Entre-Mentes

A Revista Virtual da Psicologia - UFSC

Edição Nº 02
Ano I

O Desenvolvimento
Moral Infantil
SEMPSI

Luta Antiprisional

Semana da Psicologia

Entre-Mentes
A Revista Virtual da Psicologia - UFSC
10 de maio de 2013

Créditos:
Edição
Júlio Cezar Morganti

Edição Nº 01
Ano I

Sua Contribuição é importante para a Entre-Mentes e vai
nos ajudar a melhorar. Envie seus textos, sugestões,
comentários, notícias, artigos, poesias e o que mais você
quiser para:
revista.entrementes@gmail.com

Arte Final
Morgana Martins de Medeiros
Júlio Cezar Morganti
Diagramação
Júlio Cezar Morganti
Contribuições dessa Edição
Alexandre Cintra
Ana Luísa Assis Paulino
Coletivo Pira!
Emilia Regina Franzosi
Flávio Osaida
Gabriel Oliveira Meira
Júlio Cezar Morganti
Leandro A. Aragon
Luna Cassel Trott
Luís Giorgi Dias
Mariana Nór do Nascimento
Mariana Queiroz
Rogério Simas Souza

Errata
Nossa edição de estreia foi quase livre de erros,
mas como nada é perfeito, o editor deu uma mancada e
acabou cortando acidentalmente uma frase de um dos
artigos. No artigo de opinião de Allan Kenji Seki,
entitulado “Porque não podemos tolerar Felicianos?”, e
última frase do artigo esta cortada, na página 18. A frase
completa é:
“E é por isso que não podemos ser tolerantes com
Felicianos!

Entre-Mentes é uma revista virtual sem fins lucrativos de distribuição gratuita. Todo o conteúdo é livre para uso
e reprodução, na condição de que suas fontes e créditos sejam preservados. Os artigos, principalmente os de
opinião, são de responsabilidade exclusiva de seus autores

a Ed Mota . O primeiro deles foi a espera por uma definição do calendário da Semana Acadêmica da Psicologia. pudessem chegar até nós. mas outros grupos/instituições (como o Sempsi. a meu trabalho na Comissão de Comunicação do CALPSI. que estava inicialmente programada para o dia 2 de maio. e apesar do atraso na publicação. para a disciplina de Pesquisa e Prática Orientada II. Júlio Cezar Morganti a. Contamos com a já mencionada programação da Semana da Psicologia. uma EntreMentes que possa ser vista. e contribuições artísticas de colegas muito talentosos. em sua então segunda fase. A matéria tem como tema o desenvolvimento moral infantil. Se trata de um texto bastante direto e objetivo quanto a sua visão acerca da atuação do Centro Acadêmico.Editorial A revista virtual Entre-Mentes está em sua segunda edição. o Pira. Quanto ao atraso. e se sentem livres para publicar suas opiniões. Temos ainda um ótimo texto relacionando a luta antimanicomial a luta antiprisional. adiado. na qualidade de editor da revista. meu trabalho de editor da revista se dará de maneira paralela. essa revista virtual nasceu com o objetivo de ser um espaço plural e democrático. e não uma pesquisa formal. o que postergou o lançamento para o dia 7. do Sempsi e do Coletivo Pira. por estar vinculada ao CALPSI. Isso me traz uma satisfação enorme. Por essa razão. os membros do CA não tem contato frequentemente. Mas apesar dessa grande satisfação. buscarei uma participação cada vez mais abrangente e plural de colaboradores . sob a perspectiva de Kohlberg. Esse foi um problema de ordem técnica difícil de solucionar para um leigo como eu. sob a orientação do Professor Mauro Vieira.k. Esse texto não só vem trazer uma valiosa perspectiva que. o Nudes e etc. a revista possa passar esse caráter institucional. Nessa data. o lançamento foi. Entendendo que. por observar de fora. verdadeiramente. A matéria de capa dessa edição é um artigo produzido baseado em um trabalho acadêmico. há ainda uma pontadinha de desapontamento ao ouvir que ela é a “revista do CA”. pois mostra que os membros do curso acreditaram e apostam nessa proposta.) serão procurados para fazer seus próprios informes periódicos e ajudara construir. para o dia de hoje (10). Enquanto editor. mais uma vez. que é divulgar a produção acadêmica da graduação do curso. ela nasceu para ser a “revista do curso de psicologia”. cujas obras emprestam a essa edição um valor que vai além das palavras. sem medo de interferência ou censura. Muitos pontos levantados nesse texto serviram a uma profunda reflexão do CALPSI não só sobre sua atuação. onde todas as contribuições e todos os pontos de vista seriam recebidos com os braços abertos. O CA ainda terá seus informes publicados na revista. e não mais concomitante. mas quanto maneira de apresentar essa atuação para os membros do curso. que não pretende ter. de autoria de Emília Franzosi e Leandro Aragon. está firme e forte. apresentado durante a graduação de alunos da psicologia 2011. e esse atraso permitiu que mais algumas valiosas contribuições. em ver a Entre-Mentes crescer como um espaço democrático aberto. e o software usado para a diagramação da revista sofreu o que podemos chamar de “morte súbita”. desvinculá-la do CA. Mas vale ressaltar um dos textos presentes nessa edição. mas pelo próprio fato de podermos publicá-lo aqui. ela é editada por um membro do Centro Acadêmico. Sim. a EJ. Mas em tudo há um lado positivo. Essa matéria vai de encontro a um dos principais objetivos da Entre-Mentes. porém fomos atingidos pela inescapável Lei de Murphy.2. como a revista da psicologia da UFSC. No entanto não é apenas pela crítica que esse texto merece destaque. Isso quer dizer que. eu decidi. mas sua pretensão é maior. O fato dos autores desse texto o terem enviado me enche de alegria. há dois fatores que ocasionaram o adiamento dessa edição. além de informes do Centro Acadêmico Livre de Psicologia. Como tenho enfatizado desde a criação da Entre-Mentes. Cabe ressaltar que esse artigo tem como base uma prática de pesquisa. que deixaram essa edição ainda mais especial. coletivamente.

Desartes .Dia da Luta Antimanicomial 23 .Vida Acadêmica .Moralidade Infantil 13 .Desartes . a quem o C.Índice 05 .18 de Maio . Anda Representando? 16 ..Moralidade Infantil 12 .Afinal.Afinal.Moralidade Infantil 10 .Da Luta Antimanicomial à Luta Antiprisional 20 .Só Por Uma Noite (Charlie.Matéria de Capa . a quem o C..Vida Acadêmica .UFSC 06 .Opinião .18 de Maio .Vida Acadêmica .Semana da Psicologia .Matéria de Capa .Moralidade Infantil 11 .Noticias . Anda Representando? 17 .Afinal. Anda Representando? 15 .Opinião .Coletivo Pira! .A.Vida Acadêmica .Matéria de Capa .Coletivo Pira! .Metáfora .UFSC 07.Noticias .Centro Acadêmico Livre de Psicologia 08 . a quem o C.O Que Acontece em Maio na UFSC? 18 .A.Afinal. e o Sempsi? 14 .Opinião .Dia da Luta Antimanicomial 22 .Da Luta Antimanicomial à Luta Antiprisional 21 .) 24 .A.Da Luta Antimanicomial à Luta Antiprisional 19 .Moralidade Infantil 09 .Informativo .Vida Acadêmica .Matéria de Capa .Semana da Psicologia .Matéria de Capa .

Os ingressos para o Coquetel podem ser adquiridos junto a Comissão de Integração do CALPSI. Nesse mesmo dia ainda estrá disponível. vagas para monitoria da Semana da Psicologia. Esse é um valioso espaço. com listas de presentes e certificados de participação. Confira nas tabelas a relação completa dos eventos e mini-cursos.Notícias Semana da Psicologia Nessa próxima semana. pelo valor de R$ 15. Na sexta-feira ocorrerá o Coquetel de Encerramento da Semana da Psicologia. 5 . criado coletivamente entre coordenação. Uma variada gama de palestras. mesas de discussões e minicursos estará disponível aos participantes. que deverão fazer as inscrições nos eventos de seu interesse pela manhã de segunda-feira (12). para que as atividades e produções acadêmicas nascidas no nosso curso possam se fazer conhecidas por todos. professores e alunos do curso de psicologia. que contará com Open Bar e Open Food (contando inclusive com opções veganas). lidando. entre outras coisas. Os monitores estarão encarregados de facilitar a interface entre os participantes e os promotores do evento. ocorrerá a Semana Acadêmica da Psicologia. Esse evento contará com a presença dos membros do Departamento de Psicologia – docentes e discentes – e estará ainda aberta ao público em geral. de 12 a 17 de maio. a partir das 08h00.

.Notícias As inscrições para os mini-cursos deverão ser feitas na segunda-feira pela manhã. a partir das 08h30. 6 por ordem de inscrição. essas poderão ser preenchidas nos dias e data dos eventos. Sobrando vagas.

a partir do próximo número. embrionário da Central Única dos Trabalhadores. o CALPSI começou durante o último horário discente (10/05). Porto Alegre – RS – Regime intensivo com duração de 180 horas. Zezinho conta com uma vasta experiência política. Minicurso na Semana Acadêmica: na terça-feira (13). ・ Coordenador de mandato legislativo federal. e estenderá pelos próximos dias. o CALPSI estará promovendo o minicurso “Política. que evoluiu para a agricultura familiar. A mediação se dará pelo convidado José idival de Souza – Zezinho. debates e encontros de forma a. Democracia e Movimento Estudantil”. e outras cadeiras precisarão ainda ser substituídas devido a irregularidades nas atuais indicações. Rio de Janeiro . ・ Atualmente. consultor em planejamento estratégico para o movimento social e administrações populares. Ele será uma oportunidade de debater esse tema. que é uma demanda dos alunos do curso. Juventude . Semana da Psicologia: O CA faz parte da comissão organizadora que está planejando a Semana Acadêmica do Curso. cujo objetivo é mostrar para a comunidade a produção acadêmica do curso. ・ Militante do movimento sindical rural. ・ Curso sobre Análise Estrutural e Conjuntural da Realidade Social Brasileira pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento – IBRADES. para coletivamente construir esse espaço. ・ Participou da construção e da direção executiva do Partido dos Trabalhadores de Santa Catarina. ・ Curso sobre a História da Juventude. Ciências Contábeis e Ciências Econômicas de Palmas – FACEPAL. indicar alunos para essas tão importantes instâncias representativas dos alunos da psicologia. Um resumo de seu currículo: ・ Formado em Administração Rural pela Faculdade de Administração. colegiado do departamentos de ensino. e deixa. Com esse fim. com professores e alunos de psicologia. ・ Foi assessor parlamentar estadual. a ser a “revista do CA”. ・ Consultor em inovações tecnológicas para agricultura familiar pelo PNDU/MDA.RJ Regime intensivo 277 horas. colegiado dos cursos de graduação e colegiado dos cursos de pós-graduação) está chegando ao fim. que vai do dia 12 a 17 de maio (mais detalhes na seção de notícias).IPJ. da graduação e pósgraduação. Realidade Brasileira e Perspectivas de Transformação. a Revista Virtual do Curso de Psicologia se encontra às beiras de uma nova fase (como você deve ter lido no editorial da edição). Entre-Mentes: em sua segunda edição. durante a Semana de Psicologia.CALPSI . o que o pessoal do Centro Acadêmico Livre de Psicologia andou fazendo nesses últimos dias? Representação Discente: O mandato de várias cadeiras de representação discente (conselho da unidades de ensino. ・ Militante social dos movimentos de juventude nos anos 80 e 90. pelo Instituto de Pastoral da Trabalhando como abelhinhas 7 . Ao longo de várias semanas o CALPSI tem se reunido com a coordenação do curso.Informes Então. de forma coletiva.

profissional. 8 Na presente pesquisa. familiar. A s pesquisas de Kohlberg foram realizadas. etc. ao analisar as respostas de crianças a dilemas morais cuidadosamente construídos e a racionalização de suas justificativas. em ambiente escolar enfrentam. utilizando seu construcionismo para explicar as maneiras como as crianças desenvolvem sua noção de certo e errado. Jean Piaget foi o primeiro pesquisador a realizar estudos nessa área. A maneira como o indivíduo se relaciona estará diretamente ligada a diversos fatores de sua história de vida e personalidade. como o valor da vida humana ou as razões para fazer coisas 'certas'”[s. A fim de explorar o raciocínio da criança a respeito de um problema moral difícil. Da mesma maneira que os estágios de Piaget. Um desses muitos fatores será o senso de moralidade. principalmente. procura-se encontrar seu estágio de desenvolvimento moral.Capa Moralidade Infantil Graduações de Certo e Errado na Vida Escolar das Crianças Ana Luísa Assis Paulino Gabriel Oliveira Meira Flávio Osaida Júlio Cezar Morganti Rogério Simas Souza A parte mais significativa da vida humana é a relação com outras pessoas. Utilizando um esquema semelhante ao de Piaget. um dos maiores pesquisadores na área do desenvolvimento moral. “Geralmente os dilemas expostos por Kohlberg expunham os entrevistados a situações limites. segundo teorizados por Kolhberg.]. como sua postura acadêmica. o que remetia a profundas dúvidas sobre a opção mais correta que se deve tomar. Segundo (Espíndola e Lyra). teremos Laurence Kohlberg. Kolhberg afirma que não há um determinismo cronológico (no sentido de não haverem idades específicas para alcançar os estágios). Esses dilemas as confrontam com escolhas que as fazem questionar o certo e o errado. Método Primeiramente os pesquisadores do projeto realizaram uma pesquisa bibliográfica dos itens a serem abordados no projeto. que teve por objetivo agregar valores teóricos e conceituais ao conteúdo que foi .d. punições e as conseqüências que seus atos tem em terceiros. Kohlberg teoriza e descreve diversos estágios de desenvolvimento moral. A racionalização apresentada pelas crianças que respondem aos dilemas são analisadas e. mas que a sequência é a mesma para todos. A maneira como se dão essas relações influenciarão a maneira como o indivíduo se comporta em todos os aspectos de sua vida. baseado nisso. são desenvolvidos dilemas morais construídos especialmente para reproduzir as situações que crianças de 11 anos. a amostragem selecionada (que conta com 3 indivíduos). Trilhando o caminho inaugurado por Piaget.

Os dados são posteriormente apresentados de forma descritiva. segundo a escala de Kohlberg. Nas situações hipotéticas que são apresentadas nesses dilemas. o Dilema de Heinz. mas só conseguiu aproximadamente 1000 dólares. em que estágio de desenvolvimento moral o indivíduo se encontra. nos é apresentado pela pesquisadora Helen Bee: “Na Europa. O Desenvolvimento Moral da Criança Piaget. adequando essas respostas aos estágios de desenvolvimento moral teorizados por Kohlberg. Ele disse ao farmacêutico que sua mulher estava morrendo e pediu-lhe para vender o remédio mais barato ou deixá-lo pagar o restante depois. em algumas circunstâncias. diante da história de Heinz.]). 1977) em 3 crianças 11 anos. seguido de perto por Lawrence Kohlberg. Desde o início de sua carreira. O remédio era caro para se fazer e o farmacêutico estava cobrando dez vezes mais do que ele lhe custava na fabricação. Os pesquisados devem. sendo esse o tema de sua tese de doutorado (Baggio. O marido da mulher doente. Então Heinz ficou desesperado e assaltou a farmácia para roubar o remédio para sua mulher. relacionando as respostas com a construção de seu senso de moralidade e punibilidade. 19XX). considerar as implicações morais de seus atos. eu descobri o remédio e vou ganhar muito dinheiro com ele'. com uma situação extrema onde as circunstâncias o levam a cometer um crime. não ser considerado um fator primordial na escolha do indivíduo. sendo analisados e discutidos em seguida. o grupo decidiu apresentar dois dilemas morais. com um tipo específico de câncer. procurou todo mundo que ele conhecia para pedir dinheiro emprestado. que lhe traria alguma vantagem ou gratificação. 1977). a possibilidade de escapar às consequências do ato se insinua. Posteriormente e concomitantemente. Teria ele agido corretamente ao fazer o que fez para salvar a vida da esposa? Ou seu crime deve ser punido. pois é a partir da racionalização da resposta que se determina. em sua obra “O Julgamento Moral da Criança”. apresenta-se uma escolha entre o moralmente correto. Como parte do dilema. Seu modelo construcionista foi. semelhantes aos usados por Kohlberg em suas pesquisas(BEE. apud Espíndola e Lyra [s. Um dos mais famosos dilemas morais de Kohlber. Havia um remédio que os médicos achavam que poderia salvá-la. então. confrontando-as com situações de seu cotidiano escolar. no dilema acima. psicólogo e filósofo estadunidense.Capa desenvolvido. Esses dilemas morais confrontam o indivíduo com uma situação onde os limites do certo e do errado deixam de ser totalmente claros. e o moralmente condenável. a metade do preço do remédio. uma mulher estava quase à morte. Ele pagava 200 dólares pelo rádio e cobrava 2000 dólares por uma pequena dose do remédio. que constituíam dilemas morais.d. que acarreta prejuízo ao indivíduo. foi o primeiro pesquisador a se dedicar ao desenvolvimento da moralidade de um ponto de vista cognitivista (Espíndola e Lyra.”(BEE. 1997. registrando suas respostas e suas implicações morais. uma vez que furtou o farmacêutico dos frutos de muitos anos de pesquisa em seu remédio? Tão importante quanto a resposta do entrevistado é a sua justificativa para a mesma. 9 . Kohlberg se ocupou do tema da moralidade e seu desenvolvimento. Mas o farmacêutico disse: 'Não. auxiliando a sua elaboração e defesa por meio de citações e dados científicos. de modo que o temor por punição pode. Heinz é confrontado. Heinz. Era uma forma de rádio que um farmacêutico da mesma cidade havia descoberto recentemente. Kohlberg se utilizava de pequenas histórias. Em suas pesquisas.

pois sua mãe trabalha fora. o que deve fazer? Punir só o Joãozinho ou só a Mariazinha. Convencional e Pós-convencional) e cada um desses se divide. que é sua amiga. Nesses dilemas. ou os dois? Porque? Mariazinha é uma boa aluna. ocorrer em seu cotidiano escolar. 1997.Capa Kohlberg teoriza o desenvolvimento moral em um esquema de estágios (ou estádios). planejados para a amostragem da nossa pesquisa. e ele tem que 10 ajudar nas tarefas da casa. Em uma situação. ou os dois? Porque? Luizinho não estudou para a prova de geografia. e pede cola. Mariazinha deve passar cola ao amigo? Porque?O professor. As crianças entrevistadas tem entre 10 e 11 anos de idade. 2003) Dilemas Morais para Crianças Baseados nos dilemas de Kohlberg. em dois estágios. e também pede cola para Mariazinha. Biaggio. e foram confrontados com situações que podem. baixinho (para o professor não ouvir) para a Mariazinha. ele tem dificuldades para lembrar da matéria porque não estudou. Mariazinha deve passar cola ao amigo? Porque? O professor. A escala de Kohlberg é dividida em 3 níveis (Préconvencional. elas se deparam com uma escolha que envolve ações moralmente corretas ou moralmente condenáveis. o que deve fazer? Punir só o Joãozinho ou só a Mariazinha. ele não consegue se lembrar da matéria porque não estudou. na outra. a escolha entre trapacear ou não numa avaliação escolar é balanceada com situações atenuantes e agravantes. ou satisfação pessoal. pois passou a maior parte de seus dias brincando e jogando video-games. No dia da prova. se descobrir. No dia da prova. de maneira semelhante ao que Piaget faz com o desenvolvimento infantil. que sempre estuda e . se descobrir. dois dilemas foram construídos.1994. Ruiz. o balanceamento se dá pela necessidade. Relacionamos a seguir os dilemas apresentados as crianças: Dilema I Joãozinho não pode estudar para sua prova de matemática. facilmente. Apresentamos um modelo resumido dos estágios da escala de Kohlberg segundo Espíndola e Lyra (apud Montenegro. por sua vez.

porque ela não devia passar cola. o que deve fazer? Os dois. Nos dias das provas. né.porque passar cola. não sei porque. mas fica com pena de seus amigos que vão mal nas notas. e está errado. que era dele. na escola. o que deve fazer? Punir só o Joãozinho ou só a Mariazinha. você acha que o Zezinho deveria Amigo ou não ele deve dar. o que Mariazinha deve fazer? Mariazinha deve passar cola aos colegas? Porque? O professor. porque aquele menino da outra sala disse tinha perdido o dinheiro. pouco mais pedir para a mãe se hoje em e ele pode estar pegando cola errado e dia ele pode estudar.L. Os Dois. o que deve fazer? Os dois. claro que não. porque ela ta passando cola para ele e ele para ela e isso não pode Punir só o Joãozinho ou só a Mariazinha. Deve devolver. fazer isto e se dar mal. Mariazinha deve passar cola ao amigo Não. com a matéria O professor. e N. prioridade. . Mas como foi mal nas provas. Ela acha importante estudar. isto não é estudar. se descobrir. porque os dois estão errados.. em forma de quadro. porque ele não deveria ter Acho que não.E.O.O. ele deveria devolver o dinheiro ao amigo. O professor. Se ele confiava no amigo mesmo. ou só a Mariazinha. teria que ver porque o dinheiro pode não ser dele. no chão. ou cola e ela por dar para ele. ou estudado e ela também por ter passado esta passando cola porque quer. você acha que o Zezinho deveria devolver o dinheiro? Porque? As Respostas das Crianças Relacionamos. ou só a Mariazinha. quem vai tirar zero é ele. Mesmos ela gostando. nem para o lanche. ela não quer que eles repitam o ano. se descobrir. porque ele não sabe que ele pegou então ele deve dar o dinheiro. cola pra ele. deveria tentar ajudar eles senão quem vai se dar mal é ela. Zezinho encontra. estudar no colégio. L. perguntando se alguém havia encontrado o dinheiro que ele havia perdido. porque ele não devia Não. Punir só os meninos. para depois brincar. porque ele é amigo dele.O. Durante o intervalo. Não sei porque não esta falando exatamente que o dinheiro é dele. Zezinho deve dar os R$50 para ele. ou os dois? Porque? Dilema II Zezinho havia planejado comprar um novo joguinho de computador. identificadas apenas como F. Não sei. deve devolver.. deixando ele sem dinheiro nem para o jogo.O. mesmo. porque a prova pode ser diferente. porque ele esta errado por não ter Não importa. os pais de Zezinho cortaram sua mesada. L.E. ela não deveria ela passou cola porque quis né. porque é o certo que ele faz.. a prioridade é estudar. se descobrir. para continuarem todos sendo colegas. as repostas das crianças. não porque senão ela. Eu acho que sim. muito não deve Não né. devolver o dinheiro? Porque? o dinheiro. R$50. se descobrir. Conversar com os pais para ver se é verdade. o menino deve sem ter certeza se era o dinheiro dele? perguntar se foi o menino mesmo que perdeu. acho que ele pode se esforçar um Não. ou todos? Porque? Os dois. porque ele tá errado de pedir Os dois. ele ouve um aluno. Acho que sim. Mas voltando para a sala. porque é errado porque ela vai ninguém é obrigado a passar cola. o que deve fazer? Os dois. mas se não for não. os dois? Porque? ter dado. além de ter planejado tomar um lanche com os colegas no final de semana. Mariazinha deve passar cola ao amigo Não. N. o suficiente para seu joguinho e o lanche com os colegas. Ele deve dar o dinheiro para o Porque? menino.L. Se o dinheiro for dele ele deve devolver. de outra turma. Zezinho deve dar os R$50 para ele. porque mesmo com a mãe fora ele deveria arrumar um tempo para [Joãozinho]? Porque? organizar a casa e um tempo para estudar. ele não sabe se o dinheiro é dele. porque estão errados. Mariazinha deve passar cola aos colegas Não. O professor. Punir só o Luizinho. e que o amigo realmente perdeu ele fazer.. [Luizinho]? Porque? brincado se tem uma prova ele deve ficar na frente do videogame. pode pedir ajuda aos professores na escola. porque ele tem o dever de estudar porque na cidade a gente é [ambos]? Porque? estudante é o nosso trabalho assim então devemos estudar. porque era o certo para turma.Capa tira boas notas. Não. mesmo Sim. mesmo sem ter certeza se era o dinheiro dele? Porque? Se o menino fosse um amigo da sua turma. do que comprar o joguinho. Se o menino fosse um amigo da sua A mesma coisa. aos dilemas propostos: F. porque eles devem estudar Os dois. os dois por causa que ela Os dois.

E. Ângela Maria Brasil.E.E. n 33. e fácil de relacionar com a escala Kohlberg.ufba. sugerindo que Mariazinha faria melhor em ajudar os amigos a estudar.E. a despeito de sua dedicação aos estudos. No entanto. Podemos ver.br/twiki/pub/LEG/WebArtigos/moralidade _em_Laurence_Kholbeg. por fim. esforçando-se para se comportarem da maneira que se mantenha a ordem e o funcionamento das instituições (no caso. p. A Educação Física e o Desenvolvimento Moral do Indivíduo numa perspectiva Kohlberguiana.. relacionando o dever de estudar das crianças com o seu papel social enquanto estudantes. demonstram em suas repostas uma preocupação em relação às convenções e normas estabelecidas. reitera a necessidade de se buscar alternativas para que se possa estudar. pois. São Paulo: Mestre Jou. e Mariazinha não deve passar cola pois ela pode ser pega. Brasil. quanto a falta de confiabilidade da trapaça no teste. Por fim. considera que a cola não deve acontecer.L. Eduardo Luiz Lopes..O. sem que hajam dúvidas. estágio 4. B. e a falta de garantias de evitá-la. . 93p. A criança em Desenvolvimento. Para N.1994. São Paulo: Harper & Row do Brasil.O. demonstra novamente a preocupação com as consequências diretas da ação (com a punição). Reflexões sobre a Moralidade Infantil. Dessa forma. BIAGGIO. Tendo em vista a dificuldade em criar mecanismos para mensurar decisões morais de forma acadêmica.. que não estudou por ter ficado brincando.1932.v 10. Diante do caso de Joãozinho. janeiro 1997. 1984. L. Observamos também que existem certas diferenças quanto a justificativa que leva cada criança a dar sua “resposta fechada” e que esta pode abrir muitas questões para reflexão em relação a que juízo de valor levou a criança a dizer “está certo/errado”. demonstra uma preocupação diferente.10. ESPÍNDOLA. uma vez que certas ações sejam tomadas para garantir a real propriedade do mesmo. PIAGET. Joãozinho não deve colar pois podem haver dois ou mais tipos de prova. Isso as colocaria no Nível II. apesar de uma homogeneidade das respostas. 2003. pois “é o certo”.E. a adoção de problemas cotidianos e sua explicitação demonstraram ser a mais acertada. MONTENEGRO. Maria José Ferreira.E. e não a trapacear. Lyra. 232243. pois a instituição está baseada no princípio de que os alunos devem ser honestos. que a racionalização por trás de suas escolhas é simples. N. por sua vez. e zerar a prova. temos algumas divergências nas justificativas. como maior motivação contra a cola. Helen. Maria Z. N. o que o levaria a errar as questões de qualquer maneira. pp. É mais enfática ao vedar a ação de Luizinho. e não uma questão fora dos meios aos quais estas estão inseridas. não se pode colar. No dilema que envolve dinheiro. Jean.O. Quanto a conduta de Mariazinha. pode ser constatada uma similaridade na forma de pensar na maioria das respostas. L. Disponível em: <http://www. enquanto para as outras está implícito que a própria proibição da trapaça é a razão para não realizá-la. N. A Moralidade em Kohlberg: Uma Revisão. duas das crianças afirmam que ele deveria ter procurado alternativas para estudar. a escola). Acessado em junho de 2012.. RUIZ. demonstra preocupações mais primárias. e L. 1 – 20.O. 12 Considerações Finais Buscamos com este trabalho a elucidação do modo das crianças pensarem em relação à decisões morais como algo de seu dia a dia. do desenvolvimento moral. entre os estágios 1 e 2. demonstrando que estas são suscetíveis aos seus sentimentos para julgar casos que denotariam maior imparcialidade. O Julgamento Moral na Criança.Capa Interessante notar que. acreditamos que a proximidade das pessoas envolvidas com o problema abordado interfere decisivamente no julgamento das crianças. Reflexão e Crítica. 1 ed.. as crianças concordam que o dinheiro deve ser devolvido. Psicologia. Vanessa B. estaria em algum ponto do Nível I. F. N. analisando o conteúdo das falas das crianças. 19p.pdf> . F. é a possibilidade de uma consequência negativa a maior razão para não trapacear. Revista Iberoamericana de Educación. Rio de Janeiro:Universidade Gama Filho. que não pode estudar por conta das tarefas domésticas. v. Porto Alegre. Kolbergh e a “Comunidade Justa”: promovendo o senso ético e a cidadania na escola. no entanto.ici. o que mostra a preocupação com as convenções e regras estabelecidas. temos respostas com um conteúdo muito interessante.. Dessa forma.L. enquanto N. O que a leva a não trapacear é o temor da punição.. Referências BEE.

Sintam-se todos mais do que convidados a participarem. gerido. críticas e sugestões. seja da nossa área ou de outras. O Serviço Modelo de Psicologia (SemPsi) é uma proposta de projeto que vem sendo desenvolvida por graduandos do curso de Psicologia desde o ano de 2011 e ainda está em construção. ocuparemos também a Semana da Psicologia que acontecerá entre os dias 13 e 17 de maio. os quais não têm acesso ao que é produzido hoje nas Universidades. feito e avaliado pelos estudantes. no dia 24 de abril. projetado. para ser gerido unicamente pelos estudantes. c o m / p a g e s / S e m p s i . É a criação de uma nova forma de extensão dentro do curso de Psicologia. qualquer dúvida é só entrar em contato por um desses meios ou trocar uma ideia com os membros pelos corredores. a importância de todos estarem cientes e bem informados da proposta do serviço! Venha construir com a gente! Para Saber mais. h t t p : / / w w w. Para ampliar ainda mais essas discussões. afinal este projeto é para o curso. na forma de uma construção coletiva..Encontro no Hall do CFH 13 . salas de aula. Um dos princípios do SemPsi é o caráter popular. Por isso. bosques e bares da vida. que também compõe o tal tripé. ara além dos debates e das reuniões gerais. o que significa que o Serviço entende a produção de conhecimento para fins de transformação da realidade social a partir da territorialiedade. página e perfil no facebok.wordpress. E tudo isso pensado. que vai ao encontro do princípio da autogestão estudantil. o SEMPSI está em processo de elaboração de seu projeto. os quais divulgaremos assim que terminarmos de organizá-los. grupo.. A extensão é um dos componentes que sustenta a diretriz de produção científica dentro da Universidade Brasileira. ou seja. temos também nosso e-mail. Dessa forma. Desde o início letivo. o SemPsi promoveu um espaço para a apresentação das últimas atividades que vem desenvolvendo. pois apareceram diversas dúvidas e questionamentos. considerando e construindo seus projetos a partir do local em que a pesquisa e extensão se darão de fato. contruírem e se informarem sobre o SemPsi. como a metodologia de elaboração dos projetos.Vida Acadêmica Afinal. o SemPsi é um projeto aglutinador de propostas de extensão universitária. Por isso.U F S C / 370385329712726?fref=ts http://sempsi. que contou com a participação de cerca de 30 pessoas e foi muito importante. o SemPsi irá analisar e incorporar as críticas e sugestões desse espaço. para debater mais temas que envolvem a criação do Serviço Modelo. que é formada por um tripé: Ensino. de acordo com suas necessidades. para as atividades de ensino. nas próximas reuniões semanais. a disposição dos membros e a possibilidade de construção de grupos de estudos preparatórios. O SemPsi visa que tudo o que for feito a partir dele retorne para o curso. elaborado. site/blog. os serviços de Psicologia seriam prestados e elaborados com e para os setores marginalizados da população. entendemos que a criação do projeto do SemPsi deve ser amplamente discutido com os estudantes do curso. e o SemPsi? Luna Cassel Trott Resumindo em poucas palavras. Neste sentido. E claro. Assim. f a c e b o o k . baseada em críticas à forma que se dá hoje este tripé universitário como um todo (dentro e fora do nosso curso). realizado a partir de reuniões semanais e abertas aos estudantes de todo o curso. Pesquisa e Extensão. ou seja.com/sobre/ Reuniões Semanais: Segundas-feiras às 17h .

o que fez o Calpsi pelos estudantes que planejavam representar? Quais pautas dos estudantes foram tocadas? Quando o Calpsi foi lutar por revindicações dos estudantes frente à coordenação? Quando o Calpsi cumpriu sua função de centro acadêmico. 4) o debate sobre a semana de psicologia ainda está quente no grupo do facebook enquanto escrevemos este texto. Na parte inferior da página. aguardamos ansiosamente os debates sobre o tema. A questão do excesso de carga horária foi tocado pela turma. atlética. o que o Centro Acadêmico anda aprontando?. na prática.A.A. sem qualquer participação do C. semana da psicologia. durante o trote para evitar que o pessoal pegasse pesado demais. Lembramo-nos de esperar alguma movimentação do C. no grupo do facebook. 2) quanto à atlética. “Acho mal pra caralho!” comentou uma amiga.. Em primeiro lugar. a imagem do que acreditamos ser uma abelha africana polinizando uma flor de Sisyrinchium angustifolium e a legenda: descansar é para os fracos. xerox do CFH. Não vimos. Opção estranha para quem se propõe a “representar todos os estudantes do curso”¹. quanto a isso. O que vimos foi uma reunião posterior ao trote. Como a resposta não foi satisfatória.? Antes de entrar realmente nesta pergunta.? A revista respondeu-nos: psiquenique. queremos deixar claro que.A. gostaríamos de levantar alguns questionamentos sobre o que o C. 3) o trote foi bastante polêmico. é antes uma arma estudantil que um mediador entre discentes e docentes? Podemos responder em relação aos problemas dos quais participamos: o excesso de carga horária da terceira fase. Comentário estranho vindo de uma gestão que pretendia indispensável “que a totalidade das vozes que compõem o Curso de Psicologia sejam ouvidas e consideradas”. o que. Aragon Quando publicou-se a primeira edição da revista Entre-Mentes entusiasmamo-nos com o título do texto intitulado Afinal de contas. nada do que foi providenciado para a confraternização era comestível para estes (até no pão tinha leite). fez: 1) o psiquenique foi um evento bastante bacana. Franzosi Leandro A. logo não se pode afirmar que este não estava sabendo da situação. trote. a quem o Centro Acadêmico anda representando? Emilia R. é uma ideia interessante. 6) A Entre-Mentes. onde esperamos que seja publicado este texto. que. como foi menos que bacana para os estudantes veganos: com pouquíssimas exceções. outros . sem assinar nominalmente a publicação? 7) Quanto à transparência total.”² Além disso. significou tentar abafar o debate e marcar uma posição claramente quietista. Pulamos os primeiros textos e fomos direto ao ponto que nos interessava: o que tem feito o C.Vida Acadêmica Afinal de contas. não poderia ser diferente. a crise com o professor Odival e alguns outros pontos nos quais gostaríamos de tocar. “as últimas gestões do 14 CALPSI têm falhado. acusando que. ficou a pergunta para a segunda edição: o que tem feito o C. a meu ver. afinal há algum tempo nos fazíamos a mesma pergunta. isto é.A. Ou poderia? Não só poderia. Entre-Mentes e transparência total. na qual o C. O que fazer? “Comam frutas!” parecia dizer a organização. seguimos com nossa pergunta: afinal. eventos do CRP.A. Alguns alunos da turma propuseram uma ação. Apesar disso questionamos dois pontos: o que será feito do Psiu! e porque publicar em nome do centro acadêmico.A.A. a gestão pareceu cumprir muito bem o que se propôs a fazer: não se posicionar e manter-se como mediadora. mal estava representado (lembramos de alguns membros próximos à porta e do lado de fora) e do comentário mais que infeliz do Luiz Carlos sobre “maneirar” nas discussões do grupo do facebook. até onde nos consta três alunos da terceira fase são membros da atual gestão do Calpsi. Tendo feito um pequeno desabafo quanto aos pontos acima. 5) Muito legal o Calpsi participar dos eventos do CRP e buscar trazer para os estudantes um pouco do que aconteceu. Esperamos que se encaminhem os debates sobre política e a função do C. o que fez o Calpsi? Isto é. parece ilusório crer em transparência enquanto o centro acadêmico não transparecer claramente sua posição (necessariamente política) sobre as situações do curso.

Como o C. algumas nem tanto” ou quando outro membro (Luiz Carlos) declara que devemos “maneirar” nas discussões do grupo? O que aconteceu com o desejo de que “todos participem ativamente” das decisões do C. Gostaríamos de acrescentar ainda alguns comentários sobre a efetivação do projeto da gestão. PPO III é dado de forma infantilizante. propôs ou tocou qualquer debate sobre o tema. o centro acadêmico não pode reivindicar desconhecimento. Novamente. defendemos a posição de não nos matricular na disciplina de Psicologia Comportamental. Os poucos debates são rasos e são logo eliminados autoritariamente pela professora assim que aprofundam-se um pouquinho ou que põe em questão o texto recomendado da aula. toda opinião é válida e deve ser considerada” quando um membro do C. propôs uma conversa. ou seja. pelo menos entre os colegas com quem conversamos.. Ou talvez: conversar. revoltante. O que aconteceu com as “constantes consultas aos estudantes do curso”? O que aconteceu com a ideia de escolher “representantes de turma” para fazer “uma ponte” com o C. devolvendo-o a ela. uma posição política muito clara: virem-se. “são pra pós”.A. Durante a conversa a Coordenação converteu o ímpeto. Posição do Calpsi em relação a tudo isso: nenhuma. quietista.A. Atualmente. media e amortece as discussões e demandas dos alunos. já que. Chegamos a ouvir que “essas discussões”. A Gestão Representa nunca representou a mim ou aos colegas com quem converso. quando ele decide arbitrariamente o que fazer? Temos um Calpsi inofensivo. A turma ainda não se movimentou sobre a questão. por 15 .? Cadê os debates “por meios eletrônicos (tais como e-mails. o Calpsi esforça-se por não se posicionar em relação aos problemas dos estudantes. Além disso. embrutecedora. revolucionário que havia tomado a todos. Desconheço a posição do Calpsi quanto a isso.4 impedindo-nos de sair da disciplina. inclusive em tempos de greve. redes sociais.A. O segundo problema que encontramos foi o professor Odival e sua didática.. que só é por si mesmo)! O C. que eram basicamente um questionamento sobre os fundamentos epistemológicos do texto. representa? O Calpsi Representa representa. Na reunião. sob protestos do único membro do C. mantendo-se completamente alheio às revindicações dos estudantes.. exótica. não se comprometer com suas revindicações e evitar atrito com os professores. doutrinantes. A coordenação.A.. a “experiência de ser secretário geral de sindicato de servidores públicos municipais. fóruns virtuais dedicados)”? Debates estes que têm sido abafados pela própria gestão que esperava obter através deles aquela expressão bonita: plena representatividade. piadas. defender as conquistas do movimento estudantil: brigar em vez de conversar. como era de se esperar. roubando a expressão de um professor.A. O projeto representativo falhou miseravelmente e de nada adiantou. sem apoio.Vida Acadêmica (inclusive nós) apoiaram e fomos para reunião. As duas matérias tornaramse. “a profundidade de um pires”: textos mal escritos. que preferia conversar com a coordenação. Após a conversa. digamos. líder de juventude de associação de moradores. que busca não se posicionar sobre coisa alguma e abafa. de ser presidente de comissão de ética de um partido de grande porte ou trabalhar dentro do "sistema" mesmo como representante da Justiça eleitoral de um município durante eleições municipais por 3 vezes” que o Paulo Roberto evoca cada vez que tentamos debater.A.A. digamos. Pergunto: a quem o C. ineficiente. impossibilitou que resolvêssemos o problema da forma mais prática. fundamentados parcamente e colocados como verdades inquestionáveis. Discutiremos o problema de conversar³ com a coordenação em seguida. O que aconteceu com “entendemos que não importa o meio pelo qual venha. hoje. ignorando os conhecimentos acumulados dos PPOs anteriores e. é cada um por si (inclusive o C. como diria Jacotot. senão conversar com o professor. por exemplo. PPI tem. Um Centro Acadêmico forte e útil deveria defender as revindicações dos estudantes. afinal já estamos todos cansados de tocar. presente na reunião desde o começo. enfadonhos. ou de partido político. Dois problemas crescem no momento: PPO III e PPI. as pautas sobre os problemas que encontramos. “não teria como mudar”. em niilismo: nada pode ser feito. Os avanços que obtivemos foram graças a uma aluna que tomou a frente e levou o problema à coordenação. (Alexandre Cintra) afirma que “algumas contribuições aqui foram bastante válidas. já que o C. toca suas próprias pautas e recomenda aos estudantes que conversem: “vocês poderiam tentar conversar com a professora” (fala da Maria Lúcia sobre o problema da primeira e da segunda fase com o horário discente). em momento algum a entidade foi à nossa sala saber da situação.A. marcando claramente a opinião da professora sobre a função da graduação: consumir textos sem o menor posicionamento crítico.A. debate em sala de aula só é possível quando forçamo-lo: as aulas se resumem a dinâmicas fracas e tendenciosas com discussões superficiais e explicações (melhor seria chamar de repetições) do texto que já lemos. se posiciona quanto a isso? Não se posiciona. a Coordenação.

Comprometimento com o movimento estudantil? Nenhum. que disputa a UNE. O Calpsi tornou-se uma entidade inofensiva e tão fraca que. tendo as universidades também como celeiros de atletas. quando esgota-se.html?spref=fb 2 h t t p : / / c h a p a 2 r e p r e s e n t a . por exemplo. mas não se envolve com o SEMPSI. ainda que na medida de entender o que ele se propõe a questionar. seja junto à coordenação. que insiste na rejeitada EJ. que ignora os espaços de construção. Até onde nos consta. ou que. b r / 2 0 1 2 / 11 / p l e n a representatividade. esse que não se envolve nos movimentos políticos estudantis.br/reunioes/27/gt03/t034.pdf acesso em: 25/04/2013. inadmissível para uma entidade representante do curso de Psicologia. O modo. no dia da matrícula. 4 Não estamos propriamente criticando o método encontrado pela Coordenação. como tal instrumento vem sendo usado. que se propõe a incentivar projetos estudantis. Estranho Centro Acadêmico. b r / 2 0 1 2 / 11 / p l e n a representatividade. A linha que está sendo seguida parece ir na direção de deslegitimação da entidade. que logo querem abafar ou deslegitimar o debate. que não trouxe sequer um debate sobre opressões aos espaços de construção. uma atlética promove eventos esportivos para aqueles que podem “bancar” as inscrições.com. MELO. como único recurso possível.anped. realmente. Questiona-se também com que propriedade se dá essa (pouca) participação.A. entretanto. entidade máxima representativa dos estudantes.org. que não traz debates para o curso. não podem repetir a lógica da sala de aula e se furtar de debates amplos e tão importantes. POLÍTICAS PÚBLICAS DE ESPORTES PARA JUVENTUDE NA BAIXADA FLUMINENSE/RJ: UMA DISCUSSÃO INTRODUTÓRIA. É exatamente as falhas da graduação. seja junto aos professores. não há. surge uma verborragia defensiva por parte de seus membros. Marcelo Paula de. 1 h t t p : / / c h a p a 2 r e p r e s e n t a . que não luta pelo horário discente dos alunos das primeiras fases. O Calpsi Representa representa ainda. através da instituição. sob o pretexto de integração com os outros cursos. De nada adiantou trocar a luta pela conversa. MARTINS. Carlos Henrique dos Santos. à atlética. c o m . A energia gasta com o projeto de uma atlética poderia muito bem ser investida em um projeto que contemplasse a totalidade dos estudantes interessados e não só aqueles que podem “bancar” a participação. protegendo-se atrás da falácia de um não posicionamento político. c o m .html?spref=fb 3 Não estamos deslegitimando a conversa como forma de intervenção do Calpsi. em vez de construir com outros C. b l o g s p o t . fazendo com que ela não seja uma referência para os estudantes e desconstruindo o acúmulo histórico que fez com que os membros do Calpsi optassem por reivindicá-la. é menos que inútil.blogspot. não é substituída por outra ação. muito o que fazer. Prova disso são as eleições do CONUNE (Congresso Nacional da União Nacional dos Estudantes). b l o g s p o t . que não se posiciona embativamente em favor dos interesses dos alunos. isto é. bem como no espaço de acolhimento dos calouros.s da saúde. Nenhum movimento no curso foi feito ao menos no sentido de informar os estudantes da necessidade de se aterem as propostas da chapa. em detrimento dos Diretórios Acadêmicos. Uma vez que esses estudantes reivindicaram e convenceram o curso de que dariam uma melhor direção à entidade. que evita as formações políticas. o que é democracia? com a turma. Propostas da Chapa Representa.Vida Acadêmica por exemplo. Disponível em: http://chapa2representa. uma vez que os membros do CALPSI não parecem entender muito da conjuntura 16 do movimento estudantil (apesar de fazer parte dela) ou ao menos se propor a analisá-la. uma posição política questionável. Disponível em: http://www. ao menor questionamento às suas ações e propostas. que. ao mesmo tempo em que abandona os espaços já constituídos. como colocam Martins e Mello: ocorre um grande incentivo às Associações Atléticas nas Universidades. da universidade e a inquietação dos estudantes que abrem espaço para a existência de um centro acadêmico. A conversa que propõe o Calpsi é pouco embativa e. numa nova tentativa de americanização do modelo esportivo. projeto esse construído às escuras e que está sendo empurrado para o curso sem debate algum? Representatividade? Jamais. que posicionamento é esse que abandona a participação do Calpsi no CASA. são um custo que pode inviabilizar a participação dos estudantes nos tais eventos. enfim: que faz o quê? que serve pra quê? que serve a quem? que luta por quê? que defende o quê? Que Calpsi é esse que tem uma participação medíocre nos Conselhos de Entidades de Base (CEB’s). Por outro lado ainda. além do esvaziamento dos possíveis espaços de discussão política presentes nos meios acadêmicos Perguntamo-nos ainda. em relação. por mais irrisórias que possam parecer a alguns. Engraçado trajeto que propõe a criação de uma atlética.br/ . o debate pela representatividade. afinal. divulga o projeto absolutamente questionável da EJ.

http://acabouchorare.13/05 às 12 horas no hall do CCA Os próximos debates serão divulgados em breve. pois entendem que é necessária uma gestão que trate dos problemas reais dos estudantes. Ou seja. logo todos terão contato: No dia 07 de maio começou a campanha para as eleições do Diretório Central dos Estudantes (DCE). dos centros acadêmicos e que movimente a universidade e os estudantes de forma responsável. O que avaliamos que não aconteceu no último ano. Mas. Cada chapa do DCE é composta por estudantes de vários cursos e o mandato da gestão eleita é de um ano. as chapas em breve devem passar nas sala.org/ Fotos da Convenção de chapa. facebook. o que é o DCE? É o espaço de todos os estudantes da UFSC! Entidade de máxima representação dos estudantes. Centro de Conivência (ao lado do laguinho). mas todos serão informados pela comissão eleitoral e pelas chapas. Joinville e aqui em Floripa acontecerão nas seguintes datas: Centro de Convivência do CCA. o DCE é o principal instrumento dos estudantes para a transformação seu cotidiano dentro da universidade. que se aproxime dos cursos. cartas programas. *os debates poderão sofrer alterações. com capacidade de mobilização.9/05 às 12 horas no auditório Campus Trindade . O último debate. dia 06/07. é no dia 21 às 18 horas. Ao longo das últimas semanas se deu o processo de formação de chapa (entre os dias 18/04 à 06/05) que é o primeiro momento de organização. Fica o convite a todos de se atentarem para este fato que acompanhará os estudantes nas próximas semanas. trocas de experiências e reivindicações por melhorias em nossa Universidade de forma conjunta. A comissão eleitoral organizou também alguns debates entre as chapas concorrentes. no dia 15/05 às 12h. é a partir do DCE que podem ser feitos contato entre estudantes de vários cursos. divulgar blogs. vídeos. conheçam as propostas de todas as chapas e nos dias 22 e 23 de maio votem por uma Universidade melhor e por um Movimento Estudantil que seja presente no seu cotidiano. Auditório da Reitoria (à confirmar). local a confirmar. criativa. no dia 21/05 às 18h. Calendário de debates da primeira semana de campanha: Campus Joinville . esses debates* acontecerão nos outros campis Curitibanos. Araranguá. Esse ano teremos 4 chapas. colar seus cartazes. no dia 13/05 às 12h. outras já declararam seu apoio. etc. convido todos a participarem ativamente deste processo.9/05 às 12 horas no auditório do Centro de Convivência CCA . Importante principalmente para os estudantes da UFSC.Vida Acadêmica O Que Acontece em Maio na UFSC? Mariana Nór do Nascimento Nesse mês de maio nossa universidade passará por algo muito importante. fazer festas. Fundamental para a organização do Movimento Estudantil. Algumas pessoas do nosso curso construíram a Chapa 1 – Acabou Chorare. Talvez alguma movimentação já tenha sido percebida por alguns. na frente da concha. 17 .

Este representa 2 grandes avanços: a entrada da cidadania como fundamental em um projeto terapêutico e a radicalidade de erradicar os manicômios. Um resgate sobre a loucura e sua construção. desconectados de uma sociedade que em determinado momento tem necessidade de sujeitos com um perfil disciplinado e dócil para que possam exercer seu papel como mão de obra. que possuem uma posição de poder e uma formação alinhada com os grupos que detém a . Analisemos o bandido e o louco: em primeiro lugar. a condição de “louco” passa a existir para manter a ordem dos sujeitos. impedindo que se entenda a loucura dentro de um contexto que extrapola ela própria enquanto um desvio dado. Bebemos direto desta fonte e.Opinião Da luta antimanicomial à luta antiprisional Luís Giorgis Dias No dia 18 de maio comemoramos o dia nacional da luta antimanicomial. no Brasil. representa hoje grande empecilho tanto para uma prática psicológica que promova saúde e respeite a integridade e singularidade humana quanto a construção de uma sociedade mais solidária. lutamos contra os manicômios e pela consolidação de uma rede substitutiva. com o tempo. sujeitos indignados com estes horrores resolveram 18 levantar bandeiras contra estas instituições. entendendo os comportamentos “anormais” como um fenômeno em si. denominado “A história da loucura”. De oráculos e encarnações de deuses para vagabundos improdutivos. Dentre tantos trabalhos em cima do tema da loucura talvez um dos mais significativos tenha sido o de Foucault. É o “crackento”. ambas etiquetas recebem um corte de classe.. Esta última tem a pretensão de terminar com a exclusão causada pelos manicômios. não tem interesse nem disposição a adequarem-se ao modo de vida e aos valores hegemônicos preconizados pela sociedade. Não nos falta material para vermos a precariedade destes locais e os maus tratos que praticavam. Ao longo da história. entendendo que esta. passa a ganhar respaldo pelo saber médico que passa a teorizar sobre a loucura. Não existe presidiário “colarinho branco”. Ainda que com suas especificidades. a luta antimanicomial é também a luta contra a exclusão e a opressão advinda da “normatividade” social e suas formas de reprodução. por vários motivos. Esta postura levou (ainda leva) a séculos de reclusão e exclusão daqueles que. é mister observarmos paralelos fundamentais entre este tema e a prisão. entendendo estes últimos como não sendo espaços que promovem a saúde e que não conseguem dar conta de colocar a sociedade em contato com suas próprias contradições. Tal data ganha seu sentido no contexto das mobilizações e conquista do SUS e também da reforma psiquiátrica. Assim. que coloque a sociedade para refletir e exercer seu papel no lido com as diferentes formas de ser. sendo um deles especial: o italiano. Dos manicômios para as prisões Se concordamos com os marcos acima mencionados. limpo e com dinheiro. Doido é quem vai no CAPS. determinase o “normal” e o “desviante”. com cabelos e olhos claros. o “louco” (e o criminoso) não é o político que determina massacres em favelas. Neste clássico. o diretor prisional que tortura pessoas ou o parlamentar que rouba uma população inteira para seu próprio prazer e cheirar cocaína. Da mesma forma. outrora depósito de todo material humano indesejável para esta sociedade e que vira o espaço “privilegiado” para o “tratamento” da loucura.. Tal contexto promove a existência dos manicômios. vindo a promover diversos movimentos. que tem problema com bebidas e uma vida difícil. enquanto instrumento de opressão e violência. individual e inquestionável. Tal etiqueta. vemos como a loucura passa por suas diversas vicissitudes de acordo com a cultura e a forma como a sociedade se organiza. Podemos resgatar Gramsci e afirmar: os “doentes mentais” e os criminosos “de verdade” são aqueles oficialmente rotulados pelos “intelectuais orgânicos” (psiquiatras ou juízes). sendo estas diretamente vinculadas ao modo de produção vigente e a luta de classes.

garantindo um excedente de trabalhadores extremamente mal valorizados e miseráveis. desviantes e inadequados para a sociedade e portanto precisam dela ser removidos. Ao longo dos anos. Por fim.Opinião hegemonia política. servem para garantir e reproduzir a posição oprimida e passiva dos amplos setores afetados pelas contradições de uma sociedade doentia e excludente. tanto a prisão quanto o manicômio deveriam cumprir a função que historicamente jamais cumpriram: a de “readequar” as pessoas. assassinatos. sustentadas pelo ideário legitimador de ciências como a Psiquiatria e a Criminologia. em especial o trabalhador preto e pobre. dificultando a visualização e reflexão sobre problemas coletivos e sociais. Tais atitudes servem para disciplinar. Estes. redução de maioridade penal ou a tortura. Cumprem também um papel ideológico. distanciando a população do controle sobre estes. consequentemente. estas rotulações perdem seu caráter de justiça ou neutralidade e adquirem um papel de exercício de controle fundamental na sociedade. Aqui o afastamento da sociedade e de seus problemas é físico. na prática ser-vindo apenas para as camadas mais marginalizadas do povo brasileiro. Em suma. Desta forma. com a força destes rótulos. normalmente vivendo de bicos. oficialmente. Novamente entra a questão ideológica. prisões em massa. pela força e pelo exemplo. àqueles que em seus corpos e ações sintetizam sintomas de nossa própria sociedade. . e ela se perde novamente do papel fundamental de reflexão e resolução de suas contradições. Estes rótulos oficializados por autoridades auxiliam na legitimação de internações compulsórias. vimos que o manicômio apenas reproduz a loucura da mesma forma que a prisão reproduz a violência. são mantidos à margem pois são culpabilizados pela sua situação de vida e precarizados enquanto mão de obra. que estas formas de controle apontadas também têm papel mercadológico fundamental. reduzindoos a questões individuais ou até orgânicas e. Estas instituições sempre foram lugar de tortura e dor. criando todo um contexto onde empresas que lidam com a segurança ou fármacos podem parasitar do sentimento vivenciado pelo grande público diante destes temas. ficando a mercê dos “especialistas”. colocá-las de volta na sociedade devidamente educadas e docilizadas. que garantem que estes sujeitos precisam de ajuda ou de punição pois são. Vale mencionar. subempregos ou dependentes de políticas assistenciais. detentores da verdade e da cura destes males. por cima.

nos profissionais e no cidadão que carrega a instituição dentro de si e reproduz. poesias. crônicas. removendo debates como o das prisões/manicômios do campo extremamente reduzido da penalização/medicalização/punição e trazendo-os para os marcos sociais e políticos. devendo evitar adentrar no embate político e dedicar-se exclusivamente ao exercício da profissão. deixando essa tarefa aos “elementos mais engajados” da sociedade. os que acreditem que não é incumbência do psicólogo implicar-se na mudança social ou pautar temas como o tratado. Isto nos leva a dois desdobramentos iniciais: o primeiro é nos implicarmos em uma formação que absorva a lógica dos direitos humanos e da criticidade. da violência e do imediatismo presente em todos nós. Há aqueles que acreditam que isto seja impossível. de opinião. auxiliando constantemente em um sempre constante processo que podemos tranquilamente denominar como emancipação humana. a lógica da exclusão. do preconceito. fotografias. mas como categoria internalizada no agir e pensar dos sujeitos.entrementes@gmail. humano e ético é justamente no exercício e promoção deste tipo de problematização. contribuíndo diretamente para o fim da exclusão e a promoção da cidadania.com Nos ajude a melhorar cada vez mais! 20 . o que você puder imaginar! Envie um e-mail para: revista. Estejamos juntos nessa empreitada! Um grandioso 18 de maio! Pelo fim da opressão e por mais solidariedade! Quer ver o seu artigo no próximo número da Entre-Mentes? Estamos ansiosos por sua contribuição! É possível enviar artigos acadêmicos.Opinião Pelo fim das prisões! Quando Basaglia escreve “A instituição Negada” apresenta uma tese fundamental: é preciso negar a instituição não só enquanto estrutura material. também.. O segundo é negarmos o papel de sujeitos passivos que estas instituições nos impõem.. fundamentais para exercermos nossos juízos e pareceres. abrindo mão de deixar para o Estado ou terceiros resolvê-los e construir efetivamente a cidadania e a execução dos direitos humanos. pelas suas atitudes. demarco minha discordância: como estudiosos do processo de subjetivação humana nosso lugar profissional. Com os desacreditados. desenhos. Para ele é necessário promover o fim do manicômio não apenas dentro do “doente mental” mas sim. de forma que consigamos construir cada vez mais formas de empoderar a nós mesmos e a sociedade a lidar com seus problemas. O convite agora é o de negar também a prisão dentro de cada um de nós. negando a lógica da exclusão.

o que tem como finalidade colocá-los em instituições fechadas. como as comunidades terapêuticas. que nasceu o Movimento Antimanicomial. estaremos ativos. o tema da campanha é: “Se não nos deixam sonhar. Mas os desafios são muitos. entende que é por meio do trabalho conjunto que podemos continuar esta luta. a começar pela aprovação da Lei Paulo Delgado (nº 10.e financiadas . familiares.216) – que vem legitimar a Reforma Psiquiátrica. dos usuários e dos familiares.Coletivo Pira! 18 de maio – Dia Nacional da Luta Antimanicomial Coletivo Pira! No Brasil o dia 18 de maio é marcado como o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. com a desenfreada política de internações compulsórias assujeitando cada vez mais os usuários de drogas.Produção Integrada de Resistência Antimanicomial. lutando para que os usuários tenham seus direitos garantidos! 21 . enquanto segmento do Movimento Antimanicomial de Florianópolis. etc. punição e desumanização. enquanto as instituições de isolamento existirem. A data foi escolhida para representar o processo de luta pela efetivação de um modelo de atenção que supere os ultrapassados modelos manicomiais. Foi no II Congresso Nacional de Trabalhadores em Saúde Mental . ouvimos e vivenciamos situações que representam um retrocesso ao modelo da Reforma Psiquiátrica: nos municípios em que os CAPS trabalham isoladamente . na cidade de Bauru/SP. Sabemos que em muito já avançamos na conquista pelos serviços substitutivos aos manicômios. a garantia dos direitos dos usuários de saúde mental se faz no cotidiano dos trabalhadores. O Coletivo PIRA defende a Reforma Psiquiátrica!!! Enquanto houver opressão.pelo poder público. do qual fazem parte profissionais de saúde mental. Parece um grito de guerra! O Coletivo Pira . com as comunidades terapêuticas sendo legitimadas . não os deixaremos dormir”. o manicomial avança! Diante de tantos desafios.com pouquíssimos recursos da rede de atenção psicossocial disponíveis. realizado em 1987. algumas de caráter privado e religioso. de isolamento. usuários e militantes. Esses serviços estão em disputa constantemente: Se o Movimento Antimanicomial parar. Este ano. a partir de uma manifestação pública pelo fim dos manicômios. enquanto não houver uma rede que possa trabalhar de maneira articulada. a aprovação da lei não garante que os serviços sejam de qualidade. Diariamente vemos. o Coletivo Pira escolheu um tema para debater na semana do Dia Nacional da Luta Antimanicomial: o uso da internação compulsória como principal dispositivo de tratamento aos usuários de álcool e outras drogas.

UFSC Convidados: . Mestre em Saúde Pública pela Universidade Estadual do Ceará. D a n i e l a R i b e i ro S c h n e i d e r (Professora do Departamento de Psicologia da UFSC.ou nos procure no facebook. os direitos dos usuários. atua nas seguintes áreas: tratamento e prevenção psicológica. D r a . na UFSC. .wordpress.Internações compulsórias: outras opiniões. acesse nosso blog coletivopira.Coletivo Pira! Evento em comemoração ao dia 18 de maio Dia Nacional da Luta Antimanicomial O quê: Debate . familiares e simpatizantes da luta se reúnem quinzenalmente no CFH. Um grupo de estudantes. Programas de Prevenção e Serviços de Saúde que atendem usuários de drogas. Especialista em Psiquiatria pela Universidade Federal de Santa Maria.P ro f . Todos são bem vindos para construir essa luta!!! Fiquem atentos às datas das reuniões e compareçam!!! Abraços Antimanicomiais!!! 22 . Psiquiatra do CAPS II . trabalhadores e usuários da rede de Saúde Mental. para discutir a situação da rede florianopolitana. 18h30 Onde: Auditório do CFH . Saúde Mental e Psicologia Existencialista). dependência de álcool e outras drogas. O que é o COLETIVO PIRA O Coletivo PIRA – PRODUÇÃO INTEGRADA DE RESISTÊNCIA ANTIMANICOMIAL – surgiu em 2010 diante da escassez do debate acerca da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial em Florianópolis e na UFSC.Marcelo Brandt Fialho.com . Se você tem interesse em conhecer algumas de nossas ações e princípios.Ponta do Coral (Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Quando: 14/05/2013. Mestre em Saúde Pública pela Universidade Estadual do Ceará). e as possíveis intervenções que podem ser feitas para a garantia desses direitos.

Mas a pergunta se expressa Por quê tanta pressa Se a Noite em tese Só quer te provar? Enquanto A morte é saudada Pela corte fardada Mostrando a ti Tua triste batalha A qual Não se perde nem ganha Mas somente se arranha Com suas garras em teu dom Pois estivestes aqui Quando Tua calma a ti mentiu Contando com enredo frio A palha que ás vezes Pega fogo por si. Me escute mais não Me ouça.) Alexandre Cintra E a Noite se expressa Sem ter tanta pressa Pois ela só quer Poder te provar A dor jagunçada A sorte malvada Quem pôs aos teus pés Viés bem-te-vis E o mal que se sente Desejo eloqüente Necessidade ardente De ver-te ali Retido ao chão Com um dedo à mão Da fiel emoção Que só um Dia sentiu Me escuta mas não Me ouça.então.Desartes Só Por Uma Noite (Charlie. Mas a pergunta se expressa Por quê tanta pressa Se a Noite em tese Só quer te provar? 23 . Um dia em vão Irão te tocar... Um dia em vão Irão te tocar.então.

E a saliva escorre pra fora da boca. http://todasaquelascoisas. metia – se em tudo. manchando as roupas. Metáfora gostava de surripiar o sentido das coisas e esconder debaixo do seu corpo feito de nuvem. Dá nome pro teu gozo. feito uma língua que chega no cangote com as mãos na cintura. pois teu corpo – palavra já não tem porra e tinta pra escorrer. metáfora. enganava – muito bem ou muito mal – não importa. Nada lhe basta. sorvendo o bagaço. Que o vacilo deságua. fazendo de si outrem. Fora no terraço. mal metido. Metáfora. Metáfora. venta e goza. O rio deságua para o mar. Meta teu silêncio goela a baixo nos jantares de família. aos atinados. Fora daqui. Mete na falta. Faz metáfora da virilha. Metáfora gostava de se meter no ouvido dos outros. nem o falo grosso da metáfora. O asfalto há de se meter céu adentro pelas estrelas e via lácteas até cimentar o último sorriso da última galáxia. Vida. que sufoca a camisa. outra vadia. Metáfora era uma princesa sem corpo que tinha nascido homem e vivido feito deusa. manga. Ficas falando por metáforas. adorava o cheiro das virilhas das moças. Deságua pelos canos. Mete até ficar exausta. Fora a fora. O ar não respira. Até cair desalinhada no canto do papel. Lambe o ângulo da omoplata. Te mete pra fora de ti. Abstração arrependida do poeta. Meta a sua língua fora do juízo. Metáfora sua vadia. Chega uma hora que o desencontro deságua. Meta no asfalto que logo mais chega nas paredes do céu. Meta o gosto do caju caindo dos lábios. O ar sufoca o peito. Meta no beco sem saída essa vontade grotesca de foder a Vida. enquanto o patrão mete por debaixo da saia da cozinheira. Mete tudo. nada lhe cala. Para quem deseja o desejo só resta um bocado de falta. sucupira.lhe com gosto o desassossego na nuca. que essa presunção solene deságua.com/ 24 .Desartes Metáfora ou afetações do filme A Febre do Rato. com seus juízos postos nas gravatas. Como um tanque quando aberto deságua todo um desamor. que o medo deságua.wordpress. em um prédio executivo do centro. Maldito. Enganava. Metáfora era uma puta. de Cláudio de Assis Mariana Queiroz Esse seu hábito de atravessar o poro com a palavra. a madame mete a mão na calcinha e fode-se toda sem abstração. De atravessar as ideias e fazer das coisas outras coisas. Não esse céu desse deus. Meta. Mete com a Vida debaixo da ponte entre os indigentes. Meta seu desatino no canto nu da orelha. nada lhe preenche. Mamão – papaia. como quem dá o último gemido da noite e desiste. Sufoca a parede prateada e cintilante de um elevador. O ar não sai pra fora. Deságuam águas repletas de um gozo que não vale mais.

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