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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA
CURSO DE ENGENHARIA CIVIL




Habitações de Madeira


Eduardo Bernevides
Eriquelton de Souza Custodio
Jhonatan de Farias
Marcos Vinicius Bretas
Thiago Moura de Morais




Trabalho de Estruturas de Madeiras
apresentado ao Cursode Engenharia
Civil da Pontifícia universidade católica
de Goiás como parte dos requisitos
necessáriosà aprovação da disciplina.




Prof.º:Antonio Paulo, M.Sc.


Goiânia
Junho, 2014
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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO..............................................................................3
2. JUSTIFICATIVA...........................................................................4
3. OBJETIVOS...........................................................................
4. HISTÓRICO DO USO DA MADEIRA...........................................4
5. FONTE S DE MATÉRIA PRIMA (FLORESTAS NATIVAS E
PLANTADAS) ..............................................................................4
5.1. As fontes das madeiras tão desejadas são...................................8
5.2. Situação atual.............................................................................8
5.2.1. Projetos e Especificação da Madeira............................................8
5.2.2. Aquisição...................................................................................9
5.2.3. Uso na Obra...............................................................................9
5.3. Vantagens e Desvantagens do uso da madeira...........................10
5.4. Cuidados na construção............................................................10
5.5. SISTEMAS CONSTRUTIVOS......................................................12
5.5.1. Sistema construtivo tipo viga-pilar e paredes com encaixe macho e
fêmea.......................................................................................14
5.5.2. Sistema construtivo tipo plataforma e ballon
frame.......................................................................................14
5.5.3. Madeira Roliça..........................................................................14
5.5.4. Tábuas com mata juntas............................................................15
6. CONCLUSÃO.............................................................................16







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1. INTRODUÇÃO

A madeira é um ótimo material de construção quanto aos aspectos de
conforto, plasticidade no projeto, rapidez de montagem e durabilidade.
Habitar uma casa de madeira aproxima o homem da natureza, pois a
madeira mantém em seu estado final de industrialização, características
como cores, textura e aromas naturais, que podem ser explorados
nasdiferentes aplicações das construções habitacionais.
Um país com tal extensão territorial como o Brasil, possuindo grandes
reservas florestais,deveria ter na madeira um material com grande potencial
de construção. Entretanto, o numero de construções em madeira é
pequeno, devido a vários fatores que vão desde aforte tradição em
construções de alvenaria, até a falta de valorização da madeira, como
material de construção, nos cursos de arquitetura e engenharia.
O Brasil possui uma forte tradição construtiva em alvenaria de tijolos. Este
sistema construtivo foi trazido pelos portugueses na época da colonização,
utilizando a mão-de-obra escrava para carregar pedras, fabricar tijolos e
telhas. O uso da madeira na construção de habitações se deu
fundamentalmente na região sul e sudeste, onde a matéria prima a
Araucária ("Pinheiro do Paraná") era abundante. A maioria dessas casas
eram construídas com tábuas na vertical e mata juntas para eliminar as
frestas entre elas . O desconhecimento do método construtivo faz surgir um
preconceito com relação ás construções em madeira. Este preconceito está
fundamentado no uso inadequado da madeira com problemas de secagem,
tratamento, projeto, especificações e outros, aliado ao meio ambiente
tropical que acelera a sua deterioração.







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2. JUSTIFICATIVA

A realização deste trabalho deve se basicamente, para apresentar que a
utilização da madeira para construções de habitações está caindo em desuso
devido atradição construtiva em alvenaria de tijolos e ao fato da grande
exploração da matéria prima de forma irregular, implicando na elevação do
preço, se tornando cada dia mais inviável a utilização em relação a outros
materiais.


3. OBJETIVOS

O objetivo deste trabalho é apresentar, as fontes de matérias primas, as
formas de extração da mesma, os métodos construtivos de acordo com a
região e cultura e a escolha da madeira a ser utilizada no projeto, para
observamos as vantagens e desvantagens que o emprego da madeira trás se
usada para construção de habitações.


4. HISTÓRICO DO USO DA MADEIRA

A preferência pela madeira desde o inicio da história da construção e
seu uso persistente, inclusive em situações adversas, parecem indicar que
existe uma afinidade especial entre o homem e este material. A aplicação da
madeira na construção variou com cada civilização. Cada clima, terreno e
cultura determinaram uma técnica construtiva diferente no uso da madeira.
No oriente, a arquitetura em madeira está associada ao conceito de uma
construção leve, capaz de resistir aos terremotos. Na china, os primeiros
relatos das técnicas de construçãoem madeira, datam do período de 960
1270, durante a dinastia Sung. A relevância de suaarte, esta no fato dos
construtores chineses terem documentado através de desenhos as técnicas de
construção em madeira. A construção chinesa trabalhava com elementos
devigas e pilares com ligações por encaixes. Suas construções apresentavam
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uma grandeprecisão geométrica. As imagens a seguir mostra alguns entalhes
utilizados.

Entalhes chineses para encontro de canto e junções em tirantes e vigas

As construções em madeira no Japão foram concebidas e inspiradas
nas técnicas chinesas. Os japoneses eram exímios carpinteiros e
aperfeiçoaram as técnicas construtivas chinesas. Uma característica
importante das construções Japonesas sempre foi o respeito à natureza. O
carpinteiro devia por um lado superar a divida contraída com a natureza e por
outro ladocumprir um serviço publico. Se fosse cortada uma arvore de 1000
anos sua construçãodeveria ser projetada para durar 1000 anos.
Na Europa destacaram-se as construções em madeira da Noruega e da
Finlândia, ondeparedes das casas eram construídas com as toras empilhadas
na posição horizontal. Asparedes apresentavam um grande fator de
massividade, servindo como isolamento térmico.

Exemplo de casa construídas com toras empilhas na horizontal
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Após a revolução industrial, com o surgimento de novos materiais, como
aço e concreto,ocorreu um declínio das construções em madeira. Entretanto,
neste período, países comoEstados Unidos e Canadá, que possuíam grandes
reservas de madeira passaram a utilizar casas construídas em madeira em
escala industrial. Uma grande mudança no modo deconstruir com madeira
surgiu no inicio do século XIX, quando se inicia a produção industrial de
pregos e as serrarias passam a ser acionadas por máquinas a vapor. Em 1852
surgiu àproposta construtiva conhecida como BallonFraming. As construções
são construções leves,onde a estrutura da parede é uma estrutura portantecom
pequenos pilaretes inseridos a cada 60 cm. Esta técnica foi modificada no final
dos anos 60 e inicio 70, quando jovensarquitetos americanos buscavam
inovação tecnológica na construção de habitações unifamiliares de baixo custo,
mas com alto valor arquitetônico. O jovem arquiteto FrankyGehry foi
considerado um dos percussores desta técnica, que recebe o nome de
PlatformConstruction. Neste processo não se exige a grande destreza dos
carpinteiros de construções tradicionais.
Em 1902 o alemão Friedrich Otto Hetzer patenteia o uso de vigas retas
em madeira laminada colada e em 1906 patenteia os arcos. Durante a segunda
guerra, devido às restrições do uso do aço, ocorreu um grande
desenvolvimento do uso da madeira laminada na Europa. Após a segunda
guerra mundial ocorreu processo de reflorestamento maciço, na Europa, e
hoje, a madeira de reflorestamento representa um papel econômico importante
para países como Alemanha, Suíça, Áustria e Finlândia, que são produtores e
exportadores de madeira. Entretanto a retomada das construções em madeira
ocorreu somente, por volta de 1970, quando impulsionada por arquitetos
renomados como Thomas Herzog da Alemanha, Roland Schweitzer e Pierre
Lajus na França. Atualmente as construções residenciais em madeira
representam 10% das construções na França, 20% na Alemanha e 60% na
Finlândia. Em 2001 o governo francês e as principais associações de
profissionais da construção civil assinaram um protocolo em que se
comprometem a aumentar em 25% o emprego da madeira na indústria da
construção civil até 2010. Passando a ocupar 12,5% do mercado da
construção.
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O Brasil possui uma forte tradição de construção em alvenaria de tijolos
de barro, trazida pelos portugueses desde a sua colonização. A construção de
madeira foi muito utilizada nas regiões sul e sudeste como habitação, onde a
matéria prima utilizada, o pinho do Paraná, era abundante. Entretanto, em
1905, na cidade de Curitiba, o governo proibiu a construção de casas de
madeira nas zonas centrais da cidade. Este fato contribui para gerar no meio
técnico brasileiro, o preconceito contra as estruturas em madeira. No período
de 1950 a 1960, o Paraná foi um dos maiores produtores de madeira do
mundo, e suas madeiras eram consideradas como uma das melhores.
Entretanto, nos anos seguintes, poucos exemplos foram projetados
considerando todas as possibilidades deste material. Na cidade de Curitiba,
dois projetos referencias em madeira, onde as potencialidades do material
foram consideradas, foram às casas dos arquitetos Othelo Lopes filho em 1973
e Osvaldo Navarro Alves em 1977. No período entre 1980 – 2006 destacam-se
os trabalhos dos arquitetos Severiano Mario Porto, na região Amazônica e de
Marcos Acayaba, na região sudeste. O trabalho de Marcos Acayaba, em
conjunto com o engenheiro Hélio Olga, demonstra uma arquitetura onde a
madeira é aplicada com toda a sua potencialidade. Trabalhada como um
sistema pré-fabricado, industrializado, prima por manter a identidade de ser um
projeto ímpar.

Residência Hélio Olga (Marcos Acayaba)



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5. FONTE S DE MATÉRIA PRIMA (FLORESTAS NATIVAS E
PLANTADAS)

Nos últimos dez anos são cada vez mais freqüentes as notícias de
desmatamentos no território nacional para aimplantação de projetos
agropecuários, projetos urbanísticos, extrativismo vegetal ou exploração
mineral, comprovadas através de imagens registradas por satélite.Passam a
ser fundamentais iniciativas simples, que possam contribuir para minimizar os
efeitos deste quadro.
Diante da exploração extrativista sem plano de manejo adequado das
matas nativas, que retira grandes volumesde apenas algumas espécies
definidas pelo mercado, a floresta não consegue se recompor naturalmente na
mesmavelocidade.

5.1. As fontes das madeiras tão desejadas são:

Florestas plantadas: que se destinam a produzir matéria-prima para as
indústrias de madeira serrada,painéis à base de madeira e móveis, cuja
implantação, manutenção e exploração seguem projetos previamente
aprovados pelo IBAMA.

Florestas nativas: que são exploradas para atender ao mercado de
madeiras de duas formas:

a) Por meio de manejo florestal: através da exploraçãoplanejada e
controlada da mata nativa.

b) Por meio de exploração extrativista: explorando comercialmente apenas
as espécies com valor de mercado, sem projetos de manejo.




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5.2. Situação atual

Oitenta por cento da produção de madeira da Amazônia é destinada ao
mercado interno brasileiro, sendo que o Estado de São Paulo é o maior
consumidor (20% da produção total). Outros Estados da Federação engrossam
essa necessidade, que tende a aumentar. A oferta de matéria-prima centraliza-
se principalmente em poucas espécies, exercendo uma pressão muito grande
sobre as florestas nativas. Diante deste quadro são recomendáveis as
seguintes práticas:


5.2.1. Projetos e Especificação da Madeira

a) Ao projetar e especificar o tipo da madeira a ser utilizada, é importante
que sejam consideradas as características das peças a serem
detalhadas, evitando excesso de cortes e emendas. Procure adequar o
projeto às medidas das peças disponíveis no mercado.

b) Para a especificação do tipo da madeira, consulte algum manual para a
escolha das espécies que mais se adéquam a seu projeto.


5.2.2. Aquisição

a) Adquirir madeira somente de empresas que possam comprovar a origem
da mesma, seja através de certificação legal ou de um plano de manejo
aprovado pelo IBAMA, com a apresentação de:

 Nota Fiscal
 Documentos de Transporte - IBAMA

b) Não recorrer somente a espécies tradicionais, buscando em manuais
alternativas, com as mesmas características técnicas, entre as madeiras
de reflorestamento e mesmo de outras espécies de mata nativa, porém
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que não estejam, no momento, sob pressão de exploração, desta forma
agregando valor econômico a espécies pouco conhecidas.


5.2.3. Uso na Obra

a) Procure utilizar as peças de acordo com o projeto e, na falta deste, de
forma a evitar perdas com cortes desnecessários.

b) Verificar a possibilidade do reuso das peças, ou seja, utilizar uma
mesma peça mais de uma vez, dando lhe uma sobrevida, o que significa
economia de dinheiro e matéria-prima

5.3. Vantagens e Desvantagens do uso da madeira

Muito se discute ainda hoje sobre o uso ou não de habitações de
madeiras, e esse questionamento se baseia muito na base das
vantagens e desvantagens da madeira que no caso são:

a) Vantagens:

Primeiramente na obra visamos o gasto com a construção e nesse
quesito a madeira dá ao dono da construção uma possibilidade de
poupar quantias surpreendentes de dinheiro, a escolha de uma casa de
madeira pode poupar facilmente de 20 % a 30 % no orçamento.

O tempo de construção de uma casa de madeira sempre será inferior ao
necessário para fazer uma construção com alvenaria tradicional, se
pretende construir o mais rápido possível use a opção da madeira pois a
construção demora poucos meses dependendo do tamanho da sua
casa, com tempo estimado de pouco meses, cerca de 1/3 do tempo de
construção com alvenaria tradicional.

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O isolamento é excelente na parte térmica, o uso da madeira contribui
para controlar naturalmente as temperaturas sentidas no interior da
casa, tornando assim nem muito fria nem muito quente durante o ano.

Outra vantagem percebida é a durabilidade, ao contrário do que pensa a
maioria das pessoas as casas de madeira não são mais frágeis do que
as construídas com outros materiais do mercado, a prova disso é
existência de casas com uma durabilidade de 100 anos e algumas na
Sérvia de até 400 anos, quando construída com madeira de boa
qualidade, respeitando os testes exigidos, tendo bom resultados as
casas não apresentaram problemas de durabilidade

Ao contrário daquilo que muitos poderão pensar, a manutenção de uma
boa casa de madeira está longe de ser complicada, podendo até, sem
grande dificuldade, ser executada pelos próprios moradores. Uma
simples renovação das camadas protetoras de verniz deverá ser o único
procedimento necessário a uma adequada manutenção da sua casa. E
o melhor disto tudo é que tal processo só precisará ser efetuado, em
média, de 5 em 5 anos para o exterior da casa, e de 15 em 15 para o
interior.

Outros pontos para se pensar sobre a madeira nas vantagens são em
função do peso da edificação, as fundações ou alicerces são bem mais
simples; Em função de um planejamento e projeto da obra todos os
componentes podem chegar pré-fabricados, reduzindo os tradicionais
desperdícios; As instalações elétricas e hidráulicas podem ser muito
mais simples e de fácil acesso no caso de uma eventual manutenção.

Com relação à acústica pode-se afirmar que quanto mais “pesado o
material” melhor é o isolamento acústico da edificação. Construções de
tábuas de madeira tem um baixo isolamento, sendo possível solucionar
este problema utilizando-se paredes duplas ou paredes duplas com
conectores metálicos, sendo que esta última possui um melhor
isolamento acústico do que paredes de tijolos e de concreto.
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A madeira é 12 vezes mais isolante que o betão, a madeira é 350 vezes
mais isolante que o aço, e 1 550 vezes mais isolante que o alumínio.

A madeira tem uma boa resistência ao fogo, muito pouca dilatação
térmica (1/3 da dilatação do aço ou do cimento); Contraria à ideia
existente pela maioria da população, a madeira resiste melhor ao fogo
que os outros materiais de construção.

b) Desvantagens:

O primeiro ponto a se destacar é a secagem, são precisos cerca de 3
anos após a construção para uma casa de madeira secar e atingir o seu
equilíbrio de umidade. A secagem pode originar rachas.

O ruído é um incomodo em casas de madeira, pois ela tem a
capacidade de emitir ruídos desconfortáveis, e outro problema que sofre
as habitações de madeiras é de inchar e causar problemas ao abrir e
fechar portas, mas isso também ocorre em casas de alvenaria
convencional, pois os portais geralmente são de madeiras.

5.4. Cuidados na construção

A primeira coisa a se fazer é escolher o tipo de madeira, hoje no
mercado temos madeiras nobres disponíveis, como a maçaranduba, o ipê,
jatobá, aroeira e tantas outras. Se a sua intenção for encontrá-las por um preço
abaixo do pedido, uma boa alternativa é optar pelo uso de eucalipto, que é
reflorestado, mas que conserva seu status de material nobre, em função do
tratamento que recebe que retira o cupim e enrijece a madeira.

Escolhido o tipo de madeira que será utilizado, é hora de pensar na
estrutura da casa, a madeira pode ser aplicada em paredes e telhados, nos
acabamentos da casa, em forma de forros, pisos, em portas e janelas, etc., um
cuidado para quem pensa em construir a casa inteira em madeira é com o
tempo, pois, tende a apodrecer e comprometer a estrutura da casa, uma vez
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que funciona como esponja, absorvendo grande parte da água que circular por
áreas molhadas. Além disso, o cupim também representa ameaça à quem
deseja construir sua casa toda em madeira. Para evitar que esses parasitas
acabem com as paredes, portas e afins, é preciso realizar um tratamento
químico de solo, ao redor de toda a casa, o que garante uma média de cinco
anos sem qualquer incômodo com cupim. Se a madeira, antes da aquisição,
apresentar aspectos úmidos, evite sua compra, pois, é sinal de que ela não
passou por um processo de secagem, o que acarretaria no aparecimento dos
problemas, relacionados com a água.

Falando em cuidados na aquisição de madeiras, lembramos que existem
madeiras para cada tipo de necessidade, no caso de estrutura da casa
recomenda-se a maçaranduba, devido a sua alta resistência. Para os móveis, o
pau-ferro é o ideal, por possuir cor profundamente escura. Já a peroba-rosa,
angelim pedra vermelha é a mais indicada para a construção de telhados. O
ipê também e muito prático e recomendado, na construção de uma casa, sendo
que o amarelo pode ser utilizado na fabricação de portas, janelas e escadas,
enquanto o roxo é mais usado para pisos, paredes, móveis e estruturas.



5.5. SISTEMAS CONSTRUTIVOS

5.5.1. Sistema construtivo tipo viga-pilar e paredes com encaixe macho e
fêmea

Como o próprio nome já define a estrutura é independente da vedação, ou
seja, as paredes tem a função de vedar e os pilares e vigas tem função
estrutural. Os pilares de madeiras podem ser fixados na fundação por meio de
parafusos metálicos e escorados. Na fase subseqüente as pranchas de parede
são encaixadas nos montantes (pilares) que possuem rasgos. A simples
colocação das paredes tem a função de travar a edificação. A proposta deste
sistema é poder utilizar madeira com elevados teores de umidade, por este
motivo há um rasgo na face inferior das vigas onde devem ser encaixadas as
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pranchas de paredes para evitar a abertura de frestas em função da variação
do volume da madeira seca e úmida. A estrutura do telhado é convencional,
podendo ser construído com terças, caibros ou dependendo do vão tesouras e
treliças espaciais.

5.5.2. Sistema construtivo tipo plataforma e ballon frame

Este é considerado um sistema leve de construção. Ao contrário do sistema
viga-pilar as paredes e a Plataforma de piso tem a função não só de vedação,
mas também estrutural. Aproximadamente 70% das construções residenciais
nos EUA e Canadá usam este método. Consiste numa trama estrutural com pé
direito duplo, espaçados de 40 cm a 60 cm (no caso de edificações de dois
pavimentos) a estrutura do piso é apoiada sobre vigas mestras.


5.5.3. Madeira Roliça

Sistema construtivo mais utilizado pelos imigrantes poloneses no inicio do
século XX, utiliza madeira roliça com encaixes entre as toras.


5.5.4. Tábuas com mata juntas

Este sistema é utilizado para casas populares. Geralmente o tipo de madeira
aplicada em paredes, assoalhos, forro, portas, rodapés, caibros é o Pinus
Ellioti. Para estrutura utiliza-se geralmente vigotes de 2"x 3", as paredes são de
tábua de 1"x 12" com altura variável colocadas lado a lado e vedadas com
mata junta (sarrafos de ½" x 2" ). Deve-se observar que nesse sistema pode
ocorrer o uso inadequado de espécies de madeira não tratada que possuem
baixa resistência aos agentes biodegradantes.




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6. CONCLUSÃO

No Brasil, a tecnologia das construções em madeira, muita vezes, foi
perdida junto com os mestres carpinteiros que vieram da Itália, de Portugal,
etc... O domínio das técnicas construtivas em madeira serve de instrumentos
para a preservação e expansão de nossas florestas. Em geral as construções
em madeira não são consideradas como duráveis, gerando uma dificuldade
para a comercialização das construções feitas com este material. Novamente o
domínio da tecnologia determina projetos em madeira, onde a durabilidade das
construções são relatadas em mais de 100 anos, como em casas encontradas
nos Estados Unidos.
No Brasil, deve-se desenvolver a indústria de componentes e de
produtos florestais, para que ocorra um salto de qualidade na construção e
ainda procurar incentivar a criação e valorização das escolas técnicas ligadas
ao oficio da carpintaria.O uso de madeira certificada pode ser uma forma de
preservação e ampliação da vida de nossas florestas nativas, pois impede de
certa forma que as florestas sejam desmatadas de forma predatória para o
plantio de soja ou para a agropecuária.
As vantagens são muitas e merecem ser bem ponderadas,claro que,
como tudo na vida, as desvantagens continuam bem presentes pelo os
pensamentos das pessoas, mas sendo uma delas a menor resistência destas
casas a determinadas catástrofes climatéricas, como é o caso de cheias. Ainda
assim, todos os benefícios que poderão ser retirados da realização e da
compra duma casa de madeira são mais do que razão para uma avaliação
cuidadosa da possibilidade de compra da mesma.