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FACULDADE DE TECNOLOGIA DE SOROCABA

Curso de Tecnologia em Logística

Bruno Marmos
Cibelle Santana de Araújo
Cristiani Pereira Oliveira
Cristina Cavalcante
Graziele Moreno
Hélia Machado
Juliana Rodrigues
Laudicéia Guimarães
Mariane Lara Diniz
Walter Castelucci

VEXAME – OS BASTIDORES DO FMI NA CRISE QUE ABALOU O


MUNDO

SOROCABA
2009
Bruno Marmos
Cibelle Santana de Araújo
Cristiani Pereira Oliveira
Cristina Cavalcante
Graziele Moreno
Hélia Machado
Juliana Rodrigues
Laudicéia Guimarães
Mariane Lara Diniz
Walter Castelucci

Vexame – Os bastidores do FMI na crise


que abalou o mundo

Trabalho solicitado como


pré-requisito para
aprovação parcial na
disciplina de Comercio
Exterior I, do curso de
Tecnologia em Logística,
sob a orientação do
professor Ms. Adilson
Rocha.

SOROCABA
2009
ATA DA BANCA – SEMINÁRIO

Título do Trabalho:
VEXAME – OS BASTIDORES DO FMI NA CRISE QUE ABALOU O SISTEMA
FINANCEIRO MUNDIAL.

Curso: LOGÍSTICA Semestre: 3°

Nº Nome Nota Final

1 BRUNO MARMOS
Componentes 2 CIBELLE SANTANA
do Time
3 CRISTIANI OLIVEIRA
4 CRISTINA CAVALCANTE
5 GRAZIELE MORENO
6 HÉLIA MACHADO
7 LAUDICEIA GUIMARAES
8 JULIANA RODRIGUES
9 MARIANE LARA
10 WALTER CASTELUCCI

COMENTÁRIOS
I. Trabalho Escrito................................. = 0,0 a 4,0

II. Apresentação do Trabalho................. = 0,0 a 3,0

III. Apresentação Pessoal........................ = 0,0 a 2,0

IV. Cumprimento de Prazo e Tempo........ = 0,0 ou 1,0

Professor Avaliador
Nome: Assinatura:

Data: ____ / _____/ _____


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 04
1. REVISÃO BIBLIOGRAFICA ............................................................................... 05
2. APRESENTAÇÃO DO LIVRO .............................................................................. 06
2.1 CAPÍTULO 1 – O COMITE DE SALVAÇÃO DO MUNDO ............................... 06
2.2 CAPÍTULO 2 – ABRINDO A TORNEIRA ............................................................ 07
2.3 CAPÍTULO 3 – O URSINHO PUFF E O GRANDE SEGREDO .......................... 09
2.4 CAPÍTULO 4 – MALIGNIDADE .......................................................................... 10
2.5 CAPÍTULO 5 – INSÔNIA EM SEUL ..................................................................... 11
2.6 CAPÍTULO 6 – OS DISSIDENTES ........................................................................ 13
2.7 CAPÍTULO 7 – O CANTRAMESTRE ................................................................... 15
2.8 CAPÍTULO 8 – ENTRANDO PELO CANO .......................................................... 17
2.9 CAPÍTULO 9 – A BARREIRA DO “NYET”.......................................................... 19
2.10 CAPÍTULO 10 – O CÁLCULO DOS RISCOS ..................................................... 21
2.11 CAPÍTULO 11 – SONDANDO AS PROFUNDESAS ......................................... 23
2.12 CAPÍTULO 12 - TROPEÇANDO NAS SOLUÇÕES.......................................... 24
2.13 CAPÍTULO 13 – FAZENDO UMA PAUSA ....................................................... 26
3. ANÁLISE DO LIVRO PELA EQUIPE ................................................................. 29
4. FMI NOS DIAS ATUAIS......................................................................................... 30
CONCLUSÃO ............................................................................................................... 31
REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 32
VISÃO DOS MEMBROS DA EQUIPE ..................................................................... 33
O QUE O TIME CONSIDEROU MAIS RELEVANTE .......................................... 34
CONSIDERAÇÕES SOBRE O TRABALHO .......................................................... 34
COLABORAÇÃO DA EQUIPE ................................................................................ 35
PLANEJAMENTO ....................................................................................................... 37
INTRODUÇÃO

Pudemos observar a atuação do Fundo Monetário Internacional na década de 90, criado após a 2°
Guerra Mundial com a intenção de estabelecer uma cooperação econômica em escala global, o papel do FMI é
oferecer base monetária para que países em condições financeiras problemáticas possam de alguma forma
restabelecer seu mercado interno e sua credibilidade com o mercado externo.
Discutiremos então as ações tomadas pelo fundo nos anos 90 e como foi ele considerado arbitrário por
muitos críticos e vários observadores da economia mundial, com seus grandes pacotes de ajuda o FMI não levou
em conta a pressão gerada em cima dos países que receberam a ajuda, causando supostos constrangimentos e
colapsos políticos que tem relevante influência até os dias de hoje. Constatamos, todavia, que de certa forma o
favorecimento com esses pacotes não eram exatamente para os países em crise, e sim para aqueles países que
colocavam parte de seu capital no fundo, para servirem de base para esses empréstimos.
Que é necessária uma reestruturação nas medidas tomadas pelo fundo, é uma conclusão clara para todos
os telespectadores desse cenário. Todavia, existem opiniões discordantes dessa, e é obvio que os países
favorecidos por esses projetos não seriam a favor de mudanças radicais dessa estrutura. E para isso acontecer,
países emergentes como o Brasil e China deveriam impor-se e colocar essa reestruturação em cogitação.
Compartilhando e formando opiniões, nossos relatos são expressivos e oferecem uma pesquisa clara
sobre esse assunto tão pouco observado pela sociedade, a quem lê, podemos oferecer uma fonte instrutiva e
esclarecedora das ações do Fundo Monetário Internacional.
Apesar de a pesquisa ter sido realizada apenas para complemento da matéria de Comércio Exterior I,
fizemos descobertas relevantes sobre o assunto e conseguimos compactar uma visão clara, pois, utilizamos
fontes adicionais como referencia na formação das idéias, livros com pós e contras a respeito do FMI, e com
dados extras referente às situações citadas em “Vexame”.
Dessa forma então, dá-se nosso trabalho, desejamos uma agradável leitura, e que seja construtiva de
alguma forma.

1. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

A base para a discussão é a obra de Paul Brustein “Vexame: os bastidores do FMI na crise que abalou o
mundo”, onde o jornalista reúne os resultados obtidos em anos de pesquisa sobre a crise econômica da década de
90, em que o FMI foi atuante junto aos países que tiveram maiores dificuldades nessa época. A obra é baseada
em documentos das negociações e entrevista de membros e ex-membros do FMI, do Departamento do Tesouro
Nacional dos EUA, e outros funcionários de instituições que participaram das intervenções nos países em
dificuldade. Porém, não podemos deixar de questionar a visão do autor para os acontecimentos, ou seja, é uma
obra de cunho jornalístico em que é analisado mais profundamente um assunto já conhecido de Brustein, uma
vez que ele realizou a cobertura jornalística desses acontecimentos da década de 90. Suas fontes também são
questionadas, pois o assunto é muito sigiloso e detalhes importantes são mantidos em segredo por todos os que
participaram ativamente ou parcialmente de qualquer negociação envolvendo o FMI. As entrevistas ainda
apresentam os problemas referentes às limitações do ser humano em relação a sua memória, além do fato da
possibilidade do entrevistado não ter conhecimento completo do que ocorreu e acrescentar em seu relato
opiniões pessoais.
Contudo o livro apresenta o trabalho de um profissional comprometido com sua ética de anos como
jornalista, pois isso tem seu mérito e serviu de fomento para esta pesquisa.
As demais obras analisadas serviram de complemento para entendermos o papel do FMI na economia
mundial e a sua atuação na atualidade. A sucinta obra de Alcides Pedro Sabbi, “O que é FMI”, foi utilizada para
entendermos o papel do FMI na economia global. SABBI é advogado, mas tem conhecimento sobre o assunto. O
livro trás uma linguagem clara sobre o assunto.
As demais fontes utilizadas foram reportagens pesquisadas na Internet de economistas discutindo a atual
crise financeira e o como o FMI está se comportando, assim como a necessidade de mudanças na sua
organização.
A Internet, também, foi utilizada para pesquisas rápidas sobre termos citados no livro, mas que não
eram de conhecimento da equipe, assim como um dicionário de economia.

2. APRESENTAÇÃO LIVRO: “VEXAME”

A obra de Paul Blustein apresenta os bastidores do Fundo Monetário Internacional durante a crise
financeira da década de 90. Durante essa década Blustein realizou a cobertura jornalística para o Washington
Post, jornal que trabalhava na época. Após esse período ele resolveu aprofundar seu conhecimento no assunto,
realizando pesquisas sobre a intervenção do FMI nos países que ficaram em evidência durante a crise: Tailândia,
Indonésia, Coréia do Sul, Indonésia e Brasil.
O livro é o resultado final de sua pesquisa, onde fica evidente que as decisões tomadas pelo FMI e pelo
Banco Central durante a crise asiática não foram as mais certas, o retorno não foi o esperado, fazendo com que a
credibilidade do FMI fosse colocada em prova, mas principalmente, que o Fundo necessitava de uma
reestruturação urgente.
Apesar de ser formado por membros de mais de 120 países, fica claro, no livro, o interesse de alguns
países, no caso os mais ricos, principalmente dos EUA. Os constantes conflitos de interesses entre os membros
do FMI, do Departamento do Tesouro Nacional dos EUA, do Banco Central e dos governantes dos países,
contribuem para o cenário catastrófico da crise asiática.
Apresentaremos uma breve visão do livro de Blustein analisada por capítulos, constando os pontos mais
importantes.

2.1 CAPÍTULO 1: O COMITÊ DE SALVAÇÃO DO MUNDO


O capítulo começa falando de Hubert Neiss, um economista austríaco que era diretor do Departamento
da Ásia e do Pacífico. Ele foi enviado, junto com uma equipe de economistas do FMI para a Coréia do Sul para
negociar um “programa” do FMI. Lá ele encontrou uma situação pior do que esperava encontrar, com a
economia sul-coreana atravessando uma fase de turbulência e com suas reservas em divisas (dólar e outras
moedas fortes indispensáveis para transações internacionais) se esgotando rapidamente. O FMI previa que a
economia sul-coreana estivesse em um nível acima da que realmente estava. Coréia do Sul e FMI (depois de
sucessivas reuniões com altos funcionários do Departamento do Tesouro, do Federal Reserve, do Departamento
de Estado e do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, e dos organismos correspondentes dos
principais industriais integrantes do G-7) prepararam um plano de emergência para poder salvar a economia e os
bancos sul-coreanos da inadimplência e da possível falência.
Os sul-coreanos aceitaram as exigências do FMI, e em 3 de dezembro de 1997 o FMI acertou o
empréstimo de 55 bilhões de dólares para a Coréia do Sul, o maior valor até então concedido pelo FMI a um
país. Mas essa operação acabou fracassando e derrubando ainda mais a economia sul-coreana, com o mercado
financeiro em pânico e os grandes bancos internacionais cancelando as linhas de crédito para aquele país e
exigindo pagamento imediato de suas dívidas.
O livro conta a seguir uma breve história de como os empréstimos do FMI repercutiram nas economias
dos países que receberam esses créditos na década de 90 e que o resultado na maioria das vezes não foi o
desejado. Isso ocorreu na Tailândia, na Indonésia e na Rússia. Teve sucesso no México e no Brasil.
O livro questiona também as decisões tomadas pelo FMI e relata que o órgão atuou, nas crises da
década de 90, encarando a economia globalizada como uma economia de 20, 30 anos atrás, aonde o fluxo de
capitais e de informações entre os países era muito menor, e em alguns casos mostrando despreparo, mesmo
possuindo as melhores mentes economistas do mundo.
São episódios que mostram como o FMI atua e a imagem de onisciência que ostenta quando fornece
empréstimos e ministra providências a economias combalidas, porque quer convencer todo mundo,
especialmente mercados financeiros e governos que solicitam ajuda, de que sabe o que faz. E quando um país
beneficiário de um programa do FMI não consegue reconquistar a estabilidade, as autoridades do Fundo
atribuem a culpa ao governo do país em questão por não ter cumprido as metas e não ter se esforçado o
suficiente.

2.2 CAPÍTULO 2: ABRINDO A TORNEIRA

O capítulo começa mostrando como é o FMI por dentro, sua rígida hierarquia e seus principais cargos, e
como alguém é escolhido para fazer parte e trabalhar no Fundo e como é o processo de treinamento e preparação
dos candidatos. Mostra a diversidade cultural existente entre os membros do Fundo, que se originam de mais de
120 nações. Dá um exemplo do curso que é ministrado aos ingressantes do FMI, o que eles precisam saber sobre
como lidar com os problemas econômicos mundiais e quais as principais características que um membro do FMI
precisa ter.
Usa a expressão “Rebanho Eletrônico” para designar o conjunto de fundos mútuos, fundos de pensão e
aposentadoria, bancos comerciais, seguradoras e outras instituições que administram profissionalmente recursos
financeiros. Cita que com um maior fluxo de informações e com uma maior flexibilidade para enviar dinheiro
além-fronteiras, o Rebanho Eletrônico pode causar uma súbita crise de divisas simplesmente porque muitos
membros do Rebanho que investiram naquele país simplesmente ficaram assustados. Surge um novo termo, o
termo “crises do século 21”
O capítulo mostra também uma breve biografia de Stanley Fischer, primeiro vice-diretor do FMI de
1994 a 2001. Nascido e criado na Zâmbia em um vilarejo rural, e mais tarde numa cidadezinha do Zimbábue,
Fischer foi estudar na Inglaterra onde se tornou economista. Depois foi para os EUA, onde continuou seus
estudos e se tornou cidadão americano.
Sanctum Sanctorum. Um salão oval com 18 metros de cumprimento e com dois níveis, muito luxuoso.
É o local de encontro dos 24 diretores-executivos do FMI, três vezes por semana, em sessões presididas pelo
diretor administrativo ou um de seus vices. O capítulo mostra o FMI por dentro, e o poder que cada país exerce
sobre os membros, especialmente os EUA. Fala também do G-7D, os suplentes do G-7, que exercem
extraordinário controle sobre a política econômica internacional e sem atrair atenção da mídia. Eles se reúnem
frequentemente, e sempre em reuniões secretas, para discutir as políticas econômicas mundiais.
Aborda também como foi a concepção do FMI, pelo americano Harry Dexter White (secretário-adjunto
do Tesouro dos EUA para Assuntos Internacionais) e para John Maynard Keynes (o mais influente economista
do século 20 e assessor do ministro das finanças britânico), que após o ataque a Pearl Harbor preparou um
memorando sobre o estabelecimento de um Fundo para os poderes aliados que “proporcionasse uma base para
acordos monetários internacionais no pós-guerra”. O plano para criação do FMI e do Banco Mundial foi
aprovado em 1944, na conferência de Bretton Woods, em New Hampshire, EUA. Foi ali que repersentantes de
45 países assinaram o documento criando o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Ficou fixado que
o valor das moedas seria atrelado ao dólar, que por sua vez teriia seu valor atrelado ao ouro.

2.3 CAPÍTULO 3: O URSINHO PUFF E O GRANDE SEGREDO.

Em meados dos anos 90 a Tailândia se encontrava em um estado critico de crise e apesar disso não
aceitava ajuda do FMI.
Uma das principais causas da crise foi a má distribuição dos capitais estrangeiros. Para o FMI a melhor solução
seria o fim do cambio fixo.
Em decorrência desse fato houve uma forte desvalorização do bath (inflação da moeda tailandesa).
Outro fator que ajudou a aumentar a inflação foi a prática dos fundos hedge, que nada mais é do que
comprar caro e vender barato, um tipo de especulação as avessas (capitais estrangeiros).
O governo decidiu então adotar políticas como o Swap Market (vender reservas de moeda forte). Assim
passaram a sentir uma sensação de alívio, conotando a um aparente fim da crise.
Essas medidas adotadas pelo governo, apesar de amenizar a situação do país, causaram prejuízo para os
investidores estrangeiros que praticavam o hedge.
Esse plano de flutuação do cambio, revelou a até então “escondida” fraqueza do bath. Ocasionando
uma corrida para compra de dólar.
Depois da intervenção do FMI, que liberou um investimento 500 vezes maior do que o possível em
condições normais para um país asiático, ocorreu um atrito entre EUA e Japão, que foi quem coordenou a
revitalização tailandesa.
Parte do acordo com o FMI foi a quebra do sigilo que revelou a real situação dos cofres públicos
ocasionando em nova desvalorização da moeda. Depois de toda essa trama, finalmente ocorreu a estabilização do
plano de resgate.
Obs: Chaiyawat Wibulswasdi, vice diretor do Banco da Tailândia, usava em suas publicações o
pseudônimo Winnie The Pooh (Ursinho Puff), sendo ele o mais relutante em aceitar as políticas propostas pelo
FMI como a taxa de cambio flutuante e a quebra de sigilo.

2.4 CAPÍTULO 4: MALIGNIDADE

Suharto estava no governo da Indonésia há 30 anos. A economia do país estava nas mãos de um grupo
de tecnocratas conhecidos como “a máfia de Berkeley”, que tinha como seu principal integrante Widjojo
Nitisatro, responsável pela economia da Indonésia. “A máfia de Berkeley” desmantelou a estrutura estatizante do
país, restringiu os gastos governamentais e criou uma moeda para esmagar a inflação. Suharto abriu a economia
para investimentos estrangeiros e ao comércio; isso gerou um crescimento de 7% a.a. de 1979 a 1996.
O grande problema da Indonésia era o KKN (corrupção, conluio e nepotismo), mas isso não era
considerado um problema que atingiria o país economicamente. Dennis de Tray, representante do Banco
Mundial na Indonésia considerava o país como o mais promissor dos países em desenvolvimento. Em 1993, o
BM criou um projeto de 300 milhões de dólares para proporcionar incentivos aos bancos estatais, elevando seu
nível com os padrões da indústria. Em 1996, um grupo de especialistas do BM, chefiados por Luly Chu, foi a
Jacarta para avaliar o projeto. Chu contatou que os bancos estavam fazendo empréstimos para pessoas que
tinham deixado de pagar juros, assim como aprovado empréstimos em valores maiores que os dos projetos
apresentados. Chu propôs o cancelamento do projeto, mas isso só aconteceu quando a crise na Indonésia já
estava se desenrolando.
A queda do baht vinha causando muita pressão sobre as moedas no sudeste Asiático. Sudradjad
Djiwandono, diretor do Banco da Indonésia, elevou para 12% a faixa da qual a rupia poderia flutuar frente ao
dólar. Isso estabilizou a moeda de por um mês. Em agosto de 1997, a rupia despencou, empresários que tinham
empréstimos no exterior, devido aos juros mais baixos, correram para converter a rupia por dólar. Essa alta na
demanda por dólar fez com que a rupia caísse ainda mais.
Em outubro, o governo da Indonésia pediu ajuda do FMI, a missão foi criada as pressas e chefiada por
Bijan Aghevli. O objetivo da missão era realizar algumas reformas discretas, mas não foi isso o que aconteceu.
A crise foi marcada por conflitos internos, desconfianças e divergências entre o FMI, o BIRD e o
Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB). Isso agravou a situação da Indonésia.
O programa do FMI, divulgado em novembro, determinava o fechamento de 16 bancos privados,
redução dos benefícios que Suharto concedia a parentes e compadres, o desmantelamento gradual dos
monopólios de importação e marketing exercido pelo BULOG e um pacote de ajuda no valor de 33 bilhões de
dólares (10 bilhões do Fundo, 8 bilhões do Banco Mundial e ADB, e 15 bilhões em linhas de crédito de apoio do
Japão, Cingapura, EUA, Austrália e Malásia).
Houve uma agitação decorrente da expectativa do fechamento de outros bancos, muitos correntistas
depositaram seu dinheiro em bancos estatais ou venderam a rupia em troca de dólar e enviaram para o exterior.
Parte do FMI queria que o governo garantisse todos os depósitos, outra parte não queria essa garantia
devido ao enriquecimento de indonésios com os altos juros dos bancos. O governo acabou não firmando
nenhuma garantia. Sudradjad teve que injetar mais rupias para suprir as necessidades dos bancos devido aos
empréstimos. O FMI pediu uma política de crédito mais rigorosa, com juros mais altos, que não foi aceita.
A crise teve seus agravantes com a doença de Suharto (que gerou mais instabilidade no país), a
decorrência da seca, a possibilidade de escassez de alimentos e os incêndios florestais fora de controle.

2.5 CAPÍTULO 5: INSÔNIA EM SEUL

Nas décadas de 70 e 80 a Coréia do Sul avança na industrialização. Com o chaebol (conglomerado que
dominava a economia sul-coreana) se lança no mercado exterior com seus produtos industrializados,
automotivos e chips de memória de acesso dinâmico. O Estado intervinha no sentido de montar uma máquina de
exportação capaz de arranjar as divisas estrangeiras necessárias para pagar as contas da importação de petróleo e
matérias-primas.
Os bancos sul-coreanos realizavam empréstimos de curto prazo dos bancos estrangeiros (Japão e bancos
europeus) para emprestarem a longo prazo ao chaebol. Toda empresa que demonstrasse crescimento tinha uma
linha de crédito. Quando teve inicio a crise asiática os bancos pararam de emprestar e deixaram de negociar os
prazos de pagamento, eles queriam receber o quanto antes.
A Coréia do Sul se viu sem empréstimos dos bancos exteriores e tendo de quitar sua dívida com eles.
Kang, ministro das finanças, tentou um empréstimo bilateral com o Japão, mas não houve negociação. Lee
Kyung Shik, funcionário de finanças, e Kang se encontraram as escondidas com o chefe do FMI, Camdessus, em
novembro de 1997, em um hotel de Seul. Nele ficou acertado que a Coréia faria uma reforma financeira e pediria
uma ajuda ao FMI. Porém, o projeto da reforma foi rejeitado na Assembléia Nacional e Kang foi exonerado.
O presidente da Coréia do Sul, Kim Yuong Sam, nomeou Lim Chang Yuel como substituto de Kang,
que tentou uma linha de crédito direto com os EUA e o Japão, sem sucesso. Como a Coréia do Sul tinha que
quitar suas dividas para continuar com crédito no mercado internacional, devido a necessidade de importar
energia e matéria-prima, voltou mais uma vez a conversar com o FMI. Desta vez com Stan Fisher, que estava de
passagem pela Coréia do Sul, o país iria recorrer ao FMI. Neiss foi encarregado de enviar uma missão para a
Coréia do Sul.
A situação da Coréia do Sul era muito mais grave do que os sul-coreanos haviam informado na primeira
conversa com Cambessus. As reservas eram tão pequenas que em poucos dias o país estaria inadimplente.
Durante o dia de Ação de Graças, Alan Greenspan, presidente do Fed, Bob Rubin, secretário do tesouro, Lerry
Summers, subsecretário, e outros membros da elite do tesouro nacional, participaram de uma reunião para definir
o plano de ajuda para a Coréia do Sul.
A discussão girou em torno do que fazer, caso não ajudassem a Coréia do Sul temiam por represarias e
a possível retirada das tropas estadunidenses na fronteira com a Coréia do Norte, ao mesmo tempo que uma
intervenção mal sucedida poderia abalar a confiança do Fundo. Ficou decidido que mesmo que a missão não
tivesse 100% de êxito o FMI iria ajudar a Coréia do Sul.
Hunbert Neiss e Wanda Tseng chefiaram a missão. As negociações foram muito difíceis pois os sul-
coreanos não estavam se esforçando para tender às exigências do Fundo. O subsecretário do Tesouro David
Lipton, foi enviado para reforças as exigências estadunidenses na negociação. Apesar dos sul-coreanos terem
uma cultura muito fechada para a intervenção de estrangeiros, a ordem era se só ajudar se eles concordassem em
tomar providências radicais para alterar a maneira como conduzem a economia.
Neiss e sua equipe passam dias negociando com os sul-coreanos, foram noites sem dormir. No dia 3 de
dezembro, Camdessus chega a Coréia do Sul para negociar a Carta de Intenções. A pressão sobre ele é muito
grande, ele é enérgico com o governo sul-coreano. A Carta é assinada no dia seguinte.
A Coréia do Sul recebeu um pacote de 55 bilhões de dólares (21 bilhões do FMI, 6 vezes mais do, pelo
regulamento, o país teria direito de receber). A Coréia do Sul, teve que dobrar a taxa de juros a curto prazo, ou
seja, foram de 12,5% para 25%; tiveram que tomar uma série de medidas para abrir seus mercados ao capital
estrangeiro, aumentar a competição no setor financeiro e conter a capacidade do cheabol de acumular dividas
com dinheiro fácil cedido pelos bancos; estrangeiros teriam permissão de estabelecer sucursais de bancos e
corretoras no mercado sul-coreano, aumento na participação de estrangeiros na empresas do país para até 50%;
nove bancos mercantis teriam o prazo de um mês para apresentar planos de reabilitação, ou seriam fechados.

2.6 CAPÍTULO 6 – OS DISSIDENTES

Bob Rubin estava preocupado com a credibilidade do FMI por causa dos resultados decepcionantes na
Tailândia e Indonésia, e à medida que a crise na Ásia se espalhava, as divergências aumentavam no meio dos
economistas ortodoxos que partilhavam a ideologia do Fundo de promover o livre mercado, o livre comércio, a
globalização e a necessidade de uma rede oficial de proteção. Mesmo dentro do FMI, ou entre os membros do G-
7, surgiam críticas.
No rol dos dissidentes, constavam quatro figuras particularmente preeminentes que levantavam dúvidas
e problemas que iriam influenciar a maneira como o Fundo conduzia seus assuntos.
Jeffrey Sachs, professor de Harvard, que ganhou fama por seu trabalho de assistência a países
subdesenvolvidos em dificuldades (Bolívia, 1985 e Polônia, final de 1998).
Ele passou a entrar mais frequentemente em choque com o FMI, por causa do aperto das políticas
fiscais e majoração das taxas de juros que levavam os países em crise à recessão e quando surgiu a crise Asiática
afirmava que o Fundo estava totalmente errado no diagnóstico do problema ao dar exagerada ênfase às fraquezas
internas das economias da Ásia e dizia que a crise era sobretudo resultado de um pânico auto-induzido dos
credores. Investidores racionais podem também ficar incentivados a retirar seu dinheiro de um país basicamente
sadio, mas o fazem por imitação. A questão-chave é determinar quando o círculo vicioso desse pânico se instala.
Na sua opinião, o principal fator é a existência de um nível elevado de endividamento a curto prazo em relação
às reservas em moeda forte.
Joseph Stiglitz, 54 anos, economista-chefe do Banco Mundial.Stiglitz era contra as altas taxas de juros
que provocavam recessão e argumentava que não de se tratava de uma crise de fundamentos econômicos, mas
sim de falta de confiança e o fato de que muitos dos países afetados por crises tivessem se recuperado nos
últimos anos só reforçava as convicções dele, houve uma forte recuperação na Ásia a partir de meados de 1998.
Eisuke Sakakibara, vice-ministro das finanças do Japão para assuntos internacionais, tomou a
iniciativa de propor, em 10 de setembro de 1997, que o Japão e os países vizinhos criassem um “Fundo
Monetário Asiático”, mas os chineses continuavam a negar endosso ao plano japonês e também a Austrália já
havia se oposto, porém teve o efeito de acarretar mudanças na política americana, já que os Estados Unidos
concordaram com uma nova estratégia para lidar com as crises, que consistia em combinar um aumento do
pacote de resgate do FMI com a promessa de recursos bilaterais, se necessários, uma fórmula que foi adotada no
chamado acordo de Manila que assegurava que o FMI permaneceria sendo o centro da resposta a crises na
região, mas estava incluído um dispositivo criando um novo tipo de serviço de concessão de empréstimos pelo
Fundo, chamado de Programa de Financiamento de Reserva Suplementar, que proporcionaria a maior parte do
dinheiro numa operação de resgate, mas empréstimos bilaterais ofereceriam uma “segunda linha de defesa” da
qual os países em crise poderiam se valer se a primeira linha se mostrasse insuficiente.
Os Estados Unidos e o Japão coincidiam sobre uma questão importante – a necessidade de proporcionar
amplos pacotes de assistência com dinheiro oficial aos países em crise, mas esta posição estava sendo objeto de
ataques no interior do G-7.
A implicância de Hans Tietmeyer com o FMI era diferente daquela de Sachs, Stiglitz e Sakakibara.
Tietmeyer, presidente do banco central alemão (Bundesbank), acredita que ao conceder amplos pacotes de
assistência, o Fundo desrespeitava os princípios básicos da sobriedade financeira ao criar um risco moral, ao se
encorajar investidores a assumirem atitudes audaciosas na pressuposição de que o programa de ajuda do FMI os
protegeria das consequências de uma inadimplência.
À medida que a crise na Ásia evoluía, Tietmeyer e seus colegas no Bundesbank e no Ministério das
Finanças de Bonn ainda não tinha superado a indignação frente ao que consideravam um caso notório de riscos
morais em escala internacional – o resgate do México, em 1995, quando o FMI anunciou um empréstimo de
17,8 milhões de dólares ao país sul-americano para suplementar os 20 bilhões cedidos pelo Tesouro Americano
de uma verba especial, sem prévia consulta aos alemães e britânicos.
E quando a crise se espalhou para a Rússia, ficou patente que os investidores tinham apostado que
haveria um resgate em caso de insucesso, dado a importância estratégica do país.
Tietmeyer e seus colegas se posicionaram contra fornecer vultosos montantes, argumentando que a
comunidade internacional deveria insistir em “envolver o investidor do setor privado”, ou seja, os bancos e
investidores deveriam aceitar reduzir ou refinanciar as obrigações, pois na opinião deles o fluxo de capital
através das fronteiras tinha crescido tanto que afogaria os pacotes que o FMI, o Banco Mundial e o G-7 fossem
capazes de organizar e a única estratégia de êxito garantido para combater uma crise seria envolver aqueles que
controlam a saída de capital, de modo a torná-los parte da solução, em vez de parte do problema. Essa lógica de
Tietmeyer, revelaria ser particularmente convincente no caso da Coréia do Sul.

2.7 CAPÍTULO 7 : O CONTRAMESTRE

No dia 3 de dezembro de 1997 foi anunciado o plano de resgate da Coréia do Sul.


Michael Mussa, principal economista do FMI percebeu que esse plano não daria certo e que seria
preciso uma estratégia diferente.
Estrangeiros que detinham dividas queriam sair do país o mais rápido possível, pois só o dinheiro do
FMI não seria suficiente para ajudar o país.
O problema da Coréia não era de solvência, tinha uma economia que produzia meio trilhão de dólares
de bens e serviços, seria possível pagar as dívidas com os estrangeiros mais cedo ou mais tarde, mas o país tinha
um problema de liquidez.
Então Mussa sugeriu que os credores que detinham dividas a curto prazo trocassem por títulos a longo
prazo.
O relatório que seria apresentado para a diretoria executiva, informava como seria o pacote de 55
bilhões de dólares. O pacote consistia em 2 parcelas, parcela multilateral totalizando 35 bilhões, originava-se das
2 instituições de Bretton Woods - 21 bilhões, do FMI, e até o limite de 10 bilhões, do banco Mundial – mais 4
bilhões do banco Asiático de Desenvolvimento. Os restantes 20 bilhões, que deveriam sair dos governos dos
paises ricos em bases bilaterais, era o dinheiro da “segunda linha de defesa”, fundos que estariam disponíveis se
os recursos multilaterais se revelassem insuficientes.
Mas quando o esboço do relatório do plano chegou em Whashington, Bijan Aghevli, vice-diretor o
departamento da Ásia e do Pacifico disse que o relatório precisava de mudanças, pois membros da diretoria
representando os paises ricos não queriam assinar um texto que dava a entender que os 20 bilhões da 2ª parcela
seria usado.
Mas sem os 2ª bilhões a Coréia não teria como saldar suas obrigações. Desse modo, o projeto não
poderia ser aprovado e faltava algumas horas para a diretoria se reunir em Whashington. Assim, Aghevli e os
membros da missão improvisaram uma solução, alteraram alguns dados, para compensar a perda dos 20 bilhões
da 2ª linha de defesa, o relatório pressumiu a hipótese de que 80% dos credores estrangeiros da Coréia do
refinanciaria as dividas em vez de exigir o pagamento imediato.
Os coreanos teriam que se empenhar parar que o plano desse certo, mas com o Won despencando em
até 10% diariamente durante 5 dias, os mercados do mundo inteiro se agitando, os sul-coreanos foram acusados
de demonstrar pouco entusiasmo. Até o candidato presidencial Kim Dae Jung que já tinha assinado um
documento de apoio ao programa, declarou que caso fosse eleito iria renegociar os termos e assim, ficava mais
difícil restaurar um clima de confiança.
Edwin Truman, diretor da divisão de Finanças do Fed, acreditava que a Coréia seria um candidato quase
ideal para o Bail-in, pois as maiorias dos seus credores estrangeiros eram de bancos.
A queda do Won começou quando um dos principais jornais sul-coreanos, o Chosun Ilbo, publicou uma
informação que vazou do relatório do dia 3 de dezembro da equipe do FMI, que as reservas do país estavam em
estado precário e o alto nível das dívidas. As reservas encolhido para 6 bilhões e parte da dívida que vencia no
ano seguinte alcançava 116 bilhões no lugar dos 65 bilhões mencionados pelas fontes oficiais.
Um documento secreto endereçado a Stan Fischer, redigido por Matthew Fischir, economista britânico
do Departamento de Analise de Políticas, onde continham varias opções para resolver a crise sul-coreana,
chegaram a conclusão que a Coréia se tornaria inadimplente se os bancos sul-coreanos não fossem cooptados. A
questão era saber se os bancos iriam cooperar ou, pelo contrário, negariam empréstimos a todo mundo criando
assim uma crise maior.
Um encontro de David Lipton com Kim Dae Jung, já eleito, era saber se ele estaria disposto aceitar
conseqüências como desemprego e fechamento de bancos inoperantes e unidades não-competitivas do Chaebol.
Depois de um mês de negociações os bancos chegaram a um acordo com autoridades sul-coreanas para
o refinanciamento de 22 bilhões de dólares de empréstimos bancários a curto prazo. Em troca, receberam um
montante equivalente em títulos, com garantia integral do governo que proporcionavam rendimentos atraentes de
2,25% acima da Libor no caso de 1 ano; 2,5% para 2 anos e 2,75% para títulos de 3 anos. O povo sul-coreano
não teve tanta sorte, já que milhões ficaram sem emprego em 1998.
Mas no final a Coréia do Sul obteve uma pausa para respirar, permitindo colocar a economia em ordem,
além de suficiente quantidade de moeda forte para fazer funcionar a economia.
Tudo isso devido ao fato de que os bancos não iraram dinheiro mais rápido do que o FMI injetava no
país.
2.8 CAPÍTULO 8 – ENTRANDO PELO CANO

Na noite de 08 de janeiro de 1998, o presidente da Indonésia Suharto, recebeu uma ligação dos Estados
Unidos, interessados em resolver a crise da queda da rupia, da Indonésia.
A rupia (moeda) indonésia havia caído para cerca de 10 mil por 1 dólar, e o país sempre foi o destino de
produtos e serviços americanos, e a crise criava ameaças maiores que a perda de alguns bilhões de dólares em
exportações.
A mensagem que Suharto estava recebendo era que, para tirar o país das dificuldades ele teria de
mostrar um renovado compromisso para com a disciplina e as reformas estruturais pregadas pelo FMI com
relação a uma economia infestada pela KKN. Em 15 de janeiro de 1998, Suharto assinou a versão do novo
programa do FMI.
Novamente o programa de reformas deu errado e Washington culpou Suharto, alegando que ele não
implantou direito as reformas. Mas a verdade é que o programa elaborado pelo FMI foi um fracasso mesmo
antes de ser implantado, deixando ver como o FMI não tinha forças suficientes para controlar a economia da
Indonésia.
Foi surpreendentemente fácil para o FMI conseguir um acordo sobre reformas estruturais, mesmo
porque o Fundo não estava oferecendo nenhuma ajuda adicional.
O pacote parecia uma lista de desejos do Banco Mundial para consertar toda e qualquer distorção da
economia da Indonésia. Dentro do novo plano elaborado Suharto perderia todos os subsídios e seu controle
sobre a indústria do cravo, como também sua família perderiam seus privilégios de negócio com o seu governo e
os magnatas ligados a Suharto perderiam seus cartéis.
Tais medidas não seriam crucias para o desenvolvimento do país, mas teriam um enorme efeito sobre a
vida de todos os cidadãos que estavam fartos com os excessos da elite.A aparente solução para tirar a Indonésia
da crise era: melhorar a situação do endividamento das empresas.
Mas ficava uma indagação no ar: por que o FMI deixou de lado essas questões ao elaborar o plano de
reformas? Segundo alguns era pelo fato de não terem especialistas em fiança corporativa e segundo outros, a
questão envolvia dilemas espinhosos.Todos perceberam que os bancos e empresas indonésias não tinham
condições de obter dólares suficientes para pagar os credores estrangeiros. Portanto, a menos que os mercados
conseguissem garantias de que os devedores teriam tempo para arrumar suas contas e evitar serem privados de
créditos, o pânico não cessaria.
O fato é que depois do fracassado plano feito pelo FMI, a economia do país recebeu um golpe do qual
nunca mais se recuperaria.
O questionamento que surge é: por que o FMI exigiu tantas reformas estruturais, ao invés de se apegar
aos problemas econômicos do país?
Especula-se porque foi dada tanta ênfase a detalhadas reformas anti-KKN. Seja como for, após o
fracasso do programa de 15 de janeiro, o FMI e Suharto estiveram sempre em conflito.
Enquanto isso Suharto tentava resolver os problemas, e Hanke professor de economia aplicada da
Universidade Johns Hopkins, estava na Indonésia para segundo ele tirar o país da crise; e seu plano incluía o
estabelecimento do currency board. Uma nação que aplica tal plano de conversabilidade vincula rigidamente sua
moeda a uma moeda forte.
Quando um governo adota esse tipo de regime, está praticamente admitindo que já perdeu toda
credibilidade no mercado financeiro. Portanto, para restaurar a confiança, entrega o controle da política
monetária a um estrangeiro gozando de mais credibilidade.
No entanto o FMI passou a ameaçar Suharto que, se este implantasse o currecy board, eles deixariam
de dar assistência em continuidade ao plano anterior; como por exemplo, a segunda parcela de 3 bilhões de
dólares dos 10 bilhões a ser desembolsada pelo Fundo seria negada. No final de fevereiro, Suharto decidiu que o
currecy board seria temporariamente deixado de lado, porque ele precisava do apoio do FMI para qualquer
medida que implantasse em seu país.
O FMI passou a achar também que a Indonésia precisava de uma reforma não somente econômica, mas
principalmente política.
O Tesouro passou a raciocinar que, na falta de mudanças políticas, seria perda de tempo e dinheiro
continuar enviando ajuda à Indonésia, já que ela não apresentava risco ao sistema financeiro global.
Suharto nomeou em seu gabinete Gnandjar Kartasasmita, para o posto-chave de ministro coordenador
de assuntos econômicos; após negociações com Gnandjar, o FMI liberou uma parcela de 3 bilhões de
dólares em 1 bilhão a cada mês. Entre os elementos mais importantes, estavam a criação de dispositivos claros
contra a criação excessiva de dinheiro, com isso a rupia se fortaleceu.
Mas Suharto não cumpriu o combinado, que era elevar os preços de maneira gradativa, e ao invés
disso, de forma abrupta elevou os preços de vários combustíveis, causando uma enorme revolta na população de
seu país; deixando em conflito muitos mortos. Houve protestos e no dia seguinte o Parlamento pediu
oficialmente para que Suharto deixasse o poder.
Um dia depois, a secretária de Estado americano ligou para Suharto declarando que tinha chegado a
hora dele se afastar.

2.9 CAPÍTULO 9: A BARREIRA DO “NYET”

A Rússia tinha um passado amplo e recente de ligação com programas do FMI, os russos tinham se
acostumado a ouvir “sim” quando chegava a hora de buscar ajuda do Fundo.
Na época, a Rússia acabara de sair do sistema socialista. As principais mudanças foram em 1992,
quando o governo acabou com o controle sobre maior parte dos preços. O problema foi que a maior parte das
empresas privadas continuava sob controle dos administradores da era soviética, esses, faziam funcionar as
empresas de modo precário. O resultado disso foi um gigantesco déficit orçamentário, expansão da oferta, e taxa
exorbitante de inflação.
Os jovens reformistas russos fizeram, em 1995, um esforço extra para recolocar a economia no caminho
certo e foram ajudados pelo FMI, com empréstimo de 6,8 bilhões de dólares. A conseqüência foi gratificante, a
inflação caiu, o longo declínio do rublo acabou e a moeda ficou de certo modo vinculada ao dólar.
Em 1996, ano de eleição na Rússia, o Fundo Monetário liberou mais um programa de incentivo de 10
bilhões de dólares. O programa continha uma série de requisitos visando levar a economia para um nível mais
avançado da reforma. No entanto, o desempenho da Rússia, pôs por água a baixo as boas intenções do programa.
Por trás, dos enormes déficits ocultava-se um problema mais profundo.
Porém, tais considerações, naquele momento não pareciam interessar muito, em 1997, com a taxa de
inflação relativamente baixa, o rublo estável, os comunistas derrotados e o programa de 10 bilhões do FMI em
vigor, a Rússia se tornou um dos lugares preferidos dos gerentes de carteiras de ações internacionais em busca de
altos retornos.
Os principais especuladores estrangeiros de fundos hedge, corretores e bancos comerciais tinham
investido maciçamente nos GKOs no começo de 1998. A maior atração era o rendimento, que oferecia retornos
na faixa de 20 a 30 por cento ao ano durante aquele período e com vencimento a curto prazo. Porém no final de
abril de 1998, o apetite do GKOs e outros papéis russos diminuíram significativamente, quando a força do
contágio atingiu a Rússia com a mesma fúria que havia desestabilizado as economias da Ásia.
Entre os mercados emergentes, a Rússia se destacava pela vulnerabilidade, porque quanto mais os
receios do mercado se intensificavam, mais intratável ficava o problema do orçamento, o que, num circulo
vicioso, aumentava os receios do mercado.
Embora a Rússia estivesse ainda envolvida no terceiro ano do empréstimo que lhe fora concedido em
1996, os defensores de um novo pacote argumentavam que um novo programa do Fundo, com bilhões de dólares
adicionais, era necessário para impedir que a dinâmica da divida chegasse ao seu estágio explosivo final. Se um
grande números de detentores do GKOs concluísse que não seria reembolsado e começasse a querer receber
dólares pelos seus títulos, isso teria terrível implicação para o rublo e a estabilidade do país.
Nos termos do plano com o FMI, a Rússia ia receber um total de 22,5 bilhões de dólares ao longo de 18
meses. O anuncio de acordo com da Rússia com o FMI em 13 de julho provocou inicialmente aprovação dos
mercados financeiros. No momento em que o pacote de resgate do FMI estava em sua fase final de preparação,
em principio de julho de 1998, altos executivos do Goldman (banco de investimento), conceberam uma idéia que
a primeira vista, estava alicerçada em sólidos argumentos financeiros, transformar suas dividas a curto prazo em
dividas a longo prazo. As dividas a curto prazo dos russos era formado pelos GKOs, e seus detentores não
concordaram com a proposta feita.
Depois desse acontecido, a proposta da Goldman, agravou ainda mais os problemas da Rússia, em face
da estranha série de acontecimentos que ocorreram depois, como bancos deixando de cumprir suas obrigações,
rublos sendo trocados por dólar, maciço fluxo de capitais deixando o país, a população apavorada. O pacote de
22,5 bilhões negociados com o FMI em meados de julho não estava conseguindo deter a fuga de capitais da
Rússia.
As autoridades russas se reuniram e chegaram a conclusão que a única opção, era a desvalorização do
rublo e a reestruturação da dívida em GKOs. O mercado ficou frustrado com o fato de o FMI e o resto do Alto
Comando terem falhado em impedir a inadimplência da Rússia.

2.10 CAPÍTULO 10: O CÁLCULO DOS RISCOS

Todos os anos se realiza no Hotel Jackson Lake uma conferência, no ano de 1998 a conferência teve
início 10 dias depois da inadimplência da Rússia e da desvalorização do rublo, chegarão informações que
mostravam os impactos negativos dos acontecimentos da Rússia sobre os mercados financeiros.
Até aquele momento a crise financeira global tinha sido um fator estimulante da economia americana,
por que os trabalhadores e empresas americanas saiam ganhando por causa do impacto sobre a inflação e as
taxas de juros, também ouve uma redução no custo da matéria-prima para as empresas americanas.
Consequentemente, o Federal Reserve estava preocupado coma a possibilidade da inflação, e então
realizaram-se debates entre os altos funcionários sobre a idéia de aumentar os juros para desaquecer a economia
por que se a crise se alastrasse ao território americano, haveria o risco de pressões recessivas mundiais.
Os paises asiáticos enfrentam um dilema cruel entre manter elevadas as taxas de juros ou deixar a
moeda naufragar.
A Casa Branca ansiosa por providencias e o presidente Clinton estava ficando cada vez mais frustrado
ao ver a crise mundial se agravar, ele queria se envolver pessoalmente para aliviá-la, teve então a idéia de fazer
um discurso e a oportunidade apareceu quando o Conselho de Relações Exteriores se reuniu em Nova York.
O trecho crucial do discurso era “É claro que o critério do cálculo dos riscos mudou”, poderia parecer
óbvio, em fase dos acontecimentos de então, mas a frase tinha um significado audacioso, sugeria que o Federal
Reserve, e outros bancos centrais independentes do mundo inteiro, deveriam fazer o possível para evitar políticas
de crédito demasiado restritivas e deveriam se inclinar para taxas de juros menos elevados, afim de assegurar que
a economia não entrasse em recessão.
Os banqueiros centrais europeus se rebelaram, tomando uma atitude que iria prejudicar os planos do
governo americano.
Somente alguns poucos diretores de bancos centrais tinham uma vaga noção da proposta para que o G7
divulgasse o comunicado sobre a mudança do critério do cálculo dos riscos um dia antes do comunicado do
presidente.
Aquela altura, o comunicado do G7 tinha ficado literalmente pulverizado, a questão agora era se a
iniciativa americana iria redundar num fiasco criador de divisões, dando chance a imprensa de tomar
conhecimento e publicar reportagens sobre a situação.
O Congresso Americano relutava em aprovar leis que permitiriam ao Fundo restabelecer seus cofres, o
senado tinha aprovado mas o projeto de lei enfrentava forte resistência da Câmara dos Deputados.
As cotas do FMI valiam, no papel, 200 bilhões de dólares, mas a maioria desses recursos era em
dinheiro e não poderia ser usado facilmente em transações internacionais, e uma das reservas em moeda forte já
tinha sido desembolsada ou estava comprometida com os programas de ajuda a Rússia e a Ásia.
Enfim, havia cerca de 3 e 8 bilhões de dólares para empréstimos, e o Fundo poderia utilizar o GAB
(linha de crédito especial, chamado Acordos Gerais para Obtenção de Empréstimos) mas 1/3 já havia sido
utilizados no pacote de resgate para a Rússia, deixando 14,3 bilhões.
David Tepper, operador de mercado, enxugou drasticamente suas carteiras de ações, assim como seus
funcionários e milhares de pessoas, o resultado todo foi a parada quase total na emissão de títulos, restringindo
com isso severamente o crédito.
Quando os títulos são dados como garantia de empréstimos e se desvalorizam, os credores exigem
pagamento imediato da dívida, assim a venda precipitada de “maus títulos” gera a liquidez dos “bons títulos”.
Os bônus do Tesouro geralmente são cobiçados por investidores durante uma crise por que contam
coma garantia do governo dos Estados Unidos e podem ser passados adiante com maior facilidade, se houver
necessidade.
A quantidade de títulos corporativos emitidos nos mercados americanos caiu em Outubro de 1985 cerca
de 85% em comparação com a média mensal registrada na primavera anterior.

2.11 CAPÍTULO 11 - SONDANDO AS PROFUNDEZAS


21/09/98 – Crise na Rússia, inadimplência... Má notícia chega rápido aos continentes.
Crise asiática leva a queda de bolsas como: Hong Kong, Cingapura, Nikkei, Paris entre outras.
Long-Term Capital Management, fundo hedge criada em 1994 e localizada em Greenwich, Connecticut.
Em 4 anos e meio de vida, a Long-Term deixou todos perplexos com sua ascensão no mercado. Seus ativos se
comparavam aos das maiores instituições financeiras do mundo e seu capital de 7 bilhões de dólares sumiram em
cinco semanas, levando a uma crise econômica global que ameaçou a estabilidade economia dos EUA.
Na Long-Term usava fundos emprestados para financiar sua transações. Realizava arbitragem de títulos
e uma serie de outras transações excêntricas. Arrecadou 20% de lucro p/ seus investidores em 1994, 43% em
1995 e 41% em 1996. Isso fez com que as empresas de Wall Street e os bancos fizessem fila para emprestar
dinheiro a Meriwether.
Mas em 21 de agosto de 1998 com a queda do mercado os títulos da Long-Term havia comprado
entraram em declínio, e os títulos que ela havia vendido em “descoberto” haviam aumentado de preço, sendo
assim no final do dia a empresa tinha perdido cerca de meio bilhão de dólares. E em 15 dias seu capital passou a
ser de 1,5 bilhões de dólares. O Fed jurava que a queda desse fundo poderia causar um colapso econômico.
Long- Term possuía 1,3 trilhões de dólares em derivados. Para o socorro do fundo reuniram 11 empresas com
300 milhões de dólares de contribuição, e com o restante de capital que a Long-Term ainda possuía no dia 23 de
setembro a crise foi evitada.
Com cautela no dia 29 de setembro o Fed reduziu 0,25 pontos a taxa de juros de empréstimos overnight
a bancos.
No dia do anuncio a Dow Jones caiu 28 pontos, 237 no dia seguinte e 210 um dia depois, e em dois dias
teve um declínio de um quarto de ponto percentual, indo de 5 para 4,88 por cento. Para o publico em geral o Fed
não fez o suficiente.
E na primeira semana de outubro o FMI organizou uma daquelas reuniões pomposas e cheias de
atrativos, comes e bebes, como costumam ser as reuniões do FMI, com os representantes de diversas nações e
apesar do pessimismo demonstrado pelos norte-americanos, os europeus se mostravam bem menos alarmados e
se assustaram com as declarações dos seus homólogos americanos. Para os europeus eles estavam reagindo
exageradamente ao caso da Long-Term muito inclinados a tomar medidas drásticas, todos achavam que Clinton
queria apenas assumir ares presidenciais para esquecerem-se do escândalo com Monica Lewinsky. Algumas
declarações dadas pelo presidente após aquela noite, deixaram os europeus ainda mais seguros de suas opiniões,
Clinton queria assumir o comando dos EUA e limpar a sua barra. Entre as propostas do presidente, vinha a da
CCL (Linha de Credito Contingente). O objetivo era ajudar os países a se precaverem de um contagio financeiro,
um dos termos mais importantes da CCL era que o pais precisava ter uma correta política financeira, para
receber essa ajuda. Um encontro do G-7 feito no dia 3 de outubro para discutir a proposta de Clinton teve os
alemães como os maiores antagonistas da proposta. Mas foi em um encontro do G-22 que realmente discutiram o
assunto. Clinton presidiu a reunião, discutiram a gravidade da crise. Houve objeções à maneira em que o
presidente tratava da crise, o banqueiro alemão Hans Tietmeyer falou em nome dos objetores, disse que
realmente alguns países sofreram com a crise, mas o mundo como um todo não tinha sido afetado de maneira
semelhante, e falar em recessão global era cometer exageros e somente causaria tensões financeiras. Clinton
pediu pelo menos admitissem que a situação fosse grave, mas conflitos como esses eram sintomáticos e de
crescente frustração no alto comando, diante das enormes quantidades de dinheiro envolvida nessas operações e
a facilidade com a qual elas escapavam dos próprios países aos quais deveriam ajudar.

2.12 CAPÍTULO 12: TROPEÇANDO NAS SOLUÇÕES

Em agosto e setembro de 1998, as reservas brasileiras em moeda forte tinham caído de 75 bilhões para
45 milhões de dólares, na medida em que instituições financeiras e outros investidores trocaram reais por
dólares. A principal preocupação era que um colapso brasileiro produzisse um efeito de ricochete que poderia
derrubar as principais economias do mundo.
O maior impacto seria sobre a Argentina, onde uma recessão obrigaria o governo a expandir a oferta de
dinheiro e abandonar o “currency board”. Os especuladores seriam levados a testar outro usuário do regime
currency board, Hong Kong. Se o dólar de Hong Kong sofresse um revés, as outras moedas asiáticas se
desvalorizariam.
Tereza Ter-Minassian, vice-diretora do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI e responsável
pelo setor do Brasil e da Argentina, defendeu a tese de que um pacote internacional de ajuda de algumas dezenas
de bilhões de dólares para o Brasil poderia dar tempo ao país de respirar mantendo o mesmo sistema de câmbio
fixo para o real que tinha contribuído para controlar a inflação.
O governo de Fernando Henrique estava disposto a evitar uma desvalorização, mas para o Brasil
sobreviver aos reveses do mercado era preciso convencer os investidores de que a comunidade internacional
tinha fé na política do governo e que o país possuía reservas suficiente em moeda forte para cumprir suas
obrigações.
______________________
Em 1994 a economia brasileira estava sofrendo mais um episódio de hiperinflação com picos subindo
30 por cento ao mês ou 2700 ao ano. O governo havia tentado uma série de medidas antiinflacionária ao longo
dos anos, mas nada tinha funcionado por muito tempo. Foi então que Fernando Henrique e o então Ministro
Pedro Malan, conceberam o Plano Real, que iria substituir a velha moeda pelo real.
A inflação mensal caiu para um único dígito no final do ano.
Não existe ponto mágico em que uma moeda supervalorizada explode e cai de volta à Terra. Para
induzir a conservação de reais, o Banco Central teve de majorar as taxas de juros para cerca de 40 por cento.
Porém, altos juros se traduziam em uma conta maior de juros a ser paga pelo governo, o que significava novas
tomadas de empréstimos.
________________________
A economia brasileira inicialmente emitiu sinais positivos após o anúncio do programa do FMI. O
montante de dinheiro que costumava deixar o país caiu para 1,9 milhões de dólares em novembro de 1998.
Mesmo dentro do FMI havia a impressão de que a tentativa de manter o regime de câmbio fixo parecia
um ato de levitação. Em dezembro a saída de capital recomeçou totalizando 5,2 bilhões de dólares.
O plano de resgate do Brasil fracassou. Não há duvidas de que o que provocou esse fracasso foi o fato
de Itamar Franco, governador de Minas Gerais, o segundo estado mais importante do país, anunciar que seu
estado suspenderia o pagamento da dívida de 1,5 bilhões de dólares ao governo federal.
Em 12 de janeiro 1999 o presidente Fernando Henrique Cardoso nomeou um novo presidente do Banco
central, era Francisco Lopes, cuja primeira medida foi mudar a política cambial. O Brasil iria abandonar a férrea
política de defesa do real, com esperança de reduzir as taxas de juros.
No dia 29 de janeiro o Brasil estava à beira do abismo. Em primeiro de fevereiro Lopes é afastado,
depois de apenas 19 dias à frente do Banco Central e foi substituído por Armínio Fraga.
O FMI acena com nova possibilidade de empréstimo, porém faz exigências. As negociações demoram
mais de um mês e em 5 de março, a missão do Fundo completou as negociações sobre os termos pelos quais o
governo receberia os 9 bilhões de dólares do pacote internacional de empréstimos.
A economia brasileira funcionou de forma a desmistificar as previsões dos especialistas. No início de
1999, o consenso entre os economistas era de que o colapso do real levaria não só a uma profunda recessão no
Brasil, mas a um episódio inflacionário entre 40 a 80 por cento. Em vez disso, o que aconteceu foi que a
economia brasileira cresceu 1 por cento em 1999 e os preços aumentaram apenas menos de 9 por cento.
A crise financeira global estava terminando e deixando no ar questões inquietantes sobre o que fazer
para deter a próxima crise.

2.13 CAPÍTULO 13: FAZENDO UMA PAUSA

A credibilidade do FMI como agente anticrise ficou afetada em todos os países cujas crises são
relatadas neste livro, uma vez que os pacotes de resgate se mostraram ineficazes em restaurar a confiança do
investidor.
Nisso consiste o desafio fundamental que enfrentarão os idealizadores do que está sendo chamado de
“nova arquitetura financeira internacional”, alguns dos mais eminentes cérebros econômicos estão concebendo a
proposta para mudar as regras e práticas do sistema financeiro global com a finalidade de diminuir os riscos de
futuras crises e aperfeiçoar a resposta da comunidade internacional quando elas ocorrerem.
Entre as operações de resgate que fracassaram no final dos anos 90 destacam-se duas exceções que
podem nortear os arquitetos do novo sistema. Uma foi o segundo resgate da Coréia do Sul em 1997 e a outra foi
o segundo resgate do Brasil em março de 1999.
Uma explicação possível para esses resultados positivos é que o fator decisivo foi a implementação
correta dos programas do Fundo pelos países em questão. A seguir algumas idéias para consertar a arquitetura
financeira internacional:
• Expansão do FMI: um argumento plausível é que, devido ao tamanho atual dos mercados
financeiros globais, o FMI precisa se expandir mais para acompanhar esse ritmo de crescimento.
• Extinção do FMI: essa opção tem sido sugerida por vários conservadores iminentes. Sem o
FMI, se um país ficar desprovido de moeda forte, seus credores estrangeiros deverão aceitar o que puderem
conseguir em negociações ou na Justiça. Se os credores não estiverem satisfeitos poderão recusar conceder mais
crédito.
• Já que a extinção é impraticável, corte as asas do FMI: essa opção propõe modificar
radicalmente os programas do FMI de duas maneiras. Primeira, os empréstimos só seriam concedidos aos países
que se pré-qualificassem seguindo políticas corretas incluindo obediência a padrões bancários prudentes
garantindo que os estabelecimentos teriam sempre capital suficiente. Segunda, o Fundo não imporia condições
na hora de fornecer os empréstimos, uma vez que teria determinado com antecedência quais os países
merecedores.
• O retorno a Bretton Woods (regime de câmbio fixo): há propostas para estabilizar as moedas,
criar vínculos entre elas ou fundi-las. Porém, os economistas profissionais pensam que no caso da maior parte
dos países a calibragem meticulosa das moedas não vale a pena porque tornaria necessária a adoção de medidas
que não fazem sentido no plano nacional.
_______________________
Em primeiro lugar, o FMI tem incentivado firmemente os países a divulgarem regularmente as
informações essenciais sobre suas situações financeiras e reservas em divisas para evitar abalar o mercado com
revelações imprevistas.
Para ajudar os países a fortalecerem seus sistemas bancários, o Fundo uniu-se ao Banco Mundial num
programa de monitoramento intenso dos bancos e sistemas regulamentadores em cerca de 25 nações anualmente.
Criou-se ainda o Departamento de Mercados de Capital como parte de uma iniciativa para aumentar o
monitoramento pelo Fundo das economias dos países-membros.
Talvez o passo mais importante para tornar mais seguro o sistema financeiro mundial tenha sido o de
reduzir o número de países com regime de paridade cambial fixa.
Outra idéia para aperfeiçoar a arquitetura do sistema financeiro mundial são as pausas: quando uma
corporação em dificuldades está ameaçada de ficar sem dinheiro vivo porque seus banqueiros e detentores de
títulos estão arrancando cada dólar existente e se recusando a conceder novos créditos, a corporação pode
solicitar a um tribunal de falências um tempo para respirar. Não existe um tribunal parecido em nível
internacional. Um país que fica sem moeda forte e deixa de pagar suas dívidas ou declara moratória no
cumprimento de suas obrigações com estrangeiros arrisca-se a ser alvo da ira dos credores que podem se recusar
a estender o crédito por muito tempo.
O que deve merecer o máximo de atenção é que as atuais instituições e os mecanismos de salvaguarda
do sistema financeiro global são perigosamente frágeis e é preciso audácia para reforçar as defesas do sistema
antes que novas catástrofes surjam.
3. ANÁLISE DO LIVRO PELA EQUIPE

O livro Vexame apresenta outra perspectiva sobre o FMI e como é a relação dos membros entre si e
com outras instituições financeiras. Mostra que a crise econômica da década de 90 foi agravada devido à
desconfiança de outras economias em investir nos países que passavam por dificuldades financeiras.
Os valores injetados na Tailândia, Indonésia e Coréia do Sul mostraram que só a intervenção do FMI
não é o suficiente para garantir que a economia reaja como é esperado.
A credibilidade do Fundo vem sendo questionada há muitos anos e os dados apresentados pelo livro nos
levam a crer que os conflitos internos estão afetando diretamente nas decisões tomadas.
A estrutura econômica dos países que pedem a intervenção do FMI está com sérios problemas
administrativos causados por consecutivos erros, corrupção e benefícios a “amigos”. O FMI é rígido nas suas
exigências, mas nem sempre os países cumprem todas elas, isso causa descredibilidade nesses países porque
sabem que a estabilidade econômica é momentânea. O FMI acaba sendo mais enérgico com as questões que são
do interesse de seus membros e quando os planos não atingem os objetivos esperados culpam os governantes
locais.
A Rússia foi um exemplo de como o FMI está interessado em manter sob seu controle o maior número
de economias possíveis, pois o país não cumpriu com o acordo e continuou recebendo pacotes emergenciais do
Fundo com a desculpa que o governo ainda estava se reestruturando.
Os atritos entre o FMI, Banco Mundial e o Fundo de Desenvolvimento mostra que cada instituição
busca pelo melhor para si.
No caso do Brasil, o pacote deu resultado devido à postura do governo brasileiro em melhorar os pontos
que geraram a instabilidade e assegurar a credibilidade do país no exterior.
4. FMI NOS DIAS ATUAIS

A partir de reportagens e artigos recentes sobre a atuação do Fundo Monetário internacional nos dias
atuais, pudemos observar alguns aspectos que relataremos a seguir:
A pressão dos países emergentes para uma maior participação nas cotas do Fundo Monetário
Internacional é o motivo mais plausível para a reforma acontecer, reuniões acontecem desde 2005, para discutir
essa ação de reestruturação. O G20, grupo das vinte maiores economias do mundo são os responsáveis pela
discussão e decisão sobre um acordo que favoreça toda a economia mundial.
A crise econômica que veio a tona em 2008, iniciada nos Estados Unidos devido a problemas
financeiros dos principais bancos do país, causada pela inadimplência no setor imobiliário, e seus efeitos sobre a
economia global, as grandes potências sofreram os piores impactos.
Nos países emergentes embora também tenham sofrido as conseqüências dessa crise, e tiveram os
investimentos internacionais retirados do mercado interno para recuperação das empresas que mantinham sua
matriz nessas potencias afetadas. Contudo foram os que tiveram uma recuperação mais acentuada, em razão das
ações tomadas pelos governantes desses países, é nos dias de hoje a melhor opção para o acerto e a
reestruturação do Fundo Monetário Internacional.
O que nos resta saber é se as grandes potências abrirão mão de serem as detentoras unânimes das
decisões do Fundo Monetário Internacional para beneficio global, ou de alguma forma evitarão a ascensão do
BRIC nesse processo.
CONCLUSÃO

O FMI sempre disposto a colaborar, enviando representantes para auxiliar na solução de problemas
econômicos, quando países membros do Fundo Monetário enfrentam situações econômicas instáveis tais como
inflação acentuada, queda de exportação, e outras. Permitindo uma rápida adoção de medidas corretivas, para
que as dificuldades internas não se reflitam no comércio internacional, desestabilizando assim também outras
economias que de alguma forma estão interligadas. Também nos casos de pedido de auxílio o FMI oferece sua
assistência, fiel a uma política do tipo monetarista que podemos citar como exemplo a taxa cambial única e
fixada, moeda conversível, corte nos gastos públicos, contensão salarial, etc., Nos casos em que os países
aceitaram a ajuda e suas condições para a assistência, pode observar uma evolução e um desenvolvimento da sua
economia. Todavia, nos casos em que a gestão do país não colaborou com uma boa administração da verba
aplicada, não houve uma estabilização econômica e essas nações não conseguiram promover o equilíbrio
necessário para ampliar seu desenvolvimento.
E nem todas as ações do Fundo Monetário Internacional são para benefícios dessas nações, algumas
vezes essas ações não corresponde aos interesses dos países que almejam ao desenvolvimento, pois costuma
provocar efeitos depressivos na economia, com custos sociais elevados. As potencias que comandam o fundo são
na pratica as mais interessadas na distribuição desses pacotes, impondo suas políticas econômicas das nações
devedoras, assim elas podem alcançar seus propósitos que é a liberalização dos mercados e privatizações e a
quebra fronteiras econômicas.
REFERÊNCIA

BLUSTEIN, Paul. Vexame: os bastidores do FMI na Crise que abalou o sistema financeiro mundial. Rio de
Janeiro: Record, 2002.

DICIONÁRIO de Economia. São Paulo:Abril S.A. Cultural, 1985.

GARCEZ, Bruno. O FMI prevê que a economia irá sofrer contratação de 1,3% e que a situação atual representa
“de longe mais profunda recessão desde a Grande Depressão”. Disponível em: <http://pagina-
um.blogspot.com>. Acesso em: 24 out. 2009.

G20 ABRIL caminho para fim da crise e reforma do FMI. Jornal O Estado de S. Paulo. Disponível em:
<http://www.estadao.com.br/noticias/economia,g20-abriu-caminh-parafim-da-crise-e-reforma-do-
fmi,440196,0.htm>. Acesso em: 17 out. 2009.

SABBI, Alcides Pedro. O que é FMI. São Paulo: Brasiliense, 1991. Coleção Primeiros Passos n. 245.

SERRA, A. M. de Almeida. Adeus FMI. Disponível em: <http://pagina-um.blogspot.com>. Acesso em: 24 out.
2009.

VISÃO DOS MEMBROS DA EQUIPE

“O trabalho me fez repensar e questionar as formas de atuação de um Fundo que foi criado pelos países ricos
para emprestar dinheiro aos países em dificuldade.”
(Bruno Marmos)

“Já tinha uma visão negativista do FMI, o trabalho me confirmou.”


(Cibelle Santana)

“A economia mundial vem mudando e necessita de uma instituição que atenda as suas necessidades, o trabalho
que mostrou que essa instituição ainda não existe.”
(Cristiani Oliveira)

“O trabalho me mostrou que nem sempre o FMI favorece os que realmente deveriam ser favorecidos.”
(Cristina Cavalcante)

“O trabalho ampliou meus conhecimentos sobre como é realizada as intervenções do FMI e quem são os
verdadeiros beneficiados.”
(Graziele Moreno)

“Mesmo estando em situações desfavoráveis, é sempre importante negociar e reclamar sua posição.”
(Hélia Machado)

“Com esse trabalho, comecei a entender o FMI e seu método de avaliar as regras de relacionamento entre seus
países devedores.”
(Juliana Rodrigues)

“Esse trabalho ampliou minha perspectiva de que o FMI manipula países com dificuldades econômicas,
buscando muitas vezes, seus próprios interesses.”
(Laudicéia Guimarães)

“Constatei que existe muita manipulação por parte do FMI para concessão de empréstimos.”
(Mariane Lara)
“O trabalho me trouxe uma visão diferente e ampla em relação à forma de atuação do FMI.”
(Walter Castelucci)

O QUE O TIME CONSIDEROU MAIS RELEVANTE:


Que a estrutura do FMI necessita de uma reestruturação urgente, pois exerce uma importante atuação na
economia internacional, mas mantém pensamentos arcaicos e conflitos que dificultam sua funcionabilidade.

CONSIDERAÇÕES SOBRE O TRABALHO


O trabalho oferece aos seus leitores uma visão do FMI atuando em uma crise mostrando suas falhas e
como o Fundo continua com sérios problemas. Fica sendo esta pesquisa mais uma fonte para conhecimento da
economia mundial.
COLABORAÇÃO DA EQUIPE
NOME CONTRIBUIÇÃO
Bruno Marmos - Leitura do livro;
- Resumo capítulos;
- Digitação;
- Discussão do livro;
- Pesquisa de materiais adicionais.
Cibelle Santana - Leitura do livro;
- Resumo capítulo;
- Digitação;
- Discussão do livro e outras fontes;
- Pesquisa de materiais adicionais.
Cristiani Oliveira - Leitura do livro;
- Resumo capítulos;
- Pesquisa de materiais adicionais;
- Discussão do livro e outras fontes;
- Elaboração e digitação de texto;
- Análise textual e correção;
- Formatação;
- Apresentação.
Cristina Cavalcante - Leitura do livro;
- Resumo capítulo;
- Digitação;
- Discussão do livro e outras fontes;
- Pesquisa de materiais adicionais.
Graziele Moreno - Leitura do livro;
- Resumo capítulos;
- Pesquisa de materiais adicionais;
- Discussão do livro e outras fontes;
- Elaboração e digitação de texto;
- Imagens da paresentação;
- Análise textual e correção;
- Formatação.
Hélia Machado - Leitura do livro;
- Resumo capítulo;
- Digitação;
- Discussão do livro e outras fontes;
- Pesquisa de materiais adicionais.
Juliana Rodrigues - Leitura do livro;
- Resumo capítulo;
- Digitação;
- Discussão do livro e outras fontes;
- Pesquisa de materiais adicionais.
Laudiceia Guimarães - Leitura do livro;
- Resumo capítulo;
- Digitação;
- Discussão do livro e outras fontes;
- Pesquisa de materiais adicionais.
Mariane Lara - Leitura do livro;
- Resumo capítulo;
- Digitação;
Walter Catelucci - Leitura do livro;
- Resumo capítulo;
- Digitação;
- Discussão do livro e outras fontes;
- Pesquisa de materiais adicionais.
PLANEJAMENTO
SETEMBRO:
• Cópia do livro;

• Divisão do livro para leitura;

• Leitura do livro pelo time.

OUTUBRO:

• 1ª. Reunião do time: discussão sobre o livro e troca de informações sobre os capítulos,
com as visões e entendimentos dos membros do time. (Mariane Lara e Laudiceia
Guimarães ausentes por motivos de trabalho);

• 2ª. Reunião do time: definir o problema, objetivo, benefícios e justificativa do


trabalho. Definir pesquisar adicionais que devem ser agregadas ao trabalho. (todos
presentes e participante);

• 3ª. Reunião do time: discussão das pesquisas e estruturação do trabalho escrito. (todos
presentes);

NOVEMBRO

• 4ª. Reunião do grupo: elaboração da apresentação definição da forma de apresentação.


(Mariane Lara ausente por motivos de trabalho);

• Ensaio da apresentação: será realizado dia 28/11;

OBS.: Mesmo quando não houve possibilidade do time se reunir ocorreram trocas constantes de e-mails e artigos
sobre o assunto abordado no trabalho.