Arquitetura da Destruição III

Diante da destruição perpetrada por Hernán Cortez na
cidade

de Tenochtitlán,o seu póstero conterrâneo

Bartolomeu de Las Cases o acusou de fazer uma
destruição

irracional,que

não

favorecia

nem

aos

pré-hitlers

da

dominadores como eles.
Hernán

Cortez

é um

dos

história,exatamente por sua concepção de destruição
ser total.
A preocupação de Hitler de continuar a guerra,mesmo
depois de Stalingrado em que a derrota militar ficou
evidente,atendia a este propósitos de destruir os inimigos
potenciais do futuro,mesmo já estando batido.
Mas Hitler,como este documentário demonstra, queria
destruir a memória artística de todos os povos ou
controlá-la.Até a Taça Jules Rimet foi roubada!

Roubar os símbolos e criações identificadoras de outros
povos(bem

como

pessoas)e

eventualmente

los,significa garantir a inexistência de inimigos

destruipara

os pósteros.A falta de referência destruiria os motivos
pelos quais os povos deveriam lutar.
Terá sido este o escopo de Cortéz,que tinha pleno
domínio sobre os índios?
E o que é mais importante?As pessoas,com sua
memória,ou as obras?Vale a pena morrer por uam obra
de arte?
Para o arquiteto Oscar Niemeyer,as pessoas são mais
importantes.Ele sempre frisou este critério a vida
toda.Não pude perguntar a ele,mas é de se deduzir,que
segundo ele,segundo este pensamento,se algum dia
,para melhorar a vida dos trabalhadores,for preciso

destruir

o

plano

arquitetônico de

Brasília,ele

aceitaria.Não tem escapatória.
Isso quer dizer que Oscar Niemeyer pensa igual a
Cortez e Hitler?Ainda que não,o seu pensamento não
abre espaço para a destruição gratuita?De que adianta
construir

obras supostamente

para

beneficiar

a

humanidade(nem que seja para produzir beleza)para
depois destruir?
É óbvio que a construção,a decisão de construir ,atende
a

um propósito

humano

e não desumano.O

que

diferencia o nosso arquiteto dos monstros citados é
que eles são exclusivistas e nacionalistas,não humanos e
universais.
A arte nacional alemã devia subsistir ,a dos outros
não,segundo Hitler.

O círculo humano que vai da decisão de fazer a obra
de arte até a sua conclusão e mostragem só é humana
na medida em que só constrói e neste sentido a sua
destruição em nome da humanidade só é legitima
quando inevitável e preserva a sua memória,tanto do
processo de constituição quanto a da sua identidade
concreta.Esta memória está apta a no futuro garantir a
sua reconstituição.
Hitler

queria

que

suas

obras

fossem feitas

para

durarem séculos e que quando virassem ruínas a sua
essência,a sua finalidade, ficasse clara para quem as
visse,como uma idéia que tinha mudado o mundo.

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