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Questões im-pertinentes para a Filosofia da

Educação

Pedro Goergen
Universidade de Sorocaba

Resumo

A crítica pós-moderna aos rumos da modernidade provocou uma
intensa discussão em torno de alguns pressupostos básicos da
tradição iluminista. Entre eles, encontram-se as noções de filoso-
fia da história, de sujeito e de valores. Vivemos um momento his-
tórico conturbado em que não só a filosofia da história, mas tam-
bém a razão e a subjetividade, os fundamentos e os valores, as
identidades e as certezas se tornam ambíguos. O estremecimento
desses conceitos angulares, que orientam o pensamento e a ação
do homem moderno, afeta a vida em todas as suas dimensões. E
como tais conceitos representam também os fundamentos da tra-
dição educacional, é particularmente a educação que se vê diante
de novos desafios, cruciais para o estabelecimento de seus obje-
tivos e suas práticas. O presente artigo procura assinalar a neces-
sidade de se incorporar à Filosofia da Educação os debates que
vêm sendo desenvolvidos nos campos da Filosofia, da Ética e da
Estética para averiguar tanto a procedência das teses pós-moder-
nas, quanto a sua eventual repercussão no campo da Educação.
Trata-se, portanto, de defender o ponto de vista de que não é
mais satisfatório rejeitar, em princípio, os argumentos dos cha-
mados pós-modernos, mas de averiguar se sua leitura da realida-
de contemporânea é justificada ou não e, na seqüência, avaliar as
implicações para o campo da teoria e da prática educacionais.

Palavras-chave

Filosofia da Educação – Filosofia da História – Sujeito – Valores –
Pós-modernidade.

Correspondência:
Pedro Goergen
E-mail: goergen@unicamp.br

Educação e Pesquisa, São Paulo, v.32, n.3, p. 589-606, set./dez. 2006 589

Keywords Philosophy of education – Philosophy of history – Subject – Values – Postmodernity. that guide the thought and action of the modern man. the arguments of the so-called postmodern. of subject. p.3. but that we should investigate if their reading of contemporary reality is or is not justified and. ethics. the identities and certainties. São Paulo. v. It is. in the sequence evaluate its implications for the field of educational theory and practice. 589-606. set. n. crucial to the establishment of its objectives and practices. affects life in all its dimensions. a question of supporting the point of view that it is no longer satisfactory to reject. and of values.br 590 Educação e Pesquisa. The vacillation over these cornerstone concepts. as a matter of principle.(Im)Pertinent questions for the philosophy of education Pedro Goergen Universidade de Sorocaba Abstract The postmodern criticism of the directions of modernity has given rise to an intense discussion over some of the basic presuppositions of the Enlightenment tradition. become ambiguous. And because such concepts represent also the foundations of the educational tradition it is education in parti- cular that finds itself before new challenges.32. We live in a troubled moment of history in which not just the philosophy of history. Among these one finds the notions of philosophy of history. the foundations and values. and aesthetics to assess both the provenance of the postmodern theses. therefore./dez. Contact: Pedro Goergen E-mail: goergen@unicamp. This article tries to signal the need of incorporating to the philosophy of education the debates that have been developed in the fields of philosophy. but also reason and subjectivity. and their possible repercussion in the field of education. 2006 .

posto definhamento do sujeito que se liga à cri- Em outros termos. mem a polêmica tese do fim dos metarrelatos sar pelas razões desse grande debate internacional e declaram sem fundamento a crença numa que os pós-modernos provocaram. da história em direção a uma sociedade mais em primeiro lugar. tuído pela instrução do indivíduo adaptada às belecimento de seus objetivos e suas práticas. mas tam. de seu destino. 2006 591 . Dentre os filosofia da história. da tese que afirma o ocaso das justa e uma vida melhor. temporânea ou se tal suposto deve ser substi- te de novos desafios que são cruciais para o esta. mens se tornam seres genéricos de massa. Trata-se. a relativização dos va./dez.32.3. 589-606. identidade e. que orientam o pensamento e a ação do se a idéia de formação do sujeito ainda repre- homem moderno. dominar e conduzir os rumos encontra numa trajetória de progresso em dire- da história. na qual todos os valores são comutáveis. Teria sido uma grande ilusão moderna acre- bate. lores e o surgimento de uma sociedade sem refe. partir do suposto de que a humanidade se capaz de conhecer. Homem. reflexivamente. Razão. Com isso. ção. O mundo administrado e automa- sujeito autônomo e de valores laicos. tizado ofusca a autonomia do sujeito. Deus. avan- sujeito e valores –. sita em colocar-se. a Filosofia da Educação pode e deve assumir. Essa é atualidade. que inicia com Nietzsche. Particularmente a educação se vê dian. uns bém a razão e a subjetividade. chama-se a atenção para o su- rências. grandes supostos da metafísica ocidental como bate. o fim sob suspeita o principal fundamento de toda a da idéia de filosofia da história. do enfraquecimento da es. ção a um futuro melhor. afeta a vida em todas as suas senta um elemento importante da paideia con- dimensões. Essa leitura pós-moderna reflete a des. exterioriza o pensamento de modo que os ho- do em que não só a filosofia da história. em segundo lugar. ça com Heidegger e Foucault e se dissemina com guns espaços que têm especial relevância para os pós-modernos. a educação fundava-se nos Como pequena contribuição a esse de. Os pós-modernos assu- conceito de pós-modernidade. educação moderna que opera precisamente a a desconstrução do conceito moderno de sujeito. limita e Vivemos um momento histórico conturba. os fundamentos e iguais aos outros. Natureza. as mudanças que vêm ocorrendo na contem- trutura do sujeito e da relativização dos valores poraneidade que o sujeito parece perder sua universais. n. por último. se tornar senhor e dominador da realidade e de centradas nos conceitos de progresso histórico. Não exigências do mercado. Mesmo os que são céticos com relação ao o conceito de história. desses supostos. destacam-se três temas para os quais ditar na razão como garantia do curso unitário converge grande parte das discussões. hão de se interes. no contexto da educa. no horizonte Parece adequado iniciar tratando de um dessa crise de fundamentos. numa história do progres- muitos pontos polêmicos que marcam esse de. o presente ensaio oferece algumas refle. faz-se referência à atrofia da se de fundamentos. é importante saber angulares. a teoria educacional ainda he- a Filosofia da Educação. set. com ela. as identidades e as certezas se tornam mentos sobre os quais não têm mais controle. so. colocam grandes ideologias e metanarrativas. ou seja. O estremecimento desses conceitos No contexto da educação. e. governados pelos aconteci- os valores. Tantas e tão profundas são consciência histórica. valores como um dos temas mais discutidos na te encontrar novas formas de legitimação. Produz-se dessa for- dos temas mais polêmicos da atualidade que é ma uma desconexão entre teoria e prática que Educação e Pesquisa. p. procurando demarcar al. Desde a crise xões sobre os temas mencionados – história. Tradicionalmente. v. A seguir. sendo possível voltar no tempo e recuperar os Por último. ambíguos. inferências da crise ética sobre o agir educativo. com o objetivo de destacar as a tarefa que a Filosofia e. a pretensão moderna de confiança com relação às expectativas modernas. são feitas algumas considera- fundamentos e valores do passado nem tolerável ções em torno da questão dos fundamentos e seguir vivendo na instabilidade. São Paulo. torna-se premen.

ca sem fim. A pretensão do texto não vai além de as barbáries humanas e ecológicas que marcam assinalar a importância desse debate e de trazer o percurso da modernidade. 1996) ou aos definida dos sistemas de valores e dos critéri. 1985). ao que exis- A Filosofia da Educação deve perguntar. 32). Com isso. Se um dia acreditamos que para o campo da Educação. realidade. bombas atômicas.. ao abrigo de uma metanarrativa um mundo e a uma vida melhores. negam que ele se dê na forma de um curso como idéia de constante progresso em direção a constante que. o homem vive a estamos vivendo a confirmação das previsões constante tentativa de tornar-se testemunho de de Weber de que o mundo se tornará burocra- um acontecer sem lei nem fundamento últimos tizado e racionalizado e que a própria razão que lhe dêem sentido e rumo como história. conduza a história. requerem acolhimento e exame holocaustos. trágicas insanidades que ferem de morte a idéia de progresso (Vattimo. tendo em vista cação. que. situação de “indigência crítica e sem forças para ria. por sua bondade tram-se separados apenas formalmente e que. por ora ainda sucintas e história. estaríamos chegando também ao fim da resistir à invasão e ao domínio das estruturas e ética. não parece jus- tificado supor que os pós-modernos pretendam Os pós-modernos entendem que estamos dizer que o progresso seja impossível. ficaríamos igualmente (Mardones. mi- crítico. 1996). dirigida a um fim [. não há metarrelato. uma carência de fundamento.. Com o fim da unidade da histó. Nessa perspectiva. de verdade to desencantado e mecanizado. ao contrário dessa pretensão moderna. A questão da história Apesar do tom radical. Os fatos não deixam mar- nos outros. Estaría. São questões im-pertinentes porque gem a dúvidas: guerras. portanto. o pós- sem projeto de liberdade e de justiça. como permanente re-escritura e bus. com rigor te e ao que se impõe a todos. em nome de quem se educa. p. uma vez que. São incômodas porque desacomodam e séria. Não há filosofia da algumas contribuições. Lyotard fala de “aventura biográfica e humanidade para um estágio melhor. Questões im-pertinentes para a Filosogia da Educação .. a confian- São essas algumas questões que caracte. XIII). não poderia percorrer outro caminho. tural da razão humana que. Em vez de ou de uma filosofia da história. modernismo assume ares de uma racionalidade 592 Pedro GOERGEN. p. no entender dos pós-modernos. nidade. ficará presa por entre as grades da burocracia Disso resulta uma espécie de relativismo histó. Não é preciso dizer o progresso aconteceria por ser o caminho na- que os três grandes temas aqui lembrados encon.” (p. com seu metarrelato de progres- rizam os nossos tempos e que devem ser lembra. sem uma certa idéia de poderes contra os quais se pretende lutar” história e de humanidade. fome. so em direção a um estágio melhor da huma- das ao se pensar o sentido e os rumos da edu. no sentido de destacar sua relevância natural e necessário. são polêmicas. presos ao que há. Lembram intelectual”. e da racionalização. metafísica objetivadora (Vattimo. ça na razão. na intrínseca. ria.] foi substituída pela O pós-modernismo. 2003. revelou-se uma falácia. e radicalidade. mos. apenas dando adeus ao conceito moderno de historia. estão profundamente imbricados uns incorremos em erro.deve ser tematizada do ponto de vista filosófico. num cenário por comple- rico. No dizer de e de orientação. Segundo os pós-modernos. metarrelatos de um projeto que se revelou os de legitimação” (Vattimo apud Mardones corrompido (Lyotard. a secularização se tor- “inventar uma humanidade capaz de existir num na também dissolução da própria noção de mundo em que a crença numa história unitá. não existe o ‘para onde’ e “su- e os humanos se encontram ante a tarefa de primido o ‘para onde’. no afã de resistir à perturbadora experiência da multiplicação in.. Apenas há aberturas históricas Vattimo (1996). 29). progresso. não há progresso dispersas. destruição do meio ambiente. são exigem posicionamento. deixa-nos numa 2003.

Até um pensador engajado na defesa estaremos condenados à resignação por falta de da razão como Horkheimer (1976) reconhece critérios legitimantes da ação transformadora do que a mecanização é. n./dez. A única autoridade que los na posição de senhores. pergunta Horkheimer pontos nevrálgicos dos des-caminhos da razão (1976) na seqüência de seu raciocínio. iluminada. 19) mensões do humano que não se enquadram nos seus critérios de certeza. expansão da indústria. que de fato o pós-modernismo reflete esta foi alcançada. essencial à real. pelo dade. 589-606. a memória do processo em que com ele. porquanto preserva.] verdade se forja numa evolução de idéias socioecológica contemporânea encontram-se em mutantes e em conflito. a fim de dar algum Em vista da barbárie que se instala. felicidade e to- cimento que inicia com as seguintes palavras: lerância que no passado tinham a chancela da razão. A leitura conformista pós-moderna inviabiliza o projeto da ilustração que. universais. representa ou. Mesmo divergindo das tradizer. rente à verdade. resta é a das ciências naturais e exatas. p. 2006 593 . uma passageira e rapidamente esquecida moda” mos a idéia da falência dos princípios e sentidos (Wellmer. como também de uma ética circuns. 73) em boa medida os problemas. Muitas de suas críti- cas devem ser levadas a sério porque tocam em E quais seriam. Coloca-se ao nosso discernimento melhor do que outro” (p. os fundamento filosófico à hierarquia de valores” pós-modernos saem a campo para denunciar o mostra-se como inviável. um menos. O pensamento é fiel a si flagrante contradição com o otimismo do início mesmo sobretudo quando está pronto a se con- da trajetória moderna. Mas a terra total. São Paulo. tuais. justifiquem as reações contra o pensamento uma entidade mágica que é aceita ao invés de pós-moderno. Na sua opinião.] se isso se torna a marca característica das ências. as des- graças ocorridas no último século e a realidade [. mas mentalidades. na verdade. (p. se aceitar. é isso tancial e circunstanciada.. [. set..32. ou seja. Wellmer acredita. (p. igualdade. Percebe tam- a escolha do melhor caminho a seguir diante da bém que a tendência geral de “reviver as teorias calamidade. O discurso de Horkheimer (1976) pres- As palavras de Adorno e Horkheimer sente os rumos do desenvolvimento que levaria a atingem o âmago do paradoxo moderno: a ter- um cenário em que “a arte foi separada da ver- ra esclarecida.. 58). no entanto. 31) ignorar suas sinalizações. apesar das incongru. se a própria razão é também como vital para o futuro da sociedade. seu sentido moderno. mas não sem acrescen- conservadores feita por Habermas aos pós-moder. dos critérios e das metas abrangentes.3. justificada a acusação de neo. instrumentalizada. Parece. v. carecendo de confirmação da razão em tivo de livrar os homens do medo e de investí. tão bem salientados por Adorno e seqüências dessa formalização da razão? Con- Horkheimer (1985) na sua Dialética do esclare. insinua-se não só como justificado. assim como a política ou a religião”. as mente esclarecida resplendece sob o signo de quais. as con- moderna. não abrangem aquelas di- uma calamidade triunfal. uma vez que a fim do sonho moderno. corre o risco de representar uma calami- cenário em que “nenhum objetivo como tal é dade triunfal.. (p. torna-se um fetiche. o enodoamento e Educação e Pesquisa. parecem ter perdido suas raízes intelec- O esclarecimento tem perseguido sempre o obje. tar criticamente que nos. tudo isso conduz a uma certa Embora tais expectativas preocupantes materialidade e cegueira. então. não é teoricamente sustentável ser intelectualmente aprendida. ceitos como justiça. Se concordarmos com que justifica ver no pós-modernismo mais que seus principais pontos de vista. como elemento ine- posições radicais de Lyotard. 1996 p. as convulsões da nossa era: “Se há algo. da razão objetiva do passado.funcional. 49-50).

no entanto. O debilitamento das narrativas. a conformar-nos e aceitar a barbárie e a desuma. da filosofia da história. quem tar inserindo em sua estrutura marcas indeléveis de resolve os problemas do homem é o funcionamen. “é uma poderes que hoje a dominam e comandam. histórico atual do que o declara como defini- A análise teórica dos pós-modernos tivo ou bem-vindo. transforman. pela inusitada incursão Luhmann (1996) de que a emancipação é algo na microfísica da consciência humana. permitindo que a realidade se torne refém dos modernidade”. sujeito. a crise do concordar com suas teses no referente à análi. individualismo. (p. Ao contrário de Horkheimer. confor- dernos. Abdicar da idéia (1985) que chama nossa atenção para a von- de um esforço planejado e coordenado de de. Os to sistêmico. Mardones (2003) levanta to. sociais coletivos que lhe abram perspectivas de sustentada desde Comte até Luhmann (Lyotard. nos deixam nas mãos do ‘imperati. por detrás da morte do sujeito e do fim me a idéia moderna. a desconstrução do otimismo são todos fe- se da realidade. qualquer impulso transformador mais radical. de hora em diante. conclui Welmer (1996).] os que vêem neste abandono da história à tarefa é saber se a busca da vida boa. a inten. na qual Lendo com cuidado certas passagens a razão e o seu sujeito – como lugar-tenente da do polêmico livro A condição pós-moderna. instrumentalização do conhecimento. a crítica ao conceito de soci- manidade absolutamente carente de projetos edade como uma totalidade ou uma unicidade. o frag. tade e a capacidade de decidir do ser humano: 594 Pedro GOERGEN. dirão os pós-modernos. mas nem por isso devemos nômenos muito reais. tos’. parece es- obsoleto. como. como sugerem os pós-modernos. dos casos. “O momento da pós.. Questões im-pertinentes para a Filosogia da Educação . O mesmo mento ou a vida privada. reconhecendo nistração das cruéis assimetrias socioeconômicas nelas o anúncio do fim da idéia moderna de com benefícios compensatórios que. Trata-se da situação de vale para outras idéias expressas na mesma obra carência e necessidade de grande parte da hu. Há uma passagem no próprio livro de Lyotard mas do mundo contemporâneo. egoísmo e mercadorização. por sua vez. senvolvimento – que parece estar subjacente à modernos não só constatam tais tendências. fica-se com a impressão ção uma vez que a modernidade se revelou um de que Lyotard mais descreve o momento grande fracasso. ou pelos ‘pequenos rela- da história. Podemos 1985). um futuro melhor. humana se resolve pelo ‘grande relato’. propostos pelos pós-moder- uma razão funcionalista que tudo regula num nos. no melhor progresso e de filosofia da história. feliz e sua evolução. como a ‘des-construção’. por exemplo. ameaçam despotencializar processo que se fecha em si mesmo. idéia de fim da história – e resignar-se à admi- mas as consideram irreversíveis. a confirmação de que os pós-mo. 50). visíveis. de constatações.. olho nu no quotidiano de nossas vidas. espécie de explosão da episteme moderna. não é a melhor estratégia para se chegar a a suspeita de que uma sociedade mais justa e democrática. podem aliviar a tragédia e o sofrimen- Diante disso. Tais nidade como a cristalização de um destino. quando se trata de enfrentar os grandes proble. A razão que comanda esse sistema é pequenos relatos. porquanto. O que já vo técnico’ da sociedade cibernética. os pós. 30) sabemos é que os grandes projetos universais enfrentam dificuldades ante o ainda avassalador Estaria. então confirmada a tese de Niklas avanço do capitalismo que. mais justo e digno. é mister admitir encontra seus limites em certas realidades que que Lyotard tem razão quanto aos seus prog- não podem satisfazer-se com idéias como o fim nósticos relativos à crise das metanarrativas e à da história. não significam que de- uma visão política hegemônica e acomodada vamos conformar-nos com semelhante realidade. O grande desafio que se coloca como [. no ‘unidade’ e do ‘todo’ – se estilhaçam” (p. E é qual Lyotard declara o fim das metanarrativas e precisamente essa. por assim dizer. Primeiro. do-se em autolegitimação.

de outro. acontecem céleres. Por mais aparentes que sejam tais trans- Parece estar subentendido nessa passa. pelo menos não de nou-se pelo mundo intelectual e acadêmico. o homem tinha con- educativa com os quais estamos todos muito fa. agentes educacionais. ber é o de ser um elemento indispensável do mudança dos conceitos de espaço e de tempo funcionamento da sociedade. crenças iluministas como essa que confia na tas modernos. aceleramento e pectivas ante um futuro que ninguém sabe Educação e Pesquisa. Inversamente. São Paulo.3. Para comprová-lo. mercadoria. dições de olhar para o passado e ver nele en- miliarizados: transformação do conhecimento em raizado o presente e as expectativas de futuro. colonização do mundo grande máquina. valorização do particular em prejuízo lhe o desenvolvimento e a difusão nesse sentido dos princípios articuladores ou organizadores da quando se decidiu que ela não constitui um totalidade. fortalecimento das divisões e dos todo integrado e que permanece dominada por antagonismos que dificultam a construção da um princípio de contestação. n. com desqualificação do espaço social como qüência. Educação. ideais e as práticas libertárias. da vida e da privacidade pelos interesses do tar com a sua função crítica e desejar orientar. sistema. set. 589-606. não foi esse o enten. da razão e do conheci- moderno residem no fato de ter-se transforma. as mudanças tivos. e agir em conse. pitalista que é o mercado. a prática pedagógica continua sen- dimento que prevaleceu. despersonalização das relações pedagógicas. não chegaram à escola. v. a do em um novo iluminismo. pela vinculada à face mais aparente do sistema ca. No entanto. Os grandes debates teóricos ainda Essa naturalização dos des-caminhos dissemi. Reside nisso realidade ao nível de uma nova epifania. ao elevarem essa missão redentora da educação. A um uma ambivalência que precisa ser tematizada e só tempo. acontecer. tantando As características gerais dessa mentali. sentir-se como elemento central das relações humanas seguras em relação ao que acontecia e viria a como critério principal da determinação de obje. encontrar respostas pragmáticas para os desa- dade pós-moderna também influenciaram de fios que surgem pelo caminho. só se pode con. escolha de métodos e seleção de conteúdos. O resultado é forma particularmente significativa o ambiente curso inseguro e vacilante de aderências que educativo. formações no cenário pedagógico e por maior gem que não se deve abrir mão do princípio da que seja a visibilidade teórica das teses pós- contestação. Se. de um lado. a fragmentação e o nihilismo pós-modernos detectam corretamente as aporias teóricos muito presentes no quotidiano dos e os descaminhos da modernidade e seus efei. A escola segue um tanto a esmo. superficialidade do informático. Só se pode decidir que o principal papel do sa. ao contrário. Há uma certa impregnando todas as áreas do pensamento com penumbra teórica que oculta a crise da Bildung. quando se decidiu que esta é uma contexto de interação. sobrevivem as tos contrários aos anúncios otimistas dos profe. conseqüências até hoje imprevisíveis sobre os da eventual emergência de uma nova paideia. No tempo em que as mudanças ocorri- basta lembrar alguns aspectos de nossa prática am de forma mais lenta. detectam as patologias do iluminismo aprofundada do ponto de vista da Filosofia da e as consagram como legítimas e definitivas. o passado perde sua força aceitação das exigências do mercado como norte orientadora. pela celeridade do novo. mento. deixa de oferecer amparo e pers- orientador da ação educativa. forma sistemática e rigorosa. De um lado. de outro. 2006 595 .32. modernas. relatos do progresso. Hoje. do realizada sob a inspiração dos tradicionais A falácia e o risco do pensamento pós. temos a desesperança. falham. os desorientação. (p. 33) identidade e aceleram a falência do sujeito./dez. favorecendo a implantação de um lhe são exigidas pelo mercado e pelos modis- modelo educacional que privilegia a ‘formação’ mos teóricos. p. enaltecimento da competitividade As pessoas tinham como se orientar.

2. Se antes era possí. xais e contraditórias exigências.como será. Segundo Vattimo (1996). Questões im-pertinentes para a Filosogia da Educação . Essa noção de renovação ou inovação é requerida para a pura e simples sobrevivência do sistema. gota em si mesmo. Definha o sujeito forte o sentido alegórico que ilustrava as grandes que sabia o que é a realidade. de orientação idéia de progresso. afetado pelas mudanças e transformações que o ção e orientação. é preciso examinar o que significa confor- (1979). 1996).. tomado por uma espécie de estas interferem no processo educativo. mas de impor-lhe o rigor do pensamento vel. 596 Pedro GOERGEN. próprio. O homem foi jogado para essa é uma saida que aceita. realidade e verdade1 com cias possam ser percebidas e pedagogicamente a totalidade social. da Natureza que ori. como diz Baudrillard afora. é preciso exami- sabor de um utilitarismo banal. É Pelo menos é esta a perspectiva assumi. e injusta com a maioria dos seres humanos. A introdução da noção de não-história não significa a eliminação da xa de ter um sentido de história. 1992). é preciso examinar o que aproveitadas para além do puro movimento. fica identificar sentido. mar-se com uma realidade que se revela perversa A Educação encontra-se entre parado. significa subsumir a idéia de história2 às noções Tudo passa a assumir traços de impulsos ao de progresso e de superação. dição de dominador. agora com o máximo de cuidado e rigor o que signi- nada está distante o suficiente para que tendên. ção. guiado pela nar o que significa assumir um pensamento circunstância. sujeito que já não domina desde o alto de seu navam o mundo e o homem na sua história e pedestal de identidade. existência no mundo industrial tardio e pelo que na-se parte dela. para um ponto futuro. Imerso na mudança. que evidencia a respeito das novas condições de 3. A questão do sujeito dição educativa para o presente e para o futu- ro e. que era dono dos idéias de Homem. traditória da realidade e a vontade de mudança ologias que evidentemente existem assumem manifestada por indivíduos e grupos pelo mundo traços de crime perfeito. sem sentidos abrangentes do identificatório que desconsidera a natureza con- ponto de vista humano. pela mesura das transformações. um sentidos ou significados teleológicos que gover. Para Mardones (2003). 35). privou o homem de sua con. sím. ou seja. “pode-se dizer provavelmente que a experiência tegra no próprio movimento. que não deixa rastos. ideal ou utópico. do homem e da sociedade. vam no sentido de um futuro melhor a conquis- bolo de si mesmo. o consome na medida em que o in. É supressão do ‘para onde’ (Vattimo. Não se embriaguez do movimento dionisíaco que o trata de submeter o pensamento pós-moderno a cativa e envolve. Se falta de perspectiva histórica se constata no en- no passado o próprio acontecer histórico tinha fraquecimento do sujeito. e se es. sem significado exterior a ele tar.. valer-se do crítico desde o viés do interesse emancipatório passado como ponto de partida para a interpre. dentro do próprio movimento que. mas que se sente fraco e que serviam de paradigma de leitura. impedindo que assuma seu um processo sumário de julgamento e condena- próprio caminho e destino. XIX). preciso acrescentar que o próprio Vattimo (1992) acredita que “as dificul- da pela leitura dos pós-modernos que merece dades do pensamento da pós-modernidade mostram que não se pode dei- xar vago sem mais o posto antes ocupado pelos ‘metarrelatos’ e pela filo- atenção crítica da Filosofia da Educação pelo sofia da história” (p. Diante da debilitação desse sujeito forte. interpreta. agora o movimento não é damentos e perspectivas estáveis que o orienta- símbolo de nada. O esvaziamento dos grandes cenários de Vattimo sugere a idéia de um sujeito fraco3 . de Deus. o homem tor. Os interesses e as ide. de outro. circundam e determinam. sua redução à contínua renovação exigida pela sociedade de consumo. objetos. O movimento dei. 1. mas a internalização do conceito de progresso. Sobre a noção de sujeito. De um lado. ao tornar-se autônomo. É preciso examinar tação do presente e previsão do futuro. ver as considerações de Vattimo (1996. pós-moderna [. ele é apenas movimento.] da verdade é uma experiência estética e retórica” (v. que em seu percurso dispunha de fun- entavam o mundo. sabe-se que ela precisa da tradição como con. necessita considerar o ritmo e a O primeiro e mais palpável reflexo da celeridade das mudanças e transformações.

ficaria devendo nada em termos de tragédia des imersas no subdesenvolvimento. zão identificatória moderna. de aconteceu a tragédia de Auschwitz. 119). deturpações ou idéia de sujeito. capaz de resistir e de abandona à invasão do que existe. das sensações. defendem o ponto de vista de cia e memória. de tornar-se oclusão do pensamento iluminista.. de criminalidade e de condições. ponto de abandonar o pensamento crítico. pelos efeitos letais na sua nova versão em for- tismo. demais salientar a importância da memória que tes de coação e orientação. 25) não nos deixa esquecer o que não deve ser esquecido. ao ampa- sujeito forte for preciso enfraquecer o sujeito a ro do pensamento técnico-científico moderno. uma ingressar na experiência do erro. importa não silenciar a pergun. encarnado na No entanto. Desde a priori de seus argumentos críticos que desta- a política até a educação ou as relações pessoais cam os descaminhos da modernidade. Nunca é estão impregnadas de modelos tecnocráticos. sem co adequados ao fomento das relações humanas repetir o que aconteceu na Europa. tecno-científica. p. mas re- ser chamado de sujeito? E se abandonarmos a sultado de desvios. conceitos como ‘vagabun. que repre- administração pública do Estado moderno [. particularmente Ador- acontecimentos. [. risco de permitir uma nova Auschwitz que. jeito tão débil e fatigado para a rememoração das performativa e autoritária. mas na Europa. se com o acolhimento da ra- atuais. Ou não te- vagabundo incerto de um esteticismo ria sido uma mera oclusão. de fome. na fome e na violência. e com o fim da au- ambigüidades e barbáries da história.. v. pode transformar-se na chegada de um su.3. São Paulo.. urgentes em socieda. (p. Consciente dessa relação entre Auschwitz fo o núcleo dessa preocupação salientando os e os rumos do pensamento moderno. no e Horkheimer. trazendo a metáfora para o lismo predominante na sociedade e no pensamento nosso contexto. como foi dito próprio iluminismo moderno? acima. que nos tonomia crítica do sujeito. que não nos deixa esquecer o que Para os críticos do posicionamento não pode ser repetido. 2006 597 . soa irônico ou mesmo cínico falar de exclusão social. acontecer de novo ocorreu não no terceiro ta: se para suplantar o espírito objetivante do mundo. não estaríamos debilitando de mento irrefreável dos princípios fundantes do morte o sujeito? Um sujeito. Nessas ma de miséria. leva a perguntar. não justifica o descarte manipular e colonizar mais e mais âmbitos. na miséria. estaríamos nos expondo inconscientemente ao dagem incerta’ ou ‘fruição estética’ parecem pou. n. triste e mísero. Desvios enveredando em termos de seres humanos? esses que podem ser corrigidos pela razão crí- Mardones (2003) resume num parágra. sem consciên./dez. não lhe e da consciência histórica.] que senta o caráter conformista e eurocêntrico das tem um dinamismo expansivo que não cessa de posições pós-modernas. Adorno riscos do pensamento pós-moderno: (1995) escreveu sua famosa frase: “a exigência que Auschwitz não se repita é a primeira de A esperança de alcançar uma ‘estetização geral da todas para qualquer educação” (p. ainda poderia decorrência dos princípios modernos. mas um desdobra- presentista. E isso que não pode pós-moderno. por quais caminhos estaríamos unilateralizações de tais princípios. Educação e Pesquisa.32. no analfabe. set. Ela nos vida’ (Vattimo..] o imperialismo objetivante. Foi ali que. 589-606. tica. sem critérios e princípios para que as barbáries do último século não são uma combater a sua desumanização. não Efetivamente. (p. esse aporte ao difícil cená- tecno-ciência ocidental e a própria burocracia da rio do terceiro mundo e dos riscos.1996) como alternativa ao funciona. for. um ‘presentismo estético’ quando o presente se Para a educação que se preocupa com apresenta feio. 26) se rebelar com base em princípios diferentes daqueles que o sistema faz prevalecer. a formação do homem de hoje e de amanhã. permanentemente imerso no fluxo dos Os frankfurtianos.

nota a “carência de solidariedade com os mal- duos. que desumanização técnica era. (Ador. partir de conceitos como sujeito débil. de homem e de história. [. to na coletividade governada pela força. po. 1985. é preciso naquilo contra o que se voltara a lei evolutiva entender que quando os pós-modernos falam do da sociedade. mais autônomo e crítico com relação aos des- râneos.. que têm que se formar no corpo e na alma tratados da história e da sociedade”. por esse lado. o princípio do eu: meros seres fim do sujeito. Nesse sentido. ao mesmo tem- responsabilizada pelos descalabros contempo. dessa inumanidade” ou imundície (Mattéi. de outra parte. p.que se empenha na construção de uma socie. 27). no contexto contempo- 598 Pedro GOERGEN. os pós-moder- também se o entendimento dessa realidade. temos que. que não tanto mais ele força a auto-alienação dos indiví. Horkheimer. do social. a fome. Horkheimer. p. já que a subjetivida. 1985. na injustiça e na dor dos vencidos da história. jogo de Do ponto de vista da educação. refletir a partir do debate antes mencionado. Em outros no. o discurso pós-moderno não representa uma resposta à pergunta cética. é necessário sentido crítico. As práticas coisificantes da sociedade de que se define doravante como sujeito do moderna estão inseparavelmente relacionadas à objeto é pura função do mundo da objetividade. se impõe a preocupa com “o sofrimento evitável da huma- pergunta a respeito da natureza dessa educação. acriticidade e senti. iguais uns aos outros pelo isolamen. destituídos de um de seus principais objetivos. fragmentação . humano. No Se. 35) um representante da espécie ou da instituição.] o sujeito que nos é proposto defender da críticas somam-se as de Adorno e Horkheimer. Questões im-pertinentes para a Filosogia da Educação . sobre o que significa. a nos jogam a criança com a água do banho. imerso no sofrimento. no momento em cebe a dureza da vida e nem a situação dos que “quanto mais o processo de autoconservação que nesta sociedade e neste mundo mal alcan- é assegurado pela divisão burguesa do trabalho. a assinalam com igual insistência a coisificação do ser raiz dessa desumanização. 2003. perguntar caminhos da própria modernidade. des-construção . precisamente ele. de su- jeito. nidade e sem moral” (Mardones. tais [. 47) termos.. 41). o executor de uma função e não mais um sujeito. a doença. decorrentes de um essas incertezas ao dizer que conceito objetivista e autoritário de razão.. mas é apenas uma E Vattimo (1996) radicaliza ainda mais crítica às aporias modernas. discurso enaltece a formação do sujeito como estetização e fruição da vida. que necessariamente deve ser emancipadora O fato de as feridas abertas da sociedade glo- (Adorno.] os homens se reconverteram exatamente Para evitar imagens caricatas. não se referem ao fim do sujeito em genéricos.] irrefreavelmente. Como libertar bal como a exclusão. Temos que indagar quais os rumos dade justa e democrática. si.. coisificação do homem pela ciência e pela técni- tendendo [.. ao contrário de Adorno e Horkheimer. essas questões são de uma inteligência sem história que “não per- da mais alta relevância. (p. çam a categoria de seres humanos”. fabetismo só aparecerem marginalmente nos no momento em que ele “se reduz a um elemento textos dos autores pós-modernos europeus. cujo linguagem . que não se segundo a aparelhagem técnica”. podemos reconhecer entanto. p. mas ao fim do sujeito moderno como autor. 2002) comprovam sua pouca preocupação com o no momento em que outro real. não se torna igualmente perigo. tornar objeto de manipulação. o anal- “o eu integralmente capturado pela civilização”.. a também se ca. so pela falta de memória. supremo juiz e fundador de sentidos. cuja méritos na crítica pós-moderna aos rumos do crítica ao sujeito moderno tem o sentido de abrir pensamento e do sujeito modernos com sua caminho para o surgimento de um sujeito menos lógica de domínio identificador e excludente coisificado e instrumentalizado e. O homem coisificado é apenas um exemplar. Agora.

o indivíduo fica isolado. A liberdade é a liberdade que se iden. de do ser humano pode sentir-se exonerado” tos. ou seja. de responsabilidade social que der como seres falantes. Nesse sentido. é importante que o esclareci- senta a libertação. p. sozinho e en- que ele não se conscientize da fraqueza que o fraquecido. indizível. estar intimamen- da individualidade. do papel do gênero. mas estremece também a crença político-revolucionários não surtem mais efeito. da Educação. A solidariedade e o sentimento de assalta quando se separa da coletividade. Criar as condições para mas representam a radicalização do discurso isso é uma tarefa econômica. (p. formar o sujeito humano. e congregadora ou até mesmo seu poder E a tarefa não parece fácil uma vez que explicativo. a liberdade da tutela do tativa de explicar o que ainda é ou voltou a ser Estado. 589-606. toda a forma de organicidade. momento da filosofia e do esclarecimento. se torna mais e mais da relação da idéia de sujeito individual com a imprevisível e refratário aos nossos conceitos e ao dos sujeitos coletivos. é uma prá- individualidades. Por isso. n. do gênero.32. com a obediência aparato conceitual envelheceu e é a hora e o à lei que cada um impõe a si mesmo (Rousseau. Desde o liberalismo nosso agir como sujeitos. jogo de linguagem. as mas se torne uma consciência e um debate do leituras pós-modernas não só se aproximam. tica de vida e um compromisso ético do qual Talvez o pensamento pós-moderno nos nenhum homem que tem em conta a dignida- ensine. A liberdade liberal dos modernos repre. qual todos participem. sentido da filosofia da educação consiste na ten- berdade de’. massa e povo que. Como entender os conceitos de cidadania. pela mesma razão./dez. dos sindicatos e pessoas. de mento não se restrinja ao âmbito da filosofia. educativa. Por isso. o quadro de anomia e estranhamento certamente uma das principais tarefas da Filosofia de si mesmo não parece alterar-se na sociedade Educação e Pesquisa. como classe. em valores e instituições tradicionais como a caem no vazio.râneo. isto é. quan. livre e autôno. com a valorização devendo. sujeitos e conceitos ‘fracos’.3. o esclarecimento não deve ser além da noção de sujeito em si. pertencimento ao grupo se esvanecem sob o O mesmo fenômeno pode-se constatar no efeito da individualização e atomização. perderam sua força expressiva te ligado a um projeto educativo. diz Scalfari des-construção. insuflando-lhe família. E pior: apesar do fundamentado em conceitos identificatórios. O sujeito desintegrado da abrangência a desconfiança crítica com relação à modernidade identificatória de tais conceitos não se sente mais não se limita apenas aos conceitos de ciência e atingido de modo que os discursos ou apelos de progresso. “O esclarecimento”. 2006 599 . provo- campo do discurso pedagógico. set. v. Tudo é fragmento. 101). da submissão dos indivíduos à coleti. Quando a realidade ultrapassa a capaci- vidade. ou seja. Tal discurso. do sindicato e da auto-confiança e ilusão de autonomia e poder para classe. a liberdade é entendida como a ‘li. que há a urgente necessidade de se repensar. poderíamos dizer que o moderno. que se deseja definitiva. “antes de ser uma filosofia. Com o enfraquecimento da fortalece ao máximo o indivíduo. (2001). também a relação considerado como uma teoria. E isso não ocorre ao acaso: o capitalismo mesmo das classes. 1973). não atingem a consciência das função da família. política e liberal. cados pela sociedade industrial. São Paulo. como sujeitos de discur- supõem sempre o sujeito como seu portador sos e ações que buscam entender e transformar a num momento em que se fala de um sujeito realidade? No contexto de um mundo. das aparências de reversão desse cenário no con- parece não afetar mais as pessoas. mas uma práti- da noção de sujeito com conceitos identificatórios ca e uma ação comum aos seres humanos. questão radical: como ainda podemos nos enten- de autonomia. na contramão de seus próprios argumen. quase autônomo. esta precisa colocar uma mo. Interpretar e texto da globalização e das novas formas de co- refletir sobre as conseqüências desse fenômeno é municação. de um sis- débil ? Um dos ângulos principais deverá ser o tema que. dade de expressá-la ou de apreendê-la é porque o tifica com autonomia.

é preciso entender o sentido dialético mais universalismos epistemológicos e éticos se es- profundo dos gestos egóicos e narcisistas e reco. nas atuais condições históricas. bus- cesso. de justiça. imediato. se de fundamentos e de referências universais capazes de orientar o pensamento e a ação. dado o caso. É preciso que a refle. Se a razão perguntar se. Se a modernidade não pode cumprir as direta e simples. ser senão heterogêneas também. Isso fica bastante evidente tanto na Dialética agora. Na verdade. permeiam todo o debate entre promessas de progresso. tais ob. Nesse sentido. aqui formuladas de forma Educação. O ser humano perde a sua identida. uma nova forma de domínio e de terror do soa seja como coletividade. do fragmento.pós-industrial. 600 Pedro GOERGEN. põe-se à procura reflexiva selvagem utilitarismo? Os pequenos contextos de sua identidade. da violência do mais ousado e de pessoal e. não pode pre o terror dos dominadores e a tendência ao haver uma moral comum numa sociedade aber- totalitarismo. anti-iluminismo contemporâneo não equivale a tivas e de comportamentos que expressam os uma desconfiança da razão teórica e científica diferentes contextos vitais que nos cercam e (expressão máxima do iluminismo). Se não dispusermos mais de nenhum cando ela mesma impor-se como novo funda- critério universal de verdade. uma forte cri- jetivos que continuam sendo dignos e justos. não estaríamos. 1985). como poderemos escapar da arbitrarieda. às voltas com própria identidade como sujeito. éticos. político. Lyotard. hoje ela precisa reconhecer preferibilidade racional ou de discernimento seus limites que não extrapolam o espaço do ético. de do poder. da performance? considere suas conseqüências para o campo da Essas questões. Esse é o momento em que nos e localismos. de mento de tudo. ceticismo em relação aos confrontos e às con- dores comuns que tenham validade para além tradições entre a razão teórica e a razão práti- dos limites do contexto (jogos) do aqui e do ca. somente é possível ha- sos. F. mas a um não temos condições de encontrar denomina. mesmo grupo (étnico. o meio a uma pluralidade de regras. justiça. ou seja. estamos vivendo em como a negação dessa crença. Para valores transcendentes ou mesmo de consen. igualdade e de. de diferentes grupos. maior liberdade. essa busca é muitas vezes uma tirania mais severa do que aquela que banalizada como egoísmo e narcisismo. transformou-se num ver uma moral comum entre os membros de um desiderato obsoleto e suspeito porque por de. condia o terror dos dominadores e do totalita- nhecer neles a nostalgia do indivíduo de sua rismo. modernos e pós-modernos. Geralmente se identifica o pós-modernismo Para J. seja como pes. religioso ou trás dos princípios universais se esconde sem. já não se possa fazer uso público da razão com Esse diagnóstico de Lyotard nos leva a vista a fins práticos. Na ver. ao invés de apontarem para uma encontramos e que precisa ser aproveitado. contemporâneo vive. Vivemos imersos num pluralismo do esclarecimento de Adorno e Horkheimer heteromorfo. Em conseqüência. agora. do indi- xão filosófica leve essas tendências a sério e vidualismo. por isso. de expecta. radicaliza Lyotard. 1997) o mundo diante de um avanço ou de um grande retro. parece inegável que o mundo retomar. A busca de para ficar apenas nesses dois exemplos. nada mais correto que pensar formas de em que estejamos. muitos pós-modernos. crêem que xíveis e passiveis de revisão (Lyotard. Independente do lado mocracia. do ativismo. é povoada por membros limites do local e na medida em que forem fle. conhecimento científico e da produção. não estariam representando Infelizmente. por definição. nos encontraríamos moderna desencantou (Weber. mesmo criminoso). Consensos só são possíveis nos ta que. efetivamente. A questão dos valores O iluminismo é a confiança na razão. pretendem evitar? Se por detrás dos velhos dade. Questões im-pertinentes para a Filosogia da Educação . dos valores transcendentais e religiosos. de sorte que as regras não podem quanto na Condição pós-moderna de Lyotard.

do sentimen- fiavam e confiam no uso público e prático da to e da co-pertença nascem de uma mediação razão. Depois de ter tomado o são feitas através do consenso argumentado caminho em direção à terra iluminada. que os valores da solidariedade. segundo Zima sentido comum de humanidade e solidarieda. E a escolha não uma fundamentação racional e. gavam e se sentiam humanos os humanos. ponsabilidade e política não têm necessidade Entretanto. Os iluministas. vivemos um momento em e da sociedade. Não nos sentimos humanos de Kant (1974). necessariamente expor-me ao risco de viver pode-se constatar que há pouca luz no mun- numa sociedade democrática. deve transformar-se num massacre. Essa tendência desembocou. Habermas (1989) e Rawls (2005) pela identificação com princípios universais e falam de uma ética pública como a possibilidade abstratos. na qual as leis do contemporâneo. não basta aceitar o pluralismo de de fundamentos absolutos” (p. à moral. dos valores e das ideologias ao gênero humano. a centa que “valores co-divisos com base em única alternativa é aceitar a diferença e os argumentações histórico-culturais. participando ativamente da (1985) de que “a terra totalmente esclarecida escola pública e também evitando politicamente resplandece sob o signo de uma calamidade que alguém possa impor a todos as próprias triunfal” (p. da participação da natureza natureza axiológica e talvez resida nisso a razão ou essência do ser humano. das relações. mas porque compreendemos o outro de encontrar respostas filosóficas no interior e como um de nós. universal. 2006 601 . É desenvolvimento da cultura coletiva. Diante dos descaminhos idéias sem debate”. ao abrigo das teses muito mais direta. Como já foi mundo que garanta a minha liberdade devo mencionado em outros momentos deste texto. ao criticar o apelo à natureza. mas no da moderna de valores. (2001). 589-606. Uma era em que “valores mo- Educação e Pesquisa. opõe-se a ética da responsabilidade que cípios éticos suficientemente consistentes e atenta não para a coerência entre nossos atos legítimos para orientar as ações e merecer o e princípios universais. p. set. conflitos como humanos e dignos de respeito./dez. brilha um sol de desventura e barbárie. ao contrário. desvinculando-se do grupo. pois eles conflitam entre si e se ma. com inves. diz que “se desejo viver num nou bem no projeto iluminista. São Paulo. numa era da indiferença dos indivídu- de nasce da com-ciência da pertença comum os. ain. o autor italiano parecer abrir espaço para conflitam. lapidar a constatação de Adorno e Horkheimer timentos na escola. muita entre todos. o as. não negocia nem conhece compromissos. n.3. valores. nossas ações em termos de suas conseqüênci- Na tradição do humanismo iluminista. da identificação de cada intercambiáveis.32. ética da res. em de seu sucesso num momento histórico em que torno dos princípios universais que se congre- o homem busca a satisfação e o prazer individu. é preciso escolher. ais. 19). paradigma de uma ética universalista de prin- petência da razão prática para encontrar prin. v. Dessa for. A obediência ao princípio do dever. à lei moral como um fato da razão Com esse ponto de vista. confia na com. ser humano com o núcleo da humanidade ta o rompimento de todos os compromissos de comum a todos. Ao mesmo tempo em diálogo. É nesse sentido que. con. 39). ao contrário. Era. mas para a coerência de reconhecimento de todos. o dever da com os recursos da tradição iluminista para as solidariedade nasce da adesão a um princípio questões práticas de cada época. da comunidade Hoje. identificatórios e autoritários do iluminismo. portanto. Mas Vattimo (2001) acres. cípios. que aceita o pluralismo de valores e dispensa o Ao rigorismo kantiano que representa o recurso às verdades absolutas. da lei Vattimo que. No iluminismo. concorda até prática. Posso somente reduzir o risco de coisa ficou no escuro: na terra da razão ilumi- deixar triunfar os loucos contribuindo para o nada. verdade e às leis eternas das coisas defendidas No entanto. Esse pensamento pós-moderno represen. alguma coisa não funcio- pelos iluministas. no debate e no respeito. portanto.

dos. De outra parte. constitui em comunicação com a existência dos lhada à altura dos problemas colocados pela outros. que decorrem da ma. não sim. igualmente legítimas quaisquer constelações de dade em consensos discursivamente alcança. estéticos. em modernos e recorre aos supostos kantianos para contrapartida. 44). tornando-se “radical.] dispomos hoje de uma antropologia parti. o homem atual sociedade cultural de massa? Uma huma. valores. “não há mais conjuntos de so? [. Se a realidade efetivamente base sólida para perfazer o caminho? (p. ao contrário. uma visão de mundo e uma consenso” (p.rais.. éticas e religiosas. nais que sejam inquestionáveis e passíveis de representam. com o seu eurocentrismo.. ainda.] A razão e os valores universais dos quais valores cristãos. é ne. Habermas (2004) bus. Questões im-pertinentes para a Filosogia da Educação . modo que a nossa frágil identidade tenha suces- Nesse contexto. A marcha aparentemente irreversível da Com sua teoria. Faz uma leitura de Kant segundo a qual se na verdade. assume traços de indiferença. decorrência de seu déficit de contextualidade. do que queremos que ela indiferença que aos poucos contamina todos os seja. qual sofre uma recusa baseada no pluralismo e Habermas discorda da leitura dos pós. socialistas ou nacio. O tão difundido discurso da tolerância. A grande pergunta que precisa ser reflexão sobre nossa realidade. observando os respondida diz respeito aos possíveis caminhos sentidos aparentes e escondidos do que é hu. reconhecimento e a força de persuasão? E para mente questionável sua pretensão de validade que idéias convém educar as novas gerações de universal e sua capacidade de generalização”. dos mecanismos do mercado e do consumo tado. liberais. ou seja. Quando Kant fala do uso pú. é um discurso que não oferece respos- geram conflitos difíceis de serem administrados tas à diversidade e à polissemia que. ser representada como o movimento que osci- blico da razão. a fim de pensar coisas novas e melhores âmbitos da vida. As- exige do iluminista que busque a verdade. O ‘sapere aude’ não estaria propondo certamente contribui para a disseminação da uma certeza. Posto mal. O posicionamento plural. bem ou especialmente no mundo globalizado. mas um programa de busca e indiferença. Do alto que já não dispomos do recurso aos valores de seu pedestal autoritário.. as expectativas do homem atual. universalizante está perdendo legitimidade em rais.. 87) confirma esse prognóstico. para o homem. neira como o homem declina a sua liberdade. é uma existência que só se [. só pode desenvolver-se na união com os ou- nidade para cultivar como terreno comum às tros homens e essa convivência só pode ser 602 Pedro GOERGEN. não atende às transcendentais e o relativismo inviabiliza a especificidades e contextualidades que regem convivência civilizada entre os homens. a assim formuladas por Volpi: existência humana nunca é uma existência iso- lada. No contexto do mundo real. marcam o mundo contemporâneo. que poderiam conduzir a uma superação da manidade ou. é preciso lembrar novamente que as diferentes formas de viver tal Parece que o discurso de natureza liberdade geram tensões: as diferenças cultu. não considera que facilmente desenvolver uma ética do discurso que busca pode transformar-se em indiferença que julga superar o relativismo ético fundando a legitimi. razão pela cessário buscar novos caminhos. grupal ou que se tornam bem aparentes nas perguntas cultural necessita afirmar-se. globalização representa o brutal processo ante ca encontrar uma saída para os impasses éticos o qual a singularidade individual. essa era portadora. A liberação tal uso deva levar a um único e previsto resul. no particularismo. talvez. ele não estaria pressupondo que la entre a tolerância e a indiferença. políticos e até ideologias inteiras muitas culturas no momento em que aquela do (como o fascismo e o comunismo) aparecem humanismo tradicional perde cada vez mais o como intercambiáveis”. a chamada sociedade pós-moderna pode que a encontre.

Ainda existem movimentos originais de por se confundirem no seio de um universo desafio e de resistência sociais e políticos à fractal. tal como o sibilidade de comunicação entre os diferentes jo- petróleo ou os capitais”. Tudo se decide não com base em princípios e que fazer depois da ‘morte de Deus’ e da desva- valores dialogicamente consensuados.3. Os valores não devem derivar Tugendhadt. Rawls.. alertam para o aspecto fundamental da indiferen. não em sua tensão dialética com o social. que “o es. dentre os muitos e importantes autores cípio da contradição que é. princípio vivificante. que se dedicam a essa da realidade como seu espelhamento indiferente. ou certos períodos se revelaram falsas. não basta mais todas as singularidades. 589-606.. Ou seja. baseada em normas e sadamente declaram definitivas certas situações valores respeitados por todos. n. 10). após a frustrada revolta de 1968 e a derrocada da União Sovi- E as tentativas de reabilitação dos valores ética na década de 1990. As normas ou os fundamentos da convivência pre- E não poderia ser diferente. porquan- Lembrando novamente Baudrillard (1999). tentando encontrar fundamentos para pondem à felicidade do ser humano. set. Macintyre. Essas palavras do filósofo francês nos todas as críticas de Nietzsche. (p. 1999. Heidegger. ou seja./dez. alimen. merece particular atenção a já lembrada mas constituir-se em contradição com ela. desertificados de valores e princípios depois de p. na indiferença e globalização.32. Assim acontece relevante. Essa esperan- pétua semelhante ao movimento browniano das ça não alivia a preocupação com os rumos da moléculas. sem necessidade de recur- Mesmo admitindo que o grande con. 11) história contemporânea que. exatamente. já que comunicativa. sos transcendentais. como reflorestar os espaços no mesmo nível que o social” (Baudrillard. a conversa permanente. mantém a esperança e reconhece que Isso não quer dizer uniformismo ou submissão à tirania dos metarrelatos. dialógica. cia comunicativa entre os diferentes jogos de lin- pelho do universal está quebrado”. os direitos humanos. nos fragmentos desse espelho quebrado ressurgem Segundo a teoria de Habermas.. no da integração no indiferente. mas com lorização dos valores supremos? No campo da fi- base no princípio da troca que desconhece o prin. tarefa.pacífica e democrática. Comparato. o seu como Vasquez. losofia. Bataille. as que e em nome dos quais se possa decidir sobre acreditávamos desaparecidas ressuscitam. todas as teorias que apres. circulam como linguagem. com base em argu- Educação e Pesquisa. relegou o político e frustram-se uma a uma por não sabermos recriar a ideologia política a um papel cada vez menos a eletricidade de sua contradição. mas pelo menos nos permite não com os valores individuais: “nós os reabilitamos. um novo universalismo. que “a de. Foucault. dentre tantos outros? O ça. perder as esperanças no futuro. tar-se e adquirir sentido no movimento de tensão desenvolve uma ética do discurso universalista e com a realidade ou com atos que não corres. dados por meio do diálogo. o diálogo. como cisam ser permanentemente justificados ou vali- nos ensina a história. guagem que se aprende ao se aprender a própria mocracia. Vattimo.] talvez esteja aí uma possibilidade. aleatório e estatístico. políticas ou de convivência.. (p.] os próprios valores se degradam terminando nidade. pois. aquelas que apelar para fundamentos transcendentais a partir acreditávamos ameaçadas sobrevivem. Habermas e Apel vêem a pos- qualquer outro produto global. Jonas. Baudrillard (1999) gos de linguagem e não sua separação absoluta. to fracassaram sob a pressão irreversível da di- nâmica da história material e espiritual da huma- [. à identificação de tudo sob o sig- na equivalência. p. 23) questões éticas. Habermas (juntamente com fronto entre o particular e o universal esteja Apel) pressupõe a existência de uma competên- sendo decido a favor do particular. apoiando-se em Apel. 2006 603 . São Paulo. v. Derrida. mas sim No entanto. teoria de Habermas que. segundo uma aceleração per. mas apenas uma abertura [.

A segunda. 604 Pedro GOERGEN. A partir desse buscar convencer os educandos a pautarem seu binômio – conhecimento e metodologia –. alçados a fora do ambiente acadêmico. aceitarmos os argumentos daqueles que acreditam preocupada com um projeto de transformação ser impossível ou inócuo discutir a respeito da social. pode-se prosseguir dizendo família. urgência e performatividade. a pos. na medida mais elaboradas. mas na prática pouco influente mentar contra interesses privados que. Pouco antes de sua morte. mas exerce gran- mútuo. A 28). soma de burocracia. é preciso não perder de vis- nos diferentes âmbitos da atividade educativa ta que essa tendência. também no campo da moral vivemos um conhecer bem as expectativas do real. de ca sérios riscos que não podem ser esquecidos. realidade. Trata-se de um equivalentes. respeitar suas urgências e exigências. Essa tendência revela-se teoricamente con. Questões im-pertinentes para a Filosogia da Educação . a mais adequada para todos. e À semelhançca do que constatamos no preparar os indivíduos para enfrentá-las da forma âmbito dos conceitos de filosofia da história e do mais competente possível. conservadora e individualista. quase por inteiro. É preciso apenas conhecer a valores transcendentes. portanto. Ora. não é necessário agir educativo que se orienta pragmaticamente nas muita reflexão. tanto formal quanto informal. A norma universal será aquela reflexivo. deve- nos. Além dessas duas dimensões. Para tanto. já se tornam indiferentes aos valores universais e les que atendem às suas exigências. mediante o processo argumentativo entre de influência. A partir daí. sobre a prática os membros da sociedade. sua legitimidade e não representam critério de rias para sua inserção no sistema (mercado) e julgamento moral dos atos das pessoas? Os jovens assim fazer jus às compensações oferecidas àque. Até que rio apenas dominar os conteúdos ou as habilida. que representa a aceitar como norma universal. O que está em jogo é o com o sentido do homem. velada e difusa. de que certa norma é educativa. de orientação marxista ou socialista. justiça e direitos huma. momento profundamente ambivalente. universalização e generalização de valores. é necessá.mentos. Os fundamentos dessa atividade não entram progressista porque promete superar o tradicional em tela de juízo por parte dos atores educacio. mos admitir também que não temos como argu- sistente e ativa. visando sempre adaptar e in- ‘vou amestrá-lo’ tornaram-se hoje basicamente tegrar os educandos no sistema. Busca preservar os valores tradicionais ligados à 4. em comum acordo. Esse ativismo. texto cultural em que tais princípios já perderam volver nos educandos as competências necessá. o tempo e os Derrida disse que as expressões ‘vou educá-lo’ e sentidos do educar. orientado para o atendimento às exigên- que todos. Para amestrar. essa é a estrutura da argumentação: o convencimento última é teoricamente discreta. Se caráter social. Jacques ocupa. com a democracia. valores pela força ou pela influência da mídia. Ao contrário da primeira.Entrevista ao Jornal Folha de S. ponto – esta é a pergunta que se impõe – a edu- des e aplicar os métodos e as técnicas adequados cação ética ainda promete algum resultado se para transferi-los aos educandos. confronto entre um discurso prescritivo e mas desde uma perspectiva teológico-metafísica. teoricamente sibilidade de universalizar uma norma. se envolvem na fundação de uma cultura fortemen- Essa parece ser a tendência dominante te particularista. além de sujeito. preocupa-se sim tentam se impor a todos. aos preceitos divinos e às doutrinas das que a norma social tem um único fundamento que diferentes Igrejas. à primeira vista sugestiva e hoje. da vida e do destino. já que os objetivos estão postos exigências do sistema econômico e do mercado. sa.Paulo (10/10/2004. autoritarismo dos valores absolutos. e estes não ‘podem’ ser tematizados quanto aos sem qualquer compromisso com referências ou seus fundamentos4 . também impli- nais a não ser em duas dimensões. o espaço. não adequada para todos. Há. a tendência dominante que marca em que. religio. por argumentos. é comportamento em princípios universais num con- possível realizar uma educação eficiente e desen. A primeira. concordam em cias do mercado. ela é considerada a mais a educação contemporânea é o ativismo cego.

suas previsões parece consistir na falta de coragem ou de von. deve voltar-se reflexivamente essas temáticas e não é preciso insistir na sua re. portanto. construção ativa do mundo. só foi possivel significado da absolutização da razão instru- tangenciar algumas das inúmeras questões. set. qüência a própria educação. o diálogo fecundo e fecundador de práticas transformadoras. 2006 605 . da policemia maniqueístas cujos radicalismos e dogmatismos e da pluralidade éticas. Até hoje.32. São essas novas cir- inferências sobre a teoria e a prática educacionais. valores. do universalismo. Segundo. relação à racionalização. tade de abandonar as posições dualistas e dicional e o discurso da diversidade. sem considerar o que tal saídas menos pessimistas que a de Max Weber com opção representa para o indivíduo e para a soci. que exige a atenção rigorosa e crítica por parte da A Filosofia da Educação. Talvez Conclusão seja mais produtivo começar a falar de pontos de vista ou. com importantes das às novas circunstâncias. é importante realizar um debate objetalização do sujeito. modernidade. bastante disseminada na edu. de parte a parte. o enfraque. trata-se de uma eventual desesta. A maior dificuldade de individual e social. modernas ou pós-modernas postas em relação cimento do sujeito e da deslegitimação dos valo. dialético-dialógica do que seguir no confronto res são três teses que perpassam o assim chama. para que isso edade a médio e longo prazos. Se tomarmos os quatro elementos essen- que é urgente alertar para os riscos do ativismo ciais da modernidade – a liberdade individual. necessário construir uma nova base dialógica como mesmo no contexto adverso de desemprego. se confirmados. to tempo vêm sendo submetidos a uma refle- cação do ‘a favor ou contra’ e passar ao exame xão crítica tanto por filósofos e sociólogos cuidadoso e crítico dos pontos de vista defendidos quanto também pelos próprios cientistas. estratégia de validação de princípios educacionais. como disse acima. do pensamento pós-moderno. de problemáticas O fim da filosofia da história. Isso implica em refletir sobre o Nos limites do texto. mas registram-se também Educação e Pesquisa. deve dar-se con- guando o grau de sua validade. Pode-se dizer que a teoria educacional Weber pensou a teoria da racionalização e ou a Filosfia da Educação ostenta um déficit re. n. é preciso colocar efetivamente mãos à obra. parecem confirmar-se. sobre os pressupostos e as conseqüências da levância para a práxis educativa. burocratização do mundo até suas últimas conse- flexivo no que diz respeito ao enfrentamento das qüências e chegou a conclusões pessimistas a grandes questões que emergem do debate entre respeito das possibilidades de uma futura liberda- modernos e pós-modernos. a racionalidade e a mento máximo o ajuste das teorias e práticas às solidariedade –. que é ocorra. mas mental. Por último. inibem. da desconstrução dos sobre as principais teses levantadas pelos pós. corrupção e decadência política./dez. O que parece ta de que não é mais justificado ficar necessário.monológico de uma normatividade impositiva tra. para que e em nome todos os grandes filósofos e sociólogos das úl- de quem se educa são as questões subjacentes a timas décadas. superar uma certa dogmaticamente preso a supostos que há mui- atitude maniqueista. p. e por conse- modernos e examiná-las à luz da realidade. No entanto.3. apontam para novos rumos problemática que exige novas respostas. restam-nos chances de encontrar demandas do mercado. do domínio técnico- que mesmo assim nos permitem algumas conclu. São três aspectos Poderíamos dizer que vivemos hoje uma nova que. por tantos pensadores pós-modernos. São Paulo. criminalidade. averi. adequa- do pensamento moderno. entre posições fechadas que se excluem a priori. como fizeram Filosofia da Educação. da mercantilização e sões. pergunta se as antigas soluções ainda dão conta bilização dos fundamentos da educação moderna da nova realidade ou não. econômico da natureza. A Filosofia da Educação. 589-606. é. Primeiro. Quem. v. desde já. a performático dominante que tem como manda. cunstâncias que nolens volens fazem emergir a Na verdade.

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