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Módulo 1 – Língua Brasileira de Sinais: conceitos importantes Apresentação do Módulo Neste módulo você

Módulo 1 Língua Brasileira de Sinais: conceitos importantes

Apresentação do Módulo

Neste módulo você estudará conceitos importantes que irão auxiliá-lo na aprendizagem da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Objetivos do Módulo

Ao final do estudo deste módulo, você será capaz de:

Definir o que é Libras;Ao final do estudo deste módulo, você será capaz de: Compreender a trajetória histórica das línguas

Compreender a trajetória histórica das línguas de sinais no mundo e no Brasil;módulo, você será capaz de: Definir o que é Libras; Exercitar o alfabeto manual da Libras.

Exercitar o alfabeto manual da Libras.histórica das línguas de sinais no mundo e no Brasil; Estrutura do Módulo Aula 1 –

Estrutura do Módulo

Aula 1 O que é a Língua Brasileira de Sinais (Libras)?

Aula 2 Principais aspectos históricos

Aula 3 Hora da prática: exercitando o alfabeto

Aula 1 O que é a Língua Brasileira de Sinais (Libras)?

Para iniciar sua construção da aprendizagem, assista ao vídeo sobre as dificuldades que os deficientes auditivos enfrentam no seu dia a dia.

da aprendizagem, assista ao vídeo sobre as dificuldades que os deficientes auditivos enfrentam no seu dia
Dificuldades no cotidiano dos deficientes auditivos 1 Você já vivenciou situações como essas? Tem parentes,
Dificuldades no cotidiano dos deficientes auditivos 1

Dificuldades no cotidiano dos deficientes auditivos 1

Você já vivenciou situações como essas?

Tem parentes, vizinhos ou conhece alguém que já tenha passado por dificuldades desse

tipo?

Momentos como os apresentados no vídeo são cotidianamente vivenciados em todas as

instâncias públicas de atendimento ao cidadão por cerca de 6 milhões de brasileiras e

brasileiros que possuem deficiência auditiva. Em geral, as pessoas com deficiência auditiva

em nível severo e profundo 2 utilizam apenas a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como

forma de comunicação.

Embora a legislação, que você estudará mais adiante, determine a presença de intérpretes

da Libras em todas as instâncias públicas, boa parte dos serviços prestados ao cidadão

poderiam ser bem resolvidos se os servidores públicos tivessem conhecimento básico da

Língua Brasileira de Sinais (Libras), especialmente se relacionarmos tais conhecimentos às

atribuições dos agentes da segurança pública.

Os atendimentos realizados pelas polícias civil, militar e federal e pelo Corpo de

Bombeiros ocorrências que, em geral, acontecem em ambientes externos às sedes

administrativas e em situações de rotina ou emergenciais com diversos níveis de

complexidade ficariam inviabilizados caso dependessem de um intérprete para cada

ocorrência envolvendo pessoas com deficiência auditiva. Assim, o conhecimento da Libras

pelo maior número possível de agentes torna-se imprescindível.

agosto 2012.

1. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=HZ79chg98Yc&feature=player_embedded , acesso em: 01 agosto 2012.

2 Acessa o arquivo Niveis de perda auditiva.pdf

1.1. Vamos iniciar Ainda hoje há quem, erroneamente, acredite que as línguas de sinais são

1.1. Vamos iniciar

Ainda hoje há quem, erroneamente, acredite que as línguas de sinais são apenas um conjunto de pantomimas, compostas por uma combinação de gestos que permitem aos seus usuários uma comunicação rudimentar (Hickok, Bellugi & Klima, 2001), ou que, ao se comunicar, a pessoa surda esteja “escrevendo no ar” as palavras da língua oral por meio do alfabeto digital, ou, ainda, que todos os sinais sejam icônicos, isto é, a representação no espaço de seu referente.

Ao contrário, as línguas de sinais são sistemas altamente estruturados, constituídos de toda a complexidade gramatical das línguas faladas, regras bem definidas e vários níveis de estrutura linguística, como morfologia, sintaxe, semântica, pragmática; além de serem dotadas de riqueza lexical e de sofrerem variações linguísticas.

Os itens lexicais, que nas línguas orais são chamados de palavras, são denominados “sinais” (de onde deriva o nome Língua de Sinais). Eles podem ser icônicos ou arbitrários e conseguem descrever toda a complexidade, concretude e abstração inerentes ao pensamento humano. Veja, abaixo, exemplos de sinais icônicos e arbitrários.

ICÔNICOS CASA CAVALO ARBITRÁRIOS AMIG@ TRABALHAR 4

ICÔNICOS

ICÔNICOS CASA CAVALO ARBITRÁRIOS AMIG@ TRABALHAR 4

CASA

ICÔNICOS CASA CAVALO ARBITRÁRIOS AMIG@ TRABALHAR 4
ICÔNICOS CASA CAVALO ARBITRÁRIOS AMIG@ TRABALHAR 4

CAVALO

ARBITRÁRIOS

ICÔNICOS CASA CAVALO ARBITRÁRIOS AMIG@ TRABALHAR 4

AMIG@

ICÔNICOS CASA CAVALO ARBITRÁRIOS AMIG@ TRABALHAR 4

TRABALHAR

Quando se fala em línguas de sinais, refere-se a elas no plural porque, assim como as línguas orais, elas não são universais. Cada país possui sua própria língua, que ainda sofre as variações linguísticas geradas pelos regionalismos, gírias, linguagem em sentido figurado ou códigos linguísticos próprios, como os das tribos urbanas, por exemplo (Freitas, 2009).

É possível constatar, então, que as línguas de sinais são sistemas linguísticos independentes das línguas orais. E de onde elas vêm? Como surgiram as línguas de sinais?

são sistemas linguísticos independentes das línguas orais. E de onde elas vêm? Como surgiram as línguas
Qual é a terminologia correta? Linguagem de sinais? Língua dos sinais? Língua de sinais? O

Qual é a terminologia correta?

Linguagem de sinais?Qual é a terminologia correta? Língua dos sinais? Língua de sinais? O correto é “língua de

Língua dos sinais?Qual é a terminologia correta? Linguagem de sinais? Língua de sinais? O correto é “língua de

Língua de sinais?correta? Linguagem de sinais? Língua dos sinais? O correto é “língua de sinais ” , porque

O correto é “língua de sinais, porque se trata de uma língua viva e, portanto, a quantidade

de sinais está em aberto, possibilitando o acréscimo de novos sinais. Quando se diz “língua

dos sinais”, fica implícito que a quantidade de sinais já está fechada.

Aula 2 Aspectos históricos

2.1.

Oralismo

Gestualismo

X

A concepção das línguas de sinais como línguas é muito recente, embora muitos estudiosos

apontem que seu surgimento seja tão remoto quanto o surgimento da própria linguagem

humana. A imprecisão da origem se dá principalmente pelo fato de que essas línguas, até

bem pouco tempo, não apresentavam registros escritos. Para se ter uma ideia, o primeiro

livro conhecido em inglês que descreve a língua de sinais, escrito por J. Bulwer, é datado

de 1644 (Ramos, 2011), quase quatro mil anos depois do aparecimento dos primeiros

livros.

Apenas a partir de 1997, um grupo de pesquisadores vem desenvolvendo um processo de

representação gráfica das línguas de sinais, chamado Sign Writing ou Escrita de Sinais.

Veja, no quadro abaixo, um exemplo dessa escrita.

Writing ou Escrita de Sinais . Veja, no quadro abaixo, um exemplo dessa escrita. Bebê do

Bebê do gên. feminino

Mulher

Bebê

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Além da ausência de registros, as línguas de sinais sofreram, ao longo do tempo, todo

Além da ausência de registros, as línguas de sinais sofreram, ao longo do tempo, todo o impacto da rejeição social à qual as pessoas surdas foram historicamente submetidas. A dificuldade de convivência com o diferente, marca da sociedade-padrão, relegou a pessoa surda ao isolamento e à negação dos direitos básicos de cidadania.

Por muito tempo, desde a Idade Antiga, os surdos foram vistos como não passíveis de vida em sociedade. A surdez era vista como um defeito ou patologia que os impediam de exercer sua cidadania, sendo sua forma de comunicação o marco denunciador dessa patologia.

Acreditava-se que, por não falarem, os surdos não tinham capacidade de raciocínio, de aprendizagem ou mesmo de tomada de decisão, ficando suas escolhas a cargo de seus tutores. Direitos básicos, como os de tirar documentos, receber herança, casar-se, constituir família ou patrimônio, por exemplo, eram-lhes sumariamente negados.

Mas, a partir do final da Idade Média, evidencia-se um processo de reconhecimento do indivíduo surdo como ser social, especialmente a partir de suas potencialidades educativas. Familiares, educadores, filósofos e médicos buscaram compreender os processos de aprendizagem dos surdos, oferecendo-lhes novas oportunidades de vida social.

Destaca-se, nesse movimento, Charles Michel de L’Epée, abade francês que, por volta dos anos 1750, desenvolvia um trabalho de educação de surdos. L’Epée observou que os surdos se comunicavam utilizando um conjunto de gestos com significado funcional e lançou mão dessa comunicação para o desenvolvimento de estratégias pedagógicas diferenciadas.

desenvolvimento de estratégias pedagógicas diferenciadas. Fonte: Disponível em :

Fonte: Disponível

3AVTe3Q/s1600/classe001.png, acesso em: 01 agosto 2012.

Abade Michel L’Epée Fonte 3 :

L’Epée

priorizava

a

comunicação

gestual

como

mecanismo

de

transmissão

de

conhecimentos, como a leitura e escrita e as operações matemáticas básicas, além de conteúdos socialmente relevantes.

Engajado na socialização do surdo, L’Epée registrava sistematicamente suas experiências e as divulgava, com a expectativa de que a sociedade compreendesse que o desenvolvimento individual e social do surdo dependia essencialmente do desenvolvimento de um canal comunicativo adequado; nesse caso, o gestual.

Por esse trabalho, L’Epée ficou mundialmente conhecido como “pai dos surdos”, título que permanece até os dias atuais.

Quase simultaneamente a L’Epée, mas em outra linha filosófica, o alemão Samuel Heinicke trabalhava a produção da fala. Ele acreditava que os surdos precisavam desenvolver a competência linguística oral e, o máximo possível, comportar-se dentro dos padrões de normalidade, de modo a constituir o universo ouvinte como membro produtivo (Capovilla, 2004).

o universo ouvinte como membro produtivo (Capovilla, 2004). Samuel Heinicke 4 Fonte: Disponível em :

Samuel Heinicke 4

Fonte: Disponível em:http://www.renzelberg.de/historyover/Heinicke3.jpg, acesso em 02 agosto 2012.

Para Heinicke, o desenvolvimento cognitivo provinha do uso da palavra e, portanto, a comunicação gestual impedia o melhor desempenho social dos surdos, dificultando a aprendizagem e tornando evidente sua deficiência.

gestual impedia o melhor desempenho social dos surdos, dificultando a aprendizagem e tornando evidente sua deficiência.
As divergências entre as duas abordagens educacionais se arrastaram por anos e marcaram em definitivo

As divergências entre as duas abordagens educacionais se arrastaram por anos e marcaram em definitivo as concepções de surdez, linguagem e pessoa surda, polarizando as discussões em gestualismo e oralismo.

A corrente oralista, contudo, tinha maior aceitação social e, por isso, ganhava força como estratégia educativa. A ideia de normalizar” o surdo por meio do desenvolvimento da competência linguística oral e do comportamento social, emocional e cognitivo semelhante ao dos ouvintes caía bem aos olhos da sociedade que, apoiada principalmente por grupos religiosos, imaginava estar equacionando o grande problema da exclusão do surdo. Na verdade, hoje sabe-se que se mascarava a inabilidade dos grupos sociais majoritários em lidar com o diferente. Tanto que a principal deliberação do II Congresso Internacional de Instrução de Surdos, ocorrido em 1880, em Milão, Itália, foi o banimento da língua de sinais.

Nesse Congresso, muitos estudiosos apresentaram casos bem sucedidos de reabilitação de surdos por meio da aquisição da fala, sendo estes cruciais para a defesa de que o oralismo fosse aclamado como o melhor método educacional para o surdo. Como consequência, a partir de então, o uso dos sinais foi proibido nas escolas e, posteriormente, em outros grupos sociais, como a igreja e as famílias.

em outros grupos sociais, como a igreja e as famílias. Local onde foi realizado o Congresso

Local onde foi realizado o Congresso em Milão, Itália. Fonte: 5

Essa proibição, equivocada, durou aproximadamente cem anos, mas seus efeitos são percebidos até hoje, por exemplo: a baixa inserção dos surdos no mundo do trabalho, os

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altos índices de reprovação e evasão escolar, o analfabetismo na língua escrita, a falta de

altos índices de reprovação e evasão escolar, o analfabetismo na língua escrita, a falta de

acesso

aos

serviços

públicos,

entre

outros

aspectos.

Alexander Graham Bell participou do Congresso de Milão e foi um grande defensor do oralismo.

Alexander Graham Bell participou do Congresso de Milão e foi um grande defensor do oralismo. Professor de Fisiologia da Voz, cientista influente e casado com uma surda, Mabel, Graham Bell era declaradamente contrário ao uso dos sinais e às comunidades surdas, e contribuiu de forma efetiva para o estabelecimento do oralismo no mundo.

2.2. Século XX

Ante os baixos avanços sociais dos surdos em relação às técnicas de ensino da fala e considerando que eles, de fato, nunca deixaram de usar os sinais, pois o faziam às escondidas nas associações de surdos, o oralismo entrou em declínio.

Já no século XX, por volta dos anos 1970, um grupo de surdos passou a reivindicar publicamente o direito de voltar a se comunicar em sinais, propondo outra abordagem educacional, que ficou conhecida como “comunicação total” ou “bimodalismo”.

A comunicação total permitia a utilização simultânea de gestos naturais, língua de sinais, alfabeto digital, fala e aparelhos de amplificação sonora. Era um grande caldeirão de técnicas e estratégias empregadas sem regras ou norteadores.

de amplificação sonora. Era um grande caldeirão de técnicas e estratégias empregadas sem regras ou norteadores.
Por um tempo, essa foi uma resposta melhor ao oralismo. Contudo, começou-se a questionar qual

Por um tempo, essa foi uma resposta melhor ao oralismo. Contudo, começou-se a questionar qual língua estava sendo realmente utilizada e ensinada nas escolas. Se, por um lado, havia o ganho da comunicação em sinais, por outro, esses sinais estavam sendo transpostos para a estrutura da língua oral, o que, no Brasil, ficou conhecido como português sinalizado.

Notícias do mundo surdo

Nem todo surdo faz leitura labial e, quando o faz, não consegue compreender todas as palavras. Pesquisas feitas nos Estados Unidos constataram que, mesmo com anos de treinamento de técnicas de oralização, uma pessoa surda só é capaz de captar cerca de 20% da mensagem.

Fonte: Quadros, Ronice M. O contexto escolar do aluno surdo e o papel das línguas.

Nesse contexto, não se usava nem língua de sinais, nem língua oral adequadamente. A compreensão do surdo acerca das coisas do mundo e da escola ficava fragmentada, pois ele apenas entendia os sinais isoladamente. Um pouco mais adiante, você terá a oportunidade de conhecer melhor a estrutura da língua de sinais.

Sem resultados significativos, a comunicação total também teve seus dias contados. Porém, em uma luta contínua, na década de 1980, os surdos passaram a reivindicar um idioma próprio: a língua de sinais.

Essa reivindicação tem sua legitimidade construída a partir dos anos 1960, quando as pesquisas das neurociências começaram a oferecer as bases científicas que atribuíam às línguas de sinais o papel de único instrumento capaz de dar conta das necessidades comunicativas dos surdos (Ramos, 2011).

Os avanços dos estudos de neuroimagens por meio de exames, como a ressonância magnética funcional e a tomografia computadorizada, por exemplo, permitiram analisar a atividade sináptica das diversas regiões cerebrais, possibilitando a observação em tempo real da funcionalidade do cérebro.

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Veja, a seguir, uma amostra da atividade neural nas regiões cerebrais relacionadas à linguagem. À

Veja, a seguir, uma amostra da atividade neural nas regiões cerebrais relacionadas à linguagem. À esquerda, sujeitos surdos usuários da Língua Britânica de Sinais (BSL); ao centro, de ouvintes usuários de BSL e, à direita, de ouvintes usuários da língua inglesa oral.

à direita, de ouvintes usuários da língua inglesa oral. Fonte: MacSweeney et al., 2006. Pelas imagens,

Fonte: MacSweeney et al., 2006.

Pelas imagens, é possível verificar a similaridade funcional das áreas da linguagem em surdos e ouvintes que utilizam a língua de sinais e a língua oral. Estudos como esse contribuíram para o reconhecimento das línguas de sinais como línguas independentes.

Nesse sentido, as análises sobre os aspectos funcionais da linguagem têm demonstrado que, embora sejam de modalidades diferentes, as línguas orais e as de sinais apresentam funcionamento análogo entre si, ativando as mesmas estruturas cerebrais tanto para produção quanto para compreensão das mensagens.

Esses achados científicos contribuíram de forma sistemática para a compreensão do status linguístico das línguas de sinais e, em consequência, para o surgimento de outra abordagem educacional denominada “bilinguismo”, uma proposta sócio-antropológica da surdez que se baseia na condição bilíngue e bicultural do surdo, que convive, em seu dia a dia, com duas línguas: a língua de sinais e a língua oral de seu país, e duas culturas: a

cultura da comunidade surda e a da comunidade ouvinte de seu país (Quadros, 2006).

cultura da comunidade surda e a da comunidade ouvinte de seu país (Quadros, 2006).
Importante! O bilinguismo reconhece a língua de sinais como primeira língua (L1) da comunidade surda

Importante!

O bilinguismo reconhece a língua de sinais como primeira língua (L1) da comunidade

surda devendo o surdo, por meio dela, ter acesso aos conhecimentos socialmente relevantes e a língua oral do país como sua segunda língua (L2), empregada sobretudo

para registro.

Essa concepção também nos auxilia a compreender a internacionalidade das línguas, posto que os registros escritos nas diversas línguas orais apresentam aos não surdos as complexidades das línguas de sinais. Assim, podemos entender que a comunidade surda britânica utiliza a British Sign Language (BSL); a francesa, a Language Française des Signes (LFS); a comunidade estadunidense, a American Sign Language (ASL); e, claro, a comunidade surda brasileira, a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Mas existe uma língua de sinais planejada, criada para, assim como o Esperanto, ser utilizada por usuários de diferentes línguas em eventos internacionais comuns. Chamada de Gestuno ou Língua Internacional de Sinais, essa língua é composta por um conjunto- padrão de sinais que pode ser aplicado à gramática da língua de sinais de origem do usuário.

2.3. E no Brasil?

A partir do século XIX, com a ascensão de D. Pedro II ao trono, o Brasil passa a

acompanhar os acontecimentos da Europa e Estados Unidos, inclusive aderindo à filosofia

oralista de educação de surdos. De certa forma, mesmo com suas limitações, o oralismo trouxe ao país algumas alternativas à educação dos surdos, antes sem visibilidade.

Em 1875, foi inaugurado no Rio de Janeiro o primeiro Instituto Nacional de Surdos- Mudos, atual Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), precedido pelo Imperial Instituto dos Meninos Cegos, criado em 1854, atual Instituto Benjamin Constant.

O INES é, hoje, a mais importante instituição de educação de surdos do país, atendendo a

aproximadamente 600 alunos, da educação infantil ao ensino médio, além de oferecer

formação inicial e continuada em Libras a professores.

formação inicial e continuada em Libras a professores.
Instituto Nacional de Educação de Surdos, Rio de Janeiro Fonte: 6 A exemplo das demais
Instituto Nacional de Educação de Surdos, Rio de Janeiro Fonte: 6 A exemplo das demais

Instituto Nacional de Educação de Surdos, Rio de Janeiro Fonte: 6

A exemplo das demais comunidades surdas do mundo, no Brasil, em meados dos anos 1980, com base nas pesquisas de Lucinda Ferreira Brito, doutora em Linguística da Universidade Federal do Rio de Janeiro, deu-se início aos estudos da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e à adesão ao bilinguismo.

Como resultado desse movimento, em 2002, foi sancionada a Lei nº 10.436 7 que reconhece e legitima a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua (L1) da comunidade surda brasileira.

Fonte: 6 Disponível em: http://www.i nes.gov.br/instituci onal, acesso em 02 agosto 2012.

Fonte: 7 Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10436.htm , acesso em 02 agosto
Fonte: 7 Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10436.htm , acesso em 02 agosto

Fonte: 7 Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10436.htm, acesso em 02 agosto

2012.

Fonte: 7 Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10436.htm , acesso em 02 agosto 2012.
Fonte: 7 Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10436.htm , acesso em 02 agosto 2012.
7 Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10436.htm , acesso em 02 agosto 2012. 19
Esse foi um passo importantíssimo, pois, ao reconhecer o status linguístico da Libras, a lei

Esse foi um passo importantíssimo, pois, ao reconhecer o status linguístico da Libras, a lei garante que o acesso da pessoa surda aos conhecimentos socialmente relevantes deverá ser por meio dela, determinando ainda que a língua portuguesa deverá ser o meio de registro.

Popularmente conhecida como Lei de Libras, a 10.436/2002 foi regulamentada pelo

Decreto nº 5.626/2005 8 que estabelece, entre outros aspectos, a inclusão da Libras como componente curricular nos cursos de licenciaturas e fonoaudiologia das instituições públicas e privadas de ensino superior e, ainda, a educação na modalidade bilíngue para os surdos na educação básica, com garantias de atendimento qualificado e a presença de intérprete na sala de aula.

Quantos surdos existem no Brasil?

Existem hoje, no Brasil, aproximadamente 6 milhões de pessoas com algum nível de perda auditiva, dos quais 1 milhão têm grande dificuldade ou são incapazes de ouvir e cerca de 1250 pessoas surdocegas 9 (IBGE, 2000).

Embora o número de pessoas que apresentam perda auditiva por exposição constante a ruído esteja aumentando, as principais causas da surdez ainda são relacionadas a infecções,

como rubéola, sarampo ou meningite.

Aula 3 Hora da prática: exercitando o alfabeto

Nesta aula prática você exercitará o alfabeto datilológico, mas antes saiba mais sobre ele.

3.1. Alfabeto datilológico

2006/2005/Decreto/D5626.htm, acesso em 02 agosto 2012.

onível em: http://www.presidencia.gov.br/ccivil_03/_Ato2004- 2006/2005/Decreto/D5626.htm , acesso em 02 agosto 2012.

9 SURDOCEGUEIRA.pdf,

2006/2005/Decreto/D5626.htm , acesso em 02 agosto 2012. 9 SURDOCEGUEIRA.pdf, 20
3.1. Alfabeto datilológico Você sabe o que é datilologia? É a soletração de uma palavra

3.1. Alfabeto datilológico

3.1. Alfabeto datilológico Você sabe o que é datilologia? É a soletração de uma palavra utilizando

Você sabe o que é datilologia? É a soletração de uma palavra utilizando o alfabeto digital

ou

manual da língua de sinais.

O

alfabeto manual da Libras tem sua base no alfabeto da Língua Francesa de Sinais e,

neste, cada sinal corresponde a uma letra (veja o quadro acima).

A datilologia é comumente usada para expressar substantivos próprios, também palavras

que não possuem sinal conhecido ou, ainda, palavras da língua portuguesa que foram incorporadas à Libras e, por isso, são também soletradas, como “nunca”, “oi” e “reais”.

Importante!

É importante frisar que o emprego da datilologia não substitui o uso correto dos sinais,

pois, assim como no português, a Libras tem um léxico próprio, comunicado pelos sinais.

E é bom destacar que, como vimos no vídeo, a relação da pessoa surda com a língua

portuguesa é diferenciada.

E é bom destacar que, como vimos no vídeo, a relação da pessoa surda com a
Notícias do mundo surdo Nem mesmo os nomes das pessoas são expressos pela datilologia todas

Notícias do mundo surdo

Nem mesmo os nomes das pessoas são expressos pela datilologia todas as vezes que são

mencionados.

As pessoas que fazem parte da comunidade surda (surdas ou não) ou famosa e autoridades

recebem um sinal específico, individual, uma espécie de apelido em Libras, para que não

seja necessária a soletração a cada vez que se referir a elas.

3.2. Dicas de alongamento para mãos e punhos Os exercícios de alongamento para mãos e punhos são importantes para a realização dos

sinais com maior desenvoltura. É recomendável realizá-los antes do início das atividades

práticas.

dos sinais com maior desenvoltura. É recomendável realizá-los antes do início das atividades práticas. 22
Fonte: 1 0 Disponível em: http://silviaparreira.blogspot.com/2011/04/exercicios-de-alongamento-para-as-

3.3. Exercitando

Assista ao vídeo e exercite o alfabeto manual.

Vídeo do alfabeto manual . Falta o videos

Vídeo do alfabeto manual

. Falta o videos

 

Para descontrair

Assista à linda interpretação, em Libras, para a música “Como é grande o meu amor por

você” 11 , de Roberto Carlos. Aproveite para praticar, cantando junto com a intérprete!

02 agosto 2012.

Finalizando Neste módulo você estudou que:

A concepção das línguas de sinais como línguas é muito recente, embora muitosagosto 2012. Finalizando Neste módulo você estudou que: estudiosos apontem que seu surgimento seja tão remoto

estudiosos apontem que seu surgimento seja tão remoto quanto o surgimento da

própria linguagem humana;

As línguas de sinais são independentes das línguas orais, possuem toda aremoto quanto o surgimento da própria linguagem humana; complexidade gramatical de qualquer língua oral e não

complexidade gramatical de qualquer língua oral e não são universais; cada país

possui sua própria língua de sinais;

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No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi reconhecida oficialmente pela Lei nº 10.436/2002
No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi reconhecida oficialmente pela Lei nº 10.436/2002

No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi reconhecida oficialmente pela Lei nº 10.436/2002 como a primeira língua da comunidade surda brasileira.

Como atividade prática, você exercitou o alfabeto manual da Libras, compreendendo que sua utilização está associada aos substantivos próprios, palavras que não possuem sinal específico ou que foram incorporadas da língua portuguesa.

Exercícios

1. Assinale a alternativa correta:

De acordo com os estudos realizados em nossa primeira aula, a Lei nº 10.436/2002:

Reconhece a Libras como uma língua com estrutura gramatical própria e como primeira língua da comunidade surda brasileira.

(

)

Determina que a Língua Brasileira de Sinais substitua gradativamente a língua portuguesa para as pessoas com deficiência auditiva.

(

)

( ) Orienta que o poder público e as empresas concessionárias de serviços públicos ofereçam apoio ao uso e difusão da Libras.

( ) Determina que as instituições de ensino superior incluam, em seus cursos de formação de professores, o ensino da Libras como componente curricular.

a) (

) V, V, V, F

b) (

) V, F, V, V

c) (

) V, V, F, F

d) (

) V, V, F, V

componente curricular. a) ( ) V, V, V, F b) ( ) V, F, V, V
2. Assinale a alternativa correta. a) ( das comunidades surdas do mundo. ) A Libras

2. Assinale a alternativa correta.

a) (

das comunidades surdas do mundo.

) A Libras compõe um conjunto padronizado de sinais, que compõe a língua universal

b) ( ) Sob a ótica do bilinguismo, o indivíduo surdo não deve aprender a língua portuguesa, pois sua primeira língua (L1) é a Libras.

c) (

bilíngue e bicultural.

) Bilinguismo é uma abordagem educacional que compreende o sujeito surdo como

d) ( ) Em que pese a necessidade de uso e difusão da Libras, a abordagem oralista é a

mais indicada para os surdos, pois eles aprendem a se comportar como os ouvintes,

evitando o preconceito.

3. Faça um vídeo “escrevendo” seu nome completo, cidade e estado onde mora. Envie para seu tutor no prazo definido.

um vídeo “escre v endo” seu nome completo, cidade e estado onde mora. Envie para seu