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DIREITO DO CONSUMIDOR PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA

Aula um – Direito do Consumidor Prof. Antonio Nóbrega

Estimados

concurseiros

e

futuros

colegas

no

serviço público,

apresentamos a vocês, nas linhas a seguir, o nosso Curso de Direito do Consumidor, voltado para o concurso do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

Trata-se de uma excelente oportunidade para ingressar no serviço público, considerando a adequada remuneração do cargo e a relevância das funções inerentes ao cargo.

A matéria de Direito do Consumidor encontra-se prevista na parte de Direito Civil (Ponto 23), sendo divida em seis tópicos. É relevante frisar que, de acordo com o edital, o conteúdo cobrado pelo examinador não contemplou todas as questões ligadas ao Direito do Consumidor – não tratou, por exemplo, dos crimes contra o consumidor e da Defesa do Consumidor em Juízo.

Todavia, a matéria restante ainda é suficientemente densa para demandar um estudo mais aprofundado em determinados tópicos, evitando surpresas na hora da prova.

Desta forma, nosso curso irá tratar de todo o conteúdo do edital e, em alguns momentos, iremos discorrer sobre alguns institutos afins, com o objetivo de fornecer segurança e solidez ao aprendizado que está por vir – por exemplo, iremos tratar da decadência e prescrição, institutos não previstos especificamente no edital, mas que, de certo modo, se ajustam ao tópico “prevenção e reparação dos danos”.

Busca-se, assim, criar sólidos alicerces para que o candidato esteja pronto para compreender e apontar, ainda que não se lembre exatamente do conteúdo cobrado, a resposta exata nas questões apresentadas.

Após estas breves palavras introdutórias, gostaria de me apresentar a todos vocês. Alguns talvez já me conheçam, uma vez que fui professor da matéria referente à Legislação Básica de Seguros para o concurso da SUSEP, de Direito Empresarial para o concurso de Auditor Fiscal do DF e de MG, e de Direito do Consumidor para o Procon/DF e Procon/RJ.

Meu nome é Antonio Carlos Vasconcellos Nóbrega, 35 anos, tenho formação jurídica e moro em Brasília desde 2008.

Ingressei no serviço público em 10 de outubro de 2008, quando tomei posse no cargo de Analista de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União (CGU), umas das chamadas Carreiras Típicas de Estado, após aprovação

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no respectivo concurso público. Atualmente, estou lotado no Gabinete da Corregedoria-Geral da União.

Dois anos antes, já havia obtido êxito na aprovação no concurso público para provimento do cargo de Especialista em Regulação de Serviços Públicos de Telecomunicações da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL).

Na carreira jurídica, durante cinco anos fiz parte dos quadros de um renomado escritório de advocacia que atua no mercado de seguros, quando tive a oportunidade de defender grandes empresas do ramo junto à esfera judicial e administrativa, além de trabalhar na área de Direito do Consumidor.

Atuei, ainda, no combate à fraude contra o seguro, tendo sido responsável pela coordenação do Departamento Jurídico Criminal do escritório, cuja principal ocupação era identificar possíveis pleitos indenizatórios irregulares e a consequente aplicação da lei ao caso analisado.

Diante da necessidade de constante atualização, cursei e concluí duas pós-graduações, uma em Direito do Consumidor, na Escola de Magistratura do Rio de Janeiro (EMERJ), e outra em Direito Empresarial, na Fundação Getúlio Vargas (FGV), ainda na cidade do Rio.

Além disso, participei de diversos cursos na Escola Nacional de Seguros - FUNENSEG, por onde publiquei um ensaio sobre o Contrato de Seguro e o Código de Defesa do Consumidor.

Na área acadêmica, tive a oportunidade de coordenar um curso de combate à fraude contra o seguro no Rio de Janeiro, ocasião em que lecionei matérias ligadas ao Direito Civil, Direito e Processo Penal e legislação específica atinente ao universo do seguro.

Amigo candidato, todos sabemos das dificuldades de aprovação em um concurso público, tal como esse que você está prestes a enfrentar. As minúcias do tema exigido nas provas e a grande concorrência pelas vagas resultam, inicialmente, em certa apreensão e ansiedade por parte do candidato. Mas você não está sozinho nesta jornada.

Nos três próximos encontros, procuraremos apresentar os conhecimentos necessários para que a matéria seja compreendida em toda a sua plenitude, com a farta utilização de exemplos, bem como de exercícios acerca do tema.

Já é hora de pensar que a aprovação é um sonho possível, e que a posse em cargo público será a recompensa final pela perseverança e dedicação daqueles que não hesitarem em transpor os obstáculos naturais deste caminho.

Este é o nosso objetivo.

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Então, vamos aos trabalhos?

O curso que iremos iniciar será dividido em quatro aulas com os seguintes

temas:

Disciplinas

Data da divulgação das aulas

Introdução ao Direito do Consumidor, características e natureza do CDC, integrantes e objeto da relação de consumo (consumidor, fornecedor, produto e serviço).

19/02/13

Política Nacional de Relações de Consumo e Direitos dos consumidores, Qualidade de produtos e serviços e proteção à saúde e segurança do consumidor, Prevenção e reparação dos danos, decadência e prescrição.

24/02/13

Oferta e publicidade, Práticas abusivas de mercado, Cobrança de dívidas, Bancos de dados e cadastros, serviços de proteção ao crédito.

01/03/13

Regime jurídico e principiológico dos contratos de consumo, cláusulas abusivas, Contratos de adesão.

06/03/13

O escopo fundamental dos nossos encontros será trabalhar a Lei 8.078/90

sob uma ótica diferenciada, com apontamentos dos dispositivos legais que apresentam uma carga de conteúdo que pode ser incorporado em uma questão de concurso.

É certo, também, que a mera apresentação ou menção a artigos, que

visem a simplesmente fazer com que o candidato memorize o texto legal, poderá causar alguns problemas no momento da realização da prova, principalmente quando ocorrer o tão temido “branco” em hora de nervosismo.

Torna-se necessária, então, uma leve abordagem doutrinária sobre alguns temas, principalmente aqueles que apresentam especificidades não encontradas

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usualmente pelos candidatos. Alguns termos e expressões, utilizados na redação das normas, que serão debatidas nas aulas seguintes, exigem um conhecimento pontual para sua total compreensão.

Com uma boa base de conhecimento teórico, será possível ao candidato analisar uma questão e, mesmo que não se recorde com exatidão do texto legal, estará em condições de deduzir qual é a opção correta (ou pelo menos quais respostas estão possivelmente erradas).

Recomendamos, desde já, que a leitura dos artigos apontados no Código de Defesa do Consumidor seja feita repetidamente pelo candidato e em conjunto com o estudo desta apostila. Tal tarefa inicialmente parecerá enfadonha e cansativa, mas vou lhe dar uma dica: procure sublinhar os dispositivos mais relevantes e aqueles que realmente têm chance de serem explorados pela banca, para que na segunda leitura você possa se limitar a tais artigos, repetindo-os em voz alta e dando uma aula para si mesmo.

E

então

aprovação?

candidato,

vamos

começar

nosso

AULA UM

caminho

em direção à

ROTEIRO DA AULA – TÓPICOS

1) Introdução ao Direito do Consumidor

2) Características e natureza do CDC

3) Integrantes e objeto da relação de consumo (Consumidor, Fornecedor, Produto e Serviço)

4) Situações específicas

5) Exercícios

1) Introdução ao Direito do Consumidor

Candidato, as palavras a seguir têm como escopo introduzir o tema, para que você possa se familiarizar com os contextos históricos mundial e nacional que resultaram na promulgação da Lei nº 8.078/90 – Código de Defesa do Consumidor. Busca-se, assim, criar um ambiente mais sólido para que possamos tratar da matéria prevista no edital.

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Até o início do século 20, as relações de consumo, ocorriam num ambiente firme de confiança entre contratantes, que se conheciam como pessoas. O comerciante e o cidadão-consumidor habitavam em comunidades menores, nas pequenas cidades, ou nos grandes centros, em bairros em que eram mantidas as relações de proximidade.

Por uma necessidade histórica, houve a invenção da máquina de produção em série e o incremento da circulação de bens e serviços. Surgiram as grandes redes distribuidoras e o comércio também em rede, em que as relações foram levadas ao extremo da despersonalização. O consumidor já não conhecia mais (necessariamente) o fornecedor de bens e serviços. E cai em desuso até mesmo uma expressão clássica no comércio: “comprei na mão de fulano”.

Com a despersonalização do trato comercial, a publicidade passa a ocupar o lugar que antes pertencia ao “bom nome” do comerciante/fornecedor de serviços. O consumidor, que já não pode mais se valer da confiança pessoal e boa fama do comerciante, a quem agora desconhece, fica à mercê de engrenagens poderosíssimas de publicidade, que dão ao produto e aos serviços uma aparência destinada à vitrine e que nem sempre corresponde à realidade.

Cria-se um estado de desinformação do consumidor, exatamente em consequência do aparecimento das formas de produzir informação, dirigida a resultados comerciais.

O consumidor perde o controle do ato que deve anteceder a qualquer

negócio: a serenidade, a boa certeza da escolha. Desamparado, é natural que acabe por tentar a organização do lado que passa a ser mais fraco e mais desinformado na cadeia de relações de produção, venda e compra.

Surgiu então, em Nova York – a capital mundial de um mundo novo consumista – uma primeira organização voltada à defesa do consumidor: New York Consumers League, fundada em 1891. E já na década de 30 do século 20 surgem grupos de defesa do consumidor na Inglaterra, Itália e França. Finalmente, terminada a Segunda Grande Guerra, o movimento chega ao Canadá ao mesmo tempo em que se espalha por toda a Europa.

O movimento consumerista, aos poucos, ia deixando de ser visto como

bandeira de inconformados, assumindo coloração que lhe é própria, de defensor

da cidadania. A matéria passou a ter presença na ONU: em 11 de dezembro de 1969 foi aprovada a Resolução nº 2.542, em que era proclamada a declaração sobre progresso e desenvolvimento social. E, posteriormente, em 1973, quando a Comissão de Direitos Humanos da Organização reconheceu, formalmente, a existência de direitos fundamentais e universais do consumidor.

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O Brasil não ficou alheio à movimentação mundial em favor de mais ética nas relações de consumo. Em 1978 foi criado em São Paulo, por meio da Lei nº 1.903/78, o primeiro Procon tal como conhecemos, com o nome de Grupo Executivo de Proteção Consumidor. Em nível federal foi criado em 1985 o Conselho Nacional de Defesa do Consumidor, substituído pela atual Secretaria Nacional de Direito Econômico.

Na verdade, desde quarenta anos antes o Brasil já se preocupava com o

assunto: a célebre e raramente usada (embora frequentemente invocada) Lei da Usura (Decreto nº 22.626) é de 1933. Normas de proteção à economia popular surgiram desde então: Decreto-Lei nº 869/38, e Decreto-Lei nº 9.840/46, trataram dos crimes - na relação de consumo - contra a economia popular. Em 1962 aparece a Lei nº 4.137 – que trata da repressão ao Abuso do Poder Econômico -, revogada posteriormente pela Lei nº 8.884/94, trazendo, entre outras novidades, a criação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), que ainda hoje funciona, dentro da estrutura do Ministério da Justiça e que, de modo reflexo, pode atuar nas relações de consumo.

Em 1984 um novo e significativo avanço: a edição da Lei nº 7.244 (que seria revogada pela Lei nº 9.099/95), que autorizou os Estados a criarem e darem funcionamento aos Juizados de Pequenas Causas. Em julho de 1985 foi promulgada a lei que disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao consumidor, e que deu início à tutela jurisdicional dos interesses difusos no Brasil. Junto com a Lei foi assinado o Decreto Federal nº 91.469 (alterado pelo Dec. nº 94.508/87), pelo qual foi criado o Conselho Nacional de Defesa do Consumidor, na estrutura do Ministério da Justiça. Esse órgão foi extinto no Governo Collor, e substituído pelo Departamento Nacional de Proteção e Defesa do Consumidor.

O coroamento de toda essa movimentação em favor dos direitos

fundamentais e essenciais do consumidor viria em outubro de 1988, com a promulgação da Constituição Federal, em cujo texto restou consignado, no inciso XXXII, do art. 5º, a seguinte redação:

“O Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor”

Mais adiante, o inciso V do art. 170 elevou a defesa do consumidor a um dos princípios da Ordem Econômica de nosso País. E foi nesse contexto que, em 11 de setembro de 1990, teve-se a promulgação da Lei nº 8.078, que passou a ser conhecida como Código de Defesa do Consumidor, indiscutivelmente uma das maiores conquistas da cidadania brasileira.

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2) Características e natureza do CDC

2.1 Natureza principiológica

De acordo com o que foi debatido até agora, torna-se evidente a vocação constitucional do CDC, já que nasceu em virtude de disposições consignadas na Constituição Federal de 1988. Com efeito, a natureza diferenciada da Lei nº 8.078/90 gera consequências no modo de interpretação dessa norma, na interação com outras leis e no seu papel dentro do sistema jurídico nacional.

Diante deste quadro, é relevante atentar para a natureza principiológica do Código de Defesa do Consumidor, o que significa dizer que apresenta normas que veiculam valores e estabelecem objetivos a serem alcançados.

É certo que normas que criam metas e apresentam conceitos abertos constituem uma excelente matéria-prima para que o intérprete da lei possa aplicar regras protecionistas – como aquelas positivadas pelo Código de Defesa do Consumidor – a variadas situações concretas, que se apresentam no dia-a- dia da sociedade moderna.

Pode-se até afirmar que estes conceitos indeterminados possibilitam que a lei se adapte às mudanças sociais naturais que ocorrem ao longo dos anos, sem que haja necessidade de atualização do texto legal.

Os fins e objetivos traçados notadamente pelo art. 4º da Lei 8.078/90 (dispositivo que será debatido na próxima aula) corroboram as afirmativas acima.

Por exemplo, ao dispor que a Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o respeito à saúde e segurança dos consumidores, possibilita- se a implementação de uma gama de ações positivas, com o intuito de adequar os produtos e serviços oferecidos no mercado de consumo a certos padrões que garantem o atendimento a este princípio.

Ademais, gera para o Estado a obrigação de atuar de modo coercitivo diante das mais diversas situações que ponham em risco a segurança dos consumidores, como quando são colocados no mercado produtos que não obedecem às exigências mínimas de segurança, nos termos dos regramentos estabelecidos pelos órgãos competentes ou, ainda, quando são oferecidos

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serviços que flagrantemente podem colocar em risco o bem-estar e a saúde dos consumidores.

Perceba candidato, que, desta forma, o Código de Defesa do Consumidor acaba por gerar metas e objetivos a serem cumpridos pelos órgãos executivos de nosso País, além de fornecer uma teia de regras e conceitos que passar a influenciar de modo decisivo o Poder Legislativo e que podem ser aplicados em casos concretos levados ao Poder Judiciário.

2.2 Microssistema

É necessário atentar, ainda, para o fato de que, ao explicitar os comandos

constitucionais a respeito do Direito do Consumidor e estabelecer princípios e

do

valores

próprios,

a

Lei

8.078/90

criou

um

microssistema

dentro

ordenamento jurídico nacional.

Assim, ao interpretar o CDC, é necessário considerar que o sistema inaugurado por aquela lei tem vida própria e autonomia em relação a outras normas.

Com efeito, é predominante atualmente o entendimento de que as regras positivadas pelo Código de Defesa do Consumidor irão incidir em determinada situação concreta, ainda que já existam normas que disponham sobre aquele tema, desde que configurada a existência de uma relação de consumo.

Então candidato, para melhor compreensão, pense no seguinte exemplo:

um contrato de seguro é regido basicamente pelos arts. 757 a 802 do Código Civil. Todavia, como veremos adiante, a relação entre o segurado e a seguradora é uma relação de consumo e, desta forma, é certo que as regras apresentadas no Código de Defesa do Consumidor também irão incidir.

Assim, não há de se falar em supremacia do Código Civil e consequente

afastamento da Lei Consumerista naquele tipo de relação. Pelo contrário, deve-

se

buscar estabelecer um diálogo, que resulte em um entendimento harmonioso

e

pacífico entre aquelas normas – a doutrina comumente refere-se a tal

fenômeno como “diálogo de fontes”.

Frise-se, contudo, que, diante de uma situação onde esteja configurada uma hipótese de relação de consumo, caso tal diálogo ainda não seja suficiente para resolver um conflito entre normas, deve-se considerar a natureza dos direitos garantidos pelo CDC e sua vocação constitucional, de modo que as regras trazidas pela Lei 8.078/90 – que tem como principal escopo a proteção

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da parte mais fraca em uma relação jurídica – sejam observadas em primeiro plano.

Evidencia-se que o CDC tem característica multidisciplinar, relacionando- se com diversos ramos do direito, desde que presente, repise-se, uma relação de consumo. O microssistema criado pelo Direito do Consumidor, nesta linha de entendimento, passa a ter a possibilidade de atuar ao lado de outros segmentos de nosso ordenamento jurídico, garantindo a proteção da parte vulnerável da relação.

Código de Defesa do Consumidor Lei nº 8.078/90
Código de Defesa do Consumidor
Lei nº 8.078/90
Natureza principiológica
Natureza principiológica
Natureza principiológica
Natureza principiológica

Natureza principiológica

Natureza principiológica
Microssistema jurídico
Microssistema jurídico
Microssistema jurídico
Microssistema jurídico
Microssistema jurídico
Microssistema jurídico

Microssistema jurídico

Microssistema jurídico

2.3 Competência para legislar sobre Direito do Consumidor

O Código de Defesa do Consumidor é uma lei federal, editada de acordo com a competência lapidada nos incisos V e VIII, do art. 24 da Constituição Federal.

De acordo com aqueles dispositivos, a competência para legislar sobre consumo e danos ao consumidor – bem como sobre diversas outras matérias elencadas no aludido art. 24 – é concorrente entre União, Estados e Distrito Federal. E o que significa dizer que a competência é concorrente?

Nos termos do §1º e §2º do mesmo art. 24, denota-se que, na competência concorrente, a União “limitar-se-á a estabelecer normas gerais”, enquanto aos Estados e ao Distrito Federal caberá suplementar aquelas disposições.

Ou seja, no caso específico da defesa do consumidor, a União, ao exercer sua competência geral, editou a Lei nº 8.078/90 (CDC), enquanto coube (e ainda cabe) aos Estados e ao DF dispor sobre normas suplementares que irão produzir seus efeitos dentro dos respectivos entes federativos.

Como exemplo do exercício desta competência por parte dos Estados e do

DF, podemos citar a Lei Distrital nº 2.529/00, que dispõe sobre o tempo

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razoável para atendimento em empresas privadas e públicas no Distrito Federal, e a Lei Estadual nº 5.862/11, do Estado do Rio de Janeiro, que apresenta regras para a cobrança em estacionamentos de veículos automotores.

Tais matérias, como diversas outras que se relacionam diretamente com as relações de consumo, poderão ser dispostas em leis estaduais ou distritais, desde que sejam observadas as regras constantes na norma geral acerca do tema: o Código de Defesa do Consumidor.

Para concluir, seguem as palavras do doutrinador João Batista de Almeida acerca deste tópico:

“(

)

o atual texto constitucional contempla explicitamente a competência concorrente

outorgada à União, aos Estados e ao Distrito Federal para legislar sobre responsabilidade por dano ao consumidor (art. 24, VIII), além de reservar a mesma competência a tais entes políticos no que se refere a edição das leis envolvendo “produção e consumo” (art. 24, V). ( ) Assim, os Estados e o Distrito Federal ficam com competência para legislar sobre a matéria, em

caráter concorrente, respeitada a lei federal ou em caráter complementar, pormenorizando as normas gerais estabelecidas na lei federal.”

3) Integrantes e objeto da relação de consumo (Consumidor, Fornecedor, Produto e Serviço)

3.1 Conceito de consumidor

Nos tópicos anteriores foi esclarecido que as relações de consumo recebem um tratamento diferenciado por parte de nosso ordenamento jurídico, tendo em vista, em apertada síntese, a necessidade de proteger a parte mais fraca daquela relação.

Assim, candidato, chegou o momento de apontar quais são os elementos que indicam se determinada relação jurídica é ou não de consumo.

Um contrato de compra e venda de um imóvel, celebrado entre dois amigos merece ser regido pelo CDC? E o contrato bancário celebrado por uma pessoa com uma instituição financeira? Se uma clínica alugar seu espaço para que médicos atendam a seus pacientes estará caracterizada relação de consumo? E quando uma empresa compra ações no mercado de outra?

Diante de indagações desta natureza e da diversidade de relações jurídicas que presenciamos em nosso cotidiano, é necessário que sejam

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investigados todos os requisitos necessários para que se configure uma relação consumerista.

O primeiro deles é a existência de um consumidor. Ao dispor sobre tal conceito, a Lei nº 8.078/90, no caput do seu art. 2º, reza o seguinte:

“Art. 2º Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.”

Da própria redação do texto legal é possível extrair alguns elementos inerentes à ideia de consumidor. Com efeito, denota-se que tanto uma pessoa física como uma pessoa jurídica podem assim ser classificadas.

Todavia, é preciso cautela ao enquadrar uma empresa ou qualquer outra pessoa física ou jurídica como consumidora. Destarte, o texto legal acima reproduzido também determina que a utilização ou aquisição de um produto ou serviço ocorra na qualidade de destinatário final. E o que isso significa?

Bem candidato, ao dispor desta forma, a lei exige que aquele produto ou serviço não seja incorporado, por exemplo, à cadeia de produção de uma determinada empresa. O bem ou serviço não deve ser repassado a um terceiro, sua função deve ser exaurida pela própria pessoa física ou jurídica.

Ou seja, uma fábrica que adquire insumos ou matéria-prima essenciais ao funcionamento de sua linha de produção não poderia, nesta hipótese, ser considerada como consumidora, tendo em vista que a utilização daqueles produtos não ocorre na qualidade de destinatária final. Consequentemente, não se aplicará a Lei nº 8.078/90.

Por outro lado, se uma concessionária de veículos adquire móveis de escritório para seus funcionários, é possível afirmar que tal contrato de compra e venda será regido pelo Código de Defesa do Consumidor? E se um médico adquire equipamentos para utilizar em seu consultório?

Neste passo, para estas situações onde está caracterizado que o produto ou serviço não faz parte do fluxo produtivo natural do adquirente ou usuário, mas ainda se integra de alguma forma à sua atividade econômica, a doutrina e a jurisprudência desenvolveram ao longo dos anos três teorias. Em cada uma delas, busca-se delinear de modo mais acurado o conceito de destinatário final.

São elas: teoria maximalista, teoria finalista e teoria finalista temperada.

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A teoria maximalista determina uma interpretação extensiva do art. 2º do CDC. De acordo com esta teoria, destinatário final seria o destinatário real (fático) do produto ou serviço. Não se consideram as características do adquirente e se a aquisição tinha como escopo finalidade lucrativa – como, por exemplo, a compra de computadores por parte de um escritório de contabilidade -, mas ainda assim se exclui do conceito de consumidor aquele que adquire matéria-prima para seu ciclo de produção.

Na teoria finalista, a interpretação do conceito de consumidor deve ser feita em conjunto com os alicerces e princípios que regem a Lei 8.078/90. Assim, considerando que o CDC tem como escopo proteger a parte mais fraca de uma relação jurídica, é necessário que esteja caracterizada a vulnerabilidade de um dos contratantes. Além disso, o produto ou serviço adquirido não deve ter qualquer relação com eventual atividade econômica desempenhada.

Nesta linha, não seria classificada como consumidora a instituição financeira de grande porte que adquire um sistema de software para gerenciamento das contas de seus clientes, considerando que aquela empresa não pode ser conceituada como hipossuficiente. Ademais, saliente-se que o bem adquirido (programa de computador) será utilizado para o desempenho de sua atividade financeira, o que afasta ainda mais a presença da figura do consumidor.

Por fim, de acordo com a teoria finalista temperada (que é uma evolução da teoria finalista), é possível considerar consumidor aquele que adquire produto ou serviço ainda que para uso profissional ou econômico, desde que esteja presente a vulnerabilidade de uma das partes.

Desta forma, se um veterinário adquire um carro para transportar animais, é certo que, não obstante utilizar o bem em sua atividade econômica, poderá ser considerado consumidor, já que é patente sua vulnerabilidade em face de uma concessionária ou montadora de veículos.

E qual destas teorias devemos adotar?

Bem candidato, como a matéria ainda não é pacífica, não acredito que uma banca de concurso se reporte a uma das teorias como sendo a correta ou a que mais atende às aspirações e princípios do Código de Defesa do Consumidor.

Todavia, é relevante salientar que, atualmente, a corrente que mais encontra amparo em nossos tribunais, notadamente no Superior Tribunal de Justiça, segue a direção da teoria finalista temperada. Vale repisar que, como vimos acima, tal teoria nada mais é do que um desdobramento da teoria finalista, com ampliação do conceito de destinatário final àquele que utiliza o

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serviço ou produto em sua atividade econômica ou profissional, desde que presente sua vulnerabilidade.

decisões prolatadas pelo STJ que espelham este

entendimento:

São

diversas

as

“(

inegável vulnerabilidade entre a pessoa-jurídica consumidora e a fornecedora, deve-se aplicar o CDC na busca do equilíbrio entre as partes. Ao consagrar o critério finalista para interpretação do conceito de consumidor, a jurisprudência deste STJ também reconhece a necessidade de, em situações específicas, abrandar o rigor do critério subjetivo do conceito de consumidor, para

Mesmo nas relações entre pessoas jurídicas, se da análise de hipótese concreta decorrer

)

admitir a aplicabilidade do CDC nas relações entre fornecedor e consumidores-empresários em

que fique evidenciada relação de consumo.(

)”

(STJ, 3ª Turma, REsp 476.428/SC, 09/05/05)

“(…) consumidor é a pessoa física ou jurídica que adquire produto como destinatário final econômico, usufruindo do produto ou do serviço em benefício próprio. Excepcionalmente, o profissional freteiro, adquirente de caminhão zero quilômetro, que assevera contar defeito,

também poderá ser considerado consumidor, quando a vulnerabilidade estiver caracterizada por

alguma hipossuficiência quer fática, técnica ou econômica.( 1080719/MG, 17/08/09)

)”

(STJ, 3ª Turma, REsp

Por fim, é relevante frisar que parte da doutrina refere-se tão somente às teorias maximalista e finalista. Nesta linha, a possibilidade de aplicação das regras consumeristas em casos onde o produto ou serviço é utilizado, por exemplo, na atividade econômica de uma empresa ou para o exercício de uma profissão, e uma das partes é flagrantemente mais fraca que a outra, configura apenas um abrandamento da teoria finalista.

Teoria Maximalista

Teoria Finalista

Teoria

Finalista

Temperada

Ampla aplicação do CDC. Basta que a pessoa física ou jurídica utilize o produto ou serviço como destinatário final.

Não se aplicam as regras consumeristas se o produto ou serviço for utilizado para atividade civil ou empresária. Deve estar caracterizada a

Permite

a

aplicação

do

CDC

em

situações

pontuais

nas

quais

a

aquisição do produto ou

serviço

tinha

como

 

escopo

possibilitar

ou

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hipossuficiência de uma das partes.

incrementar o exercício de atividade econômica.

É

necessária a

vulnerabilidade das partes.

de

uma

3.2 Consumidor por equiparação

Ainda que apresente um amplo campo de atuação, o conceito de consumidor apresentado no caput do art. 2º do CDC não é suficiente para alcançar todas as hipóteses que merecem tutela da lei consumerista.

De fato, como veremos adiante, há uma gama de situações em que, não obstante inexistir uma relação jurídica, determinada pessoa ou grupo de pessoas encontra-se sujeita a práticas de mercado, ou mesmo é vítima de produtos ou serviços oferecidos para a coletividade, e, por essa razão, também necessita da proteção das regras e dos princípios trazidos pela Lei nº 8.078/90.

O parágrafo único do próprio art. 2º nos apresenta uma relevante regra geral acerca do tema, ao dispor que:

“Parágrafo Único. equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.”

Para melhor ilustrar esta situação, vamos imaginar que uma pessoa tenha comprado em uma padaria diversos salgadinhos e doces para uma festa.

aquele

estabelecimento comercial, o que causou uma intoxicação generalizada em diversos convidados do evento.

Indaga-se: somente o comprador dos salgadinhos e doces estaria amparado pelo Código de Defesa do Consumidor? Ou seja, em uma eventual ação judicial, somente ele poderia ser beneficiado pelas regras positivadas na Lei nº 8.078/90, enquanto os convidados da festa seriam submetidos às normas previstas no Código Civil?

Contudo,

tais

alimentos

não

estavam

bem

conservados

por

A resposta é negativa.

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Nos termos do dispositivo legal em comento, basta que a coletividade de pessoas tenha, de alguma forma, participado da relação de consumo para que sejam aplicadas as normas do CDC.

Perceba candidato, que, de acordo com o próprio texto legal, não há necessidade de identificar cada uma das pessoas da coletividade que, de algum modo, interveio na relação de consumo. Com efeito, busca-se a proteção dos grupos de pessoas, ainda que indefinidas, expostas a produtos e serviços colocados à disposição do público em geral (falaremos mais sobre este tópico na nossa última aula, quando tratarmos dos direitos difusos e coletivos).

Adiante, o art. 17 reza que as regras relativas aos acidentes de consumo – previstas nos arts. 12 a 14 – também se aplicam às eventuais vítimas do evento. Deste modo, caso um produto ou serviço venha a gerar dano a terceiros que não tinham qualquer relação com o fornecedor – e, por esta razão, não poderiam ser considerados consumidores stricto sensu, nos termos do art. 2º -, tais vítimas também serão beneficiadas pelas disposições da Lei nº 8.078/90.

Imagine que um ônibus interestadual que fazia o trajeto entre duas cidades apresenta um grave defeito, o que acaba por gerar um acidente em uma movimentada rodovia. Todos os passageiros do veículo – que aqui podem ser considerados consumidores, nos termos do caput do art. 2º - são atingidos pelo evento danoso, causado pela falha do serviço da empresa de transporte e serão tutelados pelas regras do CDC.

Todavia, caso o ônibus tenha colidido com outros veículos, atingindo a integridade física ou o patrimônio de terceiros, os quais não tinham inicialmente qualquer relação com a empresa de transporte, estas vítimas receberão as garantias previstas na Lei nº 8.078/90.

Para concluir esta etapa, merece ênfase o art. 29 do Código de Defesa do Consumidor, que inaugura o capítulo V daquele diploma legal,

dispondo que “equiparam-se aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas” previstas nas seções subsequente e no capítulo

VI.

Nas cinco seções seguintes do capítulo V são apresentadas diversas regras atinentes à oferta, publicidade, práticas abusivas, cobrança de dívidas e bancos de dados e cadastro de consumidores, enquanto no capítulo VI são elencadas normas acerca da proteção contratual em relações de consumo. Procura-se proteger o consumidor em potencial e a própria coletividade, os quais se encontram expostos no dia-a-dia às mais variadas espécies de práticas

comerciais.

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Assim, caso uma pessoa tenha sido, de alguma forma, exposta a uma pratica abusiva de mercado, ainda que não haja celebrado qualquer contrato com o fornecedor de um produto ou serviço, poderá ser tutelada pelas regras consumeristas (trataremos das práticas comerciais em nossa segunda aula).

Consumidor por equiparação

• • •

Art. 2º, PU - regra de caráter genérico e cunho interpretativo para todas as disposições do CDC. Amplia o conceito de consumidor.

Art. 17 – Equipara a consumidores vítimas de acidente de consumo (art. 12 e 14).

Art. 29 – equipara a consumidores todos aqueles expostos às práticas comerciais e aos instrumentos insculpidos dos arts. 30 ao 54.

3.3 Conceito de fornecedor

O conceito de fornecedor encontra-se lapidado no caput do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor nos seguintes termos:

Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.

Evidencia-se que, como no caso do consumidor, tanto a pessoa física como a jurídica podem se amoldar ao conceito de fornecedor. Além disso, é oportuno frisar que os entes despersonalizados – aqueles que não tem personalidade jurídica, tal como uma sociedade irregular ou a massa falida de uma sociedade empresarial – também podem ser considerados fornecedores.

DIREITO DO CONSUMIDOR PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA

Contudo, a lei exige

que haja o exercício de alguma

das atividades

previstas no texto do dispositivo acima transcrito (produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização).

Então, indaga-se: aquele que vende uma jóia de família ou um veículo usado de sua propriedade poderia ser considerado como fornecedor? E a pequena sapataria que vende um antigo sofá, tendo em vista a mudança de endereço?

É certo que a resposta para ambas as questões é negativa.

Para que uma pessoa física ou jurídica se adeque àquele conceito, é imprescindível que a atividade seja exercida de modo profissional, com alguma habitualidade. Nas duas situações acima apresentadas, é patente que são relações puramente civis, que não sofrem o influxo das regras do CDC.

Imagine agora que, somente durante o ano letivo, uma aluna de certa faculdade compre, e depois revenda para seus colegas, cremes hidratantes e outros produtos de beleza. Neste caso, é possível afirmar que a aludida mulher é conceituada como fornecedora?

Na hipótese apresentada, ainda que a atividade seja desenvolvida de forma não contínua (somente durante o ano letivo), é possível classificá-la como fornecedora, tendo em vista o exercício de uma atividade profissional de comercialização e em caráter habitual, com alguma periodicidade.

Ressalte-se que a previsão para que pessoas físicas possam ser fornecedoras acabou por ampliar a regência da lei consumerista para as relações com profissionais liberais, os quais também podem ser considerados fornecedores (não obstante terem sua responsabilidade aferida de modo diferenciado em alguns casos, nos termos do §4º do art. 14 do CDC, dispositivo que será debatido na próxima aula).

Outro ponto que merece atenção é que a onerosidade do produto ou serviço não é requisito imprescindível para que se caracterize o fornecedor. Com efeito, seria incoerente afastar a aplicação do regime do CDC para responsabilização de dano proveniente de amostra grátis, por exemplo.

É curioso notar que, como não há menção à qualidade de destinatário final, o fornecedor pode estar em qualquer posição dentro da cadeia de produção. Destarte, tanto o fabricante originário de uma peça, quanto o intermediário ou aquele que vende a peça no mercado, pode ser chamado de fornecedor, desde que esta seja sua atividade profissional.

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Diante de todo o exposto, infere-se que a Lei nº 8.078/90 utilizou o termo fornecedor como gênero, do qual são espécies o fabricante, produtor, construtor, comerciante dentre outros que se amoldem ao texto legal do art. 3º.

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3.4 Conceitos de produto e serviço

Após determinar quem são os sujeitos da relação de consumo (arts. 2º e 3º), o Código de Defesa do Consumidor passou a tratar dos possíveis objetos daquela relação. Assim, os parágrafos primeiro e segundo do art. 3º definem produto e serviço da seguinte forma:

“§ 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.

§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”

A definição de produto não apresenta grande dificuldade. Pode ser um bem corpóreo (como um eletrodoméstico, um carro ou até um apartamento) ou incorpóreo (como um programa de computador ou um crédito), desde que tenha valor econômico e busque satisfazer o interesse do consumidor na qualidade de destinatário final.

Ao conceituar serviço, a redação do §2º do art. 3º é clara e ampla o suficiente para abarcar a grande maioria das situações que demandam a incidência das regras protecionistas insculpidas no código de Defesa do Consumidor.

Perceba, candidato, que o aludido dispositivo legal determina que a atividade, para ser considerada serviço, deve ser remunerada.

Desta forma, pergunta-se: um serviço de manobrista gratuito oferecido por um restaurante constitui serviço?

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A resposta é afirmativa. Com efeito, ao mencionar “remuneração” o CDC não se refere ao preço eventualmente cobrado por uma atividade. Na hipótese apresentada, é intuitivo que o custo de tal serviço se encontra, de alguma forma, repassado ao consumidor, o que evidencia que é, de fato, gratuito.

Para que uma atividade escape ao conceito de serviço nos termos do §2º do art. 3º da Lei nº 8.078/90, é necessário que, direta ou indiretamente, o prestador não tenha se ressarcido dos custos ou obtido qualquer tipo de lucro. Para melhor ilustrar esta situação, podemos imaginar um professor que dá aulas particulares gratuitamente para amigos de seu filho ou uma cozinheira que nos sábados prepara o jantar para vizinhos sem cobrar para tanto.

Outro ponto relevante refere-se às relações de caráter trabalhista. Nesta situação particular, entende-se que, se um serviço é prestado em virtude de contrato de trabalho, também não se pode considerar a aplicação do CDC. De fato, haverá um vínculo de subordinação e dependência, devendo-se observar as regras consignadas na CLT.

É curioso notar que o legislador optou por incluir expressamente as atividades de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, para que não houvesse questionamento na aplicação das regras consumeristas a estes casos. 1 Evidentemente, a referência a estas atividades é meramente exemplificativa e não afasta a incidência de outras inúmeras hipóteses que

podem ser consideradas serviços nos

8.078/90.

termos do §2º

do

art. 3º

da

Lei

4) Situações específicas (exemplos)

Para encerrar esta aula e melhor prepará-lo para uma eventual questão onde seja cobrado do candidato o conhecimento acerca dos casos onde se aplicam ou não as normas consumeristas, seguem, de modo objetivo e preciso, algumas hipóteses comuns no nosso cotidiano, de modo que se evidencie se estão ou não amparadas pelas regras estatuídas no Código de Defesa do Consumidor.

A primeira delas diz respeito à possibilidade de o Estado figurar como fornecedor em determinada relação. Pois bem, nos termos do art. 3º debatido acima, a pessoa jurídica de direito público pode ser assim considerada. Contudo,

1 Não obstante esta previsão, foi ajuizada uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (2.591-1) para questionar a aplicação do CDC às instituições financeiras. Tal demanda foi julgada improcedente pelo Supremo Tribunal Federal. Saliente-se ainda a edição da Súmula 297 do STJ que dispõe que “O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras.

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para tanto, o Estado, por meio da Administração Direta ou Indireta, deve ser remunerado – ainda que indiretamente - para a prestação de um serviço. Assim, por exemplo, não haveria relação de consumo na prestação do serviço de educação por parte da rede pública ou no serviço de jardinagem para a conservação de uma praça.

Neste mesmo sentido, admite-se que as concessionárias e permissionárias de serviço público (tais como empresas de telefonia ou de transporte público) também seja caracterizadas como fornecedoras, tendo em vista a cobrança pelo respectivo serviço.

Frise-se que, caso haja cobrança de tributo (por meio de taxas, por exemplo), não há incidência do CDC, sendo necessário observar a respectiva legislação tributária. Na realidade, não haveria consumidor, e sim contribuinte.

As relações de locação, cíveis ou comerciais, também não se submetem às regras consumeristas, encontrando-se regidas pela Lei nº 8.245/91. As relações entre condôminos, da mesma forma, não observam as regras estatuídas no CDC. De fato, não se pode afirmar que há presença de um fornecedor ou de um consumidor neste tipo de relação.

Contratos

de

financiamento,

de

seguro,

empréstimos,

títulos

de

capitalização, leasing, dentre outros que tem origem no Sistema Financeiro Nacional, em regra, deverão observar as regras positivadas no CDC. Da própria redação do §2º do art. 3º e possível inferir tal ideia.

As regras consumeristas também serão aplicáveis aos contratos de promessa de compra e venda, quando a incorporadora se compromete à construção de unidades imobiliárias, mediante financiamento. Nesta hipótese, a empresa é fornecedora do imóvel e prestadora do serviço de construção.

As entidades de previdência privada devem observar as regras positivadas

8.078/90 na relação com aqueles que utilizam seus serviços e

produtos. Tal tema, inclusive, encontra-se disposto na súmula 321 do STJ (“o Código de Defesa do Consumidor é aplicável à relação jurídica entre a entidade de previdência privada e seus participantes”).

Da mesma forma, o vínculo entre segurado e operadoras de plano de saúde também é regido pelos princípios e regras protecionistas do CDC, nos termos da súmula 469 do STJ, que dispõe que “aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde.”

na

Lei

Prezado candidato, nosso primeiro encontro teve como objetivo somente apresentar a você algumas noções fundamentais acerca do microssistema

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inaugurado pelo Código de Defesa do Consumidor. Assim, tratamos do contexto histórico de criação daquele diploma legal, das características daquela norma e dos conceitos de consumidor, fornecedor, produto e serviço.

Busca-se, desta forma, criar um embasamento didático sólido para que o conteúdo do CDC previsto no edital – o qual será visto com profundidade nos três próximos encontros – seja assimilado de modo tranquilo.

Saliente-se que, como já dissemos no início desta aula, a compreensão da Lei nº 8.078/90 é imprescindível. Então, sugiro que esta e as próximas aulas tenham um papel de destaque dentro do seu plano de estudo.

Sugiro ao candidato que não hesite na utilização de nosso fórum de dúvidas, para que aquele importante instrumento se torne um espaço de debate e consolidação dos conhecimentos que serão abordados em nossos próximos encontros.

Por ora, me despeço, esperando encontrar-lhes muito em breve, para que possamos conversar mais a respeito deste fascinante e desafiador tema.

Forte abraço.

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5) Exercícios com comentários.

1. (Ministério Público/MG – 2008) Não é correto afirmar:

a) Consumidor é toda a pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto

ou serviço como destinatário final.

b) Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.

c) Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo

remuneração, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.

d) Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.

e) Os serviços públicos, em face do princípio da prevalência do interesse público

sobre o particular, não estão sujeitos ao Código de Defesa do Consumidor, sendo a prestação dos mesmos regulada por normas específicas de Direito Administrativo.

mediante

Comentário

A questão exige do candidato o conhecimento preciso do texto legal. Assim, as opções “a”, “b”, “c” e “d” estão de acordo, respectivamente, com o art. 2º, §1º e §2º do art. 3º e Parágrafo Único do art. 2º.

A alternativa “e” está incorreta. Como debatido, não há óbice para que os serviços públicos sejam alcançados pelas regras e princípios do CDC. Para tanto, é necessário que não ocorra o pagamento de um tributo, o que mudaria a figura de consumidor para contribuinte. É oportuno frisar que, não obstante a incidência de regras consumeristas, não há impedimento para que tais serviços também sofram o influxo de normas de Direito Administrativo.

2. (Antonio Nóbrega/Ponto dos Concursos - 2011) Marque a alternativa correta

em relação à vigência e aplicação da Lei 8.078/09:

a) O Código de Defesa do Consumidor é norma principiológica, que se aplica a

todos os casos onde esteja presente uma relação de consumo, tais como

contratos de financiamento, de seguro e de locação.

b) O Código Civil de 2002 revogou parcialmente o CDC, não sendo possível que

uma relação jurídica esteja submetida a ambas as normas.

c) A hipossuficiência do consumidor e sua vulnerabilidade dentro do mercado

consumo são fundamentos que levaram à promulgação do Código de Defesa do

Consumidor.

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d) As regras positivadas no Código de Defesa do Consumidor podem ser afastadas por acordo entre as partes de uma relação de consumo.

e) Os Estados e o Distrito Federal podem legislar livremente sobre Direito do Consumidor, o que possibilita que, em certos entes federativos, seja afastada a aplicação de alguns dispositivos da Lei nº 8.078/90.

Comentário

A alternativa correta é a letra “c”. Conforme o teor da parte inicial desta

aula, vimos que, de fato, a vulnerabilidade do consumidor diante das práticas de mercado motivou o desenvolvimento da cultura de defesa do consumidor, resultando na promulgação da Lei nº 8.078/90.

A letra “a” está equivocada, tendo em vista que menciona contrato de

locação, o qual escapa às regras protetivas do CDC.

A opção “b” também está incorreta. O CDC criou um microssistema

jurídico, que tem como escopo a proteção do consumidor. Desta forma, é possível o diálogo com outras fontes do direito, não ocorrendo revogação parcial desta norma. Ademais, as regras lá insculpidas são de ordem pública, o que impede que sejam afastadas por vontade das partes (opção “d”).

Por fim, a competência para legislar sobre questões ligadas ao Direito do Consumidor não permite que Estados e Distrito Federal editem leis que contrariem ou afastem a incidência da Lei nº 8.078/90 (opção “e”). Frise-se que a competência para legislar sobre consumo e danos ao consumidor é concorrente entre União, Estados e Distrito Federal, sendo certo que cabe à primeira a atribuição para legislar sobre normas gerais.

3. (Juiz Substituto/PR - 2010) A Lei 8.078/1990 define os elementos que compõe a relação jurídica de consumo, em seus artigos 2º e 3º: elementos subjetivos, consumidor e fornecedor; elementos objetivos, produtos e serviços, respectivamente. Segundo estas definições, podemos afirmar que:

I. Fornecedor é toda a pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.

II. Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária e as decorrentes das relações de caráter trabalhista.

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III. Consumidor é toda a pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.

IV.Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.

a) Apenas as assertivas II e III estão corretas.

b) Apenas as assertivas II e III estão incorretas.

c) Apenas as assertivas I, III e IV estão corretas.

d) Apenas a assertiva I está correta.

e) Todas as assertivas estão corretas.

Comentário

Novamente exige-se do candidato o conhecimento do texto legal. O único item incorreto é o III, já que se refere a “relações de caráter trabalhista”, o que não se compatibiliza com o §2º do art. 3º da Lei nº 8.078/90.

4. (Antonio Nóbrega/Ponto dos Concursos - 2011) Em relação ao entendimento predominante acerca do conceito de consumidor, é correto afirmar que:

a) Aquele que se hospeda em uma pousada não pode ser considerado consumidor em relação àquele estabelecimento.

b) A utilização do produto ou serviço como destinatário final é dispensável no

caso de pessoa física consumidora.

c) O locatário de um apartamento pode ser considerado consumidor em relação

ao locador.

d) O motorista de taxi que adquire um carro para seu trabalho pode ser considerado consumidor em relação à concessionária de veículos.

e) A coletividade de pessoas, desde que determináveis, pode ser equiparada a

consumidor.

Comentário

O exemplo citado na opção “a” enquadra-se perfeitamente ao conceito legal de relação de consumo. Deste modo, evidencia-se que aquele que se utiliza dos serviços de hospedagem de um estabelecimento voltado para tal atividade será considerado como consumidor, o que indica a inexatidão daquela assertiva.

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A opção “b” também está equivocada. De fato, para que seja classificado

como consumidor, a pessoa, física ou a jurídica, deve utilizar o produto ou serviço como destinatário final, nos termos do art. 2º do CDC.

No tocante à alternativa “c”, o contrato de locação, como já dissemos, não se submete às regras consumeristas.

A assertiva “d” está correta, de acordo com o entendimento predominante

na doutrina e jurisprudência. Ou seja, ainda que se utilize o produto em sua atividade econômica, é patente a hipossuficiência de uma das partes, o que demanda a aplicação das regras positivadas no CDC.

A opção “e” está em descompasso com o Parágrafo Único do art. 2º, pois

afirma que a coletividade de pessoas deve ser determinável.

5. (Antonio Nóbrega/Ponto dos Concursos - 2011) A respeito dos conceitos de consumidor e fornecedor, marque a afirmativa correta:

a) A prestação de um serviço gratuito por parte de um fornecedor não necessariamente afasta as regras previstas no Código de Defesa do Consumidor.

b) Para que seja considerado consumidor e possibilite a aplicação das regras do

CDC, é necessário que a parte tenha efetivamente participado da relação jurídica.

c) O fornecedor pode ser pessoa física ou jurídica, mas o consumidor deverá

necessariamente ser pessoa física.

d) Pessoas jurídicas de direito público não podem ser consideradas como fornecedores, tendo em vista que são sempre remuneradas por tributos.

e) A teoria maximalista determina a aplicação mais restritiva do conceito de

consumidor, de modo que é necessária a sua vulnerabilidade e a utilização do produto ou serviço como destinatário final.

Comentário

A alternativa “a” está em harmonia com o que foi tratado em nossa aula,

quando afirmamos que, muitas vezes, não obstante ser gratuito, o serviço pode

ter seu custo repassado, de alguma forma, ao consumidor.

A opção “b” está em descompasso com o Parágrafo Único do art. 2º,

enquanto a opção “c” é contrária à redação do caput daquele dispositivo.

A possibilidade de a pessoa jurídica ser fornecedora já foi discutida. De

fato, se houver pagamento pela prestação de um serviço público, é certo que

incidirão as regras do CDC.

DIREITO DO CONSUMIDOR PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA

Para a aplicação da Teoria maximalista, é necessário somente que a pessoa física ou jurídica utilize o produto ou serviço como destinatário final. Ou seja, tal teoria defende uma aplicação mais ampla da Lei nº 8.078/90.

6. (Proc/PR - 2007) Assinale a alternativa correta:

a) Consumidor é a pessoa física ou jurídica destinatária de produto necessário

ao desempenho de sua atividade lucrativa.

b) Consumidor é a pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou

serviço como destinatário final.

c) Consumidor é tão somente a pessoa física que adquire ou utiliza produto ou

serviço necessário ao desempenho de sua atividade lucrativa.

d) Consumidor é tão somente a pessoa física que adquire ou utiliza produto ou

serviço como destinatário final.

e) Consumidor é a pessoa física ou jurídica, ou ainda a coletividade indeterminada de pessoas que adquire um produto ou contrata um serviço necessário ao desempenho de sua atividade lucrativa ou simplesmente como seu destinatário final.

Comentário

A questão exige somente o conhecimento da redação do art. 2º do CDC, que está em harmonia com a opção “b”.

7. (Antonio Nóbrega/Ponto dos Concursos - 2011) Qual dos contratos abaixo não pode ser classificado como serviço:

a) Locação residencial.

b) Seguro de vida.

c) Empréstimo bancário.

d) Financiamento de automóveis.

e) Previdência privada.

Comentário

Dentre todos os contratos apresentados nas cinco assertivas, o único que não pode ser classificado como serviço é o contrato de locação residencial (opção “a”), que se encontra disciplinado por diploma legal próprio (Lei nº

8.245/91).

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Frise-se que os serviços mencionados nas letras “b”, “c” e “d” encontram- se previstos no próprio §2º do art. 3º do CDC.

8. (SEFAZ/RJ-FGV - 2009) O Código de Defesa do Consumidor não se aplica às relações entre:

a) A entidade de previdência privada e seus participantes.

b) A instituição financeira e seus clientes.

c) O comprador e o vendedor proprietário de um único imóvel, que lhe serve de

residência.

d) O comprador de veículo e a concessionária.

e) A instituição de ensino e o estudante.

Comentário

O fato de o vendedor do imóvel não exercer esta atividade de modo profissional e com habitualidade descaracteriza o conceito de fornecedor, o que indica a inexatidão da opção “c”. Todas as outras relações jurídicas apresentadas na questão estão submetidas às normas e princípios trazidos pelo CDC.

9. (Ministério Público/PR-2008) Assinale a alternativa onde aparece uma atividade que não se encontra entre aquelas praticadas por alguém que é considerado fornecedor pelo Código de Defesa do Consumidor:

a) Produção, criação e transformação.

b) importação e exportação.

c) Prestação de erviços bancários, securitários e de crédito.

d) Montagem, relações trabalhistas e construção.

e) Comercialização e prestação de serviços.

Comentário

Nas assertivas elencadas na questão são mencionadas diversas atividades desempenhadas pelos fornecedores, nos termos do art. 3º do CDC. A única opção que apresenta uma atividade que não se compatibiliza com o conceito de fornecedor é a alternativa “d”, ao se referir a “relações trabalhistas”.

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10. (Ministério Público/PI - 2002, adaptada) Assinale a alternativa correta:

a) Consumidor é exclusivamente a pessoa física que adquire ou utiliza produtos

ou serviço como destinatário final.

b) Não está equiparada a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.

c) Produto não é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial, mas

somente os assim definidos pelo Código Civil.

d) Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mesmo sem

remuneração.

e) Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou

serviço como destinatário final.

Comentário

A opção “a” está em descompasso com a redação do art. 2º do CDC, ao

afastar a possibilidade de a pessoa jurídica ser considerada consumidora. Já a opção “b” é contrária à previsão legal positivada no Parágrafo Único daquele dispositivo (consumidor por equiparação).

A assertiva “c” desconsidera a definição de produto consignada no CDC,

fazendo referência ao Código Civil. Repise-se que o CDC é um microssistema próprio e, por essa razão, as eventuais disposições de outros diplomas legais devem se harmonizar com o disposto na Lei nº 8.078/90.

A exigência de remuneração do serviço está prevista no §2º do art. 3º do

CDC, o que indica a inexatidão da opção “d”.

A assertiva “e” é a única correta, tendo em vista que é compatível com o

conceito de consumidor lapidado no art. 2º do CDC.

Lista de Exercícios

1. (Ministério Público/MG – 2008) Não é correto afirmar:

a) Consumidor é toda a pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto

ou serviço como destinatário final.

b) Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.

c) Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo

remuneração, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.

mediante

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d) Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.

e) Os serviços públicos, em face do princípio da prevalência do interesse público

sobre o particular, não estão sujeitos ao Código de Defesa do Consumidor,

sendo a prestação dos mesmos regulada por normas específicas de Direito Administrativo.

2. (Antonio Nóbrega/Ponto dos Concursos - 2011) Marque a alternativa correta em relação à vigência e aplicação da Lei 8.078/09:

a) O Código de Defesa do Consumidor é norma principiológica, que se aplica a

todos os casos onde esteja presente uma relação de consumo, tais como

contratos de financiamento, de seguro e de locação.

b) O Código Civil de 2002 revogou parcialmente o CDC, não sendo possível que

uma relação jurídica esteja submetida a ambas as normas.

c) A hipossuficiência do consumidor e sua vulnerabilidade dentro do mercado

consumo são fundamentos que levaram à promulgação do Código de Defesa do Consumidor.

d) As regras positivadas no Código de Defesa do Consumidor podem ser afastadas por acordo entre as partes de uma relação de consumo.

e) Os Estados e o Distrito Federal podem legislar livremente sobre Direito do

Consumidor, o que possibilita que, em certos entes federativos, seja afastada a

aplicação de alguns dispositivos da Lei nº 8.078/90.

3. (Juiz Substituto/PR - 2010) A Lei 8.078/1990 define os elementos que compõe a relação jurídica de consumo, em seus artigos 2º e 3º: elementos subjetivos, consumidor e fornecedor; elementos objetivos, produtos e serviços, respectivamente. Segundo estas definições, podemos afirmar que:

I. Fornecedor é toda a pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.

II. Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária e as decorrentes das relações de caráter trabalhista.

DIREITO DO CONSUMIDOR PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA

III. Consumidor é toda a pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.

IV.Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.

a)

Apenas as assertivas II e III estão corretas.

b)

Apenas as assertivas II e III estão incorretas.

c)

Apenas as assertivas I, III e IV estão corretas.

d)

Apenas a assertiva I está correta.

e)

Todas as assertivas estão corretas.

4.

(Antonio Nóbrega/Ponto dos Concursos - 2011) Em relação ao entendimento

predominante acerca do conceito de consumidor, é correto afirmar que:

a) Aquele que

consumidor em relação àquele estabelecimento.

b) A utilização do produto ou serviço como destinatário final é dispensável no

caso de pessoa física consumidora.

c) O locatário de um apartamento pode ser considerado consumidor em relação

ao locador.

d) O motorista de taxi que adquire

um carro para seu trabalho pode ser

considerado consumidor em relação à concessionária de veículos.

se hospeda em uma pousada não pode ser considerado

e) A coletividade de pessoas, desde que determináveis, pode ser equiparada a

consumidor.

5. (Antonio Nóbrega/Ponto dos Concursos - 2011) A respeito dos conceitos de

consumidor e fornecedor, marque a afirmativa correta:

a) A prestação de um serviço gratuito por parte de um fornecedor não

necessariamente afasta as regras previstas no Código de Defesa do Consumidor.

b) Para que seja considerado consumidor e possibilite a aplicação das regras do

CDC, é necessário que a parte tenha efetivamente participado da relação jurídica.

c) O fornecedor pode ser pessoa física ou jurídica, mas o consumidor deverá

necessariamente ser pessoa física.

DIREITO DO CONSUMIDOR PROFESSOR: ANTONIO NÓBREGA

d) Pessoas jurídicas de direito público não podem ser consideradas como fornecedores, tendo em vista que são sempre remuneradas por tributos.

e) A teoria maximalista determina a aplicação mais restritiva do conceito de

consumidor, de modo que é necessária a sua vulnerabilidade e a utilização do

produto ou serviço como destinatário final.

6. (Proc/PR - 2007) Assinale a alternativa correta:

a) Consumidor é a pessoa física ou jurídica destinatária de produto necessário

ao desempenho de sua atividade lucrativa.

b) Consumidor é a pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou

serviço como destinatário final.

c) Consumidor é tão somente a pessoa física que adquire ou utiliza produto ou

serviço necessário ao desempenho de sua atividade lucrativa.

d) Consumidor é tão somente a pessoa física que adquire ou utiliza produto ou

serviço como destinatário final.

e) Consumidor é a pessoa física ou jurídica, ou ainda a coletividade indeterminada de pessoas que adquire um produto ou contrata um serviço necessário ao desempenho de sua atividade lucrativa ou simplesmente como seu destinatário final.

7. (Antonio Nóbrega/Ponto dos Concursos - 2011) Qual dos contratos abaixo

não pode ser classificado como serviço:

a)

Locação residencial.

b)

Seguro de vida.

c)

Empréstimo bancário.

d)

Financiamento de automóveis.

e)

Previdência privada.

8.

(SEFAZ-FGV/RJ - 2009) O Código de Defesa do Consumidor não se aplica às

relações entre:

a) A entidade de previdência privada e seus participantes.

b) A instituição financeira e seus clientes.

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c) O comprador e o vendedor proprietário de um único imóvel, que lhe serve de

residência.

d) O comprador de veículo e a concessionária.

e) A instituição de ensino e o estudante.

9. (Ministério Público/PR-2008) Assinale a alternativa onde aparece uma atividade que não se encontra entre aquelas praticadas por alguém que é considerado fornecedor pelo Código de Defesa do Consumidor:

a) Produção, criação e transformação.

b) importação e exportação.

c) Prestação de erviços bancários, securitários e de crédito.

d) Montagem, relações trabalhistas e construção.

e) Comercialização e prestação de serviços.

10. (Ministério Público/PI - 2002, adaptada) Assinale a alternativa correta:

a) Consumidor é exclusivamente a pessoa física que adquire ou utiliza produtos

ou serviço como destinatário final.

b) Não está equiparada a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.

c) Produto não é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial, mas somente os assim definidos pelo Código Civil.

d) Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mesmo sem

remuneração.

e) Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou

serviço como destinatário final.

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Questão 1 – E

Questão 2 - C

Questão 3 - C

Questão 4 - D

Questão 5 - A

Questão 6 - B

Questão 7 - A

Questão 8 - C

Questão 9 - D

Questão 10 - E

Bibliografia

Gabarito

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