Você está na página 1de 16
César Frade – Finanças – Aula 06 Olá Pessoal. Vamos começar a nossa sexta aula.

César Frade – Finanças – Aula 06

Olá Pessoal.

Vamos começar a nossa sexta aula. Essa parte da matéria é um pouco mais complicada e bastante teórica em um segundo momento. Neste início tentarei mostrar para vocês como se calcula o desvio-padrão dos retornos de uma carteira de ativos.

Inicialmente, começaremos com uma carteira com dois ativos, depois passaremos para três e em seguida iremos generalizar para N ativos. Dessa forma, vocês verão a importância da diversificação para uma carteira de ativos.

1. Variância dos Retornos

1.1 Carteira com dois ativos

Na verdade, o risco de uma carteira é medido pela variância ou desvio-padrão da mesma e, ao contrário do que muitos podem vir a pensar, não é a média aritmética das variâncias ou dos desvios dos ativos. Este fato decorre do fato de que os ativos que compõem uma carteira têm uma correlação entre eles. Dessa forma, a variância e o desvio-padrão de um conjunto de ativos (carteira) depende ainda da covariância existente entre os ativos que compõem a carteira em questão.

No caso de uma carteira com dois ativos (A e B), se levarmos em consideração que foi aplicado no ativo A uma parcela 1 X A dos recursos e no ativo B uma parcela X B dos recursos, teremos que a variância da carteira é dada por:

2

σ =

p

2

X

A

2

σ +

A

X

2

B

2

σ + 2

B

X X

A

B

σ σ ρ

A

B

AB ,

Tendo em vista o fato de que a covariância entre dois ativos é igual ao produto entre os desvios dos ativos pela correlação 2 entre eles, podemos expressar da seguinte forma a variância de uma carteira composta por dois ativos:

1 Aplicar uma parcela X A dos recursos no ativo A, significa que de todo o recurso que o investidor possui, X A % foi aplicado em A e X B % foi aplicado em B. De forma que a soma de X A e X B seja igual a 100% dos recursos, ou seja, ele aplica parte dos recursos disponíveis no ativo A e parte no ativo B.

2 σ

A,B

= σ σ ρ

A

B

A,B

ou

ρ

AB ,

=

σ AB ,

σ

A

σ

B

1

http://www.euvoupassar.com.br

Eu Vou Passar – e você?

2 σ = p 2 X A 2 ⋅ σ + A X 2 B

2

σ =

p

2

X

A

2

σ +

A

X

2

B

2

σ + 2

B

X X

A

B

σ

AB ,

Portanto, como o desvio-padrão é a raiz quadrada positiva da variância, o desvio- padrão de uma carteira de ativos pode ser representada por:

(

σ = X σ +X σ + ⋅X X σ σ ρ

p

A

A

B

B

A

B

A

B

2

2

2

2

2

AB

,

1 2
1
2

)

Você deve estar se perguntando como é que vai decorar uma fórmula deste tamanho.

Pois é, vou te dar uma grande dica que nunca mais você vai se esquecer de uma fórmula. No entanto, para decorar esta você vai ter que lembrar dos seus tempos de

Lembra-se

6ª Série e da temida matéria chamada de “Produtos Notáveis” disso?

Risos

Pois é. Quanto é o quadrado da soma de dois termos? Lembra que você decorava que era o quadrado do primeiro mais duas vezes o primeiro vezes o segundo mais o quadrado do segundo. Não é isso mesmo? Então. Essa fórmula que estou mostrando a vocês é a mesma fórmula do quadrado da soma de dois termos mas com o acréscimo da correlação no termo central. Observe a fórmula do quadrado da soma:

(

X σ +X σ

A

A

B

B

)

2

=X σ +X σ + 2X X σ σ

A

A

B

B

A

B

A

2

2

2

2

B

Observe que se você acrescentar no termo central a correlação entre os dois ativos que formam a carteira, estará feita a fórmula da variância de uma carteira com dois ativos.

Como já sabemos como devemos proceder para decorar a fórmula devemos ver como ficará a relação risco x retorno à medida que retiramos parte dos recursos de um ativo e colocamos em outro ativo.

Na verdade, a relação entre risco e retorno depende da correlação existente entre os ativos ou da covariância entre os mesmos. Apesar de o retorno sempre ser a média aritmética dos retornos individuais, sabemos que o mesmo não ocorre com o risco 3 .

3 Lembramos que o risco de um ativo ou de uma carteira pode ser representado tanto pelo desvio-padrão quanto pela variância.

2

http://www.euvoupassar.com.br

Eu Vou Passar – e você?

1.1.1. Correlação perfeita e positiva 4 ( ρρρρ = 1) Quando a correlação entre os

1.1.1. Correlação perfeita e positiva 4 (ρρρρ = 1)

Quando a correlação entre os dois ativos que compõem a carteira for perfeita e positiva, ou seja, 1, ao transferirmos recursos de um ativo a outro teremos a formação de uma reta no espaço risco x retorno como mostrado na figura abaixo:

35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00%
35,00%
30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
5,00%
0,00%
0,00%
5,00%
10,00%
15,00%
20,00%
25,00%
30,00%
35,00%
40,00%

Pegamos um exemplo em que temos dois ativos (A e B) e que eles possuem as seguintes características:

Ativos

Retorno

Esperado

Desvio-Padrão

A 30%

35%

B 10%

10%

Dessa forma, se colocarmos todos os recursos no ativo B, teremos o retorno esperado da carteira como sendo igual a 10% e o desvio-padrão da mesma será 10%. À medida que começarmos a vender o ativo B e com os recursos percebidos comprar o ativo A, iremos aumentando o retorno de nossa carteira, pois estamos vendendo um ativo com retorno mais baixo e comprando aquele com retorno mais alto. Ao mesmo tempo, tendo em vista que a correlação entre eles é igual a 1, haverá um aumento no desvio-padrão da carteira. Observe, conforme equação abaixo, que no caso de a

4 Os gráficos utilizados em Finanças no espaço risco x retorno mostram o risco medido pelo desvio-padrão no eixo X e o retorno no eixo Y.

3

http://www.euvoupassar.com.br

Eu Vou Passar – e você?

correlação entre os ativos da carteira ser igual a 1, o desvio-padrão da carteira passa

correlação entre os ativos da carteira ser igual a 1, o desvio-padrão da carteira passa a ser a média ponderada dos desvio.

σ

2

p

Se

2

p

2

p

σ

σ

σ

p

=

X

2

A

σ

2

A

+

X

2

B

σ

2

B

ρ

= 1

2

A

AB ,

X

2

=

=

=

(

X

A

X

A

σ σ

A

B

σ

A

σ

A

+

X

B

+

X

B

σ

B

σ

B

+

X

2

2

B

+

+

)

2

2

2

X X

A

X X

A

B

B

σ

σ

A

A

σ

σ

B

B

ρ

AB ,

1

É importante ressaltar que, SOMENTE quando a correlação entre os dois ativos for perfeita e positiva, ou seja, igual a 1, o desvio-padrão da carteira formada por esses dois ativos será igual à média ponderada dos desvios.

1.1.2. Correlação perfeita e negativa (ρρρρ = -1)

Quando a correlação entre os dois ativos que compõem a carteira for perfeita e negativa, ou seja, -1, ao transferirmos recursos de um ativo a outro teremos a formação de duas retas no espaço risco x retorno como mostrado na figura abaixo:

35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00%
35,00%
30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
5,00%
0,00%
0,00%
5,00%
10,00%
15,00%
20,00%
25,00%
30,00%
35,00%
40,00%

Pegamos um exemplo em que temos dois ativos (A e B) e que eles possuem as seguintes características:

Ativos

Retorno

Esperado

Desvio-Padrão

4

http://www.euvoupassar.com.br

Eu Vou Passar – e você?

A 30% 35% B 10% 10% Dessa forma, se colocarmos todos os recursos no ativo

A 30%

35%

B 10%

10%

Dessa forma, se colocarmos todos os recursos no ativo B, teremos o retorno esperado da carteira como sendo igual a 10% e o desvio-padrão da mesma será 10%. À medida que começarmos a vender o ativo B e com os recursos percebidos comprar o ativo A, iremos aumentando o retorno de nossa carteira, mas estaremos reduzindo o risco pois o termo central da variância é negativo dado que a correlação é negativa.

Observe que em determinado momento, o risco da carteira poderá ser igual a zero para uma dada combinação de recursos aplicados em cada um dos ativos em questão.

A partir dessa combinação específica de X A e X B que torna o risco de uma carteira igual a zero, para cada unidade adicional de recursos que tirarmos do ativo B e passarmos para o ativo A, vamos incrementando o retorno da carteira mas incorrendo em um risco cada vez maior. Observe que no ponto no qual temos risco igual a zero, temos o menor risco possível do portfólio com as características apresentadas. Dessa forma, chamamos essa carteira de CARTEIRA DE MÍNIMA VARIÂNCIA, pois é a carteira que possui a menor variância.

Podemos verificar que no caso de correlação perfeita e negativa, o desvio-padrão da carteira será igual à raiz quadrada do produto notável dado pelo quadrado da diferença, conforme mostrado abaixo.

σ

2

p

Se

σ

σ

σ

2

p

2

p

p

=

X

2

A

σ

2

A

+

X

2

B

σ

2

B

ρ

AB ,

=− 1

=

=

=

X

2

A

(

X

A

X

A

σ σ

A

B

2

+

X

2

2

B

σ

A

σ

A

X

B

X

B

σ

B

σ

B

+

+

)

2

2

2

X X

A

X X

A

B

B

σ

σ

A

A

σ

σ

B

B

ρ

AB ,

(

⋅ −

1

)

1.1.3. Ativos Independentes (ρρρρ = 0)

5

http://www.euvoupassar.com.br

Eu Vou Passar – e você?

Quando os dois ativos que compõem a carteira forem independentes, significa que possuem correlação igual

Quando os dois ativos que compõem a carteira forem independentes, significa que possuem correlação igual a zero, ou seja, ausência de correlação entre eles. Ao transferirmos recursos de um ativo a outro teremos a formação de uma curva no espaço risco x retorno como mostrado na figura abaixo:

35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00%
35,00%
30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
5,00%
0,00%
0,00%
5,00%
10,00%
15,00%
20,00%
25,00%
30,00%
35,00%
40,00%

Pegamos um exemplo em que temos dois ativos (A e B) e que eles possuem as seguintes características:

Ativos

Retorno

Esperado

Desvio-Padrão

A 30%

35%

B 10%

10%

Dessa forma, se colocarmos todos os recursos no ativo B, teremos o retorno esperado da carteira como sendo igual a 10% e o desvio-padrão da mesma será 10%. À medida que começarmos a vender o ativo B e com os recursos percebidos comprar o ativo A, iremos aumentando o retorno de nossa carteira, mas estaremos reduzindo o risco pois o termo central da variância está anulado e valendo zero por causa da correlação.

Dessa forma, a variância da carteira vai sendo reduzida a partir do momento em que vamos aumentando a participação no ativo A. Entretanto, a partir de certo ponto (a partir da carteira de mínima variância), um incremento na participação do ativo A acaba provocando um aumento no risco da carteira (aumento da variância do portfólio).

6

http://www.euvoupassar.com.br

Eu Vou Passar – e você?

Podemos observar ainda que, quando os ativos forem independentes, o desvio-padrão da carteira será menor

Podemos observar ainda que, quando os ativos forem independentes, o desvio-padrão da carteira será menor que a média ponderada dos desvios, conforme mostrado abaixo:

σ

2

p

Se

2

p

2

p

σ

σ

σ

p

=

X

ρ

AB ,

=

=

<

X

X

X

2

A

=

2

A

2

A

A

σ

0

2

A

+

X

2

B

σ

X

σ σ

σ

σ

σ

σ

A

2

+

B

2

B

A

A

+

+

X

X

B

2

2

2

B

2

B

2

B

B

+

+

2

2

X X

A

X X

A

B

B

σ

σ

A

A

σ

σ

B

B

ρ

AB ,

0

1.1.4. Correlação positiva (0< ρρρρ < 1,0)

Da mesma forma como mostrado quando os ativos são independentes, ou seja, correlação igual a zero, quando a correlação é positiva temos uma redução da variância (desvio-padrão) quando após os recursos serem aplicados em sua totalidade no ativo de menor risco, o investidor optar por transferir uma pequena parcela para o ativo de maior risco.

Sendo assim, vemos que não há motivos para o investidor aplicar a totalidade dos recursos no ativo de menor risco se a correlação não for positiva e perfeita. E, novamente, apesar de estar imperceptível no gráfico abaixo, há uma carteira de mínima variância que ocorre quando a aplicação no ativo A é maior do que zero, ou seja, X A > 0%

Para desenvolver o gráfico abaixo usamos as mesmas premissas anteriores em relação a risco e retorno dos ativos A e B.

7

http://www.euvoupassar.com.br

Eu Vou Passar – e você?

35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00%
35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00%
35,00%
30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
5,00%
0,00%
0,00%
5,00%
10,00%
15,00%
20,00%
25,00%
30,00%
35,00%
40,00%

1.1.5. Correlação negativa (-1,0 < ρρρρ < 0)

Da mesma forma como mostrado quando os ativos são independentes, ou seja, correlação igual a zero, quando a correlação é negativa temos uma redução da variância (desvio-padrão) quando após os recursos serem aplicados em sua totalidade no ativo de menor risco, o investidor optar por transferir uma pequena parcela para o ativo de maior risco.

35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00%
35,00%
30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
5,00%
0,00%
0,00%
5,00%
10,00%
15,00%
20,00%
25,00%
30,00%
35,00%
40,00%

Para desenvolver o gráfico acima usamos as mesmas premissas anteriores em relação a risco e retorno dos ativos A e B.

Neste gráfico conseguimos ver de forma mais nítida a formação da carteira de mínima variância quando vamos vendendo o ativo B e comprando A, de forma gradual.

8

http://www.euvoupassar.com.br

Eu Vou Passar – e você?

É muito importante notarmos que SEMPRE que a correlação entre os ativos não for perfeita

É muito importante notarmos que SEMPRE que a correlação entre os ativos não for perfeita e positiva, não valerá a pena aplicar a totalidade de seus recursos naquele ativo que possui menor risco, pois um aumento na participação do ativo mais arriscado induzirá a uma redução do risco total do portfólio.

Veja como fica o gráfico com todas as correlações juntas. É claro que, como a correlação é um cálculo estatístico, não tem como variá-la a não ser ao longo do tempo. No entanto, o gráfico abaixo pode nos mostrar o quão eficiente em termos de redução de risco pode ser incluirmos em nossa carteira ativos que possuam correlação baixa ou negativa.

35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00%
35,00%
30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
5,00%
0,00%
0,00%
5,00%
10,00%
15,00%
20,00%
25,00%
30,00%
35,00%
40,00%
Correlação 1
Correlação 0
Correlação -1
Correlação 0,5
Correlação -0,5

1.2 Carteira com dois ativos – Notação Matricial

Podemos mostrar também a notação matricial que pode ser desenvolvida para calcularmos a variância de uma carteira. É claro que o resultado e a fórmula serão os mesmos e que não há muita vantagem quando estamos utilizando apenas dois ativos. Entretanto, se você “pegar o jeito” de fazer a notação matricial pode vir uma questão com 10 ativos (como já caiu uma) que você faz sem maiores problemas.

Ativo A

Ativo B

9

http://www.euvoupassar.com.br

Eu Vou Passar – e você?

Ativo A Ativo B 2 2 X X A ⋅   X ⋅ σ A

Ativo A

Ativo B

2

2

X X

A

 

X σ

A

A

B

σ

AB ,

X X

A

 

2

2

B

σ

AB ,

X σ

B

B

Dessa forma, sabendo que:

ρ

AB

,

=

σ AB ,

σ

A

σ

B

σ

AB

,

=

σ

A

σ

B

ρ

AB

,

Temos que o somatório dos elementos da matriz será igual ao risco do portfólio em questão, dado pela variância do mesmo:

2

σ =

p

X

2

A

2

σ +

A

X

2

B

2

σ + 2

B

X X

A

B

σ

AB ,

Observe que a diagonal principal da matriz trata das variâncias enquanto que as outras células que compõem a matriz trata das parcelas que contém covariância. Essa observação é muito importante e vai ser necessária mais à frente.

1.3 Carteira com três ativos – Notação Matricial

Se utilizarmos uma carteira com três ativos (A, B e C), a notação matricial ficará da seguinte forma:

Ativo A

Ativo B

Ativo C

Ativo A

Ativo B

Ativo C

2

X σ

A

2

A

 

X

X

A σ

B

AB ,

X X

A

C

σ

AC ,

X X

A

B

σ

AB ,

 

2

X σ

B

2

B

X X

B

C

σ

BC ,

X X

A

C

σ

AC ,

X

B X

C

σ

BC ,

2

X σ

C

2

C

 

Sendo assim, ao somarmos todas as células da matriz teríamos que a variância de uma carteira composta por três ativos é dada por:

10

http://www.euvoupassar.com.br

Eu Vou Passar – e você?

2 σ = p 2 X A 2 ⋅ σ + A X 2 B

2

σ =

p

2

X A

2

σ +

A

X

2

B

2

σ +

B

X

2

C

2

σ + 2

C

X X

A

B

σ

,

AB

+ 2

X X

A

C

σ

AC

,

+ 2

X X

B

C

σ

BC

,

Observe que essa matriz possui 9 células, sendo que as três que fazem parte da diagonal principal derivam de variâncias e as outras seis derivam de covariância. Dessa forma, fica nítido que quanto maior for o número de ativos de uma carteira menos eles dependerão das variâncias dos ativos e mais dependerão de suas covariâncias.

1.4 Carteira com N ativos – Notação Matricial

Um carteira com N ativos, terá em sua notação matricial N x N elementos, ou seja, N 2 elementos. Observe que dessa quantidade de elementos existentes, apenas a diagonal principal da matriz dependerá das variâncias dos ativos. Portanto, no cálculo da variância do portfólio teremos N 2 termos, sendo que apenas N dependerão da variância e, dessa forma, N 2 – N dependeram das covariâncias, conforme mostrado abaixo:

Ativo 1

Ativo 2

Ativo 3

M

Ativo N

Ativo 1

 

Ativo 2

 

Ativo 3

 

Ativo N

 
 

2

X σ

1

1 2 X

1

X σ

2

1,2

X X σ

1

3

1,3

 

X σ

1 X

N

1,

N

X X σ

1

2

   

2

2

     

X X

2

N

 

1,2

X σ

2

2

X X σ

2

3

2,3

σ

2,

N

X X σ

1

3

 

X

2

   

2

2

 

X

3

X

N

 

1,3

X σ

3

2,3

X σ

3

3

σ

3,

N

 

M

 

M

M

O

M

X X

1

N

σ

1,

N

X X

2

N

σ

2,

N

X X

3

N

σ

3,

N

 

2

X σ

N

2

N

Observe que, se tivermos uma carteira com 2 ativos devemos ter uma matriz com 4 elementos, sendo 2 que possuem o risco baseado na variância e outros 2 na covariância. Se a nossa carteira tiver 3 ativos devemos ter uma matriz com 9 elementos, sendo que 3 possuem o risco baseado na variância e 6 na covariância. Abaixo segue tabela que mostra a importância da covariância entre os ativos na determinação do risco de uma carteira de ativos:

11

http://www.euvoupassar.com.br

Eu Vou Passar – e você?

Número de Parcelas do Risco Ativos Total Com Varância Com Covariância 1 1 1 -

Número de

Parcelas do Risco

Ativos

Total

Com Varância

Com Covariância

1

1

1

-

2

4

2

2

3

9

3

6

4

16

4

12

5

25

5

20

10

100

10

90

50

2.500

50

2.450

100

10.000

100

9.900

Dessa forma, fica fácil notarmos que quanto maior o número de ativos que compuserem uma carteira menor será a dependência do risco da mesma da variância dos ativos, mas maior será a dependência da covariância entre eles. Isso é chamado em Finanças de EFEITO DIVERSIFICAÇÃO e tem o mesmo raciocínio daquele conselho que você sempre recebeu de que não deve colocar todos os ovos em uma mesma cesta.

2. Delineando a Fronteira Eficiente

Quando passamos a ter mais de dois ativos, ao invés de termos uma linha (mesmo que não seja uma reta) como sendo o “lócus” de uma carteira de ativos, passamos a ter uma área como possibilidade de localização de qualquer uma das carteiras possíveis.

Todas as carteiras que estão “dentro” da figura mostrada abaixo são carteiras possíveis de serem atingidas, de serem compradas mas não são carteiras, necessariamente, eficientes. Isto ocorre porque sempre que adquirirmos uma carteira que esteja situada “dentro” da figura haverá uma carteira possível sobre a linha azul 5 que terá o mesmo risco da carteira em questão mas com um retorno superior. Portanto, se existe uma carteira que possui o mesmo risco mas tem um retorno superior e está sobre a linha azul, essa carteira é chamada de eficiente.

5 Para aqueles que não estão utilizando uma impressão colorida, esclarecemos que a linha não tracejada no gráfico é a linha azul.

12

http://www.euvoupassar.com.br

Eu Vou Passar – e você?

35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00%
35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00%
35,00%
30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
5,00%
0,00%
0,00%
5,00%
10,00%
15,00%
20,00%
25,00%
30,00%
35,00%
40,00%

Entretanto, nem todas as carteiras que fazem parte da linha azul podem ser consideradas eficientes. As carteiras que estão sobre a linha azul mas possuem retornos menores que o retorno da carteira de mínima variância não são consideradas eficientes pois existirá, ao menos, uma carteira que terá o mesmo risco mas possuirá um retorno superior.

Portanto devemos considerar que:

Fronteira eficiente é a união de todas as carteiras eficientes.

Uma carteira é eficiente se para um dado nível de risco, possuir o maior retorno possível dentre as carteiras possíveis.

No entanto, devemos tomar um cuidado. Você acha que uma carteira eficiente pode ser aquela que possua o menor risco possível para um dado retorno?

A resposta a essa pergunta é NÃO. NÃO NECESSARIAMENTE. Se uma carteira

possuir o menor risco para um dado nível de retorno, ela somente pode ser considerada eficiente se seu retorno for superior ao retorno de mínima variância.

Dessa forma, chamamos de fronteira eficiente a união de todas as carteiras eficientes.

A linha vermelha do gráfico abaixo é a união de todas as carteiras eficientes e,

portanto, a FRONTEIRA EFICIENTE.

A carteira de mínima variância é a carteira que possui o menor risco possível e está, exatamente, na junção da linha vermelha com a linha azul no desenho abaixo.

13

http://www.euvoupassar.com.br

Eu Vou Passar – e você?

35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00%
35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00%
35,00%
30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
5,00%
0,00%
0,00%
5,00%
10,00%
15,00%
20,00%
25,00%
30,00%
35,00%
40,00%

A carteira de mínima variância é a carteira que possui o menor retorno dentro da fronteira eficiente.

Concluindo o que foi explicado anteriormente:

Uma carteira é considerada eficiente quando para um dado nível de risco possuir o maior retorno possível. Caso contrário, a carteira será considerada não eficiente.

Cuidado com a hipótese de o examinador falar que para um dado nível de retorno, será eficiente a carteira que possuir o menor o menor nível de risco. Essa afirmativa é FALSA, a menos que ele diga que:

para um dado nível de retorno, será eficiente a carteira que possuir o menor o menor nível de risco, desde que o retorno seja superior ao retorno da carteira de mínima variância.

3. Minimização de Riscos 6

Devemos sempre ter atenção em relação ao risco. Apesar de o gráfico mostrado não poder ser considerado uma função 7 , para determinarmos a carteira de mínima

6 As pessoas que não possuem conhecimento matemático sobre Derivada e Integral não deverão passar para este item, pois apenas as pessoas que possuem este conhecimento entenderam essa metodologia de cálculo. Essas pessoas deverão decorar a resposta final.

14

http://www.euvoupassar.com.br

Eu Vou Passar – e você?

variância podemos fazer a sua derivada e igualar a zero, conforme demonstrado a seguir. σ

variância podemos fazer a sua derivada e igualar a zero, conforme demonstrado a seguir.

σ

2

p

X

A

= ⋅

X

X

2

A

B

+

σ

2

A

+

1

= ⇒

X

2

B

X

A

σ

2

B

+

= −

1

2

X

B

X X

A

B

σ

AB

,

Determinamos a carteira fazendo :

2

σ p

X

B

=

0

Entretanto, antes devemos fazer as devidas substituições :

σ

σ

σ

2

p

2

p

2

p

=

=

( 1

(

1

= σ

2

A

X B

)

2 2

A

σ

+

2

X

B

+

X

2

B

2

X

B

σ

2

A

X

2

B

)

σ

2

A

+

X

σ

2

B

+

+

2

B

X

2

B

σ

2

A

2

(

1

σ

2

B

+

X

X

+

2

B

2

B

σ

2

B

)

X

X

B

+

2

B

σ

σ

AB ,

AB

,

2

X

X

B

σ

AB

,

2

σ p

X

B

2

=− ⋅

σ

2

A

2

X

X

B

B

σ

2

A

2

σ A

+

+

X

2

B

+

2

X

B

σ

2

B

X

B

σ

2

B

2

σ

2

A

X

4

B

+

2

X

B

X

B

σ

AB

,

σ

AB

,

=

σ

σ

2

B

=

2

A

2

+

2

σ

2

A

σ

AB ,

σ

AB ,

2

4

X

σ

AB ,

B

Colocando X

X

B

(

⋅ +

σ

A

2

σ

2

B

B em evidência, temos :

2

σ

AB

,

)

=

σ

2

A

σ

AB ,

X B

=

σ

2

A

σ

AB ,

2

σ σ

A

B

+ −

2

2

σ

AB ,

De forma análoga, temos :

X

A

=

σ

2

B

σ

AB ,

2

σ σ

A

B

+ −

2

2

σ

AB ,

2

B

σ

AB ,

2

X

2

B

σ

AB ,

=

σ

o

AB ,

7 O gráfico em questão é chamado de correspondência.

15

http://www.euvoupassar.com.br

Eu Vou Passar – e você?

Portanto, essa equação para XA e para XB determina a quantidade de recursos que devemos

Portanto, essa equação para XA e para XB determina a quantidade de recursos que devemos colocar nos ativos A e B, respectivamente, para que formemos a carteira de mínima variância.

Pronto, aqui nós terminamos a nossa sexta aula e gostaria de agradecer a vocês por terem esperado-a pacientemente, mas acho que vocês estão vendo a dificuldade de elaborá-la pois além de ter um português bem claro, ainda preciso fazer todos os gráficos, fórmulas e elaborar gráficos particionados (como o da Fronteira Eficiente) porque não existe uma pessoa responsável pelos desenhos necessários.

Grande abraço e até daqui há 15 dias.

César Frade

16

http://www.euvoupassar.com.br

Eu Vou Passar – e você?