Você está na página 1de 146
Faculdade de Ciência e Tecnologia Curso de Engenharia Civil - 1.º Ano (texto provisório) Materiais
Faculdade de Ciência e Tecnologia Curso de Engenharia Civil - 1.º Ano (texto provisório) Materiais

Faculdade de Ciência e Tecnologia Curso de Engenharia Civil - 1.º Ano (texto provisório)

Materiais de Construção I

DESMONTES E DEMOLIÇÕES

Curso de Engenharia Civil - 1.º Ano (texto provisório) Materiais de Construção I DESMONTES E DEMOLI
Curso de Engenharia Civil - 1.º Ano (texto provisório) Materiais de Construção I DESMONTES E DEMOLI
Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

ÍNDICE

CAPITULO I – DESMONTE

7

1. Metodologia de estudo de Maciços Rochosos

8

2. Desmonte

12

2.1.

Desmonte a céu aberto

12

2.1.2. Métodos de desmonte a céu aberto

14

2.1.3. Processos produtivos

17

2.2.

Desmonte subterrâneo

22

2.2.1.

Critérios de escavabilidade

22

2.2.1.1. Método de Franklin et al

24

2.2.1.2. Método de Kirsten

25

2.2.2.

Métodos de desmonte/escavação

26

2.3.

Desmonte por explosivos

30

2.3.1.Condições gerais

30

2.3.1.1.Explosivos, definições

32

 

2.3.1.2.

Termos legais

38

2.3.2.

Utilização de explosivos no desmonte

45

2.3.2.1.

Danos causados ao maciço

47

2.3.3 - Segurança e Manuseamento de Explosivos

50

2.4.

Desmonte mecânico

52

CAPITULO II – DEMOLIÇÃO

56

1.Motivos das demolições

57

2. A Escolha do Processo de demolição

59

3. Acções Preparatórias

61

3.1. Avaliação Estrutural

61

3.2. Inspecção do Meio Envolvente

62

3.3. Meios e serviços a desactivar

63

3.4. Condições de Segurança

64

3.4.1. Antes da demolição

65

3.4.2. Durante a demolição

66

3.4.3. Após a demolição

66

4. Prescrição Legais

66

5. Tipos de Demolição

67

5.1. Demolição manual

67

5.2. Demolição mecânica

68

5.2.1. Demolição por Tracção

68

5.2.2. Demolição por Compressão

70

5.2.3. Demolição mecânica por queda de massa metálica suspensa

70

5.3. Demolição com Máquinas Hidráulicas

72

5.4. Demolição de Estruturas com Explosivos

73

5.4.1.

Mecanismo tipo telescópio

75

5.4.2.

Mecanismo tipo derrube

76

5.4.3.

Mecanismo tipo implosão

77

5.4.3.

Mecanismo tipo colapso progressivo

78

6. Resíduos da Construção e Demolição – (RC &D)

79

6.1. Obtenção dos Resíduos RC&D

81

6.2. Processos de Recolha, Triagem e Britagem

82

6.2.1.

A demolição / recolha

82

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

6.2.2. A triagem

83

6.2.3. A britagem

83

6.3. Valorização dos Agregados

84

CONCLUSÃO

86

BIBLIOGRAFIA

88

Anexos ……………………………………………………………………………………….92

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

INTRODUÇÃO

Optamos por subdividir o trabalho em dois capítulos. Assim sendo no capitulo I vamos tratar o tema de Desmonte e no capitulo II o tema de Demolições.

Desmonte

Um dos aspectos mais importantes ligados aos estudos de terrenos para fins de engenharia civil é o da respectiva classificação, nomeadamente no que se refere à definição dos parâmetros que melhor caracterizam uma formação do ponto de vista de Geologia de Engenharia.

Uma primeira classificação dos materiais geológicos do ponto de vista da Geologia de Engenharia bem como da engenharia civil é em solos e em rochas. Às formações constituídas por solos é atribuída a designação genérica de maciços terrosos, enquanto as que são essencialmente constituídas por material rocha se designam por maciços rochosos (Figura 1).

rocha se designam por maciços rochosos (Figura 1). Fig.1 – Exemplo de um maciço rochoso. Quanto

Fig.1 – Exemplo de um maciço rochoso.

Quanto às rochas (sobretudo aos maciços rochosos, já que é o comportamento destes e não do material rocha que interessa na generalidade dos problemas do

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

âmbito da Geologia de Engenharia) não há ainda nenhuma classificação universal, embora existam propostas de vários autores com muitos pontos semelhantes.

Uma adequada caracterização geotécnica dos maciços rochosos, habilita os responsáveis a definir os processos de construção mais económicos e mais seguros, e, também, tipologias de suporte provisório e definitivo, evitando-se, assim, gastos desnecessários.

Demolições

Ao longo dos séculos e no que respeita à indústria da construção, os tipos de materiais empregues, bem como os processos construtivos utilizados, foram-se modificando gradualmente, em face do objectivo que se pretendia alcançar, das contingências económicas do momento e também das disponibilidades tecnológicas existentes no mercado.

Em meados deste século não existiam ainda processos de demolição específicos, visto que as necessidades e exigências de então eram consideradas nulas ou de somenos importância, recorrendo-se para o efeito e muito raramente, aos métodos simples existentes.

A necessidade de se encontrarem novos métodos de demolição mais rápidos e eficientes, começou a delinear-se entretanto, como complemento indispensável à

industria da construção. Esses métodos, tiveram na sua origem três necessidades que podemos considerar básicas:

• a substituição parcial de peças componentes das estruturas dos edifícios, tais como lajes, vigas e pilares, para um novo arranjo dos volumes;

• o desmantelamento puro e simples de um conjunto determinado de peças

estruturais, para a criação de espaços livres, de maiores dimensões, ou diferente

disposição;

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

• a necessidade da demolição completa dos edifícios, com a finalidade de criar um maior desafogo no tecido urbano, ou ainda para permitir a realização de novas obras com características mais actualizadas, ou com outra função especifica de carácter mais permanente.

A arte de demolir, conforme se vai avançando no tempo, vai adquirindo um peso

cada vez maior, por força de várias circunstâncias, dando origem a um tipo especifico de serviços altamente especializados, que hoje em dia e como foi já referido, dá pelo nome de Indústria da Demolição.

À medida que as cidades se desenvolvem e amadurecem física e culturalmente, as

construções antigas devem dar lugar a outras mais modernas.

Da mesma forma, edifícios de grande valor histórico e patrimonial devem ser mantidos e reparados para evitar a sua irremediável perda.

Em razão dessa demanda colectiva e da novidade tecnológica que às vezes representam essas obras, assim como as condições especiais de tempo e de espaço devem realizar-se em tais actividades obras demolitórias; como exemplos

representativos encontram-se as demolições de infra-estruturas de grande altura e/ou volume, assim como a sua translação, ou os trabalhos subterrâneos em solos

de grande resistência.

A remodelação de edifícios ou plantas industriais aparece em todos os lugares e

âmbitos do país como forma de proteger o património histórico, assim como de

reutilizar de forma lógica instalações úteis para novos fins.

Grande parte do parque habitacional Português, fruto da sua idade avançada, encontra-se bastante degradado. Desde o número de estruturas em betão cujo período de vida útil está a chegar ao fim é crescente. Tal facto constitui um

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

prenúncio de crescimento acentuado da indústria da demolição, a qual deverá necessariamente ser conhecedora de todos os mecanismos necessários para fazer frente aos desafios que o futuro lhe reserva [1].

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

CAPITULO I – DESMONTE

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

1. Metodologia de estudo de Maciços Rochosos

Qualquer que seja o tipo ou dimensão da obra interessada no estudo de um maciço rochoso, a preocupação geral que sempre deve existir é a de se escolher para cada fase do estudo os métodos que, e cada situação, poderão dar mais informação, com menor custo e em menos tempo.

No caso de grandes obras de engenharia, é frequente que as fases de estudo geotécnico correspondam às fases de desenvolvimento do empreendimento, ou seja, de estudo de viabilidade (ou estudo prévio), de anteprojecto, de projecto, de construção e em muitos casos de operação ou de serviço.

Estudo de viabilidade – é dominada pelas actividades de reconhecimento que em certos locais de alguns países são bastante facilitadas pela numerosa informação de natureza geológica e até geotécnica existente, relevante para o projecto.

O estudo de fotografias aéreas (Figura 2) e de imagens de satélite é da maior

importância para a caracterização tectónica da área interessada pelo empreendimento e também para a definição de áreas geomorfologicamente instáveis, quer uma, quer outra, podendo condicionar grandemente a localização de obras ou, até, inviabilizar a sua realização.

O reconhecimento geológico de superfície completa as actividades que, no seu

conjunto, constituem o reconhecimento. Em áreas de bons afloramentos e bons acessos, essa tarefa é de fácil realização e de baixíssimo custo. Quando tal não

acontece, recorre-se à abertura de trincheiras por vezes profundas ou mesmo à remoção de depósitos e solos residuais em grandes áreas, a fim de permitir a observação directa do maciço rochoso e o registo das características geológicas relevantes para o projecto.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

No caso de maciços rochosos é ainda mais frequente nesta fase recorrer-se a trabalhos expeditos de prospecção geofísica de superfície para ajudar à interpretação global da informação disponível.

à interpretação global da informação disponível. Fig. 2 – Fotografia aérea. As despesas com as actividades

Fig. 2 – Fotografia aérea.

As despesas com as actividades de reconhecimento são apenas uma pequena parte do custo total de qualquer estudo geotécnico, raramente atingindo 10% do seu valor.

Contudo, em muitos casos, a quantidade de informação recolhida nesta fase excede significativamente 50% do conhecimento total que se virá a obter do maciço rochoso, após terminarem todas as actividades de estudo geotécnico anteriores à construção.

Anteprojecto – Dominada pelas actividades de Prospecção Geotécnica incluindo a realização de ensaios in situ de carácter mais expedito e apoiadas pela realização de alguns ensaios de caracterização em laboratório, nomeadamente sobre tarolos de

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

sondagem. Por vezes esses trabalhos são realizados simultaneamente em locais ou traçados alternativos até a informação geotécnica ser suficiente por se optar por um deles.

Nesta fase. Deve visar-se o zonamento geotécnico do maciço rochoso, isto é, a delimitação de volumes desse maciço cujos parâmetros relevantes (deformabilidade, resistência, permeabilidade, ou até estado de tensão) exibem variação dentro de limites bem definidos e aceitáveis.

Na fase de anteprojecto, raramente se recorre à realização de ensaios com carácter mais pontual, de elevado custo e prazo mais dilatado.

Túneis em maciços litologicamente homogéneos: para o estudo do maciço, dispõe-se de um comprimento total de sondagens de rotação distribuídas ao longo do alinhamento do túnel, da ordem de grandeza do comprimento do próprio túnel, podendo este somatório reduzir-se a cerca de metade do comprimento do túnel no caso de obras muito extensas.

do comprimento do túnel no caso de obras muito extensas. Fig.4 – Abertura de túnel, mac

Fig.4 – Abertura de túnel, maciço litologicamente homogéneo.

Túneis em maciços muito heterogéneos e tectonizados: mesmo sendo o túnel muito extenso, existem exemplos em que o comprimento total das sondagens realizadas excedeu largamente a extensão do túnel.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Maciços rochosos de fundação e barragens de betão: a quantidade dos trabalhos de prospecção geotécnica é, como se sabe, função da complexidade geológica do local e das dimensões da própria obra. Mesmo nos casos de aparente simplicidade geotécnica e de dimensão média, facilmente se dispõe de centenas e até milhares de metros de sondagens, de muitas dezenas a centenas e até milhares de medições de parâmetros geofísicos (resistividades aparentes ou velocidade de propagação de ondas).

As sondagens de rotação, no caso de barragens abóbada, pode dizer-se que o seu comprimento total será frequentemente da ordem de 10 vezes o da altura da barragem, podendo atingir valores muito superiores no caso de maciços de fundação geologicamente complicados.

A planificação da campanha de trabalhos de prospecção é feita no pressuposto de

que é viável uma solução em betão por ser, caso as condições geotécnicas da fundação o permitam, a solução mais adequada. Acontece que, após a realização

dos primeiros trabalhos de prospecção e dos primeiros ensaios in situ e em

laboratório, por vezes se conclui que não é possível considerar qualquer solução rígida e há que optar por soluções de aterro, para o projecto das quais a informação

já existente e em certos aspectos muito superior à necessidade para a sua realização.

Projecto – Pode-se melhorar o zonamento geotécnico anteriormente realizado à custa de novos resultados obtidos através da realização de mais trabalhos de prospecção idênticos aos executados na fase anterior (sondagens, galerias, prospecção geofísica, ensaios no interior de sondagens, etc.).

O que domina nesta fase, em certos tipos de obra, com destaque para barragens, grandes centrais hidroeléctricas, térmicas ou nucleares e grandes cavidades subterrâneas, é a realização de ensaios mais sofisticados, quer no campo, quer em laboratório que, em virtude do seu custo e duração são necessariamente executados

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

em pequenas quantidades, nas zonas mais importantes para a estabilidade das obras.

nas zonas mais importantes para a estabilidade das obras. Fig.5 – Barragem em construção. 2. Desmonte

Fig.5 – Barragem em construção.

2. Desmonte

Na indústria da construção civil previamente à construção existe por vezes a necessidade de “destruir”, nomeadamente edificações ou obstáculos naturais (rochas) que existem em locais onde se pretende efectuar a construção.

2.1. Desmonte a céu aberto

A exploração a céu aberto pode ser feita por:

Degraus direitos;

Arranque de pequenas ou grandes massas;

Nas explorações a céu aberto a dimensão dos degraus deve garantir a execução das manobras com segurança, obedecendo às seguintes condições:

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

A altura dos degraus não deve ultrapassar 15 m, mas na configuração final, antes de se iniciarem os trabalhos de recuperação paisagística, esta não deve ultrapassar os 10 m;

Na base de cada degrau deve existir um patamar, com, pelo menos, 2 m de largura, para permitir, com segurança, a execução dos trabalhos e a circulação dos trabalhadores, não podendo na configuração final esta largura ser inferior a 3 m, tendo em vista os trabalhos de recuperação;

Os trabalhos de arranque num degrau só devem ser retomados depois de retirados os escombros provenientes do arranque anterior, de forma a deixar limpos os pisos que os servem;

Relação entre o porte da máquina de carregamento e a altura da frente não inferior a 1.

Sendo a exploração a céu aberto feita, na sua grande maioria, por degraus, é necessário a existência, de acordo com a lei em vigor, de um plano de trabalhos contendo os seguintes elementos:

altura das frentes de desmonte (degraus);

largura das bases dos degraus;

diagramas de fogo, caso existam;

situação das máquinas de desmonte em relação à frente e as condições da sua deslocação;

condições de circulação das máquinas de carregamento, perfuração e transporte;

condições de circulação dos trabalhadores;

configuração da escavação durante os trabalhos e no final dos mesmos, devendo-se ter em conta a estabilidade das frentes e taludes;

e local de deposição de eventuais escombros e terras de cobertura, área e forma a ocupar por estes.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

2.1.2. Métodos de desmonte a céu aberto

Os

métodos de desmonte a céu aberto podem ser:

Flanco de encosta;

Corta (abaixo da superfície).

O

método de desmonte está essencialmente dependente das características da

exploração, pelo que o método usado para explorações de rocha ornamental será completamente diferente do usado em explorações de rochas industriais.

diferente do usado em explorações de rochas industriais. Fig.6 – Desmonte a céu aberto, pedreira. Assim,

Fig.6 – Desmonte a céu aberto, pedreira.

Assim, dado o facto de as operações inerentes ao método de desmonte dos dois tipos de exploração serem diferentes, optou-se por tratá-los separadamente.

Nas explorações de rocha ornamental programa-se o desmonte de blocos primários, blocos esses que são definidos consoante as características do maciço, as produções requeridas, mão-de-obra e equipamentos disponíveis.

Entende-se por tempo de desmonte de um bloco primário o tempo necessário à exploração até à retirada completa do estéril e do minério gerado pelo mesmo. A exploração de um bloco primário faz-se em 6 operações fundamentais, as quais se dividem por sua vez em operações secundárias.

As operações fundamentais após a limpeza da rocha útil são:

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Furação;

Corte;

Derrube;

Esquartejamento;

Extracção;

Acabamento.

A definição de cada uma das operações deve constar no plano de lavra e tem por

objectivo o aproveitamento máximo de blocos de dimensão comercial.

O desmonte inicia-se com a operação de furação (Figura 3), sendo os furos realizados com o objectivo de definir materialmente a área do bloco primário e a largura das fatias, isto é a dimensão do bloco a desmontar.

Após a execução dos referidos furos é introduzido o fio helicoidal diamantado, roçadora ou jacto hidráulico com vista à realização do corte de levante (corte de fundo). Em seguida, para individualização do bloco primário, são realizados os cortes laterais.

Uma vez terminada a individualização do bloco primário, procede-se ao corte do bloco em fatias que definem o bloco maior transportável, com a operação de esquartejamento.

Após as fatias se encontrarem plenamente individualizadas, são derrubadas sendo

os blocos transportados por grua ou através de outro equipamento de transporte se

a corta estiver ligada ao exterior por rampa. Se o material exceder em peso a capacidade da grua, as dimensões forem superiores ao arco máximo da monolâmina, ou apresentar irregularidades excessivas, serão esquartejados na pedreira.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Fig.7 – Desmonte a céu aberto, pedreira. O derrube

Fig.7 – Desmonte a céu aberto, pedreira.

O derrube de uma fatia é realizado com o auxílio de uma almofada ou macaco hidráulico, que originam o desequilíbrio da fatia até esta cair numa "cama" previamente realizada. A cama tem uma dupla função: amortecer o impacto da queda da fatia derrubada, minimizando a quantidade de fracturas induzidas pelo choque, e ajudar posteriormente a operação de esquartejamento, permitindo a passagem do fio diamantado, sem que seja necessário proceder a nova furação. A cama é normalmente construída com terra, fragmentos de rochas e pneus velhos.

construída com terra, fr agmentos de rochas e pneus velhos. Fig.8 - Pormenor da operação de

Fig.8 - Pormenor da operação de derrube de uma fatia.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

O esquartejamento é sem dúvida a operação crítica no que diz respeito ao correcto

planeamento das operações. Este é bastante influenciado pelas características de fracturação do bloco, operações anteriores e posteriores, e pelo mercado.

O desmonte termina com a limpeza da frente retirando-se o estéril para a escombreira com o recurso à pá carregadora, e elevando o minério para o parque

de blocos por grua ou dumper.

Pelo facto de os blocos apresentarem dimensões e formas muito variadas, torna-se necessário efectuar uma operação de acabamento. Esta operação, realizada pela mono-lâmina, tem por objectivo a correcção total dos blocos transportados, com vista a posterior comercialização ou a serragem.

Quer a corta quer a frente em flanco de encosta terão uma inclinação que está limitada pelas características geomecânicas do maciço, sendo esta inclinação função

da relação altura/patamar (ver Figura 6).

função da relação altura/patamar (ver Figura 6). - Inclinação do talude 2.1.3. Processos produtivos Uma

- Inclinação do talude

2.1.3. Processos produtivos

Uma jazida mineral lavrada a céu aberto, na área de lavra ocorre o desmonte de rochas, através de perfurações executadas por perfuratrizes pneumáticas, carregamento de explosivos e detonações das mesmas.

Todas as operações da mina são totalmente mecanizadas, o transporte da rocha, da área de lavra até ao alimentador vibratório do britador, assim como todo o

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

transporte externo da produção, é realizado por intermédio de caminhões basculantes “fora de estrada”.

de caminhões basculantes “fora de estrada”. Fig.9 -Jazida Fig.10 - Perfuratriz Pneumática Fig. 11-

Fig.9 -Jazida

caminhões basculantes “fora de estrada”. Fig.9 -Jazida Fig.10 - Perfuratriz Pneumática Fig. 11- Alimentador

Fig.10 - Perfuratriz Pneumática

basculantes “fora de estrada”. Fig.9 -Jazida Fig.10 - Perfuratriz Pneumática Fig. 11- Alimentador Vibratório 18/146

Fig. 11- Alimentador Vibratório

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Após este processo, a rocha desmontada com tamanhos acima do padrão para a britagem primária são reduzidos utilizando o sistema “Drop Ball”, substituindo assim o uso de explosivos gerando um significativo ganho ambiental.

uso de explosivos gerand o um significativo ganho ambiental. Fig.11 - Drop Ball As rochas em

Fig.11 - Drop Ball

o um significativo ganho ambiental. Fig.11 - Drop Ball As rochas em tamanhos adequados são carregadas

As rochas em tamanhos adequados são carregadas com escavadoras hidráulicas em caminhões basculantes “fora de estrada” conduzindo a matéria-prima até o alimentador vibratório do britador primário (britador de mandíbulas), iniciando o processo de britagem.

Fig.12 - Escavadora Hidráulica

o processo de britagem. Fig.12 - Escavadora Hidráulica a) b) Fig13 - a)-Escavadora Hidráulica carre gando

a)

o processo de britagem. Fig.12 - Escavadora Hidráulica a) b) Fig13 - a)-Escavadora Hidráulica carre gando

b)

Fig13 - a)-Escavadora Hidráulica carregando Caminhões Basculantes “Fora de

Estrada; b) Britador de Mandíbulas

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Após a britagem primária, as rochas são conduzidas por correia transportadora para a peneira primária. Esta peneira promove a classificação inicial do material, formando duas pilhas pulmão distintas. Uma de pedra marruada, e outra de limpeza composta de terra e rochas.

Ciclo seco - a pedra marruada segue para os britadores secundários (britador cónico). Após a cominação, é transportada por correia para a peneira classificatória secundária, retirando os produtos desejados. Neste equipamento, as britas que apresentam granulometria fora de classificação e não passam pela primeira tela da peneira, são enviadas a um britador cónico, e após a britagem retornam novamente para a peneira secundária para a classificação final.

para a peneira secundária para a classificação final. Fig.14 - Correia Transpor tadora - Ciclo Seco
para a peneira secundária para a classificação final. Fig.14 - Correia Transpor tadora - Ciclo Seco

Fig.14 - Correia Transportadora - Ciclo Seco / Correia Transportadora - Ciclo Lavado

Transpor tadora - Ciclo Seco / Correia Transportadora - Ciclo Lavado Fig.15 - Peneira Primária Britador

Fig.15 - Peneira Primária

Transpor tadora - Ciclo Seco / Correia Transportadora - Ciclo Lavado Fig.15 - Peneira Primária Britador

Britador Cónico

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Sabendo que o processo de britagem é um dos factores que mais contribuem para a interferência ambiental, tornou-se necessário um acompanhamento mais detalhado do processo prático visando reduzir ao máximo tal interferência. Neste sentido foram testadas diversas alternativas visando diminuir os impactos ambientais e consequentemente melhorar o ambiente de trabalho e qualidade do produto final. Dentre todos os projectos o que mais se adequou foi o sistema de pulverização de água, acoplando bicos aspersores ao longo de toda linha de britagem, mantendo a matéria-prima sempre húmida eliminando quase por completo a poeira emitida pelos britadores e a agressão ao meio ambiente.

Ciclo lavado - Já os materiais da pilha de limpeza seguem para uma peneira intermediária, a qual separa a brita da terra. A terra retirada é destinada à pilha de estéril, e a brita segue para britadores secundários e peneira classificatória.

A brita na peneira classificatória é lavada através de esguichos contínuos, sendo em

seguida classificada. A água, juntamente com os finos são enviados ao tanque com finalidade de decantação, após a decantação a água segue limpa pelo curso do rio e

o fino gerado e retirado através de escavadeira hidráulica e colocado para o

mercado como "filler". As britas que apresentam granulometria fora de classificação seguem para um britador cónico, retornando para a peneira, tendo em vista a classificação final.

para a peneira, tendo em vista a classificação final. Fig.16 – a) Peneira Classificatória lavando a
para a peneira, tendo em vista a classificação final. Fig.16 – a) Peneira Classificatória lavando a

Fig.16 – a) Peneira Classificatória lavando a brita através de esguichos contínuos; b) Tanque Decantação

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

2.2. Desmonte subterrâneo

O desmonte subterrâneo em maciços rochosos é uma actividade complexa e com enormes repercussões.

Em termos geotécnicos esta actividade é, possivelmente, a que maiores implicações acarretam para a execução de uma obra subterrânea.

As vertentes ligadas ao método de escavação, equipamentos utilizados e velocidades de avanço, afectam praticamente todas as operações que se realizam a jusante, nomeadamente a remoção de escombros, o dimensionamento e instalação de suportes (primários e secundários), as actividades acessórias (ventilação, drenagem, iluminação) e, em última análise, as condições globais de segurança.

Consoante se pretenda realizar uma obra subterrânea em terrenos brandos ou em maciços rochosos competentes, com desenvolvimento horizontal ou vertical, com grande ou pequena secção, longe ou perto de zonas urbanas, assim se utilizam métodos de escavação e equipamentos significativamente distintos.

Os métodos de escavação, nomeadamente o seu faseamento e as velocidades de avanço, estão intimamente ligados aos cálculos dos sistemas e tipos de suporte, existindo também reciprocidade no sentido inverso.

2.2.1. Critérios de escavabilidade

Entende-se por escavabilidade de um maciço rochoso, a sua capacidade de resistência à acção proporcionada pelos equipamentos de escavação, tanto os mecânicos como os explosivos. Esta apetência do maciço para ser desagregado, é um factor determinante nas fases de projecto e de execução.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Ao longo dos tempos, vários autores têm desenvolvido critérios de classificação

dos maciços rochosos em função da sua escavabilidade. Estes critérios baseiam-se

em diversos parâmetros de avaliação, existindo alguns de concepção simples e

outros que incorporam um largo conjunto de características dos materiais e de

equipamentos propostos. A escavação dos maciços rochosos depende

maioritariamente de duas características principais do maciço: a capacidade de

resistência da rocha e as características de fracturação existentes.

Tabela 1 - Principais critérios de escavabilidade e parâmetros mecânicos associados

CRITÉRIOS DE ESCAVABILIDADE

PARÂMETROS

Franklin (1971)

Is50 (índice de resistência à carga pontual), espaçamento médio entre fracturas, resistência à compressão simples, número de Schmidt, RQD

Franklin (1971)

Velocidade sísmica, dureza, grau de alteração, e o espaçamento, continuidade, preenchimento e orientação de diaclases

Atkinson (1977)

Resistência à compressão simples

Romana (1981)

Resistência à compressão uniaxial, RQD, grau de abrasividade (equivalente de sílica)

Kirsten (1982)

Resistência à compressão uniaxial, RQD, Jn e Jr do sistema de classificação Q de Barton, posição relativa dos blocos, alteração de diaclases

Abdullatif e Cruden (1983)

RMR

Scoble e Muftuoglu (1984)

Grau de alteração, resistência à compressão uniaxial, resistência à carga pontual, espaçamento de diaclases, possança média da estratificação

Hadjigiorgiou e Scoble (1988)

Resistência à carga pontual, tamanho de blocos, grau de alteração, disposição estrutural relativa

Singh (1989)

Resistência à tracção, grau de alteração, grau de abrasividade, espaçamento de diaclases

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Os parâmetros utilizados pelos diversos autores, tendem a reflectir estas duas características do maciço, incorporando factores como a resistência à compressão uniaxial, resistência à carga pontual, resistência à tracção, número de Schmidt, velocidade das ondas sísmicas, dureza, grau de alteração, grau de abrasividade, espaçamento de diaclases, RQD (Rock Quality Designation), RMR (Rock Mass Rating), parâmetros do sistema de classificação Q de Barton, continuidade, orientação e preenchimento de diaclases, possança média dos estratos, tamanho de blocos, etc.

Existem ainda critérios de escavabilidade, desenvolvidos pelos vários fabricantes de equipamentos de escavação que, com base na experiência acumulada e para cada equipamento, identificam os tipos de rocha escaváveis consoante as respectivas velocidades das ondas sísmicas.

2.2.1.1. Método de Franklin et al

O método desenvolvido por Franklin e seus colaboradores (1971) classifica o maciço rochoso de acordo com dois parâmetros principais, obtidos sobre testemunhos de sondagem: Is50 (índice de resistência à carga pontual) e espaçamento médio entre fracturas. Estes parâmetros podem ainda ser correlacionáveis com outras grandezas:

o

Is50 com a resistência à compressão simples e com o número de Schmidt

e

o espaçamento médio entre fracturas com o RQD.

Assim, este método determina quatro regiões no gráfico exposto, a que correspondem diferentes métodos de desmonte da rocha, a escavação mecânica, a escarificação, a utilização de explosivos para desagregar e o desmonte com explosivos.

Esta classificação, devido à data da sua concepção (1971), possui actualmente algumas imprecisões, porquanto as tecnologias e capacidades dos equipamentos

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

têm tido uma evolução constante, nomeadamente os modernos equipamentos

hidráulicos, bastante potentes, que ampliam as áreas de escavação mecânica e

escarificação para o interior das regiões de desmonte com explosivo

para o interior das regiões de desmonte com explosivo Fig.17 - Classificação da es cavabilidade de

Fig.17 - Classificação da escavabilidade de maciços rochosos, segundo Franklin et al. (adaptado de Franklin et al, 1971, in López Jimeno e Díaz Méndez [98], 1997).

2.2.1.2. Método de Kirsten

Kirsten (1982) propôs um método classificativo para a selecção de métodos de

escavação, utilizando um conjunto de parâmetros que integram uma expressão

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

empírica, da qual resulta um índice de escavabilidade N (López Jimeno e Díaz Méndez [98], 1997).

Assim a expressão vem:

N = Ms . (RQD/Jn) . Js . (Jr/Ja) com

Ms Resistência à compressão simples da rocha (MPa);

RQD Rock Quality Designation (%);

Jn, Jr Parâmetros do sistema de classificação Q de Barton;

Js Disposição relativa dos blocos inclinados segundo a direcção de extracção (Js=1, para material intacto);

Ja Grau de alteração das diaclases.

Segundo o índice N calculado através da expressão anterior, este autor apresentou os intervalos e a respectiva facilidade de arranque:

1 < N < 10

10 < N < 100

100 < N < 1000

1000 < N < 10000

N > 10000

Facilmente ripável;

Ripagem difícil;

Ripagem muito difícil;

Ripagem extremamente difícil / explosivos;

Explosivos.

2.2.2. Métodos de desmonte/escavação

Os critérios de classificação do maciço rochoso de acordo com a respectiva escavabilidade, destinam-se a avaliar a capacidade da rocha de ser desagregada segundo um método e/ou equipamento. Estes critérios não contemplam os restantes factores que podem limitar o emprego das técnicas seleccionadas, como os factores ambientais, económicos, geográficos, estruturais, de risco, ou mesmo a geometria das cavidades.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Os maciços rochosos, como elementos geológicos complexos, só raramente possuem as características de homogeneidade, isotropia e continuidade que lhes são frequentemente atribuídos. Desta forma, poderá não ser suficiente a utilização de um único método ou técnica de desmonte de rocha, para a escavação integral de uma obra subterrânea.

A escavabilidade dos maciços, classificada segundo qualquer dos critérios anteriormente expostos, baseia-se na capacidade e potência dos equipamentos existentes à data da elaboração do critério. Desta forma, a antiguidade do sistema classificativo pode tornar obsoleta a respectiva metodologia ao não contemplar as evoluções tecnológicas.

Neste contexto, são de realçar as evoluções em termos mecânicos, designadamente dos equipamentos hidráulicos e tuneladoras, que aumentaram significativamente as suas potencialidades e também o desenvolvimento dos recentes tipos de explosivos, como as emulsões, e respectivos métodos de utilização.

como as emulsões, e respectivos métodos de utilização. Fig.18 - a) Frente de uma tuneladora. b)

Fig.18 - a) Frente de uma tuneladora.

de utilização. Fig.18 - a) Frente de uma tuneladora. b) Máquina de escavação hidráulica. Quanto às

b) Máquina de escavação hidráulica.

Quanto às limitações associadas ao uso de explosivos, estas prendem-se, fundamentalmente, com as condições do meio onde se desenrolam as actividades.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Estas condicionantes podem estar relacionadas com a presença de estruturas civis ou com o ambiente natural existente, potencialmente afectados pelas vibrações, ruídos, poeiras e projecção de blocos.

Entre as estruturas que podem limitar, ou mesmo inviabilizar, a utilização de explosivos, encontram-se os gasodutos, caminhos de ferro, estradas, pontes, viadutos, aglomerados populacionais, barragens e albufeiras, centrais energéticas, refinarias ou outras instalações industriais, hospitais e estruturas subterrâneas sensíveis como outros túneis, minas, instalações de armazenamento de produtos de risco e instalações militares.

Relativamente às situações ambientais, a utilização de explosivos através da facturação que induz ao maciço, pode afectar cursos de água, bem como os aquíferos existentes, rebaixando-os ou ligando diferentes níveis. Estes efeitos podem limitar o uso do solo da região, tanto no que se refere a posteriores construções como as relativas ao uso agrícola, pecuária, fauna e flora (zonas protegidas), etc., além de acarretarem perigos e custos acrescidos para as actividades construtivas futuras.

A selecção do tipo de sistema de desmonte a aplicar (mecânico ou com explosivos), deve ter em conta aspectos como a altura do nível freático acima da soleira do túnel, a profundidade de recobrimento, a distância do eixo do túnel às estruturas existentes (construções, rios, etc.), a sensibilidade das estruturas superficiais, bem como os parâmetros mecânicos característicos do maciço a escavar.

Relativamente ao zonamento geotécnico do maciço, este possui propósitos essencialmente de estimativa do suporte a utilizar para cada zona não dispensando análises mais detalhadas quando se julgar necessário. Este zonamento deve ainda ser utilizado de forma mais abrangente no que respeita aos métodos de escavação, equipamentos a utilizar, tempos despendidos, entre outros.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Os métodos de escavação, tanto por explosivos como mecânicos, podem ser faseados de acordo com as características da obra e do maciço rochoso. Em túneis de grande secção, é geralmente utilizada a técnica de desmonte sucessivo de secções parciais, de forma a minorar a instabilidade das frentes, dos tectos e dos hasteais, bem como reduzir as convergências no túnel. Este método é preferencialmente utilizado em túneis em maciços rochosos muito brandos (ou maciços terrosos), com pequeno recobrimento.

A escolha de um método de desmonte de rocha reflecte-se sempre na qualidade da obra e nos custos e prazos inerentes à sua realização. Neste contexto, existem alguns requisitos a ter em conta, nomeadamente o tipo e versatilidade dos equipamentos, podendo estes constituir um factor limitativo para os empreiteiros, em termos de concurso, influenciando directamente o custo da obra.

Estabelecimento dos métodos de desmonte da rocha com base nos elementos disponíveis no zonamento e prospecção:

Utilização de explosivos: devem-se estabelecer cenários de utilização com base nos elementos existentes, no que respeita a diagramas de fogo, tipo de explosivo a utilizar, espaçamento entre furos, consumo específico de explosivo e tempos de retardo. Os referidos cenários devem cingir-se à adaptação às diversas litologias e resistências dos maciços rochosos envolvidos, bem como às situações peculiares que se verifiquem em termos das estruturas civis existentes e restrições ambientais.

Utilização de processos mecânicos: os métodos de desagregação mecânica do material rochoso, devido à sua diversidade, devem ser escolhidos essencialmente pela sua adequação, flexibilidade, disponibilidade e alargado campo de utilização, de forma a reduzir o número de equipamentos em obra.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Em alguns casos, podem-se utilizar sistemas mistos de explosivos e arranque mecânico. Assim, para a selecção de um método de escavação apropriado, não são suficientes os critérios de escavabilidade e o zonamento geotécnico usual, carecendo a sua escolha de estudos de pormenor que integrem as tecnologias existentes à data e as restrições específicas do meio e da obra, nomeadamente as condições geotécnicas.

2.3. Desmonte por explosivos

2.3.1.Condições gerais

Todas as actividades industriais que, de alguma forma, envolvam a utilização de substâncias explosivas, como é o caso particular de minas, pedreiras e certas obras geotécnicas, são objecto de especial atenção por parte das populações, que dificilmente ficam tranquilas sabendo que existem trabalhos, nas suas imediações, fazendo uso dessas substâncias, obrigando a redobrar os cuidados, através de um conjunto de medidas e procedimentos técnicos, para reduzir ao mínimo a possibilidade de ocorrerem acidentes nessas actividades.

a possibilidade de ocorrerem acidentes nessas actividades. Fig.19 – Uso de explosivos em desmonte a céu
a possibilidade de ocorrerem acidentes nessas actividades. Fig.19 – Uso de explosivos em desmonte a céu

Fig.19 – Uso de explosivos em desmonte a céu aberto.

Acresce a esta circunstância uma outra causa de considerável influência, o medo, dadas as evidentes conotações destas substâncias com propósitos nefastos (como

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

guerra, terrorismo, etc.). Este receio pode aumentar muito a percepção do risco, levando as pessoas a confundir as noções de falha técnica devida a factores não controláveis (que é aceitável, dentro de determinados limites, em Engenharia) e de acidente, obrigando, por isso, os Engenheiros a trabalhar dentro de gamas excessivamente seguras, morosas e antieconómicas. A mediatização de certos incidentes, alguns bem recentes no nosso País, tem contribuído para aumentar ainda mais este problema.

É fundamental reduzir os acidentes em Engenharia, para demonstrar, à custa da

ausência prolongada de fatalidades, que o grau de conhecimento e os produtos

actualmente disponíveis permitem a execução segura, de obras para as populações.

O desmonte de rocha com explosivos motiva, invariavelmente, um conjunto de

acções benéficas e um conjunto de acções prejudiciais. Entre as primeiras contam-

se como principais, o arranque da rocha do maciço e a sua cominação, facilitando

assim a remoção e transporte. Englobados nas acções prejudiciais encontram-se as vibrações induzidas, os ruídos, os gases, as poeiras, a projecção de material

(partículas e/ou blocos) e a deterioração do maciço remanescente, traduzido em fenómenos de sobrefracturação e sobreescavação.

O desmonte com explosivos em áreas urbanas, reveste-se de grandes dificuldades e

exige um apurado domínio por parte dos executantes. Atendendo a possíveis excepções que sempre ocorrem nestes projectos, pode-se dizer que os constrangimentos ambientais e técnicos associados à utilização de explosivos, tornam estas técnicas quase proibitivas em zonas habitadas, tanto mais que existem actualmente eficientes métodos de escavação mecânica, bastante versáteis e com provas dadas em todo o mundo.

Pelo que atrás foi dito, a utilização dos explosivos pode, e deve, ser alvo de um

estudo

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

preliminar com vista à determinação ou, no mínimo, à detalhada previsão dos objectivos a atingir e das causas resultantes, sustentado pelo conhecimento disponível sobre o meio, e sobre os materiais e técnicas de desmonte a utilizar.

2.3.1.1.Explosivos, definições

Substâncias explosivas - compostos químicos ou misturas de produtos químicos que podem produzir efeitos explosivos ou pirotécnicos.

Efeitos explosivos - a libertação a grande velocidade de grandes quantidades de energia no ambiente, sob a forma de gases a alta temperatura e pressão elevada, em resultado de uma reacção química na ausência de oxigénio gasoso ou de ar.

Pólvoras - misturas de substâncias explosivas que por acção de agente exterior podem deflagrar. Explosivos - substâncias explosivas que por acção de um agente exterior podem detonar.

Detonador - cápsula contendo um explosivo capaz de ser iniciado pelo efeito do calor libertado por uma fonte de calor ou uma acção mecânica.

Escorva/iniciador - detonador ou conjunto de detonador e reforçador e meio de iniciação, utilizado para provocar uma explosão.

Mecha/rastilho - cordão constituído por um núcleo calibrado de pólvora envolvido por um tecido e coberto com camada impermeável.

Cordão detonante - cordão com o núcleo de explosivo rápido envolvido por uma camada impermeável.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Pega de fogo - conjunto de tiros com uma sequência de rebentamento determinada para funcionar como um conjunto.

Esquema de fogo - modo de implantação e ordenamento de uma pega de fogo.

Os explosivos podem ser classificados em:

Lentos ou propulsores - quando a sua velocidade de combustão é inferior a 1000 m/Seg.

Rápidos - quando a velocidade de combustão é superior a 1000 m/Seg. Mas inferior a 5000 m/Seg.

Muito rápidos - quando a velocidade de combustão é superior a 5000 m/Seg.

Quanto aos efeitos classificam-se em:

Fracturante - quando devido à velocidade da reacção o seu efeito é de destruição do meio que o envolve, fracturando-o em pequenos blocos

Deflagrante - quando devido à lentidão da reacção o seu efeito é de rotura pelas fracturas existentes ou tombamento.

Quanto à sensibilidade classificam-se em:

Sensíveis - quando por efeito de choque ou calor moderado o explosivo é activado.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Pouco sensíveis - quando a iniciação só é possível com a utilização de um detonador

Fabrico:

A indústria de fabrico de explosivos dispõe de instalações adequadas e quadros

técnicos qualificados. Pelas quantidades e altas potências dos produtos produzidas,

os fabricantes de explosivos estão obrigados a dispor de áreas significativas para a

produção e armazenamento dos seus produtos. As exigências técnicas com os equipamentos de fabrico e de controlo fazem com que os investimentos financeiros sejam bastante significativos. A implementação e manutenção das instalações fabris obrigam a contratar pessoal especializado. Os avanços científico-tecnológicos dos últimos anos permitiram a existência de unidades móveis de fabrico no local de aplicação.

de unidades móveis de fabrico no local de aplicação. Fig.20 – Unidade móvel de fabrico de
de unidades móveis de fabrico no local de aplicação. Fig.20 – Unidade móvel de fabrico de
de unidades móveis de fabrico no local de aplicação. Fig.20 – Unidade móvel de fabrico de

Fig.20 – Unidade móvel de fabrico de explosivos.

Tabela 2 - Designação comercial dos explosivos produzidos em Portugal.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

   

Empresas produtoras

 

Tipo

Composição base

     

Moura,

SPEL

EEI

SEC

Silva &

   

Filho

     

Dynaroc

   

Gelatinosos

Nitroglicol ou

Nitroglicerina

Gelamonite

33

Gelatina

7

Dynaroc

5

Gelatine

Donarit

1

Goma

Pulverulentos

Nitrato de amónio sensibilizado

Amonite

     
 

Nitrato de amónio e gasóleo

 

Amonitral

   

Granulados

Amonóleo

Amonitro

Austinite

Amonix

 

Solução aquosa de Nitrato de amónio, óleos e emulsionantes

 

Sigmagel

   

Emulsões

Spelite 85

605

Emulex

Jemulit

Spelan 85

Sigmagel

Austimix

6

 

Detonadores:

Os detonadores, conforme o modo de iniciação, dividem-se em:

Pirotécnicos - iniciados por uma chama conduzida através de um rastilho

- iniciados por uma chama cond uzida através de um rastilho Eléctricos - iniciados por uma

Eléctricos - iniciados por uma corrente eléctrica. Consoante o tempo decorrido

entre a iniciação e o rebentamento, dividem-se em:

Instantâneos

Retardados - com intervalo de 0,5 Seg

Micro-retardados - com intervalo de 20 ou 30 milisegundos

⇒ Retardados - com intervalo de 0,5 Seg ⇒ Micro-retardados - com intervalo de 20 ou
Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Em função do uso os detonadores classificam-se em:

Cápsula de alumínio - usados nos casos gerais

Cápsula de cobre - usados em ambientes inflamáveis

Sísmicos - com tempo de reacção inferior a um milisegundo

Para trabalhos a grandes pressões de água - são herméticos até 100 Kg/cm 2

Conforme a intensidade de corrente necessária para iniciar um detonador, estes

classificam-se em:

Sensíveis - intensidade de corrente de segurança 0,18 Amp.

Insensíveis - intensidade de corrente de segurança 0,45 Amp.

Muito insensíveis - intensidade de corrente de segurança 3 Amp.

Altamente insensíveis - intensidade de corrente de segurança 4 Amp.

A identificação dos tipos de detonadores eléctricos em função da sensibilidade é

feita pela cor dos fios, conforme os quadros seguintes:

Tabela 3 - Detonadores eléctricos sensíveis

Tipo de

Intervalo

n.º de intervalos

Cor

detonador

Instantâneo

0

--

Vermelho-branco

Retardo 500 ms

500

12 1

Vermelho-azul

Micro-retardo 30 ms

30

18 1

Vermelho-amarelo

Micro-retardo 20 ms

20

15 1

Vermelho-

vermelho

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Tabela 4 - Detonadores eléctricos insensíveis

Tipo de

Intervalo

n.º de intervalos

Cor

detonador

Instantâneo

0

--

Rosa-branco

Retardo 500 ms

500

12 1

Rosa-azul

Micro-retardo 30 ms

30

18 1

Rosa-amarelo

Micro-retardo 20 ms

20

15 1

Rosa-rosa

Tabela 5 - Detonadores eléctricos Muito insensíveis

Tipo de

Intervalo

n.º de intervalos

Cor

detonador

Instantâneo

0

--

Cinzento-branco

Retardo 500 ms

500

12 1

Cinzento-azul

Micro-retardo 30 ms

30

18 1

Cinzento-amarelo

Micro-retardo 20 ms

20

15 1

Cinzento-cinzento

Tabela 6 - Detonadores eléctricos Altamente insensíveis

Tipo de

Intervalo

n.º de intervalos

Cor

detonador

Instantâneo

0

--

Verde-branco

Retardo 500 ms

500

12 1

Verde-azul

Micro-retardo 30 ms

30

18 1

Verde-amarelo

Micro-retardo 20 ms

20

15 1

Verde-verde

Sistema nonel - iniciado por onda de choque originada por um detonador

eléctrico ou pirotécnico.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II O sistema nonel, não tendo qualquer circuito eléctrico, tem

O sistema nonel, não tendo qualquer circuito eléctrico, tem a vantagem de não ser

sensível a qualquer tipo de corrente eléctrica, sobretudo a correntes induzidas ou à electricidade estática.

A carga de explosivo que transporta a onda de choque é muito reduzida não

provocando qualquer efeito no exterior. A iniciação pode ser feita com detonador eléctrico ou pirotécnico.

2.3.1.2. Termos legais

Licenciamento:

O Estado intervém no sector através dos ministérios da Administração Interna,

Economia, Ambiente e Agricultura.O Ministério da Administração Interna, através do Departamento de Armas e Explosivos (DEPAEX) é a principal entidade na apreciação do processo de licenciamento de instalações de fabrico e na concessão

de licenças para aplicação de explosivos.

Os Ministérios da Economia e do Ambiente são envolvidos através das Delegações Regionais. As Câmaras Municipais intervêm no processo no que diz respeito à autorização para a localização das instalações de fabrico e das explorações onde são aplicados explosivos. O controlo dos riscos inerentes ao fabrico e aplicação de explosivos é exercido por parte do Estado pelo Ministério da Administração Interna (através do DEPAEX e da PSP), no que se relaciona com a Segurança

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Pública, e pelo Ministério do Ambiente, em matéria de análise dos riscos de acidentes graves em determinadas actividades industriais.

O Ministério da Agricultura é envolvido em matéria de localização caso haja lugar a

alterações das áreas de reserva agrícola ou florestal. O Ministério da Economia intervém ainda ao nível do transporte de produtos explosivos, através da Direcção Geral dos Transportes Terrestres (DGTT) e ao nível da avaliação da conformidade dos produtos, na especificação e desenvolvimento de normas e na acreditação de laboratórios de ensaios acreditados, através do Instituto Português da Qualidade (IPQ). Há ainda a referir a participação do Estado ao nível da higiene e segurança

do trabalho e ao nível das acções executadas pelos Bombeiros e Protecção Civil na

avaliação dos riscos ou em intervenções de catástrofe decorrente de acidentes.

Documentos legais:

Em matéria de regulamentação legal foi publicado em 17 de Maio de 2002 o novo Regulamento de Segurança dos Estabelecimentos de Fabrico e de Armazenagem de Produtos Explosivos, com alteração ao art. 3, sobre a caducidade dos alvarás e licenças de fabrico e armazenagem de produtos explosivos, pelo Decreto-Lei n.º 139/2003 de 2 de Julho. Em 2002 foi ainda publicado o Decreto-Lei n.º 136/2002, relativo a constituição e competências da Comissão de Explosivos.

O art. 3.º do Decreto-Lei n.º 139/2003 e o art. 12.º do Regulamento, aprovado

pelo Decreto-Lei n.º 139/2002, sobre a zona de segurança, têm suscitado a apreensão das empresas de fabrico e armazenagem pelas dificuldades em ajustarem-

se às novas exigências, até 17 de Maio de 2005, prazo fixado pelo Decreto-Lei n.º

139/2003. Este facto faz com que o governo, numa tentativa de evitar o colapso

das empresas, tenha em preparação um projecto de Decreto-Lei para introduzir brevemente alterações ao Decreto-Lei n.º 139/2002. Depois da AP3E ter dirigido

ao Ministério da Administração Interna os comentários à proposta de Decreto-Lei,

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

o Conselho de Ministros aprovou, em 5 de Maio de 2005: o Decreto-Lei (em vigor

no dia 17 de Maio de 2005) que define o regime aplicável por força da caducidade de alvarás e licenças dos estabelecimentos de fabrico e de armazenagem de produtos explosivos.

Com este diploma pretende-se, em definitivo, levar as empresas de fabrico e de armazenagem a ajustarem-se às novas necessidades de salvaguardar a segurança dos que aí laboram e de todas as pessoas e bens que se encontram na sua envolvência geográfica. Recusando a reedição da política de moratórias levada a cabo pelo ante- rior Governo, este diploma deixa operar a caducidade dos alvarás e das licenças, que já havia sido estipulada pelo Decreto-Lei n.º 139/2002, e cria um mecanismo que não leve ao colapso das empresas e pessoas titulares, permitindo a manutenção provisória da laboração até à renovação do licenciamento, em condições que refor- çam os poderes da autoridade fiscalizadora e as colocam perante a opção inadiável de inovar em matéria de segurança.

Do mesmo modo, institui-se a obrigatoriedade de apresentação de um plano de segurança e a existência de uma estrutura técnica responsável e aperfeiçoam-se alguns mecanismos, nomeadamente quanto ao controlo efectivo da guarda e armazenamento de produtos explosivos, detonadores e substâncias perigosas. À Comissão de Explosivos, empossada em Janeiro de 2003, compete apreciar os pedidos de dispensa de alguns requisitos sobre a zona de segurança, estabelecidos por lei, e a emissão de instruções técnicas complementares em matéria de segurança.

Os regulamentos sobre o Licenciamento dos Estabelecimentos de Fabrico e de Armazenagem de Produtos Explosivos, sobre o Fabrico, Armazenagem, Comércio

e Emprego de Produtos Explosivos, e sobre a Fiscalização de Produtos Explosivos encontram-se publicados no Decreto-Lei n.º 376/84 de 30 de Novembro. O Decreto-Lei n.º 265/94 transpôs para a ordem jurídica interna a Directiva n.º

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

93/15/CEE, do Conselho, de 5 de Abril, relativa à harmonização das legislações

dos Estados membros respeitantes à colocação no mercado e ao controlo dos

explosivos para utilização civil. Este Decreto-Lei foi recentemente revisto pela

Comissão de Explosivos, que apresentou uma proposta de republicação, tendo em

conta as falhas e as omissões relativamente ao texto da Directiva. Este Decreto-Lei

obriga os explosivos a satisfazer os requisitos essenciais de segurança, o que obriga

aos procedimentos de certificação de conformidade.

Os procedimentos de certificação de conformidade exigem que sejam realizados

ensaios em laboratórios acreditados e que haja normas de ensaio, que permitam a

marcação CE de conformidade.

Transporte:

O transporte de produtos explosivos encontra-se definido pelo Regulamento de

Transporte de Mercadorias Perigosas por Estrada (RPE) publicado no Decreto-Lei

n.º 267-A/2003 de 27 de Outubro, que estabelece a obrigatoriedade das escoltas

para os produtos explosivos.

Tabela 7 – Transporte de explosivos, carga/descarga.

A carga e descarga dos explosivos deve ser feita com cuidado.

A carga e descarga dos explosivos deve ser feita com cuidado.

A saída do paiol, transporte, distribuiç ão e devolução dos produtos explosivos

A saída do paiol, transporte, distribuição e devolução dos produtos explosivos

não utilizados deverão ser efectuados por pessoas especialmente instruídas para

efeito e devidamente autorizados pelo director técnico ou encarregado dos trabalhos.

o

O transporte de explosivos entre o paiol e o local de utilização ou de

O

transporte de explosivos entre o paiol e o local de utilização ou de

preparação das cargas deve ser feito em paióis móveis ou paiolins móveis, conforme a quantidade a transportar.

Para pequenas quantidades devem usar-se paiolins de madeira ou sacos de lona, couro maleável ou

Para pequenas quantidades devem usar-se paiolins de madeira ou sacos de lona, couro maleável ou qualquer outro material resistente e impermeável, com

capacidade inferior a 10Kg, não devendo a distância de transporte ser superior

a

5 Km.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Na construção das caixas e sacos será vedada a aplicação de qualquer material que possa

Na construção das caixas e sacos será vedada a aplicação de qualquer material que possa produzir faísca.

As caixas e sacos deverão estar munidos de fechos seguros e correias de suspensão.

As caixas e sacos deverão estar munidos de fechos seguros e correias de suspensão.

Os detonadores e os explosivos nã o devem ser transportados na mesma viatura. Para pequenas

Os detonadores e os explosivos não devem ser transportados na mesma viatura. Para pequenas quantidades devem ser transportados em caixas separadas, devendo os detonadores ser transportados na cabina da viatura.

Os explosivos e as pólvoras devem se r transportadas em paiolins separados.

Os explosivos e as pólvoras devem ser transportadas em paiolins separados.

As cápsulas detonadoras deverão ser transportadas em caixas ou estojos próprios.

As cápsulas detonadoras deverão ser transportadas em caixas ou estojos próprios.

Os explosivos devem ser transportados na s embalagens de origem até ao local

Os explosivos devem ser transportados nas embalagens de origem até ao local

de

utilização salvo para quantidades inferiores ao peso da embalagem.

O escorvamento dos cartuchos deve ser feito no local de utilização. Havendo

O

escorvamento dos cartuchos deve ser feito no local de utilização. Havendo

local próprio para a preparação das escorvas, estas devem ser transportadas em

separado dos restantes explosivos.

O local de preparação das escorvas deve ter iluminação natural ou, se isso não

O

local de preparação das escorvas deve ter iluminação natural ou, se isso não

for possível, iluminação eléctrica. Não será permitido o uso de iluminação de

chama nua quando da preparação das escorvas.

Nos casos em que os produtos explosivos sejam transportados por locomotivas trolley deverão ser elaboradas

Nos casos em que os produtos explosivos sejam transportados por locomotivas trolley deverão ser elaboradas prescrições especiais para o efeito, a aprovar pela Delegação Regional da Economia da área ou pela PSP.

Aplicação de explosivos:

A aplicação de substâncias explosivas encontra-se definida pelo Decreto-Lei n.º

376/84, de 30 de Novembro, e pelo Decreto-Lei n.º 139/2002, de 17 de Maio. A

formação dos operadores de fogo, num contexto da padronização e equivalência

dos cursos ao nível europeu, vem sendo acompanhada pela AP3E, que integra a

European Federation of Explosives Engineers (EFEE), que institui o Certificado

Europeu de Operador de Fogo.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

No passado, a escavação de rochas recorrendo a explosivos era considerada como uma arte, nascida a partir da experiência e perícia dos operadores. Este empirismo, por si só, não se compadece com as exigências actuais. Progressivamente, esta técnica tem-se apoiado em procedimentos científicos, nomeadamente nos conceitos da Dinâmica das Rochas, que têm permitido conhecer melhor a acção dos explosivos nos maciços rochosos, em função dos seus mecanismos de rotura e propriedades geomecânicas.

dos seus mecanismos de rotura e propriedades geomecânicas. Fig.21 – Preparação para desmonte de maciço por

Fig.21 – Preparação para desmonte de maciço por explosivos.

Fig.21 – Preparação para desmonte de maciço por explosivos. Fig.22 – Desmonte de maciços por explosivos.

Fig.22 – Desmonte de maciços por explosivos.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Impactes ambientais resultantes do uso de explosivos civis:

Julga-se que apenas cerca de 5 a 15 % da energia libertada pelas detonações, de explosivos em rocha, são efectivamente usados a fragmentar a rocha, finalidade do seu emprego. Tal significa que a maior parcela da energia contida nos explosivos é transferida ao ambiente circundante sob a forma de efeitos colaterais, susceptíveis de causar impactes significativos. Desses efeitos, destacam-se cinco: vibrações transmitidas aos terrenos e estruturas adjacentes, onda aérea (ondas de choque que se propagam através da atmosfera, vulgarmente conhecidas por ruído), projecção de blocos de rocha, criação de poeiras e sobrefracturação do maciço rochoso remanescente, com a possibilidade de criar instabilidades futuras em terrenos contíguos.

Os impactes ambientais resultantes do uso de explosivos civis, designadamente na escavação de maciços rochosos, face aos requisitos de protecção ambiental, cada vez mais restritivos, obrigaram as entidades envolvidas a abandonar as práticas empíricas e a fundamentar as suas opções (de dimensionamento e de aplicação) em procedimentos cientificamente justificáveis. Assim, projectistas e executantes têm melhorado gradualmente a qualidade das suas actividades, objectivando a minimização de danos em estruturas localizadas nas proximidades e reduzindo os níveis de incomodidade causados nas populações circundantes aos locais afectados pelas obras de escavação.

Há a necessidade de avaliar a legitimidade de protestos, relativos a danos estruturais ou a incomodidade, quando ocorrem, através da aplicação de critérios técnicos de análise dos danos, o que, ao nível das empresas executantes, pode ser realizado por meio de auditorias especializadas, para as quais a Ordem dos Engenheiros pode contribuir através das suas carteiras de peritos.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Fig.23 – Impacte ambiental result ante do uso de

Fig.23 – Impacte ambiental resultante do uso de explosivos.

2.3.2. Utilização de explosivos no desmonte

As técnicas de utilização de explosivos têm sido estudadas por numerosos autores, existindo actualmente diversos métodos de aplicação destes produtos. Os diagramas de fogo dependem, para a sua eficiência, de diferentes variáveis que incluem o número e orientação dos furos, tipos e quantidade de explosivos, número e sequência de retardos, etc.

O processo de desmonte com explosivos inicia-se na actividade de perfuração da frente, que tem a finalidade de abrir os furos onde irão ser introduzidos os explosivos. Esta operação de perfuração, em subterrâneo, pode ser realizada por equipamentos hidráulicos automatizados (Jumbos), geralmente com múltiplos braços perfuradores ou manualmente, em casos excepcionais (pequeno espaço de operação ou poucos furos).

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Fig.24 - Jumbo hidráulico de três braços para perfuração

Fig.24 - Jumbo hidráulico de três braços para perfuração em subterrâneo.

Num diagrama de fogo usual a sequência de rebentamento segue a seguinte ordem:

caldeira, alargamento, soleira (sapateira) e contorno. Como é natural, utilizam-se maiores cargas nas zonas de mais difícil arranque, nomeadamente a caldeira onde existe maior confinamento e a soleira, onde se verifica maior influência da gravidade.

A ordem de disparo referida pode ser alterada mediante os objectivos a atingir, existindo diagramas de fogo onde os primeiros furos a detonar são os de contorno. Esta técnica, denominada de pré-corte, tende a minorar os efeitos nefastos para o maciço, criando uma superfície de descontinuidade por onde não se transmitem as vibrações provenientes das outras sequências de disparo.

O princípio que rege a aplicação de explosivos em subterrâneo, onde existe geralmente apenas uma face livre, é a sucessiva criação de vazios para onde a rocha possa ser desmontada. Para a obtenção deste efeito existem várias técnicas de disposição dos furos em retardos, das quais se apresentam três exemplos na Figura 9, com a sequência de retardos numerada.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

2.3.2.1. Danos causados ao maciço

A utilização de explosivos tem a finalidade de fracturar a rocha e provocar o seu

movimento em relação à face livre, de forma a promover a extracção (ou arranque).

O maciço rochoso é, desta forma, desagregado pela energia do explosivo, resultando um conjunto de blocos (escombro), que é posteriormente removido.

Nesta acção dos explosivos, existem inevitáveis efeitos secundários sobre o maciço remanescente, provocados pela energia libertada. Estes danos, na sua vertente nefasta, são traduzidos por fenómenos de sobreescavação e sobrefracturação, com

o consequente aumento da permeabilidade do maciço.

A sobreescavação é o efeito do arranque de rocha fora dos limites definidos para a

abertura do túnel. Esta consequência acarreta elevados prejuízos económicos, uma

vez que motiva a existência de mais escombros (maiores custos na remoção), implica maior quantidade de materiais de enchimento (maiores custos em betão) e acarreta a utilização de suportes mais competentes devido ao aumento do vão nos tectos e hasteais.

Relativamente à sobrefracturação induzida à rocha que circunda a abertura (Figura

10), trata-se de um aspecto que ocasiona igualmente vários transtornos económicos

e operacionais, originando maior afluência de água ao túnel (maior dispêndio em

bombagem) e uma acentuada deterioração do maciço (maiores custos com o sustimento). Em termos de segurança, este efeito é igualmente nefasto porquanto

aumenta o perigo de queda de blocos, reduzindo também o factor de segurança e o tempo de auto-sustentação do maciço.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Segundo Dinis da Gama [43] (1998), as principais variáveis que determinam o dano ao maciço encontram-se representadas na expressão proposta por Johnson[86]

(1971):

 

v = a Qb Dc

Onde:

v velocidade de pico crítica de partícula [mm/s] ;

Q quantidade de explosivo por retardo [kg] ;

D distância entre a detonação e o local em estudo [m] ;

a, b, c constantes que dependem das características da rocha, tipo de explosivo e técnica de desmonte.

Os valores da velocidade de pico crítica v são correlacionados com a tensão dinâmica transmitida à rocha (σ), a massa específica da rocha (ρ) e a velocidade de propagação das ondas no meio (u), através da expressão:

σ = ρ u v

Conjugando as expressões acima apresentadas, é possível obter uma previsão da dimensão do dano (Dd) numa detonação subterrânea (Dinis da Gama[43], 1998):

Dd = [(σt)/(ρ u a Qb)](1/c)

Em que σt representa a resistência à tracção dinâmica da rocha.

Este método, desde que baseado em dados precisos relativos à rocha e aos explosivos, pode ser um elemento de grande importância na definição de planos de fogo equilibrados, bem como na previsão da zona afectada por uma detonação. Para se dimensionar o dano admissível provocado à rocha, para que o conjunto de

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

detonações não ultrapassem um determinado perímetro aceite, devem-se estudar as

consequências daquelas em todos os furos, para que a sobreposição dos seus

efeitos se limite à zona referida.

A técnica de pré-corte pode reduzir estes efeitos, criando uma superfície de

descontinuidade que obsta à transmissão das vibrações provenientes das restantes

sequências de disparo da pega de fogo.

Os diferentes tipos de explosivos são também uma variável importante na

dimensão do dano ao maciço, possuindo diversos graus de influência. Uma

experiência realizada com quatro tipos de explosivo, carregados em furos com os

diâmetros assinalados, tendo-se obtido distintos diâmetros de fracturação da rocha

(Finnrock Ab[56], s.d.).

de fracturação da rocha (Finnrock Ab[56], s.d.). Fig.25 - Magnitude na zona fracturada para diferentes tipos

Fig.25 - Magnitude na zona fracturada para diferentes tipos de explosivos (adaptado de Finnrock Ab, s.d.).

Em síntese, o mau dimensionamento ou o deficiente estudo das implicações dos

planos de fogo a utilizar nos desmontes subterrâneos, podem motivar perdas

significativas em termos de segurança e de custos, geralmente recaindo as suas

consequências sobre o Dono de Obra.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

2.3.3 - Segurança e Manuseamento de Explosivos

O manuseamento de explosivos para fins industriais acarreta perigos óbvios, uma

vez que se tratam de produtos de risco, não tanto devido à sua instabilidade mas à

gravidade das consequências que resultam da sua má utilização.

Explosões prematuras, explosões retardadas, tiros falhados e restos de tiros com explosivos, bem como as acções tóxicas ou asfixiantes dos gases das explosões, manuseamento das cápsulas detonadoras e fenómenos relacionados com os disparos eléctricos.

A manipulação de explosivos, desde o seu transporte e armazenamento até à sua

correcta aplicação tem de observar rígidas normas de conduta por parte dos respectivos operadores, só possíveis em pessoas idóneas e de competência comprovada, formadas especificamente para o efeito, e perante um apertado sistema de controlo.

Actualmente, o escorvamento dos explosivos é maioritariamente eléctrico, tendo-se vindo a abandonar o escorvamento pirotécnico. Este facto constitui um acréscimo acentuado de segurança, porquanto permite a interrupção da pega de fogo a qualquer momento, reduzindo igualmente o tempo de espera de acesso à frente no caso de uma detonação falhada.

O escorvamento eléctrico possui, contudo, a desvantagem de poder ser accionado

por correntes eléctricas não controladas, tanto de origem humana (cabos de electricidade, telemóveis, etc.) como correntes naturais existentes (electricidade estática). Assim, existem actualmente escorvamentos do tipo NONEL (non electric detonating cord), não eléctricos, que são compostos por cordões semelhantes a cordões detonantes, mais seguros e menos ruidosos. A utilização deste sistema é recomendada actualmente em alguns países.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

As principais regras e cuidados a ter no armazenamento, transporte e emprego de explosivos em obra são:

Armazenamento em local apropriado, isolado (de populações, fontes combustíveis ou eléctricas) e guardado, acondicionando devidamente os explosivos longe de fontes de calor e de frio, de fogo, de energia eléctrica e de água ou humidade;

Armazenamento em locais diferentes e distantes, entre si, dos explosivos, dos iniciadores (detonadores) e dos explosores (disparadores);

Transporte de explosivos devidamente acondicionados, em veículo apropriado e sinalizado, e longe de fontes de calor e de frio, de fogo, de energia eléctrica e de água ou humidade;

Transporte selectivo por tipos de explosivo, evitando a mistura de diferentes tipos e jamais transportar simultaneamente no mesmo veículo explosivos e detonadores;

Desimpedir as vias de circulação e acessos de equipamentos e pessoas;

Carregamento e escorvamento das cargas explosivas apenas por pessoal formado para tal, na ausência de outros funcionários nas imediações, tendo o responsável de fogo a posse da chave do explosor;

Pemitir avisos sonoros e/ou luminosos antes da detonação, perceptíveis a distância apropriada;

Garantir a evacuação de toda a zona de rebentamento e área de influência (prevenir os efeitos da projecção de blocos);

Após a detonação, reforçar os sistemas de ventilação por tempo conveniente, para que se processe a remoção dos gases nocivos;

Após a detonação, proceder à verificação da frente de desmonte, por pessoal especializado, nomeadamente o responsável de fogo do Empreiteiro e os

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

elementos da Fiscalização, de forma a garantir a inexistência de explosivos não detonados.

Verificadas as condições de segurança, emitir um aviso sonoro diferente do primeiro, indicando que a frente se encontra desimpedida e segura, para prossecução dos trabalhos.

As detonações acidentais constituem um elevado risco, podendo acarretar graves

consequências para os intervenientes na obra e para as populações estruturas e ambiente circundante. É pois matéria que deve merecer especial atenção por parte das entidades envolvidas, devendo-se adoptar uma postura inflexível no que respeita à conduta e normas de segurança.

Em obras onde é usual a utilização de explosivos, torna-se frequente que estes produtos sejam encarados, de forma negligente e abusiva, como outro tipo de materiais não perigosos. Cabe aos responsáveis técnicos em obra, nomeadamente

às chefias do. Empreiteiro e aos elementos da Fiscalização, a observância das

normas de segurança inerentes à correcta utilização e armazenamento de matérias

explosivas.

2.4. Desmonte mecânico

A tecnologia associada aos equipamentos mecânicos é bastante complexa,

envolvendo distintos componentes que variam quanto à forma, técnica de emprego

e campo de aplicação. A descrição apresentada neste subcapítulo não pretende ser

exaustiva, propondo-se apenas aflorar os principais tipos de máquinas existentes e

o seu domínio de aplicação. O desmonte mecânico de um túnel pode ser realizado,

sem prejuízo das variantes existentes, por dois métodos principais: abertura em

secção plena e abertura faseada.

Os equipamentos mecânicos mais utilizados na escavação de túneis incluem tuneladoras (TBM - Tunneling Boring Machine), para abertura em secção plena, e

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

roçadoras, retroescavadoras e martelos hidráulicos, para abertura parcial faseada. A evolução dos equipamentos hidráulicos e tuneladoras, veio alargar a sua faixa de acção no que respeita à capacidade de desmonte de vários tipos de rocha, conferindo-lhes bastante versatilidade.

Existem diversos tipos de tuneladoras (Figura 13), tendo como características comuns a perfuração integral do túnel e a estrutura própria de colocação do sustimento (geralmente aduelas). Estes equipamentos estão providos de escudos para escavação em rochas brandas, solos ou terrenos saturados, com exigência de colocação imediata de sustimento.

As TBM permitem escavar rochas com resistência à compressão até 300 - 350 MPa porém, os avanços mais significativos verificam-se em rochas de dureza média a baixa, com resistências inferiores a 120 MPa. Um dos factores que rege a aplicabilidade destes equipamentos prende-se com o terreno de fundação que terá de possuir resistência suficiente à força exercida pelas sapatas e lagartas das tuneladoras, no seu movimento ao longo do túnel.

As roçadoras destinam-se a escavar maciços com resistência à compressão entre 80 e120 MPa, constituídos por rochas pouco abrasivas, de baixa tenacidade e alguma facturação. Assim, estes equipamentos são utilizados fundamentalmente em rochas brandas, existindo diferentes variedades com diversos tipos de cabeças, adequados às diferentes características do material a escavar.

As retroescavadoras e os martelos hidráulicos, aplicáveis apenas em maciços terrosos ou rochosos muito brandos, possuem uma tecnologia convencional, dependendo a sua aplicabilidade do espaço disponível e das características do material a escavar. Em túneis com constrangimentos próprios, nomeadamente em zonas urbanas e com materiais brandos e heterogéneos, estes equipamentos podem tornar-se numa alternativa rentável à utilização de explosivos ou de tuneladoras.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Fig.26 - a) Tuneladora sem escudo; b)Tuneladora com escudo

Fig.26 - a) Tuneladora sem escudo;

de Construção II Fig.26 - a) Tuneladora sem escudo; b)Tuneladora com escudo Fig.27 - a) Roçadora

b)Tuneladora com escudo

Fig.26 - a) Tuneladora sem escudo; b)Tuneladora com escudo Fig.27 - a) Roçadora de braço.; b)

Fig.27 - a) Roçadora de braço.;

b)Tuneladora com escudo Fig.27 - a) Roçadora de braço.; b) Roçadora de braço Dentro das técnicas

b) Roçadora de braço

Dentro das técnicas de escavação mecânica existem ainda bastantes tipos de equipamentos, nomeadamente máquinas de pré-corte mecânico e desmonte com equipamentos mecânicos manuais. Os equipamentos disponíveis no mercado possuem especificações técnicas dos fabricantes, com dados relativos ao avanço, potência e campos de aplicação, devendo a sua escolha ser alvo de critérios e estudos de detalhe.

Neste contexto, a escolha do equipamento de escavação, da responsabilidade do Projectista (e do Consultor Geotécnico), deverá também atender às disponibilidades dos equipamentos dos Empreiteiros, salvo em obras de grande porte onde poderão ser adquiridos equipamentos específicos.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

No desmonte de maciços heterogéneos, com ocorrência simultânea de materiais brandos e duros, poderá ser conveniente a utilização de métodos mistos, isto é, aplicação de explosivos e arranque mecânico. Esta variante inclui, geralmente, a aplicação de tiros de caldeira e o posterior desmonte mecânico, destinando-se os explosivos a fracturar a rocha e criar uma pequena cavidade que facilita a acção mecânica subsequente.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

CAPITULO II – DEMOLIÇÃO

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

1.Motivos das demolições

As demolições de edifícios têm sofrido um forte incremento de um tempo a esta parte, isto deve-se a vários motivos, entre os quais se destacam:

a) A necessidade de um melhor aproveitamento do solo, sobretudo em zonas

de alta densidade populacional, o que obriga a um saneamento do centro das cidades; b) A rápida mudança tecnológica na indústria, em espaços de tempo mais curtos, exige que os edifícios de fábricas sejam eficazes, o que implica pelo menos derrubes parciais para adaptá-los e manter um alto grau de competitividade;

para adaptá-los e manter um alto grau de competitividade; Fig.28 - Escola Sec. José Gomes Ferreira-

Fig.28 - Escola Sec. José Gomes Ferreira- Lisboa.

c) Demolições devidas ao simples deteorar dos edifícios com o passar do tempo, como são o caso de edifícios de betão e que, portanto, é necessária a sua demolição para evitar o perigo que pressupõe uma estrutura quando não está no seu estado óptimo. Requerem-se agora modificações e

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

modernizações que implicam obras de reparação, reforma e inclusive de demolição integral em certos casos;

d) Verifica-se uma elevada demanda de demolições em zonas costeiras, que ao serem zonas turísticas necessitam de uma contínua renovação das instalações hoteleiras.

de u ma contínua renovação das instalações hoteleiras. Fig.29 - Estoril Sol Residence (antes e depois
de u ma contínua renovação das instalações hoteleiras. Fig.29 - Estoril Sol Residence (antes e depois

Fig.29 - Estoril Sol Residence (antes e depois da Demolição)

e) Etc…

A arte de demolir, conforme se vai avançando no tempo, vai adquirindo um peso cada vez maior, por força de várias circunstâncias, dando origem a um tipo específico de serviços altamente especializados, que hoje em dia e como foi já referido, dá pelo nome de Indústria da Demolição [3].

Um artigo publicado no Jornal Público em Abril de 2000 referia, precisamente, o mau estado do parque habitacional português mencionando um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Estatística, no qual era referido que 5% das habitações em Portugal precisariam de grandes obras e que 1.2%, a que correspondem cerca de 36 mil habitações, teriam que ser totalmente reconstruídas ou mesmo demolidas.

Por outro lado, um estudo elaborado pela European Demolition Association, sediada nos Países Baixos, prevê um aumento crescente da produção anual de escombros na Europa Comunitária, onde Portugal se integra, provenientes da

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Indústria da Demolição, das actuais 300 Mt para cerca de 700 Mt por ano em 2020.

[2].

actuais 300 Mt para cerca de 700 Mt por ano em 2020. [2]. Gráfic o 1

Gráfico 1 – Estimação das quantidades de escombro produzidas (Mt)

Por Demolição entende-se o acto de demolir de uma forma ordenada quaisquer construção com o objectivo de dar outro destino ao espaço antes ocupado por esta. Existem várias Técnicas de Demolição, geralmente os processos de demolição mais utilizados entre as quais passamos a citar, e que vão ser alvo do nosso trabalho:

- Manual - quando se utilizam ferramentas manuais (picaretas, pás, maças, etc) ou máquinas portáteis, tais como martelo - percussor;

- Mecanizada - quando são totalmente efectuados por máquinas não portáteis; - Por Expansão – quando utilizam uma fonte de energia (explosivos) que desintegram os elementos da construção designada por “impulsão”Explosivos (implosão ou explosão).

2. A Escolha do Processo de demolição

Quando existe a decisão da demolição parcial ou total da estrutura de betão, o processo de selecção de um método inicia demolição. Para serem considerados são as circunstâncias locais que influenciam o processo, bem como o tipo e o volume de material de construção que deverá ser demolida. Se o objectivo é o de reparar partes danificadas e da construção é uma estrutura sensível como uma estrada,

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

ponte, muro barragem, parque de estacionamento para paredes e tectos, chão aeródromo desembarque, túnel ou semelhante, há apenas algumas alternativas:

martelos pneumáticos, máquinas rodoviárias moagem ou hidro-demolição.

A escolha do processo, ou processos de demolição, a empregar deverá basear-se num conjunto de factores relacionados com as características da construção a demolir, com as construções e o meio envolvente, a vontade ou não de recupera o mais possível os materiais demolidos, o prazo disponível para a realização do trabalho, entre outros.

Só a ponderação dos factores enunciados anteriormente conduzirá à decisão final, que muitas vezes não é a mais desejável, mas a mais viável [4]. No Capitulo 5 identificamos os principais métodos de demolição.

5 identificamos os principais métodos de demolição. Fig.30 – Demolição de um Viaduto edifício Fig.31 –
5 identificamos os principais métodos de demolição. Fig.30 – Demolição de um Viaduto edifício Fig.31 –

Fig.30 – Demolição de um Viaduto

edifício

Fig.31 – Demolição de um

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

3. Acções Preparatórias

Antes de começar qualquer tipo de demolição deverão ser tidas em conta uma série de medidas para proteger a segurança e a saúde dos trabalhadores no local de trabalho. Esta operação envolve a preparação global de planeamento do trabalho e da demolição, incluindo os métodos que serão utilizados para levar a estrutura abaixo, os equipamentos necessários para fazer o trabalho, e as medidas a tomar para executar o trabalho de forma segura. O trabalho de Planeamento de uma demolição é tão importante como realmente fazer o trabalho. Por isso, todos os trabalhos de planeamento devem ser realizados por uma pessoa competente experientes em todas as fases da demolição dos trabalhos a realizarem. Deve portanto existir um estudo com finalidade de determinar o estado de construção, pisos, paredes e para que as medidas possam ser tomadas, se necessário, para evitar a ruptura prematura de qualquer parte da estrutura. Quando indicado como recomendável, qualquer estrutura adjacente (s) ou melhorias deverão também ser igualmente controlados. Devem também ser tomadas outras acções tais como registar os danos existentes em estruturas vizinhas.

Deve-se desenhar um programa no qual se indique claramente a sequência proposta para as operações, assim como:

- soluções de consolidação e protecção, soluções para protecção ou desvio de

canalizações e esvaziamento de depósitos;

- plantas, alçados com representação das especificações da demolição, tendo o

cuidado de enumerar os elementos a demolir bem como a ordem cronológica da sua demolição

3.1. Avaliação Estrutural

Destina-se a obter toda a informação possível sobre a estrutura a demolir de forma a estudar-se o melhor método de demolição, procurando identificar, entre outros aspectos: as dimensões dos elementos da estrutura; as partes com capacidade de carga; as eventuais juntas ou pontos da estrutura que possam afectar o mecanismo

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

projectado; o tipo de fundações. Esta avaliação é feita com base nos elementos escritos existentes ou, na sua ausência, após a realização de trabalhos de demolição prévios pelos métodos tradicionais ou de testes de carga, com vista à completa caracterização da estrutura.

Deverá sempre ser feita uma visita à mesma. É necessário reunir o maior número possível de informação sobre o edifício a demolir, nomeadamente: plantas, alçados e detalhes dos edifícios a demolir. No caso de estes não existirem os detalhes dos elementos construtivos terão de ser estabelecidos através da observação, testes e inspecção cuidada.

Deve também ser tido em consideração se a estrutura a ser demolida foi danificada por incêndio, inundação, explosão, ou qualquer outra causa, devem ser tomadas as medidas adequadas para proteger os trabalhadores e quaisquer estruturas adjacentes. Deve também ser determinado se qualquer tipo de substâncias químicas perigosas, gases explosivos, material inflamável, substâncias perigosas ou semelhantes que tenham sido utilizados ou armazenados no local. Se a natureza de uma substância não pode ser facilmente determinada, as amostras devem ser colhidas e analisadas por uma pessoa qualificada antes da demolição.

3.2. Inspecção do Meio Envolvente

Esta inspecção destina-se a caracterizar o meio envolvente, com vista à identificação de possíveis restrições ou outros elementos que possam de alguma forma interferir com o projecto de mecanismo de colapso escolhido. Posteriormente e com base nos elementos referidos, procede-se ao estudo do mecanismo de colapso a aplicar. Esta escolha deve ser complementada com uma análise criteriosa da previsão do comportamento adquirido pela estrutura após o emprego dos explosivos.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

3.3. Meios e serviços a desactivar

Um dos elementos mais importantes do trabalho tal como referido anteriormente é o planeamento como sendo a localização de todos os serviços de utilidade pública. Todos os serviços de redes eléctrica, gás, água, vapor de água, esgotos e outras linhas de serviços deve ser desligado, nivelada, ou de outra forma controlada, ou no exterior do edifício antes de iniciada a demolição. Em cada caso, qualquer utilidade que a empresa está envolvida deve ser notificado com antecedência, e que a sua aprovação ou de serviços, se necessário, devem ser obtidos.

Se é necessário manter algum poder, água, ou outros utilitários durante a demolição, tais linhas devem ser deslocalizadas temporariamente, sempre que necessário e / ou protegidos. A localização de todas as fontes de energia também deve ser determinadas, que possam provar especialmente perigosos durante qualquer máquina demolição. Todos os trabalhadores devem ser informados da localização de qualquer utilidade deslocalizada existentes ou serviço.

Os meios e serviços que usualmente se encontram em todos os edifícios correntes, como:

- drenagem;

- electricidade;

- gás;

- água;

- cabos de telefone;

- linhas de rádio e televisão;

- meios de pressão hidráulica.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Fig.33 – Demolição Mecânica 3.4. Condições de

Fig.33 – Demolição Mecânica

3.4. Condições de Segurança

As protecções dividem-se em três aspectos principais:

- a que concerne a segurança do pessoal envolvido nos trabalhos;

- a que concerne a segurança do público;

- a que concerne a protecção da(s) propriedade(s) que possa vir a ser afectada pelos trabalhos de demolição.

Deve-se prever ainda uma protecção contra colapso descontrolado, uma vez que a remoção de certas partes do edifício ou estrutura durante a demolição pode resultar em que outras partes fiquem instáveis e é necessário pré-determinar onde se irá necessitar de suportes temporários. Se a estrutura confina outros edifícios, os edifícios confinados devem ser providos de um suporte lateral idêntico ao dado pela estrutura a demolir. Deve-se prestar entivações adequadas antes de se perturbar o suporte lateral existente. É normal a utilização de escoras inclinadas e móveis em casos em que a área do recinto precisa de ficar completamente vazia e

64/146

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

onde as distâncias entre os apoios das escoras não sejam muito grandes. As escoras devem ser apoiadas em contrafortes de madeira, laminados ou em tubos de aço.

Os tubos de aço são mais fáceis e mais rápidos de erguer, mas as escoras de madeira têm um melhor comportamento e não estão sujeitas às diferenças de

As dimensões das escoras devem ser desenhadas para permitir que

qualquer novo edifício seja construído com a menor interferência possível

temperatura

3.4.1. Antes da demolição

Deve-se proteger os elementos de serviço público que possam ser afectados pela demolição. Em fachadas que dêem para a via pública devem-se por protecções como redes, etc que possam recolher os escombros ou ferramentas que possam cair. Essa protecção deverá estar afastada não mais de 2m da fachada do edifício.

estar afastada não mais de 2m da fachada do edifício. Em estruturas de madeira ou com

Em estruturas de madeira ou com bastante material combustível deve-se dispor, como mínimo, de um extintor manual contra incêndios.

As paredes a demolir devem, antes de mais, estar libertas de todas as peças de madeira ou de ferro salientes não embutidas ou que, apesar de o serem, se encontram salientes com mais de 2 m. Devem-se prever tomas de água para regar, de forma a evitar a formação de pó durante os trabalhos. Deve-se, ainda, avisar as autoridades locais da existência de trabalhos de demolição.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

3.4.2. Durante a demolição

Devem-se, primeiramente, desmontar os elementos que possam causar cortes ou lesões como vidros ou aparelhos sanitários.

Durante a demolição de elementos de madeira deve ter-se o cuidado de arrancar ou dobrar os pregos. Não se deverá depositar escombros sobre os andaimes.

Pôr-se-ão à disposição dos trabalhadores capacetes de protecção. Os operários só trabalharão em alturas diferentes se forem tomadas as devidas precauções para garantir a segurança dos que trabalham nos planos inferiores.

Os trabalhadores só poderão intervir mais de 6m acima do solo em obras de demolição se for colocado um soalho ou plataforma de trabalho no qual é possível operarem. Se a mesma for situada junto a um precipício, deverá ser cercada de guardacorpos e de guarda-cabeças conforme estipularem as disposições legais.

3.4.3. Após a demolição

Depois de concluídos os trabalhos de demolição deve-se observar as edificações contíguas para detectar lesões que possam ter surgido como consequência das demolições efectuadas.

4. Prescrição Legais

Queremos também referenciar que independente do processo terá que cumprir com o Caderno de Encargos, com a Legislação em vigor sobre esta matéria, com os regulamentos de segurança na construção assim como com o regulamento de âmbito local, e as regras municipais em vigor, nomeadamente das Autarquias Locais. A título de exemplo apresentamos no anexo I apresenta dois modelos de duas autarquias os quais deverão ser submetidos a estas Entidades para Aprovação, sempre que se pretende efectuar uma demolição.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

5. Tipos de Demolição

Os processos de demolição referidos seguidamente, podem classificar-se atendendo aos princípios que os regem e ao tipo de máquinas que são utilizadas para o efeito. Seguidamente identificaremos alguns métodos de demolição, a escolha do método e como referenciado no item 3 é influenciada por vários factores

5.1. Demolição manual

Como processos mais rudimentares cuja simplicidade se conhece, mencionam-se a alavanca manual, o martelo e cinzel, e a marreta, que, como se sabe, são utilizados desde tempos remotos, exigindo certo esforço muscular, por parte do trabalhador. A primeira funciona por meio da aplicação de força na extremidade de uma barra de aço, que, apoiada entre os pontos de aplicação das forças, consegue erguer e deslocar cargas com um peso superior ao esforço despendido [2].

Hoje em dia, a sua utilização só se justifica quando se trata de pequenas demolições, visto que, se trata de um trabalho muito moroso e consequente baixo rendimento obtido, assim como também devido à impossibilidade na obtenção de mão-de-obra em quantidade.

Os trabalhos de demolição manual consistem essencialmente na demolição precisa de elementos, como sejam paredes interiores, lajes, tectos, telhados, etc., com recurso a ferramentas essencialmente manuais, como martelos eléctricos e pneumáticos. Fazem ainda parte destes trabalhos os de desmantelamentos, que incidem na retirada manual ou semi-mecânica de todos os elementos não estruturais contaminantes de uma estrutura (portas e janelas em madeira, vidro, resíduos perigosos, plásticos, cabos eléctricos, materiais de isolamento, etc.), para depois se proceder à demolição mecânica de edifícios.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Os serviços de demolição deverão ser iniciados pelas partes superiores da edificação, mediante o emprego de calhas, evitando o lançamento do produto da demolição em queda livre. As partes a serem demolidas deverão ser previamente molhadas para evitar poeira em excesso durante o processo demolição. É recomendável, quando a situação assim o permitir, a utilização de sistemas de calhas do tipo gomo sincronizado. Os materiais provenientes da demolição, reaproveitáveis ou não, serão convenientemente removidos para locais indicados pelas Entidades Competentes (ex. fiscalização) [5].

pelas Entidades Competentes (ex. fiscalização) [5]. Fig. 35 – Exemplos de demolição Manual 5.2. Demolição

Fig. 35 – Exemplos de demolição Manual

5.2. Demolição mecânica

A demolição mecânica pode efectuar-se utilizando vários métodos: por tracção, por compressão, com bola, com ajuda de grua torre, os quais vamos detalhar.

5.2.1. Demolição por Tracção

São utilizados bulldozers ou quaisquer outras máquinas capazes de fazer a tracção de um cabo. As zonas a demolir devem possibilitar a boa aderência de um cabo

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

metálico. Sendo necessário fazer-se previamente, na alvenaria, um poço horizontal que garanta essa aderência.

alvenaria, um poço horizontal que garanta essa aderência. Fig. 36 – A tracção provocada pela máquina

Fig. 36 – A tracção provocada pela máquina origina o desmoronamento.

O cabo não deve ser puxado obliquamente, em relação ao eixo longitudinal da

máquina, sob pena de criar tensões desiguais nos seus dois ramos. Nos ângulos agressivos deve proteger-se o cabo com pedaços de madeira para evitar que ele “serre” a construção a demolir [4].

Pode-se fazer quando a máquina está equiparada com um braço largo telescópico, munido de uma ferramenta de demolição com dentes. Pode-se alcançar até 25 m. Em obras de alvenarias principalmente, e no derrube de estruturas de betão de pequena espessura e debilmente armadas, é um método muito rápido uma vez que não requer a montagem de andaimes. Mesmo assim, o espaço necessário é muito grande e exige uma grande distância de segurança, além do efeito de que podem produzir-se derrubamentos incontrolados desfavoráveis.

O impacto ambiental é muito elevado e os escombros devem fragmentar-se antes

de se proceder ao seu carregamento. A capacidade depende da máquina, do

tamanho do edifício e dos materiais construtivos.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

5.2.2. Demolição por Compressão

Efectuada com pás mecânicas, tractores bulldozer que arremetem de encontro à construção empurrando-a ou fazendo desmoronar-se à custa de pancadas fortes.

Este processo é limitado ao alcance do braço da maquina, isto é a altura da construção não deve ser maior que o comprimento do braço da maquina, medido na sua projecção horizontal. Uma altura superior levaria a que os materiais caíssem em sentido contrário, atingindo a máquina durante a queda.

em sentido contrário, atingindo a máquina durante a queda. Fig. 37 – Demolição por compressão 5.2.3.

Fig. 37 – Demolição por compressão

5.2.3. Demolição mecânica por queda de massa metálica suspensa

Este sistema é o mais antigo em termos de utilização de maquinaria pesada e é composto por uma bola de aço que actua pendurada por uma corrente, com movimentos pendulares ou em queda livre e cujo peso varia entre os 500 e os 5.000 Kg. Não pode ser utilizado em desmontes parciais, em face da imprecisão do seu

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

controlo, sendo pois aplicado apenas no desmantelamento total das construções

[3].

É efectuada por máquinas, do tipo das gruas móveis, que tem suspenso um cabo

com uma esfera metálica de grande peso a qual actua por movimento pendular ou

queda vertical à maneira de um pilão. O peso da bola varia com a natureza da obra

a demolir, mas sobretudo com as capacidades da máquina

Neste tipo de demolição o aproveitamento de materiais recuperados é mínimo. Só

deve utilizar-se, portanto nos casos em que não está em causa esse aproveitamento

e apenas a rapidez da execução dos trabalhos.

As gruas torres não devem ser utilizadas neste tipo de demolição, uma vez que o seu braço é permanentemente horizontal e o movimento a dar à esfera, pendular, pode comprometer a sua estabilidade [4].

A demolição de um muro, por compressão, deve ter como limite como limite

máximo alturas de 7,00 metros, e a compressão fazer-se acima do centro de gravidade do plano do muro, pois abaixo dele o desmoronamento dá-se em direcção contrária ao pretendido.

Fig. 38. – Imagens de Demolição com “bola” artnow-sebi.blogspot.com/

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Fig. 38.A – Imagens de Demolição com “bola”

Fig. 38.A – Imagens de Demolição com “bola” artnow-sebi.blogspot.com/

5.3. Demolição com Máquinas Hidráulicas

Fazendo uso da incompressibilidade, que é uma propriedade característica dos fluidos, foram introduzidos no mercado, a partir dos anos 50, instrumentos de variado tipo, que executam inúmeras funções de corte, esmagamento e desmantelamento.

Estão neste caso as máquinas hidráulicas, sendo umas ligeiras, outras pesadas, estas últimas conjugadas com máquinas locomotoras de lagartas ou de rodados de grande e indispensável estabilidade, portantes das lanças com que actuam (ex. Macaco hidráulico; Martelo hidráulico; Hidráulicos de maxilas com Pulverizador de maxilas ou Tesoura de maxilas).

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Fig.39 - Tesoura Fig.40 - Martelo Fig.41- Pulverizador Para

Fig.39 - Tesoura

Pessoa Materiais de Construção II Fig.39 - Tesoura Fig.40 - Martelo Fig.41- Pulverizador Para o uso

Fig.40 - Martelo

de Construção II Fig.39 - Tesoura Fig.40 - Martelo Fig.41- Pulverizador Para o uso de tenazes

Fig.41- Pulverizador

Para o uso de tenazes que têm uma grande força de tracção e rotura, requer-se que as máquinas sobre as quais vão apoiadas tenham uma grande estabilidade. Os fabricantes oferecem distintas formas das mandíbulas, cada uma delas adaptado ao material a derrubar e à função requerida.

5.4. Demolição de Estruturas com Explosivos

Um edifício é considerado “demolido” com recurso a esta técnica quando a sua estrutura, tendo sido severamente afectada por estes, entra em colapso, reduzindo- se a um amontoado de escombros e pó, facilmente removíveis por meios mecânicos a partir do terreno circundante [1].

por meios mecânicos a partir do terreno circundante [1]. Actualmente as técnicas de explosivos produzem uma

Actualmente as técnicas de explosivos produzem uma resposta económica onde outros métodos falham devido ao ruído, equipamento dispendioso,

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

desenvolvimento insuficiente, inacessibilidade de material pesado e custos elevados

no material usado.

Mesmo assim, surgem destroços demasiado grandes que é necessário transformar

em tamanhos manuseáveis, por outro processo.

O controlo de explosivos requer um técnico especializado no local, para pré-

dimensionar e adaptar a carga de explosivos convenientemente na peça.

A aplicação de explosivos traz vantagens como ruído de amplitudes aceitáveis,

modo de transporte dos destroços mais acessíveis e económicos. 80 % dos trabalhos de demolição são efectuados com misturas de nitroglicerina e nitrato de amónio, comercializado com diferentes nomes. Estes explosivos exercem uma pressão instantânea nominal de 360 Mt por kgf, à velocidade de 250/300 m/s, apesar da percentagem de fogo ser controlada pelo diâmetro do cartucho [8].

Para fragmentar a estrutura são perfurados cavidades no centro e colocadas cargas apropriadas ao tipo de trabalho que se quer realizar e ao grau de fragmentação requerido.

As demolições por explosão controlada constituem um tipo de obra muito especial

dentro do campo de aplicação dos explosivos, quer pela sua dificuldade técnica,

quer pela sua singularidade e a espectacularidade dos resultados.

Mediante a explosão controlada consegue-se compatibilizar factores tão díspares como rapidez, segurança e economia.

O sistema de demolição por explosão controlada consiste na perfuração e explosão das bases de sustentação do edifício, de tal modo que ao produzir-se a detonação das cargas explosivas, a edificação entre em colapso e se auto-destrua na sua caída,

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

seguindo uma direcção de queda prefixada de antemão, mediante o adequado posicionamento e sequência das cargas.

Para definir o sentido de queda do edifício actua-se sobre o posicionamento das cargas explosivas, que definirão a cunha de rotura, e sobre a sequência das ditas cargas, através do uso de detonadores eléctricos, que determinarão a sequência de saída das ditas cargas. A união de ambos os planos estabelece de forma inequívoca a direcção e o sentido de queda do edifício.

Como para qualquer outro trabalho que use explosivos, é necessária uma permissão das entidades vigentes. Para isso um engenheiro de minas deve realizar uma memória descritiva, que deverá ser entregue e aprovada pelas autoridades.

Em suma a selecção de um mecanismo de colapso básico ou de um conjunto de vários é feita com base no conhecimento acumulado sobre a estrutura a demolir, considerando as restrições impostas pelo meio envolvente da mesma. Na maior parte das vezes, o mecanismo mais apropriado é claramente definido, permitindo assim obter o resultado pretendido pelo técnico projectista.

Pode-se considerar a existência de quatro mecanismos de colapso básicos, existindo a possibilidade de emprego dos mesmos de forma isolada ou em conjugação com os demais [1].

5.4.1. Mecanismo tipo telescópio

Este mecanismo é empregue em estruturas ocas, onde a acção do seu peso próprio durante a queda e no impacto com o solo não é preponderante: torres de refrigeração das centrais termoeléctricas ou chaminés de alvenaria ou betão.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Provoca-se a demolição, simultânea ou não, de vários troços em altura da estrutura acabando esta por ruir, numa área semelhante àquela que ocupava. A queda da estrutura assemelha-se ao fechar de um “telescópio” (Fig.43).

assemelha-se ao fechar de um “telescópio” (Fig.43). Fig.43 – Sequencia de demolição tipo Telescópio
assemelha-se ao fechar de um “telescópio” (Fig.43). Fig.43 – Sequencia de demolição tipo Telescópio
assemelha-se ao fechar de um “telescópio” (Fig.43). Fig.43 – Sequencia de demolição tipo Telescópio
assemelha-se ao fechar de um “telescópio” (Fig.43). Fig.43 – Sequencia de demolição tipo Telescópio
assemelha-se ao fechar de um “telescópio” (Fig.43). Fig.43 – Sequencia de demolição tipo Telescópio
assemelha-se ao fechar de um “telescópio” (Fig.43). Fig.43 – Sequencia de demolição tipo Telescópio

Fig.43 – Sequencia de demolição tipo Telescópio

Provoca-se a demolição, simultânea ou não, de vários troços em altura da estrutura acabando esta por ruir, numa área semelhante àquela que ocupava. A queda da estrutura assemelha-se ao fechar de um “telescópio” (Fig.43).

5.4.2. Mecanismo tipo derrube

O mecanismo tipo derrube é empregue em estruturas onde a relação entre a altura e a base é grande, não havendo perigo se o colapso da estrutura for efectuado para um dos seus lados: chaminés, depósitos elevados, bunkers e estruturas de aço como postes de electricidade de alta tensão. Procura-se apenas derrubar a estrutura sobre

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

uma área previamente definida, realizando um corte na base ou vários em altura, e assim facilitar, a partir do solo, o acesso das máquinas à mesma. A queda da estrutura assemelha-se ao corte de uma árvore (Figuras seguintes). Normalmente, são realizados menos trabalhos preparatórios neste mecanismo assim como são utilizadas menores quantidades de explosivos. No entanto, pode-se induzir na estrutura, dependendo da sua construção, uma maior fragmentação durante o colapso e no impacto com o solo. Permite, quando cuidadosamente planeada, uma grande precisão do local da queda.

planeada, uma grande precisão do local da queda. Fig.44 – Demolição tipo derrube 5.4.3. Mecanismo tipo

Fig.44 – Demolição tipo derrube

5.4.3. Mecanismo tipo implosão

– Demolição tipo derrube 5.4.3. Mecanismo tipo implosão Fi g.45– Demolição tipo derrube É o método

Fig.45– Demolição tipo derrube

É o método mais utilizado e conhecido do público em geral. Utiliza-se uma pequena quantidade de explosivos de forma a criar-se uma descontinuidade em certos pontos na estrutura (normalmente pilares), fazendo com que esta entre em ruína e que, através do seu peso próprio (com papel preponderante), se fragmente o mais possível durante a queda e quando atinge o solo.

O colapso da estrutura é provocado centralmente fazendo com que a estrutura ceda sobre si mesma, como se algo a “puxasse” na direcção do seu centro. O explosivo apenas é colocado em determinados pisos ao longo da altura da estrutura. Assim, espera-se que a parte desta onde não foram colocados explosivos se fragmente apenas durante a queda e no impacto com o solo.

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

É o método mais indicado para estruturas de elevado porte.

Um dos exemplos ainda recentes utilizado em Portugal: a demolição das 2 torres de

Tróia é apenas o episódio recente mais visível, em particular devido ao emprego da

técnica de demolição por implosão

devido ao emprego da técnica de demolição por implosão Fig.46 - Sequência de demolição pelo mecanismo

Fig.46 - Sequência de demolição pelo mecanismo de colapso tipo implosão das Torres de Tróia

5.4.3. Mecanismo tipo colapso progressivo

Este mecanismo caracteriza-se por se assemelhar à queda de peças de um jogo de

dominó, em que o derrube da primeira peça vai provocar a queda sequencial das

restantes, e é normalmente empregue em edifícios contíguos ou com grande

desenvolvimento em comprimento.

O início do colapso sequencial pode ser conseguido por qualquer dos mecanismos

básicos referidos atrás, normalmente a implosão. A queda da estrutura tem assim

início no uso dos explosivos, mas o processo é continuado pela acção do impacto

da parte da estrutura inicialmente derrubada. Poder-se-ão empregar também

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

explosivos no percurso do colapso sequencial, procurando assim facilitar o mesmo (Fig. 47).

6. Resíduos da Construção e Demolição – (RC &D)

Hoje em dia a construção civil e as obras públicas produzem um volume muito significativo de resíduos em resultado, por um lado, do desperdício de materiais novos incorporados e por outro lado, como produto das demolições a que é necessário proceder na maior parte das construções.

Quadro 1 – Composição média dos RC&D na Europa [7].

1 – Composição média dos RC&D na Europa [7]. Na lista de resíduos da EU os

Na lista de resíduos da EU os RCD correspondem ao capítulo 17:.

Os agregados granulares resultantes do aproveitamento e britagem destes “entulhos” ou resíduos provenientes de obras de construção, reconstrução, ampliação, alteração, conservação e demolição e da derrocada de edificações - RC&D (cf. Artigo 3.º DL n.º 178/2006, de 5 de Setembro), face às suas características geomecânicas, podem assumir-se como uma mais-valia, especialmente no contributo para a redução de um enorme passivo ambiental. [6]

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa

Materiais de Construção II

Universidade Fernando Pessoa Materiais de Construção II Estes materiais, que de outra forma seriam de positados

Estes materiais, que de outra forma seriam depositados em aterros sanitários ou até em vazadouros clandestinos, poderão apre