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o fato é que as maiores contribuições que a obra trouxe à cultura nacional foram a de libertar o futuro do País das previsões pessimistas até então realizadas e a de inserir o negro no papel de sujeito — em vez de mero objeto — na formação do povo brasileiro. A IMPORTÂNCIA DE GILBERTO FREYRE PARA A CONSTRUÇÃO DA NAÇÃO BRASILEIRA – PARTE I Roberta Fragoso (http://www. ao aIrmar o caráter positivo da mistura. criativo.br/categoria/recentes/) " 09/12/2009 # 2 A primeira fase de estudos sobre as relações raciais no País Icou decididamente marcada pela genialidade de Gilberto Freyre. a maior parte dos estudos sobre o tema no Brasil se baseava em premissas pseudocientíIcas sobre a inferioridade dos negros. Gilberto Freyre inovou. inovador. a magnitude do trabalho freyriano merece uma reRexão autônoma e pontual. que nadou contra a corrente ao tentar desenvolver a idéia da miscigenação como a nota essencial a distinguir o povo brasileiro. como era lugar comum entre os escritores da época. Em vez de reservar o destino do Brasil ao subdesenvolvimento. vulgar até.org. O ensaio procurou resgatar a auto-estima do povo brasileiro. Desse modo. A obra possui o mérito de procurar redimir os . junto ao índio e ao português. tanto pela adoção de uma linguagem comum. ao analisar a diversidade da formação social como motivo de orgulho e força.org. Antes dessa etapa. É que além de ter se constituído em um livro revolucionário.institutomillenium.org.institutomillenium.org. Revolucionário.br/author/robertafragoso/) ! Artigos (http://www. libertou-nos das amarras que impediam a expectativa de um Brasil melhor.br/categoria/artigos/) e Igualdade Perante a Lei (http://www. tanto por causa do enfoque dado a temas muitas vezes já discutidos no Brasil. a despeito de vários outros autores contemporâneos ou anteriores a Freyre terem desenvolvido estudos sobre as relações raciais no Brasil. os adjetivos são insuIcientes para resumir essa personalidade ímpar.br/categoria/artigos/igualdade-perante-a-lei/) e Mais Recentes (http://www. A importância de Casa-Grande & Senzala não pode ser observada exclusivamente a partir de seu conteúdo. Isto porque.institutomillenium.institutomillenium.

Na ternura. Para se compreender o mérito deste majestoso estudo sobre os trópicos. Para citar apenas alguns exemplos. Nesse sentido. que temos o material em casa. tais foram as palavras de Freyre: “Todo brasileiro. nós. Um dos fundadores da Escola do Recife e conterrâneo de Tobias Barreto. na mímica excessiva. mesmo o alvo. tal nós vamos levianamente deixando morrer os nossos negros da Costa como inúteis. e não mero espectador dos acontecimentos. Retratavam um Brasil miserável. podemos começar a situar o contexto anterior à Casa- Grande a partir da publicação de A poesia popular no Brasil. pela primeira vez. elevando-o à condição de protagonista. ele é antes de tudo um objeto de ciência”. assim se expressou o sergipano: “É uma vergonha para a ciência do Brasil que nada tenhamos consagrado de nossos trabalhos ao estudo das línguas e das religiões africanas. do indígena e do negro. no canto de ninar menino pequeno. na verdade. Os livros anteriores à Casa-Grande & Senzala revelavam uma extrema melancolia. O texto. na música. o negro inferior e o português ignorante não poderia ser diferente do que a criação de um povo mole. no andar. nada havemos produzido neste sentido! É uma desgraça. ou pelo menos a pinta. quando não na alma e no corpo (…) a sombra. ao tempo em que analisa a inRuência das raças na formação da sociedade como algo positivo e peculiar do Brasil. Quando vemos homens. no catolicismo em que se deliciam os nossos sentidos. como Bleek. trazemos quase todos a marca da inRuência negra”. destinado ao subdesenvolvimento e ao fracasso. e iremos deixar a outros o estudo de tantos dialetos africanos. alternou o papel comumente destinado ao negro na literatura de então. na fala. refugiar-se dezenas e dezenas de anos nos centros da África somente para estudar uma língua e coligir uns mitos. subdesenvolvido. em tudo que é expressão sincera de vida. deixando aos ingleses a glória da revelação do sânscrito e dos livros brahmínicos. Bem como os portugueses estanciaram dois séculos na Índia e nada ali descobriram de extraordinário para a ciência. os autores enfadonhamente repetiam o desastre do destino brasileiro e creditavam a derrota especialmente à miscigenação entre as três raças. que temos a África em nossas cozinhas. traz na alma. é preciso observar o contexto que precedeu a publicação. incapaz de superar as adversidades e de construir uma nação vigorosa.brasileiros do complexo de terem nascido no País. como a América em nossas selvas e a Europa em nossos salões. de Sylvio Romero. . Garantiam que o resultado da composição do que acreditavam ser o índio preguiçoso. que se falam em nossas senzalas! O negro não é só uma máquina econômica. é uma apologia à miscigenação e. lento. de cabelo louro.

arremata: “Dos agrupamentos humanos de mediana importância. vida social nula porque não havia sociedade. quando escreveu Craniometria Comparada das Espécies Humanas na Bahia sob o ponto de vista Evolucionista e Médico-legal. de fato. José Bonifácio. era um corpo amorfo. com a obra Os Africanos no Brasil. E ainda há mais. Tudo é imitação. E assim aduziu: “A Colônia. não progride: vive e cresce. não há leitores porque não há livros.Ainda no século XIX. vida monótona e submissa. que se intitulara O Problema da Raça Negra na América Portuguesa. ou arruinado pela exploração apressada. Não se publicam livros porque não há leitores. sem nenhum ou pouco apego ao solo nutridor. a sua música é lúgubre. insurgiu-se contra a consciência de que o País formava um paraíso tropical e de alegria e aIrmou ser o Brasil uma das nações mais atrasadas do continente. (…). facilidade de decorar e loquacidade derramada. ao iniciar-se o século de sua independência. porém. Outros escritos revelaram. ou Inge existir em semiletrados mais nocivos do que a peste. pelo impaludismo e pela síIlis. e sua dança mais ronceira e imóvel que a do negro”. na obra Projetos para o Brasil. . o nosso país é talvez o mais atrasado. ou pela embriaguez. observou os índios como um povo “naturalmente melancólico e apático. cultura agrícola e pastoril limitada e atrasada (…). simulando cultura. publicado originariamente em 1928. com as mulheres reclusas como mouras ou turcas. mantendo-se apenas pelos laços tênues da língua e do culto. Nas páginas Inais do livro. impera: o vício da imitação. Indigência intelectual e artística completa. exausta pela verminose. em atraso secular. desde a estrutura política em que procuramos encerrar e comprimir as mais profundas tendências da nossa natureza social. B. empestada por vícios. Nesse sentido. com uma elite despreparada e ignorante. ainda. como cresce uma criança doente. E Paulo Prado. sem os encantos que a poetizam…”. População sem nome. A cultura intelectual não existe. tocando dois ou três quilômetros quadrados a cada indivíduo. Um vício nacional. a vontade de por critérios aparentemente cientíIcos procurar comprovar a inferioridade da raça negra. J. parte do estudo desenvolvido pelo autor entre 1890 a 1905. reRexo apagado da decadência da mãe-pátria. no lento desenvolvimento de um corpo mal organizado (…). recentemente reeditado. O Brasil. até o falseamento das manifestações espontâneas do nosso gênio criador”. em Retratos do Brasil. em 1895 e ainda o médico legista Nina Rodrigues. estado de que não sai senão por grande efervescência das paixões. de mera vida vegetativa. de Sá Oliveira. país pobre sem o auxílio humano. tumultuária e incompetente de suas riquezas minerais.

E continuou: “Estes. aIrmou: “A Raça Negra no Brasil. não há de obstar esse fato o reconhecimento desta verdade — que até hoje não puderam os Negros se constituir em povos civilizados”. na medida em que sua obra foi reeditada recentemente e seu nome intitula hospital. onde apesar de também haver negros. de mortalidade. costumes. como controlada por parte do Estado. de cada raça. porque enfraquecera o povo brasileiro. tornando-o fraco. carregando usos estranhos. por maiores que tenham sido os seus incontáveis serviços à nossa civilização. modalidades folclóricas de todo o gênero. que havia falecido antes de terminar o livro. o texto é considerado. o estrangeiro. um dos grandes estudos sobre a inRuência dos negros na formação do povo brasileiro. Destacou: “Sob o ponto de vista biológico. mesmo naturalizado. com propensões genéticas à criminalidade e que a participação deste como elemento étnico do Brasil garantiu-nos posição de extrema desvantagem em comparação com outros países. citou ainda o exemplo dos Estados Unidos. por maiores que se revelem os generosos exageros dos seus turiferários. há de constituir sempre um dos fatores da nossa inferioridade como povo”. de cada etnia”. dentre outras instituições. E por Im concluiu: “O que importa ao Brasil determinar é o quanto de inferioridade lhe advém da diIculdade de civilizar-se por parte da população negra (…)”. a obra Os Africanos no Brasil. museu. A despeito do conteúdo preconceituoso e discriminatório do livro. de longevidade de cada indivíduo. o que debilitara o povo. civilizados ou semi-bárbaros (…). Ora. entretanto. até hoje. Surgiu. por mais justiIcadas que sejam as simpatias de que a cercou o revoltante abuso da escravidão. e até uma cidade no Maranhão. instituto médico legal.Em 1932. tradições. Considerou que o negro é uma espécie inferior. formas . em suma. acreditava que a miscigenação com o povo africano fora um grande mal para o Brasil. em 1932. Em outro momento. Acompanhado de grande interesse nacional. E aduziu: “Se conhecemos homens negros ou de cor de indubitável respeito. Homero Pires publicou os manuscritos do médico legista Nina Rodrigues. Não satisfeito. assim. o prestígio do autor pode ser sentido até hoje. é sempre um organismo em crise de adaptação (…). Outro famoso autor da época. ao publicar Raça e Assimilação. nos chegam. Oliveira Vianna. nem sempre o seu organismo tem a plasticidade adaptativa que se reRetem nas variações dos índices de morbidade. Nina Rodrigues difundiu a idéia de que a maior desgraça brasileira havia sido a miscigenação das raças. a miscigenação não somente era desestimulada. Em sua pesquisa.

BR/AUTHOR/ROBERTAFRAGOSO/) Roberta Fragoso é procuradora do Distrito Federal. superpondo-se ou interdifundindo-se. Formada em direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).org. . MBA em direito pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e professora de direito constitucional e administrativo na Escola da Magistratura do Distrito Federal e na Escola do Ministério Público.com/2009/12/importancia-de-gilberto- freyre-para. estão alterando profundamente as camadas tradicionais da nossa sedimentação cultural”. que. mestre em direito do estado pela Universidade de Brasília(UNB). com uma ousadia de percepção que o tornou praticamente um redescobridor do Brasil.blogspot.institutomillenium. tem MBA em direito econômico pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e mestrado em direito e estado pela Universidade de Brasília (UnB).html)) racialismo (http://www.institutomillenium. E é nesse contexto em que se reaIrmava a mediocridade do povo. 2007). a insipiência das instituições e a fraqueza das relações sociais que surgiu Gilberto Freyre.ORG.br/etiqueta/racialismo/) racismo (http://www. É autora do livro "Ações aIrmativas à brasileira: necessidade ou mito?" (Livraria dos Advogados. entrando em conRito entre si ou com a nossa. (Publicado em NoRaceBR (http://noracebr.novas de civilização. substituindo-se.br/etiqueta/racismo/) ROBERTA FRAGOSO (HTTP://WWW.INSTITUTOMILLENIUM.org.

INSTITUTOMILLENIUM.institutomillenium.org. um pequeno gr.ORG.BR/ARTIGOS/CONTRA- DISCRIMINAO/) Esta semana..org.(http://www. (http://www. diz Demétrio Magnoli .br/artigos/maldio-da-linguagem- racial/) 28/03/2014 A MALDIÇÃO DA LINGUAGEM RACIAL (HTTP://WWW.INSTITUTOMILLENIUM.ORG.br/artigos/contra-discriminao/) 03/05/2014 CONTRA A DISCRIMINAÇÃO (HTTP://WWW..institutomillenium.BR/ARTIGOS/MALDIO-DA- LINGUAGEM-RACIAL/) "A 'pedagogia da raça' entranhou-se nas políticas de Estado". enquanto a internet discutia se #somostodosmacacos ou #somostodosbananas.

BR/ARTIGOS/MACACOS- GORILAS-MICOS/) Quando um pagodeiro..institutomillenium.. VEJA MAIS Deixe um comentário .ORG.INSTITUTOMILLENIUM.INSTITUTOMILLENIUM.br/artigos/macacos-gorilas-micos/) 12/05/2012 MACACOS... fantasiados de gorilas e cercados por popo..ORG..org. (HTTP://WWW. GORILAS E MICOS (HTTP://WWW. um jogador de futebol e um funkeiro.BR/DIVULGACAO/EDITORIAIS/RACI CONTAMINA-DE-VEZ-UNIVERSIDADE-PBLICA/) O jornal “O Globo” critica a decisão do Senado da implementação de cotas nas universi. (http://www. RACIALISMO CONTAMINA DE VEZ.

Parabéns. Seu texto foi muito % elucidativo. revelando o modo como % os antigos autores pensavam em relação à miscigenação racial no Brasil. Nome* E-mail* Enviar 2 comments $ VAGNER 0 Alem de linda. 06/05/2014 . Gostei bastante das citações e da forma que foi redigido. Positividade a partir do complexo misciginatorio.pelo autor. redige com maestria. estou lendo Freyre e o seu artigo completou minha leitura acerca dos temas abordados. 28/08/2013 $ NAHUM RODRIGUES 0 Texto de qualidade excelente.

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