Você está na página 1de 13

UNIDADE I – Carga Elétrica e Campo Elétrico.

  • 1.1 – Carga elétrica, sua conservação e quantização.

Os fenômenos eletromagnéticos já eram conhecidos desde a antiguidade, porém observados com muito

empirismo. Um bom exemplo é a observação do filosofo e matemático grego Thales de Mileto (séc. VI

a.C.), que ao atritar um pedaço de âmbar ( resina amarelada) com a pele de um animal, adquiria o poder

de atrair pequenos pedaços de palhas e sementes de grama. Isso é bem semelhante, ou melhor, é a

mesma coisa que acontece ao esfregarmos uma caneta na nossa cabeça e conseguirmos atrair pequenos

pedaços de papel picotados.

Este e outros fenômenos semelhantes só são possíveis porque os corpos se eletrizam, ou seja, ficam

eletricamente carregados (termos introduzidos por William Gilbert em De magnete no ano de 1600, em

virtude da palavra grega para âmbar: elektron).

E quanto às cargas elétricas? O primeiro a observar que havia dois tipo distintos foi Charles du Fay, em

1733 com âmbar e vidro. Mas foi Benjamin Franklin que postulou que cargas elétricas, assim como a

energia, não podem ser criadas ou destruídas, porém estas não se transformam e sim se transferem entre

corpos, podemos dizer então que carga elétrica é uma grandeza (escalar) conservativa. A partir disto,

podemos afirmar que dois ou mais corpos carregados com carga de mesmo sinal se repelem e corpos

carregados com cargas de sinais diferentes se atraem. E quantos a corpos que não atraem nem repelem

outros corpos, ou seja, corpos que não estão eletrizados? Estes estão isentos de qualquer tipo de carga? A

resposta é simples: estes corpos possuem a mesma quantidade de carga positiva (prótons) e negativa

(elétrons), logo eles estão neutros.

A unidade para prótons e elétrons é a mesma, o Coulomb [C], em homenagem ao físico francês Charles

Augustin de Coulomb, do qual falaremos em seguida.

A carga elétrica além de ser conservada é também quantizada. Mas o que isso quer dizer? Bem, vamos

assemelhar a carga elétrica à uma porção de fluido, como a água. Uma porção de água é formada a partir

do somatório de todas as moléculas elementares, o

H 2 O .

Assim é a carga elétrica: esta possui uma

partícula elementar (embora já existam frações dessa quantia, como os quarks), que vale

e≈ 1,602×10 19

C, sendo positiva para o próton e negativa para o elétron. Logo, podemos escrever a

carga elétrica como

q=n×e ,

  • 1.2 – Lei de Coloumb.

onde

n

é o número de elétrons ou prótons.

Na física temos forças de campo e forças de corpo. As forças de corpo são aquelas obtidas a partir do

contato entre corpos, como um soco ou uma colisão. Já as forças de campo são aquelas geradas a partir

de atração ou repulsão, sem contato. São elas as forças eletromagnéticas (atrativa e repulsiva) e

gravitacionais (apenas atrativa).

A força gravitacional supostamente surgiu a partir do famoso episódio entre Sir Isaac Newton e a maçã.

Ele observou que a maçã caia com um peso (força) inversamente proporcional ao quadrado da distância

entre os dois corpos (a terra e a maçã) e proporcional ao produto das massas envolvidas, logo sempre

uma é a massa da própria terra. A teoria também serviu para explicar como a lua se mantém em órbita. A

equação de Newton para a gravitação pode ser expressa da seguinte forma:

m. M

F g

d 2

F g =G m. M

d 2

 

d 2

Porém havia a necessidade de um ajuste para que houvesse igualde na equação. Foi assim então que ele

inseriu a constante da gravitação universal em sua equação, chegando a:

Ou de forma vetorial:

F g =−G m .M k ^ ,ondeG6,67×10 11 N.m 2

kg 2

O sinal negativo indica que a força é apenas atrativa,

m

é a massa do objeto em queda livre e

M

é

a massa maior, do corpo atrator,

d

é a distância entre eles e

^

k

indica que a força aponta na direção

do eixo

z.

Mas o que isso tem a ver com a atração e repulsão de objetos eletricamente carregados? Simples, porque

Coloumb observou que a força entre eles funcionava da mesma forma, ou seja, mudamos apenas as

variáveis. Portanto, ao aproximar um objeto carregado a outro de teste ele pode atraí-lo ou repeli-lo, e a

força entre eles é descrita da seguinte forma:

4 π ε 0

¿

¿

e =k q.Q

F

d

2

r^(repulsão)ou

F e =−k q .Q r^ (atração); k=¿

d

2

Onde

Q eq

são a carga de teste a carga a ser aproximada e

ε 0 8,85×10 12 C/N .m

2

, e é chamada

de constante de permissividade elétrica no vácuo, mas pode ser usada para encontrarmos valores de

forças de forma aproximada no ambiente. O vetor

r^

indica que a força elétrica pode apontar em

qualquer direção, dependendo da localização das cargas no espaço. A unidade de força elétrica é a

mesma da força gravitacional, ou simplesmente força, o Newton [N].

  • 1.3 – Campo Elétrico.

A força gravitacional só existe porque existe um campo gravitacional. A logica é que o mesmo aconteça

com a força eletrostática. Só podemos considerar um valor para um campo dependendo da proximidade

entre o corpo eletrizado e a carga teste. A física do campo acontece da seguinte forma: O valor do campo

é dado pela razão da força que um corpo eletrizado exerce sobre uma carga teste, ou simplesmente:

E≡

F e

q

r^

Onde a direção do campo vetorial

E

é a mesma de

F.

Um campo de atração possui linhas de campo de atração e, do mesmo modo, para repulsão.

Independentemente do campo, as linhas serão sempre as mesmas, logo elas nunca se cruzarão. Quanto

mais próximas do corpo gerador do campo, maiores e mais fortes serão os vetores.

  • 1.4 – Cálculo de Um Campo Elétrico.

1.4.1 – A Carga Pontual:

Quanto à afirmação de que só podemos considerar um valor para o campo dependendo da distância entre

o corpo eletrizado e a carga teste, vejamos a seguir:

Inserindo a equação em, temos:

E≡

1

4 π ε 0

q

0

d

2

r^

Que é o campo elétrico gerado a partir de uma carga pontual.

Podemos então afirmar que:

d→ ∞ (

lim

1

4 π ε 0

q

0

d

2

) =0lim (E)=0

d→∞

Logo, quanto maior a distância entre as cargas, menor a intensidade do campo em relação a uma carga

teste. Para uma distância que tende ao infinito tem intensidade do campo tendendo a zero, fenômeno

também explicado pelo conceito das linhas de campo.

O campo elétrico é uma grandeza vetorial e é proporcional à força eletrostática, logo o campo elétrico

total devido a campos em proximidade é equivalente a soma algébrica dos valores dos campos. Logo,

campos elétricos também obedecem ao principio da superposição.

1.4.2 – A Linha, Superfície e Volume de Cargas.

Viu-se anteriormente que um conjunto de cargas gera um campo elétrico resultante a partir de seu

somatório. Matematicamente, e em módulo:

 

n

E= 1

4π ε 0

E= 1

i=1

q n

d n

2

dq

4π ε 0

d

2

λ= dq

dL =constante

E= 1

4 π ε 0

 

dL

λ

L

d

2

Distribuição Linear:

Expressando em forma diferencial e integral, tem-se:

Distribuindo cargas elétricas em corpos de geometria conhecidas, o cálculo do campo requer que se leve

em consideração a sua forma. Aqui serão abordados três casos genéricos de linha, superfície e volume

carregado, considerando que as distribuições ou “densidades” lineares, superficiais e volumétricas de

λ

de cargas

dq

variando proporcionalmente ao comprimento

dL

cargas serão uniformes.

Seja uma distribuição linear

de uma linha de cargas. Será considerado então:

O campo gerado será então:

Distribuição Superficial:

Seja uma distribuição superficial

dS

σ= dq

dS

. Será considerado então:

σ

de cargas

dq

variando proporcionalmente com a superfície

O campo gerado será então:

E= 1

4π ε 0

σ

S

dS

  • d 2

Distribuição Volumétrica:

Seja uma distribuição volumétrica

d

. Será considerado então:

ρ

de cargas

dq

variando proporcionalmente com o volume

ρ=

dq

d

O campo gerado será então:

E= 1

4 π ε 0

ρ

d

  • d 2

  • 1.5 – O Dipolo Elétrico:

O campo elétrico produzido em um ponto P a partir do centro de um dipolo é igual a soma dos campos

produzidos pelas duas cargas no ponto. Logo, o campo resultante para este caso e:

 

¿

+¿+E ¿

 

E=E ¿

 

q +¿

 
 

( z

1

a ) 2

2

d

+¿ 2 =

1

4π ε 0

¿

 

q +¿

¿

+¿= 1 ¿

 

4

π ε 0

E ¿

q ¿

 
 

( z+ 1 2 a ) 2

d

¿ 2 =

1

4π ε 0

¿

 

q ¿

¿

¿= 1 ¿

 

4

π ε 0

E ¿

Organizando:

O campo positivo

E o campo negativo

+¿

E ¿

é igual a:

¿

E ¿

, de forma análoga:

q ¿

1 ( z+ a ) 2 2 q +¿ 2 +¿ 1 ( z− a )
1
( z+
a ) 2
2
q +¿
2 +¿
1
( z−
a )
2
¿
1
q −¿
=
¿
1
4 π ε 0
( z+
a ) 2
2
1
q +¿
¿
1
4 π ε 0
( z−
a ) 2 +
2
E= 1
¿
4 π ε 0
Explicitando os sinais das cargas:
1
q
q
q
1
1
E=
ε 0 [
ε 0 [
4
π
) 2 ]
1
1
4 π
1
1
( z−
a ) 2
( z+
( z−
( z+
a
a ) 2 ] =
2
2
2 a ) 2
2
Reduzindo a um mínimo múltiplo comum, obtemos:
2
1
1
ε 0 [
( z+ 2
a ) 2 − ( z−
a
)
q
2
2 ] =
q
2 za
ε 0 [
2 ]
4 π
1
4 π
1
1
( z− 1
2 a ) 2 × ( z+
a )
( z− 2 a ) 2 × ( z+
a )
2
2
q
za
E=
ε
0 [
2
]
1
1
a ) × ( z+
a ))
(( z−
2
2
q
za
za
q
E=
2
π
ε
0 [
2
π
ε 0 [
2 ] =
1
2 π ε 0 z 4 [
1
( z 2 − (
( z 2 ( 1− (
a ) 2 ) 2 ] = q
2
2
z a ) 2 ))
q
a
E=
2π ε 0 z 3 [
1
( 1− (
z a ) 2 ) 2 ]
2
z≫a ,
Quando
a equação se reduz a:
qa
p
⃗p
E=
=
→ E=
3
3
3
2
π ε 0 z
2
π ε 0 z
2
π ε 0 z
⃗p
Onde
  • 1
    2 z a ) 2 ) 2 ]

za

( 1(

é o momento dipolar elétrico, e aponta do lado negativo para o positivo do dipolo.

Façamos agora uma breve revisão do conceito de Fluxo ou Vazão (volumétrica) em de mecânica dos

fluidos:

Façamos agora uma breve revisão do conceito de Fluxo ou Vazão (volumétrica) em de mecânica dos

O fluxo ou vazão volumétrica é descrito com sendo uma unidade de volume de fluido que passa por

uma superfície em um determinado tempo. Seja então o elemento de volume

escoando através de

um duto, a superfície ou área da seção que o volume transpassa

A

, a direção do escoamento

(ortogonal a superfície em questão)

n

, o tempo de escoamento do volume

do duto e a velocidade com que o volume de fluido escoa

v

:

t

,

L

o comprimento

A vazão ( Q ¿ é dada então por:

Q= n= d n

∆t

dt

Enfatizando que a vazão tem direção ortogonal a secção do duto de escoamento.

Um elemento diferencial de volume de fluido pode ser descrito como produto de uma pequena

quantidade na área da seção reta do escoamento por uma pequena quantidade no comprimento axial do

duto, deslocando-se ao longo deste:

d =d A .dL

Onde d A tem a mesma direção de

Substituindo na equação anterior:

n

, ou seja, normal a sua superfície.

Q=d A. dL n

dt

dL

dt

n=⃗v

Sabe-se que o deslocamento de um elemento no comprimento do duto em um determinado tempo é a

velocidade do elemento:

Velocidade esta que é um vetor, constante e tem a mesma direção de

necessidade de escrevê-lo.

Logo:

n,

logo, não há mais a

Q=d A. v

E a vazão total é:

Q= d A

A

.v

 

Onde

A

d A

é a integral em uma área de superfície fechada.

Fazendo a analogia para campos elétricos, considere as linhas de campo cruzando um elemento pequeno

de área, ou seja, isso nos dará um Fluxo Elétrico

Φ E

(análogo à vazão volumétrica

Q

) e as linhas

do campo elétrico

E

serão análogas às linhas do vetor velocidade

v

, também consideradas

constantes em um intervalo de tempo

dt

.

Logo, o fluxo elétrico é:

Φ E =

A

⃗ ⃗

d

A. E

Note que o produto

⃗ ⃗

d A. E

é escalar de dois vetores. Logo, este deve ser resolvido levando em conta

a regra referente ao seu tipo de produto.

Sendo assim, a unidade de fluxo elétrico é Newton – Metro quadrado por Coloumb

[ N .m

2

C

] ,

que

representa o número de linhas de campo que passam pela superfície em análise (apenas para efeito de

destacar a intensidade do campo elétrico, pois o número de linhas de campo é infinito).

  • 1.7 – Lei de Gauss e sua aplicação em distribuições simétricas de carga.

Como bem sabemos, campos elétricos são gerados por cargas elétricas, bem como sua intensidade

depende do valor total da carga. Associando isso ao conceito de fluxo, envolveremos a carga total

responsável pelo campo em uma superfície arbitrária. Caso pudéssemos contar as linhas de campo que

cruzam a superfície envolvente, essa quantidade nos indicaria a intensidade do campo, mas, contudo,

sabemos que essa quantidade de linhas depende da carga total envolvida pela superfície, seja ela positiva

(linhas saindo da carga para fora da superfície) ou negativa (linhas vindas de fora da superfície ao

encontro da carga). Cargas localizadas no exterior da superfície não contribuem para o campo total, uma

vez que suas linhas entram por um lado da superfície e saem pelo outro. Cada carga gera um campo,

logo carga e campo são diretamente proporcionais. Essa nova forma de visualização e análise para o

valor de campos elétricos a partir de cargas envolvidas por uma superfície é o que do que basicamente se

trata a Lei de Gauss.

Representando matematicamente, usaremos uma carga pontual (positiva) que gera um campo elétrico

constante, no centro e envolvida por uma superfície esférica de raio R. O fluxo elétrico que passa pela

superfície é:

Φ E = d A. E= |dA|.|E|. cosθ

A

A

Como o ângulo entre o vetor de campo e o vetor ortogonal à superfície é nulo, o cosseno do ângulo é

máximo. Aplicando a lei de Coloumb para a carga pontual gerando um campo em pontos localizados na

superfície esférica envolvente e a área respectiva desta, temos:

Φ E =E dA=E. A= (

A

1

R

2 ) (4 π R 2 )=

q

4 π ε 0

q

ε 0

Que é a prova matemática da Lei de Gauss. De um modo geral:

A

E= { q env

ε 0

⃗ ⃗

d A .

;dentro dasu perfície

0; forada superfície

A superfície envolvente de cargas será referenciada como Gaussiana, devido a relação com a Lei de

Gauss.

Esta é uma simplificação da lei de Coloumb, que permite resolver problemas de forma bem mais rápida,

desde que a análise seja feita de forma correta. Outro ponto a ser observado é que a Lei de Gauss só é

praticável quando se pode envolver uma carga ou distribuição de cargas por uma superfície fechada e

que tenha relações de simetria, uma vez que é cômodo determinar a área e esta apresenta uma relação

com a distância carga-superfície.

A Lei de Gauss acima é uma equação integral. Com algumas manipulações podemos expressá-la

também de forma diferencial. Considerando agora não mais apenas a superfície, mas o volume da

Gaussiana, para o primeiro membro multiplicaremos e dividiremos o termo por um vetor de

deslocamento linear:

A

d A . E= d A. E ( d s

⃗ ⃗

A

d s) =

A

d A. E (

d s ) s

d

O produto

d A. s

resultará numa quantidade infinitesimal de volume

ser uma grandeza de dimensão espacial (além do ângulo entre

d A

e

d

, e tem valor positivo por

s ser nulo). A integral agora

será para um volume. Logo o que sobra é (já expressando o inverso da derivada direcional em derivada

parcial):

  • d .

E (

d s ) =

d

d

. E (

∂ s)

Em sua forma mais geral, a derivada direcional parcial acima é representada por:

s

=

∂ x

^

i+

∂ y

^

j+

∂ z

^

k=

Onde (nabla) não é propriamente um vetor, mas um operador vetorial. O campo elétrico pode

igualmente ser representado como a soma de seus componentes unitários:

^

^

^

E=E x i+E y j+E z k

O produto nabla-campo elétrico nos dá:

(

∂ x

^

i+

∂ y

^

j+

∂ z

k ) ( E x i+ E y j+E z k ) =. E

^

^

^

^

Que é o divergente do campo elétrico. O primeiro membro é então:

  • d .(. E)

Quanto ao segundo membro, representaremos a carga envolvida em função da densidade ou distribuição

volumétrica constante de cargas:

q env

ρ=

dq env

=

d

Portanto:

q env

ε 0

=

1

ε 0

ρ

d

Temos então a igualdade:

d .(. E)=

1

ε 0

ρ

d

. E= 1 ρ

ε 0

Que é a Lei de Gauss na forma diferencial, aplicada a volumes.

UNIDADE II – Potencial Elétrico e Capacitância.

2.1 – Energia potencial elétrica.

Relembremos o conceito de energia potencial: Energia potencial é uma grandeza escalar que pode ser

armazenada em um sistema, e, ao ser liberada, têm a capacidade de ser transformada em trabalho,

movimento, dependendo apenas da posição final e inicial do sistema submetido ao deslocamento. Para

melhor compreensão, imagine uma bola suspensa no ar. Ao ser solta, está cairá devido a força gravitacional

(peso da bola), e sua energia potencial que era máxima, será gradativamente convertida em energia cinética,

até que a bola caia no chão. Expressemos e analisemos matematicamente a energia potencial da bola:

O potencial da bola suspensa é:

U=mgh

Ao ser solta, a bola variará sua energia potencial com a altura em que se encontra. A massa e aceleração

gravitacional são conservadas, ou seja, o peso da bola não muda:

∆U =mg ∆h→dU =mg(dh)

Sendo ponto a o local onde a bola estava suspensa e b o ponto onde ela cairá e cessará o movimento, a

variação de energia com a variação de altura é:

b

a

h b

dU =mg dh

h a

U b U a =mg ( h b h a )

Mas bem sabemos que ao chegar ao ponto b (no chão), a energia potencial será nula, pois já terá sido

totalmente convertida em energia cinética. Então:

U a =mg ( h b h a ) →U a =−mg ( h b h a ) =−P(h b h a )

Observe que a energia potencial decai se extingue, com o deslocamento do corpo (indicado pelo sinal

negativo) e depende somente dos pontos final e inicial. Diferencialmente e vetorialmente, temos:

dU =−mg.(d h)=−mg.(dh k )dU k=−m g

^

^

dh

Onde U

varia parcialmente com

h,

e no sentido inverso. Essa variação é a derivada parcial de

U

com

h

, e pode ser entendida como gradiente de potencial unidimensional (vetor), apontando no sentido

negativo de z:

∂U

∂ h

^

k=−m g=− ⃗ P

Se o deslocamento da massa fosse nas três dimensões:

^

^

^

d h=dhs^=dx i+dy j+dz k

Então:

dU =− P.(d h)=− ⃗ P.(dhs^)

dU

dh

=

∂U

∂ x

i+ U ^ j+ U k= U =− P

^

∂ y

^

∂ z

Guarde bem esta expressão, pois ela será usada mais adiante, porém com incógnitas diferentes.

No estudo de eletricidade a energia potencial também existe, e assim como na mecânica, esta é convertida

em energia de movimento durante o deslocamento de uma partícula carregada e independe da trajetória.

Supondo então que uma carga teste positiva com uma energia potencial armazenada está nas proximidades

de um campo elétrico positivo, esta será jogada para longe, até que o campo não tenha mais efeito sobre

esta.

Seja então a carga sujeita a um campo elétrico um sistema isolado com uma energia potencial, e o campo um

agente externo, então o trabalho para movimentar a carga de um ponto inicial para um final está sendo

aplicado sobre o sistema (rever trabalho realizado sobre e pelo sistema na primeira lei da termodinâmica):

f

dU =U f U i =∆U=−W

i

As duas próximas seções serão desenvolvidas a partir desta equação.

Em particular, se a carga inicialmente estivesse a uma distancia infinita do campo, este seria incapaz de

realizar algum trabalho sobre a partícula, logo a energia potencial da partícula seria nula. Então a energia de

trabalho necessária para trazer uma carga de uma distância infinita para uma finita é:

U f =U =−W

Podemos fazer analogia do trabalho do campo elétrico sobre a carga com o trabalho gravitacional ao atrair a

bola citada anteriormente para o centro da terra. A ação gravitacional, porém, é sempre atrativa.

Logo, assim como o trabalho, a unidade de energia potencial elétrica é o joule [ J ].

2.2 – Potencial Eletrostático.

Vimos que trabalho para deslocar uma carga sujeita a um campo elétrico está relacionado com a energia

potencial. Este trabalho é o produto da força elétrica aplicada sobre a carga a partir do campo na direção

radial afastando-se deste e do deslocamento que a carga sofre. Então:

∆U =−W →∆U =− F E .∆

s

A força elétrica, assim como a energia potencial, depende apenas dos pontos inicial e final. Logo ela é

conservativa.

Agora vamos exprimir a energia potencial não mais em termos da força elétrica, mas sim em função do

campo:

∆U =− F E .∆ s=− ( E.q 0 ) .∆sU =− E.∆s

q 0

A razão

U

q 0

merece uma atenção especial, pois ela é única em cada ponto do espaço durante seu

deslocamento. Esta razão é chamada de potencial elétrico ou eletrostático, num ponto particular:

U

=V

q 0

Como

U

é o trabalho necessário para trazer a partícula carregada de uma distancia infinita para uma

finita, o potencial elétrico também pode ser definido como o trabalho aplicado sobre um carga teste para

trazê-la de uma distancia infinita para uma finita:

W

=V

q 0

A unidade de potencial eletrostático é o joule por coloumb [ J/C], especialmente chamada de volt [ V ].

A diferença de potencial é então:

∆U

=

W

=∆V

q 0

q 0

2.3 – Potencial elétrico a partir do campo elétrico.

Mais uma vez, partindo da relação da variação de energia potencial com campo elétrico:

∆U =− ( E .q 0 ) .∆s

Inserindo o potencial elétrico:

∆U

=∆V =− E.∆ s

q 0

Se a análise da partícula carregada for feita infinitesimalmente:

dV=− E.d s=− ⃗ E.dss^dV ^s= V s^=− EE=− V

ds

∂ s

Logo, se a relação campo-carga for de repulsão, à medida que a carga teste é deslocada o potencial diminui,

e este aponta para a fonte do campo elétrico.

Se dividirmos ambos os membros da equação pela carga teste, temos o seguinte:

E

V

=

q 0

q 0

→ F E =− U

Se conseguimos o valor do campo a partir do potencial por derivação, o inverso é obtido por integração.

Com o campo eletrostático é constante, a diferença de potencial de um deslocamento inicial para um final é:

V

f

f

f

dV

=− E.d s=− |E|.|ds|. cosθ

V

i

i

i

 

s f

V

f V i =−|E| |ds|. cosθ→V f V i =−|E|.|s f s i |. cosθ

 

S i

E para um deslocamento de uma distância infinita para uma finita é:

V

f =V=−|E|. | s f s | .cosθ=−|E|.s . cosθ

Lembrando que quando houver simetria e esta permitir, o campo elétrico pode facilmente ser encontrado

pela Lei de Gauss.