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“Deixai os mortos enterrarem os seus mortos”

O Espírito Emmanuel, comentando o texto evangélico, diz-nos que Jesus não


recomendou ao aprendiz deixasse “aos cadáveres o cuidado de enterrar os cadáveres”,
e sim conferisse “aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos”. Há, em verdade,
grande diferença. O cadáver é carne sem vida, enquanto um morto é alguém que se
ausenta da vida. Nesta lição ele fala dos trânsfugas da evolução, dos que mergulham
em sepulcros de ouro, de vício, de amargura e de ilusão, os verdadeiros mortos para os
atributos da evolução espiritual. Conclui dizendo: “se encontrares algum cadáver, dá-
lhe a bênção da sepultura, na relação das tuas obras de caridade, mas, em se tratando
da jornada espiritual, deixa sempre “aos mortos o cuidado de enterrar os seus
mortos””. (Xavier, s.d.p., cap. 143)

“Quem é minha mãe e quem são meus irmãos”

Em nenhum momento Jesus quis menosprezar seus parentes com essa indagação. Ao
contrário, com a sua infinita sabedoria, desejava despertar o pensamento dos homens
para a grande família universal. Desejava demonstrar que todos somos irmãos, pois
somos filhos do mesmo Criador, devendo ser exteriorizado o respeito e afeto pelos
nossos semelhantes. Estendeu as mãos apontando para os discípulos e disse: “eis
minha mãe e meus irmãos” e finalizou com uma das maiores pérolas de seus
ensinamentos: “porque todo aquele que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu
irmão, irmã e mãe”.

Humildade e Orgulho

Humildade vem do Latim humus que significa "filhos da terra". Refere-se à qualidade
daqueles que não tentam se projetar sobre as outras pessoas, nem se mostrar ser a
elas. A Humildade é a virtude que dá o sentimento exato da nossa fraqueza, modéstia,
respeito, pobreza, reverência e submissão.

“Humildade não é servidão. É, sobretudo, independência, liberdade interior que nasce


das profundezas do espírito, apoiando-lhe a permanente renovação para o bem.
Cultivá-la é avançar para a frente sem prender-se, é projetar o melhor de si mesmo
sobre os caminhos do mundo, é olvidar todo o mal e recomeçar alegremente a tarefa
do amor, cada dia... Refletindo-a, do Céu para a Terra, em penhor de redenção e
beleza, o Cristo de Deus nasceu na palha da Manjedoura e despediu-se dos homens
pelos braços da Cruz. EMMANUEL (Pensamento e Vida, 24, FCXavier) Fonte: Instituto
André Luiz

Kardec nos diz : "Se o orgulho é o pai de muitos vícios é também a negação de muitas
virtudes e pode-se encontrá-lo na base e como motivo de quase todas as nossas
ações". O orgulho é o maior dos defeitos e o mais difícil de ser combatido, pois ele está
no âmago do nosso ser. Dizem os espíritos superiores que é o último a ser eliminado.
Ele nos faz ter a falsa idéia de que somos melhores e superiores às outras pessoas, e
em alguns casos até mais que o próprio Deus. Ele dificulta muito o aprendizado moral,
pois o orgulhoso não está disposto a se melhorar porque acha que não necessita disto.

O melhor combate a este perigoso defeito é adquirirmos a humildade, virtude que


nivela os homens, eliminando a falsa idéia de superioridade de uns frente aos outros,
propiciando o progresso espiritual que os aproxima de Deus. Ser humilde é reconhecer
nossa pequenez diante do universo e ter a consciência plena de que tudo pertence a
Deus. Por tudo isto nos ensinou Jesus: “Quem quiser tornar-se grande entre vós, será
esse o que vos sirva, e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo.” (Mt
20:26-27)

“Fora da caridade não há salvação”

Qual a mais meritória de todas as virtudes? Todas as virtudes têm seu mérito, porque
indicam progresso no caminho do bem. Há virtude sempre que há resistência
voluntária ao arrastamento das más tendências; mas a sublimidade da virtude é o
sacrifício do interesse pessoal pelo bem de seu próximo, sem segundas intenções. A
mais merecedora das virtudes nasce da mais desinteressada caridade. (LE 893)

Jesus não considera a caridade apenas como uma das condições para a salvação, mas
designa como condição única, pois ela abrange todas as outras: a humildade, a
brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc., e também porque significa a
negação absoluta do orgulho e do egoísmo naquele que a pratica.

A máxima: “Fora da caridade não há salvação” consagra o princípio da igualdade


perante Deus, e da liberdade de consciência, não vinculando a salvação a uma crença,
pois em qualquer corrente religiosa a que pertença, o homem sempre terá sempre a
oportunidade praticá-la.

13 - Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou
como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. 2. Mesmo que eu tivesse o dom
da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda
a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. 3. Ainda
que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse
meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria! ( I - Coríntios -
cap. 13)

Por seus frutos os conhecereis.”

Nem pelo tamanho. Nem pela configuração. Nem pelas ramagens. Nem pela
imponência da copa. Nem pelos rebentos verdes. Nem pelas pontas ressequidas. Nem
pelo aspecto brilhante. Nem pela apresentação desagradável. Nem pela vetustez do
tronco. Nem pela fragilidade das folhas. Nem pela casca rústica ou delicada. Nem pelas
flores perfumadas ou inodoras. Nem pelo aroma atraente. Nem pelas emanações
repulsivas. Árvore alguma será conhecida ou amada pelas aparências exteriores, mas
sim pelos frutos, pela utilidade, pela produção. Assim também nosso espírito em plena
jornada ...

Ninguém que se consagre realmente à verdade dará testemunho de nós pelo que
parecemos, pela superficialidade de nossa vida, pela epiderme de nossas atitudes ou
expressões individuais percebidas ou apreciadas de passagem, mas sim pela
substância de nossa colaboração no progresso comum, pela importância de nosso
concurso no bem geral. "Pelos frutos os conhecereis” – disse o Mestre. -“Pelas nossas
ações seremos conhecidos”- Emmanuel.
Provas voluntárias e verdadeiro cilício

Nossas provas visam unicamente o nosso aperfeiçoamento e não o nosso sofrimento.


As provas voluntárias só têm o seu valor, para o nosso progresso, quando procuradas
em benefício do próximo, porquanto é a caridade pelo sacrifício. O verdadeiro cilício
consiste nos flagelos e martírios a que nos submetemos para combater o orgulho e
demais mazelas que nos impedem a evolução, ou seja, o verdadeiro cilício não é o
flagelo do corpo. "Abençoa, pois, o teu corpo e ampara-lhe as energias para que ele te
abençoe e te ampare, no desempenho de tua própria missão." Emmanuel - Livro da
Esperança - nº 10

A coragem da fé

O homem deve viver na conformidade de suas crenças. Esposar um ideal é muito


pouco. É necessário ser fiel a esse ideal. Ser fiel a um Ideal não implica tornar-se
conversor compulsório dos semelhantes. A liberdade de consciência é um imperativo
da vida em sociedade. Entretanto, respeitar a liberdade dos outros não significa ser
conivente com seus equívocos.

Para viver em paz é necessário aprender a conviver com o diferente. Mas viver
pacificamente não é sinônimo de ser passivo. Em certos momentos, a omissão é um
escândalo. Sempre que chamado a dar opinião sobre uma questão ética, é importante
ser honesto, embora mantendo a gentileza. Se a opinião não agradar, paciência. Em
todo e qualquer caso, agir corretamente, mesmo em prejuízo dos próprios interesses
imediatos. Uma vida honrada é o maior e mais corajoso testemunho que um homem
pode dar de suas crenças. (Momento Espírita).

O argueiro e a trave

LE903. É errado estudar os defeitos dos outros? Se é para divulgação e crítica há


grande erro, porque é faltar com a caridade. Porém, se a análise resultar em seu
proveito pessoal evitando-os para si mesmo, isso pode algumas vezes ser útil. Mas é
preciso não esquecer que a indulgência com os defeitos dos outros é uma das virtudes
contidas na caridade. Antes de censurar os outros pelas imperfeições, vede se não se
pode dizer o mesmo de vós. Empenhai-vos em ter as qualidades opostas aos defeitos
que criticais nos outros, esse é o meio de vos tornardes superiores; se os censurais por
serem mesquinhos, sede generosos; por serem orgulhosos, sede humildes e modestos;
por serem duros, sede dóceis; por agirem com baixeza, sede grandes em todas as
ações. Em uma palavra, fazei de maneira que não se possa aplicar a vós estas palavras
de Jesus: “Vê um cisco no olho de seu vizinho e não vê uma trave no seu”.

“ se alguém te ferir na face direita”

Dizer para oferecer uma face quando a outra for batida, é dizer, de uma outra maneira,
que não devemos retribuir o mal com o mal, que o homem deve aceitar com humildade
tudo o que faz rebaixar o seu orgulho, que é mais glorioso para ele ser ferido que ferir,
suportar pacientemente uma injustiça que cometê-la: que mais vale ser enganado que
enganar, ser arruinado do que arruinar.
Depois da mensagem do Cristo e de Kardec, recebemos também esse ensinamento
através de Gandhi que tornou-se mundialmente conhecido ao expulsar o Império
Britânico da Índia sem disparar um tiro sequer. Ele trouxe o pensamento puro da Índia
da não-violência e que foi inspirado pelo Amor universal.

“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”

Quando Ele, Cristo, diz ser "O Caminho, A Verdade e A Vida", deixa claro que a
ascensão espiritual é um Caminho a ser percorrido, e não um processo instantâneo e
automático.

Se observarmos a seqüência da frase, veremos o quanto o processo é importante em


sua cronologia. Para chegarmos à Verdade é necessário que o Caminho exemplificado
pelo Cristo tenha sido percorrido. Esse é o Caminho que nos leva à conquista da
evolução moral. E esta conquista se faz no exercício do "Amar a Deus e ao próximo".
De posse desse conhecimento fundamental estaremos aptos para entender a Vida
plena, e efetivamente desfrutarmos da Paz que o Amor sublime e consciente constrói.

“Eu sou o pão da vida”

O pão verdadeiro, representado pelos ensinamentos evangélicos, é o pão do qual a


Humanidade não pode prescindir - o único que alimenta espiritualmente o homem,
propiciando-lhe meios de sentir e viver aquilo que o Evangelho preceitua, apressando
deste modo a sua evolução espiritual rumo a uma superior destinação e, equacionando
os problemas de todos os matizes que o acometem.Revista O Semeador – Abril de 1981

Mistérios ocultos aos sábios eprudentes

Nesta passagem, Jesus dá graças ao Pai porque Ele escondeu os conhecimentos


espirituais dos que se julgam sábios e prudentes e os revelou aos simples e
pequeninos. Por que Jesus faz isso? É que sábio, naquela época, tinha a conotação de
sabichão, ligado mais ao orgulho de se possuir um certo conhecimento intelectual, mas
que não era necessariamente a verdadeira sabedoria. Só tomamos posse do
conhecimento intelectual quando nos posicionamos com humildade perante a vida e as
leis que a regem. Só assim iremos transformar em sabedoria a informação intelectual
que temos.

Cuidar do corpo e do espírito

Sabe-se que o cuidado com o corpo, promovendo a saúde e evitando enfermidades,


influi de maneira muito importante sobre a alma. Para que essa prisioneira viva se
expanda e chegue mesmo a conceber as ilusões da liberdade, tem o corpo de estar
são, disposto, forte. No corpo humano, temos na Terra o mais sublime dos santuários e
uma das supermaravilhas da Obra Divina.

É verdade que isolado na concha milagrosa do corpo, o Espírito está reduzido, em suas
percepções, a limites que se fazem necessários. Dentro da grade dos sentidos
fisiológicos, porém, o Espírito recebe gloriosas oportunidades de trabalho no labor de
auto-superação. Precisa-se compreender que o corpo é o instrumento de manifestação
do Espírito. Não é o corpo que é fraco, quando das quedas morais e, sim, o Espírito.
O corpo nada mais é que o instrumento passivo da alma, e da sua condição perfeita
depende a perfeita exteriorização das faculdades do Espírito. O homem tem o dever de
velar pela conservação do seu ser. É esta uma lei absoluta, que não lhe é dado ab-
rogar. Mas, não lhe assiste o direito de sacrificar ao supérfluo os cuidados que o Espírito
requer. Disse Jesus: “Nem só de pão vive o homem”. Saibamos, portanto, aliar o
cuidado de que necessita o nosso corpo aos que o nosso Espírito reclama. Amemos,
pois, a nossa alma, porém, cuidemos igualmente do nosso corpo, instrumento daquela.
Desatender as necessidades que a própria Natureza indica, é desatender a lei de Deus.
(ESDE Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita).

Trabalhadores da última hora

O reino dos céus é obtido se alguém souber agir como o chefe-de-família, não como os
trabalhadores. Quem é o chefe-de-família? É o Espírito, a individualidade, que sai à
Terra para engajar trabalhadores (personalidades ou personagens, compostas de
bilhões de células) a fim de que trabalhem na sua vinha, ajudando-lhe a ascensão .
Então ocorre que algumas pegam o trabalho pesado durante as "doze" horas, isto é,
um ciclo inteiro de civilização, pois doze é o giro completo do zodíaco. Sofrem o "peso
do dia" e também o "calor do sol", pois tem que desbastar toda a parte grosseira da
hominização primitiva, do trabalho braçal, da conquista pura e simples do pão de cada
dia com o suor real de seu rosto. Os trabalhadores seguintes irão sendo convocados em
períodos posteriores. Mas, à medida que a evolução avança, cada tipo de personagem
dura menos tempo, no fim, o movimento é mais rápido. Assim as do terceiro ciclo
servem ao "senhor" (Espírito) que as engaja, durante nove horas. Os convocados no
sexto ciclo, servirão durante meio seis horas. Os chamados no nono ciclo trabalharão
apenas três horas.

Por aí entendemos certas coisas que constituíam interrogação sem resposta. Por
exemplo, o progresso da civilização, que caminha em proporção geométrica: da
primeira tentativa de vôo do mais pesado que o ar ao vôo a jato transcorreram 50
anos; deste ao vôo espacial, e em visita à lua, dez anos; mais: da primeira experiência
cinematográfica (Lumière, 1900) à televisão (1940) distaram 40 anos. Mas desta às
transmissões através de um satélite (Telstar) transcorrem só 20 anos! Consideremos,
ainda, a diferença entre as personagens nascidas há cinquenta anos e as atuais,
quando o Q.I. sobe em índices incontroláveis. Assim, as últimas personagens utilizadas
na evolução do Espírito, executarão seu trabalho em períodos de tempo muito
menores, embora o serviço realizado seja equivalente (ou até superior) aos dos
primeiros trabalhadores. Daí o salário ser idêntico em valor. Proporcionalmente, o
trabalho executado também foi equivalente.

O reino dos céus, pois, é semelhante a um homem justo, que distribui a cada
trabalhador o salário justo, de acordo com o valor do serviço realizado, e não do tempo
empregado para realizá-lo. Assim, tanto merece aquele que necessita de dez
encarnações trabalhando para consegui-lo, quanto aquele que numa só existência o
conquista, porque seu esforço foi mais intenso. O Espírito é o único que pode julgar, o
único que pode contratar e escolher as personagens de que necessita para
"trabalharem em sua vinha".

SABEDORIA DO EVANGELHO C.T.Pastorino


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