Você está na página 1de 27

DIREITO COMERCIAL

Antes do Código Civil Código Comercial de 1850, que estava dividido em: parte primeira (DO COMÉRCIO EM GERAL), parte segunda (DO COMÉRCIO MARÍTIMO) e parte terceira (DAS QUERBRAS, tratava do instituto das falências, porém já havia sido revogada pelo Dec. Lei 7661/45, que também fora revogado pela Lei 11101/05). Nas duas primeiras partes foi introduzida a teoria dos atos de comércio.

1 - Teoria dos Atos de Comércio (teoria francesa) introduzida pelo código comercial de 1850, para trazer o conceito de comerciante (pessoa física) e de sociedade comercial (pessoa jurídica). Para ser considerado comerciante a pessoa física precisaria ter habitualidade, atividade lucrativa e praticar atos de comércio. A mesma coisa se aplica também para a sociedade comercial.

Atos de comércio O Regulamento 737/1850 foi quem listou e definiu o que são os atos de comércio. Ex. compra e venda de bens móveis, frete marítimo, atividade de transporte, atividade bancária, etc. O problema é que a análise do comerciante é extremamente objetiva, se não estiver elencado no rol taxativo do regulamento 737/1850, não seria tido como sociedade comercial ou comerciante.

2 Teoria da Empresa (teoria italiana): art. 966 do Código Civil Com a revogação da parte primeira do Código Comercial, passou-se a ter a TEORIA DA EMPRESA com o art. 966 do Código Civil. Obs. O art. 2045 do Código Civil revogou apenas a parte primeira do Código Comercial, ou seja, só se o assunto for comércio marítimo, deve-se observar a segunda parte do Código Comercial de 1850. Art. 740 do Código Comercial Arribada Forçada: quando o navio sai do porto, ele já tem que ter um destino certo, com o trajeto previamente definido, se porventura no meio da viagem o navio for obrigado a fazer uma parada em algum lugar que não estava definido é uma arribada forçada. Art. 741 do Código Comercial diz que um dos justos motivos para a arribada forçada é o fundado receio de ataque pirata.

2.1 Conceito de empresário: art. 966 do Código Civil empresário é quem exerce

profissionalmente uma atividade econômica, organizada, organizada, para a produção ou então para a circulação de bens ou de serviços. Para que seja entendido como empresário é necessário que ele tenha habitualidade em sua atividade econômica. Além da habitualidade a lei fala de atividade econômica, que significa, em linhas gerais, lucro, assim, o empresário tem que ter por

objetivo a finalidade lucrativa. Além disso, a lei fala em organização, subdivide-se o empresário em individual (pessoa física) e coletivo (sociedade empresária pessoa jurídica). Não se fala mais em comerciante e sociedade comercial, e sim empresário e sociedade empresária. Organização é igual à reunião dos quatro fatores de produção: mão de obra, matéria prima, capital e tecnologia. Na ausência de um dos quatro fatores não se fala mais em organização (Fábio Ulhôa Coelho).

(faltou energia

copiar do caderno da Raquel)

- científica (médico, dentista, advogado, engenheiro

- literária (autor, jornalista

- artística

)

)

Salvo se a atividade (profissão intelectual) tornar-se um dos elementos da empresa, exemplo: clínica com UTI (uti é serviço de hospedagem), e plano de saúde, com aluguel de sala, com cafeteria

2.3 Requisitos para o exercício da atividade empresarial: (art. 972 do CC)

- Pleno Gozo da Capacidade Civil: o menor pode exercer a atividade empresarial, pois ele pode ser emancipado, logo, ele está no pleno gozo da capacidade civil, se o menor não for emancipado ele não pode exercer a atividade empresarial. Exceção: o incapaz poderá continuar (ele não pode iniciar uma empresa, mas pode continuar) a empresa antes de exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança (art. 974 do CC), neste caso o legislador quis preservar a empresa. Requisitos: a) tem que estar devidamente assistido ou representado e b) tem que ter autorização judicial, esses requisitos são cumulativos. O menor que é empresário individual pode pedir Recuperação Judicial? Não. A lei de falência diz que só pode pedir a recuperação quem está há mais de dois anos na atividade, neste caso, o menor emancipado (com 16 anos) só pode pedir depois de dois anos, então ele não será mais menor (pois estaria com 18 anos). Mas se o menor com menos de 16 anos estiver continuando com a empresa, então, neste caso ele pode pedir a Recuperação Judicial.

- Ausência de impedimento legal: (ver a lista de impedimentos no material de apoio). Pontos relevantes:

Delegado Federal, Membros do Ministério Público, Magistrados, Militares na ativa e funcionários públicos podem ser empresários individuais? Não. Porque o empresário individual é a pessoa física que sozinho organiza uma atividade comercial. Mas eles podem ser sócios de sociedade empresária DESDE QUE NÃO EXERÇAM A ADMINISTRAÇÃO.

2.4 Empresário Casado:

(chute do professor para a prova) Art. 1647, inc. I do CC, não se aplica ao empresário para o empresário aplica-se a regra do art. 978 do Código Civil: o empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integram o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. Art. 979 todos os pactos e declarações antenupciais devem ser (obrigatório) averbados na junta comercial. Se o imóvel (residência) é registrado em nome de empresário individual, o STJ diz que incide a impenhorabilidade do bem de família. Se o imóvel (residência) é de sociedade empresária, como sócios o marido e mulher, e o imóvel está registrado em nome da pessoa jurídica o STJ diz que o imóvel é penhorável.

3 Obrigações do Empresário:

3.1

Registro: art. 967 do CC o empresário está obrigado a efetuar o seu registro, no

registro público de empresas mercantis. (lei 8934/94) essa lei diz que existe o SINREM (sistema nacional de registro de empresas mercantis) e o SINREM está dividido em dois órgãos o DNRC (departamento nacional de registro de comércio é

órgão federal, e órgão normatizador e supervisor e a junta comercial é estadual, e órgão executor). Logo, o empresário tem que efetuar o seu registro na Junta Comercial. O art.

6º da Lei 8934/94 diz que a Junta Comercial está subordinada e essa subordinação pode

ser técnica ou administrativa, no âmbito técnico a Junta Comercial está subordinada ao DNRC e no âmbito administrativo a Junta Comercial está subordinada à Unidade

Federativa. Cabe Mandado de Segurança contra ato do presidente da Junta Comercial, e

o órgão competente para conhecer o Mandado de Segurança é a Justiça Federal (essa foi

a decisão do STF RE 199793 - RS), porque tecnicamente a Junta Comercial está

subordinada a um ente federal (DNRC). Exceção à obrigatoriedade na Junta Comercial:

art. 971 do CC empresário rural, ele PODE, e não deve, nesse caso, para o empresário rural, o registro é facultativo, mas se porventura o empresário rural efetuar o registro, ficará equiparado ao empresário que está sujeito ao registro.

Conseqüências da ausência de registro:

a) não poderá pedir falência da terceiro;

b) não poderá pleitear recuperação judicial;

c) tratando-se de sociedade, a responsabilidade dos sócios será ilimitada;

3.2 Escrituração dos Livros Comerciais: livro obrigatório comum é aquele livro

que todo empresário tem que escriturar é o chamado livro diário (art. 1180 CC). O livro obrigatório comum é o livro diário que poderá ser substituído por fichas, em caso de escrituração mecanizada ou eletrônica.

Quem está dispensado da escrituração: art. 1179 do CC o pequeno empresário está dispensado da escrituração de livros, pequeno empresário Lei Complementar 123. Art. 68 Considera-se pequeno empresário, o empresário individual, caracterizado como microempresa e que tenha receita bruta anual até R$ 36.000,00. Sociedade empresarial não pode ser considerado pequeno empresário. Princípio que rege a escrituração dos livros: Princípio da Sigilosidade (art. 1190 do CC). Ressalvados os casos legais, nenhuma autoridade, juiz ou tribunal, poderá fazer ou ordenar diligência para verificar se o empresário ou a sociedade empresária observam ou não em seus livros e fichas as formalidades prescritas em lei. Exibição parcial: em qualquer ação judicial e a qualquer tempo pode-se pedir a exibição parcial. Súmula 260 do STF.

Exibição total: o juiz só pode ordenar a exibição total dos livros em apenas 04 situações, todas elas elencadas no art. 1191 do CC: a) em caso de sucessão; b) em caso de sociedade; c) administração ou gestão à conta de outrem e d) em caso de falência.

Art. 1193 do CC. essa sigilosidade não se aplica às autoridades fazendárias quando do exercício da fiscalização. Conseqüências da ausência de escrituração: no âmbito empresarial não

acontece nada, mas se a falência for decretada para a empresa que deixou de escriturar,

o fato de ter deixado de escriturar configurou crime falimentar. Art. 178 da lei

11.101/05. O crime só se configura se tiver deixado de escriturar o livro diário obrigatório, os demais livros não configuram o crime.

3.3

Demonstrativos contábeis periódicos: o empresário está obrigado a elaborar o

balanço patrimonial (ativo e passivo) e está obrigado a fazer o balanço de resultado econômico (lucro e perdas). Art. 1189 do CC.

3.4 Art. 1194 do CC o empresário está obrigado a manter em boa guarda e

conservação toda a sua escrituração.

4 Estabelecimento Comercial (art. 1142 a 1149 do CC) ler esses artigos para a prova o professor disse que cai muito.

Estabelecimento Comercial é sinônimo de estabelecimento empresarial, e fundo

de comércio e azienda. 4.1 Conceito: (art. 1142 do CC) estabelecimento é todo complexo de bens

organizado, para o exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária.

A lei não fez distinção, o imóvel compõe o estabelecimento, estabelecimento é o

conjunto de bens. Bens materiais e bens imateriais (ponto comercial, patente, marca, domínio de internet, nome empresarial, etc.). - O estabelecimento é objeto de direito (art. 1143 do CC), sendo objeto de direito ele pode ser objeto de negócios jurídicos translativos (compra e venda, arrendamento, etc.) ou constitutivos (penhor). Compra e venda o nome próprio para a compra e venda de estabelecimento comercial é o trespassê.

4.2 Trespassê é o nome do negócio de compra e venda de um estabelecimento

comercial. Para que esse contrato produza efeitos perante terceiros ele precisa ser

averbado na Junta Comercial e publicado na Imprensa Oficial. Cuidado: não é condição

de validade, só não produzirá efeitos perante terceiros.

Trespassê é diferente de cessão de cotas. O trespassê provoca a transferência da titularidade do estabelecimento. Na cessão de cotas não ocorrerá a transferência da titularidade do estabelecimento, mas sim a modificação do quadro social.

4.3 Responsabilidade do adquirente e do alienante no trespasse: art. 1.146

do CC diz que o adquirente responde pelas dívidas do estabelecimento, desde que essas

dívidas estejam regularmente contabilizadas. Se a dívida for trabalhista, aplica-se a regra do art. 10 e 448 da CLT e se for tributária aplica-se a regra do art. 133 do CTN. O alienante responde em responsabilidade solidária pelas dívidas do estabelecimento, pelo prazo de 01 (um) ano. Se a dívida for vencida, conta-se um ano da data da publicação, se a dívida for vincenda, conta-se um ano da data do vencimento.

4.4 Concorrência: depende do contrato. Se o contrato dispõe que é possível a

concorrência, o alienante pode fazer concorrência ao estabelecimento do adquirente. E

se o contrato for omisso em relação à concorrência? Antes do CC não havia nenhuma

referência legal que impedisse a concorrência, portanto, o que acontecia na prática empresarial era a confecção de contrato com uma cláusula de não restabelecimento, proibindo que aquele que vendeu praticasse a concorrência. Hoje a cláusula de não restabelecimento é implícita aos contratos de trespassê por conta do art. 1147 do CC, aquele que vendeu não pode fazer concorrência àquele que comprou, pelo prazo de 05 (cinco) anos.

Art. 1148 Quando se faz um contrato de trespassê haverá subrogação automática dos contratos de exploração (todos os contratos envolvendo a exploração do estabelecimento). Contrato de locação para a jurisprudência majoritária e para o enunciado 234 do CJF, o contrato de locação não tem subrogação automática, por causa do art. 13 e 12 da Lei 8245/91 (lei do inquilinato), nos casos de cessão e sublocação é necessária a autorização do locatário.

5 AVIAMENTO: Fabio Ulhoa Coelho diz que aviamento é igual a fundo de comércio. Cuidado!!! Não é a posição majoritária. Aviamento é o potencial de lucratividade do estabelecimento, é a aptidão para gerar lucro. Obs.: a articulação dos bens que compõem o estabelecimento, na exploração de uma atividade, agregou-lhe um valor que o mercado empresarial conhece como aviamento. Então aviamento não é elemento integrante do estabelecimento, ele é um atributo do estabelecimento.

NOME EMPRESARIAL

Conceito: é um elemento de identificação do empresário ou da sociedade empresária. Modalidades: (art. 1155 CC) Firma individual: só se aplica para o empresário individual. - Social (razão social) a sociedade empresária ou tem firma social ou tem denominação.

responsabilidade limitada. Exceção: Sociedade LTDA pode ter tanto firma social como denominação.

tem

Denominação

se

aplica

à

firma

em

que

o

sócio

Composição da firma individual: nome da pessoa física (completo ou abreviado) + designação mais precisa da pessoa ou do gênero de atividade. Composição da firma social: a firma social só se aplica para a sociedade cujo o sócio tenha a responsabilidade ilimitada. Se o sócio tem responsabilidade limitada, essa sociedade tem que adotar a denominação. Só pode constar o nome do sócio ou dos sócios (pessoas físicas). Composição da denominação elemento fantasia. Exceção: a possibilidade de constar o nome do ou dos sócios, como forma de homenagem ao sócio. DICA: o art. 1158, § 2º do CC diz que a denominação deve designar o objeto da sociedade.

Registro e proteção do nome empresarial:

O registro é feito na junta comercial. A lei 8934/94 dispõe que a proteção ao

nome empresarial decorre automaticamente do registro do empresário ou da sociedade empresária na junta comercial.

A proteção ao nome comercial tem circunscrição estadual, só no estado onde foi

feito o registro.

O nome empresarial é diferente de marca, pois a marca é um elemento de

identificação de um produto ou serviço. Para fazer o registro da marca tem que ir ao INPI, só que o INPI é uma autarquia federal, por isso a marca fica protegida em âmbito federal.

Nome empresarial é diferente de marca é também é diferente de título de estabelecimento: que é o apelido comercial que se dá para o estabelecimento do empresário ou da sociedade empresária. É possível a alienação do nome empresarial? (art. 1164 do CC) O nome empresarial é inalienável. O título de estabelecimento e a marca podem ser alienados, mas o nome empresarial nunca.

DIREITO SOCIETÁRIO

Sociedade empresária:

- art. 982 do CC: sociedade empresária é a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro.

- objeto:

Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade em comandita por ações sempre serão sociedade

empresária.

Sociedade anônima (SA) - sempre serão sociedade empresária. Sociedade limitada (LTDA)

Sociedade simples:

- É aquela sociedade que tem por objeto atividade considerada não

empresarial. Ex. profissão intelectual de natureza científica, literária ou artística. Não tem o elemento organização.

- Objeto:

Sociedade simples pura (não sofreu a influência de qualquer outro tipo societário; Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade limitada (LTDA) Cooperativa somente serão sociedades simples

Sociedades Personificadas: é aquela sociedade que possui personalidade jurídica. Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade em comandita por ações sempre serão sociedade

empresária.

Sociedade anônima (SA) - sempre serão sociedade empresária. Sociedade limitada (LTDA) Sociedade simples pura (não sofreu a influência de qualquer outro tipo societário; Cooperativa somente serão sociedades simples Essas sociedades só adquirem a personalidade com o registro na Junta Comercial (se a sociedade for sociedade empresária) se for uma sociedade simples o registro é feito no registro civil de pessoa jurídica. Exceções: a sociedade de advogado só adquire personalidade jurídica com seu registro na OAB; cooperativas ainda que sejam sociedades simples o registro é feito na junta comercial.

Sociedades não Personificadas: é aquela que não possui personalidade jurídica. Sociedade em comum (art. 986 do CC) é a sociedade que não foi levada a registro. Uma sociedade em comum se for levada a registro passa de sociedade não personificada para sociedade personificada. Na sociedade comum a responsabilidade dos sócios é ilimitada e solidária. Nós temos duas modalidades de responsabilidade, a responsabilidade que o sócio tem perante a pessoa jurídica a sociedade; e a outra responsabilidade que é entre o sócio e os demais sócios, a responsabilidade que o sócio tem perante a sociedade é subsidiária. Solidária é a responsabilidade que o sócio tem perante os demais sócios. Sociedade em conta de participação. (991 do CC) tem-se duas modalidades de sócios ostensivo e participante.

O sócio ostensivo é quem exerce o objeto social, ele age em seu

nome individual e ele tem responsabilidade exclusiva. Só ele quem administra e explora a atividade. Ela não tem nome próprio, por isso o sócio ostensivo faz tudo em seu nome individual.

O sócio participante participa dos resultados correspondentes.

O contrato social produz efeito somente entre os sócios e a eventual inscrição (registro) do seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade.

Classificação:

A) Sociedade de pessoas ou de capital

- Sociedade de pessoas: leva em conta o grau de dependência da sociedade em

relação às qualidades subjetivas dos sócios.

- Sociedade de capita: quando a característica subjetiva deixa de ser importante e se leva em conta o capital investido pelos sócios na sociedade.

- Quando se tratar a sociedade de pessoa só pode haver a cessão de quotas com a

anuência dos demais sócios, a mesma coisa acontece com o ingresso de herdeiro em caso de falecimento do sócio.

- É possível a penhora das quotas de um sócio? Se for sociedade de pessoa, a

cota é impenhorável. Ao passo que se for sociedade de capital a cota é penhorável. STJ

pelo princípio da ordem pública a satisfação do crédito do credor envolve todos os bens do devedor, então a principio é penhorável sim, mas primeiro deve-se dar preferência para a sociedade ou os sócios adquirir as cotas, se eles não comprarem as cotas, nesse caso o terceiro estranho pode arrematar. Sociedade em nome coletivo: sempre vai ser uma sociedade de pessoas. Sociedade anônima: sempre vai ser uma sociedade de capital. Sociedade limitada: pode ser de pessoa ou de capital.

B) Sociedade contratual e institucional

- Sociedade contratual: regime de constituição e dissolução do vínculo societário.

LTDA (principal)

- Sociedade institucional é constituída por um estatuto social. As duas únicas institucionais é a sociedade em comandita por ações e a Sociedade Anônima.

C) Responsabilidade ilimitada, limitada e mista

- Critério: Responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais.

- Responsabilidade Ilimitada: quando o sócio responde com seu patrimônio

pessoal as dívidas da sociedade.

- Responsabilidade limitada: quando o sócio não responde com seu patrimônio

pessoal pelas obrigações da sociedade;

- Responsabilidade mista: quando uns sócios têm responsabilidade ilimitada e outros responsabilidade limitada.

Nacionalidade da sociedade - Nacional: a sociedade deve ser organizada de acordo com a lei brasileira e é

necessário que a sede da administração seja no país. Esses requisitos são cumulativos.

- Estrangeira: qualquer sociedade estrangeira precisa de autorização do poder executivo federal para funcionar no país.

Sociedade em nome coletivo Todos os sócios respondem ilimitadamente e solidariamente.

Sociedade em comandita simples Ela é uma sociedade mista. Duas categorias de sócios: comanditado e comanditário Comanditado: só pode ser pessoa física, tem responsabilidade ilimitada e solidária. Comanditário: pode ser pessoa física ou jurídica, tem responsabilidade limitada.

Sociedade Limitada

a) Legislação aplicável: regras do código civil (artigos 1052 e ss), nas omissões do capitulo das LTDAs aplicam-se as regras das sociedades simples. Ela tem contrato social, que pode ter a regência supletiva da lei de SA, por meio de uma cláusula especial. Se o contrato social tem cláusula prevendo a regência supletiva da lei de SA, não se aplicam as regras da sociedade simples e sim da SA.

b) Constituição da LTDA: a sociedade limitada é constituída por um contrato social, e esse contrato social tem o que chamamos de requisitos. Requisitos comuns: Agente capaz, objeto lícito e forma legal. Menor pode ser sócio? Só se assistido ou representado, não pode exercer a administração, o capital social tem que estar totalmente integralizado. Forma legal:

instrumento público ou particular, ambos necessitam de visto de advogado. Requisitos especiais: 1) contribuição dos sócios. Capital social é o valor destinado para a exploração da atividade econômica provindo da

contribuição dos sócios. Subscrição é o ato de comprometimento do sócio

perante a sociedade. Integralização é o ato de pagamento efetivo das cotas da sociedade LTDA. 2) distribuição dos lucros e das perdas (art. 1008).

c) Pressupostos de existência: pluralidade de sócios. É possível existir a unipessoalidade temporária, pelo prazo de 180 dias. (art 1033, inc. IV do

CC)

É possível sociedade entre cônjuges? Sim. Art. 977 CC, mas se o regime de bens for o de comunhão universal de bens ou regime de separação obrigatória, nesse caso não se admite a sociedade entre cônjuges. Afectio societatis é a disposição dos sócios em formar e manter a sociedade uns com os outros quando não existe ou desaparece esse ânimo, a sociedade não se constitui ou deve ser dissolvida.

Clausulas acidentais: são aquelas que não precisam necessariamente constar no contrato. Cláusula do prolabore: prolabore é diferente de lucro, no lucro todo sócio tem que participar, no prolabore recebe até aquele que não é sócio, porque está relacionado ao trabalho desenvolvido pelo não sócio. Cláusulas essenciais: art. 997 do CC.

SOCIEDADE LIMITADA

RESPONSABILIDADE DO SÓCIO NA SOCIEDADE LIMITADA ARTO 1052 DO CC

A responsabilidade do sócio está restrita ao valor de suas cotas, porém, todos os sócios respondem solidariamente pelo que falta para a integralização do capital social.

Sócio remisso é aquele sócio que deveria integralizar e não integralizou. Art. 1004, parágrafo único do CC. O que pode ser feito com o sócio remisso? Ele pode ser excluído, buscar a indenização ou redução da quota. Exceções: casos em que a responsabilidade dos sócios será ilimitada:

- dívidas trabalhistas

- débito com o INSS

- desconsideração da personalidade jurídica

- art. 977 do CC se os sócios estão violando o art. 977, a responsabilidade dos sócios será ilimitada. (comunhão universal ou separação obrigatória).

Quotas Sociais O capital social da sociedade limitada está dividido em cotas sociais. Então o sócio possui quotas. As quotas sociais conferem ao seu titular o direito de sócio da sociedade limitada. Ele é chamado sócio cotista.

Formas de integralização

- dinheiro

- bens (móveis ou imóveis) atenção a CF diz que o ITBI não incide sobre a

transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoas jurídica em realização de capital.

- créditos: ex. nota promissória, duplicata.

- Pode-se integralizar com prestação de serviços? Art. 1055, § 2º. Não, esse artigo veda a integralização com prestação de serviços.

DIREITOS DOS SÓCIOS NA LTDA Participar das deliberações sociais (art. 1072 do CC) As decisões são tomadas ou em assembléia geral ou em reunião. Exceção do art. 1072, §1º, se a sociedade LTDA possui mais de 10 sócios, é obrigatória a realização de assembléia geral. Art. 1079 aplica-se às reuniões dos sócios, nos casos omissos no contrato social, as regras sobre a assembléia. Regra geral das deliberações (art. 1010 CC): as decisões são contadas pela maioria de votos, e os votos são computados de acordo com o capital social, prevalece a decisão de maioria do capital social. Critérios de desempate: 1º número de sócios; 2º decisão judicial.

Fiscalização O Conselho fiscal na sociedade LTDA é facultativo, em que pese a fiscalização ser mais efetiva por meio do Conselho Fiscal, na LTDA o conselho fiscal é facultativo.

Composição do Conselho Fiscal:

- Três ou mais membros e com igual número de suplentes. - Pode ser conselheiro sócios ou não, desde que sejam residentes

no país.

Direito de Retirada ou Recesso

O sócio tem direito de sair da sociedade. (art. 1029 do CC)

Sociedade com prazo determinado: só é possível o sócio sair da sociedade se tiver justa-causa, e a prova tem que ser judicial. Sociedade com prazo indeterminado: pode sair, não precisa de justa-causa, e nem precisa provar nada judicialmente, a lei faz somente uma exigência: o sócio deve notificar os demais sócios com antecedência mínima de 60 dias.

Participação nos lucros (art. 1008 CC)

O sócio tem o direito de participar nos lucros, e se porventura o contrato

social tiver uma cláusula excluindo o sócio dos lucros, essa cláusula é nula.

Direito de Preferência (art. 1081 CC) Se a sociedade aumentar o seu capital social, haverá aumento de quotas, nesse caso, o sócio tem que ter preferência na aquisição dessas quotas.

ADMINISTRADOR (art. 1060 e 1061 do CC)

O administrador pode ser tanto o sócio, como também um não sócio. Ele

poderá ser nomeado em contrato social ou em ato separado (ex. ata de assembléia). Não sócio pode ser administrador da LTDA, só que para que o não sócio seja administrador da LTDA é necessário que se preencha dois requisitos: previsão no contrato social e aprovação dos sócios (o quorum dependerá do capital social, se ele estiver totalmente integralizado, o quorum será de 2/3 do capital social, aprovar o não sócio como administrado; Se o capital social não está totalmente integralizado é necessária a unanimidade, todos devem aprovar o não sócio como administrador.

Impedimento legal para ser administrador (art. 1011 do CC) Não podem ser administradores de sociedade os condenados por crime falimentar, prevaricação, peita ou suborno (enunciado n. 60 do Conselho da Justiça Federal as expressões peita ou suborno devem ser entendidas como corrupção ativa ou passiva), concussão, peculato; crime contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra as normas de defesa da concorrência, crime contra as relações de consumo, crime contra a fé pública, e crimes contra a propriedade. Enquanto perdurarem os efeitos da condenação.

Poderes do Administrador (artigos 1018 e 1019 do CC) Se o administrador foi nomeado no contrato social e tratar-se de um sócio:

os seus poderes são irrevogáveis.

Se o administrador é um não sócio e foi nomeado no contrato social: os seus poderes são revogáveis. Se o administrador foi nomeado em ato separado, pouco importa se é sócio ou não sócio: seus poderes são revogáveis.

DISSOLUÇÃO DA LTDA Parcial: quando um ou mais sócios saem da sociedade, porém a sociedade

é mantida, é preservada, ela continua em atividade. Casos de dissolução parcial:

a) vontade dos sócios;

b) direito de retirada;

c) exclusão do sócio sócio remisso: pode ser excluído; art. 1030 do CC:

falta grave ou incapacidade superveniente (para as sociedades de pessoas) nas sociedades de capital não se admite a exclusão de sócio

por incapacidade superveniente pois não importa a qualidade do sócio;

d) Sócio minoritário (art. 1085 CC) ter praticado atos de inegável gravidade; essa exclusão se dá por simples alteração do contrato social (não é necessária ação judicial); Só é possível se o contrato social contiver uma cláusula prevendo a exclusão por justa causa; Só é possível a exclusão nesses moldes, se antes disso, houver uma assembléia ou reunião especialmente convocada para esse fim: de exclusão, ciente o acusado para exercer o seu direito de defesa.

e) Falência do sócio: falência do sócio e não da sociedade. Se o sócio tiver sua falência decretada.

f) Liquidação da cota a pedido do credor

g) Morte do sócio: sociedade se pessoas: o ingresso do herdeiro na sociedade depende da autorização dos demais sócios, se for sociedade de capital, o ingresso do herdeiro é livre. Regra: art. 1028 do CC em caso de morte, tem-se em regra a liquidação da quota.

Total: caso de extinção, encerramento da sociedade.

a) vontade dos sócios

b) se a sociedade for de prazo determinado, o decurso do prazo pode provocar a dissolução da sociedade;

c) falência da sociedade; (art. 1044 do CC)

d) Unipessoalidade de uma única pessoa por mais de 180 dias; (art. 1033, inc. IV)

e) Extinção de autorização de funcionamento

f) Anulação do ato constitutivo

g) Exaurimento do objeto social exaurimento é ausência de mercado

SOCIEDADE ANÔNIMA

Lei 6404/76

CARACTERÍSTICAS

- sociedade empresária

- sociedade de capital

- sociedade institucional ela tem estatuto social

ESPÉCIES

Sociedade anônima é a sociedade cujo capital social está dividido em ações, e poderá ter por objeto qualquer atividade de empresa com fim lucrativo, bem como ter por objeto participar de outras sociedades (holding), A holding também pode ser LTDA, mas na maioria das vezes é SA. Cia aberta: (art. 4º da lei 6404/76) é aquela em que seus valores mobiliários são admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários. Geralmente são os grandes empreendimentos. Oferta pública de ações. Cia fechada: é aquela em que seus valores mobiliários não são admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários (bolsa de valores). Geralmente são os grupos familiares. O mercado de valores está dividido em bolsa de valores e mercado de balcão. Finalidade da bolsa de valores aumentar o fluxo de negociação dos valores mobiliários, sem contar que na bolsa de valores, as operações terão fiscalização, trazendo maior credibilidade para a operação. O mercado de balcão são as negociações fora da bolsa de valores. Mercado primário: ocorre entre a cia emissora e o investidor. Mercado secundário: ocorre entre investidores

CONSTITUIÇÃO - Requisitos preliminares: art. 80 da lei de SA a) subscrição, pelo menos, por duas pessoas, de todas as ações em que se divide o capital social fixado no estatuto. No ato constitutivo da SA ela tem que ter no mínimo dois sócios. É possível sociedade unipessoal na SA? Só em alguns casos:

quando se tratar de empresa pública (ex. União), subsidiária integral: é um tipo de SA constituída mediante escritura pública, tendo como único acionista sociedade nacional; é possível um acionista entre uma assembléia geral ordinária e outra é possível que a SA tenha um único acionista. (art. 206 da Lei de SA). b) art. 80 da lei de SA realização como entrada de dez por cento no mínimo do preço de emissão das ações subscritas em dinheiro. Dez por cento já tem que ser dado em dinheiro no ato da constituição. Exceção: tratando-se de instituição financeira o percentual de dez, passa para cinqüenta por cento. c) depósito no Banco do Brasil ou em outro estabelecimento bancário autorizado pela CVM; - Constituição propriamente dita:

CIA ABERTA: subscrição pública ou também chamada de sucessiva. Deve-se levar o projeto ou estatuto para a apreciação da CVM, pois trata-se de uma subscrição publica, há o interesse público envolvido. Depois de aprovado o estatuto pela CVM, haverá uma Assembléia de Fundação, depois desses dois passos a CIA aberta, estará constituída. CIA FECHADA: não precisa de autorização da CVM para sua constituição. Assembléia de fundação ou então por uma escritura pública, fica a critério dos sócios.

ORGÃOS DA SA Assembléia Geral Conselho de administração Diretoria Conselho fiscal Assembléia Geral: é o órgão deliberativo máximo da SA. As principais decisões da SA são tomadas em assembléia geral. A assembléia geral pode ser ordinária

ou extraordinária. (art. 132 da Lei de SA), realizada anualmente nos primeiros quatro meses seguintes ao término do exercício social (01 de janeiro a 31 de dezembro) e deliberará sobre (competência privativa da Assembléia Geral Ordinária): a) destinação do lucro; b) tomar as contas dos administradores (chamada prestação de contas); c) eleição de administradores e membros do conselho fiscal; d) aprovação da correção da expressão monetária do capital social. Toda e qualquer decisão que não seja uma destas quatro, será tema de assembléia geral extraordinária. Ex. destituição de administrador, alteração do estatuto social. Conselho de administração: é órgão facultativo, ele não é obrigatório. A SA pode ter conselho administrativo. Porém o Conselho admistrativo será obrigatório em três situações:

CIA aberta Sociedade de Capital autorizado (art. 168 da Lei de SA) Sociedade de economia mista

Conselho Fiscal: (art. 161 da Lei de SA) a companhia terá um conselho fiscal e o estatuto disporá sobre seu funcionamento, de modo permanente ou nos exercícios sociais em que forem instalado a pedido de acionistas. É órgão de existência obrigatória. Seu funcionamento será de modo permanente, ou poderá funcionar quando os acionistas assim solicitarem. Por isso, seu funcionamento é facultativo. Todos os órgãos são obrigatórios, com exceção do Conselho de Administração. Roda AS quando vai aumentar seu capital precisa de uma Assembléia e de um Estatuto. Será obrigatório:

- Cia aberta;

- Sociedade de capital autorizado: é previamente autorizado ter seu capital aumentado, sem que tenha uma Assembléia;

- S.E.M.

Composição do Conselho de Administração: mínimo de 3 membros. Só que todos devem ser acionistas, ou seja, sócio da AS, e pessoa física. 1.3) Diretoria Composição da Diretoria: mínimo de 2, acionista ou não, porém residentes no país. P:Quais são os órgãos da SA? Assembléia Geral, Conselho de Administração, Diretoria e Conselho Fiscal. P: E quais são os órgãos de Administração? Conselho de Administração, Diretoria.

CUIDADO é órgão de existência obrigatória, mas de funcionamento facultativo. Tem sempre que existir, mas nem sempre funcionar.

Valores Mobiliários: São títulos de investimento que a sociedade emite para a obtenção dos recursos. - Ações: são frações do Capital Social que conferem ao seu titular o direito de sócio de uma sociedade anônima. Quanto à sua espécie as ações podem ser: (critério de direitos e vantagens) a) ordinárias: são as ações que conferem direitos comuns ao acionista. Toda ação ordinária tem direito de voto. (artigo 110 da Lei 6404). Emissão obrigatória.

b) preferenciais: elas conferem ao acionista vantagens econômicas ou políticas. Na grande parte das vezes são vantagens econômicas. (art. 17 da Lei de SA). Essa ações não têm voto, ou o voto é limitado. Qual é o número máximo de ações preferenciais sem voto que uma companhia poderá emitir? (art. 15, §2º da Lei de SA). O limite é de até 50 por cento do total de ações. Não tem emissão obrigatória. c) gozo / fruição: ocorre a amortização, significa a antecipação de pagamento. Tem previsão legal, mas historicamente não existe ação de gozo e fruição. Tem a antecipação de pagamento do acervo. Direitos essenciais do acionista: nem o estatuto social e nem a assembléia geral podem privar o acionista destes direitos (art. 109 da Lei de SA). São eles:

A) participação dos lucros sociais;

B) Participar do acervo da companhia em caso de liquidação;

C) Direito de fiscalização;

D) Direito de retirada, também chamado de direito de recesso;

E) Direito de preferência na subscrição de novas ações,

debêntures conversíveis em ações partes beneficiárias conversíveis em ações e bônus de subscrição. OBS: DIREITO DE VOTO NÃO É DIREITO ESSENCIAL. Quem é o acionista controlador? (Art. 116 da Lei de AS) É titular de direitos de voto que lhe assegure de modo permanente a maioria de voto nas deliberações e o poder de eleger a maioria dos administradores. E tem que usar efetivamente seu poder para dirigir as atividades da companhia.

- Debêntures: são títulos representativos de um contrato de mútuo, em

que a companhia é mutuaria e o debenturista o mutuante. Art. 52 da Lei de SA: a companhia poderá emitir debêntures, que conferirão aos seus titulares direitos de crédito contra a companhia, nas condições constantes da escritura de emissão e se houver do certificado. A regra geral é de que as debêntures não são conversíveis em ações, porém elas podem ser conversíveis em ações. A lei não define prazo de reembolso para a debênture, mas geralmente é de médio a longo prazo.

- Commercial Paper: alguns doutrinadores, inclusive o CESPE chamam

de nota promissória da SA. O mecanismo é o mesmo da debênture, mas de acordo com a instrução normativa 134 da CVM, o prazo de reembolso é de 30 a 180 dias.

- Bônus de subscrição: (art. 75 da Lei de SA) são títulos negociáveis

que conferirão aos seus titulares direito de subscrever ações do capital social,

que será exercido mediante apresentação do título à companhia e pagamento do preço de emissão das ações.

- Partes Beneficiárias: são títulos negociáveis, sem valor nominal e

estranhos ao capital social, que conferirão aos seus titulares direito de crédito eventual contra a companhia, consistente na participação dos lucros anuais. É direito de crédito eventual, porque só participa se houver lucro na companhia.

3

REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA

Hipóteses:

- TRANSFORMAÇÃO: o tão de transformação independe de dissolução ou liquidação

da sociedade, e consiste na modificação do tipo societário. Não há extinção da pessoa jurídica (diferente da fusão e da incorporação), o que ocorre é a modificação do tipo societário. Ex transforma uma Ltda e uma SA, uma sociedade em nome coletivo em

uma Ltda.

- FUSÃO: ocorre a união de duas ou mais sociedades que serão extintas para formar

uma sociedade nova, que lhes sucederá nos direitos e obrigações. Ex sociedade A que se une com a sociedade B dando origem a C ou AB. Uma nova pessoa jurídica. Ex

Antártica e Bhrama se unem dando origem a AMBEV.

- INCORPORAÇÃO: uma ou varias sociedades são absorvidas por outra, que lhes

sucederá em todos os direitos e obrigações. Tem uma incorporadora e uma incorporada. Ex sociedade A + sociedade B = mantém a sociedade A, que será a incorporadora e

extingue a sociedade B, porque ela vai ser absorvida pela sociedade A.

- CISÃO: é a operação pela qual a companhia transfere parcelas de patrimônio para

uma ou mais sociedades, constituídas para este fim ou já existentes, extinguindo-se a companhia cindida, se houver versão de todo seu patrimônio, ou dividindo-se o seu

capital se parcial a versão. Pode ser uma cisão parcial não haverá extinção da sociedade cindida, ou total haverá extinção da sociedade cindida.

4 LIGAÇÕES SOCIETÁRIAS = SOCIEDADES COLIGADAS Art. 1.097, CC e SS.

Tipos:

4.1: FILIADA 1.099, CC: Ocorre quando uma sociedade participa do capital social da outra, com 10% ou mais sem controle. Lembrar de casamento com pais que tem filho, que o filho no tem direito de opinar.

Art. 1.099. Diz-se coligada ou filiada a sociedade de cujo capital outra sociedade participa com dez por cento ou mais, do capital da outra, sem controlá-la.

4.2: SIMPLES PARTICIPAÇÃO 1.100, CC: ocorre quando um sociedade participa do capital social da outra, com menos de 10% com voto. Lembrar de casamento que o marido compra um carro de R$ 38.000,00 a mulher dá R$ 1.500,00 e escolhe a cor e o modelo, ou seja participa com pouco e tem direito de escolha, de voto. Art. 1.100. É de simples participação a sociedade de cujo capital outra sociedade possua menos de dez por cento do capital com direito de voto.

4.3 CONTROLADORA 1.098, CC: ocorre quando se tem a maioria de votos da outra sociedade e tem o poder de eleger a maioria dos administradores da outra sociedade. Lembrar do casamento, a sogra está do lado de fora e quer opinar, controlar. Art. 1.098. É controlada:

I

- a sociedade de cujo capital outra

sociedade possua a maioria dos votos nas deliberações dos quotistas ou da assembléia geral e o poder de eleger a maioria dos administradores;

II - a sociedade cujo controle, referido

no inciso antecedente, esteja em poder de outra, mediante ações ou quotas possuídas por sociedades ou sociedades

por esta já controladas.

TÍTULOS DE CRÉDITO

Se o assunto for Letra e Câmbio Nota Promissória Decreto nº 57.663/66 Se for Cheque Lei nº 7.357/68. E Duplicata Lei nº 5.474/68. A aplicação do CC/02 é subsidiária, por força do art. 903, CC. Art. 903. Salvo disposição diversa em lei especial, regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código.

1 – CONCEITO DE TC’s:

Art. 887, CC: Art. 887. O título de crédito, documento necessário ao exercício do direito

literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei. Conceito de Vivante: “É o documento necessário para o exercício do direito literal e autônomo nele mencionado.” Lembrar o conceito do CC tem contido. E Vivante: mencionado.

2 PRINCÍPIOS:

2.1) cartularidade: vem de cártula e cártula vem de pequeno papel. 3 frases resumem o que é a cartularidade: Pelo princípio da cartularidade o crédito deverá ser materializado em um documento (título); Para a transferência do crédito (indispensável) a transferência do documento; Não há que se falar em exigibilidade do crédito se a apresentação do documento. ( E ) para endossar o cheque basta transferir o endosso. (está errado porque não basta endossar tem que entregar o cheque, em razão do princípio da cartularidade).

Há exceção, art. 889, § 3º, CC: ex duplicata virtual. Art. 889. Deve o título de crédito conter a data da emissão, a indicação precisa dos direitos que confere, e a assinatura do emitente.

1 o É à vista o título de crédito que

§

não contenha indicação de vencimento.

2 o Considera-se lugar de emissão e de pagamento, quando não indicado no título, o domicílio do emitente.

§

§ 3 o O título poderá ser emitido a partir dos caracteres criados em computador ou meio técnico equivalente e que constem da escrituração do emitente, observados os requisitos mínimos previstos neste artigo.

2.2) literalidade: só tem validade para o direito cambiário aquilo que está literalmente escrito no TC. Aval é só no título. Quitação não pode ser dada em documento separado deve ser dada

no documento.

espaço

um

prolongamento do título, porque tudo deve estar no título.

Se

não

tem

mais

no

documento

deve

ser

feito

e

independentes entre si. O devedor não poderá opor exceções pessoais à terceiros de boa fé = inoponibilidade de exceções pessoais a terceiros de boa fé. Causa subjacente ou causa debendi = é o negócio jurídico que deu origem a emissão do TC. Ex: compra e venda.

Pode apresentar uma exceção pessoal ao credor primitivo, mas não ao terceiro de boa fé, porque pra este tanto faz qual foi a causa que deu início à relação cambial, inclusive relações ilícitas. Há quem diga que isto se chama abstração. Mas não é, porque abstração é um subprincípio da autonomia, que quer dizer o desprendimento do crédito da causa que lhe deu origem.

2.3)

autonomia:

as

relações

jurídico-cambiais

são

autônomas

NEGOCIALIDADE E EXECUTIVIDADE NÃO SÃO PRINCÍPIOS DOS TC’s. São atributos dos TC’s.

3 CLASSIFICAÇÕES

3.1 Quanto ao modelo:

3.1.1 Vinculado: É aquele cuja forma deve observar um padrão obrigatório, exigido em

legislação. Ex duplicata e cheque.

3.1.2 Livre : É aquele que não tem uma forma obrigatória ou padronizada definida em

lei. (Qualquer pedaço de papel pode ser uma nota promissória).

3.2 Quanto às hipóteses de emissão:

3.2.1 causal: só pode ser emitido nas hipóteses (causas) autorizadas por lei. Ex:

*duplicata. É titulo causal, porque só pode ser emitida quando se tem uma compra e venda mercantil ou quando se tem uma prestação de serviços.

3.2.2 não-causal: sua emissão não depende de causa especifica, razão pela qual serve

para documentar diversos tipos de negócio. Ex: cheque. Porque não precisa de uma causa definida em lei para sua emissão.

3.3 Quanto à sua circulação

3.3.1 ao portador: é aquele que não identifica o beneficiário. A Lei 8021/90 não admite mais o título ao portador, exceto se com previsão

expressa em lei especial.

A Lei 9069/95: art. 69 admite cheque ao portador até o valor de cem reais, se acima deve ser nominativo. Ele circula por mera tradição.

3.3.2 nominativo (para a nova doutrina o nome é nominal): é aquele que identifica o

beneficiário. Nominativo à ordem: circula por endosso. Aquele que transfere por endosso responde pela existência do título e também pela solvência do título. É a regra. Nominativo não à ordem: circula por cessão civil. Aquele que transfere por

cessão civil, responde tão somente pela existência, não respondendo pelo pagamento. Para que seja não a ordem deve estar expresso no título de crédito.

3.3.3 nominativo: art. 921 e 922 do CC. Para o código civil é aquele que coloca o nome

do beneficiário no registro do emitente. Circula mediante termo. *De acordo com o CC quem endossa só responde pela existência e não responde pela solvência, pro CC o endosso tem o mesmo efeito da cessão civil.

3.4 Quanto à sua estrutura:

3.4.1 ordem de pagamento: três intervenientes (ex. cheque, duplicata, letra de câmbio)

- Dá a ordem de pagamento

- Aquele que recebe a ordem

- Tomador / Beneficiário

3.4.2 promessa de pagamento: só dois intervenientes (ex. nota promissória)

- Promitente

- Tomador / beneficiário

LETRA DE CÂMBIO

Conceito: é um título de crédito decorrente de relação ou relações de crédito, entre duas ou mais pessoas, pela qual a designada sacador dá a ordem de pagamento pura e simples, à vista ou à prazo, a outrem denominado sacado, a seu favor ou de terceira pessoa (tomador / beneficiário) e nas condições dela constantes.

-Dá a ordem (sacador / emitente) - Recebe a ordem (sacado) - Tomador / Beneficiário

Criação / Emissão: saque Aceite: é o ato de concordância com a ordem de pagamento dado. Aquele que dá o aceite se torna devedor principal do título de crédito. E o sacador é o co-devedor do título de crédito. Quem escolhe quem irá executar é o credor. Pode executar um ou outro, ou os dois. O co-devedor tem o direito de regresso. Obs. O aceite é um ato privativo do sacado, só o sacado é quem pode dar o aceite. O

aceite na letra de câmbio não é obrigatório, ele é facultativo. O sacado pode recusar o aceite. Efeitos da recusa do aceite:

a) Tornar o sacador o devedor principal do título.

b) Vencimento antecipado do título de crédito.

Endosso Próprio / Translativo: é a transferência do título a outra pessoa, Quem transfere é o endossante, quem recebe é o endossatário. Efeitos do endosso:

a) Transferência da titularidade do crédito do endossante para o endossatário.

b) Tornar o endossante co-devedor do título de crédito.

O endosso é dado no verso ou no anverso (frente do título). No verso - basta uma

simples assinatura. No anverso é necessário uma assinatura e além da assinatura uma

expressão identificadora. (endosso a

O endosso pode ser em branco ou em preto. Em branco quando não identifica o

endossatário. Em preto quando se identifica o endossatário.

É possível o endosso parcial? Endosso parcial é a transferência de parte do título, o

endosso parcial sempre é nulo. Não se admite o endosso parcial. Endosso póstumo: é o endosso dado depois do vencimento do título. Mesmo depois do

vencimento admite-se o endosso. Efeitos do endosso póstumo:

ou pague-se a

).

a) Se só teve o vencimento: ele terá os efeitos do endosso normal.

b) Se além do vencimento teve o protesto ou expirou o prazo de protesto: nesse caso ele não tem efeito de endosso, ele terá o efeito de cessão civil, responde tão somente pela existência.

Endosso Impróprio: não ocorre a transferência da propriedade. A finalidade dele é de legitimar a posse de um terceiro.

Endosso mandato: é utilizado para fins de cobrança escreve-se “por procuração ou para cobrança”. Ele não vai ficar com o valor, deve passar para o credor.

Endosso caução / pignoratício: é utilizado para instituir um penhor sobre o título de crédito. Esse título deve ser a prazo. Não é admitido no cheque, porque o cheque é uma ordem de pagamento à vista.

A)

B)

Aval

aval é a declaração cambiária decorrente de uma manifestação unilateral de

vontade, pela qual uma pessoa, natural ou jurídica, assume obrigação cambiária autônoma e incondicional de garantir, total ou parcialmente, no vencimento, o

pagamento do título nas condições nele estabelecidas. Avalista: garante o pagamento do título pelo avalizado. Avalizado: é um co-devedor do título ou o devedor principal do título de crédito.

O aval é feito com uma simples assinatura no anverso. Também pode ser feito

no verso do título mas tem que ter a assinatura mais uma expressão identificadora . O aval também pode ser em branco ou em preto. O aval em branco não identifica o avalizado, o aval em preto identifica o avalizado. No aval em branco o avalizado será o sacador / emitente. É possível o aval parcial? Lei especial diz que é possível o aval parcial. Porém, o CC em seu art. 897, parágrafo único diz que está vedado o aval parcial nos títulos de crédito. Mas o que deve ser aplicado é a lei especial. Logo, se o examinador der nome especial ao título de crédito, aí a resposta é que pode. Mas se ele perguntar de acordo com o CC, o aval parcial está vedado. Aval posterior: é o aval dado depois do vencimento do título. Efeitos do aval posterior: tem o mesmo efeito do aval. Nada muda.

O

Diferenças entre aval e fiança:

Aval

Fiança

Só pode ser dado em título de crédito

Só pode ser dada em contrato

É autônomo. Obs. Em caso de morte, ou incapacidade do avalizado, o avalista continua responsável, porque a obrigação é autônoma.

É acessório.

Não possui benefício de ordem.

Tem benefício de ordem.

Súmula 26 do STJ o avalista do título de crédito vinculado a contrato de mútuo também responde pelas obrigações pactuadas quando no contrato ele figurar como devedor solidário.

Obs. Art. 1647, inc. III do CC tanto para prestar aval como para se prestar fiança é necessária a autorização do cônjuge. A lei só faz uma única ressalva, só não se aplica para o regime de separação absoluta.

Espécies de vencimento da letra de câmbio (estudar muito, cai muito nas provas)

a) À vista: é aquele que é exigível de imediato, pode ser apresentado a qualquer tempo ao pagamento.

b) Com data certa: tem uma data fixa, certa para o vencimento do título.

c) A certo termo de vista: é o número xde dias contados de uma data inicial. Termo de vista: da data do aceite.

d) A certo termo de data: é o número “x” de dias contados de uma data inicial. Se conta da data da emissão.

DUPLICATA - Lei 5474/68

Ela só é admitida em caso de compra e venda mercantil ou de prestação de serviços. A lei de duplicata diz que toda vez que se tem uma compra e venda mercantil ou de prestação de serviços o que é obrigatório é a emissão de fatura. E diz que do crédito decorrente da emissão da fatura, poderá ser emitida a duplicata. Ela é ordem de pagamento.

- Sacador (vendedor / prestador do serviço)

- Sacado (comprador / quem recebeu a prestação de serviço)

- Tomador / Beneficiado (vendedor ou prestador de serviço)

Na duplicata o aceite é obrigatório. O sacado está obrigado a dar o aceite.

Hipóteses legais que permitem a recusa do aceite:

a) Em caso de avaria / não entrega da mercadoria / não prestação do serviço.

b) Em caso de vício / defeito de quantidade ou qualidade do produto ou serviço.

Após a emissão da duplicata, o sacador tem prazo de trinta dias para a sua remessa ao sacado. O sacado, por sua vez, ao receber a duplicata, tem prazo de dez dias para a sua devolução ao sacador. Essa devolução deve ser feita com o aceite ou apresentando as razões que motivaram a recusa do aceite.

Modalidades de protesto de uma duplicata

a) protesto por falta de aceite: para aquele que devolveu a duplicata sem

aceite e sem os motivos da recusa.

b) protesto por falta de devolução: para aquele que não devolveu.

c) protesto por falta de pagamento: para aquele de devolveu dando o

aceite, porém na data do pagamento ele não pagou. Obs. Depois do vencimento do título só cabe o protesto por falta de

pagamento.

E possível execução de duplicata que não teve aceite? É possível sim. (art. 15, inc. II da Lei de duplicata), mas para isso é necessária a presença de dois requisitos:

a) protesto

b) comprovante da entrega da mercadoria ou da prestação do serviço.

Súmula 248 do STJ: comprovada a prestação dos serviços, a duplicata não aceita, mas protestada é titulo hábil para instruir pedido de falência.

CHEQUE (Lei 7357/85)

O cheque é uma ordem de pagamento à vista, e considera-se não escrita qualquer menção em contrário.

- Sacador (correntista)

- Sacado (banco ou uma instituição financeira equiparada)

- Tomador / beneficiário (

No cheque não se admite a figura do aceite. Tudo que foi visto sobre o endosso aplica-se ao cheque. Em razão da CPMF só se admitia um endosso. Como não há mais CPMF, não se tem mais limite de endosso para o cheque. Prazo de apresentação do cheque: 30 dias se for na mesma praça, ou 60 dias se em praça diferente. Esse prazo é contado da data da emissão. Obs. Só é possível a execução do endossante do cheque se o cheque foi apresentado dentro do prazo legal.

Súmula 600 do STF: Cabe ação executiva contra o emitente do cheque e seus avalistas, ainda que não apresentado o cheque ao sacado no prazo legal. Desde que não prescrita a ação cambiária.

Para o STJ em caso de conta conjunta envolvendo cônjuges, tem-se a solidariedade ativa, ambos podem movimentar a conta, mas não possui solidariedade passiva. Isso significa que quem tem que ser protestado ou executado é só aquele que emitiu o título. (posicionamento pacífico no STJ). Quando não se tem como identificar o emitente, ambos são executados e

protestados.

Para o direito comercial a pós-datação é considerada como não escrita.

 

Devedor principal Avalista

Co-devedor

 

Direito de Regresso

Avalista

-

 

endossante

Letra de Cambio

03

anos do vcto

01

ano do protesto

06

meses do pgto ou

   

de quando demandado

Duplicata

03

anos do vcto

01

ano do protesto

01

ano do pgto ou de

   

quando demandado

Cheque

06 meses do fim do prazo de apresentação

06 meses do protesto

06

meses do pgto ou

de quando demandado

Lei 11101/05

FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO JUDICIAL

 

Disposições Gerais

O art. 1º da lei 11101/05 diz que só incidirá a lei de falência para quem for empresário ou sociedade empresária, portanto, tratando-se de sociedade simples não pode falir, não pode pedir recuperação judicial e não tem recuperação extrajudicial. No entanto, no universo de empresários e sociedades empresarias existem alguns empresários e sociedades emmpresárias, que são excluídos da incidência da lei 11101/05. Excluídos (art. 2º da lei 11101/05) Inciso I totalmente excluídos: em hipótese alguma podem falir.

a) empresa pública e sociedade de economia mista;

b) instituição financeira pública ou privada;

c) consórcios;

d) cooperativas de créditos;

e) seguradoras;

f) operadoras de planos de saúde;

g) entidade de previdência complementar;

h) sociedade de capitalização

i) outras entidades legalmente equiparadas a estas. Ex. sociedade de

arrendamento mercantil empresa de leasing. Inciso II parcialmente excluídos: podem passar por liquidação extrajudicial, na liquidação extrajudicial será nomeado um liquidante, e ele só ele, pode pedir a falência da empresa.

Juízo Competente (art. 3º) É o do local do principal estabelecimento, e se a sede for fora do Brasil, o juízo competente é o do local da filial.

FALÊNCIA

Legitimidade Ativa a) Autofalência: ocorre quando o próprio empresário pede sua falência (art. 105), é necessário estar em crise, e além disso tem que julgar não estar em condições para uma recuperação judicial. O empresário está em crise e julgou não atender os requisitos ele deverá pedir a autofalência, não é uma

faculdade. Sociedade em comum (aquela que não foi levada a registro) pode

pedir autofalência? Sim pode pedir a autofalência, o que ela não pode é pedir

a falência de terceiros.

b) Sócio ou acionista

c) Empresário individual: nesse caso, é possível o pedido de falência do

espólio (art. 97) quem pode pedir a falência: cônjuge sobrevivente, herdeiro

e inventariante.

d) Qualquer credor, empresário ou não: no entanto, se for empresário deve estar devidamente registrado. Credor que não tem domicilio no país só pode

pedir falência se prestar caução.

Princípios informadores do processo falimentar: Celeridade e economia processual.

Legitimidade passiva: somente empresário ou a sociedade empresária.

Fundamentos jurídicos para um pedido de falência:

a)

art. 94, I impontualidade injustificada: sem relevante razão de direito (sem justificativa), não paga, no vencimento, obrigação líquida materializada em título ou títulos executivos (judiciais ou não) protestados cuja soma ultrapasse (acima de 40 salários mínimos) o equivalente a 40 (quarenta) salários-mínimos na data do pedido de falência; Cuidado: o não pagamento de uma sentença judicial transitada em julgado pode ser usada para o pedido de falência. O protesto é instrumento indispensável para o pedido de falência com base no art. 94, inc. I. De acordo com o art. 94, § 1º - admite-se o litisconsórcio para se perfazer os 40 salários mínimos.

b)

art. 94, II execução frustrada: executado por qualquer quantia líquida,

não paga, não deposita e não nomeia à penhora bens suficientes dentro do prazo legal; Ocorre quando o devedor é executado e não paga, não deposita e não nomeia bens à penhora dentro do prazo legal. Nesse caso, o pedido de falência é para qualquer valor.

c)

art. 94, III atos de falência: “ quem pratica atos de falência” há a presunção de que o empresário está em estado de insolvência.

a) procede à liquidação precipitada de seus ativos ou lança mão de meio ruinoso ou fraudulento para realizar pagamentos;

b) realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar, com o

objetivo de retardar pagamentos ou fraudar credores, negócio simulado ou alienação de parte ou da totalidade de seu ativo a terceiro, credor ou não;

c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não,

sem o consentimento de todos os credores e sem ficar com bens suficientes para solver seu passivo;

d) simula a transferência de seu principal

estabelecimento com o objetivo de burlar a legislação ou a fiscalização ou para prejudicar credor;

e) dá ou reforça garantia a credor por dívida contraída

anteriormente sem ficar com bens livres e desembaraçados

suficientes para saldar seu passivo;

f) ausenta-se sem deixar representante habilitado e com recursos suficientes para pagar os credores, abandona estabelecimento ou tenta ocultar-se de seu domicílio, do local de sua sede ou de seu principal estabelecimento;

g) deixa de cumprir, no prazo estabelecido, obrigação assumida no plano de recuperação judicial.

- Liquidação precipitada: ocorre quando o devedor se desfaz de seus bens sem reposição “é o desaparecer aos poucos”. - Descumprimento de obrigação assumida no plano de recuperação judicial.

Hipóteses do devedor após a sua citação

a) Apresentar contestação: o prazo é de 10 dias (art. 98).

b) Depósito elisivo: quando o devedor efetua o depósito elisivo o juiz estará impedido de decretar a falência. Deve ser efetuado dentro do prazo de contestação. Valor: valor principal mais correção, mais juros, mais honorários advocatícios.

c) Depósito + contestação

d) Dentro do prazo de contestação pode pleitear a sua recuperação judicial (art. 95): esse pedido de recuperação judicial irá suspender o processo de falência.

Sentença de falência

a) Sentença procedente: é aquela que declara a quebra. É uma sentença

declaratória.

b) Sentença improcedente: é aquela que não decreta a falência. É uma sentença denegatória.

Recursos (art. 100) Sentença declaratória agravo de instrumento devedor, MP como fiscal da lei e o credor em algumas hipóteses. Essa sentença não põe fim ao processo, por esse motivo é que cabe o agravo de instrumento, ela tem mais característica de decisão interlocutória do que de uma sentença propriamente dita. Depois haverá outra sentença de encerramento, essa sim põe fim ao processo. Sentença denegatória apelação credor, MP na condição de fiscal da lei e também o devedor.

Sentença Declaratória Requisitos (art. 99):

Inc. II o juiz deve fixar o termo legal da falência: para muitos doutrinadores ele é chamado de período suspeito. É um lapso temporal que antecede a falência, os atos praticados nesse período serão investigados, e se porventura o devedor praticar qualquer ato previsto no art. 109 da lei, esse ato será considerado ineficaz, independentemente de se apurar se ele tinha a intenção ou não de fraudar (art. 129). Se ele praticar os atos previstos no art. 109 fora do período suspeito deve-se ajuizar uma ação revocatória, e nessa ação deverá ser provada a intenção de fraudar. Quem pode ajuizar é o administrador judicial, qualquer credor e membro do MP. O prazo do ajuizamento da ação revocatória é de três anos contados da decretação da falência. O termo legal não pode retrotrair por mais de noventa dias. A contagem de noventa dias

para trás começa a contar do pedido da falência, data do primeiro protesto ou da data da recuperação judicial;

Inc. IX na sentença declaratória o juiz nomeará o administrador judicial:

o administrador judicial é aquele que veio pra fazer às vezes do síndico. (Art. 21) O administrador judicial será profissional idôneo, preferencialmente advogado, economista, administrador de empresas ou contador, ou pessoa jurídica especializada. Cuidado: o administrador judicial deve receber e abrir a correspondência encaminhada ao devedor art. 22, inc. II, d. Em que pese o professor e a doutrina majoritária entenderem que esse artigo é inconstitucional, o CESPE tem colocado em prova e tem entendido que esse artigo não é inconstitucional.

Efeitos da sentença declaratória

a)

Formação da Massa falida

b)

Suspensão da fluência de juros

c)

Suspensão de todas as ações / execuções envolvendo interesses do devedor falido. ações excluídas: ações trabalhistas, ações fiscais, ações que demandarem quantia ilíquida e as ações em que o falido for autor ou litisconsorte ativo.

d)

Suspensão do curso da prescrição das obrigações do falido

e)

Vencimento antecipado de toda a dívida do falido para que todos possam participar do rateio.

Administrador Judicial Arrecada todos os bens do falido Pedido de restituição (art. 85), pode ocorrer de que quando essa restituição for deferida o bem já tenha sido alienado, nesse caso, ele terá a restituição, porém ela será em dinheiro. Realização do ativo: é a venda judicial de bens. A) leilão; B) proposta fechada e C) pregão. O dinheiro obtido com essa venda, será utilizado para o pagamento dos credores.

Ordem de pagamento:

- Art. 151 e 150

- Art. 149 restituição

- Art. 84 créditos extra concursais ex. despesas com a administração da falência.

- Art. 83 ordem de classificação dos créditos:

a) crédito trabalhista até 150 salários mínimos por credor e acidente de trabalho; O que excede a 150 salários mínimos será considerado crédito quirografário. Todo crédito trabalhista cedido a terceiro será considerado quirografário.

b) Crédito com garantia real até o limite do valor do bem gravado; geralmente são os créditos com o banco.

c) Crédito tributário; independentemente de sua natureza e tempo de constituição. Cuidado: as multas tributárias estão excluídas dessa ordem.

d) Crédito com privilégio especial; (art. 964 do CC)

e) Crédito com privilégio geral; (art. 965 do CC)

f) Crédito quirografário

g) Multas aqui que entram as multas tributárias

h) Créditos subordinados

RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Finalidade: (art. 47)

Art. 47. A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica.

Requisitos para a recuperação judicial (art. 48)

a) Devedor empresário ou sociedade empresária pode pedir recuperação judicial, deve ter atividade regular há mais de dois anos.

b) Não ser falido, e se o foi, ter as suas obrigações declaradas extintas por sentença transitada em julgado.

c) Não ter a menos de 05 anos obtido plano de recuperação judicial.

d) Não ter a menos de 08 anos obtido plano de recuperação judicial especial.

e) Não ter sido condenado por crime falimentar

Petição inicial (art. 51)

a) Falar que está em crise e juntar os últimos 03 demonstrativos

b) A relação nominal completa dos credores

Créditos sujeitos aos efeitos da recuperação Judicial (art. 49)

Todos os créditos até a data do pedido, ainda que não vencidos. Créditos não sujeitos à recuperação judicial:

a) os posteriores ao pedido de recuperação;

b) os créditos decorrentes de: propriedade fiduciária, arrendamento

mercantil, compra e venda com reserva de domínio, compra e venda de imóvel com cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade; adiantamento de contrato de câmbio (ACC).

c) Crédito tributário (art. 6º, § 7º c/c art. 57);

Aspectos processuais

Art. 51 petição inicial I Exposição das causas

II Demonstrativos Contábeis dos últimos 3 exercícios sociais

III relação nominal dos credores

Art. 52 Juiz verifica se a exordial atende os requisitos do artigo 51

Se sim, defere o processamento

Suspensão: 180 dias das ações em andamento, exceto para trabalhistas / fiscais.

Edital Termo da decisão que deferiu o processamento Relação de credores

Plano de recuperação Judicial (art. 53)

O devedor deverá apresentar o plano de recuperação judicial pelo prazo improrrogável

de 60 dias, contados da data da publicação da decisão que deferiu o processamento. Perda de prazo: conversão em falência

Habilitação de crédito Prazo: 15 dias contados da publicação do Edital.

Art. 7º, § 2º - prazo de 45 dias para o administrador judicial publicar novo edital com a relação de credores (nova relação), aqueles credores que já estavam no primeiro edital mais aqueles que se habilitaram. O nome que a lei dá é relação do art. 7º, § 2º.

Objeção ao plano (art. 55): Se o credor não estiver contente com o plano ele pode apresentar objeção ao plano. Prazo para a apresentação de objeção é de 30 dias contados a partir da publicação da relação de credores de que trata o § 2o do art. 7º.

Passados os 30 dias sem objeção, o plano foi aprovado.

Assembléia geral de credores (art. 56) Se houver objeção por qualquer um dos credores, o juiz deverá convocar uma assembléia geral de credores. A assembléia pode aprovar ou reprovar o plano. Se a assembléia reprovar o plano o artigo 56 § 4º diz que o juiz decretará a falência do devedor. A desistência do pedido de recuperação só é possível até o despacho. Depois, só se a assembléia concordar.

Depois que o plano for aprovado pelos credores é necessária uma decisão concessiva (art. 57) A decisão concessiva implica em novação, extingue-se a dívida anterior criando uma nova. É um titulo executivo judicial. Dessa decisão cabe agravo de instrumento que poderá ser interposto por qualquer credor e por um membro do MP.

Recuperação especial judicial Só pra micro empresa e empresa de pequeno porte. Só pode ser pago o crédito quirografário.

O plano deverá estar pré-pronto. Pagamento em até 36 parcelas mensais, iguais e

sucessivas com correção, juros de doze por cento ao ano, sendo que a primeira parcela deverá ser paga em até 180 dias.

CUIDADO PARA A PROVA: Art. 141, inc. II o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes de trabalho.