Seria sempre assim… Nunca seria uma rapariga normal, por mais que tentasse e por mais que

me esforçasse… Apesar de ser metade humana, eu sempre me sentia mais “sobrenatural” do que normal… todas as raparigas da minha idade, ou com o aspecto da minha idade, pareciam mais naturais e mais relaxadas. Era assim que eu me sentia, deslocada e solitária. Tirando a minha família que eram as pessoas mais importantes da minha vida, a única pessoa com quem me sentia mesmo à vontade era Jacob, o meu eterno e fiel amigo, confidente e agora que estava mais crescida, o meu mais que tudo… Adorava a sua sensibilidade, a sua honestidade e o bom humor sempre presente quando estavam os dois juntos. Mas nunca, por um momento, tinha revelado a ele os seus verdadeiros sentimentos. Tinha sido marcada por ele e não se sentia nem triste, nem revoltada por isso, uma vez que assim sendo, não poderia ter qualquer tipo de sentimento amoroso por qualquer dos rapazes da sua escola, o que até nem era mau, visto que nem todas as histórias entre humanos e não humanos acabavam bem como tinha acontecido com os seus pais… - Mas pai…! Por favor… eu sei tomar conta de mim, porque afinal de contas não me deixas ir ao baile?! Será que é mesmo assim tão perigoso? Além disso, sabes bem que não te consigo esconder nada, se acontecesse alguma coisa, saberias na hora… Por favor paizinho! Já é complicado o suficiente não me sentir normal como as minhas colegas e quando até o meu pai, que me conhece melhor que ninguém, não me deixa participar num evento tão banal como o baile de Natal da escola… aí já é insuportável! - Nessie - Não é por não confiar em ti – respondeu o meu pai – eu não confio nos outros, que são traiçoeiros e olha que sei bem o que estou a falar porque conheço cada uma das mentes dos rapazolas desta cidade e sei muito bem o que eles pensam quando passas por eles… nem com a tua mãe conseguem ser respeitosos, imagina com uma miúda de 15 anos?! Eu sabia que cortava o coração de Edward ter de me dizer que não, mas eu também sabia que ele não tinha outra alternativa... com os meus poderes, era muito perigoso ter algum contacto com quem quer que fosse, a não ser que… - Se encontrares uma alternativa a ires sozinha, pode ser que até te libere, mas sem uma companhia decente, nada feito! Eu estava com 15 anos agora, e desde os 13 anos que tinha deixado de envelhecer, e por isso tinha o aspecto de 18 anos, e sempre teria, por ser metade “vampira”… Eu bem sabia que era complicado ao meu pai manter a filha a salvo e longe de quaisquer desconfianças e por isso, eles nunca paravam muito tempo numa cidade, a última vez tinha eu 13 anos e já estava matriculada no 10º ano e como tinha aspecto de 18 anos pudemo-nos dar-se ao luxo de ficarmos por lá quase 4 anos. A minha mãe, Bella, estava mais linda que nunca e a felicidade de poder partilhar uma eternidade com o meu pai e com o resto dos Cullen, só contribuía para que ela tivesse perdido toda e qualquer falta de alegria! O resto dos Cullen, estavam na mesma…Tia Rosalie e tio Emmet tinham adoptado um bebé rapaz de 2 anos, que sofria de uma doença muito rara e que tinha pouco tempo de vida e por isso, a promessa e a visão de um futuro eterno com o filho que o avô Carlisle transformaria em imortal quando chegasse a hora, tinham tornado a minha lindíssima tia Rosalie numa mulher

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amorosa e calma, com várias perspectivas de felicidade. Tio Emmet por sua vez era um pai muito carinhoso, mais do que todos nós pensávamos que ele seria. Quanto ao avô Carlisle e a avó Esme, continuavam os mesmos de sempre, calmos, ponderados e extremamente felizes com a família que tinham conseguido criar. Não poderiam desejar mais nada! Diziam eles muitas vezes. A minha querida tia Alice e tio Jasper eram os meus padrinhos, tinha muito gosto em ter-me apoderado da mania das modas da minha tia e em companhia de Jasper sentia-me sempre mais calma e mais descontraída, como seria de esperar… Era com eles que me sentia melhor e mais à vontade, talvez por Alice ser tão aberta de espírito e de mente… - Olha pai, porque não vens comigo? Afinal de contas, não passas por mais de 25 anos e não iria parecer tão mal verem-me dançar contigo – Dei-lhe uma piscadela malandra, eu bem sabia que o pai nunca alinharia nisso, porque já tinha passado por essa fase dos bailes da escola tantas vezes que, provavelmente, nem poderia ouvir falar em liceu! - Porque não? – Respondeu-me o meu pai – Seria uma boa ideia, e se calhar, falando com a tua mãe ela até pode querer ir também – Sorriu inocentemente e eu entrei imediatamente em pânico. - Hein? A mãe? Não foste tu que me disseste que tiveste de a arrastar para o único baile que ela foi? – Nunca pensei que o meu pai fosse dar-me essa resposta e agora estava arrependida de ter feito essa sugestão. - Bem querida, não te preocupes, não pretendo ir a esse baile nem contigo, nem com a tua mãe e nem sozinho, mas terás de descobrir uma companhia que não dê problemas e que te saiba proteger! – Uffa! Safei-me de boa. Nesse momento fez-se luz na minha cabeça – JACOB – Era a companhia ideal! O meu belo e carinhoso protector! Era isso… Nem foi preciso eu abrir a boca, para o meu pai saber em quem eu estava a pensar… mesmo que ele não conseguisse ler a mente, pelo brilho dos meus olhos, ele sabia bem quem eu tinha escolhido para me acompanhar… O meu fiel amigo lobo, e nem se incomodou com isso. Já se tinha habituado à ideia de que a filha seria a companheira de Jacob e, se no inicio ele tinha detestado a ideia, agora nem por isso. - Porque não falas com ele, filha? De certeza que ele não se negará! – Nem foi preciso dizer duas vezes, precipitei-me porta fora em direcção á casa de Jacob e 5 minutos depois estava eu a bater à porta dele. Como de costume, fui recebida por Billy, de quem gostava muito também… Assemelhava-o muito ao meu querido avô Charlie que se derretia como gelado nas mãos sempre que me via. - Olá Billy, o Jake está? Nem bem Billy abriu a boca para dar a resposta quando de repente se ouviu uma rosnadela do lobo a mostrar que estava ali! Não levou 3 segundos e já ele transpunha a porta do quintal com o peito a descoberto, e a as calças todas velhas e desfiadas, de tantas transformações. Como sempre o meu coração deu um salto ao vê-lo e todas as vezes se sentia desfalecer por dentro sempre que ele a olhava com tanta ternura. Sabia que até ter atingido uma certa idade, o que sentia por ele era apenas amor de irmã, mas à medida que o meu corpo se foi transformando e a minha mente e espírito foram crescendo e conhecendo novas

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emoções, o amor fraternal que sentia por Jacob tornou-se num amor, em tudo igual ao dos pais… Sempre que via o pai e a mãe sabia que quando me juntasse a Jacob seria assim… e mal podia esperar por isso. - Oi Nessie, que fazes aqui? Aconteceu alguma coisa? – Perguntou ele já com o coração nas mãos, porque não era muito habitual ser eu a procurá-lo e sim ele a mim, desde que me vira pela primeira vez, recém-nascida. - Não Jake, ou melhor, aconteceu, mas nada de mau… Sabes, o liceu vai fazer um baile de Natal e, ao menos este ano, gostava de participar, mas o meu pai só me deixa ir se for acompanhada por alguém de confiança e não conheço ninguém para tal tarefa… Por isso vim aqui – Disse-lhe esperançosa de que Jake me convidasse por iniciativa própria… - Hum… Percebo… Mas não vejo o que posso fazer por ti minha linda, não conheço ninguém que queira ser o teu guarda-costas nesse baile – respondeu-me Jake e eu sabia que ele estava reprimindo uma gargalhada quando viu os meus olhos esbugalhados pela desilusão, mas ele não me enganava, eu bem sabia que ele aproveitava sempre a mais pequena oportunidade para me arreliar. - Oh… eu pensei que… - comecei a gaguejar sem jeito, também para alinhar na onda dele, mas por outro lado com uma pontada de desilusão a nascer no fundo do meu coração, porque não sabia até que ponto ele estaria a brincar, e sentindo as lágrimas a brotarem, teimosas, dos seus olhos brilhantes. Jacob não se conteve, tal como eu tinha previsto, correu para mim e disse-me, tranquilizando-me: - Minha pequenina… não queria magoar-te! Estava apenas a brincar contigo, não fiques assim, por favor. Deixa-me fazer-te uma pergunta – Disse ele a olhar nos meus olhos lacrimosos – Queres ir comigo ao baile? – Nesse momento, o que ele viu nos meus olhos, fez com que eu conseguisse ouvir o seu coração bater mais forte e, se bem que nunca se tivessem declarado directamente um ao outro, não havia dúvidas de que Bella e Edward haviam trazido ao mundo a mulher que seria única e exclusivamente de Jacob. - JACOB – Gritei eu – Adoro-te sabias? Pensava que não tinhas percebido, mas pelos vistos, também não consigo esconder nada de ti. Não me ocorreu ninguém melhor que tu para me levar a esse baile e mesmo que conhecesse muitos mais, serias sempre tu quem eu escolheria! - Acho mesmo bem que sim, detestaria saber que era segunda escolha – disse ele entre um ar zangado e divertido. Com ar surpreso apenas consegui olhar para ele e dizer: - Tu nunca és e nunca serás segunda escolha. Entretanto, eu sabia que na mente de Jacob, mil e um pensamentos corriam mais rápido do que o vento em dias de tempestade. O baile seria dali a uma semana para a frente, justamente uma semana antes do habitual encontro anual com os “Volturi”, já o tinha visto ficar de pêlo eriçado só de pensar neles, já não era muito comum e normal que lobisomens e vampiros andassem em tão completa harmonia, mas para Jacob era intolerável pensar que algum dia algum dos Volturi, principalmente Caius, que nunca lhe inspirou qualquer confiança, pudessem fazer algum mal a mim, à sua menina. Fiquei por ali perto, a pensar como os meus sentimentos por Jacob eram tão fortes e profundos, quando ouvi a voz do meu pai e para ouvir melhor, escondi-me atrás de uma árvore que ficava perto deles:

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- Já vi que também estás a pensar no mesmo que eu – Jacob nem se sobressaltou quando ouviu a voz do meu pai. Desde que se tornaram amigos que a sintonia entre eles havia se intensificado e conseguia ver nele a mesma apreensão que sentia no peito, sempre que se lembrava que teriam de ir os quatro a Itália, mostrar os meus desenvolvimentos. - Sim… é inevitável, não é mesmo? – Ouviu Jacob perguntar-lhe - Como está Bella? Aposto que já começa a demonstrar alguma inquietação. - Conheces bem a Bella, Jake, sabes bem que é impossível tirar esse pensamento da cabecinha dela, que nunca pára… Mas, tal como as outras vezes, irá correr tudo bem! - Vamos caçar? Para tentar esquecer? – Propôs Jacob – Sim, vamos – Respondeu Edward, já se precipitando floresta dentro. A sério que eu não conseguia entender o motivo de tanta apreensão, mas sentia-me feliz por ver que os dois homens que eu mais amava na vida agora se davam tão bem. ***** - ALICE! – Berrei ao chegar a casa – Preciso de ajuda e é já! – Disse quando vi a minha tia descer as escadas. - Então? Onde é o fogo Nessie? Precisas de ajuda? Em quê, diz lá! – Até parece que eu não sabia ou não tinha plena consciência de que Alice já sabia desde que tinha saído de perto de Jacob, que eu viria pedir-lhe ajuda para escolher a indumentária para o baile dali a uma semana. E, secretamente, eu sabia que ela se sentia-se completa quando eu lhe ia pedir ajuda, nem por um momento sentia a falta de um filho, tal como Rosalie, que no instante que comecei a ficar independente, adoptou Julliano, o menino com o destino traçado, assim eu e Julliano preenchíamos a sua vida por completo. - Até parece que preciso dizer-te o que preciso! – Disse-lhe com ar de menina travessa – Anda lá tia, vamos às compras! - Vão às compras? Qual o motivo? – Perguntou a minha mãe nesse instante, vinda da estufa, cheia de folhas no cabelo comprido e luzidio. Vinha revigorada por ter estado a jardinar na estufa que tinham lá na traseira da casa e embrenhada na floresta, uma das coisas que mais gostava era de estar entre a calmaria das plantas, onde podia pensar e ordenar as ideias. Eu sabia sempre onde encontrar a minha mãezinha. - Falei com o pai para ir ao baile de Natal do liceu e ele disse-me para ir ver se o Jake queria ir comigo, caso contrário nada feito. – Respondi-lhe com alegria. - Hum… o teu pai tem razão e se tivesses ido falar desde o principio com o Jake o teu pai nem teria aberto a boca – Disse-me ela a rir, tendo em mente na adoração que o meu pai tinha por mim, não deixava nada ao acaso no que se tratava de da minha pessoa. – Então, vão escolher o vestido não é? Não escolhas nada de escandaloso, Alice! Não quero que a minha filha de 15 anos pareça ter 25. - Entendido cunhada, confia em mim… Não consigo sempre ir de encontro ao que vocês querem? – Perguntou ela, piscando-me o olho de relance. - Eu vi isso, Alice! E mais pudera se não adivinhasses o que queremos, para quem prevê o futuro não é assim tão complicado, pois não? – Perguntou ela a rir.

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- Pois é, nisso tens razão… de facto, estou em vantagem. – Disse Alice já a dar a tão conhecida pirueta e rodando porta fora comigo pelas mãos. Todos estavam apreensivos com o encontro com os Volturi dali a duas semanas, mas sempre com a convicção de que tudo iria correr bem. A minha mãe não pensava em outra coisa, a não ser nesse dia, no reencontro com Aro, Caius, Marcus e Jane. Mas desde a última vez que se encontraram até à data, os poderes dela estavam fortalecidos, o seu escudo atingia agora um alcance muito maior e com muito mais duração. Qualquer coisa que corresse mal, ela lá estaria para me proteger, ao meu pai e Jacob. Todos me diziam que eu estava deslumbrante naquele fim de tarde, inicio de noite, quando se realizaria o tão esperado baile, a expectativa era ainda maior por causa do meu par, o meu querido Jacob, que certamente estaria igualmente deslumbrante e intenso. Não sabia porquê, mas tinha a sensação que algo importante iria acontecer nessa noite, quer fosse no ou fora do baile. Alice tinha escolhido para mim um vestido cor de esmeralda, de cintura fina e pequenas contas fazendo o desenho de uma pequena estrela à altura da barriga, as costas estavam descobertas, deixando ver a minha pele branquinha. O cabelo, ondulado, estava metade preso no alto das costas e como adorno eu apenas tinha optado por um fio de ouro sem qualquer pingente. Nos olhos resolvi colocar apenas uma sombra ligeira, que, ao que parece, intensificava a força do meu olhar e era justamente isso que queria mostrar quando olhasse para Jacob. Nos pés eu levava uns sapatos cor de marfim abertos e de salto razoavelmente alto, não muito, até porque puxava ao meu pai em questão de tamanho. Enfim, todos diziam que eu estava linda. O meu pai ao ver-me descer as escadas, engoliu em seco e pelo olhar dele, eu bem sabia que ele reviu em mim a minha mãe quando foi obrigada a ir ao baile de finalistas com ele à muitos anos atrás, quando ainda era humana e frágil, se bem que ainda hoje sentia por ela o mesmo instinto protector em relação a ela, apesar de ela ser tão forte como ele. - Nessie… Estás linda! Deixaste-me sem palavras e olha que isso não é fácil. Espero que te divirtas e que esta noite seja muito especial para ti – Parecia que o meu pai já sabia que Jacob tinha planeado qualquer coisa para esta noite e, a meu ver, depois de pensar bem no que quer que fosse que ia acontecer, acabou por se sentir feliz e seguro em relação a mim e ao meu futuro. - Ora pai, é só um baile! Não é a minha festa de noivado nem nada que se pareça – Nesse instante papá deu um sorriso enviesado – Nunca se sabe o que a noite te espera, minha querida – disse ele e com isso deu-me um beijo na testa e entregou-me uma pequena caixinha de veludo preta – Toma, é para ti! É a única peça que tenho da minha mãe verdadeira, que por sua vez herdou da avó dela. Acho que está na altura de dar seguimento à passagem. - Com os olhos arregalados, peguei na caixinha e, a medo, abri-a devagarinho revelando o mais lindo anel cor de safira que eu já tinha visto. Olhei para o meu pai com os olhos repletos de lágrimas e sem dizer nada estendi a mão para ser o meu pai a colocar-me o anel no dedo, nesse instante atirei-me nos braços dele que me apertou contra o peito. Sabia bem o que todos estavam a pensar nesta altura, porque o meu pai segredou-me ao ouvido o que estavam os meus avós a pensar:

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- Assim se fortalece uma relação já tão forte entre pai e filha – Eu sorri e dei-lhe um beijo estalado na cara e disse-lhe: - Adoro-te papá! No meio de todas essas emoções, a minha mãe retirou-se para me ir buscar um adereço menos valioso que o de meu pai, mas com muito significado, pelo menos para ela. Sabia que, provavelmente, Jacob teria alguma coisa especial guardada para mim, e não pensou duas vezes quando foi à gaveta e retirou uma pequena caixinha de plástico transparente contendo um bracelete com uma flor, a bracelete que um dia o meu pai lhe oferecera. Era a única coisa de mais significado que tinha, exceptuando talvez a pulseira com o pingente de cristal que papá também lhe tinha oferecido. Desceu as escadas – Nessie, querida – chamou ela – Também tenho uma coisa para ti, não é tão valiosa como a do teu pai, que, como sempre conseguiu surpreender a todos, mas tem muito significado e para o teu primeiro baile acho que faz sentido oferecer-ta. Como era normal, estava a sentir-me já tonta com tantas emoções e tantas atenções e encaminhei-me para a mãe já com as lágrimas nos olhos, como sempre acontecia quando estava emocionada – Não era preciso mãe, a mim basta-me ter todos vocês na minha vida e isso já é mais do que alguém poderia pedir – Ao dizer isso peguei na caixa transparente e mesmo sem a abrir vislumbrei a pequena flor de jasmim num bracelete de prata. Fiquei sem palavras e abrindo a caixa fui já abraçando a mãe num gesto que só mães e filhas têm entre si. - É … simplesmente maravilhoso mãe… Obrigada a todos por esta noite! – Nesse momento, e mesmo sem a campainha tocar, tia Alice foi à porta e abriu-a para deixar entrar Jacob, um Jacob completamente diferente do que estavam habituados a ver, de smoking preto e camisa branca, sapatos de brilho e o cabelo penteado com gel… Eu fiquei completamente sem fôlego – Como alguém poderia ser tão absolutamente magnífico, em todo o seu esplendor?! – Nesse momento, eu tive a certeza de que estava perdida e absolutamente apaixonada pelo meu eterno protector. - Então pessoal? – Disse ele porque não tinha consciência do impacto que teve em mim – Estás pronta? Ou és como a tua tia Alice que consegue levar mais tempo do que uma mulher humana para se preparar para sair? Pobre Jasper – Ainda disse ele a rir olhando para tia Alice e recebendo um olhar gélido desta. - Estou pronta sim, vamos? – E dizendo isto dei o braço a Jacob e saí dizendo adeus a todos os presentes na sala. - Sabes que estás fantástica esta noite não sabes? – Perguntou-me ele com os olhos cheios de admiração e fascínio – não sei se esta noite vou conseguir conter-me – Eu pensava que ele estava a brincar, como de costume, mas na verdade, ao olhar para ele, dei-me conta que as palavras do pai queriam dizer alguma coisa e que esta noite seria, de facto, muito especial, tal como eu também pressentia. Deixaria as coisas acontecerem. - Já vi que te deram algumas prendas… - disse Jacob, e, tirando uma pequena bolsinha em pele, olhou para mim e disse – Esse fio está muito sozinho, e é tão bonito que até é uma pena que assim seja, por isso aqui tens uma pequena lembrança minha – e tal como havia feito com a minha mãe, uns anos atrás, deu-me um pequeno pingente em madeira escura com acabamento em ouro, o pingente tinha a forma de um pequeno coração e no meio do coração tinha um minúsculo lobo gravado e por trás do coração as iniciais dos dois também gravadas. - Jacob, é lindíssimo! Foste tu que fizeste? Para mim? – Perguntei inocentemente e com os olhos a brilhar de emoção e de admiração perante tão delicado presente. - Então quem haveria de ter sido minha tontinha?! O Paul? Claro que fui eu que fiz, já o venho fazendo há muito tempo e quando surgiu a oportunidade de te dar, aproveitei.

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Mas a noite ainda não acabou e ainda vais ter mais algumas surpresas! – Dizendo isto, abriu a porta do carro que o pai havia emprestado para nos levar ao baile, ajudou-me a entrar e rumou ao centro da cidade para o tão esperado baile. O salão principal da escola tinha-se transformado por completo, agora em vez das habituais mesas e cadeiras típicas de um liceu, viam-se pequenas mesas redondas com toalhas brancas e vermelhas e um pequeno castiçal com uma vela natalícia. As janelas todas tinham cortinados de veludo vermelho e verde e no chão haviam grandes carpetes redondas a indicarem onde os pares deveriam dançar. Nunca pensei que a escola pudesse ficar assim somente para um baile de Natal. Quem teria patrocinado tudo aquilo? Sim, porque a escola não tinha fundos para algo tão sofisticado. Haveria de tentar saber, mais cedo ou mais tarde. Com o passar das horas, todo o clima do baile deixou de ser festivaleiro, para se tornar em algo mais íntimo, à medida que os casais se iam embalando ao som das músicas, agora mais calmas e suaves. Jacob não me largava um só instante e ficava intimamente chateado quando eu, ocasionalmente, me desviava para falar com um ou outro colega. Nunca tinha achado Jacob um homem ciumento, mas em relação a mim ele tinha mudado em muitos aspectos. Achara que tinha chegado o momento certo de lhe declarar o seu amor a ele, depois de ter ido falar com mais um colega, e pensando nisso dirigiu-se a ele com um sorriso nos lábios e um brilho especial nos olhos. - Porque sorris minha pequenina? – Perguntou-me ele carinhosamente, tentando arranjar maneira de pôr em prática o que quer que pretendia. - Sorrio porque estou acompanhada do mais belo par daqui do baile, todas as raparigas daqui do liceu se me pudessem matar só com um olhar, fá-lo-iam de certeza – Disse-lhe eu, sentindo-me orgulhosa por estar ao lado de Jacob. - Falas delas em relação a mim, e então eles? Até estou com medo de alguns deles – Disse ele com ironia, dando a entender de que, na verdade, todos os rapazes da escola podiam juntar-se ao mesmo tempo para lhe darem uma sova que ele quebrava-os a todos. De súbito, o olhar dele deixou de ter um ar trocista e passou a ter uma tonalidade amendoada, que traduzia a importância daquele momento e, obviamente não fiquei alheia a esse aspecto. - Nessie… - começou ele com a voz meio a tremer e a tentar desapertar o laço da garganta - … por certo sabes que desde o momento que te vi, acabada de nascer, sabia que um dia haveríamos de ser um para o outro algo mais que bons amigos, não sabes? – Perguntou ele com cuidado. - Sim, sei e antes que me digas mais alguma coisa, deixa-me mais uma vez, demonstrarte que já não sou uma criança e que sei bem o que quero – Dito isto eu coloquei-lhe as mãos na cara e transmiti-lhe tudo o que ele precisava de saber… Que o amava e que seria dele mais cedo ou mais tarde e que faria de tudo e estava mesmo disposta a isso, para que aquela união se concretizasse. Enquanto lhe mostrava todos os seus pensamentos apenas com aquele toque suave, eu sabia também que Jacob sentia-se como se tivesse morrido e ido para o céu e que tentava sair daquele estado de transe, para me retirar as mãos da cara e muito suavemente depositou-me um beijo nos lábios ainda inocentes. Era o meu primeiro beijo e o nosso primeiro beijo, que selava um destino e um futuro juntos, o futuro mais reluzente do que alguém alguma vez tivera tido. - Amo-te minha pequenina – Disse-me ele devagar e com toda a sua alma ao que apenas lhe respondi com um piscar de olhos, sem ter forças para mais nada e esquecendo-me também eu, de respirar. *****

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O baile terminou e a partir desse momento, eu era uma rapariga comprometida e mais feliz que nunca. Tinha conseguido o amor que sempre tinha desejado para mim, um amor tal qual como o dos meus pais. A vida para mim não poderia ser melhor e mais colorida. Nem me passava pela cabeça sequer o acontecimento dali a uma semana, a visita aos Volturi. Aliás, eu nunca me preocupava com esse evento, até porque o via como uma oportunidade de visitar Itália que tanto gostava e nunca tinha percebido porquê. Por sua vez, Jacob, a mãe e o pai, apesar de estes dois últimos também nutrirem um sentimento especial por Itália, não estavam assim tão ansiosos e despreocupados com a viagem, tinha chegado ao conhecimento de Aro, que eu me iria juntar a um lobo, o que não lhes agradava de todo. Como teria ele tido conhecimento de tal facto, isso não sabiam, mas algo lhes dizia que em breve iriam saber. Tia Alice estava incumbida de preparar todos os pormenores da viagem, uma vez que mais ninguém dos Cullen iria com eles os quatro, a mãe e o pai quiseram dar esse prazer á tia Alice e, sendo ela a organizadora de tudo, podiam estar descansados que nada iria ficar esquecido, pelo menos no que dizia respeito à viagem, estadia e todos os restantes confortos. Partiriam dali a um dia e o encontro seria no dia a seguir à chegada a Itália, uma vez que ainda teriam de conduzir até Volterra. Finalmente o dia tinha chegado e estavam todos em estado de nervos. A viagem para Itália tinha corrido bem e tinha sido calma, para mim e Jacob era como uma espécie de prelúdio de amor, uma vez que ambos tínhamos acabado de trocar votos de amor e de compromisso. Para a mãe e para o pai, apesar de tudo, era um reviver de uma época difícil e conturbada, em que ambos se tinham ferido e curado ao mesmo tempo, havia magia no ar e foi essa magia que nos permitiu ter ânimo para o encontro com os Volturi. Estava um dia ensolarado e por isso mamã e papá, teriam de ir um pouco mais protegidos, se não quisessem dar nas vistas, quanto a mim, o brilho natural do amor que eu tinha ofuscava qualquer outra luz. Para nossa grande surpresa, apenas Aro e Félix esperavam por eles, Marcus e Caius tinham ido para uma outra Assembleia, ao que parece mais importante que aquela e tinha levado, para grande consolo da minha mãe, Jane e Alec, assim como Demetri. Só por isso, Jacob e meus pais já estavam mais tranquilos e certos de que seria uma visita rotina, como até à data vinha a suceder. Contudo, seria uma visita repleta de surpresas para eles. - Aro, como vais? – Perguntou-lhe meu pai com simpatia, até porque nada tinha contra Aro, que se revelava sempre ser o mais ponderado dos Volturi. - Meu amigo! Que bom ver-vos e que pontualidade que vós tendes! Agrada-me isso em vocês, aliás, sempre vos tive em grande apreço, e fico deveras satisfeito pelo episódio de à uns anos atrás não ter manchado essa nossa amizade. Como está o meu bom e velho amigo Carlisle? – Perguntou ele como sempre o fazia. - Carlisle está bem e manda-lhe um abraço e diz que espera poder, vir em breve fazerlhe uma visita, já que já faz algum tempo que ele aqui não vem, e, como bem deve saber ele adora o vosso país. - Diz-lhe que estarei á espera que ele cumpra essa promessa. – E dando por terminada a conversa de ocasião, deu umas passadas e passando pela minha mãe, lançou-lhe um sorriso e disse-lhe: - Minha querida e preciosa Bella, cada ano mais bonita e poderosa, certo? – Mamã limitou-se a fazer-lhe uma vénia de agradecimento e sorriu-lhe. Depois viu-o a dirigir-se a mim, não sem antes tecer um comentário sobre a presença de Jacob.

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– Vejo que trouxeram o vosso cão de guarda – disse com alguma ironia e sarcasmo, Jacob não achou muita piada e preferiu ignorar o comentário e apenas lançou-lhe uma rosnadela, apesar de não estar transformado em lobo, Jacob tinha essa capacidade, a qual eu achava imensa piada. Voltando novamente a sua atenção em mim, Aro sorriu-me docemente e disse-me: - Minha linda menina, continuas na mesma, parece que, de facto, toda a tua família e amigos diziam a verdade quando ainda eras uma bebé. Queria apenas, e, por uma última vez, confirmar que assim o era e que não me tinha enganado em relação a todos vocês. Detestaria ter de vos castigar por qualquer que fosse o motivo, mas vejo que tal não vai acontecer. – Ao pronunciar essas palavras mamã não se conteve e perguntou-lhe directamente: - O que quer dizer com confirmar uma última vez? – Aro mesmo sem se voltar para ela apenas disse-lhe: - Exactamente o que entendeste minha cara Bella, estou a libertar-vos do vosso compromisso de cá virem todos os anos para me mostrarem que à treze anos atrás me estavam a dizer a verdade, agora quero que venham cá apenas e somente quando assim o entenderem. Além de que, pelas minhas previsões a pequena e linda Rennesme no ano que vem brotará como uma flor e o vosso cão de guarda deixará de o ser. Tornar-se-á parte de vocês. Não lhes avisei que este ano já não precisavam vir, porque tinha em mente duas coisas: Ver a menina mais uma vez, a qual espero não ser a última, e darlhe, desde já o meu presente de casamento, que só deverá ser aberto na altura do mesmo. Confio-vos o presente e espero que lhe entreguem na altura certa. Dito isto, espero sinceramente, que parta de vós a vontade de virem a Itália e a Volterra, claro, para que este lugar deixe de ser para vocês um lugar de más memórias e passar a ter um espaço especial na vossa mente, mas atenção, não se julguem livres de qualquer vigilância, continuem como até agora e nunca haverá qualquer problema. Estavam boquiabertos, inclusive e, sobretudo, meu pai. Nada fazia prever que aquele encontro teria aquele desfecho, mas não se queixavam, apenas olharam uns para os outros e, foi justamente papá quem se dirigiu a Aro. - Não fazíamos ideia de que tal pudesse partir de vocês, Aro, nem mesmo quando entrei nesta sala se adivinhei tais pensamentos. Agora, será muito mais fácil termos vontade de virmos a Itália e quem sabe, substituir amargas memórias por umas mais doces. Em nome de todos nós e dos restantes Cullen quero agradecer-te tal atitude e de tudo faremos para continuarmos em paz com todos vós. Mamã e Jacob já não ouviam nada, estavam quase aos saltos, mas contiveram-se a tempo… Eu por minha vez, não fazia ideia do porquê de tanto alarido, uma vez que gostava tanto de Itália e até nutria um certo carinho por Aro, nunca este me fizera mal e eu até apreciava a sensatez do ancião. Assim sendo, despediram-se cordialmente de Aro, deixaram os devidos cumprimentos aos restantes e ausentes membros da Guarda Volturi e rumaram extasiados para aquela que seria sempre a cidade que lhes abrira as portas do futuro. FIM

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