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Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa
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Genocídio armênio: uma introdução histórica

EDIÇÃO ATUAL - VOL. 24 Nº 1 E 2

por Heitor de Andrade Carvalho Loureiro em 08/06/2015

jul/dez - 2015
O Acordo de Viena sobre o

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2

projeto nuclear iraniano
evitou as consequências
trágicas da hipótese de o
Irã, país inserido na região
mais tensa do mundo, obter
armamento nuclear.

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Índice Geográ‐co - vol. 01 n.1 ao vol. 21 n.2 (PDF)

Ao se completar o centenário do genocídio armênio pelo Império Otomano, a
Humanidade ainda se defronta com a resistência turca em assumir a responsabilidade
por tal crime. O massacre de 800 mil a um milhão de armênios entre 1915 e 1923 – em
prisões, nas marchas para a morte, em campos de concentração – foi gerado pelas
condições históricas e pela onda nacionalista turca daquele momento. Mas comporta
comparação com o Holocausto dos judeus promovido anos mais tarde pela Alemanha
nazista e não pode ser negado. A questão armênia continua atual e reverbera nos
massacres de minorias em curso.
Upon completing 100 years of the Armenian genocide by the Ottoman Empire, the
humanity still faces the Turkish resistance to take responsibility for this crime. The
massacre of more than 800 thousand Armenians between 1915 and 1923 – in prisons,
during the marches to death and inside concentration camps – was generated by
historical conditions and by the Turkish nationalist wave at that period. But it is
comparable to the Holocaust of Jews promoted years later by Nazi Germany and cannot
be denied. The Armenian issue remains present and it is still reverberating on the ongoing
massacres of minorities.

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Introdução
O historiador britânico Eric Hobsbawm de‐ne o século XX como a “Era da Guerra Total”, um
tempo no qual novas palavras, como genocídio e apátrida, ganharam sentido e signi‐cado na
sociedade.[1] Pela primeira vez na história contemporânea o extermínio de um povo pôde ser
minuciosamente planejado e executado. A ideia de uma sociedade ocidental que marcha a

http://politicaexterna.com.br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/

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cujos ecos ressoam até os nossos dias. inserindo esse evento no contexto de decadência do Império Otomano. o Grande. o genocídio armênio também perpassa questões de Direitos Humanos e de Direito Internacional. Em suma. conseguiram se instalar em um terreno inóspito. Toynbee. pagamento de indenizações. entre os anos de 95 e 56 a.[8] Como as sucessivas derrotas nas possessões dos Bálcãs. http://politicaexterna. Chegando à Anatólia. O Holocausto foi a expressão máxima da morte cienti‐camente calculada. legitimando novos massacres. De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio. Perpetradores percebem que nada se faz àqueles que infringem minorias a condições degradantes. O caso armênio foi o paradigma do século XX para massacres e intolerâncias que perpassam os anos. A proposta aqui é entender como o genocídio armênio foi um plano arquitetado e levado a cabo pela Sublime Porta [10]para refundar um país cujas estruturas estavam prestes a ruir. o ápice do assassinato em massa provocado pela modernidade. soberania e autonomia de um povo. e não outro qualquer. é necessário compreender como o extermínio dos armênios e a vitória otomana na Grande Guerra poderiam. da segunda metade do século XIX. em parte. A Questão Armênia permanece em aberto até os dias atuais. reconstrução e restauração de bens culturais. principalmente. racial ou religiosa um estado físico ou mental de degradação. O governo da República da Turquia. os armênios viram seu Estado chegar à extensão máxima sob o governo de Tigranes. enquanto as potências ocidentais estavam voltadas para o con†ito que se de†agrara. revolucionária.[7] Pretendemos abordar o genocídio armênio sob uma perspectiva histórica. pelas mãos dos que teriam o dever ético. e por duas expulsões em massa de povos que culminaram em genocídio”. de 1914 a 1918. povos nômades oriundos dos planaltos da Ásia Central migraram rumo ao Ocidente. em busca de melhores condições para os seus. Entretanto. O Império Otomano: instituições sociopolíticas Por volta do século XI.30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa longos passos rumo ao progresso foi profundamente avariada por “duas guerras mundiais. o “pai dos turcos” –. Desse ponto até a fundação da moderna República da Turquia em 1923 – pelas mãos de Mustafá Kemal. com a manutenção da integridade territorial turca na Anatólia.br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ 2/19 . herdeira do Império Otomano. o que os fez aliados importantes do Império Romano. Instalados no sopé do Monte Ararat.[5] Um genocídio não ocorre de forma aleatória. controlado pelos Jovens Turcos. Assim. Veremos como o império entrou em colapso a partir. no entendimento dos Jovens Turcos. funcionando como uma espécie de “tampão”. Destarte. onde os árabes haviam sido derrotados anos antes. Entre eles. não reconhece os episódios de 1915-1923 como genocídio.C. moral e jurídico de protegê-los. há um longo caminho a ser percorrido. que precisavam dos armênios para conter a ameaça persa vinda do Oriente. O genocídio ocorre também graças à inação da comunidade internacional.[6] A de‐nição passa pela quali‐cação do extermínio daquele grupo especí‐co.[4] Estima-se que entre um e um milhão e meio de armênios tenham morrido durante esse período. a ausência de punição aos responsáveis atua na psicologia social do grupo ao qual os perpetradores pertencem. [2] A Alemanha nazista mostrou ao mundo como a morte e o extermínio podem ser sistemáticos e precisos quando se tem um Estado forte. o massacre dos armênios criou algo inteiramente novo: a extinção de uma nação. sua ocorrência é fruto da ação deliberada para infringir a uma minoria étnica.[3] Entretanto. O reconhecimento poderia implicar reivindicações de devolução de terras. por dois períodos globais de revoluções após cada guerra. que ataca e destrói os pilares da igualdade. e as constantes mudanças internas.com. perpetrado pelo governo otomano. que adota uma postura passiva na prevenção e sanção dos crimes contra a humanidade. Para Arnold J. que criou o ambiente propício para que os massacres contra os armênios fossem executados. a primeira tentativa sistemática de levar a cabo uma solução ‐nal contra uma minoria. centro nevrálgico otomano. organizado e compenetrado na missão de matar o outro. a terra conquistada não era inabitada. nacional. pela descolonização generalizada e. Para Peter Balakian.. a impunidade de um ato genocida incentiva outro. Diversos povos se encontravam ali. ainda como nômades. foi o Genocídio Armênio de 1915 a 1923.[9] O ápice conjuntural foi o advento da Grande Guerra. além dos danos morais causados pelo trauma e pelo desastre social. salvar o Império Otomano. havia os armênios. são centrais para entender porque os armênios se tornaram alvo do governo otomano. posteriormente chamado de Atatürk.

havia a necessidade da conversão do “in‐el” para que o império prosperasse. a Porta rati‐cou um documento chamado de “Regulamento da Nação Armênia” contemplando algumas aspirações dos cristãos. A crise do Império Otomano As províncias da Anatólia. tendo Constantinopla cerca de 400 mil habitantes. Dessa forma. os armênios encontraram na sua Igreja o elo político. Os turcos mantinham uma relação dúbia com os não islâmicos que se encontravam sob jugo durante a expansão da dinastia otomana: se. Entre os anos de 1839-1876. o sultanato osmanli – origem dos otomanos – surge como força capaz de dominar as demais instituições e uni‐cá-las em torno de um grande império. uma vez que o Islã prevê a tolerância a não muçulmanos. Em suma. sistema administrativo que agrupava uma mesma coletividade que vivia sob o controle otomano. em 1461. após anos de discussão entre posições políticas distintas no millet armênio. A população rural da Anatólia aumentou dois quintos ao longo do século e assistiu a um surto de crescimento urbano. fruto da sedentarização de povos nômades. ajudando a forjar uma identidade comum. Tal tributação. desde que esses sejam devidamente tributados pelo Estado. tornando através de dois decretos – sendo o mais importante deles o Rescriptum Imperial – o Otomanismo a nova política do império. mesmo na diáspora pós-genocídio.[15] O regulamento garantia aos armênios liberdades religiosas e culturais pouco comuns entre as outras minorias otomanas. somada ao zelo militar.[16]Além disso. bizantina e persa. da Síria e do Egito viviam seu apogeu no século XVI. que a história dos armênios ganha novo signi‐cado. por exemplo. católicos e protestantes. teria propiciado a esse império os contornos peculiares que nenhum Estado europeu poderia criar. a nomeação de um patriarca armênio com sede na cidade de Constantinopla. bene‐ciadas pelo deslocamento do eixo político. não podiam ocupar cargos nas pastas de relações internacionais e ‐nanças do império. foram criados os millet. No caso dos armênios.[14] Em 1863. animais. a Constituição Nacional armênia e a institucionalização do millet são partes de um “pacto de domínio” feito entre o povo armênio e o Estado otomano. muçulmanos ou não. ou até mesmo em pessoas – devshirme[12] – era vital para a sobrevivência do império. econômico e administrativo do império para os Bálcãs. por outro. a relativa autonomia política e a vigência de uma compilação de leis que garantiam aos armênios alguns direitos não eram su‐cientes para atingir com e‐cácia todas as partes do império. metais.[13] Para organizar as minorias que viviam no Império Otomano. A unidade otomana no Oriente Médio criara um cenário de paz. social e cultural que os mantém até hoje ligados. esse crescimento econômico teria limites bem de‐nidos: o abastecimento de alimentos não era su‐ciente para suprir o excedente populacional que surgiu na região durante o século XVI. o http://politicaexterna. O tanzimat colocava ‐m às interações paternalistas existentes na estrutura otomana. Os turcos.com. Entretanto. por sua vez. Para o autor. que conquistaram Bagdá e fundaram um Império Seljúcida já sedentarizado. A decadência desses no Oriente Médio facilitou o avanço dos forasteiros. O Ermeni Millet recebeu das autoridades turcas. a ‐m de garantir a coesão interna do império. Entretanto. por um lado. a racionalidade administrativa islâmica. Esses. herdada pelos turcos. tanzimat – em suas estruturas políticas e sociais. Em meados do século XIII.30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa É na era cristã. o império sofreu uma profunda reorganização – em turco. o único millet existente reunia armênios apostólicos. seja ela em gêneros alimentícios. a ‐m de balancear a grande in†uência do millet grego. a conversão de todos os cristãos – ainda que isso fosse possível – não seria viável do ponto de vista administrativo. ideal para a prosperidade dos comércios de especiarias que cruzava a região. Desse cenário heterogêneo. muitos cristãos ascenderam no aparelho estatal. aos poucos foram conquistando terreno sob as possessões árabes. as invasões mongóis fragmentaram a unidade existente dos Estados turcos.br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ 3/19 . que alcunharam o texto de “Constituição Nacional Armênia”. transformando-os em um mosaico de emirados sem unidade. mas ainda eram tratados diferenciadamente. Tal concessão foi propagandeada pela Porta como um voto de con‐ança àqueles que eram chamados pelas autoridades otomanas de “millet leal”.[11] O historiador Perry Anderson chama a atenção para a convergência de instituições culturais e religiosas que teriam dotado o Império Otomano do poderio que este teria durante os próximos 500 anos. O Otomanismo englobava todos os habitantes do império. porém. Já sem a força de um Estado estável e ameaçados pelas potências romana. o que gerava certo desconforto e desgaste dentro da própria coletividade. aproveitando toda a estrutura jurídica e administrativa deixada pelos árabes.

. O equilíbrio de poder das Potências. a concessão do uso dessas. após a Guerra da Crimeia. a Porta começou a perder força. eram as principais distinções aristocráticas otomanas. chamando-a a assumir as responsabilidades pelos acontecimentos. E é nesse contexto que surge a ‐gura do sultão Abdul-Hamid II. de forma a apaziguar os ânimos acalorados que tomavam conta da porção oriental. para a conquista e controle das províncias supracitadas. em 1878.[23] http://politicaexterna. Şevket Pamuk chama a atenção para a grande onda in†acionária que tomou conta do império. na esfera econômica. os otomanos também não poderiam manter as suas instituições sem o espólio das conquistas. no século I a. no século XVII. em 1878. entre 1469 e 1914. entretanto. onde estouraria o barril de pólvora da Grande Guerra. As tentativas de reformas liberais por volta do ano de 1820. Assim como aconteceu com Roma. que há muito havia se lançado em uma campanha expansionista sobre os Bálcãs. ‐rmado entre as partes após o término do litígio. No século XIX. fracassaram. com o seu “despotismo pessoal frágil. O sultão e a radicalização Para o maior controle da Porta sobre os territórios da Anatólia com grande contingente populacional armênio. foi subsidiado pelas populações rurais otomanas até o ponto de se tornar insustentável. gerara uma orquestração pela paz nos anos 1800. onde os russos se instalaram e trouxeram para perto de si a aristocracia local. é compreensível o efeito devastador que o estancamento das fronteiras e da in†uência otomana teve sobre a sociedade. mediado pela chamada Santa Aliança. Assim. A paralisia administrativa da Porta no ‐nal do século XVIII permitiu o crescimento dos poderes agrários locais na Anatólia e de explosões nacionalistas nos Bálcãs. as fronteiras se tornaram estáticas. em média 1. Para agravar a complexa situação da região. os preços de produtos cotidianos e essenciais – principalmente os gêneros alimentícios – subiram cerca de 300 vezes. no Congresso de Berlim. A disputa entre as duas forças se tornou belicosa em 1877. Diversos grupos disputavam o mesmo nicho geográ‐co e administrativo. o Império Otomano assistiu ao seu declínio. no período da pax romana. o que gerou inúmeros protestos do lado armênio junto à Porta.br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ 4/19 .3% ao ano. não atendeu ao chamado armênio para a execução de reformas na estrutura do império. o Russo.[20] em nome da manutenção da estabilidade de forças.[19] Outro império. Uma vez instalado. a fome assolava as classes baixas do Império Otomano. povos muçulmanos.com. a saída visualizada pelas autoridades armênias foi recorrer às potências ocidentais. como os circassianos. patrocinadas pelo Ocidente. não obstante o esforço alemão para evitar o con†ito. Com isso. A questão é que. O governo otomano. Foi justamente no nicho de poder deixado pelos otomanos nas regiões balcânicas. bem como de cargos administrativos. e as possessões otomanas nos Bálcãs mostraram graves rachaduras. que anos antes eram vistas como partes indissociáveis da Porta. denunciando a violência e abusos dos curdos no trato com os cristãos. A derrocada otomana acirrou os ânimos e alterou ainda mais o ‐el da balança naquele canto de mundo. também contribuíram para o acirramento dos con†itos nas províncias.[21] repressor radical das nacionalidades e entusiasta do centralismo otomano. Porém. emergia como protagonista no cenário internacional. A sedentarização dos curdos. as terras conquistadas e as riquezas con‐scadas pelos exércitos da Porta eram essenciais para manter a sociedade de privilégios do império.[22] Isso aumentou a tensão entre os povos recém-chegados e os armênios já radicados. viu-se dilacerado em 1890 pelas várias etnias que compunham a região. Segundo Anderson. Com o ‐m da expansão das fronteiras otomanas rumo à Europa. Os próprios con†itos com o Império Russo são exemplos disso. criando uma zona de in†uência no antigo centro nevrálgico da Porta. esses foram divididos em seis vilayets – ou províncias. agora encontravam-se fragmentadas. as possessões otomanas na Europa.[18] Durante a Primeira Guerra. esse país em decadência ainda daria lampejos para provar que estava vivo. o Império Austro-Húngaro. bem como o nascer de um sentimento panislâmico e panturquista. o Império Otomano se viu diante de um dilema: sem meios de fazer frente às tropas europeias que reconquistavam as possessões turcas no leste do Velho Continente. Entretanto.30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa aumento dos gastos com o exército. emigraram para dentro das fronteiras do Império Otomano. Destarte. como forma de manter a todo custo o equilíbrio de poder que se encontrava sob ameaça. a Grã-Bretanha e o Império Alemão ‐caram do lado dos turcos. De protagonista no teatro das Nações mundiais a alvo dos interesses das potências europeias: eis a trajetória otomana até a segunda metade do século XIX. fugindo do processo de russi‐cação levado a cabo pelo czarismo. de forma a pressionar a Porta de fora para dentro.[17] Como não havia a propriedade privada de terras.C. Ademais. Segundo o autor turco. desde o século XVII. porém brutal”.

lançouse sobre os armênios em uma empreitada aniquiladora. o império não era para os otomanos. tornando-a combativa perante os maiores exércitos mundiais. mas apenas para os muçulmanos. o sultão in†amava com um discurso radical os muçulmanos contra os cristãos armênios para justi‐car e aplicar uma ação de extermínio na região. O país que mais aproveitou esse momento de fragilidade foi o Império Alemão. interessava a integridade do sultanato otomano. isto é. pois a queda desse abriria um nicho no qual o Império Alemão poderia penetrar e ganhar força. gregos e outros súditos cristãos ou não islâmicos.br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ [27] 5/19 . o que fez com que o governante de†agrasse uma política pan-islâmica. cada vez mais. o sultanato deveria agir para evitar que uma onda revolucionária e separatista acontecesse na Anatólia. Tal percepção aumentou após a implementação do Tanzimat. com o intuito de desmobilizar as possíveis pretensões emancipatórias desses cristãos através da aniquilação física e cultural. atingindo principalmente os turcos. principalmente após a visita do Imperador Guilherme II. a entrada do Ocidente no império de Abdul-Hamid II era vista com descon‐ança pelo sultão. É importante perceber a relação direta que há entre a crise econômica e política que se abate sobre o império. ‐cou a cargo dos o‐ciais alemães o treinamento da força terrestre otomana aos moldes ocidentais. Fora dos acordos militares. temeroso de um levante armênio no nordeste da Anatólia incentivado pelas potências europeias. Além disso. Dentro desses círculos de intelectuais. antes que os armênios se sublevassem contra a Porta e alcançassem a sua independência. tido como causador de todos os problemas econômicos e sociais do Império Otomano. A ascensão dos Jovens Turcos A situação do Império Otomano piorava a cada dia. uma das mais poderosas instituições ‐nanceira europeias. Um acordo de chanceleres cedeu à Alemanha o direito de ser a ‐nanciadora do exército otomano. o sultão. Dentro da sociedade otomana. excluindo armênios. Abdul-Hamid II via o império sendo penetrado.[24] Apesar do acordo com a Alemanha. fortalecendo o elemento muçulmano que vivia no império. Abdul-Hamid II temia que a questão armênia servisse de álibi para uma intervenção russa no Império Otomano. O pan-islamismo de Abdul-Hamid II era uma forte reação ao otomanismo do Tanzimat. o positivismo – começaram a questionar a organização da Porta e os rumos que o império estava tomando. ameaçando assim os interesses da primeira potência na região. quando a Porta declarou moratória. A dívida externa da Porta alcançava cifras impagáveis. armênio –. Nesse sentido. cujos interesses divergiam de acordo com a origem. curdos e outras etnias contra o elemento cristão – grego e. Esse país teve um papel crucial nos últimos anos do Império Otomano. agitando o cenário político e social no império de ‐nais do século XIX. e a gradual radicalização do discurso panislâmico. Para a França. que permitiu a ascensão armênia se comparada com seus compatriotas turcos. a aniquilação mútua das diversas etnias que compunham o mosaico da fração oriental do império era interessante. assírios. Nesse contexto. sentimento esse agravado pelas perdas territoriais do império nos Bálcãs desde 1870 e pela crescente escalada social e econômica dos armênios após o Tanzimat. compostos também pelo jovem o‐cialato do exército http://politicaexterna. armando-o com modernos materiais bélicos vindos de Berlim. principalmente após a crise ‐nanceira otomana de 1876. Assim.30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa Os con†itos entre as minorias não eram sanados pelas autoridades otomanas justamente porque. pelo capital ocidental. aos olhos do sultão Abdul-Hamid II.[26] Ambos os países disputavam também o direito de fornecer armas e de construir e usufruir as ferrovias na Anatólia. dotando as minorias cristãs – e as Potências – de culpa pelas mazelas do período. uma onda liberal advinda da Europa já vinha efervescendo os otomanos. o imperialismo europeu se fazia presente por meio de seu capital.com. assim como aconteceu com a questão balcânica. Ademais. jovens estudantes de famílias abastadas do império e com contato direto com as mais recentes ideias europeias – principalmente. o que obrigava o governo a negociar com os seus credores ocidentais. seguindo o que vinha acontecendo nos Bálcãs. ele conseguiu legitimar a união de turcos. Assim. o Deutsche Bank. também começou a operar dentro das fronteiras otomanas.[25] As investidas de Abdul-Hamid II seriam uma espécie de massacre preventivo. principalmente. Explorando o fanatismo religioso e aproveitando-se da apatia internacional. o impacto das perdas territoriais nos Bálcãs já no segundo ano de sultanato de AbdulHamid II se somava às radicalizações nacionalistas tanto de turcos como de armênios. Os interesses do sultão eram claros: além da nítida intolerância religiosa e étnica especí‐ca para com os armênios. Na concepção do sultão e seus correligionários. As duas contendas foram vencidas pelos alemães. Essa é a explicação oferecida por Henry Morgenthau para os morticínios de armênios na década de 1890.

região localizada no sul da Anatólia. por judeus e armênios. derrubaram o regime hamidiano retomando a Constituição de 1876. pois o Estado não se fazia presente para colocá-los em prática.[28] Ou seja. A insegurança dos tempos de Abdul-Hamid II ainda estava longe de se dissipar naquelas terras. a vitória dos Jovens Turcos na porção ocidental e em Constantinopla não alterou o quadro caótico que os armênios vivenciavam na parte oriental da Anatólia. as populações dos seis vilayets orientais ainda eram assediadas por grupos curdos e turcos. o fortalecimento político do Comitê União e Progresso fazia com que a sua cúpula planejasse alçar voos mais altos e distantes. Enfraquecido politicamente e militarmente ameaçado. mais que incentivar o movimento emergente no império. como ‐gura meramente ilustrativa. o sultão cedeu às pressões oriundas dos Bálcãs e restaurou a Constituição. interveio e pressionou o Parlamento a exilar o sultão em Salônica. restrito a algumas regiões do império. fortalecidos politicamente. O movimento emergente na Macedônia foi o estopim para que as forças políticas oposicionistas se reunissem e assediassem o sultão. e a Bósnia foi anexada pelo Império Austro-Húngaro. Lá. Os Jovens Turcos e o Comitê União e Progresso se sagraram de‐nitivamente vitoriosos em sua revolução.[29] Ainda em 1908. Esses últimos. aderiram ao programa do Comitê. era uma boa oportunidade para o crescimento da frente de oposição a Abdul-Hamid II. pela queda do regime de Abdul-Hamid II. A Cilícia – ou Armênia Menor. Os armênios celebraram a vitória dos Jovens Turcos. sem ‐gurantes para fazer um mise en scène. Creta e Grécia proclamaram suas independências da Porta. na Cilícia. Com propostas reformadoras que agregavam os diversos povos otomanos. fortalecido. enviou um ultimato ao sultão: a Constituição de 1876 deveria estar em vigor dentro de 24 horas ou as forças oposicionistas marchariam rumo à Constantinopla. atingir o núcleo otomano do qual suas ideias passariam a emanar por toda a Anatólia a partir de então.[30] Na ocasião. Assim. Região economicamente próspera. a efervescência de uma questão nacional. ascendeu o irmão de Abdul-Hamid II. Assim. Salônica – concentrava muitos dos o‐ciais simpáticos aos novos ventos que sopravam na direção do império. o Comitê União e Progresso obteve apoio das minorias que habitavam o império e viam nos Jovens Turcos uma esperança de melhora das condições políticas. Os delegados clamavam. principalmente. Temerosos de um contragolpe de Abdul-Hamid II. e esses não pareciam tão liberais quanto o discurso anterior deixava transparecer. estourou outra questão nacional nos Bálcãs que ameaçava a integridade territorial do império. de forma a legitimar a ação golpista. No entanto. A FRA. a vitória dos Jovens Turcos permitiu ao Comitê União e Progresso.30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa otomano. No trono vacante. As forças pró-sultão se manifestaram contra a política dos Jovens Turcos. em 1909. Con†itos como o que ocorreu na cidade de Adana. Bulgária. os Jovens Turcos – assumiram o poder em de‐nitivo. contingentes militares comandados por ‐guras como Niazi Bey e o jovem o‐cial Ismail Enver se juntaram aos rebeldes da Macedônia e Albânia para pressionar politicamente a Porta a ceder às exigências dos rebelados. importantes forças políticas. considerava lícito recorrer ao uso de meios revolucionários para atingir tais objetivos. sociais e econômicas. em benefício de um sistema parlamentar e constitucional de governo. A perda de territórios enfraquecia o discurso do comitê de manutenção da pujança do império. o mesmo exército da Macedônia. que almejava se insurgir contra o governo instalado.com. Contudo. os armênios – ou parte deles – compunham e fortaleciam politicamente a frente contra o absolutismo hamidiano. Gregos e búlgaros se juntam ao movimento que. Destarte. inclusive enviando delegados para compor um congresso de oposição ao sultanato em Paris. tomou forma o que viria a constituir depois o Comitê União e Progresso[27] – Ittihad ve Terakki – que ‐cou mundialmente conhecido pela alcunha de Jovens Turcos. o movimento revolucionário armênio foi em parte desarticulado. sobretudo. ‐el à sua orientação ideológica. A parte dos Bálcãs ainda sob jugo otomano – Macedônia e. membros do Ittihad ve Terakki. os direitos constitucionais não tinham valor. a Cilícia sempre se destacou pelo potencial comercial explorado. ilustram bem esse ponto. Com a Constituição em vigência e o panorama de um futuro estável e próspero. o golpe de Estado de fato só se concretizou em 1913. quando os ittihadistas – ou seja. banhada pelo Mar Mediterrâneo – não havia sido molestada pelas forças paramilitares do sultanato. mas viu-se em situação crítica em março de 1909. que tornou o golpe de julho de 1908 possível.br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ 6/19 . Ocorre que. a convivência entre armênios e turcos tomou feições agressivas quando a Porta http://politicaexterna. Dessa forma. como a Federação Revolucionária Armênia (FRA). sobretudo. com 25% da população composta por armênios. Em julho de 1908. o que era uma antiga reivindicação armênia. Os partidos revolucionários armênios tomaram feições democráticas e disputaram as eleições do Parlamento otomano como atores políticos institucionalizados no império. A precariedade das relações entre turcos e armênios era patente. Entretanto. em 1908.

[35] elo esse que nos permite concluir que os planos de expurgo do elemento armênio de dentro do Império Otomano nunca deixaram de existir na cúpula dos Jovens Turcos. as potências cobravam da Porta medidas para que novos con†itos não tomassem lugar no império. que defendia o abandono da política otomanista e a adoção do panturquismo. área ocupada pelos muçulmanos. ceifando a vida de centenas deles. 1909 constitui o elo genocida entre os anos de 1890 e 1915. Ameaçados por correntes oposicionistas e reacionárias no ambiente político do império. Essa tendência ganhou força. seria a base de apoio para a radicalização das ações dos Jovens Turcos.[31] As autoridades de Adana solicitaram à Porta reforços militares. a Porta elegeu o Império Russo como adversário por esse último motivar os ensejos libertários dos Bálcãs. esperando apenas o momento ideal para tomar formas de solução ‐nal. O Segundo Congresso do Comitê União e Progresso. Adana foi a prova que a mera mudança do governo central e a Constituição não seriam su‐cientes para apaziguar os ânimos entre turcos e armênios. as forças militares foram lançadas sobre as propriedades dos armênios da cidade.br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ 7/19 .[38] Além da piora da estabilidade política da Porta.[36] Os congressos eram um termômetro da situação política dos Jovens Turcos e de todo o império. legitimado e apoiado pela sociedade turco-muçulmana. Com o uso do exército otomano. No campo internacional. Em torno desses nomes. o Império Otomano perdeu cerca de 25% de seu território e em torno de cinco milhões de pessoas.[39] Como consequência dessa alteração demográ‐ca e social. unidos por uma grande coalizão contrária à Porta. era patente a participação das tropas legalistas otomanas no massacre de Adana. na iminência de um con†ito com os cristãos da Cilícia. Em 1908. a ‐m de reprimir as agitações. a tensão se converteu em ação. graças à também nacionalista postura pan-eslava. repetindo a prática dos massacres hamidianos. Segundo Yves Ternon. [34] Segundo Yves Ternon. Por outro lado. foi a primeira vez que os turcos islâmicos se tornaram a maioria absoluta no império. a morte de dois turcos pelas mãos de um armênio em uma briga desencadeou uma onda de violência por toda a Cilícia. prevendo a eliminação dos cristãos hostis ao Comitê. Finalmente. é a melhor explicação para o panturquismo ter virado política de Estado. e os encontros subsequentes rati‐caram posições que em nada lembravam o discurso de agregação e igualdade de poucos anos atrás. descontente com as derrotas nos Bálcãs. Enquanto armênios e turcos se culpavam mutuamente pelos acontecimentos. os movimentos reacionários turcos se reorganizaram e se armaram. Para Balakian. os Jovens Turcos ‐rmaram uma posição por um Estado forte e centralizado. era http://politicaexterna. com um discurso anticristão e anti-armênio. o discurso nacionalista panturquista reverberou com mais ênfase na população que. o que provava o envolvimento doloso da Porta. em 1910. o Comitê União e Progresso ainda não tinha a estrutura que seria capaz de organizar o genocídio poucos anos mais tarde. O acontecimento de 1909 mostrou ao mundo que o passado recente da Porta não estava sepultado e ainda que os armênios permaneciam como alvo do ímpeto das autoridades turcas. Entretanto. Turcos exaltados conclamavam os seus compatriotas a combater os cristãos armênios. com os movimentos oposicionistas crescendo e forçando o Comitê a manobrar politicamente e com a redução populacional eslava e cristã do império decorrente da independência balcânica.[40] A Armênia.[33]Assim. A aniquilação dos armênios sempre esteve em pauta.30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa nomeou dois homens para os cargos de vali e comandante militar que haviam participado das deportações e massacres hamidianos nos anos de 1890.[37] Com a insurgência de‐nitiva dos territórios balcânicos. não foi difícil que o saldo do con†ito tomasse grandes proporções: entre 15 a 20 mil mortos. mas principalmente pelos armênios. Contudo. a derrota do Império Otomano na Guerra dos Bálcãs. nos primeiros anos da década de 1910. A política otomanista dá lugar a uma prática nacionalista e excludente das minorias. Mais uma vez. O governo dissimulou. ensejou a criação de um conclave liderado por Mehmet Talat Paxá.com.[32] Os con†itos perduraram por meses e transcenderam os limites de Adana. a Rússia exercia sua in†uência no Cáucaso. assim como em um passado não tão distante. Ademais. posto como causador de todo o mal. causadores de todo o mal-estar que a região presenciava. que teria o seu ápice na solução genocida da questão armênia em 1915. Em Adana. Adana foi uma espécie de teste para a relação entre armênios e turcos na nova era do Império Otomano. que foram prontamente enviados à cidade. houve a demonização do elemento armênio. mas não eram a causa da radicalização do discurso do Comitê. O ano de 1909 marca também o início da mudança de postura dos Jovens Turcos. a desarticulação dos braços armados das entidades políticas armênias os tornava presas fáceis de seus inimigos. cujo comando emanaria de uma única fonte em Constantinopla.

chegou a ter mais poder e prestígio do que o próprio governo. ocupou a pasta da Guerra. consequentemente. que ainda na primeira década do século XX deram origem ao movimento que derrubaria o sultanato. a Armênia era um enclave no núcleo desse país que. Essa pasta possuía a prerrogativa de nomear e destituir governadores e autoridades de províncias. ao destituir um governador mais tolerante e político pelo radical Cevdet Bey. os arquitetos do genocídio conseguiram ter capilaridade em todo o império para atingir os seus ‐ns.[42] Como uma entidade paraestatal. enquanto grupos armados executavam a ação de ordem prática. governadores e inspetores. além de uma profunda xenofobia e um senso de caos. A Organização Especial do Comitê União e Progresso formou grupos de curdos nômades e de prisioneiros anistiados para invadir o território russo e incitar as populações islâmicas que viviam nesse país a se rebelarem contra o czarismo. a legitimação do genocídio armênio seria feita assim que os Jovens Turcos elegessem os armênios como o mal a ser extirpado do império. Na década de 1890. posteriormente. fez com que os cristãos da Anatólia. negar – os massacres: uma possível revolta armênia separatista[50] e o apoio que esse povo estaria dando ao Império Russo. Só http://politicaexterna. O temor que a Armênia virasse uma “nova Bulgária”. Nessa altura.[43] Idealizada por Talat. herói da Guerra dos Bálcãs. era o objetivo almejado pelos Jovens Turcos.[48] No genocídio armênio não foi diferente. o Comitê União e Progresso criou em sua estrutura grandes objetivos a serem alcançados a qualquer preço. panturquismo e anticristianismo que permearam o Comitê União e Progresso durante a maior parte de sua existência. em alguns momentos. envolvido em um sentimento de risco à segurança nacional.[45] Mehmet Nazim. As prisões não eram aleatórias. A Guerra colocou os impérios de lados opostos. delegados. legitimando e mascarando assim a sua ação criminosa.com. dentro da proposta de uma grande Turquia que uni‐casse os povos de origem turca da Europa e Ásia. a burocracia otomana foi deturpada para agir em prol do massacre. Em uma situação como essa. na opinião dos Jovens Turcos. a Organização Especial – Teshkilât-i Mahsusa – funcionava como uma força paramilitar da cúpula do Comitê União e Progresso e. essa prática não constituía uma novidade. A pauta panturquista estava na ordem do dia. a oportunidade e o pretexto. a Organização foi responsável por manter vivos os princípios radicais do nacionalismo. exacerbando ao máximo as divergências entre ambos. como a‐rmava Talat. Nomeando secretários.30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa uma constante ameaça de emancipação de Constantinopla e. uma maior amputação territorial do Império Otomano. Mas o alto escalão do Comitê tinha tudo o que precisava: o plano. e não de todo o gabinete otomano. as condições materiais. as mais proeminentes ‐guras. a decisão de levar a cabo o genocídio partiu de alguns setores dos Jovens Turcos que ocupavam alguns ministérios. longe de ser uma utopia. coube ao Comitê montar o aparelho genocida utilizando o controle do Estado.[51] Ambas as acusações são infundadas ou supervalorizadas. Segundo Balakian. além do próprio Talat. A prática genocida A Grande Guerra foi de†agrada em 1914. os perpetradores podem associar o grupo-alvo com os inimigos. estavam estabelecidas em importantes cargos da administração otomana. cunhado de Enver Paxá.[49] A Primeira Guerra Mundial serviu tanto de cortina para esconder os crimes do Comitê quanto como pretexto para que os Jovens Turcos pudessem lançar suas forças a ‐m de aniquilar os armênios. Dois pretextos básicos foram usados pelos Jovens Turcos para legitimar – e. A rivalidade russo-turca existente há anos estava então institucionalizada. soou como uma oportunidade de revanche em cima das potências que. uma mobilização nacional em torno de um objetivo beligerante. foram as responsáveis pela derrota da Guerra dos Bálcãs. Para a Porta. O Ministério lançou mão dessa prática.[46] En‐m. ou seja.[52] o Comitê deu ordens para a polícia de Constantinopla procurar e prender cerca de 250 armênios residentes na cidade. O carismático Ismail Enver. para Yves Ternon.[41] Além disso. e Mehmet Talat tornou-se chefe do pragmático Ministério do Interior.[44] Composta por nomes como Ziya Gökalp. Para Taner Akçam. Com esse discurso. o assassinato. Ásia Menor e Cáucaso fossem os novos alvos eleitos pelo Comitê União e Progresso.br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ 8/19 . por exemplo. em 1915. No dia 24 de abril de 1915. A partir daí. a Primeira Guerra Mundial criou para o Comitê União e Progresso uma condição de “guerra total”.[47] ou seja. na cidade de Van. a mesma burocracia já utilizava o aparelho estatal para extorquir os armênios. Porém.

[59] Além do espólio propriamente dito. inaugurando assim o uso das estradas de ferro para transportar a população civil com propósitos genocidas. membros da intelligentsia armênio-otomana. também estavam entre essas colunas que expulsavam e matavam armênios. com a incapacidade de levarem seus bens nas caminhadas de deportação. Concomitantemente.[65] que ceifaram entre 800 mil e um milhão de vidas entre os anos de 1915-17. muitos muçulmanos.30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa interessavam às lideranças da comunidade. 4) priorização da destruição de cidades que resistiram aos massacres hamidianos em 1895-96. essa prática tinha também uma função social e econômica para a Porta. [63] Para resumir a prática genocida na Anatólia e Ásia Menor.[61] O fato é que a maioria dos armênios deportados sequer chegava aos campos de refugiados. os Jovens Turcos intencionavam silenciar os armênios.[54] Nos seis vilayets armênios. Ou seja. o genocídio e a distribuição do espólio resultante das desapropriações e assassinatos foram uma espécie de redistribuição forçada de renda. 7) organização das deportações e dos grandes massacres. Eliminando essas ‐guras. o que criava um desequilíbrio no interior da Anatólia. houve uma parte do genocídio que não foi http://politicaexterna. expulsos dos Bálcãs após a independência das possessões otomanas. Todavia. as perseguições não terminam nesse período. a Porta ordenou o desarmamento de todos os armênios – fossem os civis. Esses elementos formavam forças paramilitares a serviço do Comitê União e Progresso. 5) utilização da resistência dos armênios – como na cidade de Van – para legitimar os ataques otomanos. o genocídio armênio gerava um espólio para os curdos e turcos sem posses que rodavam pela Anatólia e Ásia Menor em busca de oportunidades de sobrevivência. como o da cidade de Aleppo. como Zeytun. Depois de reunidos na cidade. muitos armênios. Além de massacres dispersos que ocorreram até 1922. a deportação dos armênios era feita por ferrovias. “decapitando” a comunidade. Balakian elenca as principais ações do alto escalão do Ittihad ve Terakki da seguinte forma: 1) recrutamento dos homens aptos a servirem ao exército. eram obrigados a vender a preços ín‐mos aos turcos que estivessem dispostos a comprá-los. sendo uma prática validada culturalmente e vital para a manutenção econômica do sultanato. turcos e outras minorias residentes nas redondezas – a exemplo do que aconteceu nos massacres hamidianos – foram usados como forças paramilitares com a missão de percorrer as centenas de vilas e cidades da Anatólia. A ação de 24 de abril não foi isolada. como parte do espólio conquistado. Curdos. tomar lugar nos massacres. organizados em colunas que marchariam até “colônias agrícolas”. rumo à morte. As colunas de mulheres. preparando os armênios para serem deportados e agindo com brutal violência. e poderiam ‐car com os bens e propriedades. 3) preparação da Organização Especial do Comitê União e Progresso para exterminar os armênios e pilhar suas propriedades. servindo como pretexto para o Comitê União e Progresso alegar que os morticínios foram respostas à traição armênia. os armênios marchavam rumo ao deserto de Der-el-Zor. e seus comandantes reportavam diretamente a Enver e Talat Paxá.[53] Os intelectuais presos.com. na realidade. uma vez soltos.[57] Curdos e outros grupos seminômades eram populações marginais no império e viviam a mercê do pastoreio e de eventuais saques. os armênios eram destituídos de suas casas e posses. deportados e mortos serviriam de exemplo a todos os armênios do império. grupos de trabalhos forçados para a construção de estradas Anatólia adentro. Segundo Toynbee.[58] O argumento do sociólogo ganha força se lembramos da importância que a expropriação tinha para o Império Otomano desde suas origens. mas nas frentes de trabalhos forçados. Muitos prisioneiros do império foram anistiados em troca de. Obviamente. Muitas mulheres e crianças eram raptadas e levadas para haréns.br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ 9/19 .[55] Com as populações seminômades. Assim. afastadas das áreas que estavam ameaçadas por causa da Guerra. 2) prisão dos armênios com condições de exercer algum tipo de resistência aos grupos de massacre. A partir daí.[62]Outras tantas eram estupradas e mortas.[56] Para Vahakn Dadrian. fossem os que ocupavam postos nas Forças Armadas – e a realocação desses em “batalhões especiais” que eram. ou seja.[64] 6) eliminação da intelligentsia armênia em Constantinopla no dia 24 de abril de 1915. após terem sido previamente desarmados. expulsando os que lá viviam através de quaisquer meios. aqueles que ainda não haviam morrido devido às péssimas condições de trabalho eram assassinados. Em algumas regiões. a prática genocida foi organizada metodicamente. as autoridades otomanas ‐zeram um pacto: os primeiros se lançariam sobre as cidades e vilas armênias. Quando os trabalhos eram ‐nalizados.[66] Normalmente estes são os anos mais lembrados do genocídio.[60] A chegada dos grupos armados nas cidades e vilas era apenas o primeiro passo. com muitos de seus componentes morrendo por inanição e maus-tratos. crianças e idosos iam se desintegrando pelo caminho. tais colônias não existiam e eram apenas um eufemismo para grandes campos de concentrações de deportados.

mas por diplomatas e políticos. de‐nitivamente. uma nação diaspórica. o genocídio foi um plano elaborado e bem-sucedido. Bélgica. Japão. e a Liga das Nações vetou a entrada da Armênia na entidade. o mundo tinha total conhecimento dos massacres ocorridos no interior do Império Otomano. O Tratado de Sèvres atendia às expectativas dos armênios. Grécia. O povo armênio se tornou. Polônia. Em dezembro de 1920. Contudo. a Armênia russa. com ele. A ascensão de Mustafá Kemal na Turquia deu uma nova roupagem ao nacionalismo da população e pontuou como princípio a modernização e a ocidentalização do país. Para além de Versalhes. Os países beligerantes se puseram então a negociar as rendições e os espólios do grande con†ito. O presidente norteamericano seria o responsável por delimitar as fronteiras do novo Estado armênio.[68] A situação da Armênia em Sèvres foi acompanhada por Woodrow Wilson. ele nunca entrou em vigor. Mustafá Kemal ‐caria conhecido como o “pai dos turcos” e “eterno líder”. tendo como território nacional a chamada “Armênia russa” e uma parte dos seis vilayets que compunham o Império Otomano e que foram palco do genocídio. França. bem como com a Bulgária. Austro-Húngaro e Otomano. Porém. dando a esses o território historicamente reivindicado. Além disso. Na ocasião.[67] O tratado mais importante para os armênios foi o ‐rmado na cidade de Sèvres em 1919.[70] A reação internacional foi imediata e contundente. o pedido inicial armênio foi elevado. Desamparada. cada qual tratando de interesses especí‐cos. Metade da população armênia otomana – que era de cerca de dois milhões de pessoas antes da Grande Guerra – foi dizimada. Assim. A Inglaterra e os EUA vociferaram contra a ofensiva kemalista. Evidentemente. estavam dispostos a negociar com a derrotada Porta uma Armênia livre e independente. A essa altura. e a Turquia conseguiu manter a http://politicaexterna. e as derrotas do Império Otomano foram sepultadas. de forma a recuperar o que estava sob controle do país vizinho. outros tratados tiveram lugar em diferentes momentos. devolvendo as terras aos turcos. Se a queda da Porta foi inevitável. algumas semanas depois de Brest-Litovsk. Os Tratados de Paz O ‐m da Primeira Guerra Mundial veio em 1918 e. como lar nacional para os que sobreviveram. As pretensões territoriais compunham a chamada “Armênia de mar a mar”. enquanto a Turquia era signatária pela outra parte. numa negociação de grande porte.br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ 10/19 . Itália. a Armênia se via mais uma vez frente a frente com a ameaça turca. Em março de 1918. o exército kemalista começou seus ataques contra os territórios armênios. Romênia e Tchecoslováquia assinaram o Tratado de Sèvresa por um lado. era de responsabilidade da Porta julgar os culpados pelos massacres em tempos de guerra. e a Armênia se declarou um Estado independente. Nessa oportunidade. para que durante as discussões as pretensões de cada parte fossem sendo ajustadas de acordo com a viabilidade. que compreendia os seis vilayets.[69] Em 10 de agosto de 1920. Alguns países solidários à causa. A questão armênia não poderia estar excluída das negociações. Os turcos abdicariam dos territórios delineados por Wilson e garantiriam a segurança e a integridade das minorias que viveriam dentro de suas fronteiras. a Armênia compunha o Comitê Transcaucasiano. bem como obrigava os turcos a reconhecerem os crimes de guerra. a Rússia revolucionária anexou os territórios armênios de Yerevan e Nagorno-Karabah. Kars e Ardahan e o restante da Anatólia ocupada. Em 28 de maio de 1918. duas delegações armênias se sentaram à mesa para discutir qual seria o espólio que caberia ao país. Assim como Paxá. Armênia. a ajuda prometida nunca chegou de fato a ser enviada. Na Turquia. enquanto países como Espanha e Brasil[71] se mostravam dispostos a colaborar diplomaticamente para a resolução do con†ito.com. com Geórgia e Azerbaijão. o Comitê entrou em colapso. Em 1918. A união era uma tentativa dos três países de se fortalecerem para terem suas aspirações atendidas nas negociações que aconteciam. incluindo o Brasil. Portugal. a GrãBretanha. sem ter a quem recorrer. às custas do desrespeito ao Tratado que desintegrava o território otomano. suas vitórias e glórias nos campos de batalha cobriram-no de prestígio na população. a Rússia Soviética negociou em Brest-Litovsk com os Impérios Alemão. a Rússia aceitou evacuar as regiões de Batum. a derrota do Império Otomano e das potências centrais. Foi sob o seu governo nacionalista que a moderna República da Turquia foi fundada.30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa praticada por gendarmes e soldados. A única opção era ceder a autonomia em troca da existência e. a tradição militarista otomana e o peso sociopolítico se ‐zeram presentes. em 2 de dezembro de 1920. as províncias ocidentais do Império Otomano e a Cilícia.

O presidente Woodrow Wilson. em 1923. ou seja. das terras da chamada Armênia turca. foi o acontecimento correlato ao 24 de abril de 1915 em Constantinopla. era aliada de primeira hora do Comitê União e Progresso. podemos seguramente dizer que eles estavam cientes do que ocorria com os armênios e adotaram uma postura omissa frente às mortes. O território desenhado pelo presidente norte-americano faria da Armênia uma nação extensa. que entrou em vigor no lugar de Sèvres. da exclusão. assim como a ação do embaixador dos EUA no país.[77] A comparação entre os dois crimes contra a humanidade também encontra lugar nas perseguições ocorridas no início dos processos de extermínio. alegando que mortes daquele calibre não poderiam realmente estar acontecendo na Alemanha. na Alemanha – tendo ‐guras carismáticas à frente – Ismail Enver Paxá e Adolf Hitler. apesar do silêncio absoluto sobre esse crime contra a humanidade. Vahakn Dadrian destaca em um de seus trabalhos outros pontos de intersecção entre o genocídio armênio e o Holocausto. A porção caucasiana foi preservada e. Mais uma vez.[72] Em obra posterior. os armênios perderam o direito de ter um Estado nacional livre e independente. acusando as autoridades alemãs de saberem sobre o ocorrido na época dos acontecimentos.[73] O Holocausto já era a reedição da violência. em diferentes prisões e campos de extermínio espalhados pelo mundo a partir de 1915. desde o Tratado de Brest-Litovsk. na Turquia. por conta da apatia mundial frente aos horrores perpetrados no interior do Império Otomano. É possível comparar também a utilização das deportações como mecanismo de genocídio. a vitória na Segunda Guerra Mundial seria a melhor maneira de agir contra a matança de judeus nas “fábricas nazistas de processamento de cadáveres”. o Ocidente achava descabidas as acusações de que milhões de judeus estavam sendo reduzidos a cinzas. Se não podemos discorrer com clareza acerca da função desempenhada por o‐ciais alemães nas deportações e mortes de armênios. para os céticos expectadores ocidentais. a inação internacional diante do Holocausto seguiu os passos dos acontecimentos com os armênios. A reincidência genocida acontece. esses massacres têm como objetivo enviar uma mensagem ao restante da população-alvo. rejeitado por Kemal. A Kristallnacht. por sua vez. como bem destaca Samantha Power. em ambos os casos. mitigam o dever ético e moral da comunidade internacional em impedir a perpetração de genocídios. o que para a Rússia não era interessante. Há a necessidade de re†etir sobre os motivos que. os Jovens Turcos e os alemães nazistas quebraram os paradigmas da história de tal modo que. negando a morte sistemática de judeus. em 1920. Enquanto os nazistas faziam o seu papel de perpetradores. No primeiro. situação que só iria se reverter em 1991. instalando o medo e a confusão. em Auschwitz. que ao ‐nal da guerra iria “adotar” a Armênia.com. o governo norte-americano hesitou ao prestar ajuda efetiva ao povo armênio no momento que o genocídio ocorria. forte e sob o protetorado norte-americano. tudo aquilo não passava de fantasia. Considerações finais Após a Segunda Guerra Mundial. recusou-se a declarar guerra contra o Império Otomano e nem sequer rompeu as relações diplomáticas com este. os ‐lósofos Theodor Adorno e Max Horkheimer preocupavamse com os riscos de repetição dos mecanismos que tornaram o Holocausto possível. Essa apatia não é acidental. nos gulags. A questão é que a Armênia wilsoniana não interessava a ninguém. partidos políticos tomaram o aparelho estatal – Ittihad ve Terakki. com o ‐m da União Soviética. os Aliados mantinham distância do caso. Henry Morgenthau. Mais do que causar um grande impacto demográ‐co. em grande medida.[75] Para os norte-americanos. Em suma. anexada. O autor mostra como.30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa sua integridade territorial através do Tratado de Lausanne. a Alemanha. o próprio Adorno relembra o genocídio armênio. http://politicaexterna. por detrás das cortinas.[74] Outra potência. e Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei. abriu mão. no segundo. Esta. A inação de povos e dos governos perante os genocídios é prática política deliberada. Por mais que as missões humanitárias e religiosas norte-americanas na Anatólia tenham sido pioneiras para tentar parar o massacre. da intolerância e da aniquilação que o genocídio armênio mostrou ao mundo. respectivamente – com desígnios radicais que reverberaram na população.[76] A incredulidade para matanças em larga escala permeou tanto o caso armênio como o judeu. a sociedade ocidental não queria acreditar na brutalidade das mortes dos armênios e. quando os intelectuais armênios foram presos e deportados. Também ocultada por uma guerra mundial.br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ 11/19 . pogrom que depredou propriedades e levou cerca de 20 mil judeus de grandes cidades da Áustria e da Alemanha para campos de concentração durante novembro de 1938.

Ainda. no ‐nal do século XIX e início do XX. Longe de meras coincidências semânticas. A opção por tomar partido no con†ito mundial junto aos Impérios Alemão e Austro-Húngaro. Foram também mortas mulheres e crianças. como externa. do Comitê http://politicaexterna. Em muitas cidades. uma praça ou um cemitério. como os alemães fariam com os judeus poucos anos mais tarde.[80] Para “um destino desconhecido” e em uma marcha “aparentemente sem destino”. por inanição. posteriormente. Os Einsatzgruppen – unidades móveis de execução – faziam o trabalho de deportação no interior da Polônia e da Lituânia: Homens de 14 a 60 anos eram conduzidos para um único local. por parte dos armênios. ao mesmo tempo em que acontecia o abandono de milhares de prisioneiros nas estradas. o nacionalismo e o crescente engajamento político dos armênios se somaram à equação. A queda do Império Otomano provocou modi‐cações políticas e sociais em seu interior. sobretudo de homens. na sua visão. as marchas para a morte conduzidas pelos grupos armados curdo-turcos tornavam possível a eliminação. a Porta não tinha estabilidade su‐ciente para conduzir tranquilamente os rumos políticos do império. seja do genocídio armênio.br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ 12/19 . Crianças de orfanatos. sem que muita tecnologia precisasse ser empregada. No limite. a pressão das potências – principalmente a rivalidade com o Império Russo – provocava um constante estado de medo no governo otomano de uma intervenção externa em seu território. oriunda das potências. aparentemente sem destino. Os que têm chegado aqui são apenas uma pequena parte dos que marcharam.[82] Entretanto. A grave crise econômica otomana piorou drasticamente o quadro caótico apresentado. Na visão dos Jovens Turcos. Continuando a forçá-los a marchar desta forma será possível dispor deles em espaço de tempo relativamente curto.[79] Para os armênios. segundo Taner Akçam. pois a maior parte foi morta pela estrada. Muitas morreram de doença e debilidade pelo caminho (…) Têm chegado vários grupos e. para a expansão dos ideais panturqusitas e pan-islâmicos pelos diversos territórios balcânicos e russos que outrora pertenceram ao Império Otomano. as semelhanças entre os dois testemunhos de diferentes genocídios explicitam o papel das deportações tanto no Holocausto quanto no genocídio armênio. Tinham de cavar suas próprias sepulturas. Também é conhecido o uso de ferrovias pelos turcos a ‐m de deslocar um grande contingente da população armênia. o genocídio armênio inaugura na modernidade a transferência populacional como instrumento letal. manter vivo o império. mulheres eram mortas nas ruas. por mais de uma vez. foi assassinado. para a execução de reformas nos vilayets orientais. continuam sua marcha. as reformas seriam mais uma derrota para os turcos. nenhum desses fenômenos pode ser entendido como única causa.30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa Principal arma das autoridades do Comitê União e Progresso para dar cabo dos armênios. Com os custos de vários con†itos e uma in†ação nunca antes vista. ensejou uma explosão anticristã. as nações balcânicas nos con†itos que fragmentaram a porção europeia de seu império. Todos os fatores enumerados são frutos da crise do império e das fracassadas tentativas do sultanato – e.[78] No genocídio perpetrado pelos nazistas. xenófoba e nacionalista que propiciou o ambiente ótimo para o surgimento dos Jovens Turcos – Comitê União e Progresso. onde eram trucidados. de mãos dadas com os interesses ocidentais que iam violentamente contra o nacionalismo turco e a sobrevivência do império. gerando um quadro altamente in†amável na Anatólia. contra França. de centenas de milhares de armênios. A perda dos Bálcãs. que preferiram resolver a contenda pela solução genocida. a narrativa segue da seguinte maneira: Há poucos homens entre eles. as marchas da morte foram uma forma e‐caz de esvaziamento dos campos de concentração no ‐nal da Segunda Guerra Mundial. metralhados ou mortos com granadas de mão. idosos internados em asilos. os judeus eram levados para “um destino desconhecido” e mortos nas †orestas próximas. Nesse cenário. a entrada na Primeira Guerra serviria. depois de ‐carem um ou dois dias.com. Além disso. assim. O genocídio foi uma tentativa de criar um Estado turco na Anatólia e. surgiu o elemento estereotipado do armênio causador do mal-estar do Império Otomano.[81] O historiador turco frisa a crescente pressão tanto interna. seja do ‐m do Império Otomano. Todos contam a mesma história de terem sido atacados e roubados pelos curdos. Grã-Bretanha e Rússia foi a forma encontrada pelo governo otomano de ter a revanche sobre as potências que apoiaram. Por ‐m. doentes hospitalizados eram fuzilados. muito poucos. e um grande número.

por outro. Extenuados pelo jogo político que girava em torno do lobby armênio. reuniriam suas vítimas em campos de concentração. por um lado. o fato é que as atenções do mundo naquele período se voltaram para a causa armênia. a ‐m de frear quaisquer atitudes do governo turco que pudessem colocar em risco as posições soviéticas no Cáucaso. cerca de 50 diplomatas turcos foram mortos durante ações armadas que visavam representações diplomáticas turcas pelo mundo. fomentada pelo governo central marcou o 50º aniversário de início dos morticínios. Mas isso mudou drasticamente em 1965 quando uma grande manifestação em Yerevan. político e social. os pedidos de reconhecimento do genocídio em diversos espaços políticos pelo mundo se intensi‐caram. assim. consistia em melindrar o país vizinho. ao estimular que os armênios soviéticos reivindicassem os territórios perdidos para a Turquia após o rompimento do Tratado de Sèvres. dentro dos marcos da de‐nição da ONU de 1948. de 1920. que anos mais tarde seria nomeado de genocídio.[83] Nesse sentido. e da negação como política de Estado na Turquia. o contraponto ao esforço estatal turco. A partir de então. Imediatamente após o término da Segunda Guerra Mundial. algum tempo depois. De um lado. A partir de então. cresceram as reivindicações para que os massacres de armênios no Império Otomano fossem conceituados como genocídio. membro da OTAN e cabeça de ponte das potências ocidentais no Oriente Médio. Ainda que a estratégia dessas células armênias possa ser questionada.[88] http://politicaexterna. também organizariam marchas pela morte.com. a República da Turquia ‐nanciava publicações editoriais e centros de pesquisas ao redor do mundo para neutralizar as investidas armênias. uma resolução conjunta da Câmara dos Representantes dos EUA solicitou que o dia 24 de abril de 1985 fosse declarado como o “Dia Nacional de Rememoração da Desumanidade do Homem para com o Homem”. Uma resolução do Parlamento Europeu de junho de 1987 teve tom menos conciliador e de‐niu que: (…) os trágicos eventos entre 1915-1917 envolvendo os armênios que viviam em território do Império Otomano constituem genocídio no sentido da Convenção pela Prevenção e Punição do Crime de Genocídio adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 9 de dezembro de 1948. capital da Armênia Soviética. terminou com a morte dos cinco militantes armênios que tomaram a Embaixada da Turquia em Lisboa. demonizariam os elementos indesejáveis. Enquanto o governo da Turquia se colocava em uma situação de fragilidade perante a opinião pública. Assim foi o genocídio armênio: a resposta do Império Otomano à sua própria queda.br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ 13/19 . a disputa que até então estava nos campos da academia e da diplomacia tomou contornos mais dramáticos. de outro. os armênios aproveitavam a visibilidade causada pelos ataques para criar instituições educacionais e de pesquisa que fornecessem insumos para o debate. classi‐cariam esses como causadores de todo o mal etc. ao mesmo tempo em que a diplomacia coordenada por Ancara trabalhava para destacar a singularidade da “Solução Final” no caso judeu durante a Segunda Guerra Mundial numa tentativa de enfraquecer a experiência armênia de algumas décadas antes. após anos de desgaste econômico. Entre 1973 e 1985. um reajuste de terminologias entre os militantes da causa armênia.[86] A mais famosa delas.[85] Nos anos 1970-80. em outubro de 1983. a década de 1910 ‐cou especialmente marcada por apresentar ao mundo uma nova modalidade de crime: o assassinato em massa. a disputa pela aplicabilidade do conceito de genocídio no caso armênio se tornou mais intensa. os Jovens Turcos foram modelos para os nazistas que. enquanto o massacre de armênios é negado até os dias atuais. poucos anos mais tarde. O extermínio de judeus e a criação do crime de genocídio promoveu. armênios soviéticos e da diáspora pressionavam suas respectivas áreas de in†uência para obterem resoluções de governos nacionais e de organismos multilaterais em favor do reconhecimento do genocídio armênio. grupos dissidentes de partidos políticos armênios que operavam em diferentes países decidiram partir para a luta armada como forma de propaganda da causa. Ainda em 1984. Muito além de vivenciar a queda de impérios e o nascimento de nações e movimentos nacionais. e o Holocausto foi reconhecido tanto por seus perpetradores como pela comunidade internacional. gerando texto lacônico. esperando fazer.[87] após intensas disputas entre parlamentares in†uenciados pelos lobbies de armênios e turcos. os nazistas foram julgados. Depois disso. poucos intelectuais categorizavam o massacre de armênios dessa forma.[84] A estratégia de Moscou. Entretanto. utilizando da condenação do chamado “terrorismo armênio” para desquali‐car as demandas daquele povo.30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa União e Progresso – em conter a trajetória descendente.

[92] rati‐cado por outras resoluções semelhantes nos anos 2000. Intelectuais são incentivados a publicar estudos que tentam mitigar os acontecimentos de 1915. Se não é essa nação a responsável direta pela maior parte das mortes. como um terremoto de grande magnitude que destruiu uma importante cidade no crepúsculo dos anos soviéticos e um con†ito territorial com o vizinho Azerbaijão – que acarretou no fechamento da fronteira armênio-turca por decisão unilateral de Ancara. embora as entidades da coletividade lutem. distante dos interesses imediatos da Turquia ou das potências ocidentais. todo o tabuleiro geopolítico foi alterado. a existência de um Estado armênio autônomo fez com que os trabalhos políticos feitos pelas comunidades diaspóricas ao redor mundo pudessem ter um centro. em 1985. Na América Latina. cuja parte setentrional foi ocupada pelo exército turco nos anos 1970. Conclusão Se o Império Otomano foi o perpetrador das matanças dos armênios. O Uruguai foi o primeiro país no mundo a passar uma resolução legislativa que menciona os massacres de 1915. Fora do país.com. que decreta o dia 24 de abril como “dia de rememoração dos mártires armênios”. compondo assim o último estágio do genocídio: a sua negação.[95] Na Turquia. em que pese as profundas cisões que marcam a coletividade de Montevidéu. A onda de regimes autoritários entre os anos 1960-80 não permitiu que outros países sulamericanos seguissem o exemplo uruguaio. de 19/05/1989. Brasil e Uruguai e. sobretudo no contexto de incertezas da virada dos anos 1980-90. os anos 1990 foram promissores para a divulgação da causa e a obtenção de reconhecimento governamental do genocídio armênio. colaborou para frustrar os planos turcos de ingresso no que na época era chamado de Comunidade Econômica Europeia.[93] A falta de articulação da coletividade armênia do Brasil junto às esferas políticas nacionais depois da redemocratização – não obstante a consecução da alteração do nome de uma estação de metrô na capital paulista para “Armênia”. Bolívia. Venezuela e. Não obstante essa derrota política. última vítima do genocídio. diuturnamente para que isso aconteça o mais rápido possível. antecessora da União Europeia.326. A cartilha negacionista é invariável: relativiza números. O Senado argentino aprovou texto nesse sentido em 1993. não raramente. Os que trabalham em prol da negação distorcem e matam a verdade. mais recentemente.30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa Donald Bloxham destaca que essa crescente onda de conscientização europeia. uma vez que o subcontinente estava à margem do tabuleiro geopolítico. com apoio da República da Armênia. em menor grau. argumenta que as acusações de genocídio são parte de uma propaganda dos adversários de guerra ou que são motivadas por propósitos econômicos e políticos etc. Esse capcioso mecanismo legal foi usado por muitas vezes para silenciar vozes dissonantes na Turquia que insistiam em a‐rmar que o genocídio armênio aconteceu. o país intercontinental não deixou de ter um peso relevante na geopolítica ocidental. adversária histórica dos três países[90] – sobretudo do país insular. credita os crimes à insurreição armênia. Chipre e Bulgária reconheceram os acontecimentos de 1915 como genocídio. os armênios gozavam de certa liberdade e autonomia para reivindicar seus direitos junto aos países onde residiam. Chile. o reconhecimento do genocídio tomou um caminho distinto. na Venezuela. Chile e México.468. lançando mão da demanda armênia para causar certo desconforto à Turquia. é a atual república que nega os acontecimentos. o governo em Yerevan e a diáspora discordassem drasticamente dos métodos e objetivos utilizados para angariar apoio à causa. Apenas depois da redemocratização do subcontinente a causa armênia foi reinserida com vigor na pauta política. Grécia. Elif http://politicaexterna. é a República da Turquia responsável pelo espólio genocida de seu antecessor.[89] Com o ‐m da URSS e da Guerra Fria.[94] na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo – não permitiu que a demanda do reconhecimento chegasse aos poderes Legislativo e Executivo federais. A partir de 1991. que institui o dia 24 de abril como o “Dia da Solidariedade para com o Povo Armênio”. ainda que.br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ 14/19 . assim como as estratégias dos armênios para obter o reconhecimento. no que tange à causa armênia e a não observância aos direitos humanos na Turquia.[91] A grande concentração de armênios e descendentes na capital dessa pequena república platina certamente colaborou para o pioneirismo. a negação é uma política de Estado. os parlamentares uruguaios aprovaram o texto da Lei nº 13. Na Europa. Em 20 de abril de 1965. em apoio aos aliados azerbaijanos em 1993 –. e a aprovação da Lei n° 6. Ancara faz lobby em universidades espalhadas pelo mundo a ‐m de conseguir que historiadores e cientistas sociais de renome assinem textos que corroborem a argumentação criminosa. Com comunidades signi‐cativas presentes na Argentina. Apesar dos grandes problemas enfrentados pela recém-independente república.[96] O artigo 301 do Código Penal turco estabelece como crime insultar a dignidade e as instituições da Turquia. trilharam o mesmo caminho.

p. Ainda segundo Anderson. seja em outros massacres em curso no momento. ↑ [5] “A Primeira Guerra Mundial produziu a morte de um incontável número de armênios pela Turquia – a cifra mais aceita é de 1. especí‐ca para o crime que Lemkin desejava punir e evitar. Maio de 2015 Notas [1] HOBSBAWM. Taner. Buenos Aires: Eduntref. ↑ [13] ASTOURIAN. São Paulo: Brasiliense. 71-86. ↑ [12] O devshirme – criado na década de 1380 – constituía no recrutamento de crianças oriundas de terras cristãs. pp. Peter. cambojanos. ANDERSON. 2003. Os anos passam. Les Arméniens: Histoire d’un génocide. and the Destruction of the Ottoman Armenians. judeus. Nova York: Holt Paperback. Dink foi o que pagou mais caro pela intolerância patrocinada pelo Estado: em janeiro de 2007. 1989. Alguns historiadores. Atrocidades turcas na Armênia. A Shameful Act: the Armenian Genocide and the Question of Turkish Responsibility. ↑ [9] Alcunha pela qual ‐caram conhecidos os membros do “Comitê União e Progresso” – Ittihad ve Terakki Cemiyeti. Os ecos de 1915 reverberam até hoje. cujos tentáculos se espalham pela burocracia estatal. Perry. ↑ [3] FEIERSTEIN. P. p. como Donald Bloxham. pp. Raphael. op. o genocídio armênio permanece atual. enviadas para serem educadas sob a égide do Islã. The Age of Extremes. Buenos Aires: Prometeo Libros/Eduntref. op. p. AKÇAM. 1996. Cf. Nationalism. 99. empresariado e movimentos religiosos. Samantha. seja na disputa diplomática entre Armênia e Turquia. 361-363. São Paulo: Companhia das Letras. pp. uma vez formadas. bósnios. exercendo pressão nas autoridades mundiais – inclusive na recém-criada Organização das Nações Unidas – em forma de lobby para que o Genocídio fosse quali‐cado como crime internacional. Modern Turkish Identity and the Armenian Genocide: from Prejudice to Racist Nationalism. E. ↑ [8] . constituíam um corpo de escravos que eram empregados na burocracia do Império Otomano e no exército. Stephan H.. tutsis. em sua obra Axis Rule in Occcupied Europe.. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Yves. o que pode ser considerada como a primeira tentativa moderna de eliminar toda uma população”. assim como nos referimos por vezes ao governo dos EUA como Casa Branca ou ao governo russo como Kremlin. ↑ [10] Sublime Porta (em turco Bab-i Ali) ou simplesmente Porta são nomes usados para referir-se ao governo do Império Otomano. Essas crianças. Nova York: Oxford University Press. mas os elementos que tornam os genocídios possíveis continuam se reproduzindo. 157. ↑ [2] HOBSBAWN. p. 50. Nova York: Harper Perennial. BLOXHAM. Yerevan: Museum-Institute of the Armenian Genocide of the National Academy of Sciences of Republic of Armenia. p. O genocídio armênio foi fruto das condições históricas existentes no momento em que aconteceu. ↑ [4] TOYNBEE. um sinal de proximidade com o poder do Império. Daniel (org. POWER.br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ 15/19 . O atirador era um jovem a serviço de uma organização ultranacionalista. E.5 milhão –. ↑ http://politicaexterna. formam uma corrente na qual o último elo está diretamente conectado ao primeiro. The Great Game of Genocide: Imperialism.com. Arnold J. Mais do que um teórico sobre o tema. ↑ [7] BALAKIAN. Donald. tal status de escravo não continha um sentido pejorativo. 2005. No Império Otomano. 2003. ↑ [11] ANDERSON. 2007. São Paulo: Paz e Terra. p. Genocídio: a retórica norte-americana em questão. 1996. cit. um genocídio tem a capacidade de atravessar a história e permanecer como um espectro que ronda o mundo. sudaneses etc. preferem trabalhar com a estimativa de um milhão de mortos. Armênios. Paris: Seuil. Raphael Lemkin foi ativista político da causa. Eric J.). Passado um século do início dos morticínios de armênios. 2004. LEMKIN. 8ª ed. 2005. cit. antes de tudo. Taner Akçam. 50. p. 5. Forças Armadas. 1996.. 365367. ser escravo via devshirme era. 454-455. ↑ [6] O termo Genocídio foi criado pelo jurista e ‐lólogo judeu-polonês Raphael Lemkin em 1944. Nova York: First Vintage Books. A Era dos Impérios: 1875-1914. 2003. o jornalista e editor-chefe do jornal Agos foi assassinado a tiros em frente da redação do periódico. 33. 2009. Genocidio: La administración de la muerte en la modernidad. pp. Linhagens do Estado Absolutista. ainda para o julgamento dos nazistas em Nuremberg. assírios. 2004.. 2ª ed. ↑ [14] TERNON. HOBSBAWM. Hrant Dink e o Nobel de Literatura Orhan Pamuk são alguns dos intelectuais de nacionalidade turca enquadrados nesse dispositivo. The Burning Tigris: the Armenian Genocide and America’s Response.30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa Shafak. El dominio del eje en la europa ocupada. em Istambul. Entretanto. 12. juntando o derivativo grego geno – raça ou tribo – com o derivativo latino cídio – ato ou efeito de matar – formando assim uma nova palavra.

175. Y. 52. ↑ [27] Ternon chama a atenção para o nome do Comitê – União e Progresso – ser oriundo do lema positivista “Ordem e Progresso”. 196. 378.. No momento de sua fundação. p.. P.. 18. por razões puramente políticas. Ambassador Morgenthau’s History. cit. Y.. cit. pp. op. 163-165. cit. Şevket. ↑ [28] Ibid.. P.. ↑ [34] BALAKIAN. 14ª tiragem. Lao-Tse. 170. p. pp... ↑ [20] POLANYI. Buda. cit. 116. op. ↑ [30] TERNON. Y. p. Não ‐zeram o mesmo com a doutrina de Cristo? E os países europeus também não ‐zeram o uso indevido de suas palavras para em seu nome empreenderem guerras e pilhagens pér‐das contra os povos indefesos de suas colônias?” Um genocídio em julgamento: O Processo Talaat Paxá na República de Weimar. Y. pp. p. cit. op.. Y. 83.. ↑ [17] Ibid. Ao lado de Cristo. pp. op. pp. ↑ [33] Ibid. pp. não podemos considerar o islamismo como causador dos massacres. op. Y. 159-162. 21. p. isto ocorreu apenas porque usaram-na indevidamente. A. ↑ [38] Ibid. P. 190-191. 390. 1918... cit. mas simplesmente porque desejavam. 1994. 163. op. Y. p. pp. cit. Para o militar alemão Armin T. Rio de Janeiro: Paz e Terra.. In: Journal Middle East Studies. p. ainda como parte do movimento otomanista. 33.. fotógrafo e denunciante dos massacres durante os acontecimentos: “Ninguém responsabiliza a religião do Islã por isso. 373-375. p. op. 177. Nova York: Doubleday. EUA: Cambridge University Press. op. pp. op. pp. ↑ [29] TERNON. 73-82. op. Henry.. 176-177. ↑ [32] TERNON. pp... 179. cit... Ibid. p. p. A grande transformação. ↑ [36] TERNON. Page and Company. 194-195.. combatente na frente oriental da Guerra. Rio de Janeiro: Elsevier/Campus. 387-388.. cit. Tudo foi feito pela vontade do governo e não por considerações de fanatismo religioso. 148-149. op. p. ↑ [22] TERNON. Nº. 56-57. cit. p. ↑ [35] TERNON. Wegner. e se ela de fato desempenhou algum papel nestes acontecimentos. ↑ [18] PAMUK. ↑ [21] ANDERSON. ↑ [39] Ibid. Y. ↑ [26] TERNON. ↑ http://politicaexterna. 197. cit. ↑ [24] Ibid.30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa [15] Ibid. “The Price Revolution in the Ottoman Empire reconsidered”. encontra-se também a doutrina de Maomé. 195. pp. 22-23. ↑ [23] Ibid. op. ↑ [31] A incitação do ódio aos cristãos foi uma prática corrente do Comitê União e Progresso para legitimar o assassinato de armênios. 2001. ↑ [37] Ibid.. 172. ↑ [25] MORGENTHAU. Y. e seria um erro a‐rmar que os simpatizantes da Armênia o tenham feito. op. p.br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ 16/19 . cit.. ↑ [16] ANDERSON.. p. ↑ [40] TERNON. Entretanto. pp. 186-189.com. ↑ [19] ANDERSON. 2000. Para Lorde James Bryce: “não havia em jogo exaltação muçulmana contra os cristãos armênios. Apesar da declaração a jihad contra os in‐éis armênios ter sido uma ferramenta para o Genocídio. p. a palavra “União” toma um caráter simbólico de aglutinar todos os otomanos – incluindo os cristãos – em prol do progresso do império.. Karl. op. op. desfazer-se de um elemento não muçulmano que contrariava a homogeneidade do império e constituía um elemento que não poderia sempre sujeitar-se à opressão” TOYNBEE. P. cit. p. ↑ [41] BALAKIAN. o Comitê União e Progresso ainda não tinha tomado o viés chauvinista que teria poucos anos mais tarde. P. cit. 156. p. ↑ [42] TERNON. cit.

br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ 17/19 . P. o chanceler brasileiro Azevedo Marques a‐rmava que o Brasil estava disposto a colocar um ‐m no sofrimento armênio.. pp. mas curdo – participou dos massacres hamidianos contra os armênios em Diyarbekir. 2005. Vahakn N. cit. p. cit. op. cit. A. 234. P.com. AKÇAM. ↑ [71] O jornal The New York Times de 02 de dezembro de 1920 já trazia uma reportagem que anunciava o comprometimento de Brasil e Espanha com W.. cf. ÜNGÖR. op. São Paulo: Conrad. T. em trabalho de grande importância para a historiogra‐a. 121. op.. p. 44. 163. Na década de 1890. 211-216.. pp. como as produções armênias.30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa [43] BALAKIAN. T. 2011. pp. John. Carol.. ↑ [49] AKÇAM. cit. REED. ironicamente.. 21-24. Taner & DADRIAN. ↑ [65] Isso inclui o aparato legal que o Comitê União e Progresso montou para legitimar constitucionalmente as deportações e mortes de armênios. op. ↑ [67] EL TRATADO DE SEVRES Y LA CUESTION ARMENIA. 132. cit. pp. AKÇAM. 197-210. P. Em telegrama ao presidente americano. Daniel (org. op. ↑ [46] AKÇAM.. T. cit. 8. P.. pois o diplomata indicado para o cargo havia tomado uma posição de defesa dos armênios. Buenos Aires: Eduntref. não era turco. ↑ [54] TOYNBEE. pp. Genocidio: La administración de la muerte en la modernidad. ↑ [66] Ibid. P. 79-80. Paul: Aegis/Paragon House. op. p. op. P. Wilson em prol da Armênia. cit. cit. AKÇAM. Judgment at Istanbul: the Armenian Genocide Trials. op. a família de Ziya Gökalp – que. ↑ [45] Principal teórico e propagandista do nacionalismo panturquista do Comitê União e Progresso. ↑ [68] Ibid. ↑ [53] BALAKIAN. cit.. Buenos Aires: Argentina: Consejo Central Pro Causa Armenia para la América Latina. pp. cit. p. 27. op. op. pp. Will Genocide Ever End? St. ↑ [69] EL TRATADO DE SEVRES Y LA CUESTION ARMENIA. ↑ [63] BALAKIAN. Os julgamentos aconteceram. S. Talaat Paxá chegou até a pedir ao Império Alemão para trocar o embaixador no Império Otomano. op.. Mas as mortes de armênios e as pilhagens de suas propriedades já vinham acontecendo em 1914. ↑ [59] ANDERSON. pp. cit. p. ↑ [57] DADRIAN. op. “A twentieth-century phenomenon?” In: RITTNER. ↑ [61] TOYNBEE. A. Ibid.. 31-33. 58-61. op. pp. A.. p. p. op. op. pp. mas foram considerados inválidos pouco tempo depois.. ↑ [47] BALAKIAN. 70. ↑ [58] Ugur Umit Üngör e Mehmet Polatel demonstraram. Con‐scation and Destruction: the Young Turk Seizure of Armenian Property. 41-63. Nova York: Berghahn Books.. op. ↑ [64] Para a resistência de Van. P. cit... ↑ [51] POWER. cit. 1970.. p. 200. 2002. ↑ [70] TOYNBEE. ↑ [56] TOYNBEE. P. 181-182. 176-180.. Nova York/Londres: Continuum. 134-136. ↑ [60] BALAKIAN. op. p. ↑ [52] A data de 24 de abril ‐cou para a História como o início do Genocídio Armênio e é nesta data que tradicionalmente os armênios rememoram as suas vítimas e clamam pelo reconhecimento do Genocídio. Mehmet. 166. 378. 2011. Vahakn. p.. 186-188. “Con‐guración de los genocídios del siglo veinte”.. ↑ [50] BALAKIAN. ↑ [62] Ibid. 130. P. BALAKIAN. seja sozinho ou em conjunto com outras nações. op. cit. p. cit. op. sobretudo de cobre e algodão. et. T.. cit. P. pp. cit. ↑ [48] LEVENE. alii. cit. 78. In: FEIERSTEIN. 2002... Ugur Ümit& POLATEL. ↑ [44] BALAKIAN. pp. cit. ↑ [55] AKÇAM. 2 de dezembro de http://politicaexterna. 172. T. p. p. op. Guerra dos Bálcãs (1916). p. p. BALAKIAN. The New York Times. 26-27. A. Cf. pp. foram “turqui‐cadas” durante o Genocídio.. 234. Mark.. 94-95. cit. cit.). pp. op. 190-214.

. 223. p. 41. p. 2003. ↑ [93] http://www. op. pp. 219. 120. Richard G.. ↑ [79] POWER. In: ___________. 215-216.br/repositorio/legislacao/lei/1989/lei-6468-19. 2002.al. cit.php. acessado em 23/01/2015. cit. Márcio. ↑ [84] BLOXHAM. 2005. mantêm alianças antigas e atuais que se con†itam e. D. ↑ [88] http://www.30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa 1920. ↑ [83] LEMKIN. ↑ ESTA MATÉRIA FAZ PARTE DO VOLUME 23 Nº4 DA REVISTA POLÍTICA EXTERNA Revista Política Externa A situação geopolítica da Ásia neste século é tão peculiar como tensa devido às aspirações de seus três principais atores. ↑ [85] Ibid..am/eng/states. cit. Carol. et. 24-25. p. VER DETALHES DESTA EDIÇÃO ASSINE A REVISTA ADQUIRA ESTA EDIÇÃO http://politicaexterna.S. 216. 3ª edição.. Grifos nossos. Campinas: Editora Unicamp. Assim. A. R. pp. cit. Theodor.. acessado em 23/01/2015. “Apresentação da questão”. 51.. p. p. T.genocide-museum.genocide-museum. curiosamente. op.com/causaarmenia/docs/asambleagral20abr65_ley13326. pp. Educação e Emancipação.. Japão. p. acessado em 23/01/2015. graças a um delicado equilíbrio geopolítico.com. “Educação após Auschwitz” In: ___________. ↑ [77] DADRIAN. a Turquia é uma base avançada dos EUA na porta de entrada do Oriente Médio. ↑ [89] BLOXHAM. 93.am/eng/Argentina_Senate_Resolution_1993. Yerevan: Museum-Institute of the Armenian Genocide of the National Academy of Sciences of Republic of Armenia. op. pp.sp. ↑ [95] FEINSTEIN. In: RITTNER. São Paulo: Paz e Terra. preservam os legados de seus três velhos líderes.gov..php. Paul: Aegis/Paragon House.br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ 18/19 . pp. 59-60. 55-57. 61. S. Vahakn N. ↑ [78] TOYNBEE. 1-2. Pelos mesmos motivos. ↑ [92] http://www. A falta do reconhecimento dos EUA para o Genocídio Armênio permanece até os dias atuais. Grifos nossos. cit. ↑ [74] POWER. cit.am/eng/European_Parliament_Resolutio3. ↑ [81] AKÇAM. 2004. pp. p. 41-53. op. Aliada norte-americana desde as épocas de Guerra Fria. p. p. 122. China e Coreia ainda não resolveram questões históricas entre si.genocide-museum. A.html. ↑ [91] http://issuu.. D. ↑ [96] HOVANNISIAN. op.. ↑ [86] BLOXHAM. alii. pp. 112-113. D. Literatura: o testemunho na Era das Catástrofes. ↑ [90] Ibid. acessado em 23/01/2015. cit.05. Will Genocide Ever End? St. p. acessado em 23/01/2015. pp. cit.1989.. cit. ↑ [94] http://www. ↑ [75] Ibid.php. op. 5-7. 221. 37-38.. ↑ [73] ADORNO. ↑ [76] Ibid.. Denial of the Armenian Genocide in Comparison with Holocaust Denial. op. melindrar Ancara vai contra os interesses estratégicos norte-americanos na região. Stephen C. pp. ↑ [80] TOYNBEE.genocide-museum.. História. “Understanding the ‘G’ word”._House_of_Representatives_Joint_Resolution_247. op. Israel também não reconhece o massacre dos armênios como Genocídio. Memória.am/eng/U. op. op. S. cit.php. ↑ [82] Ibid. acessado em 23/01/2015. ↑ [87] http://www. ↑ [72] Apud: SELIGMANN-SILVA.

br/2780/genocidio­armenio­uma­introducao­historica/ EDIÇÕES AVULSAS CONTATO web by Citrus7 19/19 .HMG Editora ..30/05/2016 Genocídio armênio: uma introdução histórica » Política Externa VOLTAR TOPO 0 COMENTÁRIOS 0 comentários Ordenar por  Os mais antigos Adicionar um comentário..com.Todos os direitos reservados. All rights reserved. Facebook Comments Plugin QUEM SOMOS EXPEDIENTE ÍNDICES REMISSIVOS ASSINATURAS Política Externa ® 2016 . http://politicaexterna.