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SOCIABILIDADE EM ESPAÇOS PÚBLICOS: UM ESTUDO DE CASO DA PRAÇA DA REPÚBLICA E DA PRAÇA

SOCIABILIDADE EM ESPAÇOS PÚBLICOS: UM ESTUDO DE CASO DA PRAÇA DA REPÚBLICA E DA PRAÇA ALENCASTRO NA CIDADE DE CUIABÁ-MT.

Rejane Cristina da Silva Barros UFMT - rejanenajer@hotmail.com

RESUMO Os espaços públicos urbanos tem sido objeto de estudo freqüente, pois, são nesses espaços, moldados a partir do uso cotidiano que a vida se efetiva. A praça é vista como exemplo dessa interação. É um local de grande valor histórico, cultural e de interação social sendo fundamental na configuração urbana consistindo em um dos mais importantes espaços públicos da história das cidades. Comumente definida como o lugar do encontro, passagem e da sociabilidade. Historicamente é palco de manifestações culturais, sociais, políticas, cívicas, esportivas e religiosas. Este estudo tem como objetivo central analisar o espaço da praça, investigando as alterações no seu uso no que se refere às sociabilidades ali presentes, percebendo com isso, que elementos simbólicos influenciam na sua composição, como as práticas sociais modelam esses espaços e sofrem também a influência destes. Foram delimitadas para a investigação duas praças da cidade de Cuiabá-MT ambas localizadas no centro urbano – Praça da República e Praça Alencastro. A metodologia utilizada é a etnografia a partir da qual foi possível a abordagem qualitativa através de observações, estudos exploratórios e entrevistas. Realizou-se uma análise comparativa de ambas as praças, no intuito de aproximar e distanciá-las em suas funções atuais. Em decorrência de a pesquisa estar em andamento, os dados obtidos inicialmente revelou à necessidade de se compreender as articulações, as práticas, as simbologias e funções implícitas e explicitadas pelos diferenciados grupos sociais que se identificam com o espaço público da praça e dele/nele fazem suas sociabilidades. Palavras chave: espaço público, praça, sociabilidade.

INTRODUÇÃO

A praça é um local de grande valor histórico, cultural e de interação social sendo

fundamental na configuração urbana, consistindo em um dos mais importantes espaços

públicos da história das cidades. É comumente definida como o lugar do encontro, passagem

e da sociabilidade. Historicamente é palco de manifestações culturais, sociais, políticas,

cívicas, esportivas e religiosas. Sua essência é constituída a partir da história que ela carrega,

de seu desenho paisagístico e de seu conjunto urbanístico. A integração entre morfologia,

estética e apropriação é que permitem a formação das praças, como espaços simbólicos,

lugares de memória.

Realizado de 25 a 31 de julho de 2010. Porto Alegre - RS, 2010. ISBN 978-85-99907-02-3

Na Antigüidade greco-romana, a praça era o espaço público de maior importância da cidade e

Na Antigüidade greco-romana, a praça era o espaço público de maior importância da cidade e funcionava como seu centro vital. Materializada na figura da Ágora ou do Fórum, a praça, com seu conjunto arquitetônico, desempenhava um papel crucial: era o locus publicci da vida citadina. Era nesse espaço que o conceito de civitas se fazia presente. Com seus diversos significados – funcionais ou morfológicos – a praça representava o espaço de maior vitalidade urbana. Eram espaços referenciais, atuando como ‘marcos visuais’ e como ‘pontos focais’ (LYNCH, 1997) na organização da cidade. Esse status alcançado pela praça ainda se faz presente no imaginário urbano, embora apresentem transformações significativas, as praças representam verdadeiros nós de confluência social e são espaços essenciais ao cotidiano da cidade, assim a praça não pode ser pensada como um objeto isolado, mas como um elemento intrínseco à cidade. Como elemento urbano, as praças representam espaços de sociabilidade propícios ao encontro, ao convívio, passagem e às trocas simbólicas. Toda cidade possui uma praça que se destaca como referência e ou símbolo, palco de eventos históricos, espaço agregador, e local de confluência. As praças são espaços permanentes no desenvolvimento das cidades. Sua função e morfologia, porém, estão atreladas aos processos de formação política, social e econômica próprios da gênese urbana. Desse modo, as praças marcam a estrutura das cidades. Diferenciam-se de outros espaços por constituírem vazios na malha urbana. Associadas à conjuntos arquitetônicos, funcionam como pontos de descompressão ao proporcionarem uma ruptura na paisagem configurada pelas edificações. Imagens como a da Praça Alencastro e a da Praça da República retratam notadamente esse universo simbólico. São espaços-síntese da memória urbana, pois contam a própria história da cidade.

OBJETIVOS Este estudo tem como objetivo central analisar o espaço da praça, investigando as alterações no seu uso no que se refere às sociabilidades ali presentes, percebendo com isso, que elementos simbólicos influenciam na sua composição, como as práticas sociais modelam esses espaços e sofrem também a influência destes. Pretende-se também sistematizar as formas de interação entre os indivíduos e ambientes que expressam a afirmação do ser sobre os lugares, através de uma utilização

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particular do espaço. Diagnosticando as sociabilidades passíveis no espaço público das praças em estudo, comparando

particular do espaço. Diagnosticando as sociabilidades passíveis no espaço público das praças em estudo, comparando como os grupos ali presentes procedem à divisão territorial do local e por quais premissas orientam a construção das suas relações sociais e como realizam a representação daqueles espaços, buscando identificar a função da praça na contemporaneidade urbana.

METODOLOGIA Foram delimitadas para a investigação duas praças da cidade de Cuiabá-MT ambas localizadas no centro urbano – Praça da República e Praça Alencastro. A metodologia utilizada é a etnografia a partir da qual foi possível a abordagem qualitativa através de observações, estudos exploratórios e entrevistas. Foi realizada uma análise comparativa de ambas as praças, no intuito de aproximar e distanciá-las em suas funções atuais.

RESULTADOS E DISCUSSÃO As praças são caracterizadas como de uso comum, ou seja, acessíveis a todas as pessoas que vivem numa cidade e disponíveis às ações espontâneas desses indivíduos. São locais destinados a atender a atividades funcionais, sociais e/ou de lazer (LYNCH, 1997). Logo, para fins deste estudo, as praças são espaços públicos abertos, onde ocorrem as manifestações da vida urbana, projetadas com a finalidade de promover a convivência e a permanência das pessoas nesses locais. Segundo SENNETT (1988), a praça surge como um dos elementos que reorganiza o espaço urbano, redefinindo os papéis sociais. Os usos e apropriações de espaços públicos estão intimamente ligados aos tipos de relações entre as pessoas e o meio, o que vem a caracterizar sua atual função. A natureza de um espaço determina os tipos de relacionamentos entre as pessoas, sendo, portanto, a conformação urbana um dos fatores que caracteriza a forma e o tipo de uso que o espaço adquire. Assim, o que determina se o espaço é público ou privado é o uso que se faz dele. Mesmo que um espaço seja destinado a um fim específico, nem por isso desempenhará a função para a qual foi construído. O tipo de uso ou o não-uso serão determinados pelos valores da população que o utiliza. Leite (2004) compartilha a mesma observação em relação à forma de organização do espaço urbano; nem sempre, portanto, as práticas sociais que colonizam um determinado espaço se coadunam com os usos esperados e projetados para determinados fins. Sobre este

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aspecto, Certeau (1995:233) já chamava a atenção para o fato que “(

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as maneiras de

a atenção para o fato que “( ) as maneiras de utilizar o espaço fogem à

utilizar o espaço fogem à planificação urbanística (

heurístico: ela nos convida a entender certos usos dissonantes dos espaços não como manifestações de uma “desordem”, mas como formas singulares de apropriação cotidiana e pública de certos espaços. A complexidade que envolve a análise de um espaço urbano em um contexto multidisciplinar exigiu uma investigação em diversas fontes. Foram consideradas as várias formas de narrativa escrita, sejam os documentos oficiais, as crônicas literárias, os memorialistas; os depoimentos e entrevistas que permitem reconstruir um imaginário do cotidiano; enfatizando o espaço público e urbano enquanto lugar simbólico implicado na memória coletiva. Na análise foi possível evidenciar a relação forma-conteúdo, no processo espaço-temporal, o que proporcionou a identificação de elementos que condicionaram o processo de apropriação e produção do espaço da área central bem como dos momentos históricos que condicionaram essa situação. O espaço das praças em estudo se desenvolve construindo sua própria história, legitimando atos e fatos. Práticas cotidianas de sociabilidade vão se estabelecendo no seu território, resultando na conformação de uma imagem e instituindo uma identidade no imaginário social dos cuiabanos. Atualmente, as praças estão sujeitas a uma política de intervenção e resgate que seja capaz de proporcionar as condições necessárias para a sua apropriação, possibilitando a retomada do seu significado simbólico. Porém hoje ela se dilui na imensidão urbana, seu declínio é conseqüência de um conjunto de transformações sociais, como o intenso fluxo de pedestres e veículos, além da poluição visual e sonora, deixando de lado aquele desejo por uma qualidade de vida como proposta de alguns teóricos. Lynch (1997) faz um comentário a esse intenso fluxo de pedestres, cita a concentração temática como espaço inconfundível pelo tipo de atividade que nela se desenvolve, mas acredito que as atividades observadas por vezes confundem-se com sua real função, ou pelo menos com sua intenção inicial. O autor nos fala que a imagem geral/pública, resulta da sobreposição de muitas imagens individuais. Nas praças estudadas, é evidente essa caracterização, sobreposição, também fala da percepção único-individual, que apesar de individuais, estas se aproximam uma das outras se tornando geral. Se elas se aproximam, qual

Essa observação tem forte valor

)”.

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o conteúdo da imagem perceptível das praças? De acordo com o autor a resposta à

o conteúdo da imagem perceptível das praças? De acordo com o autor a resposta à

indagação seria a análise da forma em si, dos efeitos dos objetos físicos perceptíveis.

Ao falar do ponto nodal como lugar estratégico é possível relacionar também ao ponto nuclear. Assim as praças teriam a natureza de conectar e concentrar (tanto numa

análise espacial quanto temporal) e também como símbolo de uma região central. Retomando

a sobreposição, percebe-se uma inter-relação dos elementos, uma interpenetração das

imagens, e onde elas mudam conforme as circunstâncias do modo de ver. Em relação à associação aos outros elementos circundantes tomamos como exemplo a Prefeitura Municipal ligada à Praça Alencastro e a Igreja Matriz associada à Praça da República. Lynch (1997) fala também da visão clara de outros elementos estando em qualquer ponto da praça. Discordo, pois, durante observação in loco, não foi possível uma visão clara dos elementos adjacentes, no caso da Praça da República não há uma divisão clara, um limite, ela se estende até a porta dos Correios e do Museu Histórico, diferentemente da Praça Alencastro que tem a Avenida Getúlio Vargas como canal de circulação, marcada por um trânsito intenso, representa segundo o autor um ponto limítrofe. Ainda em relação à visão dos demais elementos, Lynch (1997) toma novamente o ponto nodal – a praça – como lugar onde as pessoas ficam mais atentas e percebem os elementos circundantes com clareza incomum, o que se percebe nas praças em estudo é que grande parte das pessoas não se atentam ao espaço em que penetram quanto mais o entorno desse espaço. Quando o autor fala que o ponto nodal mais bem sucedido parecia ao mesmo tempo intensificar alguma característica do espaço circundante, associo às manifestações ocorridas em ambas as praças, sejam elas de cunho político, artístico, religioso e etc.; percebo uma extensão do elemento circundante ao espaço da praça, por exemplo, a Praça Alencastro por

estar ligada à Prefeitura Municipal foi e ainda é palco das principais manifestações políticas. Retornando à questão da imagem perceptível, sua organização espacial modifica-se conforme o ângulo analisado, ou seja, ela está em níveis diferentes seja pela circunstância, horário, dia da semana ou até estação do ano. Durante minhas observações, percebi essa variação em níveis de que fala Lynch (1997). Num domingo pela manhã a Praça da República

foi transformada em estacionamento. Invadida por carros dos indivíduos que assistiam à missa

na Catedral, ficando a Praça Alencastro com o papel de lazer. Pois algumas pessoas ali se

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divertiam em suas bicicletas e patins. A função de lazer exercida pelas praças em estudo

divertiam em suas bicicletas e patins. A função de lazer exercida pelas praças em estudo é quase invisível, há poucas famílias que ali aproveitam seu fim de semana. Até mesmo porque existem poucas residências nessa região já tomada pelo comércio desde o séc. XIX. Um dos prédios mais antigos da cidade o Edifício Maria Joaquina é o que na região central abriga um grande número de famílias, localizado de frente para a Praça Alencastro mesmo sendo em número bem escasso, estes moradores são os que mais utilizam a referida praça como fonte de lazer.

A busca pelas praças como lugar de descanso pode ser observado nos intervalos dos

horários de almoço do comércio central, e outros que entre uma compra e outra também

buscam a sombra das praças, principalmente a Praça da República por ser mais arborizada e amenizar a sensação térmica criada pela ilha de calor que é essa região central da cidade. São pontos de encontro de estudantes, funcionários do comércio local, ambulantes, pedintes, casais, amigos, jogadores de baralho e dominó, skatistas, surdos e mudos, taxistas e assim cada grupo vai se apropriando, deslocando, fixando e desagrupando-se no espaço da praça e seus limites. Destaca-se aqui o que Lynch (1997) chama de quebra de continuidade dia-noite e eliminação e agregação de novos sentidos, elementos e atores, se ajustando também às mudanças na realidade física, e de ordem global. No que tange a representações do espaço, Rogério Proença Leite (2002) nos fala que ele é construído de acordo com o modo de produção dominante. No caso, o surgimento da Praça Alencastro e da Praça da República esteve diretamente ligada ao poderio político e econômico da época, visto que a construção da Praça Alencastro resultou do anseio pelo progresso e a necessidade de modernidade, pois já havia um grande fluxo de pessoas de outras cidades/estados em função da Ferro Noroeste e da Cia. Mate Laranjeira necessitando assim atender a essa demanda de fora acostumada com inovações.

O Autor aborda ainda que a constituição dos espaços pressupõe a existência de uma

sociabilidade baseada no reconhecimento dos diferentes valores e interesses da sociedade, parece-me que diverge da forma como foi constituído os espaços das praças. Não houve um reconhecimento dos diferentes valores atribuídos até mesmo porque a Praça Alencastro fazia uma separação por meio de grades que cercavam todo o Jardim Alencastro, daqueles que podiam usufruir ou não daquele espaço urbano. Apóia-se então na análise de espaço público

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como esfera pública, recaindo assim nas formas de participação política e organizativa da sociedade civil.

como esfera pública, recaindo assim nas formas de participação política e organizativa da sociedade civil. O que se aflora aqui é o sentimento de pertencimento, da construção social do espaço. Sendo necessário aqui fazer um levantamento mais profundo da noção de espaço socialmente produzido pelas demandas da cidadania. Leite (2007) diz que determinadas sociabilidades públicas guardam relações práticas e simbólicas com os lugares sociais nos quais se estruturam. Creio que esse é um ponto crucial em minha pesquisa, extrair essa inter-relação entre as sociabilidades produzidas e simbologias envolvidas e mediadas pela estrutura física do ambiente das praças. Para Augé (1994) a identidade do grupo é expressa por um dispositivo espacial. Por exemplo, as jogatinas são feitas na Praça Alencastro, pois, a Praça da República não dispõe de nenhum equipamento que possa favorecer tal atividade. Mesmo que a Praça da República tenha bancos e a Praça Alencastro não os tenha, esta ainda é mais propicia, por ser mais clara/iluminada naturalmente, ser mais planificada e possuir muretas ou mesmo concentrar os taxistas que fazem essa prática. Práticas individuais e práticas coletivas é que levam segundo o autor à organização do espaço. Nas praças a disposição dos grupos é em função de suas práticas e usos, e esses espaços Augé (1994) caracteriza-os comumente em três aspectos sob a ótica da motivação da organização espacial: identitários, relacionais e históricos. Lynch (1997) cita a quebra da continuidade como um eliminador e agregador de novos elementos, sentidos e atores, já Auge (1994), diz que essa ruptura no espaço é que representa a continuidade no tempo. Vejo isso como um circuito aberto onde as mudanças se fazem de acordo com as práticas, variações e nuances decorridas no espaço-tempo sendo ativadas circunstancial e simbolicamente. A apropriação seria então a forma de interação entre indivíduos e ambientes através da utilização particular do espaço. Essa relação supõe o cuidado, preservação e criação de significados, características específicas e valores simbólicos e até mesmo físicos e visuais. Assim é improvável dissociar esses espaços para isoladamente fazer um estudo do que viria a ser praça e o que seria espaço público. “A noção de espaço público serve de base para compreender a forma como são apropriadas as praças enquanto espaços públicos” (RIBEIRO, 2008 p. 12).

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CONSIDERAÇÕES FINAIS Pode - se dizer que, é nos espaços de uso coletivo que se

CONSIDERAÇÕES FINAIS Pode - se dizer que, é nos espaços de uso coletivo que se forma o cenário para a realização de diversas atividades como circulação, passeio, recreação, contato com a natureza, socialização ou simplesmente observação da vida que neles acontece, que se dá a formação de novos grupos e diferentes relações sociais. A apropriação dos espaços públicos

tem de ser percebida nas tensões que trabalham e que a constituem. Tensões entre a distância

e a proximidade HALL (2005). Desse modo, foi possível analisar a maneira como se dá a apropriação dos espaços de uso coletivos por parte dos indivíduos. Analisando não somente as diferentes dimensões das relações sociais e sociabilidades pertencentes e presentes tanto na Praça Alencastro como na Praça da República, mas também analisar a forma objetiva, a perspectiva que esse mesmo grupo faz do lugar que apropriam, ocupam, usam ou simplesmente transitam, trata-se então do estabelecer de relações, de como os indivíduos apropriam os espaços públicos de uso coletivo tendo por perspectiva as tensões que se manifestam no uso desses espaços e que constituem-se em práticas sociais. Ao considerarmos, que as praças aqui estudadas são lugares de disputa entre grupos

e classes sociais, e que a apropriação dos espaços públicos, seja física ou simbólica, é uma luta diuturna entre os grupos, pretendeu-se neste trabalho discutir alguns aspectos que de certa forma simbolizavam e davam vida às praças. Aqui cabe lembrar o conceito colocado por Lynhc (1997) de um ponto nodal resultando nas interações complexas entre os diferentes grupos.

Como já foi observada durante todo o trabalho, a apropriação das praças ocorre conforme a necessidade de cada pessoa ou grupo de indivíduos, com base nos instrumentos disponíveis e no valor histórico e ou simbólico que esses espaços possuem e produzem, podemos também analisar partindo-se do pressuposto de que a compreensão das representações sociais pode servir de fundamento para a interpretação do universo simbólico. Assim, enfatiza-se o espaço urbano de uso coletivo enquanto lugar simbólico, implicado na memória coletiva, nos valores de grupos sociais e até mesmo na economia. E tem sua produção nos grupos sociais diferentes, gerando muitas vezes, não apenas aspectos individuais, mas uma espacialidade pública a partir de sociabilidades centradas no sentimento de pertencimento elaborado diante dos processos de ressignificação das paisagens.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AUGÉ, Marc. Não lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. Campinas, SP:

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AUGÉ, Marc. Não lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. Campinas, SP: Papirus, 1994, pp.43-70. DE CERTEAU, M. A Invenção do Cotidiano. Petrópolis: Vozes, 1996. HALL, Edward T. A dimensão oculta. São Paulo: Martins Fontes, 2005, pp.127-140.

LEITE, Rogério Proença. Contra-usos e espaço público: notas sobre a construção social dos lugares na Manguetown. Revista Brasileira de Ciências Sociais. São Paulo, v.17 n.49, 2002,

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, Contra-usos da cidade: lugares e espaço público na experiência urbana

contemporânea. Campinas. Ed. da Unicamp; Aracajú, SE: Editora

UFS, 2007, pp.

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LYNCH, Kevin. A imagem da cidade. São Paulo: Martins Fontes, 1997, p. 51-87. RIBEIRO, Zenilda Lopes. Praças e Lazer: dinâmica de uso e apropriação de espaços públicos em Sorriso - MT. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Mato Grosso, Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Departamento de Geografia, Pós-graduação em Geografia, 2008. Orientador: Prof.ª Dr.ª Marinete Covezzi. SENNETT, Richard. O declínio do homem público: as tiranias da intimidade. São Paulo/Rio

de Janeiro: Companhia das Letras, 1988.

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