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Nome: Itacir José Santim Fichamento:

PELLANDA, Maria Nize; PELLANDA, Eduardo Campos (org.) Ciberespaço: Um Hipertexto com Pierre Lévy, Porto Alegre / RS, Artes e Ofícios, 2000

Apresentação “Um novo dilúvio nos ameaça. O volume de informação é gigantesco. Ele cresce a

cada minuto como imensas ondas que se aproximam de nós. Um outro dilúvio, porém, ainda

mais dramático está atingindo o âmago de nosso ser: o individualismo. Estamos na contramão

de nossa condição biológica de seres geneticamente sociais. A rede social está se rompendo

perigosamente.” (p.6)

“Uma nova cultura surge no planeta. É uma ruptura muito grande com o passado.

Assim como Copérnico criticou o geocentrismo – mas ainda assim admitindo outro centro – a

grande revolução atual é mostrar que não há centros. Ou melhor, há tantos centros quantos

forem os seres humanos. Cada um é um nó de um grande universo/rede em expansão.” (p.7)

“As antigas culturas da oralidade e da escrita nos levaram a uma organização da

mente, corpo e subjetividade. Assim também a cultura digital nos coloca outros desafios para

nossa reconfiguração como seres sociais e individuais.” (p.7)

A Emergência do Cyberspace e as mutações

“O que é o espaço cibernético? O espaço cibernético é o terreno onde está

funcionando a humanidade hoje. É um novo espaço de interação humana que já tem uma

importância profunda principalmente no plano econômico e científico

“O espaço cibernético é a instauração de uma rede de todas as memórias

informatizadas e de todos os computadores. (

“Atual “crise do sentido” poderia marcar o limiar da passagem das culturas

identitárias clássicas a uma “pós-cultura” planetária, mais desperta. O ser humano vive em e

por sistemas simbólicos que lhe permitem fazer sentido. (

“A primeira vista, o sentido é uma espécie de evento mental que habita, envolve, ou

duplica todos os eventos que ocorrem em nossa experiência. O sentido é sempre o sentido de

alguma coisa. (

“Mas, o que é uma cultura? Primeira resposta, um pouco abstrata: uma cultura é uma

rede de correspondência entre sistemas simbólicos. Esses sistemas simbólicos podem ser, por

exemplo, as línguas, as religiões, as leis, as organizações políticas, as regras de parentesco, os

papéis sociais, os usos regrados do corpo, a estruturação do espaço e do temo, os sistemas

técnicos, etc. (

“Ilustremos a noção de sistema simbólico. Na medicina chinesa, tal órgão

” (p.13)

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(p.21)

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(p.22)

correspondente a tal elemento (fogo, madeira, água, terra ou metal), tal tipo (p.23) de alimento corresponde também a esse elemento e, assim, por exemplo, faz sentido dizer que tal órgão

corresponde a tal tipo de alimento. (

“As coisas começam a se complicar quando os inevitáveis ajustes e negociações,

)” (p.24)

devido à área de influência geral, atingem uma amplitude e uma rapidez tal que se torna difícil para nós reconhecermos “o mesmo” sistema de correspondência, de um momento para outro.

(

“O que parecia formar a base inquebrável de nosso universo se fende, se fragmenta, se recompõe. A família explode e as crianças fazem muito cedo a experiência da ruptura daquilo

que estruturava para eles o sentido: o pai e a mãe. Os conhecimentos se tornam obsoletos cada

vez mais rapidamente. (

“Estamos em vias de penetrar em uma espécie de além da cultura, cujo sistema

simbólico poderia ser formulado assim: virtualmente, tudo pode entrar em relação com tudo.

(

Os transportes, que aproximam todos os pontos da Terra, as comunicações

interativas e coletivas, o mercado mundial, em uma palavra, o processo em curso de

interconexão da humanidade em uma só sociedade planetária, tudo isso põe efetivamente não ”

importa qual elemento em correspondência virtual com não importa qual outro

“É possível que essa realização prática da interconexão geral resulte de descobertas

teóricas prévias e que sejam, sobretudo, o coroamento de esforços simbólicos do lado das religiões, da filosofia, das ciências, das artes e das técnicas que conduzem há séculos, ou

mesmo há milênios na direção do universal. (

“De fato, na nova cultura em emergência, toda decisão é uma criação, uma

contribuição à modelagem permanente do sistema de correspondência universal em

construção. (

“Assim, nessa cultura mais desperta para sua própria liberdade, os seres humanos

poderiam participar de uma maneira bem mais direta, inventiva e pessoal nessa desconstrução criativa permanente, que é a vida do espírito que os anima e que eles animam em seu ”

conjunto

“Essa cultura do vazio e da mutação, essa cultura da impermanência corresponde a uma das mais profundas intuições do pensamento oriental, mas ela só pode passar à escala de

uma prática coletiva

estreitamente entre si: o capitalismo liberal, a democracia e o desenvolvimento científico e

a três instituições ditas “ocidentais” que hoje se sustentam

)”

(p.25)

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(p.27)

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(p.27)

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(p.31)

(p.33)

graças

Novas Tecnologias Cognitivas: O Obstáculo e a Invenção “Os dispositivos técnicos funcionam, para a cognição, como instrumentos para a solução de problemas, mas também, e sobretudo, produzem a invenção de problemas. ( )”

(p.38)

“As investigações sobre o fenômeno técnico podem ser organizadas em dois grandes

grupos: o primeiro reúne as teorias que entendem a técnica como solução de problemas, e o segundo revela como (p. 38) um processo de invenção de problemas. (…) A questão colocada

é a da origem da técnica, e os dispositivos técnicos são considerados instrumentos criados tendo como objetivo amplificar o corpo biológico, superar seus limites.” (p.40)

A ideia que orienta a abordagem de Lévy é a distinção bergsoniana entre o virtual

e o atual. Para Bergson (1990, p.111), o atual, ou antes, as formas existentes no presente só podem entendidas se nos colocarmos uma ontologia que entende o presente em oposição à concepção de um real pré-formado, todo feito desde o sempre. (…)” (p.41) “Três grandes categorias técnicas cognitivas são apresentadas por Lévy (1994) – a

oralidade, a escrita e a informática –, as quais respondem pelo estabelecimento de referenciais intelectuais e espaço – temporais das sociedades (p.42) humanas. A oralidade primária corresponde ao regime cognítico característico das sociedades sem escrita. (…) Por sua vez, a escrita forma um regime cognitivo em que vigora o tempo linear o histórico. (…) Como terceira categoria de dispositivo técnico, a informática geram um regime cognitivo em que a

decodificação da informação possui agora um suporte digital. (

Para Dreyfus aprender não é dominar um conjunto de regras, princípios abstratos

ou um programa de ação, mas envolve a criação de uma competência corporal para uma

conduta singular e inventiva. (

“No contexto contemporâneo, o computador é destacado muitas vezes como sendo,

por excelência, uma tecnologia intelectual nova. (

“É notável que a presença maciça da informática em diversos setores da vida cotidiana

multiplica-se a cada dia. Há uma onda, uma invasão das novas tecnologias da informação. O sistema de informação bancária e sua exigência progressiva do mundo do trabalho são

exemplos bastante evidentes. (

“Uma observação das pesquisas escolares que são feitas na rede, e isto ocorre no próprio âmbito universitário, revela que muitas vezes a tarefa principal, que seria em princípio

a leitura de material capturado, vem a ser confundida com a própria atividade de buscar. ( )”

(p.51)

“(

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O Enigma da Tecnologia na Formação Docente “A ecologia cognitiva constitui um espaço de agenciamentos, de pautas interativas, de relações constitutivas, no qual se definem e redefinem as possibilidades cognitivas

individuais, institucionais e técnicas. (

)” (p.91)

1.1 A ecologia cognitiva oral

“A cultura oral se conserva fundamentalmente pela capacidade de se lembrar e de memorizar de seus membros. A memorização das ideias produzidas oralmente privilegia a

audição como sentido e como fonte de conhecimento. (

)” (p.92)

1.2 A ecologia cognitiva escrita

“Todos os autores, até aqui citados, são unânimes em apontar que a escrita

transformou a cognição humana e a própria oralidade. A escrita inaugura uma situação prática de comunicação e de interação radicalmente nova: os discursos podem ser separados das ”

“A escrita propicia a constituição de saberes desvinculados das condições imediatas de

circunstâncias particulares em que foram produzidos,

(p.93)

produção. As próprias religiões, de aspiração universalista, são baseadas em textos. A escrita ”

tenta abarcar uma totalidade de um sistema

“Admitindo-se a necessidade de precisão e de exatidão para escrever, ela passa a influenciar as outras formas de expressão, tais como a fala, além da própria organização dos

sistemas conceituais e de significação dos seus usuários. (

(p.94)

)” (p.94)

1.3 A ecologia informática e a escrita

“Da mesma forma como o aparecimento da escrita reconfigurou a ecologia oral, o

advento das novas tecnologias ampliaram e modificaram a própria escrita. (

“Os processos de informatização da escrita podem transformar um texto em um

hipertexto. (

Conhecimento, Escola e Contemporaneidade “As práticas tradicionais de conviver, trabalhar, educar e, mesmo, de pensar e de

conhecer tem sofrido abalos e transformações com o advento das novas tecnologias da

comunicação. (

“Partindo da análise dos efeitos, pode-se constatar que o impacto das novas tecnologias produz alterações no cotidiano da vida escolar. (…) Os professores tem se perguntado se o que ensinam pode ser significativo para os seus alunos viverem nessa

sociedade em transformação

“Uma ideia a ser considerada nesse sentido diz respeito a que a propalada “crise epistemológica”, ou “crise de paradigmas”, não se restringe somente à esfera de produção

)” (p.94)

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(p.95)

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(p.106)

” (p.107)

científica, afetando também professores de diferentes graus de ensino. (

)”

(p.108)

“O questionamento das certezas, produzido nos campos da ciência e da tecnologia,

afeta o cotidiano escolar, demonstrando algumas concepções epistemológicas que

generalizaram produzindo regimes de verdade. (

“A última questão consiste em pensar com quais ferramentas contamos para organizar

as informações, no intuito de constituição de uma posição (p.111) crítica/criativa de interação

entre tecnologia e conhecimento. (

No prólogo de seu livro “Logo: computadores e educação”, Seymour Papert

(1985) relata um exemplo de como a tecnologia pode funcionar como uma metáfora de pensamento. Ele confessa sua paixão por engrenagens. Escreve que passava bons momentos

manipulando e testando efeitos ocasionados pelo engate de diferentes engrenagens. Segundo o autor, sua curiosidade e a decorrente atividade com as engrenagens propiciaram-lhe a construção de um modelo mental que lhe permitiu compreender muitas ideias, principalmente

os algoritmos matemáticos que, de outra forma, lhe teriam sido abstratos. (

)” (p.109)

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Pensando em Rede

“Quando Newton e Leibniz descobriram quase ao mesmo tempo o cálculo infinitesimal ou diferencial, eles não tinham como saber o que o outro estava fazendo e não podiam trocar experiências. (…) A ideia do autor francês é que cada um de nós pode ser um

nó na rede e com isso produzimos conhecimento. (

“Aliás, o ciberespaço já é uma alternativa clara para o desemprego. (…) Nos Estados Unidos, a Internet já é há muito tempo considerada como uma saída importante para o desemprego. Um país em desenvolvimento como o Brasil e que enfrenta um grande problema de desemprego deveria tirar muito mais proveito da Internet. Pensando em rede, é possível achar soluções para esta crise.” (p.141)

)” (p.141)

Construção digital: documentos e arte “Alguns autores conceituam a internet como um caos organizado. E a ideia procede.

Em nenhum outro meio (sim, pois a Internet é um meio poderoso de comunicação!) houve

tanta “desorganização organizada” como há na rede mundial. (

“A palavra hipertexto começou a ser mais discutida depois da consolidação da Internet como mídia. O hipertexto passou a ser sugerido até mesmo como meio ineficaz de comercialização de banners comerciais na rede (em forma de links) e está presente também quando se consolidam grupos virtuais de trabalho. (…)” (p.150)

)” (p.147)

“A arte de origem digital ainda não é concebida como arte no termo mais amplo da palavra. Ainda é vista somente adicionada de uma utilidade ou uma adequação ao meio em que está inserida, como em campanhas publicitárias que se utilizam de imagens distorcidas e ”

muitas vezes surrealistas

(p.155)

A Fotografia como tecnologia da inteligência “Para Pierre Lévy (1993), a técnica possibilita um espaço relacional que, em circunstâncias específicas, é interpretada / ou empregada por determinado grupo social. A

presença de determinada técnica promove certos ritmos sobre as associações e representações que estão sob sua influência.” (p.158)

A vivência da cultura era transmitida integralmente pelo corpo através de ritos,

danças e narrativas. Assim sendo, na oralidade, a figura do tempo poderia ser representada

pelo círculo, devido ao movimento de convergência no trânsito das informações.” (p.158) “O sedentarismo e o Estado surgiram concomitante com a escrita, criada com objetivo

de incrementar a máquina governamental nos controles de impostos, comércio, colheita, etc.

(

“Em relação à tradição informático midiática, com o advento do computador e da televisão na transmissão de informações, inaugurou-se uma “revolução” na memória social, que, desde então, se encontra em constante transformação e permeada de um caráter

plenamente instituinte e globalizante. (

“pré-história” da fotografia foi a pintura, especificamente a impressionista,

caracterizada pela tentativa de fornecer uma cópia mais fiel possível do real. (

A relação entre sujeito e objeto tornou-se mediada pela lente e tornou-se mais

objetiva na medida em que o aparato técnico excetua uma leitura da luz que emana do objeto.

(

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(p.158)

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(p.160)

Da Juke Box ao MP 3 – A voz da juventude “Nos anos 50 tecnologias comunicacionais como o rádio, a tevê e o disco de vinil

possibilitaram uma das maiores revoluções comportamentais do século XX, manifestada

através e a partir do rock and roll. (

“1954 – A América do norte vivia um período de euforia e fartura pós Segunda Guerra. A sociedade americana parecia fadada ao bom-mocismo WASP que venceu a guerra ao som das comportadas orquestras jazz dos anos 40. Brancos e negros habitavam setores diferentes das cidades, frequentavam bares e restaurantes diferentes, sentavam-se em partes

)” (p.196)

diferentes do ônibus e assim por diante. (

)”

(p.197)

“Mas, inegavelmente, a identidade grupal criada na juventude americana (e que teve

reflexos na Inglaterra e outros países) foi construída em torno da utilização coletiva de novos aparatos tecnológicos: ouvindo os mesmos discos, os mesmos programas de rádio e tevê, ”

lendo as mesmas revistas

“A década de 60 assistiu à explosão em proporções mundiais do fenômeno da cultura “POP” - música, moda e comportamento de massa que, em 1967, passaram a contar com

conexões de televisão via satélite. Os Beatles tornaram o rock um fenômeno de proporções globais. A velocidade das comunicações começava a aumentar com os progressos da

eletrônica. (

“Quando as bandas punks emergiram das garagens londrinas e dos clubes da cena alternativa de Nova Iorque, inocente e (p.1999) renovadora do rock, a máquina Xerox já tinha tornado possível imprimir jornais e revistas – graficamente limitados – em pequenas

quantidades. (

“Nos anos 80, os equipamentos de gravação sonora ficaram cada vez mais acessíveis, tanto que surgiu um importante conceito: home recording – gravação caseira. Os homes

studios – estúdios domésticos, velho sonho de muitos músicos, se tornaram realidade com

gravadores multipista analógicos e a tecnologia MIDI. (

“Ocorrem, também na década de 80, dois fatos significativos: o aparecimento e o

início da disseminação dos microcomputadores e o desenvolvimento (ainda restrito ao meio universitário dos Estados Unidos e de alguns poucos países) da Internet, então restrita ao meio

acadêmico. (

“Em meados dos anos 90, a partir de 1993/1994 nos Estados Unidos e em 96 no Brasil, a Internet passou do mio universitário para um âmbito muito mais abrangente. ( )”

(p.202)

Lentamente, começa um processo de mudança, no qual a mentalidade que até

então imperava na rede, que a entendia como meio de intercâmbio livre de conhecimentos

acadêmicos, passa a ser lentamente substituída por outo pensamento que vê a rede como uma

poderosa ferramenta de comunicação social, trabalho, comércio e entretenimento também softwares.” (p.203) “Cyber concerto de rock, cyber namoro, cyber bate papo, cyberfesta, cyber fanzine,

mas

(p.198)

)”

(p.1999)

)”

(p.200)

)” (p.200)

)”

(p.201)

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cyber publicação, cyber vida. Nada demais. Para muitos, parte do cotidiano. Apenas mais uma extensão do homem. Os jovens (de todas as idades) hoje tem sua cyber comunidade no espaço