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| E-ISSN 1808-2599 |

A linguagem como
forma de habitar:
o próximo e o distante
Paulo Roberto Masella Lopes

1 A linguagem: do logocentrismo 1/14
Resumo à fenomenologia
Este ensaio pretende discutir a relação entre
A concepção da linguagem como forma de habitar
comunicação e cidade a partir das noções de
proximidade e distância. Usualmente, concede- tem uma forte inspiração fenomenológica.

Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.11, n.2, maio/ago. 2008.
se às novas tecnologias da comunicação a
Merleau-Ponty (1999) diz que a palavra não se
primazia pelo domínio do espaço virtual, assim
como à arquitetura a construção dos espaços reduz a um signo dos objetos e das significações,
concretos da materialidade. Sem dúvida, os meios
mas habita as próprias coisas e veicula
técnicos de comunicação, ao reorganizarem a
percepção das distâncias, suscitam uma crise significações de modo que no falante, a palavra
da matriz espacial;; contudo, cremos que não se não traduz um pensamento já concebido, mas o
possa excluir a produção de subjetividade como
um processo de virtualização do pensamento realiza, assim como aquele que escuta recebe,
que refaz o próprio sentido do espaço. Como pela palavra, o próprio pensamento. Já Heidegger
resultado, temos que as formas de habitar não se
reduzem à mensurabilidade do espaço concreto,
define o Dasein (Ser aí) como modo de estar
mas dependem das linguagens que produzem a no mundo, não apenas no sentido de dar uma
visibilidade do real.
localização, mas uma morada (Behausung).
Palavras-chave
Espaço. Linguagem. Habitar. Todavia este ser não se confunde com uma
consciência ou substância pensante, mas como
uma possibilidade, como um devir que encontra
pela linguagem um modo de estar no mundo. Para
Heidegger (2001), a linguagem não se reduz a um
conjunto de signos determinados logicamente
por meio dos quais se dá a comunicação de
mensagens, nem a funções apofânticas em suas
tentativas de descrição do real. Não é meramente

Paulo Roberto Masella Lopes | paulomasella@gmail.com instrumental, nem tampouco se restringe ao
Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo – USP. nomear ou representar apenas, mas, nos termos

Torna-se instrumento político por Esse modo de pensar logocêntrico rompe excelência. Portanto.. os assentamentos são entidades muradas entre fronteiras. a visibilidade dos conceitos contra a visualidade das imagens. 339). portanto. É como na literatura”. impondo um sistema de há assim relação estreita. p. 34-35). como principal do espaço concreto.br | E-ISSN 1808-2599 | ontológicos a que se propõe a examinar. procurou conciliar o discurso racional com os assentamento e paisagem mantêm entre si uma interesses da polis grega: relação de figura-fundo. e o logos. 1984. Enquanto as paisagens se di- transcendência. Já Flusser (2007) associa constituindo-se enquanto logos – enquanto o logocentrismo ao primado da linearidade discurso normativo – que a inteligibilidade da escrita na tradição ocidental cartesiana. Opondo-se à narrativa mítica e à oralidade. contra as formas iconográficas. 1984. vínculo recíproco. o meio de uma cultura ‘Espaço euclidiano’ de ficção [. possibilitando à escrita contrapondo-se ao mundo imagético medieval e – cumprir sua função de publicidade. 450). sugere que os movimento de fuga ao sujeito solipsista e à espaços possuem graus variados de extensão e cercamento. mas também o tempo ciência de si mesmo.e-compos. as regras da gramática eficácia. (VER- NANT. interior-exterior. através de sua função política. tudo o Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós.11. mas também pela escrita e por é transmitir informações ou vivências entre um modelo epistêmico que cria a dicotomia sujeitos..2. tanto na física ou interditos” (VERNANT. n. Comunicar algo pela linguagem não sua arquitetura. Brasília. do real será possível. mas que a cidade deve sua origem. palavra sobre todos os outros instrumentos do poder. no plano alfabeto fonético que “envolveu os gregos num propriamente intelectual. p. de suas regras. (NORBERG- ramente uma extraordinária preeminência da SCHULZ. a arquitetura. um suporte no Lebenswelt (mundo A relação interior-exterior. p.org. A arte política é essencialmente exercício da linguagem. linhas e contornos. portanto.] ao trasladar comum e permitir uma completa divulgação o mundo audiotáctil para o mundo visual”. .. não foi senão o “é a escrita que vai fornecer. maio/ago. na origem. sujeito-objeto. próprio de pensar o mundo. contra o vasto fundo da paisagem.] Entre a política e o logos. contra a paisagem. p. a chave de toda a autoridade no Estado. Para McLuhan (1977. [. 2006. 36). desde que Platão basicamente contínuas. De modo geral. que é um aspecto da vida) e outro na intersubjetividade. v. de conhecimentos previamente reservados criando “o sofisma do ‘conteúdo’. não Em sua origem. é atrelada ao logos 2/14 ferenciam por terem extensões variáveis. toma cons. No entanto. a cidade é. de sua histórico contra o cíclico. uma forma é o homem que possui a linguagem. mas o de habitar marcada não só pela concretude de contrário. mas partilhar sentido com os outros. www. 2008.. como modo Essa partilha de sentido com o outro requer. contigüidades: o assentamento. o meio de comando e de domínio com a continuidade da natureza e estabelece sobre outrem. que fica encerrado se manifesta como “figura” O que implica o sistema da polis é primei.

baseadas no grupo ou indivíduo”. 38) argumenta que a “legibilidade do espaço” era preciso ter claro uma idéia de “distância”. Bauman (1999. v. É a partir locais. De fato. 2008. já que o experiência pessoal e que será sistemática e objetivo “da moderna guerra pelo espaço era a progressivamente subvertida por uma ordem subordinação do espaço social a um e apenas classificatória de demarcação da prática social. p. na origem. chegando-se ao Estado moderno. maio/ago. Brasília. de medir o espaço “objetivamente”. Antes. marcada pela sua espaço físico. para impor sua perspectiva e remover toda superfície. www. porém. volume” e da proibição das “medidas forma de dissonância interpretativa. havido sempre a necessidade do poder em submeter o espaço a sua autoridade direta.11. de distância. Isso incluía entre o “próximo” e o “longínquo” a partir da o controle do ofício de cartógrafo. em uma concepção de para com seus súditos.org. 34-36) lembra que contrapõe à interioridade do pensamento que antes que houvesse uma objetividade do a exterioridade do mundo. E é essa interioridade do pensamento que diversas práticas sociais. segundo e impostos por parte dos detentores do poder 3/14 Bauman (1999. 37. um mapa oficialmente aprovado e apoiado Das culturas “arcaicas” analisadas por Lévi- pelo Estado” e ainda “imune ao processamento Strauss. mensurável que o Estado-nação necessita medidas padrão. p. n. a geometrização o jogo entre os enunciados e as visibilidades. comoque resulta. Sustentando esta fundamento na própria constituição do cogito nossa hipótese. tornou-se um desafio do Estado moderno Idéia que. O corpo humano era efetivamente a partir de uma ordem racional que se pretende condição de mensuração dos objetos nas mais única. Todavia.e-compos. a dimensão humana era a medida extensão e pela possibilidade de mensuração a espacial. 37-38). distante o elemento epistemológico que define . do espaço encontra no cartesianismo um sólido o inteligível e o perceptível. 2 O próximo e o distante separando “as categorias e distinções espaciais como matrizes epistemológicas das práticas humanas que os poderes do Estado A mensurabilidade do espaço na modernidade não controlavam” e substituindo “as práticas define um modo de habitar enquanto controle locais e dispersas por práticas administrativas de das distâncias. É a relação entre o próximo e o Estado” como ponto de referência único.2.br | E-ISSN 1808-2599 | agora – contemporâneo. p. obrigatórias. teria semântico por seus usuários ou vítimas”. essa ordem possibilita não só a cognição do mundo através subjetiva impedia um maior controle dos tributos de sua representação. desta constatação que Bauman (1999. está atrelada à distinção pela soberania de seus poderes. fazendo-se necessário espaço que se emoldura na relevância que os “controlar e neutralizar o impacto da variedade mapas adquirirem na construção de um espaço e da contingência” através da “imposição de Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós.

como a O estabelecimento de um lugar habitável é um acontecimento e. esse marca expressiva de uma primeira pedra. que ganha sentido na medida ele ou que partam dele. tureza e tecnologia. isso apenas significa que a linguagem está implica- o distante. não se sabe muito bem onde situar a ori- Se toda linguagem sugere uma espacializa. Como lembra Norberg-Schulz (2006. em que se constrói” (MASELLA LOPES. distinção entre os dois labirintos. uma configuração espacial e da nessas estruturas.11. que nos possibilita estar no mundo como condição da própria existência. 2006. O estas só vêm a ser por meio da linguagem que abrigo é um lugar habitável que nos faz pertencer disponibiliza um modo de estar no mundo. ao mesmo tempo. a caminho de alcançar a si de habitar dependente de um diálogo entre a mesma. a própria construção de um sentido que se tece entre as coisas. podemos afirmar que a não pode controlar o acesso a esses trajetos . uma certa disposição no espaço que. A construção de um lugar sendo 4/14 cumprir essa função. por isso. Para lhe dão sentido. de estabelecimento sempre supõe algo de técni- um primeiro assentamento. assim.org. homem passagem de um caminho no qual nos instalamos ou Deus. que ele tenha sido inventado ou produzido. portas. ção. evidentemente. gem do lugar. ao entorno. sem que não é natural nem artificial. p. sair. que ela está “a caminho”. tampouco existem edi- fícios sem percursos interiores. 140). o que signi. de abertura de um caminho. E essa invenção de um caminho 2006. 167). mas também como aquilo que nos A propriedade básica dos lugares criados pelo homem é a concentração e o cercamento. www. (DERRIDA. Mas. Não há edifícios sem ruas que conduzam a na linguagem. conceito.e-compos. passagens. Os lu. p. que requer esse lugar antes mesmo e por onde o mundo passa. (DERRIDA. significa estar em paz em um lugar protegido. de relações de vizinhança. os lugares têm aberturas através das quais se ligam com o exterior. Todo lugar na arquitetura. epistemológica que caracteriza uma forma “movendo-se em direção à linguagem” dizia [Martin] Heidegger. cadas. permite entrar em contato com o mundo através gares são literalmente “interiores”. Por isso. corredores. v. que fica dizer que “reúnem” o que é conhecido. Talvez habitemos um labirinto. e que está no dominá-la.2. mas. mas também como co. es. E. se a linguagem p. há o habitante. n. 2007. todo espaço habitado. em um cruzamento de ruas ou es. de contigüidade. mas inventado. p. Dessa oposição nasce a Um caminho que não tem de ser descoberto. Inventa-se algo que não existia até então. tem “Habitamos um lugar como habitamos no uma precondição: que o edifício se localize em um caminho. então devemos compará-la a uma espécie de de onde se originou o antagonismo entre na- desbravamento. interioridade e a exterioridade. permite que dela nos aproximemos. Brasília. não é de modo algum alheia à arquitetura. E essa territorialização que o conceito tradas pelos quais tanto se possa entrar como imprime ao pensamento atualiza-se na palavra. 168). maio/ago. cerne da história da filosofia greco-ocidental. na medida em que as próprias A inspiração heideggeriana aqui é nítida: habitar coisas só vêm a ser por meio da linguagemjá que Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós.br | E-ISSN 1808-2599 | Há. 448): Devemos então entender o lugar não só como um abrigo. 2008. na relação entre o próximo e que levam ao edifício e que dele partem.

torna-se. toda em um supramundo. metáfora de uma obra que visa garantir o A virtualidade da cidade apresenta-se não só controle da linguagem. flui pelas linhas de energia que lhe atravessam com uma construção que também é uma des- construção. ser entendida como habitabilidade? Como Todavia. Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós.br | E-ISSN 1808-2599 | linguagem – e não apenas a arquitetura – atua possibilidade de controlar a multiplicidade das línguas. método (cartesiano) para controlar toda sorte de opiniões. assim.2. Brasília. represente o fracasso ou a limita- por toda parte. 3 A virtualidade das cidades aqui. da geometrização do espaço. sem e repúblicas que encontramos uma estreita 5/14 começo nem fim. sobre a impossibilidade de existência mediante uma matriz espacial já que cumpre a de uma tradução universal. um ponto de vista em favor de outro. atingir à verdade. seus itinerários estriados nas lingüística do mundo nos informa sobre a im- . a linguagem em um lugar “acima” do mundo. e. é como um labirinto. A pretensão em alcançar os do controle das distâncias. e esta se faz como um caminho. Idéias. (DERRIDA.e-compos. não poderia ser mais sorte de fluxos de bens materiais e imateriais destoante da metáfora heideggeriana de buscar condensam-se e ganham consistência na cidade. de ascender ao eixo transcendental fixando e indivíduos encontram na cidade seus nós. 2006. 2008. a arquitetura da compressão espaço-temporal ao ciberespaço da Torre de Babel encontra o projeto da cidade sem antes admitir que a cidade tenha cartesiana. 170). para impedir um plano de dominação política e seus anúncios. caberia de possíveis pontos de vista. e principalmente. O que disponibilizado uma dimensão virtual antes era o controle do espaço como metáfora de um dispersa na velocidade do pensamento. objetos céus. enquanto relação entre espaço. nos projetos utópicos de construção de cidades como afirma Derrida. v. Significa também função de dar um abrigo e situar o pensamento que a construção da arquitetura sempre per- manecerá labiríntica. a cidade não é mais perversa não poderia ser outra que a da apenas uma metáfora. maio/ago. Nesse sentido. que seria único e absoluto. Não se trata de renunciar em meio ao caos cognitivo. não é apenas na metáfora de Babel ou domínio de uma morada virtual? Se a escritura. mas o lugar privilegiado Torre de Babel. linguagem e poder. n. mas também. seus pontos de acúmulo e tensão. a comunicação. mas de encarar a diversidade Posto que habitamos na linguagem. representaria alguma forma de que a própria polis grega já trazia em sua abrigo? Se realmente habitamos na linguagem gênese um projeto que não era só filosófico. na eletricidade.org. Vimos linguagem. ção imposta sobre uma linguagem universal pelo que a cidade se insinua com suas vitrines.11. sua metáfora mas político. Aqui. então perguntarmo-nos: a comunicação pode p. www. que desde o início do século XX O fato de que esta intervenção na arquitetura. na casa a simultaneidade entre o acolhimento de modo que não se possa reduzir o fenômeno e a afirmação do mundo. Enfim.

de autenticidade e valor do espaço construído. de carro ou a pé. esse possibilidade de estar em algum lugar. limite se diluiu.2. 2006. com alegre incon- de fluxos que se processam em seu meio. n. www.org. e prescindiu de um ideal estético como índice o comerciante se encarrega da persuasão ex- plícita. a Strip é praticamente toda sinais. há muito tempo. a comunicação se faz pela proximidade. Mas urbano em uma espécie de simulacro do mundo as palavras e os símbolos também podem ser mercadológico e publicitário. Brasília. p. nossa já débil influência na esfera 6/14 pública pelo aturdimento eletrônico da esfera ambiente que é meio técnico. Nas ruas estreitas da cidade medieval. 344). a persuasão se fazia Os autores referem-se ao advento do corredor principalmente pela visão e pelo cheiro de bolos e pães concretos. A cidade deixa privada do futuro. na chamada . como Absolvemos a Strip. se parássemos.. que acumula nas fachadas o tempo em diversas Kenneth Frampton (2006. embora houvesse sinais. em seus devires.br | E-ISSN 1808-2599 | linhas traçadas pelas ruas. Ao contrário. só para descobrir que.e-compos. os com- uma certa “aura do espaço” que sempre pradores sentem e cheiram as mercadorias. 73) que. já que. as implicações políticas que isso acarreta. Meio seqüência. em que a arquitetura das fachadas assume o caráter pictórico das Ora. apropriada pelo modo letreiros. p. por medo de admitir que extensão da casa. BROWN. assim legitimidade da arquitetura como linguagem como a linguagem não pode mais se reduzir à impondo-se à arquitetura como espaço em escrita para assumir um contexto mais amplo que uma sociedade imagética – de ubiqüidade da inclua os códigos visuais. protege-nos do caos de um talvez tenhamos eliminado para sempre toda mundo exterior. ilustra essa transformação do espaço com multidões em movimento..11. apropriação mercadológica do espaço urbano. Nós nos gabamos de nossa tão valorizada mobilidade. p. de exprimir a materialidade dos objetos para emergir enquanto sistema de signos com todas Evidentemente. por razões de eficiência e segurança. especialmente a Las Vegas Strip – seu da padaria. (VENTURI. Caminhando por suas estreitas aléias. a virtualidade da de nossa rush city [“cidade da pressa”] [. 2008. o que aqui se discute é a Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. comunicação visual: Aprendendo com Las Vegas. Nas de produção capitalista. essa questão de contrapor a cidade superfícies luminosas em detrimento da como linguagem à cidade como lugar. Trocamos. remete- tradicional concepção de espaço tridimensional nos também à produção dos não-lugares de própria dos interiores. 477-478) contra- escrituras. ao discutir em que usados no espaço para a persuasão comercial. e com sua arquitetura.] cidade está em sua polissemia. através das portas e janelas comercial. Ao “cinismo” dessa Marc Augé (1994. maio/ago. de Venturi e Brown O trevo rodoviário e o aeroporto se comunicam (2006). v. Se nas feiras do Oriente Médio não há placas ou medida a arquitetura. exemplo por excelência –. haveria poucos lugares nos quais qualquer um de nós nos sentidos que se abrem à multiplicidade escolheria estar. teria descaracterizado feiras. A cidade não é mais esse abrigo argumenta da seguinte forma: interior e artificial da natureza que.

Trata-se repertoriados. www. mas é um mero suporte de este uma negatividade. mesmo as mais anonimato torna-se uma bizarra forma de antigas – pode ser lida de uma forma semiótica.11. propaganda da rádio – em que a busca pelo uma cidade – qualquer uma.br | E-ISSN 1808-2599 | “supermodernidade”. n. um sistema autopoiético “Se tirarmos os letreiros. 344-346) nos colocam caminha em uma direção contrapondo-se “aos lugares antigos: estes. Essa proliferação de falsas fachadas em escalas apropriadas aos 7/14 imagens da supermodernidade forma então um usuários agora invariavelmente motorizados. Significa dizer que os o “puro espaço da arquitetura”. Os edifícios tornam-se suportes espaços pelos quais caminhamos.org. Brasília. uma arquitetura o espaço liso dos mares e do campo pode ser sem profundidade. assumem a repetibilidade o espaço. cremos que não seria o caso de função de um ambiente – ou o sublime. circulam esses espaços. compartilhar uma identidade. A diferença. símbolos e peças publicitárias. torna-se mais importante que a arquitetura. contudo. já que o aquele que os meios de comunicação ocupam por repertório depende do modo como lemos os toda paisagem. imputando a afirma Derrida –. só que agora pela capitalismo. pois não se trata de sinais. A cidade impugnar o espaço repertoriado do lugar já não tem mais um caráter ou identidade senão ao não-repertoriado do não-lugar. Crer de forma de peças publicitárias e os outdoors proliferam incondicional nessa dicotomia seria negar pelas avenidas. p.2. . é que agora a arquitetura não é mais um modo de expressar a forma ou a Todavia. como opormos o lugar ao não-lugar. Como lembram paisagem de um fundo natural. maio/ago.e-compos. reproduzindo uma seqüência de a produção de subjetividade a qual refaz os instantâneos como em um filme. O letreiro não-lugares. mundo de consumo. em que a experiência do estriado pela navegação e agricultura. tanto uma arquitetura de superfícies. classificados e promovidos a do domínio de uma semiótica da cidade sobre ‘lugares de memória’”. espaços que “não são em si antropológicos”. por desconhecerem a identidade. a questão que Venturi e Brown (2006. obliterando a caminhos daquilo que é visível. 2008. p. v. “A contradição entre o exterior e o e a transitoriedade das imagens seriais da interior” desfaz-se com uma arquitetura de contemporaneidade. Tudo depende do modo pelo qual velocidade do carro. – rádios fazem propaganda de lojas que fazem É claro que sempre podemos argumentar que Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. 184-190). não existe o lugar”. apresentam-se como Ora. como o espaço ocorre como no dispositivo do mecanismo espaço estriado das cidades pode tornar-se liso cinematográfico: como uma sucessão de quadros quando não sujeito às forças de estriagem do postos em movimento. paralela àquela abordada por Augé. Cria-se assim Deleuze e Guattari (1997. a singularidade e a permanência do “lugar a comunicação torna-se mais importante que antropológico”.

maio/ago. fundem para construir uma representação ins- .org. 22-23): são as figuras –. portanto. mas por sua velocidade.2. Evidentemente. A forma-imagem luz apresenta. Assim. objeto. p. 2008. do próprio tempo ciência moderna em afastar a metafísica dos como cronologia. por conseqüência. mas como própria “representação A arquitetura então se equipara a um jogo de de si mesma”. Brasília. indiretamente. presenciamos não é a mesma que aquela dos letreiros uma transferência dessa “matéria mensurada luminosos que proliferam nas cidades. mas e agrimensada para a luz mensuradora”. Se a medida. mas transfigura-se no próprio a constante redefinição do espaço percebido. seu movimento – sem repouso –. hoje. v. n. todo o esforço da espaço e. de uma nova ordem cognitiva. www. a luz que protagoniza do espaço vivido e. através de eletrônica em que a luz não mais dá forma seus diversos instrumentos. diante imagem sempre atual cria uma superfície nova. a forma-imagem que se apresenta nos suportes para a determinação cada vez mais rigorosa da eletrônicos pelas tecnologias da comunicação imagem do mundo sensível”. ou desfaz-se o mundo físico dos objetos extensos e concentram-se.e-compos. mas sua as percepções diretas e mediatizadas se con- própria condição. contribuiu “para aos objetos. em que a essência e a aparência diluem-se. pois ela A superfície aqui evocada é a da aniquilação do própria é medição.11. mais medida por sua espacialidade – como o Como afirma Virilio (1993. torna-se então A partir de agora assistimos (ao vivo ou não) a uma co-produção da realidade sensível na qual não mais um atributo de sua matéria.br | E-ISSN 1808-2599 | 4 Uma arquitetura de superfícies se ao pensamento não mais como passível de representação. em que a luz não ocultando de nossas representações o fundo é mais a metáfora de um mundo inteligível. Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. A interface da tela seria a fenômenos naturais através do aprimoramento superfície onde “o esgotamento do relevo natural de instrumentos técnicos de medição dos objetos e das distâncias de tempo achata toda localização que resultariam em leis universais de causalidade 8/14 e posição” e em que “a instantaneidade da – do movimento dos corpos –. Através dessa nova imagem sintética. podemos aproximar essa ubiqüidade da imagem inaugurando “efetivamente uma mutação na e a sua conseqüente eliminação das distâncias avaliação científica do tempo e do espaço”. na própria luz como dimensão mergulhamos em um mundo da representação de uma nova realidade. como presença absoluta que desfaz interfaces tal como Paul Virilio (1993) refere-se o esforço técnico de intervir sobre a natureza acerca dos meios imagéticos da comunicação. com uma leitura da transformação do espaço Ocorre que se a luz tem sua grandeza não urbano em suporte de uma comunicação visual. através de instrumentos de medição. Isso nos quando a velocidade da luz em sua forma- coloca diante de uma nova representação. parece desabar ubiqüidade” resulta em uma “atopia”. mas natural.

como “engendra um [.e-compos. os instantaneamente através da superfície luminosa visores dos celulares: são através dessas zonas de da interface cria um campo de eventos que interface que nos deparamos com a supremacia se equiparam em valor de grandeza.11. sem gosto ou odor. Tudo se da imagem na era da comunicação. (grifo do autor) . Sobre esse aspecto. p. também o ameaçam com uma situação A observação direta dos fenômenos visíveis é de desamparo que ele jamais conheceu. sem próximo. isso implica sentir-se antes. Mas. divino.org. estressante. sem dúvida. é controversa a idéia de que eles tamente grande.. violento. portanto. do meio ambiente. Brasília. a homogeneidade e a indiferença do lugar. iconográficas). os monitores dos computadores.23). inteligível”. pois a intimidade requer distância. não nos podemos situar e imagem sintética que surge nas interfaces dos nos tornamos deslocados.] A eliminação das distâncias e os artifícios de distanciamento só podem voltar-se contra a 9/14 perigoso desequilíbrio entre o sensível e o intimidade. n. Em vez de uma genuína proximidade. os que esperam uma nova observador não tem mais contato imediato com situação de intimidade a partir da revolução a realidade observada. Quando todos os lugares emerge e se sobrepõe desse fundo natural é a têm o mesmo valor. ocupa agora o lugar colagem disposta em um fluxo de imagens em que do assentamento e da figura contra todo fundo a história e a geografia são negadas. p. os transição ou espera da percepção do infinita- meios técnicos de comunicação também agora mente pequeno para a percepção do infini- o fazem. sempre se constituiu enquanto verdadeiro. essa imagem sem profundidade. anulando natural que se torna então desinteressante: qualquer sensação de volume ou profundidade. www. a antiga distinção entre as di- Karsten Harries (2006. do campo visual. perigoso. maio/ago. 425) diz: mensões desaparece.. As telas A velocidade disponibilizando as imagens de televisão. O que distância e. de espaço) e a distanciação das diversas bora prometam ao homem um poder quase representações (videográficas. já que não temos mais como discernir abolir uma é abolir ao mesmo tempo a outra. Os eventos apresentam-se como uma textura. 2008. Mas a metáfora de Marshall não só em uma alteração considerável de nossa McLuhan sobre a “aldeia global” é enganosa. da imediata proximidade do visível para a visibilidade do que está para além eliminem as distâncias. v. o que a realidade midiática de um fundo natural que nos oferecem é um análogo perverso: a eqüi- Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. Termina As conseqüências definitivas dessa investida a separação entre a realidade das distâncias (de contra as distâncias ainda são incertas: em- tempo. aparelhos tecnológicos de comunicação. tornando o passado presente e o distante cotidiano. p. os mapas e as cidades Diante desta súbita facilidade de passar sem definem um modo de operar as distâncias. percepção da realidade. Como afirma Virilio (1993.2. 24). É com a torna “compactável” na dimensão da tela do imagem que cada vez mais interagimos no nosso visor..br | E-ISSN 1808-2599 | tantânea do espaço. Assim como o corpo. Exis- substituída por uma teleobservação na qual o tem. dos meios de transporte e da comunicação: o homem passará a sentir-se como em sua casa no mundo e junto dos outros como jamais pôde Ainda segundo Virilio (1993.

todas as observáveis na medida em que atua como transfigurações. n. dos referenciais visíveis que autonomia diante dos fenômenos físicos favorecem todas as transmigrações. novamente tor- que a técnica descola-se da ciência.2. O efeito 10/14 da apreciação dos signos de uma cidade vista As tecnologias da comunicação processam sempre a partir de “um dentro” de um veículo uma ruptura epistemológica em que a imagem em movimento. ocupa o lugar da natureza não enquanto qual observamos nas interfaces dos suportes representação. . achata seu relevo e textura tal Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. “a profundidade de campo das perspectivas da eficiência dos instrumentos técnicos para clássicas” ser renovada “pela profundidade de medir suas formas e os movimentos. mas pelo olhar. transformando-a em um enorme hipertexto da forma para sua imagem”. www. Se a ciência surge como Mas também a crise de um sujeito vencido pela forma de conhecer a verdade dos fenômenos técnica.11.br | E-ISSN 1808-2599 | Uma percepção não mais restrita às dimensões. de “um arquitetônicas. v. heterogêneo. ou seja. Não eletrônicos. maio/ago. a crise de perceber que a técnica não é mais um instrumento de intelecção da realidade.e-compos. conforme alerta Virilio (1993. e se tempo das técnicas avançadas”. que a converte manipulação. 2008.org. não é apenas um fenômeno das tecnologias Diante desse “desequilíbrio entre a informação da comunicação que possibilitam uma direta de nossos sentidos e a informação desconstrução da materialidade do espaço mediatizada das tecnologias avançadas” em que geográfico. desintegra- ção das figuras. se trata aqui de considerar os conteúdos p. toda realidade é posta à prova. Ocorre que a eliminação das distâncias mas da representação instantânea de dados. Essa “crise essa mesma ciência constata que a verdade da noção de dimensão e do inteiro” também é dos fenômenos é refém de suas técnicas de enunciada por Harvey (2004). homogêneo. mas como o próprio real. as frações. que assiste “desde o início do século físicos e a comprovação dos mesmos depende XX”. Brasília. mas crise do inteiro”. então a técnica torna-se o novo em sintoma de um discurso tecno-científico mito de uma era em que a velocidade aproxima que encontraria suas razões em uma nova a física e a metafísica. A cidade passa a não ser mais delírio generalizado de interpretação”. 19). uma “crise da noção de dimensão” ou “a que operam através dessas imagens. coisas” é transferida “do objeto para sua figura. 40). ganha nam-se essenciais.. p. mas também da ubiqüidade da “nossos julgamentos de valor. segundo Virilio (1993. percebida pelo corpo. o risco que corremos e eliminando todos os volumes das formas é. atomização.] de um espaço substancial. mas [. herdado da geometria grega arcaica. prova científica.. nossa medida das imagem em todos os espaços físicos da cidade. provocando. Significa dizer em que as partes. em be- torna-se o padrão de medida através do qual nefício de um espaço acidental.

e-compos. ao mesmo imateriais das subjetividades. pela sua possibilidade de nos possibilita entender a cidade como uma mensuração. Já que há várias ordens. Este é o pressuposto que sua materialidade. Entretanto. pela forma possível de habitar comprimida entre fluidez dos limites que contrai ao se diferenciar uma narrativa mítica acerca da natureza e dos demais espaços. Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. é preciso Habitamos e somos habitados por diversas percorrê-lo observando as determinações de linguagens que nos fornecem a visibilidade do uma espacialidade mensurável. o que relação espacial interior-exterior um dispositivo fundamentalmente habitamos não é apenas a ainda extremamente eficaz de controle social.11. em vários mapas. resultado de uma construção da política objeto do discurso midiático ao exercer o controle e do fortalecimento da palavra escrita como do que deve ou não se tornar visível. v. porque não está 5 O habitar: entre a natureza e a técnica sujeita a uma única gramática que lhe designe o Se a relação entre o próximo e o distante que é. Brasília. a sujeição as subjetividades ou práticas dissonantes dessa crise da dimensão a uma ordem político. falemos. No entanto. a cidade é. Da mesma forma. Conseqüentemente. desempenha nas relações com as mercadorias. mas um sistema de . etnográfica ou topográfica. ou ainda. portanto. mantêm-se fora desse olhar midiático. A inclusão ou exclusão social. Os mapas midiáticas preenchem o imaginário social.org. www. cidade em sua concretude. 2008. a comunicação não pode ser circunscrita a um único mapa. n. mas na relação antes entender de que maneira essas imagens que estabelecemos com as coisas. passa a se tornar tempo. espaciotemporal. que adquire uma dimensão não estando mais necessariamente circunscrita virtual com os meios técnicos de comunicação. é muito porque se entende “este mundo” por “mundo natural” que.2. maio/ago. aos limites materiais da cidade. sócio-psíquico equivalente àquela que o fetiche seja esta política. enquanto negatividade. mas aos espaços Assumindo o lugar do logos. fazendo da forma de publicidade. real a partir de sua organização em códigos o valor do espaço não pode ser medido pela verbais e visuais. estrutura-se como condição do “estar no mundo”.br | E-ISSN 1808-2599 | ordem sócio-econômica que se impõe como O legítimo passa então a habitar o que está hegemônica a partir do crescimento das forças dentro do espaço visível das mídias. em várias linguagens. Para tanto. enquanto capitalistas de produção. 11/14 geográficos não definem uma espacialidade senão encontrando uma correspondência no sistema aquela que imputamos através de uma ordem. será preciso O espaço não está nas coisas. outra tecnológica. mas pela sua territorialidade. para vivenciá-lo. econômica permanece aquém do entendimento tornando-se unicamente visíveis enquanto dos processos de operacionalização que levam algo antagônico ou ameaçador à ordem ao desabrigo do ser diante dessa nova condição estabelecida.

Karsten. Brasília. n. São Paulo: Cosac Naify. 2004. . 2ª edição. Jean-Pierre. Kate (org. v. Kate (org. Petrópolis: Vozes. São Paulo: DIFEL. 2006. O espaço como matriz epistemológica na comunicação. 2007. Uma nova agenda Uma significação para os estacionamentos dos para a arquitetura: antologia teórica (1965-1995). 2008. Globalização: as conseqüências Cosac Naify. humanas. Rio de Janeiro: Zahar.2. Teoria e Metodologia da Comunicação condição atual é de proximidade. Christian. Kate (org. www. ed. v. Vilém.e-compos. 1994. 2006. que. 2007. Paulo Roberto.). 2. In: NESBITT. 1977. O espaço crítico – e as perspectivas do Cosac Naify. continuidade ÁREA) – Escola de Comunicação e Artes. São Paulo: Cosac Naify. Denise. São Paulo: Cosac Naify. Zygmunt. 1997. FRAMPTON. Mil platôs: arquitetura. assim como possibilita HEIDEGGER. São Paulo: Martins Fontes. David. 1993. A galáxia de Gutenberg: a imaginário urbano cujas conseqüências no espaço formação do homem tipográfico. ou Aprendendo aprendendo com Paulo: Cosac Naify.). Las Vegas. 2006. tem sido marcado Dissertação (Mestrado em Ciências da Comunicação – pela criação de um ambiente cognitivo cuja Epistemologia. 4. nossa matriz espaciotemporal e. A função ética da arquitetura. Referências bibliográficas Percepção. ou seja. Uma arquitetura onde o desejo 1995). Marshall. Jacques. 2002. Ensaios e Conferências. São Paulo: Loyola. Kate (org. ______. 2006. In: NESBITT.). Meyer. arquitetura: antologia teórica (1965-1995). AUGÉ. VERNANT. O mundo codificado. ed. Marc. Gilles. São Paulo: BAUMAN. In: NESBITT. Uma nova agenda FLUSSER.org. tempo real.). Estrato MASELLA LOPES. alterando de São Paulo. Uma nova agenda para a grego. público ainda são incertas. ed. 1984.). SCOTT BROWN. São supermercados A&P. é a linguagem HARVEY. Universidade e visibilidade tecnicamente mediada. agenda para a arquitetura: antologia teórica (1965- DERRIDA. possa morar: entrevista de Jacques Derrida a Eva VENTURI. 2006. HARRIES. Fenomenologia da Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. A condição pós-moderna. Não-lugares: introdução a uma antropologia NORBERG-SCHULZ. São Paulo: VIRILIO. São Paulo: Companhia Editora Nacional. maio/ago. In: NESBITT. 13.br | E-ISSN 1808-2599 | signos verbais e visuais.11. Uma nova agenda para a arquitetura: antologia teórica (1965-1995). na contemporaneidade. Kate (org. que nos permite a visibilidade. Kate (org. Uma nova agenda para a arquitetura: antologia teórica (1965-1995). O fenômeno do lugar. 2007. da supermodernidade. Maurice. 1999. Campinas: Papirus. São Paulo: 34. ou a forma e o conteúdo do real. Cosac Naif. São Paulo: para a arquitetura: antologia teórica (1965-1995). Paul. portanto. 1999. nosso 12/14 MCLUHAN. Rio de Janeiro: 34. Uma nova capitalismo e esquizofrenia. situarmo-nos na espaciotemporalidade própria a cada estrato ou formação histórica. Kenneth. In NESBITT. MERLEAU-PONTY. GUATTARI. Uma leitura de Heidegger. O pensamento de Heidegger sobre DELEUZE. As origens do pensamento In: NESBITT. 5. 2006. Martin. Félix.). Robert.

br | E-ISSN 1808-2599 | Language as a way of inhabiting: El lenguaje como forma de habitar: the close and the distant lo lejano y lo cercano Abstract Resumen This essay intends to argue about communication Esta ponencia tiene el objetivo de discutir la and city from notions of proximity and distance.org. but depends on languages that que las formas de habitar no se reducen a la produce the visibility of real. tenemos concrete space. it is granted to new technologies of desde las nociones de proximidad y distancia. n. relación entre la comunicación y la ciudad Usually. the technical ways of la construcción de los espacios concretos de la communication bring out a crisis into space matrix materialidad. 2008. Habitar. v. comunicación. creemos que no se pueda excluir la that recreates the meaning of the space itself.e-compos.11. los medios técnicos de la since they reorganize the perception of distance. maio/ago. Brasília. cannot be apart from a thought virtualizing process sin embargo. Space. Recebido em: Aceito em: 30 de agosto de 2008 18 de novembro de 2008 . así como a la arquitectura en materiality. suscitan una crisis de matriz espacial. Lenguaje. Without any doubt. Sin duda.2. al reorganizar la percepción de las 13/14 however. may not be reduced to the measurement of the sentido del espacio. Language. As a producción de subjetividad como un proceso de result. Como resultado. Palabras clave Espacio. se concede a las nuevas tecnologías the virtual space. www. Inhabiting. as well as to the architecture de la comunicación la primacía por el dominio dominates the construction of concrete spaces of del espacio virtual. pero dependen Keywords de los lenguajes que producen la visibilidad del real. communication the primacy for dominating Usualmente. mensuración del espacio concreto. we believe that production of subjectivity distancias. we have to consider that forms of inhabiting virtualización del pensamiento que rehace el propio Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós.

n.org.compos. Brasil Tulane University. em instituições do Brasil e do exterior. tem como principal finalidade difundir a Brasília. Brasil Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Estados Unidos Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós. Brasil erickfelinto@uol. Grã-Bretanha Ana Silvia Lopes Davi Médola Luiz Claudio Martino 14/14 Universidade Estadual Paulista.org. Brasil Itania Maria Mota Gomes Valério Cruz Brittos Universidade Federal da Bahia. Brasil Janice Caiafa Veneza Mayora Ronsini Universidade Federal do Rio de Janeiro.br | E-ISSN 1808-2599 | Expediente E-COMPÓS | www.br Tania Hoff | Escola Superior de Propaganda e Marketing. Brasil Cristiane Freitas Gutfreind Renato Cordeiro Gomes Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Brasil Eduardo Peñuela Cañizal Rosana de Lima Soares Universidade Paulista. Brasil André Luiz Martins Lemos Maria Immacolata Vassallo de Lopes Universidade Federal da Bahia. Estados Unidos Alberto Carlos Augusto Klein José Luiz Aidar Prado Universidade Estadual de Londrina. Brasil Universidade Federal do Rio de Janeiro. passa a ser volume anual com três números. Brasil Ana Silvia Lopes Davi Médola Maria Helena Weber | Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Brasil Alfredo Vizeu Juremir Machado da Silva Universidade Federal de Pernambuco.2. Colômbia Universidade Federal Fluminense. Brasil Arlindo Ribeiro Machado Nilda Aparecida Jacks Universidade de São Paulo. Brasil Antônio Fausto Neto Mauro Pereira Porto Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Brasil Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Brasil Secretária-Geral REVISÃO DE TEXTO E TRADUÇÃO | Everton Cardoso Denize Correa Araújo Universidade Tuiuti do Paraná. maio/ago. a partir de 2008. Brasil Ieda Tucherman Suzete Venturelli Universidade Federal do Rio de Janeiro. Brasil Jeder Silveira Janotti Junior Vera Regina Veiga França Universidade Federal da Bahia. produção acadêmica de pesquisadores da área de Comunicação. México Francisco Menezes Martins Rousiley Celi Moreira Maia Universidade Tuiuti do Paraná.br Ana Gruszynski | Universidade Federal do Rio Grande do Sul.br Gisela Castro | Escola Superior de Propaganda e Marketing. Brasil Vice-presidente Gislene Silva | Universidade Federal de Santa Catarina. Brasil Gelson Santana Sebastião Carlos de Morais Squirra Universidade Anhembi/Morumbi. Brasil Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Brasil ASSISTÊNCIA EDITORIAL E EDITORAÇÃO ELETRÔNICA | Raquel Castedo denizearaujo@hotmail.2.com . Brasil Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Brasil Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Brasil Universidade Metodista de São Paulo. Brasil Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. v. n. Brasil Rosana de Lima Soares | Universidade de São Paulo. Brasil Universidade de Brasília. Brasil Universidade Federal de Minas Gerais. Brasil University of Bristol.11. Brasil Universidade Federal de Minas Gerais. Brasil Universidade Federal do Rio de Janeiro. Lançada em 2004. Brasil Denilson Lopes Ronaldo George Helal Universidade Federal do Rio de Janeiro.com.org. Brasil César Geraldo Guimarães Paulo Roberto Gibaldi Vaz Universidade Federal de Minas Gerais. Brasil Ângela Freire Prysthon Maria Lucia Santaella Universidade Federal de Pernambuco.e-compos. Brasil Erick Felinto de Oliveira Rossana Reguillo Universidade do Estado do Rio de Janeiro. CONSELHO EDITORIAL Afonso Albuquerque John DH Downing Universidade Federal Fluminense. Brasil Alex Fernando Teixeira Primo José Luiz Warren Jardim Gomes Braga Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Brasil Rose Melo Rocha | Escola Superior de Propaganda e Marketing. Brasil Ana Carolina Damboriarena Escosteguy Lorraine Leu Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Brasil Universidade de Brasília. Brasil Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação João Freire Filho | Universidade Federal do Rio de Janeiro. Brasil Universidade de São Paulo. maio/ago. 2008. 2008.br | E-ISSN 1808-2599 A revista E-Compós é a publicação científica em formato eletrônico da Revista da Associação Nacional dos Programas Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação de Pós-Graduação em Comunicação. Brasil Presidente Erick Felinto de Oliveira CONSULTORES AD HOC Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Brasil Universidade de São Paulo. Brasília. v. Brasil Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores do Occidente. Brasil University of Texas at Austin.e-compos. Brasil asilvia@faac. (Compós). Brasil Aníbal Bragança | Universidade Federal Fluminense. Brasil Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Brasil Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.11. inseridos A identificação das edições. Brasil Universidade Federal de Santa Maria. Antonio Carlos Hohlfeldt Muniz Sodre de Araujo Cabral Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. www. Brasil Universidade Estadual Paulista.unesp. Brasil COMISSÃO EDITORIAL COMPÓS | www. Brasil Hector Ospina Simone Maria Andrade Pereira de Sá Universidad de Manizales.