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Análise Crítica e Pessoal ao Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares

Tarefa 2 (1ª Parte)

O Modelo enquanto instrumento pedagógico e de melhoria.


Conceitos implicados.

O Modelo de auto-avaliação das bibliotecas escolares surge como instrumento


pedagógico para “avaliar o trabalho da biblioteca escolar e o impacto desse trabalho
no funcionamento global da escola e nas aprendizagens dos alunos e identificar as
áreas de sucesso e aquelas que, por apresentarem resultados menores, requerem
maior investimento, determinando, nalguns casos, uma inflexão das práticas.”
(Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares).

Desenvolvido a partir de conceitos/ideias-chave, este modelo procura orientar-


nos na eficácia dos resultados, promovendo o traçar de estratégias que conduzam à
mudança e, consequentemente, à necessária melhoria na prestação dos serviços de
uma biblioteca escolar através da identificação quantitativa e qualitativa das
evidências recolhidas na prática diária no intuito de determinar e/ou aferir as
modificações positivas que o seu funcionamento tem nas atitudes, valores e
conhecimento não só dos seus utilizadores, como de toda a comunidade escolar que
ela serve.

Todo este processo foi já testado ao longo de vinte anos nos Estados Unidos e
no Reino Unido, tendo como pano de fundo o seu contributo para a promoção do
sucesso educativo e, consequentemente, da aprendizagem ao longo da vida. Daí que
reconheça que os pontos fortes nos conduzem muito para além dos recursos e meios
que uma BE disponibiliza, levando-nos a reflectir sobre a evolução que a BE
proporciona no processo ensino aprendizagem e no desenvolvimento de competências
para a aprendizagem ao longo da vida.

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Análise Crítica e Pessoal ao Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares
Tarefa 2 (1ª Parte)

Pertinência da existência de um modelo de avaliação para as bibliotecas


escolares.

Até à implementação deste novo modelo, a avaliação de uma biblioteca


resumia-se a um relatório final, normalmente suportado por questionários que
praticamente só identificavam aspectos quantitativos decorrentes do seu
funcionamento, nomeadamente o número de empréstimos, o número de visitas à
biblioteca, os recursos físicos e humanos afectos, as verbas atribuídas e gastas, o
inventário anual do fundo documental.

Sustentando-se num princípio diferente do anterior, o actual modelo de auto-


avaliação pretende “demonstrar-nos” concretamente o que fazer, o que se espera de
nós e que caminho poderemos percorrer para melhorar as nossas práticas.

Os impactos pretendidos com este modelo tornam-nos pertinentes desde que


se venham a revelar exequíveis tanto na biblioteca escolar como na escola, decorrendo
de um conhecimento profundo do trabalho e das práticas também inerentes ao
funcionamento da biblioteca escolar, de uma melhoria da articulação entre o trabalho
da escola e o trabalho da biblioteca escolar, do impacto nas aprendizagens dos alunos
e no nível de processos de ensino-aprendizagem.

Organização estrutural e funcional. Adequação e constrangimentos.

Os domínios propostos pelo modelo de auto-avaliação sugerido pela Rede de


Bibliotecas Escolares representam as áreas essenciais para que a biblioteca escolar
cumpra, de forma efectiva, os pressupostos e objectivos que suportam a sua acção no
processo educativo.
Os vários elementos a analisar foram assim agrupados em quatro domínios e
respectivos subdomínios:
A. Apoio ao Desenvolvimento Curricular:
A.1. Articulação curricular da BE com as estruturas pedagógicas e os docentes;
A.2. Desenvolvimento da literacia da informação.

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B. Leitura e Literacias.
C. Projectos, Parcerias e Actividades Livres e de Abertura à Comunidade:
C.1. Apoio a actividades livres,extra-curriculares e de enriquecimento curricular;
C.2. Projectos e parcerias.
D. Gestão da Biblioteca Escolar:
D.1. Articulação da BE com a Escola/Agrupamento. Acesso e serviços prestados
pela BE.
D.2. Condições humanas e materiais para a prestação de serviços;
D.3. Gestão da colecção/da informação.

Não obstante a sua pertinência e sendo objectivo deste modelo de auto-


avaliação desenvolver uma abordagem essencialmente qualitativa, orientada para uma
análise dos processos e dos resultados e, numa perspectiva formativa, permitir
identificar as necessidades e os pontos fracos com vista a melhorá-los, urge reflectir no
sentido de saber quais os desafios a que este modelo está sujeito.

Se no final da aplicação deste modelo apenas resultarem tabelas quantitativas


então o modelo de auto-avaliação não foi adequadamente aplicado, tendo ficado
amputado na sua utilidade. Significa isto dizer que não devemos esquecer que o que se
pretende com a sua aplicação é a possibilidade de reflexão sobre as práticas, cabendo
às instituições a correcta percepção da sua utilidade e consequente aplicação.

Integração/ Aplicação à realidade da escola

Um dos objectivos da BE é precisamente funcionar como "núcleo da


organização pedagógica da escola, constituindo um recurso afecto ao desenvolvimento
das actividades lectivas, actividades não lectivas e actividades de tempos livres e
lúdicos". Por outro lado, este novo conceito de biblioteca que hoje se defende
"enquadra-se num processo gradual de mudança da escola, favorecendo a afirmação
de novos paradigmas e modalidades de acção educativa e reclamando a adesão e
envolvimento da comunidade educativa, em ligação com o projecto educativo do
estabelecimento de ensino".

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Tarefa 2 (1ª Parte)

Para que tal se proporcione, A BE deve ter ao seu serviço um conjunto de


recursos e equipamentos adequados para a prossecução de tais funções. A BE,
"quando bem utilizada, promove a formação individual dos alunos e as aprendizagens;
suporta o desenvolvimento de competências, nas quais se incluem as competências do
uso da informação; apoia o desenvolvimento do currículo e projectos em curso na
escola; incentiva o gosto pela leitura e pela escrita e responde a necessidades lúdicas,
recreativas e de ocupação de tempos livres dos alunos".

Esta perspectiva qualitativa procura valorizar contextos e significados que os


vários intervenientes no processo de implementação das bibliotecas escolares
partilham, e que os seus utentes necessitam.

A biblioteca pretende articular actividades de ocupação dos tempos livres de


carácter extra-curricular e/ou extra-lectivo, com actividades lectivas e/ou curriculares
de modo a promover novas práticas pedagógicas que, pelo seu carácter motivador,
sejam facilitadoras de novas aprendizagens e, portanto, promotoras do sucesso
educativo e redutoras do absentismo escolar.

O facto de se possibilitar a aquisição e o conhecimento das novas tecnologias,


contribui para uma maior igualdade e melhoria no acesso à formação e informação, ao
mesmo tempo que cria possibilidades de organizar a aprendizagem em termos de
processo de pesquisa, valorizando a autonomia e a aquisição de competências
metodológicas.

A biblioteca pode, na minha opinião, ser um instrumento de mudança do


ensino e da escola, se tiver as condições físicas e os recursos humanos necessários
para operar essa inovação pedagógica. Essa dinâmica, quando implementada, cresce,
alarga-se, faz nascer em cada novo ano novas vontades e novas necessidades.

É extremamente gratificante acompanhar todo este processo de crescimento e


verificar, ao vivo, que os nossos alunos encaram a biblioteca como um centro de
aprendizagem do qual se apropriam e em que eles são, definitivamente, PRODUTORES.

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Tarefa 2 (1ª Parte)

Competências do professor bibliotecário e estratégias implicadas na sua


aplicação.

Para que as BE assumam verdadeiramente esta sua função, é imprescindível o


papel que o Coordenador desempenha como elo de ligação e elemento
proporcionador do sucesso pedagógico ao: “coordenar, dinamizar e animar as diversas
actividades da BE; articular as actividades da BE com as linhas orientadoras do Projecto
Educativo da escola; promover a comunicação e formas de trabalho cooperativo entre
a BE e toda a comunidade escolar; administrar os recursos e disponibilizá-los para o
público da BE”. O coordenador da BE surge como um componente fulcral da
experiência da aprendizagem, um inovador técnico, um parceiro activo na educação
dos alunos.

Neste seu papel deve ter bem definidas as suas metas, depois de bem
analisadas as necessidades do seu agrupamento. Tal postura permitir-lhe-á estar na
linha da frente da era da informação, da sociedade de conhecimento, da inovação
tecnológica, ter a missão de aproximar alunos e docentes. Ser um profissional
especializado, um comunicador eficaz, persuasivo, um administrador de recursos,
proactivo, construtivo … uma verdadeira “ponte”.

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