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Desigrejados e desviados? Qual a melhor definição?

Cresce o número dos grupos de pessoas que não tem compromisso em uma
comunidade evangélica. Pessoas que preferem fazer reuniões em casas, grupos de
estudos, adoração, sem se prender a nenhum catecismo eclesiástico. Seria uma
desculpa de desviados, ou uma forma de buscarem adorar a Deus livremente? Sem
imposições dogmáticas que não possuem nenhum respaldo bíblico, Ou insubmissão a
liderança eclesiástica? O que levaria esses grupos agirem assim?

Lembro-me da história de um jovem que entregou sua vida a Cristo, e começou sua
peregrinação nos caminhos da fé com uma veemência linda e surpreendente. Pouco
tempo já estava pregando nas congregações da igreja local, conseguiu ganhar sua
família toda para Cristo. Alguns amigos do trabalho, através dele, estavam
experimentando a alegria de fazer parte da família de Cristo. Sua sede de Deus, seus
esforços pela salvação dos perdidos, sua dedicação em consagrar a vida a Cristo e
pregar sobre seu amor, expressava cada vez mais o seu chamado como instrumento
de Deus.

Infelizmente toda essa alegria e entusiasmo foram diminuindo, quando ele foi ferido
por aquele que deveria trazer a ele refrigero e conforto. Aquele que se intitulava seu
pastor, parecia mais um lobo abatedor faminto. O jovem não representava nenhum
perigo a um líder desviado e cego. Porém não era assim que o seu pastor o via. A
motivação do jovem foi diminuindo como um balão furado. Aquela veemência ninguém
via mais, sua ausência nos trabalhos da igreja era notável. Aquele jovem já não era
mais mesmo.

Por um tempo ainda se via o jovem pela igreja. Isso até o dia em que o pastor não
tinha mensagem para pregar, e resolveu usar de altivez e autoritarismo, para atacar
cada Membro que o incomodava. Apesar dele não ter motivo e nem justificativa para
atacar aquele rebanho, assim o fez. Aquele dia foi o ultimo culto que aquele jovem
participou. Depois das palavras - sem nenhum respaldo bíblico - usadas pelo pastor,
para atacar seu rebanho, e ferir muitas ovelhas, o jovem deixou de fazer parte da
igreja e não se encontrava mais entre os irmãos.

Agora a igreja começaria sua busca por aquela ovelha que se afastou das noventa
nove? Agora cada membro estaria como aquele pai, aguardando o filho que foi embora
com a herança, retornar para os braços do pai? NÃO! Infelizmente não foi bem assim
que aconteceu. Aquele soldado ferido, aquela alma entristecida foi taxada como um
DESVIADO. Isso mesmo, DESVIADO! Seria desviado de Jesus, ou de um corpo com os
membros divididos?

Infelizmente aqueles irmãos somente repudiavam o pobre jovem, e muitos nem


sabiam o que havia acontecido. Outros chegavam diante dele e falavam; “Você não vai
mais para a igreja não? Você tem que ir? Poucos lhe perguntavam;” Como você está?
Tudo bem? Está precisando de ajuda? Tem algo que eu possa ter ajudar? Está
frequentando alguma igreja?

Sempre ouvi muito a palavra DESVIADO no meio evangélico, para caracterizar alguém
que não quer mais a Jesus em sua vida. Mas será que todos que são taxados como
DESVIADOS, é devido não quererem a Jesus, ou porque perderam o prazer de estar
entre aquele grupo de membros?

Muitos têm a igreja como templo, e esquecem que a igreja é muito mais que matéria,
mas também sociedade, família, um corpo com os membros interligados, no qual
JESUS é a cabeça. Vejo pessoas que começam uma evangelização muito bem,
trazendo a pessoa para a igreja, conduzindo a ovelha junto ao rebanho, até se sentir
da família. Mas depois de um tempo, que a pessoa faz parte da igreja, ela é esquecida,
não é discipulada, e vindo muitas vezes sair do meio do grupo.

Mas isso tudo não justifica o que muitos grupos fazem hoje. Preferem não fazer parte
de uma comunidade evangélica, para montarem grupos em casas, alegando que não
precisam se prender a uma liderança eclesiástica. Usando exemplos da igreja
primitiva. Gostei das colocações do pastor Marcio sobre as reuniões caseiras:

U
“ m pastor renomado no cenário paulistano, declarou que os desigrejados são um exemplo para
quem congrega em igrejas tradicionais. A afirmação é controvertida e desanimadora pra quem
como eu acredita na Igreja. Ao afirmar que a enormidade de pessoas que não congrega na igreja
tradicional (formalmente) está correta em suas posturas antiliderança (ele chama isso de rejeitar os
desmandos das estruturas de poder eclesiástico) o nosso amigo aí, avaliza o modelo de igreja sem
um líder formal.

Isso no mínimo é perigoso, visto que o modelo de Igreja de Atos por exemplo nos mostra pastores
coordenando a Igreja, abrindo eleições para diaconato, ajudando o povo a se organizar para que
haja igualdade e institucionalizando o que não dá pra permanecer informal, senão vira bagunça.

Outra afirmação desse senhor é que os desigrejados "rejeitam a incoerência". Rejeitar a


incoerência sem congregar não seria uma incoerência? Além disso, a colocação foi no mínimo
infeliz em comparar a intensidade de rejeitar incoerência com a mesma intensidade com que
buscam a Deus. Ato falho, no mínimo. Como posso ser intenso sendo brasa fora do braseiro como
diriam os irmãos pentecostais?
Não concordo com tanta informalidade e creio que nem a Bíblia assim o faz. Se fosse diferente, se
Deus desprezasse a autoridade e a instituição, não levantaria apóstolos, mas deixaria a doutrina da
igreja nas mãos de qualquer um que apenas simpatizasse com o evangelho, já que rejeitar a
incoerência significa em outras palavras rejeitar a autoridade não haveria necessidade na formação
do canon por exemplo do quesito apostolicidade, seria necessário apenas o quesito "coerência".
Tem coisa mais incoerente?

O discurso de que não importa se você congrega na "Cristo em casa" ou na igreja formal o
importante é que você tenha uma cabeça boa é muito bonito, mas nada eficaz, visto que, na maioria
das vezes o ser humano é o que o meio faz dele. A comunhão com gente imperfeita que vive
buscando melhorar comunitariamente é essencial para uma fé saudável e o convívio com gente
amargurada que vive a contestar tudo, desde a postura do pastor até a cor da parede da igreja faz
de você um murmurador e não um adorador. Sejamos realistas, andar com gente que acredita no
Evangelho de Cristo é andar com gente que acredita na comunhão, na igreja. Não posso
desacreditar da Igreja, porque Cristo ainda acredita nela.”

Nós que professamos nossa fé em Cristo, e decidimos levar a cruz. Não devemos
jamais perder o foco da fé, e jamais esquecer que quem está em Cristo é uma nova
criatura. Seguir o exemplo de Jesus de servo, buscando sempre estar pronto para
atender as necessidades – sejam espirituais ou físicas – de nossos irmãos, para que a
igreja seja como uma família. Certo que muitos são ingênuos como o filho pródigo, e
decidem vivem entre os porcos. Mas também existem aqueles que não estão
DESVIADOS de Jesus, mas apenas não conseguem mais ter prazer em sua
comunidade. Esses podemos dizer que são os verdadeiros DESIGREJADOS, que não
fazem parte de uma igreja, mas desejam fazer.

Isolar-se para viver o evangelho a seu modo, não é ser DESIGREJADO, mas sim
insubmisso. A insubmissão é uma coisa que jamais deverá existir no coração do
crente, sendo ela manifestada naquele que rebelou contra o próprio Deus. Ninguém é
obrigado fazer parte de uma comunidade que não lhe faça feliz. Mas isso não deve
servir como justificativa, para viver um evangelho isolado.

Em Cristo,
Luciano Vieira