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Carta-programaCarta-programa

CentroCentro AcadêmicoAcadêmico XIXI dede AgostoAgosto

22001155

1

“Odeios os indiferentes. Acredito que viver significa tomar partido. Não pode existir os apenas homens [e mulheres], estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes. A indiferença é o peso morto na história. É a bala de chum- bo para o inovador e a matéria inerte em que se afogam frequentemente os entusiasmos mais esplendorosos, o fosso que circunda a velha cidade. Odeio os indiferentes também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de ternos inocentes. Peço conta a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe quotidianamen- te, do que fizeram, sobretudo do que não fizeram, e sinto que não posso ser inoxidável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles [e elas] mi- nhas lágrimas. Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris que estão comi- go a pulsar a atividade da cidadania futura, que estamos a construir.” Antonio Gramsci

¡Coletivo Contraponto!

Índice

Apresentação do Coletivo Contraponto 4 Uma Análise de Conjuntura 5

O

XI na Política? 9

O

XI em 2014 10

Campanha: “Democratização da Política” 11 Comunicação 13 Reforma Universitária 15 Acadêmico 16

Transparência e Tesouraria 18 Espaços Estudantis 20 Combate às Opressões 23 Festas 25 Cultura 26

¡Apresentação do Coletivo Contraponto!

4

“O desafio da modernidade é viver sem ilusões, sem se tornar desilu- ”

dido

A. Gramsci

Em fevereiro de 2013, o Coletivo Contraponto deu iní- cio a suas atividades partidárias no Movimento Estudantil da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Composto por militantes da esquerda, o grupo rapidamente se expandiu no cenário franciscano pela postura de franco diálogo estabelecido com o corpo discente. Eleito gestão do Centro Acadêmico XI de Agosto, consolidou-se como alternativa real ao quadro político vigente. Diversas foram as razões que agregaram tantas pessoas em torno deste novo projeto. Havia um amplo descontentamen- to com a ausência de debates políticos centrais da conjuntura nacional e internacional. A dicotomia estabelecida na época – a saber, entre o Movimento Resgate Arcadas e o Canto Geral – en- fraquecia cada vez mais o modelo de movimento estudantil no qual acreditamos: livre de posturas sectárias e com valorização programática em detrimento da autoconstrução, que só empo- brece o espaço público franciscano.

Mais do que um mero prestador de serviços, ou um es- paço restrito a questões corporativas, o Centro Acadêmico e o Movimento Estudantil no geral devem ser atores progressistas junto à sociedade. Caracterizando-se pelo mote “Viver é tomar partido!”, o Coletivo Contraponto logrou superar a ausência de posicionamentos claros e coerentes frente aos acontecimen- tos de relevância na sociedade, contrapondo-se àqueles que se revestiam sob o discurso do pluralismo como justificativa ao imobilismo e à inércia política. Ao mesmo tempo, jamais abriu mão do diálogo efetivo com as e os estudantes, evitando o auto- referenciamento e o isolamento político que prejudicaram, em

e o isolamento político que prejudicaram, em Lançamento de nossa carta-programa em 2013. muitos

Lançamento de nossa carta-programa em 2013.

muitos momentos, tentativas de implementação de um projeto político de esquerda na faculdade.

Em nosso primeiro ano, nos destacamos pela defesa de uma Reforma Política que superasse a hegemonia do poder

econômico sobre as eleições e sobre o poder público. Fomos tam- bém o único grupo político a defender abertamente a crimina- lização da homofobia e a trazer debates de conjuntura nacional

e

internacional, tais como a questão da “PEC das Domésticas”

e

da integração regional latinoamericana. Outra bandeira que

nos diferenciou foi a defesa consequente da Democratização da Mídia, para que os direitos à informação e à expressão plural e democrática sejam efetivamente garantidos em nosso país. Atra- vés de uma oposição ativa e propositiva, viabilizamos um novo projeto para o XI de Agosto: atuante frente às lutas populares e em comunhão com aqueles que se propõem a combater as injus- tiças – sindicatos, movimentos sociais (sem terra, feministas, de moradia, indígenas, negros, dentre outros) e a intelectualidade progressista.

Enquanto gestão do Centro Acadêmico, durante o ano de 2014, intensificamos a atuação política que havia nos carac- terizado em 2013. Temas cruciais como a aprovação do Marco Civil da internet, a crise na Universidade de São Paulo, a baixa representatividade das mulheres e das negras e negros nos es-

paços políticos e a violência arbitrária das polícias militarizadas foram debatidos ao longo do ano. Atuamos prioritariamente em torno de quatro eixos programáticos: a violência policial e insti- tucional, a reforma política, o combate às opressões de gênero, raça e sexualidade e o direito à memória e à verdade. No primeiro eixo, foram priorizadas intervenções políticas a casos de violên- cia policial ocorridos durante o ano, como a carta aberta ende- reçada aos secretários de segurança pública de São Paulo e do Rio de Janeiro, para que os presos políticos fossem libertados, bem como a carta pública de denúncia às violações de direitos humanos ocorridas no presídio de Pedrinhas no Maranhão, além da participação nos fóruns e atividades do coletivo “Por que o Senhor Atirou em Mim?”. No segundo eixo, a construção, junto

a centenas de movimentos sociais, da campanha do Plebiscito

Popular para a Reforma Política foi o maior destaque. Tivemos uma atuação comprometida com o fim do machismo e da homo- lesbotransfobia nos espaços de integração estudantis, como os Jogos Jurídicos e as festas universitárias. Por fim, quanto à me- mória e verdade, realizamos um grande ato em triste memória dos 50 anos do golpe civil-militar brasileiro e atuamos no Grupo de Trabalho da Comissão Estadual da Verdade para que crimes da ditadura fossem esclarecidos, tais como o assassinato do pre- sidente Juscelino Kubitschek.

É este compromisso com o aprofundamento democrá- tico no país que pretendemos levar adiante durante o próximo ano. O XI de Agosto construiu seu reconhecimento institucional através da participação ativa nas lutas democráticas de nosso país, tais como o “Petróleo é Nosso!” e as “Diretas Já!”. Este re- ferencial histórico de atuação junto aos movimentos populares inspira a nossa organização política a encampar bandeiras de transformação social. Trata-se da função primordial da nossa entidade estudantil. “Nem o amor, nem o ódio. A luta!” – Jorge Amado

¡Uma análise de conjuntura!

Conjuntura Nacional

Em 2014, completamos 12 anos da data na qual a esquerda políti- ca brasileira chegou ao mais alto posto do Executivo, encabeçando um governo de coalizão com forças de centro e direita. Diferente- mente da vitória da esquerda em vários processos eleitorais ocor- ridos em outros países da América Latina, como no Equador e na Bolívia, tal vitória não foi precedida de uma profunda crise das

instituições políticas nacionais, nem foi caudatária de um proces- so de mobilizações amplas de caráter popular, mas sim fruto de um longo acúmulo institucional como oposição às políticas neo- liberais iniciadas no governo Collor, em uma conjuntura marcada pelo refluxo do movimento de massas.

A vitória do Partido dos Trabalhadores (PT) em 2002

também se diferencia de outras realidades latino-americanas pela ausência de uma grande maioria de forças comprometidas com as

reformas sociais em curso nas esferas legislativas e na composição dos governos estaduais. As forças ligadas aos movimentos popu- lares , com menos de 25% dos assentos na Câmara Federal e no Senado, estabelecem acordos de compromisso com forças políti- cas que limitam a qualidade e a quantidade das reformas sociais necessárias a um modelo de desenvolvimento que supere defini- tivamente as heranças negativas das duas décadas perdidas (anos 80 e 90). Essas heranças, provenientes do desenvolvimentismo conservador do período militar e do neoliberalismo regressivo dos anos 90, são marcadas pelo aumento da miséria, pela concentra- ção de renda, pela ausência de políticas universalizantes de bem- -estar e pela dependência externa.

A leitura da realidade brasileira dos últimos anos permi-

te constatar que este último período teve como grande qualidade distintiva a reorientação do orçamento nacional e dos fundos pú- blicos para uma recuperação da capacidade de consumo das ca- madas populares. Através de medidas distributivas (como o Bolsa Família), da elevação constante do salário mínimo e dos salários em geral, da diminuição do desemprego, das políticas de apoio à

agricultura familiar e ao pequeno produtor e da facilitação do cré- dito e dos incentivos ao consumo, milhões de brasileiros entraram em um mercado de consumo antes restrito à classe média. Tal orientação política permitiu a elevação da renda na- cional, o grande motor de um crescimento econômico vertebrado pela expansão do mercado interno de massas. O Estado recuperou

a

capacidade de planejamento e investimento perdida nos anos 90

e

logrou se reestabelecer como centro indutor do progresso econô-

mico-social a partir da ação das empresas estatais e dos bancos pú- blicos, e também através do retorno das políticas de investimento em infraestrutura, abastecimento enérgico e moradia urbana. O adensamento da capacidade econômica do aparelho estatal e a for- ça do nosso mercado interno conquistada na última década per- mitiram que o Brasil estivesse preparado para enfrentar os efeitos da crise econômica de 2008, da qual saiu rapidamente e como um dos países menos afetados. Outra característica democratizante destes últimos anos

é notada a partir da expansão da rede de serviços públicos para estratos sociais historicamente marginalizados. Na educação, a expansão do número de vagas universitárias pela criação de mais de uma dezena de novas universidades federais, a implementação das cotas raciais e sociais nestas universidades, o investimento em centenas de cursos técnicos e profissionalizantes e o aumento de vagas para pessoas de baixa renda no ensino superior privado pelo PROUNI e FIES garantiram uma inédita inclusão social no país.

Política Externa

Na política externa, a integração latino-americana e caribenha e

a expansão das relações Sul-Sul foram, em nossa avaliação, cor-

retamente priorizadas. Uma diplomacia autônoma e altiva fez do Brasil uma referência global na projeção de um mundo mul- tipolar, caracterizado pelo fortalecimento da capacidade política dos países emergentes organizados nos BRICS nas negociações internacionais e pela consolidação de um bloco regional marcado por instituições políticas próprias – como o Mercosul e a Unasul-, criando as condições para a abertura de uma janela de superação das amarras e dos entraves gerados pela dependência das grandes potências, notadamente as ingerências historicamente negativas dos Estados Unidos no subcontinente.

Oposição

A oposição organizada no consórcio PSDB-DEM é cada vez mais

orientada e dirigida politicamente pelos grandes oligopólios da comunicação. Defensores de um retorno a uma política econômi- ca mais liberal e de uma política externa mais contida às diretrizes de Washington, destacaram pouco no debate público e nas críticas ao governo federal, ao longo dos últimos anos, um projeto polí- tico alternativo de país, preferindo concentrar sua artilharia nas críticas incidentais aos escândalos de corrupção e no discurso da moralização pública, orientação política bastante semelhante a utilizada pela anti-getulista União Democrática Nacional (UDN) nos anos 50 e 60 do século passado. Infelizmente, tal opção por omitir seu próprio programa e sua visão estratégica do país tira- ram de foco os debates antagônicos de projetos políticos e rebai- xaram a discussão pública nacional às denúncias generalizadas de corrupção, sem um debate realmente qualificado sobre as raízes profundas da existência desta.

As Limitações do Projeto de Governo em Curso e as Manifestações de Junho de 2013

A última década presenciou a entrada em cena de um proje-

to político alternativo ao neoliberalismo e à dependência exter- na que permitiu que o Brasil superasse o desemprego, elevasse a renda das populações mais pauperizadas e diminuísse de forma acentuada as desigualdades regionais em nosso território. No entanto, este projeto mostra também suas contradi- ções e limitações em uma série de aspectos da vida social e política brasileira. Reformas estruturais para a consolidação e radicaliza- ção da nossa democracia e bem-estar social não saíram do papel

e não houve um efetivo salto qualitativo na cultura política e no ambiente ideológico brasileiro, que permanecem retrógados, oli- garquizados e marcados pelo machismo, pelo racismo e pela ho- mofobia.

Não pode fugir à análise a percepção que, apesar dos avanços no campo para a agricultura familiar, a reforma agrária patina em comparação com a expansão do agronegócio. A urba- nização das metrópoles e grandes cidades brasileiras segue dire- cionada pela lógica voraz do mercado imobiliário, pela exclusão sócio-espacial e pela precariedade dos transportes públicos de massa, sem a contraposição de uma efetiva reforma urbana para tornar a vida nas cidades menos caótica e excludente. Nossa política tributária ainda incide principalmente na produção e no consumo, prejudicando o orçamento das famílias mais pobres e conformando um verdadeiro mecanismo de con- centração de renda. As taxas de juros elevadíssimas (apesar da desvalorização relativa na última década) e o câmbio flutuante e

sobrevalorizado constituem verdadeiros obstáculos ao aumento do investimento produtivo. Seguimos um preocupante processo de reespecialização produtiva orientada pelo setor primário e pela exportação de commodities e não conseguimos reverter o quadro de desindustrialização e predomínio do capital especulativo vivi- do pela economia nacional desde os anos hegemônicos do neolibe- ralismo.

Os meios de comunicação ainda são oligopolizados por pouquíssimas famílias, que estabelecem uma verdadeira ditadu- ra da mídia com prejuízo à pluralidade de opiniões necessária aos direitos à informação e à expressão. Nossas forças de segurança pública não foram desmilitarizadas e seguem inseridas na cultura do autoritarismo e da violência repressiva e assassina para com a população periférica jovem e negra. A reconstrução do Sistema Único de Saúde anda em marcha lenta em comparação com a cres- cente força dos planos privados de saúde. No plano da cultura política, não houve superação das práticas políticas antiquadas que regem a vida nacional há muitos anos. Ainda dão a tônica as alianças políticas marcadas pelo fisio- logismo em detrimento das plataformas políticas, o loteamento da máquina pública desprovido de qualquer compromisso ideoló- gico e a pressão de oligarquias incrustadas no aparelho de Estado por emendas parlamentares para satisfazer currais eleitorais. Em suma, ainda vivemos numa cultura política notadamente cliente- lista, patrimonialista, paroquialista e blindada à participação po- pular. Este quadro no qual a esfera pública é subtraída por grupos de interesse é desfavorável ao envolvimento político da sociedade civil e, com razão, motivo de muito descontentamento e indigna- ção popular. Outra consideração crítica necessária de ser feita diz respeito ao parco avanço no combate governamental voltado à superação de marcos culturais machistas, homofóbicos e racistas característicos do nosso teci- do social. O avanço do conservadorismo nos costumes é notório. A famigerada “bancada da bala”, em defesa da redução da maiorida- de penal e de penas cada vez mais rígidas, e a bancada evangélica, que ameaça o estado laico ao propor projetos de lei como a “Cura Gay’’, são tristes exemplos do crescimento exponencial do funda- mentalismo religioso e do ultraconservadorismo nas instituições políticas em detrimento do direito das mulheres, dos gays e de ou- tras minorias. O aborto, por exemplo, ainda é criminalizado ape- sar de tantas mulheres morrerem em clínicas clandestinas sem apoio estatal. Ainda somos o 7o país no ranking da violência do- méstica e menos de 10% do nosso Congresso Nacional é composto por mulheres, apesar de estas constituírem maioria demográfica.

A comunidade LGBTT permanece sem ter todos seus direitos

considerados, em uma aberrante situação de subcidadania com- parada ao resto da sociedade.

As evidentes limitações elencadas são não somente refle-

xo de um governo que pouco prioriza a disputa político-ideológica contra o conservadorismo e relega ao segundo plano o avanço dos costumes e das práticas políticas, mas também de uma institucio-

nalidade pública voltada à perpetuação do status quo. O financia- mento empresarial das campanhas, cada vez mais milionárias, o voto uninominal no lugar do voto em lista com paridade de gênero

e a representação distorcida nos Estados na Câmara Federal são

mecanismos de fortalecimento do poder econômico sobre as elei- ções, mitigando a participação popular nas instituições políticas e causa verdadeira de inúmeros escândalos de corrupção. Este complexo quadro de limitações à efetivação da de- mocracia brasileira e o insuficiente avanço das transformações sociais é o pano de fundo da entrada em cena de milhões de novos atores políticos em junho de 2013. Inicialmente voltadas ao direi- to à mobilidade urbana barata e de qualidade, as manifestações ampliaram sua pauta de reivindicações a incluir palavras de ordem pela melhoria da qualidade dos serviços públicos – principalmen- te saúde e educação - e críticas genéricas e difusas ao sistema polí- tico brasileiro. Sintoma claro da ausência de credibilidade das ins- tituições políticas, as manifestações colocaram na ordem do dia a

necessária reforma política.

A desaprovação do Congresso Nacional do projeto de

convocação de um plebiscito oficial sobre a reforma do sistema político-eleitoral brasileiro desejado pela presidenta Dilma evi- denciou a ausência de disposição de nossas instituições políticas de desejarem mudanças nos seus privilégios. Embora tenha sido rejeitado, o projeto foi encampado pelos movimentos sociais e organizações estudantis que organizaram um plebiscito popular reivindicando a pauta frente às autoridades. O Centro Acadêmi- co XI de Agosto- Gestão Coletivo Contraponto somou forças às iniciativas dos movimentos sociais e participou da organização da coleta de votos para a campanha do plebiscito na Faculdade, necessária ao acúmulo de forças para a reforma política, primeiro passo na efetivação de um novo ciclo de reformas estruturais de que o país necessita. Sem uma mudança profunda na qualidade de nossas instituições não obteremos êxito nas mudanças demo- cráticas que almejamos, com destaque para a reforma urbana, a reforma tributária e a democratização dos meios de comunicação.

2014: Copa do Mundo, Violência Policial e Eleições

A realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014, com seu êxito

econômico e organizativo aos olhos da opinião pública mundial, frustrou as expectativas catastrofistas de grande par- te da mídia e da oposição partidária, que apostava no caos organizativo e na paralisa da infra-estrutura de transportes e energia para angariar dividendos políti- cos contra o governo federal. No entanto, serviu tam- bém para escancarar diversos problemas que ainda sangram a realidade brasileira, como o trabalho pre- carizado, o rufianismo, a exploração sexual e as mora- dias irregulares. Organizações políticas e sociais que esperavam reeditar as grandes mobilizações populares do ano passado, durante a realização do megaevento, com pa- lavras de ordem abstratas e genéricas aos moldes do “Não Vai Ter Copa” não encontraram ressonância po-

pular expressiva nos seus apelos e convocatórias. Saiu- -se melhor quem conseguiu aproveitar a visibilidade e as contradições da realização do megaevento para

Avenida Paulista nas Manifestações de Junho de 2013.

e as contradições da realização do megaevento para Avenida Paulista nas Manifestações de Junho de 2013.
intervir de maneira propositiva na conjuntura, pleiteando direi- tos e reformas concretas. Caso de destaque

intervir de maneira propositiva na conjuntura, pleiteando direi- tos e reformas concretas. Caso de destaque foram as mobilizações dos movimentos de moradia, principalmente as organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) que tiveram o mérito de colocar a reforma urbana e a superação do déficit habi- tacional novamente em pauta, em um momento de expansão da especulação imobiliária e da subtração privada dos investimentos públicos direcionados para a Copa por parte do mercado imobiliá- rio.

Permaneceu em evidência, na Copa e ao longo de todo

o ano também, a repressão policial. O destaque infeliz das mani-

festações do ano passado, com sua brutalidade e arbitrariedade recorrentes, voltou a mobilizar a indignação da opinião pública nacional. Diversas manifestações, ao longo do ano, foram violen- tamente reprimidas, inocentes foram acusados e presos e vozes em defesa do endurecimento das leis e das penas voltaram a ser altissonantes. Ficou exposto o quanto a forma de atuação da polí- cia necessita de uma reforma: o modus operandi de “guerra ao ini- migo” característico dos aparatos de segurança pública não pode prevalecer em uma sociedade organizada em torno de princípios democráticos. A maneira como a greve dos metroviários foi trata- da pelas forças de segurança paulistas, assim como a desocupação violenta de uma ocupação urbana no centro de São Paulo no se- gundo semestre, sublinham o reacionarismo antiquado da corpo- ração militarizada das polícias. Consideramos o modelo de polícia

que atua junto aos civis através de princípios militares de atuação

e organização inadequado para promover verdadeiramente segu-

rança e justiça. Por isso, no ano de 2014, marcando os 50 anos do golpe militar de 64, nós, do Coletivo Contraponto, assumimos nossa posição pela defesa da desmilitarização da PM enquanto gestão do XI de Agosto. 2014 também é o ano de realização das eleições para os cargos executivos e legislativos, em âmbito nacional e estadual. O falecimento de Eduardo Campos e a ascensão de Marina Silva nas pesquisas é um dos fatores novos na disputa deste ano. A entrada

em cena da principal liderança política da Rede, através do Partido Socialista Brasileiro (PSB) transformou as eleições deste ano nas mais disputadas e polarizadas desde 1989. Escamoteando um pro- grama econômico que bebe das águas da ortodoxia liberal através do discurso da “nova política”, a candidatura da ambientalista se tornou um escoadouro dos desejos e aspirações contrários às ins- tituições políticas manifestados pela juventude em junho de 2013

e conseguiu pela primeira vez constituir uma alternativa eleitoral

à polarização política estabelecida desde 1994 entre PT e PSDB. Uma marca positiva das eleições tem sido o destaque que grandes temas concernentes ao futuro do país têm obtido na demarcação das diferenças políticas entre as três grandes candidaturas. Os debates em torno da independência plena do Banco Central, da regulação dos créditos bancários, da exploração econômica das

áreas do Pré-Sal, da flexibilização do mercado de trabalho e do papel do Estado na economia têm o mérito de configurar uma polarização programática radical no centro do debate elei- toral. Tudo indica que estas eleições serão as mais disputadas dos últimos anos.

Conclusão

Avaliamos, a partir da nossa leitura da realidade brasileira, que o Brasil viveu um im- portante processo de inclusão social e redução das desigualdades durante a última década, mas este ciclo dá sinais de esgotamento, visí- veis após as enormes manifestações de massa de junho do ano passado. É preciso um novo ciclo de reformas estruturais ser estabelecido

a partir da reforma política para que o país alcance um novo mo-

delo de desenvolvimento, ancorado no atendimento das deman- das manifestadas em junho por maior oferta e qualidade de bens

e serviços públicos e por uma efetiva democratização do poder po- lítico. É o compromisso com esta nova janela de desenvolvimento baseado em reformas estruturais e com o combate a todas as for- mas de preconceito e discriminação que prometemos manter no ano de 2015. Afinal de contas, viver é tomar partido!

O Estado de São Paulo

Em 2014, completam-se 20 anos de governo paulista sob

o comando do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Considerando que o partido em questão também participou de gestões anteriores, temos uma estabilidade de 32 anos do atual grupo na regência do Estado. Neste ano de eleições para os gover- nos estaduais, o atual governador Geraldo Alckmin logrou, com ampla margem de diferença em relação ao segundo colocado, se reeleger ainda no primeiro turno. Estas últimas décadas tiveram como norte estratégico uma lógica de diminuição do papel do Estado na vida econômica e enquanto promotor de direitos sociais. A diminuição progressiva da capacidade de investimento e planejamento do Estado, atra- vés de uma série de privatizações e terceirizações administrativas, levou a um sucateamento da máquina pública, hoje, incapaz de prover verdadeiramente as necessidades básicas de bem-estar e cidadania da população paulista. O enxugamento do Estado, necessário sob a ótica do projeto tucano, evidencia-se pela entrega da administração direta de uma série de serviços públicos às Organizações Sociais (OS). Um exemplo notório é o caro e ineficiente caso da saúde pública paulista, em que mais da metade dos hospitais foram entregues às Organizações Sociais de Saúde, acarretando aumento de cus- tos e precarização do serviço prestado. Este aumento da entrada do capital privado é orquestrado conjuntamente à diminuição do investimento público nesses serviços essenciais, como ficou ex- plicitado no atraso dos repasses do governo Alckmin à Fundação Santa Casa, culminando no fechamento da unidade de pronto-a- tendimento do Hospital Santa Isabel por falta de verbas. A carência de investimento público é presente também no falido sistema educacional do Estado. A falta de aporte de re- cursos nas instituições de ensino médio as torna insuficientes para o atendimento satisfatório das necessidades educacionais da juventude. Tal estrutura deficitária se reflete também nas más condições de trabalho dos professores e funcionários, com salá- rios carentes de reajuste e jornadas extenuantes. Em conjunto

com os problemas da educação básica, deixa evidente a crise do sistema educacional a grave situação financeira das três universi-

dades estaduais paulistas, que culminou em 2014 na maior greve de funcionários e professores de sua história.

Falta de Investimentos e de Água:

Uma Relação Direta

Muito além de um problema climático, a crise de abastecimen- to hídrico que marcou os noticiários por meses a fio, é um triste subproduto deste projeto em vigência de sucateamento sistemá- tico dos serviços públicos. Com a reserva prevista para acabar em poucos dias, o volume morto da Cantareira (de águas contamina- das por metais pesados) está quase no fim e pode deflagrar uma catástrofe hídrica no Estado que já era alertada desde 2003. O corte de verbas para a Sabesp, o problema dos vazamentos que consomem cerca de 30% da água potável, a falta de captação de outros sistemas e o descaso com os alertas de escassez mostram que a crise não é culpa do regime de chuvas, mas sim de uma falta de políticas públicas do atual governador e de investimentos em infraestrutura para lidar com o aumento da demanda por água.

Violência Policial e Criminalização dos Movimentos Sociais

Outra marca do projeto em curso nas últimas décadas é o uso in- discriminado da violência do aparelho estatal para conter as de- mandas sociais expressas em manifestações populares. Conflitos sociais são tratados como caso de polícia pelo atual governador. As forças de segurança paulistas operam sempre de forma violenta,

racista e autoritária devido ao caráter antipopular intrínseco à sua estrutura militarizada. Trata-se de uma polícia que pratica uma verdadeira política de extermínio da população jovem e negra das periferias urbanas. Um dado ilustra a dimensão da violência com que atuam as forças de segurança do Estado: entre 2006 e 2010, a PM paulista matou 2.262 habitantes, proporcionalmente 9 vezes mais do que a polícia dos EUA inteira matou no mesmo período, proporcionalmente ao número de habitantes.

A truculência do governo estadual se fez presente na

reintegração de posse da comunidade de Pinheirinho em São José

dos Campos no início de 2012, na reintegração da ocupação urba- na São João no Centro de São Paulo no segundo semestre deste ano, no trato às manifestações de junho de 2013 – cuja escalada

e

intensidade avançou conforme o aumento da violência estatal

-,

na prisão ilegal de manifestantes em 2014, como Fábio Hideki

Rafael Lusvarghi e na repressão às greves dos funcionários do metrô, da USP, da UNICAMP e da UNESP.

e

A greve dos metroviários pode ser encarada como exem-

plo da falta de diálogo do governo com seus trabalhadores. No início do ano, houve a deflagração da greve em busca de reajuste salarial e melhores condições de trabalho. O movimento paredis- ta foi reprimido com extrema truculência pela Polícia Militar do Estado, mesmo com o sindicato oferecendo a possibilidade de sus-

pender a greve através da adoção da catraca livre, ou seja, sem co- brança de passagem e com oferta regular do serviço à população. Recusando-se a aceitar a proposta e a negociar junto aos trabalha- dores as demandas do movimento, o governo estadual optou por adotar o enfrentamento policial para a dissolução dos piquetes e operar as linhas do metrô de forma atabalhoada, com realocação de funções. O confronto resultou na demissão de 42 trabalhado- res e trabalhadoras do metrô, a maioria dirigentes ou delegados dos sindicatos, com a clara intenção de prejudicar o movimento e enfraquecer os grevistas. A greve foi declarada abusiva pelo TRT

e multas astronômicas foram aplicadas, mostrando o papel de

classe do Judiciário. O amplo apoio da população à greve, porém,

entrou em contraste com as posturas da Justiça e administração estaduais: 82,2% das pessoas concordavam com a pauta dos gre-

82,2% das pessoas concordavam com a pauta dos gre- vistas. Conclusão Consideramos, pois, o atual projeto

vistas.

Conclusão

Consideramos, pois, o atual projeto político vigente no estado an- tagônico à nossa concepção de desenvolvimento social apto a su- prir as demandas populares por maior oferta e qualidade de bens

e serviços públicos, bem como a reduzir as desigualdades sociais e garantir a efetivação de uma sociedade menos autoritária e mais justa. Tanto o enfraquecimento da capacidade do Estado em indu-

zir o desenvolvimento econômico e promover direitos sociais – ca-

racterísticos da lógica do Estado mínimo - quanto a truculência de seu aparato repressivo na criminalização dos movimentos sociais são obstáculos às transformações rumo ao estado de São Paulo que desejamos.

Conjuntura da USP

Os quatro anos de gestão do ex-reitor João Grandino Rodas na

Universidade de São Paulo foram verdadeiros marcos de autori- tarismo e descaso administrativo, legando ao seu sucessor um quadro financeiro verdadeiramente catastrófico. Completamen-

te intransigente no atendimento das demandas da comunidade

acadêmica, destacou-se pela retomada de normas criadas durante

a

ditadura para reprimir e criminalizar o movimento estudantil.

O

assédio moral e até mesmo a expulsão de estudantes foram

instrumentos utilizados recorrentemente como arma de chanta- gem e pressão da reitoria para amordaçar as mobilizações estu- dantis. Marca mais simbólica ainda de sua truculência foi o esta-

belecimento do convênio com a Polícia Militar: nem nos anos de chumbo da ditadura militar o patrulhamento ostensivo de forças públicas militarizadas foi utilizado em caráter permanente pela administração universitária. O autoritarismo militarizado foi acompanhado de uma expansão da política da terceirização em nossa Universidade. Tal

política tem como norte reduzir os custos trabalhistas, precarizar

as condições de trabalho e dificultar a organização e luta política

das e dos trabalhadores. Não foram raros os casos de falta de paga- mento de salários por parte das empresas terceirizadas nem a inti- midação administrativa como forma de contenção das atividades organizativas e reivindicatórias das terceirizadas e terceirizados.

A Faculdade de Direito conheceu bem esta realidade, durante o

ano passado, ao ser palco de intimidações e realocação de funcio- nárias do serviço de limpeza que tentavam lutar por seus direitos.

O Coletivo Contraponto se coloca contrário aos contratos de ter-

ceirização em vigência na Universidade. O descaso com as contas públicas e com a transparência administrativa culminou em um rombo financeiro deixado por João Grandino Rodas ao seu sucessor na reitoria, Marco Antônio Zago. A folha de pagamento inflada a 106% do Orçamento da USP

foi pretexto para que o novo reitor colocasse em prática um pro-

grama de arrocho salarial, corte de gastos com pesquisa, extensão

e permanência estudantil e desmanche da estrutura administrati-

va da Universidade, através da tentativa de desvinculação de im- portantes instituições universitárias, como o Hospital Regional de Anomalias Crânio-faciais (HRAC), popularmente conhecido como Centrinho de Bauru, e o Hospital Universitário (HU). A postura intransigente da reitoria, sem disposição em

negociar, levou as e os funcionários organizados no Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e grande parte das e dos docentes

e discentes a deflagarem a maior greve da história de nossa Uni-

versidade, de duração de 116 dias. Durante todo o curso do mo- vimento, a reitoria se recusou sempre a negociar e a buscar solu- ções para as demandas apresentadas, intervindo por vias judiciais e administrativas, como o infame corte-de-pontos, para coibir qualquer manifestação contrária às suas diretrizes. Nota-se que o que estava em disputa na greve era muito mais do que um simples reajuste, mas a própria concepção de modelo de universidade. A reitoria, deixando claro seu projeto, promoveu após o arrocho sa- larial, o corte de pontos dos grevistas. Promoveu, por fim, o Plano de Demissões Voluntárias (PDV) com a intenção de se desfazer de um quinto do quadro de funcionários e pressionar, através de estímulos materiais, pelo fim de greve sem atender a nenhuma reivindicação apresentada. Apesar da forte resistência da reitoria, acordo mediado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), resul- tou em um reajuste salarial de 5,2%, sendo, assim, uma vitória parcial da categoria das e dos funcionários da Universidade. Cumpre observar que a saída encontrada pela reitoria para a crise financeira foi o ataque aos salários das e dos trabalha- dores e ao caráter público da Universidade, e não a busca por mais

recursos financeiros advindos do setor público e a promoção

de sua alocação responsável e transparente. Nós, cumprin- do nosso papel enquanto movimento estudantil, cerramos fileiras ao lado das e dos trabalhadores em defesa do mo- delo de universidade que acreditamos: pela reivindicação de maiores repasses do ICMS para o orçamento da Universida- de, pelo reajuste salarial, pela suspenção do corte de pon- tos e do PDV, pela manutenção do HU e do HRAC e pela abertura das contas públicas por um colegiado com repre- sentatividade paritária das três categorias. Realizamos uma paralisação em defesa das bandeiras grevistas e defendemos posteriormente uma greve em nossa Unidade, além de arti- cularmos um parecer jurídico contrário aos desmandos da reitoria.

O Coletivo Contraponto, em 2015, se compromete a manter sua postura combativa, em defesa de tra qualquer tentativa de sucateamento e privatização desta. Na Faculdade de Direito, vivenciamos, uma vez mais, a insuficiência das estruturas administrativas em atender as necessidades e demandas das e dos estudantes. Novamente, as matrículas apresentaram graves problemas:

diversos alunas e alunos sequer conseguiram se inscrever no semestre devido às mudanças de regras pouco claras e a pos- tura intransigente por parte dos órgãos decisórios quanto a esta questão. Ficou, mais uma vez, nítido o caráter antide- mocrático e de blindagem às reivindicações da comunidade discente por parte dos órgãos de decisão administrativa, tais como a Comissão de Graduação (CG) e a Congregação, formadas majoritariamente por docentes. Reivindicações das e dos estudan- tes por matrículas regularizadas e pela aprovação do novo Plano Polí- tico Pedagógico (PPP) foram aber- tamente rechaçadas, apesar da ampla adesão da comunidade dis- cente. Comprometemo-nos a lutar pela paridade das três categorias (estudantes, funcionários e pro- fessores) nas instâncias deliberati- vas para que tais demandas sejam concretizadas em procedimentos verdadeiramente democráticos.

em procedimentos verdadeiramente democráticos. Votação de Assembéia dos Trabalho- res do SINTUSP. ¡O XI

Votação de Assembéia dos Trabalho- res do SINTUSP.

¡O XI na Política!

Ao longo de seus 111 anos de história, o Centro Acadê- mico XI de Agosto sempre teve um relevante papel de interven- ção da sociedade; e ao mesmo tempo que em muitos momentos serviu como mais uma força conservadora, em outras tantas oportunidades foi motivo de orgulho, cerrando fileiras com as forças progressistas de seu tempo e contribuindo para o avanço do país.

No ano de 2014 buscamos, enquanto gestão do XI de Agosto, recuperar a sua participação na sociedade enquanto or-

ganização do movimento estudantil respeitada e referenciada. Dessa forma, o XI, que em 2013 se mostrava preso às arcadas e apenas a discursos corporativistas, passou a acompanhar de perto e criar relações com uma série de movimentos sociais e acadêmicos. Sendo eleito com um programa que dava grande cen- tralidade à problematização da violência policial, participamos fortemente da campanha ‘Por Que o Senhor Atirou em Mim?’, que luta pela desmilitarização das polícias. Ao nosso lado esta-

vam organizações como o Movimento Mães de Maio, a Rede 2 de Outubro, a UNEAfro, o MTST, dentre outros. Tal campanha teve seu ápice no dia 01 de Abril, com um grande ato na Ave-

nida Paulista pelo Direito de Manifestação – a ideia era ligar a triste efeméride dos 50 Anos do Golpe Militar para exigir o fim da violência policial em manifestações de rua. Este ato contou com público superior a 5.000 pessoas e teve a presença do XI de Agosto, uma das entidades a assinar a convocatória. Ainda em 2014, o XI acompanhou a campanha por um ‘Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva pela Refor- ma do Sistema Político’. Ao lado de outras 400 organizações da sociedade civil, trouxemos à tona o plebiscito popular pela Constituinte Exclusiva, pauta central para o aprofundamento de nossa democracia. Esta campanha gerou frutos: do dia 1º a 7 de Setembro as urnas colocadas em todo o país (inclusive na São Francisco!) coletaram mais de 7 milhões de votos favoráveis! O resultado será entergue para a Presidenta da República e para

o Presidente do STF, mas, para

além de efetivamente conseguir

a convocação de uma Consti-

tuinte, a campanha cumpriu seu papel ao colocar esse debate em voga na sociedade durante o pe- ríodo de campanha eleitoral. Por fim, nossa intensa cons- trução política ao longo do ano se

nossa intensa cons- trução política ao longo do ano se deu não apenas nos casos relatados

deu não apenas nos casos relatados acima, mas, também, na

realização de eventos em nossa Faculdade, nos quais a presença de representantes de movimentos sociais era uma constante. A reaproximação do XI de Agosto com os movimentos sociais se concretizou de maneira simbólica ao sermos convidados pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) para compor

a mesa de um ato contra a criminalização do movimento e da

luta por moradia digna. O MTST é um dos movimentos sociais com maior força mobilizadora na atualidade O “Ato-Debate” contou com a presença de mais de 12.000 pessoas no vão do MASP, cuja maioria era com- posta por famílias ligadas ao movimento. A mesa contava com a presença de pessoas como o Senador Eduardo Supli- cy, a Candidata à Presidência da República Luciana Genro,

dentre outros, e a única orga- nização que representava o mo-

vimento estudantil era o XI de Agosto. Muito além da relevância de nossa fala em defesa do MTST e da Reforma Urbana naquele ato, nossa presença ali representou aquilo que mais defendemos para o XI de Agosto:

uma entidade que, ao mesmo tempo que debate política com as

e os estudantes, luta diariamente pela efetivação da cidadania ao lado de outros atores sociais.

efetivação da cidadania ao lado de outros atores sociais. ¡O XI em 2014! A seguir encontramos

¡O XI em 2014!

A seguir encontramos algumas atividades de nosso coletivo nesta gestão:

Crise na USP: com relação à mobilização para a greve da USP, desde o seu início buscamos ter uma atuação responsá- vel e coerente com nossos valores, a partir das condições ob- jetivas da faculdade, puxando paralisação e posteriormente greve. Estivemos presentes à grande maioria da assembleias estudantis, demos centralidade à questão em nosso 3º jornal e em um evento na Semana do XI. Tão logo houve a notícia do corte de pontos, juntamos um parecer jurídico contrário do jurista Danilo Uler Correglian, além de estarmos presentes na Congregação que levou a questão em pauta.

Matrículas e PPP: tivemos um papel importante na questão dos “12 créditos dos quintanistas”, ainda em 2013. Também construímos junto a outros grupos organizados as mobilizações pela aprovação do Projeto Político Pedagógico (PPP) e pela regularização das matrículas dos e das estudan- tes prejudicados.

50 Anos do Golpe Militar e a Desmilitarização

das Polícias: realizamos uma série de intervenções visu- ais na ocasião da “descomemoração” dos 50 anos do golpe. Na noite de 1º de abril deste ano, um grande ato em memória a este sombrio acontecimento de nossa história foi realizado na Sala dxs Estudantes.

Semanas temáticas: organizamos semanas de debates, como a “Semana do 1º de Maio”, que abordou as perspectivas do sindicalismo e a “Semana Luiz Gama”, sobre a questão do

negro e da negra em nossa sociedade.

Rodas vivas, eventos e aulas públicas: durante o

ano, passaram pelas arcadas nomes como Fernando Haddad, Leda Paulani, Luis Nassif, Eduardo Suplicy, Leci Brandão, Plí- nio de Arruda Sampaio, Luiz Gonzaga Belluzzo, Luis Roberto Barroso, Gilberto Carvalho, João Pedro Stédile entre outros.

Cine XI: estabelecemos no calendário franciscano séries de apresentações de filmes e documentários no projeto “Cine XI”, com facilitadores para os debates, como “lobo de Wall Street”, com comentários do professor Alessandro Octavianni.

XI Tomando Partido: atuamos frente aos aconteci- mentos da política brasileira, nos posicionando publicamen- te, quando houve a reação conservadora aos “rolezinhos” e à greve dos metroviários de São Paulo, quando da violência da Polícia Militar paulista, da crise humanitária do presídio de Pedrinhas e das declarações homofóbicas proferidas por Levy Fidélix na Record. Além disso, uma nota contra o machismo nos Jogos Jurídicos acendeu o debate sobre o machismo nas competições entre as faculdades de direito do estado.

Combate às Opressões: não aceitamos a oferta da cer- veja machista “Devassa” - alvo de processo judicial contra seu racismo publicitário -; elaboramos uma série de adesivos con- tra a homolesbotransfobia e o machismo nas festas da San- fran; não trouxemos as passistas negras para o Grito do peru, reforçando o combate ao machismo e ao racismo. Repudia- mos as práticas homofóbicas presentes na Carecas do Bosque.

Também marcamos presença em manifestações populares, construindo o “8 de março” e estivemos presentes na Parada LGBTT de São Paulo.

Congressos e Cursos Acadêmicos: realizamos com

êxito o curso “Direito e Políticas Públicas”. Houve ainda o congresso “80 Anos da Teoria Pura do Direito” e está com

data marcada para o mês de novembro o congresso “Direito

e Lutas do Movimento LGBTT”, além de termos construído o

VIII encontro nacional da Associação de Direitos Humanos,

pesquisa e Pós-graduação (Andhep). Todos gratuitos e aber-

tos ao público.

Acessibilidade: procuramos melhoras nas condições de trânsito para os e as cadeirantes no interior da Faculdade. Construímos uma rampa de madeira no terceiro andar para dar acesso a três salas. Além disso, temos encaminhado junto à diretoria um projeto arquitetônico de adaptação do porão.

Festas e Atividades Lúdicas: além

de cumprir com as festas tradicionais da Sanfran, como o FICA, a Cervejada do XI e o Baile do XI - cumprindo sempre nosso compromisso com os preços igualitários -, inovamos ao dar ênfase às festas do porão. Tivemos forró durante algumas terças-fei- ras, samba ao vivo, roda de choro, muitos shows e atividades diversas. O FEMA vem sendo um sucesso. E mais: tivemos a Gin- cana dxs Calourxs bastante elogiada, tendo entre suas regras a de que as provas deve- riam ser cumpridas atentando-se ao comba- te ao machismo, ao racismo e à homofobia.

estudantes. Prova disso foi termos encontrado a grande maio- ria dos livros contábeis do período 1988-2012, que estavam desaparecidos. Espaços Estudantis: realizamos uma reforma nas ins- talações elétricas com a ajuda do Bar do seu Chico, com o in- tuito de tornar o ambiente mais seguro. Além disso, discuti- mos a questão do fumo no porão através de reuniões abertas e, cumprindo a lei, instalamos placas sinalizadoras para evitar ônus maiores pela sua ausência.

Comunicação: reformulamos o jornal do XI, dando-lhe o nome de “Tribuna Livre”; reformulamos o site do XI, afim de que este se tornasse mais funcional, contando com o Portal da Transparência e com nossos eventos no Youtube. Aula Pública sobre Judicialização da Política com o Ministro Barroso na Semana do XI

da Política com o Ministro Barroso na Semana do XI Tesouraria : d iferenciamo-nos das outras

Tesouraria: diferenciamo-nos das outras gestões atuando

com transparência máxima sobre nossos números. No Site do

XI é possível visualizar planilhas que contém o balanço finan-

ceiro do Centro Acadêmico desde dezembro de 2013, quando começou a gestão do Coletivo Contraponto, até os meses mais próximos.

Situação tributária e o Campo do XI: demos enca-

minhamentos práticos a um problema que vinha sendo passa-

do de gestão para gestão nos últimos 20 anos, tendo tido pela

primeira vez centralidade para que seja solucionado em de- finitivo. Para tanto, foram realizadas diversas reuniões com professores, com membros do Executivo e Legislativo muni- cipais, com entidades da Faculdade, como o Departamento Jurídico XI de Agosto e Atlética, e naturalmente, com os e as

Reuniões abertas: ampliamos os nossos espaços de discussão com a criação de reuniões periódicas do conselho de representantesde sala. Buscamos também debater nossas pautas prioritárias em reuniões abertas com a Faculdade.

Cota livre de xerox: reativamos a cota livre de xerox que favorece a democratização do debate político. Para nós, a ampliação e a pro- fusão de textos das mais diversas matizes políticas e culturais da Fa- culdade é uma questão de princípio, não podendo ser determinada única e exclusivamente pela busca do lucro.

Essas foram algumas das atividades desenvolvidas por nossa gestão. Nas próximas páginas seguem as principais propostas do Coletivo Contraponto para 2015.

¡Campanha 2014:

Democratização da Política!

Como já constatamos em nossa análise de conjuntura nacional, ainda hoje somos reféns de uma cultura política impe- ditiva à participação popular e à presença de mulheres, negros e minorias sexuais. As massivas mobilizações de junho de 2013,

ao vocalizar o grande descontentamento popular com as institui-

ções políticas nacionais, colocaram na ordem do dia a necessida-

de de uma real democratização das estruturas de poder do país.

A partir desta avaliação, o Coletivo Contraponto se compromete a realizar uma campanha, ao lado de movimentos sociais e atores de relevância da sociedade brasileira, no ano de 2015, pela democratização da política brasileira. As mu- lheres, as negras e os negros e a população LGBTT devem ter seus interesses efetivamente representados na sociedade bra- sileira. A lógica do financiamento empresarial de campanhas

deve ser superada para que nossa democracia se consolide com o fim das distorções oriundas da força do poder econômi-

co sobre as eleições. O fisiologismo deve dar lugar à discussão

programática intensa. As práticas políticas atrasadas têm de ser substituídas pela participação cidadã ativa. Estas são al- gumas das principais questões que pretendemos trazer no próximo ano através de textos, eventos, formações abertas e congressos para a realidade da política acadêmica franciscana.

a sobrecarga deserviços domésticos. Além disso, boa parte das candidaturas masculinas é de empresários, detentores de meios produtivos - e a exclusão da mulher ocorre, também, nessa esfera de poder. Por conta disso, as candidatas pouco conseguem finan- ciamento para suas campanhas, emprestando seus nomes, mui- tas vezes, somente para preenchimento dos 30% obrigatórios por lei. Ou seja, não se vê esforço nos partidos políticos brasilei- ros em dar condições às mulheres para que possam participar e se interessar pelos espaços públicos; e nem mesmo nosso siste- ma político favorece isso, já que os votos são extremamente per- sonalistas, descompromissados com a ideologia partidária e o fi- nanciamento das campanhas depende basicamente de “doações” (na realidade, verdadeiros investimentos) de entes privados.

O PODER ECO- NÔMICO E A DISTORÇÃO DA DEMOCRACIA BRASILEIRA Cada vez mais o sistema po- lítico transforma a cidadania em uma relação meramen- te passiva, já que participação po- pular é mitigada a fim de não ferir os interesses dos que mais ganham com as eleições: o poder econômico de alguns grupos. Campanhas mi- lionárias são financiadas por grandes empresas, na expectativa de, mais tarde, obterem benefícios públicos dos seus candidatos no poder. A ingerência do capital privado no sistema político-eleitoral funciona como verdadeiro mecanismo de subtração da soberania popular por grandes grupos econômicos. Inúmeros são os casos de fraudes em que o congressista beneficia, através das licitações, a empresa que financiou sua campanha; em que o parlamentar vota um Projeto de Lei visando não aos interesses da população, mas, sim, aos interesses de seus financiadores; dentre tantos outros exemplos nos quais a iniciativa privada obtém privilégios como retribuição ao dinheiro “doado”. A situação chega a tal ponto que a divisão suprapartidária das bancadas expressa melhor a situação do Congresso Nacional e os interesses a serem defendidos ali do que os próprios partidos: são as bancadas dos empresários, dos rura- listas, das comunicações que determinam os rumos do Legislativo brasileiro. É possível perceber, portanto, que as campanhas não são financiadas por doações de empresas, mas, sim, por em- préstimos feitos aos candidatos, os quais pagarão os va- lores possivelmente com juros após eleitos. Dados mostram que para cada real investido por empresas nas cam- panhas eleitorais, houve um retorno de R$8,50, ou seja, 850%. Alguns números são exemplificativos da completa falta de sintonia que tal distorção econômica gera entre os eleitores e os representantes políticos. De 513 deputados e 81 senadores da atual legislatura, 273 representam o empresariado (46%) e 160 (26%) são representantes do agronegócio – somados, empre- sários e ruralistas são 72% dos assentos congressuais. Na outra ponta, apenas 91 deputados e senadores (15%) representam os trabalhadores. Desses números, depreende-se uma constatação:

os setores sociais numericamente majoritários entre a população brasileira são minoritários na ocupação de postos políticos nas instituições públicas nacionais. Quando fazemos o recorte de gê- nero e raça, as distorções ficam ainda mais evidentes: apesar de

MULHERES E NEGR@S: MAIORIAS DEMOGRÁFICAS, MINORIAS POLÍTICAS

O Brasil é um país de pouco mais de duzentos milhões

de habitantes, de população majoritariamente negra e parda, da qual se estima que para cada cem mulheres a razão de homens seja de 96. Ape- sar de maiorias absolutas, as po- pulações negras

e de mulheres

são sub-repre- sentadas nas esferas de poder - tanto no Legis- lativo, quanto no Executivo.

-

de poder - tanto no Legis- lativo, quanto no Executivo. - e flexo de uma cultura

e flexo de uma cultura patriarcal, escravocrata e colonialista, as estrutu- ras de poder no Brasil são restritas a grupos bastante ho- mogêneos, de maioria masculina, branca e abastada. Não

obstante,nossoatualmodeloeleitoralepolíticofavoreceamanuten-

çãodestasituaçãodiscrepantenarepresentatividadedapopulação. A primeira prefeita brasileira foi eleita em 1928, no interior do Rio Grande do Norte, antes mesmo que as mulhe-

R

res

pudessem votar (foi, também, a primeira eleita na Améri-

ca

Latina). Apesar de muita luta nas décadas que se seguiram,

primeira governadora a ser eleita foi Roseana Sarney, em 1994, pelo estado do Maranhão. Em uma tentativa de reme-

a

diar tal assimetria, a Deputada Federal do PT-SP Marta Supli-

cy propôs o primeiro projeto de lei que estabelecia cotas para

mulheres na política, o qual foi subscrito por outras trinta de- putadas, em 1995. O primeiro resultado de tal iniciativa foi

a incorporação de 20% de mulheres candidatas, no mínimo,

na Lei n. 9.100/1995, que em seu artigo 11o, p. 3o estabelece:

“Vinte por cento, no mínimo, das vagas de cada partido ou co- ligação deverão ser preenchidos por candidaturas de mulheres”. Vinte anos depois, podemos observar que tais dis- crepâncias continuaram a ser reproduzidas em nosso sistema político. Em 2012, a composição da Câmara dos Deputados

brasileira era de 8,77% do total, e, no senado, a situação era

de 12 senadoras para 81 lugares. É importante lembrar que a

Lei no. 9.504/1997 elevou o número de candidaturas femini- nas obrigatórias para 30%: “Art. 10 § 3o Do número de vagas

resultantes das regras previstas neste artigo, cada partido ou coligação deverá reservar o mínimo de trinta por centro e o máximo de setenta por cento para candidaturas de cada sexo”.

Por diversas razões, a implementação das cotas para

mulheres em nosso sistema político não surtiu efeito. Primeira- mente, podemos elencar as dificuldades cotidianas da participa- ção feminina nos espaços partidários, desde ambientes hostili- zantes e machistas, até a dupla jornada das trabalhadoras com

mais da metade da população brasileira ser composta por mulhe- res, estas somam apenas 9% do Congresso Nacional. A percen- tagem de negros é igualmente insignificante (apesar de 51% se autodeclararem negros no Brasil) – apenas 8,5%. Os jovens (pes- soas de 16 a 35 anos) são 40% do eleitoral do país e apenas 3% estão presentes nas mais altas esferas da nossa vida institucional. Na reflexão de nosso coletivo, apenas o estabeleci- mento do financiamento exclusivamente público de campa- nhas pode alterar este quadro. Através de tal mecanismo, a representação dos mais diversos setores sociais nos espaços de poder político será mais condizente com a força social que possuem independentemente de suas vantagens econômicas. Outro ponto a ser levado em consideração é o cunho personalista que permeia todo o processo eleitoral devido à prevalência do voto uninominal. O grande problema deste sis- tema é que, ao contrário do que as campanhas individuais pre- gam, o representante, por mais bem intencionado que seja, não consegue fazer nada sozinho. Ao votarmos em pessoas e não em projetos políticos, reiteramos a cultura paroquialista e fisio- logista tradicional do nosso sistema político. Tal cultura contri- bui para a baixa discussão em torno de programas e ideias e o mascaramento dos grupos de interesse que atuam em torno das candidaturas. O voto em lista fechada, com paridade de gêne- ro para reforçar a participação feminina, pretende reduzir esse problema ao escantear as discussões de personalidades indi- viduais e abrir espaço prioritário aos programas partidários. Outro debate que deve ser feito diz respeito à lógica das coligações partidárias. A defesa das coligações se pauta no fato de elas supostamente constituírem um instrumento de sobrevi- vência das minorias nas eleições proporcionais, dado que a sua lógica permitiria que agremiações políticas de maior expressão pudessem elevar o número de candidatos de partidos menores aos cargos legislativos. No entanto, é esse mesmo modelo o responsá- vel por inúmeras distorções eleitorais que favorecem negociatas

e estímulos a criação de “legendas de aluguel”, ao permitir que

partidos com pouca ou nenhuma identificação programática se unam em grandes coalizações. Faz-se imperativa a aplicação da cláusula de barreira a fim de evitar que partidos sem um número mínimo de votos em uma eleição nacional continuem a existir. Evitar-se-ia, assim, que partidos sem representatividade, postos,

muitas vezes, a funcionar a partir de relações fisiológicas, desvir- tuem o sistema proporcional de eleição e seriam criadas as con- dições necessárias ao fortalecimento de partidos políticos com grande força social, essenciais para qualquer regime democrático. Podemos concluir que a pressão efetuada pelo po- der econômico sobre o sistema político impede a discussão sa- tisfatória de pautas mais caras à grande maioria da sociedade brasileira. Reforma agrária, reforma urbana, reforma tributá- ria, reforma do judiciário, entre outras, são tolhidas do deba- te, pois afetam diretamente os interesses dos grandes grupos financeiros. É por tal motivo que a reforma política é essen- cial para que se abra uma nova janela histórica de desenvolvi- mento no país, ancorado em reformas estruturais que levem

à democratização da riqueza e do poder em nossa sociedade.

MÍDIA OLIGOPOLIZADA: ENTRAVE À DEMOCRATIZAÇÃO DA SOCIEDADE

Nos últimos 50 anos as inovações tecnológicas iniciaram

um processo de modificações radicais na comunicação de massa.

A revolução digital dissolveu as fronteiras entre os diversos ramos

de atuação da mídia. Uma das consequências de tal processo é a transformação da economia política do setor. A privatização dos serviços de telecomunicação, que aconteceu em todo o mundo nas últimas décadas, ocasionou compras, fusões e parcerias e provocou

uma concentração horizontal, vertical e cruzada sem precedentes. A presença de oligopólios midiáticos não é segredo para ninguém. No Brasil, seis famílias controlam 70% da infor- mação. Grande parte deste patrimônio altamente concentrado foi conquistada mediante relações promíscuas de tais grupos fami- liares com governos autoritários, principalmente no período da ditadura militar. A Rede Globo, por exemplo, possui 227 veícu- los, entre próprios e afiliados. Além de ser um enorme conglo- merado, é o único que detém ingerência direta em todos os tipos de mídia e que está presente em todos os estados da federação. Sozinha, a Rede Globo detém mais da metade do mercado televi- sivo brasileiro. Esta clara afronta à pluralidade da mídia é garan- tida por um marco regulatório datado, ainda do início dos anos 60, que sequer contempla as inovações tecnológicas do setor. A permissividade à propriedade cruzada, uma aberração jurídica proibida na maior parte dos países, permite que um mesmo gru- po econômico detenha vários setores da mídia em uma mesma localidade: caso da Rede Globo no Rio de Janeiro, por exemplo. A voz que nos informa é uníssona e não representa a miría- de de interesses, manifestações culturais e visões de mundo existen- tes no nosso rico território nacional. As particularidades regionais são ignoradas pela lógica concentracionária do poder midiático. Quando grupos minoritários dominam a informação, é a democra- cia brasileira quem sai perdendo. Uma mídia democratizada não é o amordaçamento da liberdade de imprensa, como os grandes gru- pos de comunicação alegam, mas sim maior pluralidade de vozes contempladaspelasconcessõespúblicasepelasverbaspublicitárias.

POLÍTICA: O POVO QUER PARTICIPAR!

Com esses três pontos em seu norte estratégico, o Co- letivo Contraponto pretende levar a cabo a campanha de demo- cratização da política. Entendemos que as deliberações concer- nentes às grandes questões da vida social devem ser discutidas amplamente por todos os setores da sociedade. Queremos a ga- rantia de acesso dos grupos historicamente marginalizados aos espaços de tomada de decisão, a reforma ampla do nosso sistema político-eleitoral e a descentralização do poder de informação e expressão, hoje concentradas nas mãos de alguns poucos grupos. Para tanto organizaremos uma revista acadêmica com textos de autoridades no assunto, movimentos sociais e estudio- sos, assim como publicações emitindo o posicionamento da pró- pria gestão. Uma coluna fixa no periódico “Tribuna Livre” tratará sempre tais questões com foco e centralidade, a fim de demonstrar que permeiam o nosso cotidiano mais do que comumente se ima- gina. Para aprofundarmos melhor o assunto, nossos congressos acadêmicos serão voltados aos temas ou os abordarão de maneira transversal e em intersecção com temas ligados ao mundo do Di- reito. Além, é claro, da devida presença nas semanas de eventos mais tradicionais da Faculdade: a Calourada e a Semana do XI. Vamos lutar por uma nova maneira de se fazer política neste país!

da Faculdade: a Calourada e a Semana do XI. Vamos lutar por uma nova maneira de

¡Comunicação!

DescentralizaçãoAdministrativa

O Centro Acadêmico XI de Agosto, pelo grande acúmulo de

responsabilidades, tem uma enorme gama de assuntos para administrar,

o que causa um grande inchaço de burocracia e atola a gestão em traba-

lhos gerenciais. Dessa forma, o Coletivo Contraponto, ciente dos proble- mas encontrados na instituição, buscará uma descentralização adminis- trativa para que se possam ampliar os espaços deliberativos e construir

juntos com os e as estudantes uma gestão mais próxima e participativa.

Conselho de Representantes de Sala

Visto que a comunicação é um grande entrave para que as melhorias sejam realizadas, os Conselhos de Represen- tantes de Sala serão uma via de diálogo para as demandas, re- clamações, opiniões e críticas de todos e todas que não podem,

pelos mais variados motivos, fazer isso pessoalmente. Os e as repre- sentantes, encaminhando esses pontos à reunião, discutirão conos- co qual a melhor forma de saná-los. As reuniões serão bimestrais

e atenderão os dois turnos, ou seja, realizadas de manhã e à noite.

Conselho de Entidades

Nossa Faculdade abriga diversas entidades que cumprem

variados tipos de serviço à sociedade, seja ela como um todo ou ape- nas restrita ao corpo discente. Para o melhor desenvolvimento das atividades dessas entidades, o diálogo frequente com o Centro Aca- dêmico se mostra essencial. Dessa forma, o Conselho de Entidades abarcará essa função, fazendo com que se estabeleçam melhores ca- nais de comunicação institucional de modo que o Centro Acadêmico

se torne cada vez mais próximo às suas questões. Essas reuniões serão

realizadas bimestralmente e, havendo demandas mais urgentes, reu- niões extraordinárias poderão ser chamadas pelas próprias entidades.

Socialização de convites

Não raramente, o Centro Acadêmico recebe convi- tes para as mais diversas atividades, desde festas a seminá- rios e palestras, tanto como organizador como participante.

O Coletivo Contraponto, como veio fazendo na gestão de 2014, compromete-se a socializar essas oportunidades com a comunidade acadêmica. Isso porque, na nossa concepção, o Cen- tro Acadêmico não se limita às pessoas que compõem sua direto- ria; pertencem, sim, a todas e todos os estudantes, os quais devem ter o direito de desfrutar das oportunidades oferecidas à gestão.

Tribuna Livre

Em 2014, o XI de Agosto inaugurou um novo mo- delo de jornal acadêmico: o Tribuna Livre, dedicado a debater

desde assuntos intrínsecos às Arcadas até questões de políti- ca nacional e internacional. Para isso, tornou-se fundamental

a construção do periódico em parceria com as e os estudantes,

além de movimentos sociais e personalidades da sociedade civil. Estreado em meio ao cinquentenário do golpe civil-mili- tar de 1964, com uma edição especial “Repressão Ontem e Hoje”, seu primeiro editorial deixou claro a que serviria esse novo jornal:

A Tribuna Livre, situada no Território Livre das Arcadas, é sím- bolo de liberdade de expressão e manifestação das e dos estudan-

)O

Centro Acadêmico XI de Agosto – Coletivo Contraponto buscou

tes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. (

no significado simbólico desse parlatório os ideais que nortearão sua ferramenta mais qualificada de comunicação e debate com a comunidade acadêmica e com toda a sociedade. Dessa maneira, anuncia a criação da “Tribuna Livre”, o novo periódico do XI de

No ano em que se completa o cinquentenário do gol-

Agosto, (

pe civil-militar, mostra-se absolutamente apropriado um espaço livre de manifestação e expressão construído por todas e todos.

)

manifestação e expressão construído por todas e todos. ) Dessa maneira, o jornal do XI de

Dessa maneira, o jornal do XI de Agosto se tornou um ins- trumento essencial na massificação de debates cruciais ao longo do

ano – desde a importância do novo Projeto Político-Pedagógico e a crise política enfrentada pela Universidade de São Paulo até o avanço repre- sentado pelo novo Plano Diretor Estratégico paulistano. Trata-se de um mecanismo excelente para a difusão de informações e ideias, agitando

a discussão política e levando ao avanço dos debates do nosso tempo. Pretendemos, em 2015, manter esse modelo exitoso de jornal construído para dentro e para fora das Arcadas, dando espa- ço a estudantes e a movimentos sociais. Se os desafios orçamentários herdados em 2014 inviabilizaram um maior número de edições do Tribuna Livre ao longo deste ano, comprometemo-nos a criar condi- ções de ampliá-lo em 2015, dando maior periodicidade às publicações.

Site do XI

Um dos grandes legados da gestão 2014 refe- rentes à comunicação será o novo site do XI de Agosto. De- pois de muito tempo desativado pelas últimas gestões, o por- tal voltou a ter vida e serventia para as e os estudantes. A gestão Contraponto buscou reformular o site de modo

a transformá-lo num portal que realmente tivesse utilidade à co-

munidade acadêmica, agregando informações sobre desde os re- querimentos de que precisamos a todo momento para a gradu- ação até o mapa de salas da faculdade – resolvendo o desafio de desvendar o labirinto que existe dentro das Arcadas. Foi reservado também um espaço para os vídeos e imagens dos eventos realiza- dos pela gestão, além da reativação do Portal da Transparência*.

Outra inovação foi a digitalização da famosa agen- da da salinha, facilitando a todas e todos a reserva de espa- ços como a Sala d@s Estudantes e o Porão, e acabando com ve- lhos problemas de confusão com a agenda. E, como não poderia faltar, foi dado um espaço para estudantes enviarem sugestões e críticas à gestão, aumentando o canal de diálogo com a associação. Em 2015, pretendemos manter o site sempre atua- lizado; assim, sempre atentos às sugestões das e dos estudan- tes, iremos aproximá-lo cada vez mais da rotina de todas e todos.

Canal do XI no Youtube

Em 2014, na gestão do XI de Agosto, o Coletivo Con- traponto investiu na ferramenta do Youtube para dar maior pu- blicidade aos eventos ocorridos ao longo do ano. Essa medida vi- sou a atender dois aspectos principais: permitir que estudantes tivessem acesso aos eventos promovidos pelo Centro Acadêmi- co, inclusive em horários em que não pudessem estar presentes, e contribuir com a discussão política de diversos temas que ocorre nas redes, tornando o XI de Agosto uma referência nesses debates. Desse modo, pretendemos manter a prática de filmagem de eventos e disponibilização no canal do XI de Agosto no Youtu- be em 2015, fazendo com que cada vez mais nosso Centro Acadêmi- co tenha peso de destaque nos debates promovidos pela sociedade.

Cota Livre de Xerox

Desmentindo o velho mito de que a cota livre de xerox é inviá- vel do ponto devista financeiro, o Contraponto provou na gestão do XI de

Agosto em 2014 que é possível disponibilizar essa ferramenta política às e aos estudantes do Largo de São Francisco sem prejudicar suas atividades. Trata-se de um mecanismo muito importante no sentido de estimular e massificar debates entre a comunidade discente. Prova disso é que a cota livre foi utilizada diversas vezes ao longo de 2014 por vários grupos, em momentos como as matrículas, as Assembleias, a impressão de jornais etc. Por isso, em 2015 pretendemos manter esse mode- lo, que ocorre por meio da liberação de gatilho inicial de 500 có- pias e posterior liberação de até quatro adicionais, mediante to- tal distribuição na faculdade. Isso, evidentemente, independe do grupo que solicita a cota ou do teor do texto a ser distribuído. Não existe razão para nosso Centro Acadêmico não dis- ponibilizar essa ferramenta, pois, além de totalmente compatível com a realidade orçamentária do XI, atende ao interesse geral da co- munidade de se produzirem materiais políticos e se debater com as

e os estudantes. A ausência desse mecanismo certamente dificul-

taria as atividades dos diversos grupos do nosso movimento estu-

dantil, como ocorria até 2013. Trata-se, pois, de uma escolha políti-

ca com a qual o Contraponto se compromete à frente da gestão 2015.

¡A USP e a Reforma Universitária!

No contexto brasileiro, desde sempre a educação superior

mensalidades grande parte das famílias não tem condição de bancar.

foi um privilégio das classes economicamente mais favorecidas. Pri-

A

situação se inverte no contexto do ensino superior, onde as univer-

meiramente servindo ao propósito de aculturamento europeu para a elite nacional e evoluindo para a formação intelectual especializante da atualidade, as faculdades, mesmo nos dias de hoje, continuam manten- do a sua face excludente: no Brasil pouco mais de 10% da população

sidades públicas se apresentam como ilhas de excelência educacional, porém ainda mantendo o paradigma de segregação racial e socioe- conômica devido ao reduzido número de vagas e ao sistema atual de ingresso nas universidades, o exame vestibular. Calcado em modelo

possui diploma de nível superior, e esta parcela é composta justamen- te pelas classes mais abastadas e, em sua esmagadora maioria, brancas. Devido à histórica falta de estrutura de ensino nacional e de

meritocrático, tal sistema serve muito mais como legitimação da exclu- são social do que como ferramenta de promoção de igualdade. Além disso, o atual modelo de vestibular não consegue se adaptar à realida-

investimentos na rede pública, os serviços educacionais de qualidade

de

de milhões de jovens que têm que trabalhar para ajudar no susten-

das séries básicas se concentram nos colégios particulares, cujas altas

to

de suas casas e com isso dispõem de menor tempo para o estudo.

nos colégios particulares, cujas altas to de suas casas e com isso dispõem de menor tempo

O caráter meritocrático se revela, então, não como aspec- to que promove igualdade de oportunidades e isonomia entre a classe estudantil, mas sim como legitimação e manutenção das diferenças sociais, que na sociedade brasileira, herdeira de séculos de escravidão em massa dos povos negros, também têm a faceta da segregação racial. A Universidade de São Paulo, que se estabelece como a maior universidade da América Latina, com orçamentos bilionários, segue essa lógica meritocrática e consequentemente apresenta composição majo- ritariamente elitista e branca. É necessário mudar essa realidade. O au- mento do número de vagas, embora necessário, por si só, se trata de mera ampliação de um modelo discriminatório e que permanecerá excludente. É necessário fazer da educação, em todos os níveis, instru- mento de combate às desigualdades sociais, ao se estender o ingresso para as ilhas de excelência educacional àqueles que estão excluídos pelo atual modelo, ao mesmo tempo em que se expande a escassa oferta de vagas das universidades. Os problemas sociais só terão soluções efeti- vas se a população vítima deles tiver acesso à produção cultural, inte- lectual e tecnológica, e produzir seu próprio conteúdo e conhecimen- to, modificando as prioridades do desenvolvimento socioeconômico. Para que se implemente tal viés, portanto, é necessário fo- mentar também a produção e diversificação de atividades acadêmicas. O atual modelo de universidade, baseado na formação em ensino, pes- quisa e extensão, não se encontra devidamente refletido na realidade da USP, e, mais especificamente, também na Faculdade de Direito. O que era para ser um tripé, com os três aspectos da formação universitária em equilíbrio e com importância semelhante, se configura em um tronco do ensino e pequenos ramos de pesquisa e extensão. Há, na FDUSP, amplo número de disciplinas obrigatórias e poucos incentivos aos grupos de extensão e pesquisa. O curso tem uma carga total de 240 créditos, que só pode ser preenchida por 12 créditos destinados à pesquisa e extensão. O número razoável de matérias optativas, em que pese darem possibilidade de escolha ao acadêmico, ainda é insuficiente, pois a liberdade relativa por elas instituída ainda é restrita ao âmbito das aulas. Com isso, o dese- quilíbrio do tripé universitário persiste, o que impede tanto que o aluno desenvolva suas potencialidades quanto a comunidade acadêmica esta- beleça relação produtiva com a sociedade na qual se insere, estude seus problemas, proponha soluções em conjunto e atue próxima da popula- ção. A faculdade não deve se limitar apenas como centro de formação profissional voltada para as grandes empresas e escritórios de advocacia,

pois as necessidades das pessoas vão além dessa perspectiva, e é da ne-

cessidade que surge a vontade que gera a mudança e os avanços sociais. Sendo assim, nós, do Coletivo Contraponto, nos posicio- namos a favor das cotas sociais e raciais, pois acreditamos no papel

que a universidade deve desempenhar no combate às desigualdades

sociais, raciais, de gênero, e de todo e qualquer tipo de discrimina-

ção, sendo contraditório, portanto, que a mesma apresente uma com-

posição excludente. Ao longo de nossa Gestão do Centro Acadê- mico XI de Agosto em 2014, manifestamos a postura de apoio à democratização da universidade, como na Semana Luiz Gama, onde realizamos evento pela inclusão da população negra na universidade,

com enfoque na situação de dupla vulnerabilidade das mulheres negras. Também somos a favor da reforma de grade e do novo Pla- no Político Pedagógico (PPP) defendido pela Representação Discente (RD), que permita mudar a concepção focada demasiadamente em aulas, uma maior capacidade de produção acadêmica e um relacio- namento mais frutífero da comunidade estudantil com a sociedade. Acompanhamos, enquanto gestão e juntamente com a RD, o anda- mento do PPP, posicionamo-nos energicamente em favor de sua apro- vação, ao promover a paralisação das aulas por meio de Assembleia Geral dos Estudantes (AGE) como instrumento tático de pressão. É importante termos a consciência que a blindagem às de- mandas da comunidade, tanto estudantil quanto da sociedade como

um todo, é implementada através de instâncias decisórias desiguais e não-representativas da comunidade acadêmica, com um peso despro-

porcional dos votos das e dos docentes em detrimento dos votos das e

dos funcionários e alunos. Para que realizemos as transformações tão

necessárias na universidade, portanto, necessitamos modificar essa es-

trutura anti-democrática, e estabelecer a paridade entre as três categorias universitárias: docentes, funcionárias e funcionários, e alunas e alunos. Por fim, reiteramos a defesa da inclusão social e a democra- tização da universidade, nos comprometendo a manter e reforçar nos- so posicionamento, e nossa luta pelas cotas e reforma universitária en- quanto Gestão em 2015, com defesa da ampliação de vagas, extensão, pesquisa e permanência estudantil, maior investimento público e co- tas sociais e raciais, nos comprometendo a promover a articulação do

XI de Agosto com movimentos sociais e a comunidade estu-

dantil para que esses avanços tão necessários se concretizem.

¡Acadêmico!

Em 2014, o Coletivo Contraponto enquanto gestão do

XI de Agosto levou a cabo sua propostade realização de con-

gressos acadêmicos gratuitos e abertos ao público, revertendo o quadro anteriormente vigente de oferecimento apenas de cur-

sos e congressos pagos e de acesso restrito ao público. O suces-

so do “Curso de Direito e Políticas Públicas”, do Congresso de

de Direito e Políticas Públicas”, do Congresso de “80 anos de Teoria Pura do Direito” e

“80 anos de Teoria Pura do Direito” e O VIII Encontro Nacional da Associação Nacional de Direitos Humanos ANDHEP com o tema “Políticas Públicas para a Segurança Pública e Direitos Hu- manos” provou que congressos orientados a temas de interesse geral e abertos a todo o público utilizam melhor o espaço públi- co universitário do que o modelo privatista restrito do passado. O compromisso em manter essa orientação políti- ca em 2015 é, portanto, principiológico. Cursos e congressos acadêmicos devem servir à qualificação das discussões da co- munidade discente e não à busca de lucros. Seguem as propos- tas acadêmicas do Coletivo Contraponto para o ano de 2015:

Curso aberto e gratuito sobre os “Clássicos do Pensamento Social Brasileiro”

Os clássicos do pensamento social brasileiro cons- truíram modelos interpretativos de impacto profundo na vida intelectual brasileira. A força das interpretações de Gilberto Freyre, Oliveira Viana, Sérgio Buarque de Hollanda, Caio Pra- do Jr., Florestan Fernandes, Francisco Weffort dentre outros,

contribuíram significativamente para o entendimento acerca do país em que vivemos e suas dinâmicas de transformação. Compreender o Brasil, sua formação histórica, so-

cial, cultural e política é o desafio enfrentado sobre diferentes perspectivas teórico-metodológicas. Portanto, basicamente, uma série de autores e autoras pode ser reunida, num primei-

ro momento, pela preocupação que tiveram em analisar a “for-

mação do Brasil”. Posteriormente, debruçados e debruçadas sobre as formas da sociedade brasileira, o pensamento social começa a buscar conexões internacionais e novos horizontes, para além da “questão nacional”, buscando compreender dinâ- micas de marginalização de negros, indígenas, mulheres etc. Tendo em vista o absurdo déficit em disciplinas crí- tico-reflexivas, voltadas à compreensão da sociedade brasilei- ra e sua inserção global, propomos um curso preocupado em discutir os principais pensadores da “formação” e, posterior-

mente, os processos de modernização da sociedade brasileira.

Curso aberto e gratuito sobre “Direito de Minorias”

Tendo em vista a ausência, em nossa grade curricular, de intersecção do debate jurídico com temáticas relacionadas às opressões diárias que a comunidade LGBTT sofre, em 2015, o Coletivo Contraponto oferecerá um curso que permitirá o deba-

te crítico acerca do papel do Judiciário e de outros organismos

jurídico-políticos na promoção de uma sociedade de maiores direitos sociais para identidades sexuais não pertencentes ao padrão heterenormativo vigente. Serão estudadas políticas públicas internacionais que lograram mudanças concretas no sentido da erradicação da cultura da homolesbotransfobia que vitima milhões de pessoas no mundo. É papel do jurista formular políticas públicas voltadas a setores em condição de exclusão social perante o conjunto da sociedade, e portan-

to, tal curso será uma grande prioridade da gestão em 2015.

Congresso acadêmico, aberto e gratuito sobre a “Democratização do Judiciário’

Numa sociedade calcada no Estado Democrático de Direito, o sistema jurídico é muito mais do que um conjunto

de normas. Acreditando que a análise institucional e da cultu-

ra jurídica possuem extrema relevância para a compreensão do comportamento dos tribunais, propomos para o ano de 2015

este Congresso Acadêmico sobre a democratização do Judiciário.

A emergência dos direitos difusos, coletivos e so-

ciais no final do século XX e início do século XXI levam a crer que o direito, apesar de suas raízes romanísticas com re- corte exclusivamente privado, caminha para a publicização.

O surgimento dos conflitos de massa em torno de

questões agrárias, ambientais, urbanísticas, de cidadania

e do consumidor impõe à cultura jurídica a necessidade de

proporcionar uma formação interdisciplinar aos bacharéis em direito, buscando a solução para conflitos distributivos cada vez mais recorrentes. Destarte, o enfoque transindivi- dual aparece como o novo paradigma do fenômeno jurídico. Além disso, o Congresso buscará examinar os desenhos

institucionaisdasentidadesdoJudiciárioparacompreenderoscon-

flitos corporativos, a composição e o funcionamento das carreiras. Com isso, acreditamos que este projeto trará às e aos inte- ressadosumavisãomaisnítidasobreopapel,acomposiçãoeasnovas perspectivas do Poder Judiciário frente aos valores democráticos.

CONGRESSO “DIREITO E CIDADE”:

Outras discussões dificilmente encontradas nas atividades curriculares de nossa Unidade são aquelas que giram em torno do direito à cidade. Os marcos jurídicos vi- gentes, tais como o Estatuto das Cidades, são pouco analisa- dos na profundidade que merecem dentro das salas de aula. Em vista deste panorama, nosso grupo se propõe a organi- zar mesas acadêmicas com temáticas relacionadas à área, em parceria com grupos de extensão e pesquisa interessados. A urgência da discussão se mede pela intensidade e fre- quência das mobilizações populares e ocupações urbanas orga- nizadas por movimentos de acesso à moradia, nos últimos anos bem como o crônico déficit habitacional que as metrópoles en- frentam. Entendemos que é fundamental que as e os bacharéis de direito possuam conhecimento dos institutos jurídicos que orientam a organização urbana nas grandes cidades devido às importantes consequências sociais envoltas em tais questões.

Congresso ‘Estudo Crítico do Direito Penal’

As superlotações dos presídios brasileiros, o

excesso de prisões provisórias que se arrastam sem julgamento por anos, o predomínio do crime organizado incrustrado na estrutura prisional, as péssimas condições de higiene e segu-

rança das instalações de reclusão e o caráter racial e de classe da população carcerária revelam uma profunda falência do sistema carcerário brasileiro, incapaz de promover a reabilitação das e dos internos. Pelo contrário, tal sistema só corrobora e aprofun- da a exclusão social que cinde a sociedade brasileira. O caráter classista e racista da composiçâo de nossas instituições prisionais é diretamente relacionado à leis penais de cunho patrimonialista e punitivista, realçado pelas posturas de figuras da grande mídia e políticos ligados aos partidos con- servadores, que clamam por mais rigor e defendem imprimir o sofrimento ao detento como forma principal de atuação frente

à criminalização e marginalização da população negra, pobre e

periférica. Cumpre ao movimento estudantil debater criticamente

a estrutura seletiva do Direito Penal com o intuito de trans-

formar esta perversa realidade. Para tanto, organizaremos um congresso destinado ao estudo crítico das limitações, contradi- ções e perspectivas deste ramo do Direito Público, em parceria com grupos de extensão e pesquisa voltados ao tema.

Congresso ‘Crumos do Brasil Pós-Neoliberalismo’

O atual ciclo de transformações sociais vivido pelo país na última década produziu, recentemente, reflexões aca- dêmicas que geraram intensa e viva polêmica nos círculos in-

telectuais nacionais. A ascensão social vivida por alguns estra- tos sociais nestes últimos anos caracteriza a existência de uma “nova classe média” ou se trata de “uma nova classe trabalha- dora”? O que define, em termos rigorosos, a política do “lulis- mo”? Qual a dimensão transformadora do projeto em curso no país? Tais indagações constituem o pano de fundo de variados esquemas interpretativos acerca do Brasil existente desde 2002. Intelectuais como André Singer, Rudá Ricci, Ruy Braga e Márcio Porchmann se propuseram a debruçar-se sobre este complexo

e recente fenômeno. Em virtude da ausência destas importan-

tes discussões no ambiente acadêmico franciscano, o Coletivo

Contraponto se compromete, em 2015, a trazer este profícuo ambiente reflexivo para as Arcadas na forma de um congresso.

¡Transparência e Tesouraria!

A tesouraria do XI de Agosto é objeto de curio- sidade de grande parte das e dos estudantes – e não poderia ser diferente, afinal, trata-se das finanças da associação que pertence a todas e todos. Por isso, é im- prescindível que a gestão do nosso Centro Acadêmi- co tenha compromisso com a responsabilidade eco- nômica e com a transparência, de modo que a saúde financeira da entidade não obstaculize o desempenho do papel político que é a razão de existência do XI de Agosto. A princípio, é importante que tenhamos um pa- norama de como se organizam ordinariamente, em mé-

um pa- norama de como se organizam ordinariamente, em mé- dia, as receitas e despesas assumidas
um pa- norama de como se organizam ordinariamente, em mé- dia, as receitas e despesas assumidas

dia, as receitas e despesas assumidas pelo XI de Agosto:

Logo se vê que o XI convive com um deficit mensal médio de cerca de dez mil reais. Isso porque se constituiu ao longo dos últimos anos um modelo de gestão que fizesse do caixa da enti- dade absolutamente dependente da arrecadação de recur- sos extras, como patrocínios e festas, para cumprir com-

promissos referentes ao financiamento das entidades, ao pagamento de impostos, ao pagamento dos salários dos nossos trabalhadores e trabalhadoras etc. Esse modelo se deu dentro de uma concepção equivocada de centro aca- dêmico como mero prestador de serviços, a qual contra- ria toda a história de luta do XI de Agosto e todo o seu compromisso enquanto ator político do nosso tempo. Como se sabe, a gestão Contraponto herdou da an- tiga gestão Resgate (2013)uma situação crítica marcada por dívidas vultosas a diversos credores, o que complicou ain- da mais o já complicado planejamento de início de ano. O caso mais grave diz respeito a repasses atrasados à Casa do Estudante – entidade fundamental no que se refere à per- manência estudantil –, totalizando uma monta de mais de R$40.000,00. Boa parte desse valor será quitado até o fim da atual gestão; nesse sentido, o Contraponto se compro- mete a regularizar a situação com a Casa do Estudante em 2015, permitindo que sua diretoria possa se reorganizar fi- nanceiramente sem prejuízo aos moradores e às moradoras. De qualquer maneira, é preciso encontrar uma forma de reestruturar as finanças do nosso Centro Aca- dêmico, de modo que ele tenha condições de se manter sem que necessariamente dependa de receitas externas. Afinal, o XI não pode ser entendido enquanto uma empre- sa, mas, sim, como instrumento de luta política do movi- mento estudantil do Largo de São Francisco. Por isso, o Coletivo Contraponto propõe para 2015 uma Campanha de Reestruturação Financeira do XI de Agosto, que deve- rá ocorrer com intensa participação das e dos estudantes por meio de espaços abertos de discussão e deliberação.

PORTAL DA TRANSPARÊNCIA

Em 2014, o Contraponto reativou um serviço es- quecido pelas últimas gestões Resgate: o Portal da Trans- parência. Trata-se de um portal ligado ao site do XI que reúne informações precisas sobre as receitas e despesas

realizadas pela gestão, detalhando os valores e as respecti-

vas destinações.

da

Transparência é um espaço de grande importância que jamais deveria ter sido abandonado. Com ele, cada estu- dante passa a dispor de uma ferramenta que lhe permite verificar como estão sendo movimentados os recursos da

O

Portal

dante passa a dispor de uma ferramenta que lhe permite verificar como estão sendo movimentados os

associação à qual faz parte. Isso faz com que o XI de Agos- to se aproxime ainda mais de todas e todos os estudantes. Diante disso, visando a ampliar os canais de transpa- rência, o Coletivo Contraponto se compromete a sustentar e

O chamado “Programa de Participação do Aluno”

aprimoraroPortaldaTransparência,mantendo-osempreatu- (PPA) foi criado por meio de uma Assembleia Geral em 2008,

e se divide em duas ferramentas: o “Fundo de Iniciativa Aca-

dêmica” (FIA) – concebido para projetos pequenos, mediante

assinaturas das e dos associados – e o “Orçamento Participa- tivo” (OP) – em que estudantes ou entidades apresentam pro- jetos de valores variados que se submetem à votação direta. Em 2014 o Coletivo Contraponto buscou revalo- rizar o Programa, realizando reuniões abertas de formata- ção do edital desde o primeiro semestre. Tal opção visou

a politizar esse importante instrumento de participação

direta das e dos estudantes, de modo que se colocassem no espaço público as prioridades orçamentárias do Cen- tro Acadêmico do ponto de vista da comunidade discente. Dessa maneira, pretendemos em 2015 qua- lificar ainda mais o PPA, de modo que realizare- mos reuniões abertas com ampla divulgação e de- senvolveremos um material temático explicativo de como o Programa funciona e qual é seu objetivo.

alizado e disponível ao acesso de toda a comunidade discente.

PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DAS E DOS ESTU- DANTES

REUNIÕES ABERTAS DE PRESTAÇÃO DE CON- TAS

Além do Portal da Transparência, porém, é extrema- mente importante que a diretoria do XI de Agosto também realize reuniões abertas com a comunidade discente visan- do a apresentar e justificar a movimentação dos recursos da entidade, permitindo que as e os associados possam, além de se apropriar da matéria, apontar críticas e propor medidas que aprimorem o desempenho da tesouraria. Trata-se, por- tanto, de uma forma de intensificara participação de todas e todos na condução administrativa do Centro Acadêmico. Sendo assim, o Contraponto garante que realiza- rá ao longo de 2015 reuniões abertas bimestrais de pres- tação de contas sempre em dois turnos, num espaço aber- to para a participação de toda a comunidade discente.

CAMPO DO XI – A QUESTÃO DO IPTU

PATROCÍNIOS

Como já foi apresentado, a estrutura finan- ceira do XI de Agosto impõe a qualquer diretoria a ne- cessidade de captar recursos externos a fim de que os compromissos assumidos – como direitos trabalhistas, tributos e repasses às entidades – sejam cumpridos. Nes- se sentido, a busca por patrocínios adquire importan- te papel para que se sustente a saúde financeira da enti- dade e para que suas atividades não sejam prejudicadas. Logo, foi muito grave o prejuízo deixado pela gestão Resgate 2013 no que se refere à antiga parceria que o XI de Agosto tinha com o curso LFG, a qual rendia R$30.000,00 ao caixa da entidade. Lamentavelmente, o curso não quis re- novar o contrato de patrocínio para o ano de 2014 em razão do não cumprimento das cláusulas da parceria pela antiga diretoria, as quais consistiam na divulgação da marca pelos canais virtuais do Centro Acadêmico. Isso significou ainda maior dificuldade em equilibrar as contas ao longo do ano. É importante ressaltar que existem diversas mo- dalidades de patrocínios; aquela escolhida pelo Contra- ponto em sua gestão, destarte, sempre se limitou à mera divulgação do patrocinador como contrapartida. Isso sig- nifica que jamais permitimos que nossa atuação política fosse influenciada pelos parceiros privados ao longo da gestão. Trata-se de uma escolha coerente com o pensa- mento do Contraponto, que sempre se colocou contra a in- terferência do poder econômico sobre o processo político. Diante disso, o Coletivo Contraponto preten- de em 2015 seguir essa estratégia, elaborando o portfó- lio de atividades da gestão logo no início do ano e bus- cando parcerias para seus diversos projetos – como a Calourada, a Semana do XI, o jornal Tribuna Livre e os congressos acadêmicos. Vale afirmar que todas essas par- cerias sempre estarão claras à comunidade acadêmica, uma vez que todos os contratos serão publicizados e dis- ponibilizados no Portal da Transparência – e, eviden- temente, suas cláusulas não deixarão de ser cumpridas

O que é o campo?

Doado na década de 1950 pelo então prefeito de São Paulo Jânio Quadros, o Campo do XI situa-se na Ave- nida Doutor Dante Pazzanese, ao lado do parque do Ibira- puera, e é o maior patrimônio do XI de Agosto até os dias de hoje. Lá se desenvolvem as atividades dediversas modalida- des esportivas, além de várias festas e eventos de integra- ção das e dos estudantes da Faculdade. Trata-se, também, de importante fonte de receitas para o Centro Acadêmico XI de Agosto e a Associação Atlética Acadêmica XI de Agosto.

Qual é a problemática em relação ao IPTU no

Campo?

Até o final da década de 1980, o Campo era isen-

to da cobrança de IPTU; a lei que garantia essa isenção, porém, foi revogada em 1987. O XI de Agosto, apesar disso, nunca pagou o imposto, de modo que se acumu- lou uma dívida que, descontados os valores prescritos, chega hoje a uma monta de cerca de R$4.000.000,00. Em 2005 foi dado início a um processo em bus- ca da imunidade tributária da entidade, o qual, uma vez bem sucedido, garantiria tanto o perdão da dívida quanto

a isenção do IPTU. Parado desde então, o processo voltou

a correr este ano, surpreendendo a gestão Contrapon- to pelo fato de que pouco havia sido feito nos últimos anos para que tivéssemos chances de ganho na causa.

O problema que o XI de Agosto enfrentava con-

sistia basicamente na apresentação de livros contábeis para que, provado que se trata de uma entidade sem fins lucrativos, pudesse se julgar o mérito do pedido de imu- nidade tributária. Esses livros, porém, jamais haviam sido reunidos pelas gestões anteriores, o que compli- cou substancialmente o trabalho da gestão Contraponto.

O que o Contraponto fez em 2014 diante disso?

 

Muitas

ações

importantes

foram

toma-

das

pelo

Contraponto

este

ano

para

que

a

situa-

ção

se

encaminhasse

da

melhor

maneira

possível,

de

tese de cobrança da dívida, pretendemos encontrar uma ma-

modo

a

se

excluir

a

hipótese

de

perda

do

Campo

do

neira de parcelá-la que não impacte profundamente as con-

XI.

Entre

elas,

as

que

merecem

maior

destaque

são:

tas do XI de Agosto e de todas as entidades a ele associadas.

-Buscamosnossoscontadoresparacobraroslivroscontábeis

refeitosde2008a2012,eigualmenteoslivrosde1994a2007

- Regularizamos todos os livros de 1994 a 1998 e 2008 a 2012 em Cartório de Registro de Títulos e Documentos, já que os mesmos nunca haviam sido registrados da maneira devida.

- Reunimo-nos com diversos antigos presidentes e dire-

tores do XI de Agosto para aprofundar as informações sobre essa questão e sondar medidas. Descobrimos, por exemplo, que no período anterior a 1994 não havia contabilidade de gastos – informaçãobem importante que não havíamos conseguido com as gestões recentes.

- Realizamos diversas reuniões com autoridades e juristas

que pudessem nos auxiliar a buscar alternativas e soluções para o problema. Entre eles, secretários da Prefeitura de São Paulo, professores tributaristas e administrativistas da Faculdade, advogados que vinham cuidando do caso,

o prefeito de São Paulo Fernando Haddad, dentre outros.

- Realizamos reuniões abertas com a comunida- de discente em torno desta questão que, apesar de tão importante, pouco era conhecida na Faculda- de. As reuniões eram sempre realizadas em dois tur- nos, permitindo participação de todas e todos, e tive- ram caráter vinculante em relação a suas deliberações.

- A partir disso, criou-se pela primeira vez uma “força-

-tarefa sobre a situação tributária do XI”, fórum de dis- cussão permanente sobre o andamento do processo.

O que o Contraponto fará em 2015?

Apresentado recurso para o pedido de imu- nidade tributária, com todos os livros já devida- mente regularizados, aguardamos resposta do Judi- ciário. Entendemos, porém, que não devemos ficar parados enquanto isso; portanto, nosso compromisso

é de buscar novas alternativas para enfrentar o proble-

ma, inclusive acordos com a Prefeitura de São Paulo. Além disso, procuraremos medidas para aumentar as receitas provenientes no Campo, sobretudo na hipótese de termos de arcar com a cobrança do IPTU. Também na hipó-

É importante reafirmar que manteremos ati-

vo o fórum de discussão sobre essa questão, de modo que, de maneira transparente, atuaremos em conjun-

to com as entidades e todas e todos os estudantes.

FUNDO DO XI (FIXI)

O que é o FIXI (Fundo de Investimentos do XI)?

Em 2008, nosso Centro Acadêmico recebeu apro- ximadamente 5 milhões de reais de ações provenientes da

massa falida da FEPASA (Ferrovia Paulista S.A.) adquiridas

na década de 1970. A partir de então foi decidido pela co-

munidade discente que esse dinheiro seria aplicado em um Fundo de Investimentos com um tipo de aplicação inédita no Brasil: endowments, que possibilita o resgate mensal

para financiar nossas atividades. Desde então, o Fundo do

XI se tornou o principal responsável pelas receitas da en-

tidade, gerando aproximadamente R$32.000,00 mensais.

Quais

os

problemas

do

Fundo

do

XI?

O Fundo do XI é composto de cerca de 35% de

ações aplicadas em renda fixa (maior estabilidade) e 65% em renda variável (maior instabilidade). Infelizmente, devido aos maus tempos do Ibovespa, as ações do Fundo têm caído de maneira brusca, o que é muito grave quan-

do observamos que o objetivo do FIXI é garantir o finan-

ciamento das principais atividades do XI e das entidades,

além de proteger nosso patrimônio ao longo das gestões.

O que o Contraponto fará em 2015?

Tendo em vista a volatilidade em que se encon-

tra o Fundo e as alternativas sondadas pelo Contrapon-

to

ao longo de 2014, pretendemos em 2015 discutir com

as

e osestudantes medidas capazes de reverter esse ce-

nário – como, por exemplo, alterando o tipo de investi- mento, de modo que se crie um modelo endowments em que a porcentagem de aplicações em renda fixa é maior

e se proporcione uma maior estabilidade de rendimen- tos. Com isso, os maus resultados da Bolsa de Valores não impactarão com tanta gravidade a situação do Fun- do, de maneira que nosso patrimônio será preservado.

¡Espaços Estudantis!

Casa do Estudante

Mais do que uma entidade estudantil co- mum, a chamada Casa do Estudante é o nosso espaço de moradia estudantil gerido autonoma- mente por estudantes e pelo Centro Acadêmico. Neste ano, tivemos uma série de avanços com re- lação à casa e seus moradores, como, por exem- plo, o encaminhamento da isenção de seu IPTU.

Dívida dos repasses de 2013

A não priorização da Casa do Estudante

pelo XI ao longo das últimas gestões fez com que

se acumulasse um deficit de cerca de 40.000 reais

em repasses. Ao longo deste ano, comprometemo- -nos com a entidade a sanar essa dívida por meio de um parcelamento a médio prazo. Houve tam- bém um acordo entre os principais partidos que disputam o XI, de modo que se comprometam com

o pagamento regular caso estiverem na gestão.

Projeto de lei para isenção de IPTU

Um grande passo que podemos dar no sentido de garantir ao XI e a suas entidades co- dependentes a sustentabilidade financeira é pleitear a isenção de IPTU por meio de um Pro- jeto de Lei que beneficie, no município, mora- dias estudantis. Um dos grandes esforços do Contraponto ao longo deste ano foi ter entrado em negociação com a prefeitura para encami- nharmos esse PL. Além de beneficiar ao XI e a Casa, estaríamos também incentivando a aber- tura de outros espaços destinados à moradia es- tudantil por São Paulo. O direito à permanência estudantil é fundamental para que estudantes de baixa renda consigam manter o sustento na cidade com o custo de vida mais caro do país. Por isso, concretizar o acesso à educação também passa por garantir a permanência estudantil! Se eleitos, daremos continuidade a essa causa.

Sala dxs Estudantes A Sala dxs Estudantes, o verdadeiro “ter- ritório livre” das Arcadas, é sempre lembrada por ser um espaço de circulação de ideias e de articulação política privilegiado, com muita his- tória para contar. É nela que ocorrem desde os debates entre as chapas para o XI de Agosto e as Assembleias Gerais estudantis aos mais diversos eventos políticos e congressos acadêmicos. No entanto, enquanto Centro Acadêmico, se por um lado é um privilégio contarmos com esse espaço para uso político exclusivo dos estudantes, por outro temos também de prezar por sua manuten- ção e melhoria. Sabemos que não somente suas cadeiras, mas toda sua infraestrutura se encon- tra em situação precária. Assim, compromete- mo-nos, se eleitos, a envidar esforços junto a ex- -alunos e à direção da Faculdade para reformar a Sala dxs Estudantes, para que possamos desfru- tar de um espaço mais confortável e organizado.

Máquinas de Café e Snacks

Além disso, em conversa com o diretor da Faculdade, obtivemos autorização para colocar máquinas de venda de café e de snacks em frente à Sala dxs Estudantes. Sabemos que atualmente há uma demanda suficientemente grande das e dos frequentadores da faculdade por esse tipo de ser- viço, além de ajudar na reestruturação financeira de nossa entidade. As máquinas seriam colocadas em regime de comodato e os contratos seriam devidamente disponibilizados em nosso site.

Nomeação dos Auditórios do Térreo e do 1º andar

A “venda” das salas para uso privativo

Em 2010, vieram a público contratos de gaveta do então diretor João Grandino Rodas que condicionavam grandes doações à Faculdade

à reforma de banheiros e à reforma e nomeação

de duas de suas salas com os nomes de seus res- pectivos “investidores” (um banqueiro famoso

e um escritório de advocacia mais famoso ain-

da). Por meio do investimento privado não re- gulado e sem a menor transparência, não custa lembrar que a então gestão Resgate corroborou como testemunha de tais contratos obscuros. No mesmo ano, a intensa mobilização dos seto- res progressistas da faculdade derrubou os no- mes, que ratificavam a privatização de salas de aula de uma faculdade essencialmente pública, por mais que a direção e o centro acadêmico à época não acreditassem. Além disso, hoje, ain- da que reformadas, tais salas não são utilizadas para as atividades de ensino: privilegia-se o uso enquanto “vitrine” para atividades majoritaria- mente privadas de instituições e professores.

Compromisso com a nomeação Desde então, vimos uma série de tenta- tivas de renomeação dessas salas sem sucesso. Para além do critério da tradição de homenagem somente a ex-professores da faculdade, acredi- tamos que com a devida discussão e construção junto da comunidade estudantil e de funcio- nários e funcionárias, podemos pressionar as instâncias administrativas para que as nome- ações se dêem de forma a simbolicamente re- cuperar a história do racismo e do machismo institucionais que permeiam a São Francisco. Defendemos, assim, nomes de negros e mulhe- res envolvidxs na história de nossa faculdade. É no âmbito do simbólico que algumas lutas políticas são travadas, e, neste caso, não medi- remos esforços para que tais nomeações ocor- ram a partir da mobilização e da participação.

Porão

O porão, como todxs sabem, é o espaço por excelência de convívio estudantil da São Francisco. A atuação do centro acadêmico tem que se dar no sentido de proporcionar ao má- ximo não só conforto e acolhimento, mas tam- bém funcionalidade e uma boa dose de diver-

de proporcionar ao má- ximo não só conforto e acolhimento, mas tam- bém funcionalidade e uma

são para seus frequentadores e frequentadoras.

Cigarro no porão

Em obediência à lei que proíbe fumo em ambientes fechados, como medida eminente-

mente preventiva, instalamos placas sinaliza- doras para que não haja autuações que compro- metam o uso do espaço ou as finanças do CA. Juntamente com isso, efetivamos o diálogo com

as e os estudantes de modo a conscientizá-los

a não fumarem no interior do ambiente. Todos

nós sabemos da necessidade de se tornar o po- rão um espaço mais democrático e mais salu- tar, não só para os estudantes, mas principal- mente para seus funcionários e funcionárias.

Instalação de um Parklet

Pensando num uso diferente do espaço público, propomos a discussão sobre a adequa-

ção e o desenho de um Parklet na rua Riachuelo.

O termo Parklet representa a transformação de

um local anteriormente destinado à ocupação

exclusiva de carros em ambiente para uso recre- ativo compartilhado. A calçada da rua Riachuelo

é estreita e im-

põe desconfor- to àqueles que desejam con-

versar por lá.

A conversão de

um ou dois es- t a c i o n a m e n t o s criaria um novo espaço de convi- vência, aberto e de uso irrestri- to. As platafor- mas podem ser equipadas com bancos, floreiras, mesas, cadei-

ras, guarda-sóis ou bicicletários. Para instala- ção, a proposta deve atender às normas técni- cas de acessibilidade, diretrizes estabelecidas pela Companhia de Engenharia e Tráfego – CET

e pela Comissão de Proteção à Paisagem Urba-

na – CPPU, conforme o Decreto 55.045, de 16 de abril de 2014. Acreditamos que essa pro- posta coloca em debate as diferentes possibili- dades de ocupação da cidade e seus efeitos na

possibili- dades de ocupação da cidade e seus efeitos na qualidade da vida urbana. Consideramos im-
possibili- dades de ocupação da cidade e seus efeitos na qualidade da vida urbana. Consideramos im-

qualidade da vida urbana. Consideramos im- portante a reflexão sobre a sub-utilização da rua Riachuelo, imposta por políticas de privi- légios aos possuidores de carros, e o potencial que este novo espaço de recreação promove- ria, inclusive para nossos colegas que fumam.

Reforma de acessibilidade

Sabemos, também, que o porão poderia ser muito melhor do que é hoje em dia. O di- retor Tucci, no início de seu mandato, compro- meteu-se, via ofício, a nos ajudar com a coleta

de recursos financeiros para a reforma do porão.

A longo deste ano, então, estivemos em conta-

to com o mesmo escritório de arquitetura que

fez o projeto de reforma e ampliação da sede do Departamento Jurídico, para conseguirmos um projeto-executivo de reforma. Isso englobaria

a adequação às normas de acessibilidade do es-

paço, com a instalação de uma plataforma para

cadeirantes, bem como da reinstalação elétrica do espaço, tornando-o finalmente mais seguro.

O projeto já está encaminhado e, caso reelei-

tos, nossa primeira medida será nos reunirmos com o Diretor para darmos início à arrecada- ção de recursos. Ao mesmo tempo realizaremos reniões abertas, com o intuito de apresentar e discutir o projeto com a Faculdade. Dessa for- ma, a obra deverá ser realizada no mês de ju- lho, quando o Porão fecha devido às férias.

Bicicletário

É louvável a iniciativa da Atlética e da Clí- nica de Direito Ambiental ao pleitearem um bici- cletário no térreo do Predio Anexo. Sabemos que atualmente há o saudável aumento gradual do nú- mero de ciclistas na cidade de São Paulo. E entre as pessoas que frequentam a faculdade ou o po- rão também. Por isso, tentaremos contemplar em nosso eixo de reformas de infraestrutura a insta- lação de um bicicletário também no porão, para não dependermos dos horários de fechamento da faculdade. É importante que também nos enga- jemos, enquanto estudantes, na pressão e no di- álogo com a diretoria para a instalação de outros bicicletários na faculdade, atualizando-nos fren-

te às novas modalidades de transporte da cidade.

Contrato do bar

Em 2015 teremos a possibilidade de re- novação do contrato de aluguel do bar do “Seu Chico”, que atualmente está no porão. Há cin- co anos, a troca dos locatários se deu de modo muito pouco transparente com a faculdade e com frequentadores e frequentadoras do porão. Por isso, num momento de redefinição do uso de nosso espaço, caso eleitos, abriremos essa discussão com a faculdade por meio de reuni- ões abertas e pelos instrumentos que temos de deliberação coletiva. Não podemos deixar que uma decisão que concerne a toda a comu- nidade acadêmica seja tomada novamente entre quatro paredes e sem a menor transparência!

¡Combate às Opressões!

Desde seu surgimento até hoje, o Coletivo Contraponto estabeleceu um compromisso real com o combate às diversas for- masdeopressãoquemoldamasestruturasdenossasociedade. Em 2014, à frente da gestão do XI de Agosto, procuramos concretizar esse compromisso por meio da massificação de debates cruciais à

consolidação de uma sociedade que logre alterar os padrões de do-

minaçãobranca,machistaeheteronormativaquetantomarginali-

zam e vitimam milhões de brasileiras e brasileiros diuturnamente.

repúdio às manifestações machistas e misóginas ocorridas fre- quentemente nos Jogos Jurídicos Estaduais de São Paulo, a qual

foi subscrita por uma série de centros acadêmicos, associações atléticas e coletivos feministas do estado e pôde dialogar com uma grande quantidade de estudantes, pondo luz nesse que é um sím- bolo de atraso civilizatório dos espaços de integração universitária. Levando a cabo o nosso compromisso firmado em carta- -programa, opusemo-nos à contratação das “mulatas do Peru” na programação da Peruada 2014, questionando o caráter opressor de uma tradição que corrobora a objetificação da mulher negra em nossa sociedade. Outra tradição promotora de valores discri- minatórios em nossa Faculdade mereceu especial consideração da gestão durante o ano: trata-se do Trote do Tênis. Manifesta- mo-nos contrariamente ao antigo modelo opressor do Trote do Tênis e saudamos a positiva atuação da Comissão de Formatura da Turma 185, reflexo de um avanço de consciência no combate ao machismo institucionalizado no convívio acadêmico do Lar- go de São Francisco. Acom- panharemos a atuação das próprias comissões para que mudança salutar prevaleça. O Coletivo Contraponto, na gestão do XI de Agosto, insti- tuiu o “Ponto de Apoio Anti- -Opressões” nas festas promo- vidas pelo Centro Acadêmico, fortalecendo o combate ao as- sédio de natureza machista ou homofóbica. Trata-se de uma importante medida diante das frequentes denúncias de violência psicológica e física em ambien- tes que, na sua essência, deveriam proporcionar a integração entre as e os estudantes. O nosso coletivo se compromete com a manu- tenção do “Ponto de Apoio Anti-Opressões” para o próximo ano. As ações desenvolvidas ao longo da gestão demonstra- ramnossocompromissocomofeminismo, procurandosubverter

as relações de gênero e de poder dentro do próprio grupo – no intui- to de favorecer o processo de empoderamento das mulheres que compõem o coletivo. Além disso, nosso grupo tem como objetivo disputar ideologicamente a comunidade discente a partir do pon- to de vista do feminismo com perspectiva de classe, priorizando a discussão em torno das mulheres trabalhadoras e, principalmen-

te, das mulheres negras, sujeitas a todo tipo de barreiras materiais. Defendemos a expansão das políticas públicas para as mulheres – desde a ampliação do número de creches e da cria- ção de restaurantes comunitários que atendam as mães tra- balhadoras que são submetidas à dupla jornada de trabalho, até a melhora no atendimento das delegacias de mulheres e no desenvolvimento de políticas que combatam o assédio sexual e

a violência machista nos transportes públicos, principalmente. Com relação à visibilidade lésbica, demos grande destaque ao Dia Nacional da Visibilidade Lésbica na data 29 de agosto, destacando nosso compromisso contra a violên- cia lesbofóbica nas festas universitárias e contra a fetichiza- ção das mulheres lésbicas em todos os espaços, inclusive no

Feminismo e Visibilidade Lésbica

Consideramos a defesa intransigente de uma sociedade livre de desigualdades de gênero uma questão central para qual- quer organização voltada à superação das injustiças em nosso

país. A partir de tal premissa, o combate às diversas manifestações de machismo adquire importância fundamental no projeto polí- tico que pretendemos construir em nossos espaços de atuação. No início do ano, o Coletivo Contraponto tomou parte na construção do ato do Oito de Março (Dia Inter- nacional da Mulher) parti- cipando das reuniões que se deram em São Paulo, juntamente com grupos fe- ministas e outros coletivos. Nesse ato, bandeiras caras ao movimento feminista fo- ramlevantadas, como a des- criminalização do aborto, a

participaçãopolíticadasmu-

lheres e o combate ao apaga- mento lésbico e à heterossexualidade compulsória. Tais bandeiras guiamnossoeixoprogramáticoconcernenteàsquestõesfeministas. No primeiro semestre, a semana de eventos “Calou- rada” foi aberta com um evento sobre “Mulheres na Política”, diante da evidente necessidade de uma ação que reverta o cená- rio de subrepresentatividade feminina nas instâncias políticas de nosso país. Na mesma semana, trouxemos um debate sobre “A exploração comercial do sexo”, que pôs em confronto distin- tas concepções acerca da legalização da prostituição no Brasil. Um dos destaques políticos da gestão Contraponto em 2014 foi a Semana Luiz Gama, voltada à discussão da igualdade ra- cial,cujograndeeventodestacouaperspectivadamulhernegraem nossasuniversidades–marcadapelasuaexclusãoeinvisibilidade. Consideramos tal debate imprescindível, tendo em vista a condi-

ção social a que as mulheres negras estão submetidas dentro de um paradigma cultural hegemonizado pelo racismo e pelo machismo. Na tradicional Semana do XI, uma discussão entre dife- rentes perspectivas feministas acerca do “Vagão Rosa” mobilizou aseosestudantesdenossaFaculdade.Valeressaltarqueaproposta

dosvagõesexclusivosparamulheresconsisteemumamedidaequi-

vocada ao passo que acarreta segregação nos espaços públicos, sem questionar os fundamentos reais que promovem o assédio sexual. Uma ação de forte impacto do Contraponto enquanto gestão do XI de Agosto em 2014 foi a publicação de uma nota de

Uma ação de forte impacto do Contraponto enquanto gestão do XI de Agosto em 2014 foi

ambiente de convívio estudantil. A data, muito valiosa aos movimentos feministas, remete ao Primeiro Seminário Nacio- nal de Lésbicas (SENALE) em 1996, que teve por objetivo lu- tar contra a invisibilidade dessas mulheres frente à sociedade.

Questões LGBTT*

Pauta essencial para um Centro Acadêmico que se preocupa em se posicionar criticamente diante dos habitu- ais casos de LGBTTfobia que ocorrem tanto no quotidiano externo quanto dentro do espaço da faculdade, buscamos como gestão à frente do XI marcar nossa posição contra toda forma de discriminação a qualquer tipo de expressão sexual. Realizamos, no primeiro semestre do ano, uma

sexual. Realizamos, no primeiro semestre do ano, uma roda de discussão acerca da história de luta

roda de discussão acerca da história de luta do movimento LGBTT* no Brasil e no mundo, buscando trazer ao debate do Largo de São Francisco um panorama geral da forma como

o movimento surgiu e se apresentou à sociedade lutando

pelo reconhecimento de seus direitos. Além disso, junta- mente a diversas entidades e movimentos da sociedade civil, participamos da Parada do Orgulho LGBTT em São Paulo

no dia 4 de maio, no intuito de dar maior visibilidade à luta contra a discriminação marcante na sociedade brasileira. Em meio ao aniversário do XI de Agosto e à re- alização do tradicional Baile do XI, distribuímos às e aos estudantes adesivos inscritos com a frase “Na SanFran que a gente quer não cabe homofobia”, inclusive no es- paço da festa. Procuramos, com isso, promover uma in- tervenção no sentido de garantir um ambiente menos opressor e com maior integração entre as e os estudantes. Durante o segundo semestre, organizamos e pla- nejamos o congresso acadêmico “Direito e Lutas do Movi- mento LGBTT*”, o qual ocorrerá na primeira quinzena de novembro de 2014, ainda durante esta gestão. Objetivamos, com isso, trazer numa perspectiva acadêmica a trajetória de luta do movimento LGBTT* pela garantia de seus direi- tos dentro de uma sociedade conservadora e regressiva.

Defendemosenfaticamenteacriminalizaçãodahomo-

fobia ao longo da gestão. Além de trazermos um evento sobre esse tema à Calourada de 2014, buscamos nos posicionar nessa direçãoemdiversosmomentosaolongodoano,comodiantedas repudiáveis declarações homofóbicas do candidato à Presidên- cia Levy Fidelix em debate televisivo. Acreditamos, porém, que é preciso dar ainda maior enfoque à construção dessa pauta, de modo que nos comprometemos, em 2015, com a promoção des-

sa bandeira e com a discussão mais ampla acerca da transfobia.

Racismo

A sociedade brasileira é marcada pela brutal desigualdade

étnica e racial que molda estruturalmente suas relações de poder.

A nossa faculdade é um retrato desse cenário, na medida em que a

grande maioria de seus estudantes é composta de brancos e bran-

cas – vejam-se as estatísticas oficiais da Fuvest, segundo as quais 83% dos estudantes matriculados no curso de direito em 2014 se declaravam brancos, enquanto apenas 10% se declaravam pretos

ou pardos. Essa composição foge completamente à realidade da po-

pulação brasileira, em que, de acordo com o Censo de 2010 do IBGE, 47% se declaram brancos e 50% se declaram pretos ou pardos. Tal disparidade apenas evidencia a desigualdade ma- terial entre brancos e negros existente na nossa sociedade. Diante disso, urge adotar políticas afirmativas no sentido de, defendendo o caráter público da Universidade, inserir em es- paços de destaque e poder minorias historicamente oprimidas. Dessa maneira, o Coletivo Contraponto se coloca na defesa da instituição de cotas raciais nas universidades estaduais pau- listas, e se compromete a atuar em 2015, enquanto gestão do

XI de Agosto, em conjunto com o movimento negro no sen-

tido de pressionar o governo estadual a adotar essa medida. O Congresso Nacional é o maior símbolo do racismo ins-

titucionalizado que existe no Brasil – o que se observa a partir da constatação de que, na legislatura 2011-2014, negras e negros re- presentam menos de 9% da Câmara dos Deputados e menos de

3% do Senado Federal. Sendo assim, torna-se extremamente com-

plicado tratar de uma democracia material enquanto grande parte

do povo brasileiro está excluído do espaço máximo de represen-

tação e de tomada de decisão política. Essa discrepância acarreta

a carência de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade

entre brancos e negros – basta lembrar que as cotas raciais passa- ram a ser instituídas nas universidades federais somente a partir

de 2003 e, no funcionalismo público federal, somente em 2014.

Outra face do racismo incorporado pelo Estado bra- sileiro se verifica por meio da ação repressora da Polícia Militar em nossos estados. Em São Paulo, de acordo com pesquisa de 2014 da UFSCar, a PM mata três vezes mais os negros do que os brancos. A desmilitarização das polícias, bandeira prioritária da gestão Contraponto em 2014, assume papel fundamental no combate ao genocídio da juventude negra de nossas periferias. Em 2014, à frente da gestão do XI de Agosto, o Con- tra ponto realizou a “Semana Luiz Gama” de combate ao racismo com o objetivo de dar maior visibilidade a questões de grande importância sob a perspectiva racial, como a exclusão da

população negra dos espaços universitários e políticos brasileiros

e a sexualização da mulher negra. Convidadas como as Blogueiras

Negras, o Movimento Negro Unificado, o Núcleo de Consciência Negra da USP, Douglas Belchior e outros se somaram ao debate, aprofundando e dando propriedade à discussão de diversos temas.

USP, Douglas Belchior e outros se somaram ao debate, aprofundando e dando propriedade à discussão de

Compromissos de gestão

Acreditamos que é necessário acabar com as formas expressas ou veladas de preconceito dentro e fora da faculdade – almejando não só diminuir o espaço do opressor, mas, principal- mente, disputar consciências em torno desse ideal. Assim sendo, mantemo-nos coerentes com nosso lema “Viver é tomar parti- do”, promovendo a reflexão acerca de privilégios de gênero, raça, classe e sexualidade e, conseguintemente, tomando o lado das minorias em nossas ações. O Coletivo Contraponto defende a criminalização da homofobia e a legalização do aborto como me- didas necessárias à população LGBTT e às mulheres brasileiras. Nesse sentido, ainda que restritos ao nosso esco- po de atuação, conquistamos a efervescência de debates fun- damentais à atuação de qualquer gestão do XI de Agosto que se coloque na luta por justiça social. Comprometemo-nos, à

frente do Centro Acadêmico em 2015, a renovar essas discus- sões e avançar as conquistas da primeira gestão, discutindo ativamente com a comunidade acadêmica propostas que tor- nem o ambiente acadêmico cada vez mais livre de opressões. Pretendemos, em 2015, explorar mais os debates em torno da questão da transsexualidade e do apagamen- to de lésbicas, bissexuais e transgêneros em nossa sociedade. Para isso, realizaremos eventos e publicaremos materiais vi- sando a massificar essa discussão entre as e os estudantes. Além disso, em 2015 criaremos um “disk denúncia” voltado a aten- der queixas de vítimas de qualquer forma de opressão, buscando, as- sim, auxiliá-las nas suas demandas imediatas e apurar as violências sofridas para que possamos reagir a elas. Tal projeto de “disk denún- cia” funcionará via celular durante as festas, e, de forma permanen- te, em um espaço do site do XI de Agosto para denúncia anônima.

¡Festas!

Um dos papéis do XI de Agosto é promover a inte- gração das e dos estudantes por meio das tradicionais fes- tividades e comemorações da Faculdade. Sendo assim, em 2014, reunimos esforços de todos os membros da gestão para proporcionar às e aos franciscanos momentos inesque- cíveis de diversão e entretenimento, através da realização de festas tradicionais, como o F.I.C.A., a Cervejada do XI, o Baile do XI e a Peruada, além de inovações, como a bem- sucedida festa “Oásis” - em conjunto com outras faculda- des da USP - e a nova Cervejada do Peru, a ocorrer agora em uma sexta-feira, visando à participação de mais pessoas. Para 2015, queremos inovar cada vez mais, e por isso nossa proposta é, além de manter as festas já tradicio- nais, tentar viabilizar a concretização de novas, a somar:

AFTERs - Ao longo de nossa gestão, estabelecemos uma inédita política de continuidade dos festejos após o término de eventos como a Cervejada no espaço interno do Porão. As- sim, as e os estudantes podem continuar a integração em um ambiente seguro. Tal política visou atender uma demanda, de parte da comunidade discente, de evitar um fechamento abrupto dos espaços festivos das e dos estudantes quando do encerramento de eventos no Largo. Comprometemo-nos a dar prosseguimento à política de realização de “afters”, a fim de melhor a qualidade das comemorações da comunidade fran- ciscana e melhor aproveitar os nossos espaços de convivência.

Baile Funk do XI - o batidão no porão, já realizado nes-

te ano, será realizado novamente, com ainda mais diversão!

a Bateria de Agravo de Instrumento da São Francisco (BAISF),

iremos trazer de volta para a Faculdade o espírito carnavalesco!

Concurso de Karaonzê - neste concurso, o XI de Agos-

to pretende integrar todas e todos com talento musical ou simplesmente animação para soltar a voz no porão!

• Batalhas de MCs nas Arcadas - pretendemos trazer um concurso entre MCs que vai agitar a noite do nosso porão!

Forró às terças no Porão! - sucesso no primeiro se-

mestre

de

nossa

gestão,

comprometemo-nos

a

trazer

a

música

popular

dos

Fórros

no

Porão

nas

terças-feiras.

Mudança de data da Cervejada do Peru - antes rea-

lizada na quarta-feira do Grito do Peru, a Cervejada pos- suía um público extremamente reduzido, devido a ocorrer no meio da semana e no mesmo dia que o Grito do Peru da manhã. Com isso, além de não atrair e integrar as e os estu- dantes, resultava num grande prejuízo à tesouraria do XI. Em 2014, a gestão Contraponto mudou a data da Cer- vejada para a sexta-feira anterior à Peruada, per- mitindo que mais estudantes pudessem participar.

Por fim, visando a facilitar a compra dos ingressos das festas pelas e pelos estudantes, o Coletivo Contraponto se com- promete a dispor de uma máquina de cartão de crédito na gestão de 2015, evitando que se tenha de pagar sempre em dinheiro.”

Festa Neon - o porão vai brilhar no escuro numa festa decorada com muito neon, gernado momentos inesquecíveis para todas e todos.

Choppada do XI – O porão fi-

cará

imperdível

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nossa su-

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Chopp

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¡CULTURA!

A intenção manifestad a p elo nosso coletivo, na carta-programa do ano passa- do, de transfor mar o XI de A gosto em um p olo re ferencial de pro dução e a g itação cultural no centro de S ão Paulo - o pro je to “Centro Cultural”- se materializou, ao lon - go deste ano, por meio de uma série de ati- v id ades que reav ivaram os nossos espaços de convivência estudantil. Saraus de poe-

sia e apresentaçõ es de g r up os de hip-hop e graffiti deram vida ao Porão e à Sala dxs Es - tud antes. T ivemos a pre o cupação de traz er

às Arcadas os mais diversos tipos de mani-

festações culturais, pensando em contem -

s t

s

t

plar a

diver -

i d a d e exis -

e n t e

no am -

b i e n t e cultu - ral pul-

a do cen - tro de nossa capital. A ssim, vár ias festas embaladas pelo forró e pelo baião (inclu- sive, com aulas de dança!), rodas de cho- ro, apresentaçõ es de g r up os de blues , funk e jazz, bandas de punk rock do un- derg round paulistano e até mesmo uma atração internacional argentina mesclan- do tango e rock agitaram o nosso queri- do Porão no ano de 2014. Estimulamos , através de auxílio na organização e divul- gação, as mais diversas iniciativas cultu - rais do cor p o discente franciscano. Nosso objetivo para o ano que vem é intensifi- car aind a mais a quantid ade e var ie d ade de atrações musicais e culturais que pos - sam enr ique cer nossos espaços estud antis , a fim de contemplar a maior quantid ade

t e

s

n

de gostos e aspirações estéticas possíveis.

Cine XI

Também enquanto gestão promove- mos a realiz ação do C ine XI, um ciclo de exibição de filmes com debates aprofun -

d ando as questõ es ex p ostas nas p elículas com esp e cialistas. Enquanto gestão 2015,

o Cole tivo Contrap onto irá manter este

for mato, realiz ando a mostra tanto de longas e cur tas que p ossam enr ique cer o

debate

e

a

reflexão

das

e

dos

estudantes

Biblioteca do XI

Enquanto gestão do Centro Acadêmi- co XI de A gosto no ano de 2014, o Cole tivo Contrap onto promove u a organiz ação de acervo de livros para a estruturação da Bi- blioteca do XI, projeto que mobilizou a ges - tão para promo ção d a cultura e difusão do conhe cimento na comunid ade franciscana . Assumimos o compromisso de con - solid ar mos a biblio te ca e realiz ar mos sua manutenção, para que p ossa ser v ir de p onto de ap oio à for mação acadêmica e políticas das e dos estudantes do Largo.

Projeto Copyleft

Em consonância com nosso pro je to em car ta pro g rama , buscamos o ap oio d a

entidade Creative Commons e após conta- to, promovemos o licenciamento do conte- údo produzido em nosso site como Copy -

le ft , mantendo nosso compromisso na livre

difusão de infor mação e cultura . No ano de 2015, enquanto gestão, iremos e fe tivar a B iblio te ca Copy le ft , re unindo acer vo de mater ial licenciado sob esta mo d alid ade, para livre apreciação, compartilhamen - to e utilização pelas e pelos estudantes.

FEMA

No ano de 2014, o XI de Agosto reali- z ou o tradicional F E M A – Festival de Música das Arcadas, onde as e os estudantes pude-

ram exibir se us talentos ar tísticos e

noites inesquecíveis ao som dos mais varia- dos estilos musicais , contando com nosso empenho na mais ampla divulgação possível. Mantendo nosso compromisso de gestão próxima d a comunid ade estud antil, realizaremos em 2015 o FEMA com o máxi- mo de qualid ade e diversão que o Festival deve proporcionar às noites franciscanas.

cur tir

Projeto Vozes do Porão

Per mane cendo com se u compromisso com a cultura e com o entretenimento, o Co-

le

tivo Contrap onto se comprome te a manter

o

ap oio institucional à Via jeira

Pro duçõ es

na realiz ação do Pro je to Voz es do Porão, que

já agraciou o palco do Porão da São Francis -

co com artistas como Lô Borges e Di Melo.

icoAcadêmoentrC

icocadêmAoCentr

Ch Chapa apa Presidenta Presidenta Amanda Ibraim Amanda Ibraim DiretoresDiretores GeraisGerais JJuulliiaa
Ch Chapa apa
Presidenta
Presidenta
Amanda Ibraim
Amanda Ibraim
DiretoresDiretores GeraisGerais
JJuulliiaa MMoolliinnaa
GGaabbrriieell BBeerréé
TesoureirosTesoureiros
SSaarraahh VViieeiirraa
JJooããoo FFaallccããoo
SecretáriaSecretária GeralGeral
BBeeaattrriizz GGiiaaddaannss
SecretárioSecretário dede OrganizaçãoOrganização
DDiiooggoo FFaagguunnddeess
PrimeiraPrimeira SuplenteSuplente
PPaauullaa MMaassuullkk
SegundoSegundo SuplenteSuplente
FFeelliippee MMaannssuurr
TerceiroTerceiro SuplenteSuplente
MMaarrccoo RRiieecchheellmmaannnn
CCoommiissssããoo ddee CCuullttuurraa AAllffrreeddoo AAnnddrraaddee AAnnggeellaa SSppiinneellii BBeeaattrriizz
CCoommiissssããoo ddee CCuullttuurraa
AAllffrreeddoo AAnnddrraaddee
AAnnggeellaa SSppiinneellii
BBeeaattrriizz GGiiaaddaannss
DDiiooggoo FFaagguunnddeess
Fauzi Jacob
Fauzi Jacob
FFeelliippee MMaannttiinneezz
FFrreeddeerriiccoo FFrraaggaa
JJooããoo FFaallccããoo
JJooããoo RRiiccaarrddoo OOlliivveeiirraa
LLuuiizz LLoosscchhiiaavvoo
MMaarrccoo RRiieecchheellmmaannnn
MMaattiiaass VVaallee
PPaauullaa MMaassuullkk
PPaauulloo CCaammppooss
RRaaffaaeell AArrrraaiiss
SSaarraahh VViieeiirraa
CCoommiissssããoo ddee FFeessttaass AAnnddrréézzããoo AAnnaa BBeeaattrriizz OOrrllaannddoo GGaabbrriieell
CCoommiissssããoo ddee FFeessttaass
AAnnddrréézzããoo
AAnnaa BBeeaattrriizz OOrrllaannddoo
GGaabbrriieell BBeerréé
JJooããoo FFaallccããoo
Claudia Hori
Claudia Hori
FFeerrnnaannddoo SShheeccaaiirraa
FFrreeddeerriiccoo FFrraaggaa
JJuulliiaa MMoolliinnaa
MMaarriinnaa GGrreeggoorryy
MMaattssuummoottoo SSaattoorruu
28

VViivveerr éé ttoommaarr ppaarrttiidd

XI I ddee AAggoossttoo

X
X
a r r t t i i d d X I I d d e e
a r r t t i i d d X I I d d e e
CCoommiissssããoo ddee AAccaaddêêmmiiccoo ee EEnnssiinnoo JJuurrííddiiccoo Amanda Ibraim Amanda Ibraim
CCoommiissssããoo ddee AAccaaddêêmmiiccoo ee
EEnnssiinnoo JJuurrííddiiccoo
Amanda Ibraim
Amanda Ibraim
BBeeaattrriizz GGiiaaddaannss
DDiiooggoo FFaagguunnddeess
Fauzi Jacob
Fauzi Jacob
FFeerrnnaannddoo SShheeccaaiirraa
FFrreeddeerriiccoo FFrraaggaa
ÍÍggoorr MMoorreennoo
JJooããoo FFaallccããoo
MMaarrccoo RRiieecchheellmmaannnn
MMaatteeuuss MMaannzzaannoo
PPaauullaa MMaassuullkk
MMaattssuummoottoo SSaattoorruu
RRaaffaaeell BBiiaanncchhiinnii
RRiiccaarrddoo SSoouuzzaa
CCoommiissssããoo ddee CCoommbbaattee ààss OOpprreessssõõeess AAllffrreeddoo AAnnddrraaddee Amanda Ibraim Amanda
CCoommiissssããoo ddee CCoommbbaattee ààss
OOpprreessssõõeess
AAllffrreeddoo AAnnddrraaddee
Amanda Ibraim
Amanda Ibraim
AAnnaa BBeeaattrriizz OOrrllaannddoo
AAnnggeellaa SSppiinneellii
BBeeaattrriizz GGiiaaddaannss
CCaaiioo OOrrtteeggaa
Claudia Hori
Claudia Hori
FFeelliippee MMaannssuurr
FFeerrnnaannddoo SShheeccaaiirraa
JJuulliiaa MMoolliinnaa
MMaarriinnaa BBrreecchhtt
MMaarriinnaa GGrreeggoorryy
MMaarrccoo RRiieecchheellmmaannnn
MMaatteeuuss MMaannzzaannoo
MMaatthheeuuss AAggggiioo
MMaatthheeuuss PPoonntteess
MMaattiiaass VVaallee
MMaattssuummoottoo SSaattoorruu
PPaauullaa MMaassuullkk
RRaaffaaeell AArrrraaiiss
SSaarraahh VViieeiirraa
CCoommiissssããoo ddee CCoommuunniiccaaççããoo AAllffrreeddoo AAnnddrraaddee AAnnggeellaa SSppiinneellii CCaaiioo
CCoommiissssããoo ddee CCoommuunniiccaaççããoo
AAllffrreeddoo AAnnddrraaddee
AAnnggeellaa SSppiinneellii
CCaaiioo FFlleeuurryy
DDiieeggoo PPaanndduulllloo
EEllooííssaa YYaanngg
GGaabbrriieell BBeerréé
JJooããoo RRiiccaarrddoo OOlliivveeiirraa
JJooããoo FFaallccããoo
JJuulliiaa MMoolliinnaa
LLeeaannddrroo RRaaccaa
LLuuiizz LLoosscchhiiaavvoo
MMaarrccoo RRiieecchheellmmaannnn
MMaarrttiinn SSaannttiiaaggoo
PPaauulloo CCaammppooss