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É que além de ter se constituído em um livro revolucionário. tanto pela adoção de uma linguagem comum. Desse modo. o fato é que as maiores contribuições que a obra trouxe à cultura nacional foram a de libertar o futuro do País das previsões pessimistas até então realizadas e a de inserir o negro no papel de sujeito — em vez de mero objeto — na formação do povo brasileiro. os adjetivos são insuIcientes para resumir essa personalidade ímpar.institutomillenium.org. ao analisar a diversidade da formação social como motivo de orgulho e força. ao aIrmar o caráter positivo da mistura.br/author/robertafragoso/) ! Artigos (http://www. Isto porque. Antes dessa etapa.org. a magnitude do trabalho freyriano merece uma reRexão autônoma e pontual. A obra possui o mérito de procurar redimir os . a maior parte dos estudos sobre o tema no Brasil se baseava em premissas pseudocientíIcas sobre a inferioridade dos negros. tanto por causa do enfoque dado a temas muitas vezes já discutidos no Brasil. libertou-nos das amarras que impediam a expectativa de um Brasil melhor.br/categoria/artigos/) e Igualdade Perante a Lei (http://www. Gilberto Freyre inovou. A importância de Casa-Grande & Senzala não pode ser observada exclusivamente a partir de seu conteúdo. Revolucionário.br/categoria/artigos/igualdade-perante-a-lei/) e Mais Recentes (http://www. inovador.institutomillenium. a despeito de vários outros autores contemporâneos ou anteriores a Freyre terem desenvolvido estudos sobre as relações raciais no Brasil.institutomillenium. que nadou contra a corrente ao tentar desenvolver a idéia da miscigenação como a nota essencial a distinguir o povo brasileiro. O ensaio procurou resgatar a auto-estima do povo brasileiro. A IMPORTÂNCIA DE GILBERTO FREYRE PARA A CONSTRUÇÃO DA NAÇÃO BRASILEIRA – PARTE I Roberta Fragoso (http://www. criativo. como era lugar comum entre os escritores da época. Em vez de reservar o destino do Brasil ao subdesenvolvimento. vulgar até.org.institutomillenium. junto ao índio e ao português.org.br/categoria/recentes/) " 09/12/2009 # 2 A primeira fase de estudos sobre as relações raciais no País Icou decididamente marcada pela genialidade de Gilberto Freyre.

nada havemos produzido neste sentido! É uma desgraça. elevando-o à condição de protagonista. lento. os autores enfadonhamente repetiam o desastre do destino brasileiro e creditavam a derrota especialmente à miscigenação entre as três raças. O texto. Para citar apenas alguns exemplos. de Sylvio Romero. é uma apologia à miscigenação e. do indígena e do negro. na música. podemos começar a situar o contexto anterior à Casa- Grande a partir da publicação de A poesia popular no Brasil. pela primeira vez. Um dos fundadores da Escola do Recife e conterrâneo de Tobias Barreto. é preciso observar o contexto que precedeu a publicação. que temos o material em casa. no canto de ninar menino pequeno. tais foram as palavras de Freyre: “Todo brasileiro. de cabelo louro. no catolicismo em que se deliciam os nossos sentidos. alternou o papel comumente destinado ao negro na literatura de então. ou pelo menos a pinta. nós. Na ternura. Quando vemos homens.brasileiros do complexo de terem nascido no País. Para se compreender o mérito deste majestoso estudo sobre os trópicos. ao tempo em que analisa a inRuência das raças na formação da sociedade como algo positivo e peculiar do Brasil. Garantiam que o resultado da composição do que acreditavam ser o índio preguiçoso. tal nós vamos levianamente deixando morrer os nossos negros da Costa como inúteis. assim se expressou o sergipano: “É uma vergonha para a ciência do Brasil que nada tenhamos consagrado de nossos trabalhos ao estudo das línguas e das religiões africanas. no andar. na mímica excessiva. traz na alma. . ele é antes de tudo um objeto de ciência”. mesmo o alvo. deixando aos ingleses a glória da revelação do sânscrito e dos livros brahmínicos. incapaz de superar as adversidades e de construir uma nação vigorosa. Retratavam um Brasil miserável. e não mero espectador dos acontecimentos. subdesenvolvido. refugiar-se dezenas e dezenas de anos nos centros da África somente para estudar uma língua e coligir uns mitos. que se falam em nossas senzalas! O negro não é só uma máquina econômica. na verdade. quando não na alma e no corpo (…) a sombra. como a América em nossas selvas e a Europa em nossos salões. em tudo que é expressão sincera de vida. e iremos deixar a outros o estudo de tantos dialetos africanos. como Bleek. o negro inferior e o português ignorante não poderia ser diferente do que a criação de um povo mole. trazemos quase todos a marca da inRuência negra”. destinado ao subdesenvolvimento e ao fracasso. que temos a África em nossas cozinhas. na fala. Bem como os portugueses estanciaram dois séculos na Índia e nada ali descobriram de extraordinário para a ciência. Nesse sentido. Os livros anteriores à Casa-Grande & Senzala revelavam uma extrema melancolia.

ou pela embriaguez. país pobre sem o auxílio humano. vida monótona e submissa. de Sá Oliveira. ao iniciar-se o século de sua independência. arremata: “Dos agrupamentos humanos de mediana importância. era um corpo amorfo. em atraso secular. José Bonifácio. em Retratos do Brasil. com a obra Os Africanos no Brasil. em 1895 e ainda o médico legista Nina Rodrigues. a sua música é lúgubre. Não se publicam livros porque não há leitores. facilidade de decorar e loquacidade derramada. Um vício nacional. E assim aduziu: “A Colônia. Outros escritos revelaram. exausta pela verminose. ou arruinado pela exploração apressada. Nesse sentido. simulando cultura. porém. insurgiu-se contra a consciência de que o País formava um paraíso tropical e de alegria e aIrmou ser o Brasil uma das nações mais atrasadas do continente. Indigência intelectual e artística completa. com uma elite despreparada e ignorante.Ainda no século XIX. de mera vida vegetativa. recentemente reeditado. tocando dois ou três quilômetros quadrados a cada indivíduo. E Paulo Prado. na obra Projetos para o Brasil. publicado originariamente em 1928. mantendo-se apenas pelos laços tênues da língua e do culto. de fato. parte do estudo desenvolvido pelo autor entre 1890 a 1905. como cresce uma criança doente. ou Inge existir em semiletrados mais nocivos do que a peste. O Brasil. a vontade de por critérios aparentemente cientíIcos procurar comprovar a inferioridade da raça negra. sem nenhum ou pouco apego ao solo nutridor. não progride: vive e cresce. com as mulheres reclusas como mouras ou turcas. não há leitores porque não há livros. no lento desenvolvimento de um corpo mal organizado (…). tumultuária e incompetente de suas riquezas minerais. (…). . vida social nula porque não havia sociedade. reRexo apagado da decadência da mãe-pátria. estado de que não sai senão por grande efervescência das paixões. População sem nome. B. J. ainda. Tudo é imitação. impera: o vício da imitação. cultura agrícola e pastoril limitada e atrasada (…). pelo impaludismo e pela síIlis. Nas páginas Inais do livro. até o falseamento das manifestações espontâneas do nosso gênio criador”. desde a estrutura política em que procuramos encerrar e comprimir as mais profundas tendências da nossa natureza social. observou os índios como um povo “naturalmente melancólico e apático. empestada por vícios. e sua dança mais ronceira e imóvel que a do negro”. quando escreveu Craniometria Comparada das Espécies Humanas na Bahia sob o ponto de vista Evolucionista e Médico-legal. sem os encantos que a poetizam…”. o nosso país é talvez o mais atrasado. E ainda há mais. A cultura intelectual não existe. que se intitulara O Problema da Raça Negra na América Portuguesa.

tradições. o prestígio do autor pode ser sentido até hoje. é sempre um organismo em crise de adaptação (…). não há de obstar esse fato o reconhecimento desta verdade — que até hoje não puderam os Negros se constituir em povos civilizados”. em suma. Ora. ao publicar Raça e Assimilação. o estrangeiro. de longevidade de cada indivíduo. modalidades folclóricas de todo o gênero. por maiores que tenham sido os seus incontáveis serviços à nossa civilização. instituto médico legal. Oliveira Vianna. tornando-o fraco. E aduziu: “Se conhecemos homens negros ou de cor de indubitável respeito. a miscigenação não somente era desestimulada. por mais justiIcadas que sejam as simpatias de que a cercou o revoltante abuso da escravidão. a obra Os Africanos no Brasil. com propensões genéticas à criminalidade e que a participação deste como elemento étnico do Brasil garantiu-nos posição de extrema desvantagem em comparação com outros países. que havia falecido antes de terminar o livro. há de constituir sempre um dos fatores da nossa inferioridade como povo”. Nina Rodrigues difundiu a idéia de que a maior desgraça brasileira havia sido a miscigenação das raças.Em 1932. o texto é considerado. entretanto. Destacou: “Sob o ponto de vista biológico. o que debilitara o povo. de mortalidade. acreditava que a miscigenação com o povo africano fora um grande mal para o Brasil. Homero Pires publicou os manuscritos do médico legista Nina Rodrigues. carregando usos estranhos. costumes. um dos grandes estudos sobre a inRuência dos negros na formação do povo brasileiro. e até uma cidade no Maranhão. Em sua pesquisa. A despeito do conteúdo preconceituoso e discriminatório do livro. dentre outras instituições. Não satisfeito. até hoje. E continuou: “Estes. nos chegam. aIrmou: “A Raça Negra no Brasil. E por Im concluiu: “O que importa ao Brasil determinar é o quanto de inferioridade lhe advém da diIculdade de civilizar-se por parte da população negra (…)”. onde apesar de também haver negros. assim. museu. por maiores que se revelem os generosos exageros dos seus turiferários. como controlada por parte do Estado. citou ainda o exemplo dos Estados Unidos. Outro famoso autor da época. formas . Considerou que o negro é uma espécie inferior. nem sempre o seu organismo tem a plasticidade adaptativa que se reRetem nas variações dos índices de morbidade. Acompanhado de grande interesse nacional. porque enfraquecera o povo brasileiro. em 1932. na medida em que sua obra foi reeditada recentemente e seu nome intitula hospital. Em outro momento. de cada raça. Surgiu. civilizados ou semi-bárbaros (…). de cada etnia”. mesmo naturalizado.

BR/AUTHOR/ROBERTAFRAGOSO/) Roberta Fragoso é procuradora do Distrito Federal. E é nesse contexto em que se reaIrmava a mediocridade do povo.br/etiqueta/racialismo/) racismo (http://www.org. 2007). entrando em conRito entre si ou com a nossa.institutomillenium.institutomillenium. superpondo-se ou interdifundindo-se. substituindo-se.com/2009/12/importancia-de-gilberto- freyre-para.org.br/etiqueta/racismo/) ROBERTA FRAGOSO (HTTP://WWW. MBA em direito pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e professora de direito constitucional e administrativo na Escola da Magistratura do Distrito Federal e na Escola do Ministério Público.ORG.html)) racialismo (http://www. a insipiência das instituições e a fraqueza das relações sociais que surgiu Gilberto Freyre. com uma ousadia de percepção que o tornou praticamente um redescobridor do Brasil. que. mestre em direito do estado pela Universidade de Brasília(UNB). tem MBA em direito econômico pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e mestrado em direito e estado pela Universidade de Brasília (UnB). estão alterando profundamente as camadas tradicionais da nossa sedimentação cultural”. Formada em direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). (Publicado em NoRaceBR (http://noracebr.blogspot. .novas de civilização.INSTITUTOMILLENIUM. É autora do livro "Ações aIrmativas à brasileira: necessidade ou mito?" (Livraria dos Advogados.

diz Demétrio Magnoli .org.INSTITUTOMILLENIUM. enquanto a internet discutia se #somostodosmacacos ou #somostodosbananas.institutomillenium.br/artigos/maldio-da-linguagem- racial/) 28/03/2014 A MALDIÇÃO DA LINGUAGEM RACIAL (HTTP://WWW.ORG.BR/ARTIGOS/MALDIO-DA- LINGUAGEM-RACIAL/) "A 'pedagogia da raça' entranhou-se nas políticas de Estado".institutomillenium..(http://www.org.BR/ARTIGOS/CONTRA- DISCRIMINAO/) Esta semana.. um pequeno gr.ORG. (http://www.INSTITUTOMILLENIUM.br/artigos/contra-discriminao/) 03/05/2014 CONTRA A DISCRIMINAÇÃO (HTTP://WWW.

br/artigos/macacos-gorilas-micos/) 12/05/2012 MACACOS. (HTTP://WWW...BR/ARTIGOS/MACACOS- GORILAS-MICOS/) Quando um pagodeiro. RACIALISMO CONTAMINA DE VEZ. VEJA MAIS Deixe um comentário . GORILAS E MICOS (HTTP://WWW..ORG. um jogador de futebol e um funkeiro..INSTITUTOMILLENIUM. (http://www.INSTITUTOMILLENIUM..institutomillenium.org.BR/DIVULGACAO/EDITORIAIS/RACI CONTAMINA-DE-VEZ-UNIVERSIDADE-PBLICA/) O jornal “O Globo” critica a decisão do Senado da implementação de cotas nas universi..ORG. fantasiados de gorilas e cercados por popo.

revelando o modo como % os antigos autores pensavam em relação à miscigenação racial no Brasil. 06/05/2014 . 28/08/2013 $ NAHUM RODRIGUES 0 Texto de qualidade excelente. estou lendo Freyre e o seu artigo completou minha leitura acerca dos temas abordados. Parabéns.pelo autor. Positividade a partir do complexo misciginatorio. Nome* E-mail* Enviar 2 comments $ VAGNER 0 Alem de linda. Gostei bastante das citações e da forma que foi redigido. Seu texto foi muito % elucidativo. redige com maestria.