos procedente s da 'ccosta situ ada à leste

do Castelo ele São Jo rge d e Mina,, conhecidos principahn ente

como negros mina -jejes e

1.nin a-nagôs.

Atualrn e nte, embo n1 pouco cultu a da, essa Na ção a inda

vive ativa n Dregião de O linda, no Estado de Pernambuco.

Omolocô

Difundido pelo Ti1ta Ti Inkice Tan c redo da Silva Pinto,

é parecido co m o Candomblé tradic ion a l, mas com rit ua is próprios. Com base nos Orixás, tem feitura de santo, sacrifício animal e ca1narinha (roncó), porém tmnbérn ten1 a incorpo- ração de espíritos de caboclos , pretos-velhos e outras entida-

des da Umbanda tradicional. Alguns o classificam con1o U m--

banda Primitiva o u de N ação.

O Atabaque

Constitui~se d e um tambor cilíndrico, ligeiramente cônico e comprido, onde apenas a abertura tnaior é coberta por couro animal (de bode, carneiro ou boi) . Instrumento musical de percussão que pode ser tocado somente cmn as mãos ou ainda com baquetas (varinhas) espe~ ciais feitas de galhos de goiabeiras ou araçazeiros, chamadas

ag~âdavis.

((

Seu

"

nome tem o rigem árabe, at.-tabaq, que signific8

prato . Descendentes africanos ínform a rn que

os primeiros

atabaques eram feitos de cerâmica. Depois passaram a usar troncos ocos de coqueiros e palmeiras, e só após algum tempo viera m a construí~los com a madeira da ga meleira (árv ore

sagrada do Candomblé).

Pelos ma teriais u tilizados em sua confecção, podemos

i a n as reli g i ões afro~b rasi leira s, pois

te m os, namadeira , o Axé de Xan gô, nos aros de me ta l, a fo rçrt de Ogum e Exu, e nc1 pele de origem animal, a influência do Oríxá caçador, Senhor Oxóssi.

notar sua impor tânc

27

Denom.inação e utilização dos atabaques

São classificados pelo tamanho, chamando~se Run, Rumpi e Lé. Existe também o Contra,Run, porém, esse é pouco utilizado:

Run: o n1aior deles, de tom grave. Seu nome ?ignifica, em iorub:cí., voz (ohún) oq rugido (hün). Rutnpí: menor que o Run e tnaior que o Lé, de tom mediano. O nome, tatnbém em iorubá, ten1 o "hün" (rugido) mais o a pi" (imedi8tan1ente), ou seja, indica a sua posição na orquestra de atabaques. Lé: é o menor do trio e ten1 o som mais agudo. O nome na língua Ewe faz alus·Jo ao seu tamanho, pois significa

j)cqueno (Iee).

Nos terreiros, etn especial no Candomblé, o Run é res~ pons:ível pelo solo music:1l e variações melódicas. O Rumpí e oLé possuem a função de dar o suporte musical e a numu~ tenção constante do ritmo. Na Umbanda, nem sempre isso ocorre, pois normalmente os atabaques são tocados ao mestno

tempo, de forn1a tnuito parecida pelos instrum.entistas, mudando, às vezes, de pessoa para pessoa, a forma de fazê~lo· e a ordem das passagens (repiques) durante o toque, com igual êxito junto às divindades.

. Os atabaques, também chamados de Ilus, Angombas ou

EngonlaS na Nação Angola, como instrume:1tOS sagrados que são, Í1ão devem s<1ir do recinto do terreiro a menos que seja pam uma obrigação religiosa, como, por exetnplo, os trabalhos nas matas, nas praias e nas cachoeiras, ou, ainda, por algo que faça pmte da tradiç8o, como <1S visitas entre tendas conhecidas. Também não devem ser percutidos por pessoas não preparada.s par<1 esse fim, pois isso poderia acarretar numa ((quebra de

energia.s" existentes no instrumento ou ainda na transmissão de vibr8ções que n8o seriam benéficas à pessoa despreparada.

Se u som é condu tor do Axé do Orixá. A vibração do couro e da madeira interagindo geram forças capazes de rela, cionar,nos diretamentc com os mais altos (ou baixos) campos vi brató rios, d e ac ordo com a necessidade o u vontade d aq ue les que o s fazem soar. A afinação destes t<:1mbores tem como aspecto primor, dial: a dife ren ça de to n<.11idades entre eles, vindo da grave (1nais baixa) à aguda (mais alta) . Para um bom equilíbrio, é importante que haja harmonia sonora, ajustando , os de acor,

d o com as ex i gências d <l acústica loc aL

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Instrumentos Auxiliares

Adjá: é uma sineta de metal, usada em especial nos Candomblés e nos Xangôs (Recife) de origem iorubá, cuja finalida d e é ch a mar os fil hos, de, san to para re ve renciar os Orixás .

Agogô: significa :üno e1:n íorub:i É formado por mna c am p8nul a simples ou du p la de fe rro, d otada d e c ab o, to cad a por urna b8queta d e nl<.H.:I.eira o u ferro. Existem tatnbén1 os

de três ou q ua tro c8nlpânulas. O ritn1o padrão norrnalmente

é 1nant ido, n1as ilnprovi sações de v ari ações pode n1 ocorrer

de·acordo com os outros instrumentos.

Campa: sineta. Em alguns casos, é confundida com o adjá.

Ganzá: chocalho elaborado por mn pequeno tubo fechado cmn sernen tes em seu interior. Tmnbém con hecido con1o amelê. Ex istem ou tros fo rm ad os p or pe qu en os c esto s entrelaçados, fe itos à m ão, en1 cujo in terior trazen1 areia ou pequenas pedras.

Caxixi: chocalho composto de fios de junco trançados com setnentes ou conchas en1 seu interior, cujo fundo é feito de couro ou por um pedaço de cabaça.

Afoxé: é constituído por un1.a cabaça redonda que se afunila para formar o cabo. Tem contas de plástico trançadas em sua volta amarradas por fios.

Xequerê: também feito por uma cabaça, porérn tnaior que o afoxé, daí transmitir um smn mais forte, sendo que o lado maior da cabaça produz um tom grave. Posso citar três maneiras de tocar esse instrumento (assin1 cmno os afoxés):

segurar a cabaça reta e sacudi-la para frente e para trás, o que produzirá sons agudos e curtos; con1 o cabo em un1a nü1o, girá-la, e, com a outra, pressionar as contas, friccionará as mesn1as contra o corpo da cabaça; ou ainda, sacudir r~ cabaça e tocá-la con1 a nutra 1não no corpo do instrun1ento.

Na orquestra ritualística, ainda podetn ser encontrados o pandeiro, o berünbau e o reco-reco (estes praticamente não são utilizados). Devo letnbrar que tudo o que for usado nos rituais deve, prin1.eiramente, ser preparado e firmado para que possa real- mente ter sua força divina ativada. Qualquer instrmnento (inclusive os auxiliares) sem o devido preparo rninistrado dentro do ritual do Candomblé, ou por uma Entidade na Utnbanda, não passa de um simples instrun1.ento musical como muitos encontrados em bandas, orquestras, rodas de capoeira e grupos de afoxé.

Os ogãs t êm

Os Ogãs

um cargo hierárquico de a lto esca lão d en-

tro de

urn terrei ro, pois cst~ologo abaixo

dos sacerdotes prin-

c ipais

(Bab a laô , Babá, P<Kl rin ho, iv1adri nha ou diri gente espi-

ritual, b em con1o ao P<-li ou Mãe-Pequ ena), sendo assim, por

excelê ncia, a utoridades na casa, fazendo, d e certa forma, parte

do corpo sacerdo t<1l.

Não é qu <llqucr um que pode ser O g5. N8 Umbancb,

n o rmalme nte silo indica dos pelas Entidade s. No C andom blé,

o Or ix<1 é que m o indicn, ou num termo ma is utili za d o , o

r c hamad o d e Ogã AfJon wclo ou

lcvcmta , p a ssa nd o es se <"1 se

S us f)enso.

Sace rdotes

<J e

am b8s

as rdig i ôc s,

<lt.r~nrés d a

intuiçil.o, tarnbém podcn1 determinar se urna pessoa será Og5.

O s Og~s tamhérn s;1o elementos de ex trema irnpor-

tânci cl e confia nça elo líd e r espiri tu a l. Poss uem a c apacid ade

de <·Hivar en erg ias, se ndc) e ntRo muit o ilnpor t c:m t es p a ra <l

força vibrat:ória elo terreiro, pois devem ser conhecedo res de rcws c fundanlentos de cada Orixá, alérn de saber a hora exnta d e cn tot1r cí1d<1 canto e toq ue, d e Clcordo com a neces- sidade do trabalho.

Sacerdotes especialistas no louvo r aos O rixás, guias e 1nentores, são respons<1veis tam bém pela alegria e vibração positiva do terreiro.

A Um banda possui ensinmnentos e fundamen tos espe~

cíficos para a for mação e o forta lecin1ento d os Ogãs, confir~ mando assiln o qu e D e us consagro u , 1nui to en1bora perce~ bamos que, diferentemente do Candomblé, talvez por falta

de conhecimento dos adeptos ou até mesmo do dirigente,

e n1 algumas casas, se u cargo tem um sentido d e meno r v alor en1 relação aos demais membros da comun idade, o que não é verdade. C omo dito anteriormente, são sacerdotes e assin1 devem ser tratados. Existem diferentes denominações para esses "esco~ lhidos'' do astraC como Ogãs-de-couro ou instrumentistas, Ogãs ~de-canto e Ogã s h o noríficos. N o Candon1blé, onde o cargo pertence somente a ini- ciados do sexo masculino, ainda encontraremos o Ogã~Axo~ gum ou Mao-de -faca, q ue é o responsável pelos sacrifícios

d os anin1ais

O (aqu el e qu e colhe as e rvas pare:~ os ri tuai s sa gr ado s) n or- ma lmen te são ligados ao O ríx::1 Ossaim ), Ogâ Lejo e LeTe (res- po n sáve is por un1 a pa rt e elo ''p ad ên) e O gã- de~entrega (l eva 8S oferendas nos locais de assentam en tos determinados pelos

O rixc:ls).

of ereci dos aos Orixás, Ogã~de-Ofá ou Mão~clc­

Títulos e Cargos dos Ogãs

lvfesmo entre os Ogãs, existem denmninações próprias de acordo com a função de cada um no terreiro, muitas vezes determinada pelo tempo de iniciação, ou, ainda, por ordetn do n1entor espiritual. São elas:

Ogã Alabê (ou Alabé): é o comandante dos Ogãs,

responsável direto pelos atabaques e instrun1e_ntos auxiliares dentro dét casa. Na Un1banda, norn1alrn.ente é escolhido pelo

guia chefe da tenda paw essa função. Na hierarquia, é o ter-

ceiro sacerdote, ficando diretan1ente abaixo dos dirigentes. Deve ser grande conhecedor da religião, suas açôes e mirongas, além de tmnbém saber tocar todos os instrurnentos musicais consagrados para os diversos rituais do terreiro. Te1n o dever de ensinar os O gãs 1nais novos os toques

e cânticos apropriados a cada sessão. O termo deriva do iorubá

e significa ala (dono) ap:bc (tarnbor), ou seja, "dono dos tan1- bores". Algumas casas subdividem esse cargo en1 duas catego- rias: Otun-Alabê (mais velho en1 iniciação e conhecimento)

e o Ossi.-Alabê (mais jovem), sendo que essa disposição só

pode ser alterada pela morte de um dos representantes ou através da interseção dircta do guia chefe do terreiro (ou do guia responsável pelos Ogãs) .

O Ala hê deve conhec er a magi a d os pontos can tad os}

além dos toques corretos, sabendo utilizá-los no momento tn a is apropriado . Normalm en te os A labês possu e1n a fac ili-

dade de receber intuitivamente várias cantigas que deverão

ser adoradas de ntro das necessidades dos trabC!lhos espirituais.

A ele cabe a responsabilidade de prepa rar os instru -

mentos antes do in ício dos trabalhos religiosos, ben1 como o de fazer certas obrigações de reenergização dos mesmos, sendo que algumas delas são feiws cm conjunto com os outros Ogãs. Em m uitos terreiros, o A labê deve tocar o Run; porém

essa não é um a Lei dentro elo ritual umbC!ndis ta. Se um Ogã que integra o terreiro for destinado à fun ção de Alabê c j;1 estiver acostutnado a outro atabaque (Rmnpí ou Lé), não será necessário proceder a troca de instrumento pelo fa to de adquirir a função de chefia entre os Ogãs da tenda. Na Nação Jeje o chefe dos Ügãs cha1na-se Pegigã (Se-

n hor que zela pelo A lt;H Sagrado), e n a Nação Ango la, Tata .

Ogã Ca lofé (ou Kolofé ): no me d ado a o O gã toca dor

de ata baq ues. Deve conhecer os toques c c8nticos utilizados

n

os trabalhos, sua fonna corre ta

de aplicação e, tan1bém,

d

entro do possível, saber tocar os

instrun1en tos auxiliares e

cantar os pon tos de acordo com as necessidades do terreiro. Na hierarquia, est<'1 logo abaixo do A labê e, n a su a au- sência, atua como seu substitu to clírcto. N a Nação Angolc1 é denominado Xincaran gon1a c na Jeje cmno Runtó. Os Calofés são muito importantes para o terreiro, pois fazem

a marcação rítrnica adequada a todos os cânticos ritualísticos. Entre eles, a ordem hie n-.1rquica será de terminada pelo tempo de ini c inç5o d e cad a Ogã , o u, ainda , o ten1po na cas:1.

36

Ogã Berê: em fclse de iniciação e aprendizado. V<li, aos poucos, dentro de urn certo período e de acordo con1 a confi<lnça conquistad<l junto ao corpo de Og5s, em especial ao /\labê, <1dquiríndo conhecimentos como os toques, cantos, fundamentos e obrig<1Çl-)CS. Híerarquicmnente está abaixo dos Calofés, <lO lado elos Ogãs a uxilíares.

Ogãs auxiliares: sii.o aqueles que tocam os outros ins~

trumcntos que acompanham os atabaques, como o ganz<:1 e o agogô. Devem ser tão respons<l.veis quanto os Ogãs-de-couro, pois seus instnnnentos Lllnbém são preparados e, por isso,

t5.o consagrz~t.-los quanto os t::~mbores.

Ogã~de,canto (ou Curin1beiro): é o responsc'lvel pelos pontos cantados no terreiro. Deve ser um exímio conhecedor cb magia dos pontos c seu uso correto, pois um ponto puxado de fon11e1 errada poder<1 acarretar sérios problemas num traba- lho espírítual. Nccess::n-ian1ente não precisa saber tocar instru- mento algum. Urn Ogi'i de canto bem preparado, que conhece aquilo que fJz, cst<~num p;;.tamar hierárquico equivalente ao

dos Og~s Calofés.

Ogã

honorífico: este título pode ser concedido :-1 uma

pessoa que n;l.o p<trticipe e(ctiv<.lmente da casa, rnas que tenha

importância na sociccbcle como um todo. É um cargo que não implica cm nenhum tipo de iniciação.

Algumas casas têm o Ogã~Obá (ou Ogã~Rci), que

é um<l alt<1 dignidade dentro do corpo de Ogi'is. É um título honorífico, pois nem sempre pnrticip<1 do dia-<1- di<l da casa. Normalmente a pessoa recebe o termo acres- cido ao nome do orix<) correspondente ao guie1 mentor da tenda. Exemplo: Üg<1-0b<:1 de ÜxJlcí, Og5-0b,í de Ogurn, e assim por diante.

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N o Candotnblé e dem.ais cultos de origem africana,

o nde a uti lização de sacr ifício animal faz p a r te da maiori a das obriga ções, h á um indivídu o que te n1 um papel funda~

mental: o O gã,Axogunl, popularmente conhecido como

''Mão,d e~ fa ca ''.

Seu conhecirnento é de extrema ünportâncía, pois deve saber q ual o animal a ser sacrificado para cada Orixá, alén1

de algu mas das s uas car ac te rísti ca s, que sã_o n1ui t as vezes índis~

pensáveis, como : a cor, o sexo, o núrne ro de p a tas, e assim por dian te . A f on 11a c o rr e ta en1 que pr oce s s a a m a tanç a tam~ bém deve ser levada em conta, pois se o O rixá recusar a

o f erta , po de r á

Para cun1prir com essa missão, antes de tudo deverá r e c eber o j) rec ei to de /(Miio~cle~faca", de ntro de mna ceri mô nia especial. É imprescindível que fique claro q ue o Axogum é un1

cargo que não deve fazer parte na hierarquia de Umbanda,

at é po rque essa não é a d e pta ao s acrifício d e an imais, u tili ~

za ndo , e rn

p lo , fl o res e frutos .

co b rá~ la e m dob ro .

suas ofe rtas, ou tro ti p o de ma t é ria co n1o, por exen1~

hnportan tc: a as ce nsão d os Og ã s dep en d e rá

prin c ipa l~

n1en te do se u con h ecime nto relacion ado ao ritual e à liturgia urnban dist::1 (ou dos cultos afro s) . O rnaís irn po rtan te é o Og5 ter amor, dedicaç8o e buscar sempre o conhecimento.

q u e de v e p e di r e que tenh am 8

aos Orix ás p8r a qu e escute m n o sso chamado

L e mbre ~s c de que

, hu mi ldem ente , é o O gã

n1i s erí côr dia de respon dê~lo, p o i s nada é 1nai s p r a zer oso d o que a vinda d o s Orixá s , guias e n1cnto re s à T e rra p ::trél nos abençoar, trazendo o axé e o conforto de que tanto precisarnos.

Outras Denominações dos Ogãs, Encontradas nas Diversas Nações Africanas

M esmo entre as Nações de Candon1blés provenientes mesn1 a regiào afric zm <.-1, a dife ren ç a entre a classificação

da

de seus rnembros pode ser n otada. Aqui , apresento algumas maneiras com que os Ogãs s8o c ham a dos n es tas Naçôcs:

.

Nação Angola--Con go (termos usados n o Brasil)

Kam.bondo poko (Ango la) - sacrificador de anilna is Kivonda (Congo) -qu em sacrifica os anitnais M uxikí (Angola) - tocn.dor de atabaq ue Kuxíka ia ngombc (Congo) - tocador de atabaque Njimbidi - cantador, curimbeiro

.39

Nação Bantu (inclui,se Angola e Congo)

Kambondos - Ogãs em geral

Kisaba o u Ta ta Kisab a - responsável pelas folhas

'"Iua N Ganga :

Ta ta Kíva nda - responsável pe lo sacrifício dos anünaís

Tata Muloji - prepméldor de encantamen tos, usando folhas

e cabaças

Ta ta Mavumbu - aquele que cuida d a Casa de Exu

Kam bondos

umbido-

guard ião das chaves do barraccio

N ação Jeje

Além d o Pegig8 c do Runtó, outras denominações usadas são: Gaipé, Gaitô, Arrow e Runsó.

Nação Ketu

l yan1o r<J- re sponsável pelo

O lôgun- despacha os ebós das obrigações

Ba b t:1lossayn- respons ;1vel pela colh e i ta d a s folhas (Kosí Ewé ,

Kosí Orixá)

Padê d e Exu

O Ogã e Sua Mediunidade

Eis uma frase muito con1un1 nos terreiros: "Não sou

"Ele nã o é médium, é só Ogã".

Pois bem, aqu eles que assim pensam, con1 certeza fica~

médium, sou Og~t, ou então

r ão surpresos, pois posso

O que lhe difere da maioria dos m.édiuns é que a tnediunidade se manifesta através do "Dorn Musical".

afirmar que o Ogã ten1 n1ediunidad e.

Qu em ter assistido a

nunca viu uma criança que, mesn1o sern nunca um a aula de n1Üsica ou percussão, sabe tocar

vários ritmos, dos mais variados encontrados num terreiro,

m esmo que inconscien temente ela não saiba o que es tá fazcn~

Este é um fato até certo ponto comun1 entre famílias que

d o?

s8o da religião.

Classificada como Mediunidade de Lucidez Artística~

Musicista, age em especial nas mãos e braços (chakra bn1~

quial) em Ogãs~dc~couro, o u nas pregas vocais (chakn1larín~

,E;eo) nos Ogãs~de-canto.Qmmdo preparadas pelas Entid ades, estas regiões são irradiadas e iluminadas pe las forças as trais. Como q ualquer méd ium, ve io a este orbe co n1 uma Iniss5o predeterminada pelas forças superiores (Se nhores do

Kanna), para qu e nest a e n Glrnação pu de sse a ux il iar n o Ex é r~ ci t o de O xa lá, n os s o M e st re J es us C ris to, e de nt ro da m agni~ tucl e de De u s , foi~lhe i ndicada a fu n ção de tocar e ca nta r

p ara os O ri xás Sagrad os c par t1 as En ti dad es que a uxiliam na Umb ;:md a. Tod o Ogã te m a ob riga çã o de cu idar e de b usc ar o apri~ moramento de seu dom, que é nlllito importante dentro de um terrei ro , pois é ele o responsável pd o toque ou c anto que vibrará nn Aruanda, como un1 elo de ligação entre os 1nen1~ bros da gin1 e as Entidades de Luz. Se u des en vo l vim e nto e c rescin1ento me cliú n i c o d epe n~ dcrão exclusivamente de si próprio, pela disciplina, força de

v onta de , fé e r espeito pa ra com as ob rigações . Dessa form8, podení, com o ternpo, obter maior facilidade no aprendizado

d e novos toques, bem como terá a umentada a sua recepção

in tuiti va, usada pelos G uias na tran smissão de novos p o ntos can t ados a serem adotndos n os tra balhos espirituais. A ss im, deixo claro qu e os Og5s tamb ém podem manifestar ma is de um tipo de mediunidade. No Candomblé, nenhum O gã pode 1nanifestar Orixá, ou, num a lingu ag em mais corn um ao p ovor d e~sant o, não ((bola no santo", bem como as Ekédis, qu e são as n1ulhc res que cuidarn do terreiro e de tudo relacionado aos O rixás. Se, por acaso, passam a desenvolver esta cmnunicação, rnudam de ca rgo na hie rar qui a. Esta ta l vez sej a a p rincip a l difc r enç CI en tre o Ogã de Um banda e o de C andomblé. Na Umbanda, de certa forma, é natural encontrarmos O gãs qu e, além do dom musical, p ossuen1 a med iunidade de incorporação. Lógico que fazem parte de uma n1inoria, porém

é possível, pois a.s pesso8s podem desenvolver vários pontos

rec e ptivos ao m u nd o da espi ritualidade (chakras), muito em ~

hora, normalmente, d esenvolvam un1 tipo de medi unidade

ma is mar ca nte e

mas manifestaçf)es rnediúnicas que pcxlem ocorrer esJX>radicamente.

ou tr as de m eno r i ntensid a de, além d e algu~

É importante salientar que, quando cmneçmn a sentir a irrad iação de seus Guias, deven1 pedir autorização para dei~ xar o atabaque e incorporm-,se aos outros n1embros da gira, prevenindo assün acidentes ou outros proble1nas durante a sessão. Muitas vezes, este pode ser o início de uma nova missão enviad a do Astral, pois não é nada incmnUin en con trarmos

dirigen tes que un1

dia for8m Ogãs~de~terreiro. ·

Outros tipos

de mediu nidad e també m pod e m. se desen~

volver (como ele cura, ü1tuição, vidência etc.), pois para Deus tudo é possível, m as é bom saber que não é a quantidade de dons que a pessoa poss ui q ue a fará n1e lho r ou pio r d o que as outras. O mais itnportante é cmnprir seu dever da forn1a mais correta possível, com amor no coração. Às vezes, un1 n1édiLm1 que ainda não descobriu o tipo de tnediunidade que vibra com m aior intensidade sobre si tem 1nais força q ue aquele

cheio de dons, que não sabe usá,los, ou pior ainda, que não tem disciplina ou respeito por seus deveres espirituais. Todo médium tem sua utilidade dentro do terreiro, desde os dirigentes, os cambonos e 1nédiuns de incorpo raç ão aos outros au xiliares que ajudan1 na curimba ou ainda segu- rando al g uém que p ode ria cair. Assim digo a os Og ãs par CJ que lev8n tem suas mãos aos céus e agradeçan1 a Zambi pelo dom divino que têm, pois é através de suas tnãos e canto que os sons sagrados fluem na Aruanda dos Orixás.

Iniciação do Ogã

Existe uma grande diferença entre a iniciação do Can~ d01nblé e da U1nbanda. Ambas são ceriinônias n1uito especiais dentro do terreiro, com suas magias e uüro ngas, próprias de

cada segmento. N o Candomblé, antes d a inici aç ão, c mno foi dit o ante~ rio r men te, o Ogã será e sco lhid o pe l o Or tx á, se nd o ent ão ch a~ tTtado de Ogã Levantado, pois nesta ocasião ele senta nun1a cadeira especial e é e rguido para q ue todos o veja·m como {(o indicado". No dia da iniciação, recolhe-se·o iniciando peia man hã

n a c mn arinha, c om co rpo lilnpo e ves te s bran cas, após u n1 banho de Abô.

P rün eir o desp ac h a ~se Exu e el e sent a num a cad e ira de

costas para a rua. Cantando para o Orixá do iniciado, sacrifi- ca-s e mna ave para seu O lorí e o ej é (sangue) do anün al deve gotejar na coroa (cabeça), na pedra de cada Orixá e nas mãos (pahna e costa). Depois sacrifica-se outra ave, agora para seu Eledá e re pe te- se o ri t ual. Feito isso, sai do Ron cô, sob um A lá seguro por quatro filhos do terreiro, e 1.nna volta

completa em torno do Abaçá é percorrida. Logo após, as pedras dos Orixás são levadas para o salão e o iniciado prestJ o juramento de servir à religião, ao Orixt:1, ao sacerdote e ao terreiro. Um obí é triturado e levado, um pouco, à boca do filho c o restante, com água, é despejado em suas mãos. Assim está feito o jurarnento e às expensas do Ogã é servido o rrwjé um (alimento), na folha de papel e sem talher, numa grande festa que ele assistirá, sentado na cadeira de braços. A partir daí, todos terão a obrigação de lhe ton1ar a bênção. Este ritual podem udar de acordo cmn a Nação de cada terreiro ou Ilê. na Umbanda, normahnente ele é informado por um Guia de sua missão. Se o indivíduo ainda não foi 11111 Ogã de outro terreiro, deverá, antes de tudo, aprender os toques e as cantigas com os Ogãs mais antigos, en1 especial, con1 o Alabê. Un1 Ogã portador de dom natural terá grande facilidade p8ra aprender o n1ínitno necessário antes do dia de sua integração do grupo ele afins da casa. A pessoa então deve se preparar para a cerimônia de cruzan1ento na pemba, onde, somente a partir daí, estará apta a participar da engira. Essa preparação é passada pelo Guia Mentor da casa, incluindo banhos, novenas, ou outras obrigações, de acordo com o fundan1ento do terreiro. No dia estipulado, o iniciando, depois de cumprir as obriga- çôes que lhe foram passadas, vai ao tetTeiro, cmn sua roupa branca e as guias (colares, fio-de-contas) referentes aos Orixás da casa. O Guia Mentor é quem faz toda a cerimônia. Cruza-se com a pemba a testa, o coração, as mãos, os pés e a coroa da pessoa. Tudo ocorre ao som de um ponto cantado próprio para o momento. Ilun1inado com um8 vela, o iniciando prestará o jura- mento de fidelidade a Oxalá e ao terreiro e de respeitar ao Pai ou Mãe-de-Santo, :1o Pai ou Mãe-Pequena, ao Alabê, aos Og3s e a todos os outros participantes da engira. Essa parte é igual para todos os outros 1nédiuns.

46

A segunda parte, própria da iniciação do Ogã, pode

ser feita pelo Mentor ou ainda por mna Entidade especialista que é r espon sáve l pda in icia ção, fi rm eza e axé dos O gãs . O Al a bê é c ha n1ado , b em com o os ou tros ins tr un1e ntist as que

compõem a orquestra da tenda. To d os elevam as mãos, forne~

cendo energias, enqu i=lnto a E ntidade fc.tz a preparaç ão cbs m ãos do noviço com pó de pemba, ao 1n esn1o tempo em que

p rofere urn engorossi (prece) sagrado, em sua língua n a tiva.

O A lab ê co l oc c1 s uas mãos so bre as do i nic iand o, e o

Guia E spiri tu a l c elebr a nte env olve~as com o p ô de p em b a,

u nindo~ as ener ge tic ame nt e .

D epois o Gu ia (o u às vezes o A labê) escolhe qual d os

O instn nn ento é lev ado

ao cen tro da gira e pre p an1do para q ue o recém~admitido

ta tnbém possa to ccí-Io. iv1ais uma v ez o pó de pen1b a é u sad o.

Ele toca no tambor escolhido, seguido depois pelo Alabê, e

finalmente é acompan hado pelos outros Ogãs

A Entidtlde o abraç<:l, seguida no gesto pelo A labê e

at ab aqu es que o nov o O gã u t

do terreiro .

p

e los demais Ogãs . A seguir todos os outros participantes da

c

asa tan1bém o s aú d arn, dando~ lh

e bo a s~vin da s.

N ão existe a obrigatoriedade de tomar sua bênção, n1as

o respeito a ele deve ser cumprido, por tudo que foi passado anteriormente nesta obra.

O s rituais podem mudar de terreiro para terreiro, pois

sabe mos que a U mbanda n ão é uma religião q ue seg ue uma

c ochficaç5o, um mod o de ::1gir igu al e m todas as te nd as , a t é po rque t ra ba lha m com m entores qu e poss uem conheci~

m entos e fundan1entos diferentes; porém, na Umbanda, não

existe o recolhimento na camarinha ou Roncó e por ser um3

religião c ristã, muito men os deve~se sacrificar anim ais na

in ic i ação de qu a lqu er fí lh o-de ~san to, n ão s en do dif e r e

qu anto 80S Ogãs.

nte

D epo is d e p rep arados c c ruzados, ritu ais de confinna ç5o

e for talecime nto s8 o rea lizad os pelo Gu ia Men tor dos cou ro s,

com o, por exemplo, o Bori de Ogã, que só acontece tem pos depois de a pessoa estar no cargo, demonstrando sua capaci- dade e lealdade tanto 8 religião quan to ao terreiro. Por ser uma obrigaç~o secreta , nfí.o tenho permissão para passar a maneira em que el<1 é fe ita; porém deixo claro que, diferen te- mente elo Bori fe ito no C <1ndomb lé, neste não ex is te sac r ifício animal.

Cotnportatnento e Disciplina

Conforme foi citado, o Ogã é mn médium com cargo sacerdotal dentro do ritual umbandista. Sendo assim, qual deve ser a sua postura? Sua conduta precisa pautar-se na lisura e na retidão. Lógico que os Ogãs 1 bem como todos os outros médiuns, possucn1 uma vida própria e têm o direito de aproveitar as coisas boas que ela lhes oferece. Porém é sempre bom le1nbrar que, certas atitudes e principalmente, alguns ambientes, não são condizentes com pessoas que possuem uma abertura à recepção e trans1nissão de energias. Médiuns de modo geral obrigam-se a evitar o uso cons- tante de palclvras de haixo calão, bem como freqüentar locais como bares, casas de jogo, prostíbulos, pontos de drogas e tantos outros lugares afins, que, neles, as vibrações negati- vas são constantes devido à presença de espíritos atrasados, verdadeiros "vampiros <1strais, que estarão se1npre prontos a sorver o máximo de energia dos que lá estivere1n. Um Ogã que freqüenta esses locais "pesados" poderá trazer uma carga negativa para dentro do terreiro. Sen1 contar

49

o perigo que seria e le tocar o atabaque , pois suas mãos, que

são os elos de ligação con1 o Mundo Espiritual, poderi<nn irradi a r en ergias d esas tr osa s, ab ri ndo uma entra d e1 para seres

dos mais baixos Planos dos Urnbrais. Dentro da casa, ele eleve dar o bom exemplo disciplinm. C orno certas obrigações devem ser feitas antes do in ício dos trabalhos, é aconselhc-1vel que, dentro do possível, ele

també m se a ntecipe à ch eg8da dos ou tro s n1édi uns, para qu P

h a j8 total concentração e tranqüilidade ne ste m omento tão

importante ao bom andamento da sessão. O in verso deve

o correr nas obrigações realizadas depois d o r itual litú rgico,

ond e os outros 1nédiuns saem do recinto sagrado p ara que os Ogãs possam fic ar a sós. Tod a o brigação d eve ser re alizada

sem pressa, co1n m uito cuidado e respeito. Nas dependên cíets da engira, o Ogã deve estar concen~

trad o n aqu ilo que faz, ev i ta nd o c onv e r sas alh e ia s aos traba~

lhos reali;::;ldos.

O respei to às E n tidades é primordial. Qua ndo uma

a o s n1e mbros da c asa ,

os atabaques devem ser silenciados, de n1odo q ue se facilite a

co m preensã o de todo s. Os Gu ias têm 1nu i to a n os e nsin Ci r;

por isso, ouça e aprenda. Deve ser PROIBIDO o uso dos couros po r pessoas e mbri ag ada s , pois es tas n ?ío est arã o ap tas a mn a bo a conc en~ tração, sem contar q ue, muitas vezes, sequer vão conseguir

tocar o ritmo correto.

dela s e stiver pass and o u n1a rnen sagern

Também não deve ser permitido q ue os Ogãs toquem tambores de outros terreiros sen1 wna a utorização prévia do Mentor da casa, do G uia responsável por eles, o u ainda do Alae do dirigente espiritual. Sair por aí tocando um couro aqui e o u tro ali, poderá acarret:u num grande problema, pois, c mno foi fa lado, c ada terreiro tem s~u fundan1ento e su8 form a de trabalhar. Não custa nada avisar previmnente da pretens<l visita e solicitar ao seu responsável que lhe explique

50

que n1edidas devem ser tomadas para sua proteção antes e depois de tocar em outro terreiro. Agindo de acordo com as

instruções recebidas, aí sitn estará apto a fazer seu toque de forma que não traga quizilas nem para si próprio e nem para

o

instnm1ento de sua C8sa. Se você conhece a casa visitada

e

sabe que se trata de um lugar sério, onde não estaria cor-

rendo nenhum risco de envolvimento con1 cargas negativas,

e se não houver jeito de permanecer como un1 tnero expec-

tador, caso seja convidado a assumir un1 dos instnm1entos, solicite ao seu Mentor (em pensamento) para que lhe dê pro- teção e depois faça um banho de descarrego para se livrar de

possíveis cargas ou miasmas que possam vir a se in1pregnar

em sua aura. A hierarquia funcional deve ser respeitada, sendo que, entre aqueles que possuem o mesmo cargo, o mais novo na função dever<Í sempre respeitar e acatar as orientações do n1ais antigo, pois ele reúne maior experiência e se encontra n1elhor adaptado e integrado aos fundan1entos do terreiro. Além do regulamento interno, norn1almente encon; trado nas tendas e que deve ser obedecido, pode também existir um outro exclusivo para o corpo de Ogãs. Este deve ser elaborado pelo Abhê, incluindo das mais simples obriga- ções até deveres quanto ~l n1anutenção dos instnnnentos.

Saudações aos

Orixás e Linhas

É dever de todo Ogã saber as saudações corretas aos Orixás e o utras Linhas que atuam na Umbanda. Elas podem diferenciar de terreiro para terreiro porque existe mais de uma para cada Corrente, de forma específica. Segue abaixo 8 list<-l dos Ori xás e povos com suas respe c - tivas s<1udaçôes:

• ZAMBI: Zambi~iê!

• TU PA: Tupã-iê!

• OXAL Á:

Exê-B <lh<-1!, Epa~B8h :1 !, Exê -uê-B abá!

• OXÓS S I: Okê~Caboclo!, Okê~Arô !, Okê- Barnbi ~o~ clíme !,

Okê-Oclé!

• YORIM Á ou IOF Á: Adorei as Ahnas !, É pras Almas!

• OGU Jvf: Og unh ê!, Og unhê meu Pai!, Ogum -iê !, Batacorê (Patacori) Ogurn !

IEMANJ Á: Odt>-si ~í!, C1dô~ si 8 ~b8 !, Oclô~i<í!, Od6-fê- i <1b r1!

• OXU.iv1: A iciet) Mami1e Oxum !, O raie -iê~ô!

• IANSÃ: Eparrei!, Eparre i~Oi á!

• NANÃ: Saluba Nanã!

• XANGÔ: C aô~ Cab iecil ê !, K awo ~K abyec ilé!

• IBEJI ou YORÍ: Amin -Ibejí!, Ori-Ibejí!, A mim-Bejada !, Salve os A njos!

• OBALUAÊ ou OMULU: Atotô !

• BOIADEIROS:Jetruá!, Xe tuá!, Xetrm'í !, Xêto-Marornba~Xêto!

• BAIA NOS: Keod é a Bahia !, É pra Bahia! , Odê-o -dé Bahia !

• MARINHEIROS: Marí-Bahá!

• O RIENTAIS : Ori-Bab,'l!

• ALMAS: Adorei as Aln1as !, É pras Aln1as!

/

• EX U: Laroiê !, Exú é M o jubá! Exu- ê!

• POMBA-GIRA: Lar oiê

Outros Orixás

Bombo -Gira !, Ta la Talaia !

• OS SA IM: E u~e ô!

• OXUMARÉ: Arô -Bobo i !, Arô- Mobo i!, A ô- Bobo i!

• TEMPO: Te1npo-iô!

• OBÁ: Ob á~xireê !

• LO G UNEDÉ: L og un!, O u~oriki!

O termo SARAVÁ, ou SALVE, poderá substituir todas as saudações, e ainda deve ser usado quando for saudar a Um~ banda, o Divino Espírito Santo, a abertura e encerrmnento dos trabalhos etc. Assim, quando houver necessidade de saudar alguém, algum rit ual ou uma linh a qualq uer, e não se souber a fonna correta, deve-se fazer uso desses termos que estarão plenamente de acordo com a exígêncía, pois un1a saudação fun- ciona con1o urn a espé cie d e man tra sagrado qu e nos comunica diretamente com o Astral; daí a importância de não inven- tarmos termos c louvações. Sendo o SAMVÁ ou SALVE genéricos, vibram direto na Aruanda, pennitindo que as Enti- dades das n1ais divers8.s linh<ls possatn ouvir o nosso chan1ado .

Saudações Especiais

Alérn das saudaçôes às Entidades e seus respectivos Orixás, existem outras especiais que seguem abaixo:

• CONGÁ: Adubalê~Pcji! (para bater cabeça no Congá)

• DEFUMAÇÃO: Cheirou na Un1banda!

• BABALAÔ ou YALORIXA: Auê~Bab,-1!

PJ\J,PEQUENO: Auê~Miri~Babá!

OGÃ: Og8~nilu!

A UMA GRAÇ;\ RECEBIDA: Adobá!

PEDIDO DE PERDAO: ~v1aleüne!

PEDIDO DE LICENÇA: Agô!

• LICENÇA CONCEDIDA: Agô-iê!

• AO CHEGAR E:tv1 Urv1A CASA: Okê-Olorurn! • AC) SAIR DE U1vfA CASA: Olorum~Didê!

55

Pontos Cantados

Tudo no Uni ve r so v ibr él e evident eme nte possu i som próprio.

Verlbdeiros mantr<lS, os pon tos cantados pôetn em movimen to ond as v ibratórias , produ zindo assim uma m a ior afinidade en tre os p lan os da matéric1 e do espírito . Atnwés de pesquisas científicas , j~1ficou provado q ue

um

os sons

possuernurna freq liência pecu lim, têm cor e ernit.cm, ou dis sipam cert~IS ener g i as . Assim, podemos ~•firmarque os pontos ou "curimh:1S 11

a tn1em

são verd aclei r<ls prec es C8n tad a.s q u e mos tr<l.m

a e <.l rn agi ;.l

da Um band a, bem com () desper tam a harmo n ü1. vibratôri a

de um <1 gim, dinami zan d o

força s da na tureza e fazendo~nos

entrar cm contato com as Forças Celestiais que nos regem. São, sem nenhuma d úvida, importan tíssimos para a hannoni- zaç8o e a efic'icia dos tr~lbalhos d e ntro do terreiro.

E sses c~ ntico s ni'ío dever n se r entoad os a pe n<ls d a

":i

_,E;

.

l

)OCa pr::1 10ra, m;.1s stm , com a

.

r

voz c o coraçao

prectso,

.

antes de t udo, sentir c m sua A lma aq uilo que está se.ndo .

e n to~1clo.

.57

Existen1 curimbas com as mais diversas finalidades:

de abertura e encerratnento dos trabalhos, para defmnação, para bater cabeça (saudar o altar), para louvar linhas e

Orixás, para qu ebrar de manda, médium na Lei ,de ,Pemba, para

para cura, para o rituaI do An1acf (banho de ervas para revitalização da mediunidade) e tantos outros conforme for

a necessidade. Assim, segue uma breve explicação de alguns tipos de pontos usados durante uma sessão mnbandista:

para cruzame nto d e um coroação (confirmação),

• Pontos de louvação: cantados em homenagem aos Orixás, Guias e Mentores espirituais.

• Po ntos de saudação: para hmnenagear a religião, o Pegí (Altar, Congá) ou ai nda em. homenagem aos sacerdotes, Ogãs ou o utros convidados do terreiro.

• Pontos de firmeza: solicitan1 as energias provenientes do Astral Superior.

• Pontos de descarrego: ca ntados durant e as d.efu, mações, os passes, os descarregas da casa ou ainda nas limpezas fluídicas através de trabalho com fundanga (pólvora). Este último utilizad o para quebra d e e ne rgias n egativ as ou a destr uição de larvas as trais qu e às vezes se Impregnam no corpo áurico de determinados in- divíduos.

• Pon tos de chamada: entoados para a evocação das Enti- dades d e Luz que deverão se 1nanifestar nos trabalhos espi, rituais por meio de incorporações mediúnicas, ou sin1ples- mente pelo espargimcnto d e suas energias sobre os campos vibratórios dos terreiros.

59

• Pontos d e dcn1anda: u s a d os p a r a ((q u ebr a r, u n1 <1 f o r ç a nega t iva qu e q uei ra <1gir sobre o te rreiro. Mui tos d esses

poi s as Entidad es sa ben1, mai s d o

ponto s s 5o d e rai z,

que · n in g u é m , o qu e é n e c e ss á ri o par a s e a nu l ar as e n e r~

gias d o m al.

• Ponto sotaqu e : é u m d es Rfi o , ou um a lerta que in dic a qu e ci lgu é m ( e ncar n ado o u n 8o ) n1 a l~in te nci o nad o est <~ pre se nt e n o s t rabalhos (pod e ser um visitante ou , pior ai n da , u m

a de pto d n casa). M u itos des tes p on tos, de fo rm8 indireta

(ou n ã o), d eix a m cla ro q ue <I p es s oa deve se retírar do local.

• Pontos cruzados: são can tigas q ue

(ou es pí ri to m al ig no)

irradimn energias de

d u 8.s o u m a is li nh a s difere nt es ao r nes mo tempo .

• Pont os d e s ubida: e nt oado s JX l ra q u e as e n t id ades d e sin~

corporem de seus médiuns, indo ao Oló (embora), ou seja, fa ze n do se u A chiTê de for ma h an n o n iosa .

• Pontos d e encerratnento : cantad os n o fin al cb sessã o .

• Pontos especiais: para visitar uma casa, para agradecer

um a visi ta, para um A m ací etc.

• Cantigas das folhas: objetivam agilizar o axé con tido n as espécies vegetais. Mrt is usado no Candom blé .

Q uan to a os p on to s do povo da esquen.:la , principa l~

mente quan do a tmm1os co m Exus d e Lei, é importan te evitZlr

aquele s qu e têm mui to m a is o o bje tivo d e imp ressio na r ou

re 8.I fu nção e spiri t u a l. Al iá s ,

ner g ias,

con tribuem para a a trnção de impurezas astrais, chamand o

a ssustar o p ú blico do q ue uma

muit~\ .s dest a s Gl n tig c-:~s , e: 10 i nv é s de v ibr are m b oas e

()0

os Qui úm bas (espíritos malévolos) para o a m biente d o

terreiro e não verdadeiros Exus, que ali estarian1 se os pontos adequados fossem e ntoados. Q uando pronunciamos algo

q ue fala de "forças do Inferno, morto qu e geme, Exu qu e

rnat<-1" etc., ou a inda utilizam os palavras de ba ixo calão ou

duplo sentido voltado ~ sexualidade, não podemos trazer boas energias. Cabe especialmente ao O gâ u sar a curimba

co rre ta para que se a lcance a per feita fir meza dos tr8 balh os

ao qu a l est;1 se propondo.

De acord o com as linhas, as freqü ênci as sonor as mud a n1 no plano espiritual, conf(n·mc destacado abaixo:

Linh a de OxaL1: prcdis p(>em 8 paz e coisas do espírito.

Linha de Oxc'>ssi: harmo nia da natureza.

Linh a de

O gurn: vibrações for tes.

Linh<.1

de

Yorim 8: do lentes, 8s vezes melancólicos.

Linh

é1 de

Xa ngô: gr~1vcs e bai xos .

Linh

e:1 de

lemanj ;~: suaves, ren ov and o o em oc ion a l.

Lin h<:l de

I be jís: a leg res ) predi s põem ao bo rn. â nim o .

N<-l

Umh a ncb, os pontos são ca nt ados e n1 português,

o

u nu ma

m escla d este com dialctos indígenas ou africanos.

Jô. n o C<mdo mblé sfio pro nu ncí c-H.i os de aco rd o co m a Naçã o base do Barrac8o, sendo as rnais c onhe cidas a do Ke tu ou a de Angola, ressalvando q ue, n esta ú ltim8, c n contrcnnos tam,

bé m al g uns cân tico s c nto

cial mls ch amadas Roças de C8boclos, onde trabalham os

C aboclos Boiadciros e alguns Caboclos de Oxóssi.

N o ritua l do Candon1blé, para c(lda n1omento ou ritu al existe uma cantiga correspondente. Aí então terernos pontos

pa ra Pad ê de Ex u, JX\ ra r aspagem de cab eç a d e uma inô, par a

a catu lagcrn,

p8ra muitos ou tros tantos cu ltos ou tradições existentes :1essas organizações religiosel.s.

<Klns na l ín gua po rtu gue s(l, em esp e-

JXl.ra os sacrifícios ! para a saída d a C<11ll8rinh a, e

-

Terminando este capítulo, espero ter deixado claro que o ponto cantado é sagrado e deve ser usado no n101nento correto, transmitindo as energias certas de acordo com o motivo do trabalho e que se for entoado na hora errada poderá acarretar sérios problemas para un1 bom desempenh o da sessão religiosa.

Toques e Ritmos

-

Existe uma grande variedade rítmica encontrada num

terrei ro . Na U1 nb

a nd a e no Ca nd m nblé de Angol a o s atab a~

q

ues são tocados smnen te com as n1ãos, enquanto q ue no

C

a ndo m blé Ke t u em muitos ri tm os

utiliza~se o aguid avi, que

é

u m.a baquet a (v a rinha ) es pecíal para o uso litúrg ico .

No Candomblé, normaln1entc, cada toque corresponde

a um O ri xc'i ern especia l, a té porqu e está diretmnente ligado 8 sua d ança; porétn, na Um banda, essa diversificação cost urila

ser usada pam

todas as lin has vibra tórié\s, n1udando conforme

a necessidade do pon to cantado. O s m 8is cornuns s5o:

Adabi o u Ego: ritn1o sincopado dedícado a Exu. Significa

"l

)a ter para nascer .

!)

Adarrum: invoca tório de t o dos os O rix ás, porén1 n1a ís u sa- do para Ogum. É um ritmo apressado, forte e con tínuo c pode ser usado sen1 canto. M uito bmn para propicíar o transe medi{Jnico.

63

• Aguerê: em io rubá significa ((lentidão". Cadenciado quando dedicado a Oxóssi e mais rápido para Iansã.

• Alujá: toque rápido de característ icas guerreiws. Dedicado a Xangô, também utilizado para que uma en tid ade desincorpo re do médium. Significa "orifício)) ou "perfuração" e1n iorubá.

• Batá: tocado com as mãos, é atribuído a Xangô, embora também possa ser dedicado a outros Orix<:'is. Pode ser Batá len to ou rápido, de c.1cordo co m as cc.1racterísticas da dança executad<l.

• Bravum: não é atribuído a nenhum Orixá em especial. Relativamente rápido, bern dobrado e reiJicado.

• Igbitn: execução len ta com b a tidas fortes. D escreve a via, gem de um ancião. É o toque de Oxalufã (Oxalá Velho) no Candomblé.

• ljex4:í: cadenciado e

tocado so m en te com as mãos. Caim(\

balanceado e envolvente, é relacionado a Oxurn.

• Ilu ou Daró: atrihuído a Ians5, é rápido e de cad ência marcada. Sempre é percuLido com aguidavis.

• Opanijé: ritmo pesado, quebrado por pausas e relativa- mente lento. Lembr~l a circunspeção do Orixá das epide- mias, ligad o à terra, Obaluaê.

• R u fo: repiques graves e constantes. Pode iniciar un1 outro toque e t<.lmbém serve pan1 produzir uma irradiação cons, tan te no terreiro.

• Ru ntó: de origem Fon, executado com r.;lnticos a Obalm1ê, Xangô c principalmente Oxumaré.

• Sató: vagaroso e pesado, é tocado para Nanã, a senhora das iabás (Orixás Fetnininos).

• Vamunha; tocado para todos os Orixás. Rápido, é execu~ tado em situações particulares como a entrada e saída de filhos-de-santo no barracão (Candmnblé) e para a retirada do Orixá.

Alguns desses toques citados são encontrados nun1 ter-

reiro de Umb8nda, que ainda possuetn outros cmno: barra--

Todos são tocados

vento, cabula, congo, e satnba

angola.

com as mãos. São ritmos n1pidos, ben1 "dobrados'', repicados

e que possuem variantes. De Inodo geral s8o usados parr1. n interacão com todas as divindades. T::1nto no Candomblé de Angola quanto na Umbanda, poderemos ainda encontrar outros toques con1o: angoba,

congo de caboclo, congo de ouro, samba cabula, "quebra-- prato", umbanda angola, ika, São Bento Grande, olodutn e qüenda.

Os atabaques e os instrumentos auxiliares deve1n estar integrados, na Inais perfeita sincronia n1usicc1l. Os Og5s obrigam,se a aprender o maior núrnero possí- vel de ritmos, hKilitandD a harn1onização entre canto c toque, pois é terrível ouvirrnos uma melodia en1 que as palavras não se ajustam corretamen te aos sons produzidos pelos instru~ n1entos, sem contar que clS vibrações a que elas se destinmn sempre acnbe:m1 sofrendo <llterações que redundan1 etn sérios problen1as na lig:1ç8o com os Seres de Luz. Para evitar esse tipo de contratempo, um bom conselho é o treinamento, ou scj<.l, o ensaio hnbitual entre aqueles que fazen1 parte da curinl- ba da casa. . O som produzido pelo bater das palmas tambén1 ajuda na Inarcação c produz urna forte irradiação no local. Assitn, o bonl senso determina que os integrantes da engirc1 aprendmn

>

a ncompanhar cada toque do Ogã, criando uma harmonia

e p almas,

jun to ele son s que vibram cmn as forças

gera l entre can to, instrumentos

con1pletando o con~

dos Orixás.

---·- --

Cobertura dos Atabaques

Quando n ão estão sendo tambo res devem P cob ert os

empregados nos cultos, os

pelo Dossel de Oxalá. Esse

~r~1r

tecido deve ser na cor branca, pois é a que traz as energias

divin as r epresentativas de Oxa lá, o Mes tre Supren1o.

tudo , um sinal de respeito

aos instrumentos de maior vibração do terreiro, que só devem ser descobertos no momento cm que _for iniciado seu uso no ritual litúrgico ou em certas obrigações.

O ato de cobri~losé, acima d e

U n1

a t abaque da n ificado (c01n

a pele rasgada, por

exemp lo),

também deve ficar cober to

até que o p roblema

seja sanado. Antes de abrir qw1lqucr couro, os Ogãs deve1n ter a confirrnc:J.çi'ío de que a firmeza já foi preparada pelo Alabê

(ou outra pessoa autorizacb) .

O Dossel pode ficar junto ao tarnbor do Ogã~chefe, ou

ainda ser guardado c uidadosamen te d urante todo o p eríodo da sessão. Ao término dos trabalhos, os instrumentos voitam. a

ser cobertos, ao som de um ponto cantado próprio para a ocasi8o.

Outr as c oberturas s ?í o o s chamCldo s Laço s elos Estes e n volvem cada atêlbaque ~devemser nas cores

Orixú s .

corres -

pon d entes do Orixá que com and a cada tambo r. A ssim , o

c our o d e Oxossi t e r ;:) s eu

laço n a cor v erd e,

o

d e O gu m

é

verm e lh o , el e Oxalá é bran co c assim segu e de aco rdo c om os fundamentos de cad~1casa. Exjstem tendas cujos tambores são destinados a um único Orix<.\ ficando assim todo s o s laços na mesma cor. Além d e indicar q ual é a f<xça que o rege, o pano adon1a e esconde certos amule tos, firmas e outras proteções que não deven1 ficar ex pos tos.

Obrigações Ritualísticas

A partir des te capítulo, seguiremos com algun1as das

muitas o hrigaçô es realizadas pelos Ogãs . Estas são extre n1a-

1nente importantes para o equilíbrio vibratório dentro do terreiro. Em sua grande maio ria, são sim ples, m as envolvem em

torno d e si um il m<tgiil maravil hosa qu e rec ai sobre os in s tru- lnentos sagrados.

po is possue n1 fin a lid ades prô-

prias. Existem obrígaçôes para trocar un1 couro, para energízar um instrumen to, para dar proteção, para realizar un1 trabalho

na tnata, e assim de 0cordo com as mais diversas necessidades

e ncontracbs.

Ma i s um <t vez q u ero d e i xar cl a r o qu e só es t a r e i passa nd o aq uilo qu e me foi permitido, m as que, além destes aqui ensi-

nados, o utros wntos m odos são utilizados nos diversos

p los umbandistas en contrados por esse mundo afora, cada um com seu fundamen to próprio, com seu sistema de acordo

com os ensinamentos de seus mentores espirituais.

D iferem- se nos rit uai s,

te m-

Firmeza dos Atabaques

Esta obrigação muitíssimo simples deve ser feita pelo

A labê, o u, na

o u aind a pelo

1nédiuns

adentrem ao recinto da gira, principalmente porque, o fato

de estar sozin ho e não sofrer interrupções n o n1on1ento da tarefa, facilita bas tante a sua concentração.

O único ma terial necessário é mn defmnador e m

tabletc. D efumam ~s e os a tabaq ues, saud an d o, e m c ad a u m deles, seu Orixá correspondente . O d efun1ador aceso d everá

se r col o ca do e1 nba ixo d o Run ( o maior) de n1od o q ue a fun1Zt~

ça p ossa e n trar no atabaque . Normaln1e nte ess e instrum e nto r e fe re ,se <1 0 Orixá liga d o ao Guia Ment o r espiri tu al d a cas a, por isso a firn1eza é feita n ele, independente de ser ou n ão o couro do A labê.

T e n nina da es ta et ap a, reza~se un1 Pa i, No sso e un1 a Av e~ 1v1aria (ou outra oração de sua preferêncía) , pedindo a Oxalá

e às Forças Superiores como os O rixás, Guias e Mentores,

ausência deste, por um outro O gã au torizado, dirigente espiritual.

Sua realizaç ão prec isa se dar ante s q ue outro s

para q ue e nvo lvam e sses in str um e ntos corn m u ita l uz, a fi m de criar um elo de ligaç8o en tre nós (médiuns) e as rnais Altas Esferas C e lestia is. Solicita~se també m forças para que possam quebrar as dem anc-las, protegendo a casa d as correntes negativas.

/

E muito importante q ue, no momento em q ue estiver fazendo se us pedidos, o Og5 se e ntre gue totalmente, pois falando com o cor8ç5o aberto, as palavras sairão d e forma natural, mostrando q ue neste momen to está ocorrendo todo um envolvimento com as energias divinas. Para o próximo trabalh o, as cinzas d evem ser despa~

chadas na rm1, antes d e preparar o

novo defumador.

Cruzatnento do Couro

Quando un1 Ogã for cruzado no te rreiro e um ataba,

que for a ele destin a do, exis tirá, a partir daí, um a troca de energia en tre arnbos, o u seja, é como se um fosse uma extensão do outro. Porém, isso não lhe o direito d e chegar e ir tocando

prepara ção an terior. Em prim e iro de corpo e mente para pode r u sa r

um instrumen to sagrado . Depois, j á caracterizado co rn sua

roupa branca, deve, antes de tudo, dirígir-se ao Congá e bater cabeça, solicitand o aos O rixás e en1 especial a Oxalá para que lhe mui ta forç a, permitin do assün que cLnnpra sua missão. então irá de encontro ao seu instrumento. Se o couro est iver coberto pel o Dosse l, deve pedir li- cença ao Orixá para descobri-lo. Quando for o último ataba, que a ser aberto, entregar o Dossel para o Alabê.

o tambor sem n e n huma lugar, deverá estar limpo

qua lq ue r,

ele acordo com o fu ndamento do terreiro), cruzará o couro e

suas mãos, pedindo aos Orixás forças para que smnente boas

energias vibrem durante os trabalhos Litúrgicos.

Usando três fo lh as de guiné (ou outra planta

C

om isso, o O gã estará a tiva ndo essa e n ergia e refor;

ç ando justamente esse e lo d e ligação entre eles, fazend o com que, n o n1omcn to d o toque , essa luz única se torne uma gran,

d e fon te de vibrações posi tivas, trazendo as fo r ças ne c essárias

das Ent i da d es que vêm de Aru a nd a

para um a m e lh o r atuaç~o

para atuar na nossa Umbanda.

Energização

Assim como existe o Amací (banho de infusão de ervas), que serve para equilibrar e energizar a coroa dos 1né~ diun s , ex istem também o utras forn1as de tr azer n1ais fo rças aos instrumentos e às 1nãos dos Ogãs. Essas obrigações podem ser feitas 1nensalmente, a cada três 1neses, ou a critério de cada Alabê; poré1n, é n1uito ünpor~ tan te que sej am realizadas. Fora do ho rário da sessão (pode ser logo n o té rmino

cor tinas e ocorre o ritual onde somente

os Ogãs devem estar presentes. Se a casa n ão usa cortinas ou se essas permiten1 a visão in tern a da gira, a obrigação deve ser realizad a e m o utro dia. C ada um dos elementos, n a posse de seus devidos ins~ tru rn e ntos, d eve rá, em fre nte ao Congá, elevá~ lo n1ai s ou n1e~ nos à altura d a imagem d e Oxalá, solicitando para que qual~ quer c arga n egativa ainda presente no couro seja dissipac-b e levada para o fundo do mar de nossa Mãe len1anjá, e que as forças pos i t iv as possam e n v olvê~ lo tra ze nd o as energias de todos os Orix<:'í.s, em especial daque le que o cmnand a .

dessa), fechmn~se as

A pós essa parte, com os tambores nos lugares de cos-

t um e , coloca ~se pó d e

responsáveis e também sobre o couro de cada atabaqu e, dei-

x ando que ali pennane ç<1 a té a próxima

Uma outra forma é a captação de energias dos A s tros. Os

a tab<=tqu es c o u tros instr u mentos, quando colocados sob a luz

do Sol c da Lua, recebem as forças universais, que produzem um perfeito equil íbrio. Essa pnitica fun ciona tal qual os pôlos positivo c negativo q ue, juntos, v8o gerar a "Luz Divina" emitida por esses q uando utilizados com fins litúrgicos. Para isso, coloque

os instrum entos num local aberto (não pode estar chovendo),

pemba nas mão s de se u s re spe c tivos

sessão espiritual.

onde incida [uz d íre t8 destes Astros. Acenda um a vela branca ou da cor vibratória do Orixá dono do couro, e peça-lhe com

o u

fe

rvo r qu e

o d e scarregue e re en e rgize a firn de q ue seja útil

para

o

templo e principalmente q ue se equilibre com as luzes de Deus

(Zambi, Tupã, Olorum

),

criador de todo o Universo.

Irnpor t a nte: não realize es te trabalho n o p e ríodo da Lua

enviar, vai sim, retirar energia

do instrumenro. Dê preferência à Lua Crescente ou C heia. Todas es s<1S obrigações pod em ser feitas tamb é m COlYl

o s instrumentos 8uxilia rcs, de form a que possam reter e pre~ servar as boas vibrações ca.pwdas do Plano Universal. Para energízaç5o d <:tS m ãos, é muito bom co locá-las sobre o altar, com as p alm as voltadas para cima , e pedir a O xalá que as iluminem, permitindo que sua mediunidade se

desenvo lva melhor a cad a dia, e qu e tenha sempre uma bo<:l

intuiç ão, finn e e

são. O Congá d e um terreiro bem firmado pelos Orix::ís possuí uma energia própria, re fo rçad a pelas forças celes tiais e é essa energia que devemos absorver. Lavá~l as c om a s ei va p ura de certas pla nt as ta m b é m faz co m que elas se renovem. As ervas m ais usadas são: arruela, g uin é , espada~ d c -são -jorge , man g ueir a ou outros vegeta is relacionados aos Ü rixcí.s.

Minguan te , po is essa, ao invés

d e

segura pma o bmn c umprimen to de sua mis~

76

Alin1entar os Atabaques

Dentro do Candotnblé, os atabaques, alén1 de instru~ mentos sagrados, são considerados como a própria represen~ tação do Orixá, e significam, muitas vezes, o Olorí e o Eledá (Anjos da Guarda) do chefe do terreiro. Assim, os couros têm tratamento especial como se fos~ sem verdadeiros Orixás e precisam ser purificados e alímen~ tados, conforme mostra a velha tradição, nmn ritual que deve ser renovado todo ano. Dentro do Aliaxé, os tambores em pé são lavados con1 água benta ou da chuva. Depois, unta~se con1 apô (azei.te~ de-dendê), com mel e finalmente deixa~secair mn pouco de ejé (sangue) de uma ave sacrificada no ritual. Terminada esta parte, deita-se cada um deles numa esteira nova ou em folhas de coqueiro. A Yabassê (cozinheira) podere) então tirar os axés (ca~ beça, asas, patas, cauda, fíg<1do, coração, moela e rins), prepa- r;í-los sem sal e scrvi~los crn tigelas aos Orixás donos dos atabaques. Se existir algum destinado a Exu, este deverc'i comer na casa de Exu.

77

Perma necem assim por doze horas n o Roncó do Aliaxé. Depois, s ão l e va nt cH:los para o t oqu e ge ral c ha1nado Xirf\ onde cm1ta~se nu ma grande fes ta a tod o s os O rixás. Sabedores que somos de que, devido à sua base cristã,

a Umbanda não deve utilizar em seus rituais o sacrifício anin1al, ap e nas a part e da purifi ca ç ão d os couros, co m água~

benta ou da chuva, poderá ser feita pelos seus Ogãs. O ((refor~ ço" ou o "alimen to, dos tambores usados na Umbanda pode ser feito atr:1vés d as obrigações mencionadas.

Descarregar o Cot.tro

Para retirar as en ergias qu e poss::un ficar inu1ntadas no

tam bo r, a lém dos en sinamen tos lava r o cour o co m ;:1gua do mar,

un1 grande poder de "quebrar" forças negativas . Após a lavagem, o atabaque deverá ficar sob a luz do Sol, secando. J::í. a água dever<:Í. ser despacbada. Ou tr a form a é d e ixn r de urn a noite p ara o utr a, -ou 1ne~ lhor ainda, de um trabalho para o o utro, um.vasilhame (copo ou quartinha) com <Ígwl (d e preferência d a cachoeir~1,1nas

p od e~ se us ar a ág ua trata da qu e rec ebem os e 1n c as n ), con1 um pedaço de carvão. A água é grande condutora e o carvão (minera l ou vegetal) t e n1 mui ta facilid ade em absorver en ergias. Antes do início da outra sessão, despache todo o con, teúdo do v asilhame e lave~o em água corre nte, antes de pre~ parar novamente ::1 defesa.

an teri o r es, ainda podemos po is sabemos que es ta tem

Troca de CoUro

Un1 atabaque, ou qualquer outro tmnbor cmn o couro rasgado, não deve ser utilizado de fonna algun1a·, pois não produz bons sons e, conseqüente1nente, atrapalha as vibra~ ções do terreiro. Porém, trocar un1 cou ro de um instrumento sagrado requer todo un1 ritual. Deve~sepedir Agô (licença) ao Orixá do no do instr ume nto, ace ndendo ~se mna vela en1 seu nm ne. Essa pe l e rasgada deve rá ser despachada junto à na tu~

reza, de preferência den tro de uma mata (recinto natural do Senhor Oxóssi). Coloca~se o couro coberto co1n de pemba ao de uma árvore. Acende-se uma vela ao Guia Mentor dos Ogãs da casa, solicitando sua proteção. Un1a segunda vela deve ser acesa a Oxóssi , pedindo licen ça pa ra despachá~lo en1 seu te rritório sagrado, e finalmente mna terceira, ao Orixá dono do couro, pedindo que todas as energias nele contidas possam ser dissipadas.

A pele nov8, depois de colocada n o atabaque, deverá

ficar coberta por pó de pemba durante três dias, antes de

novamente ser firmada pela Entidade responsável, e somente depois disso é que o tambor poderá ser novmn en te percutido nas sessões li túrgicas. Lembre, se: u m couro nã o pre parad o não te r á fo rça a lguma junto às Esfe ras Po sitivas do A s tral.

82

Trabalhos Junto à Natureza

São muito cornuns na Urnbanda os trabalhos externos en1 locais cmnandados pelos Orixás, colno as rnatas, praias, cachoeiras e pedreiras. Para podennos atuar nesses cmnpos sagrados, certas saudações deven1 ser feitas antes de adentrá-los e cabe aos Ogãs entoá-las, con1 caráter de obrigação, pois alén1 de louva- retn, deverão também pedir a proteção durante todo o tempo que lá estiverem. Muitas são as formas de solicitar essa permissão e prote- ção; porén1 o importante é não esquecer de fazê-las antes de penetrar num território que não nos pertence, 1nas sitn aos Orixás e seus falangeiros que lá têm seu ponto de vibração.

Nas matas e cachoeiras

Os terreiros costummn ir às matas a fin1 realizar ostra- balhos dedicados ao grande Orixá Oxóssi e seus n1aravilhosos Caboclos. Para entrar, deve-se agir da seguinte forma:

N a "boca da ma ta" , ou sej a, na entrada, todos os 1né,

diun s do terreiro, reunidos, devem saudar e pedir licença ao

Ex:

pois ele é o guardião e se ntinela

caia) . Ten11inada a primeira e tapa, os médiuns do terreiro seguem na frente, permanecendo, então, os Ogãs, na reta, guarda, pois cabe a eles a conclusão de mais algumas obrigações .

da Mata, conhecido também como Exu da Boca da Mata,

t

que c uida desse loc al (Ma,

Estando a sós, cantarn agora para os C aboclos Boi3,

de iros, que são Entidad es mu ito ligadas a esses

que também atuam sob o cornando do Orixá da fauna e da flora. A cada cantiga peden1forças, segurança e boas energias para os instrumentos, assiin como para aqueles que os fa rão vibrar (os O gãs), durante tod o o tempo que ali permaneceren1.

Por fín1, canta, sc ao Orix á O xóssi, solicitando suas energias e sua bênção a todos do terreiro. Nas cachoeiras, as louvações são ento adas para a Corrente do Povo d as Á guas, P.n1 especial à M a1nãe Oxun1, dona d a água doce, dos rios e das casca tas, e a Xangô, que é o Orixá d as pedreiras, mas que também atua nas cachoeiras.

médiuns e

Trabalhos na praia

Outra festa muito cmnmn é a que se dedica à Ien1anjá.

Realizada n a praia, denmninada pelos Umbandistas de "Ca,

reúne milhare s d e adep tos en1 tod o o lito ral de ou tros países).

Porém, tal como a n1ata é moradia de muitos espíri tos

e a eles pedün os licença para a tu ar e1n seu ca1npo vibratório,

tam bém nas praias isso n ão

Essa é uma obrigação que deve ser feita smnente pelo grupo d e O gãs, sem a necessidade da participação de ou tros médiuns. Pode~sefazê-la no momento em que as pessoas esti~

lunga,Grande", brasileiro (e a té

se dá de n1o do dife rente.

verem atarefadas, preparando o local onde acontecerão os trabalhos espirituais.

Visualizando, a partir da área à beira da rua, até o n1ar, divide~se,imaginariame nte, a a reia em três pa rtes. Na prirneíra fração, correspondente à parte mais seca

do areal, e nterram-se

os Ogãs ca ntam em louvor a Ogum

Beira -Mar, peclindo~lhe que tnuita força, tanto aos instn.I-

mentos q uanto para todo o

m eiro C\ r o. Fe i to i sso,

os

três atabaques até

a altura d o pri~

terreiro.

Retirados os tambo res, segue-se tnai s à frente, até os Iin1ites d a segunda áre<l. Repete~se o procedin1ento, porém agora, direcionando os cânticos ao Exu Maré, de modo que, com swYfala.nge, possa protegê-los, livrando~os da ação das forças tnalignas que possam se dispor a causar perturbações. Lembrem-se que, para cada campo de vibração natural, há sempre uma legião de Guardiões incun1bidos de resguardá- los; portanto, assim como o Exu da Mata vigia a n1acáia de Oxóssi, o Exu lvfaré é sentinela do "Reino das Águas Salgadas". Finalmente termina-se o ritu a l, na parcela tnais próxi, m::1 ao local onde as o nd as chegam. E con1 o bojo m enor d os atabaques soterrados junto às águas, canta-se para Iemanjá, Rainha dos Mares, solicitando pe rmissão para a realiz::1ção dos trabalhos nos limites de seu reino, e pedindo que envie

suas irradiações positivas, envo lvendo a todos com as en1ana,

çôes sa lutares ex istentes em seu campo vibrató:-io.

Guias e Colares

Como saben1os, os instrmnentos consagrados traba, lh a m numa troca co n sta n te de energias c o n1 o Ast ra l. Porétn,

n en1 sen1pre apenas as bo as vibrações recaen1 sobre eles. Muitas vezes o tatnbor funciona cmno un1a espécie de párél,raios, atraindo forças que certan1ente atrapalhariam o terreiro, c apesar de toda a preparação, firn1eza e proteção

qu e neles possan1 existir, a inda assim, seus sofrer certas influências.

operadore s poderão ·

E aí é que se verifica o verdadeiro

sentido d a necess1,

dade das guias (colares). Assim co1no o dirigente espiritual

tern uma guia especial, preparada de acordo cmn sua posição hierárquica, os Ogãs também deverão tê,Ias, devidmnente firmadas e 1noldaclas de fonna a identificá,los conforme o grau ou função ocupados na casa. Procure saber com se u Mentor Espiritual a ma neira

correta de preparar esses 'cfios,de, contas" . 1v1uit.as vezes,

qu a ndo os m ontamo s

gas de cristal, louça o u sim plesmen te plásticas (estas últilnas n1enos rec o m en dávei s), a Guia de Ogã d everá ter as co re s

tendo con1o ma teria l de preparo n1içan-

correspondentes aos Orixás que vibram nos três couros da casa. Por exemplo: se os t.an1bores são dedicados a Oxalá, Ogum e Oxóssi, os colares terão contas brancas, vennelhas e verdes. Se forem de Oxaic1, Xangô e Ie1nanjá, elas serão nas cores branca, n1arrom e azul, e assiln de acordo com o funda- n1ento de cada couro. Dê preferência aos produtos naturais (sementes, pedras, conchas); porén1, na impossibilidade, não há nenhum proble- n1a se você usar as miçangas, pois todas as guias deverão ser irradiadas e preparadas pelas Entidades antes de serem utili- zadas, caso contrário, terão o mesmo poder de un1a bijutcrb qualquer, ou seja, nenhum. Deve ficar cruzada na altura do tórax, cmn um colar de Exu, para que o Ogã esteja guardado dos dois lados, ou seja, na direita e na esquerda, prmnovendo o equilíbrio neces- sário para a segurança da casa e dele próprio.

Importante: na Umbanda, a guia de Exu não deve ser colocada passando-a pela cabeça, ou seja, pela coroa do mé- diwn, mas de baixo parrt cima, ou seja, pelos pés. Isso serve para qualquer médium, pois Exu não cuida da coroa, deixan- do essa responsabilidade pclra os Guias de Luz dirigidos pelos Orixás, ou seja, as Entidades con1umente denominadas pelos umbandistas como "de direita". Não que os Exus, especial- mente os de Lei, não possuam luz própria, mas apenas porque esses sf.ío auxiliares diretos das outras Linhas e não donos de coroa de médiuns umbandistas. Alén1 dessas duas guias em especial, os Ogãs deverão usar .outras conforme as orientações dadas pelas Entidades Espirituais, tendo en1 mente que a função por elas exercida é exclusivamente de imunização e proteção aos que delas fazen1 uso e jamais para sua orna1nentação.

88

Den1anda Entre Ogãs

Demanda é a ação contra algo ou aiguén1. . Graças a Deus é cada vez 1nais raro se encontrar alguém que saiba, realn1ente, fazer aquela ((de1nanda forte", que antí; gan1ente era con1um ocorrer entre o I! povo~de~santo". A tua~1 rnente, existem mais aqueles que, Inovidos pela vaidade e pela inveja, "demandatn" contra os outros, valendo-se da emissão de fluidos negativos forn1ados por ondas mentais e sentimentos inferiores, do que realn1ente usando a combi~ nação de segredos mágicos, cujas forças se encontrmn no Astral Inferior. Por isso, devemos tmnar o n1áxin1o cuidado con1 essas pessoas, pois a inveja e o mau~olhado são males tão nocivos que, por vezes, podetn exercer uma ação muito mais eficaz que qualquer feitiçaria ou influência de espíritos vingativos e obsessores. Note que eu disse C:]ue é n1ais raro, porém ainda existem aqueles que têm o conhecimento da "n1ironga" en1pregado para o mal. E onde entrmn os Ogãs