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Terra Brasilis (Nova Série

)
Revista da Rede Brasileira de História da Geografia e
Geografia Histórica
5 | 2015
Circulação das ideias e história dos saberes
geográficos 1

Conceitos e significados do planejamento na
geografia brasileira e o IBGE
Concepts and meaning of planning in Brazilian geography and the IBGE
Conceptos y significados de la planificación en el Geografía Brasileña y el IBGE
Les concepts et les significations de la planification dans la géographie
brésilienne et l’IBGE

Paulo Roberto de Albuquerque Bomfim

Publisher:
Laboratório de Geografia Política -
Universidade de São Paulo, Rede Brasileira
Electronic version de História da Geografia e Geografia
URL: http://terrabrasilis.revues.org/1494 Histórica
DOI: 10.4000/terrabrasilis.1494
ISSN: 2316-7793

Electronic reference
Paulo Roberto de Albuquerque Bomfim, « Conceitos e significados do planejamento na geografia
brasileira e o IBGE », Terra Brasilis (Nova Série) [Online], 5 | 2015, posto online no dia 17 Dezembro
2015, consultado o 01 Outubro 2016. URL : http://terrabrasilis.revues.org/1494 ; DOI : 10.4000/
terrabrasilis.1494

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© Rede Brasileira de História da Geografia e Geografia Histórica

Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 1

Conceitos e significados do
planejamento na geografia brasileira e o
IBGE
Concepts and meaning of planning in Brazilian geography and the IBGE
Conceptos y significados de la planificación en el Geografía Brasileña y el IBGE
Les concepts et les significations de la planification dans la géographie
brésilienne et l’IBGE

Paulo Roberto de Albuquerque Bomfim

Introdução
1 Quando surge o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1938, 1 como uma
das iniciativas do processo de modernização do Estado brasileiro, entrecruzaram-se
contribuições “institucionais” e outros saberes geográficos já então há tempos
consolidados na intelligentsia brasileira. Ao lado da missão francesa de criação da
Universidade do Distrito Federal, da Universidade do Brasil e da Universidade de São
Paulo,2 engenheiros, diplomatas, advogados, dentre outros profissionais (diversos deles,
nomes importantes de associações como a Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro 3 e o
Clube de Engenharia), também foram protagonistas dessas primeiras instituições
“oficiais”, que em breve teriam o incremento dos futuros geógrafos oriundos dos quadros
dessas universidades. Naquela década de grandes transformações do Estado nacional,
juntamente a várias autarquias públicas então criadas, o IBGE voltou-se para os objetivos
básicos de reconhecimento do território (tido do ponto de vista estatal como um vazio
populacional, um sertão obscuro [Moraes, 2003]), envolvendo cartografia e levantamento
de dados (sobre população, indústria, agricultura, etc.), elementos necessários para a
composição de séries estatísticas para o país.

Terra Brasilis (Nova Série), 5 | 2015

sobretudo. Hettner. Os anos imediatos à 1ª Guerra e sobretudo à Crise de 1929 são assinalados por trabalhos cartográficos e de geografia política. precisamente. 2005: 448). o objetivo deste breve texto é assinalar. 5 Anteriormente à 2ª Guerra o planejamento econômico. quem. nos anos iniciais do Instituto. ou seja. 1988: 88-89). Tratava-se de – obviamente. Terra Brasilis (Nova Série). 1983). A chamada Comissão de Planejamento do Estado – GOSPLAN – encarregou-se de dividir a recém-criada república socialista em “unidades funcionais” sob a batuta de Nikolai Nikolaevich Baransky. 3 Isso posto. A necessidade de planejar e a geografia 4 Antes de tornar-se uma das principais políticas públicas implementadas pelos estados capitalistas. Já em 1918. para formulação de políticas territoriais nos “cinturões” agrícolas. teria sido um pioneiro em “demonstrar que a ciência da geografia econômica consistia em um sistema de regiões econômicas relacionadas umas com as outras por meio de uma divisão territorial do trabalho”. na opinião de Martin (2005: 261). 2007. por meio de associações classistas e de intervencionismo estatal. 2005: 463-464). culminando com o I e o II Plano Nacional de Desenvolvimento – respectivamente. Baransky e outros nomes como Kolosovsky (autor de um plano industrial para a região do Ural) influenciaram. como o planejamento foi pensado nos quadros do IBGE no período aqui considerado como de gênese do Estado moderno no Brasil. quando a modernização autoritária fez da tecnificação do território um escopo fundamental do período. Preston James e Pierre Gourou (Martin. dente outros. expoente da geografia econômica russa. o planejamento esteve por mais de uma década associado a uma racionalização da economia – e da economia no território – em países tidos como socialistas. Nos EUA. 1971-1974 e 1974-1979 (Bomfim. Alfred Weber. ainda que sabidamente a intervenção do Estado na organização do território ganhe relevo a partir do Plano de Metas – governo Juscelino Kubitschek (1956-1961)4 – e. Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 2 2 As intenções de criação e fundação do IBGE já salientavam a centralidade do conceito de planejamento como objetivo do Instituto. internamente. no qual o governo deveria ter responsabilidade e poder para garantir emprego e estabilidade necessários frente à Crise de 1929 (Schlesinger Jr. 2005: 261). 2005: 258-263). a geografia regional em sua dimensão econômica. já era um campo fértil. a União Soviética. minerais e industriais (Martin. ou melhor. no caso. 5 | 2015 . para o qual houve uma reestruturação do IBGE e mesmo de todo o aparato burocrático do Estado. enquanto que. Pontes. do ponto de vista estadunidense – esquadrinhar (principalmente) os estados alinhados. 6 A geografia norte-americana do período entre guerras igualmente se debruçou com afinco na tarefa de desenvolver conhecimentos e ferramentas para resolução “espacial” desses problemas práticos de governança (Martin. o empresariado requeria no início da década de 1930 alguma forma de planejar a economia nacional. iniciavam-se estudos da Sociedade Geográfica Americana (American Geographical Society) a pedido do Conselho Nacional de Pesquisa (NRC em inglês). em consonância com as políticas de pleno emprego e construção/dotação de infraestruturas do governo Roosevelt. de um duplo contexto de valorização da geografia aplicada e do advento do golpe civil militar de 1964. a Academia de Ciências daquele país envolvia-se com estudos de um plano para racionalização da localização das indústrias na URSS (Martin.

o projeto estatal se encorpa de fato nos governos de Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954). 2004: 76-78).12 Já o período compreendido entre 1946-1956 é caracterizado pelas primeiras tentativas de implantação de órgãos de planejamento. sendo o exemplo mais célebre “a abertura de frentes pioneiras na Amazônia brasileira pelo regime militar. em certos casos. quando se operou a preparação do aparelho do Estado para execução do planejamento. o Brasil do período militar será exemplo paradigmático da difusão do planejamento regional (Bomfim. Num país marcado historicamente pelo capitalismo tardio7 ou hipertardio. nos projetos coloniais. Martins. pois. pautava-se muito mais no apoio estratégico do Estado a iniciativas liberais. Note-se que o intervencionismo estatal. mas a uma burocracia propensa a pensar. “o progresso” à margem da questão social. 2007) como “estratégia de intervenção ao nível da estrutura territorial” (Costa. 1988):6 não à toa. 10 10 Se tal modernização pela via do Estado é vivida no Brasil desde os anos de 1920 e 1930. compostos em variados níveis de profundidade. sem nenhuma margem a dúvidas. é fundamental seguir uma periodização necessária. o Estado brasileiro tomou para si a função indutora do processo de modernização – que necessitaria inapelavelmente dinamizar a industrialização. Mais que isso. desde os planos setoriais até o planejamento de caráter macroeconômico. privativas e internacionalizantes. 11 Seguiremos. fazendo-se. às monografias regionais “tradicionais” adicionam-se a partir da década de 1920 pesquisas enfocando a região como “quadro de análise”. constituindo propostas estruturadas Terra Brasilis (Nova Série). justamente num período em que se consolidaria a Guerra Fria. produção e consumo a que uma economia estaria sujeita sem uma política econômica da parte do Estado 5 – atendia. de 1939 a 1956). Para rastrear tal “preparativo”. conforme se pôde verificar nas páginas da Revista Brasileira de Geografia (RBG). 1996: 167-170). pois. 8 vinculado ao setor agroexportador como meio de acumulação e dele dependente para substituir importações (Mello. dado nosso “quadro geral de baixa informação política” (Cardoso. não sendo poucos os autores que as identificaram a intenções de caráter autoritário ou totalitário (Lefèbvre. como aquelas supostamente vindas da Região Nordeste. Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 3 7 Na França. 5 | 2015 . 9 No dizer de Foucher (1991: 27). 1984). como meio de responder às pressões sociais”. publicação seminal do Instituto. 2000. papel político sem dúvida moderno e não contraditoriamente pleno de vínculos com tradições elitistas e autoritárias. 11 quem sugere uma divisão do planejamento no Brasil. 1983) e suas críticas às crises cíclicas de demanda. ao lado da Revista Brasileira de Estatística. não coube a uma participação da sociedade civil. “a organização do território foi empregada como meio de gestão das contradições sociais”. falando-se do caso francês. 2001: 172). 12 A 1ª fase do planejamento no Brasil (1934-1945) seria marcada por uma forte atuação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP). nos quais a planificação – a partir das concepções de Keynes ([1936]. a interesses da iniciativa privada. 2001: 13). numa leitura do território estruturado em conjuntos homogêneos de acordo com atividades e especializações econômicas.9 A modernização encaminhada pelo Estado e seus planos. uma muito breve revisão daquilo que se entendeu por planejamento no período escolhido (grosso modo. a proposta de José Truda Palazzo (apud Cadernos NAE. essas políticas tiveram grande utilidade. a exemplo de trabalhos de Demangeon e Emmanuel de Martonne (Claval. 8 É óbvia nesse aspecto a diferença entre o “planificar” da economia soviética e o caráter interventor dos estados capitalistas. na vacuidade de um discurso de fortalecimento do Estado- Nação.

Embora abandonado em 1952. 14 15 Contudo. reservando-se ao Estado o papel de financiador apenas de setores econômicos não lucrativos para a iniciativa particular ou considerados estratégicos – ou de “interesse nacional” (Mantega. (Relatório da Comissão Mista Brasil- Estados Unidos. estabelecido para o período 1949-1953. o relatório assinalava os pontos de estrangulamento impeditivos ao “desenvolvimento” nacional. de 8 a 10% nos Estados meridionais. do Plano Salte lançaram-se as pedras de duas importantes obras – a rodovia Presidente Dutra (inaugurada em 1951) e principalmente o início da construção da Usina Hidroelétrica de Paulo Afonso. Noutros termos. de 1954. O produto real per capita pouco ou nada subiu na região amazônica. a partir de cujas indicações se criou por exemplo o próprio BNDE. salientando as dificuldades em promover a atividade Terra Brasilis (Nova Série).. depois substituída em 1966 pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). da Missão Abbink (chefiada por John Abbink e Gouveia de Bulhões). remonta aos trabalhos de 1948.. São Paulo. Oficialmente. a mais simbólica iniciativa dessa 2ª fase do planejamento brasileiro foi a Comissão Técnica-Mista Brasileira-Americana de Estudos Econômicos (Comissão Mista Brasil-Estados Unidos). 1985: 203). não deixava dúvidas: A disparidade das taxas de desenvolvimento regional tem sido uma das feições mais salientes da evolução brasileira entre 1939 e 1952. chegando a fazer um diagnóstico da economia e dos pontos de estrangulamento da infraestrutura do país à época. duas vezes maior que a taxa nacional correspondente. Na entrada para a década de cinquenta nasceram instituições ou agências decisivas na etapa de preparação ao planejamento. exercendo até 1964 uma tarefa depois creditada. e de 4% nos Estados nordestinos (incluindo Bahia e Sergipe). marco para a “eletrificação do território” como escopo do planejamento (Moreira. 14 A Constituição de 1946 criara o Conselho Nacional de Economia e em 1945 o Banco do Brasil constituía a Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC) como autoridade monetária nacional (até então inexistente). Isto deve ser comparado com um acréscimo de cerca de 15% na região pioneira de Mato Grosso e Goiás. A Lei nº 1806 de 06 de janeiro de 1953 criou a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). ela vigorou de 1951 a 1953. Paraná e o Distrito Federal. Minas Gerais. embora economicamente os recursos aqui invertidos tenham sido decepcionantes.] formuladas para atender necessidades de estabilização econômica ou de desenvolvimento regional” (Cadernos NAE. a defesa do intervencionismo muitas vezes equivalia a um programa estatal para otimizar o capital privado. ao Banco Central. 5 | 2015 . 2015). 2013). atestando um evidente interesse geopolítico norte-americano pelo Brasil. O relatório final da Comissão. 13 13 Em seguida ao Relatório Simonsen (1944-1945). Estimativas indicam que o crescimento do produto real per capita no centro econômico do Brasil. 2015: 87-90) e de grande importância para viabilidade da industrialização em parte expressiva do Nordeste do Brasil (Lima. 2004: 75). que compreende os Estados do Rio. Importante assinar que o mesmo dispositivo jurídico estabeleceu o recorte regional – para fins principalmente de concentração de investimentos financeiros – da “Amazônia Legal” (Marques. Espírito Santo. Transporte e Energia). com maior leque de poderes. é apresentado no governo Dutra o Plano Salte (Saúde. Em 1952 é aprovada pelo Congresso Nacional a criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE). foi de 50% entre 1939 e 1959. Alimentação. 2008: 303) 16 Sinteticamente. Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 4 “mais frequentemente em torno de grandes objetivos econômicos e [. coluna vertebral para financiamento do planejamento no país. A Comissão.

Nesse intervalo. como visto na citação acima. dentre as quais. em segundo lugar. e o ano de 1956.15 Não será nosso intuito. Goiás. 2007. os prolongados debates legislativos dos últimos seis anos criaram a pior das situações porque a ausência de decisão firme propiciou um clima de incerteza sobre a base energética do país. José Carlos de Macedo Soares. marcado por duas ocorrências: o incremento do desenvolvimentismo a partir do governo JK e o XVIII Congresso Internacional de Geografia. 2008: 327) 17 Nesse tom. como fica evidente nesta passagem. Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 5 industrial. devido a um entrave exatamente na questão energética: o Brasil era absolutamente carente em petróleo e o potencial hídrico era pouco aproveitado. a diversas entidades coirmãs. por inteiro. de forma equalizada pelo território. 2002) e que seria abortada pelo regime militar. a Comissão Interestadual da Bacia do Paraná-Uruguai. (Relatório da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos. enquanto limitações cada vez mais rígidas introduziam-se nas listas de importação. Minas Gerais. no Rio de Janeiro. e cuja uma das bases era assegurar “a mais ampla autonomia de ação técnica e administrativa. que três anos antes fora presidida pelo Ministro de Estado das Relações Exteriores. para o fim de eficiente coordenação no planejamento e execução dos serviços estatísticos brasileiros” (Legislação. nos anos entre 1956-1963. marcadamente naquelas voltadas Terra Brasilis (Nova Série). 18 Para finalizar essa periodização. O IBGE nesses primeiros anos de vida articulou-se. nomeadamente por meio de Macedo Soares. ainda pleno de desigualdades. de alto significado para a geografia brasileira em geral e ibegeana em particular (Mendoza Vargas. São Paulo. 1939: 135). como aquela dedicada ao Vale do são Francisco. razão de ser do Instituto desde seus primórdios. uma iniciativa federalista que visava uma atuação em conjunto dos estados de Mato Grosso. nos deteremos aqui – tendo a RBG como material de análise – entre o primeiro número da Revista. Sendo uma etapa já estudada (Bomfim. a ulterior evolução da indústria e do sistema de transportes foi posta em dúvida. 2014). a Convenção Nacional de Estatística. ao que se pode somar o projeto da CIBPU. 5 | 2015 . Deixemos assim as páginas da RBG nos mostrarem a relação entre planejamento e IBGE nos anos primeiros do Instituto. bacia de grande interesse para o planejamento ao lado da bacia Amazônica. Desse modo. o volume 01 da Revista Brasileira de Geografia apresentou normas e legislações. Um esboço: o planejamento nas páginas da Revista Brasileira de Geografia 19 Como número inaugural daquela que seria a mais importante publicação do IBGE. A partir daí e ainda mais na etapa seguinte do planejamento – correspondente ao regime militar – várias questões envolvendo o estado e a geografia se tornaram mais complexas. ao lado do empenho para bem cartografar o território nacional. uma terceira etapa poderia ser caracterizada. rastrear o período posterior a 1956. Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Gardin. obscurecendo. o panorama da balança de pagamentos. o marco na história do planejamento no Brasil seria o Plano de Metas (1956). 2004). Moreira (2015) recorda o surgimento de comissões voltadas para a urgente questão energética do país. Paraná. Jorge Zarur e Cristóvão Leite de Castro. porém. Do ponto de vista do progresso econômico da Nação. obviamente contrário a iniciativas descentralizadoras. Presidente do Instituto Nacional de Estatística. Bomfim. Pontes. 1983). primeiramente. distinguidos pelo planejamento inserido “numa concepção abertamente desenvolvimentista” (Cadernos. de 1939.

Os problemas a resolver serão. que irão modificar não só o mapa político senão também. de 25 de agosto de 1944. A “geografia moderna”. No após-guerra o Mundo experimentará grandes transformações. A Geografia pode estar ao meu e ao serviço de todos. tendo sido feita a comunicação numa fase final da Guerra. Jorge Zarur. orgânicas e construtoras às questões econômicas sociais e políticas que tantas surgirão. 1944b). [. a II Reunião Pan-americana de Consulta sobre Geografia e Cartografia. de modo que tais soluções levem em conta as condicionantes do ambiente. A Geografia saiu da academia. as que mais diretamente se relacionariam ao que seria o entendimento futuro de “planejamento” no Instituto. no Rio de Janeiro.. uma comunicação em Washington. 21 Podem-se apontar outras vertentes de preocupação do IBGE no tangente ao planejamento: havia uma dimensão técnica. Como pronunciou. nome importante dessa fase do Instituto. promovida pela Comissão de Geografia do Instituto Pan-Americano de Geografia e História. como condição para segurança nacional. A fala de Leite e Castro é exemplar nesse aspecto. exemplificada pelo empenho do Instituto em buscar subsídios e conhecimentos para seus trabalhos cartográficos. Como Secretário Geral do Conselho Nacional de Geografia (CNG) do IBGE.]. a influírem decisivamente na vida nacional.16 A Reunião Pan-americana contou com a participação não apenas de engenheiros e geógrafos do CNG.. o IBGE albergaria entre agosto e setembro 1944. a Geografia Regional tornou-se quase sinônima de Geografia Utilitária.. nesse sentido. que não vou fazer. está passando para a rua e está Terra Brasilis (Nova Série). Entretanto.828. e assim bem ajustem a atitude do homem às condições da terra [.. ou melhor. traçava clara linha divisória entre os “professores de geografia” formados pelas universidades brasileiras e o “geógrafo profissional”. a definição muito sumária de que a Geografia é o estudo dos contrastes regionais. Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 6 para a cartografia..] No estudo dos problemas do após-guerra. devido ao método de estudar os problemas e às conclusões a que chega e às sugestões de caráter evolutivo que apresenta a Geografia hoje começou a adquirir um caráter dinâmico. É no clima da Reunião que Vargas cria. o Serviço de Geografia e Cartografia do IBGE (Noticiário. poderia dar causa a uma série de divagações.. duráveis. Militares. (Noticiário.] a Geografia de hoje examina a localização. havia a preocupação indiscutível de planejar um arcabouço técnico para cartografia e topografia do território nacional. em muitos aspectos. Portanto. numerosos e importantes e cada nação deverá estar preparada para dar soluções justas. Existiam também dimensões geopolíticas – desde expedições até estudos sobre novos territórios federais (como os criados em 1942)17 e dimensões econômicas. Para que assim seja. é indispensável que as soluções dos problemas envolvendo fenômenos de superfície tenham fundamento geográfico sólido. no conveniente planejamento das medidas governamentais. 1944: 315). a distribuição dos fenômenos na terra e os contrastes que cada grupo de fenômenos homogêneos possam apresentar. ressaltando a importância dos conhecimentos cartográficos para defesa e organização do território e de políticas voltadas a esses interesses. Importante notar que. 5 | 2015 . por exemplo. a vida econômica e social das nações. muito deveria se aproximar de uma geografia aplicada18 (Zarur. 22 Esse entendimento estava bastante relacionado a leituras acerca da “geografia” do IBGE. pelo Decreto-Lei 2. o engenheiro Cristóvão Leite de Castro apresentou. tal como convém. que bem representem o território onde se desenrolarão os fenômenos marcantes da vida nacional [. então. diplomatas e estadistas do Brasil e de nações do continente estiveram presentes. em 03 de junho de 1944. 1944a: 300-301) 20 Vislumbrando no horizonte o após-guerra. é importantíssimo pois haver bons mapas. por ocasião da Quarta Reunião Anual Congresso Americano de Topografia e Cartografia (American Congress on Surveying and Mapping).

21 b) Política de fomento da eletrificação urbana e rural. 1944: 313). reivindicou-se uma política governamental menos burocratizada face ao planejamento. para além da dificuldade relativa aos transportes. entre 25 de janeiro e 03 de fevereiro de 1946. num trabalho conjunto com astrônomos. 1944: 315-316) 23 O geógrafo moderno. articulando também a dimensão geopolítica à econômica. 26 Dos debates travados no II Congresso Brasileiro de Engenharia e Indústria. Charles Colby e Preston James. 27 Mas um dos textos mais significativos dessa primeira safra da RBG é o trabalho de Lúcio de Castro Soares. por meio de um planejamento cujo recorte regional se daria segundo bacias hidrográficas. “no domínio da indústria pesada. começaria a ser construída em 1948. No momento seguinte. foram retiradas cinco diretivas: a) Política de estruturação das rêdes regionais de suprimento público. escrevendo no calor das discussões sobre a divisão regional do Brasil. 24 No que se refere à dimensão geopolítica do planejamento. Um destes exemplos é o TVA [Autoridade do Vale do Tennesse] uma das realizações do século. (Zarur. via de regra. topógrafos e especialistas em geodésia e aerofotogrametria. a Usina de Paulo Afonso já então planejada. da Câmara dos Deputados. 1946: 163). Backheuser (1942). Sílvio Fróis Abreu (1945: 106-107) reivindicava um “planejamento de sistemas de transporte capazes de atender as exigências das nossas principais zonas mineralizadas”. alçar aquela parte do território ao desenvolvimento. para efetiva planificação econômica do pais. e) Política de intervenção do Estado.23 Terra Brasilis (Nova Série). propôs-se o Planejamento da Energia Elétrica Nacional. o grande “gargalo” para supostamente alavancar o “desenvolvimento” industrial do país era. contando com a colaboração de geógrafos estadunidenses como Clarence Jones.19 Para o professor ibegeano. “Delimitação da Amazônia para fins de planejamento econômico”. o Estado. Assim. “aplicado”. 1996)20 – uma atuação do Estado no sentido de deixar fluírem os capitais privados. a questão energética nacional. deveria assumir em “fase experimental” os empreendimentos. estudo realizado pela Divisão de Geografia do Serviço de Geografia e Cartografia por solicitação da Comissão Especial do Plano de Valorização Econômica da Amazônia. louvava a política da Marcha para o Oeste implementada pelo Estado Novo. Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 7 sendo praticada e usada por todos. salientando o planejamento como etapa para equipar o território com ferrovias. Resulta que o Brasil poderia muito bem. sediado no Rio de Janeiro.22 d) Política de utilização das fontes nacionais de energia. 25 Para lembrar as indicações da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos. A Geografia traz os elementos de uma região e dá ao administrador a possibilidade de transformá-los. o potencial da Bacia do São Francisco era incalculável: uma bacia sete vezes maior que a do Tennessee – com problemas menos simples. todos ligados à Associação Nacional de Planejamento (National Planning Association) dos EUA. esse mesmo geógrafo contaria com a colaboração “de desenhistas cartógrafos” (Zarur. depois de superados os maiores riscos. por certo. como meio de fomentar a atividade de mineração no Brasil. neste caso. assinalado por Abreu (1945) e Backheuser (1942). Durante o certame. c) Política de eletrificação ferroviária. além de – bem de acordo com as indicações “privatistas” do desenvolvimentismo brasileiro (Bielschowsky. para. quando da necessidade de representar o território. oferecê-los ao capital privado” (Noticiário. Zarur realizara no espírito da “da técnica moderna regionalista”. Robert Platt. 5 | 2015 . haveria de conhecer os métodos de medição do território. Nessa linha de raciocínio. um trabalho sobre a bacia do Rio São Francisco. Ao final do Congresso.

através de cuja conquista deverá ser feita a daquela região. deve cuidar de maneira inteligente e intensiva. da linha de penetração mais meridional das populações amazônicas. geográfico. primeiramente de realizar a ocupação da “terra-de ninguém” que separa a atual faixa pioneira do Planalto Central. Se. nas palavras de Soares (1948: 164-166).. principalmente.. (Soares. as zonas através das quais passarão as vias de acesso à própria Hiléia. Partindo dêsse princípio verdadeiro sugerimos que. Contudo – e novamente – para fins de planejamento. a matriz econômica local. por via fluvial e de jusante para montante. a qual se dera basicamente ocupando-se as várzeas dos grandes rios. 1948: 164) 29 O autor debate os critérios sugeridos até então para divisão da Amazônia (sempre o planejamento à vista). deva ser considerada como região amazônica em território nacional. A condição imputada por Lúcio Soares à faixa setentrional dos atuais estados de Mato Grosso e Tocantins como “terra-de-ninguém”. a exemplo daquele empregado na antiga Indochina. a ocupação amazônica se daria por uma dupla via. navegáveis em quase tôdas as suas extensões. De imediato. meridianos e divisas administrativas.].. ou seja. encarado o problema do ponto de vista do interêsse nacional. poder-se-ia dizer – competia apagar os traços do território lidos como arcaicos. A experiência histórica já provou também que a ocupação do vale amazônico. seriam os da delimitação feita pelo divisor das águas e aquela traçada por uma linha mista de paralelos. extensas e caudalosas artérias fluviais da bacia amazônica.. A primeira corresponderia ao reforço da fixação econômica na agricultura. 1948: 169) 30 Em sua argumentação.. separando a Hileia Amazônica da área do Planalto Brasileiro já à época “ocupada”. tais limites deixariam de incluir na região onde deverá ser levado a efeito um grande programa de recuperação e valorização econômica. Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 8 28 O grande objetivo metodológico desse artigo era estimar quais os melhores critérios de regionalização da Amazônia – visando ao planejamento. conforme preconizado por Pierre Gourou:24 [. mas também outras unidades antropogeográficas ligadas à Amazônia por razões geográficas. cabalmente demostra o ideário segundo o qual ao planejamento – e à ciência. pela recuperação e povoamento. por outro lado o seu vasto domínio não basta [. econômicas e culturais.. Somava-se à fragilidade econômica da região e à sua rarefação demográfica.. tôdas as terras situadas ao norte e a oeste da frente pioneira do Planalto Central Brasileiro. rechaça-se a adoção dos limites naturais da região – como entendia o autor – para tal delimitação com “fins utilitários”. a Hiléia Amazônica – mesmo com as suas numerosas e extensas clareiras campestres – serve para bem caracterizar a grande unidade geo-econômica da Amazônia. (Soares.. no caso. Os critérios mais “simplistas”. muito menos relacionada à agricultura que à atividade extrativista. (Soares. Concorre para esta dispersão a grande facilidade de penetração proporcionada pelas numerosas.] todo e qualquer plano de valorização da Amazônia. Terra Brasilis (Nova Série). unicamente para fins de planejamento econômico. rebatendo-os todos. 1948: 180-181) 31 É fundamental recordar a leitura de Moraes (2003) sobre o sertão. Isto porque.. condicionada a “uma técnica agrícola racional”.] tem sido precária [. porém. pelo rio Amazonas e seus tributários [. Outrossim. 5 | 2015 . do ponto de vista científico. e não somente sob o aspecto da sua significação regional ou local.. ao isolamento em que ficam os núcleos povoadores [. “nômade” por excelência. por meio da “colonização” das várzeas. Lúcio Soares advogava como critério preliminar o estudo da ocupação pretérita da Amazônia.] devido. esta linha deverá colocar na Amazônia não somente a “terra-de-ninguém”.] para delimitar a área brasileira que deverá ser considerada “amazônica” para fins exclusivos de planejamento econômico.

economistas ou geógrafos. Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 9 nele compreendidas as populações locais. agrônomos. cujo foco da organização do território recaía sobre a efetivação de sistemas de transportes – como parte importante das temáticas geopolítica 28 e colonizadora–. a centralidade do planejamento se atrelava inequivocamente à questão energética. De acordo Terra Brasilis (Nova Série). na visão dos planejadores (note-se bem) a partir da “recuperação econômica” da região. uma das maneiras de viabilizar a penetração econômica na Amazônia seria por meio do Plano Rodoviário Nacional (cuja primeira versão data de 1937). Por que motivo foi a bacia do São Francisco destacada como merecedora de um tratamento especial no quadro de nossa estrutura territorial? Existirão razões que transcendam à simples valorização da área privilegiada? Quais os objetivos nacionais que se pretendem atingir com o desenvolvimento da grande calha fluvial? Esboçando respostas a tais indagações deixaremos de parte. diria: Parece-nos que. ligação projetada entre Cuiabá e Porto Velho (Soares. mas que. ligado ao BNDE e então diretor da Comissão do Vale do São Francisco. 541.27 O planejamento regional norte-americano era tomado como modelo a ser seguido e. utilizando trechos navegáveis do rio Tocantins”. 1950: 124). 29 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Depreende-se. vê-se avultar na virada para os anos de 1950 o destaque dado à bacia do São Francisco. 1950: 122) 35 Em seu pronunciamento. no qual se previam tanto a construção da rodovia Transbrasiliana (ligando Anápolis a Belém). O Congresso Nacional criara em 15 de dezembro de 1948 a Comissão do Vale do São Francisco. que apontam as circunstâncias mais atuantes no processo de fixação e desenvolvimento humano no grande vale (Lopes. 1948: 183-184). “visando elaborar e garantir a execução do Plano de Aproveitamento das Possibilidades Econômicas do Rio São Francisco. um antigo “condensador de gentes”. para atentarmos a observações de caráter geográfico. uma série de considerações de sentido histórico que. perdendo tal característica. Lucas Lopes. transformando-a em “área progressista e expansionista” (Lopes. 1% das rendas tributárias da União no estudo e na execução de um “plano de aproveitamento total das possibilidades econômicas do rio São Francisco e seus afluentes”. 26 32 Do trabalho de Soares (1948: 203) resultou. além da Bacia Amazônica. quanto da “Rodovia Centro-Oeste”. de 15 de dezembro de 1948” (Paula. poderiam indicar rumos de uma desejável evolução futura. no momento. na IX Assembleia Geral do CNG. com efeito. de acordo com o Art. pois. tornara-se “principalmente uma rota de migrações” (Lopes.29 a Bacia do São Francisco constituía o outro foco das políticas públicas. 33 Retornando a uma dimensão do planejamento já trabalhada por Zarur (1944). Lopes evocara a antiga – e persistente – “ideologia geográfica” (Moraes. 5 | 2015 . 1991) do São Francisco como “rio da unidade nacional”. como um dos objetivos da Comissão a contenção desse processo de êxodo rural do vale. a qual operaria a partir do final do ano seguinte. antes de tentarmos raciocinar sôbre a recuperação econômica do vale do São Francisco como engenheiros. da Constituição de 1946 e de acordo com a Lei n. a proposta cartográfica de delimitação da “Amazônia para fins de planejamento economico” e que seria adotada doravante pelo IBGE. Deve-se notar que o recorte regional associado a grandes bacias hidrográficas prevaleceu nas pesquisas dessas primeiras e segundas fases do planejamento. 1950: 124). nome importante na política econômica brasileira. devemos indagar quais os objetivos políticos mais amplos que levaram o constituinte de 1946 a determinar que se empregue durante 20 anos. Nela. 34 Em conferência pronunciada em Salvador. algo somente possível. 2010: 4). Assim.25 como parte de um “sistema de comunicação flúvio-terrestre. explicando a evolução social pretérita da região. de sabor levemente geopolítico.

encontrar-se-iam áreas relativamente estagnadas e paralisadas – mas que poderiam ser revitalizadas por meio do progresso técnico (aqui Lopes consideraria como inquestionável a “aplicação” dessa interpretação do povoamento humano à realidade nordestina). como os da União Geográfica Internacional. Noticiário. para cujo êxito concorria um do de obras de engenharia – rodovias e. “como também no centro e sudoeste de Goiás. Terra Brasilis (Nova Série). sem dúvida aguardaria ansiosamente aqueles dias de agosto de 1956. da Assembleia Geral do CNG instalava a Comissão Nacional da União Geográfica Internacional. A Resolução nº 389. Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 10 com Isaiah Bowman (apud. justamente. O IBGE. no processo de povoamento. a geografia de Richard Hartshorne daria lugar à “revolução quantitativa” (Burton. 1950: 124). marcando inclusive o fim desta “fase” do planejamento. “Excepcionalista” (Schaefer. sobretudo. 1953). ao geógrafo competiria “interpretar os fenômenos que [se] distribuem sôbre [a] superfície terrestre”. introduzindo “novas técnicas de vida.31 37 Os geógrafos. “um dos maiores mestres da metodologia geográfica moderna”: tendo a cartografia e a estatística como “instrumentos básicos”. na sequência temporal e territorial das “frentes pioneiras”. ativamente de congressos. inegável vitrine para a geografia brasileira. 1950: 499-500) destacaria à plenária da X Assembleia Geral do CNG a importância metodológica de Hartshorne. Como considera. 40 Tais interrogações e possibilidades para a geografia se convergiriam nos preparativos – e realização – do XVIII Congresso Internacional de Geografia. de 28 de outubro de 1952. novos instrumentos de trabalho. 36 O planejamento de bacias hidrográficas inseria-se nas experiências modernas. Moraes. um limite entre a “tradição” positivista e os ares marxistas (Escolar. apud. 5 | 2015 . leste de Mato Grosso e Espírito Santo” (Guimarães. a consecução da Hidroelétrica de Paulo Afonso. E adverte o autor. Aqui estaria um ponto de curvatura.32 a delimitação da Amazônia para fins de planejamento (Soares. Santa Catarina e Rio Grande do Sul. pois “se falharmos neste propósito”. foi muito bem recebida. Sobre essa expectativa. 1991). Noticiário. 38 Guimarães listaria as atividades da Divisão de Geografia do CNG. seria possível restituir “ao São Francisco o característico de uma pioneer frínge. a geografia regional – dita genericamente – havia se modificado e encontrava. de uma frente de expansão demográfica”. [1953] 1976). A grande tarefa dos geógrafos seria fazer da geografia uma ciência aplicada e útil. 1948)33 a pedido da Comissão de Valorização da Amazônia. o estudo da colonização do Brasil (principalmente no Paraná. [1963] 1971). novo impulso cultural” (Lopes. destacando os trabalhos do Instituto e de outros órgãos do serviço público nos estudos para a delimitação dos novos territórios federais. contribuiriam para o planejamento graças aos estudos regionais. e de estudos e contatos com universidades norte-americanas e francesas. escreveria o geógrafo Paul Veyret na Revue de Géographie Alpine: O próximo Congresso deve reunir-se no Rio de Janeiro em 1956. o vale “perdurará como um hollow frontier30 no conceito de Preston James” (Lopes. Como é sabido. nos trabalhos de Pierre George. Fábio Macedo Soares Guimarães (apud. conforme apontavam dos estatutos da UGI (Noticiário. claro. 1950: 503). as proposições de Hartshorne seriam contestadas nos anos seguintes por aqueles afeiçoados à New Geography. mas prenhe de promessas. e o intensificaria na década de 1950. de sua parte.34 39 O CNG também havia nos anos anteriores participado. 1950: 124). 1950: 124). Lopes. E no exterior também. A escolha de um país tropical do hemisfério sul que se desenvolve ràpidamente e onde a geografia apresenta um surto recente.35 Na França.

Com todas as limitações que uma “arqueologia das palavras” possa apresentar. mais de vinte e cinco anos depois da empreitada da Comissão do Vale do São Francisco. E que o critério das bacias hidrográficas permanecia – agora associado a novas técnicas e metodologias – ainda ativo. É exemplar que. só se adensará nos anos após Congresso e no planejamento do regime militar. 42 Em anexo constam meramente as referências à palavra “planejamento” nos números da RBG no período aqui pesquisado. 1953: 643) Nos anos vindouros. Esta. sabemos que aqui estão indicadas apenas pistas sobre seu período inicial no país e sua relação com a geografia. 1975: 127-132). 2007). fosse a convite do IBGE ou não. 5 | 2015 . Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 11 Estamos certos de que o Brasil reservará aos futuros congressistas uma acolhida das mais calorosas. (Noticiário. como já tivemos oportunidade de demonstrar (Bomfim. esperamos que estes apontamentos aqui feitos abram caminhos para futuras pesquisas. Ao falar do planejamento no Brasil. o planejamento dos governos militares voltaria a jogar forças no “vale das oportunidades” (Brasil. o planejamento como panaceia 41 Os dias seguintes ao XVIII Congresso da UGI seriam assinalados pela vinda de diversos geógrafos franceses e norte-americanos para o Brasil. Terra Brasilis (Nova Série).

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. consulte-se Lafer (2001). Capitalismo cujas características essenciais seriam: surgimento a partir da economia colonial. nascimento “desacompanhado de forças produtivas capitalistas”. Pode-se enquadrar o planejamento na peculiaridade indicada por Lefèbvre (2000. Fred K. Sobre a Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro. podem-se citar os trabalhos de Cardoso (1982). Paris. In Revista Brasileira de Geografia.56-59. Companhia Editora Nacional. Orlando (1961). Michel. 6. por sua vez. Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 16 Rochefort . 2ª ed. nº 3. “Geografia – ciência moderna ao serviço do homem”. nº 12. ver Pereira (2003). nº 2. pp. pp. Boston: Houghton Mifflin Company. et al (1970). Travassos. e “uma dinâmica da acumulação” atrelada “às injunções do Estado e da grande empresa oligopólica estrangeira” (Mello. “O excepcionalismo na geografia: um estudo metodológico”. Uma premissa central do planejamento de matriz keynesiana residia na ênfase dada ao papel do Estado enquanto grande interventor na organização do território. 1984: 177). 2. (1988) The coming of New Deal. Fonte: Elaboração do autor NOTES 1. Lúcio de Castro (1948).. 12. Sobre as universidades mencionadas e particularmente sobre a criação da USP e da Universidade do Brasil. APPENDIXES Anexo: Referências ao conceito de planeamento em publicações da Revista Brasileira de Geografia [RBG] no período 1939-1956. pp. composto pelo Conselho Nacional de Estatística (17/11/1936). Duarte (2011) fornece de sua parte valorosas informações sobre a atuação de engenheiros na construção dos “saberes geográficos”. vol. Éditions du Seuil. o qual dá lugar ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística propriamente dito (criado em 26/01/1938). Aménager le territoire. Boletim Geográfico do Rio Grande do Sul. Soares. no espaço e dele se servir instrumentalmente para atingir todos os níveis e todas as instâncias econômicas da sociedade. Schlesinger Jr. Arthur M. 1993: 19). Projeção continental do Brasil. 4. 5 | 2015 . Massi (1991).436) de o Estado intervir. 1970). 7. pelo Conselho Nacional de Geografia (24/03/1937) e pela Comissão Censitária Nacional. São Paulo. Zarur. criada logo após o IBGE (02/02/1938) (Penha. Boletim Carioca de Geografia. de maneira a corrigir as “inadaptações” da economia capitalista. 10. “Delimitação da Amazônia para fins de planejamento econômico”. Schaefer. aparecimento da grande indústria sem a consolidação de um setor de bens de produção estritamente nacional. pp. Terra Brasilis (Nova Série). “Reflexões sôbre uma reforma agrária para o Brasil”.163-210. A respeito do Plano de Metas. vol. vol. ainda mais em países “subdesenvolvidos” (Rochefort.313-326. Mário (1935). 5. ano XXVII. Jorge (1944). As raízes do IBGE remontam ao Instituto Nacional de Estatística (criado em 29/05/1036). pela via de seus órgãos burocráticos e políticos. Revista Brasileira de Geografia. Valverde. (1976). Nadai (1981). IEA (1994). 3.9-50. et al. p. 6. substituição de importações “restringida”.

a tentativa de aproximação e “adaptação” ao contexto nacional das teses econômicas clássicas keynesianas e marxistas (na retórica do subdesenvolvimento como consequência do imperialismo). a “Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE – pretende ser um órgão de natureza renovadora com o duplo objetivo de dar ao Governo um instrumento que o capacite a formular uma política de desenvolvimento para o Nordeste e.692. Em seu importante livro. 12. seu escopo não ultrapassava o de um “conjunto de medidas de ordem Terra Brasilis (Nova Série). 13. 1959: 18). Previsto pela Constituição de 1937 e criado em 30 de julho de 1938 o DASP foi um órgão diretamente subordinado à Presidência da República. posto como agente de difusão de inovações em todos os países do chamado capitalismo tardio. como as da Alemanha e do Japão. 11. prussianas. Interessante contrapor duas leituras sobre o Plano de Metas. integrando o planejamento e descentralizando somente as etapas de execução. no qual os aspectos regressivos se combinaram aos traços modernizantes.. Criou-se a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) pela Lei n o 3.). 9.] a inexistência de classes sociais economicamente significativas – de uma burguesia inovadora e de um proletariado reivindicativo – eram evidências que enfraqueciam o uso prático das teorias europeias na modernização econômica das nações pobres do continente americano. quando deu lugar à Secretaria de Administração Federal da Presidência da República (SAF). dispersas pelo DNOCS – Departamento Nacional de Obras contra as Secas –. Logo. para Antonio Carlos Robert Moraes (1994: 19). José Chasin (1978) defende o caráter “hipertardio” da formação do capitalismo brasileiro. incompleto. embora o plano tenha exercido “profunda influência” no projeto modernizador do país. o plano representa fundamentalmente a proposta de distribuição das inovações no espaço nacional” (Moraes. 14. Certamente nos reportamos aqui ao quadro de uma modernização conservadora. 10. submetidas a um mesmo conjunto de diretrizes. de “via colonial”. um movimento excludente em relação às forças democráticas e populares (Gramsci. tem-se o advento do atual Ministério do Planejamento. 5 | 2015 . os paradigmas originais da economia política – tanto marxistas como liberais – tinham seus usos práticos comprometidos na América Latina por uma simples variável: aquela de um contexto sócio histórico diferente do europeu ou norte-americano”. Quando esse ministério se funde com o do Planejamento (no início do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso). s/d. “a falta de uma economia de mercado dinâmica e [. Embora isso seja pouco comentado. Como salienta Martins (1993. transformada em Ministério da Administração e da Reforma do Estado em 1995. Em suas palavras. ambicionando assim centralizar as políticas para o Nordeste. 15. E seu principal indutor é o Estado.. até 1986. Nesse sentido. de forma muito diferente das clássicas vias “tardias”. porém. E o instrumento estatal básico para realizar tal função será o planejamento. o habilite a modificar a estrutura administrativa em função dos novos objetivos” (Furtado. 1994: 18). visando organizar e racionalizar o serviço público do país por meio de uma suposta reforma administrativa. o que na temática do planejamento se vinculou com concepções políticas nas quais a “questão social” passou ao largo. sob notória influência de Celso Furtado. DNER – Departamento Nacional de Estradas de Rodagem – e Comissão do Vale do São Francisco e unificando as ações do governo. ao mesmo tempo. NAE refere-se ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. o antigo DASP sobreviveu. Se para Celso Lafer (2001: 49) o plano do governo JK “foi um caso bastante bem-sucedido” neste campo em tela. Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 17 8. num espectro político mais ou menos amplo. Orçamento e Gestão (Brasil. as quais caberiam a órgãos específicos. ainda que muitíssimo esvaziado. p. de 15 de dezembro de 1959.28). “Na periferia a modernização é induzida. Evidencia-se aqui uma problemática no entendimento de como se deu. entendido como a pré-ideação da intervenção deliberada sobre os diferentes lugares. 1975: 113-120).

Soares. por estarem localizados em seu percurso os grandes centros industriais e as empresas elétricas que os abastecem. que na época já existia. 20. a Comissão de Estudos sôbre a Localização da Nova Capital. a Comissão de Valorização da Amazônia. o X Congresso Brasileiro de Geografia. 22. não nos podemos queixar. Conforme pronunciamento de Fábio Macedo Soares Guimarães (apud. na Inglaterra. Assim é nos Estados Unidos. podem-se mencionar Eugenio Gudin. Importante notar que já existia na época a Colônia Agrícola Nacional Terra Brasilis (Nova Série). 1948: 174. Quanto ao Brasil. 1948: 163). Como é sabido. 5 | 2015 . 18. 199 “Na execução do Plano de Valorização Econômica da Amazônia. prevista no Plano Rodoviário Nacional. bem como os respectivos municípios. ocorreu entre 07 e 16 de setembro. p. Les paysans du Delta tonkinois. com a qual o Conselho já iniciou relações esperando poder apresentar uma contribuição realmente útil”. Fernando de Noronha (reincorporado a Pernambuco em 1988) e Amapá. onde o êxito tem sido bastante grande. reservarão para o mesmo fim. (Constituição Federal de 1946 apud. deverão ser construídas na direção geral de suas estradas de ferro. Inicia-se. 23.29). Os recursos de que trata êste parágrafo serão aplicados por intermédio do Govêrno Federal”. Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 18 econômica interessando basicamente a dotação de infraestruturas requeridas pelo crescimento industrial”. 1950: 502): “Não só no Brasil. por sua vez. Parágrafo único: Os Estado e os Territórios daquela região. 1946: 166). agora. a Comissão do Vale do São Francisco. Essa compreensão está até vindo mais depressa do que poderíamos esperar. além de estabelecerem tais estradas ligação direta entre estes centros e as fontes potenciais de energia da região” (Noticiário. Entre “privatistas” notórios. mas também em outros países mais adiantados do que nós atualmente. A primeira diretiva recomendava a “divisão do país em regiões de coordenação caracterizadas pelos seus recursos energéticos. a tendência para utilizar os geógrafos em comissões de planejamento é cada vez maior. anualmente. as linhas de interligação deverão ser construídas. 25. cujos entusiastas provinham em geral da Universidade de Chicago (Moreira (2015. Muitas vêzes tem havido colaboração com os Estados Maiores. 17. 24. Rio Branco (Roraima). sempre que possível de modo a permitir a alimentação econômica das linhas de suprimento geral da região. foram transformados em estados da federação em 1988. 1948: 183). 21. Ponta Porã e Iguaçu (extintos pela Constituição de 1946). todos os territórios. A Constituição Brasil de 18 de setembro de 1946 estabelecia em seu art. pelo menos vinte anos consecutivos. Étude de géographie humaine. Noticiário. três por cento das suas rendas tributárias. Estas. a colaboração com a Secretaria de Agricultura do Estado do Rio para a valorização da Baixada Fluminense. seja do Exército. a União aplicará durante. 1946: 166). Roberto Campos e Mário Henrique Simonsen. Basta citar rapidamente uma série de órgãos do Serviço Público com os quais o Conselho tem sido chamado a cooperar neste gênero de trabalho: o Conselho de Imigração e Colonização. foi matéria de projeto de lei apresentado no Congresso em 24 de junho de 1947 pelo deputado federal Jales Machado de Siqueira (Soares. A rodovia Belém a Anápolis. em São Paulo. incluindo o Acre. Charles Colby era um dos mais conhecidos nomes da geografia “aplicada” nos EUA. apud Soares. correlacionados com as concentrações demográficas e a estrutura e locação de suas forças produtoras” e a “centralização progressiva da energia elétrica em cada região. Pierre Gourou. e começa a ser assim também na Alemanha e na França. 19. 16. Hidrelétrica de Paulo Afonso. a Cia. Recentemente. Na sequência. “No estabelecimento das redes regionais. Os territórios criados foram: Guaporé (atual estado de Rondônia). quantia não inferior a três por cento da sua renda tributária. tivemos a satisfação de saber que havia sido criada uma Secção de Geografia e História no Estado Maior do Exército. seja da Aeronáutica. interligando e coordenando as operações de produção e transmissão de seus respectivos sistemas” (Noticiário.

Com efeito. a saber. 29. autor do artigo citado. Preston James denominou-o como hollow frontier. 1949: 274). Tal fenômeno. na década de 1930. agrupados em famílias e comunidades de pequenos proprietários. a Amazônia apareceria como “natural” zona potencialmente polarizadora de toda a América do Sul. 31. pela posse da terra. faria parte desta comissão). da Eletrobrás. seriam adotadas diversas medidas para. transpondo-as para a realidade sul-americana. Para recordar a classificação das etapas do planejamento que vimos adotando. na qual se apresentava como problema-chave a oposição entre Brasil e Argentina – traduzida no antagonismo das bacias do Prata e do Amazonas. graças à direção oriental que tomaria sua bacia. Miyamoto (1985) destaca como grandes temas do pensamento geopolítico nacional questões em voga no debate sobre o planejamento. tendo sido capaz de esticar seus tentáculos por todo o coração do continente sul-americano. 1993) e. levando o Plano – e. num escopo maior. pois diz respeito ao tipo de imigrante de que necessitamos para a colonização: A finalidade principal da imigração no Brasil. 26. 27. desta à manufatura e à fábrica” (Faissol. praticando uma agricultura avançada e que possua uma indústria paralela. a Argentina estaria. trabalho e administração. não deve ser a do aumento da população. nacionalidade ou religião. 30. Quanto aos objetivos principais. a urgência em tomar as rédeas de ação no Brasil. conforme elaborada por Palazzo (apud. (O próprio Christóvam Leite de Castro. 2004). eletrificar o território. no ano de 1954) a criação do Plano Nacional de Eletrificação. as fronteiras. Haveria um processo “anormal” de povoamento se a faixa pioneira deixasse “atrás de si terras cansadas e em processo de despovoamento”. entre 30 de abril e 07 de maio de 1949. mas a de sua utilização como elemento de melhoria dos padrões culturais – agrícolas ou industriais – existentes no país. Com isso se pretenderia chegar ainda à formação de uma sociedade rural radicada ao solo. 1961: 56). previsto no § 1 daquele dispositivo constitucional” (Castro. foi recomendado que a colonização deveria visar a formação de um tipo de agricultor. Mas esta polarização seria absolutamente “artificial”: contra ela. realizada em Goiânia. Ao resenhar o evento. vê no “sistema de forças” geopolíticas argentinas um sistema ferroviário coeso. Por isso. 28. quando escreve. militar que tomou para si teorias de clara inspiração mackinderianas. Ao mesmo tempo em que Travassos lamenta a carência de uma rede viária brasileira. principalmente. Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 19 de Goiás (Diniz Filho. temáticas menos voltada à projeção do país que à decantada questão da coesão interna. reveladora da importância dada à “ocupação” – claro que do ponto de vista do Estado – do território no após-guerra. 1946: 567). a divisão territorial e a implementação de redes de transportes. 5 | 2015 . firmou-se o princípio de que o Brasil não deve depender unicamente do crescimento vegetativo da população Como nação nova. e que esta colonização se deveria processar sem preconceitos de raça. a partir de nascentes andinas (Travassos. o Plano de Metas de JK Terra Brasilis (Nova Série). É significativo mencionar o comentário de Speridião Faissol por ocasião da I Conferência Brasileira de Imigração e Colonização. um dos itens aprovados na Comissão de Imigração merece especial destaque. a questão da centralidade da capital federal. contexto em que se nomeou uma “Comissão de técnicos de reconhecido valor para proceder ao estudo da localização da nova capital". Além disso. literalmente. além de captações de recursos e impostos para o setor energético. em vantagem. resultante da evolução normal da agricultura ao artesanato. o geógrafo do IBGE afirmaria que: “Considerou- se a colonização como tôda ação pública ou privada que vise a utilização da terra por indivíduos nacionais ou estrangeiros. de “caráter concêntrico”. nos anos seguintes. A política de transportes como fator geopolítico foi exemplarmente trabalhada no Brasil por Mário Travassos. Para o geopolítico. processo também muito analisado por Leo Waibel (Valverde. precisa receber a contribuição de fora. 1935: 30). Marcam o segundo governo Vargas (notadamente. Quanto a esta contribuição. no qual se reúnam as três funções básicas de uma emprêsa agrícola – capital. o artigo 4º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição de 18 de setembro de 1946 ratificava que “A capital da União [seria] transferida para a região do planalto central do país". Cadernos NAE.

ABSTRACTS Pensa-se frequentemente que a geografia “tradicional” teve pouco interesse no que concerne a questões políticas e econômicas. Nessa época. Noticiário. many geographers were involved in research applied directly to State interests. 2015: 67/11-112). o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) teve singular importância na consecução de políticas públicas. (Burton. Lembramos mais uma vez a capital importância do trabalho de Soares (1948). do ponto de vista geográfico. apud. Leo Waibel. The focus was on regional planning. de 1536 MW de capacidade instalada em 1950 para um patamar de 8828 em 1970 (Moreira. e propuseram-se novos limites. especialmente na América Central. rastrear as origens desse conceito na geografia brasileira. Segue-se daí que qualquer ramo da geografia que alegue ser científico necessita do aperfeiçoamento da teoria. the intention of this article is to debate the meanings of the concept of planning in a crucial period of Brazilian economic history: The Vargas Era. enfrentava-se o problema de “organizar” racionalmente o território como passo para modernizar a economia. e que. e pode não ter fim a necessidade de mais e melhores teorias. At that time. In the interwar period. Porém. “Tais estudos tiveram como orientador científico o Prof. mas que. delimitou uma região para a qual convergiriam 3% do orçamento da União. “As técnicas quantitativas são o método mais apropriado para o desenvolvimento da teoria na geografia. pois. (Guimarães. (Guimarães. Realizaram-se então estudos. com larga experiência do assunto em outras regiões. The Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE) was exceptionally important in the attainment of public policy. 5 | 2015 . No período entre guerras. trouxe seu concurso e sua experiência aos nossos técnicos”. 32. 1971: 18). a Presidência da República dirigiu-se ao [CNG]. Assim. 1950: 503). iniciou-se o projeto de modernização do território nacional. Nas páginas da Revista Brasileira de Geografia. apud. “Nem todos sabem que os territórios federais foram criados sem publicidade prévia. Among several institutions established by the State. 33. em 1939. 35. A prevailing point of view is that “traditional” geography had little interest regarding political and economic issues. Tendo sido bastante utilizado em textos ulteriores na RBG. A era quantitativa permanecerá tanto tempo quanto seus métodos possam se revelar como auxiliares no aperfeiçoamento da teoria. Estava em foco o planejamento regional. publicação central do Instituto. solicitando-lhe pronunciamento quanto aos limites adotados. Noticiário. However. pretende-se neste texto debater os significados do conceito de planejamento em um período crucial na história econômica brasileira: a Era Vargas. 1950: 503). até recentemente. muitos foram os geógrafos que se envolveram em pesquisas “aplicadas” diretamente aos interesses dos Estados. 34. Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 20 e outros instrumentos subsequentes – a um real incremento da energia hidroelétrica no Brasil. Therefore. a project for modernizing national territory began. Terra Brasilis (Nova Série). the problem was in rationally organizing territory as a step towards modernizing the economy. o planejamento foi discutido desde sua primeira edição. depois de sua criação. Dentre várias instituições criadas pelo Estado. não deixa de ser importante. que foram integralmente aceitos”. [1963]. Se é fato que o planejamento ganha força teórica e política após o golpe militar de 1964. e qualquer ramo da geografia que tenha necessidade de teoria necessita de técnicas quantitativas”.

planejamento. Entre las diversas instituciones creadas por el Estado. Amazônia. planification. Estaba en mira pues el tema de la planificación regional. Mais beaucoup ont été les géographes qui se sont engagés dans la recherche “appliquée” directement aux intérêts des États. França. Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 21 In the Brazilian Journal of Geography. Pendant la période de l'entre-deux-guerres. se pretende en este trabajo presentar los significados del concepto de planificación en un período crucial de la historia económica de Brasil: La Era Vargas. En el período de entreguerras. IBGE. L’Ère Vargas. 5 | 2015 . il est prévu dans ce texte discuter les significations de la notion de planification à une période cruciale dans l'histoire économique du Brésil: L’ère Vargas. políticas de Estado AUTHOR PAULO ROBERTO DE ALBUQUERQUE BOMFIM Professor do Instituto Federal de Educação. À cette époque. de retrouver les origines de ce concept dans la géographie brésilienne INDEX Geographical index: Brasil. Si bien es cierto que la planificación adquiere fuerza teórica y política después del golpe militar de 1964 es importante pues indagar acerca de los orígenes de ese concepto en la geografía brasileña. Ainsi. Vale do Rio São Francisco. el Instituto Brasileño de Geografía y Estadística (IBGE) tuvo singular importancia en la consecución de las políticas públicas. la publicación central del Instituto. planning was discussed since its first edition in 1939. En las páginas de la Revista Brasileña de Geografía. Parmi les différentes institutions créées par l'État. IBGE. a key publication of the Institute. State policy Chronological index: 1939-1956 Palabras claves: geografía brasileña. De ese modo. Pero muchos fueron los geógrafos que participan de las investigaciones "aplicadas" directamente a los intereses del Estado. on a confronté le problème “d’aménager” rationnellement le territoire comme une étape vers la modernisation de l'économie. If indeed planning gained its theoretical and political strength after the military coup of 1964. Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) Terra Brasilis (Nova Série). L’accent est mis sur la planification régionale. en 1939. On pense souvent que la géographie “traditionnelle” a présenté un intérêt limité en ce qui concerne les questions politiques et économiques. políticas de Estado Mots-clés: géographie Brésilienne. Se piensa a menudo que la geografía "tradicional" tenía poco interés en lo que se refiere a las cuestiones políticas y económicas. politiques d’État Keywords: Brazilian geography. The Vargas Era. Era Vargas. donc. Era Vargas. la planificación ha sido discutida desde su primera edición. planning. il a commencé le projet de modernisation du territoire national. la publication centrale de l'Institut. En aquel momento se empezó el proyecto de modernización de la nación. S'il est vrai que la planification prend des forces théoriques et politiques après le coup d'État militaire de 1964. Dans les pages de la Revue Brésilienne de Géographie. se ponía el problema de la "organización" racional del territorio como paso hacia la modernización de la economía. “l'Institut Brésilien de Géographie et de Statistique” (IBGE) avait une singulière importance dans la réalisation de la politique publique. then it is important to trace the origins of this concept in Brazilian geography. planificación. IBGE. la planification a été discuté depuis sa première édition en 1939. il reste important. Estados Unidos Palavras-chave: geografia brasileira. IBGE.

Conceitos e significados do planejamento na geografia brasileira e o IBGE 22 albuquerquebomfim@hot mail. 5 | 2015 .com Terra Brasilis (Nova Série).