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BRUNA.

FRANCHETTOzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCB

FALARzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAKUlIKIlllROzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Estudo EtnolingUistico

VOL.

IIl:

de um grupo

FONOLOGIA

karíbe

E TEXTOS

do Alto

Xingu

Tese de Doutorado

apresentada

ao

Programa de Põs-Graduação

em

Antropologia

Social

do Museu

Na-

cional da Universidade Rio de Janeiro

MUSEU NACIONAL

- 1986

Federa] do

SUMARIOzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

INTRODUÇ]l;O

I - Foneti ca

.zyxwvutsrqponmlkjihgfedc

II

- Padrão

S'i

l

àb

ic c

2

111

- Acento

,

3

IV

- Fonologia

 

4zyxwvutsrqponmlkjihg

V

- Observações

 

,

7

VI

- Fen5menos

da fala

lenta

e da fala

rãpida

0'0.

10

VII

- Processos

morfofonêmicos

"

1 O

TEXTOS

I

- KahGra

ensina

sobre

o cicl

1 4

11 - O Começo

do Pequ i

 

o

e

••

20

111

- O Começo

das Jamurikumãlu

0

•••••••••••

63

IV

-

O nosso

Começo

o

o

95

V

-

Estória

feia

0 •••••••••••••••••••••••••••••••• zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA111

VI

-

Discursos

do KwarGp

 

1 25

VII

-

Conversa

do dono

de caralba

"0

••••••••

140

V I I I - Con vers a do chefe

 

,.

149

INTRODUCÃOzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

ozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAobjetivo

desta introdução

aos textos Kuik~ro

tar uma descrição

dos sistemas fon~tico

e fono15gico

~ aprese~

da

lTngua

com

a finalidade

de estabelecer

uma escrita.

I.

Fon e t zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLi ca

são os seguintes

1. Voc5ides

os sons do Kuik~ro:

 

[iJ

Anterior alto fechado nao arredondado

[yJ

Glide anterior alto fechado não arredondado

[eJ

Anterior media fechado não arredondado

[sJ

Anterior medio aberto não arredondado

[aJ

Central baixo aberto não arredondado

A

["J

Central baixo fechado nao arredondado

[oJ

Central medio fechado nao arredondado

[dJ

Glide central medio fechado nao arredondado

n

[oJ

Posterior media fechado arredondado

[oJ n

Glide posterior media fechado arredondado

[)J

Posterior medio aberto arredondado

[uJ

Posterior alto fechado arredondado

[wJ

Glide posterior alto fechado arredondado

2zyxwvutsrqp

2. Contõides

[pJ

Oclusivo

bilabial

surdo

[bJ

Oclusivo

bilabial

sonoro

[tJ

Oclusivo

alveolar

surdo

[dJ

Oclusivo

alveolar

sonoro

[kJ

Oclusivo

velar surdo

[gJ

Oclusivo

velar sonoro

[kwJ

Oclusivo

velar surdo labializado

[dYJ

Oclusivo

alveolar

sonoro palatalizado

[sJ

Fricativo

alveolar

surdo concavo

[tsJ

Africado

alveolar

surdo

[dzJ

Africado

alveolar

sonoro

[hJ

Fr;cativo

glotal surdo

[~J

Fr;cat;vo

bilabial

surdo

[lJ

Lateral alveolar

sonoro

 

[rJ

Vibrante

uvular simples

(flap uvular)

[mJ

Nasal bilabial

sonoro

[nJ

Nasal alveolar

sonoro

[nJ

Nasal palatal

sonoro

[nJ

Nasal velar

sonoro

11. Padrão sil~bico

Os padrões s;lãb;cos

sao os seguintes:

dem ser formalizados

em (C)V(C).

Ex.:

i. 1 um. pe V.CVC.CV

"cinzas"

an.ke

"maraca"

VC.CV

V, CV, VC, CVC.

Po

3zyxwvutsrqp

r rr .zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAAcento

 

o acento

nao ~fon~mico:

ocorre

na grande

maioria

dos ca

sos na penGltimasllaba

da raiz.

O acr~scimo

de um sufico

acar-

reta

a mudança

do acento da penGltimasllaba

da raiz

para

a Gl-

tima;

o acr~scimo

de dois

sufixos

determina

o deslocamento

do

acento para a penGltimasllaba

da palavra.

Ex " [ItatA

a]

[Ata'tai]

"b on i t o" II~ bonitoll

[Ata'tahana]

IInão bonito ll

 

[t~lpara]

IIp~1I [kutA.lpara]

IInos50 (dual

1ncl.)

p é

"

Poucos morfemas

[k u t-vp a Ir a k o]

11nos s o (c 01 .) pe 11

.

constituem

exceçao

a regra

do acento.

lIestõria ll

[/\

I na]

"m

i

l

Al~m disso

o acento

para

a Gltima

sllaba

 

pelo modificado:

h o "

tem uma função

da palavra

loca

dor seguido

quando

sintitica~

esta

pois

~ um modifica

se des

-

IIjacare ll

[t.l\'hitse]

t-sh t It se

[

lIarara ll

i In i 1 a

u I~ E k e ]

11e u v i uma

a r a r a 11

guns

Ex.:

A posição

raros

casos,

do acento

negaçao,

na Gltimasl1aba

locativo

indica tambem,

ou vocativo:

[tilpaki]

 

IIsemprell

t

i pAI k;]

IInão sempre ll

em a1-

4zyxwvutsrqp

Hminha casa ll

"na minha

casa"

(nome própria)

 

(vocativo)

 

Embora

o acento

nao tenha

função

distintiva

a nlvel

fono

l~gico,

o marcarei

na transcrição

para facilitar

a leitura

de

dados

e textos.

IV. Fonologia

 
 

A estruturação

dos sons

Kuik~ro

em fonemas,

com seus

alo

-

fones, e a seguinte:zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

lil

[Y]

Ocorre

apos

o núcleo

silabico

[ i]

Ocorre

em toda s as posições

de niiclzyxwvutsrqponmlkjihgeo s i l àb i c o

Ex. :. [nA01pEY]

"dançarina"

 

[i "m at

e l

IIrosto dele"

 

[kl\lrite]

"Tt nh a de costura ll

 

lei

[s]

Ocorre

em posição

de núcleo

de sllaba

tônica

[e]

Ocorre

em posição

de núcleo

de silaba

atona

Ex. : [Iste]

lIaldeia ll

 

[ulsna]

IIminha propriedade ll

 
 

[e'kiseJ

"aquele"

(pessoa)

lal

[a]

Ocorre

em posição

de núcleo

de silaba

tônica

[AJ

Ocorre

em posição

de núcleo

de s1laba

átona.

Ex.

:

[i IdYal i]

lIanta ll

 

[tt\lhinAJ

IIjacare"

5zyxwvutsrqpo

lalzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA[a] Ocorre em todas as posições

de n~cleo

[a]

n

Ocorre

ap5s

o n~cleo

silibico

 

IIpai dele ll

[ka1naA]

IIrei congo"

silibico

101zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

[J]

Ocorre

em posição

de niic l eo de silaba

tônica

[o]

[o]

n

Ocorre

em posição

de n~cleo

de silaba

ãtona

Ocorre apos o nucleo silãbicozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONML

IIdono ll

"p o n t a de f l ec h a "

[u1limo]

IImeus filhosll

[i1tao]

IImulher ll

n

lul

[w]

Ocorre

apõs

o nucleo

silibico

[u]

Ocorre

em posição

de nucleo

silãbico

Ex.:

[I

h sw]

IIporco do mato ll

[i

"t sun

í

)

[uA1riti]

 

IImatrichã ll

/p/

[b]

Ocorre apos consoante

nasal homorgânica

 

[p]

Ocorre

nas outras posições.

exceto

na inicial

de pala-

 

vra

Ex.: [i1lumbe]

[i1puru]

IIcinzas ll

IIpelo dele ll

/t/

[d]

Ocorre apõs consoante

nasal homorgânica

[t]

Ocorre

nas outras posições

Ex • : [Iande]

"hoje/aqui ll

6zyxwvutsrqpon

11zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBApajéll

lIoutro llzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Ikl

[gJ

Ocorre a~~s consoante

nasal homorg~nica

[kJ

Ocorre

nas outras

posições

Ex. : [langeJ

IImaracall

['k::mtoJ

IIsucuriu

[uikulA'paraJ

IIminha coxa ll

Ikwl

[kwJ

Ex. : ['kwiriJ

IImandioca ll

[1\'kwalaJ

IIcaroçoll

IdYI

[dYJ

Ex. : [dYA'heJ [A'dYuaJ

Isl

[sJ

Ex. : [i'sikeJ

"v

e nha

a qu i !"

IImorcegoll

"saíiv

a "

Itsl

[dzJ

Ocorre apos consoante

nasal homorg~nica

[ts]

Ocorre

nas demais

posições

Ex.: [ui'nandzu] [i'tsuni]

IImato llzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Ih/

[flJ

Ocorre

-

apos prefixos

terminados

em u. Nos demais

ambien

 

tes varia livremente

com

[hJ

 

[h]

livre

com

[fl].

exceto

depois

de pre-

 

Ocorre em variação fixos terminados

por u.

 

7zyxwvutsrqp

/lIzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA[1 ]

Ex. [ti'lako]

Irl

.

Ex. ;

Iml

[r]

.

['riti]

[m]

Ex. : [m.,,'sope j

"três"zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

11

s

o

1 11

"reclusa"

 

[k",'mundu]

"nuvem"

Inl

[n]

Ex. : ['nene]

"bicho

de terra"

 

['naro]

"eles ll

Inl

[n]

Ex. : [i "r t iiu]

"canto"

[",,'na]

"morto"

Inl

[n]

Ex.:

[ui 'nuru]

"meu olho"

['nuneJ

"lua"

V. Observações

1. O som [~] apresenta

uma articulacão

e uma qualidade

acGsti

ca peculiares.

sente em outrasllnguas

creve

Não existe

em Kuik~ro

a vibrante

alveolar

[r] pre-

trans

Nahuquâ

Karíbe.

Von den Sleinen

(1940: 662)0

do

com o slmbolo

~ , considerando-o

caracterlstica

(Ka r í b e a 1 to -x in9 ua no) e d e f in in d o -o como" Som de d i f Te i1 P ronu n -

8zyxwvutsrqp

fzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAQ rm a n dos em p re uma -s 11 a b a, e e qui v a 1e n te a

c ia, e n t r e Rl e r i, um r se 9 u id o duma

v o 9 a 1 r e d u z i da ". O a u t or s e r e f e r e c om

is s o

exclusivamente

ao sufixD

de posse

[-raJ

ou [-ruJo

A an~lise

es-

pectrogr~fica

de uma amostra

da 11ngua

(Martins~

1978)

revelou

caracter1sticas

uma fricativa

ora de uma fricativa

velar sonora,

velar surda,

[XJ,

ora de uma oclusiva

[y],

ora

de

velar sono-

ra, [gJ.

Confiando

na minha

pr5pria

percepção,

defino esse

som

como

flap

uvular

(Pike,

1943),

com uma articulação

vozeada

e li

geiramente

mais recuada

com relação

ao ponto

velar,

realizada

por umunico

e rãpidomovimento

de

o.c.l us à.o

completa.

 

2.

A f a 1 a K a r íb e a 1to -x ing u a n a e ta m b ê m c a ra c te r iz a da

p o r

uma articulação tes oclusivas

tensa,

[pJ,

[tJ,

do ponto

de vista perceptivo,

[kJ,

das nasais

[mJ e [n],

das consoa~ da lateral

[1J. Tal articulação

mais forte,

que lembra

a das consoantes

du

plas

em italiano,

e mais

evident~

nas sTlabas t6nicas.Nestas

se

nota, tambem

uma tendência

ao alongamento

vocãlico.

3. A nasal idade

das vogais

nao tem valor

distintivo.

Trata-

se de uma qualidade

difusa

da voz, determinada,

inclusive,

por

fatores

sociais

como idade

Assim,

a

dos adultos,

e registros seja homens

mais formais. como mulheres,

aprese~

fala "elegante" ta uma nasal idade

quase

afetada.

4. A sonorização

das oclusivaszyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAjpj, jtj, jkj e da africada

jt~! depois

de nasal

ê mais

uma tend~ncia

do que uma realização

obrigatória:

Ex.:

[Ian~e]

- [I ange]

"maraca"

[i 'lumpeJ

- [i 'lumbeJ

"cinzas"

['anteJ

- ['andeJ

"aqui/hoje"

9zyxwvutsrqp

[uizyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA"na n t s u l - [ui 'nandzu]

"minha irmã"

5~ Derbyshire

das nasais

)1961) descreve

sonoras

e

/fi/.

para o Hixkaryina

[b],

[d],

e para

sendo

o Wai

alo-

wai (Kar{be)

fones

sonoras tro com as nasais; rando, todavia, meiro corresponde

as oclusivas

/m/,

[d Y ] como

/n/,

Em KuikITro temos

as oclusivas no encon-

Compa-

do

pri-

como sendo alofones

das surdas correspondentes

se tornou

fonema

muitas

vezes

o som [d Y ]

separado. o [d Y ]

Kuik~ro e Kalap~lo,

ao [n] do segundo.

Ex.:

Ku í kiir-o

Kalapalo

dYa'he

'nahe

aqui! 11

"v e nh a aqui! 11

"venha

6. Em posição

inicial de palavra

hã a neutral ização

entre /p/

ezyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA/h/, ocorrendo

nesta posição

a fricativa

bilabial

~. Comparan-

do os sistemas

shire

fonol~gicos

Hixkaryâna,

Kaxuyâna *p do qual

(1961) admite

um protofonema

e Waiwai,

derivariam

Derby-

/p/,/fl

e

/h/. A protoforma

*pana corresponde

em Ku ik iiro /hana/,

"ouvi-

do

z o r-e

lha ", Nota-se,

porem,

que ap ó s o prefixo

dual inclusivo

ku-, reaparece vidos".

a forma original:

k u-p a t na ra

"nossos

(incl.)

ou-

7.

Os fatores

que determinam

a produção

da fricativa

bilabial

[~] no lugar

da fricativa

glotal

[h],

são tanto

puramente

indivi

duais, como significativos

Segundo

e Nahuqua.

do ponto de vista socio-lingUTstico.

e utilizada

por falantes

outra determinante

os Kuikijro, a primeira

Kalapalo

Foi tambem mencionada

de natureza

social e diacrânica:

cem usar

enquanto

mais

(ou ter usado)

os velhos

o primeiro

(ou os "antigos") som, os jovens

pare-

usariam de

 
 

prefer~ncia

o segundo, acompanhado

de uma nasal idade

marcada

das

10zyxwvutsrqpo

vogais circunstantes.

Ex.: ['I3:)l3oJ.

['h5hõJ

(partlcula

enfitica)

VI. Fen6menos

da fala

lenta

e da fala

ripida

Na fala ri~ida,

com cert~s

sufixos,

sâo eliminadasslla-

bas inteiras,

dando origem

às chamadas

formas "compridas"

e for

mas "curtas".zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Ex

:

u t e

l

t a r

a

11eha

(fala lenta)

 

"eu estou

indo embora"

 

u1teta

 

11eha

(fala ripida)

Outra caracterlstica

da fala

ripida

~ a contração

de mor

femas

que na fala

lenta

aparecem

Ex. : lunte

'taka

a1narô

unteka'narô

Na fala ripida

se observa

com suas fronteiras

distintas.

(fala lenta)

(fala rãpida)

11 aon d e mesmo

f"?"

lCQU.

um tipo

de harmonia

vocilica em

que uma "copia"

da vogal

da primeira

sllaba

CV de certas

pala-

vras preenche

o silêncio

antes da consoante

inicial.

Fala 1enta

Fala ripida

Ex. : 1S i1 u

i 'silu

"tempestade ll

Itoto

u1toto

"homem"

'kure

u'kure

"gente"

Imaro

a1maro

IIvocês ll

VII. Processos

morfofonêmicos

1. Os prefixos

de 2~ pessoa

singular,

e-, e de 3~ reflexiva,

1 1zyxwvutsrqp

ta-,

e o sufixo

de posse

-ra apresentam

alomorfia

determinada

por um processo

de harmonização

vocilica.

Assim

tem:

a) 2ª pessoa

singular

e-

a-

a- ocorre

COm as ralzes

com

a

e

o na primeirasllaba;

e- ocorre

com as vogais

i, u,

a,

e na pri

meira sTlaba.

Em poucos

quando asllaba

imediata

Ex. : ta'haku

lIarco ll

man i

-tehu-

-so-

-no

'tolo

IIneto ll

casos tem-se

a ele

a ocorr~ncia

do prefixo

0-

tem a vogal

a-taha'ku-ru

a-lom'pi-ra

e-'hi-ra

e-hu'ti-sa

e-m~ln;-sa

e-te'hu-ru

0-

"s o-r

'o-no

u

o-to'lo-ru

o.

lI arco de VOC~II

lIunha de VOC~II

de VOC~II

I'neto

IIperna de você llzyxwvutsrqponmlkjihg

lIurucum de você ll

IIbarriga de VOC~II

IItio de VOC~II

lIesposo de você ll

lIanimal de estimação

dezyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQP

VOC~II

-'lompi- lIunha do pe ll

_'hi_

-huti- IIpernall

lIurucum ll

IIbarriga ll

IItio materno ll

lI'esposoll

lIanimal de

estimação ll

b) pessoa

a, a, i, e na primeira

primeira

reflexiva

sTlaba.

Ex. : ta-taha'ku-ru

ta -ma IT] i- sa

ta-'hi-r~

ta-te' hu-ru

tu-hu'ti-sa

tu-to' lo-ru

ta- - tu-;

sTlaba;

-ta ocorre

com as raTzes

com

tu- ocorre com aszyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMvogais

u,

o

na

IIseu próprio

IIseu próprio

IIseu

proprio

"sua própria

11 sua pr iipr i a perna ll

arcoll

urucum ll

neto ll

barriga ll

-

"seu próprio

animal de estimação ll

c) Sufixo

de posse

-ra - -ru;

-ra ocorre

com as ralzes

com a, a,

i,

e na liltima

.s Tl aba;

-ru ocorre

com

as voga i s u , o na ii l tima

si

1 2zyxwvutsrqpon

laba.

Ex.:

II pe ixe ll

Upell

"k aria

u-ka1na-ra

u-ta1pã-ra

- ta p a-

-lompi- lIunha do pe ll u-lom1pi-ra

i I ta te

IIfio de buritTII u-ita1te-ra

-inu- 1I01holl

tato1hono

IJcesta ll

u-i "nu= ru

u-tatoho1no-ru

IImeu peixe ll

IImeu pe llzyxwvutsrqpon

IIminha unha ll

IImeu fio

de buritl ll

IImeu olho"

IIminha cesta ll

2. Apõs

os prefixos

de 3ª pessoa,

i-, e de 1ª pessoa

plural

ex-

clusiva,

ti-,

as consoantes

1 e s sofrem

um processo

de palatall

zação,

realizando-se

como

d Y ;

a consoante

r realiza-se

como

s

e

as oclusivas

t e k como

africada

alveolar

ts.

Ex. : -leku-

IIcocar ll

 

i-dYe1ku-ru

IIcocar dele ll

 

-so-

IItio materno ll

i-1dYo-ru

IItio dele ll

 

-rimi-

IIcocar ll

 

i-si Imi-tsa

IIcocar dele ll

 

ta1haku

lIarco ll

i-tsaha1ku-ru

lIarco dele ll

 

Ikana

IIpeixe ll

i-tsa1na-ra

II pe ixe dele ll

 

.

3. Apõs

o prefixo

intransitivizador

n-,

as consoantes

oclusivas

e

africadas

se sonorizam

e n se assimila

ao ponto

de articulação

da

consoante

seguinte.

Ex.:

ahehi

11escrever"

(transitivo)

eki "s e

n-ahehi-1para

lIele escreveu ll

(intransitivo

subordi

 

nado)

 

ta

1I0uvirjentender ll

(trans.)

k L' se n-da-1parõzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

e

konki

e k i t s e heke

ekilse

IIl avar ll (trans.)

"e l e

i-tsonki-1tara

n-dzonki-1para

lIele esta

o

l avou"

lIele escr@.l.'el:J lI (intrans.

OVVIU

sub.)

'l av a n do-co " (t r an s • )

(intrans.

sub

• )

1 3zyxwvutsrqp

Quando

a raiz

para evidenciar

se inicia

com h, ocorre

do fenema

que serve

te de um prato

a origem

*p.

um alomorfe

b,

o

/h/ como provenie~

Ex.: humi

ek t

t

s e

"enviar/mandar"

m-bum t

t pe r a

"

e 1 e

(trans.)zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQP

e n v

i o U 11

(

i n t ra n s •

s u b

)

A raiz

ha, "fazer",

a consoante

h se realiza

E x .:

e k i

I S e

I] -

9 a - t

a I h ar

a

ê exceçao

a esta

como

9 e não COmo

ultima

b ap5s

regra,

o prefixo

" e 1 e fez II (i n t r an s. su b .)

pois

n-.

Os fonemas tantes do Apêndice

p

P

t

t

k

k

k W

kw

d Y

j

s

s

Kuikuro

no corpo

serao reescritos

ts

c

h

h

-r

r

m

m

desta

tese e nos textos

cons-

com os seguintes

grafemas:

n

n

n

-

n

n

9

1

e

a

o

u

a

 

-

 

e

a

o

u

a

14zyxwvut

KAHURÁH'2KE

U-TGUlJE-P}[RÂzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONcIcl TE-LÃ-KI(l)zyxwvutsrqponmlkjihgfedc

ir-PONT-INSTzyxwvutsrqponmlkjihgf

K.zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAERG

l-ensinar-PERF

cici. te-lâ-i.go nampaa atái.•

1

ir-PONT-FUT escuridão TEMPzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWV

e-r~~{go

gikaho-pégine.•

vir-PONT-FUT mato/atrãs/da/casa/-ABL

J

tuhúru apaki-lâ-kó-igo léha kakâho.•

muitos/juntos aparecer-PONT-PL-FUT

tiuhiim: apaki-lâ-kõ-igo.,t.uhiaru;

(ki-cé-ni-ha Repâjâ J.

falar- U1P-INTER-ENF

5

ilago-pégine a lá

lã-ABL

peixe/cozido

igí:-nâ-mi.goi-heké-ni.•

trazer-PONT-FUT 3-ERG-PL

ari-lâ-i.go léha.•

jogar-PONT-FUT

inálâ-ma t-ege-lâ-i i-heké-ni.

NEG

O-comer-PONT-COP

itó uri-jâ-igo léha i-heké-ni.

fogo soprar-PONT-FUT

igi-m~--ko te-Zâ-igo itó

itâmpâ káega.

ver-NOM-PL

fogo perto

AL

J(2)

tikinâ e-cóho

egâ-i ótomo i-cara

cici-tóte.•

convidado vir-NOMFIN

INDF-COP pessoal ficar-CONT cicí-TEMP

10

(1) . Gravado em 23.11.81.

(2)Termo que se refere aos ótomo (grupos/aldeias) convidados

c er rmon i.ar

.

1

mente a participar de "fest-';;;"i.nt.c rtr i

Como transparece do discurso de Kahúra, os "estrangeiros" quase que si

ba i.s

,

11lU

1

am um ataque

d

e

surp

r e s a ,

".

.

t.n un

t.go . s

f

e i

t i

ce i.r os

-

·

'1

e s p i r i

t cs

que

se escondem na mata na escurid~o da noite.

1 5zyx

, zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONML

Zéha.,zyxwvutsrqponmlkjihgfe

isi-nân-ko

vir-PONT-PL

,

tikiiíâ i-iíârâ., inâZâ uhu-nmni.,

ficar-PONT NEG saber-PONT

toginti-ha.,

escondido-ENF

iré-huja., iZá.,iZá.,iZá.,tUhÚl~ tita-Zâpégine

anuZú cin-jã-igo

DElT-meio

koci ekúru.

porta. amarrar-PONT-FUT forte mesmo

1ã-ABL

isi-nâg-kó-igo.,

vir-PONT-PL-FUT

tâ-het-aZé-ni

kakâho.

15

ATR-grito-TEMP-PL correndo

 

-

âZé akarake-nfirâ i.-heké.-ni .,

nampaa

atái Zéha., ânézyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXW at-ài ,

CONEC arrancar-PONT

TEMP

na/casa

 
 

kóci

Zéha w1un-târâr~ háta i-heké-ni.,

 

fechar/porta-PERF TEMP

 
 

,A

_

;11

_

 

aga

Zéha

aZá

iti-na-ceugku., aga kure-i. 20

,(1)

t-igu-ri-iíâ e-nârâ

Zéha

na/casa

titá réZe-ha.,

buscar-ATR-DlM

gente-COP

REFL-01ho-ATR-ADJ chegar-PONT lã ainda-ENF

i-nârâ

Zéha

i-heké-ni., kurihé óto.,

pegar-PONTzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAfeitiço dono

(1 ) C

omparar ·-1,.gu-n-na com 1"g1,,-n'&-,<o- O prune i ro e qua r i. ~caçao o f ei.t í.

-

t'

~

-

1

••

]

-

d

.•

ceiro, que sempre vê, dotado de um poder

ciona1 (raíz-igu'-,"olho"); o segundo é simplesmente nominalização

de visão permanente e

excep

do

verbo -ig1:-, "ver'", "os que olham".

16zyxwvut

is-ataga-tu-kõ-igo

3-flauta-VERB-PL-FUT

C1.,-~zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

pegar-PONT-FUT

[-heké-ni' aga.

em/casa

tatúte

todos

igi-Zâ-tgo

ver-PONT-FUT

e-héke.

2-ERG

25zy

i-nân-kó-igo

cic1

ehú

~

etâki-pârâ-giiíe~

f i cazyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMr- PONT-PL--FUT

canoa ficar/pronto-PERF-depois

~k .~.

ehúzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

eta 1.,--rote1.,- -na-m1.,-go~

"ka

~

(2)

outro/dia muito/tempo canoa

ficar/pronto-TE}~ pedir-PONT-FUT

(k1-ce~ RepâjâJ

falar-IMP

ánte tóto ehu-hi-jâ-kó-ina~

tutoZó héke~

hoje homem canoa-procurar-PONT-PL-FIN

todos ERG

Auná ehú-ru.

canoa-REL

30

anétã ek.iee=i.,Auná~zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA(3)

chefe aquele-COP

Hei.no-qo-ha Ahukaká a-nami. anetii-L,

Auna-cé

i-n-ógo~

metade-SL~S-ENF

estar-PONT chefe-COP Auna-DIM ficar-PONT-SUBS (?)

-

is-arigó-hâgâ hâZe Jahilá-i~

3-igual-NEG-mas

COP

(1)

-

A glotal e a aspl.raçao l.nl.ClalSexpressam fonetlcamente uma forma ênfase, aumentativo.

.

.

.

.

.

d

e

(2)A raiz -Lka- refere-se ao pedido público feito ao "dono" da grande ca noa, que está sendo cons t ru'ída pelos homens, para que ele se torne óto, pat.rocinador da "festa" do cic1, fornecendo comida e bebida em retri- buição do trabalho coletivo.

(3)Kahúra discorre sobre o status de chefia de Aunã, "donal! da canoa construção (v. Capitulo 11, Seção IV).

em

1 7zyxwvu

is-úâzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAanetâ-L,

is.i aneid=i', Aratt Leca Agahurú-ko-i~zyxwvutsrqponmlkjihgfed

3-pai

3mã.ezyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

t.amb em

fL-COl?

anétâ

akaró-i., naro

aqueles-COP eles

té-lâ

l.éha

ir-PONT

anetii-L,

chefe-COP

naró-i Jahilá-câha.

35

",-l'1álâ.,aginitá

hdl.e

t.aticte

in-agu-nalâ-ko~

NEG

talvez/um/dia mas todos 3-dançar-HAB-PL

-

masope

reclusa

l,:gipó-lâ

sair-l?ONTficar-INTC

aginitá.

k{-ce apa~

falar-IMP

Akukú

ekâ-na

elcie e-L,

INDF-INTER

igipó-lâ

igiró-lâ

i-cái uákc.,

uáke

sair-PONT tempo/atrás

ega Ahurarâ gaopãrâ.,

INDF

dançarina

Kakani. igipo-ho-pârâ.,

sair-IRR-PERF,

igipo-ho--pfil?â 40 i-cái.

hohó ahurará-lq., tugakará ke-nâm-háta.,

vovo

- REL beira/da/lagoa cortar-PONT-TEMPzyx

J

ahurarâ-i igipó-lã uáke., akukú igipá-lã.

45

(1)+iq ipo- e o sair em publico, por ocas i.ao das "festas", <las adolescentes

reclusas, masópe, quando dançam com os homens como gaopârâ;

a presença da raiz -igi-, "ver", pois se ressalta o contraste com a visibilidade social das reclusas.

observe-se

i.n

18

ozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAQUE KAnDRA

ME ENSINOU SOBRE O DESENROLAR

DO CIC!

O cici aconteceri na escuridio) viri do mato atris das casas) enfim muitos aparecerão juntos correndo,

muitos aparecerao juntos, muitos juntos. (NaozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONê? Fala Repâjâ~)

Li de longe eles trarao peixe cozido, jogarao fora todo) eles. nao o comerão.

Eles soprarão o fogo.

Os que olham irão para perto do fogo.

Para vir corno convidados,

um certo pessoal fica, durante

o cicio

Li do me~o do mato,

eles vem, são os convidados, ninguem sabe, de escondido,

li,li,li, muitos

juntos

de li

virao, gritando e correndo.

Amarrarão as portas bem forte. Estas eles arrancam, na escuridão,

quando dentro das casas,

fechadas as portas com força,

o pouco peixe cozido

que foi buscado

as pessoas

dentro

das casas, dentro das casas.

estari

Aquele-que-vê-tudo

acaba de chegar,

eles enfim, os donos de feitiço,

tocarão as flautas,

ci,

pegam (o peixe),

eles o pegarao

dentro da casa.

fzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

19zyxwvu

Você ver á todos.•

Realizario o cici depois que a canoa ficar pronta, Daqui a um bom tempo, quando a canoa ficar pronta, pedirão a festa,

(fala) Repâjâ~).

Hoje os homens (foram) procurar a canoa, todos eles,

a canoa de Auná.

Ela ê chefe, Auná, Sendo pela metade Ahukakã se tornou chefe, no lugar so de Aunã, mas Jahilá nao ê igual a ele,

o pai dele era

chefe, a mãe dele era chefe, ass~m como

Ararãti e o pessoal de AgahGru,

aqueles sao chefes, eles sao os que se tornam chefes,

sao eles, e Jahilã. Nio, nio sei em que dia todos dançam, nao sel em que dia. As reclusas estio querendo sair,

nao ê fulana, aquela, Kakãni que

talvez

sairã?

Fala! Akúku qu~s sair faz tempo, sair faz tempo, dançarina do Ahurãrâ daquele fulano, do Ahurãrâ do vovo, quando cortarem o caminho para a lagoa,

no Ahurãrâ sa~u faz tempo, AkGku saiu.

20

IMPÊ

I ) zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONML

OFORT-PÂR//zyxwvutsrqponmlkjihgfed

Pe ui{aparecerzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONML1 -PERF

q

começar Jzyxwvutsrqponmlkjihgfedcb

I zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

a. atga te-lá-ko.,

roça ir-PONT-PL

Araratt

hicáo

te-tárâ

kuiri ántati.

esposas ir-CONT mandioca AL

b. eré-i

titá-ha

lã -ENF DEIT-CÔP

kuirt k1--.':-lâ-h.áta s

tirar-PASS-TEMP

i-hatú-ko-káta.,

3-arrancar mandioca-PL-TEMP

1

5

eté., Sakagátâ

i--hori-já-ko

l.eha,

3-encontrar-PONT-PL

isi-nâra.,

vir-PONT

jakaré

-~

enará,

chegar PASS

kuirt ki-lâ-háta

J

t.e-pdra,

ir-PERF

is-iZa.,

3-colar

ent iher-iku,

colar

i-heké-ni.

3-ERG-PL

10

(1)

·Gravaçao real~zada em setembro de 1981 com Nahu, ara'l-.a ato, caraíba", de Ipâce, narrador apreciado.

,

-

J

~

k

'h J

"

dono de

21zyxwvutsrqpo

I?Jpaga1,-ca~zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA """,-,zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

~

braçadeirazyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

L-haqapii-ru,

3-brinco-REL

et-igâg-kt-lâ

Léha;

INTR-roupa-tírar-l?ONT

jakare-pé

ex

t.eh,zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAh5h5,

(bonito)

arl/-lâ

jogar-PONT

lé'ha i-héke.

3-ERG

15

"úguama

INTER

e~i-cá-ko

2-es tar

iré-i".

,CON'I'

,.PL

DElT-COP

"ahâtâ~ kuirt

úgua.

kt'-tazyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAti-héke

'"~

-

ure-n.,

rr

"t-i-hatu-ritárà",

IPLEXCL-ERG

tirar-mandioca-CONT

 

20

teh. ihinci-tárâ

i-heké-ni .•

 

olhar-CONT

3-ERG-PL

Kamisakáru

ekisé-i~

 
 

ele-COP

 

Araratt

htcâ ekisé-i'.

 

esposa

 

-

âgéle

cage

e-ihi'-cái

i=heke",

aquele mesmo

2-furar-lNTC 3-ERG

 
 

-,

Ihaed

kt'-lâs

25

"âgéle caqe

epici-rá-ko

lélia.

descascar-CONT-PL

al.e-ndn-ko

Zélia~

encher-PONT-PL

tatohogó

cesta

dizer-PONT

e-ilii'-cái i-héke~ ihoturú-i".

-

ale-nârâ

Sakagâtâ

Zélia.

"

primeiro-COP

@iu eiu, ctz,~l

30

22zyxwvutsrqpon

hôhozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFE11.

bozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQt ar;

ENFzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

dentro~'IMP

"e" .

"egé'na

k{'y>ett •

paxa

lã,

vamos.

ipé~lâ

levar-PONT

1

Leha

~h:::

i-heke .•

káe

LOC

--

-nutaKee-ta

pegar

o

7.

h

ara ,',

(1)

pulso-PERE

ikú-lâ

ikii-lâ

léha

leha

i'.-heke.•zyxwvutsrqponmlkjihgfedcb

35

áiha.

acabou

c.

Lepene

depois

áiha.

foi

isso

pehále

tamb.ém

ikené

irmã

menor

para

ikúlâ

procurar

leha

i'-heke.

4Q

a.

"u-te-tái-ha".

l-ir-INTC-ENF

"kopeci

amanhã

akacáge

-

i-gone-nân-ko

3-carregar-PONT-PL

i$i-nân-ko

vÍT-PONT-PL

leha.

u-ena-migo

i-chegar-FUT

leha

i-héke.

11

vehàl.e .•

koreci:" .

45

(1) -inuta-

significa

"pulso";

a

forma

verbalizada

exprime

o

gesto

tipico

do

convite

a

ter

relações

sexuais

por

parte

do

homem: segur a.r

com

for

ça

os

pulsos

da

mulher.

23zyxwvutsrqp

hico

CONECT-EN~ depois

REFL-roupa vestir-·)?ONT

ampá-za' Zéha

tê-Zâ

t-héke 3

Zéha~ tugá-kwa áti.

50

água-dentro ALzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXW

c. etimpe-Zâ-ko Zéha,

voltar-PONT-PL

igi"-tárâ Zéha

trazer-CONT

i-heké-ni~

etimpe-Zâ-ko Zé-ha.

J

d. korécizyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPON

Zéha aheriti-Zâ-ko~

?ih igiZa

3

amanhacer-PONT-PL (ENF)cedo

kakara

galinha

i'cu-háta.

gritar-TEMP

55

aZê-ha-hátazyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAl.eha,

J

et-igonte-Zâ-ko

INTR-pintar-PONT-PL

"kire-ha"

nara

i-héke3

"kuk-et-igonté-ni

hoho~

DUAL-INTR-pintar-PLHORT

kuk-et-igonté-ni" .

Zéha 3

atarihisute-Zã-ko

Zéha

60

pintar de urucum a testa-PONT-PL

e. Zepéne

teh3

áiha.

J.

Zéha te-Zâ-ko epecaki-Zâ-ko

J'

pintar bonito

epuroh-i.eut-e-La-rko

Leha .

pintar de urucum os pes

Leha,

Zéha 3