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Sessão 4:Práticas e Modelos de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares

O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares: metodologias


de operacionalização (parte I)

Plano de Auto – Avaliação

Biblioteca Escolar Aquilino Ribeiro

Maria Helena Pinto www.creardigital2.blogspot.com beaquilinoribeiro@gmail.com


Sessão 4:Práticas e Modelos de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares

Nota Introdutória

A pressão sobre a Educação na procura de uma resposta perante os desafios colocados por um mundo em constante
mutação reflecte-se na premissa qualidade. É isto que Everhart nos refere. Citando Artur Dagge, “no campo educativo, as
referências que têm necessariamente de enquadrar a definição de indicadores de qualidade são, por natureza, implícitas,
complexas e multi-dimensionais. São implícitas porque resultam da mediação entre o que os normativos impõem e a sua
concretização contextualizada; são complexas, porque têm de atender a uma multiplicidade de condicionantes do acto educativo
em si (por exemplo, constrangimentos pessoais dos alunos ou das famílias, cultura de escola, características dos recursos
humanos e materiais); são multi-dimensionais, pois na formação do ser humano intervêm múltiplos sistemas de referência (física,
moral, espiritual, ética, relacional, social…)”. À luz destas considerações, surgiu o projecto de Auto-Avaliação das Bibliotecas
Escolares, lançado pelo Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares, o qual se integra, por sua vez na avaliação dos
estabelecimentos de ensino e dos docentes. Sendo o objectivo essencial do modelo de auto-avaliação “desenvolver uma
abordagem essencialmente qualitativa, orientada para uma análise dos processos e dos resultados e numa perspectiva formativa,
permitindo identificar as necessidades e os pontos fracos com vista a melhorá-los”(in Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas
Escolares”, procurámos identificar os pontos fortes e os pontos fracos da nossa biblioteca, neste domínio.

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Diagnóstico

Pontos Fortes Identificados Pontos Fracos Identificados


. O Plano de Acção/Actividades da BE integra . Exiguidade do espaço da biblioteca conjugado com a
actividades de formação de utilizadores para alunos e existência de aulas na sala de informática, tal obstaculiza a
professores, no sentido de dar a conhecer a sua missão, realização de actividades formativas para um maior número de
serviços e recursos, com vista à optimização dos seus alunos;
fins;
. Não inclusão, ma maior parte dos currículos, das questões
. Grande investimento na difusão da informação, referentes à literacia da informação, o que dificulta a sua
nomeadamente através da utilização das TIC: blogue, aplicabilidade;
página WEB, plataforma de aprendizagem.
. Nem todos os professores promovem a utilização da BE para
. A BE estimula fortemente a inserção das competências apoio à realização dos trabalhos/estudo e pesquisa;
de informação nos trabalhos de natureza curricular e
outros; . O equipamento informático não corresponde às necessidades
dos utilizadores, nem em quantidade (rácio
. Rentabilização das ferramentas e recursos multimédia, computador/espaço/alunos é deficitário), nem em qualidade;
oferecidos pela BE, para apoiar os trabalhos escolares
e/ou de formação pessoal ou de lazer; Estas . A exiguidade do espaço da BE e a sobrelotação do horário
ferramentas servem igualmente fins de difusão da escolar dos alunos condicionam a realização de um maior
número de actividades sócio-formativas.
informação da BE.

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Planeamento

I – Selecção do Domínio de Intervenção: Domínio A – Apoio ao Desenvolvimento Curricular

II - Selecção do Subdomínio – A.2. – Promoção das Literacias da Informação, Tecnológica e Digital

III – Selecção dos Indicadores – A.2.1, A.2.2, A.2.3, A.2.4, A.2.5

IV – Ano de Incidência de auto-avaliação deste domínio – Ano lectivo 2009/2010

V – Definição dos objectivos a alcançar/acções a desenvolver

 Fomentar atitudes de transparência e de prestação de contas perante a comunidade de utilizadores;

 Desenvolver uma visão partilhada da Biblioteca e da sua missão na escola;

 Apoiar o desenvolvimento de um plano estratégico de escola;

 Estabelecer a base para um plano de desenvolvimento da Biblioteca Escolar;

 Integrar a auto-avaliação da Biblioteca na auto-avaliação da escola/avaliação da I.G.E.

 Contribuir para um maior desempenho das competências transversais dos alunos, com vista ao seu sucesso escolar e
educativo;

 Consolidar a importância da BE como estrutura de orientação educativa.

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Justificação da Escolha

Desde há bastante tempo, tem sido preocupação da equipa da biblioteca e do Agrupamento, formalizada no Projecto
Educativo, a questão relacionada com as literacias, reconhecendo a necessidade de, na actual sociedade cognitiva, nos
empenharmos na criação de uma cultura educativa baseada na informação, na autonomia e na interacção. Com a aplicação do
processo de testagem do Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares, nomeadamente com a selecção do Domínio A,
conseguiu-se ir mais além, adveio algum conhecimento, pois já uniformizámos procedimentos e documentos no âmbito da literacia
da informação, concretamente, um guião de pesquisa (adaptação do Big 6), para os alunos dos 2º e 3ºciclos, bem como alguns
guias tutoriais (Etapas para a Apresentação de um Trabalho Escrito, entre outros), acompanhados das respectivas matrizes,
incorporando a definição de critérios de avaliação. No presente ano lectivo, a implementação do Plano de Avaliação contribuirá
para a consolidação das competências de informação adquiridas pelos alunos, medindo o seu impacto junto das aprendizagens,
bem como junto das práticas dos professores, pretendendo-se verificar eventuais evoluções.

Uma outra justificação prende-se com a necessidade de ir ao encontro do principal objectivo do Projecto Educativo do
Agrupamento, que consiste em melhorar as aprendizagens dos alunos, elevando-se as taxas de sucesso escolar. Estamos
plenamente convictos de que a biblioteca escolar pode e deve constituir mais do que uma alternativa, um complemento, uma mais-
valia à construção do conhecimento, à construção do sucesso educativo.

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Ficámos plenamente convencidos que a auto-avaliação da biblioteca é fundamental e indispensável para o seu
desenvolvimento, afirmação e reconhecimento, junto da comunidade educativa. Sim, porque a sua implementação foi desde o
início alvo de reflexão, em diferentes órgãos, sobre o seu valor, eficácia e impactos no processo do ensino e aprendizagem, com
vista a uma maior qualidade do sucesso educativo. Após uma abordagem global e pormenorizada, conjunta dos diferentes
conteúdos programáticos dos respectivos subdomínios/indicadores, metodologias activas e colaborativas, partilha dos recursos,
sentimos que estamos mais aptos para adoptar procedimentos diferentes daqueles a que estávamos habituados. Estamos
conscientes dos nossos pontos fortes, mas também das limitações e constrangimentos que foram detectados, mas ainda não
completamente ultrapassados, apesar do plano de melhoria já estar a ser concretizado. Estamos igualmente mais conscientes das
responsabilidades e exigências que se nos colocam, constituindo verdadeiros desafios.

Caracterização da Amostra

. O Questionário aos professores (QP1) será aplicado a 10 professores, num universo de 50, o que constitui 20% do universo total
da escola sede, ou seja 2 professores pelos 5 Departamentos (incluindo o Departamento de Educação Especial), de uma forma
aleatória;

. O Questionário aos alunos (QA1) será aplicado num universo de 250 alunos, sendo seleccionados 28 alunos, que representam
as 14 turmas, através de 2 alunos, o que representa 10%.

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. Do universo das turmas que utilizaram a biblioteca em contexto lectivo (O1), será seleccionada 1 turma por nível de escolaridade,
ou seja 5 turmas.

. Do universo das turmas que realizarão trabalhos de pesquisa (T1) monitorizados, serão seleccionadas 2 turmas do 9º ano. Esta
escolha prende-se com alguns motivos, a saber.

 2 Turmas do 9º ano, porque são únicas neste nível de escolaridade;

 Ambas as professoras, depois de estarem informadas, demonstraram interesse em integrar este estudo, esta experiência;

 Não quisemos fazer um estudo de caso comparativo, porque com as conclusões a retirar do desempenho das turmas,
podíamos correr o risco de ferir susceptibilidades.
A grelha T1 será aplicada no final do processo, as professoras envolvidas farão uma comparação ao nível do desempenho dos
alunos mas com outro trabalho de pesquisa a realizar no 3º período. Tal, permitirá estabelecer a trajectória de aprendizagem dos
alunos e concluir se os mesmos alunos após formação de utilizadores e monitorização/acompanhamento personalizado pela BE,
conseguirão produzir melhores trabalhos, o que significa melhores competências na área da literacia da informação e para a BE
melhor performance no que respeita ao apoio curricular.

Intervenientes no Processo

 Coordenadora/Equipa da Biblioteca, Alunos e Professores, Conselho Pedagógico e Direcção Executiva

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Calendarização/Cronograma

Out. Nov. Dez. Jan. Fev. Março Abril Maio Junho Julho
1ª Fase do projecto
Início do processo:
selecção do domínio, das
amostras, dos
instrumentos

Aplicação dos
instrumentos
Tratamento dos dados, reuniões,
levantamento, análise dos trabalhos
elaborados pelos alunos, materiais de
apoio produzidos e editados
Documentação elaborada
e avaliação dos materiais;
recolha e sistematização
dos dados tratados ao
longo do ano lectivo
Apresentação
dos
resultados,
elaboração
do relatório
final e
avaliação do
projecto

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Metodologia a implementar

Domínio Subdomínio
A - Apoio ao Desenvolvimento Curricular A.2 – Promoção das Literacias da Informação,
Tecnológica e Digital

Indicadores Factores críticos de Sucesso Evidências Acções para a


melhoria/exemplos

. Actividades de formação de . Plano de Acção/Actividades . Organizar com os professores


utilizadores com alunos e da BE titulares das restantes turmas não
professores/Directores de Turma, . Registos de reuniões envolvidas no projecto, um
A.2.1. Organização responsáveis pelas NAC formais, contactos informais calendário de sessões de formação
. Actividades que contribuam para o e projectos/actividades; de utilizadores
de actividades de
desenvolvimento da autonomia, . Registos de sessões
formação de
sentido de responsabilidade e práticas com profs e alunos . Difundir/partilhar mais materiais de
utilizadores na espírito crítico – Concursos e .Materiais de apoio apoio produzidos pela BE
escola/agrupamento passatempos, pesquisa orientada produzidos e editados
. Produção/Edição de materiais . Observação de utilização . Reforçar o fundo documental,
informativos/formativos, como da BE sobretudo documentos de carácter
panfletos, desdobráveis, etc. . Registos fotográficos das temático generalista, respondendo
. Difusão da informação através da actividades; às necessidades de carácter
utilização das TIC: 2 blogues, 1 . Plano de Formação da BE curricular e transversal.
Pag. WEB, plataforma de (corpo docente e não
aprendizagem Moodle docente)

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Indicadores Factores críticos de Sucesso Evidências Acções para a


melhoria/exemplos
A.2.2. Promoção do . Reuniões periódicas com todas as . Análise de documentação: . Implementar um guião de
ensino em contexto estruturas pedagógicas de gestão guião de pesquisa, guias pesquisa no 1º ciclo
de competências de intermédia (D.T., Departamentos, tutoriais
informação da Educação Especial, NAC), para se (informativos/formativos); . Promover acções/actividades que
escola/agrupamento proceder ao levantamento das integrem as competências da
competências e necessidades de . Referência à BE nos PCT e informação
informação actas de diversa natureza
. A BE incentiva a utilização da BE
e dos seus recursos, nos diversos . Questionários a professores
suportes, para apoio à realização (QP1) e a alunos (QA1);
de trabalhos de pesquisa, como
através de sessões práticas. . Registos de actividades
. Implementação do guião de
pesquisa de informação, o qual já
foi apresentado, aprovado e (alunos
dos 2º e 3º ciclos) harmonizado, em
Conselho Pedagógico, no ano
lectivo anterior.
Indicadores Factores críticos de Sucesso Evidências Acções para a
melhoria/exemplos

A.2.3. Promoção do . Integração do coordenador PTE . Registos de actividades . Ampliar a rede TIC, com a
ensino em contexto na equipa da BE . Dados quantitativos implementação da rede PTE
de competências . A BE fomenta o uso de recursos referentes ao funcionamento
tecnológicas e electrónicos e digitais, quer em da BE:
digitais na contexto curricular, quer em - Taxa de utilização dos

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escola/agrupamento situações de lazer (por ex. livros equipamentos . Investir na formação ética, no que
digitais) (computadores, leitores de diz respeito ao acesso, avaliação e
. A BE promove actividades DVD´s, etc.); uso da informação e das novas
informacionais e digitais articuladas - Frequência com que são tecnologias
com o prof. TIC realizadas actividades de . Investir na produção de materiais
literacia da informação com de apoio à correcta utilização da
recurso à BE; Internet: grelhas de avaliação de
- Concurso/passatempo sítios, listas de apontadores, guias
Biblionet de procedimento correcto, etc.
- Desdobráveis, panfletos
formativos

Indicadores Factores críticos de Sucesso Evidências Acções para a


melhoria/exemplos
A.2.4. Impacto da BE . Capacidade de coordenação e
nas competências realização de projectos/actividades . Questionários a professores . Reforçar o trabalho entre a BE e o
tecnológicas e neste domínio (QP1) e a alunos (QA1); trabalho de sala de aula
digitais na . Oferta educativa que se traduz na
escola/agrupamento variedade de linguagens, suportes . Estatísticas de utilização do . Produzir materiais de apoio à
e produção de computador/Internet utilização da informação pelos
informação/comunicação (impressa alunos
e digital)
. Na pesquisa e tratamento da . Motivar os professores para o uso
informação, os alunos, sobretudo das TIC e das competências da
aqueles que foram alvo do modelo, literacia da informação
no ano anterior, denotam a
incorporação de crescentes
competências.

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Indicadores Factores críticos de Sucesso Evidências Acções para a


melhoria/exemplos

A.2.5. Impacto da BE . Os alunos aplicam modalidades . Criar um código de conduta,


no desenvolvimento de trabalho, bem como tarefas . Regimento da BE valorizando o papel mobilizador dos
de valores e atitudes diversificadas (individual, a pares . Observação directa dos “Amigos da Biblioteca”
indispensáveis à ou em grupo) alunos
formação da . Os alunos cumprem as normas . Níveis altos de acesso à BE . Valorizar os procedimentos e
previstas no Regimento da BE, . Sugestões e opiniões atitudes no decorrer dos processos
cidadania e à
regras de convivência e de trabalho . Diálogo franco e aberto de aprendizagem
aprendizagem ao
inerentes à organização e . Solicitações frequentes
longo da vida. funcionamento da BE . Questionários a alunos
. A BE incrementa valores de (QA1);
respeito, partilha e entreajuda, indo
ao encontro do tema aglutinador do
Projecto Educativo “Saber Ser, para
Saber Estar”.

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Avaliação

Uma vez analisados os resultados da avaliação, far-se-á a identificação da Biblioteca num dos níveis de desempenho, a qual se
formalizará numa grelha de auto-avaliação – síntese global (ver Modelo de Auto-Avaliação das BE).

Divulgação dos resultados: Mediante a elaboração do Relatório Final de Auto-Avaliação da BE, este será apresentado ao
Conselho Pedagógico e divulgado em Conselho de Directores de Turma, Placard da BE, na sala de professores, sendo aquele
incluído no relatório de actividades da BE e no relatório de avaliação interna da escola/agrupamento.

Plano de Melhoria – Definição de acções para a melhoria do desempenho da biblioteca, através da redefinição de objectivos,
modificação de estratégias, inovação.

Impactos pretendidos – Conhecimento fundamentado das práticas da BE, melhoria nas áreas consideradas fracas ou
satisfatórias, com vista à melhoria das aprendizagens dos alunos.

Conclusão

A Auto-Avaliação da biblioteca é um desafio, mas também uma oportunidade de melhoria e de mudança, indicando caminhos
sustentados, porque baseados em evidências durante o processo de avaliação.

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